<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">mRwHCDk9v7rk9pTdGnZfpdB</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2012000600001</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(12)09800601</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2012000600001</article-id>
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        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Artigo Especial</subject>
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        <article-title>Pol&#237;ticas de conflito de interesses e exig&#234;ncias para divulga&#231;&#227;o em Revistas Cient&#237;ficas de Cardiologia Nacionais da Sociedade Europeia de Cardiologia</article-title>
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        <institution content-type="orgname">Revista Portuguesa de Cardiologia</institution>
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        <institution content-type="orgname">Kardiologia Polska</institution>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>06</month>
        <year>2012</year>
      </pub-date>
      <volume>98</volume>
      <issue>6</issue>
      <fpage>471</fpage>
      <lpage>479</lpage>
      <permissions>
        <license license-type="open-access" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/" xml:lang="en">
          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
        </license>
      </permissions>
      <abstract>
        <p>A divulga&#231;&#227;o de poss&#237;veis conflitos de interesses (COI) &#233; um recurso utilizado por revistas cient&#237;ficas biom&#233;dicas para garantir a credibilidade e transpar&#234;ncia do processo cient&#237;fico. No entanto, a divulga&#231;&#227;o de COI n&#227;o constitui um foco sistem&#225;tico ou consistente das revistas cient&#237;ficas. As recentes a&#231;&#245;es editoriais conjuntas prepararam o terreno para a implementa&#231;&#227;o de ve&#237;culos uniformes para a divulga&#231;&#227;o de COI. Este artigo fornece uma perspectiva editorial abrangente de quest&#245;es cl&#225;ssicas associadas a COI. Discutem-se, ademais, perspectivas sobre as pol&#237;ticas e pr&#225;ticas atuais de COI de revistas cient&#237;ficas de cardiologia nacionais da Sociedade Europeia de Cardiologia, tendo como base uma pesquisa transversal utilizando um question&#225;rio padronizado.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Conflito de interesses</kwd>
        <kwd>publica&#231;&#245;es peri&#243;dicas</kwd>
        <kwd>editora&#231;&#227;o</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>08</day>
        <month>08</month>
        <year>2012</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
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  <body>
    <p>
      <bold>ARTIGO ESPECIAL</bold>
    </p>
    <p>Pol&#237;ticas de conflito de interesses e exig&#234;ncias para divulga&#231;&#227;o em Revistas Cient&#237;ficas de Cardiologia Nacionais da Sociedade Europeia de Cardiologia</p>
    <p>
      <bold>Fernando Alfonso<sup>I</sup>; Adam Timmis<sup>II</sup>; Fausto J. Pinto<sup>III</sup>; Giuseppe Ambrosio<sup>IV</sup>; Hugo Ector<sup>V</sup>; Piotr Kulakowski<sup>VI</sup>; Panos Vardas<sup>VII</sup>; em nome da For&#231;a-Tarefa da Rede de Editores da Sociedade Europeia de Cardiologia</bold>
    </p>
    <p><sup>I</sup>Chairman Editors'Network </p>
    <p><sup>II</sup>Editor-in-Chief, Heart </p>
    <p><sup>III</sup>Editor-in-Chief, Revista Portuguesa de Cardiologia </p>
    <p><sup>IV</sup>Nucleus Member Editors'Network </p>
    <p><sup>V</sup>Editor-in-Chief, Acta Cardiologica </p>
    <p><sup>VI</sup>Editor-in-Chief, Kardiologia Polska </p>
    <p><sup>VII</sup>Editor-in-Chief, Hellenic Journal of Cardiology</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p>A divulga&#231;&#227;o de poss&#237;veis conflitos de interesses (COI) &#233; um recurso utilizado por revistas cient&#237;ficas biom&#233;dicas para garantir a credibilidade e transpar&#234;ncia do processo cient&#237;fico. No entanto, a divulga&#231;&#227;o de COI n&#227;o constitui um foco sistem&#225;tico ou consistente das revistas cient&#237;ficas. As recentes a&#231;&#245;es editoriais conjuntas prepararam o terreno para a implementa&#231;&#227;o de ve&#237;culos uniformes para a divulga&#231;&#227;o de COI. Este artigo fornece uma perspectiva editorial abrangente de quest&#245;es cl&#225;ssicas associadas a COI. Discutem-se, ademais, perspectivas sobre as pol&#237;ticas e pr&#225;ticas atuais de COI de revistas cient&#237;ficas de cardiologia nacionais da Sociedade Europeia de Cardiologia, tendo como base uma pesquisa transversal utilizando um question&#225;rio padronizado.</p>
    <p><bold>Palavras-chave: </bold> Conflito de interesses; publica&#231;&#245;es peri&#243;dicas; editora&#231;&#227;o/&#233;tica.</p>
    <p>
      <bold>Introdu&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>O processo cient&#237;fico tem como fundamentos a confian&#231;a e credibilidade<sup>1-5</sup>. A comunidade cient&#237;fica exige altos padr&#245;es de &#233;tica em pesquisa biom&#233;dica e publica&#231;&#227;o de conte&#250;do cient&#237;fico<sup>1-5</sup>. Desde a d&#233;cada passada, a divulga&#231;&#227;o de conflitos de interesse (COI) (tamb&#233;m denominados conflitos de lealdade, interesses conflitantes ou compromissos duplos) &#233; considerada de fundamental import&#226;ncia para garantir a credibilidade do processo cient&#237;fico<sup>6-10</sup>. Quando os autores possuem determinados interesses, pode haver vi&#233;s na concep&#231;&#227;o, an&#225;lise e interpreta&#231;&#227;o de estudos<sup>6-10</sup>. Dessa forma, o COI deve ser esclarecido para os leitores, de forma a possibilitar que tracem o seu pr&#243;prio julgamento e interpreta&#231;&#227;o sobre a relev&#226;ncia e potenciais implica&#231;&#245;es. Os autores s&#227;o respons&#225;veis por divulgar de uma maneira abrangente o potencial COI<sup>6-10</sup>. A n&#227;o divulga&#231;&#227;o desses conflitos compromete a confian&#231;a do p&#250;blico, profissionais de sa&#250;de e cientistas na literatura m&#233;dica avaliada por pares<sup>6-10</sup>.</p>
    <p>De acordo com o Comit&#234; Internacional de Editores de Revistas Cient&#237;ficas de Medicina (ICMJE), o COI existe quando um autor (ou a institui&#231;&#227;o do autor), revisor ou editor possui rela&#231;&#245;es financeiras ou pessoais que influenciam de maneira impr&#243;pria (vi&#233;s) as suas a&#231;&#245;es<sup>1,11,12</sup>. O potencial de COI existe a despeito de uma dada pessoa n&#227;o acreditar que essas rela&#231;&#245;es afetem o seu julgamento cient&#237;fico. Al&#233;m das rela&#231;&#245;es financeiras, o COI pode advir de rela&#231;&#245;es pessoais, competi&#231;&#227;o acad&#234;mica e entusiasmo intelectual. Para evitar ambiguidades, deve-se solicitar explicitamente que os autores indiquem a exist&#234;ncia ou n&#227;o de COI. Os editores devem publicar essa informa&#231;&#227;o se acreditarem ser importante para o julgamento do artigo<sup>1,11,12</sup>.</p>
    <p>Tradicionalmente, as revistas cient&#237;ficas biom&#233;dicas seguem pr&#225;ticas padr&#227;o para garantir a divulga&#231;&#227;o de COI. Recentemente, muitas organiza&#231;&#245;es v&#234;m propondo a&#231;&#245;es complementares para promover a transpar&#234;ncia e proteger a integridade da pesquisa, incluindo recomenda&#231;&#245;es e diretrizes espec&#237;ficas para divulga&#231;&#227;o de COI<sup>1-10</sup>. No entanto, garantir a adequada divulga&#231;&#227;o de todas as fontes de apoio financeiro &#233; um desafio cada vez maior para os editores, em decorr&#234;ncia da crescente complexidade dos mecanismos de financiamento. Al&#233;m disso, as revistas cient&#237;ficas t&#234;m pol&#237;ticas diferentes sobre a divulga&#231;&#227;o de COI, o que pode causar confus&#227;o, na medida em que um mesmo autor pode relatar informa&#231;&#245;es diferentes em diferentes revistas cient&#237;ficas, prejudicando a confian&#231;a dos leitores<sup>11,12</sup>. Para superar esses problemas, o ICMJE prop&#244;s o uso de um ve&#237;culo comum para relatar o COI e, em outubro de 2009, lan&#231;ou um formato eletr&#244;nico "uniforme" para divulga&#231;&#227;o de COI<sup>11,12</sup>.</p>
    <p>A rede de editores da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) est&#225; empenhada em promover a difus&#227;o e implementa&#231;&#227;o de altos padr&#245;es de qualidade editorial entre as Revistas Cient&#237;ficas de Cardiologia das Sociedades Nacionais da ESC (NSCJ)<sup>13-16</sup>. Este relat&#243;rio avalia a quest&#227;o do COI adotando uma perspectiva global e did&#225;tica e oferece novas percep&#231;&#245;es sobre as atuais pol&#237;ticas e pr&#225;ticas das NSCJ da ESC.</p>
    <p>
      <bold>Question&#225;rio e pesquisa sobre conflito de interesse</bold>
    </p>
    <p>Para determinar o status do COI e exig&#234;ncias de divulga&#231;&#227;o entre as NSCJ da ESC, foi concebido um question&#225;rio para veicula&#231;&#227;o na Internet abrangente, estruturado e padronizado. O question&#225;rio foi exaustivo e abordou todos os t&#243;picos editoriais relevantes relacionados ao COI. As publica&#231;&#245;es anteriores sobre COI (de 2005 a 2010) foram recuperadas por meio do PubMed (termos de pesquisa do Medline:. "conflito de interesses", "interesse conflitante" e "divulga&#231;&#227;o") e cuidadosamente analisadas para identificar as quest&#245;es relevantes para o COI. Os itens inclu&#237;dos no question&#225;rio foram determinados ap&#243;s uma discuss&#227;o interna entre os membros do n&#250;cleo da Rede de Editores. Com vistas a simplificar o question&#225;rio final, alguns itens associados e t&#243;picos confusos ou redundantes foram removidos. Por fim, 48 itens diferentes foram inclu&#237;dos na pesquisa. As perguntas foram agrupadas em tr&#234;s &#225;reas de interesse principais: (1) autores, (2) revisores; (3) editores. Al&#233;m disso, tamb&#233;m foram solicitados feedbacks adicionais sobre o interesse gerado pela iniciativa de divulga&#231;&#227;o "uniforme" de COI do ICMJE. Foram disponibilizados espa&#231;os para coment&#225;rios em texto livre para cada &#225;rea de interesse principal.</p>
