<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">hYGZpfmzBcpkmfntfvSmjGx</article-id>
      <article-id pub-id-type="other">00020</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2011001100020</article-id>
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      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2011005000017</article-id>
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        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Atualiza&#231;&#227;o Cl&#237;nica</subject>
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        <article-title>Avan&#231;os recentes do impacto da apneia obstrutiva do sono na hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica</article-title>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>08</month>
        <year>2011</year>
      </pub-date>
      <volume>97</volume>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      </permissions>
      <abstract>
        <p>A apneia obstrutiva do sono (AOS) &#233; uma condi&#231;&#227;o cl&#237;nica comum na popula&#231;&#227;o em geral, principalmente entre os pacientes portadores de doen&#231;as cardiovasculares. Mais do que um fen&#244;meno local de obstru&#231;&#227;o das vias a&#233;reas superiores, a AOS traz repercuss&#245;es sist&#234;micas que podem incluir a hip&#243;xia intermitente, a redu&#231;&#227;o abrupta da press&#227;o intrator&#225;cica e a ocorr&#234;ncia de microdespertares com fragmenta&#231;&#227;o do sono. Nas &#250;ltimas d&#233;cadas, in&#250;meras evid&#234;ncias apontam de forma consistente a AOS como um importante fator envolvido na ocorr&#234;ncia de doen&#231;as cardiovasculares. Particularmente, a rela&#231;&#227;o entre a AOS e a hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica (HAS) &#233; a que encontra um maior conjunto de evid&#234;ncias. Atualmente, encontram-se dados que consideram a AOS uma importante causa secund&#225;ria de HAS. Mais do que isso, a AOS est&#225; independentemente associada a um pior controle press&#243;rico, altera&#231;&#227;o do descenso noturno da press&#227;o arterial e &#224; presen&#231;a de les&#245;es de &#243;rg&#227;os-alvo, tais como a hipertrofia do ventr&#237;culo esquerdo e a microalbumin&#250;ria. Estudos randomizados sugerem que o tratamento da AOS, especialmente com a press&#227;o positiva cont&#237;nua de vias a&#233;reas superiores (CPAP), considerado o tratamento padr&#227;o para a AOS, promove redu&#231;&#227;o significante da press&#227;o arterial nas 24 horas, efeito esse mais significante no subgrupo de pacientes com HAS n&#227;o controlada e nos pacientes com HAS resistente. A despeito de todas essas evid&#234;ncias, a AOS ainda continua sendo subdiagnosticada. O objetivo desta revis&#227;o &#233; discutir os recentes avan&#231;os nos mecanismos fisiopatol&#243;gicos, na apresenta&#231;&#227;o cl&#237;nica e no tratamento da AOS, e o benef&#237;cio sobre a press&#227;o arterial.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Apneia do sono tipo obstrutiva</kwd>
        <kwd>hipertens&#227;o</kwd>
        <kwd>doen&#231;as cardiovasculares</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>25</day>
        <month>02</month>
        <year>2011</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
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  <body>
    <p>
      <bold>Avan&#231;os recentes do impacto da apneia obstrutiva do sono na hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Rodrigo P. Pedrosa<sup>I</sup>; Eduardo M. Krieger<sup>II</sup>; Geraldo Lorenzi-Filho<sup>III</sup>; Luciano F. Drager<sup>II</sup></bold>
    </p>
    <p><sup>I</sup>Laborat&#243;rio do Sono e Cora&#231;&#227;o, Pronto Socorro Cardiol&#243;gico de Pernambuco (PROCAPE), Universidade de Pernambuco - UPE, Recife, PE </p>
    <p><sup>II</sup>Unidade de Hipertens&#227;o - Instituto do Cora&#231;&#227;o (InCor) do Hospital das Cl&#237;nicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S&#227;o Paulo </p>
    <p><sup>III</sup>Laborat&#243;rio do Sono da Disciplina de Pneumologia do Instituto do Cora&#231;&#227;o (InCor) do Hospital das Cl&#237;nicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S&#227;o Paulo, S&#227;o Paulo, SP - Brasil</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p>A apneia obstrutiva do sono (AOS) &#233; uma condi&#231;&#227;o cl&#237;nica comum na popula&#231;&#227;o em geral, principalmente entre os pacientes portadores de doen&#231;as cardiovasculares. Mais do que um fen&#244;meno local de obstru&#231;&#227;o das vias a&#233;reas superiores, a AOS traz repercuss&#245;es sist&#234;micas que podem incluir a hip&#243;xia intermitente, a redu&#231;&#227;o abrupta da press&#227;o intrator&#225;cica e a ocorr&#234;ncia de microdespertares com fragmenta&#231;&#227;o do sono. Nas &#250;ltimas d&#233;cadas, in&#250;meras evid&#234;ncias apontam de forma consistente a AOS como um importante fator envolvido na ocorr&#234;ncia de doen&#231;as cardiovasculares. Particularmente, a rela&#231;&#227;o entre a AOS e a hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica (HAS) &#233; a que encontra um maior conjunto de evid&#234;ncias. Atualmente, encontram-se dados que consideram a AOS uma importante causa secund&#225;ria de HAS. Mais do que isso, a AOS est&#225; independentemente associada a um pior controle press&#243;rico, altera&#231;&#227;o do descenso noturno da press&#227;o arterial e &#224; presen&#231;a de les&#245;es de &#243;rg&#227;os-alvo, tais como a hipertrofia do ventr&#237;culo esquerdo e a microalbumin&#250;ria. Estudos randomizados sugerem que o tratamento da AOS, especialmente com a press&#227;o positiva cont&#237;nua de vias a&#233;reas superiores (CPAP), considerado o tratamento padr&#227;o para a AOS, promove redu&#231;&#227;o significante da press&#227;o arterial nas 24 horas, efeito esse mais significante no subgrupo de pacientes com HAS n&#227;o controlada e nos pacientes com HAS resistente. A despeito de todas essas evid&#234;ncias, a AOS ainda continua sendo subdiagnosticada. O objetivo desta revis&#227;o &#233; discutir os recentes avan&#231;os nos mecanismos fisiopatol&#243;gicos, na apresenta&#231;&#227;o cl&#237;nica e no tratamento da AOS, e o benef&#237;cio sobre a press&#227;o arterial.</p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> Apneia do sono tipo obstrutiva/terapia, hipertens&#227;o; doen&#231;as cardiovasculares.</p>
    <p>
      <bold>Introdu&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>A apneia obstrutiva do sono (AOS) &#233; um importante dist&#250;rbio respirat&#243;rio do sono caracterizado pela obstru&#231;&#227;o recorrente das vias a&#233;reas superiores, levando a repetidas pausas respirat&#243;rias completas (denominadas apneias) ou parciais (denominadas hipopneias). As pausas respirat&#243;rias s&#227;o associadas &#224; hip&#243;xia intermitente, redu&#231;&#227;o da press&#227;o intrator&#225;cica durante os esfor&#231;os respirat&#243;rios e despertares frequentes com consequente fragmenta&#231;&#227;o do sono<sup>1</sup>. O crescente interesse por essa condi&#231;&#227;o cl&#237;nica aumentou de forma consider&#225;vel nas &#250;ltimas tr&#234;s d&#233;cadas, n&#227;o somente pela epidemia de obesidade verificada em diferentes popula&#231;&#245;es (que, em paralelo, conduz a um aumento na ocorr&#234;ncia da AOS), mas tamb&#233;m pelas consistentes evid&#234;ncias de que a AOS est&#225; estritamente relacionada &#224; ocorr&#234;ncia de in&#250;meras doen&#231;as cardiovasculares. Entre elas, a rela&#231;&#227;o entre a AOS e hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica (HAS) &#233; a que tem mais respaldo na literatura. Em 2002, publicamos a primeira revis&#227;o sobre AOS e HAS nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia<sup>2</sup>. Desde ent&#227;o, um conjunto enorme de evid&#234;ncias refor&#231;ou a import&#226;ncia da AOS na fisiopatologia, apresenta&#231;&#227;o cl&#237;nica e evolutiva do paciente hipertenso. Como consequ&#234;ncia, um ano ap&#243;s esta primeira revis&#227;o, o <italic>VII Joint National Comittee on Prevention, Detection, Evaluation and Treatment of High Blood Pressure<sup>3</sup></italic> incluiu a AOS como uma nova causa de HAS secund&#225;ria. Esse mesmo procedimento foi adotado pela <italic>V Diretriz Brasileira de Hipertens&#227;o</italic>, publicada mais recentemente<sup>4</sup>. Na presente revis&#227;o, discutiremos os recentes avan&#231;os das evid&#234;ncias epidemiol&#243;gicas, os mecanismos fisiopatol&#243;gicos, a apresenta&#231;&#227;o cl&#237;nica (o que inclui as caracter&#237;sticas que ajudam na suspeita cl&#237;nica da AOS em pacientes hipertensos) e o tratamento da AOS com enfoque no benef&#237;cio sobre a press&#227;o arterial. Finalmente, delinearemos algumas perspectivas futuras de investiga&#231;&#227;o que podem contribuir para aumentar nossa compreens&#227;o do impacto da AOS na HAS.</p>
    <p>
      <bold>Epidemiologia</bold>
    </p>
    <p>Estudos epidemiol&#243;gicos realizados nos Estados Unidos mostram que a AOS acomete um em cada quatro homens e uma em cada dez mulheres na popula&#231;&#227;o geral<sup>5</sup>. Uma recente publica&#231;&#227;o brasileira avaliou a preval&#234;ncia da AOS em 1.042 participantes representativos da popula&#231;&#227;o de S&#227;o Paulo. Os autores encontraram dados alarmantes: 32,8% apresentaram o diagn&#243;stico compat&#237;vel com AOS, sugerindo que o dist&#250;rbio &#233; bem mais comum do que se pensava<sup>6</sup>. Mais do que ser uma condi&#231;&#227;o cl&#237;nica comum, a AOS pode apresentar repercuss&#245;es s&#233;rias &#224; qualidade de vida dos pacientes, devido &#224; possibilidade de promover sonol&#234;ncia diurna excessiva, mau desempenho nas atividades di&#225;rias, irritabilidade, labilidade do humor etc<sup>7</sup>. Mais recentemente, a AOS tem sido tamb&#233;m implicada de forma independente para o aumento da mortalidade geral e cardiovascular<sup>8-11</sup>.</p>
    <p>Particularmente nos pacientes com HAS, a preval&#234;ncia da AOS &#233; ainda maior do que a verificada na popula&#231;&#227;o geral. Nos hipertensos, a preval&#234;ncia varia entre 38 e 56%<sup>12,13</sup> e pode chegar a 82% em indiv&#237;duos com HAS refrat&#225;ria<sup>14</sup>. Em um desses estudos, Gon&#231;alves e cols.<sup>15</sup> encontraram uma preval&#234;ncia de AOS de 71% <italic>versus</italic> 38% em indiv&#237;duos com e sem HAS refrat&#225;ria, respectivamente. Esse artigo n&#227;o afirma que a AOS causa, obrigatoriamente, a HAS nessa magnitude, mas que a presen&#231;a dela &#233; comum entre os indiv&#237;duos hipertensos. Conforme discutiremos adiante, a AOS, al&#233;m de ser um dist&#250;rbio comum, participa ativamente na modula&#231;&#227;o da press&#227;o arterial e na evolu&#231;&#227;o dos pacientes hipertensos.</p>
