<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
      </publisher>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2012000400011</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(12)09800411</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2012000400011</article-id>
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        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Artigo de Revis&#227;o</subject>
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        <article-title>MicroRNAs: um novo paradigma no tratamento e diagn&#243;stico da insufici&#234;ncia card&#237;aca?</article-title>
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          <named-content content-type="city">S&#227;o Paulo</named-content>
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        <institution content-type="orgname">Universidade de S&#227;o Paulo</institution>
        <institution content-type="orgdiv1">Instituto do Cora&#231;&#227;o </institution>
        <country country="BR">Brazil</country>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>04</month>
        <year>2012</year>
      </pub-date>
      <volume>98</volume>
      <issue>4</issue>
      <fpage>362</fpage>
      <lpage>370</lpage>
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          <month>08</month>
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          <day>10</day>
          <month>11</month>
          <year>2011</year>
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          <day>25</day>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      </permissions>
      <abstract>
        <p>MicroRNAs (miRNAs) s&#227;o um grupo rec&#233;m-descoberto de pequenos RNAs, n&#227;o codificantes, que representam uma das &#225;reas mais estimulantes da ci&#234;ncia m&#233;dica moderna por modularem uma enorme e complexa rede regulat&#243;ria da express&#227;o dos genes.Recentemente, linhas de evid&#234;ncias sugerem que os miRNAs desempenham um papel crucial na patog&#234;nese da insufici&#234;ncia card&#237;aca. Alguns miRNAs altamente expressos no cora&#231;&#227;o como o miR-1, miR-133 e miR-208 est&#227;o fortemente associados ao desenvolvimento da hipertrofia card&#237;aca, enquanto o exato papel de miR-21 no sistema cardiovascular permanece controverso. Os n&#237;veis s&#233;ricos de miRNAs circulantes como o miR-423-5p est&#227;o sendo avaliados como potenciais biomarcadores no diagn&#243;stico e progn&#243;stico da insufici&#234;ncia card&#237;aca.Por outro lado, a manipula&#231;&#227;o dos n&#237;veis de miRNAs usando t&#233;cnicas como os mimetizadores de miRNAs (miRmimics) e miRNAs antag&#244;nicos(antagomiRs) est&#225; tornando cada vez mais evidente o enorme potencial dos miRNAs como promissoras estrat&#233;gias terap&#234;utica sna insufici&#234;ncia card&#237;aca.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>microRNAs</kwd>
        <kwd>microRNAs</kwd>
        <kwd>microRNAs</kwd>
        <kwd>insufici&#234;ncia card&#237;aca</kwd>
        <kwd>cardiomegalia</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>21</day>
        <month>06</month>
        <year>2012</year>
      </pub-date>
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  <body>
    <p>
      <bold>ARTIGO DE REVIS&#195;O</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>MicroRNAs: um novo paradigma no tratamento e diagn&#243;stico da insufici&#234;ncia card&#237;aca?</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Vagner Oliveira-Carvalho; Vitor Oliveira Carvalho; Miguel Morita Silva; Guilherme Veiga Guimar&#227;es; Edimar Alcides Bocchi</bold>
    </p>
    <p> Instituto do Cora&#231;&#227;o - InCor - HCFMUSP, SP, S&#227;o Paulo, Brasil</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="end">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p>MicroRNAs (miRNAs) s&#227;o um grupo rec&#233;m-descoberto de pequenos RNAs, n&#227;o codificantes, que representam uma das &#225;reas mais estimulantes da ci&#234;ncia m&#233;dica moderna por modularem uma enorme e complexa rede regulat&#243;ria da express&#227;o dos genes.Recentemente, linhas de evid&#234;ncias sugerem que os miRNAs desempenham um papel crucial na patog&#234;nese da insufici&#234;ncia card&#237;aca. Alguns miRNAs altamente expressos no cora&#231;&#227;o como o miR-1, miR-133 e miR-208 est&#227;o fortemente associados ao desenvolvimento da hipertrofia card&#237;aca, enquanto o exato papel de miR-21 no sistema cardiovascular permanece controverso. Os n&#237;veis s&#233;ricos de miRNAs circulantes como o miR-423-5p est&#227;o sendo avaliados como potenciais biomarcadores no diagn&#243;stico e progn&#243;stico da insufici&#234;ncia card&#237;aca.Por outro lado, a manipula&#231;&#227;o dos n&#237;veis de miRNAs usando t&#233;cnicas como os mimetizadores de miRNAs (miR<italic>mimics</italic>) e miRNAs antag&#244;nicos(antagomiRs) est&#225; tornando cada vez mais evidente o enorme potencial dos miRNAs como promissoras estrat&#233;gias terap&#234;utica sna insufici&#234;ncia card&#237;aca.</p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> microRNAs / gen&#233;tica, microRNAs / uso diagn&#243;stico, microRNAs / antagonistas e inibidores, insufici&#234;ncia card&#237;aca, cardiomegalia. </p>
    <p>
      <bold>Introdu&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>A s&#237;ndrome da Insufici&#234;ncia Card&#237;aca (IC) &#233; considerada a via final comum de toda cardiopatia e uma importante causa de morte<sup>1,2</sup>. Essa s&#237;ndrome possui uma alarmante taxa de mortalidade de aproximadamente 50% em cinco anos, o que pode superar muitos tipos de c&#226;ncer<sup>3</sup>. No Brasil, IC representa a maior causa de interna&#231;&#227;o hospitalar por doen&#231;a cardiovascular, e quando analisadas todas as causas de &#243;bito, representa uma taxa de mortalidade de 6,3%<sup>4,5</sup>.</p>
    <p>A recente descoberta dos microRNAs(miRNAs) os tem colocado entre as &#225;reas mais estimulantes da ci&#234;ncia m&#233;dica moderna. Os miRNAs s&#227;o um grupo de pequenos RNAs, n&#227;o codificadores de prote&#237;nas, com aproximadamente 19-25 nucleot&#237;deos de extens&#227;o.Diferindo da ampla gama de RNAs codificados pelo genoma humano, essa variedade de RNA tem se destacado por sua singular habilidade de modular uma enorme e complexa rede regulat&#243;ria da express&#227;o dos genes<sup>6</sup>.</p>
    <p>Recentemente, o papel biol&#243;gico dos miRNAs no sistema cardiovascular de mam&#237;feros tornou-se um campo de pesquisa de r&#225;pida evolu&#231;&#227;o. V&#225;rios estudos t&#234;m demonstrado o papel crucial dos miRNAs n&#227;o s&#243; no desenvolvimento cardiovascular embrion&#225;rio, mas tamb&#233;m na doen&#231;a cardiovascular.</p>
    <p>
      <bold>Biologia dos microRNAs</bold>
    </p>
    <p>O genoma humano codifica uma ampla gama de tipos de RNAs, em que a fun&#231;&#227;o da maior parte dessas mol&#233;culas foi apenas parcialmente esclarecida ou ainda permanece desconhecida. Juntamente com outras variedades mais comuns de RNA, como o RNAm (RNA mensageiro ou codificador de prote&#237;nas) e aqueles com fun&#231;&#245;es estruturais, tais como o RNAt (RNA de transfer&#234;ncia) e o RNAr (RNA ribossomal), est&#227;o os RNAs n&#227;o codificadores de prote&#237;nas, entre eles os miRNAs. </p>
    <p>Sabe-se que os miRNAs geralmente s&#227;o sintetizados a partir de genes espec&#237;ficos de miRNA ou de determinadas regi&#245;es g&#234;nicas que n&#227;o est&#227;o associadas &#224; produ&#231;&#227;o de prote&#237;nas (introns)<sup>7</sup>. O processo de matura&#231;&#227;o dos miRNAs envolve uma complexa via metab&#243;lica que se inicia no n&#250;cleo e se estende at&#233; o citoplasma celular(<xref ref-type="fig" rid="a11fig01m">fig. 1</xref>)<sup>6</sup>.</p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="a11fig01m">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-98-04-0362-00011-gf01.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>Os miRNAs exercem seus efeitos regulat&#243;rios atrav&#233;s da liga&#231;&#227;o de seus nucleot&#237;deos aos do RNA mensageiro (RNAm)-alvo em um processo chamado de pareamento. Essa liga&#231;&#227;o impossibilita que os ribossomos consigam traduzir a informa&#231;&#227;o gen&#233;tica contida no RNAm, acarretando na diminui&#231;&#227;o da s&#237;ntese proteica do gene-alvo sem impactar nos n&#237;veis correspondentes de RNAm<sup>6</sup>.</p>
    <p>A intera&#231;&#227;o miRNA-RNAm, entretanto, n&#227;o precisa ser necessariamente perfeita, ou seja, todos os nucleot&#237;deos do miRNA ligados ao RNAm. Normalmente em mam&#237;feros essa liga&#231;&#227;o &#233; imperfeita. Dessa forma, a n&#227;o obrigatoriedade de intera&#231;&#227;o completa somado ao fato de os miRNAs possu&#237;rem sequ&#234;ncias pequenas, um &#250;nico miRNA pode regular centenas de genes-alvo distintos, al&#233;m de cooperarem no controle de um &#250;nico gene-alvo<sup>8,9</sup>.</p>
    <p>O envolvimento dos miRNAs no controle regulat&#243;rio da express&#227;o g&#234;nica e a associa&#231;&#227;o a diferentes fun&#231;&#245;es tornam evidente que os miRNAs podem alterar a progress&#227;o de diversas doen&#231;as.</p>
    <p>
      <bold>MicroRNAs e o sistema cardiovascular</bold>
    </p>
