Editorial

Tratamento Percutâneo de Regurgitação Mitral Funcional em Insuficiência Cardíaca

A insuficiência cardíaca (IC) congestiva continua sendo um dos mais importantes e desafiadores problemas clínicos da medicina cardiovascular no Brasil e no mundo. Há evidência de que a mortalidade nesse cenário decresceu no Brasil nos últimos anos, provavelmente devido, pelo menos em parte, ao uso mais intenso e disseminado de bloqueio neurohormonal (com os inibidores da enzima conversora de angiotensina e os beta-bloqueadores) para IC avançada. Para melhor avaliar as características da doença cardíaca terminal no Brasil, o Primeiro Registro Brasileiro de Insuficiência Cardíaca (I Brazilian Registry of Heart Failure – BREATHE registry) em andamento avaliará o perfil de 1.200 pacientes admitidos com IC descompensada em 60 hospitais representantes das diferentes regiões brasileiras. Espera-se que os resultados finais do registro BREATHE estejam disponíveis nos próximos meses. A despeito das recentes melhoras na terapia médica, a IC avançada continua a apresentar um mau prognóstico; em séries contemporâneas de centros brasileiros, as taxas de mortalidade podem alcançar 30% a 50% no primeiro ano de doença. Nesse contexto, alternativas terapêuticas tem sido intensamente investigadas na tentativa de melhorar os desfechos de pacientes com IC.

A regurgitação mitral (RM) é achado frequente em indivíduos com IC terminal,. Estudos observacionais revelaram que a maioria dos pacientes com IC e RM grave (≥ 3+) apresenta mais RM funcional (74%) do que degenerativa (21%). Embora a cirurgia seja a terapia padrão-ouro para pacientes com valvopatia mitral orgânica (i.e., degenerativa) associada a sintomas ou evidência de disfunção ventricular esquerda, seu benefício para pacientes com RM secundária a disfunção ventricular subjacente (i.e., RM funcional) permanece incerto. Portanto, indivíduos com RM funcional são com frequência encaminhados para manejo clínico isolado e apresentam mau prognóstico de longo prazo.

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