    <p>O estudo epidemiol&#243;gico que explorou a rela&#231;&#227;o entre a AOS e a HAS e foi mais citado na literatura &#233; a coorte de Wisconsin, que avaliou 709 indiv&#237;duos normotensos com estudo polissonogr&#225;fico<sup>16</sup>. Ap&#243;s seguimento de quatro anos, houve um aumento na ocorr&#234;ncia da HAS em indiv&#237;duos que tinham AOS. Al&#233;m disso, os autores observaram uma rela&#231;&#227;o dose-resposta entre a gravidade da AOS [medida pelo &#237;ndice de apneia e hipopneia (IAH) - ver adiante] e o risco de aparecimento da HAS. Pacientes com AOS moderada e grave (IAH <underline>&gt;</underline> 15 eventos/hora de sono pela polissonografia) apresentam um aumento de cerca de tr&#234;s vezes no risco de desenvolvimento de HAS durante o seguimento de quatro anos em rela&#231;&#227;o aos indiv&#237;duos que n&#227;o tiveram eventos durante o sono. Outras coortes que se seguiram mostraram resultados semelhantes aos descritos<sup>17,18</sup>.</p>
    <p>Na popula&#231;&#227;o geral, os fatores de risco para a AOS incluem a idade entre 40 e 70 anos, o sexo masculino, obesidade, presen&#231;a de sonol&#234;ncia excessiva, roncos, anormalidades estruturais de vias a&#233;reas superiores, abuso no uso do &#225;lcool e hist&#243;ria familiar de AOS<sup>19</sup>. No entanto, esses mesmos fatores podem n&#227;o ser verdadeiros em popula&#231;&#245;es espec&#237;ficas, tais como em popula&#231;&#245;es com doen&#231;as cardiovasculares. De fato, evid&#234;ncias recentes sugerem que o sexo masculino, a sonol&#234;ncia diurna excessiva e o ronco n&#227;o parecem ser bons preditores da presen&#231;a da AOS na popula&#231;&#227;o de pacientes hipertensos<sup>13,20</sup>. Por outro lado, a presen&#231;a da s&#237;ndrome metab&#243;lica mostrou-se um excelente preditor da presen&#231;a da AOS em pacientes hipertensos<sup>13</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Fisiopatologia</bold>
    </p>
    <p>Embora n&#227;o sejam totalmente conhecidos os mecanismos pelos quais a AOS promova o aumento da press&#227;o arterial, diversos trabalhos apontam o poss&#237;vel envolvimento de fatores como a ativa&#231;&#227;o neuro-humoral, as altera&#231;&#245;es do quimiorreflexo, a diminui&#231;&#227;o da sensibilidade dos barorreceptores, a disfun&#231;&#227;o endotelial, a altera&#231;&#227;o no metabolismo do sal e &#225;gua, entre outros<sup>21</sup> (<xref ref-type="fig" rid="f01">Figura 1</xref>).</p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="f01">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-00017-gf01.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>A ativa&#231;&#227;o neuro-humoral na AOS compreende o aumento da atividade simp&#225;tica durante o sono e tamb&#233;m na vig&#237;lia, bem como aumento nos n&#237;veis de angiotensina II e aldosterona. Esse &#233; provavelmente o principal mecanismo envolvido na g&#234;nese da HAS em portadores de AOS. O tratamento da AOS utilizando-se um dispositivo de press&#227;o positiva cont&#237;nua em vias a&#233;reas (do ingl&#234;s, "CPAP") durante a noite produz redu&#231;&#227;o significativa da atividade simp&#225;tica determinada por dosagem plasm&#225;tica e urin&#225;ria de norepinefrina, bem como atividade do nervo fibular<sup>22</sup>, o que permite confirmar a import&#226;ncia desse mecanismo fisiopatol&#243;gico. Da mesma forma, alguns trabalhos sugerem que o tratamento da AOS tamb&#233;m contribui para a redu&#231;&#227;o dos n&#237;veis de renina e angiotensina II<sup>23</sup>.</p>
    <p>Os mecanismos envolvidos no aumento do t&#244;nus simp&#225;tico na AOS est&#227;o aparentemente ligados &#224; ativa&#231;&#227;o do quimiorreflexo, que &#233; o mecanismo dominante na regula&#231;&#227;o da resposta ventilat&#243;ria e circulat&#243;ria &#224;s mudan&#231;as do conte&#250;do arterial de oxig&#234;nio (O<sub>2</sub>) e g&#225;s carb&#244;nico (CO<sub>2</sub>)<sup>24</sup>. A ativa&#231;&#227;o quimiorreflexa leva ao aumento da atividade simp&#225;tica, frequ&#234;ncia card&#237;aca, press&#227;o arterial e volume minuto<sup>25</sup>. O corpo carot&#237;deo, que &#233; o primeiro quimiorreceptor a detectar altera&#231;&#245;es na press&#227;o parcial arterial de O<sub>2</sub>, medeia o aumento reflexo da atividade simp&#225;tica e da press&#227;o arterial durante a hip&#243;xia cr&#244;nica intermitente. H&#225; evid&#234;ncias que demonstram que a hip&#243;xia cr&#244;nica intermitente exerce dois efeitos no corpo carot&#237;deo<sup>26</sup>: 1) sensibiliza&#231;&#227;o da resposta &#224; hip&#243;xia (pela gera&#231;&#227;o de esp&#233;cies reativas de oxig&#234;nio) e 2) indu&#231;&#227;o da chamada facilita&#231;&#227;o a longo prazo (<italic>long term facilitation</italic>), que &#233; o mecanismo de manuten&#231;&#227;o da hiperativa&#231;&#227;o simp&#225;tica ap&#243;s longos per&#237;odos que sucedem o fim da hip&#243;xia, podendo contribuir para explicar a eleva&#231;&#227;o da press&#227;o arterial durante o dia.</p>
    <p>Os barorreceptores arteriais s&#227;o termina&#231;&#245;es nervosas sensoriais sens&#237;veis ao estiramento e est&#227;o localizados em regi&#245;es estrat&#233;gicas como o seio carot&#237;deo e o arco a&#243;rtico<sup>27</sup>. O barorreflexo arterial &#233; o mecanismo prim&#225;rio de resposta compensat&#243;ria &#224;s altera&#231;&#245;es agudas e cont&#237;nuas flutua&#231;&#245;es da press&#227;o arterial que ocorrem em diversas situa&#231;&#245;es. A diminui&#231;&#227;o do controle barorreflexo da frequ&#234;ncia card&#237;aca &#233; descrita na AOS<sup>28</sup>. No entanto, n&#227;o est&#225; claro se a diminui&#231;&#227;o do controle barorreflexo na AOS representa uma adapta&#231;&#227;o neural ou se &#233; secund&#225;ria &#224; diminui&#231;&#227;o da complac&#234;ncia arterial carot&#237;dea e a&#243;rtica<sup>29</sup> que, como sabemos, promove a adapta&#231;&#227;o dos barorreceptores arteriais na hipertens&#227;o arterial<sup>30,31</sup>. Essa disfun&#231;&#227;o do barorreflexo parece ser respons&#225;vel pelo descontrole da press&#227;o arterial durante as apneias, enquanto a disfun&#231;&#227;o do quimiorreflexo seria respons&#225;vel pelas altera&#231;&#245;es da press&#227;o arterial nas 24 horas<sup>26</sup>.</p>
    <p>A disfun&#231;&#227;o endotelial tem sido consistentemente relatada em pacientes com AOS, mas essa rela&#231;&#227;o n&#227;o depende de outros fatores de confus&#227;o como a obesidade<sup>32-34</sup>. Tal como &#233; sugerido na g&#234;nese da HAS essencial, acredita-se que a disfun&#231;&#227;o endotelial tamb&#233;m participe na g&#234;nese da HAS induzida pela AOS. Entre os mecanismos propostos, est&#227;o a redu&#231;&#227;o da biodisponibilidade do &#243;xido n&#237;trico, aumento da apoptose endotelial e diminui&#231;&#227;o da capacidade de regenera&#231;&#227;o celular induzida pela hip&#243;xia, caracterizada pela diminui&#231;&#227;o da produ&#231;&#227;o de c&#233;lulas progenitoras endoteliais<sup>35</sup>. Mesmo com o suporte de uma rela&#231;&#227;o de causalidade, diversos estudos mostram que o tratamento com o CPAP reduz a disfun&#231;&#227;o endotelial em paralelo com um aumento na capacidade de regenera&#231;&#227;o do endot&#233;lio<sup>34,35</sup>.</p>
    <p>Outro fator relacionado &#224; disfun&#231;&#227;o endotelial e ao aumento da vasomotricidade na AOS &#233; o aumento da endotelina. A endotelina est&#225; aumentada na AOS<sup>36</sup>, correlaciona-se positivamente &#224; gravidade da AOS<sup>37</sup> e teve sua concentra&#231;&#227;o reduzida com o tratamento da AOS<sup>38</sup>. A despeito dessas evid&#234;ncias, o papel relativo da endotelina na g&#234;nese da HAS induzida pela AOS n&#227;o est&#225; ainda definido, visto que n&#227;o existe consenso da literatura<sup>39</sup>.</p>
    <p>A ativa&#231;&#227;o do sistema renina-angiotensina-aldosterona por vias independentes da produ&#231;&#227;o de renina &#233; encontrada na AOS, demonstrada por meio de n&#237;veis aumentados de angiotensina II e aldosterona comparados em indiv&#237;duos de mesmo &#237;ndice de massa corp&#243;rea<sup>23</sup>. Esses pacientes podem apresentar baixa atividade plasm&#225;tica de renina e rela&#231;&#227;o aldosterona/renina elevada, o que pode conduzir a falso diagn&#243;stico de hiperaldosteronismo prim&#225;rio<sup>40</sup>. A eleva&#231;&#227;o da aldosterona tem import&#226;ncia terap&#234;utica, pois sugere um efeito aditivo dos inibidores da aldosterona no controle press&#243;rico desses pacientes associado ao tratamento da AOS<sup>41</sup>. Por outro lado, indiv&#237;duos com AOS e n&#237;veis aumentados de aldosterona podem apresentar maior reten&#231;&#227;o de l&#237;quido. Essa reten&#231;&#227;o pode contribuir para maior edema de tecidos das vias a&#233;reas e gerar mais apneias obstrutivas<sup>42</sup>, o que permite a cria&#231;&#227;o de um ciclo perpetuador da HAS. No entanto, o papel do sistema renina-angiotensina-aldosterona na AOS tamb&#233;m n&#227;o est&#225; completamente definido, uma vez que n&#227;o existe ainda consenso na literatura da participa&#231;&#227;o desse eixo na g&#234;nese da hipertens&#227;o relacionada &#224; AOS<sup>43</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Apresenta&#231;&#227;o cl&#237;nica</bold>
    </p>
    <p>A despeito das evid&#234;ncias cient&#237;ficas, a AOS &#233; ainda subdiagnosticada na popula&#231;&#227;o geral, o que tamb&#233;m &#233; verdade para os pacientes hipertensos. As causas para esse tipo de problema s&#227;o m&#250;ltiplas: falta de conhecimento do m&#233;dico que atende o paciente hipertenso, dificuldade de acesso ao diagn&#243;stico e ao tratamento da AOS e a aus&#234;ncia de sintomas como a sonol&#234;ncia diurna em porcentagem significante dos pacientes hipertensos (ver aspectos epidemiol&#243;gicos)<sup>13</sup>.</p>
    <p>Para a suspeita diagn&#243;stica da AOS no paciente hipertenso, devemos buscar ativamente por sinais/sintomas e n&#227;o esperar que o paciente aborde o problema, porque &#233; comum o paciente n&#227;o se queixar para o cl&#237;nico/cardiologista sobre a qualidade do sono. Conforme descrito anteriormente, a presen&#231;a da s&#237;ndrome metab&#243;lica &#233; uma boa dica para a presen&#231;a da AOS no paciente hipertenso<sup>13</sup>. Outros preditores s&#227;o a idade entre 40 e 70 anos e o alto risco para AOS pelo question&#225;rio de Berlin<sup>13,44</sup>.</p>
    <p>O exame de escolha para o diagn&#243;stico da AOS &#233; a polissonografia noturna, que apresenta sensibilidade e especificidade pr&#243;ximas de 95%<sup>1</sup>. A polissonografia consiste na monitoriza&#231;&#227;o simult&#226;nea do eletroencefalograma, eletro-oculograma, eletromiograma, satura&#231;&#227;o de oxig&#234;nio, fluxo de ar, movimentos tor&#225;cicos e abdominais e frequ&#234;ncia card&#237;aca. Dessa forma, a polissonografia noturna permite n&#227;o somente a avalia&#231;&#227;o da arquitetura e a efici&#234;ncia do sono, mas tamb&#233;m o diagn&#243;stico e a diferencia&#231;&#227;o dos dist&#250;rbios do sono. Na AOS, observamos que, durante os eventos respirat&#243;rios, h&#225; movimenta&#231;&#227;o tor&#225;cica e abdominal ativa traduzidas em tentativas f&#250;teis de libera&#231;&#227;o da via a&#233;rea em decorr&#234;ncia da obstru&#231;&#227;o. Os eventos respirat&#243;rios s&#227;o seguidos por dessatura&#231;&#245;es de oxig&#234;nio e frequentemente terminam com o surgimento de microdespertares, momento em que ocorre a desobstru&#231;&#227;o da via a&#233;rea. A AOS &#233; classificada em leve, moderada e grave de acordo com a soma dos eventos respirat&#243;rios (apneia e hipopneias) por hora de sono. Considera-se um valor normal quando a soma dos eventos for &lt; 5 eventos por hora de sono. Definimos AOS leve, moderada e grave quando o &#237;ndice de apneia e hipopneia for entre 5 e 14,9; 15 e 29,9 e <underline>&gt;</underline> 30 eventos por hora de sono, respectivamente.</p>
