Rodrigo Bezerra et al. Flávio Teles de Farias Filho Audes Feitosa Wilson Nadruz … Andrea Araújo Brandão Weimar Kunz Sebba Barroso
As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial das Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) e Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) recomendam o uso de diuréticos de alça em substituição dos tiazídicos nos pacientes com doença renal crônica (DRC) estágios 4 e 5, ou seja, ritmo de filtração glomerular (RFG) ≤ 30ml/min/1,73m2. Esta orientação está alinhada com outras diretrizes, como por exemplo, a Diretriz Europeia de Hipertensão (ESC/ESH 2018) que afirma que os diuréticos tiazídicos e tiazídico-símile são menos efetivos em pacientes com RFG < 45ml/min/1.73m2e inefetivos quando o RFG < 30ml/min/1,73m2. No entanto, o estudo que estabeleceu este conceito data de 1961 e avaliou apenas 11 pacientes, sendo que apenas 5 destes apresentavam RFG < 37ml/min/1,73m2. A despeito disso, este conceito gerou um dogma exportado para os livros textos, propagado por décadas como uma verdade incontestável.
Após a publicação do estudo ALLHAT em 2002 e a demonstração do impacto positivo da clortalidona sobre o controle pressórico e desfechos cardiovasculares, os tiazídicos ganharam destaque no tratamento da hipertensão arterial (HA), sendo hoje considerados primeira linha de tratamento, seja em monoterapia ou em associação com outros fármacos. Além disso, a HA e a doença renal crônica (DRC) frequentemente coexistem, seja como causa ou consequência da perda de função renal e muitos dos estudos utilizados para nortear a produção das diretrizes de hipertensão arterial utilizaram um grande número de pacientes com DRC. Como exemplo, nos estudos SPRINT e ALLHAT, 28% e 23,7% dos pacientes respectivamente, apresentavam DRC estágios 3 e 4.,
[…]