    <p>Em junho de 2010, a pesquisa pela Internet foi enviada pela European Heart House da ESC para todos os editores-chefes das NSCJ da ESC e, em uma segunda leva (julho de 2010), para as Sociedades de Cardiologia Afiliadas da ESC. Foi feita uma solicita&#231;&#227;o espec&#237;fica para que os editores-chefes respondessem a pesquisa pessoalmente. O convite sugeriu que fosse organizada uma reuni&#227;o entre os editores-chefes, editores associados e equipe dos jornais cient&#237;ficos, tendo como objetivo discutir os resultados das informa&#231;&#245;es solicitadas antes de devolver o question&#225;rio. Um URL para a pesquisa veiculada na Internet foi indicado na carta-convite para possibilitar o acesso de editores &#224; pesquisa. Quando n&#227;o houve respostas da Sociedade de Cardiologia Nacional correspondente, esta foi contatada diretamente. Tamb&#233;m foi utilizada uma correspond&#234;ncia convencional, conforme solicitado. At&#233; cinco pedidos distintos foram enviados ao longo do ano. Depois disso, as revistas cient&#237;ficas faltantes foram classificadas como n&#227;o respondentes.</p>
    <p>Os registros eletr&#244;nicos finais foram cuidadosamente analisados pelos funcion&#225;rios da ESC na European Heart House e pelos membros do n&#250;cleo da Rede de Editores da ESC. Foi dada especial aten&#231;&#227;o aos dados faltantes, principais inconsist&#234;ncias ou erros. Ademais, sempre que necess&#225;rio, foram solicitados esclarecimentos dos editores correspondentes. Os dados s&#227;o apresentados como resultados globais e os participantes foram mantidos an&#244;nimos para as revistas cient&#237;ficas.</p>
    <p>
      <bold>Conflito de resultados nos resultados da pesquisa</bold>
    </p>
    <p>Um total de 46 revistas cient&#237;ficas respondeu &#224; pesquisa. Dessas, 35 pertencem &#224;s NSCJ da ESC e 11 a revistas cient&#237;ficas de Sociedades de Cardiologia Afiliadas. Isso representa uma resposta de 83% (35/42) das NSCJ conhecidas e 58% (11/19) para as Sociedades de Cardiologia Afiliadas. As NSCJ da ESC s&#227;o altamente heterog&#234;neas em objetivos, formatos e conte&#250;do cient&#237;fico<sup>13</sup>. Da mesma forma, alguns editores declinaram da resposta &#224; pesquisa por que sentiram que as pol&#237;ticas de COI n&#227;o eram aplic&#225;veis &#224;s suas revistas cient&#237;ficas (falta de artigos originais, boletins de menor tamanho, conte&#250;do com not&#237;cias de m&#237;dias sociais etc.) (dados n&#227;o exibidos).</p>
    <p>A <xref ref-type="table" rid="t01">Tabela 1</xref> resume os principais dados relativos ao COI dos autores. Quase metade das revistas cient&#237;ficas possu&#237;a uma pol&#237;tica espec&#237;fica para COI de autores. Na maioria dos casos, havia &#234;nfase apenas no COI financeiro e no COI diretamente relacionado com o trabalho apresentado. Poucas revistas cient&#237;ficas ofereceram defini&#231;&#245;es ou exemplos de COI. Em quase todos os casos nos quais o COI foi solicitado, esta pol&#237;tica afetou todos os tipos de artigos apresentados. Solicitamos veementemente que nos enviassem um testemunho escrito dos autores. No entanto, os procedimentos para verificar a precis&#227;o da divulga&#231;&#227;o de COI dos autores foram raramente implementados, apesar de, em circunst&#226;ncias especiais, a maioria dos editores entrar em contato com autores para esclarecer quest&#245;es relacionadas com o COI. Raramente havia pol&#237;ticas para lidar com autores que n&#227;o conseguem divulgar o COI. Na maioria das revistas cient&#237;ficas, os editores decidiram quando o COI dos autores deveria ser publicado. Em algumas revistas, no entanto, essas informa&#231;&#245;es eram publicadas sistematicamente (<xref ref-type="table" rid="t01">tabela 1</xref>).</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="t01">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-98-06-0471-00001-gt01.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>A <xref ref-type="table" rid="t02">Tabela 2</xref> apresenta os dados relacionados ao COI de revisores. Apenas uma em cada quatro revistas cient&#237;ficas apresentavam pol&#237;ticas para COI de revisores. Em mais da metade das revistas cient&#237;ficas, os revisores foram solicitados a declinar o convite para analisar se um potencial COI existia. No entanto, era rara a recusa dos revisores devido a potencial COI.</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="t02">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-98-06-0471-00001-gt02.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>A <xref ref-type="table" rid="t3">Tabela 3</xref> exibe o status do COI dos editores entre as revistas cient&#237;ficas correspondentes. Na maioria dos casos, n&#227;o foram implementadas pol&#237;ticas nesse sentido. Al&#233;m disso, muito poucas revistas cient&#237;ficas possu&#237;am pol&#237;ticas para a delega&#231;&#227;o de decis&#245;es para outros editores ou editores convidados. Apenas um ter&#231;o dos editores estava familiarizado com a iniciativa de "Formul&#225;rio de Divulga&#231;&#227;o Uniforme" do ICMJE quando receberam o convite para a pesquisa. No entanto, 90% dos editores considerou a proposta de COI do ICMJE de potencial valor para suas revistas cient&#237;ficas e a maioria declarou que estava disposta a implement&#225;-la em um per&#237;odo relativamente curto (<xref ref-type="table" rid="t4">tabela 4</xref>).</p>
    <table-wrap id="t3">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-98-06-0471-00001-gt03.jpg"/></table-wrap>
    <table-wrap id="t4">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-98-06-0471-00001-gt04.jpg"/></table-wrap>
    <p>
      <bold>Discuss&#227;o</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Estudos patrocinados pela ind&#250;stria: amiga ou inimiga?</bold>
    </p>
    <p>A pesquisa cient&#237;fica &#233; objeto de crescente complexidade, com padr&#245;es de qualidade cada vez mais desafiadores<sup>17-24</sup>. Por conta disso, conduzir estudos cl&#237;nicos tornou-se dispendioso, e o papel dos patrocinadores para garantir a viabilidade de projetos de pesquisa &#233; crucial. No entanto, o financiamento de diferentes fontes pode afetar diretamente os pesquisadores e o COI pode influenciar de maneira inapropriada suas a&#231;&#245;es ou julgamento<sup>17-24</sup>. Pode haver um sutil vi&#233;s na concep&#231;&#227;o e interpreta&#231;&#227;o quando um patrocinador pode obter um benef&#237;cio de um relat&#243;rio<sup>17</sup>.</p>
    <p>As empresas farmac&#234;uticas e de tecnologia s&#227;o respons&#225;veis pela maior parte dos mais importantes avan&#231;os no conhecimento m&#233;dico<sup>17-24</sup>. Os pacientes, m&#233;dicos e a sociedade civil como um todo se beneficiam desta a&#231;&#227;o &#250;nica e devem ser gratos ao comprometimento com a pesquisa da ind&#250;stria. Mais do que 75% de todos os ensaios cl&#237;nicos s&#227;o financiados por empresas farmac&#234;uticas<sup>25,26</sup>. Da mesma forma, o grosso da pesquisa migrou dos centros acad&#234;micos para contratos diretos entre patrocinadores e organiza&#231;&#245;es privadas<sup>27,28</sup>. As organiza&#231;&#245;es com fins lucrativos, que realizam pesquisas por solicita&#231;&#227;o, consomem atualmente mais do que 60% do financiamento &#224; pesquisa pela ind&#250;stria<sup>25-28</sup>. Isso poderia ser o resultado de sua capacidade de realizar ensaios mais rapidamente do que as institui&#231;&#245;es acad&#234;micas<sup>8,25</sup>. Esse fen&#244;meno explica a gradativa perda da influ&#234;ncia de institui&#231;&#245;es acad&#234;micas na "agenda das pesquisas"<sup>25-29</sup>. Embora a maioria dos artigos citados continue sendo produzida por autores com filia&#231;&#245;es acad&#234;micas, o n&#250;mero de ensaios financiados exclusivamente pela ind&#250;stria cresceu exponencialmente<sup>30</sup>.</p>
    <p>Essa mudan&#231;a de paradigma acarreta graves consequ&#234;ncias<sup>25-29</sup>. Em primeiro lugar, muitas quest&#245;es com relev&#226;ncia cient&#237;fica possuem uma probabilidade cada vez maior de n&#227;o serem investigados (estudos &#243;rf&#227;os). Em segundo lugar, muitos estudos<sup>8,31,32</sup> sugerem que, em compara&#231;&#227;o com a pesquisa n&#227;o patrocinada, os ensaios patrocinados s&#227;o publicados com menor frequ&#234;ncia, levando a preocupa&#231;&#227;o de vi&#233;s na publica&#231;&#227;o<sup>29</sup>. Embora a ind&#250;stria tenha sido acusada de publica&#231;&#227;o preferencial de estudos com resultados positivos, este problema tamb&#233;m afeta a pesquisa financiada pelo governo<sup>8,31-35</sup>. Para reduzir o efeito do vi&#233;s na publica&#231;&#227;o, os ensaios devem ser registrados em reposit&#243;rios com acesso p&#250;blico<sup>29</sup>. A pesquisa apoiada pela ind&#250;stria tamb&#233;m tem sido associada com o relato de muitos estudos com resultados positivos<sup>8,36</sup>. Esta pr&#225;tica pode afetar os resultados de an&#225;lises e meta-an&#225;lises subsequentes, e at&#233; mesmo de diretrizes para pr&#225;tica cl&#237;nica. Por outro lado, o patroc&#237;nio da ind&#250;stria tem sido associado com atrasos e restri&#231;&#245;es a publica&#231;&#245;es<sup>8</sup>.</p>
    <p>Por fim, os ensaios patrocinados pela ind&#250;stria possuem uma probabilidade tr&#234;s a quatro vezes maior de obter resultados favor&#225;veis do que os n&#227;o patrocinados<sup>8,31-33,37,38</sup>. Cumpre salientar que todas essas diferen&#231;as n&#227;o parecem guardar rela&#231;&#227;o com uma metodologia inferior nos ensaios financiados pela ind&#250;stria. Bekelman e cols.<sup>8</sup> realizaram uma an&#225;lise sistem&#225;tica de 1140 estudos originais, demonstrando uma associa&#231;&#227;o estatisticamente significativa entre o patroc&#237;nio da ind&#250;stria e as conclus&#245;es pr&#243;-ind&#250;stria. O estudo mostrou que as rela&#231;&#245;es financeiras entre a ind&#250;stria, pesquisadores cient&#237;ficos e institui&#231;&#245;es acad&#234;micas haviam se disseminado e que COI decorrentes destes la&#231;os podem influenciar significativamente a pesquisa biom&#233;dica. No entanto, foi considerado poss&#237;vel que, dados os recursos limitados, a ind&#250;stria tenha se tornado seletiva o suficiente para financiar apenas "tratamentos potencialmente vencedores"<sup>8</sup>. Mais recentemente, em um estudo provocador que incluiu 324 ensaios cardiovasculares, publicado nas tr&#234;s revistas cient&#237;ficas m&#233;dicas com os maiores fatores de impacto, Ridker e Torres<sup>39</sup> analisaram a probabilidade de resultados positivos, de acordo com a fonte de financiamento. Os ensaios financiados pela ind&#250;stria obtiveram, com maior frequ&#234;ncia, resultados favor&#225;veis ao medicamento ou dispositivo, frente &#224;queles financiados por organiza&#231;&#245;es sem fins lucrativos. Isto se tornou particularmente evidente em ensaios utilizando desfechos substitutivos<sup>39</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Pesquisas editoriais anteriores sobre conflitos de interesses</bold>
