<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="ppub">0066-782X</issn>
      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
      </publisher>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2012001300013</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(12)09900413</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2012005000090</article-id>
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        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Artigos de Revis&#227;o</subject>
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        <article-title>Press&#227;o arterial e discrimina&#231;&#227;o interpessoal: revis&#227;o sistem&#225;tica de estudos epidemiol&#243;gicos</article-title>
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            <given-names>Janaina Brugnera</given-names>
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          <named-content content-type="city">Florian&#243;polis</named-content>
          <named-content content-type="state">Santa Catarina</named-content>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Santa Catarina</institution>
        <country country="BR">Brazil</country>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>10</month>
        <year>2012</year>
      </pub-date>
      <volume>99</volume>
      <issue>4</issue>
      <fpage>956</fpage>
      <lpage>963</lpage>
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          <day>13</day>
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          <year>2011</year>
        </date>
        <date date-type="accepted">
          <day>04</day>
          <month>06</month>
          <year>2012</year>
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        <date date-type="rev-recd">
          <day>20</day>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
        </license>
      </permissions>
      <abstract>
        <p>A rela&#231;&#227;o entre press&#227;o arterial e discrimina&#231;&#227;o tem sido investigada recentemente, havendo intensos debates na literatura sobre o tema. Este trabalho objetivou atualizar as revis&#245;es de literatura sobre discrimina&#231;&#227;o e press&#227;o arterial ou hipertens&#227;o. Foi conduzida pesquisa no PubMed, entre janeiro/2000 e dezembro/2010, incluindo estudos epidemiol&#243;gicos, que avaliaram a discrimina&#231;&#227;o interpessoal e sua rela&#231;&#227;o com press&#227;o arterial/hipertens&#227;o. Os 22 estudos identificados originaram-se dos Estados Unidos; 96% deles empregaram o delineamento transversal, com amostras de conveni&#234;ncia e compostas, em 59% dos casos, exclusivamente por negros. Os instrumentos mais utilizados para aferir discrimina&#231;&#227;o foram Everyday Discrimination Scale e Perceived Racism Scale, enfatizando a discrimina&#231;&#227;o &#233;tnico-racial, ocorrida ao longo da vida ou cotidianamente. Nos 22 estudos avaliados, a rela&#231;&#227;o entre discrimina&#231;&#227;o e os desfechos foi analisada 50 vezes. Em 20 (40%) resultados, n&#227;o foi encontrada qualquer associa&#231;&#227;o e, em apenas 15 (30%), observaram-se associa&#231;&#245;es positivas globais, sendo 67% destas estatisticamente significativas. Foram tamb&#233;m observadas oito associa&#231;&#245;es inversas, sugerindo que maior exposi&#231;&#227;o &#224; discrimina&#231;&#227;o estaria associada com menor press&#227;o arterial/hipertens&#227;o. Os estudos n&#227;o permitiram apoiar consistentemente a hip&#243;tese de que a discrimina&#231;&#227;o est&#225; associada &#224; maior press&#227;o arterial. Isto pode ser atribu&#237;do, em parte, &#224;s limita&#231;&#245;es dos estudos, relacionadas &#224; mensura&#231;&#227;o da discrimina&#231;&#227;o e de eventos que podem modificar sua associa&#231;&#227;o com os desfechos. Para consolidar a discrimina&#231;&#227;o como um fator de risco epidemiol&#243;gico, &#233; necess&#225;rio utilizar estrat&#233;gias metodol&#243;gicas mais rigorosas e revisar os marcos te&#243;ricos que prop&#245;em rela&#231;&#245;es de causa e efeito entre discrimina&#231;&#227;o e press&#227;o arterial.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Press&#227;o arterial</kwd>
        <kwd>preconceito</kwd>
        <kwd>revis&#227;o</kwd>
        <kwd>estudos epidemiol&#243;gicos</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>02</day>
        <month>10</month>
        <year>2012</year>
      </pub-date>
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  <body>
    <p>
      <bold>Press&#227;o arterial e discrimina&#231;&#227;o interpessoal: revis&#227;o sistem&#225;tica de estudos epidemiol&#243;gicos</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Paulo Francisco Couto; Janaina Brugnera Goto; Jo&#227;o Luiz Bastos</bold>
    </p>
    <p>Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, Florian&#243;polis, SC - Brasil</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="end">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p>A rela&#231;&#227;o entre press&#227;o arterial e discrimina&#231;&#227;o tem sido investigada recentemente, havendo intensos debates na literatura sobre o tema. </p>
    <p> Este trabalho objetivou atualizar as revis&#245;es de literatura sobre discrimina&#231;&#227;o e press&#227;o arterial ou hipertens&#227;o. </p>
    <p> Foi conduzida pesquisa no PubMed, entre janeiro/2000 e dezembro/2010, incluindo estudos epidemiol&#243;gicos, que avaliaram a discrimina&#231;&#227;o interpessoal e sua rela&#231;&#227;o com press&#227;o arterial/hipertens&#227;o. </p>
    <p> Os 22 estudos identificados originaram-se dos Estados Unidos; 96% deles empregaram o delineamento transversal, com amostras de conveni&#234;ncia e compostas, em 59% dos casos, exclusivamente por negros. Os instrumentos mais utilizados para aferir discrimina&#231;&#227;o foram <italic>Everyday Discrimination Scale</italic> e <italic>Perceived Racism Scale</italic>, enfatizando a discrimina&#231;&#227;o &#233;tnico-racial, ocorrida ao longo da vida ou cotidianamente. Nos 22 estudos avaliados, a rela&#231;&#227;o entre discrimina&#231;&#227;o e os desfechos foi analisada 50 vezes. Em 20 (40%) resultados, n&#227;o foi encontrada qualquer associa&#231;&#227;o e, em apenas 15 (30%), observaram-se associa&#231;&#245;es positivas globais, sendo 67% destas estatisticamente significativas. Foram tamb&#233;m observadas oito associa&#231;&#245;es inversas, sugerindo que maior exposi&#231;&#227;o &#224; discrimina&#231;&#227;o estaria associada com menor press&#227;o arterial/hipertens&#227;o. </p>
    <p> Os estudos n&#227;o permitiram apoiar consistentemente a hip&#243;tese de que a discrimina&#231;&#227;o est&#225; associada &#224; maior press&#227;o arterial. Isto pode ser atribu&#237;do, em parte, &#224;s limita&#231;&#245;es dos estudos, relacionadas &#224; mensura&#231;&#227;o da discrimina&#231;&#227;o e de eventos que podem modificar sua associa&#231;&#227;o com os desfechos. Para consolidar a discrimina&#231;&#227;o como um fator de risco epidemiol&#243;gico, &#233; necess&#225;rio utilizar estrat&#233;gias metodol&#243;gicas mais rigorosas e revisar os marcos te&#243;ricos que prop&#245;em rela&#231;&#245;es de causa e efeito entre discrimina&#231;&#227;o e press&#227;o arterial.</p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> Press&#227;o arterial; preconceito; revis&#227;o; estudos epidemiol&#243;gicos.</p>
    <p>
      <bold>Introdu&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>A rela&#231;&#227;o entre discrimina&#231;&#227;o e sa&#250;de tem despertado interesse cada vez maior de pesquisadores da &#225;rea de sa&#250;de coletiva, os quais t&#234;m produzido um n&#250;mero crescente de trabalhos abordando o tema, especialmente nas &#250;ltimas tr&#234;s d&#233;cadas<sup>1</sup>. Embora o interesse sobre a tem&#225;tica tenha aumentado, ainda &#233; vis&#237;vel na literatura uma persistente confus&#227;o terminol&#243;gica, na qual os termos <italic>discrimina&#231;&#227;o</italic> e <italic>racismo</italic> s&#227;o frequentemente utilizados de maneira intercambi&#225;vel<sup>2</sup>. Enquanto a discrimina&#231;&#227;o se refere <italic>"ao tratamento de modo diferencial e frequentemente desigual a pessoas informal ou formalmente agrupadas em uma categoria particular"</italic><sup>3</sup>, o racismo se trata de "<italic>cren&#231;as, atitudes e regimes institucionais, que tendem a depreciar pessoas ou grupos devido a sua etnia</italic> [ou ra&#231;a]"<sup>4</sup>.</p>
    <p>Indiv&#237;duos que sofrem discrimina&#231;&#227;o t&#234;m sua individualidade atingida e seus direitos humanos violados. Isso acarreta impacto significativo em diversas esferas de suas vidas, inclusive a da sa&#250;de, onde o efeito se manifesta geralmente sob a forma de desfechos adversos, como dist&#250;rbios psiqui&#225;tricos e a ado&#231;&#227;o de comportamentos potencialmente patog&#234;nicos. De acordo com Pascoe e Smart-Richman<sup>5</sup>, a discrimina&#231;&#227;o pode afetar a sa&#250;de f&#237;sica e mental tanto de modo direto quanto indireto, elevando os n&#237;veis de estresse cr&#244;nico ou submetendo os indiv&#237;duos ao risco aumentado de adotar comportamentos delet&#233;rios &#224; sa&#250;de. Por exemplo, foi observado que o racismo<xref ref-type="fn" rid="not1a">&#170;</xref> interpessoal tem rela&#231;&#227;o com fatores de risco para hipertens&#227;o, tendo sido associado de modo positivo com ganho excessivo de peso ao longo do tempo<sup>5</sup>. A discrimina&#231;&#227;o tamb&#233;m tem sido associada com maior propens&#227;o ao uso abusivo de &#225;lcool em outras investiga&#231;&#245;es<sup>5-7</sup>.</p>