    <p>Embora as fun&#231;&#245;es biol&#243;gicas dos miRNAs n&#227;o estejam totalmente compreendidas, estudos mostraram que alguns miRNAs est&#227;o presentes especificamente em determinados tipos de tecidos ou c&#233;lulas, incluindo o cora&#231;&#227;o<sup>10,11</sup>. Por outro lado, miRNAs cuja express&#227;o n&#227;o s&#227;o restritas ao cora&#231;&#227;o podem ter um importante papel cardioespec&#237;fico<sup>12</sup>. Com isso, novos miRNAs est&#227;o sendo descobertos em outras c&#233;lulas que comp&#245;em o sistema cardiovascular, tais como fibroblastos, c&#233;lulas endoteliais e c&#233;lulas musculares lisas, nos quais n&#227;o podem ser ignoradas quando se estuda a fisiologia do sistema cardiovascular ou sua resposta ao estresse.</p>
    <p>At&#233; o momento, parece haver aproximadamente 150-200 miRNAs expressados no sistema cardiovascular.Muitos desses miRNAs s&#227;o dinamicamente regulados em resposta ao estresse card&#237;aco agudo, e em alguns casos, em longo prazo durante a resposta compensat&#243;ria do cora&#231;&#227;o a uma les&#227;o cr&#244;nica ou sobrecarga hemodin&#226;mica<sup>13,14</sup>. Assim, h&#225; evid&#234;ncias crescentes de que a express&#227;o de miRNAs &#233; uma parte importante do mecanismo de resposta ao estresse agudo do cora&#231;&#227;o, e contribui tanto para a homeostase card&#237;aca quanto para a doen&#231;a.</p>
    <p>Alguns miRNAs como miR-128, miR-302, miR-367 e miR-499 s&#227;o potencialmente cardio espec&#237;ficos, por&#233;m, mais estudos s&#227;o necess&#225;rios para confirma&#231;&#227;o. Somente o Mirna miR-208 &#233; conhecido como sendo cardio espec&#237;fico e desempenha um papel importante na manuten&#231;&#227;o do desenvolvimento e fun&#231;&#227;o card&#237;aca<sup>15,16</sup>. No entanto, estudos recentes demonstraram que em eventos como les&#245;es ao longo do cora&#231;&#227;o esse miRNA pode extravasar para a corrente sangu&#237;nea e ser detectado em sangue perif&#233;rico. Assim, seus n&#237;veis de express&#227;o podem estar ligados ao diagn&#243;stico e progn&#243;stico de doen&#231;as<sup>17,18</sup>.</p>
    <p>No m&#250;sculo esquel&#233;tico, mir-1, mir-133a, mir-133b e mir-206, juntos, correspondem por aproximadamente 25% de toda a express&#227;o de miRNAs e s&#227;o muitas vezes referidos como miomiRs<sup>19</sup>. Os miRNAs miR-1, miR-133a e miR-133b s&#227;o altamente expressados no m&#250;sculo esquel&#233;tico e no cora&#231;&#227;o, enquanto o miR-206 &#233; especificamente expressado no m&#250;sculo esquel&#233;tico. Todos os quatro miRNAs musculares s&#227;o induzidos durante a diferencia&#231;&#227;o do m&#250;sculo, e desempenham um papel cr&#237;tico na regula&#231;&#227;o desse processo<sup>20</sup>.</p>
    <p>
      <bold>MicroRNAs na hipertrofia e insufici&#234;ncia card&#237;aca</bold>
    </p>
    <p>A hipertrofia card&#237;aca &#233; tamb&#233;m acompanhada de uma troca do programa gen&#233;tico que leva &#224; reativa&#231;&#227;o de genes card&#237;acos normalmente expressos no cora&#231;&#227;o de fetos durante o desenvolvimento embrion&#225;rio<sup>21</sup>. Em 2007, uma impressionante semelhan&#231;a foi encontrada entre o padr&#227;o de express&#227;o de miRNAs em cora&#231;&#245;es de indiv&#237;duos adultos com insufici&#234;ncia card&#237;aca e cora&#231;&#245;es de fetos com 12-14 semanas de gesta&#231;&#227;o.Cerca de mais de 80% dos miRNAs analisados foram encontrados regulados similarmente em ambos os cora&#231;&#245;es.As mudan&#231;as mais expressivas foram associadas ao aumento da express&#227;o dos miRNAs miR-21, miR-29b, miR-129, miR-210, miR-211, miR-212, miR-423, e redu&#231;&#227;o da express&#227;o de miR-30, miR-182 e miR-526<sup>22</sup>.</p>
    <p>A desregula&#231;&#227;o de outros miRNAs, entretanto, tamb&#233;m vem sendo associada &#224; insufici&#234;ncia card&#237;aca (<xref ref-type="table" rid="a11tab01m">tab. 1</xref>).Em um modelo experimental de rato em que foi aplicada uma sobrecarga de press&#227;o no cora&#231;&#227;o, uma das primeiras modifica&#231;&#245;es observadas foi a redu&#231;&#227;o da express&#227;o de miR-1. Essa altera&#231;&#227;o do n&#237;vel de express&#227;o do miR-1 precedeu o aumento da massa card&#237;aca e disfun&#231;&#227;o contr&#225;til<sup>13</sup>. Esse resultado sugere que a redu&#231;&#227;o no n&#237;vel de express&#227;o demiR-1 pode ser uma causa em vez de um efeito da patog&#234;nese subjacente. Dessa forma, tanto os dados <italic>in vitro</italic><sup>23</sup> quanto <italic>in vivo</italic><sup>24</sup> sugerem que a redu&#231;&#227;o da express&#227;o de miR-1 &#233; necess&#225;ria para o aumento da massa celular.</p>
    <p content-type="asset">
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        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-98-04-0362-00011-gt01.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>Al&#233;m de miR-1, outro miRNA m&#250;sculo espec&#237;fico, o miR-133, tamb&#233;m tem sua express&#227;o reduzida durante a hipertrofia card&#237;aca<sup>24-26</sup>. Camundongos com express&#227;o de miR-133 reduzida manifestaram cardiomiopatia, insufici&#234;ncia card&#237;aca e uma prolifera&#231;&#227;o anormal dos cardiomi&#243;citos<sup>27</sup>. Em estudo recente, a express&#227;o de miR-133 foi induzida em um modelo de rato submetido a est&#237;mulo hipertr&#243;fico agudo. Embora o peso do cora&#231;&#227;o n&#227;o tenha sido normalizado, outros aspectos da hipertrofia, como apoptose e fibrose foram restaurados aos n&#237;veis basais<sup>14</sup>.</p>
    <p>O miR-21 &#233; um dos poucos miRNAs que demonstram um padr&#227;o regular de super express&#227;o na insufici&#234;ncia card&#237;aca. Da mesma forma, omiR-21 &#233; tamb&#233;m altamente expresso em diversos tipos de c&#226;ncer e linhagens celulares, o que sugere que esse miRNA possui um comportamento comum em resposta ao estresse e ao crescimento patol&#243;gico de c&#233;lulas. No entanto, o papel exato de miR-21 no desenvolvimento da hipertrofia card&#237;aca permanece controverso<sup>28</sup>.</p>
    <p>Apesar de os padr&#245;es de express&#227;o de alguns miRNAs j&#225; serem conhecidos e associados a insufici&#234;ncia card&#237;aca, determinados miRNAs podem estar se expressando diferencialmente em certos tipos da doen&#231;a. Em estudo conduzido por Ikeda e cols.<sup>29</sup> foram analisados os padr&#245;es de express&#227;o de Mirna sem &#8203;&#8203;amostras de mioc&#225;rdio de pacientes com cardiomiopatia isqu&#234;mica, cardiomiopatia idiop&#225;tica e estenose a&#243;rtica. Interessantemente, seus resultados demonstram que os subconjuntos de miRNAs s&#227;o regulados diferencialmente em cada uma das etiologias<sup>29</sup>. Resultados semelhantes foram tamb&#233;m encontrados por Sucharov e cols.<sup>30</sup>. Esses dados mostram que diferen&#231;as nos padr&#245;es de express&#227;o dos miRNAs podem ser clinicamente importantes se usadas com prop&#243;sitos diagn&#243;stico e/ou progn&#243;sticos.</p>
    <p>Por outro lado, n&#227;o somente os subconjuntos de miRNAs t&#234;m influ&#234;ncia sobre o fen&#243;tipo: alguns miRNAs espec&#237;ficos parecem ser chaves regulat&#243;rias. Em 2006, van Rooij e cols.<sup>26</sup> revelaram que o aumento da express&#227;o de miR-195 no mioc&#225;rdio de camundongos foi suficiente para induzir um crescimento card&#237;aco patol&#243;gico e insufici&#234;ncia card&#237;aca dentro de v&#225;rias semanas ap&#243;s o nascimento. Al&#233;m disso, enquanto nenhum fen&#243;tipo foi obtido pelo aumento da express&#227;o de miR-214, miR-24 resultou em letalidade embrion&#225;ria. Este estudo indica que alguns miRNAs espec&#237;ficos podem desempenhar pap&#233;is determinantes no programa de hipertrofia card&#237;aca<sup>26</sup>.</p>
    <p>Os medicamentos administrados ao paciente tamb&#233;m devem ser levados em conta. Ao utilizar o peixe zebra como modelo, Sanchez-Simon e cols.<sup>31</sup> demonstraram que a morfina regula a diferencia&#231;&#227;o de neur&#244;nios dopamin&#233;rgicos por meio da redu&#231;&#227;o dos n&#237;veis de express&#227;o de miR-133b<sup>31</sup>. Apesar de o peixe zebra ser evolutivamente distante do homem, esse dado indica que os medicamentos podem influenciar a express&#227;o dos miRNAs.</p>
    <p>
      <bold>MicroRNAs na complementa&#231;&#227;o diagn&#243;stica e progn&#243;stica da insufici&#234;ncia card&#237;aca</bold>
    </p>
    <p>Em raz&#227;o de muitos miRNAs serem tecido espec&#237;ficos, a maioria dos estudos cl&#237;nicos tem se baseado na mensura&#231;&#227;o dos n&#237;veis de express&#227;o de miRNAs em amostras do tecido de origem.Entretanto,recentemente alguns miRNAs tamb&#233;m foram encontrados na corrente sangu&#237;nea e s&#227;o denominados como miRNAs circulantes ou c-miRNA. Os mecanismos envolvidos na libera&#231;&#227;o dos miRNAs no sangue permanecem n&#227;o bem compreendidos.O fato de que esses c-miRNAs podem ser detectados em sangue perif&#233;rico os tornam potencialmente utiliz&#225;veis para testes r&#225;pidos e f&#225;ceis, auxiliando o diagn&#243;stico ou guiando terapias.</p>
    <p>O primeiro estudo em camundongos mostrou que o n&#237;vel plasm&#225;tico de miR-208 (Mirna cardio espec&#237;fico)est&#225; relacionado com a les&#227;o do mioc&#225;rdio, sendo detect&#225;vel ap&#243;s a indu&#231;&#227;o dessa les&#227;o<sup>18</sup>. Em humanos, os miRNAsmiR-1<sup>32,33</sup>, miR-133<sup>34</sup>, miR-208a<sup>35</sup> e miR-499<sup>36</sup> foram propostos como bons biomarcadores de infarto agudo do mioc&#225;rdio, apresentando n&#237;veis plasm&#225;ticos significativamente mais elevados quando comparados a pacientes sem a condi&#231;&#227;o. </p>
