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        <article-title>Valvulopatia carcinoide do cora&#231;&#227;o: ainda um enigma e um desafio</article-title>
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  <body>
    <p>
      <bold>PONTO DE VISTA</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Valvulopatia carcinoide do cora&#231;&#227;o. Ainda um enigma e um desafio</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Paulo Roberto Barbosa Evora; Solange Bassetto; Viviane S. Augusto; Walter V. A. Vicente</bold>
    </p>
    <p>Departamento de Cirurgia e Anatomia, Faculdade de Medicina de Ribeir&#227;o Preto, Universidade de S&#227;o Paulo, Brasil</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="end">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> Tumor carcinoide, doen&#231;a das valvas card&#237;acas/cirurgia, doen&#231;a das valvas card&#237;acas/mortalidade.</p>
    <p>Carcinoide &#233; um tumor raro da linhagem de c&#233;lulas neuroend&#243;crinas, que ocorre em 1,2 a 2,1 por 100 mil pessoas por ano. Ao diagn&#243;stico, 20% a 30% dos pacientes t&#234;m doen&#231;a disseminada e consequente doen&#231;a card&#237;aca, a qual afeta 40% dos pacientes causando grande morbidade e mortalidade na s&#237;ndrome carcinoide. Tumores card&#237;acos prim&#225;rios carcinoides n&#227;o foram relatados e, raramente, massas tumorais metast&#225;ticas foram encontradas no mioc&#225;rdio, geralmente em conjunto com comprometimento valvular. Acredita-se que comprometimento card&#237;aco ocorre quando a serotonina e outras subst&#226;ncias ativas s&#227;o liberadas a partir de met&#225;stases hep&#225;ticas ou tumores carcinoides prim&#225;rios de ov&#225;rio, ignorando o metabolismo no f&#237;gado. A doen&#231;a card&#237;aca carcinoide tipicamente envolve as v&#225;lvulas tric&#250;spide e pulmonar, causando insufici&#234;ncia card&#237;aca direita. Envolvimento das v&#225;lvulas do lado esquerdo &#233; raramente relatado (&lt;10% dos pacientes). Assim, a doen&#231;a carcinoide mitral e a&#243;rtica pode ocorrer com mais frequ&#234;ncia em pacientes com comunica&#231;&#227;o interatrial ou forame oval patente com o desvio sangu&#237;neo da direita para a esquerda. Por&#233;m, o comprometimento card&#237;aco pode tamb&#233;m ocorrer na aus&#234;ncia desse desviopor associa&#231;&#227;o com carcinoide broncopulmonar ou com n&#237;veis elevados de serotonina circulante<sup>1-3</sup>.</p>
    <p>Sobrevida de tr&#234;s anos &#233; de 31% em compara&#231;&#227;o a percentual de 68% para indiv&#237;duos sem evid&#234;ncias ecocardiogr&#225;ficas de envolvimento card&#237;aco<sup>3</sup>. An&#225;lise recente de 200 casos de doen&#231;a card&#237;aca carcinoide demonstrou aumento na sobrevida m&#233;dia de 1,5 anos para 4,4 anos ao longo das &#250;ltimas duas d&#233;cadas<sup>4</sup>. Esse aumento da sobrevida pode refletirmelhor resultado geral e o uso mais frequente de cirurgia valvular. O progn&#243;stico melhorou, ainda,como consequ&#234;nciada citorredu&#231;&#227;o cir&#250;rgica, terapia ablativa de met&#225;steses hep&#225;ticas e uso de somatostatina, mas n&#227;o existem evid&#234;ncias robustas de tais correla&#231;&#245;es. Entretanto, muitos pontos ainda precisam de evid&#234;ncias s&#243;lidas para o estabelecimento de consensos dessa abordagem cir&#250;rgica: 1) Qual o momento da indica&#231;&#227;o cir&#250;rgica? 2) Qual o risco cir&#250;rgico? 3) Qual a evolu&#231;&#227;o dos pacientes operados? 4) Plastias valvulares, pr&#243;teses biol&#243;gicas ou pr&#243;teses mec&#226;nicas? 5) Qual o papel dos inibidores da serotonina ap&#243;s a cirurgia?</p>
