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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2011001100015</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(11)09700215</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2011001100015</article-id>
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        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Correla&#231;&#227;o Anatomocl&#237;nica</subject>
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        <article-title>Caso 4/2011 - agranulocitose e sepse em mulher no puerp&#233;rio ap&#243;s uso de ceftriaxona</article-title>
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          <named-content content-type="city">S&#227;o Paulo</named-content>
          <named-content content-type="state">S&#227;o Paulo</named-content>
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        <institution content-type="orgname">Universidade de S&#227;o Paulo</institution>
        <institution content-type="orgdiv1">HC </institution>
        <institution content-type="orgdiv2">Instituto do Cora&#231;&#227;o</institution>
        <country country="BR">Brazil</country>
      </aff>
      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>08</month>
        <year>2011</year>
      </pub-date>
      <volume>97</volume>
      <issue>2</issue>
      <fpage>e20</fpage>
      <lpage>e28</lpage>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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        <day>04</day>
        <month>10</month>
        <year>2011</year>
      </pub-date>
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  <body>
    <p>
      <bold>CORRELA&#199;&#195;O ANATOMOCL&#205;NICA</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Caso 4/2011 - agranulocitose e sepse em mulher no puerp&#233;rio ap&#243;s uso de ceftriaxona</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Haliana Muzio Candido; Maria Rita Bortolotto; T&#226;nia Mara Varej&#227;o Strabelli; Luiz Alberto Benvenuti</bold>
    </p>
    <p>Instituto do Cora&#231;&#227;o (InCor) HC-FMUSP, S&#227;o Paulo, SP - Brasil</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="nota1">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> Agranulocitose, leucopenia, choque s&#233;ptico, infec&#231;&#245;es oportunistas.</p>
    <p>Mulher de 34 anos de idade foi internada na enfermaria obst&#233;trica na 34&#170; semana de gesta&#231;&#227;o, com queixa de dispneia progressiva at&#233; ocorrer no dec&#250;bito h&#225; dois dias e edema de membros inferiores.</p>
    <p>A hist&#243;ria obst&#233;trica da paciente inclu&#237;a um aborto espont&#226;neo quatro anos antes e um parto h&#225; dois anos. Fazia acompanhamento pr&#233;-natal em Unidade B&#225;sica de Sa&#250;de, em uso de suplementa&#231;&#227;o vitam&#237;nica. A paciente sabia ser portadora de sopro card&#237;aco. H&#225; tr&#234;s dias, recebeu ceftriaxona por via intramuscular para tratamento de pielonefrite.</p>
    <p>O exame f&#237;sico revelou paciente corada, hidratada, dispneica, peso de 56 kg, altura de 1,70 m, frequ&#234;ncia card&#237;aca de 116 batimentos por minuto, press&#227;o arterial de 110/70 mm Hg. O exame dos pulm&#245;es revelou murm&#250;rio vesicular presente bilateralmente, sem ru&#237;dos advent&#237;cios. O exame do cora&#231;&#227;o revelou bulhas r&#237;tmicas, sopro sist&#243;lico ++/6 e ruflar diast&#243;lico em &#225;rea mitral. Havia edema em membros inferiores ++/4.</p>
    <p>O exame obst&#233;trico revelou taquicardia fetal (170 bpm) e redu&#231;&#227;o do l&#237;quido amni&#243;tico (oligo&#226;mnio).</p>
    <p>Os exames sorol&#243;gicos para diagn&#243;stico de infec&#231;&#227;o por HIV, hepatites e doen&#231;a de Chagas foram negativos. O hemograma revelou leucocitose de 18.360 c&#233;lulas/mm<sup>3</sup>.</p>
    <p>O eletrocardiograma revelou ritmo sinusal, frequ&#234;ncia de 70 batimentos por minuto, eixo el&#233;trico de QRS a +120&#186;, componente final de onda P negativa em V<sub>1</sub>, entalhada e b&#237;fida em II, onda S profunda em V<sub>1</sub>, V<sub>2</sub> e V<sub>3</sub>, altera&#231;&#245;es do segmento ST e da onda T em V<sub>2</sub>,V<sub>3</sub> e V<sub>4</sub>. (<xref ref-type="fig" rid="a15fig01">Figura 1</xref>)</p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="a15fig01">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-0e20-00015-gf01.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>A radiografia de t&#243;rax demonstrou &#225;rea card&#237;aca aumentada ++/4 e sinais de congest&#227;o pulmonar em ambos os pulm&#245;es (<xref ref-type="fig" rid="a15fig02">Figura 2</xref>).</p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="a15fig02">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-0e20-00015-gf02.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>O ecocardiograma evidenciou aorta de 26 mm, &#225;trio esquerdo de 56 mm, ventr&#237;culo esquerdo de 44 mm (di&#225;stole) e 33 mm (s&#237;stole), fra&#231;&#227;o de eje&#231;&#227;o do ventr&#237;culo esquerdo a 63%. A valva mitral estava espessada com fus&#227;o comissural. O gradiente transvalvar m&#225;ximo foi avaliado em 32 mm Hg, e o gradiente m&#233;dio foi estimado em 19 mm Hg. A &#225;rea valvar foi estimada em 1,05 cm&#178;. N&#227;o havia insufici&#234;ncia mitral. As valvas a&#243;rtica e tric&#250;spide mostravam refluxo discreto. A press&#227;o sist&#243;lica de art&#233;ria pulmonar foi estimada em 93 mm Hg.</p>
    <p>O exame ultrassonogr&#225;fico do aparelho urin&#225;rio foi normal.</p>
    <p>A paciente foi medicada com propranolol 40 mg e furosemida 40 mg, ambos duas vezes ao dia, com melhora dos sintomas. Ap&#243;s 15 dias de tratamento, suspendeu-se a ceftriaxona, e iniciou-se a administra&#231;&#227;o de macrodantina em car&#225;ter profil&#225;tico.</p>
    <p>Nessa ocasi&#227;o, com idade gestacional de 37 semanas e exames obst&#233;tricos que confirmavam o oligo&#226;mnio e a restri&#231;&#227;o de crescimento intrauterino, foi indicado parto por via ces&#225;rea.</p>
    <p>Neste dia, apresentava tosse com expectora&#231;&#227;o clara, que piorava ao se deitar, com tiragem intercostal e em f&#250;rcula. Na ausculta pulmonar, havia sibilos inspirat&#243;rios difusos que melhoraram com inala&#231;&#227;o com agonista beta-2.</p>
    <p>Depois do parto, recebeu ocitocina (15 u) e &#243;xido n&#237;trico (20 ppm). Foi reintroduzida ceftriaxona 2 g/dia em fun&#231;&#227;o de traqueobronquite. Evoluiu sem intercorr&#234;ncias obst&#233;tricas. O rec&#233;m-nascido pesava 2070 g, foi considerado pequeno para a idade gestacional e evoluiu sem complica&#231;&#245;es.</p>
    <p>No quarto dia de p&#243;s-parto, a paciente apresentou dispneia intensa, tosse, odinofagia, palidez cut&#226;nea e febre. A ausculta pulmonar revelava estertores nos dois ter&#231;os inferiores de ambos os hemit&#243;rax, mais acentuados &#224; esquerda, bem como sibilos.</p>
    <p>No dia seguinte, apresentou press&#227;o arterial de 57/29 mm Hg, que n&#227;o se elevou com a administra&#231;&#227;o de solu&#231;&#227;o salina 0,9%. Foi iniciado o tratamento com noradrenalina e, na sequ&#234;ncia, dobutamina. Evoluiu com olig&#250;ria, e foi iniciada a ventila&#231;&#227;o n&#227;o invasiva (BIPAP).</p>
    <p>Apareceram les&#245;es orais compat&#237;veis com monil&#237;ase oral, e o hemograma revelou leucopenia (340 c&#233;lulas/mm<sup>3</sup>).</p>
    <p>A radiografia de t&#243;rax revelou opacidade homog&#234;nea em ter&#231;o superior de hemit&#243;rax esquerdo.</p>
    <p>Foram suspensas a ceftriaxona e a dipirona, e iniciou-se o tratamento com imipenem, ganciclovir, nistatina oral e fator humano estimulador de forma&#231;&#227;o col&#244;nia de granul&#243;citos recombinante.</p>
    <p>O exame obst&#233;trico n&#227;o revelou sangramento, a loquia&#231;&#227;o foi normal, e a ferida operat&#243;ria encontrava-se em bom estado.</p>
    <p>No dia subsequente (6&#186; dia p&#243;s-operat&#243;rio), evoluiu com piora do estado geral, febre intermitente de at&#233; 39&#186;C, frequ&#234;ncia card&#237;aca de 130 bpm e press&#227;o arterial de 100/70 mm Hg.</p>
    <p>Na evolu&#231;&#227;o, apresentou per&#237;odos de agita&#231;&#227;o, desconforto respirat&#243;rio e queda de satura&#231;&#227;o de oxig&#234;nio. Seguiu-se crise convulsiva, com rebaixamento do n&#237;vel de consci&#234;ncia. Foram necess&#225;rias a intuba&#231;&#227;o orotraqueal e a ventila&#231;&#227;o mec&#226;nica assistida para suporte ventilat&#243;rio.</p>
    <p>A avalia&#231;&#227;o por tomografia de cr&#226;nio revelou par&#234;nquima cerebral normal, cisternas e sulcos preservados, sem desvio de estruturas da linha m&#233;dia.</p>
    <p>A tomografia de t&#243;rax revelou &#225;reas de condensa&#231;&#227;o no lobo superior esquerdo, l&#237;ngula e lobo inferior esquerdo com broncograma a&#233;reo. Havia sinais sugestivos de perfus&#227;o em mosaico do par&#234;nquima pulmonar bilateral e espessamento pleural focal no &#225;pice esquerdo.</p>
    <p>O exame ultrassonogr&#225;fico do abdome revelou vias biliares sem altera&#231;&#245;es e rins de dimens&#245;es preservadas, com discreta hiperecogenicidade bilateral. O &#250;tero apresentou dimens&#245;es aumentadas, textura finamente heterog&#234;nea e pequena quantidade de conte&#250;do anecoico na cavidade endometrial. O ba&#231;o e o p&#226;ncreas n&#227;o demonstravam altera&#231;&#245;es. Havia pequena quantidade de l&#237;quido livre na cavidade abdominal, espessamento parietal e distens&#227;o de al&#231;as de jejuno.</p>
    <p>O mielograma revelou consist&#234;ncia &#243;ssea inalterada e hemodilui&#231;&#227;o discreta; a rela&#231;&#227;o granul&#243;citos /eritroblastos foi de 1,6/1,0 (normal, de 2/1 a 4/1).</p>
    <p>O exame de s&#233;rie granuloc&#237;tica revelou hipocelularidade absoluta e relativa, com escalonamento maturativo e parada em matura&#231;&#227;o em promiel&#243;citos. Havia 85% de eosin&#243;f&#237;los (normal at&#233; 5,5%) e presen&#231;a de granul&#243;citos com altera&#231;&#245;es displ&#225;sicas.</p>
    <p>O exame da s&#233;rie vermelha revelou hipercelularidade relativa e escalonamento maturativo preservado. O exame da s&#233;rie linfocit&#225;ria revelou 35% de linf&#243;citos (normal at&#233; 17%) e 2% de plasm&#243;citos, s&#233;rie monocit&#225;ria e megacarioc&#237;tica (plaquetog&#234;nese) conservados. Havia aumento do n&#250;mero de macr&#243;fagos. N&#227;o foram observados elementos estranhos &#224; medula &#243;ssea.</p>
    <p>A pesquisa de DNA de citomegalov&#237;rus e parvov&#237;rus por rea&#231;&#227;o da polimerase em cadeia foi positiva; a pesquisa de <italic>Mycobacterium tuberculosis</italic> foi negativa.</p>
    <p>A cultura (meios aer&#243;bio e anaer&#243;bio) foram negativas, bem como a cultura para fungos e microbact&#233;rias.</p>
    <p>O exame do l&#237;quor foi normal.</p>
    <p>A antibioticoterapia foi ampliada com administra&#231;&#227;o de vancomicina e claritromicina.</p>
    <p>No oitavo dia de p&#243;s-operat&#243;rio, apresentou choque com acidose metab&#243;lica, insufici&#234;ncia renal aguda e necessidade de concentra&#231;&#245;es progressivamente maiores de drogas vasoativas. Foi indicado bal&#227;o intra&#243;rtico e introduzido antif&#250;ngico (anfotericina). Contudo a paciente sofreu parada cardiorrespirat&#243;ria em assistolia refrat&#225;ria &#224;s manobras de reanima&#231;&#227;o e faleceu.</p>
    <p>
      <bold>Aspectos cl&#237;nicos</bold>
    </p>
    <p>Considerando-se o potencial de complica&#231;&#245;es em gestante portadora de doen&#231;a card&#237;aca, o ciclo grav&#237;dico-puerperal deve ser dividido em tr&#234;s momentos distintos: (1) a gesta&#231;&#227;o, que inclui os tr&#234;s trimestres iniciais; (2) o parto; e (3) o puerp&#233;rio imediato (primeiras 48h p&#243;s-parto) e tardio (at&#233; seis semanas)<sup>1,2</sup>.</p>
    <p>O presente caso situa-se no terceiro momento, puerp&#233;rio imediato, e refere-se &#224; mulher portadora de estenose mitral grave, admitida na unidade de terapia intensiva do InCor em estado de choque. Nessa situa&#231;&#227;o, &#233; obrigat&#243;rio considerar se o choque &#233; hipovol&#234;mico, obstrutivo, cardiog&#234;nico ou s&#233;ptico.</p>
