Manejo das Doenças Cardiovasculares em Mulheres: É Trabalho de Todos
As doenças cardiovasculares (DCVs) são a principal causa de carga de doença no mundo. Dados recentes do projeto Global Burden of Disease (GBD) de 2021 apresentaram valores de 3568,0 DALYs por 100 mil habitantes ( disability-adjusted life years , ou anos de vida ajustados por incapacidade; um DALY representa a perda equivalente a um ano de vida saudável) e 162,2 mortes por 100 mil habitantes, com uma prevalência de 6905,6 por 100 mil habitantes no Brasil. Enquanto progressos consideráveis foram feitos na redução de mortes por DCVs no Brasil de 1980 ao início da década 2020, houve um aumento preocupante na mortalidade bruta e nos DALYs nos últimos anos, principalmente entre as mulheres, devido a infarto do miocárdio, entre outras causas. Assim, novas estratégias são necessárias para melhorar a saúde cardiovascular. ,
O Brasil é um país continental com muitas desigualdades apesar de um sistema de saúde com cobertura universal. O sistema baseia-se, entre outros, no Programa Saúde da Família presente em 5568 cidades de todas as regiões do país. De 1990 a 2019, houve um número maior de mortes e DALYs por acidente vascular cerebral nas mulheres em comparação aos homens em todas as regiões, principalmente Norte e Nordeste, enquanto o número de mortes e DALYs por doença cardíaca isquêmica foi pouco diferente entre os sexos nas regiões. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) lançou recentemente um relatório sobre atenção primária à saúde no Brasil, que não fez menção à DCV nas mulheres, mas apenas sugestões para a abordagem do câncer de mama e câncer de ovário. No entanto, as DCVs causam duas vezes mais mortes que todas as neoplasias combinadas nas mulheres brasileiras.
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