    <p>Apesar de as condi&#231;&#245;es adversas de sa&#250;de mental se associarem de maneira mais consistente com as experi&#234;ncias discriminat&#243;rias<sup>2</sup>, h&#225; igualmente um interesse crescente no exame da rela&#231;&#227;o entre discrimina&#231;&#227;o, press&#227;o arterial e hipertens&#227;o<sup>8</sup>, principalmente por meio de estudos laboratoriais. Brondolo e cols.<sup>9</sup>, em 2003, revisando estudos sobre discrimina&#231;&#227;o e press&#227;o arterial, conclu&#237;ram que a associa&#231;&#227;o da discrimina&#231;&#227;o com doen&#231;as cardiovasculares &#233; mais consistente, quando comparada ao que &#233; observado para a press&#227;o arterial. Al&#233;m disso, Brondolo e cols.<sup>9</sup> e Williams e Neighbors<sup>6</sup>, ao analisarem trabalhos que avaliaram a rela&#231;&#227;o entre discrimina&#231;&#227;o e hipertens&#227;o, apontaram diversas limita&#231;&#245;es metodol&#243;gicas, principalmente com rela&#231;&#227;o &#224; mensura&#231;&#227;o da discrimina&#231;&#227;o e &#224; escassez de estudos de coorte prospectivos.</p>
    <p>Brondolo e cols.<sup>9,</sup><sup>10</sup> conclu&#237;ram que a discrimina&#231;&#227;o pode contribuir para o desenvolvimento da hipertens&#227;o por meio de m&#250;ltiplos mecanismos, dentre os quais, o estresse psicol&#243;gico e as respostas cardiovasculares consequentes, que, segundo Williams e Neighbors<sup>6</sup>, uma ampla gama de estudos laboratoriais tem demonstrado. Sugere-se tamb&#233;m que fatores ambientais estejam envolvidos, como, por exemplo, a exposi&#231;&#227;o cr&#244;nica ao estresse, associada ao acesso limitado a uma alimenta&#231;&#227;o classificada como saud&#225;vel<sup>10</sup>. Todos esses autores ressaltam a import&#226;ncia de identificar os meios pelos quais a discrimina&#231;&#227;o atua como um determinante do estresse ou como uma barreira para a promo&#231;&#227;o da sa&#250;de.</p>
    <p>Tendo em vista a import&#226;ncia do fen&#244;meno da discrimina&#231;&#227;o para a sociedade, inclusive na &#225;rea da sa&#250;de, este trabalho visa atualizar as revis&#245;es existentes na literatura<sup>6,9,10</sup> sobre discrimina&#231;&#227;o, press&#227;o arterial e hipertens&#227;o. Em particular, s&#227;o descritos, de modo original, os referenciais te&#243;ricos utilizados pelos autores e os instrumentos adotados na aferi&#231;&#227;o das experi&#234;ncias discriminat&#243;rias. Tamb&#233;m s&#227;o identificadas as popula&#231;&#245;es estudadas, quanto ao grupo racial ou &#233;tnico, al&#233;m da consist&#234;ncia e dire&#231;&#227;o das associa&#231;&#245;es testadas entre discrimina&#231;&#227;o e desfechos relacionados &#224; press&#227;o arterial/hipertens&#227;o.</p>
    <p>Com isso, este trabalho tem como objetivo analisar a discrimina&#231;&#227;o interpessoal como fator de risco epidemiol&#243;gico para a hipertens&#227;o ou o aumento da press&#227;o arterial, ampliando a &#234;nfase nos determinantes sociais aos quais estes eventos de sa&#250;de est&#227;o submetidos. Por discrimina&#231;&#227;o interpessoal compreende-se um ato discriminat&#243;rio isolado, realizado por um indiv&#237;duo contra outro, com base em seus preconceitos pessoais<sup>3</sup>.</p>
    <p>
      <bold>M&#233;todos</bold>
    </p>
    <p>Foi conduzida uma pesquisa eletr&#244;nica na base bibliogr&#225;fica PubMed, considerando o per&#237;odo de janeiro de 2000 a dezembro de 2010. Para tanto, confeccionou-se uma chave de busca com vocabul&#225;rio controlado do tesauro MeSH (<italic>Medical Subject Headings</italic>), utilizando-se os termos mais altos de suas &#225;rvores hier&#225;rquicas e cujos significados fizessem refer&#234;ncia aos temas "discrimina&#231;&#227;o" e "press&#227;o arterial". Foram tamb&#233;m adicionados termos livres, de modo a tornar a chave de busca mais sens&#237;vel, tal como segue: <italic>("prejudice"[mesh] or "ethnic groups"[mesh] or "racism"[tiab] or "discrimination"[tiab]) and ("vascular diseases"[mesh] or "blood pressure"[mesh])</italic>.</p>
    <p>Dessa chave, resultaram 1.154 publica&#231;&#245;es, cuja pertin&#234;ncia foi avaliada pela an&#225;lise dos t&#237;tulos, resumos e, caso necess&#225;rio, dos textos completos. Os artigos inclu&#237;dos na revis&#227;o foram estudos epidemiol&#243;gicos, que avaliaram como fator de exposi&#231;&#227;o a discrimina&#231;&#227;o interpessoal autorrelatada e, como desfechos, o aumento na preval&#234;ncia da hipertens&#227;o ou dos n&#237;veis de press&#227;o arterial aferidos, tanto eventualmente, quanto atrav&#233;s de monitoriza&#231;&#227;o ambulatorial da press&#227;o arterial (MAPA)<sup>11</sup>. Os trabalhos relatando o aumento na preval&#234;ncia de press&#227;o arterial ou dos n&#237;veis press&#243;ricos foram agrupados, conforme as seguintes categorias: (a) aumento ou menor redu&#231;&#227;o da press&#227;o arterial; (b) aumento da press&#227;o arterial m&#233;dia; (c) aumento da press&#227;o arterial diast&#243;lica; (d) aumento da press&#227;o arterial sist&#243;lica; e (e) hipertens&#227;o. Por sua vez, estudos que avaliaram a press&#227;o arterial atrav&#233;s de MAPA foram agrupados da seguinte forma: (a) aumento da press&#227;o diast&#243;lica ambulatorial; e (b) aumento da press&#227;o sist&#243;lica ambulatorial.</p>
    <p>Foram exclu&#237;dos desta revis&#227;o trabalhos que n&#227;o avaliaram a altera&#231;&#227;o da press&#227;o arterial como desfecho, bem como os que n&#227;o fizeram refer&#234;ncia &#224; discrimina&#231;&#227;o como fator de exposi&#231;&#227;o. Dessa forma, estudos que abordaram como exposi&#231;&#227;o conceitos como estigma e preconceito, e n&#227;o a discrimina&#231;&#227;o, foram exclu&#237;dos. Estudos experimentais, laboratoriais ou publicados em idiomas inacess&#237;veis aos autores, como, por exemplo, o sueco, tamb&#233;m foram exclu&#237;dos da revis&#227;o. </p>
    <p>Realizou-se extra&#231;&#227;o de dados dos artigos selecionados, atrav&#233;s de um formul&#225;rio desenvolvido especificamente para esta revis&#227;o (o formul&#225;rio est&#225; dispon&#237;vel, mediante consulta aos autores). Tal instrumento de produ&#231;&#227;o de dados foi testado previamente em uma amostra de cinco artigos, por todos os autores desta publica&#231;&#227;o, os quais discutiram as diverg&#234;ncias ocorridas no seu preenchimento at&#233; a chegada a um consenso e a uma utiliza&#231;&#227;o uniforme do mesmo. Foram registradas as seguintes informa&#231;&#245;es de cada um dos trabalhos revisados: ano de publica&#231;&#227;o, pa&#237;s de origem, peri&#243;dico, tamanho da amostra, forma de sele&#231;&#227;o da amostra, sexo, faixa et&#225;ria e caracteriza&#231;&#227;o &#233;tnico-racial dos participantes, tipos mensurados de discrimina&#231;&#227;o, instrumentos utilizados e referenciais te&#243;ricos utilizados para interpretar as rela&#231;&#245;es de interesse.</p>
    <p>A dire&#231;&#227;o, a signific&#226;ncia estat&#237;stica e o grupo populacional no qual as associa&#231;&#245;es foram testadas entre discrimina&#231;&#227;o e desfechos relacionados &#224; press&#227;o arterial foram igualmente registrados. A dire&#231;&#227;o de associa&#231;&#227;o foi classificada em positiva (rela&#231;&#245;es diretamente proporcionais), negativa (associa&#231;&#245;es inversamente proporcionais) e sem associa&#231;&#227;o (ocorr&#234;ncia do desfecho n&#227;o varia de acordo com as categorias da exposi&#231;&#227;o &#224; discrimina&#231;&#227;o). A dire&#231;&#227;o ou forma de associa&#231;&#227;o foi descrita para todos os cruzamentos realizados nos artigos originais e n&#227;o somente para aqueles identificados como estatisticamente significativos (p &lt; 0,05). Isto permitiu estimar a propor&#231;&#227;o de associa&#231;&#245;es estatisticamente significativas, entre todas aquelas avaliadas pelos estudos originais. Sempre que poss&#237;vel, foram consideradas as associa&#231;&#245;es que tivessem sido ajustadas para fatores de confus&#227;o em modelos de regress&#227;o multivari&#225;veis.</p>
    <p>Os dados produzidos foram digitados, uma &#250;nica vez, com aux&#237;lio do programa EpiData, vers&#227;o 3.1, com controles autom&#225;ticos de consist&#234;ncia e amplitude - a planilha resultante desta digita&#231;&#227;o est&#225; dispon&#237;vel, mediante consulta aos autores. As an&#225;lises foram realizadas com o pacote estat&#237;stico Stata, vers&#227;o 11.1, por meio de frequ&#234;ncias absolutas e relativas. A dire&#231;&#227;o, a signific&#226;ncia estat&#237;stica e o grupo populacional no qual se testaram as associa&#231;&#245;es foram apresentados em uma tabela de conting&#234;ncia.</p>
    <p>
      <bold>Resultados</bold>
    </p>