    <p>O choque hipovol&#234;mico, decorrente de hemorragia, &#233; respons&#225;vel por cerca de 25% das mortes maternas (dessas, 60% ocorrem no puerp&#233;rio, sendo 45% nas primeiras 24h p&#243;s-parto). Entre as causas mais comuns, destacam-se a atonia uterina, presente em, aproximadamente, 80% dos casos, reten&#231;&#227;o de fragmentos placent&#225;rios e lacera&#231;&#227;o do canal de parto, complica&#231;&#245;es que n&#227;o ocorreram na paciente deste caso<sup>3</sup>. No puerp&#233;rio, o choque obstrutivo &#233; uma hip&#243;tese que deve ser sempre considerada, porque, durante a gesta&#231;&#227;o, ativam-se os fatores de coagula&#231;&#227;o a partir do segundo trimestre, culminando, progressivamente, no p&#243;s-parto imediato<sup>4</sup>. Acrescem-se, a esse momento, a estase venosa do plexo uterino e dos membros inferiores e as altera&#231;&#245;es vasculares no s&#237;tio de inser&#231;&#227;o placent&#225;ria, fatores que predisp&#245;em &#224; trombose. A incid&#234;ncia de tromboembolismo venoso &#233; de 5 a 50 vezes maior em mulheres gr&#225;vidas, quando comparadas &#224;s n&#227;o gr&#225;vidas<sup>2</sup>. Nas &#250;ltimas d&#233;cadas, o tromboembolismo pulmonar foi respons&#225;vel pela incid&#234;ncia de 15 a 20% das mortes maternas, sendo superado apenas pela hemorragia. Grande parte dessas mortes ocorreu por falta de diagn&#243;stico. Sintomas pr&#243;prios da gravidez e do puerp&#233;rio, tais como dispneia, dor tor&#225;cica e hipotens&#227;o, contribuem para confundir o diagn&#243;stico cl&#237;nico do tromboembolismo pulmonar. De qualquer forma, o parto ces&#225;reo, a prematuridade e a valvopatia mitral estiveram presentes neste caso, refor&#231;ando, portanto, a hip&#243;tese de tromboembolismo pulmonar como causa do &#243;bito materno<sup>5</sup>.</p>
    <p>A embolia por l&#237;quido amni&#243;tico tamb&#233;m deve ser lembrada como causa do choque obstrutivo nesse momento do ciclo grav&#237;dico-puerperal<sup>6</sup>. Com incid&#234;ncia de um para 8.000 a 80.000 partos e fisiopatologia ainda n&#227;o completamente elucidada, essa obstru&#231;&#227;o foi relatada pela primeira vez em 1926 por Meyer, chefe do laborat&#243;rio de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de S&#227;o Paulo (USP).</p>
    <p>Na maioria das vezes, os exames complementares para o diagn&#243;stico de tromboembolismo pulmonar t&#234;m baixa sensibilidade e especificidade<sup>5</sup>. A gasometria arterial, a dosagem do d&#237;mero D, o eletrocardiograma e o ecocardiograma transtor&#225;cico apresentam baixa sensibilidade no puerp&#233;rio. Estima-se que 50% do casos de tromboembolismo pulmonar t&#234;m diagn&#243;stico definido pela angiografia. No presente caso, n&#227;o houve modifica&#231;&#227;o entre os ecocardiogramas realizados na admiss&#227;o e durante a piora cl&#237;nica da paciente. Al&#233;m disso, a tomografia mostrou &#225;reas de condensa&#231;&#227;o no lobo superior esquerdo, l&#237;ngula e lobo inferior esquerdo, identificando broncograma a&#233;reo, altamente sugestivo de broncopneumonia.</p>
    <p>O choque cardiog&#234;nico, neste caso, precisa ser considerado devido &#224; descompensa&#231;&#227;o materna no puerp&#233;rio causada pela estenose mitral. Nesse momento do ciclo grav&#237;dico-puerperal, ocorre um incremento de 30 a 50% do d&#233;bito card&#237;aco, comparado ao pr&#233;-parto, &#224; custa das contra&#231;&#245;es uterinas e da autotransfus&#227;o do sangue &#250;tero-placent&#225;rio para o compartimento intravascular, m&#225;xima nas primeiras 24h p&#243;s-parto. De modo geral, as les&#245;es valvares obstrutivas, como a estenose mitral, apresentam pior evolu&#231;&#227;o cl&#237;nica quando comparadas &#224;s les&#245;es regurgitantes. Atrav&#233;s da valva esten&#243;tica, o aumento da volemia provoca, bruscamente, eleva&#231;&#227;o do fluxo, do gradiente de press&#227;o e da press&#227;o venocapilar pulmonar.</p>
    <p>A hipertens&#227;o pulmonar e a &#225;rea valvar mitral de 1,0 cm&#178;, dados obtidos pelo ecocardiograma no presente caso, s&#227;o par&#226;metros de mau progn&#243;stico em portadoras de estenose mitral pouco sintom&#225;ticas antes da gesta&#231;&#227;o. De fato, a paciente evoluiu para a classe funcional III (<italic>New York Heart Association</italic> - NYHA) na 34&#170; semana de gesta&#231;&#227;o, fase de maior incremento do d&#233;bito card&#237;aco. Contudo, apresentou melhora cl&#237;nica ao ser medicada com baixas doses de propranolol e furosemida, mantendo-se est&#225;vel at&#233; o parto. Devido a essa boa resposta ao tratamento cl&#237;nico, n&#227;o se cogitou em interven&#231;&#227;o, percut&#226;nea ou cir&#250;rgica, na valva esten&#243;tica<sup>7</sup>.</p>
    <p>O choque s&#233;ptico devido &#224; infe&#231;&#227;o puerperal &#233; a terceira causa obst&#233;trica de morte materna. A febre que acontece nas primeiras 24h depois do parto e se mant&#233;m por dois dias consecutivos, dentro de dez dias do puerp&#233;rio, &#233; geralmente causada por endometrite, cujos fatores predisponentes s&#227;o: rotura prematura de membranas, lacera&#231;&#227;o do canal de parto, trabalho de parto prolongado e infec&#231;&#227;o vaginal<sup>8</sup>. Nenhum deles esteve presente neste caso, assim como trauma cir&#250;rgico, hematoma na linha de sutura e corpo estranho (fio de sutura) no p&#243;s-operat&#243;rio da cesariana. A ultrassonografia abdominal excluiu potenciais focos de infec&#231;&#227;o: reten&#231;&#227;o dos produtos da concep&#231;&#227;o, abscesso e hematoma intracavit&#225;rio. A cultura de urina, as hemoculturas e o exame do l&#237;quor foram negativos para aer&#243;bios, anaer&#243;bios, microbact&#233;rias e fungos.</p>
    <p>A paciente evoluiu com resposta inflamat&#243;ria sist&#234;mica, definida pela presen&#231;a de dois ou mais dos seguintes crit&#233;rios: hipertermia (&gt; 38&#186;C) ou hipotermia (&lt; 36&#186;C); taquicardia (&gt; 90 bpm); taquipneia (FR &gt; 20 ipm ou PaCO<sub>2 </sub>&lt; 32 mm Hg ou sob ventila&#231;&#227;o mec&#226;nica); leucocitose (&gt; 12.000 c&#233;lulas/mm<sup>3</sup>) ou leucopenia (&lt; 4000 c&#233;lulas/mm<sup>3</sup> ou &gt; 10% de formas jovens, bastonetes). Rapidamente, desenvolveu choque sist&#234;mico<sup>7</sup>.</p>
    <p>No presente caso, a sequ&#234;ncia dos eventos cl&#237;nicos refor&#231;ou a hip&#243;tese de choque s&#233;ptico com foco infeccioso pulmonar, descartando-se os choques hemorr&#225;gico e cardiog&#234;nico (apesar de esse &#250;ltimo somar-se ao desfecho final). Chamou a aten&#231;&#227;o a leucopenia severa, com contagem de leuc&#243;citos muito baixa (340 c&#233;lulas/mm<sup>3</sup>).</p>
    <p>A agranulocitose foi confirmada pelo mielograma, que revelou contagem de neutr&#243;filos menor que 1000/mm<sup>3</sup>, e estava associada &#224; febre e &#224; infec&#231;&#227;o. A agranulocitose pode ser secund&#225;ria &#224; sepse grave, &#224;s s&#237;ndromes mielodispl&#225;sicas, ao hiperesplenismo e, em 70 a 90% dos casos, &#224; exposi&#231;&#227;o a f&#225;rmacos ou produtos qu&#237;micos. H&#225; evid&#234;ncias de que mecanismos t&#243;xicos e imunoal&#233;rgicos estejam relacionados &#224; sua patog&#234;nese.</p>
    <p>Os crit&#233;rios para o diagn&#243;stico de agranulocitose induzida por f&#225;rmacos incluem: queda brusca dos neutr&#243;filos durante o tratamento ou em sete dias de exposi&#231;&#227;o pr&#233;via ao mesmo f&#225;rmaco; recupera&#231;&#227;o completa, com mais de 1500/mm<sup>3</sup> de neutr&#243;filos, ap&#243;s um m&#234;s de suspens&#227;o do f&#225;rmaco; recorr&#234;ncia na exposi&#231;&#227;o<sup>9,10</sup>.</p>
    <p>Entre os agentes qu&#237;micos relacionados &#224; agranulocitose, destacam-se: os analg&#233;sicos, os antiinflamat&#243;rios n&#227;o esteroides, os medicamentos de a&#231;&#227;o cardiovascular (amiodarona, captopril, digoxina, nifedipina, furosemida, propanolol), os antibi&#243;ticos, as cefalosporinas e a nitrofuranto&#237;na. As condutas, nesse caso, s&#227;o: hospitaliza&#231;&#227;o, suspens&#227;o imediata de qualquer agente potencialmente nocivo, preven&#231;&#227;o de infec&#231;&#245;es secund&#225;rias, tratamento agressivo da sepse com antibioticoterapia de amplo espectro, coleta de culturas, terapia antif&#250;ngica, se a febre for persistente, e administra&#231;&#227;o de fatores de crescimento hematopo&#233;tico<sup>11,12</sup>.</p>
    <p>
      <bold>(Dra. Haliana Muzio Candido)</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Hip&#243;tese diagn&#243;stica</bold>
    </p>
    <p>A hip&#243;tese mais prov&#225;vel para o presente caso foi a agranulocitose causada pelo uso de ceftriaxona, porque sua reintrodu&#231;&#227;o no tratamento da traqueobronquite coincidiu com leucopenia, infec&#231;&#227;o pulmonar, choques s&#233;ptico e cardiog&#234;nico e fal&#234;ncia m&#250;ltipla de &#243;rg&#227;os.</p>
    <p>
      <bold>(Dra. Haliana Muzio Candido)</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Coment&#225;rio da obstetr&#237;cia</bold>
    </p>
    <p>A paciente foi internada na cl&#237;nica obst&#233;trica na 34&#170; semana de gesta&#231;&#227;o, com insufici&#234;ncia card&#237;aca congestiva, sem etiologia definida, na vig&#234;ncia de tratamento de pielonefrite. Na gesta&#231;&#227;o anterior, j&#225; havia apresentado dispneia, com suspeita de afec&#231;&#227;o cardiol&#243;gica, mas n&#227;o foi realizada uma investiga&#231;&#227;o adequada. O diagn&#243;stico de cardiopatia em fase adiantada da gravidez, principalmente em descompensa&#231;&#227;o cl&#237;nica, est&#225; relacionado a pior progn&#243;stico tanto materno quanto perinatal. Ap&#243;s o esclarecimento diagn&#243;stico e a terap&#234;utica adequada, foi obtida melhora nas condi&#231;&#245;es cl&#237;nicas maternas, mas j&#225; havia repercuss&#227;o sobre o concepto (restri&#231;&#227;o do crescimento fetal). A piora de classe funcional durante a gravidez est&#225; associada &#224; maior frequ&#234;ncia de complica&#231;&#245;es perinatais, como a restri&#231;&#227;o de crescimento, a prematuridade e o sofrimento fetal. Como as demais provas de avalia&#231;&#227;o da vitalidade fetal estavam preservadas, foi programada a realiza&#231;&#227;o do parto ap&#243;s a 37&#170; semana, evitando-se, assim, a prematuridade. Entretanto, o parto foi adiantado em alguns dias, quando foi evidenciada a presen&#231;a de oligo-hidramnia e a ces&#225;rea foi indicada por apresenta&#231;&#227;o fetal an&#244;mala (p&#233;lvica). A indica&#231;&#227;o da &#233;poca e da via de parto foram obst&#233;tricas. Foi indicada anestesia geral devido &#224; estenose mitral grave associada &#224; hipertens&#227;o pulmonar.</p>
    <p>O parto foi realizado no InCor, sem intercorr&#234;ncias no intraoperat&#243;rio. O rec&#233;m-nascido era pequeno para a idade gestacional, mas teve boa evolu&#231;&#227;o neonatal. A paciente permaneceu na unidade de terapia intensiva no puerp&#233;rio precoce, at&#233; estabiliza&#231;&#227;o circulat&#243;ria, sendo, posteriormente, transferida para a maternidade. Houve melhora da dispneia, mas persistia com tosse (com hip&#243;tese diagn&#243;stica de traqueobronquite), motivo pelo qual foi tratada com ceftriaxona. Foi programada alta hospitalar mais tardia, para t&#233;rmino da antibioticoterapia e estabiliza&#231;&#227;o da cardiopatia. No quarto dia de p&#243;s-operat&#243;rio, voltou &#224; unidade de terapia intensiva, devido &#224; deteriora&#231;&#227;o das condi&#231;&#245;es cl&#237;nicas (piora da dispneia, taquicardia, hipotens&#227;o e choque). A neutropenia foi evidenciada nesse dia.</p>
    <p>&#201; importante observar que o puerp&#233;rio &#233; a etapa em que ocorre a maior parte das mortes relacionadas &#224; cardiopatia materna, n&#227;o somente pelas profundas altera&#231;&#245;es hemodin&#226;micas nesse per&#237;odo, mas tamb&#233;m porque as demais condi&#231;&#245;es de morbidade encontradas nessa fase (hemorragias obst&#233;tricas, anemia, infec&#231;&#227;o puerperal e tromboembolismo) podem alterar o delicado balan&#231;o cardiocirculat&#243;rio das pacientes. No presente caso, n&#227;o houve hemorragia durante ou ap&#243;s o parto, e n&#227;o foi evidenciado clinicamente qualquer ind&#237;cio de infec&#231;&#227;o puerperal. A neutropenia e o quadro de sepse evolu&#237;ram rapidamente com choque, sem resposta &#224;s medidas terap&#234;uticas.</p>