    <p>Cheng e cols.<sup>32</sup> relataram que os perfis de miRNAs no mioc&#225;rdio s&#227;o expressos diferencialmente na depend&#234;ncia da etiologia da insufici&#234;ncia card&#237;aca, sugerindo que cada forma etiol&#243;gica &#233; caracterizada por um perfil de express&#227;o de miRNA distinto<sup>32</sup>. Por&#233;m, a necessidade de um procedimento invasivo para obten&#231;&#227;o de amostras do mioc&#225;rdio torna a aplica&#231;&#227;o cl&#237;nica dessa abordagem muito limitada. No entanto, uma recente evid&#234;ncia demonstrou que o c-miRNA miR-423-5p apresenta uma express&#227;o aumentada durante a insufici&#234;ncia card&#237;aca e pode ser usado como um biomarcador<sup>37</sup>.</p>
    <p>Em 2009, Matkovich e cols. avaliaram o perfil de express&#227;o de miRNAs em pacientes com insufici&#234;ncia card&#237;aca antes e depois de tratamento comdispositivosde assist&#234;ncia ventricular esquerda. Curiosamente, 71,4% dos miRNAs diferencialmente regulados na insufici&#234;ncia card&#237;aca foram normalizados ap&#243;s o tratamento<sup>38</sup>. Esses resultados sugerem que os miRNAs podem servir como marcadores de recupera&#231;&#227;o do mioc&#225;rdio em pacientes com insufici&#234;ncia card&#237;aca avan&#231;ada.</p>
    <p>
      <bold>MicroRNAs no tratamento da insufici&#234;ncia card&#237;aca</bold>
    </p>
    <p>Recentemente, duas estrat&#233;gias terap&#234;uticas envolvendo o conhecimento acerca dos miRNAs t&#234;m sido estudadas: o uso de antagomirs e mimetizadores de miRNA (<italic>miRmimics</italic>). Essas estrat&#233;gias se baseiam na normaliza&#231;&#227;o do n&#237;vel tecidual de miRNAs espec&#237;ficos, silenciando aqueles que se apresentam super expressados ou repondo aqueles que apresentam um d&#233;ficit na sua express&#227;o em processos patol&#243;gicos (<xref ref-type="fig" rid="a11fig02m">fig. 2</xref>).</p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="a11fig02m">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-98-04-0362-00011-gf02.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>Em um estado patol&#243;gico em que determinados miRNAs estejam super expressados, a primeira coisa que se pensa &#233; como intervir no efeito causado pelo aumento excessivo da express&#227;o desses miRNAs. Para esse prop&#243;sito foi desenvolvido uma classe de antimiRNAs chamada antagomirs. </p>
    <p>Os antagomirs s&#227;o pequenas sequ&#234;ncias nucleot&#237;dicas antag&#244;nicas, de fitas simples, sintetizadas artificialmente para ser perfeitamente complementares a um miRNA maduro espec&#237;fico. Quando injetados sist&#234;mica ou localmente, os antagomirs interagem com os miRNAs no citoplasma e hibridizam especificamente com o miRNA maduro alvo dificultando a liga&#231;&#227;o do miRNA com o seu respectivo RNAm. Dessa forma, os antagomirs atuam como inibidores competitivos de miRNAe levam a uma diminui&#231;&#227;o do efeito causado pelo aumento excessivo da express&#227;o de determinadosmiRNAs<sup>39</sup>.</p>
    <p>Longe de ser ut&#243;pica, essa estrat&#233;gia terap&#234;utica j&#225; vem sendo estudada por diversos pesquisadores. Em estudo pioneiro, Thum e cols.<sup>40</sup> induziram ratos &#224; hipertrofia card&#237;aca por meio de sobrecarga de press&#227;o. Ap&#243;s tr&#234;s semanas foi administrado um antagomir desenvolvido para inibir funcionalmente o miR-21 (miRNAsuperexpressado em fibroblastos card&#237;acos durante a hipertrofia). Como resultado, foi observado que os ratos apresentaram uma regress&#227;o significativa da hipertrofia card&#237;aca e fibrose, al&#233;m da atenua&#231;&#227;o do comprometimento da fun&#231;&#227;o card&#237;aca<sup>40</sup>. Outra abordagem de sucesso foi publicada em 2011 por Montgomery e cols.<sup>41</sup> em que o antimiR-208a foi administrado sistemicamente durante a hipertens&#227;o induzida por insufici&#234;ncia card&#237;aca em ratos hipertensos levando a um potente silenciamento de miR-208a no cora&#231;&#227;o. A inibi&#231;&#227;o terap&#234;utica de miR-208a evitou a altera&#231;&#227;o patol&#243;gica da miosina e remodelamento card&#237;aco, melhorando a fun&#231;&#227;o card&#237;aca e a sobrevida<sup>41</sup>.</p>
    <p>Esses resultados demonstram que o uso de antagomirs pode ser &#250;til na preven&#231;&#227;o e/ou revers&#227;o da hipertrofia card&#237;aca. No entanto, a maioria dos estudos at&#233; a data concentrou-se em "silenciar" apenas miRNAs isolados. Por&#233;m, tendo em vista que mais de um miRNA pode estar envolvido no processo patol&#243;gico, provavelmente diversos miRNAs ter&#227;o de ser silenciados para a obten&#231;&#227;o de uma terapia eficaz.</p>
    <p>Assim como o aumento da express&#227;o de alguns miRNAs pode estar relacionado ao desencadeamento de processos patog&#234;nicos, a diminui&#231;&#227;o da express&#227;o de miRNAs espec&#237;ficos tamb&#233;m pode levar a um estado patol&#243;gico.</p>
    <p>A interven&#231;&#227;o a ser feita para normalizar o n&#237;vel de express&#227;o destes miRNAs, no entanto, &#233; baseada na administra&#231;&#227;o de mol&#233;culas que ir&#227;o mimetizar funcionalmente os miRNAs naturais. </p>
    <p>Os mimetizadores de miRNA (<italic>miRmimics</italic>) s&#227;o sequ&#234;ncias nucleot&#237;dicas artificiais curtas, dupla fitas, que se assemelham aos precursores de miRNA (pre-miRNA).Ao serem introduzidos nas c&#233;lulas os mimetizadores de Mirna s&#227;o reconhecidos pela maquinaria da biog&#234;nese dos miRNA e processados pela enzima Dicer, sendo em seguida incorporados ao complexo enzim&#225;tico RISC. Dessa forma, os mimetizadores ir&#227;o funcionar como uma reposi&#231;&#227;o dos miRNAs pouco expressos regulando o mRNA-alvo como osmiRNAs end&#243;genos<sup>42</sup>.</p>
    <p>A reposi&#231;&#227;o de miRNAs, no entanto, est&#225; sujeita a um obst&#225;culo adicional: a especificidade. Os mimetizadores de miRNA devem atuar apenas sobre o tecido alvo. De outra forma, como no caso de serem administrados sistemicamente, poderiam resultar em um ou mais miRNAs exercendo fun&#231;&#227;o regulat&#243;ria em tecidos em que esses miRNAs normalmente n&#227;o s&#227;o expressos. Essa regula&#231;&#227;o err&#244;nea provavelmente levaria ao desencadeamento de efeitos colaterais.</p>
    <p>Para superar esse obst&#225;culo, s&#227;o necess&#225;rios sistemas de administra&#231;&#227;o mais complexos e precisos. Para tal, o emprego de vetores virais vem sendo promissor. Esses vetores s&#227;o produzidos pela bioengenharia a partir de v&#237;rus n&#227;o patog&#234;nicos pertencentes &#224; fam&#237;lia Parvovirida e que possuem uma alta afinidade pelo mioc&#225;rdio<sup>43</sup>.</p>
    <p>Assim como os antagomirs, a efic&#225;cia terap&#234;utica dos mimetizadores de Mirna tamb&#233;m vem sendo estudada. Em estudo conduzido por Suckau e cols., um vetor viral otimizado com mimetizadores foi utilizado com sucesso em ratos com press&#227;o de sobrecarga. Como resultados, os autores observaram que houve uma normaliza&#231;&#227;o da dilata&#231;&#227;o card&#237;aca e uma redu&#231;&#227;o significativa da hipertrofia card&#237;aca, di&#226;metro dos cardiomi&#243;citos e fibrose card&#237;aca<sup>44</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Conclus&#227;o</bold>
    </p>
    <p>A compreens&#227;o da biologia dos miRNAs e o seu papel nos processos patog&#234;nicos &#233; uma nova e estimulante fronteira na medicina cardiovascular. Est&#225; cada vez mais evidente o potencial dos miRNAs como novas ferramentas no diagn&#243;stico e progn&#243;stico, assim como promissoras estrat&#233;gias terap&#234;uticas em muitas sub&#225;reas da cardiologia, incluindo a insufici&#234;ncia card&#237;aca. Entretanto, antes de se tornarem uma realidade, muitos estudos ainda s&#227;o necess&#225;rios. Ultrapassado os obst&#225;culos, as terap&#234;uticas baseadas em miRNA podem tornar-se parte do arsenal do cardiologista no tratamento, diagn&#243;stico e progn&#243;stico da insufici&#234;ncia card&#237;aca.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflito de interesses pertinentes.</p>
    <p>
      <bold>Fontes de Financiamento</bold>
    </p>
    <p>O presente estudo n&#227;o teve fontes de financiamento externas.</p>
    <p>
      <bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>N&#227;o h&#225; vincula&#231;&#227;o deste estudo a programas de p&#243;s-gradua&#231;&#227;o.</p>
    <p>
      <fn id="end" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold>Correspond&#234;ncia:</bold>
        </label>
        <p> Vagner Oliveira Carvalho </p>
        <p> Av. Dr. En&#233;as de Carvalho Aguiar, 44 - Laborat&#243;rio de Insufici&#234;ncia Card&#237;aca e Transplante - InCor - Bloco 1, 1&#186; Andar </p>
        <p> 05403-900, S&#227;o Paulo, SP, Brasil </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="vagnercarvalho@usp.br">vagnercarvalho@usp.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p> Artigo recebido em 31/08/11; revisado recebido em 25/10/11; aceito em 10/11/2011.</p>
  </body>
  <back>
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              <given-names>MA</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>Qian</surname>
              <given-names>J</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>Jones</surname>
              <given-names>K</given-names>
            </name>
          </person-group>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="B78">
        <mixed-citation>78. Zhang X, Wang X, Zhu H, Zhu C, Wang Y, Pu WT, et al. Synergistic effects of the GATA-4-mediated miR-144/451 cluster in protection against simulated ischemia/reperfusion-induced cardiomyocyte death. J Mol Cell Cardiol. 2010;49(5):841-50.</mixed-citation>
        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>Synergistic effects of the GATA-4-mediated miR-144/451 cluster in protection against simulated ischemia/reperfusion-induced cardiomyocyte death</article-title>
