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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">Tjx8mFgSCBqwycR3DQXMDGB</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2012001300010</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(12)09900400010</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2012005000085</article-id>
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        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Artigos Originais</subject>
        </subj-group>
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        <article-title>Identifica&#231;&#227;o de fatores de risco cardiovascular em pais/cuidadores de crian&#231;as cardiopatas</article-title>
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            <surname>Borges</surname>
            <given-names>Camila Feij&#243;</given-names>
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            <given-names>Fernanda Michielin</given-names>
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            <surname>Pellanda</surname>
            <given-names>Lucia Campos</given-names>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Ci&#234;ncias da Sa&#250;de de Porto Alegre</institution>
        <institution content-type="orgdiv1">Curso de Nutri&#231;&#227;o </institution>
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          <named-content content-type="city">Porto Alegre</named-content>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>10</month>
        <year>2012</year>
      </pub-date>
      <volume>99</volume>
      <issue>4</issue>
      <fpage>936</fpage>
      <lpage>943</lpage>
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          <day>31</day>
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        <date date-type="accepted">
          <day>10</day>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      </permissions>
      <abstract>
        <p>FUNDAMENTO: As doen&#231;as cardiovasculares representam uma das principais causas de morbimortalidade no mundo. No Brasil, constituem a principal causa de &#243;bitos. OBJETIVO: Identificar fatores de risco cardiovasculares em pais/cuidadores de crian&#231;as cardiopatas, mediante avalia&#231;&#227;o do estado nutricional, condi&#231;&#245;es de sa&#250;de e estilo de vida. M&#201;TODOS: Estudo transversal, com 150 pais ou cuidadores de crian&#231;as cardiopatas que frequentavam um ambulat&#243;rio de cardiologia pedi&#225;trica. Dados de identifica&#231;&#227;o, estilo de vida e condi&#231;&#245;es de sa&#250;de foram coletados por meio de question&#225;rio estruturado. Para an&#225;lise dos h&#225;bitos alimentares utilizou-se question&#225;rio de frequ&#234;ncia alimentar, e para avalia&#231;&#227;o do estado nutricional foram realizadas aferi&#231;&#245;es de peso, estatura e circunfer&#234;ncia da cintura e c&#225;lculo e classifica&#231;&#227;o do &#205;ndice de Massa Corporal (IMC). RESULTADOS: Foram avaliados 155 pais de crian&#231;as cardiopatas, predominantemente do sexo feminino, 91,6%; a m&#233;dia de idade foi 35,0 &#177; 10,6 anos. Os fatores de risco observados em maior preval&#234;ncia foram sedentarismo (85,2%), obesidade (28%) e hipertens&#227;o (22,6%). Em rela&#231;&#227;o aos h&#225;bitos alimentares foi identificada elevada frequ&#234;ncia de consumo de carne vermelha, margarina, azeite, a&#231;&#250;car e baixo consumo de peixes. A compara&#231;&#227;o entre os g&#234;neros apresentou diferen&#231;a significativa em rela&#231;&#227;o &#224; obesidade, detectada pelo IMC, e hipertens&#227;o, e ambas foram mais presentes entre mulheres. A medida da circunfer&#234;ncia da cintura tamb&#233;m evidenciou maior risco cardiovascular nas mulheres. CONCLUS&#195;O: Foram identificados fatores de risco para doen&#231;as cardiovasculares nos pais/cuidadores avaliados, como excesso de peso, sedentarismo e hipertens&#227;o, al&#233;m de h&#225;bitos alimentares inadequados como elevada frequ&#234;ncia de consumo de gorduras saturadas e colesterol e baixa frequ&#234;ncia de consumo de gorduras insaturadas.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Doen&#231;as cardiovasculares</kwd>
        <kwd>fatores de risco</kwd>
        <kwd>crian&#231;a</kwd>
        <kwd>estilo de vida</kwd>
        <kwd>estado nutricional</kwd>
        <kwd>cuidadores</kwd>
        <kwd>pais</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>06</day>
        <month>09</month>
        <year>2012</year>
      </pub-date>
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  <body>
    <p>
      <bold>Identifica&#231;&#227;o de fatores de risco cardiovascular em pais/cuidadores de crian&#231;as cardiopatas</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Camila Feij&#243; Borges<sup>I</sup>; Fernanda Michielin Busnello<sup>II</sup>; Lucia Campos Pellanda<sup>III,IV</sup></bold>
    </p>
    <p><sup>I</sup>Curso de Nutri&#231;&#227;o da Universidade Federal de Ci&#234;ncias da Sa&#250;de de Porto Alegre </p>
    <p><sup>II</sup>Departamento de Nutri&#231;&#227;o da Universidade Federal de Ci&#234;ncias da Sa&#250;de de Porto Alegre </p>
    <p><sup>III</sup>Instituto de Cardiologia do RS/ Funda&#231;&#227;o Universit&#225;ria de Cardiologia </p>
    <p><sup>IV</sup>Departamento de Sa&#250;de Coletiva da Universidade Federal de Ci&#234;ncias da Sa&#250;de de Porto Alegre, Porto Alegre, RS - Brasil</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="corresp">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p><bold>FUNDAMENTO:</bold> As doen&#231;as cardiovasculares representam uma das principais causas de morbimortalidade no mundo. No Brasil, constituem a principal causa de &#243;bitos. </p>
    <p><bold>OBJETIVO:</bold> Identificar fatores de risco cardiovasculares em pais/cuidadores de crian&#231;as cardiopatas, mediante avalia&#231;&#227;o do estado nutricional, condi&#231;&#245;es de sa&#250;de e estilo de vida. </p>
    <p><bold>M&#201;TODOS:</bold> Estudo transversal, com 150 pais ou cuidadores de crian&#231;as cardiopatas que frequentavam um ambulat&#243;rio de cardiologia pedi&#225;trica. Dados de identifica&#231;&#227;o, estilo de vida e condi&#231;&#245;es de sa&#250;de foram coletados por meio de question&#225;rio estruturado. Para an&#225;lise dos h&#225;bitos alimentares utilizou-se question&#225;rio de frequ&#234;ncia alimentar, e para avalia&#231;&#227;o do estado nutricional foram realizadas aferi&#231;&#245;es de peso, estatura e circunfer&#234;ncia da cintura e c&#225;lculo e classifica&#231;&#227;o do &#205;ndice de Massa Corporal (IMC). </p>
    <p><bold>RESULTADOS:</bold> Foram avaliados 155 pais de crian&#231;as cardiopatas, predominantemente do sexo feminino, 91,6%; a m&#233;dia de idade foi 35,0 &#177; 10,6 anos. Os fatores de risco observados em maior preval&#234;ncia foram sedentarismo (85,2%), obesidade (28%) e hipertens&#227;o (22,6%). Em rela&#231;&#227;o aos h&#225;bitos alimentares foi identificada elevada frequ&#234;ncia de consumo de carne vermelha, margarina, azeite, a&#231;&#250;car e baixo consumo de peixes. A compara&#231;&#227;o entre os g&#234;neros apresentou diferen&#231;a significativa em rela&#231;&#227;o &#224; obesidade, detectada pelo IMC, e hipertens&#227;o, e ambas foram mais presentes entre mulheres. A medida da circunfer&#234;ncia da cintura tamb&#233;m evidenciou maior risco cardiovascular nas mulheres. </p>
    <p><bold>CONCLUS&#195;O:</bold> Foram identificados fatores de risco para doen&#231;as cardiovasculares nos pais/cuidadores avaliados, como excesso de peso, sedentarismo e hipertens&#227;o, al&#233;m de h&#225;bitos alimentares inadequados como elevada frequ&#234;ncia de consumo de gorduras saturadas e colesterol e baixa frequ&#234;ncia de consumo de gorduras insaturadas.</p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> Doen&#231;as cardiovasculares; fatores de risco; crian&#231;a; estilo de vida; estado nutricional; cuidadores; pais.</p>
    <p>
      <bold>Introdu&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>As Doen&#231;as Cardiovasculares (DCV) representam uma das principais causas de morbimortalidade no mundo e seu crescimento significativo nos pa&#237;ses em desenvolvimento alerta para o potencial impacto nas classes menos favorecidas<sup>1</sup>. No Brasil, constituem a principal causa de &#243;bitos, correspondendo a aproximadamente 30% em algumas faixas et&#225;rias<sup>2</sup>.</p>
    <p>Tradicionalmente, considera-se que as DCV se desenvolvem em adultos e idosos, por&#233;m grande parte dos Fatores de Risco (FR) relacionados ao seu desenvolvimento tem in&#237;cio na inf&#226;ncia e na adolesc&#234;ncia<sup>1</sup>, podendo apresentar efeitos aditivos na vida adulta<sup>3</sup>. Dentro da multicausalidade das DCV, existe uma s&#233;rie de FR que contribui para o seu aparecimento; de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia os FR mais evidentes no panorama nacional de sa&#250;de cardiovascular no Brasil s&#227;o: obesidade, Diabete Melito (DM), Hipertens&#227;o Arterial Sist&#234;mica (HAS), dislipidemia e tabagismo<sup>1,3</sup>.</p>
