A Frequência de Doenças Cardiovasculares na Artrite Reumatoide no Brasil: Estudo de Coorte de 10 Anos com Bancos de Dados do DATASUS
Resumo
Fundamento
Os desfechos cardiovasculares em pacientes com artrite reumatoide (AR) têm sido amplamente investigados na literatura em relação aos fatores biológicos.
Objetivos
O presente estudo de coorte retrospectivo nacional visou explorar a distribuição de eventos cardiovasculares em pacientes com AR, assistidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, bem como identificar fatores associados a esses desfechos.
Métodos
Pacientes com idade ≥ 18 anos foram identificados no Banco de Dados do Sistema Único de Saúde (DATASUS) por meio dos códigos CID-10 da AR e seus procedimentos terapêuticos de acordo com as diretrizes do SUS. Os pacientes com AR tratados com medicamentos antirreumáticos modificadores da doença (DMARDs) foram categorizados como usuários biológicos e não biológicos (sintéticos). Foram analisados os desfechos cardiovasculares, incluindo doença arterial coronária aguda (DACA), insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral (AVC). Os pacientes também foram categorizados com base nos padrões de tratamento (se usaram o medicamento consistentemente ou mudaram para outro). O nível socioeconômico foi avaliado usando o Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (IFDM). As análises descritivas identificaram a distribuição populacional e os desfechos cardiovasculares, e a regressão logística múltipla explorou os fatores associados. A significância estatística adotada foi de p < 0,05.
Resultados
Entre os 4.321 pacientes com AR tratados com DMARDs, foram identificados 198 desfechos cardiovasculares (4,68%). A maioria era do sexo feminino (3.398 [80,3%]) com idade média de 54,2 (desvio padrão 12,8) anos, predominantemente da Região Sudeste (2.421 [57,2%]). O IFDM geral predominante foi > 0,8 (47,5%). Idade avançada, presença de fatores de risco cardiovascular e uso de DMARDs sintéticos foram associados aos desfechos cardiovasculares.
Conclusão
Os desfechos cardiovasculares em pacientes com AR são comuns e estão associados à idade, comorbidades e medicamentos usados para tratamento.
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