          <source>J Mol Cell Cardiol</source>
          <date>
            <year>2010</year>
          </date>
          <fpage>841</fpage>
          <lpage>50</lpage>
          <issue>5</issue>
          <volume>49</volume>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Zhang</surname>
              <given-names>X</given-names>
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              <given-names>WT</given-names>
            </name>
          </person-group>
        </element-citation>
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    </ref-list>
  </back>
  <sub-article article-type="translation" id="TRen" xml:lang="en">
    <front-stub>
      <article-categories>
        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Review Article</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">MicroRNAs: a new paradigm in the treatment and diagnosis of Heart failure?</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>MicroRNAs (miRNAs) are a group of newly discovered small RNAs, non-coding, which represent one of the most exciting areas of modern medical science as they modulate a huge and complex regulatory network of gene expression. Lines of evidence have recently suggested that miRNAs play a key role in the pathogenesis of heart failure. Some miRNAs highly expressed in the heart, such as miR-1, miR-133 and miR-208, are strongly associated with the development of cardiac hypertrophy, while the exact role of miR-21 in the cardiovascular system remains controversial. Serum levels of circulating miRNAs such as miR-423-5p are being evaluated as potential biomarkers in the diagnosis and prognosis of heart failure. On the other hand, the manipulation of levels of miRNAs using techniques such as mimicking the miRNAs (miRmimics) and antagonistic miRNAs (antagomiRs) is making increasingly evident the enormous potential of miRNAs as promising therapeutic strategies in heart failure.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>microRNAs</kwd>
        <kwd>microRNAs</kwd>
        <kwd>microRNAs</kwd>
        <kwd>heart failure</kwd>
        <kwd>cardiomegaly</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>REVIEW ARTICLE</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="enda-body2">
          <label>
            <bold>MicroRNAs: a new paradigm in the treatment and diagnosis of heart failure?</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Vagner Oliveira-Carvalho; Vitor Oliveira Carvalho; Miguel Morita Silva; Guilherme Veiga Guimar&#227;es; Edimar Alcides Bocchi</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Instituto do Cora&#231;&#227;o - InCor - HCFMUSP, SP, S&#227;o Paulo, Brazil</p>
      <p>Mailing Address</p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p>MicroRNAs (miRNAs) are a group of newly discovered small RNAs, non-coding, which represent one of the most exciting areas of modern medical science as they modulate a huge and complex regulatory network of gene expression. Lines of evidence have recently suggested that miRNAs play a key role in the pathogenesis of heart failure. Some miRNAs highly expressed in the heart, such as miR-1, miR-133 and miR-208, are strongly associated with the development of cardiac hypertrophy, while the exact role of miR-21 in the cardiovascular system remains controversial. Serum levels of circulating miRNAs such as miR-423-5p are being evaluated as potential biomarkers in the diagnosis and prognosis of heart failure. On the other hand, the manipulation of levels of miRNAs using techniques such as mimicking the miRNAs (miR<italic>mimics</italic>) and antagonistic miRNAs (antagomiRs) is making increasingly evident the enormous potential of miRNAs as promising therapeutic strategies in heart failure.</p>
      <p><bold>Keywords:</bold> microRNAs / genetics; microRNAs / diagnostic use; microRNAs / antagonists &amp; inhibitors; heart failure; cardiomegaly.</p>
      <p>
        <bold>Introduction</bold>
      </p>
      <p>The syndrome of heart failure (HF) is considered the final common pathway of every heart disease and a major cause of death<sup>1,2</sup>. This syndrome has an alarming mortality rate of approximately 50% in five years, which can overcome many types of cancer<sup>3</sup>. In Brazil, HF represents a major cause of hospitalization for cardiovascular disease, and when considering all causes of death, it represents a mortality rate of 6.3%<sup>4,5</sup>.</p>
      <p>The recent discovery of microRNAs (miRNAs) has placed them among the most exciting areas of modern medical science. MiRNAs are a group of small RNAs, non protein encoders, with approximately 19-25 nucleotides of extension. Differing from the wide range of RNAs encoded by the human genome, this type of RNA has been noted for its unique ability to modulate an enormous and complex regulatory network of gene expression<sup>6</sup>.</p>
      <p>The biological role of miRNAs in the cardiovascular system of mammals has recently become a research field of rapid evolution. Several studies have demonstrated the crucial role of miRNAs not only in embryonic cardiovascular development, but also in cardiovascular disease.</p>
      <p>
        <bold>Biology of microRNAs</bold>
      </p>
      <p>The human genome encodes a broad range of types of RNAs, in which the function of most of these molecules has been only partially elucidated and remains unknown. Along with other more common types of RNA such as mRNA (messenger RNA or protein-coding RNA) and those with structural functions, such as tRNA (transfer RNA) and rRNA (ribosomal RNA) are the non-protein-coding RNAs, including the miRNAs. </p>
      <p>It is known that miRNAs are usually synthesized from miRNA-specific genes or specific genetic regions that are not associated with the production of proteins (introns)<sup>7</sup>. The maturation of miRNAs involves a complex metabolic pathway that begins in the nucleus and extends to the cell cytoplasm (<xref ref-type="fig" rid="en_a11fig01m-body2">Fig. 1</xref>)<sup>6</sup>.</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="en_a11fig01m-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-98-04-0362-00011-gf01-en.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>MiRNAs exert their regulatory effects by binding their nucleotides to those of the target messenger RNA (mRNA) in a process called pairing. This binding prevents the ribosomes from translating the genetic information contained in the mRNA, resulting in decreased protein synthesis of the target gene without impacting the corresponding levels of RNAm<sup>6</sup>.</p>
      <p>The miRNA-mRNA interaction, however, does not necessarily need to be perfect, i.e., all miRNA nucleotides bound to the mRNA. In mammals, this binding is usually imperfect. Therefore, lack of necessity for a complete interaction coupled with the fact that miRNAs have small sequences, a single miRNA can regulate hundreds of target genes, and cooperate in control of a single target gene<sup>8,9</sup>.</p>
      <p>The involvement of miRNAs in regulatory control of gene expression and association with different functions make it clear that miRNAs can alter the progression of several diseases.</p>
      <p>
        <bold>MicroRNAs and the cardiovascular system</bold>
      </p>
      <p>Although the biological functions of miRNAs are not fully understood, studies have shown that some miRNAs are specifically present in certain tissues or cell types, including the heart<sup>10,11</sup>. On the other hand, miRNAs whose expression is not restricted to the heart can have an important heart-specific role<sup>12</sup>. Therefore, new miRNAs are being discovered in other cells that make up the cardiovascular system, such as fibroblasts, endothelial cells and smooth muscle cells, which cannot be ignored when studying the physiology of the cardiovascular system or its response to stress.</p>
      <p>So far, there seems to be about 150-200 miRNAs expressed in the cardiovascular system. Many of these miRNAs are dynamically regulated in response to acute cardiac stress and in some cases during long-term compensatory response of the heart to a chronic injury or hemodynamic overload<sup>13,14</sup>. Therefore, there is growing evidence that the expression of miRNAs is an important part of the mechanism of response to acute stress of the heart, contributing both to cardiac homeostasis and to the heart disease.</p>
      <p>Some miRNAs such as miR-128, miR-302, miR-367 and miR-499 are potentially heart-specific, but more studies are needed for confirmation. Only the miRNAmiR-208 is known as heart-specific and plays an important role in the maintenance of heart development and function<sup>15,16</sup>. However, recent studies have shown that in long events such as heart injuries, this miRNA can flow into the bloodstream and be detected in peripheral blood. Thus, its levels of expression may be linked to the diagnosis and prognosis of diseases<sup>17,18</sup>.</p>
      <p>In the skeletal muscle, mir-1, mir-133A, miR-133b and miR-206, together, account for approximately 25% of the expression of miRNAs and are often referred to as miomiRs<sup>19</sup>. The miRNAs miR-1, miR-133a and miR-133b are highly expressed in the skeletal muscle and in the heart, while the miR-206 is specifically expressed in skeletal muscle. All four muscle miRNAs are induced during muscle differentiation and play a critical role in the regulation of this process<sup>20</sup>.</p>
      <p>
        <bold>MicroRNAs in cardiac hypertrophy and heart failure</bold>