    <p>
      <bold>Padr&#227;o de comportamento da press&#227;o arterial</bold>
    </p>
    <p>Tipicamente, pacientes com AOS podem apresentar HAS diast&#243;lica isolada como primeira manifesta&#231;&#227;o de HAS<sup>45,46</sup>. As causas para isto ainda n&#227;o s&#227;o totalmente conhecidas, mas especula-se que seja em parte explicado pelo aumento da resist&#234;ncia vascular perif&#233;rica devido &#224; hiperatividade simp&#225;tica comumente observada nesses pacientes. Um estudo mostrou uma associa&#231;&#227;o significante entre a AOS e a ocorr&#234;ncia de HAS sist&#243;lica e diast&#243;lica combinada somente em pacientes &lt; 60 anos de idade, mas nenhuma associa&#231;&#227;o entre HAS arterial sist&#243;lica isolada e a AOS em faixa et&#225;ria alguma<sup>47</sup>.</p>
    <p>Uma das caracter&#237;sticas marcantes da AOS &#233; a ocorr&#234;ncia de altera&#231;&#227;o do descenso noturno pela monitoriza&#231;&#227;o ambulatorial da press&#227;o arterial (MAPA). De fato, a altera&#231;&#227;o no descenso noturno da press&#227;o arterial &#233; um dos achados que mais levam cl&#237;nicos e cardiologistas a pensar na possibilidade de AOS, embora esse achado n&#227;o seja patognom&#244;nico da AOS. Atribui-se que a altera&#231;&#227;o da press&#227;o arterial seja decorrente da ativa&#231;&#227;o simp&#225;tica pelos eventos respirat&#243;rios e pelos despertares frequentes que ocorrem durante o sono nesses pacientes. Essa altera&#231;&#227;o parece ser mais comum em pacientes da ra&#231;a negra e nos portadores de HAS<sup>48</sup>. No entanto, a altera&#231;&#227;o no descenso noturno tamb&#233;m &#233; frequente nos pacientes normotensos com AOS, o que sugere a poss&#237;vel contribui&#231;&#227;o desse fator para a explica&#231;&#227;o do aumento do risco cardiovascular na AOS, mesmo na aus&#234;ncia de outras condi&#231;&#245;es associadas<sup>49</sup>.</p>
    <p>Outro achado que parece ser comum em pacientes com AOS e que pode tamb&#233;m contribuir para o aumento do risco cardiovascular &#233; a ocorr&#234;ncia da HAS mascarada<sup>50</sup>. Evid&#234;ncia recente sugere que indiv&#237;duos com AOS e HAS mascarada apresentaram uma rigidez arterial maior do que indiv&#237;duos com AOS isoladamente e controles<sup>50</sup>. No entanto, a rigidez arterial nos pacientes com AOS sem HAS mascarada foi tamb&#233;m maior do que no grupo controle, e, portanto, isso pode sugerir que o dano vascular promovido pela AOS n&#227;o &#233; somente mediado pelas varia&#231;&#245;es e aumento sustentado da press&#227;o arterial<sup>50</sup>.</p>
    <p>
      <bold>AOS e les&#245;es de &#243;rg&#227;os-alvo</bold>
    </p>
    <p>Evid&#234;ncias recentes prop&#245;em que a presen&#231;a da AOS est&#225; associada &#224; maior ocorr&#234;ncia de les&#245;es de &#243;rg&#227;os-alvo independentemente de outros fatores de confus&#227;o, tais como a HAS e a obesidade<sup>51,52</sup>. No entanto, a presen&#231;a da AOS e HAS no mesmo individuo parece ter um efeito aditivo na ocorr&#234;ncia de les&#227;o vascular e remodelamento card&#237;aco do que cada fator individualmente<sup>52,53</sup> (<xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>). Embora n&#227;o estejam claros os mecanismos de remodelamento card&#237;aco na AOS, acredita-se que o aumento da rigidez arterial de grandes art&#233;rias contribua para aumentar a p&#243;s-carga do ventr&#237;culo esquerdo<sup>52</sup>. Al&#233;m disso, a press&#227;o intrator&#225;cica negativa durante as apneias pode contribuir para aumentar a press&#227;o transmural do ventr&#237;culo esquerdo. Outros achados diretamente relacionados ao remodelamento vascular e aumento da p&#243;s-carga do ventr&#237;culo esquerdo dizem respeito ao aumento atrial esquerdo<sup>54</sup> e da aorta ascendente<sup>55</sup>. Esses dados sugerem que a AOS pode piorar a evolu&#231;&#227;o do paciente hipertenso e predispor a ocorr&#234;ncia de complica&#231;&#245;es como a insufici&#234;ncia card&#237;aca. No entanto, mais evid&#234;ncias s&#227;o necess&#225;rias para conclus&#245;es definitivas nesse sentido.</p>
    <fig id="f2">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-00017-gf02.jpg"/></fig>
    <p>
      <bold>Tratamento</bold>
    </p>
    <p>At&#233; o momento, cerca de 30 estudos n&#227;o controlados e 22 estudos controlados demonstram uma redu&#231;&#227;o m&#233;dia da press&#227;o arterial de cerca de 2,5 mmHg por meio do tratamento com CPAP. No entanto, poucos ensaios cl&#237;nicos randomizados avaliaram uma popula&#231;&#227;o com predom&#237;nio de pacientes hipertensos descontrolados. Um desses estudos envolveu o tratamento com o CPAP ou "Sham" CPAP (isto &#233;, CPAP com press&#245;es m&#237;nimas sem efeito terap&#234;utico) por dois meses de dura&#231;&#227;o em pacientes com sonol&#234;ncia diurna e AOS. Os autores encontraram uma redu&#231;&#227;o de 10 mmHg na press&#227;o arterial sist&#243;lica e diast&#243;lica de 24 horas no grupo CPAP<sup>56</sup>. J&#225; em outro estudo mais curto e com um n&#250;mero menor de participantes, em que os pacientes sem sonol&#234;ncia diurna fizeram um <italic>cross-over</italic> para o uso do CPAP, n&#227;o houve redu&#231;&#227;o da press&#227;o arterial com o uso do CPAP<sup>57</sup>. Dessa forma, a presen&#231;a da sonol&#234;ncia diurna parece ser um preditor de resposta press&#243;rica ao tratamento com o CPAP, embora os mecanismos sejam desconhecidos. O maior estudo at&#233; o presente momento que avaliou o impacto do CPAP na redu&#231;&#227;o da press&#227;o arterial incluiu 359 pacientes hipertensos sem sonol&#234;ncia diurna. Os pacientes foram randomizados para tratamento com CPAP ou tratamento conservador<sup>58</sup>. Esse estudo encontrou redu&#231;&#227;o modesta apenas da press&#227;o diast&#243;lica (2,2 mmHg) ao final de 12 meses de seguimento no grupo tratado com CPAP. Esse benef&#237;cio foi encontrado principalmente nos pacientes que usaram o CPAP por mais de 5,6 horas por noite. Vale ressaltar que apenas metade dos participantes usavam anti-hipertensivos e que a avalia&#231;&#227;o da press&#227;o arterial era feita em consulta ambulatorial, sem o uso da MAPA<sup>58</sup>. A <xref ref-type="table" rid="t01">Tabela 1</xref> mostra os principais estudos randomizados em que ao menos 50% dos participantes eram hipertensos<sup>56-60</sup>.</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="t01">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-00017-gt01.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>Sumarizando esses achados, uma revis&#227;o sistem&#225;tica<sup>61</sup> e quatro meta-an&#225;lises<sup>62-65</sup> que avaliam o impacto do CPAP na press&#227;o arterial foram publicadas nos &#250;ltimos anos. Todas apontam para uma redu&#231;&#227;o da press&#227;o arterial com o uso do CPAP. Apenas uma delas<sup>62</sup> n&#227;o encontrou benef&#237;cio do tratamento com CPAP no controle da press&#227;o arterial, mas, quando analisados apenas os seis estudos com pacientes mais graves (IAH &gt; 30 eventos/hora), houve redu&#231;&#227;o de press&#227;o arterial sist&#243;lica de 3,03 e diast&#243;lica de 2,03 mmHg. No estudo de Haentjens e cols.<sup>63</sup>, o qual analisou 12 ensaios placebo-controlados, em que a MAPA foi utilizada para avalia&#231;&#227;o da press&#227;o arterial, houve redu&#231;&#227;o de 1,77 e 1,79 mmHg nas press&#245;es sist&#243;licas e diast&#243;licas m&#233;dias de 24 horas, respectivamente. A mais recente meta-an&#225;lise avaliou 818 pacientes e demonstrou redu&#231;&#227;o da press&#227;o arterial de 2,46 mmHg na press&#227;o arterial sist&#243;lica e 1,83 mmHg na press&#227;o arterial diast&#243;lica ap&#243;s o uso do CPAP<sup>65</sup>. Deve-se destacar que esses n&#237;veis de redu&#231;&#227;o de press&#227;o arterial j&#225; s&#227;o respons&#225;veis por redu&#231;&#227;o de eventos cardiovasculares em longo prazo. Entretanto, a escolha dos trabalhos inclu&#237;dos nessas meta-an&#225;lises &#233; sujeita a cr&#237;ticas - envolveram estudos com indiv&#237;duos normotensos, o que pode contribuir para o resultado modesto da queda da press&#227;o arterial<sup>66</sup>. Por outro lado, um achado importante que uma das meta-an&#225;lises encontrou foi que a magnitude da queda da press&#227;o arterial estava diretamente associada ao n&#250;mero de horas de uso de CPAP durante o sono<sup>65</sup>. As evid&#234;ncias atuais do benef&#237;cio do tratamento da AOS em pacientes com HAS refrat&#225;ria<sup>67-69</sup> s&#227;o ainda mais fracas, embora os estudos atuais apontem para uma redu&#231;&#227;o ainda maior da press&#227;o arterial (<xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 2</xref>).</p>
    <table-wrap id="t2">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-00017-gt02.jpg"/></table-wrap>
    <p>No que se refere aos tratamentos alternativos da AOS, o uso de dispositivos de avan&#231;o mandibular, que tracionam a mand&#237;bula para frente e, consequentemente, a base da l&#237;ngua, mostrou-se eficaz na redu&#231;&#227;o da press&#227;o arterial e deve ser considerado como um tratamento alternativo em pacientes n&#227;o aderentes ao CPAP ou em pacientes com AOS leve/moderada<sup>70,71</sup>.</p>
    <p>N&#227;o h&#225; estudos definitivos quanto ao uso de medica&#231;&#245;es anti-hipertensivas espec&#237;ficas para os pacientes hipertensos portadores de AOS. Clonidina pode reduzir o sono REM e, ent&#227;o, reduzir os epis&#243;dios de apneia durante essa fase do sono e melhorar a hipoxemia noturna<sup>72</sup>. Uma compara&#231;&#227;o entre cinco classes de drogas comumente utilizadas (atenolol, amlodipino, enalapril, losartan e hidroclorotiazida) n&#227;o mostrou diferen&#231;a na gravidade da AOS. Todas as drogas apresentaram efeitos similares na press&#227;o arterial diurna, mas o atenolol propiciou discreta melhora na press&#227;o arterial noturna em compara&#231;&#227;o aos demais<sup>73</sup>. Por fim, conforme j&#225; comentado nesse texto, o antagonismo do sistema renina-angiotensina-aldosterona, por meio da espironolactona, pode ter benef&#237;cios no tratamento da press&#227;o arterial em pacientes com AOS e HAS resistente<sup>41</sup>. Esse benef&#237;cio pode ser mediado pela redu&#231;&#227;o do edema em vias a&#233;reas superiores, pois evid&#234;ncias recentes sugerem que, durante a noite, h&#225; aumento do retorno venoso dos membros inferiores e consequente ac&#250;mulo de l&#237;quido dos tecidos da via a&#233;rea, o que poderia ser um dos fatores respons&#225;veis pelo aumento da colapsabilidade da via a&#233;rea especialmente nos homens<sup>74,75</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Perspectivas futuras</bold>
    </p>