    <p>
      <bold>(Dra. Maria Rita Bortolotto)</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Coment&#225;rio da infectologia</bold>
    </p>
    <p>Antes do parto, a paciente foi tratada de pielonefrite aguda com ceftriaxona durante 15 dias, sem agente etiol&#243;gico identificado, demonstrando boa resposta. Atualmente, as cefalosporinas de terceira gera&#231;&#227;o s&#227;o as drogas de escolha no tratamento emp&#237;rico dessa infec&#231;&#227;o, pois as enterobact&#233;rias, agentes etiol&#243;gicos mais frequentes<sup>13</sup>, t&#234;m apresentado resist&#234;ncia crescente a essa classe de antimicrobianos (40-60%).</p>
    <p>Na evolu&#231;&#227;o, a paciente teve indica&#231;&#227;o de parto cesariana, e foi reintroduzida a ceftriaxona. A seguir, evoluiu com infec&#231;&#227;o pulmonar e leucopenia com neutropenia progressiva. Na discuss&#227;o das causas de leucopenia, tem-se a rea&#231;&#227;o medicamentosa como uma das hip&#243;teses, sendo a ceftriaxona a droga mais prov&#225;vel por ter sido reintroduzida ap&#243;s uso prolongado e por haver uma rela&#231;&#227;o temporal com o in&#237;cio da neutropenia. A classe das cefalosporinas est&#225; entre os antimicrobianos com risco bem estabelecido de evolu&#231;&#227;o para neutropenia, apesar da baixa frequ&#234;ncia (&lt; 1%) por mecanismo de hipersensibilidade<sup>11</sup>.</p>
    <p>As infec&#231;&#245;es graves por bact&#233;rias Gram negativas e algumas infec&#231;&#245;es virais (citomegalov&#237;rus, por exemplo) tamb&#233;m podem levar &#224; leucopenia. S&#227;o causas menos prov&#225;veis no presente caso, por&#233;m, optou-se por cobertura emp&#237;rica com ganciclovir devido &#224; gravidade, apesar do risco potencial de piora da neutropenia por efeito mielossupressor desse antiviral. A cobertura antimicrobiana tamb&#233;m foi ampliada em raz&#227;o da neutropenia febril.</p>
    <p>Na necropsia, foi constatada pneumonia por fungos (<italic>Aspergillus sp</italic> e haloficomicose), agentes encontrados em hospedeiros imunodeprimidos.</p>
    <p>Este caso ilustra a gravidade dos pacientes com neutropenia febril, apesar do fator desencadeante, e o risco de eventos adversos a medicamentos, ressaltando a import&#226;ncia de exames laboratoriais peri&#243;dicos durante seu uso.</p>
    <p>
      <bold>(Dra T&#226;nia Mara Varej&#227;o Strabelli)</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Necropsia</bold>
    </p>
    <p>O cora&#231;&#227;o pesava 436 g. O ventr&#237;culo esquerdo era normal, e o direito, hipertr&#243;fico e volumoso. Havia estenose mitral de etiologia reum&#225;tica, com espessamento fibroso das c&#250;spides e fus&#227;o das comissuras, associada a espessamento fibroso, fus&#227;o e retra&#231;&#227;o das cordas tend&#237;neas (<xref ref-type="fig" rid="a15fig03">Figura 3</xref>). A valva a&#243;rtica apresentava espessamento fibroso das semilunares, sem fus&#227;o comissural. N&#227;o havia calcifica&#231;&#227;o das valvas mitral ou a&#243;rtica, e as valvas tric&#250;spide e pulmonar n&#227;o apresentavam anormalidades.</p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="a15fig03">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-0e20-00015-gf03.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>Os pulm&#245;es pesaram 1.570 g em conjunto. Apresentavam congest&#227;o passiva cr&#244;nica, com deposi&#231;&#227;o alveolar de macr&#243;fagos, contendo pigmento hemosider&#243;tico. Havia broncopneumonia necrotizante multifocal, com componente inflamat&#243;rio muito escasso, notando-se extensa &#225;rea de necrose coagulativa no lobo superior do pulm&#227;o esquerdo, acompanhada de trombose vascular (<xref ref-type="fig" rid="a15fig04">Figura 4</xref>). Em meio &#224;s &#225;reas de necrose, havia numerosas hifas f&#250;ngicas pequenas e delgadas, com morfologia sugestiva de hialohifomicose (<xref ref-type="fig" rid="a15fig05">Figura 5</xref>). Em corte histol&#243;gico de pulm&#227;o, encontrou-se infec&#231;&#227;o f&#250;ngica da parede de um br&#244;nquio e do par&#234;nquima pulmonar adjacente, sem rea&#231;&#227;o inflamat&#243;ria, com presen&#231;a de hifas f&#250;ngicas com morfologia sugestiva de <italic>Aspergillus</italic> (<xref ref-type="fig" rid="a15fig06">Figura 6</xref>). O &#250;tero estava aumentado de volume, pesava 704 g e apresentava sutura cir&#250;rgica ao n&#237;vel do colo, sem anormalidades. A cavidade uterina estava recoberta por material hemorr&#225;gico, que, ao exame histol&#243;gico, mostrou restos de endom&#233;trio decidual (&#250;tero puerperal). Os rins apresentavam cicatrizes irregulares, comprometendo as camadas cortical e medular, com distor&#231;&#227;o do sistema pielocalicial. Ao exame histol&#243;gico, havia fibrose das camadas cortical e medular, atrofia e dilata&#231;&#227;o tubular e discreto infiltrado inflamat&#243;rio mononuclear. O exame histol&#243;gico da medula &#243;ssea revelou acentuada congest&#227;o, edema, focos de hemorragia e deposi&#231;&#227;o de fibrina, al&#233;m de acentuada hipocelularidade global (25-30% do espa&#231;o medular ocupado por elementos hematopoi&#233;ticos), com retardo da matura&#231;&#227;o e presen&#231;a de micromegacari&#243;citos (<xref ref-type="fig" rid="a15fig07">Figura 7</xref>). A pesquisa imuno-histoqu&#237;mica de parvov&#237;rus e citomegalov&#237;rus na medula &#243;ssea foi negativa.</p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="a15fig04">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-0e20-00015-gf04.jpg"/></fig>
    </p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="a15fig05">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-0e20-00015-gf05.jpg"/></fig>
    </p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="a15fig06">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-0e20-00015-gf06.jpg"/></fig>
    </p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="a15fig07">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-0e20-00015-gf07.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>
      <bold>(Dr. Luiz Alberto Benvenuti)</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Diagn&#243;sticos anatomopatol&#243;gicos</bold>
    </p>
    <p>Estenose da valva mitral de etiologia reum&#225;tica; pielonefrite cr&#244;nica; hipoplasia da medula &#243;ssea, de prov&#225;vel natureza t&#243;xica; aspergilose pulmonar localizada; broncopneumonia necrotizante por fungos, com morfologia sugestiva de hialohifomicose (causa do &#243;bito).</p>
    <p>
      <bold>(Dr. Luiz Alberto Benvenuti)</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Coment&#225;rios</bold>
    </p>
    <p>Mulher de 34 anos de idade, portadora de estenose da valva mitral de etiologia reum&#225;tica, apresentou, poucos dias ap&#243;s ces&#225;rea, quadro hematol&#243;gico caracterizado por agranulocitose, com hipocelularidade e parada de matura&#231;&#227;o da s&#233;rie granuloc&#237;tica no mielograma. O exame da medula &#243;ssea, realizado na necropsia, confirmou tratar-se de hipoplasia acentuada das s&#233;ries hematopoi&#233;ticas, com hemorragia, edema e deposi&#231;&#227;o de fibrina intersticial. Tais caracter&#237;sticas histol&#243;gicas sugerem ter ocorrido rea&#231;&#227;o t&#243;xica direta ou hipersensibilidade a alguma droga terap&#234;utica utilizada. Al&#233;m dos quimioter&#225;picos antineopl&#225;sicos, diversas outras drogas podem induzir agranulocitose como efeito colateral, como antibi&#243;ticos, anti-inflamat&#243;rios, anticonvulsivantes etc. Saliente-se que a dipirona, droga amplamente utilizada, inclusive no caso em quest&#227;o, esteve entre as drogas relacionadas em dez ou mais casos de agranulocitose induzida por drogas n&#227;o quimioter&#225;picas, dentre 980 casos estudados em relato pr&#233;vio<sup>11</sup>. Inclusive, drogas de uso frequente em pacientes com mol&#233;stias cardiovasculares podem induzir agranulocitose, como diur&#233;ticos, agentes antiarr&#237;tmicos e outros<sup>12</sup>. Assim, al&#233;m da dipirona, a paciente em quest&#227;o foi medicada com diversas outras drogas que poderiam estar relacionadas &#224; agranulocitose, como antibi&#243;ticos e diur&#233;ticos. Em decorr&#234;ncia da imunodepress&#227;o secund&#225;ria &#224; agranulocitose, a paciente contraiu infec&#231;&#227;o f&#250;ngica oportunista: foi detectada infec&#231;&#227;o pulmonar inicial, localizada, por <italic>Aspergillus</italic> e broncopneumonia necrotizante por hialohifomicose, que constituiu a causa terminal do &#243;bito. O representante mais conhecido dessa &#250;ltima categoria de fungos &#233; o <italic>Fusarium sp</italic>, cuja infec&#231;&#227;o constitui a fusariose<sup>14</sup>. Entretanto, apenas a cultura pode caracterizar definitivamente a esp&#233;cie de fungo envolvida, o que n&#227;o foi realizado no caso em quest&#227;o.</p>
    <p>
      <bold>(Dr. Luiz Alberto Benvenuti)</bold>
    </p>
    <p>
      <fn id="nota1" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold>Correspond&#234;ncia:</bold>
        </label>
        <p> Vera D. Aiello </p>
        <p> InCor </p>
        <p> Av. Dr. En&#233;as de Carvalho Aguiar, 44 </p>
        <p> 05403-000 - S&#227;o Paulo, SP, Brasil </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="anpvera@incor.usp.br">anpvera@incor.usp.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p><bold>Editor da Se&#231;&#227;o:</bold> Alfredo Jos&#233; Mansur (<email xlink:href="ajmansur@incor.usp.br">ajmansur@incor.usp.br</email>) </p>
    <p><bold>Editores Associados:</bold> Desid&#233;rio Favarato (<email xlink:href="dclfavarato@incor.usp.br">dclfavarato@incor.usp.br</email>) </p>
    <p> Vera Demarchi Aiello (<email xlink:href="anpvera@incor.usp.br">anpvera@incor.usp.br</email>)</p>
  </body>
  <back>
    <ref-list>
      <ref id="B1">
        <mixed-citation>1.  Avila W S, Grinberg M. Anticoagula&#231;&#227;o, Gravidez e Cardiopatia. Uma Tr&#237;ade, tr&#234;s dom&#237;nios e cinco momentos. Arq Bras Cardiol. 2005;84(1):44-8.</mixed-citation>
        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>Anticoagula&#231;&#227;o, Gravidez e Cardiopatia: Uma Tr&#237;ade, tr&#234;s dom&#237;nios e cinco momentos</article-title>
          <source>Arq Bras Cardiol</source>
          <date>
            <year>2005</year>
          </date>
          <fpage>44</fpage>
          <lpage>8</lpage>
          <issue>1</issue>
          <volume>84</volume>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Avila W</surname>
              <given-names>S</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>Grinberg</surname>
              <given-names>M</given-names>
            </name>
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              <surname>Wendel</surname>
              <given-names>JrGD</given-names>
            </name>
          </person-group>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="B14">
        <mixed-citation>14. Nucci M, Anaissie E. Emerging fungi. Infect Dis Clin North Am. 2006;20(3):563-79.</mixed-citation>
        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>Emerging fungi</article-title>
          <source>Infect Dis Clin North Am</source>
          <date>
            <year>2006</year>
          </date>
          <fpage>563</fpage>
          <lpage>79</lpage>
          <issue>3</issue>
          <volume>20</volume>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Nucci</surname>
              <given-names>M</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>Anaissie</surname>
              <given-names>E</given-names>
            </name>
          </person-group>
        </element-citation>
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  <sub-article article-type="translation" id="TRen" xml:lang="en">
    <front-stub>
      <article-categories>