    <p>A primeira cirurgia de v&#225;lvula card&#237;aca para doen&#231;a carcinoide card&#237;aca foi realizada em 1963<sup>5</sup>. Apesar das evid&#234;ncias iniciais de palia&#231;&#227;o prolongada, a mortalidade foi considerada inaceitavelmente elevada (20%-50%). Nas s&#233;ries posteriores, a redu&#231;&#227;o da mortalidade perioperat&#243;ria para menos de 10% e a melhora sintom&#225;tica acentuada aumentaram o entusiasmo pelacirurgia. Em duas d&#233;cadas (1980-2000),uma an&#225;lise retrospectiva de 87 indiv&#237;duos com doen&#231;a carcinoide card&#237;aca atendidos em uma s&#243; institui&#231;&#227;o revelou que a mortalidade perioperat&#243;ria foi reduzida de 25% na d&#233;cada de 1980 para 9% nos &#250;ltimos cinco anos do estudo<sup>4</sup>. Durante o mesmo per&#237;odo, o percentual de pacientes submetidos &#224; cirurgia aumentou de 18% para 64%. Assim, a cirurgia que antes era realizada apenas em pacientes gravemente sintom&#225;ticos, &#233; agora proposta para aqueles que est&#227;o apenas levemente sintom&#225;ticos, pois &#233; evidente que a progress&#227;o de insufici&#234;ncia card&#237;aca aumenta ainda mais a mortalidade perioperat&#243;ria.O n&#250;mero de pacientes operadosrelatados ainda &#233; muito pequeno para o estabelecimento de evid&#234;ncias quanto ao momento cir&#250;rgico, incluindo a proposta do tratamento cir&#250;rgico para pacientes assintom&#225;ticos com a finalidade de mudar a hist&#243;ria natural da doen&#231;a. Como a doen&#231;a &#233; relativamente rara, &#233; poss&#237;vel que os exames de imagem e biomarcadores venham a ter um papel importante nesse cen&#225;rio<sup>6</sup>.</p>
    <p>O risco cir&#250;rgico, embora decrescente, ainda &#233; maior do que o risco cir&#250;rgico das valvulopatias reum&#225;ticas e degenerativas. Nessa perspectiva, j&#225; existem evid&#234;ncias quanto &#224; utiliza&#231;&#227;o de inibidores da serotonina, no caso de ocorr&#234;ncia intra e perioperat&#243;ria da crise carcinoide, bem como a seguran&#231;a da sua intera&#231;&#227;o com drogas vasoativas. No caso do comprometimento hep&#225;tico, a incid&#234;ncia de maior sangramento pode ser um fator comprometedor com alguma evid&#234;ncia do efeito ben&#233;fico da aprotinina pela inibi&#231;&#227;o do sistema cinina-calicre&#237;na<sup>7</sup>.</p>
    <p>A substitui&#231;&#227;o da v&#225;lvula card&#237;aca e/ou de "repara&#231;&#227;o" para a doen&#231;a card&#237;aca carcinoide &#233; cada vez mais aceita, mas, no entanto, os resultados nem sempre s&#227;o favor&#225;veis. Em um relat&#243;rio pr&#233;vio da Mayo Clinic, 9 dos 26 pacientes morreram no in&#237;cio do per&#237;odo perioperat&#243;rio e outras 9 pessoas,em uma m&#233;dia de 19 meses ap&#243;s a cirurgia. Embora a mortalidade tenha sido maior, a sobrevida tardia (8 de 26 pacientes) resultou numa diminui&#231;&#227;o consider&#225;vel (2 pacientes) ou elimina&#231;&#227;o (6 pacientes) de sintomas<sup>8</sup>. Relat&#243;rio posterior da mesma institui&#231;&#227;o apresenta os resultados em 11 pacientes com doen&#231;a card&#237;aca carcinoide que foram submetidos a opera&#231;&#227;o para a v&#225;lvulas esquerdas e dIreitas<sup>1</sup>. A v&#225;lvula tric&#250;spide foi substitu&#237;da em todos os 11 pacientes;a pulmonar, em 3 (valvectomia, em 7); a v&#225;lvula mitral, em 6 (plastia, em 1); e da v&#225;lvula a&#243;rtica, em 4 (plastia, em 2). Houve duas mortes perioperat&#243;rias e quatro mortes adicionais em um per&#237;odo m&#233;dio de 41 meses. Todos, exceto um sobrevivente cir&#250;rgico, melhoram <underline>&gt;</underline> 1 a classe funcional<sup>9</sup>.</p>
    <p>A substitui&#231;&#227;o de v&#225;lvulas lesadas por pr&#243;teses mec&#226;nicas foi recomendada anteriormente, em raz&#227;o do medo da degenera&#231;&#227;o prematura da biopr&#243;tese. Nos &#250;ltimos anos, o uso de pr&#243;teses biol&#243;gicas tem se tornado mais aceito e, em muitos casos, de prefer&#234;ncia, por prov&#225;vel expectativa de vida menor que a dura&#231;&#227;o dabiopr&#243;tese. A pr&#243;tese mec&#226;nica n&#227;o teria risco de prov&#225;vel degenera&#231;&#227;o induzida pelo horm&#244;nio carcinoide.Entretanto, a anticoagula&#231;&#227;o obrigat&#243;ria representa risco consider&#225;vel para sangramento durante emboliza&#231;&#227;o da art&#233;ria hep&#225;tica ou procedimentos cir&#250;rgicos citoredutores realizados para alcan&#231;ar o controle hormonal<sup>6</sup>. A "hist&#243;ria sem fim" sobre a escolha da pr&#243;tese est&#225;, fortemente, presente no tratamento da valvulopatia carcinoide. Algumas considera&#231;&#245;es, ainda