    <p>O conjunto das evid&#234;ncias aponta a AOS como uma importante causa secund&#225;ria de HAS. Mesmo nos indiv&#237;duos que j&#225; apresentam HAS, a presen&#231;a da AOS pode contribuir para piorar o controle press&#243;rico e aumentar a ocorr&#234;ncia de les&#245;es de &#243;rg&#227;os-alvo. A despeito da modesta redu&#231;&#227;o m&#233;dia da press&#227;o arterial obtida com o tratamento considerado padr&#227;o para a AOS (levando-se em conta todos os estudos, com a inclus&#227;o de indiv&#237;duos com press&#227;o arterial controlada e indiv&#237;duos normotensos), o benef&#237;cio maior do CPAP em termos de redu&#231;&#227;o da press&#227;o arterial parece ser nos casos de HAS resistente. Embora haja evid&#234;ncias de um estudo observacional que mostra a poss&#237;vel redu&#231;&#227;o da ocorr&#234;ncia de eventos cardiovasculares fatais e n&#227;o fatais por meio do tratamento da AOS<sup>8</sup>, nenhum estudo randomizado at&#233; o momento mostrou tal efeito. Al&#233;m disso, ainda est&#225; para ser esclarecido se a redu&#231;&#227;o da press&#227;o arterial est&#225; envolvida na diminui&#231;&#227;o do risco cardiovascular mediada pela AOS. Estudos futuros s&#227;o necess&#225;rios para definir formas alternativas e eficazes de tratar a AOS e, ao mesmo tempo, diminuir o risco cardiovascular. Outra &#225;rea de crescente interesse consiste em explorar o impacto dos anti-hipertensivos j&#225; dispon&#237;veis e novas gera&#231;&#245;es de drogas no tratamento da HAS em indiv&#237;duos com AOS. Apesar de algumas promessas de benef&#237;cio m&#250;tuo no tratamento da HAS e da AOS<sup>41</sup>, novos estudos s&#227;o necess&#225;rios.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflito de interesses pertinentes.</p>
    <p>
      <bold>Fontes de Financiamento</bold>
    </p>
    <p>O presente estudo foi financiado pela FAPESP.</p>
    <p>
      <bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>N&#227;o h&#225; vincula&#231;&#227;o deste estudo a programas de p&#243;s-gradua&#231;&#227;o.</p>
    <p>
      <fn id="back" fn-type="corresp">
        <p>Correspond&#234;ncia:</p>
        <p> Luciano F. Drager </p>
        <p> Av. En&#233;as Carvalho de Aguiar, 44 </p>
        <p> Bloco 2 / 2&#186; andar / sala 8 - Cerqueira C&#233;sar </p>
        <p> 05403-904 - S&#227;o Paulo, SP - Brasil </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="luciano.drager@incor.usp.br">luciano.drager@incor.usp.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 05/05/10; revisado recebido em 07/05/10; aceito em 20/09/10.</p>
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      <ref id="B75">
        <mixed-citation>75. Yumino D, Redolfi    S, Ruttanaumpawan P, Su MC, Smith S, Newton GE, et al. Nocturnal rostral fluid    shift: a unifying concept for the pathogenesis of obstructive and central sleep    apnea in men with heart failure. Circulation. 2010; 121 (14): 1598-605.</mixed-citation>
        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>Nocturnal rostral fluid shift: a unifying concept for the pathogenesis of obstructive and central sleep apnea in men with heart failure</article-title>
          <source>Circulation</source>
          <date>
            <year>2010</year>
          </date>
          <fpage>1598</fpage>
          <lpage>605</lpage>
          <issue>14</issue>
          <volume>121</volume>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Yumino</surname>
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          </person-group>
        </element-citation>
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  <sub-article article-type="translation" id="TRes" xml:lang="es">
    <front-stub>
      <article-categories/>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="es">Avances recientes del impacto de la Apnea Obstructiva del Sue&#241;o en la Hipertensi&#243;n Arterial Sist&#233;mica</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="es">
        <p>La apnea obstructiva del sue&#241;o (AOS) es una condici&#243;n cl&#237;nica com&#250;n en la poblaci&#243;n en general, principalmente entre los pacientes portadores de enfermedades cardiovasculares. M&#225;s que un fen&#243;meno local de obstrucci&#243;n de las v&#237;as a&#233;reas superiores, la AOS trae repercusiones sist&#233;micas que pueden incluir la hipoxia intermitente, la reducci&#243;n abrupta de la presi&#243;n intrator&#225;cica y la ocurrencia de microdespertares con fragmentaci&#243;n del sue&#241;o. En las &#250;ltimas d&#233;cadas, inn&#250;meras evidencias se&#241;alan de forma consistente la AOS como un importante factor envuelto en la ocurrencia de enfermedades cardiovasculares. Particularmente, la relaci&#243;n entre la AOS y la Hipertensi&#243;n Arterial Sist&#233;mica (HAS) es la que encuentra un mayor conjunto de evidencias. Actualmente, se encuentran datos que consideran la AOS una importante causa secundaria de HAS. M&#225;s que eso, la AOS est&#225; independientemente asociada a un peor control pres&#243;rico, alteraci&#243;n del descenso nocturno de la presi&#243;n arterial y a la presencia de lesiones de &#243;rganos-blanco, tales como la hipertrofia del ventr&#237;culo izquierdo y la microalbuminuria. Estudios randomizados sugieren que el tratamiento de la AOS, especialmente con la presi&#243;n positiva continua de v&#237;as a&#233;reas superiores (CPAP), considerado el tratamiento est&#225;ndar para la AOS, promueve reducci&#243;n significativa de la presi&#243;n arterial en las 24 horas, efecto ese m&#225;s significativo en el subgrupo de pacientes con HAS no controlada y en los pacientes con HAS resistente. A despecho de todas esas evidencias, la AOS aun contin&#250;a siendo subdiagnosticada. El objetivo de esta revisi&#243;n es discutir los recientes avances en los mecanismos fisiopatol&#243;gicos, en la presentaci&#243;n cl&#237;nica y en el tratamiento de la AOS, y el beneficio sobre la presi&#243;n arterial.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="es">
        <kwd>Apnea del sue&#241;o tipo obstructiva</kwd>
        <kwd>hipertensi&#243;n</kwd>
        <kwd>enfermedades cardiovasculares</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>ACTUALIZACI&#211;N CL&#205;NICA</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="nota_1-body2">
          <label>
            <bold>Avances recientes del impacto de la Apnea Obstructiva del Sue&#241;o en la Hipertensi&#243;n Arterial Sist&#233;mica</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Rodrigo P. Pedrosa<sup>I</sup>; Eduardo M. Krieger<sup>II</sup>; Geraldo Lorenzi-Filho<sup>III</sup>; Luciano F. Drager<sup>II</sup></bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p><sup>I</sup>Laborat&#243;rio do Sono e Cora&#231;&#227;o, Pronto Socorro Cardiol&#243;gico de Pernambuco (PROCAPE), Universidade de Pernambuco - UPE, Recife, PE</p>
      <p><sup>II</sup>Unidade de Hipertens&#227;o - Instituto do Cora&#231;&#227;o (InCor) do Hospital das Cl&#237;nicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S&#227;o Paulo</p>
      <p><sup>III</sup>Laborat&#243;rio do Sono da Disciplina de Pneumologia do Instituto do Cora&#231;&#227;o (InCor) do Hospital das Cl&#237;nicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S&#227;o Paulo, S&#227;o Paulo, SP - Brasil</p>
      <p>Correspondencia</p>
      <p>
        <bold>RESUMEN</bold>
      </p>
      <p>La apnea obstructiva del sue&#241;o (AOS) es una condici&#243;n cl&#237;nica com&#250;n en la poblaci&#243;n en general, principalmente entre los pacientes portadores de enfermedades cardiovasculares. M&#225;s que un fen&#243;meno local de obstrucci&#243;n de las v&#237;as a&#233;reas superiores, la AOS trae repercusiones sist&#233;micas que pueden incluir la hipoxia intermitente, la reducci&#243;n abrupta de la presi&#243;n intrator&#225;cica y la ocurrencia de microdespertares con fragmentaci&#243;n del sue&#241;o. En las &#250;ltimas d&#233;cadas, inn&#250;meras evidencias se&#241;alan de forma consistente la AOS como un importante factor envuelto en la ocurrencia de enfermedades cardiovasculares. Particularmente, la relaci&#243;n entre la AOS y la Hipertensi&#243;n Arterial Sist&#233;mica (HAS) es la que encuentra un mayor conjunto de evidencias. Actualmente, se encuentran datos que consideran la AOS una importante causa secundaria de HAS. M&#225;s que eso, la AOS est&#225; independientemente asociada a un peor control pres&#243;rico, alteraci&#243;n del descenso nocturno de la presi&#243;n arterial y a la presencia de lesiones de &#243;rganos-blanco, tales como la hipertrofia del ventr&#237;culo izquierdo y la microalbuminuria. Estudios randomizados sugieren que el tratamiento de la AOS, especialmente con la presi&#243;n positiva continua de v&#237;as a&#233;reas superiores (CPAP), considerado el tratamiento est&#225;ndar para la AOS, promueve reducci&#243;n significativa de la presi&#243;n arterial en las 24 horas, efecto ese m&#225;s significativo en el subgrupo de pacientes con HAS no controlada y en los pacientes con HAS resistente. A despecho de todas esas evidencias, la AOS aun contin&#250;a siendo subdiagnosticada. El objetivo de esta revisi&#243;n es discutir los recientes avances en los mecanismos fisiopatol&#243;gicos, en la presentaci&#243;n cl&#237;nica y en el tratamiento de la AOS, y el beneficio sobre la presi&#243;n arterial.</p>
      <p><bold>Palabras-clave:</bold> Apnea del sue&#241;o tipo obstructiva/terapia, hipertensi&#243;n; enfermedades cardiovasculares.</p>
      <p>
        <bold>Introducci&#243;n</bold>
      </p>
      <p>La Apnea Obstructiva del Sue&#241;o (AOS) es un importante disturbio respiratorio del sue&#241;o caracterizado por la obstruci&#243;n recurrente de las v&#237;as a&#233;reas superiores, llevando a repetidas pausas respiratorias completas (denominadas apneas) o parciales (denominadas hipopneas). Las pausas respiratorias son asociadas a la hipoxia intermitente, reducci&#243;n de la presi&#243;n intrator&#225;cica durante los esfuerzos respiratorios y despertares frecuentes con consecuente fragmentaci&#243;n del sue&#241;o<sup>1</sup>. El creciente inter&#233;s por esa condici&#243;n cl&#237;nica aument&#243; de forma considerable en las &#250;ltimas tres d&#233;cadas, no solamente por la epidemia de obesidad verificada en diferentes poblaciones (que, en paralelo, conduce a un aumento en la ocurrencia de la AOS), sino tambi&#233;n por las consistentes evidencias de que la AOS est&#225; estrictamente relacionada a la ocurrencia de inn&#250;meras enfermedades cardiovasculares. Entre ellas, la relaci&#243;n entre la AOS e Hipertensi&#243;n Arterial Sist&#233;mica (HAS) es la que tiene m&#225;s respaldo en la literatura. En 2002, publicamos la primera revisi&#243;n sobre AOS y HAS en los <italic>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</italic><sup>2</sup>. Desde entonces, un conjunto enorme de evidencias reforz&#243; la importancia de la AOS en la fisiopatolog&#237;a, presentaci&#243;n cl&#237;nica y evolutiva del paciente hipertenso. Como consecuencia, un a&#241;o despu&#233;s de esta primera revisi&#243;n, el <italic>VII Joint National Comittee on Prevention, Detection, Evaluation and Treatment of High Blood Pressure<sup>3</sup></italic> incluy&#243; la AOS como una nueva causa de HAS secundaria. Ese mismo procedimiento fue adoptado por la <italic>V Directriz Brasile&#241;a de Hipertensi&#243;n</italic>, publicada m&#225;s recientemente<sup>4</sup>. En la presente revisi&#243;n, discutiremos los recientes avances de las evidencias epidemiol&#243;gicas, los mecanismos fisiopatol&#243;gicos, la presentaci&#243;n cl&#237;nica (lo que incluye las caracter&#237;sticas que ayudan en la sospecha cl&#237;nica de la AOS en pacientes hipertensos) y el tratamiento de la AOS con enfoque en el beneficio sobre la presi&#243;n arterial. Finalmente, delinearemos algunas perspectivas futuras de investigaci&#243;n que pueden contribuir para aumentar nuestra comprensi&#243;n del impacto de la AOS en la HAS. </p>