        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Anatomopathological Session</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Case 4/2011 - agranulocytosis and puerperal sepsis in women after the use of ceftriaxone</article-title>
      </title-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>ANATOMICAL-CLINICAL CORRELATION</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="nota_1-body2">
          <label>
            <bold>Agranulocytosis and puerperal sepsis in woman after the use of ceftriaxone</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Haliana Muzio Candido; Maria Rita Bortolotto; T&#226;nia Mara Varej&#227;o Strabelli; Luiz Alberto Benvenuti</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Instituto do Cora&#231;&#227;o (InCor) HC-FMUSP, S&#227;o Paulo, SP - Brasil</p>
      <p>Mailing address</p>
      <p><bold>Keywords:</bold> Agranulocytosis; leukopenia; shock, septic; opportunistic infections.</p>
      <p>A 34-year old woman was admitted at the obstetric ward in the 34<sup>th</sup> week of gestation, complaining of progressive dyspnea, until it occurred, two days ago, in supine position, and edema in lower limbs.</p>
      <p>The patient's obstetric history included one miscarriage four years ago and childbirth two years ago. The patient was under prepartum care at Basic Health Unit, using vitamin supplementation. The patient knew she had heart murmur. Three days ago, the patient received ceftriaxone intramuscularly for treatment of pyelonephritis.</p>
      <p>The physical examination revealed that the patient presented normal color, was hydrated, dyspneic, weighed 56 &#8203;&#8203;kg, was 1.70 m high, had a heart rate of 116 beats per minute, blood pressure of 110/70 mm Hg. The lung examination revealed bilateral vesicular murmur and no adventitious sounds. The heart examination revealed rhythmic sounds, systolic murmur ++/6 and diastolic rumble in the mitral area. There was edema in lower limbs ++/4.</p>
      <p>Obstetric tests revealed fetal tachycardia (170 bpm) and reduction of amniotic fluid (oligohydramnios).</p>
      <p>Serologic tests for diagnosis of HIV, hepatitis and Chagas disease infection were negative. The blood count revealed leukocytosis of 18,360 cells/mm<sup>3</sup>.</p>
      <p>The electrocardiogram revealed sinus rhythm, rate of 70 beats per minute, QRS electrical axis at+120&#186;, the final component of negative P wave in V1, and carved and divided in II, deep S wave inV<sub>1</sub>, V<sub>2 </sub>and V<sub>3</sub>, changes of ST segment and T wave in V<sub>2</sub>, V<sub>3</sub> and V<sub>4</sub>. (<xref ref-type="fig" rid="en_a15fig01-body2">Figure 1</xref>) </p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="en_a15fig01-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-0e20-00015-gf01-en.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>The chest radiography showed an enlarged cardiac area ++/ 4 and signs of pulmonary congestion in both lungs (<xref ref-type="fig" rid="en_a15fig02-body2">Figure 2</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="en_a15fig02-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-0e20-00015-gf02-en.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>The echocardiogram showed a 26 mm aorta, 56 mm left atrium, 44 mm (diastole) and 33 mm (systole) left ventricle, and left ventricular ejection fraction at 63%. The mitral valve was thickened with commissural fusion. The maximum transvalvular gradient was estimated at 32 mm Hg, and the mean gradient was estimated at 19 mm Hg. The valve area was estimated at 1.05 cm<sup>2</sup>. There was no mitral regurgitation. The aortic and tricuspid valve showed discreet regurgitation. The pulmonary artery systolic pressure was estimated at 93 mm Hg.</p>
      <p>Ultrasound test of the urinary tract was normal.</p>
      <p>The patient was treated with 40 mg propranolol and 40 mg furosemide, both twice daily, with improvement of symptoms. After 15 days of treatment, ceftriaxone was suspended, and the administration of Macrodantin has begun in prophylactic character.</p>
      <p>At that time, with 37 weeks of gestational age and obstetric tests confirming that the oligohydramnios and intrauterine growth restriction, delivery by cesarean section was indicated.</p>
      <p>On this day, the patient had cough with light-colored sputum, which got worse when lying down, with intercostal retraction and suprasternal notch. On lung auscultation, there were diffuse inspiratory wheezes, which were lessened with inhalation of beta-2 agonist.</p>
      <p>After the childbirth, the patient received oxytocin (15 u) and nitric oxide (20 ppm). Ceftriaxone 2g/day was administered again, due to tracheobronchitis. There was an uneventful obstetric evolution. The newborn weighed 2070 g, was considered small for gestational age and had uneventful progress.</p>
      <p>On the fourth day after delivery, the patient developed severe dyspnea, cough, odynophagia, skin pallor and fever. Lung auscultation revealed rales in the lower two-thirds of both hemithoraxes, more pronounced on the left side, and wheezing.</p>
      <p>On the following day, the patient presented blood pressure of 57/29 mm Hg, which did not rise with administration of 0.9% saline solution. Treatment with norepinephrine was started and, as a result, dobutamine. There was progress with oliguria and a non-invasive ventilation (BIPAP) has been performed.</p>
      <p>Oral lesions appeared compatible with oral thrush, and the blood count revealed leukopenia (340 cells/mm <sup>3</sup>).</p>
      <p>A chest radiography showed homogenous opacity in the upper third of the left hemithorax.</p>
      <p>Ceftriaxone and dipyrone were suspended, and the treatment with imipenem, ganciclovir, oral nystatin and human factor stimulating recombinant granulocyte colony formation has begun.</p>
      <p>The obstetric test revealed no bleeding, normal loquia flow and the surgical wound was in good condition.</p>
      <p>On the subsequent days (6<sup>th</sup> postoperative day), the patient underwent a worsening of the general condition, intermittent fever up to 39 &#186;C, heart rate of 130 bpm and blood pressure of 100/70 mm Hg.</p>
      <p>In evolution, the patient had periods of agitation, respiratory distress and drop in oxygen desaturation. This was followed by seizure, with lowered level of consciousness. Orotracheal intubation and assisted mechanical ventilation were necessary for respiratory support.</p>
      <p>The evaluation by cranial tomography revealed normal brain parenchyma, preserved cisterns and sulci, without deviation of the midline structures.</p>
      <p>The thorax tomography revealed areas of condensation in the left upper lobe, lingula and left lower lobe with air bronchogram. There were signs indicative of mosaic perfusion of the pulmonary parenchyma bilaterally and focal pleural thickening in the left apex.</p>
      <p>The ultrasound test of the abdomen revealed no biliary changes and preserved kidney size, with discreet bilateral hyperechogenicity. The uterus showed enlarged size, finely heterogeneous texture and small amount of anechoic content in the endometrial cavity. The spleen and pancreas showed no changes. There was small amount of free fluid in the abdominal cavity, wall thickening and distended loops of jejunum.</p>
      <p>The myelogram revealed unchanged bony consistency and mild hemodilution, and the granulocytes/erythrocytes ratio was 1.6/1.0 (normal, from 2/1 to 4/1).</p>
      <p>The granulocytic series test revealed absolute and relative hypocellularity, with staggered ripening and maturation arrest in promyelocytes. There were 85% of eosinophils (normal up to 5.5%) and presence of granulocytes with dysplastic changes.</p>
      <p>The red series test revealed relative hypercellularity and preserved staggered ripening. The lymphocytic series test revealed 35% of lymphocytes (normal up to 17%) and 2% of plasma cells, preserved monocytic and megakaryocytic series (platelet production). There were increased numbers of macrophages. There were no foreign elements to the bone marrow.</p>
      <p>The search for cytomegalovirus and parvovirus in DNA by polymerase chain reaction was positive; the search for Mycobacterium tuberculosis was negative.</p>
      <p>Culture (via aerobic and anaerobic media) was negative, as well as culture for fungi and mycobacteria.</p>
      <p>Cerebrospinal fluid test was normal.</p>
      <p>Antibiotic therapy was expanded with the administration of vancomycin and clarithromycin.</p>
      <p>On the eighth day after surgery, the patient underwent shock with metabolic acidosis, acute renal failure and need for progressively higher concentrations of vasoactive drugs. The intra-aortic balloon pump was indicated and an antifungal (amphotericin) was introduced. However, the patient underwent a cardiac arrest in refractory asystole and was subject to resuscitation maneuvers, and eventually died.</p>
      <p>
        <bold>Clinical Aspects</bold>
      </p>
      <p>Considering the potential for complications in pregnant women with heart disease, peripartum period should be divided into three distinct stages: (1) pregnancy, which includes the initial three quarters, (2) delivery, and (3) immediate postpartum period (first 48 hours postpartum) and late postpartum period (up to six weeks)<sup>1,2</sup>.</p>
      <p>This case happened in the third moment, immediate postpartum, and refers to a woman with severe mitral stenosis, admitted to the intensive care unit of InCor in shock. In this situation, considering whether the shock is hypovolemic, obstructive, cardiogenic or septic is mandatory.</p>
      <p>Hypovolemic shock arising out of hemorrhage represents around 25% of maternal deaths (60% out of these occur in the postpartum period, 45% in the first 24 hours postpartum). The most common causes include uterine atony, present in approximately 80% of cases, retained placental fragments and lacerations of the birth canal, complications which were not undergone by the patient of this case<sup>3</sup>. In postpartum, obstructive shock is a hypothesis which always be considered, as, during gestation, coagulation factors are activated as of the second quarter, culminating, progressively, in the immediate postpartum<sup>4</sup>. Besides this, in this time, there was vessel stasis of uterine plexus and lower limbs and vessel changes in placental insertion place, factors which predispose to thrombosis. The incidence of venous thromboembolism is 5 to 50 times higher in pregnant women, when compared to non-pregnant women<sup>2</sup>. Over the last decades, pulmonary thromboembolism represented 15 to 20% of maternal deaths, surpassed only by hemorrhage. Most of these deaths occurred due to lack of diagnosis. Symptoms of pregnancy and puerperium, such as dyspnoea, chest pain and hypotension contribute to confuse the clinical diagnosis of pulmonary thromboembolism. In any case, cesarean delivery, prematurity, and mitral valve disease were present in this case, therefore stressing the possibility of pulmonary thromboembolism as a cause of maternal death<sup>5</sup>.</p>
      <p>The amniotic fluid embolism must also be regarded as a cause of obstructive shock in this time of pregnancy and peripartum period<sup>6</sup>. Having an incidence from one to 8,000 at 80,000 births and pathophysiology still not completely understood, this obstruction was first reported in 1926 by Meyer, head of the Pathology Lab of the Medicine School of University of S&#227;o Paulo (USP).</p>
      <p>In most cases, complementary tests for the diagnosis of pulmonary thromboembolism have shown low sensitivity and specificity<sup>5</sup>. Arterial blood gas measurements, the dosage of D-dimer, electrocardiogram and transthoracic echocardiogram have low sensitivity in the puerperium period. It is estimated that 50% of the cases of pulmonary embolism have a definite diagnosis by angiography. In this case, there was no change between the echocardiograms on admission and during the clinical worsening of the patient. In addition to this, the tomography showed areas of condensation in the left upper lobe, lingula and left lower lobe, identifying air bronchogram, highly indicative of bronchopneumonia.</p>