    <p>Nesta revis&#227;o, foi inclu&#237;do um total de 22<sup>12-33</sup> trabalhos originais, todos eles realizados nos Estados Unidos da Am&#233;rica - EUA (<xref ref-type="table" rid="aop08712tab01">Tabela 1</xref>). Os trabalhos, em sua maioria (77%), foram publicados entre 2006 e 2010. Metade das publica&#231;&#245;es apresentou mais de quatro autores. Os peri&#243;dicos com maior n&#250;mero de trabalhos foram <italic>Health Psychology</italic> e <italic>Annals of Behavorial Medicine</italic>, com tr&#234;s artigos cada. Quase todos os estudos adotaram o delineamento transversal e utilizaram amostras selecionadas por conveni&#234;ncia. Apenas dois trabalhos se distinguiram no que se refere a esses aspectos: um empregou o delineamento de coorte e outro utilizou o censo como forma de sele&#231;&#227;o dos participantes.</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="aop08712tab01">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-99-04-0956-00090-gt01.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>Com rela&#231;&#227;o &#224;s amostras e seus participantes (<xref ref-type="table" rid="aop08712tab01">Tabela 1</xref>), observou-se que 12 dos 22 trabalhos recrutaram entre 100 e 1.000 indiv&#237;duos. Com rela&#231;&#227;o ao sexo, 15 (68%) estudos selecionaram participantes de ambos os sexos, ao passo que cinco (23%) restringiram-se aos do sexo feminino. No que se refere &#224; faixa et&#225;ria, nenhum dos estudos avaliou participantes adolescentes. Em um estudo, avaliaram-se apenas idosos e, em quatro, a amostra foi composta somente por adultos. No restante dos trabalhos (72%), os participantes pertenceram a todas as faixas et&#225;rias adultas (idade maior que 19 anos). Quanto &#224; classifica&#231;&#227;o &#233;tnico-racial, na maior parte dos trabalhos (59%) os participantes foram exclusivamente negros.</p>
    <p>Conforme a <xref ref-type="table" rid="aop08712tab02">Tabela 2</xref>, quatro estudos utilizaram simultaneamente dois instrumentos para aferi&#231;&#227;o das experi&#234;ncias discriminat&#243;rias, enquanto os demais utilizaram apenas um. O instrumento mais frequentemente utilizado foi <italic>Everyday Discrimination Scale</italic> (27%), seguido por <italic>Perceived Racism Scale</italic> (18%). A discrimina&#231;&#227;o &#233;tnico-racial foi a predominante, havendo apenas um estudo no qual o instrumento avaliou tratamentos injustos por qualquer motiva&#231;&#227;o. Em rela&#231;&#227;o ao tempo de exposi&#231;&#227;o, a discrimina&#231;&#227;o ao longo da vida (45%) e a cr&#244;nica di&#225;ria (27%) foram as mais avaliadas. Dentre os instrumentos secund&#225;rios, utilizados na aferi&#231;&#227;o das experi&#234;ncias discriminat&#243;rias, o <italic>Experiences of Discrimination</italic> foi o mais utilizado (50%). Todos os quatro estudos que empregaram dois instrumentos, simultaneamente, utilizaram os mesmos para avaliar discrimina&#231;&#227;o cr&#244;nica di&#225;ria. Em tr&#234;s dos quatro trabalhos, a discrimina&#231;&#227;o aferida foi a do tipo &#233;tnico-racial, enquanto um estudo avaliou a discrimina&#231;&#227;o com motiva&#231;&#227;o n&#227;o racial, isto &#233;, qualquer outra, exceto a racial.</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="aop08712tab02">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-99-04-0956-00090-gt02.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>Foram estudadas as associa&#231;&#245;es de experi&#234;ncias discriminat&#243;rias com sete diferentes tipos de desfechos (<xref ref-type="table" rid="aop08712tab03">Tabela 3</xref>). Foi avaliado um total de 50 diferentes resultados de associa&#231;&#227;o entre os desfechos estudados e a discrimina&#231;&#227;o. Em 20 resultados (40%), n&#227;o foi observado nenhum tipo de associa&#231;&#227;o. A dire&#231;&#227;o de associa&#231;&#227;o entre discrimina&#231;&#227;o e os desfechos em quest&#227;o mais frequentemente observada foi a positiva, n&#227;o restrita a estratos populacionais espec&#237;ficos (67% destas foram estatisticamente significativas). Estas associa&#231;&#245;es indicaram que o relato mais frequente de experi&#234;ncias discriminat&#243;rias esteve associado com maior ocorr&#234;ncia dos desfechos adversos avaliados.</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="aop08712tab03">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-99-04-0956-00090-gt03.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>O desfecho mais estudado (com 15 resultados) foi o aumento da press&#227;o arterial sist&#243;lica, do qual sete resultados de associa&#231;&#227;o n&#227;o demonstraram qualquer rela&#231;&#227;o com a discrimina&#231;&#227;o. Foram encontradas duas associa&#231;&#245;es globalmente positivas (50% estatisticamente significativas), tr&#234;s positivas (100% estatisticamente significativas), mas restritas a estratos populacionais espec&#237;ficos (homens e pessoas com pouco suporte social) e tr&#234;s negativas (100% estatisticamente significativas), condicionais a determinados grupos da popula&#231;&#227;o: pessoas com mais de 40 anos de idade, indiv&#237;duos que aceitam a discrimina&#231;&#227;o como um fato <italic>normal</italic> em suas vidas e, ainda, pessoas sem tra&#231;os de personalidade raivosa.</p>
    <p>O segundo desfecho mais estudado (com 13 testes de associa&#231;&#227;o) foi o aumento da press&#227;o arterial diast&#243;lica, no qual tamb&#233;m n&#227;o foram observadas associa&#231;&#245;es com a discrimina&#231;&#227;o em sete resultados. Por outro lado, houve cinco associa&#231;&#245;es constatadas, sendo duas positivas (100% estatisticamente significativas), mas restritas a homens e negros, al&#233;m de tr&#234;s associa&#231;&#245;es negativas (100% estatisticamente significativas), condicionais aos grupos de indiv&#237;duos acima dos 40 anos, que n&#227;o usam medica&#231;&#227;o anti-hipertensiva e sem tra&#231;os de personalidade raivosa. Ainda foi observada para este &#250;ltimo desfecho uma associa&#231;&#227;o positiva em toda a amostra estudada, estatisticamente significativa. Observou-se que a discrimina&#231;&#227;o foi positiva e globalmente associada ao aumento da press&#227;o arterial ambulatorial (sist&#243;lica e diast&#243;lica) em todos os trabalhos que avaliaram estes desfechos, com 67% destes resultados sendo estatisticamente significativos.</p>
    <p>Observaram-se tamb&#233;m resultados referentes ao aumento ou menor redu&#231;&#227;o da press&#227;o arterial ambulatorial, sendo encontradas duas associa&#231;&#245;es positivas globais, ambas estatisticamente significativas. Em outros dois resultados, n&#227;o foi observada tal associa&#231;&#227;o. A hipertens&#227;o foi quatro vezes associada positivamente &#224; discrimina&#231;&#227;o de forma global, sendo duas dessas associa&#231;&#245;es estatisticamente significativas. Observaram-se tamb&#233;m outras tr&#234;s associa&#231;&#245;es condicionais, todas estatisticamente significativas, duas positivas condicionais a mulheres (em um dos trabalhos, esta associa&#231;&#227;o se restringiu a mulheres nascidas fora dos EUA) e uma negativa, restrita a pessoas que aceitam a discrimina&#231;&#227;o como um fato <italic>normal</italic> em suas vidas. Houve tamb&#233;m uma associa&#231;&#227;o negativa global, por&#233;m, sem signific&#226;ncia estat&#237;stica. Em tr&#234;s resultados, n&#227;o houve associa&#231;&#227;o de qualquer dire&#231;&#227;o.</p>
    <p>Entre os trabalhos inclu&#237;dos nesta revis&#227;o, 19 (86%) citaram pelo menos um referencial te&#243;rico para interpretar as rela&#231;&#245;es de interesse, dos quais o <italic>The chronic stress emotion theory</italic> foi o mais frequentemente mencionado. Em s&#237;ntese, os trabalhos mencionam o fato de a discrimina&#231;&#227;o hipoteticamente levar os indiv&#237;duos a um estresse psicol&#243;gico cr&#244;nico, sentido individual e coletivamente, o qual provocaria modifica&#231;&#245;es em suas fun&#231;&#245;es fisiol&#243;gicas, dentre elas o aumento da reatividade cardiovascular e altera&#231;&#245;es em barorreceptores. Por consequ&#234;ncia, o estresse cr&#244;nico decorrente da discrimina&#231;&#227;o levaria a um aumento das press&#245;es arteriais sist&#243;lica e diast&#243;lica. Assim, o desgaste psicol&#243;gico decorrente da discrimina&#231;&#227;o possuiria um papel importante na preval&#234;ncia de doen&#231;as cr&#244;nicas, como hipertens&#227;o, doen&#231;as cardiovasculares, obesidade e diabetes.</p>
    <p>
      <bold>Discuss&#227;o</bold>
    </p>
    <p>Diante dos resultados observados, constata-se que o aumento do interesse pelo estudo das rela&#231;&#245;es entre a discrimina&#231;&#227;o e desfechos relacionados &#224; press&#227;o arterial &#233; recente, visto que mais de 77% dos trabalhos avaliados foram publicados a partir de 2006. Outro aspecto a ser observado &#233; que esse tipo de estudo tende a ser publicado em peri&#243;dicos, como <italic>Health Psychology </italic>e <italic>Annals of Behavioral Medicine</italic>, os quais visam o estudo das rela&#231;&#245;es entre fatores psicossociais e comportamentais, como a discrimina&#231;&#227;o, e aspectos da sa&#250;de f&#237;sica, promo&#231;&#227;o da sa&#250;de, modifica&#231;&#227;o de fatores de risco e preven&#231;&#227;o de doen&#231;as.</p>
    <p>Todos os trabalhos revisados s&#227;o origin&#225;rios dos EUA. Tal resultado pode ser explicado, dentre outros aspectos, pela vasta produ&#231;&#227;o cient&#237;fica do pa&#237;s e pela import&#226;ncia que o tema da discrimina&#231;&#227;o apresenta na sociedade estadunidense, especialmente no que se refere &#224;s quest&#245;es da popula&#231;&#227;o negra<sup>6</sup>. Da mesma forma, fica claro que ainda &#233; incipiente o interesse no estudo das rela&#231;&#245;es entre discrimina&#231;&#227;o e press&#227;o arterial em outros pa&#237;ses, mesmo nos europeus, onde a imigra&#231;&#227;o tem sido um fen&#244;meno populacional de grande import&#226;ncia nos &#250;ltimos anos. No Brasil, de modo semelhante aos EUA, fatores importantes relacionados &#224; ideia de ra&#231;a, racismo e discrimina&#231;&#227;o tamb&#233;m mereceriam estudo aprofundado para examinar suas rela&#231;&#245;es com condi&#231;&#245;es e comportamentos de sa&#250;de, particularmente a press&#227;o arterial.</p>