      <p>
        <bold>Epidemiolog&#237;a</bold>
      </p>
      <p>Estudios epidemiol&#243;gicos realizados en los Estados Unidos muestran que la AOS ataca uno en cada cuatro hombres y una en cada diez mujeres en la poblaci&#243;n general<sup>5</sup>. Una reciente publicaci&#243;n brasile&#241;a evalu&#243; la prevalencia de la AOS en 1.042 participantes representativos de la poblaci&#243;n de S&#227;o Paulo. Los autores encontraron datos alarmantes: 32,8% presentaron el diagn&#243;stico compatible con AOS, sugiriendo que el disturbio es mucho m&#225;s com&#250;n que lo que se pensaba<sup>6</sup>. M&#225;s que ser una condici&#243;n cl&#237;nica com&#250;n, la AOS puede presentar repercusiones serias a la calidad de vida de los pacientes, debido a la posibilidad de promover somnolencia diurna excesiva, mal desempe&#241;o en las actividades diarias, irritabilidad, labilidad del humor etc<sup>7</sup>. M&#225;s recientemente, la AOS ha sido tambi&#233;n implicada de forma independiente para el aumento de la mortalidad general y cardiovascular<sup>8-11</sup>.</p>
      <p>Particularmente en los pacientes con HAS, la prevalencia de la AOS es aun mayor que la verificada en la poblaci&#243;n general. En los hipertensos, la prevalencia var&#237;a entre 38 y 56%<sup>12,13</sup> y puede llegar a 82% en individuos con HAS refractaria<sup>14</sup>. En uno de esos estudios, Gon&#231;alves et al<sup>15</sup> encontraron una prevalencia de AOS de 71% <italic>versus</italic> 38% en individuos con y sin HAS refractaria, respectivamente. Ese art&#237;culo no afirma que la AOS causa, obligatoriamente, la HAS en esa magnitud, pero que la presencia de ella es com&#250;n entre los individuos hipertensos. Seg&#250;n discutiremos adelante, la AOS, adem&#225;s de ser un disturbio com&#250;n, participa activamente en la modulaci&#243;n de la presi&#243;n arterial y en la evoluci&#243;n de los pacientes hipertensos.</p>
      <p>El estudio epidemiol&#243;gico que explor&#243; la relaci&#243;n entre la AOS y la HAS y fue m&#225;s citado en la literatura es la cohorte de Wisconsin, que evalu&#243; 709 individuos normotensos con estudio polisonogr&#225;fico<sup>16</sup>. Despu&#233;s de seguimiento de cuatro a&#241;os, hubo un aumento en la ocurrencia de la HAS en individuos que ten&#237;an AOS. Adem&#225;s de eso, los autores observaron una relaci&#243;n dosis-respuesta entre la gravedad de la AOS medida por el &#237;ndice de apnea e hipopnea (IAH) - ver adelante] y el riesgo de aparici&#243;n de la HAS. Pacientes con AOS moderada y grave (IAH <underline>&gt;</underline> 15 eventos/hora de sue&#241;o por la polisonograf&#237;a) presentan un aumento de cerca de tres veces en el riesgo de desarrollo de HAS durante el seguimiento de cuatro a&#241;os en relaci&#243;n a los individuos que no tuvieron eventos durante el sue&#241;o. Otras cohortes que se siguieron mostraron resultados semejantes a los descriptos<sup>17,18</sup>. </p>
      <p>En la poblaci&#243;n general, los factores de riesgo para la AOS incluyen la edad entre 40 y 70 a&#241;os, el sexo masculino, obesidad, presencia de somnolencia excesiva, ronquidos, anormalidades estructurales de v&#237;as a&#233;reas superiores, abuso en el uso del alcohol e historia familiar de AOS<sup>19</sup>. Mientras tanto, esos mismos factores pueden no ser verdaderos en poblaciones espec&#237;ficas, tales como en poblaciones con enfermedades cardiovasculares. De hecho, evidencias recientes sugieren que el sexo masculino, la somnolencia diurna excesiva y el ronquido no parecen ser buenos predictores de la presencia de la AOS en la poblaci&#243;n de pacientes hipertensos<sup>13,20</sup>. Por otro lado, la presencia del s&#237;ndrome metab&#243;lico se mostr&#243; un excelente predictor de la presencia de la AOS en pacientes hipertensos<sup>13</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Fisiopatolog&#237;a</bold>
      </p>
      <p>Aunque no sean totalmente conocidos los mecanismos por los cuales la AOS promueva el aumento de la presi&#243;n arterial, diversos trabajos se&#241;alan el posible envolvimiento de factores como la activaci&#243;n neurohumoral, las alteraciones del quimiorreflejo, la disminuci&#243;n de la sensibilidad de los barorreceptores, la disfunci&#243;n endotelial, la alteraci&#243;n en el metabolismo de la sal y agua, entre otros<sup>21</sup> (<xref ref-type="fig" rid="es_a20fig01-body2">Figura 1</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="es_a20fig01-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-00017-gf01-es.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>La activaci&#243;n neurohumoral en la AOS comprende el aumento de la actividad simp&#225;tica durante el sue&#241;o y tambi&#233;n en la vigilia, as&#237; como aumento en los niveles de angiotensina II y aldosterona. Ese es probablemente el principal mecanismo envuelto en la g&#233;nesis de la HAS en portadores de AOS. El tratamiento de la AOS utilizando un dispositivo de presi&#243;n positiva continua en v&#237;as a&#233;reas (del ingl&#233;s, "CPAP") durante la noche produce reducci&#243;n significativa de la actividad simp&#225;tica determinada por dosaje plasm&#225;tico y urinario de norepinefrina, as&#237; como actividad del nervio fibular<sup>22</sup>, lo que permite confirmar la importancia de ese mecanismo fisiopatol&#243;gico. De la misma forma, algunos trabajos sugieren que el tratamiento de la AOS tambi&#233;n contribuye a la reducci&#243;n de los niveles de renina y angiotensina II<sup>23</sup>. </p>
      <p>Los mecanismos envueltos en el aumento del tono simp&#225;tico en la AOS est&#225;n aparentemente ligados a la activaci&#243;n del quimiorreflejo, que es el mecanismo dominante en la regulaci&#243;n de la respuesta ventilatoria y circulatoria a los cambios del contenido arterial de ox&#237;geno (O<sub>2</sub>) y gas carb&#243;nico (CO<sub>2</sub>)<sup>24</sup>. La activaci&#243;n quimiorrefleja lleva al aumento de la actividad simp&#225;tica, frecuencia card&#237;aca, presi&#243;n arterial y volumen minuto<sup>25</sup>. El cuerpo carot&#237;deo, que es el primer quimiorreceptor a detectar alteraciones en la presi&#243;n parcial arterial de O2, media el aumento reflejo de la actividad simp&#225;tica y de la presi&#243;n arterial durante la hipoxia cr&#243;nica intermitente. Hay evidencias que demuestran que la hipoxia cr&#243;nica intermitente ejerce dos efectos en el cuerpo carot&#237;deo<sup>26</sup>: 1) sensibilizaci&#243;n de la respuesta a la hipoxia (por la generaci&#243;n de especies reactivas de ox&#237;geno) y 2) inducci&#243;n de la llamada facilitaci&#243;n a largo plazo (<italic>long term facilitation</italic>), que es el mecanismo de manutenci&#243;n de la hiperactivaci&#243;n simp&#225;tica despu&#233;s de largos per&#237;odos que suceden al fin de la hipoxia, pudiendo contribuir para explicar la elevaci&#243;n de la presi&#243;n arterial durante el d&#237;a. </p>
      <p>Los barorreceptores arteriales son terminaciones nerviosas sensoriales sensibles al estiramiento y est&#225;n localizados en regiones estrat&#233;gicas como el seno carot&#237;deo y el arco a&#243;rtico<sup>27</sup>. El barorreflejo arterial es el mecanismo primario de respuesta compensatoria a las alteraciones agudas y continuas fluctuaciones de la presi&#243;n arterial que ocurren en diversas situaciones. La disminuci&#243;n del control barorreflejo de la frecuencia card&#237;aca es descripta en la AOS<sup>28</sup>. Mientras tanto, no est&#225; claro si la disminuci&#243;n del control barorreflejo en la AOS representa una adaptaci&#243;n neural o si es secundaria a la disminuci&#243;n de la complacencia arterial carot&#237;dea y a&#243;rtica<sup>29</sup> que, como sabemos, promueve la adaptaci&#243;n de los barorreceptores arteriales en la hipertensi&#243;n arterial<sup>30,31</sup>. Esa disfunci&#243;n del barorreflejo parece ser responsable por el descontrol de la presi&#243;n arterial durante las apneas, en cuanto la disfunci&#243;n del quimiorreflejo ser&#237;a responsable por las alteraciones de la presi&#243;n arterial las 24 horas<sup>26</sup>.</p>
      <p>La disfunci&#243;n endotelial ha sido consistentemente relatada en pacientes con AOS, pero esa relaci&#243;n no depende de otros factores de confusi&#243;n como la obesidad<sup>32-34</sup>. Tal como es sugerido en la g&#233;nesis de la HAS esencial, se cree que la disfunci&#243;n endotelial tambi&#233;n participe en la g&#233;nesis de la HAS inducida por la AOS. Entre los mecanismos propuestos, est&#225;n la reducci&#243;n de la biodisponibilidad de &#243;xido n&#237;trico, aumento de la apoptosis endotelial y disminuci&#243;n de la capacidad de regeneraci&#243;n celular inducida por la hipoxia, caracterizada por la disminuci&#243;n de la producci&#243;n de c&#233;lulas progenitoras endoteliales<sup>35</sup>. Aun con el soporte de una relaci&#243;n de causalidad, diversos estudios muestran que el tratamiento con el CPAP reduce la disfunci&#243;n endotelial en paralelo con un aumento en la capacidad de regeneraci&#243;n del endotelio<sup>34,35</sup>.</p>
      <p>Otro factor relacionado a la disfunci&#243;n endotelial y al aumento de la vasomotricidad en la AOS es el aumento de la endotelina. La endotelina est&#225; aumentada en la AOS<sup>36</sup>, se correlaciona positivamente a la gravedad de la AOS<sup>37</sup> y tuvo su concentraci&#243;n reducida con el tratamiento de la AOS<sup>38</sup>. A despecho de esas evidencias, el papel relativo de la endotelina en la g&#233;nesis de la HAS inducida por la AOS no est&#225; aun definido, visto que no existe consenso de la literatura<sup>39</sup>.</p>
