Maíra Viana Rego Souza-Silva et al. Daniella Nunes Pereira Magda Carvalho Pires Isabela Muzzi Vasconcelos … Alexandre Vargas Schwarzbold Diego Henrique de Vasconcelos Elayne Crestani Pereira Euler Roberto Fernandes Manenti Felício Roberto Costa Filipe Carrilho de Aguiar Fernando Anschau Frederico Bartolazzi Guilherme Fagundes Nascimento Heloisa Reniers Vianna Joanna d’Arc Lyra Batista Juliana Machado-Rugolo Karen Brasil Ruschel Maria Angélica Pires Ferreira Leonardo Seixas de Oliveira Luanna Silva Monteiro Menezes Patricia Klarmann Ziegelmann Marcela Gonçalves Trindade Tofani Maria Aparecida Camargos Bicalho Matheus Carvalho Alves Nogueira Milton Henriques Guimarães-Júnior Rúbia Laura Oliveira Aguiar Danyelle Romana Alves Rios Carisi Anne Polanczyk Milena Soriano Marcolino
Resumo
Fundamento
Apesar da ausência de evidência mostrando benefícios da hidroxicloroquina e da cloroquina combinadas ou não à azitromicina no tratamento da covid-19, esses medicamentos têm sido amplamente prescritos no Brasil.
Objetivos
Avaliar desfechos, incluindo moralidade hospitalar, alterações eletrocardiográficas, tempo de internação, admissão na unidade de terapia intensiva, e necessidade de diálise e de ventilação mecânica em pacientes hospitalizados com covid-19 que receberam cloroquina ou hidroxicloroquina, e comparar os desfechos entre aqueles pacientes e seus controles pareados.
Métodos
Estudo multicêntrico retrospectivo do tipo coorte que incluiu pacientes com diagnóstico laboratorial de covid-19 de 37 hospitais no Brasil de março a setembro de 2020. Escore de propensão foi usado para selecionar controles pareados quanto a idade, sexo, comorbidades cardiovasculares, e uso de corticosteroides durante a internação. Um valor de p<0,05 foi considerado estatisticamente significativo.
Resultados
Dos 7850 pacientes com covid-19, 673 (8,6%) receberam hidroxicloroquina e 67 (0,9%) cloroquina. A idade mediana no grupo de estudo foi 60 (46-71) anos e 59,1% eram mulheres. Durante a internação, 3,2% dos pacientes apresentaram efeitos adversos e 2,2% necessitaram de interromper o tratamento. Alterações eletrocardiográficas foram mais prevalentes no grupo hidroxicloroquina/cloroquina (13,2% vs. 8,2%, p=0,01), e o prolongamento do intervalo QT corrigido foi a principal diferença (3,6% vs. 0,4%, p<0,001). O tempo mediano de internação hospitalar foi maior no grupo usando CQ/HCQ em relação aos controles (9,0 [5,0-18,0] vs. 8,0 [4,0-14,0] dias). Não houve diferenças estatisticamente significativas entre os grupos quanto a admissão na unidade de terapia intensiva (35,1% vs. 32,0%; p=0,282), ventilação mecânica invasiva (27,0% vs. 22,3%; p=0,074) ou mortalidade (18,9% vs. 18,0%; p=0,682).
Conclusão
Pacientes com covid-19 tratados com cloroquina ou hidroxicloroquina apresentaram maior tempo de internação hospitalar, em comparação aos controles. Não houve diferença em relação a admissão em unidade de terapia intensiva, necessidade de ventilação mecânica e mortalidade hospitalar.