    <p>Entretanto, tendo em vista que a maior parte das escalas de discrimina&#231;&#227;o &#233; de origem norte-americana e enfatiza, com raras exce&#231;&#245;es, exclusivamente a discrimina&#231;&#227;o racial, a iniciativa de aferir este fen&#244;meno no Brasil com os mesmos instrumentos necessariamente esbarraria em quest&#245;es de extrema relev&#226;ncia. Primeiramente, vale considerar que a compreens&#227;o amplamente difundida nos EUA acerca do conceito de ra&#231;a guarda diferen&#231;as importantes com ideia equivalente no Brasil. Em nosso pa&#237;s, ao inv&#233;s da express&#227;o ra&#231;a, o termo cor tende a ser mais frequentemente empregado em classifica&#231;&#245;es raciais<sup>34</sup>. Tal distin&#231;&#227;o no uso das express&#245;es reflete que, no Brasil, s&#227;o majoritariamente - mas n&#227;o unicamente - aspectos ligados &#224; apar&#234;ncia dos indiv&#237;duos (fen&#243;tipos, marcas corporais) que fundamentam o que se costuma denominar "c&#225;lculo racial brasileiro", utilizado cotidianamente para classificar a popula&#231;&#227;o nas mais diferentes circunst&#226;ncias e intera&#231;&#245;es sociais, inclusive as de pesquisa. O destaque dado &#224;s caracter&#237;sticas fenot&#237;picas ou marcas corporais externas est&#225; em contraste com o que ocorre nos EUA, pa&#237;s em que a ideia de origem ou ancestralidade predomina, norteando o pertencimento a grupos socialmente definidos, como o dos negros ou o dos brancos<sup>35</sup>.</p>
    <p>Outra distin&#231;&#227;o importante, ainda em termos de atribui&#231;&#227;o racial, mas intimamente relacionada com a manifesta&#231;&#227;o de comportamentos discriminat&#243;rios, diz respeito &#224; exist&#234;ncia de m&#250;ltiplas subcategorias de classifica&#231;&#227;o. De um lado, o modelo bin&#225;rio, que n&#227;o prev&#234; grada&#231;&#245;es expressivas entre o preto e o branco e que tende a prevalecer nos EUA<sup>36</sup>. De outro, o cont&#237;nuo ou gradiente de cores brasileiro, o qual est&#225; baseado na atribui&#231;&#227;o de distin&#231;&#245;es sociais a diversas tonalidades e terminologias utilizadas para localizar, de um modo bastante particular, os indiv&#237;duos num espectro de cor, que se estende do preto ao branco<sup>36</sup>. </p>
    <p>Na distin&#231;&#227;o social atribu&#237;da &#224;s diversas tonalidades de pele entre o preto e o branco, h&#225; que se observar, inclusive, o fen&#244;meno do branqueamento na classifica&#231;&#227;o racial<sup>37</sup>. Dada a identifica&#231;&#227;o dos grupos de cor com aspectos de classe e <italic>status</italic> social, existiria no Brasil uma tend&#234;ncia de pretos e pardos em ascens&#227;o econ&#244;mica serem aceitos socialmente como brancos. Tudo isto guarda &#237;ntima rela&#231;&#227;o com a manifesta&#231;&#227;o dos comportamentos discriminat&#243;rios: tendo em vista que a perten&#231;a a determinada categoria de cor depende de outros aspectos da posi&#231;&#227;o social, sobretudo do <italic>status</italic> socioecon&#244;mico, determinado indiv&#237;duo pode n&#227;o ser tratado de modo racista por ter alto poder aquisitivo e ser socialmente reconhecido como branco, embora apresente cor de pele preta, cabelo crespo e outras caracter&#237;sticas f&#237;sicas ligadas &#224; ideia de ra&#231;a negra.</p>
    <p>&#201; igualmente importante ressaltar as peculiaridades da discrimina&#231;&#227;o racial propriamente dita no Brasil, fazendo contraponto com o que se discute sobre os EUA. Enquanto, no Brasil, o conceito chave para descrever a discrimina&#231;&#227;o racial seria o da miscigena&#231;&#227;o, mesti&#231;agem, mistura ou democracia racial, nos EUA termo equivalente seria o da segrega&#231;&#227;o<sup>38</sup>. Em outras palavras, enquanto a discrimina&#231;&#227;o racial no Brasil se manifesta de maneira imbricada com a miscigena&#231;&#227;o/democracia racial, a segrega&#231;&#227;o, entendida como a separa&#231;&#227;o f&#237;sica e social entre negros e brancos, &#233; assumida como principal forma de express&#227;o da discrimina&#231;&#227;o naquele pa&#237;s<sup>38</sup>. </p>
    <p>Sintetizando, o uso do termo cor, a exist&#234;ncia do cont&#237;nuo crom&#225;tico e sua rela&#231;&#227;o com <italic>status</italic> socioecon&#244;mico e, por fim, a observ&#226;ncia da mesti&#231;agem e do mito da democracia racial sugerem que as escalas de discrimina&#231;&#227;o norte-americanas dificilmente abarcar&#227;o estas especificidades, n&#227;o sendo adequadas sem que haja adapta&#231;&#245;es pertinentes &#224; mensura&#231;&#227;o das experi&#234;ncias discriminat&#243;rias em nosso contexto.</p>
    <p>Para al&#233;m dessas quest&#245;es, nesta revis&#227;o, observaram-se importantes limita&#231;&#245;es metodol&#243;gicas nos estudos originais, algumas das quais j&#225; apontadas em revis&#245;es anteriores<sup>6-10</sup>. Constatou-se que a maior parte dos trabalhos empregou delineamento transversal, utilizando amostras relativamente pequenas, selecionadas por conveni&#234;ncia, com participantes, em sua maioria, exclusivamente negros. O delineamento transversal &#233; considerado inadequado para estabelecer rela&#231;&#245;es temporais e de causa e efeito, tendo em vista que avalia os fatores de risco e seus desfechos num &#250;nico momento no tempo. Al&#233;m disso, os dados da exposi&#231;&#227;o atual, produzidos em um estudo transversal, podem divergir da exposi&#231;&#227;o pregressa, o que dificulta sobremaneira a identifica&#231;&#227;o de rela&#231;&#245;es causais. H&#225;, ainda, o agravante de esses estudos utilizarem amostras selecionadas por conveni&#234;ncia, as quais se limitam a grupos restritos da popula&#231;&#227;o, de modo que os resultados encontrados podem divergir dos que seriam observados em uma popula&#231;&#227;o mais ampla.</p>
    <p>Outro item a observar &#233; que a maior parte dos trabalhos empregou amostras com participantes exclusivamente negros. Isto pode ser atribu&#237;do ao fato de os autores desses estudos buscarem caracterizar os fatores socioecon&#244;micos e psicossociais (dentre os quais, a discrimina&#231;&#227;o) como principais respons&#225;veis pela maior preval&#234;ncia da hipertens&#227;o na popula&#231;&#227;o negra norte-americana, quando comparada com outras. Alguns autores buscam, com isso, contrapor teorias, ainda bastante aceitas, que advogam a exist&#234;ncia de diferentes ra&#231;as na popula&#231;&#227;o humana e atribuem a maior preval&#234;ncia de hipertens&#227;o na popula&#231;&#227;o negra a fatores exclusivamente gen&#233;ticos. Contudo, seria importante que os estudos fizessem uma melhor avalia&#231;&#227;o das consequ&#234;ncias da discrimina&#231;&#227;o para a press&#227;o arterial em outros grupos populacionais, que tamb&#233;m a sofrem com intensidade e frequ&#234;ncia expressivas. Dessa forma, seria poss&#237;vel observar como a discrimina&#231;&#227;o potencialmente afeta a press&#227;o arterial dos indiv&#237;duos de diferentes grupos populacionais.</p>
    <p>As escalas mais empregadas pelos trabalhos para a aferi&#231;&#227;o de experi&#234;ncias discriminat&#243;rias foram <italic>Everyday Discrimination Scale </italic>e <italic>Perceived Racism Scale</italic>. Estas escalas demonstram ser apropriadas para este tipo de estudo, pois permitem n&#227;o s&#243; avaliar a percep&#231;&#227;o das experi&#234;ncias discriminat&#243;rias, como tamb&#233;m a frequ&#234;ncia com que ocorrem. Um aspecto importante a ser observado &#233; que, embora <italic>Everyday Discrimination Scale </italic>permita a aferi&#231;&#227;o de experi&#234;ncias discriminat&#243;rias de diferentes tipos, os trabalhos avaliaram exclusivamente a discrimina&#231;&#227;o &#233;tnico-racial. Futuros estudos poderiam tamb&#233;m avaliar as consequ&#234;ncias para a press&#227;o arterial de outros tipos de discrimina&#231;&#227;o, como a de g&#234;nero e a de classe. Isso permitiria avaliar melhor a pr&#243;pria discrimina&#231;&#227;o de origem &#233;tnico-racial, comparando-a com resultados referentes a outros tipos de tratamento injusto.</p>
    <p>Ao analisar os resultados da associa&#231;&#227;o entre experi&#234;ncias discriminat&#243;rias e desfechos de press&#227;o arterial, observa-se que eles s&#227;o controversos: em 40% dos resultados n&#227;o foi encontrada qualquer associa&#231;&#227;o, enquanto que a associa&#231;&#227;o positiva global foi encontrada em apenas 30% do total de testes (15 resultados), sendo que somente 67% destes foram estatisticamente significativos. Al&#233;m disso, foi encontrado um n&#250;mero relativamente expressivo de associa&#231;&#245;es inversas, oito no total (16% dos resultados), sendo a maioria observada em grupos espec&#237;ficos da popula&#231;&#227;o. Essa inconsist&#234;ncia nos resultados j&#225; havia sido detectada em revis&#245;es pr&#233;vias<sup>2,6,7,9,10</sup> e pode ser atribu&#237;da, em parte, &#224;s pr&#243;prias limita&#231;&#245;es metodol&#243;gicas dos estudos, mencionadas anteriormente.</p>
    <p>Conde e Gorman<sup>39</sup>, ao analisarem trabalhos liderados pela pesquisadora Nancy Krieger, tamb&#233;m observaram inconsist&#234;ncias nos achados referentes &#224; rela&#231;&#227;o entre discrimina&#231;&#227;o e desfechos adversos de sa&#250;de, incluindo a press&#227;o arterial. Segundo tais autores, essas inconsist&#234;ncias seriam decorrentes de problemas no modo como a discrimina&#231;&#227;o &#233; aferida e classificada nos estudos. Ao avaliarem a escala de Krieger e cols.<sup>40</sup> (<italic>Experiences of Discrimination</italic>), Conde e Gorman observaram, dentre outros problemas, que esta escala n&#227;o faz distin&#231;&#227;o entre o tipo, a dura&#231;&#227;o e a intensidade dos eventos discriminat&#243;rios avaliados.</p>