      <p>La activaci&#243;n del sistema renina-angiotensina-aldosterona por v&#237;as independientes de la producci&#243;n de renina es encontrada en la AOS, demostrada por medio de niveles aumentados de angiotensina II y aldosterona comparados en individuos de mismo &#237;ndice de masa corp&#243;rea<sup>23</sup>. Esos pacientes pueden presentar baja actividad plasm&#225;tica de renina y relaci&#243;n aldosterona/renina elevada, lo que puede conducir a falso diagn&#243;stico de hiperaldosteronismo primario<sup>40</sup>. La elevaci&#243;n de la aldosterona tiene importancia terap&#233;utica, pues sugiere un efecto adictivo de los inhibidores de la aldosterona en el control pres&#243;rico de esos pacientes asociado al tratamiento de la AOS<sup>41</sup>. Por otro lado, individuos con AOS y niveles aumentados de aldosterona pueden presentar mayor retenci&#243;n de l&#237;quido. Esa retenci&#243;n puede contribuir para mayor edema de tejidos de las v&#237;as a&#233;reas y generar m&#225;s apneas obstructivas<sup>42</sup>, lo que permite la creaci&#243;n de un ciclo perpetuador de la HAS. Mientras tanto, el papel del sistema renina-angiotensina-aldosterona en la AOS tampoco est&#225; completamente definido, una vez que no existe aun consenso en la literatura de la participaci&#243;n de ese eje en la g&#233;nesis de la hipertensi&#243;n relacionada a la AOS<sup>43</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Presentaci&#243;n cl&#237;nica</bold>
      </p>
      <p>A despecho de las evidencias cient&#237;ficas, la AOS es aun subdiagnosticada en la poblaci&#243;n general, lo que tambi&#233;n es verdad para los pacientes hipertensos. Las causas para ese tipo de problema son m&#250;ltiples: falta de conocimiento del m&#233;dico que atiende el paciente hipertenso, dificultad de acceso al diagn&#243;stico y al tratamiento de la AOS y la ausencia de s&#237;ntomas como la somnolencia diurna en porcentaje significativo de los pacientes hipertensos (ver aspectos epidemiol&#243;gicos)<sup>13</sup>.</p>
      <p>Para la sospecha diagn&#243;stica de la AOS en el paciente hipertenso, debemos buscar activamente se&#241;ales/s&#237;ntomas y no esperar que el paciente aborde el problema, porque es com&#250;n que el paciente no se queje al cl&#237;nico/cardi&#243;logo sobre la calidad del sue&#241;o. Seg&#250;n descripto anteriormente, la presencia del s&#237;ndrome metab&#243;lico es una buena se&#241;al de la presencia de la AOS en el paciente hipertenso<sup>13</sup>. Otros predictores son la edad entre 40 y 70 a&#241;os y el alto riesgo para AOS por el cuestionario de Berlin<sup>13,44</sup>.</p>
      <p>El examen de elecci&#243;n para el diagn&#243;stico de la AOS es la polisonograf&#237;a nocturna, que presenta sensibilidad y especificidad pr&#243;ximas de 95%1. La polisonograf&#237;a consiste en el monitoreo simult&#225;neo del electroencefalograma, electrooculograma, electromiograma, saturaci&#243;n de ox&#237;geno, flujo de aire, movimientos tor&#225;cicos y abdominales y frecuencia card&#237;aca. De esa forma, la polisonograf&#237;a nocturna permite no solamente la evaluaci&#243;n de la arquitectura y la eficiencia del sue&#241;o, sino tambi&#233;n el diagn&#243;stico y la diferenciaci&#243;n de los disturbios del sue&#241;o. En la AOS, observamos que, durante los eventos respiratorios, hay movimiento tor&#225;cico y abdominal activo traducido en tentativas f&#250;tiles de liberaci&#243;n de la v&#237;a a&#233;rea en consecuencia de la obstrucci&#243;n. Los eventos respiratorios son seguidos por desaturaciones de ox&#237;geno y frecuentemente terminan con el surgimiento de microdespertares, momento en que ocurre la desobstrucci&#243;n de la v&#237;a a&#233;rea. La AOS es clasificada en leve, moderada y grave de acuerdo con la suma de los eventos respiratorios (apnea y hipopneas) por hora de sue&#241;o. Se considera un valor normal cuando la suma de los eventos es &lt; 5 eventos por hora de sue&#241;o. Definimos AOS leve, moderada y grave cuando el &#237;ndice de apnea y hipopnea es entre 5 y 14,9; 15 y 29,9 y <underline>&gt;</underline> 30 eventos por hora de sue&#241;o, respectivamente.</p>
      <p>
        <bold>Est&#225;ndar de comportamiento de la presi&#243;n arterial</bold>
      </p>
      <p>T&#237;picamente, pacientes con AOS pueden presentar HAS diast&#243;lica aislada como primera manifestaci&#243;n de HAS<sup>45,46</sup>. Las causas para esto aun no son totalmente conocidas, pero se especula que sea en parte explicado por el aumento de la resistencia vascular perif&#233;rica debido a la hiperactividad simp&#225;tica com&#250;nmente observada en esos pacientes. Un estudio mostr&#243; una asociaci&#243;n significativa entre la AOS y la ocurrencia de HAS sist&#243;lica y diast&#243;lica combinada solamente en pacientes &lt; 60 a&#241;os de edad, pero ninguna asociaci&#243;n entre HAS arterial sist&#243;lica aislada y la AOS en franja et&#225;rea alguna<sup>47</sup>.</p>
      <p>Una de las caracter&#237;sticas destacadas de la AOS es la ocurrencia de alteraci&#243;n del descenso nocturno por el monitoreo ambulatorio de la presi&#243;n arterial (MAPA). De hecho, la alteraci&#243;n en el descenso nocturno de la presi&#243;n arterial es uno de los hallazgos que m&#225;s llevan a cl&#237;nicos y cardi&#243;logos a pensar en la posibilidad de AOS, aunque ese hallazgo no sea patognom&#243;nico de la AOS. Se atribuye que la alteraci&#243;n de la presi&#243;n arterial sea consecuencia de la activaci&#243;n simp&#225;tica por los eventos respiratorios y por los despertares frecuentes que ocurren durante el sue&#241;o en esos pacientes. Esa alteraci&#243;n parece ser m&#225;s com&#250;n en pacientes de raza negra y en los portadores de HAS48. Mientras tanto, la alteraci&#243;n en el descenso nocturno tambi&#233;n es frecuente en los pacientes normotensos con AOS, lo que sugiere la posible contribuci&#243;n de ese factor para la explicaci&#243;n del aumento del riesgo cardiovascular en la AOS, aun en la ausencia de otras condiciones asociadas<sup>49</sup>.</p>
      <p>Otro hallazgo que parece ser com&#250;n en pacientes con AOS y que puede tambi&#233;n contribuir para el aumento del riesgo cardiovascular es la ocurrencia de la HAS enmascarada<sup>50</sup>. Evidencia reciente sugiere que individuos con AOS y HAS enmascarada presentaron una rigidez arterial mayor que individuos con AOS aisladamente y controles<sup>50</sup>. Mientras tanto, la rigidez arterial en los pacientes con AOS sin HAS enmascarada fue tambi&#233;n mayor que en el grupo control, y, por lo tanto, eso puede sugerir que el da&#241;o vascular promovido por la AOS no es solamente mediado por las variaciones y aumento sostenido de la presi&#243;n arterial<sup>50</sup>.</p>
      <p>
        <bold>AOS y lesiones de &#243;rganos-blanco</bold>
      </p>
      <p>Evidencias recientes proponen que la presencia de la AOS est&#225; asociada a la mayor ocurrencia de lesiones de &#243;rganos-blanco independientemente de otros factores de confusi&#243;n, tales como la HAS y la obesidad<sup>51,52</sup>. Mientras tanto, la presencia de la AOS y HAS en el mismo individuo parece tener un efecto adictivo en la ocurrencia de lesi&#243;n vascular y remodelado card&#237;aco que cada factor individualmente<sup>52,53</sup> (<xref ref-type="fig" rid="es_a20fig02-body2">Figura 2</xref>). Aunque no est&#233;n claros los mecanismos de remodelado card&#237;aco en la AOS, se cree que el aumento de la rigidez arterial de grandes arterias contribuya a aumentar la post carga del ventr&#237;culo izquierdo<sup>52</sup>. Adem&#225;s de eso, la presi&#243;n intrator&#225;cica negativa durante las apneas puede contribuir a aumentar la presi&#243;n transmural del ventr&#237;culo izquierdo. Otros hallazgos directamente relacionados al remodelado vascular y aumento de la post carga del ventr&#237;culo izquierdo dicen respecto al aumento atrial izquierdo<sup>54</sup> y de la aorta ascendente<sup>55</sup>. Esos datos sugieren que la AOS puede empeorar la evoluci&#243;n del paciente hipertenso y predisponerlo para la ocurrencia de complicaciones como la insuficiencia card&#237;aca. Mientras tanto, m&#225;s evidencias son necesarias para conclusiones definitivas en ese sentido.</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="es_a20fig02-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-00017-gf02-es.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>
        <bold>Tratamiento</bold>
      </p>
      <p>Hasta el momento, cerca de 30 estudios no controlados y 22 estudios controlados demuestran una reducci&#243;n media de la presi&#243;n arterial de cerca de 2,5 mmHg por medio del tratamiento con CPAP. Mientras tanto, pocos ensayos cl&#237;nicos randomizados evaluaron una poblaci&#243;n con predominio de pacientes hipertensos descontrolados. Uno de esos estudios incluy&#243; el tratamiento con el CPAP o "Sham" CPAP (esto es, CPAP con presiones m&#237;nimas sin efecto terap&#233;utico) por dos meses de duraci&#243;n en pacientes con somnolencia diurna y AOS. Los autores encontraron una reducci&#243;n de 10 mmHg en la presi&#243;n arterial sist&#243;lica y diast&#243;lica de 24 horas en el grupo CPAP<sup>56</sup>. Ya en otro estudio m&#225;s corto y con un n&#250;mero menor de participantes, en el que los pacientes sin somnolencia diurna hicieron un <italic>cross-over</italic> para el uso del CPAP, no hubo reducci&#243;n de la presi&#243;n arterial con el uso del CPAP<sup>57</sup>. De esa forma, la presencia de la somnolencia diurna parece ser un predictor de respuesta pres&#243;rica al tratamiento con el CPAP, aunque los mecanismos sean desconocidos. El mayor estudio hasta el presente momento que evalu&#243; el impacto del CPAP en la reducci&#243;n de la presi&#243;n arterial incluy&#243; 359 pacientes hipertensos sin somnolencia diurna. Los pacientes fueron randomizados para tratamiento con CPAP o tratamiento conservador<sup>58</sup>. Ese estudio encontr&#243; reducci&#243;n modesta apenas de la presi&#243;n diast&#243;lica (2,2 mmHg) al final de 12 meses de seguimiento en el grupo tratado con CPAP. Ese beneficio fue encontrado principalmente en los pacientes que usaron el CPAP por m&#225;s de 5,6 horas por noche. Vale resaltar que apenas la mitad de los participantes usaban antihipertensivos y que la evaluaci&#243;n de la presi&#243;n arterial era hecha en consulta ambulatoria, sin el uso de la MAPA<sup>58</sup>. La <xref ref-type="table" rid="es_a20tab01-body2">Tabla 1</xref> muestra los principales estudios randomizados en los que al menos 50% de los participantes eran hipertensos<sup>56-60</sup>.</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="es_a20tab01-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-00017-gt01-es.