    </p>
    <p>Em 1997, Krimsky e Rothenberg<sup>40</sup> revelaram que apenas 16% das revistas cient&#237;ficas em todas as disciplinas cient&#237;ficas possu&#237;am pol&#237;ticas de COI. Al&#233;m disso, as pol&#237;ticas editoriais existentes tamb&#233;m n&#227;o eram frequentemente disponibilizadas aos autores que submetiam trabalhos<sup>41</sup>. No entanto, ocorreu um aumento significativo na preval&#234;ncia de divulga&#231;&#227;o de COI com o passar do tempo. Inicialmente, a maioria das revistas cient&#237;ficas apenas solicitava que os autores divulgassem o potencial COI. Posteriormente, as revistas passaram a incentivar que os autores assinassem declara&#231;&#245;es de divulga&#231;&#227;o de COI. Se as declara&#231;&#245;es assinadas n&#227;o s&#227;o obtidas de todos os autores, continua sendo poss&#237;vel que apenas o primeiro autor siga a pol&#237;tica de COI da revista, levando a uma sistem&#225;tica subinforma&#231;&#227;o<sup>6</sup>. Al&#233;m do mais, algumas revistas cient&#237;ficas que teoricamente aderem &#224;s recomenda&#231;&#245;es do ICMJE n&#227;o possuem pol&#237;ticas de COI claras quando analisadas criticamente<sup>6</sup>. Entretanto, as revistas cient&#237;ficas com maiores fatores de impacto apresentam uma maior probabilidade de ter pol&#237;ticas de COI publicadas<sup>6,41</sup>.</p>
    <p>Para melhor caracterizar as pol&#237;ticas de COI, em 2006, Cooper e cols.<sup>7</sup> realizaram uma pesquisa transversal pela Internet com uma amostra de conveni&#234;ncia de 135 editores de revistas cient&#237;ficas biom&#233;dicas avaliadas por pares. A pesquisa incluiu perguntas sobre a exist&#234;ncia de pol&#237;ticas espec&#237;ficas para autores, revisores e editores, restri&#231;&#245;es espec&#237;ficas com base no COI e sobre a disponibilidade p&#250;blica dessas divulga&#231;&#245;es. Noventa e tr&#234;s por cento das revistas relataram ter um pol&#237;tica de COI pelos autores, mas apenas 82% delas exigiram um testemunho escrito. Enquanto 77% relataram a coleta de informa&#231;&#245;es de COI em todas as submiss&#245;es por autores, apenas 57% publicaram todas as divulga&#231;&#245;es dos autores. Onze por cento das revistas relataram que restringiam as submiss&#245;es dos autores com base no COI. Uma minoria de jornais relatou possuir uma pol&#237;tica de COI para revisores (46%) ou editores (40%); dentre elas, 25% e 31% das revistas afirmaram que exigiram recusa de pares revisores e editores se relatassem um COI. Apenas 3% dos entrevistados publicaram divulga&#231;&#245;es de COI de pares revisores e 12% de divulga&#231;&#245;es de COI dos editores, enquanto 11% e 24%, respectivamente, relataram que essas informa&#231;&#245;es eram disponibilizadas mediante solicita&#231;&#227;o. Nesta pesquisa, as estimativas foram fornecidas diretamente pelos editores correspondentes, mas nenhuma informa&#231;&#227;o foi obtida diretamente das pr&#243;prias publica&#231;&#245;es<sup>7</sup>.</p>
    <p>Outros estudos foram mais cr&#237;ticos e analisaram as informa&#231;&#245;es dispon&#237;veis diretamente nas revistas e produziram uma perspectiva diferente. Curiosamente, alguns desses estudos enfocaram divulga&#231;&#245;es de COI sobre cardiologia. Weinfurt e cols.<sup>42</sup> pesquisara artigos em l&#237;ngua inglesa publicados em 2006 no PubMed que apresentaram provas ou orienta&#231;&#227;o sobre o uso de stents coronarianos. Como premissa, considerou-se razo&#225;vel esperar que o COI de autores fosse divulgado da mesma forma em artigos sobre o mesmo tema, publicados na mesma &#233;poca. Foi analisado um total de 746 artigos, com 2985 autores, publicados em 135 revistas cient&#237;ficas. Os artigos foram examinados para determinar se os interesses financeiros dos autores foram relatados de maneira coerente. Oitenta e tr&#234;s por cento dos artigos n&#227;o cont&#234;m declara&#231;&#245;es de divulga&#231;&#227;o para qualquer autor, 72% n&#227;o identificaram qualquer fonte de financiamento e apenas 6% dos autores possu&#237;am um artigo com uma declara&#231;&#227;o de divulga&#231;&#227;o. Al&#233;m disso, as declara&#231;&#245;es de divulga&#231;&#227;o dos autores variaram significativamente de artigo para artigo. Notavelmente, os artigos publicados em revistas cient&#237;ficas que endossaram as diretrizes do ICMJE apresentaram uma maior probabilidade de ter declara&#231;&#245;es de divulga&#231;&#227;o para todos os autores. Da mesma forma, os artigos nos quais todos os autores inclu&#237;ram declara&#231;&#245;es de divulga&#231;&#227;o eram mais propensos a aparecer em revistas com fatores de impacto maiores (fator de impacto mediano de 11,6 contra 3,1). Esses pesquisadores conclu&#237;ram que mesmo as raras divulga&#231;&#245;es de interesses financeiros n&#227;o eram divulgadas de maneira coerente, sugerindo que havia problemas com a transpar&#234;ncia na literatura cardiovascular, com potenciais implica&#231;&#245;es no cuidado com os pacientes. Os dados sugeriram que as incoer&#234;ncias observadas decorriam das pol&#237;ticas das revistas cient&#237;ficas e comportamento dos autores<sup>42</sup>. Muitos poderiam arguir que um sistema de divulga&#231;&#227;o incoerente &#233; mais prejudicial que a inexist&#234;ncia de qualquer tipo de divulga&#231;&#227;o.</p>
    <p>Mais recentemente, Blum e cols.<sup>6</sup> analisaram as pol&#237;ticas de COI das 10% maiores revistas m&#233;dicas, de acordo com seu fator de impacto. As instru&#231;&#245;es aos autores e os documentos de submiss&#227;o de artigos foram pesquisados eletronicamente, com sintagmas relativos ao COI, utilizando um formul&#225;rio padronizado. Um total de 262 revistas cient&#237;ficas foram analisadas. Dessas, 85% optaram pela divulga&#231;&#227;o de COI na instru&#231;&#227;o aos autores e outros 4% por outros documentos de submiss&#227;o. Os links para pol&#237;ticas espec&#237;ficas sobre o COI foram encontrados dentro da instru&#231;&#227;o para os autores em apenas 25% das revistas. Embora 77% das revistas tenham fornecido defini&#231;&#245;es sobre o COI, declara&#231;&#245;es de divulga&#231;&#227;o assinadas foram solicitadas por apenas 54% das revistas. A divulga&#231;&#227;o de aux&#237;lios-viagem foi solicitada por 12% das revistas cient&#237;ficas. Curiosamente, a categoria da revista cient&#237;fica influenciou as exig&#234;ncias de divulga&#231;&#227;o de COI. Essa solicita&#231;&#227;o foi maior para as revistas de medicina interna do que para as revistas de &#225;reas de especialidade, para as revistas cient&#237;ficas no quartil superior, de acordo com fator de impacto e para as revistas cient&#237;ficas que endossaram as diretrizes do ICMJE<sup>6</sup>.</p>
    <p>Nossos dados sobre as pol&#237;ticas e exig&#234;ncias de divulga&#231;&#227;o de COI das NSCJ da ESC sugerem que essa quest&#227;o permanece controversa e n&#227;o &#233; tratada de maneira uniforme pelas revistas cient&#237;ficas. Baseamo-nos no autorrelato por editores de revistas cient&#237;ficas. No entanto, dada a natureza an&#244;nima da nossa pesquisa, n&#227;o acredito que haja qualquer raz&#227;o para questionar a precis&#227;o de seus relat&#243;rios.</p>
    <p>
      <bold>Iniciativa de Divulga&#231;&#227;o Uniforme do ICMJE</bold>
    </p>
    <p>Em outubro de 2009, o ICMJE prop&#244;s um formato eletr&#244;nico "uniforme" para a divulga&#231;&#227;o de COI<sup>11</sup>. Foram abordadas quatro &#225;reas principais: associa&#231;&#245;es de autores com entidades que apoiaram o artigo apresentado (prazo indeterminado), associa&#231;&#245;es com entidades comerciais com potencial interesse na &#225;rea geral do artigo (prazo de 36 meses), associa&#231;&#227;o financeira de seu c&#244;njuge e filhos e, finalmente, associa&#231;&#245;es n&#227;o financeiras potencialmente relevantes para o artigo submetido. Cada autor deve divulgar os recursos recebidos diretamente, ou por meio da institui&#231;&#227;o correspondente, que foram utilizados para concluir a pesquisa. Al&#233;m disso, todas as fontes de receitas relevantes para o trabalho submetido, pagas por terceiros antes da apresenta&#231;&#227;o e qualquer relacionamento de longo prazo relevante, mesmo se encerrados, devem ser divulgadas. As receitas financeiras devem ser divulgadas a despeito do valor. Um manual para os autores e uma amostra preenchida foi fornecida em formato PDF. O formul&#225;rio de divulga&#231;&#227;o foi disponibilizado para download em <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.icmje.org/coi_disclosure.pdf">www.icmje.org/coi_disclosure.pdf</ext-link>, para que pudesse ser preenchido e enviado &#224; revista cient&#237;fica<sup>11</sup>. O formul&#225;rio pode ser salvo e utilizado novamente - acrescentando informa&#231;&#245;es atualizadas - para um novo artigo. Cada autor deve enviar um formul&#225;rio separado e &#233; respons&#225;vel pela exatid&#227;o e integridade das informa&#231;&#245;es apresentadas<sup>11</sup>.</p>
    <p>O ICMJE permitiu um per&#237;odo de teste at&#233; abril de 2010, quando as sugest&#245;es de submiss&#227;o foram incentivadas<sup>12</sup>. Em decorr&#234;ncia dos coment&#225;rios recebidos, o formul&#225;rio foi modificado. As quest&#245;es levantadas foram essencialmente t&#233;cnicas e &#233;ticas relativas a associa&#231;&#245;es n&#227;o financeiras. Assim, a clareza para autores n&#227;o nativos na l&#237;ngua inglesa foi aprimorada (incluindo um gloss&#225;rio de termos). Al&#233;m disso, devido &#224;s dificuldades detectadas na defini&#231;&#227;o de COI n&#227;o financeiro, essa se&#231;&#227;o tamb&#233;m foi modificada para ser menos intrusiva (e &#233; apresentada atualmente como uma consulta aberta), mantendo a sua localiza&#231;&#227;o. Finalmente, as consultas sobre COI de membros da fam&#237;lia foram removidas do formul&#225;rio atualizado<sup>12</sup>.</p>