      </p>
      <p>Cardiac hypertrophy is also accompanied by an exchange of the genetic program that leads to the reactivation of cardiac genes normally expressed in fetal heart during embryonic development<sup>21</sup>. In 2007, a striking similarity was found between the expression pattern of miRNAs in hearts of adult individuals with heart failure and hearts of fetuses at 12-14 weeks of gestation. About 80% of miRNAs analyzed were found similarly regulated in both hearts. The most significant changes were associated with increased expression of miR-21, miR-29b, miR-129, miR-210, miR-211, miR-212, miR-423 miRNAs, and reduced expression of miR-30, miR-182 e miR-526<sup>22</sup>.</p>
      <p>Deregulation of other miRNAs, however, has also been associated with heart failure (<xref ref-type="table" rid="en_a11tab01m-body2">table 1</xref>). In an experimental mouse model in pressure overload has been applied to the heart, was one of the first changes observed was reduced expression of miR-1. This change in miR-1 expression level preceded the increase in cardiac mass and contractile dysfunction<sup>13</sup>. This result suggests that the reduction in the level of miR-1 expression may be a cause rather than an effect of the underlying pathogenesis. Therefore, both in vitro<sup>23</sup> and in vivo<sup>24</sup> data suggest that reduced expression of miR-1 is required for increased cell mass.</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_a11tab01m-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-98-04-0362-00011-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>In addition to miR-1, another muscle-specific miRNA, the miR-133, also has reduced expression during cardiac hypertrophy<sup>24-26</sup>. Mice with reduced expression of miR-133 showed cardiomyopathy, heart failure and an abnormal proliferation of cardiomyocytes<sup>27</sup>. In a recent study, the expression of miR-133 was induced in a rat model subjected to acute hypertrophic stimulus. Although the weight of the heart has not been standardized, other aspects of hypertrophy, such as apoptosis and fibrosis were restored to basal levels<sup>14</sup>.</p>
      <p>The miR-21 is one of the few miRNAs that show a regular pattern of over-expression in heart failure. Likewise, the miR-21 is also highly expressed in many cancers and cell lines, suggesting that this miRNA has a common behavior in response to stress and pathological growth of cells. However, the exact role of miR-21 in the development of cardiac hypertrophy remains controversial<sup>28</sup>.</p>
      <p>Although the expression patterns of some miRNAs are already known and associated with heart failure, certain miRNAs may be are differentially expressed in certain types of disease. A study by Ikeda et al<sup>29</sup> analyzed the expression patterns of miRNAs in myocardial samples of patients with ischemic cardiomyopathy, idiopathic cardiomyopathy and aortic stenosis. Interestingly, their results show that subsets of miRNAs are differentially regulated in each etiology<sup>29</sup>. Similar results were also found by Sucharov et al<sup>30</sup>. These data show that differences in expression patterns of miRNAs may be clinically important if used for the purposes of diagnosis and/or prognosis.</p>
      <p>On the other hand, not only the subsets of miRNAs have influence on the phenotype: some specific miRNAs appear to be key regulators. In 2006, van Rooij et al<sup>26</sup> showed that the increased expression of miR-195 in the myocardium of mice was sufficient to induce a pathological cardiac growth and heart failure within several weeks after birth. Moreover, while no phenotype was obtained by increasing expression of miR-214, miR-24 resulted in embryonic lethality. This study indicates that some specific miRNAs may play determining roles in cardiac hypertrophy<sup>26</sup>.</p>
      <p>The drugs prescribed to the patient must also be taken into account. By using the zebrafish as a model, Simon-Sanchez et al<sup>31</sup> demonstrated that morphine regulates the differentiation of dopaminergic neurons through the reduction of expression levels of miR-133b.<sup>31</sup> Although the zebrafish is evolutionarily distant from man, this data indicates that the drugs may influence the expression of miRNAs.</p>
      <p>
        <bold>MicroRNAs in diagnostic testing and prognosis of heart failure</bold>
      </p>
      <p> Because many miRNAs are tissue specific, most clinical studies have been based on the measurement of expression levels of miRNAs in origin tissue samples. However, some miRNAs were recently found in the bloodstream and are referred to as circulating or c-miRNAs. The mechanisms involved in the release of miRNAs in the blood are not well understood. The fact that these c-miRNAs can be detected in peripheral blood make them potentially useful for fast and easy tests, assisting the diagnosis or guiding therapy.</p>
      <p>The first study in mice showed that the plasma level of miR-208 (heart-specific miRNA) is related to myocardial injury and is detectable after induction of this injury<sup>18</sup>. In humans, the miRNAs miR-1<sup>32,33</sup>, miR-133<sup>34</sup>, miR-208a<sup>35</sup> and miR-499<sup>36</sup> have been proposed as good biomarkers of acute myocardial infarction, showing significantly higher plasma levels compared to patients without this condition. </p>
      <p>Cheng et al<sup>32</sup> reported that the profiles of miRNAs are differentially expressed in the myocardium based on the etiology of heart failure, suggesting that each form of etiology is characterized by a distinct expression profile of miRNA<sup>32</sup>. However, the need for an invasive procedure to obtain samples from the myocardium makes the clinical application of this approach very limited. However, recent evidence has shown that the c-miRNA miR-423-5p shows an increased expression during heart failure and can be used as a biomarker<sup>37</sup>.</p>
      <p>In 2009, Matkovich et al. evaluated the expression profile of miRNAs in heart failure patients before and after treatment with left ventricular assistance devices. Interestingly, 71.4% of miRNAs differentially regulated in heart failure were normalized after treatment<sup>38</sup>. These results suggest that miRNAs may serve as markers of myocardial recovery in patients with advanced heart failure.</p>
      <p>
        <bold>MicroRNAs in the treatment of heart failure</bold>
      </p>
      <p>Two therapeutic strategies involving the knowledge of miRNAs have been recently studied: the use of antagomirs and miR-mimics. These strategies are based on the normalization of tissue level of specific miRNAs, silencing those who have over-expressed or replacing those that have a deficit in expression in pathological processes (<xref ref-type="fig" rid="en_a11fig02m-body2">Fig. 2</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="en_a11fig02m-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-98-04-0362-00011-gf02-en.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>In a pathological condition in which certain miRNAs are over expressed, the first thing one think is how to intervene in the effect caused by the excessive increase in the expression of these miRNAs. For this purpose, a class of antimiRNAs called antagomirs was developed. </p>
      <p>Antagomirs are small antagonistic nucleotide sequences, of single strands, artificially synthesized to be perfectly complementary to a specific mature miRNA. When injected systemically or locally, antagomirs interact with miRNAs in the cytoplasm and hybridize specifically to the target mature miRNA making it difficult to bind the miRNA with its respective mRNA. Thus, the antagomirs act as competitive inhibitors of miRNA and lead to a decrease in the effect caused by excessive increase in the expression of certain miRNAs<sup>39</sup>.</p>
      <p>Far from being utopian, this therapeutic strategy has already been studied by many researchers. In a pioneering study, Thum et al<sup>40</sup> induced mice to cardiac hypertrophy through pressure overload. After three weeks, the mice received antagomir designed to functionally inhibit miR-21 (miRNAs over-expressed in cardiac fibroblasts during hypertrophy). As a result, it was observed that the mice showed a significant regression of cardiac hypertrophy and fibrosis, as well as attenuation of impairment of cardiac function<sup>40</sup>. Another successful approach was published in 2011 by Montgomery et al<sup>41</sup>. in which the antimiR-208a was systemically administered during hypertension induced by heart failure in hypertensive rats leading to a potent silencing of miR-208a in the heart. The therapeutic inhibition of miR-208a avoided the pathological change of myosin and cardiac remodeling, improving cardiac function and survival<sup>41</sup>.</p>
      <p>These results demonstrate that the use of antagomirs can be useful in preventing and/or reversing cardiac hypertrophy. However, most studies to date have focused on "silencing" only isolated miRNAs. However, considering that more than one miRNA may be involved in the pathological process, probably several miRNAs must be silenced to obtain an effective therapy.</p>
      <p>Just as the increased expression of some miRNAs may be related to the outbreak of pathogenic processes, decreased expression of specific miRNAs can also lead to a pathological state.</p>
      <p>The intervention to be made to normalize the level of expression of these miRNAs, however, is based on the administration of molecules that will functionally mimic natural miRNAs. </p>
