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  2. Palavra-chave: Reinervação Renal
Figura 1
ABC
Carta Científica

Reinervação após Denervação Renal – Um Mito?

Eric Monteiro et al. Joana Delgado-Silva Gonçalo Costa Lino Gonçalves

Introdução

A hipertensão (HTN) é um dos principais fatores de risco que influenciam a carga global de doenças cardiovasculares. Apesar de medidas como mudanças no estilo de vida e tratamento farmacológico reduzirem a pressão arterial (PA) e as complicações cardiovasculares em todo o mundo, o tratamento da hipertensão permanece sub-ótimo com a PA inadequadamente controlada em muitos pacientes. No estudo randomizado ReHOT, a prevalência de hipertensão resistente foi de 11,7% entre os hipertensos brasileiros, o que está de acordo com a prevalência relatada em outros estudos internacionais., De acordo com as diretrizes atuais da European Society of HTN, a HTN resistente é definida quando os valores alvo de PA não são alcançados, apesar da prescrição de terapia tripla, incluindo um diurético na dose máxima tolerada. Acredita-se que a hiperatividade do sistema nervoso simpático desempenhe um papel importante na HTN resistente. Ao nível renal, a via de saída simpática eferente para os rins leva ao aumento da produção de noradrenalina, vasoconstrição renal e liberação de renina, causando retenção de sódio. Por outro lado, as fibras simpáticas aferentes enviam sinais ao cérebro para estimular a atividade simpática central e contribuem para a HTN neurogênica. A denervação renal (RDN, renal denervation) por cateter surgiu como um dos métodos invasivos mais utilizados para o tratamento da HTN resistente. Tem como objetivo a ablação dos nervos simpáticos aferentes e eferentes na camada adventícia das artérias renais utilizando energia de radiofrequência. É realizada através da inserção do cateter do dispositivo percutaneamente na artéria femoral, que é então avançado nas artérias renais principais sob orientação fluoroscópica. De acordo com uma meta-análise, a taxa de complicações do procedimento é baixa, e consiste principalmente em pseudoaneurismas no local de acesso vascular e dissecção da artéria renal. Entretanto, seu papel na prática clínica é controverso, e há poucas informações sobre as diferentes respostas a esse procedimento. Relatamos dois casos de HTN resistente idiopática tratados com RDN. Ambos os pacientes apresentaram uma resposta inicial acentuada ao procedimento. No entanto, a PA voltou aos valores basais após 24 e 18 meses de seguimento, respectivamente. Foi realizada uma investigação para detectar causas secundárias de HTN, sem achados que justificassem as alterações da PA. Portanto, foi realizada uma nova RDN, com bons resultados e duração até os dias atuais (6 meses de seguimento para o paciente 1 e mais de três anos de seguimento para o paciente 2). Este é um relato sobre a resposta heterogênea à RDN, o possível papel da reinervação funcional e o potencial desenvolvimento de supersensibilidade à norepinefrina após a RDN. Esses mecanismos podem ser responsáveis por aumentar a PA de volta aos valores basais após uma resposta inicial ideal.

[…]

  • Denervação Renal
  • Diagnóstico por Imagem/métodos
  • Hipertensão Resistente/terapia
  • Monitoração Ambulatorial da Pressão Arterial/métodos
  • Reinervação Renal
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Creative Commons Attribution (CC BY) Creative Commons license
11/07/2022 DOI: 10.36660/abc.20210167 Visualizações 1

Como citar este artigo

EndNote RIS

Formato de Documento Eletrônico (Vancouver)

Monteiro E, Delgado-Silva J, Costa G, Gonçalves L. Reinervação após Denervação Renal – Um Mito?. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 2022;119(1):128-32.

Formato de Documento Eletrônico (ABNT)

Monteiro, Eric; Delgado-Silva, Joana; Costa, Gonçalo; Gonçalves, Lino. Reinervação após Denervação Renal – Um Mito?. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 119, n. 1, p. 128-132, jul. 2022.

Formato de Documento Eletrônico (APA)

Monteiro, E., Delgado-Silva, J., Costa, G., & Gonçalves, L. (2022). Reinervação após Denervação Renal – Um Mito?. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 119(1), 128-132.

Formato de Documento Eletrônico (ISO)

Monteiro, Eric and Delgado-Silva, Joana and Costa, Gonçalo and Gonçalves, Lino. Reinervação após Denervação Renal – Um Mito?. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2022, vol. 119, n. 1, [citado 2026-10-14], pp. 128-132. Disponível em: <https://journals.cardiol.br/article/reinervacao-apos-denervacao-renal-um-mito/>. ISSN 0066-782X

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