    <p>A ideia por tr&#225;s dessa iniciativa era a de facilitar e padronizar a divulga&#231;&#227;o uniforme do COI e facilitar o processo para os autores, tornando-o menos confuso para os leitores. Esse ve&#237;culo uniforme "universal" permite que os autores gravem os formul&#225;rios eletr&#244;nicos, que podem ser atualizados conforme necess&#225;rio, e elimina a necessidade de reformata&#231;&#227;o da divulga&#231;&#227;o de informa&#231;&#245;es para cada nova apresenta&#231;&#227;o. Por fim, essa iniciativa eliminar&#225; as incoer&#234;ncias aparentes no relat&#243;rio do COI, em decorr&#234;ncia das pol&#237;ticas de revistas cient&#237;ficas diferentes<sup>11,12</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Outras perspectivas editoriais sobre conflitos de interesses</bold>
    </p>
    <p>As preocupa&#231;&#245;es sobre COI n&#227;o s&#227;o novas. Em sua pe&#231;a <italic>Le Malade Imaginaire</italic>, Moli&#232;re satirizou a rela&#231;&#227;o entre o m&#233;dico e o farmac&#234;utico quando exploraram o hipocondr&#237;aco Argan para o seu pr&#243;prio benef&#237;cio econ&#244;mico<sup>21</sup>. As revistas cient&#237;ficas biom&#233;dicas s&#227;o particularmente vulner&#225;veis para problemas associados ao COI. Conforme afirmou Richard Smith, o antigo editor-chefe do <italic>British Medical Journal</italic>: "a qualidade da revista cient&#237;fica consagrar&#225; a qualidade do medicamento'<sup>43</sup>. Portanto, &#233; f&#225;cil entender o cuidado adicional da pesquisa patrocinada pela ind&#250;stria por revisores e editores<sup>33</sup>. Alguns editores exigem que os autores da pesquisa associada &#224; ind&#250;stria tenham a sua an&#225;lise de dados confirmada por uma fonte diferente, e outros inclusive solicitam os dados brutos para serem analisados por um estat&#237;stico ou acad&#234;mico independente<sup>20,33</sup>. Alguns editores n&#227;o aceitam editoriais ou revisam artigos de autores com potencial COI, na medida em que esses podem comprometer a objetividade<sup>19,44,45</sup>. Essas pe&#231;as baseiam-se especialmente na interpreta&#231;&#227;o e objetividade. No entanto, avaliar a import&#226;ncia do COI em artigos de opini&#227;o pode ser um desafio. O dilema &#233; &#243;bvio: os autores com maior experi&#234;ncia s&#227;o em geral aqueles com um potencial COI mais elevado<sup>44</sup>. Por fim, os editores tamb&#233;m evitam a exist&#234;ncia de um com&#233;rcio disfar&#231;ado de educa&#231;&#227;o nessas revistas cient&#237;ficas. Al&#233;m do mais, o apoio da ind&#250;stria responde pela maior parte do financiamento de programas reconhecidos de educa&#231;&#227;o m&#233;dica continuada (CME)<sup>19</sup>. Alguns sugerem que a CME se tornou um insidioso ve&#237;culo para a promo&#231;&#227;o agressiva de medicamentos e dispositivos m&#233;dicos (mesmo com indica&#231;&#245;es sem prescri&#231;&#227;o). Outros consideram que a CME &#233; uma m&#225;quina de com&#233;rcio e um processo lucrativo - com pagamentos ocultos a m&#233;dicos - o que prejudica a independ&#234;ncia das sociedades m&#233;dicas<sup>19,46</sup>.</p>
    <p>&#192;s vezes, a literatura m&#233;dica &#233; produzida de forma obscura. Os escritores profissionais, contratados pela ind&#250;stria, podem agir como "ghostwriters" para produzir trabalhos cuja credibilidade ser&#225; posteriormente aumentada com o convite de m&#233;dicos acad&#234;micos para atuar como "autores convidados"<sup>33</sup>. Infelizmente, esses autores convidados raramente fazem contribui&#231;&#245;es significativas &#224; concep&#231;&#227;o, an&#225;lise e interpreta&#231;&#227;o de dados<sup>33</sup>. Por outro lado, muitos cientistas atuantes podem ser relegados a um segundo plano pelos pr&#243;prios patrocinadores. A afilia&#231;&#227;o a uma empresa farmac&#234;utica n&#227;o deve ser vista como prova de m&#225;-f&#233;, uma vez que, conforme ressaltado anteriormente, as descobertas m&#233;dicas mais importantes s&#227;o feitas pela ind&#250;stria farmac&#234;utica.</p>
    <p>As revistas cient&#237;ficas em geral fazem uso de duas armas principais para lidar com o COI: divulga&#231;&#227;o e exclus&#227;o<sup>44</sup>. No entanto, conforme discutido, as pol&#237;ticas de COI variam entre os editores. A divulga&#231;&#227;o n&#227;o deve ser considerada como uma panaceia para lidar com o COI, mas, do ponto de vista editorial, lan&#231;ar luz sobre a rela&#231;&#227;o entre m&#233;dicos e empresas farmac&#234;uticas representa a melhor maneira de desatar este n&#243; g&#243;rdio<sup>44</sup>. Os editores devem decidir se publicam as informa&#231;&#245;es divulgadas pelos autores sobre o potencial COI. Os editores possuem condi&#231;&#245;es para decidir se o potencial COI &#233; importante o suficiente para ser revelado<sup>6</sup>. No entanto, n&#227;o parece clara a forma como os editores decidem publicar ou n&#227;o as divulga&#231;&#245;es. Al&#233;m do mais, a medida em que essa "divulga&#231;&#227;o secreta" pode afetar a integridade da revista cient&#237;fica ou o trabalho publicado permanece desconhecida<sup>7</sup>. Algumas revistas cient&#237;ficas divulgam sistematicamente todos os potenciais COIs relatados<sup>6</sup>. N&#227;o obstante, essa estrat&#233;gia consome vultosos recursos editoriais, e foi acusada de introduzir o preconceito no julgamento de artigos por leitores e por macular todo o conte&#250;do do artigo. O valor de uma exaustiva divulga&#231;&#227;o sistem&#225;tica de todos os potenciais COIs &#233; altamente controverso. Essa pr&#225;tica n&#227;o garante que os leitores ser&#227;o capazes de determinar se o COI &#233; significativo ou n&#227;o. De fato, essa pr&#225;tica pode ser enganosa, uma vez que o vi&#233;s pode ser percebido quando n&#227;o est&#225; presente e passar despercebido quando for relevante. Embora o COI n&#227;o implique qualquer comportamento impr&#243;prio, uma rea&#231;&#227;o "&#224; la McCarthy" pode apoiar equivocadamente a presun&#231;&#227;o de culpado at&#233; que se prove inocente<sup>23,33,47</sup>. O p&#234;ndulo oscila para a neglig&#234;ncia, mas os editores respons&#225;veis devem garantir que os seus leitores tenham acesso ao julgamento ponderado acerca da quest&#227;o, pelo menor por ora.</p>
    <p>Os editores est&#227;o muito ocupados e n&#227;o podem realizar uma verifica&#231;&#227;o criteriosa de todos os ensaios apresentados. Nossa pesquisa &#233; coerente com relat&#243;rios anteriores<sup>7</sup>, sugerindo que quase nenhuma revista cient&#237;fica possui uma pol&#237;tica formal de "verifica&#231;&#227;o" de divulga&#231;&#245;es de COI<sup>7</sup>. Os editores n&#227;o s&#227;o policiais, mas, ao mesmo tempo, torna-se claro que alguma a&#231;&#227;o &#233; esperada quando uma m&#225;-conduta &#233; detectada. Muitas vezes os editores se comportam como "c&#227;es que ladram" com rela&#231;&#227;o ao COI. Por outro lado, outros editores sugerem que a alega&#231;&#227;o de subinforma&#231;&#227;o de COI deve ser rigorosamente investigada<sup>9</sup>. No entanto, os editores n&#227;o possuem os recursos necess&#225;rios para conduzir uma investiga&#231;&#227;o abrangente, para esclarecer quest&#245;es ardilosas e multifacetadas associadas ao COI. Na maioria dos casos seu papel final &#233; o de unicamente levantar a quest&#227;o com o leitor correspondente. Em verdade, as "corre&#231;&#245;es" formais sobre o COI s&#227;o raramente publicadas.</p>
    <p>Todos os autores desta revis&#227;o apoiam a import&#226;ncia de divulgar o potencial COI quando um artigo cient&#237;fico &#233; submetido &#224; considera&#231;&#227;o de NSCJ da ESC. Mais do que isso, em caso de d&#250;vida, &#233; melhor errar do lado por excesso na divulga&#231;&#227;o, do que deixar os editores tomarem a decis&#227;o. A Iniciativa de Divulga&#231;&#227;o Uniforme da ICMJE representa um marco a esse respeito e prepara o terreno para uma maior transpar&#234;ncia na publica&#231;&#227;o biom&#233;dica<sup>11,12</sup>. Portanto, encorajamos a NSCJ da ESC a progressivamente adaptar suas pol&#237;ticas para ser capaz de aderir a essa proposta editorial. No entanto, nessa jornada, algumas potenciais ressalvas devem ser cuidadosamente observadas. Em primeiro lugar, a divulga&#231;&#227;o de potenciais COI m&#250;ltiplos, de menor porte e vagamente associados pode "diluir" a relev&#226;ncia do COI de maior signific&#226;ncia que os leitores poderiam querer saber. Em segunda inst&#226;ncia, alguns COI institucionais relevantes n&#227;o s&#227;o divulgados abertamente a todos os pesquisadores correspondentes e, portanto, podem ser imposs&#237;veis de declarar. Al&#233;m do mais, muitas revistas cient&#237;ficas de grande porte com frequ&#234;ncia permitem que grandes expoentes internacionais, com COI claro (definitivo e bem conhecido), sistematicamente declarem a inexist&#234;ncia de COI em seus trabalhos. Jovens cientistas podem ver essa pr&#225;tica como confusa e perturbadora, enquanto outros consideram essa inconsist&#234;ncia como prova de que todo o processo &#233; completamente hip&#243;crita. Por fim, as principais diferen&#231;as socioculturais entre os pa&#237;ses tamb&#233;m devem ser levadas em considera&#231;&#227;o. A maioria dos m&#233;dicos europeus (incluindo a maioria dos editores em segundo plano neste artigo) frequentemente recebem bolsas de viagem ocasionais de diversas empresas farmac&#234;uticas para participar em reuni&#245;es de sociedades m&#233;dicas e, at&#233; agora, n&#227;o h&#225; divulga&#231;&#227;o sistem&#225;tica sobre potencial COI. A situa&#231;&#227;o, no entanto, &#233; bastante diferente do outro lado do Atl&#226;ntico, onde essas pr&#225;ticas s&#227;o consideradas conduta inadequada, ou at&#233; m&#225;-f&#233;, por alguns anos. Na Am&#233;rica do Norte, o apoio direto (incluindo viagens) de programas de CME por parte da ind&#250;stria &#233; proibido, ao passo que essa pr&#225;tica &#233; considerada aceit&#225;vel na maioria dos pa&#237;ses europeus<sup>19</sup>. Os editores da NSCJ devem ser alertados para a necessidade de lidar com significativos problemas em suas respectivas revistas cient&#237;ficas, de maneira alinhada com as pol&#237;ticas e pr&#225;ticas locais<sup>48</sup>. Medidas progressivas devem ser tomadas para garantir uma sistem&#225;tica abordagem dessas quest&#245;es editoriais relacionadas a COI. No entanto, o bom senso e a razoabilidade devem prevalecer, para que se alcance um equil&#237;brio entre a pragm&#225;tica e a utopia.</p>
    <p>
      <bold>Considera&#231;&#245;es finais</bold>
    </p>