      <p>The miRmimics are short double-strand artificial nucleotide sequences that resemble miRNA precursors (pre-miRNA). When introduced into cells, the miR-mimics are recognized by the miRNA biogenesis machinery and processed by the enzyme Dicer, and then incorporated into the RISC enzyme complex. Thus, the mimics will work as a replacement of little expressed miRNAs by regulating the target mRNA as endogenous miRNAs<sup>42</sup>.</p>
      <p>The replacement of miRNAs, however, is subject to an additional obstacle: specificity. The miR-mimics should act only on the target tissue. Otherwise, as if administered systemically, they could result in one or more miRNAs exercising regulatory function in tissues where these miRNAs are not normally expressed. This erroneous regulation would likely lead to triggering side effects.</p>
      <p>To overcome this obstacle, more complex and accurate management systems are required. To this end, the use of viral vectors has proven to be promising. These vectors are produced by bioengineering from non-pathogenic viruses belonging to the Parvovirida family and have a high affinity with the myocardium<sup>43</sup>.</p>
      <p>Like antagomirs, the therapeutic effectiveness of miR-mimics is also being studied. In a study by Suckau et al., a viral vector optimized with mimics has been successfully used in rats with pressure overload. As a result, the authors observed that there was a normalization of cardiac dilation and a significant reduction of cardiac hypertrophy, cardiomyocyte diameter and cardiac fibrosis<sup>44</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Conclusion</bold>
      </p>
      <p>Understanding the biology of miRNAs and their role in pathogenic processes is an exciting new milestone in cardiovascular medicine. The potential of miRNAs is increasingly evident as new tools in the diagnosis and prognosis, as well as promising therapeutic strategies in many sub-areas of cardiology, including heart failure. However, before becoming a reality, many studies are still needed. Overcoming obstacles, miRNA-based therapies can become part of the arsenal of cardiologists in the treatment, diagnosis and prognosis of heart failure.</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>Sources of Funding</bold>
      </p>
      <p>There were no external funding sources for this study.</p>
      <p>
        <bold>Study Association</bold>
      </p>
      <p>This study is not associated with any post-graduation program.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
  <sub-article article-type="translation" id="TRes" xml:lang="es">
    <front-stub>
      <article-categories/>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="es">MicroRNAs: &#191;un nuevo paradigma en el tratamiento y diagn&#243;stico de la insuficiencia card&#237;aca?</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="es">
        <p>MicroRNAs(miRNAs) son un grupo reci&#233;n descubierto de peque&#241;os RNAs, no codificantes, que representan una de las &#225;reas m&#225;s estimulantes de la ciencia m&#233;dica moderna por modular en una enorme y compleja red regulatoria de la expresi&#243;n de los genes. Recientemente, l&#237;neas de evidencias sugieren que los miRNAs desempe&#241;an un papel crucial en la patog&#233;nesis de la insuficiencia card&#237;aca. Algunos miRNAs altamente expresados en el coraz&#243;n como el miR-1, miR-133 y miR-208 est&#225;n fuertemente asociados al desarrollo de la hipertrofia card&#237;aca, mientras que el exacto papel de miR-21 en el sistema cardiovascular permanece controvertido. Los niveles s&#233;ricos de miRNAs circulantes como el miR-423-5p est&#225;n siendo evaluados como potenciales biomarcadores en el diagn&#243;stico y pron&#243;stico de la insuficiencia card&#237;aca. Por otro lado, la manipulaci&#243;n de los niveles de miRNAs usando t&#233;cnicas como los mimetizadores de miRNAs (miRmimics) y miRNAs antag&#243;nicos (antagomiRs) est&#225; volviendo cada vez m&#225;s evidente el enorme potencial de los miRNAs como promisorias estrategias terap&#233;uticas en la insuficiencia card&#237;aca.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="es">
        <kwd>microRNAs</kwd>
        <kwd>microRNAs</kwd>
        <kwd>microRNAs</kwd>
        <kwd>insuficiencia card&#237;aca</kwd>
        <kwd>cardiomegalia</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>ART&#205;CULO DE REVISI&#211;N</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="enda-body3">
          <label>
            <bold>MicroRNAs: &#191;Un nuevo paradigma en el tratamiento y diagn&#243;stico de la insuficiencia card&#237;aca?</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Vagner Oliveira-Carvalho; Vitor Oliveira Carvalho; Miguel Morita Silva; Guilherme Veiga Guimar&#227;es; Edimar Alcides Bocchi</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Instituto do Cora&#231;&#227;o - InCor - HCFMUSP, SP, S&#227;o Paulo, Brasil</p>
      <p>Correspondencia</p>
      <p>
        <bold>RESUMEN</bold>
      </p>
      <p>MicroRNAs(miRNAs) son un grupo reci&#233;n descubierto de peque&#241;os RNAs, no codificantes, que representan una de las &#225;reas m&#225;s estimulantes de la ciencia m&#233;dica moderna por modular en una enorme y compleja red regulatoria de la expresi&#243;n de los genes. Recientemente, l&#237;neas de evidencias sugieren que los miRNAs desempe&#241;an un papel crucial en la patog&#233;nesis de la insuficiencia card&#237;aca. Algunos miRNAs altamente expresados en el coraz&#243;n como el miR-1, miR-133 y miR-208 est&#225;n fuertemente asociados al desarrollo de la hipertrofia card&#237;aca, mientras que el exacto papel de miR-21 en el sistema cardiovascular permanece controvertido. Los niveles s&#233;ricos de miRNAs circulantes como el miR-423-5p est&#225;n siendo evaluados como potenciales biomarcadores en el diagn&#243;stico y pron&#243;stico de la insuficiencia card&#237;aca. Por otro lado, la manipulaci&#243;n de los niveles de miRNAs usando t&#233;cnicas como los mimetizadores de miRNAs (miR<italic>mimics</italic>) y miRNAs antag&#243;nicos (antagomiRs) est&#225; volviendo cada vez m&#225;s evidente el enorme potencial de los miRNAs como promisorias estrategias terap&#233;uticas en la insuficiencia card&#237;aca.</p>
      <p><bold>Palabras clave:</bold> microRNAs / gen&#233;tica, microRNAs / uso diagn&#243;stico, microRNAs / antagonistas e inhibidores, insuficiencia card&#237;aca, cardiomegalia.</p>
      <p>
        <bold>Introducci&#243;n</bold>
      </p>
      <p>El s&#237;ndrome de Insuficiencia Card&#237;aca (IC) es considerada la v&#237;a final com&#250;n de toda cardiopat&#237;a y una importante causa de muerte<sup>1,2</sup>. Ese s&#237;ndrome posee una alarmante tasa de mortalidad de aproximadamente 50% en cinco a&#241;os, lo que puede superar muchos tipos de c&#225;ncer<sup>3</sup>. En el Brasil, IC representa la mayor causa de internaci&#243;n hospitalaria por enfermedad cardiovascular, y cuando son analizadas todas las causas de &#243;bito, representa una tasa de mortalidad de 6,3%<sup>4,5</sup>.</p>
      <p>El reciente descubrimiento de los microRNAs(miRNAs) los han colocado entre las &#225;reas m&#225;s estimulantes de la ciencia m&#233;dica moderna. Los miRNAs son un grupo de peque&#241;os RNAs, no codificadores de prote&#237;nas, con aproximadamente 19-25 nucle&#243;tidos de extensi&#243;n. Difiriendo de la amplia gama de RNAs codificados por el genoma humano, esa variedad de RNA se ha destacado por su singular habilidad de modular una enorme y compleja red regulatoria de la expresi&#243;n de los genes<sup>6</sup>.</p>
      <p>Recientemente, el papel biol&#243;gico de los miRNAs en el sistema cardiovascular de mam&#237;feros se volvi&#243; un campo de investigaci&#243;n de r&#225;pida evoluci&#243;n. Varios estudios han demostrado el papel crucial de los miRNAs no s&#243;lo en el desarrollo cardiovascular embrionario, sino tambi&#233;n en la enfermedad cardiovascular .</p>
      <p>
        <bold>Biolog&#237;a de los microRNAs</bold>
      </p>
      <p>El genoma humano codifica una amplia gama de tipos de RNAs, en que la funci&#243;n de la mayor parte de esas mol&#233;culas fue apenas parcialmente esclarecida o aun permanece desconocida. Juntamente con otras variedades m&#225;s comunes de RNA, como el RNAm (RNA mensajero o codificador de prote&#237;nas) y aquellos con funciones estructurales, tales como el RNAt (RNA de transferencia) y el RNAr (RNA ribosomal), est&#225;n los RNAs no codificadores de prote&#237;nas, entre ellos los miRNAs. </p>
      <p>Se sabe que los miRNAs generalmente son sintetizados a partir de genes espec&#237;ficos de miRNA o de determinadas regiones g&#233;nicas que no est&#225;n asociadas a la producci&#243;n de prote&#237;nas (intrones)<sup>7</sup>. El proceso de maduraci&#243;n de los miRNAs envuelve una compleja v&#237;a metab&#243;lica que se inicia en el n&#250;cleo y se extiende hasta el citoplasma celular (<xref ref-type="fig" rid="es_a11fig01m-body3">Fig. 1</xref>)<sup>6</sup>.</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="es_a11fig01m-body3">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-98-04-0362-00011-gf01-es.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>Los miRNAs ejercen sus efectos regulatorios a trav&#233;s de la ligaci&#243;n de sus nucle&#243;tidos a los del RNA mensajero (RNAm)-blanco en un proceso llamado pareamiento. Esa ligaci&#243;n imposibilita que los ribosomas consigan traducir la informaci&#243;n gen&#233;tica contenida en el RNAm, acarreando la disminuci&#243;n de la s&#237;ntesis proteica del gen-blanco sin impactar en los niveles correspondientes de RNAm<sup>6</sup>.</p>