      <p>The cardiogenic shock in this case must be considered due to maternal postpartum decompensation caused by mitral stenosis. In this time of the peripartum period, there is an increase from 30 to 50% in cardiac output, compared to the pre-partum period, hindering uterine contractions and autotransfusion of uteroplacental blood to the intravascular compartment, chiefly in the first 24 hours postpartum. In general, obstructive valve lesions such as mitral stenosis have a worse clinical outcome compared to regurgitant lesions. Through stenotic valve, the increased volemia causes sudden increase of flow, pressure gradient and pulmonary venocapillary pressure.</p>
      <p>Pulmonary hypertension and mitral valve area of 1.0 cm<sup>2</sup>, data obtained by echocardiography in this case, are parameters of poor prognosis in patients with lowly symptomatic mitral stenosis before pregnancy. In fact, the patient developed functional class III (New York Heart Association - NYHA) over the 34<sup>th</sup> week of gestation, stage of greater increase in cardiac output. Nonetheless, the patient had clinical improvement when treated with low doses of propranolol and furosemide, remaining stable until delivery. Due to the good response to medication, a percutaneous or surgical intervention in stenotic valve was not regarded<sup>7</sup>.</p>
      <p>Septic shock due to puerperal infection is the third largest obstetric cause of maternal death. A fever which occurs in the first 24 hours after birth and continues for two consecutive days, within ten days after delivery, is usually caused by endometritis, the predisposing factors of which are: premature rupture of membranes, birth canal laceration, prolonged labor and vaginal infection<sup>8</sup>. None of these diagnoses were made, as well as surgical trauma, hematoma on the suture line and a foreign body (suture thread) in the post-operative period of cesarean surgery. The abdominal ultrasound excluded potential sources of infection: retention of products of childbirth, intracavitary abscess and hematoma. Urine and blood cultures and CSF analysis were negative for aerobic and anaerobic bacteria, fungi and mycobacteria.</p>
      <p>The patient developed systemic inflammatory response, defined by the presence of two or more of the following criteria: hyperthermia (&gt; 38 &#186;C) or hypothermia (&lt; 36 &#186;C), tachycardia (&gt; 90 bpm), tachypnea (RR &gt; 20 ipm or PaCO<sub>2 </sub>&lt; 32 mm Hg or mechanical ventilation), leukocytosis (&gt; 12,000 cells/mm <sup>3</sup>) or leukopenia (&lt; 4000 cells/mm<sup>3</sup> or &gt; 10% of young forms, rods) Swiftly, the patient developed systemic shock<sup>7</sup>.</p>
      <p>In this case, the sequence of clinical events underscored the hypothesis of septic shock infecting the lung, rendering invalid the hypotheses of hemorrhagic and cardiogenic shock (although the latter happened in the final outcome). The severe leukopenia was an important datum, with very low white blood cell count (340 cells/mm <sup>3</sup>).</p>
      <p>Agranulocytosis was confirmed by myelogram, which revealed a neutrophil count lower than 1000/mm3, and which was associated with fever and infection. Agranulocytosis may be secondary to severe sepsis, myelodysplastic syndromes, and to hypersplenism and, in 70 to 90% of cases, exposure to drugs or chemicals. There is evidence that toxic, immunological, and allergic mechanisms are related to its pathogenesis.</p>
      <p>The criteria for the diagnosis of drug-induced agranulocytosis include: sharp drop in neutrophils during treatment or within seven days of prior exposure to the same drug; complete recovery, with more than 1500/mm<sup>3 </sup>of neutrophils after one month of suspension of the drug; recurrence during exposure<sup>9,10</sup>.</p>
      <p>The chemicals related to agranulocytosis include: analgesics, NSAIDs, medicines for cardiovascular action (amiodarone, captopril, digoxin, nifedipine, furosemide, propranolol), antibiotics, cephalosporins and nitrofurantoin. The conducts in this case are: hospitalization, immediate suspension of any potentially harmful agents, prevention of secondary infections, aggressive treatment of sepsis with broad-spectrum antibiotic therapy, culture collection, antifungal therapy, if the fever is persistent, and administration of haemopoietic growth factors<sup>11,12</sup>. <bold>(Dr. Haliana Muzio Candido)</bold></p>
      <p>
        <bold>Hypothetical diagnosis</bold>
      </p>
      <p>The most probable hypothesis for this case was agranulocytosis caused by the use of ceftriaxone, since its reintroduction in the treatment of tracheobronchitis coincided with leukopenia, pulmonary infection, septic shocks and cardiogenic shock and multiple organ failure. <bold>(Dr. Haliana Muzio Candido)</bold></p>
      <p>
        <bold>Comment of Obstetrics Department</bold>
      </p>
      <p>The patient was admitted to the obstetrics clinic at the 34<sup>th</sup> week of gestation, with congestive heart failure of unknown etiology, during treatment of pyelonephritis. In the previous pregnancy, the patient presented dyspnea with suspected cardiac disease, but a proper investigation was not performed. The diagnosis of heart disease at an advanced stage of pregnancy, mainly in clinical decompensation is related to poor prognosis in both maternal and perinatal periods. After the definite diagnosis and appropriate therapy, there was improvement in maternal clinical conditions, but the fetus had already been impacted (fetal growth restriction). The worsening of functional class during pregnancy is associated with a higher frequency of perinatal complications, such as growth restriction, prematurity and fetal distress. As the other evidence in the assessment of fetal vitality was preserved, the delivery was scheduled for after the 37<sup>th</sup> week, thus avoiding prematurity. Nonetheless, the delivery was anticipated some days when the presence of oligo-hidramnia was evident and the cesarean surgery was indicated due to abnormal fetal presentation (pelvic). The indication of the time and delivery section were obstetrical. General anesthesia was indicated due to severe mitral stenosis associated with pulmonary hypertension.</p>
      <p>The delivery was performed at InCor, without intraoperative complications. The newborn was small for gestational age, but had a good neonatal evolution. The patient remained at the intensive care unit in the early postpartum period, until the circulatory stabilization, and was subsequently transferred to a maternity hospital. There was improvement of dyspnea, but cough persisted (with hypothetical diagnosis of tracheobronchitis), which is reason why she was treated with ceftriaxone. The discharge was postponed for completion of antibiotic therapy and stabilization of heart disease. On the fourth postoperative day, the patient returned to the intensive care unit due to worsening of clinical status (worsening of dyspnoea, tachycardia, hypotension and shock). Neutropenia was observed on this day.</p>
      <p>It should be noted that the puerperium is the stage in which most maternal deaths related to heart disease occur, not only by due to deep hemodynamic changes over this period, but also because the other morbidity conditions encountered at this phase (obstetric hemorrhage, anemia, puerperal infection and pulmonary embolism) may alter the fragile cardiac and circulatory balance of patients. In this case, there was no bleeding during or after birth, and no clinical sign of puerperal infection was observed. Neutropenia and sepsis have evolved swiftly with shock, unresponsive to therapeutic measures. <bold>(Dr. Maria Rita Bortolotto)</bold></p>
      <p>
        <bold>Comment of Infection Department</bold>
      </p>
      <p>Before delivery, the patient was treated for acute pyelonephritis with ceftriaxone over 15 days, the etiological agent was identified, showing good response. Currently, third-generation cephalosporins are the drugs of choice for empirical treatment of this infection, as the enterobacteria, most common etiologic agents<sup>13</sup>, have shown increasing resistance to this class of antibiotics (40-60%).</p>
      <p>Over the evolution, the patient was referred to caesarean delivery, and ceftriaxone was reintroduced. Then, the patient progressed to pulmonary infection and leukopenia with progressive neutropenia. In the discussion of the causes of leukopenia, the drug reaction was regarded as one of the hypothesis, and ceftriaxone was the most probable drug to be reintroduced after prolonged use and owing to the fact that there was temporal relationship with the onset of neutropenia. The class of cephalosporin is one antibacterial antibiotic with well-established risk for progression to neutropenia, despite the low frequency (&lt; 1%) due to hipersensitivity<sup>11</sup>.</p>
      <p>Severe infections by Gram negative bacteria and some viral infections (cytomegalovirus, for instance) may also lead to leukopenia. They are less probable causes in this case, although the choice due to empirical coverage was ganciclovir, owing to the severity, despite the potential risk of worsening of neutropenia, upon the myelosuppressive effect of this anAt necropsy, pneumonia was confirmed by a fungus (<italic>Aspergillus sp</italic> and haloficomicose), agents found in immunocompromised hosts.</p>
      <p>This case illustrates the severity of patients with febrile neutropenia, in spite of the triggering factor and the risk of adverse drug events, underscoring the importance of periodic laboratory tests during use. <bold>(Dr. T&#226;nia Mara Varej&#227;o Strabelli)</bold></p>
      <p>
        <bold>Necropsy</bold>
      </p>
      <p>The heart weighed 436 g. The left ventricle was normal and the right ventricle was hypertrophic and large in volume. There was rheumatic mitral stenosis with fibrous thickening of the cuspid valves and fusion of the commissures, associated with fibrous thickening, fusion and retraction of the tendinous cords (<xref ref-type="fig" rid="en_a15fig03-body2">Figure 3</xref>). The aortic valve presented fibrous thickening of semilunar valves, without commissural fusion, There was no calcification of the mitral or aortic valves, and tricuspid and pulmonary valves showed no abnormalities.</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="en_a15fig03-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-0e20-00015-gf03-en.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>The lungs weighed 1570 g together. They presented chronic passive congestion, with deposition of alveolar macrophages containing hemosiderotic pigment. There was multifocal necrotizing bronchopneumonia, with very minimal inflammatory component, given the extensive area of coagulation necrosis in the upper lobe of the left lung, together with vascular thrombosis (<xref ref-type="fig" rid="en_a15fig04-body2">Figure 4</xref>). Amidst the necrotic areas, there were countless, small and thin fungal hyphae, with morphology indicative of hyalohyphomycosis (<xref ref-type="fig" rid="en_a15fig05-body2">Figure 5</xref>). The histological section of the lung found fungal infection on a bronchus wall and adjacent pulmonary parenchyma, with no inflammatory reaction, presence of fungal hyphae with morphology indicative of <italic>Aspergillus</italic> (<xref ref-type="fig" rid="en_a15fig06-body2">Figure 6</xref>). The uterus was enlarged in volume, weighed 704 g and presented surgical suture at the colon level, without abnormalities. The uterine cavity was covered with hemorrhagic material, which, on histological examination, showed traces of decidual endometrium (postpartum uterus). The kidneys had irregular scars, affecting the cortical and medullary layers, with distortion of the pielocalicial system. Histologically, there was fibrosis of the cortical and medullary layers, tubular atrophy and dilatation and mild mononuclear cell infiltration. Histological test of bone marrow showed marked congestion, edema, foci of hemorrhage and fibrin deposition, and marked global hypocellularity (25-30% of marrow space occupied by hematopoietic elements), delayed maturation and presence of micromegakaryocytes (<xref ref-type="fig" rid="en_a15fig07-body2">Figure 7</xref>). The immunohistochemistry research of parvovirus and cytomegalovirus in bone marrow was negative. <bold>(Dr. Luiz Alberto Benvenuti)</bold></p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="en_a15fig04-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-0e20-00015-gf04-en.jpg"/></fig>