    <p>Os consumidores de estudos m&#233;dicos esperam por um sistema confi&#225;vel de divulga&#231;&#227;o, nos quais jornais e autores forne&#231;am informa&#231;&#245;es de forma adequada e consistente. H&#225; um estigma em torno do relato de COI, que deve ser progressivamente superado. A ESC recentemente definiu uma pol&#237;tica geral para o COI<sup>49</sup>. Este estudo oferece outra estrutura para entender melhor o COI de uma perspectiva editorial. Esta pesquisa sobre as pol&#237;ticas de COI das NSCJ da CES e as exig&#234;ncias de divulga&#231;&#227;o confirma que esse tema &#233; pouco e n&#227;o uniformemente tratado pelas revistas acad&#234;micas. S&#227;o necess&#225;rias outras a&#231;&#245;es para aumentar a conscientiza&#231;&#227;o da import&#226;ncia da divulga&#231;&#227;o do COI e promover pol&#237;ticas destinadas a aumentar a transpar&#234;ncia em pesquisas biom&#233;dicas.</p>
    <p>
      <bold>Divulga&#231;&#245;es</bold>
    </p>
    <p>Nenhum dos autores editores deste trabalho teve qualquer potencial conflito de interesses que precise ser divulgado com rela&#231;&#227;o a este trabalho.</p>
    <p>
      <bold>Agradecimentos</bold>
    </p>
    <p>Gostar&#237;amos de agradecer pelo apoio e assist&#234;ncia de Iris Chapuis, Lone Kristoffersen, Collin Isabelle e Muriel Mioulet, do Departamento de Rela&#231;&#245;es das Sociedades Card&#237;acas Nacionais da ESC, na Heart House.</p>
    <p>Esta &#233; uma iniciativa de publica&#231;&#227;o conjunta implementada simultaneamente por todas as Revistas Cient&#237;ficas de Cardiologia Nacionais Coligadas da Sociedade Europeia de Cardiologia</p>
    <p>
      <bold>Lista completa dos autores:</bold>
    </p>
    <p>Fernando Alfonso<sup>I</sup>, Adam Timmis<sup>II</sup>, Fausto J. Pinto<sup>III</sup>, Giuseppe Ambrosio<sup>IV</sup>, Hugo Ector<sup>V</sup>, Piotr Kulakowski<sup>VI</sup>, Panos Vardas<sup>VII</sup>, Loizos Antoniades (Editor-in-Chief, Cyprus Heart Journal), Mansoor Ahmad (Editor-in-Chief, Cyprus Heart Journal), Eduard Apetrei (Editor-in-Chief, Revista Rom&#226;n&#259; de Cardiologie), Kaduo Arai (Editor-in-Chief, Avances Cardiol&#243;gicos), Jean-Yves Artigou (Editor-in-Chief, Archives des maladies du c&#339;ur et des vaisseaux Pratique), Michael Aschermann (Editor-in-Chief, Cor et Vasa), Michael B&#246;hm (Editor-in-Chief, Clinical Research in Cardiology), Leonardo Bolognese (Editor-in-Chief, Giornale Italiano Di Cardiologia), Raffaele Bugiardini (Editor-in-Chief, Journal of Cardiovascular Medicine), Ariel Cohen (Editor-in-Chief, Archives of Cardiovascular Diseases), Istvan Edes (Editor-in-Chief, Cardiologia Hungarica, Joseph Elias (Editor-in-Chief, Heart News), Javier Galeano (Editor-in-Chief, Journal of the Paraguayan Society of Cardiology), Eduardo Guarda (Editor-in-Chief, Revista Chilena de Cardiologia), Habib Haouala (Editor-in-Chief, Cardiologie Tunisienne), Magda Heras (Editor-in-Chief, Revista Espa&#241;ola de Cardiolog&#237;a), Christer H&#246;glund (Editor-in-Chief, Svensk Cardiology), Kurt Huber (Editor-in-Chief, Journal f&#252;r Kardiologie), Ivan Hulin (Editor-in-Chief, Cardiology Letters/Kardiol&#243;gia), Mario Ivanusa (Editor-in-Chief, Kardio List), Rungroj Krittayaphong (Editor-in-Chief, Thai Heart Journal), Chi-Tai Kuo (Editor-in-Chief, Acta Cardiologica Sinica), Chu-Pak Lau (Editor-in-Chief, Journal of the Hong Kong College of Cardiology), Victor A. Lyusov (Editor-in-Chief, Russian Cardiology Journal), Germanas Marinskis (Editor-in-Chief, Seminars in Cardiovascular Medicine), Manlio F M&#225;rquez (Editor-in-Chief, Archivos de Cardiolog&#237;a de M&#233;xico), Izet Masic (Editor-in-Chief, Medical Archives), Luiz Felipe Pinho Moreira (Editor-in-Chief, Arquivos Brasileiros de Cardiologia), Alexander Mrochek (Editor-in-Chief, Cardiology in Belarus), Rafael G. Oganov (Editor-in-Chief, Cardiovascular Therapy and Prevention; Editor-in-Chief, Rational Pharmacotherapy in Cardiology), Dimitar Raev (Editor-in-Chief, Bulgarian Cardiology), Mamanti Rogava (Editor-in-Chief, Cardiology and Internal Medicine XXI), Olaf R&#248;devand (Editor-in-Chief, Hjerteforum), Vedat Sansoy (Editor-in-Chief, Archives of the Turkish Society of Cardiology), Hiroaki Shimokawa (Editor-in-Chief, Circulation Journal), Valentin A. Shumakov (Editor-in-Chief, Ukrainian Journal of Cardiology), Carlos Daniel Tajer (Editor-in-Chief, Revista Argentina de Cardiologia), Ernst E. van der Wall (Editor-in-Chief, Netherlands Heart Journal), Christodoulos Stefanadis (Editors-in-Chief, Hellenic Journal of Cardiology), J&#248;rgen Videb&#230;k (Editor-in-Chief, Cardiologisk Forum), Thomas F. L&#252;scher (Editor-in-Chief, Kardiovaskul&#228;re Medizin).</p>
    <p>
      <fn id="back" fn-type="corresp">
        <p>Endere&#231;o para correspond&#234;ncia:</p>
        <p> Fernando Alfonso </p>
        <p> Interventional Cardiology </p>
        <p> Cardiovascular Institute </p>
        <p> Cl&#237;nico San Carlos University Hospital </p>
        <p> Plaza de Cristo Rey </p>
        <p> Ciudad Universitaria </p>
        <p> Madrid. Spain </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="falf@hotmail.com">falf@hotmail.com</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
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          <article-title>Consistency of financial interest disclosures in the biomedical literature: the case of coronary stents</article-title>
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        <article-title xml:lang="en">Conflict of interest policies and disclosure requirements among European Society of Cardiology National Cardiovascular Journals</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>Disclosure of potential conflicts of interest (COI) is used by biomedical journals to guarantee credibility and transparency of the scientific process. COI disclosure, however, is not systematically nor consistently dealt with by journals. Recent joint editorial efforts paved the way towards the implementation of uniform vehicles for COI disclosure. This paper provides a comprehensive editorial perspective on classical COI-related issues. New insights into current COI policies and practices among European Society of Cardiology national cardiovascular journals, as derived from a cross-sectional survey using a standardised questionnaire, are discussed.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Conflict of interest</kwd>
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    <body>
      <p>
        <bold>SPECIAL ARTICLE</bold>
      </p>
      <p><undefined id="top-body2"/>Conflict of interest policies and disclosure requirements among European Society of Cardiology National Cardiovascular Journals</p>
      <p>
        <bold>Fernando Alfonso<sup>I</sup>; Adam Timmis<sup>II</sup>; Fausto J. Pinto<sup>III</sup>; Giuseppe Ambrosio<sup>IV</sup>; Hugo Ector<sup>V</sup>; Piotr Kulakowski<sup>VI</sup>; Panos Vardas<sup>VII</sup> on behalf of the Editors' Network European Society of Cardiology Task Force</bold>
      </p>
      <p><sup>I</sup>Chairman Editors'Network</p>
      <p><sup>II</sup>Editor-in-Chief, Heart</p>
      <p><sup>III</sup>Editor-in-Chief, Revista Portuguesa de Cardiologia</p>
      <p><sup>IV</sup>Nucleus Member Editors'Network</p>
      <p><sup>V</sup>Editor-in-Chief, Acta Cardiologica</p>
      <p><sup>VI</sup>Editor-in-Chief, Kardiologia Polska</p>
      <p><sup>VII</sup>Editor-in-Chief, Hellenic Journal of Cardiology</p>
      <p>Correspondence to </p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p>Disclosure of potential conflicts of interest (COI) is used by biomedical journals to guarantee credibility and transparency of the scientific process. COI disclosure, however, is not systematically nor consistently dealt with by journals. Recent joint editorial efforts paved the way towards the implementation of uniform vehicles for COI disclosure. This paper provides a comprehensive editorial perspective on classical COI-related issues. New insights into current COI policies and practices among European Society of Cardiology national cardiovascular journals, as derived from a cross-sectional survey using a standardised questionnaire, are discussed.</p>
      <p><bold>Keywords:</bold> Conflict of interest; periodicals; publishing/ethics.</p>
      <p>
        <bold>Introduction</bold>
      </p>
      <p>The scientific process relies on trust and credibility<sup>1-5</sup>. The scientific community demands high ethical standards in biomedical research and the publication of scientific content<sup>1-5</sup>. During the past decade, disclosure of conflicts of interest (COI) (also called competing loyalties, competing interests or dual commitments) has been considered as key to guaranteeing the credibility of the scientific process<sup>6-10</sup>. Biases in design, analysis and interpretation of studies may arise when authors or sponsors have vested interests<sup>6-10</sup>. Therefore, COI should be made clear to the readers to facilitate their own judgement and interpretation of their relevance and potential implications. Authors are responsible for fully disclosing potential COI<sup>6-10</sup>. Failure to do so has shaken the confidence of the public, health professionals and scientists in the peer-reviewed medical literature<sup>6-10</sup>.</p>
      <p>According to the International Committee of Medical Journal Editors (ICMJE) COI exist when an author (or the author's institution), reviewer or editor have financial or personal relationships that inappropriately influence (bias) his or her actions<sup>1,11,12</sup>. The potential for COI exists regardless of whether the individual believes that the relationships affect his or her scientific judgement. Aside from financial relationships, COI may emerge from personal relationships, academic competition and intellectual passion. To prevent ambiguity, authors should be explicitly asked to state whether COI exist or do not exist. Editors should publish this information if they believe it is important in judging the manuscript<sup>1,11,12</sup>.</p>
      <p>Traditionally, biomedical journals have followed standard practices to ensure COI disclosure. Further efforts to improve transparency and protect the integrity of research, including specific recommendations and guidelines to disclose COI, have been recently proposed by many organisations<sup>1-10</sup>. However, ensuring adequate reporting of all sources of financial support is becoming increasingly challenging for editors as a result of the growing complexity of funding mechanisms. Furthermore, journals have different policies about COI disclosure which can cause confusion as the same author may report different information in different journals which, in turn, might jeopardise the confidence of the readers<sup>11,12</sup>. To overcome these problems, the ICMJE proposed the use of a common vehicle to report COI and, in October 2009, launched an electronic 'uniform' format for COI disclosure<sup>11,12</sup>.</p>