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>Sumarizando esos hallazgos, una revisi&#243;n sistem&#225;tica<sup>61</sup> y cuatro metan&#225;lisis<sup>62-65</sup> que eval&#250;an el impacto del CPAP en la presi&#243;n arterial fueron publicadas en los &#250;ltimos a&#241;os. Todos se&#241;alan una reducci&#243;n de la presi&#243;n arterial con el uso del CPAP. Apenas uno de ellos<sup>62</sup> no encontr&#243; beneficio del tratamiento con CPAP en el control de la presi&#243;n arterial, pero, cuando fueron analizados apenas los seis estudios con pacientes m&#225;s graves (IAH &gt; 30 eventos/hora), hubo reducci&#243;n de presi&#243;n arterial sist&#243;lica de 3,03 y diast&#243;lica de 2,03 mmHg. En el estudio de Haentjens et al<sup>63</sup>, el cual analiz&#243; 12 ensayos placebo-controlados, en que la MAPA fue utilizada para evaluaci&#243;n de la presi&#243;n arterial, hubo reducci&#243;n de 1,77 y 1,79 mmHg en las presiones sist&#243;licas y diast&#243;licas medias de 24 horas, respectivamente. El m&#225;s reciente metan&#225;lisis evalu&#243; 818 pacientes y demostr&#243; reducci&#243;n de la presi&#243;n arterial de 2,46 mmHg en la presi&#243;n arterial sist&#243;lica y 1,83 mmHg en la presi&#243;n arterial diast&#243;lica despu&#233;s del uso del CPAP<sup>65</sup>. Se debe destacar que esos niveles de reducci&#243;n de presi&#243;n arterial ya son responsables por reducci&#243;n de eventos cardiovasculares a largo plazo. Entre tanto, la elecci&#243;n de los trabajos incluidos en esos metan&#225;lisis est&#225; sujeta a cr&#237;ticas - incluyeron estudios con individuos normotensos, lo que puede contribuir para el resultado modesto de la ca&#237;da de la presi&#243;n arterial<sup>66</sup>. Por otro lado, un hallazgo importante que uno de los metan&#225;lisis encontr&#243; fue que la magnitud de la ca&#237;da de la presi&#243;n arterial estaba directamente asociada al n&#250;mero de horas de uso de CPAP durante el sue&#241;o<sup>65</sup>. Las evidencias actuales del beneficio del tratamiento de la AOS en pacientes con HAS refractaria<sup>67-69</sup> son aun m&#225;s d&#233;biles, aunque los estudios actuales se&#241;alen una reducci&#243;n aun mayor de la presi&#243;n arterial (<xref ref-type="table" rid="es_a20tab02-body2">Tabla 2</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="es_a20tab02-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-00017-gt02-es.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>En lo que se refiere a los tratamientos alternativos de la AOS, el uso de dispositivos de avance mandibular, que traccionan la mand&#237;bula para adelante y, consecuentemente, la base de la lengua, se mostr&#243; eficaz en la reducci&#243;n de la presi&#243;n arterial y debe ser considerado como un tratamiento alternativo en pacientes no adherentes al CPAP o en pacientes con AOS leve/moderada<sup>70,71</sup>.</p>
      <p>No hay estudios definitivos en cuanto al uso de medicaciones antihipertensivas espec&#237;ficas para los pacientes hipertensos portadores de AOS. Clonidina puede reducir el sue&#241;o REM y, entonces, reducir los episodios de apnea durante esa fase del sue&#241;o y mejorar la hipoxemia nocturna<sup>72</sup>. Una comparaci&#243;n entre cinco clases de drogas com&#250;nmente utilizadas (atenolol, amlodipino, enalapril, losartan y hidroclorotiazida) no mostr&#243; diferencia en la gravedad de la AOS. Todas las drogas presentaron efectos similares en la presi&#243;n arterial diurna, pero el atenolol propici&#243; discreta mejora en la presi&#243;n arterial nocturna en comparaci&#243;n a los dem&#225;s<sup>73</sup>. Por fin, seg&#250;n ya fue comentado en ese texto, el antagonismo del sistema reninaangiotensina- aldosterona, por medio de la espironolactona, puede tener beneficios en el tratamiento de la presi&#243;n arterial en pacientes con AOS y HAS resistente<sup>41</sup>. Ese beneficio puede ser mediado por la reducci&#243;n del edema en v&#237;as a&#233;reas superiores, pues evidencias recientes sugieren que, durante la noche, hay aumento del retorno venoso de los miembros inferiores y consecuente acumulaci&#243;n de l&#237;quido de los tejidos de la v&#237;a a&#233;rea, lo que podr&#237;a ser uno de los factores responsables por el aumento de la colapsabilidad de la v&#237;a a&#233;rea especialmente en los hombres<sup>74,75</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Perspectivas futuras</bold>
      </p>
      <p>El conjunto de las evidencias se&#241;ala a la AOS como una importante causa secundaria de HAS. Aun en los individuos que ya presentan HAS, la presencia de la AOS puede contribuir a empeorar el control pres&#243;rico y aumentar la ocurrencia de lesiones de &#243;rganos-blanco. A despecho de la modesta reducci&#243;n media de la presi&#243;n arterial obtenida con el tratamiento considerado est&#225;ndar para la AOS (teniendo en cuenta todos los estudios, con la inclusi&#243;n de individuos con presi&#243;n arterial controlada e individuos normotensos), el beneficio mayor del CPAP en t&#233;rminos de reducci&#243;n de la presi&#243;n arterial parece ser en los casos de HAS resistente. Aunque haya evidencias de un estudio observacional que muestra la posible reduci&#243;n de la ocurrencia de eventos cardiovasculares fatales y no fatales por medio del tratamiento de la AOS<sup>8</sup>, ning&#250;n estudio randomizado hasta el momento mostr&#243; tal efecto. Adem&#225;s de eso, aun est&#225; para ser aclarado si la reducci&#243;n de la presi&#243;n arterial est&#225; envuelta en la disminuci&#243;n del riesgo cardiovascular mediada por la AOS. Estudios futuros son necesarios para definir formas alternativas y eficaces de tratar la AOS y, al mismo tiempo, disminuir el riesgo cardiovascular. Otra &#225;rea de creciente inter&#233;s consiste en explorar el impacto de los antihipertensivos ya disponibles y nuevas generaciones de drogas en el tratamiento de la HAS en individuos con AOS. A pesar de algunas promesas de beneficio mutuo en el tratamiento de la HAS y de la AOS<sup>41</sup>, nuevos estudios son necesarios.</p>
      <p>
        <bold>Potencial Conflicto de Intereses</bold>
      </p>
      <p>Declaro no haber conflicto de intereses pertinentes.</p>
      <p>
        <bold>Fuentes de Financiaci&#243;n</bold>
      </p>
      <p>FAPESP financi&#243; el presente estudio.</p>
      <p>
        <bold>Vinculaci&#243;n Acad&#233;mica</bold>
      </p>
      <p>No hay vinculaci&#243;n de este estudio a programas de postgrado.</p>
      <p>
        <bold>Referencias</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
  <sub-article article-type="translation" id="TRen" xml:lang="en">
    <front-stub>
      <article-categories>
        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Clinical Update</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Recent advances of the impact of obstructive sleep apnea on systemic hypertension</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>Obstructive sleep apnea (OSA) is a common clinical condition in the general population, especially among patients with cardiovascular diseases. More than just a local phenomenon of upper respiratory tract obstruction, OSA leads to systemic consequences that may include intermittent hypoxia, sudden reduction of the intrathoracic pressure, and the occurrence of micro-awakenings with sleep fragmentation. In the past decades, innumerous evidences have consistently pointed to OSA as an important factor related to the presence of cardiovascular diseases. In particular, the relationship between OSA and systemic hypertension (SH) is the one supported by the largest body of evidence. Currently, there are data suggesting that OSA is an important secondary cause of SH. More importantly, OSA is independently associated with poorer blood pressure control, changes in sleep dip, and presence of target-organ damage such as left ventricular hypertrophy and microalbuminuria. Randomized studies suggest that the management of OSA, especially with continuous positive airway pressure (CPAP) - which is considered the standard treatment for OSA - promotes a significant 24-hour blood pressure reduction, and this effect is more significant in the subgroup of patients with uncontrolled SH and drug-resistant SH. Despite all those evidences, OSA has still been underdiagnosed. The objective of this review is to discuss the recent advances in the pathophysiological mechanisms, clinical presentation, and treatment of OSA, as well as the benefits this treatment can bring on blood pressure.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Sleep apnea, obstructive</kwd>
        <kwd>hypertension</kwd>
        <kwd>cardiovascular diseases</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <fn id="top-body3">
          <label>
            <bold>Recent advances of the impact of obstructive sleep apnea on systemic hypertension</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Rodrigo P. Pedrosa<sup>I</sup>; Eduardo M. Krieger<sup>II</sup>; Geraldo Lorenzi-Filho<sup>III</sup>; Luciano F. Drager<sup>II</sup></bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p><sup>I</sup>Laborat&#243;rio do Sono e Cora&#231;&#227;o, Pronto Socorro Cardiol&#243;gico de Pernambuco (PROCAPE), Universidade de Pernambuco - UPE, Recife, PE</p>
      <p><sup>II</sup>Unidade de Hipertens&#227;o - Instituto do Cora&#231;&#227;o (InCor) do Hospital das Cl&#237;nicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S&#227;o Paulo</p>
      <p><sup>III</sup>Laborat&#243;rio do Sono da Disciplina de Pneumologia do Instituto do Cora&#231;&#227;o (InCor) do Hospital das Cl&#237;nicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S&#227;o Paulo, S&#227;o Paulo, SP - Brazil</p>
      <p>Mailing address</p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p>Obstructive sleep apnea (OSA) is a common clinical condition in the general population, especially among patients with cardiovascular diseases. More than just a local phenomenon of upper respiratory tract obstruction, OSA leads to systemic consequences that may include intermittent hypoxia, sudden reduction of the intrathoracic pressure, and the occurrence of micro-awakenings with sleep fragmentation. In the past decades, innumerous evidences have consistently pointed to OSA as an important factor related to the presence of cardiovascular diseases. In particular, the relationship between OSA and systemic hypertension (SH) is the one supported by the largest body of evidence. Currently, there are data suggesting that OSA is an important secondary cause of SH. More importantly, OSA is independently associated with poorer blood pressure control, changes in sleep dip, and presence of target-organ damage such as left ventricular hypertrophy and microalbuminuria. Randomized studies suggest that the management of OSA, especially with continuous positive airway pressure (CPAP) - which is considered the standard treatment for OSA - promotes a significant 24-hour blood pressure reduction, and this effect is more significant in the subgroup of patients with uncontrolled SH and drug-resistant SH. Despite all those evidences, OSA has still been underdiagnosed. The objective of this review is to discuss the recent advances in the pathophysiological mechanisms, clinical presentation, and treatment of OSA, as well as the benefits this treatment can bring on blood pressure.</p>
      <p><bold>Keywords:</bold> Sleep apnea, obstructive/therapy; hypertension; cardiovascular diseases.</p>
      <p>
        <bold>Introduction</bold>
      </p>