      </p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="en_a15fig05-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-0e20-00015-gf05-en.jpg"/></fig>
      </p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="en_a15fig06-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-0e20-00015-gf06-en.jpg"/></fig>
      </p>
      <p content-type="asset">
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          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-0e20-00015-gf07-en.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>
        <bold>Anatomical-pathological diagnoses</bold>
      </p>
      <p>Mitral valve stenosis of rheumatic etiology, chronic pyelonephritis, bone marrow hypoplasia of probable toxic nature, localized pulmonary aspergillosis, fungal necrotizing bronchopneumonia, with morphology indicative of hyalohyphomycosis (cause of death). <bold>(Dr. Luiz Alberto Benvenuti)</bold></p>
      <p>
        <bold>Comments</bold>
      </p>
      <p>34-year old woman of age with mitral valve stenosis of rheumatic etiology, presented, a few days after cesarean surgery, hematological picture characterized by agranulocytosis with hypocellularity and maturation arrest of granulocytic series in myelogram. The bone marrow examination, performed in the necropsy, confirmed a severe hypoplasia of the hematopoietic series, with hemorrhage, edema and interstitial fibrin deposition. These histological characteristics suggested that a direct toxic reaction or hypersensitivity to a drug therapy administered has occurred. In addition to the antineoplastic drugs, several other drugs may induce agranulocytosis as a side effect, such as antibiotics, anti-inflammatories, anticonvulsants etc. It should be noted that dipyrone, a drug widely used, even in this case, was among the drugs listed in ten or more cases of agranulocytosis induced by non-chemotherapy drugs, among 980 cases studied in previous report<sup>11</sup>. Indeed, frequent use of drugs in patients with heart diseases may induce agranulocytosis, such as diuretics, antiarrhythmic drugs and others<sup>12</sup>. Hence, in addition to dipyrone, the patient in point received several other drugs which may be associated with agranulocytosis, such as antibiotics and diuretics. As a result of immunosuppression secondary to agranulocytosis, the patient contracted an opportunistic fungal infection: initial localized pulmonary infection by <italic>Aspergillus </italic>and necrotizing bronchopneumonia by hyalohyphomycosis were detected, the latter leading to death. The best known representative of this last category is the fungi is <italic>Fusarium sp</italic>, which lead to the infection named fusariosis<sup>14</sup>. However, only the culture may definitely characterize the fungal species involved, which was not performed in this case. <bold>(Dr. Luiz Alberto Benvenuti)</bold></p>
      <p>
        <bold>Reference</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
  <sub-article article-type="translation" id="TRes" xml:lang="es">
    <front-stub>
      <article-categories/>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="es">Caso 4/2011 - agranulocitosis y sepsis en mujer en el puerperio despu&#233;s de uso de ceftriaxona</article-title>
      </title-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>CORRELACI&#211;N ANATOMOCL&#205;NICA</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="nota_1-body3">
          <label>
            <bold>Caso 4/2011 - agranulocitosis y sepsis en mujer en el puerperio despu&#233;s de uso de ceftriaxona</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Haliana Muzio Candido; Maria Rita Bortolotto; T&#226;nia Mara Varej&#227;o Strabelli; Luiz Alberto Benvenuti</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Instituto do Cora&#231;&#227;o (InCor) HC-FMUSP, S&#227;o Paulo, SP - Brasil</p>
      <p>Correspondencia</p>
      <p><bold>Palabras Clave:</bold> Agranulocitosis, leucopenia, shock s&#233;ptico, infecciones oportunistas.</p>
      <p>Mujer de 34 a&#241;os de edad fue internada en la sala de obstetricia en la 34&#170; semana de gestaci&#243;n, con queja de disnea progresiva hasta ocurrir en el dec&#250;bito hace dos d&#237;as y edema de miembros inferiores.</p>
      <p>La historia obst&#233;trica de la paciente inclu&#237;a un aborto espont&#225;neo cuatro a&#241;os antes y un parto hac&#237;a dos a&#241;os. Hac&#237;a control prenatal en Unidad B&#225;sica de Salud, en uso de suplementaci&#243;n vitam&#237;nica. La paciente sab&#237;a ser portadora de soplo card&#237;aco. Hac&#237;a tres d&#237;as, hab&#237;a recibido ceftriaxona por v&#237;a intramuscular para tratamiento de pielonefritis.</p>
      <p>El examen f&#237;sico revel&#243; paciente coloreada, hidratada, disneica, peso de 56 kg, altura de 1,70 m, frecuencia card&#237;aca de 116 latidos por minuto, presi&#243;n arterial de 110/70 mm Hg. El examen de los pulmones revel&#243; murmullo vesicular presente bilateralmente, sin ruidos adventicios. El examen del coraz&#243;n revel&#243; ruidos r&#237;tmicos, soplo sist&#243;lico ++/6 y ruflar diast&#243;lico en &#225;rea mitral. Hab&#237;a edema en miembros inferiores ++/4.</p>
      <p> El examen obst&#233;trico revel&#243; taquicardia fetal (170 lpm) y reducci&#243;n del l&#237;quido amni&#243;tico (oligoamnios). </p>
      <p>Los ex&#225;menes serol&#243;gicos para diagn&#243;stico de infecci&#243;n por HIV, hepatitis y enfermedad de Chagas fueron negativos. El hemograma revel&#243; leucocitosis de 18.360 c&#233;lulas/mm<sup>3</sup>.</p>
      <p>El electrocardiograma revel&#243; ritmo sinusal, frecuencia de 70 latidos por minuto, eje el&#233;ctrico de QRS a +120&#186;, componente final de onda P negativa en V<sub>1</sub>, entallada y b&#237;fida en II, onda S profunda en V<sub>1</sub>, V<sub>2</sub> y V<sub>3</sub>, alteraciones del segmento ST y de la onda T en V<sub>2</sub>,V<sub>3</sub> y V<sub>4</sub>. (<xref ref-type="fig" rid="es_a15fig01-body3">Figura 1</xref>)</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="es_a15fig01-body3">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-0e20-00015-gf01-es.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>La radiograf&#237;a de t&#243;rax demostr&#243; &#225;rea card&#237;aca aumentada ++/4 y se&#241;ales de congesti&#243;n pulmonar en ambos pulmones (<xref ref-type="fig" rid="es_a15fig02-body3">Figura 2</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="es_a15fig02-body3">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-0e20-00015-gf02-es.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>El ecocardiograma evidenci&#243; aorta de 26 mm, atrio izquierdo de 56 mm, ventr&#237;culo izquierdo de 44 mm (di&#225;stole) y 33 mm (s&#237;stole), fracci&#243;n de eyecci&#243;n del ventr&#237;culo izquierdo a 63%. La v&#225;lvula mitral estaba espesada con fusi&#243;n comisural. El gradiente transvalvular m&#225;ximo fue evaluado en 32 mm Hg, y el gradiente medio fue estimado en 19 mm Hg. El &#225;rea valvular fue estimada en 1,05 cm<sup>2</sup>. No hab&#237;a insuficiencia mitral. Las v&#225;lvulas a&#243;rtica y tric&#250;spide mostraban reflujo discreto. La presi&#243;n sist&#243;lica de arteria pulmonar fue estimada en 93 mm Hg.</p>
      <p>El examen ultrasonogr&#225;fico del aparato urinario fue normal.</p>
      <p>La paciente fue medicada con propranolol 40 mg y furosemida 40 mg, ambos dos veces al d&#237;a, con mejora de los s&#237;ntomas. Despu&#233;s de 15 d&#237;as de tratamiento, se suspendi&#243; la ceftriaxona, y se inici&#243; la administraci&#243;n de macrodantina en car&#225;cter profil&#225;ctico.</p>
      <p>En esa ocasi&#243;n, con edad gestacional de 37 semanas y ex&#225;menes obst&#233;tricos que confirmaban el oligoamnios y la restricci&#243;n de crecimiento intrauterino, fue indicado parto por v&#237;a ces&#225;rea.</p>
      <p>En este d&#237;a, presentaba tos con expectoraci&#243;n clara, que empeoraba al acostarse, con tiraje intercostal y en f&#250;rcula. En la auscultaci&#243;n pulmonar, hab&#237;a sibilancias inspiratorias difusas que mejoraron con inhalaci&#243;n con agonista beta-2.</p>
      <p>Despu&#233;s del parto, recibi&#243; oxitocina (15 u) y &#243;xido n&#237;trico (20 ppm). Fue reintroducida ceftriaxona 2 g/d&#237;a en funci&#243;n de traqueobronquitis. Evolucion&#243; sin intercurrencias obst&#233;tricas. El reci&#233;n nacido pesaba 2070 g, fue considerado peque&#241;o para la edad gestacional y evolucion&#243; sin complicaciones.</p>
      <p>En el cuarto d&#237;a de postparto, la paciente present&#243; disnea intensa, tos, odinofagia, palidez cut&#225;nea y fiebre. La auscultaci&#243;n pulmonar revelaba estertores en los dos tercios inferiores de ambos hemit&#243;rax, m&#225;s acentuados a la izquierda, as&#237; como sibilancias.</p>
      <p>El d&#237;a siguiente, present&#243; presi&#243;n arterial de 57/29 mm Hg, que no se elev&#243; con la administraci&#243;n de soluci&#243;n salina 0,9%. Fue iniciado el tratamiento con noradrenalina y, a continuaci&#243;n, dobutamina. Evolucion&#243; con oliguria, y fue iniciada la ventilaci&#243;n no invasiva (BIPAP).</p>
      <p>Aparecieron lesiones orales compatibles con moniliasis oral, y el hemograma revel&#243; leucopenia (340 c&#233;lulas/mm<sup>3</sup>).</p>
      <p>La radiografia de t&#243;rax revel&#243; opacidad homog&#233;nea en tercio superior de hemit&#243;rax izquierdo.</p>
      <p>Fueron suspendidas la ceftriaxona y la dipirona, y se inici&#243; el tratamiento con imipenem, ganciclovir, nistatina oral y factor humano estimulador de formaci&#243;n colonia de granulocitos recombinante.</p>
      <p>El examen obst&#233;trico no revel&#243; sangrado, la loquiaci&#243;n fue normal, y la herida operatoria se encontraba en buen estado.</p>
      <p>El d&#237;a subsecuente (6&#186; d&#237;a postoperatorio), evolucion&#243; con empeoramiento del estado general, fiebre intermitente de hasta 39&#186;C, frecuencia card&#237;aca de 130 lpm y presi&#243;n arterial de 100/70 mm Hg.</p>
      <p>En la evoluci&#243;n, present&#243; per&#237;odos de agitaci&#243;n, disconfort respiratorio y ca&#237;da de saturaci&#243;n de ox&#237;geno. Sigui&#243; crisis convulsiva, con rebajamiento del nivel de conciencia. Fueron necesarias intubaci&#243;n orotraqueal y ventilaci&#243;n mec&#225;nica asistida para soporte ventilatorio.</p>
      <p>La evaluaci&#243;n por tomograf&#237;a de cr&#225;neo revel&#243; par&#233;nquima cerebral normal, cisternas y surcos preservados, sin desv&#237;o de estructuras de la l&#237;nea media.</p>
      <p>La tomograf&#237;a de t&#243;rax revel&#243; &#225;reas de condensaci&#243;n en el l&#243;bulo superior izquierdo, l&#237;ngula y l&#243;bulo inferior izquierdo con broncograma a&#233;reo. Hab&#237;a se&#241;ales sugestivos de perfusi&#243;n en mosaico del par&#233;nquima pulmonar bilateral y espesamiento pleural focal en el &#225;pice izquierdo.</p>
      <p>El examen ultrasonogr&#225;fico del abdomen revel&#243; v&#237;as biliares sin alteraciones y ri&#241;ones de dimensiones preservadas, con discreta hiperecogenicidad bilateral. El &#250;tero present&#243; dimensiones aumentadas, textura finamente heterog&#233;nea y peque&#241;a cantidad de contenido anecoico en la cavidad endometrial. El bazo y el p&#225;ncreas no demostraban alteraciones. Hab&#237;a peque&#241;a cantidad de l&#237;quido libre en la cavidad abdominal, espesamiento parietal y distensi&#243;n de alzas de yeyuno.</p>
      <p>El mielograma revel&#243; consistencia &#243;sea inalterada y hemodiluci&#243;n discreta; la relaci&#243;n granulocitos /eritroblastos fue de 1,6/1,0 (normal, de 2/1 a 4/1).</p>