    <p>Os h&#225;bitos alimentares e a atividade f&#237;sica, no entanto, tamb&#233;m podem apresentar-se como FR para doen&#231;as cardiovasculares na medida em que participam efetivamente na etiologia da dislipidemia, obesidade, DM e HAS<sup>1,4</sup>.</p>
    <p>A forma&#231;&#227;o do h&#225;bito alimentar ocorre na inf&#226;ncia, por meio de influ&#234;ncias gen&#233;ticas e ambientais<sup>5</sup>. O padr&#227;o alimentar envolve a participa&#231;&#227;o efetiva dos pais por meio das intera&#231;&#245;es familiares que afetam o comportamento alimentar das crian&#231;as. O pr&#243;prio comportamento alimentar dos pais exerce forte impacto sobre a forma&#231;&#227;o do h&#225;bito alimentar infantil<sup>5</sup>. Portanto, &#233; evidente a relev&#226;ncia de um estilo de vida familiar saud&#225;vel no desenvolvimento e crescimento da crian&#231;a cardiopata.</p>
    <p>Apesar do elevado n&#250;mero de estudos e investimentos voltados ao controle das afec&#231;&#245;es cardiovasculares, as taxas de morbimortalidade t&#234;m sofrido poucas modifica&#231;&#245;es. Os melhores resultados s&#227;o encontrados nos programas direcionados &#224;s mudan&#231;as dos h&#225;bitos de vida prejudiciais &#224; sa&#250;de<sup>3</sup>. Todavia, o perfil e os h&#225;bitos de vida dos pais de crian&#231;as cardiopatas ainda foram pouco explorados, o que pode dificultar o estabelecimento de estrat&#233;gias de interven&#231;&#227;o eficazes que permitam mudar o perfil de mortalidade cardiovascular.</p>
    <p>O presente estudo tem, portanto, como objetivo identificar fatores de risco cardiovasculares em pais de crian&#231;as cardiopatas, mediante a avalia&#231;&#227;o do estado nutricional, condi&#231;&#245;es de sa&#250;de e estilo de vida.</p>
    <p>
      <bold>M&#233;todos</bold>
    </p>
    <p>Trata-se de um estudo transversal com amostra constitu&#237;da por pais ou cuidadores de crian&#231;as cardiopatas que frequentam o ambulat&#243;rio de Cardiologia Pedi&#225;trica do Instituto de Cardiologia/ Funda&#231;&#227;o Universit&#225;ria de Cardiologia de Porto Alegre (IC-FUC).</p>
    <p>O ambulat&#243;rio onde o presente estudo foi realizado atende crian&#231;as portadoras de cardiopatia cong&#234;nita, cuja m&#233;dia de idade &#233; de 12,7 anos. Sendo a m&#233;dia de idade no momento do diagn&#243;stico equivalente a 15 meses. Quanto ao tipo de cardiopatia cong&#234;nita mais prevalente destacam-se as cian&#243;ticas, dentre elas a comunica&#231;&#227;o intraventricular (isolada ou associada a outras les&#245;es).</p>
    <p>A amostra foi constitu&#237;da por 155 pais/cuidadores, obtendo-se um n&#237;vel de confian&#231;a de 95%, e considerando-se um n&#237;vel de signific&#226;ncia de 5%, com estimativa de preval&#234;ncia de aproximadamente 50% e margem de erro m&#225;xima de 8%. A amostra foi obtida por conveni&#234;ncia.</p>
    <p>Foram inclu&#237;dos os indiv&#237;duos que, no momento da consulta, acompanhavam a crian&#231;a ao atendimento, desde que fossem os pais ou cuidadores respons&#225;veis, mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Foram exclu&#237;dos aqueles indiv&#237;duos que apenas acompanhavam o paciente &#224; consulta, ou seja, n&#227;o possu&#237;am v&#237;nculo formado de cuidador e, dessa forma, n&#227;o exerciam influ&#234;ncia significativa na forma&#231;&#227;o dos h&#225;bitos e estilo de vida das crian&#231;as cardiopatas.</p>
    <p>Os dados foram coletados por meio de entrevista estruturada, realizada na sala de espera do ambulat&#243;rio, com a aplica&#231;&#227;o de um question&#225;rio contendo 14 perguntas com quest&#245;es sobre informa&#231;&#245;es gerais dos pais/ cuidadores, tais como identifica&#231;&#227;o, sexo, idade, escolaridade, condi&#231;&#245;es socioecon&#244;micas e grau de parentesco com o paciente cardiopata, assim como informa&#231;&#245;es referentes ao estilo de vida e condi&#231;&#245;es de sa&#250;de, como tabagismo, etilismo, pr&#225;tica de atividade f&#237;sica, hist&#243;rico de doen&#231;as passadas e atuais, todas autorreferidas pelos participantes.</p>
    <p>Foram considerados como tabagistas os indiv&#237;duos que fumavam um ou mais cigarros por dia, ou aqueles que pararam de fumar h&#225; menos de seis meses. Foram considerados etilistas todos aqueles que referiram fazer uso de bebida alco&#243;lica de tr&#234;s a sete dias na semana, independentemente do tipo e quantidade. A atividade f&#237;sica regular foi definida como a pr&#225;tica de exerc&#237;cios f&#237;sicos, no m&#237;nimo tr&#234;s vezes por semana, durante ao menos 30 minutos por dia.</p>
    <p>Para obten&#231;&#227;o das informa&#231;&#245;es relativas aos h&#225;bitos alimentares dos indiv&#237;duos foi utilizada uma adapta&#231;&#227;o do Question&#225;rio de Frequ&#234;ncia Alimentar (QFA), que consiste na medi&#231;&#227;o da ingest&#227;o de determinados alimentos ou nutrientes espec&#237;ficos. A medi&#231;&#227;o foi realizada tendo por base a resposta do indiv&#237;duo a uma lista de alimentos, em rela&#231;&#227;o aos quais informava com que frequ&#234;ncia os consomia<sup>6</sup>. O QFA validado utilizado nessa pesquisa foi adaptado do estudo de Ribeiro e cols.<sup>7</sup>. Para an&#225;lise do h&#225;bito alimentar foram avaliados apenas os dados qualitativos obtidos por meio do QFA. Foram selecionados alguns alimentos, considerados poss&#237;veis marcadores de risco cardiovasculares - alimentos com elevados teores de colesterol, lip&#237;dios, &#225;cidos graxos saturados -, somados &#224; an&#225;lise de alimentos ricos em fibras, buscando identificar suas respectivas frequ&#234;ncias de consumo. As frequ&#234;ncias de consumo foram subdivididas em tr&#234;s categorias: muito frequentemente (para o consumo de 5x ou mais por semana), frequentemente (para o consumo de 1 a 4x por semana) ou raramente (para o consumo de 1 a 3x por m&#234;s ou raramente/nunca).</p>
    <p>O estado nutricional dos indiv&#237;duos foi avaliado mediante a aferi&#231;&#227;o das medidas de peso (kg), estatura (m), Circunfer&#234;ncia da Cintura (CC); c&#225;lculo e classifica&#231;&#227;o do &#205;ndice de Massa Corporal (IMC) e classifica&#231;&#227;o da CC. O peso foi aferido em balan&#231;a digital calibrada da marca Welmy, com capacidade m&#225;xima de 200 Kg. Os indiv&#237;duos foram pesados em p&#233;, no centro da balan&#231;a, descal&#231;os, vestindo roupas leves e olhando para a frente. A pesagem era realizada em local reservado. Para aferi&#231;&#227;o da estatura utilizou-se um estadi&#244;metro, com total de 2,0 m. O IMC foi obtido pela raz&#227;o da massa corporal total e altura elevada ao quadrado (peso - kg e altura - m<sup>2</sup>). Para classificar os valores de IMC foram utilizados os pontos de corte propostos pela Organiza&#231;&#227;o Mundial da Sa&#250;de (OMS), 1995, para popula&#231;&#227;o adulta<sup>8</sup>. A medida da CC foi realizada, com o paciente em p&#233;, com fita m&#233;trica inel&#225;stica e inextens&#237;vel, ao final da expira&#231;&#227;o, aferida circundando a regi&#227;o abdominal no ponto m&#233;dio entre a dist&#226;ncia da ponta superior da crista il&#237;aca e o rebordo costal inferior<sup>9</sup>. O ponto de corte estabelecido &#233; de 102 cm para homens e 88 cm para mulheres<sup>8</sup>.</p>
    <p>As vari&#225;veis quantitativas foram descritas por meio de m&#233;dias e desvios padr&#227;o, as vari&#225;veis qualitativas por frequ&#234;ncias absolutas e relativas. Para avaliar a associa&#231;&#227;o entre as vari&#225;veis qualitativas foram aplicados os testes qui-quadrado de Pearson ou Exato de Fisher. Para comparar m&#233;dias foi utilizado o teste t-S<italic>tudent</italic>. O n&#237;vel de signific&#226;ncia adotado foi de 5% e o tratamento estat&#237;stico dos dados foi realizado por meio do programa SPSS (<italic>Statistical Package for the Social Sciences</italic>) vers&#227;o 18.0.</p>
    <p>A presente pesquisa foi aprovada pelos Comit&#234;s de &#201;tica em Pesquisa do Instituto de Cardiologia/ Funda&#231;&#227;o Universit&#225;ria de Cardiologia de Porto Alegre (IC-FUC<underline>)</underline> e da Universidade Federal de Ci&#234;ncias da Sa&#250;de de Porto Alegre (UFCSPA). O trabalho n&#227;o envolveu nenhum risco para os indiv&#237;duos e os procedimentos estavam de acordo com orienta&#231;&#245;es nacionais e internacionais para pesquisas envolvendo seres humanos, e est&#225; consoante &#224; Declara&#231;&#227;o de Helsinki.</p>
    <p>
      <bold>Resultados</bold>
    </p>