que especulativas, merecem um exerc&#237;cio mental. A utiliza&#231;&#227;o de pr&#243;teses biol&#243;gicas seria, aparentemente, mais l&#243;gica embasada em tr&#234;s pontos capitais: a) a n&#227;o necessidade de anticoagula&#231;&#227;o em pacientes com chance de hepatopatia; b) experi&#234;ncia europeia mostra que a degenera&#231;&#227;o de biopr&#243;teses n&#227;o foi significante, sugerindo n&#227;o influ&#234;ncia da doen&#231;a carcinoide no processo de degenera&#231;&#227;o; e c) a expectativa de vida dos pacientes, mesmo jovens, foi menor do que a durabilidade da biopr&#243;tese. J&#225; as plastias isoladas, tamb&#233;m aparentemente, n&#227;o seriam op&#231;&#227;o l&#243;gica por manter o tecido valvular doente. Existem poucos relatos de casos de trocas das quatro v&#225;lvulas card&#237;acas, sendo a maior experi&#234;ncia a relatada pela Mayo Clinic<sup>10</sup>. N&#227;o h&#225; consenso sobre a escolha da pr&#243;tese, embora a aparente l&#243;gica da op&#231;&#227;o pela biopr&#243;tese,a terap&#234;utica deve ser individualizada.</p>
    <p>Porque enigma e desafio? Alguns dados ainda enigm&#225;ticos seriam: 1) o desconhecido papel da serotonina na doen&#231;a da valvulopatia; 2) contra a hip&#243;tese da presen&#231;a de comunica&#231;&#227;o interatrial como condi&#231;&#227;o para as valvulopatias esquerdas, existem casos descritos de valvulopatias esquerdas sem a presen&#231;a dessa comunica&#231;&#227;o; 3) a hist&#243;ria natural da doen&#231;a ainda &#233; imprecisa e a doen&#231;a poderia ser subestimada. Alguns destaques "desafiantes" seriam: 1) o diagn&#243;stico precoce embasado em exame de imagem e biomarcadores mais precisos, 2) qual o momento cir&#250;rgico ideal? 3) embora haja prefer&#234;ncia pelas biopr&#243;teses, surgiriam poss&#237;veis tratamentos que invertessem o bin&#244;mio dura&#231;&#227;o da pr&#243;tese/sobrevida do paciente? 3) tem sentido associarem-se plastias a trocas valvulares?. Enfim, essas d&#250;vidas foram motivantes desse texto, ressaltando-se que o n&#250;mero crescente de publica&#231;&#245;es sobre a doen&#231;a carcinoide card&#237;aca pode lhe dar caracter&#237;stica de doen&#231;a emergente merecendo maior aten&#231;&#227;o de pesquisadores b&#225;sicos, cl&#237;nicos e cirurgi&#245;es.</p>
    <p>Uma busca com indicadores amplos (carcinoid and brazil), utilizando os bancos de dados MEDLINE, SCIELO e LILACS, revelou apenas 29 publica&#231;&#245;es brasileiras sobre os sistemas digestivo e respirat&#243;rio sem men&#231;&#227;o a comprometimento card&#237;aco. Assim, o problema n&#227;o existe no Brasil ou est&#225; sendo subestimado, vindo ao encontro da motiva&#231;&#227;o desse "Ponto de Vista".</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflito de interesses pertinentes.</p>
    <p>
      <bold>Fontes de Financiamento</bold>
    </p>
    <p>O presente estudo n&#227;o teve fontes de financiamento externas.</p>
    <p>
      <bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>N&#227;o h&#225; vincula&#231;&#227;o deste estudo a programas de p&#243;s-gradua&#231;&#227;o.</p>
    <p>
      <fn id="end" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold> Correspond&#234;ncia:</bold>
        </label>
        <p> Paulo Roberto Barbosa Evora </p>
        <p> Rua Rui Barbosa 367/15 - Centro </p>
        <p> 14015-120 - Ribeir&#227;o Preto, SP - Brasil </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p><email xlink:href="prbevora@cardiol.br">prbevora@cardiol.br</email>, </p>
        <p>
          <email xlink:href="prbevora@fmrp.usp.br">prbevora@fmrp.usp.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 21/03/11; revisado recebido em 21/03/11; aceito em 26/04/11.</p>
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        <article-title xml:lang="es">Valvulopat&#237;a carcinoide del coraz&#243;n: aun un enigma y un desaf&#237;o</article-title>
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            <bold>Valvulopat&#237;a carcinoide del coraz&#243;n. Aun un enigma y un desaf&#237;o</bold>
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      </p>