      <p>El examen de serie granuloc&#237;tica revel&#243; hipocelularidad absoluta y relativa, con escalonamiento madurativo y parada en maduraci&#243;n en promielocitos. Hab&#237;a 85% de eosin&#243;filos (normal hasta 5,5%) y presencia de granulocitos con alteraciones displ&#225;sicas.</p>
      <p>El examen de la serie roja revel&#243; hipercelularidad relativa y escalonamiento madurativo preservado. El examen de la serie linfocitaria revel&#243; 35% de linfocitos (normal hasta 17%) y 2% de plasmocitos, serie monocitaria y megacarioc&#237;tica (plaquetog&#233;nesis) conservados. Hab&#237;a aumento del n&#250;mero de macr&#243;fagos. No fueron observados elementos extra&#241;os a la medula &#243;sea.</p>
      <p>La investigaci&#243;n de DNA de citomegalovirus y parvovirus por reacci&#243;n de la polimerasa en cadena fue positiva; la investigaci&#243;n de <italic>Mycobacterium tuberculosis</italic> fue negativa.</p>
      <p>El cultivo (medios aer&#243;bico y anaer&#243;bico) fue negativo, as&#237; como el cultivo para hongos y microbacterias.</p>
      <p>El examen del l&#237;cuor fue normal.</p>
      <p>La antibioticoterapia fue ampliada con administraci&#243;n de vancomicina y claritromicina.</p>
      <p>El octavo d&#237;a de postoperatorio, present&#243; shock con acidosis metab&#243;lica, insuficiencia renal aguda y necesidad de concentraciones progresivamente mayores de drogas vasoactivas. Fue indicado bal&#243;n intra&#243;rtico e introducido antif&#250;ngico (anfotericina). Con todo la paciente sufri&#243; parada cardiorrespiratoria en asistolia refractaria a las maniobras de reanimaci&#243;n y falleci&#243;.</p>
      <p>
        <bold>Aspectos cl&#237;nicos</bold>
      </p>
      <p>Considerando el potencial de complicaciones en gestante portadora de enfermedad card&#237;aca, el ciclo grav&#237;dico-puerperal debe ser dividido en tres momentos distintos: (1) la gestaci&#243;n, que incluye los tres trimestres iniciales; (2) el parto; y (3) el puerperio inmediato (primeras 48h postparto) y tard&#237;o (hasta seis semanas)<sup>1,2</sup>.</p>
      <p>El presente caso se sit&#250;a en el tercer momento, puerperio inmediato, y se refiere a la mujer portadora de estenosis mitral grave, admitida en la unidad de terapia intensiva del InCor en estado de shock. En esa situaci&#243;n, es obligatorio considerar si el shock es hipovol&#233;mico, obstructivo, cardiog&#233;nico o s&#233;ptico.</p>
      <p>El shock hipovol&#233;mico, resultante de hemorragia, es responsable por cerca de 25% de las muertes maternas (de esas, 60% ocurren en el puerperio, siendo 45% en las primeras 24h postparto). Entre las causas m&#225;s comunes, se destacan la aton&#237;a uterina, presente en, aproximadamente, 80% de los casos, retenci&#243;n de fragmentos placentarios y laceraci&#243;n del canal de parto, complicaciones que no ocurrieron en la paciente de este caso<sup>3</sup>. En el puerperio, el shock obstructivo es una hip&#243;tesis que debe ser siempre considerada, porque, durante la gestaci&#243;n, se activan los factores de coagulaci&#243;n a partir del segundo trimestre, culminando, progresivamente, en el postparto inmediato<sup>4</sup>. Se agregan, a ese momento, la estasis venosa del plexo uterino y de los miembros inferiores y las alteraciones vasculares en el sitio de inserci&#243;n placentaria, factores que predisponen a la trombosis. La incidencia de tromboembolismo venoso es de 5 a 50 veces mayor en mujeres gr&#225;vidas, cuando es comparadas a las no gr&#225;vidas<sup>2</sup>. En las &#250;ltimas d&#233;cadas, el tromboembolismo pulmonar fue responsable por la incidencia de 15 a 20% de las muertes maternas, siendo superado apenas por la hemorragia. Gran parte de esas muertes ocurri&#243; por falta de diagn&#243;stico. S&#237;ntomas propios de la gravidez y del puerperio, tales como disnea, dolor tor&#225;cico e hipotensi&#243;n, contribuyen a confundir el diagn&#243;stico cl&#237;nico del tromboembolismo pulmonar. De cualquier forma, el parto ces&#225;reo, la prematuridad y la valvulopat&#237;a mitral estuvieron presentes en este caso, reforzando, por lo tanto, la hip&#243;tesis de tromboembolismo pulmonar como causa del &#243;bito materno<sup>5</sup>.</p>
      <p>La embolia por l&#237;quido amni&#243;tico tambi&#233;n debe ser recordada como causa del shock obstructivo en ese momento del ciclo grav&#237;dico-puerperal<sup>6</sup>. Con incidencia de uno para 8.000 a 80.000 partos y fisiopatolog&#237;a aun no completamente elucidada, esa obstrucci&#243;n fue relatada por primera vez en 1926 por Meyer, jefe del laboratorio de Patolog&#237;a de la Facultad de Medicina de la Universidad de S&#227;o Paulo (USP).</p>
      <p>La mayor&#237;a de las veces, los ex&#225;menes complementarios para el diagn&#243;stico de tromboembolismo pulmonar tienen baja sensibilidad y especificidad<sup>5</sup>. La gasometr&#237;a arterial, el dosaje del d&#237;mero D, el electrocardiograma y el ecocardiograma transtor&#225;cico presentan baja sensibilidad en el puerperio. Se estima que 50% del casos de tromboembolismo pulmonar tienen diagn&#243;stico definido por la angiograf&#237;a. En el presente caso, no hubo modificaci&#243;n entre los ecocardiogramas realizados en la admisi&#243;n y durante el empeoramiento cl&#237;nico de la paciente. Adem&#225;s de eso, la tomografia mostr&#243; &#225;reas de condensaci&#243;n en el l&#243;bulo superior izquierdo, l&#237;ngula y l&#243;bulo inferior izquierdo, identificando broncograma a&#233;reo, altamente sugestivo de bronconeumonia.</p>
      <p>El shock cardiog&#233;nico, en este caso, precisa ser considerado debido a la descompensaci&#243;n materna en el puerperio causada por la estenosis mitral. En ese momento del ciclo grav&#237;dico-puerperal, ocurre un incremento de 30 a 50% del d&#233;bito card&#237;aco, comparado al preparto, a causa de las contracciones uterinas y de la autotransfusi&#243;n de la sangre &#250;tero placentaria al compartimiento intravascular, m&#225;xima en las primeras 24hs. postparto. De modo general, las lesiones valvulares obstructivas, como la estenosis mitral, presentan peor evoluci&#243;n cl&#237;nica cuando son comparadas a las lesiones regurgitantes. A trav&#233;s de la v&#225;lvula esten&#243;tica, el aumento de la volemia provoca, bruscamente, elevaci&#243;n del flujo, del gradiente de presi&#243;n y de la presi&#243;n venocapilar pulmonar.</p>
      <p>La hipertensi&#243;n pulmonar y el &#225;rea valvular mitral de 1,0 cm<sup>2</sup>, datos obtenidos por el ecocardiograma en el presente caso, son par&#225;metros de mal pron&#243;stico en portadoras de estenosis mitral poco sintom&#225;ticas antes de la gestaci&#243;n. De hecho, la paciente evolucion&#243; para clase funcional III (<italic>New York Heart Association</italic> - NYHA) en la 34&#170; semana de gestaci&#243;n, fase de mayor incremento del d&#233;bito card&#237;aco. Con todo, present&#243; mejora cl&#237;nica al ser medicada con bajas dosis de propranolol y furosemida, manteni&#233;ndose estable hasta el parto. Debido a esa buena respuesta al tratamiento cl&#237;nico, no se consider&#243; la intervenci&#243;n, percut&#225;nea o quir&#250;rgica, en la v&#225;lvula esten&#243;tica<sup>7</sup>.</p>
      <p>El shock s&#233;ptico debido a la infecci&#243;n puerperal es la tercera causa obst&#233;trica de muerte materna. La fiebre que sucede en las primeras 24h despu&#233;s del parto y se mantiene por dos d&#237;as consecutivos, dentro de diez d&#237;as del puerperio, es generalmente causada por endometritis, cuyos factores predisponentes son: ruptura prematura de membranas, laceraci&#243;n del canal de parto, trabajo de parto prolongado e infecci&#243;n vaginal<sup>8</sup>. Ninguno de ellos estuvo presente en este caso, as&#237; como trauma quir&#250;rgico, hematoma en la l&#237;nea de sutura y cuerpo extra&#241;o (hilo de sutura) en el postoperatorio de la ces&#225;rea. La ultrasonograf&#237;a abdominal excluy&#243; potenciales focos de infecci&#243;n: retenci&#243;n de los productos de la concepci&#243;n, absceso y hematoma intracavitario. El cultivo de orina, los hemocultivos y el examen del l&#237;quor fueron negativos para aer&#243;bicos, anaer&#243;bicos, microbacterias y hongos.</p>
      <p>La paciente evolucion&#243; con respuesta inflamatoria sist&#233;mica, definida por la presencia de dos o m&#225;s de los siguientes criterios: hipertermia (&gt; 38&#186;C) o hipotermia (&lt; 36&#186;C); taquicardia (&gt; 90 lpm); taquipnea (FR &gt; 20 ipm o PaCO<sub>2 </sub>&lt; 32 mm Hg o sob ventilaci&#243;n mec&#225;nica); leucocitosis (&gt; 12.000 c&#233;lulas/mm<sup>3</sup>) o leucopenia (&lt; 4000 c&#233;lulas/mm<sup>3</sup> o &gt; 10% de formas j&#243;venes, bastonetes). R&#225;pidamente, desarroll&#243; shock sist&#233;mico<sup>7</sup>.</p>
      <p>En el presente caso, la secuencia de los eventos cl&#237;nicos reforz&#243; la hip&#243;tesis de shock s&#233;ptico con foco infeccioso pulmonar, descart&#225;ndose los schoks hemorr&#225;gico y cardiog&#233;nico (a pesar de que este &#250;ltimo se sum&#243; al desenlace final). Llam&#243; la atenci&#243;n la leucopenia severa, con recuento de leucocitos muy bajo (340 c&#233;lulas/mm<sup>3</sup>).</p>
      <p>La agranulocitosis fue confirmada por el mielograma, que revel&#243; recuento de neutr&#243;filos menor que 1000/mm<sup>3</sup>, y estaba asociada a la fiebre y a la infecci&#243;n. La agranulocitosis puede ser secundaria a la sepsis grave, a los s&#237;ndromes mielodispl&#225;sicos, al hiperesplenismo y, en 70 a 90% de los casos, a la exposici&#243;n a f&#225;rmacos o productos qu&#237;micos. Hay evidencias de que mecanismos t&#243;xicos y inmunoal&#233;rgicos est&#233;n relacionados a su patog&#233;nesis.</p>
      <p>Los criterios para el diagn&#243;stico de agranulocitosis inducida por f&#225;rmacos incluyen: ca&#237;da brusca de los neutr&#243;filos durante el tratamiento o en siete d&#237;as de exposici&#243;n previa al mismo f&#225;rmaco; recuperaci&#243;n completa, con m&#225;s de 1500/mm<sup>3</sup> de neutr&#243;filos, despu&#233;s de un mes de suspensi&#243;n del f&#225;rmaco; recurrencia en la exposici&#243;n<sup>9,10</sup>.</p>
      <p>Entre los agentes qu&#237;micos relacionados a la agranulocitosis, se destacan: los analg&#233;sicos, los antiinflamatorios no esteroides, los medicamentos de acci&#243;n cardiovascular (amiodarona, captopril, digoxina, nifedipina, furosemida, propanolol), los antibi&#243;ticos, las cefalosporinas y la nitrofuranto&#237;na. Las conductas, en ese caso, sno: hospitalizaci&#243;n, suspensi&#243;n inmediata de cualquier agente potencialmente nocivo, prevenci&#243;n de infecciones secundarias, tratamiento agresivo de la sepsis con antibioticoterapia de amplio espectro, colecta de cultivos, terapia antif&#250;ngica, si la fiebre es persistente, y administraci&#243;n de factores de crecimiento hematopoy&#233;tico<sup>11,12</sup>. </p>
      <p>
        <bold>(Dra. Haliana Muzio Candido)</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Hip&#243;tesis diagn&#243;stica</bold>
      </p>
      <p>La hip&#243;tesis m&#225;s probable para el presente caso fue la agranulocitosis causada pelo uso de ceftriaxona, porque su reintroducci&#243;n en el tratamiento de la traqueobronquitis coincidi&#243; con leucopenia, infecci&#243;n pulmonar, shocks s&#233;ptico y cardiog&#233;nico e insuficiencia m&#250;ltiple de &#243;rganos.</p>
      <p>
        <bold>(Dra. Haliana Muzio Candido)</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Comentario de la obstetr&#237;cia</bold>
      </p>