    <p>Foram avaliados 155 pais/cuidadores de crian&#231;as cardiopatas, sendo 142 (91,6%) do sexo feminino e 13 do sexo masculino (8,4%), com m&#233;dia de idade de 35,0 &#177; 10,6 anos e varia&#231;&#227;o de faixa et&#225;ria de 17 a 68 anos, e mediana equivalente a 34 anos. A <xref ref-type="table" rid="tab01">Tabela 1</xref> descreve a caracteriza&#231;&#227;o da amostra estudada em rela&#231;&#227;o ao g&#234;nero, estado civil, grau de parentesco com as crian&#231;as, escolaridade e renda familiar mensal.</p>
    <table-wrap id="tab01">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-99-04-0936-00085-gt01.jpg"/></table-wrap>
    <p>O perfil da amostra avaliada caracteriza-se como uma popula&#231;&#227;o jovem, predominantemente feminina, sendo o grau de parentesco materno o mais encontrado; al&#233;m disso, trata-se de uma popula&#231;&#227;o de baixa escolaridade (60% da amostra possui Ensino Fundamental completo ou incompleto) e baixa renda (63,9% da amostra possui renda familiar mensal de at&#233; dois sal&#225;rios m&#237;nimos).</p>
    <p>Na <xref ref-type="table" rid="tab02">Tabela 2</xref> encontram-se a distribui&#231;&#227;o da preval&#234;ncia de tabagismo, etilismo, atividade f&#237;sica, HAS, DM e dislipidemia entre os pais. Dados dessa pesquisa mostram que 132 indiv&#237;duos (85,2%) n&#227;o praticam atividade f&#237;sica. A <xref ref-type="table" rid="tab03">Tabela 3</xref> descreve o perfil antropom&#233;trico dos pais, referente &#224;s m&#233;dias de peso, altura, IMC e CC.</p>
    <table-wrap id="tab02">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-99-04-0936-00085-gt02.jpg"/></table-wrap>
    <table-wrap id="tab03">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-99-04-0936-00085-gt03.jpg"/></table-wrap>
    <p>A distribui&#231;&#227;o da frequ&#234;ncia de consumo dos alimentos avaliados encontra-se na <xref ref-type="table" rid="aop08312tab04">Tabela 4</xref>, onde &#233; poss&#237;vel observar que 57,4% da popula&#231;&#227;o estudada consome carne de gado com uma frequ&#234;ncia de 1 a 4x na semana e 76,1% consome peixe com a frequ&#234;ncia de 1 a 3x no m&#234;s ou menos. Os ovos tamb&#233;m s&#227;o consumidos 1 a 3x no m&#234;s ou raramente por 58,1% dos avaliados. Quanto &#224; ingest&#227;o de alimentos fontes de lip&#237;deos, verifica-se o consumo de &#243;leos vegetais e margarina na frequ&#234;ncia de 5x na semana ou mais em 98,7% e 58,7% dos avaliados, respectivamente. A frequ&#234;ncia de consumo de alguns alimentos ricos em s&#243;dio foi baixa, como os lanches e salgadinhos, que tiveram 54,8% e 72,3% de frequ&#234;ncia rara de consumo (1 a 3x no m&#234;s ou menos), respectivamente; por&#233;m os enlatados apresentaram 49,7% e os embutidos, 38,1% de frequ&#234;ncia de consumo de 1 a 4x na semana. As frutas e as hortali&#231;as dos grupos A (alface, pepino, repolho, piment&#227;o, agri&#227;o e outras folhas) e do grupo C (batata, aipim, batata-doce etc.) tiveram os maiores percentuais de frequ&#234;ncia de consumo na categoria frequentemente ou muito frequentemente, enquanto as hortali&#231;as do grupo B (beterraba, cenoura, chuchu, vagem, ab&#243;bora etc.) obtiveram 45,8% de consumo raramente. A frequ&#234;ncia de consumo elevada de a&#231;&#250;car torna-se evidente ao observar que os doces e as bebidas a&#231;ucaradas (bebidas com a&#231;&#250;car e suco artificial) obtiveram seus maiores percentuais na categoria muito frequentemente, o que equivale a um consumo m&#237;nimo de 5x por semana.</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="aop08312tab04">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-99-04-0936-00085-gt04.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>A <xref ref-type="table" rid="aop08312tab05">Tabela 5</xref> apresenta a associa&#231;&#227;o das vari&#225;veis estudadas conforme o g&#234;nero, onde &#233; poss&#237;vel verificar a diferen&#231;a na preval&#234;ncia de obesidade entre os sexos, sendo as mulheres as mais acometidas pela doen&#231;a, com 31%. Ao somar o n&#250;mero de mulheres obesas com aquelas com sobrepeso, &#233; poss&#237;vel observar que 60% dessa popula&#231;&#227;o encontram-se com o peso acima da faixa da normalidade. Quanto &#224; presen&#231;a de HAS, o estudo demonstra que 24,6% das mulheres eram hipertensas. A medida de CC evidencia que grande parte das mulheres avaliadas (58,5%) encontrava-se na categoria de risco muito elevado para DCV, enquanto a maioria dos homens avaliados (61,5%) n&#227;o apresentava risco para DCV.</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="aop08312tab05">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-99-04-0936-00085-gt05.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>
      <bold>Discuss&#227;o</bold>
    </p>
    <p>No presente estudo, observamos que houve a identifica&#231;&#227;o de alta preval&#234;ncia de alguns fatores de risco cardiovasculares entre pais/cuidadores de crian&#231;as cardiopatas, como a obesidade, o sedentarismo e a HAS. Al&#233;m disso, por meio da an&#225;lise do consumo alimentar tamb&#233;m foram identificados h&#225;bitos alimentares considerados marcadores de risco cardiovasculares, como consumo elevado de alimentos ricos em colesterol e &#225;cidos graxos saturados.</p>
    <p>Observando o perfil da popula&#231;&#227;o avaliada encontra-se a predomin&#226;ncia materna, em rela&#231;&#227;o ao grau de parentesco. Estudos realizados destacam que a intera&#231;&#227;o da crian&#231;a com a m&#227;e &#233; a influ&#234;ncia mais marcante na forma&#231;&#227;o do h&#225;bito alimentar, pois no meio familiar m&#227;e e filho dividem as mesmas condi&#231;&#245;es socioecon&#244;micas, h&#225;bitos e estilo de vida, interferindo nas prefer&#234;ncias alimentares e afetando o equil&#237;brio energ&#233;tico da alimenta&#231;&#227;o por meio da composi&#231;&#227;o e da disponibilidade dos alimentos<sup>10,11</sup>.</p>
    <p>Outro resultado interessante nesta pesquisa alude &#224; baixa renda e baixa escolaridade da popula&#231;&#227;o estudada. A renda familiar est&#225; relacionada com a escolaridade materna, uma vez que essa interfere sob as oportunidades de empregos e sal&#225;rios. O h&#225;bito alimentar e o estilo de vida familiar t&#234;m rela&#231;&#227;o direta com o poder aquisitivo e o grau de escolaridade dos pais, uma vez que esses determinam o acesso &#224; informa&#231;&#227;o e ao alimento<sup>12</sup>.</p>
    <p>O Brasil vem passando por um processo de transi&#231;&#227;o nutricional, no qual se verifica uma importante mudan&#231;a no padr&#227;o alimentar das fam&#237;lias de baixa renda, que tendem a consumir dietas de alta densidade energ&#233;tica, por possu&#237;rem um custo mais acess&#237;vel<sup>13</sup>. Portanto, entende-se que a renda familiar e a escolaridade materna t&#234;m forte influ&#234;ncia sobre o estado nutricional dos filhos.</p>
    <p>Em rela&#231;&#227;o ao estado nutricional, observou-se uma elevada preval&#234;ncia de sobrepeso e obesidade. Dados da Pesquisa de Or&#231;amento Familiar (POF)<sup>14</sup> estimam que cerca de 49% dos indiv&#237;duos adultos do pa&#237;s apresentam excesso de peso e 14,8%, obesidade. Se avaliada isoladamente, a obesidade foi encontrada em 28% dessa amostra. Ao encontro desse dado, diversos estudos no pa&#237;s t&#234;m encontrado altas preval&#234;ncias de obesidade: 37,5% em Cotia, SP<sup>15</sup>; 21% em Pelotas, RS<sup>16</sup>; 17,8% em Campos, RJ<sup>17</sup>.</p>
    <p>A estratifica&#231;&#227;o do estado nutricional por sexo demonstrou diferen&#231;a estatisticamente significativa, e a obesidade foi encontrada em quase um ter&#231;o das mulheres avaliadas, enquanto nos homens n&#227;o se observou nenhum caso de obesidade. Preval&#234;ncias elevadas de obesidade em mulheres v&#234;m sendo encontradas nos &#250;ltimos anos<sup>2</sup>. Os resultados alertam para o observado em estudo transversal, realizado com adolescentes e seus pais, que evidenciou associa&#231;&#227;o positiva entre a obesidade dos pais e a obesidade encontrada nos filhos, especialmente em rela&#231;&#227;o &#224;s m&#227;es<sup>18</sup>. Ramos de Marins e cols.<sup>19</sup> tamb&#233;m observaram rela&#231;&#227;o entre o estado nutricional materno e o excesso de peso em crian&#231;as e adolescentes, propondo que programas de preven&#231;&#227;o &#224; obesidade sejam focados na fam&#237;lia.</p>
    <p>Estudos com g&#234;meos e com crian&#231;as adotadas t&#234;m demonstrado que a obesidade n&#227;o se trata apenas de uma tend&#234;ncia heredit&#225;ria, mas sofre forte influ&#234;ncia do ambiente; embora a obesidade dos pais seja um importante fator de risco<sup>3</sup>. Whitaker e cols.<sup>20</sup> observaram que crian&#231;as que t&#234;m um dos pais obesos possuem uma alta probabilidade de se tornarem adultos obesos. Outro estudo demonstrou que pais obesos que conseguiram reduzir o peso significativamente influenciaram positivamente seus filhos no controle do excesso de peso<sup>21</sup>.</p>