      <p>La interacci&#243;n miRNA-RNAm, entre tanto, no precisa ser necesariamente perfecta, o sea, todos los nucle&#243;tidos del miRNA ligados al RNAm. Normalmente en mam&#237;feros esa ligaci&#243;n es imperfecta. De esa forma, la no obligatoriedad de interacci&#243;n completa sumada al hecho de que los miRNAs poseen secuencias peque&#241;as, un &#250;nico miRNA puede regular centenas de genes-blanco distintos, adem&#225;s de cooperar en el control de un &#250;nico gen-blanco<sup>8,9</sup>.</p>
      <p>El envolvimiento de los miRNAs en el control regulatorio de la expresi&#243;n g&#233;nica y la asociaci&#243;n a diferentes funciones vuelven evidente que los miRNAs pueden alterar la progresi&#243;n de diversas enfermedades.</p>
      <p>
        <bold>MicroRNAs y el sistema cardiovascular</bold>
      </p>
      <p>Aunque las funciones biol&#243;gicas de los miRNAs no est&#233;n totalmente comprendidas, estudios mostraron que algunos miRNAs est&#225;n presentes espec&#237;ficamente en determinados tipos de tejidos o c&#233;lulas, incluyendo el coraz&#243;n<sup>10,11</sup>. Por otro lado, miRNAs cuya expresi&#243;n no es restringida al coraz&#243;n pueden tener un importante papel cardioespec&#237;fico<sup>12</sup> . Con eso, nuevos miRNAs est&#225;n siendo descubiertos en otras c&#233;lulas que componen el sistema cardiovascular, tales como fibroblastos, c&#233;lulas endoteliales y c&#233;lulas musculares lisas, en los cuales no pueden ser ignoradas cuando se estudia la fisiolog&#237;a del sistema cardiovascular o su respuesta al estr&#233;s.</p>
      <p>Hasta el momento, parece haber aproximadamente 150-200 miRNAs expresados en el sistema cardiovascular. Muchos de esos miRNAs son din&#225;micamente regulados en respuesta al estr&#233;s card&#237;aco agudo, y en algunos casos, a largo plazo durante la respuesta compensatoria del coraz&#243;n a una lesi&#243;n cr&#243;nica o sobrecarga hemodin&#225;mica<sup>13,14</sup> . As&#237;, hay evidencias crecientes de que la expresi&#243;n de miRNAs es una parte importante del mecanismo de respuesta al estr&#233;s agudo del coraz&#243;n, y contribuye tanto a la homeostasis card&#237;aca como a la enfermedad.</p>
      <p>Algunos miRNAs como miR-128, miR-302, miR-367 y miR-499 son potencialmente cardioespec&#237;ficos, sin embargo, m&#225;s estudios son necesarios para confirmaci&#243;n. Solamente el miRNAmiR-208 es conocido como siendo cardioespec&#237;fico y desempe&#241;a un papel importante en la manutenci&#243;n del desarrollo y funci&#243;n card&#237;aca<sup>15,16</sup>. Mientras tanto, estudios recientes demostraron que en eventos como lesiones a lo largo del coraz&#243;n ese miRNA puede volcarse a la corriente sangu&#237;nea y ser detectado en sangre perif&#233;rica. As&#237;, sus niveles de expresi&#243;n pueden estar ligados al diagn&#243;stico y pron&#243;stico de enfermedades<sup>17,18</sup>.</p>
      <p>En el m&#250;sculo esquel&#233;tico, mir-1, mir-133a, mir-133b y mir-206, juntos, responden por aproximadamente 25% de toda la expresi&#243;n de miRNAs y son muchas veces referidos como miomiRs<sup>19</sup>. Los miRNAs miR-1, miR-133a y miR-133b son altamente expresados en el m&#250;sculo esquel&#233;tico y en el coraz&#243;n, en cuanto el miR-206 es espec&#237;ficamente expresado en el m&#250;sculo esquel&#233;tico. Los cuatro miRNAs musculares son inducidos durante la diferenciaci&#243;n del m&#250;sculo, y desempe&#241;an un papel cr&#237;tico en la regulaci&#243;n de ese processo<sup>20</sup>.</p>
      <p>
        <bold>MicroRNAs en la hipertrofia e insuficiencia card&#237;aca</bold>
      </p>
      <p>La hipertrofia card&#237;aca es tambi&#233;n acompa&#241;ada de un intercambio del programa gen&#233;tico que lleva a la reactivaci&#243;n de genes card&#237;acos normalmente expresados en el coraz&#243;n de fetos durante el desarrollo embrionario<sup>21</sup>. En 2007, una impresionante semejanza fue encontrada entre el est&#225;ndar de expresi&#243;n de miRNAs en corazones de individuos adultos con insuficiencia card&#237;aca y corazones de fetos con 12-14 semanas de gestaci&#243;n. Cerca de m&#225;s de 80% de los miRNAs analizados fueron encontrados regulados similarmente en ambos corazones. Los cambios m&#225;s expresivos fueron asociados al aumento de la expresi&#243;n de los miRNAs miR-21, miR-29b, miR-129, miR-210, miR-211, miR-212, miR-423, y reducci&#243;n de la expresi&#243;n de miR-30, miR-182 y miR-526<sup>22</sup>.</p>
      <p>La desregulaci&#243;n de otros miRNAs, entre tanto, tambi&#233;n viene siendo asociada a la insuficiencia card&#237;aca (<xref ref-type="table" rid="es_a11tab01m-body3">tab. 1</xref>). En un modelo experimental de rat&#243;n en que fue aplicada una sobrecarga de presi&#243;n en el coraz&#243;n, una de las primeras modificaciones observadas fue la reducci&#243;n de la expresi&#243;n de miR-1. Esa alteraci&#243;n del nivel de expresi&#243;n del miR-1 precedi&#243; el aumento de la masa card&#237;aca y disfunci&#243;n contr&#225;ctil<sup>13</sup>. Ese resultado sugiere que la reducci&#243;n en el nivel de expresi&#243;n de miR-1 puede ser una causa en vez de un efecto de la patog&#233;nesis subyacente. De esa forma, tanto los datos <italic>in vitro</italic><sup>23</sup> como <italic>in vivo</italic><sup>24</sup> sugieren que la reducci&#243;n de la expresi&#243;n demiR-1 es necesaria para el aumento de la masa celular.</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="es_a11tab01m-body3">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-98-04-0362-00011-gt01-es.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>Adem&#225;s de miR-1, otro miRNA musculoespec&#237;fico, el miR-133, tambi&#233;n tiene su expresi&#243;n reducida durante la hipertrofia card&#237;aca<sup>24-26</sup>. Ratones con expresi&#243;n de miR-133 reducida manifestaron cardiomiopat&#237;a, insuficiencia card&#237;aca y una proliferaci&#243;n anormal de los cardiomiocitos<sup>27</sup>. En estudio reciente, la expresi&#243;n de miR-133 fue inducida en un modelo de rat&#243;n sometido a est&#237;mulo hipertr&#243;fico agudo. Aunque el peso del coraz&#243;n no haya sido normalizado, otros aspectos de la hipertrofia, como apoptosis y fibrosis fueron restaurados a los niveles basales<sup>14</sup>.</p>
      <p>El miR-21 es uno de los pocos miRNAs que demuestran un est&#225;ndar regular de superexpresi&#243;n en la insuficiencia card&#237;aca. De la misma forma, el miR-21 es tambi&#233;n altamente expresado en diversos tipos de c&#225;ncer y linajes celulares, lo que sugiere que ese miRNA posee un comportamiento com&#250;n en respuesta al estr&#233;s y al crecimiento patol&#243;gico de c&#233;lulas. Mientras tanto, el papel exacto de miR-21 en el desarrollo de la hipertrofia card&#237;aca permanece controvertido<sup>28</sup>.</p>
      <p>A pesar de que los est&#225;ndares de expresi&#243;n de algunos miRNAs ya sean conocidos y asociados a la insuficiencia card&#237;aca, determinados miRNAs pueden estar expres&#225;ndose diferencialmente en ciertos tipos de la enfermedad. En estudio conducido por Ikeda et al<sup>29</sup> fueron analizados los est&#225;ndares de expresi&#243;n de miRNAs en &#8203;&#8203;muestras de miocardio de pacientes con cardiomiopat&#237;a isqu&#233;mica, cardiomiopat&#237;a idiop&#225;tica y estenosis a&#243;rtica. Interesantemente, sus resultados demuestran que los subconjuntos de miRNAs son regulados diferencialmente en cada una de las etiolog&#237;as<sup>29</sup>. Resultados semejantes fueron tambi&#233;n encontrados por Sucharov et al<sup>30</sup>. Esos datos muestran que diferencias en los est&#225;ndares de expresi&#243;n de los miRNAs pueden ser cl&#237;nicamente importantes si son usadas con prop&#243;sitos diagn&#243;stico y/o pron&#243;sticos.</p>
      <p>Por otro lado, no solamente los subconjuntos de miRNAs tienen influencia sobre el fenotipo: algunos miRNAs espec&#237;ficos parecen ser llaves regulatorias. En 2006, van Rooij et al<sup>26</sup> revelaron que el aumento de la expresi&#243;n de miR-195 en el miocardio de ratones fue suficiente para inducir un crecimiento card&#237;aco patol&#243;gico e insuficiencia card&#237;aca dentro de varias semanas despu&#233;s del nacimiento. Adem&#225;s de eso, en cuanto ning&#250;n fenotipo fue obtenido por el aumento de la expresi&#243;n de miR-214, miR-24 result&#243; en letalidad embrionaria. Este estudio indica que algunos miRNAs espec&#237;ficos pueden desempe&#241;ar papeles determinantes en el programa de hipertrofia card&#237;aca<sup>26</sup>.</p>
      <p>Los medicamentos administrados al paciente tambi&#233;n deben ser tenidos en cuenta. Al utilizar el pez cebra como modelo, Sanchez-Simon et al<sup>31</sup> demostraron que la morfina regula la diferenciaci&#243;n de neuronas dopamin&#233;rgicas por medio de la reducci&#243;n de los niveles de expresi&#243;n de miR-133b<sup>31</sup>. A pesar de que el pez cebra es evolutivamente distante del hombre, ese dato indica que los medicamentos pueden influenciar la expresi&#243;n de los miRNAs.</p>
      <p>
        <bold>MicroRNAs en la complementaci&#243;n diagn&#243;stica y pron&#243;stica de la insuficiencia card&#237;aca</bold>
      </p>