      <p>Departamento de Cirurgia e Anatomia, Faculdade de Medicina de Ribeir&#227;o Preto, Universidade de S&#227;o Paulo, Brasil</p>
      <p>Correspondencia</p>
      <p><bold>Palabras clave:</bold> Tumor carcinoide, enfermedad de las v&#225;lvulas card&#237;acas/cirug&#237;a, enfermedad de las v&#225;lvulas card&#237;acas/mortalidad.</p>
      <p>Carcinoide es un tumor raro del linaje de c&#233;lulas neuroend&#243;crinas, que ocurre en 1,2 a 2,1 por 100 mil personas por a&#241;o. Al diagn&#243;stico, 20% a 30% de los pacientes tiene enfermedad diseminada y consecuente enfermedad card&#237;aca, la cual afecta 40% de los pacientes causando gran morbilidad y mortalidad en el s&#237;ndrome carcinoide. Tumores card&#237;acos primarios carcinoides no fueron relatados y, raramente, masas tumorales metast&#225;sicas fueron encontradas en el miocardio, generalmente en conjunto con compromiso valvular. Se cree que el compromiso card&#237;aco ocurre cuando la serotonina y otras substancias activas son liberadas a partir de met&#225;stasis hep&#225;ticas o tumores carcinoides primarios de ovario, ignorando el metabolismo en el h&#237;gado. La enfermedad card&#237;aca carcinoide t&#237;picamente envuelve las v&#225;lvulas tric&#250;spide y pulmonar, causando insuficiencia card&#237;aca derecha. Envolvimiento de las v&#225;lvulas del lado izquierdo es raramente relatado (&lt;10% de los pacientes). As&#237;, la enfermedad carcinoide mitral y a&#243;rtica puede ocurrir con m&#225;s frecuencia en pacientes con comunicaci&#243;n interatrial o foramen oval patente con el desv&#237;o sangu&#237;neo de la derecha hacia la izquierda. Sin embargo, el compromiso card&#237;aco puede tambi&#233;n ocurrir en la ausencia de ese desv&#237;o por asociaci&#243;n con carcinoide broncopulmonar o con niveles elevados de serotonina circulante<sup>1-3</sup>.</p>
      <p>Sobrevida de tres a&#241;os es de 31% en comparaci&#243;n a porcentual de 68% para individuos sin evidencias ecocardiogr&#225;ficas de envolvimiento card&#237;aco<sup>3</sup>. An&#225;lisis reciente de 200 casos de enfermedad card&#237;aca carcinoide demostr&#243; aumento en la sobrevida media de 1,5 a&#241;os a 4,4 a&#241;os a lo largo de las &#250;ltimas dos d&#233;cadas<sup>4</sup>. Ese aumento de la sobrevida puede reflejar mejor resultado general y el uso m&#225;s frecuente de cirug&#237;a valvular. El pron&#243;stico mejor&#243;, tambi&#233;n, como consecuencia da citorreduci&#243;n quir&#250;rgica, terapia ablativa de met&#225;stasis hep&#225;ticas y uso de somatostatina, pero no existen evidencias s&#243;lidas de tales correlaciones. Entre tanto, muchos puntos aun precisan evidencias s&#243;lidas para el establecimiento de consensos de ese abordaje quir&#250;rgico: 1) &#191;Cual el momento de la indicaci&#243;n quir&#250;rgica? 2) &#191;Cual el riesgo quir&#250;rgico? 3) &#191;Cual la evoluci&#243;n de los pacientes operados? 4) &#191;Plastias valvulares, pr&#243;tesis biol&#243;gicas o pr&#243;tesis mec&#225;nicas? 5) &#191;Cual el papel de los inhibidores de la serotonina despu&#233;s de la cirug&#237;a?</p>
      <p>La primera cirug&#237;a de v&#225;lvula card&#237;aca para enfermedad carcinoide card&#237;aca fue realizada en 1963<sup>5</sup>. A pesar de las evidencias iniciales de paliaci&#243;n prolongada, la mortalidad fue considerada inaceptablemente elevada (20%-50%). En las series posteriores, la reducci&#243;n de la mortalidad perioperatoria a menos de 10% y la mejora sintom&#225;tica acentuada aumentaron el entusiasmo por la cirug&#237;a. En dos d&#233;cadas (1980-2000), un an&#225;lisis retrospectivo de 87 individuos con enfermedad carcinoide card&#237;aca atendidos en una sola instituci&#243;n revel&#243; que la mortalidad perioperatoria fue reducida de 25% en la d&#233;cada de 1980 a 9% en los &#250;ltimos cinco a&#241;os del estudio<sup>4</sup>. Durante el mismo per&#237;odo, el porcentual de pacientes sometidos a la cirug&#237;a aument&#243; de 18% a 64%. As&#237;, la cirug&#237;a que antes era realizada apenas en pacientes gravemente sintom&#225;ticos, es ahora propuesta para aquellos que est&#225;n apenas levemente sintom&#225;ticos, pues es evidente que la progresi&#243;n de insuficiencia card&#237;aca aumenta aun m&#225;s la mortalidad perioperatoria. El n&#250;mero de pacientes operados relatados aun es muy peque&#241;o para el establecimiento de evidencias en cuanto al momento quir&#250;rgico, incluyendo la propuesta del tratamiento quir&#250;rgico para pacientes asintom&#225;ticos con la finalidad de cambiar la historia natural de la enfermedad. Como la enfermedad es relativamente rara, es posible que los ex&#225;menes de imagen y biomarcadores vengan a tener un papel importante en ese escenario<sup>6</sup>.</p>