    <p>Os resultados observados referentes ao excesso de peso em mulheres coincidem com a medida aumentada da CC no sexo feminino, demonstrando diferen&#231;a estatisticamente significativa na compara&#231;&#227;o entre os sexos; 79% das mulheres apresentaram algum risco cardiovascular (elevado ou muito elevado) pela medida da CC, ao passo que o mesmo foi identificado apenas em 38% dos homens (<xref ref-type="table" rid="aop08312tab05">Tabela 5</xref>). Resultados semelhantes foram encontrados em estudo realizado em S&#227;o Paulo, com a finalidade de avaliar a import&#226;ncia do IMC e da CC na determina&#231;&#227;o da HAS em adultos<sup>22</sup>, em que o risco cardiovascular foi detectado em 55% das mulheres e 37% dos homens. A OMS indica o uso da medida da CC para vigil&#226;ncia dos fatores de risco para doen&#231;as cr&#244;nicas como forma de avaliar a deposi&#231;&#227;o de gordura abdominal. O uso do IMC associado &#224; medida da CC &#233; uma forma de melhor predizer o risco, uma vez que os indiv&#237;duos diferem em rela&#231;&#227;o &#224; composi&#231;&#227;o corporal e localiza&#231;&#227;o da gordura<sup>4</sup>. Estudo epidemiol&#243;gico mostrou que o excesso de gordura na regi&#227;o abdominal pode ter maior capacidade preditiva que a massa corporal total para o infarto agudo do mioc&#225;rdio e acidente vascular cerebral<sup>23</sup>.</p>
    <p>A preval&#234;ncia de hipertens&#227;o observada na presente pesquisa foi semelhante &#224; estimativa encontrada em estudo de base populacional da an&#225;lise da preval&#234;ncia de HAS no Brasil, cuja preval&#234;ncia foi de 20% de hipertens&#227;o entre adultos<sup>24</sup>. A preval&#234;ncia de hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica varia muito em diferentes estudos, e o Minist&#233;rio da Sa&#250;de estima que de 10% a 20% da popula&#231;&#227;o adulta brasileira sejam hipertensos<sup>25</sup>. Em estudo de 2006 sobre preval&#234;ncia, reconhecimento e controle da HAS no Rio Grande do Sul<sup>26</sup>, os autores observaram preval&#234;ncia de HAS entre adultos de 33,7%, dos quais 49,2% desconheciam ser hipertensos.</p>
    <p>Tamb&#233;m foi observada presen&#231;a de signific&#226;ncia estat&#237;stica na compara&#231;&#227;o da presen&#231;a de HAS entre os sexos, sendo, novamente, mais prevalente entre as mulheres. Resultados semelhantes foram observados em estudo realizado em S&#227;o Paulo<sup>2</sup>, onde a frequ&#234;ncia de hipertens&#227;o foi de 22,7% nas mulheres e 16,8% nos homens. Por&#233;m, a preval&#234;ncia de HAS entre os sexos &#233; bastante variada, sendo encontrada mais elevada no sexo masculino em outros estudos<sup>22,27,28</sup>.</p>
    <p>O relato de DM foi observado em 8,4% da popula&#231;&#227;o, valores inferiores aos encontrados em outros estudos realizados que relatam a preval&#234;ncia de 12,6%<sup>29</sup> e 15,4%<sup>2</sup>. N&#227;o houve diferen&#231;a estatisticamente significativa entre os sexos.</p>
    <p>&#201; importante considerar as limita&#231;&#245;es de estudos de car&#225;ter observacional, onde existe possibilidade de vi&#233;s de informa&#231;&#227;o, j&#225; que n&#227;o foram realizadas aferi&#231;&#245;es da tens&#227;o arterial dos participantes para defini&#231;&#227;o de diagn&#243;stico de HAS e glicemia para diagn&#243;stico de DM. Os dados aqui informados foram obtidos por meio de autorrelatos dos entrevistados, podendo haver desconhecimento das doen&#231;as por parte dos mesmos. Al&#233;m disso, foram avaliados neste estudo apenas os dados qualitativos obtidos por meio do QFA, sendo necess&#225;rios novos estudos para que seja poss&#237;vel realizar uma an&#225;lise mais detalhada do h&#225;bito alimentar dos pais/cuidadores de crian&#231;as cardiopatas.</p>
    <p>A inatividade f&#237;sica &#233; um fator de risco independente para doen&#231;as cardiovasculares<sup>30</sup>; em raz&#227;o disso, a pr&#225;tica regular de atividade f&#237;sica vem sendo recomendada tanto para preven&#231;&#227;o como para reabilita&#231;&#227;o das DCV. A preval&#234;ncia de sedentarismo observada no presente estudo foi maior que as varia&#231;&#245;es encontradas por pesquisas brasileiras (55,8% a 80,8% entre adultos)<sup>31</sup>, o que evidencia a alta incid&#234;ncia de sedentarismo identificada nos pais avaliados. Em uma revis&#227;o de literatura, bem conduzida no ano de 2006<sup>32</sup>, foram analisados 40 artigos, e a preval&#234;ncia de sedentarismo encontrada foi consistentemente elevada, afirmando que dois ter&#231;os dos indiv&#237;duos das popula&#231;&#245;es estudadas n&#227;o praticam atividade f&#237;sica regular. J&#225; foram observadas consequ&#234;ncias ben&#233;ficas em filhos de pais fisicamente ativos, que apresentam menor risco de sedentarismo ap&#243;s 15 anos, confirmando a capacidade que o estilo de vida dos pais tem de interferir no comportamento dos filhos<sup>33</sup>.</p>
    <p>A OMS reiterou recentemente que a inatividade f&#237;sica, juntamente com o consumo de dietas inadequadas est&#225; entre os dez principais fatores determinantes de mortalidade<sup>34</sup>.</p>
    <p>J&#225; est&#225; bem estabelecido na literatura cientifica que a quantidade e o tipo de gordura alimentar exercem influ&#234;ncia direta sobre fatores de risco cardiovascular, tais como a concentra&#231;&#227;o de lip&#237;deos e de lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas<sup>34</sup>. No presente estudo observou-se uma elevada frequ&#234;ncia de consumo de carne vermelha, que, assim como outras gorduras de origem animal, &#233; fonte de &#225;cidos graxos saturados. Dutra de Oliveira<sup>35</sup> chama aten&#231;&#227;o para a ingest&#227;o de &#225;cidos graxos saturados, enfatizando que o consumo desses est&#225; fortemente relacionado com o n&#237;vel s&#233;rico de colesterol, e esse com a incid&#234;ncia de infarto do mioc&#225;rdio. O autor ainda indica que em pa&#237;ses com elevada incid&#234;ncia de doen&#231;a coronariana h&#225; o predom&#237;nio de alimenta&#231;&#227;o com alto teor de gorduras saturadas. Ao passo que, em pa&#237;ses com baixo &#237;ndice da doen&#231;a coronariana, os h&#225;bitos alimentares incluem especialmente &#243;leos vegetais e baixa ingest&#227;o de produtos l&#225;cteos.</p>
    <p>Aliado &#224; frequ&#234;ncia de consumo elevada de carne vermelha, outro h&#225;bito alimentar identificado como risco cardiovascular foi a frequ&#234;ncia rara de consumo de alimentos ricos em gorduras insaturadas, como os peixes. Um estudo de interven&#231;&#227;o alimentar conduzido na Finl&#226;ndia<sup>36</sup> por um per&#237;odo de vinte anos mostrou-se eficiente na redu&#231;&#227;o de DCV; os indiv&#237;duos foram orientados a reduzir o consumo de gordura total di&#225;ria de 38% para 34% e o de &#225;cidos graxos saturados de 21% para 16%, al&#233;m de aumentar o consumo de frutas e vegetais. Outro estudo semelhante<sup>37</sup>, mostrou que a cada 5% de diminui&#231;&#227;o cal&#243;rica proveniente de gorduras saturadas, havia 17% de queda no risco para DCV.</p>
    <p>O colesterol diet&#233;tico &#233; encontrado em alimentos de origem animal e afeta o colesterol sangu&#237;neo. Sua ingest&#227;o pode ser diminu&#237;da mediante a restri&#231;&#227;o do consumo de v&#237;sceras, pele de aves, embutidos e frios<sup>1</sup>. No presente estudo, observou-se frequ&#234;ncia elevada de consumo de embutidos.</p>
    <p>Em estudo sobre padr&#245;es alimentares em diversos pa&#237;ses foi identificado aumento de risco para infarto agudo do mioc&#225;rdio de aproximadamente 30% na popula&#231;&#227;o que segue uma dieta rica em gorduras, chamada dieta ocidental; uma rela&#231;&#227;o inversa foi observada em popula&#231;&#245;es que seguem uma dieta rica em frutas e hortali&#231;as, chamada dieta prudente<sup>38</sup>.</p>
    <p>Por meio da an&#225;lise da alimenta&#231;&#227;o dos pais, podem-se identificar alguns h&#225;bitos alimentares considerados marcadores de risco cardiovascular. Considerando a forte influ&#234;ncia que o comportamento alimentar dos pais exerce sobre a forma&#231;&#227;o do h&#225;bito alimentar na inf&#226;ncia, per&#237;odo em que o estilo de vida e os padr&#245;es alimentares est&#227;o em fase de estrutura&#231;&#227;o, ressalta-se a import&#226;ncia da cria&#231;&#227;o de h&#225;bitos saud&#225;veis na preven&#231;&#227;o e tratamento das DCV em ambiente familiar<sup>31</sup>, afinal diversos ensaios aleatorizados demonstram que interven&#231;&#245;es alimentares adequadas podem diminuir ou prevenir significativamente o aparecimento de diversas doen&#231;as cr&#244;nicas n&#227;o transmiss&#237;veis<sup>34</sup>.</p>