      <p>En raz&#243;n de que muchos miRNAs son tejidoespec&#237;ficos, la mayor&#237;a de los estudios cl&#237;nicos se han basado en la medici&#243;n de los niveles de expresi&#243;n de miRNAs en muestras del tejido de origen. Entre tanto, recientemente algunos miRNAs tambi&#233;n fueron encontrados en la corriente sangu&#237;nea y son denominados como miRNAs circulantes o c-miRNA. Los mecanismos envueltos en la liberaci&#243;n de los miRNAs en la sangre permanecen no bien comprendidos. El hecho de que esos c-miRNAs pueden ser detectados en sangre perif&#233;rica los vuelven potencialmente utilizables para tests r&#225;pidos y f&#225;ciles, auxiliando el diagn&#243;stico o guiando terapias.</p>
      <p>El primer estudio en ratones mostr&#243; que el nivel plasm&#225;tico de miR-208 (miRNAcardioespec&#237;fico) est&#225; relacionado con la lesi&#243;n del miocardio, siendo detectable despu&#233;s de la inducci&#243;n de esa lesi&#243;n<sup>18</sup>. En humanos, los miRNAsmiR-1<sup>32,33 ;</sup>, miR-133<sup>34</sup>, miR-208a<sup>35</sup> y miR-499<sup>36</sup> fueron propuestos como buenos biomarcadores de infarto agudo de miocardio, presentando niveles plasm&#225;ticos significativamente m&#225;s elevados cuando comparados son a pacientes sin la condici&#243;n. </p>
      <p>Cheng et al.<sup>32</sup> relataron que los perfiles de miRNAs en el miocardio son expresados diferencialmente en la dependencia de la etiolog&#237;a de la insuficiencia card&#237;aca, sugiriendo que cada forma etiol&#243;gica es caracterizada por un perfil de expresi&#243;n de miRNA distinto<sup>32</sup>. Sin embargo, la necesidad de un procedimiento invasivo para obtenci&#243;n de muestras del miocardio vuelve la aplicaci&#243;n cl&#237;nica de ese abordaje muy limitada. Mientras tanto, una reciente evidencia demostr&#243; que el c-miRNAmiR-423-5p presenta una expresi&#243;n aumentada durante la insuficiencia card&#237;aca y puede ser usado como un biomarcador<sup>37</sup>.</p>
      <p>En 2009, Matkovich et al. evaluaron el perfil de expresi&#243;n de miRNAs en pacientes con insuficiencia card&#237;aca antes y despu&#233;s de tratamiento con dispositivos de asistencia ventricular izquierda. Curiosamente, 71,4% de los miRNAs diferencialmente regulados en la insuficiencia card&#237;aca fueron normalizados despu&#233;s del tratamento<sup>38</sup>. Esos resultados sugieren que los miRNAs pueden servir como marcadores de recuperaci&#243;n del miocardio en pacientes con insuficiencia card&#237;aca avanzada.</p>
      <p>
        <bold>MicroRNAs en el tratamiento de la insuficiencia card&#237;aca</bold>
      </p>
      <p>Recientemente, dos estrategias terap&#233;uticas envolviendo el conocimiento acerca de los miRNAs han sido estudiadas: el uso de antagomirs y mimetizadores de miRNA (<italic>miRmimics</italic>). Esas estrategias se basan en la normalizaci&#243;n del nivel tisular de miRNAs espec&#237;ficos, silenciando aquellos que se presentan superexpresados o reponiendo aquellos que presentan un d&#233;ficit en su expresi&#243;n en procesos patol&#243;gicos (<xref ref-type="fig" rid="es_a11fig02m-body3">Fig. 2</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="es_a11fig02m-body3">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-98-04-0362-00011-gf02-es.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>En un estado patol&#243;gico en que determinados miRNAs est&#233;n superexpresados, lo primero que se piensa es como intervenir en el efecto causado por el aumento excesivo de la expresi&#243;n de esos miRNAs. Para ese prop&#243;sito fue desarrollada una clase de antimiRNAs llamada antagomirs. </p>
      <p>Los antagomirs son peque&#241;as secuencias nucleot&#237;dicas antag&#243;nicas, de cintas simples, sintetizadas artificialmente para ser perfectamente complementarias a un miRNA maduro espec&#237;fico. Cuando son inyectados sist&#233;mica o localmente, los antagomirs interact&#250;an con los miRNAs en el citoplasma e hibridizan espec&#237;ficamente con el miRNA maduro blanco dificultando la ligaci&#243;n del miRNA con su respectivo RNAm. De esa forma, los antagomirs act&#250;an como inhibidores competitivos de miRNA y llevan a una disminuci&#243;n del efecto causado por el aumento excesivo de la expresi&#243;n de determinados miRNAs<sup>39</sup>.</p>
      <p>Lejos de ser ut&#243;pica, esa estrategia terap&#233;utica ya viene siendo estudiada por diversos investigadores. En estudio pionero, Thum et al<sup>40</sup> indujeron ratones a hipertrofia card&#237;aca por medio de sobrecarga de presi&#243;n. Despu&#233;s de tres semanas fue administrado un antagomir desarrollado para inhibir funcionalmente el miR-21 (miRNA superexpresado en fibroblastos card&#237;acos durante la hipertrofia). Como resultado, fue observado que los ratones presentaron una regresi&#243;n significativa de la hipertrofia card&#237;aca y fibrosis, adem&#225;s de la atenuaci&#243;n del compromiso de la funci&#243;n card&#237;aca<sup>40</sup>. Otro abordaje de &#233;xito fue publicado en 2011 por Montgomery et al<sup>41</sup> en que el antimiR-208a fue administrado sist&#233;micamente durante la hipertensi&#243;n inducida por insuficiencia card&#237;aca en ratones hipertensos llevando a un potente silenciamiento de miR-208a en el coraz&#243;n. La inhibici&#243;n terap&#233;utica de miR-208a evit&#243; la alteraci&#243;n patol&#243;gica de la miosina y remodelado card&#237;aco, mejorando la funci&#243;n card&#237;aca y la sobrevida<sup>41</sup>.</p>
      <p>Esos resultados demuestran que el uso de antagomirs puede ser &#250;til en la prevenci&#243;n y/o reversi&#243;n de la hipertrofia card&#237;aca. Mientras tanto, la mayor&#237;a de los estudios hasta la fecha se concentr&#243; en "silenciar" apenas miRNAs aislados. Sin embargo, teniendo en vista que m&#225;s de un miRNA puede estar envuelto en el proceso patol&#243;gico, probablemente diversos miRNAs tendr&#225;n que ser silenciados para la obtenci&#243;n de una terapia eficaz.</p>
      <p>As&#237; como el aumento de la expresi&#243;n de algunos miRNAs puede estar relacionado al desencadenamiento de procesos patog&#233;nicos, la disminuci&#243;n de la expresi&#243;n de miRNAs espec&#237;ficos tambi&#233;n puede llevar a un estado patol&#243;gico.</p>
      <p>La intervenci&#243;n a ser hecha para normalizar el nivel de expresi&#243;n de estos miRNAs, mientras tanto, es basada en la administraci&#243;n de mol&#233;culas que mimetizar&#225;n funcionalmente los miRNAs naturales. </p>
      <p>Los mimetizadores de miRNA (<italic>miRmimics</italic>) son secuencias nucleot&#237;dicas artificiales cortas, doble cintas, que se asemejan a los precursores de miRNA (pre-miRNA).Al ser introducidos en las c&#233;lulas los mimetizadores de miRNA son reconocidos por la maquinaria de la biog&#233;nesis de los miRNA y procesados por la enzima Dicer, siendo enseguida incorporados al complejo enzim&#225;tico RISC. De esa forma, los mimetizadores funcionar&#225;n como una reposici&#243;n de los miRNAs poco expresados regulando el mRNA-blanco como los miRNAs end&#243;genos<sup>42</sup>.</p>
      <p>La reposici&#243;n de miRNAs, mientras tanto, est&#225; sujeta a un obst&#225;culo adicional: la especificidad. Los mimetizadores de miRNA deben actuar apenas sobre el tejido blanco. De otra forma, como en el caso de ser administrados sist&#233;micamente, podr&#237;an resultar en uno o m&#225;s miRNAs ejerciendo funci&#243;n regulatoria en tejidos en que esos miRNAs normalmente no son expresados. Esa regulaci&#243;n err&#243;nea probablemente llevar&#237;a al desencadenamiento de efectos colaterales.</p>
      <p>Para superar ese obst&#225;culo, son necesarios sistemas de administraci&#243;n m&#225;s complejos y precisos. Para tal, el empleo de vectores virales viene siendo promisorio. Esos vectores son producidos por la bioingenier&#237;a a partir de virus no patog&#233;nicos pertenecientes a la familia Parvovirida y que poseen una alta afinidad por el miocardio<sup>43</sup>.</p>
      <p>As&#237; como los antagomirs, la eficacia terap&#233;utica de los mimetizadores de Mirna tambi&#233;n viene siendo estudiada. En estudio conducido por Suckau et al., un vector viral optimizado con mimetizadores fue utilizado con &#233;xito en ratones con presi&#243;n de sobrecarga. Como resultados, los autores observaron que hubo una normalizaci&#243;n de la dilataci&#243;n card&#237;aca y una reducci&#243;n significativa de la hipertrofia card&#237;aca, di&#225;metro de los cardiomiocitos y fibrosis card&#237;aca<sup>44</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Conclusi&#243;n</bold>
      </p>
      <p>La comprensi&#243;n de la biolog&#237;a de los miRNAs y su papel en los procesos patog&#233;nicos es una nueva y estimulante frontera en la medicina cardiovascular. Est&#225; cada vez m&#225;s evidente el potencial de los miRNAs como nuevas herramientas en el diagn&#243;stico y pron&#243;stico, as&#237; como promisorias estrategias terap&#233;uticas en muchas sub&#225;reas de la cardiolog&#237;a, incluyendo la insuficiencia card&#237;aca. Entre tanto, antes de volverse una realidad, muchos estudios aun son necesarios. Superados los obst&#225;culos, las terap&#233;uticas basadas en miRNA pueden volverse parte del arsenal del cardi&#243;logo en el tratamiento, diagn&#243;stico y pron&#243;stico de la insuficiencia card&#237;aca.</p>
      <p>
        <bold>Potencial Conflicto de Intereses</bold>
      </p>
      <p>Declaro no haber conflicto de intereses pertinentes.</p>
      <p>
        <bold>Fuentes de Financiaci&#243;n</bold>
      </p>
      <p>El presente estudio no tuve fuentes de financiaci&#243;n externas.</p>
      <p>
        <bold>Vinculaci&#243;n Acad&#233;mica</bold>
      </p>
      <p>No hay vinculaci&#243;n de este estudio a programas de postgrado.</p>
      <p>
        <bold>Referencias</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
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