      <p>The editors' network of the European Society of Cardiology (ESC) is committed to promoting the dissemination and implementation of high-quality editorial standards among ESC National Societies Cardiovascular Journals (NSCJ)<sup>13-16</sup>. This report examines the issue of COI from a global and didactic perspective and provides new insights into current policies and practices among ESC NSCJ.</p>
      <p>
        <bold>Conflict of Interest questionnaire and survey</bold>
      </p>
      <p>To determine the status of COI and disclosure requirements among ESC NSCJ a web-based, comprehensive, structured and standardised questionnaire was specifically devised. The questionnaire was exhaustive and dealt with all relevant editorial topics related to COI. Previous publications on COI (from year 2005 to 2010) were retrieved from PubMed (Medline search terms: 'conflict of interest', 'competing interest' and 'disclosure') and carefully reviewed to identify issues relevant to COI. Items included in the questionnaire were eventually determined after an internal discussion among the nucleus members of the Editors' Network. For the sake of simplicity some related items and confusing or redundant topics were subsequently removed from the final questionnaire. Eventually, a total of 48 different items were included in the survey. Questions were grouped into three main areas of interest: (1) authors; (2) reviewers; (3) editors. Furthermore, additional feedback about the interest generated by the ICMJE 'uniform' COI disclosure initiative was also explicitly requested. Spaces for free text comments were made available for each main area of interest.</p>
      <p>In June 2010 the web-based survey was sent from the ESC European Heart House to all editors-in chief of the ESC NSCJ and, in a second wave (July 2010), to the ESC Affiliated Cardiac Societies. A specific claim was made for the editor-in-chief in person to complete the survey. The invitation suggested that a meeting between the editor-in-chief, associated editors and corresponding journal staff should be organised, to discuss the results of the requested information, before returning the questionnaire. A URL link to the web-based survey was provided in the invitation letter to allow editors to enter the survey. When no answer was obtained the corresponding National Cardiac Society was contacted directly. Conventional mailing was also used as required. Up to five separate requests were sent over the year and thereafter missing journals were classified as non-responders.</p>
      <p>The final electronic records were carefully analysed by ESC personnel at the European Heart House and by the nucleus members of the ESC Editors' Network. Attention was paid to detecting missing data, major inconsistencies or errors. Additional clarifications were requested from the corresponding editors as needed. Data are presented as global results and anonymised for individual journals.</p>
      <p>
        <bold>Conflict of Interest survey results</bold>
      </p>
      <p>A total of 46 journals answered the survey. Of these, 35 belong to the ESC NSCJ and 11 to journals of Affiliated Cardiac Societies. This represents a response of 83% (35/42) of known NSCJ and 58% (11/19) for Affiliated Cardiac Societies. ESC NSCJ are highly heterogeneous in objectives, format and in scientific content<sup>13</sup>. Accordingly, some editors declined to answer the survey because they felt that COI policies did not apply to their journals (lack of original articles, small bulletins, contents with just social news, etc) (data not shown).</p>
      <p><xref ref-type="table" rid="en_01t01-body2">Table 1</xref> summarises the main data regarding authors' COI. Nearly half of the journals had a specific policy on author COI. In most cases, emphasis was only on financial COI and on COI directly related to the submitted work. Few journals provided definitions or examples of COI. In nearly all cases where COI were requested this policy affected all kinds of submitted articles. Written attestation by the authors was widely requested. However, procedures to verify the accuracy of authors' COI disclosure were rarely implemented, although, under special circumstances, most editors eventually contact authors to clarify COI related issues. Policies to deal with authors who fail to disclose COI were seldom in place. In most journals the editors decided when authors' COI should be published but, in some journals, this information was systematically published (<xref ref-type="table" rid="en_01t01-body2">table 1</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_01t01-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-98-06-0471-00001-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p><xref ref-type="table" rid="t2-body2">Table 2</xref> discloses data related to reviewers' COI. Only one-quarter of the journals had policies for reviewers' COI. In more than half of the journals reviewers were asked to decline the invitation to review if potential COI existed. However, recusal of reviewers due to potential COI was rare.</p>
      <table-wrap id="t2-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-98-06-0471-00001-gt02-en.jpg"/></table-wrap>
      <p><xref ref-type="table" rid="t3-body2">Table 3</xref> displays the status of editors' COI among the corresponding journals. In most cases, policies in this regard were not implemented. Furthermore, very few journals had policies for delegating decisions to other editors or to invited guest editors. Only one-third of the editors were familiar with the new 'Uniform Disclosure Form' ICMJE initiative when they received the survey invitation. However, 90% of the editors considered the ICMJE COI proposal of potential value to their particular journals and most of them declared that they were willing to implement it within a relatively short period of time (<xref ref-type="table" rid="en_01t04-body2">table 4</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_01t04-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-98-06-0471-00001-gt03-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <table-wrap id="t3-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-98-06-0471-00001-gt04-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>
        <bold>Discussion</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Industry-sponsored studies: friend or foe?</bold>
      </p>
      <p>Research is becoming progressively complex and quality standards increasingly demanding<sup>17-24</sup>. As a result, conducting clinical studies is becoming more expensive and the role of sponsors to ensure the viability of research projects is becoming critical. However, funding from different sources may directly affect investigators and COI may inappropriately influence their actions or judgement<sup>17-24</sup>. Subtle biases in design and interpretation may arise when a sponsor stands to gain from the report<sup>17</sup>.</p>
      <p>Pharmaceutical and technological companies are responsible for most important advancements in medical knowledge<sup>17-24</sup>. Patients, doctors and society as a whole benefit from this unique effort and should be grateful for the research commitment by the industry. More than 75% of all clinical trials are funded by drug companies<sup>25,26</sup>. Likewise, the bulk of research has moved from academic centres to direct contracts between sponsors and private organisations<sup>27,28</sup>. For-profit, contract research organisations, currently consume more than 60% of research funding from industry<sup>25-28</sup>. This could be a result of their ability to complete trials more rapidly than academic institutions<sup>8,25</sup>. This phenomenon explains the gradual loss of the academic establishment's influence on the 'research agenda'<sup>25-29</sup>. Although the most cited articles continue to be generated by authors with academic affiliations, the number of trials financed exclusively by industry has increased exponentially<sup>30</sup>.</p>
      <p>This paradigm shift has major consequences<sup>25-29</sup>. First, many scientifically relevant issues are decreasingly likely to be investigated (orphan studies). Second, many studies<sup>8,31,32</sup> suggest that, in comparison with non-sponsored research, sponsored trials are published less frequently, raising the concern of publication bias<sup>29</sup>. Although the industry has been blamed for preferential publication of studies with positive outcomes, this problem also affects government-funded research<sup>8,31-35</sup>. To reduce the effect of publication bias, trials must be registered in publicly accessible repositories<sup>29</sup>. Industry-supported research has also been associated with multiple reporting of studies with positive outcomes<sup>8,36</sup>. This practice might affect results of subsequent reviews, meta-analyses and even clinical practice guidelines. Alternatively, industry sponsorship has been associated with publication delays or restrictions<sup>8</sup>.</p>
      <p>Finally, industry-sponsored trials have a three- to four-fold greater probability of obtaining favourable results than their non-sponsored counterparts<sup>8,31-33,37,38</sup>. Interestingly, all these differences do not appear to be related to inferior methodology in industry-financed trials. Bekelman <italic>et al</italic><sup>8</sup> performed a systematic review of 1140 original studies demonstrating a statistically significant association between industry sponsorship and pro-industry conclusions. The study showed that financial relationships between industry, scientific investigators and academic institutions were widespread and that COI arising from these ties might significantly influence biomedical research. It was considered possible, however, that given limited resources, industry became selective enough to fund only potentially 'wining treatments'<sup>8</sup>. More recently, in a provocative study that included 324 cardiovascular trials published in the three medical journals with the highest impact factors, Ridker and Torres<sup>39</sup> analysed the probability of positive results according to the source of finance. Industry-financed trials more frequently obtained results favourable to drug or device than those financed by not-for-profit organisations. This was particularly evident in trials using surrogate end points<sup>39</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Previous editorial surveys on conflicts of interests</bold>