    <p>&#201; poss&#237;vel levantar a hip&#243;tese de que os h&#225;bitos dos pais/cuidadores tenham maior ou menor influ&#234;ncia de acordo com a repercuss&#227;o da cardiopatia. Em primeiro lugar, porque as cardiopatias mais graves podem cursar com desnutri&#231;&#227;o na primeira inf&#226;ncia, aumentando as preocupa&#231;&#245;es do cuidador em alimentar a crian&#231;a de forma compensat&#243;ria. Esse h&#225;bito pode persistir mesmo ap&#243;s a corre&#231;&#227;o da cardiopatia. Em segundo lugar, porque a cardiopatia em si pode ter consequ&#234;ncias que podem ser potencializadas com os h&#225;bitos familiares, como no caso da hipertens&#227;o arterial associada &#224; coarcta&#231;&#227;o e do risco de les&#245;es em cardiopatias com anomalias coronarianas<sup>39</sup>.</p>
    <p>Sendo assim, ressalta-se que a preven&#231;&#227;o dos fatores de risco cardiovasculares &#233; importante em todas as fases da vida. Entretanto, isso pode ser ainda mais importante em crian&#231;as cardiopatas, nas quais o estilo de vida pode ter ainda maiores repercuss&#245;es, como exposto anteriormente.</p>
    <p>
      <bold>Conclus&#245;es</bold>
    </p>
    <p>Pelo presente estudo foi poss&#237;vel identificar a presen&#231;a de fatores de risco para doen&#231;as cardiovasculares em pais de crian&#231;as cardiopatas, sendo eles obesidade, sedentarismo e hipertens&#227;o, al&#233;m de marcadores de risco no h&#225;bito alimentar, como frequ&#234;ncia elevada de consumo de gorduras saturadas, colesterol e baixa frequ&#234;ncia de consumo de gorduras insaturadas. Grande parte dos fatores de risco identificados s&#227;o modific&#225;veis; seu reconhecimento precoce dever&#225; servir para fundamentar o desenvolvimento de medidas de sa&#250;de p&#250;blica que promovam educa&#231;&#227;o e preven&#231;&#227;o prim&#225;ria.</p>
    <p>Os fatores de risco se instalam na inf&#226;ncia, portanto sua abordagem tamb&#233;m deve ter in&#237;cio nessa fase. Considerando-se a influ&#234;ncia significativa que a fam&#237;lia exerce na forma&#231;&#227;o do estilo de vida e dos h&#225;bitos das crian&#231;as, interven&#231;&#245;es precisam ser desenvolvidas sob esse aspecto, transformando o ambiente familiar em um oportunizador de pr&#225;ticas cotidianas saud&#225;veis e atuando na redu&#231;&#227;o da incid&#234;ncia de doen&#231;as cr&#244;nicas na vida adulta.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflito de interesses pertinentes.</p>
    <p>
      <bold>Fontes de Financiamento</bold>
    </p>
    <p>O presente estudo n&#227;o teve fontes de financiamento externas.</p>
    <p>
      <bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>
      <fn id="corresp" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold>Correspond&#234;ncia:</bold>
        </label>
        <p> Fernanda Michielin Busnello </p>
        <p> Rua Sarmento Leite, 245, sala 208, Centro </p>
        <p> CEP 90050-170, Porto Alegre, RS - Brasil </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="fernandab@ufcspa.edu.br">fernandab@ufcspa.edu.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 31/01/12; revisado em 06/02/12; aceito em 10/05/12.</p>
  </body>
  <back>
    <ref-list>
      <ref id="B1">
        <label>1</label>
        <mixed-citation>1.	Rique ABR, Soares EA, Meirelles CM. Nutri&#231;&#227;o e exerc&#237;cio na preven&#231;&#227;o e controle das doen&#231;as cardiovasculares. Rev Bras Med Esporte. 2002;8(6):244-54.</mixed-citation>
        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>Nutri&#231;&#227;o e exerc&#237;cio na preven&#231;&#227;o e controle das doen&#231;as cardiovasculares</article-title>
          <source>Rev Bras Med Esporte</source>
          <date>
            <year>2002</year>
          </date>
          <fpage>244</fpage>
          <lpage>54</lpage>
          <issue>6</issue>
          <volume>8</volume>
          <person-group person-group-type="author">
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              <surname>Meirelles</surname>
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        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>Dietary fat intake and the risk of coronary heart disease in womem</article-title>
          <source>N Engl J Med</source>
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            <year>1997</year>
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        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>Dietary patterns and the risk of acute myocardial infarction in 52 countries: results of the INTERHEART study</article-title>
          <source>Circulation</source>
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        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>Prevalence of cardiovascular risk factors in adults with congenital heart disease</article-title>
          <source>Eur J Cardiovasc Prev Rehabil</source>
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            <year>2006</year>
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          <issue>4</issue>
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          <subject>Original Articles</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Identification of cardiovascular risk factors in parents/caregivers of children with heart diseases</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>BACKGROUND: Cardiovascular diseases are one of the major causes of morbidity and mortality worldwide. In Brazil, they are the major cause of death. OBJECTIVE: To identify cardiovascular risk factors in parents/caregivers of children with heart diseases by assessing their nutritional status, health conditions, and life style. METHODS: Cross-sectional study of 150 parents or caregivers of children with heart diseases who attended a cardiology outpatient clinic. Data on identification, lifestyle and health conditions were collected by means of a structured questionnaire. For the assessment of the eating habits, a questionnaire on eating frequency was used; for the assessment of the nutritional status, weight, height, and waist circumference were measured, and the body mass index (BMI) was calculated and classified. RESULTS: A total of 155 parents of children with heart diseases, predominantly of the female gender (91.6%), were evaluated; their mean age was 35.0 &#177; 10.6 years. The most prevalent risk factors were sedentary lifestyle (85.2%), obesity (28%) and hypertension (22.6%). As regards the eating habits, a high frequency of intake of red meat, margarine, vegetable oil, and sugar and low intake of fish were observed. Comparison between genders showed a significant difference in relation to obesity, as detected by BMI, and hypertension, both more frequent among women. Waist circumference measurement also showed a higher cardiovascular risk in women. CONCLUSION: Cardiovascular risk factors such as excess weight, sedentary lifestyle, and hypertension as well as inadequate eating habits such as a high frequency of intake of saturated fat and cholesterol and low intake of unsaturated fat were identified in the parents/caregivers assessed.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Cardiovascular Diseases</kwd>
        <kwd>Risk Factors</kwd>
        <kwd>Child</kwd>
        <kwd>Lifestyle</kwd>
        <kwd>Nutritional Status</kwd>
        <kwd>Caregivers</kwd>
        <kwd>Parents</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <fn id="inicio-body2">
          <label>
            <bold>Identification of cardiovascular risk factors in parents/caregivers of children with heart diseases</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Camila Feij&#243; Borges<sup>I</sup>; Fernanda Michielin Busnello<sup>II</sup>; Lucia Campos Pellanda<sup>III,IV</sup></bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p><sup>I</sup>Curso de Nutri&#231;&#227;o da Universidade Federal de Ci&#234;ncias da Sa&#250;de de Porto Alegre</p>
      <p><sup>II</sup>Departamento de Nutri&#231;&#227;o da Universidade Federal de Ci&#234;ncias da Sa&#250;de de Porto Alegre</p>
      <p><sup>III</sup>Instituto de Cardiologia do RS/ Funda&#231;&#227;o Universit&#225;ria de Cardiologia</p>
      <p><sup>IV</sup>Departamento de Sa&#250;de Coletiva da Universidade Federal de Ci&#234;ncias da Sa&#250;de de Porto Alegre, Porto Alegre, RS - Brazil</p>
      <p>Mailing Address</p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p><bold>BACKGROUND:</bold> Cardiovascular diseases are one of the major causes of morbidity and mortality worldwide. In Brazil, they are the major cause of death.</p>
      <p><bold>OBJECTIVE:</bold> To identify cardiovascular risk factors in parents/caregivers of children with heart diseases by assessing their nutritional status, health conditions, and life style.</p>
      <p><bold>METHODS:</bold> Cross-sectional study of 150 parents or caregivers of children with heart diseases who attended a cardiology outpatient clinic. Data on identification, lifestyle and health conditions were collected by means of a structured questionnaire. For the assessment of the eating habits, a questionnaire on eating frequency was used; for the assessment of the nutritional status, weight, height, and waist circumference were measured, and the body mass index (BMI) was calculated and classified.</p>