      <p>El riesgo quir&#250;rgico, aunque decreciente, aun es mayor que el riesgo quir&#250;rgico de las valvulopat&#237;as reum&#225;ticas y degenerativas. En esa perspectiva, ya existen evidencias en cuanto a la utilizaci&#243;n de inhibidores de la serotonina, en el caso de ocurrencia intra y perioperatoria de la crisis carcinoide, as&#237; como la seguridad de su interacci&#243;n con drogas vasoactivas. En el caso del compromiso hep&#225;tico, la incidencia de mayor sangrado puede ser un factor comprometedor con alguna evidencia del efecto ben&#233;fico de la aprotinina por la inhibici&#243;n del sistema cinina-calicre&#237;na<sup>7</sup>.</p>
      <p>La sustituci&#243;n de la v&#225;lvula card&#237;aca y/o de "reparaci&#243;n" para la enfermedad card&#237;aca carcinoide es cada vez m&#225;s aceptada, pero, mientras tanto, los resultados no siempre son favorables. En un informe previo de la Mayo Clinic, 9 de los 26 pacientes murieron en el comienzo del per&#237;odo perioperatorio y otras 9 personas, en una media de 19 meses despu&#233;s de la cirug&#237;a. Aunque la mortalidad haya sido mayor, la sobrevida tard&#237;a (8 de 26 pacientes) result&#243; en una disminuci&#243;n considerable (2 pacientes) o eliminaci&#243;n (6 pacientes) de s&#237;ntomas<sup>8</sup>. Informe posterior de la misma instituci&#243;n presenta los resultados en 11 pacientes con enfermedad card&#237;aca carcinoide que fueron sometidos a operaci&#243;n para las v&#225;lvulas izquierdas y derechas<sup>1</sup>. La v&#225;lvula tric&#250;spide fue sustituida en los 11 pacientes;la pulmonar, en 3 (valvectom&#237;a, en 7); la v&#225;lvula mitral, en 6 (plastia, en 1); y la v&#225;lvula a&#243;rtica, en 4 (plastia, en 2). Hubo dos muertes perioperatorias y cuatro muertes adicionales en un per&#237;odo medio de 41 meses. Todos, excepto un sobreviviente quir&#250;rgico, mejoran <underline>&gt;</underline> 1 la clase funcional<sup>9</sup>.</p>
      <p>La sustituci&#243;n de v&#225;lvulas lesionadas por pr&#243;tesis mec&#225;nicas fue recomendada anteriormente, en raz&#243;n del temor de la degeneraci&#243;n prematura de la biopr&#243;tesis. En los &#250;ltimos a&#241;os, el uso de pr&#243;tesis biol&#243;gicas se ha vuelto m&#225;s aceptado y, en muchos casos, de preferencia, por probable expectativa de vida menor que la duraci&#243;n de la biopr&#243;tesis. La pr&#243;tesis mec&#225;nica no tendr&#237;a riesgo de probable degeneraci&#243;n inducida por la hormona carcinoide. Entre tanto, la anticoagulaci&#243;n obligatoria representa riesgo considerable de sangrado durante embolizaci&#243;n de la arteria hep&#225;tica o procedimientos quir&#250;rgicos citoreductores realizados para alcanzar el control hormonal<sup>6</sup>. La "historia sin fin" sobre la elecci&#243;n de la pr&#243;tesis est&#225;, fuertemente, presente en el tratamiento de la valvulopat&#237;a carcinoide. Algunas consideraciones, aunque especulativas, merecen un ejercicio mental. La utilizaci&#243;n de pr&#243;tesis biol&#243;gicas ser&#237;a, aparentemente, m&#225;s l&#243;gica basada en tres puntos capitales: a) la no necesidad de anticoagulaci&#243;n en pacientes con posibilidad de hepatopat&#237;a; b) experiencia europea muestra que la degeneraci&#243;n de biopr&#243;tesis no fue significativa, sugiriendo no influencia de la enfermedad carcinoide en el proceso de degeneraci&#243;n; y c) la expectativa de vida de los pacientes, aun j&#243;venes, fue menor que la durabilidad de la biopr&#243;tesis. Ya las plastias aisladas, tambi&#233;n aparentemente, no ser&#237;an opci&#243;n l&#243;gica por mantener el tejido valvular enfermo. Existen pocos relatos de casos de reemplazo de las cuatro v&#225;lvulas card&#237;acas, siendo la mayor experiencia la relatada por la Mayo Clinic<sup>10</sup>. No hay consenso sobre la elecci&#243;n de la pr&#243;tesis, aun con la aparente l&#243;gica de la opci&#243;n por la biopr&#243;tesis, la terap&#233;utica debe ser individualizada.</p>