      <p>La paciente fue internada en la cl&#237;nica obst&#233;trica en la 34&#170; semana de gestaci&#243;n, con insuficiencia card&#237;aca congestiva, sin etiolog&#237;a definida, en vigencia de tratamiento de pielonefritis. En la gestaci&#243;n anterior, ya hab&#237;a presentado disnea, con sospecha de afecci&#243;n cardiol&#243;gica, pero no fue realizada una investigaci&#243;n adecuada. El diagn&#243;stico de cardiopat&#237;a en fase avanzada de la gravidez, principalmente en descompensaci&#243;n cl&#237;nica, est&#225; relacionado a peor pron&#243;stico tanto materno como perinatal. Despu&#233;s de la aclaraci&#243;n diagn&#243;stica y la terap&#233;utica adecuada, fue obtenida mejora en las condiciones cl&#237;nicas maternas, pero ya hab&#237;a repercusi&#243;n sobre el concepto (restricci&#243;n del crecimiento fetal). El empeoramiento de clase funcional durante la gravidez est&#225; asociado a mayor frecuencia de complicaciones perinatales, como la restricci&#243;n de crecimiento, la prematuridad y el sufrimiento fetal. Como las dem&#225;s pruebas de evaluaci&#243;n de la vitalidad fetal estaban preservadas, fue programada la realizaci&#243;n del parto despu&#233;s de la 37&#170; semana, evit&#225;ndose, as&#237;, la prematuridad. Entre tanto, el parto fue adelantado algunos d&#237;as, cuando fue evidenciada la presencia de oligohidramnia y la ces&#225;rea fue indicada por presentaci&#243;n fetal an&#243;mala (p&#233;lvica). La indicaci&#243;n de la &#233;poca y de la v&#237;a de parto fueron obst&#233;tricas. Fue indicada anestesia general debido a estenosis mitral grave asociada a hipertensi&#243;n pulmonar.</p>
      <p>El parto fue realizado en el InCor, sin intercurrencias en el intraoperatorio. El reci&#233;n nacido era peque&#241;o para la edad gestacional, pero tuvo buena evoluci&#243;n neonatal. La paciente permaneci&#243; en la unidad de terapia intensiva en el puerperio precoz, hasta estabilizaci&#243;n circulatoria, siendo, posteriormente, transferida a la maternidad. Hubo mejora de la disnea, pero persist&#237;a con tos (con hip&#243;tesis diagn&#243;stica de traqueobronquitis), motivo por el cual fue tratada con ceftriaxona. Fue programada alta hospitalaria m&#225;s tard&#237;a, para t&#233;rmino de la antibioticoterapia y estabilizaci&#243;n de la cardiopat&#237;a. El cuarto d&#237;a de postoperatorio, volvi&#243; a la unidad de terapia intensiva, debido al deterioro de las condiciones cl&#237;nicas (empeoramiento de la disnea, taquicardia, hipotensi&#243;n y shock). La neutropenia fue evidenciada en ese d&#237;a.</p>
      <p>Es importante observar que el puerperio es la etapa en que ocurre la mayor parte de las muertes relacionadas a la cardiopat&#237;a materna, no solamente por las profundas alteraciones hemodin&#225;micas en ese per&#237;odo, sino tambi&#233;n porque las dem&#225;s condiciones de morbilidad encontradas en esa fase (hemorragias obst&#233;tricas, anemia, infecci&#243;n puerperal y tromboembolismo) pueden alterar el delicado balance cardiocirculatorio de las pacientes. En el presente caso, no hubo hemorragia durante o despu&#233;s del parto, y no fue evidenciado cl&#237;nicamente ning&#250;n indicio de infecci&#243;n puerperal. La neutropenia y el cuadro de sepsis evolucionaron r&#225;pidamente con shock, sin respuesta a las medidas terap&#233;uticas.</p>
      <p>
        <bold>(Dra. Maria Rita Bortolotto)</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Comentario de la infectolog&#237;a</bold>
      </p>
      <p>Antes del parto, la paciente fue tratada de pielonefritis aguda con ceftriaxona durante 15 d&#237;as, sin agente etiol&#243;gico identificado, demostrando buena respuesta. Actualmente, las cefalosporinas de tercera generaci&#243;n son las drogas de elecci&#243;n en el tratamiento emp&#237;rico de esa infecci&#243;n, pues las enterobacterias, agentes etiol&#243;gicos m&#225;s frecuentes<sup>13</sup>, han presentado resistencia creciente a esa clase de antimicrobianos (40-60%).</p>
      <p>En la evoluci&#243;n, la paciente tuvo indicaci&#243;n de parto por ces&#225;rea, y fue reintroducida la ceftriaxona. A seguir, evolucion&#243; con infecci&#243;n pulmonar y leucopenia con neutropenia progresiva. En la discusi&#243;n de las causas de leucopenia, se tiene la reacci&#243;n medicamentosa como una de las hip&#243;tesis, siendo la ceftriaxona la droga m&#225;s probable por haber sido reintroducida despu&#233;s de uso prolongado y por haber una relaci&#243;n temporal con el inicio de la neutropenia. La clase de las cefalosporinas est&#225; entre los antimicrobianos con riesgo bien establecido de evoluci&#243;n para neutropenia, a pesar de la baja frecuencia (&lt; 1%) por mecanismo de hipersensibilidad<sup>11</sup>.</p>
      <p>Las infecciones graves por bacterias Gram negativas y algunas infecciones virales (citomegalovirus, por ejemplo) tambi&#233;n pueden llevar a la leucopenia. Son causas menos probables en el presente caso, sin embargo, se opt&#243; por cobertura emp&#237;rica con ganciclovir debido a la gravedad, a pesar del riesgo potencial de empeoramiento de la neutropenia por efecto mielosupresor de ese antiviral. La cobertura antimicrobiana tambi&#233;n fue ampliada en raz&#243;n de la neutropenia febril.</p>
      <p>En la necropsia, fue constatada neumon&#237;a por hongos (<italic>Aspergillus sp</italic> y haloficomicosis), agentes encontrados en hu&#233;spedes inmunodeprimidos.</p>
      <p>Este caso ilustra la gravedad de los pacientes con neutropenia febril, a pesar del factor desencadenante, y el riesgo de eventos adversos a medicamentos, resaltando la importancia de ex&#225;menes de laboratorio peri&#243;dicos durante su uso.</p>
      <p>
        <bold>(Dra T&#226;nia Mara Varej&#227;o Strabelli)</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Necropsia</bold>
      </p>
      <p>El coraz&#243;n pesaba 436 g. El ventr&#237;culo izquierdo era normal, y el derecho, hipertr&#243;fico y voluminoso. Hab&#237;a estenosis mitral de etiolog&#237;a reum&#225;tica, con espesamiento fibroso de las c&#250;spides y fusi&#243;n de las comisuras, asociada a espesamiento fibroso, fusi&#243;n y retracci&#243;n de las cuerdas tendinosas (<xref ref-type="fig" rid="es_a15fig03-body3">Figura 3</xref>). La v&#225;lvula a&#243;rtica presentaba espesamiento fibroso de las semilunares, sin fusi&#243;n comisural. No hab&#237;a calcificaci&#243;n de las v&#225;lvulas mitral o a&#243;rtica, y las v&#225;lvulas tric&#250;spide y pulmonar no presentaban anormalidades.</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="es_a15fig03-body3">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-0e20-00015-gf03-es.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>Los pulmones pesaron 1.570 g en conjunto. Presentaban congesti&#243;n pasiva cr&#243;nica, con dep&#243;sito alveolar de macr&#243;fagos, conteniendo pigmento hemosider&#243;tico. Hab&#237;a bronconeumon&#237;a necrotizante multifocal, con componente inflamatorio muy escaso, not&#225;ndose extensa &#225;rea de necrosis coagulativa en el l&#243;bulo superior del pulm&#243;n izquierdo, acompa&#241;ada de trombosis vascular (<xref ref-type="fig" rid="es_a15fig04-body3">Figura 4</xref>). En medio a las &#225;reas de necrosis, hab&#237;a numerosas hifas f&#250;ngicas peque&#241;as y delgadas, con morfolog&#237;a sugestiva de hialohifomicosis (<xref ref-type="fig" rid="es_a15fig05-body3">Figura 5</xref>). En corte histol&#243;gico de pulm&#243;n, se encontr&#243; infecci&#243;n f&#250;ngica de la pared de un bronquio y del par&#233;nquima pulmonar adyacente, sin reacci&#243;n inflamatoria, con presencia de hifas f&#250;ngicas con morfolog&#237;a sugestiva de <italic>Aspergillus</italic> (<xref ref-type="fig" rid="es_a15fig06-body3">Figura 6</xref>). El &#250;tero estaba aumentado de volumen, pesaba 704 g y presentaba sutura quir&#250;rgica al nivel del cuello, sin anormalidades. La cavidad uterina estaba recubierta por material hemorr&#225;gico, que, al examen histol&#243;gico, mostr&#243; restos de endometrio decidual (&#250;tero puerperal). Los ri&#241;ones presentaban cicatrices irregulares, comprometiendo las capas cortical y medular, con distorsi&#243;n del sistema pielocalicial. Al examen histol&#243;gico, hab&#237;a fibrosis de las capas cortical y medular, atrofia y dilataci&#243;n tubular y discreto infiltrado inflamatorio mononuclear. El examen histol&#243;gico de la medula &#243;sea revel&#243; acentuada congesti&#243;n, edema, focos de hemorragia y deposici&#243;n de fibrina, adem&#225;s de acentuada hipocelularidad global (25-30% del espacio medular ocupado por elementos hematopoy&#233;ticos), con retardo de la maduraci&#243;n y presencia de micromegacariocitos (<xref ref-type="fig" rid="es_a15fig07-body3">Figura 7</xref>). La investigaci&#243;n inmuno-histoqu&#237;mica de parvovirus y citomegalovirus en la medula &#243;sea fue negativa.</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="es_a15fig04-body3">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-0e20-00015-gf04-es.jpg"/></fig>
      </p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="es_a15fig05-body3">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-0e20-00015-gf05-es.jpg"/></fig>
      </p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="es_a15fig06-body3">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-0e20-00015-gf06-es.jpg"/></fig>
      </p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="es_a15fig07-body3">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-0e20-00015-gf07-es.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>
        <bold>(Dr. Luiz Alberto Benvenuti)</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Diagn&#243;sticos anatomopatol&#243;gicos</bold>
      </p>
      <p>Estenosis de la v&#225;lvula mitral de etiolog&#237;a reum&#225;tica; pielonefritis cr&#243;nica; hipoplasia de la medula &#243;sea, de probable naturaleza t&#243;xica; aspergilosis pulmonar localizada; bronconeumon&#237;a necrotizante por hongos, con morfolog&#237;a sugestiva de hialohifomicosis (causa del &#243;bito). </p>
      <p>
        <bold>(Dr. Luiz Alberto Benvenuti)</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Comentarios</bold>
      </p>
      <p>Mujer de 34 a&#241;os de edad, portadora de estenosis de la v&#225;lvula mitral de etiolog&#237;a reum&#225;tica, present&#243;, pocos d&#237;as despu&#233;s de ces&#225;rea, cuadro hematol&#243;gico caracterizado por agranulocitosis, con hipocelularidad y parada de maduraci&#243;n de la serie granuloc&#237;tica en el mielograma. El examen de la medula &#243;sea, realizado en la necropsia, confirm&#243; tratarse de hipoplasia acentuada de las series hematopoy&#233;ticas, con hemorragia, edema y dep&#243;sito de fibrina intersticial. Tales caracter&#237;sticas histol&#243;gicas sugieren haber ocurrido reacci&#243;n t&#243;xica directa o hipersensibilidad a alguna droga terap&#233;utica utilizada. Adem&#225;s de los quimioter&#225;picos antineopl&#225;sicos, diversas otras drogas pueden inducir agranulocitosis como efecto colateral, como antibi&#243;ticos, antiinflamatorios, anticonvulsivantes etc. Es de destacar que la dipirona, droga ampliamente utilizada, inclusive en el caso en cuesti&#243;n, estuvo entre las drogas relacionadas en diez o m&#225;s casos de agranulocitosis inducida por drogas no quimioter&#225;picas, entre 980 casos estudiados en relato previo<sup>11</sup>. Inclusive, drogas de uso frecuente en pacientes con molestias cardiovasculares pueden inducir agranulocitosis, como diur&#233;ticos, agentes antiarr&#237;tmicos y otros<sup>12</sup>. As&#237;, adem&#225;s de la dipirona, la paciente en cuesti&#243;n fue medicada con diversas otras drogas que podr&#237;an estar relacionadas a la agranulocitosis, como antibi&#243;ticos y diur&#233;ticos. Como resultado de la inmunodepresi&#243;n secundaria a la agranulocitosis, la paciente contrajo infecci&#243;n f&#250;ngica oportunista: fue detectada infecci&#243;n pulmonar inicial, localizada, por <italic>Aspergillus</italic> y bronconeumon&#237;a necrotizante por hialohifomicosis, que constituy&#243; la causa terminal del &#243;bito. El representante m&#225;s conocido de esa &#250;ltima categor&#237;a de hongos es el <italic>Fusarium sp</italic>, cuja infecci&#243;n constituye la fusariosis<sup>14</sup>. Entre tanto, apenas el cultivo puede caracterizar definitivamente la especie de hongo envuelta, lo que no fue realizado en el caso en cuesti&#243;n.</p>
      <p>
        <bold>(Dr. Luiz Alberto Benvenuti)</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Referencias</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