      <p><bold>RESULTS:</bold> A total of 155 parents of children with heart diseases, predominantly of the female gender (91.6%), were evaluated; their mean age was 35.0 &#177; 10.6 years. The most prevalent risk factors were sedentary lifestyle (85.2%), obesity (28%) and hypertension (22.6%). As regards the eating habits, a high frequency of intake of red meat, margarine, vegetable oil, and sugar and low intake of fish were observed. Comparison between genders showed a significant difference in relation to obesity, as detected by BMI, and hypertension, both more frequent among women. Waist circumference measurement also showed a higher cardiovascular risk in women.</p>
      <p><bold>CONCLUSION:</bold> Cardiovascular risk factors such as excess weight, sedentary lifestyle, and hypertension as well as inadequate eating habits such as a high frequency of intake of saturated fat and cholesterol and low intake of unsaturated fat were identified in the parents/caregivers assessed. (Arq Bras Cardiol. 2012; [online].ahead print, PP.0-0)</p>
      <p><bold>Keywords:</bold> Cardiovascular Diseases; Risk Factors; Child; Lifestyle; Nutritional Status; Caregivers; Parents.</p>
      <p>
        <bold>Introduction</bold>
      </p>
      <p>Cardiovascular diseases (CVD) are one of the major causes of morbidity and mortality worldwide and their significant growth in developing countries is a warning sign for the potential impact on underprivileged social classes<sup>1</sup>. In Brazil, they are the main cause of death, accounting for approximately 30% in some age ranges<sup>2</sup>.</p>
      <p>Traditionally, it is considered that CVD develop in adults and the elderly; however, a large part of the risk factors (RF) related to their development starts in childhood and adolescence<sup>1</sup> and may cause additional effects in adulthood<sup>3</sup>. Within the multiple causes of CVD, there is a series of RF that contribute to their development. According to the Brazilian Society of Cardiology, the most prominent RF in the national cardiovascular health panorama in Brazil are: obesity, diabetes mellitus (DM), systemic hypertension (SH), dyslipidemia, and smoking<sup>1,3</sup>.</p>
      <p>Eating habits and physical activity, however, can also be RF for cardiovascular diseases since they effectively participate in the etiology of dyslipidemia, obesity, DM and SH<sup>1,4</sup>.</p>
      <p>Eating habits are acquired in childhood, under genetic and environmental influences<sup>5</sup>. The eating pattern involves effective participation of parents through family interactions that affect their children's eating behavior. The parent's eating behavior itself exerts a strong impact on the formation of a child's eating habits<sup>5</sup>. Therefore, the relevance of a healthy family lifestyle on the development and growth of a child with heart disease is evident.</p>
      <p>Despite the large number of studies and investments directed to the control of cardiovascular disorders, mortality and morbidity rates have changed very little. The best results are obtained with programs targeting changes in life habits that are harmful to health<sup>3</sup>. Nonetheless, the profile and life habits of parents of children with heart diseases have not been much explored, and this may make it difficult to draw up effective intervention strategies that could lead to changes in the cardiovascular mortality profile.</p>
      <p>Therefore, the objective of the present study is to identify cardiovascular risk factors in parents of children with heart diseases by assessing their nutritional status, health conditions and lifestyle.</p>
      <p>
        <bold>Methods</bold>
      </p>
      <p>This is a cross-sectional study with a sample comprised of parents or caregivers of children with heart diseases who attend the Pediatric Cardiology Outpatient Clinic of <italic>Instituto de Cardiologia/ Funda&#231;&#227;o Universit&#225;ria de Cardiologia de Porto Alegre</italic> (IC-FUC).</p>
      <p>The outpatient clinic where the present study was conducted is specialized in children with congenital heart diseases whose mean age is 12.7 years, with a mean age of 15 months at the moment of diagnosis. The most prevalent congenital heart diseases are cyanotic heart diseases, especially ventricular septal defect (alone or combined with other defects).</p>
      <p>This is a convenience sample consisting of 155 parents/caregivers, with a 95% confidence interval. The significance level was set at 5%, with a prevalence estimate of approximately 50% and maximum error margin of 8%.</p>
      <p>The individuals included were those who accompanied the child at the moment of the medical visit, provided they were their parents or main caregivers. All gave written informed consent (WIC). Individuals only accompanying the patient to the visit but without a bond as a caregiver, therefore not having significant influence on the child's habits and lifestyle, were excluded.</p>
      <p>Data were collected using a structured interview performed in the outpatient clinic waiting room, by means of the administration of a questionnaire containing 14 questions on general information about the parents/caregivers such as identification, gender, age, level of education, socioeconomic conditions and relationship to the patient; it also contained information regarding the lifestyle and health conditions such as smoking habit, alcohol use, performance of physical activities, history of previous and current diseases, all self-reported by the participants.</p>
      <p>Smokers were defined as those individuals who smoked one or more cigarettes per day or who had quit smoking for less than six months. Alcoholics were defined as those who reported intake of alcoholic beverages from three to seven days a week, regardless of the type and amount. Regular physical activity was defined as the performance of physical exercises at least three times a week for at least 30 minutes per day.</p>
      <p>An adapted Food Frequency Questionnaire (FFQ), which consists in quantifying the intake of certain foods or specific nutrients, was used to obtain information regarding the individuals' eating habits. Quantification was based on the individual's responses regarding how often the food listed was consumed<sup>6</sup>. The validated FFQ used in this research was adapted from Ribeiro et al's study<sup>7</sup>. For the analysis of the eating habit, only the qualitative data obtained from the FFQ were used. Some foods considered as possible cardiovascular risk markers were selected - food with high contents of cholesterol, lipids, saturated fatty acids, in addition to the analysis of fiber-rich foods; their respective frequency of consumption was determined. Intake frequency was subdivided into three categories: very often (for an intake of 5X or more a week), often (for an intake of 1X to 4X a week), or seldom (for an intake of 1X to 3X a month or seldom/ never).</p>
      <p>The individuals' nutritional status was assessed using weight (kg), height (m), and Waist Circumference (WC) measurements, calculation and classification of the Body Mass Index (BMI), and classification of WC. Weight was measured on a calibrated Welmy&#153; digital scale, with maximum capacity of 200 kg. The individuals were weighted in the standing position on the center of the scale, barefoot, wearing light clothes, and facing forward. Weighting was performed in a designated room. A 2.0-m stadiometer was used for height measurement. BMI was calculated by dividing the total body mass by the square height (weight - kg; height - m<sup>2</sup>). The cut-off points proposed by the World Health Organization (WHO), 1995, for the adult population<sup>8</sup> were used to classify the BMI values. Using a non-stretchable inextensible tape measure, the WC was measured with the patient in the standing position, at the end of expiration, with the tape measure surrounding the abdominal region midway between the high point of the iliac crest and the lower costal margin<sup>9</sup>. The cut-off point was established at 102 cm for men and 88 cm for women<sup>8</sup>.</p>
      <p>Quantitative variables were described using means and standard deviations; qualitative variables, by means of absolute and relative frequencies. The Pearson's chi square test or Fisher's exact test were used to evaluate the association between the qualitative variables. The Student's t-test was used to compare means. The significance level was set at 5%, and statistical treatment of data was performed using the SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) version 18.0.</p>