      <p>&#191;Porque enigma y desaf&#237;o? Algunos datos aun enigm&#225;ticos ser&#237;an: 1) el desconocido papel de la serotonina en la enfermedad de la valvulopat&#237;a; 2) contra la hip&#243;tesis de la presencia de comunicaci&#243;n interatrial como condici&#243;n para las valvulopat&#237;as izquierdas, existen casos descriptos de valvulopat&#237;as izquierdas sin la presencia de esa comunicaci&#243;n; 3) la historia natural de la enfermedad aun es imprecisa y la enfermedad podr&#237;a ser subestimada. Algunos puntos "desafiantes" ser&#237;an: 1) el diagn&#243;stico precoz basado en examen de imagen y biomarcadores m&#225;s precisos, 2) &#191;Cual el momento quir&#250;rgico ideal? 3) &#191;Aunque haya preferencia por las biopr&#243;tesis, surgir&#237;an posibles tratamientos que invirtiesen el binomio duraci&#243;n de la pr&#243;tesis/sobrevida del paciente? 3) &#191;Tiene sentido asociar plastias a reemplazos valvulares? En fin, esas dudas fueron motivadoras de este texto, destac&#225;ndose que el n&#250;mero creciente de publicaciones sobre la enfermedad carcinoide card&#237;aca puede darle caracter&#237;stica de enfermedad emergente mereciendo mayor atenci&#243;n de investigadores b&#225;sicos, cl&#237;nicos y cirujanos.</p>
      <p>Una b&#250;squeda con indicadores amplios (carcinoid and brazil), utilizando los bancos de datos MEDLINE, SCIELO y LILACS, revel&#243; apenas 29 publicaciones brasile&#241;as sobre los sistemas digestivo y respiratorio sin menci&#243;n de compromiso card&#237;aco. As&#237;, el problema no existe en el Brasil o est&#225; siendo subestimado, concordando con la motivaci&#243;n de este "Punto de Vista".</p>
      <p>
        <bold>Potencial Conflicto de Intereses</bold>
      </p>
      <p>Declaro no haber conflicto de intereses pertinentes.</p>
      <p>
        <bold>Fuentes de Financiaci&#243;n</bold>
      </p>
      <p>El presente estudio no tuve fuentes de financiaci&#243;n externas.</p>
      <p>
        <bold>Vinculaci&#243;n Acad&#233;mica</bold>
      </p>
      <p>No hay vinculaci&#243;n de este estudio a programas de postgrado.</p>
      <p>
        <bold>Referencias</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
  <sub-article article-type="translation" id="TRen" xml:lang="en">
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      <article-categories>
        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Point of View</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Carcinoid heart valve disease: still a puzzle and a challenge</article-title>
      </title-group>
    </front-stub>
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      <p>
        <bold>POINT OF VIEW</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="enda-body3">
          <label>
            <bold>Carcinoid heart valve disease. Still a puzzle and a challenge</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Paulo Roberto Barbosa Evora; Solange Bassetto; Viviane S. Augusto; Walter V. A. Vicente</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Departamento de Cirurgia e Anatomia, Faculdade de Medicina de Ribeir&#227;o Preto, Universidade de S&#227;o Paulo, Brasil</p>
      <p>Mailing address</p>
      <p><bold>Keywords:</bold> Carcinoid tumor; heart valve diseases/surgery; heart valve diseases/mortality.</p>