      </p>
      <p>In 1997, Krimsky and Rothenberg found that only 16% of journals across all scientific disciplines had COI policies<sup>40</sup>. In addition, existing editorial policies were often not readily available to submitting authors<sup>41</sup>. However, a substantial increase in the prevalence of COI disclosure occurred over time. Initially, most journals only required authors to disclose potential COI. Subsequently, journals encouraged authors to sign COI disclosure statements. If signed statements are not obtained from all authors, it remains possible that only the first author has reviewed the COI policy of the journal, leading to systematic under-reporting<sup>6</sup>. Interestingly, some journals that theoretically adhere to ICMJE recommendations do not have clear COI policies when critically analysed<sup>6</sup>. However, the journals with highest impact factors are more likely to have published COI policies<sup>6,41</sup>.</p>
      <p>To better characterise COI policies, in 2006, Cooper <italic>et al</italic><sup>7</sup> performed a cross-sectional web-based survey of a convenience sample of 135 editors of peer-reviewed biomedical journals. The survey included questions about the existence of specific policies for authors, peer reviewers and editors, specific restrictions based on COI and the public availability of these disclosures. Ninety-three per cent of journals reported having an author COI policy but only 82% of these required a written attestation. While 77% reported collecting COI information on all author submissions, only 57% published all author disclosures. Eleven per cent of journals reported restricting author submissions based on COI. A minority of journals reported having a policy on reviewers' COI (46%) or editors' COI (40%); among these, 25% and 31% of journals stated that they require recusal of peer-reviewers and editors if they report a COI. Only 3% of respondents published COI disclosures of peer reviewers and 12% published editors' COI disclosures, while 11% and 24%, respectively, reported that this information was available upon request. In this survey, estimates were directly provided by the corresponding editors but no information was taken directly from the actual publications<sup>7</sup>.</p>
      <p>Other studies were more critical and analysed the information available directly from the journals yielding a different perspective. Interestingly, some of these studies focused on COI disclosures in cardiology. Weinfurt <italic>et al</italic><sup>42</sup> searched in PubMed for English-language articles published in 2006 that provided evidence or guidance about the use of coronary artery stents. As a premise, it was considered reasonable to expect that authors' COI were disclosed in similar ways in articles on the same topic published around the same time. A total of 746 articles with 2985 authors published in 135 journals, were analysed. Articles were examined to determine whether authors' financial interests were consistently reported. Eighty-three per cent of the articles did not contain disclosure statements for any author, 72% did not identify any funding source and only 6% of authors had an article with a disclosure statement. Additionally, author disclosure statements varied significantly from article to article. Notably, articles published in journals that endorsed the ICMJE guidelines were more likely to have disclosure statements for all authors. Similarly, articles in which all authors had disclosure statements were more likely to appear in journals with higher impact factors (median impact factor 11.6 vs 3.1).These investigators concluded that even rarely disclosed financial interests were not disclosed consistently, suggesting that there are problems with transparency in the cardiac literature with potential implications for patient care. Data suggested that the observed inconsistencies were a result of both journals' policies and authors' behaviour<sup>42</sup>. Many would argue that an inconsistent system of disclosure is more harmful than no disclosure at all.</p>
      <p>More recently, Blum <italic>et al</italic><sup>6</sup> analysed COI policies of the top 10% of medical journals according to their impact factor. Instructions to authors and manuscript submission documents were electronically searched for phrases relating to COI using a standardised form. A total of 262 journals were analysed. Of these, 85% requested COI disclosure in the instruction to authors and an additional 4% in other submission documents. Links to specific policies on COI were found within the instruction for authors in only 25% of journals. Although 77% of journals provided definitions on COI, signed disclosure statements were required by only 54% of journals. Travel grant disclosure was requested by 12% of journals. Interestingly, journal category influenced COI disclosure requirements. This request was higher for internal medicine journals than for specialty journals, for journals in the top quartile according to impact factor and for journals endorsing the ICMJE guideline<sup>6</sup>.</p>
      <p>Our data on ESC NSCJ COI policies and disclosure requirements suggest that this topic remains controversial and is not uniformly addressed by journals. We relied on self-reporting by journal editors. However, given the anonymous nature of our survey, we do not believe there is any reason to question the accuracy of their reports.</p>
      <p>
        <bold>ICMJE Uniform Disclosure Initiative</bold>
      </p>
      <p>In October 2009 the ICMJE proposed an electronic 'uniform' format for COI disclosure<sup>11</sup>. Four main areas were addressed: authors' associations with entities that supported the submitted manuscript (indefinite time frame), associations with commercial entities with potential interest in the general area of the manuscript (time frame 36 months), financial association of their spouse and children and, finally, non-financial associations potentially relevant to the submitted manuscript. Each author should disclose resources received directly, or via the corresponding institution, which were used to complete the investigation. Additionally, all sources of revenues relevant to the submitted work paid by any third party before the submission and any relevant long-term relationship, even if ended, should be disclosed. Financial revenues should be disclosed regardless of the amount. A guide for authors and a completed sample was provided in PDF format. The reporting form was made available at <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.icmje.org/coi_disclosure.pdf">www.icmje.org/coi_disclosure.pdf</ext-link> to be downloaded, completed and sent to the journal<sup>11</sup>. The form can be saved and used again - adding updated information - for a new manuscript. Each author should submit a separate form and is responsible for the accuracy and completeness of the submitted information<sup>11</sup>.</p>
      <p>The ICMJE allowed a period of beta-testing until April 2010 when submission of suggestions was encouraged<sup>12</sup>. As a result of the feedback comments, the form was modified. Concerns raised were mainly technical and ethical regarding inquiries about non-financial associations. Accordingly, clarity was enhanced for non-native English speakers (including a glossary of terms). Additionally, owing to the difficulties detected in defining non-financial COI, this section was also modified to be less intrusive (currently presented as an open query) while keeping its locus. Finally, queries about COI in family members were removed from the updated form<sup>12</sup>.</p>
      <p>The idea behind this initiative was to facilitate and standardise uniform disclosure of COI and to make the process easier for authors and less confusing to readers. This uniform 'universal' vehicle allows authors to save the electronic forms that can be updated as needed and eliminates the need for reformatting disclosure information for each new submission. Finally, this will eliminate apparent inconsistencies in the report of COI as a result of different journal policies<sup>11,12</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Additional editorial perspectives regarding Conflicts of interests</bold>
      </p>
      <p>Concerns about COI are not new. In his play <italic>Le Malade Imaginaire</italic> Moli&#232;re satirised the relationship between the doctor and the druggist as they exploited the hypochondriac Argan for their own economic benefit<sup>21</sup>. Biomedical journals are particularly vulnerable to COI-related problems. As Richard Smith, the former editor-in-chief of the <italic>British Medical Journal</italic>, stated "the quality of the journal will bless the quality of the drug"<sup>43</sup>. Therefore, it is easy to understand the extra scrutiny of industry-sponsored research by reviewers and editors<sup>33</sup>. Some editors require that authors of industry-associated research have their data analysis confirmed by a different source and others even ask for the raw data to be analysed by an independent academic statistician<sup>20,33</sup>. Some editors do not commission editorial or review articles from authors with potential COI as these may blur objectivity<sup>19,44,45</sup>. These pieces rely especially on interpretation and objectivity. However, assessing the importance of COI in opinion articles may be challenging. The dilemma is obvious: those authors with the greatest expertise are usually those with clearer potential COI<sup>44</sup>. Last, but not least, editors should also avoid the existence of marketing masquerading as education in their journals. Of note, industry support accounts for most of the funding of accredited continuing medical education (CME) programmes<sup>19</sup>. Some suggest that CME has become an insidious vehicle for the aggressive promotion of drugs and medical devices (even with off-label indications). Others consider CME a marketing machine and a lucrative process - with concealed payments to doctors - that undermines the independence of medical societies<sup>19,46</sup>.</p>