    <p>Por fim, Townsend e cols.<sup>41</sup> sugerem que as inconsist&#234;ncias de tais estudos podem, em parte, ser explicadas pelas diferentes vis&#245;es de mundo que os participantes dos estudos apresentam. Para as autoras do trabalho mencionado, integrantes de grupos sociais estigmatizados e que creem ser tratados de modo justo pela sociedade, ao sofrerem discrimina&#231;&#227;o, tendem a apresentar efeitos delet&#233;rios para sua sa&#250;de, inclusive press&#227;o arterial elevada. No entanto, quando indiv&#237;duos de grupos estigmatizados creem que s&#227;o injustamente tratados pela sociedade, ao serem expostos a experi&#234;ncias discriminat&#243;rias, n&#227;o demonstram efeitos adversos para a sa&#250;de, podendo, inclusive, a aus&#234;ncia de discrimina&#231;&#227;o em situa&#231;&#245;es espec&#237;ficas de suas vidas ser mais prejudicial que sua presen&#231;a. Tal fato pode explicar a ocorr&#234;ncia de associa&#231;&#245;es ausentes ou de associa&#231;&#245;es inversas, encontradas nos trabalhos revisados. Da mesma forma, isto pode significar que as cren&#231;as em rela&#231;&#227;o ao mundo em que se vive (se este &#233; justo ou injusto, por exemplo) devem ser consideradas como fator importante nos modelos te&#243;ricos, que postulam rela&#231;&#245;es de causa e efeito entre discrimina&#231;&#227;o e press&#227;o arterial/hipertens&#227;o.</p>
    <p>
      <bold>Conclus&#245;es</bold>
    </p>
    <p>Esta revis&#227;o buscou avaliar a discrimina&#231;&#227;o como fator de risco epidemiol&#243;gico para a hipertens&#227;o, bem como atualizar as revis&#245;es pr&#233;vias sobre o assunto. Cabe salientar, entretanto, que a restri&#231;&#227;o ao PubMed pode ter implica&#231;&#245;es importantes para os dados aqui produzidos, como, por exemplo, a constata&#231;&#227;o de que os estudos sobre discrimina&#231;&#227;o e press&#227;o arterial s&#227;o exclusivamente originados dos EUA, entre outras. Dessa forma, os resultados e conclus&#245;es da presente revis&#227;o devem ser apreciados com cautela, evitando-se fazer generaliza&#231;&#245;es para trabalhos indexados em outras bases ou, eventualmente, estudos n&#227;o publicados em peri&#243;dicos cient&#237;ficos.</p>
    <p>Mesmo assim, pode-se concluir que, para consolidar a discrimina&#231;&#227;o interpessoal como um fator de risco epidemiol&#243;gico, &#233; necess&#225;rio que os trabalhos utilizem metodologias mais rigorosas, empregando delineamentos longitudinais e amostras mais amplas. H&#225;, igualmente, a necessidade de revisar os modelos te&#243;ricos vigentes, recrutar participantes de diferentes grupos &#233;tnico-raciais, bem como empregar instrumentos mais precisos para aferir discrimina&#231;&#227;o com rela&#231;&#227;o ao tempo, os tipos e a frequ&#234;ncia de exposi&#231;&#227;o. Com isso, ser&#225; poss&#237;vel avaliar mais precisamente a import&#226;ncia da discrimina&#231;&#227;o para a press&#227;o arterial e sua depend&#234;ncia de outros fatores psicossociais e socioecon&#244;micos associados.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflito de interesses pertinentes. </p>
    <p>
      <bold>Fontes de Financiamento</bold>
    </p>
    <p>O presente estudo n&#227;o teve fontes de financiamento externas.</p>
    <p>
      <bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>N&#227;o h&#225; vincula&#231;&#227;o deste estudo a programas de p&#243;s-gradua&#231;&#227;o.</p>
    <p>
      <fn id="end" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold>Correspond&#234;ncia:</bold>
        </label>
        <p> Jo&#227;o Luiz Bastos </p>
        <p> Universidade Federal de Santa Catarina </p>
        <p> Campus Universit&#225;rio Jo&#227;o David Ferreira Lima, Trindade </p>
        <p> CEP 88040-970, Florian&#243;polis, SC - Brasil </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p><email xlink:href="joao.luiz.epi@gmail.com">joao.luiz.epi@gmail.com</email>, </p>
        <p>
          <email xlink:href="discriminacao@ccs.ufsc.br">discriminacao@ccs.ufsc.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 13/12/11, revisado em 20/12/11; aceito em 04/06/12.</p>
    <p>
      <fn id="not1a">
        <label>&#170;</label>
        <p> Os autores dos estudos revisados utilizam os termos racismo e discrimina&#231;&#227;o de modo intercambi&#225;vel e isto foi respeitado no presente trecho.</p>
      </fn>
    </p>
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        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="B41">
        <mixed-citation>41. Townsend SS, Major B, Sawyer PJ, Mendes WB. Can the absence of prejudice be more threatening than its presence? It depends on one's worldview. J Pers Soc Psychol. 2010;99(6):933-47.</mixed-citation>
        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>Can the absence of prejudice be more threatening than its presence?: It depends on one's worldview</article-title>
          <source>J Pers Soc Psychol</source>
          <date>
            <year>2010</year>
          </date>
          <fpage>933</fpage>
          <lpage>47</lpage>
          <issue>6</issue>
          <volume>99</volume>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Townsend</surname>
              <given-names>SS</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>Major</surname>
              <given-names>B</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>Sawyer</surname>
              <given-names>PJ</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>Mendes</surname>
              <given-names>WB</given-names>
            </name>
          </person-group>
        </element-citation>
      </ref>
    </ref-list>
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  <sub-article article-type="translation" id="TRen" xml:lang="en">
    <front-stub>
      <article-categories>
        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Update</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Blood pressure and interpersonal discrimination: systematic review of epidemiologic studies</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>The relationship between blood pressure and discrimination has been recently investigated, and there are conflicting debates in literature devoted to the topic. The objective of this study was to update previous literature reviews on discrimination and blood pressure. A bibliographic search was conducted in PubMed between January/2000 and December/2010, including epidemiological studies, assessing the relationship between interpersonal discrimination and blood pressure/hypertension. The 22 studies included originated from the United States; 96% of them used the cross-sectional design with convenience sample, comprising, in 59% of the studies, exclusively Black participants. The Everyday Discrimination Scale and the Perceived Racism Scale were the most frequently used instruments, emphasizing lifetime or chronic/everyday racial/ethnic discrimination. In the 22 studies assessed, the association between discrimination and blood pressure/hypertension was assessed 50 times. Twenty results (40%) showed no association between them, and only 15 (30%) revealed global positive associations, of which 67% were statistically significant. Eight negative associations were also observed, suggesting that higher exposure to discrimination would be associated with lower blood pressure/hypertension. The studies did not consistently support the hypothesis that discrimination is associated with higher blood pressure. These findings can be partially attributed to the limitations of the studies, especially those related to the measurement of discrimination and of factors that might modify its association with outcomes. To establish discrimination as an epidemiological risk factor, more rigorous methodological strategies should be used, and the theoretical frameworks that postulate causal relationships between discrimination and blood pressure should be reviewed.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Blood pressure</kwd>
        <kwd>prejudice</kwd>
        <kwd>review</kwd>
        <kwd>epidemiologic studies</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <fn id="top-body2">
          <label>
            <bold>Blood pressure and interpersonal discrimination: systematic review of epidemiologic studies</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Paulo Francisco Couto; Janaina Brugnera Goto; Jo&#227;o Luiz Bastos</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, Florian&#243;polis, SC - Brazil</p>
      <p>Mailing Address</p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p>The relationship between blood pressure and discrimination has been recently investigated, and there are conflicting debates in literature devoted to the topic.</p>
      <p> The objective of this study was to update previous literature reviews on discrimination and blood pressure.</p>
      <p> A bibliographic search was conducted in PubMed between January/2000 and December/2010, including epidemiological studies, assessing the relationship between interpersonal discrimination and blood pressure/hypertension.</p>
      <p> The 22 studies included originated from the United States; 96% of them used the cross-sectional design with convenience sample, comprising, in 59% of the studies, exclusively Black participants. The Everyday Discrimination Scale and the Perceived Racism Scale were the most frequently used instruments, emphasizing lifetime or chronic/everyday racial/ethnic discrimination. In the 22 studies assessed, the association between discrimination and blood pressure/hypertension was assessed 50 times. Twenty results (40%) showed no association between them, and only 15 (30%) revealed global positive associations, of which 67% were statistically significant. Eight negative associations were also observed, suggesting that higher exposure to discrimination would be associated with lower blood pressure/hypertension.</p>