      <p>The present study was approved by the Research Ethics Committees of <italic>Instituto de Cardiologia/ Funda&#231;&#227;o Universit&#225;ria de Cardiologia de Porto Alegre</italic> (IC-FUC<underline>)</underline> and of <italic>Universidade Federal de Ci&#234;ncias da Sa&#250;de de Porto Alegre</italic> (UFCSPA). The study did not pose any risk to the participants and the procedures were in accordance with national and international guidelines for human research, as well as with the Declaration of Helsinki.</p>
      <p>
        <bold>Results</bold>
      </p>
      <p>A total of 155 parents/caregivers of children with heart diseases were assessed. Of these, 142 (91.6%) were females and 13 were males (8.4%), with a mean age of 35.0 &#177; 10.6 years; their ages ranged from 17 to 68 years, with a median of 34 years. Characterization of the study sample as regards gender, marital status, relationship to the children, level of education and monthly family income is shown in <xref ref-type="table" rid="tab01-body2">Table 1</xref>.</p>
      <table-wrap id="tab01-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-99-04-0936-00085-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>The profile of the study sample is characterized by a young population, predominantly of females, and mothers as the relationship to the children most frequently found. In addition, they had a low level of education (60% of the sample had finished or unfinished elementary school) and low income (63.9% of the sample had a monthly family income of up to two minimum wages).</p>
      <p><xref ref-type="table" rid="tab02-body2">Table 2</xref> shows the distribution of prevalences of smoking, alcoholism, physical activity, SH, DM, and dyslipidemia among the parents. Data from the present study show that 132 individuals (85.2%) do not perform physical activities. <xref ref-type="table" rid="tab03-body2">Table 3</xref> shows the anthropometric profile of parents as regards their mean weight, height, BMI and WC.</p>
      <table-wrap id="tab02-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-99-04-0936-00085-gt02-en.jpg"/></table-wrap>
      <table-wrap id="tab03-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-99-04-0936-00085-gt03-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>Frequency distribution of intake of the foods assessed is found in <xref ref-type="table" rid="en_aop08312tab04-body2">Table 4</xref>, where we can observe that 57.4% of the study population consume beef at a frequency of 1 to 4X a week and 76.1% consume fish at a frequency of 1 to 3X a month or less. Eggs are also consumed 1 to 3X a month or seldom by 58.1% of the participants. As regards the intake of food source of fat, we verified that vegetable oils and margarine are consumed at a frequency of 5X a week or more by 98.7% and 58.7% of the participants, respectively. Frequency of consumptions of some food rich in sodium, such as fast food and snacks, was low - 54.8% and 72.3% in the seldom category (1 to 3 X a month or less, respectively). However, the frequency of consumption of canned foods was 49.7%, and that of sausages of 38.1% from 1 to 4x a week. Fruits, group A vegetables (lettuce, cucumber, cabbage, bell pepper, watercress and other green leaves) and group C vegetables (potato, cassava, sweet potato, etc.) were more frequently consumed often or very often, whereas group B vegetables (beetroot, carrot, chayote, string beans, pumpkin, etc) were seldom consumed (45.8%). A high frequency of sugar consumption is evident when we observe that the percentage of consumption of sweets and sugar-sweetened beverages (beverages with sugar and artificial juices) was more frequently in the very often category, which corresponds to a minimum intake of 5X a week.</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_aop08312tab04-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-99-04-0936-00085-gt04-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p><xref ref-type="table" rid="en_aop08312tab05-body2">Table 5</xref> shows the association between the variables studied and gender; we can observe a higher prevalence of obesity among women (31%). If we add the number of obese and overweight women, we can observe that the weight of 60% of the study population is above the normal range. As regards SH, 24.6% of the women were hypertensive. WC measurement shows that a large part of the women assessed (58.5%) were in the very high risk for CVD category, whereas most of the men assessed (61.5%) had no risk for CVD.</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_aop08312tab05-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-99-04-0936-00085-gt05-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>
        <bold>Discussion</bold>
      </p>
      <p>In the present study, we could identify a high prevalence of some cardiovascular risk factors such as obesity, sedentary lifestyle and SH among parents/caregivers of children with heart diseases. In addition, by means of the analysis of food consumption, we also identified eating habits considered as cardiovascular risk markers, such as high intake of food rich in cholesterol and saturated fatty acids.</p>
      <p>As regards the relationship to the children with heart disease, there was a predominance of mothers in the study population. Studies have pointed out that the interaction between the children and their mothers is the most important influence on the acquisition of the eating habits, because in the family environment mother and child share the same socioeconomic conditions, habits and lifestyle, and these interfere in the food preferences and affect the energy balance of food consumed by means of the food composition and availability<sup>10,11</sup>.</p>
      <p>Another interesting finding in this study was the low income and low level of education of the study population. Family income is related to the maternal level of education, since this interferes with the job opportunities and wages. The eating habits and family lifestyle have a direct relationship to the parents' purchasing power and level of education, since these determine the access to information and food<sup>12</sup>.</p>
      <p>Brazil is going through a process of nutritional transition, in which we observe an important change in the eating pattern of low-income families, which tend to consume high-energy density food, because of its lower cost<sup>13</sup>. Therefore, family income and maternal level of education have a strong influence on their children's nutritional status.</p>
      <p>As regards the nutritional status, a high prevalence of overweight and obesity was observed. Data from the Family Budget Survey (<italic>Pesquisa de Or&#231;amento Familiar</italic> - POF)<sup>15</sup> estimate that approximately 49% of the adult individuals in the country have excess weight and 14.8%, obesity. If considered alone, obesity was found in 28% of this sample. Corroborating this finding, different studies conducted in the country have found high prevalences of obesity: 37.5% in Cotia, SP<sup>15</sup>; 21% in Pelotas, RS<sup>16</sup>; and 17.8% in Campos, RJ<sup>17</sup>.</p>
      <p>Gender stratification of the nutritional status showed a statistically significant difference, with the presence of obesity in almost one third of the women assessed, whereas no obese male was observed. High prevalences of obesity among women have been found in the past years<sup>2</sup>. Our results corroborate those found in a cross-sectional study conducted in adolescents and their parents that showed a positive association between parenteral obesity, especially maternal obesity, and children obesity<sup>18</sup>. Ramos de Marins et al<sup>19</sup> also observed a relationship between the maternal nutritional status and excess weight in children and adolescents, and proposed that obesity prevention programs be targeted at the family.</p>
      <p>Studies with twins and adopted children have demonstrated that obesity is not only an inherited tendency, but it also is under strong environmental influence, although parental obesity is an important risk factor<sup>3</sup>. Whitaker et al<sup>20</sup> observed that children whose father or mother is obese have a high probability of becoming obese adults. Another study demonstrated that obese parents who were able to significantly lose weight had a positive influence on their children's excess weight control<sup>21</sup>.</p>
      <p>Our results regarding excess weight in women coincide with an increased WC in females, with a statistically significant difference in the comparison between genders; 79% of the women had some (high or very high) cardiovascular risk according to their WC measurement, in contrast with only 38% of the men (<xref ref-type="table" rid="en_aop08312tab05-body2">Table 5</xref>). A study conducted in Sao Paulo with the purpose of analyzing the importance of BMI and WC in the determination of SH in adults<sup>22</sup> showed similar results, with the presence of cardiovascular risk in 55% of the women and 37% of the men. The WHO indicates the use of WC measurement for the surveillance of risk factors for chronic diseases as a means of evaluating abdominal fat deposition. The use of BMI associated with WC measurement is a better way to predict the risk, since there are individual differences regarding body composition and distribution of fat deposits<sup>4</sup>. An epidemiological study showed that excess abdominal fat may be a better predictor of acute myocardial infarction and stroke than total body mass<sup>23</sup>.</p>