      <p><italic>S</italic>ometimes medical literature is produced in obscure ways. Professional writers, hired by the industry, may act as 'ghostwriters' to produce papers for which credibility will be subsequently increased by inviting academic physicians to act as a 'guest author'<sup>33</sup>. Unfortunately, these guest authors rarely make significant contributions to the design, analysis and data interpretation<sup>33</sup>. Conversely, many deserving industry scientists may be removed from the byline directly by the sponsors. Affiliation with a drug company should not be viewed as evidence of wrongdoing because, as previously emphasised, most important medical discoveries are generated by the pharmaceutical industry.</p>
      <p>Journals typically use two main weapons to deal with COI: disclosure and exclusion<sup>44</sup>. However, as discussed, policies for COI vary widely among editors. Disclosure should not be considered as a panacea to deal with COI but, from an editorial perspective, casting daylight on the relationship between doctors and pharmaceutical companies represents the best way to untie this Gordian knot<sup>44</sup>. Editors should decide whether to publish the information disclosed by authors about potential COI. Editors have the 'discretion<bold>'</bold> to decide if the potential COI is important enough to be revealed<sup>6</sup>. However, it is unclear how editors decide whether to publish disclosures. Moreover, the extent to which such "secret disclosure" may affect the integrity of the journal or the published work remains unknown<sup>7</sup>. Some journals systematically disclose all reported potential COI<sup>6</sup>. However, this strategy consumes major editorial resources and has been blamed for introducing prejudice in the judgement of manuscripts by readers and for tainting the full content of the article. The value of an exhaustive systematic disclosure of all potential COI remains highly controversial. This practice does not guarantee that the readers will be able to determine whether COI are meaningful or not. Indeed, this practice may be misleading because bias may be perceived when not present and overlooked when relevant. Although COI do not imply any improper behaviour, a McCarthyesque reaction to the term would wrongly support the presumption of guilty until proven innocent<sup>23,33,47</sup>. The pendulum is swinging towards increased oversight, but responsible editors should ensure that their readers enjoy the sweet spot in the middle, at least for the time being.</p>
      <p>Editors are very busy and cannot conduct a forensic check on every submitted trial. Our survey is consistent with prior reports<sup>7</sup> suggesting that almost no journal has a formal policy of 'verification' of COI disclosures<sup>7</sup>. Editors are not policemen but, at the same time, it becomes clear that some action is expected when misconduct is detected. Many times editors behave as a 'toothless watchdog' regarding COI. Alternatively, other editors suggest that allegation of under-reported COI should be rigorously investigated<sup>9</sup>. However, editors do not have the resources required to conduct a full investigation to clarify elusive and multifaceted COI-related issues. In most cases their final role is just to raise the issue with the corresponding dean. Notably, formal 'corrections' about COI are rarely published.</p>
      <p>All authors of this review support the importance of disclosing potential COI when a scientific paper is submitted for consideration to any ESC NSCJ. Moreover, when in doubt it is better to err on the side of over-disclosure and let the editors make the decision. The ICMJE Uniform Disclosure Initiative represents a milestone in this regard and paves the way for further transparency in biomedical publishing<sup>11,12</sup>. Therefore, we encourage ESC NSCJ to progressively adapt their policies in order to be able to adhere to this editorial proposal. However, in this journey, some potential caveats should be carefully heeded. First, exhaustive disclosure of multiple, minor and vaguely related potential COI might 'dilute' the relevance of real major COI that most readers would be interested to know. Second, some relevant institutional COI are not openly disclosed to all corresponding researchers and, accordingly, these may be impossible to declare. Third, many major journals frequently allow senior international opinion leaders with clear (definitive and well-known) COI to systematically declare the absence of COI in their papers. Young scientists may perceive this as confusing and disturbing while others will regard this inconsistency as evidence that the whole process is completely hypocritical. Finally, major sociocultural differences among countries should be also taken into account. Most European doctors (including most editors in the byline of this article) frequently receive occasional travel grants from diverse pharmaceutical companies to attend medical society meetings and, up to now, these have not been systematically disclosed as potential COI. The situation, however, is quite different on the other side of the Atlantic where such practices have been considered inadequate or even misconduct for a number of years. In North America, direct support (including travel) of CME programmes by industry is prohibited while this practice is considered acceptable in most European countries<sup>19</sup>. NSCJ editors should be alerted to the need to deal with these vexing problems in their respective journals in line with local policies and practices<sup>48</sup>. Progressive steps should be taken to ensure a systematic approach to these COI-related editorial issues. However, commonsense and reason should prevail in order to achieve a balance between the pragmatic and utopian.</p>
      <p>
        <bold>Final Considerations</bold>
      </p>
      <p>Consumers of medical scholarship expect a reliable system of disclosure, in which journals and authors make disclosures appropriately and consistently. There is a stigma surrounding the reporting of COI that should be progressively overcome. The ESC has recently defined a general policy for COI<sup>49</sup>. This review provides another framework to better understand COI from an editorial perspective. This survey on ESC NSCJ COI policies and disclosure requirements confirms that this topic is poorly - and not uniformly - dealt with by journals. Further actions are required to increase awareness of the importance of COI disclosure and to promote policies aimed at enhancing transparency in biomedical research.</p>
      <p>
        <bold>Disclosures</bold>
      </p>
      <p>None of the editors authors of this paper had any potential conflict of interest that needs to be disclosed in relation to this manuscript.</p>
      <p>
        <bold>Acknowledgements</bold>
      </p>
      <p>We are grateful for the support and assistance of Iris Chapuis, Lone Kristoffersen, Isabelle Collin and Muriel Mioulet from the ESC National Cardiac Societies Relations Department at the Heart House.</p>
      <p>This is a joint simultaneous publication initiative involving all interested National and Affiliated Cardiovascular Journals of the European Society of Cardiology.</p>
      <p>
        <bold>Complete listing of authors:</bold>
      </p>
      <p>Fernando Alfonso<sup>1</sup>, Adam Timmis<sup>2</sup>, Fausto J. Pinto<sup>3</sup>, Giuseppe Ambrosio<sup>4</sup>, Hugo Ector<sup>5</sup>, Piotr Kulakowski<sup>6</sup>, Panos Vardas<sup>7</sup>, Loizos Antoniades (Editor-in-Chief, Cyprus Heart Journal), Mansoor Ahmad (Editor-in-Chief, Cyprus Heart Journal), Eduard Apetrei (Editor-in-Chief, Revista Rom&#226;n&#259; de Cardiologie), Kaduo Arai (Editor-in-Chief, Avances Cardiol&#243;gicos), Jean-Yves Artigou (Editor-in-Chief, Archives des maladies du c&#339;ur et des vaisseaux Pratique), Michael Aschermann (Editor-in-Chief, Cor et Vasa), Michael B&#246;hm (Editor-in-Chief, Clinical Research in Cardiology), Leonardo Bolognese (Editor-in-Chief, Giornale Italiano Di Cardiologia), Raffaele Bugiardini (Editor-in-Chief, Journal of Cardiovascular Medicine), Ariel Cohen (Editor-in-Chief, Archives of Cardiovascular Diseases), Istvan Edes (Editor-in-Chief, Cardiologia Hungarica, Joseph Elias (Editor-in-Chief, Heart News), Javier Galeano (Editor-in-Chief, Journal of the Paraguayan Society of Cardiology), Eduardo Guarda (Editor-in-Chief, Revista Chilena de Cardiologia), Habib Haouala (Editor-in-Chief, Cardiologie Tunisienne), Magda Heras (Editor-in-Chief, Revista Espa&#241;ola de Cardiolog&#237;a), Christer H&#246;glund (Editor-in-Chief, Svensk Cardiology), Kurt Huber (Editor-in-Chief, Journal f&#252;r Kardiologie), Ivan Hulin (Editor-in-Chief, Cardiology Letters/Kardiol&#243;gia), Mario Ivanusa (Editor-in-Chief, Kardio List), Rungroj Krittayaphong (Editor-in-Chief, Thai Heart Journal), Chi-Tai Kuo (Editor-in-Chief, Acta Cardiologica Sinica), Chu-Pak Lau (Editor-in-Chief, Journal of the Hong Kong College of Cardiology), Victor A. Lyusov (Editor-in-Chief, Russian Cardiology Journal), Germanas Marinskis (Editor-in-Chief, Seminars in Cardiovascular Medicine), Manlio F M&#225;rquez (Editor-in-Chief, Archivos de Cardiolog&#237;a de M&#233;xico), Izet Masic (Editor-in-Chief, Medical Archives), Luiz Felipe Pinho Moreira (Editor-in-Chief, Arquivos Brasileiros de Cardiologia), Alexander Mrochek (Editor-in-Chief, Cardiology in Belarus), Rafael G. Oganov (Editor-in-Chief, Cardiovascular Therapy and Prevention; Editor-in-Chief, Rational Pharmacotherapy in Cardiology), Dimitar Raev (Editor-in-Chief, Bulgarian Cardiology), Mamanti Rogava (Editor-in-Chief, Cardiology and Internal Medicine XXI), Olaf R&#248;devand (Editor-in-Chief, Hjerteforum), Vedat Sansoy (Editor-in-Chief, Archives of the Turkish Society of Cardiology), Hiroaki Shimokawa (Editor-in-Chief, Circulation Journal), Valentin A. Shumakov (Editor-in-Chief, Ukrainian Journal of Cardiology), Carlos Daniel Tajer (Editor-in-Chief, Revista Argentina de Cardiologia), Ernst E. van der Wall (Editor-in-Chief, Netherlands Heart Journal), Christodoulos Stefanadis (Editors-in-Chief, Hellenic Journal of Cardiology), J&#248;rgen Videb&#230;k (Editor-in-Chief, Cardiologisk Forum), Thomas F. L&#252;scher (Editor-in-Chief, Kardiovaskul&#228;re Medizin).</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