      <p> The studies did not consistently support the hypothesis that discrimination is associated with higher blood pressure. These findings can be partially attributed to the limitations of the studies, especially those related to the measurement of discrimination and of factors that might modify its association with outcomes. To establish discrimination as an epidemiological risk factor, more rigorous methodological strategies should be used, and the theoretical frameworks that postulate causal relationships between discrimination and blood pressure should be reviewed.</p>
      <p><bold>Keywords:</bold> Blood pressure; prejudice; review; epidemiologic studies.</p>
      <p>
        <bold>Introduction</bold>
      </p>
      <p>The relationship between discrimination and health has raised an increasing interest among public health researchers, who have carried out an increasing number of studies on the topic, especially in the last three decades<sup>1</sup>. Although the interest on the topic has grown, a terminological confusion still persists in the literature, with the terms 'discrimination' and 'racism' being frequently used interchangeably<sup>2</sup>. While discrimination refers to differential, and often unfair, treatment of people informally or formally grouped into a particular social category<sup>3</sup>, racism refers to beliefs, attitudes and institutional regimens, which tend to disadvantage people or groups due to their ethnicity [or race]<sup>4</sup>.</p>
      <p>Individuals who are discriminated against have their individuality threatened and their human rights violated. This phenomenon significantly impacts several areas of their lives, including health, where the effect usually manifests itself through the form of adverse outcomes, such as psychiatric disorders and the adoption of potentially pathogenic behaviors. According to Pascoe and Smart-Richman<sup>5</sup>, discrimination may affect physical and mental health both directly and indirectly, increasing chronic stress levels or submitting individuals to increased risk of adopting deleterious health behaviors. For example, interpersonal racism<undefined id="not1-body2"/>&#170; has been associated with risk factors for hypertension, being positively associated with excessive weight gain over time<sup>5</sup>. Discrimination has also been associated with greater propensity to alcohol abuse in other investigations<sup>5-7</sup>.</p>
      <p>Although adverse mental health conditions are consistently associated with discriminatory experiences<sup>2</sup>, there is also an increasing interest in examining the relationship between discrimination, blood pressure, and hypertension<sup>8</sup>, mainly through laboratory studies. Brondolo et al.<sup>9</sup>, in 2003, reviewing studies on discrimination and blood pressure, concluded that the association between discrimination and cardiovascular diseases is more consistent, when compared with that observed for blood pressure. In addition, Brondolo et al.<sup>9</sup> and Williams and Neighbors<sup>6</sup>, reviewing studies on the relationship between discrimination and hypertension, reported several methodological limitations, mainly related to the measurement of discrimination and to the scarcity of prospective cohort studies.</p>
      <p>Brondolo et al.<sup>9,10</sup> concluded that discrimination may contribute to the development of hypertension through multiple mechanisms, such as psychological stress and consequent cardiovascular responses, which, according to Williams and Neighbors<sup>6</sup>, have been demonstrated by several laboratory studies. There is also a suggestion that environmental factors may be important in the development of hypertension and high blood pressure, such as chronic stress associated with limited access to healthy food<sup>10</sup>. These authors emphasize the importance of identifying the means through which discrimination acts as a stressor or as a barrier against health promotion.</p>
      <p>Given the social importance of discrimination, including its emergence in the area of health-related studies, this paper aimed at updating previous literature reviews<sup>6,9,10</sup> on discrimination, blood pressure and hypertension. In particular, unprecedented by previous works, the theoretical frameworks used by authors and the instruments adopted to measure discriminatory experiences are described. In addition, the following were also summarized: the populations studied, regarding their racial or ethnic groups; and the consistency and direction of the associations tested between discrimination and blood pressure/hypertension-related outcomes.</p>
      <p>Thus, this study aimed at analyzing interpersonal discrimination as an epidemiological risk factor for hypertension or increased blood pressure, emphasizing the social determinants to which these health outcomes are submitted. Interpersonal discrimination is an isolated discriminatory act, performed by one individual against another, on the basis of personal prejudice<sup>3</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Methods</bold>
      </p>
      <p>An electronic search was conducted in the PubMed bibliographic database for the period between January 2000 and December 2010. A search query with controlled vocabulary from the MeSH thesaurus (Medical Subject Headings) was developed, such that the higher terms in their hierarchical trees, whose meanings related to discrimination and blood pressure, were used. Free terms were also added to increase the sensitivity of the search query, as follows: <italic>("prejudice"[mesh] or "ethnic groups"[mesh] or "racism"[tiab] or "discrimination"[tiab]) and ("vascular diseases"[mesh] or "blood pressure"[mesh])</italic>.</p>
      <p>The search query resulted in 1,154 publications, and their eligibility was checked through the analysis of their titles, abstracts, and, when necessary, their full texts. The articles included in the review were epidemiological studies, which assessed self-reported interpersonal discrimination as the exposure, and the increase in the prevalence of hypertension or in blood pressure levels, measured both episodically and through ambulatory blood pressure monitoring (ABPM), as outcomes<sup>11</sup>. The studies reporting an increase in the prevalence of hypertension or in blood pressure levels were grouped, according to the following categories: (a) increase or smaller reduction in blood pressure; (b) increase in mean blood pressure; (c) increase in diastolic blood pressure; (d) increase in systolic blood pressure; and (e) hypertension. Studies assessing blood pressure by use of ABPM were grouped as follows: (a) increase in ambulatory diastolic blood pressure; and (b) increase in ambulatory systolic blood pressure.</p>
      <p>The following studies were excluded from this review: those not assessing blood pressure change as the outcome; and those not referring to discrimination as an exposure factor. Thus, studies assessing, as exposures, concepts related to stigma and prejudice, but not to discrimination, were excluded. Experimental and laboratory studies or those published in idioms inaccessible to the authors, such as Swedish, were also excluded from this review.</p>
      <p>Data extraction was carried out with a form specifically developed for this review (the form is available upon request from the authors). The form was previously tested in a sample of five articles by all the authors of this study, who discussed divergences that occurred during form completion, until a consensus could be reached and the form could be used uniformly. The following data of each included study were extracted: year of publication; country of origin; journal; sample size; sampling strategy; sex, age group, and racial/ethnic characterization of the participants; types of discrimination measured; instruments used; and the theoretical framework used to interpret the relations of interest.</p>
      <p>The following were also recorded: direction of the association; its statistical significance; and the population group in which the associations between discrimination and blood pressure-related outcomes were tested. The direction of the association was classified as positive (directly proportional relations), negative (inversely proportional relations), and no association (the occurrence of the outcome does not vary according to the categories of exposure to discrimination). Directions of association were described for all cross tabulations and not only for those which were statistically significant. (p &lt; 0.05). This allowed for the estimation of the proportion of statistically significant associations among all those evaluated in the original studies. Whenever possible, the associations that had been adjusted for confounding factors in multivariable regression models were considered.</p>
      <p>Data extracted were typed only once, with the aid of the EpiData program, version 3.1, with automatic checks for consistency and amplitude - the resulting spreadsheet is available upon request from the authors. Analysis included the description of the abovementioned characteristics of articles by means of relative and absolute frequencies. The direction, statistical significance, and the population group in which the associations were tested were shown in a contingency table. All analyses were performed using the Stata, version 11.1 software.</p>