      <p>Carcinoid tumor is a rare tumor in neuroendocrine cell line, which occurs in 1.2 to 2.1 per 100,000 people per year. At diagnosis, 20% to 30% of patients have the disease disseminated and subsequent heart disease, which affects 40% of patients causing high morbidity and mortality in the carcinoid syndrome. Primary cardiac carcinoid tumors were not reported and, rarely, metastatic tumor masses were found in the myocardium, usually in conjunction with valvular involvement. It is believed that cardiac involvement occurs when serotonin and other active substances are released from liver metastases or primary ovarian carcinoid tumors, bypassing the metabolism in the liver. Carcinoid heart disease typically involves the tricuspid and pulmonary valves, causing right heart failure. Involvement of the left valve is rarely reported (&lt;10% of patients). Thus, the mitral and aortic carcinoid disease may occur more frequently in patients with atrial septal defect or patent foramen ovale with diversion of blood from right to left. However, cardiac involvement may also occur in the absence of this diversion due to an association with bronchopulmonary carcinoid or with high levels of circulating serotonin<sup>1-3</sup>.</p>
      <p>Three-year survival is 31% compared to the percentage of 68% for individuals without echocardiographic evidence of cardiac involvement<sup>3</sup>. Recent analysis of 200 cases of carcinoid heart disease showed an increase in median survival of 1.5 years to 4.4 years over the past two decades<sup>4</sup>. This improvement in survival may result a better overall result and more frequent use of valvular surgery. The prognosis has further improved as a consequence of cytoreduction surgery, ablative therapy of liver metastases and the use of somatostatin, but there is no robust evidence of such correlations. However, many points still need solid evidence to establish a consensus of that surgical approach: 1) What is the time of surgical indication? 2) What is the surgical risk? 3) What is the evolution of patients operated? 4) Valvular plasties, bioprosthesis or mechanical prosthesis? 5) What is the role of serotonin inhibitors after surgery?</p>
      <p>The first heart valve surgery for carcinoid heart disease was conducted in 1963<sup>5</sup>. Despite initial evidence of prolonged palliation, the mortality rate was considered unacceptably high (20%-50%). In later series, the reduction in perioperative mortality to less than 10% and marked improvement of symptoms increased the enthusiasm for the surgery. In two decades (1980-2000), a retrospective analysis of 87 patients with carcinoid heart disease treated at a single institution revealed that perioperative mortality was reduced by 25% in the 1980s to 9% in the last five years of the study<sup>4</sup>. During the same period, the percentage of patients undergoing surgery increased from 18% to 64%. Therefore, the surgery that used to be performed only in severely symptomatic patients, is now proposed for those who are only mildly symptomatic, as it is evident that the progression of heart failure increases perioperative mortality even further. The number of patients operated is still very small for the establishment of evidence as to the time of surgery, including the proposal of surgical treatment for asymptomatic patients with the aim of changing the natural history of the disease. Because the disease is relatively rare, it is possible that imaging tests and biomarkers will play an important role in this scenario<sup>6</sup>.</p>
      <p>The surgical risk, though declining, is still larger than the surgical risk of rheumatic valve diseases and degenerative diseases. From this perspective, there is already evidence on the use of serotonin inhibitors, in the case of occurrence of intraoperative and perioperative carcinoid crisis, as well as the security of interaction with vasoactive drugs. In the case of liver involvement, the incidence of major bleeding may be a factor with some incriminating evidence of the beneficial effect of aprotinin by inhibition of kallikrein-kinin system<sup>7</sup>.</p>