      <p>The prevalence of hypertension observed in the present study was similar to the estimate found in a population-based study on the analysis of the prevalence of SH in Brazil, which was 20% among adults<sup>24</sup>. The prevalence of systemic hypertension varies largely among the studies, and the Ministry of Health estimates that from 10% to 20% of the Brazilian adult population are hypertensive<sup>25</sup>. In a 2006 study on the prevalence, identification and control of SH in Rio Grande do Sul<sup>26</sup>, the authors observed a prevalence of SH among adults of 33.7%, of which 49.2% were not aware that they were hypertensive.</p>
      <p>A statistically significant difference was also observed in the comparison of the presence of SH between genders, again with a higher prevalence among women. Similar results were observed in a study conducted in Sao Paulo<sup>2</sup>, where the frequency of hypertension was 22.7% among women and 16.8% among men. However, the prevalence of SH among genders is variable, with the finding of a higher prevalence among males in other studies<sup>22,27,28</sup>.</p>
      <p>DM was reported by 8.4% of the population, a value lower than those found in other studies which showed prevalences of 12.6%<sup>29</sup> and 15,4%<sup>2</sup>. No statistically significant difference was found between genders.</p>
      <p>It is important to consider the limitations in observational studies, where information bias may be present since the participants' blood pressure measurements were not taken to define the diagnosis of SH, nor was blood glucose determined for the diagnosis of DM. Data informed in the present study were self-reported by the interviewees, who could be not aware of diseases. Also, only qualitative data obtained by means of the FFQ were analyzed, and further studies are necessary for a more detailed analysis of the eating habits of parents/caregivers of children with heart diseases.</p>
      <p>Physical inactivity is an independent risk factor for cardiovascular diseases<sup>30</sup>; for this reason, regular performance of physical activities has been recommended for both the prevention and rehabilitation of CVD. The prevalence of sedentary lifestyle observed in the present study was higher than those found in other Brazilian studies (55.8% to 80.8% among adults)<sup>31</sup>, which shows a high incidence of sedentary lifestyle identified in the parents studied. In a well-conducted review of the literature from 2006<sup>32</sup>, 40 articles were analyzed and the prevalence of a sedentary lifestyle was consistently high, with two-thirds of the individuals from the study populations not performing regular physical activities. Beneficial consequences have already been observed in children of physically active parents; they present a lower risk of a sedentary lifestyle after 15 years of age, thus confirming the parents' lifestyle ability to interfere in their children's behavior<sup>33</sup>.</p>
      <p>The WHO has recently reaffirmed that physical inactivity, along with the consumption of inappropriate food is among the ten major factors determining mortality<sup>34</sup>.</p>
      <p>It is well established in the scientific literature that the amount and type of dietary fat have a direct influence on cardiovascular risk factors, such as the concentration of plasma lipids and lipoproteins<sup>34</sup>. In the present study, a high frequency of consumption of red meat was observed; like other animal fats, this is a source of saturated fatty acids. Dutra de Oliveira<sup>35</sup> calls the attention for the intake of saturated fatty acids, stressing that it is strongly related to the serum cholesterol level, and this, in turn, to the incidence of myocardial infarction. The author also observes that in countries with a high incidence of coronary artery disease there is a predominance of food with a high content of saturated fat. On the other hand, in countries with a low incidence of coronary artery disease, the eating habits include especially vegetable oils and a low intake of dairy products.</p>
      <p>Along with a high frequency of consumption of red meat, another eating habit identified as a cardiovascular risk factor is the low frequency of consumption of food rich in unsaturated fat such as fish. A food intervention study conducted in Finland<sup>36</sup> for twenty years proved efficient in reducing CVD; participants were instructed to reduce their total daily fat intake from 38% to 34%, and saturated fatty acid intake from 21% to 16%, in addition to increasing the consumption of fruits and vegetables. Another similar study<sup>37</sup>, showed that every 5% reduction in calories from saturated fat resulted in a 17% lower risk of CVD.</p>
      <p>Diet cholesterol is found in animal food and affects blood cholesterol levels. Its intake may be reduced by decreasing the consumption of organ meats, poultry skin, sausages and cold cuts<sup>1</sup> In the present study, a high frequency of consumption of sausages was observed.</p>
      <p>In a study on eating patterns in several countries, an increased risk for acute myocardial infarction of approximately 30% was identified in populations that have a fat-rich diet - also known as western diet; an inverse relation was observed in populations that have a diet rich in fruits and vegetables - also known as prudent diet<sup>38</sup>.</p>
      <p>By means of the analysis of food consumed by parents, we can identify some eating habits considered as cardiovascular risk markers. Considering the strong influence that the parental eating behavior exerts on the formation of the eating habit during childhood - a period in which the lifestyle and eating patterns are being structured, we can stress the importance of acquiring healthy habits in the prevention and treatment of CVD in the family environment<sup>31</sup>; after all, several randomized assays have demonstrated that adequate food interventions may significantly decrease or prevent the onset of different noncommunicable chronic diseases<sup>34</sup>.</p>
      <p>It is possible to hypothesize that the parents/caregivers habits exert greater or less influence according to the severity of the heart disease. First, because more severe heart diseases may be accompanied by malnutrition in the early childhood, thus raising concerns from the caregiver about feeding the child in a compensatory way. This habit may persist even after correction of the heart disease. Second, because the heart disease, per se, can have consequences that may be exacerbated by the family habits, as in the case of hypertension associated with coarctation and the risk of defects in heart diseases with coronary anomalies<sup>39</sup>.</p>
      <p>Thus, we point out that the prevention of cardiovascular risk factors is important in all phases of life. However, this may be even more important in children with heart diseases, in whom the lifestyle may have an even greater impact, as previously exposed.</p>
      <p>
        <bold>Conclusions</bold>
      </p>
      <p>The present study identified the presence of risk factors for cardiovascular diseases in parents of children with heart diseases, namely obesity, sedentary lifestyle and hypertension, in addition to risk markers regarding the eating habit, such as a high frequency of intake of saturated fat and cholesterol, and a low frequency of intake of unsaturated fat. Many of the risk factors identified are modifiable; early detection will help establish public health measures to promote education and primary prevention.</p>
      <p>The risk factors start during childhood; therefore their management should also start in this phase. Considering the significant influence that the family exerts on the formation of the children's lifestyle and habits, interventions should address this aspect, transforming the family environment into an opportunity for healthy daily practices thus helping reduce the incidence of chronic diseases in adulthood.</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>Sources of Funding</bold>
      </p>
      <p>There were no external funding sources for this study.</p>
      <p>
        <bold>Study Association</bold>
      </p>
      <p>This study is not associated with any post-graduation program.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
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