      <p>
        <bold>Results</bold>
      </p>
      <p>This review included 22<sup>12-33</sup> original studies, all conducted in the United States of America (USA) (<xref ref-type="table" rid="en_aop08712tab01-body2">Table 1</xref>). Most studies (77%) were published between 2006 and 2010. Half of the publications had more than four authors. <italic>Health Psychology</italic> and <italic>Annals of Behavorial Medicine</italic> were the journals with the greatest number of included studies (three papers each). Almost all studies adopted the cross-sectional design and convenience sampling schemes. Only two studies differed with regard to these aspects: one was a cohort study, and the other used census as a method of participant recruitment.</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_aop08712tab01-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-99-04-0956-00090-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>Regarding the sample sizes (<xref ref-type="table" rid="en_aop08712tab01-body2">Table 1</xref>), 12 of the 22 studies recruited between 100 and 1,000 individuals. In relation to sex, 15 (68%) studies selected participants of both sexes, while five (23%) had only female participants. With respect to age, none of the studies included adolescents. One study assessed only elderly people, while, in four investigations, the sample comprised only adults. In the remaining studies (72%), participants belonged to all adult age groups (over 19 years). Regarding the racial/ethnic classification, most studies (59%) selected exclusively Black participants.</p>
      <p><xref ref-type="table" rid="en_aop08712tab02-body2">Table 2</xref> shows that four studies used simultaneously two instruments to assess discriminatory experiences, while the others used only one. The most frequently used instrument was the <italic>Everyday Discrimination Scale</italic> (27%), followed by the <italic>Perceived Racism Scale</italic> (18%). Racial/ethnic discrimination predominated, and only in one study the instrument assessed unfair treatments due to any motivation. Regarding the exposure time frame, discrimination throughout one's lifetime (45%) and chronic daily discrimination (27%) were the most assessed. Of the secondary instruments used to assess the discriminatory experiences, the <italic>Experiences of Discrimination</italic> was the most used (50%). All four studies adopting two instruments simultaneously used them to assess chronic daily discrimination. In three of the four studies, the type of discrimination assessed was racial/ethnic discrimination, while one study assessed discrimination of non-racial motivation, that is, any other except racial.</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_aop08712tab02-body2">
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      </p>
      <p>Discriminatory experiences were studied in relation to seven different types of outcomes (<xref ref-type="table" rid="en_aop08712tab03-body2">Table 3</xref>). A total of 50 different results of the association between the outcomes studied and discrimination was assessed. In 20 results (40%), no association was observed. The direction of the association between discrimination and the outcomes most frequently observed was positive, not restricted to specific population strata (67% of them were statistically significant). Those associations indicated that higher reports of discriminatory experiences were associated with higher occurrence of the adverse outcomes assessed.</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_aop08712tab03-body2">
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      </p>
      <p>The most frequently studied outcome, with 15 tests of association, was the increase in systolic blood pressure, of which seven showed no relation to discrimination. However, the following associations were found: two global positive associations (50% statistically significant); three positive (100% statistically significant), but restricted to specific population strata (men and people with little social support); and three negative (100% statistically significant), conditional on determined population groups (individuals over the age of 40 years, individuals who accept discrimination as a <italic>normal</italic> fact in their lives, and individuals with no anger personality traits).</p>
      <p>The second most studied outcome (13 association tests) was the increase in diastolic blood pressure, and seven results of these associations showed no relation to discrimination. However, five associations were found, as follows: two positive associations (100% statistically significant), but restricted to men and Blacks; and three negative (100% statistically significant), conditional on groups of individuals over the age of 40 years, not using antihypertensive drugs, and with no anger personality traits. In addition, for that last outcome, one statistically significant positive association was observed in the entire sample. Discrimination was positive and globally associated with the increase in ambulatory blood pressure (systolic and diastolic) in all studies assessing those outcomes, and 67% of the results were statistically significant.</p>
      <p>The results regarding the increase or small reduction in ambulatory blood pressure showed two global positive associations, both statistically significant. Two other results showed no association. Hypertension showed four global positive associations with discrimination, and two of those associations were statistically significant. Three conditional associations were observed, all statistically significant, as follows: two positive, conditional on women (in one of the studies, that association was restricted to women born outside the USA); and one negative association, restricted to individuals who accept discrimination as a <italic>normal</italic> fact in their lives. A global negative association was also identified, but with no statistical significance. Three results showed no association of any direction.</p>
      <p>Of the studies included in this review, 19 (86%) have cited at least one theoretical framework to interpret the relations of interest, of which 'the chronic stress emotion theory' was the most frequently mentioned. Briefly, the studies have reported that discrimination hypothetically leads individuals to a chronic psychological stress, individually and collectively perceived, which would cause changes in their physiological functions, such as an increase in cardiovascular reactivity and changes in baroreceptors. Consequently, the chronic stress due to discrimination would lead to an increase in systolic and diastolic blood pressures. Thus, the psychological strain due to discrimination would play a significant role in the prevalence of chronic diseases, such as hypertension, cardiovascular diseases, obesity and diabetes.</p>
      <p>
        <bold>Discussion</bold>
      </p>
      <p>Considering the results observed, the increased interest in studying the relationship between discrimination and blood pressure-related outcomes is recent, given that 77% of the studies assessed have been published from 2006 on. In addition, the studies tended to be published in journals, such as <italic>Health Psychology </italic>and <italic>Annals of Behavioral Medicine</italic>, which aim at investigating relationships between psychosocial and behavioral factors, such as discrimination, as well as aspects of physical health, health promotion, change in risk factors, and disease prevention.</p>
      <p>All studies reviewed originate from the USA. That result can be explained, among other factors, by the vast scientific production of that country and by the importance that the topic 'discrimination' has in the North-American society, especially regarding the African-American issue<sup>6</sup>. Similarly, the interest in the study of the relationships between discrimination and blood pressure in other countries, even in European countries, where immigration has been a highly important population phenomenon in recent years, has been clearly incipient. In Brazil, similarly to what occurs in the USA, important factors related to the idea of race, racism, and discrimination also deserve to be more deeply studied to assess their relationships with health conditions and behaviors, particularly blood pressure.</p>
      <p>However, considering that most discrimination scales have a North-American origin and emphasize, with rare exceptions, exclusively racial discrimination, the initiative of assessing that phenomenon in Brazil with the same instruments would necessarily conflict with extremely relevant issues. First, it is worth considering that the lay understanding of the concept of race in the USA differs considerably from the equivalent idea in Brazil, where, instead of race, the term 'color' tends to be more frequently used in racial classifications<sup>34</sup>. This distinction in the use of the expressions reflects that, in Brazil, aspects related to the appearance of individuals (phenotypes, physical features) are the major, but not the only, factors involved in what is usually called "Brazilian racial calculation", used to classify the population in the most varied circumstances and social interactions, including those of research. This emphasis on phenotypic characteristics or external physical features differs from what occurs in the USA, where the idea of origin or ancestry predominates, guiding the definition of socially constructed groups, such as Blacks or Whites<sup>35</sup>.</p>