      <p>The replacement of heart valve and/or "compensation" for carcinoid heart disease is increasingly accepted. Nevertheless, the results are not always favorable. In a previous report from the Mayo Clinic, 9 out of 26 patients died in the early perioperative period and nine other people, within about 19 months after surgery. Although mortality was higher, the long-term survival (8 out of 26 patients) resulted in a considerable reduction (2 patients) or elimination (6 patients) of symptoms<sup>8</sup>. A later report from the same institution presents the results in 11 patients with carcinoid heart disease who underwent surgery for the left and right valves<sup>1</sup>. The tricuspid valve was replaced in all of the 11 patients; the pulmonary valve, in 3 (valvectomy, 7); the mitral valve in 6 (plasty in 1); and aortic valve in 4 (plasty in 2). There were two perioperative deaths and four additional deaths over an average period of 41 months. All but one surgical survivor improve functional class by <underline>&gt;</underline> 1<sup>9</sup>.</p>
      <p>Replacing damaged valves for mechanical prostheses was previously recommended by virtue of fear of premature degeneration of bioprosthesis. In recent years, the use of prostheses have become more accepted and in many cases, preferably, probably due to lower life expectancy than the duration of the bioprosthesis. A mechanical prosthesis would not have any risk of carcinoid hormone-induced degeneration. However, the mandatory anticoagulation represents considerable risk for bleeding during hepatic artery embolization or citoreducer surgical procedures performed to achieve hormonal control<sup>6</sup>. The "never ending story" about the choice of prosthesis is strongly present in the treatment of carcinoid valvulopathy. Some considerations, though speculative, deserve a mental exercise. The use of biological prostheses was apparently more logical based on three main points: a) no need for anticoagulation in patients with a chance of liver disease; b) European experience shows that the degeneration of bioprostheses was not significant, suggesting no influence of carcinoid disease in the process of degeneration; c) the life expectancy of patients, even the young ones, was lower than the durability of the bioprosthesis. As for the isolated plasties, also apparently, these would not be a logical choice as they would keep the valve tissue ill. There are few reports of exchanges of the four heart valves, the largest experience reported by the Mayo Clinic<sup>10</sup>. There is no consensus on the choice of the prosthesis, although the apparent logic of the choice of bioprostheses requires an individualized therapy.</p>
      <p>Why a puzzle and a challenge? Some puzzling data would be: 1) the unknown role of serotonin in valvular disease; 2) against the hypothesis of atrial septal defect as a condition for the left valve diseases, there are reported cases of left valve diseases in the absence of such septal defect; 3) the natural history of the disease is still unclear and the disease could be underestimated. Some "challenging" highlights would be: 1) early diagnosis grounded on imaging and more accurate biomarkers, 2) which is the optimal timing for surgery? 3) although there is preference for bioprostheses, there would be potential treatments that reversed the binomial prosthesis/patient survival? 3) does it make sense to associate plasties with valve exchanges? Finally, these questions have encouraged this article, pointing out that the increasing number of publications on the carcinoid heart disease can assign it the characteristic of an emerging disease deserving greater attention from basic scientists, clinicians and surgeons.</p>
      <p>Searches with broad indicators (carcinoid and Brazil), using the databases MEDLINE, SciELO and LILACS, revealed only 29 Brazilian publications on the digestive and respiratory systems without mention of heart involvement. Thus, either the problem does not exist in Brazil or it is being underestimated, a question that has encouraged this "Point of View."</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>Sources of Funding</bold>
      </p>
      <p>There were no external funding sources for this study.</p>
      <p>
        <bold>Study Association</bold>
      </p>
      <p>This study is not associated with any post-graduation program.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
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