      <p>Another important distinction in terms of racial attribution, but closely related to the manifestation of discriminatory behaviors, regards the existence of multiple subcategories of classification. On the one hand, there is the binary model, which does not predict expressive shades of skin color between black and white, and which predominates in the USA<sup>36</sup>. On the other hand, the Brazilian skin color continuum or gradient, which is based both on the attribution of social categorization to several shades of skin color and on different terminologies used to place, in a very particular way, individuals within a skin color spectrum, ranging from black to white<sup>36</sup>.</p>
      <p>In the social distinction attributed to several skin color shades between black and white, the skin whitening phenomenon in racial classification is also worth noting<sup>37</sup>. Considering the identification of the skin color groups with aspects of social class and <italic>status</italic>, there would be in Brazil a tendency towards Blacks and Browns experiencing improvement in socioeconomic conditions to be socially accepted as Whites. This bears close relation with the manifestation of discriminatory behaviors: considering that belonging to a certain color category depends on other aspects of social position, mainly socioeconomic<italic> status</italic>, certain individuals might not be discriminated against because of their socioeconomic status, and they may be socially recognized as Whites, although they present black skin, curly hair and other physical features related to the idea of Black race.</p>
      <p>It is equally important to emphasize the peculiarities of racial discrimination in Brazil, as compared with the USA. While, in Brazil, the key concept to describe racial discrimination would be that of miscegenation, mixture or racial democracy, in the USA the equivalent term would be segregation<sup>38</sup>. In other words, while in Brazil racial discrimination manifests itself in conjunction with miscegenation/racial democracy, segregation, understood as physical and social distance between Blacks and Whites, is assumed as the underlying form of discrimination in the USA<sup>38</sup>.</p>
      <p>Briefly, the use of the term 'color', the existence of a skin color continuum and its relationship with socioeconomic <italic>status</italic>, and eventually the occurrence of miscegenation and of the myth of racial democracy all suggest that the North-American discrimination scales will hardly encompass these specificities. Thus, North-American scales will not be adequate for use in our context, unless adaptations pertinent to the measurement of Brazilian discriminatory experiences are made.</p>
      <p>Beyond those questions, this review showed important methodological limitations in the original studies, some of which had already been identified in previous reviews<sup>6-10</sup>. Most of the studies adopted the cross-sectional design, with relatively small convenience samples, whose most participants were exclusively Blacks. The cross-sectional design is considered inadequate to establish temporal and cause/effect relationships, because it assesses risk factors and their outcomes at a single point in time. In addition, the exposure status assessed in a cross-sectional study might diverge from the previous exposure, making the identification of causal relations extremely difficult. There is still the aggravation that the reviewed studies used convenience samples, which are restricted to specific population groups, and the results found in these samples might differ from those observed in a larger population.</p>
      <p>Another item worth noting is that most studies were carried out with samples of exclusively Black participants. This can be attributed to the fact that the authors of those studies have attempted to portray socioeconomic and psychosocial factors (such as discrimination) as the leading causes of the higher prevalence of hypertension in African-Americans, as compared to other population groups. Authors have attempted to contrast some still well-accepted theories that claim the existence of different races in the human population, attributing the greater prevalence of hypertension in the Black population exclusively to genetic factors. However, the studies should better assess the consequences of discrimination on blood pressure in other population groups, which are also subjected to intense and frequent forms of discrimination. This would show how discrimination potentially affects blood pressure in different population groups.</p>
      <p>The scales most frequently used in the studies to measure the discriminatory experiences were <italic>Everyday Discrimination Scale</italic> and <italic>Perceived Racism Scale</italic>. Those scales have shown to be appropriate for that type of study, because they allow not only assessing the perception of discriminatory experiences, but also the frequency with which they occur. An important aspect to observe is that, although the <italic>Everyday Discrimination Scale</italic> allows measuring different types of discriminatory experiences, the studies have assessed exclusively racial/ethnic discrimination. Future studies should also assess the consequences on blood pressure of other types of discrimination, such as sex and class discrimination. This would allow a better assessment of racial/ethnic discrimination, comparing it with results referring to other types of unfair treatment.</p>
      <p>The associations between discriminatory experiences and blood pressure-related outcomes seemed controversial, as follows: in 40% of the results, no association was found, while a global positive association was found in only 30% of the tests (15 results), only 67% of them being statistically significant. In addition, a relatively expressive number of inverse associations was found (eight, 16% of the results), most of which in specific population groups. That inconsistency in results had already been detected in previous reviews<sup>2,6,7,9,10</sup>, and can be partially attributed to the methodological limitations of the studies already mentioned.</p>
      <p>Conde and Gorman<sup>39</sup>, assessing studies led by the researcher Nancy Krieger, have also reported inconsistencies in the findings regarding the relationship between discrimination and adverse health outcomes, such as blood pressure. According to those authors, such inconsistencies would be due to problems in the way discrimination is measured and classified in the studies. When assessing the scale of Krieger et al.<sup>40</sup> (<italic>Experiences of Discrimination</italic>), Conde and Gorman reported that, among other problems, that scale does not differentiate between the type, duration and intensity of the discriminatory events assessed.</p>
      <p>Finally, Townsend et al.<sup>41</sup> have suggested that the inconsistencies among studies can be partially explained by the different worldviews of their participants. According to those authors, members of stigmatized groups who believe the <italic>status</italic> system is fair, while interacting with a prejudiced partner, tend to present adverse health outcomes, such as increased blood pressure. In contrast, members of stigmatized groups who believe the <italic>status</italic> system is unfair, while interacting with a prejudiced partner, do not show adverse health effects. Such that the absence of discriminatory behaviors in specific situations may be more threatening than its presence. This can explain the lack of associations or inverse associations found in the studies reviewed. Similarly, this can mean that the participants' worldview (fair <italic>versus</italic> unfair, for example) should be considered an important factor in theoretical models that postulate cause-effect relations between discrimination and blood pressure/hypertension.</p>
      <p>
        <bold>Conclusions</bold>
      </p>
      <p>This review was aimed at assessing discrimination as an epidemiological risk factor for hypertension, and also at updating previous reviews on the topic. It is worth emphasizing, however, that the restriction to PubMed might have had important implications to our results, such as the finding that all studies on discrimination and blood pressure originated exclusively in the USA. Thus, the results and conclusions of the present review should be regarded carefully, avoiding generalizations to studies from other databases or even to studies not published in scientific journals.</p>
      <p>Nevertheless, in conclusion, to consolidate interpersonal discrimination as an epidemiological risk factor for hypertension or high blood pressure, studies should use more rigorous methodologies, with prospective cohort designs and larger samples. In addition, the current theoretical models should be reviewed, participants of different racial/ethnic groups should be recruited, and more accurate instruments should be used to measure discrimination regarding time, types and frequency of exposure. This would allow a more accurate assessment of the importance of discrimination for blood pressure and its dependence on other psychosocial and socioeconomic factors.</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>Sources of Funding</bold>
      </p>
      <p>There were no external funding sources for this study.</p>
      <p>
        <bold>Study Association</bold>
      </p>
      <p>This study is not associated with any post-graduation program.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