      <p>Obstructive sleep apnea (OSA) is an important sleep-related breathing disorder characterized by recurrent obstruction of the upper airway leading to repeated breathing pauses either complete (known as apnea) or partial (known as hypopnea). The breathing pauses are associated with intermittent hypoxia, reduced intrathoracic pressure during breathing effort and frequent awakenings with subsequent sleep fragmentation<sup>1</sup>. The interest on this clinical condition has considerably increased in the past three decades, not only because of the obesity epidemics observed in different populations (which, concurrently, leads to an increased incidence of OSA), but also because of the consistent evidence that OSA is closely related to the occurrence of innumerous cardiovascular diseases. Among them, the relationship between OSA and systemic hypertension (SH) is the one more strongly supported by the literature. In 2002, we published the first review on OSA and SH in <italic>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</italic><sup>2</sup>. As from that first review, a large set of evidence stressed the importance of OSA in the pathophysiology, clinical presentation and outcome of the hypertensive patient. As a consequence, one year after that first review, the VII Joint National Committee on Prevention, Detection, Evaluation and Treatment of High Blood Pressure<sup>3</sup> included OSA as a new cause of secondary SH. The same procedure was adopted by the V Brazilian Guideline on Hypertension, published more recently<sup>4</sup>. In the present review, we will discuss the recent advances on epidemiological evidence, the pathophysiological mechanisms, clinical presentation (which includes the characteristics that help suspect OSA in hypertensive patients) and the management of OSA focused on the benefits regarding blood pressure. Also, we will outline some future perspectives of investigation that may contribute to increase our understanding of the impact of OSA on SH.</p>
      <p>
        <bold>Epidemiology</bold>
      </p>
      <p>Epidemiologic studies conducted in the United States have shown that OSA affects one in every four men and one in every ten women in the general population<sup>5</sup>. A study recently published in Brazil evaluated the prevalence of OSA in a sample of 1,042 individuals, representative of the population of S&#227;o Paulo. The authors found alarming results: the diagnosis of 32.8% of the participants was consistent with OSA, thus suggesting that this disorder is much more common than estimated<sup>6</sup>. More than being a common clinical condition, OSA may have a serious impact on the quality of life of the patients, due to the possibility of causing excessive daytime sleepiness, impaired performance of daily activities, irritability, mood lability, and others<sup>7</sup>. More recently, OSA has also been independently implicated in the increase in overall and cardiovascular mortalities<sup>8-11</sup>.</p>
      <p>Particularly in patients with SH, the prevalence of OSA is even higher than in the general population. In hypertensive individuals, the prevalence ranges from 38% to 56%<sup>12,13</sup> and may reach 82% in individuals with drug-resistant SH<sup>14</sup>. In one of these studies, Gon&#231;alves et al<sup>15</sup> found a prevalence of OSA of 71% versus 38% in individuals with and without drug-resistant SH, respectively. Their article does not state that OSA necessarily leads to significant SH, but rather that the presence of OSA is common among hypertensive individuals. As will be further discussed in this article, in addition to being a common disorder, OSA actively participates in the modulation of blood pressure and in the outcome of hypertensive patients.</p>
      <p>The epidemiologic study on the relationship between OSA and SH that has been the most frequently cited in the literature is the Wisconsin cohort, which assessed 709 normotensive individuals by polysomnography<sup>16</sup>. After a four-year follow-up, there was an increase in the incidence of SH in individuals with OSA. Also, the authors found a dose-response relationship between severity of OSA (as measured by the apnea-hypopnea index - AHI, see ahead) and the risk of development of SH. Patients with moderate and severe OSA (AHI <underline>&gt;</underline> 15 episodes per hour of sleep on polysomnography) showed an approximately three-fold increase in the risk of development of SH during the four-year follow-up in comparison to individuals not presenting any event during sleep. Other cohorts that followed showed results similar to those already described<sup>17,18</sup>.</p>
      <p>In the overall population, the risk factors for OSA include age between 40 and 70 years, male gender, obesity, presence of excessive sleepiness, snoring, structural abnormalities of the upper airways, alcohol abuse, and family history of OSA<sup>19</sup>. However, these risk factors may not be valid for specific populations such as those with cardiovascular diseases. In fact, recent evidences suggest that the male gender, excessive daytime sleepiness and snoring seem not to be good predictors of the presence of OSA in the population of hypertensive patients<sup>13,20</sup>. On the other hand, the presence of metabolic syndrome proved to be an excellent predictor of OSA in patients with hypertension<sup>13</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Pathophysiology</bold>
      </p>
      <p>Although the mechanisms through which OSA promotes increased blood pressure are not fully understood, several studies point to the possible involvement of factors such as neurohormonal activation, changes in the chemoreflex, decreased baroreceptor sensitivity, endothelial dysfunction, disorders of water and salt metabolism, and others<sup>21</sup> (<xref ref-type="fig" rid="en_00711f01-body3">Figure 1</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="en_00711f01-body3">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-00017-gf01-en.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>Neurohormonal activation in OSA includes increased sympathetic activity during sleep and wakefulness, as well as increased angiotensin II and aldosterone levels. This is probably the main mechanism involved in the genesis of SH in patients with OSA. Management of OSA based on the use of continuous positive airway pressure (CPAP) masks during the night results in a significant reduction of the sympathetic activity, as verified by determination of plasma and urine levels of norepinephrine, as well as by the fibular nerve activity<sup>22</sup>, which permits the confirmation of the importance of this pathophysiological mechanism. Likewise, some studies have suggested that the treatment of OSA also contributes to a reduction of renin and angiotensin II levels<sup>23</sup>.</p>
      <p>The mechanisms involved in the increased sympathetic activity in OSA are apparently linked to the chemoreflex activation, which is the predominating mechanism in the regulation of the ventilatory and circulatory response to changes in arterial oxygen (O<sub>2</sub>) and carbon dioxide contents (CO<sub>2</sub>)<sup>24</sup>. The chemoreflex activation leads to an increase in sympathetic activity, heart rate, blood pressure and minute-volume<sup>25</sup>. The carotid body, which is the first chemoreceptor to detect changes in partial arterial O<sub>2</sub> pressure, mediates the reflex increase in sympathetic activity and blood pressure during chronic intermittent hypoxia. There is evidence showing that chronic intermittent hypoxia exerts two effects on the carotid body<sup>26</sup>: 1) augmentation of the hypoxic sensory response (by means of reactive-oxygen species generation), and 2) induction of the so-called long-term facilitation, which is the mechanism that sustains the sympathetic hyperactivation after long periods following the end of hypoxia, and which can contribute to explain blood pressure elevation during the day.</p>
      <p>Arterial baroreceptors are sensory nervous terminations sensitive to stretching and are located in strategic regions such as the carotid sinus and aortic arch<sup>27</sup>. The arterial baroreflex is the primary mechanism of compensatory response to acute changes and continuous blood pressure fluctuations that occur in different situations. A decreased baroreflex control of the heart rate is described in OSA<sup>28</sup>. However, it is not clear whether the decreased baroreflex control in OSA represents a neural adaptation or whether it is secondary to the decreased compliance of the carotid artery and aorta<sup>29</sup> which, as we know, promotes the adaptation of the arterial baroreceptors in hypertension<sup>30,31</sup>. This baroreflex dysfunction seems to be responsible for the loss of blood pressure control during apneas, whereas the chemoreflex dysfunction would be responsible for the 24-hour blood pressure variations<sup>26</sup>.</p>
      <p>Endothelial dysfunction has been consistently reported in patients with OSA; however, this relationship does not depend on other confounders such as obesity<sup>32-34</sup>. Just like it has been suggested in the genesis of essential hypertension, endothelial dysfunction is also believed to participate in the genesis of OSA-induced SH. Reduced nitric oxide availability, increased endothelial apoptosis, and decreased hypoxia-induced cell repair capacity characterized by a decreased production of endothelial progenitor cells are some of the mechanisms proposed<sup>35</sup>. Even with the support of a causality relationship, several studies have demonstrated that the treatment with CPAP reduces endothelial dysfunction in parallel with an increased endothelial repair capacity<sup>34,35</sup>.</p>
      <p>Another factor related to endothelial dysfunction and increased vasomotricity in OSA is increased endothelin concentration. Endothelin levels are increased in OSA<sup>36</sup> and positively correlate with the severity of OSA<sup>37</sup>; its concentration decreases with treatment of this condition<sup>38</sup>. Despite these evidences, the relative role of endothelin in the genesis of OSA-induced SH is not yet defined, since there is no consensus in the literature<sup>39</sup>.</p>
      <p>Activation of the renin-angiotensin-aldosterone system by independent pathways of renin production is seen in OSA, and demonstrated by means of increased angiotensin II and aldosterone levels in comparison to individuals with similar body mass index<sup>23</sup>. These patients can show low plasma rennin activity and a high aldosterone/renin ratio, and this can lead to a wrong diagnosis of primary hyperaldosteronism<sup>40</sup>. The finding of elevated aldosterone levels is important in the treatment, because it suggests an additional effect of aldosterone inhibitors in blood pressure control of these patients, when associated with the treatment of OSA<sup>41</sup>. On the other hand, individuals with OSA and increased aldosterone levels may present with more fluid retention. This retention may contribute to more tissue edema in the airways and the generation of more obstructive apneas<sup>42</sup>, which may lead to a cycle that perpetuates SH. However, the role of the renin-angiotensin-aldosterone system in OSA is also not fully understood, since there is still no consensus in the literature as regards the participation of this axis in the genesis of OSA-related hypertension<sup>43</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Clinical presentation</bold>
      </p>
      <p>Despite scientific evidences, OSA is still underdiagnosed in the overall population, and this is also true for hypertensive patients. There are multiple causes for this problem: lack of knowledge on the part of the hypertensive patient's physician; difficulty of access to the diagnosis and treatment of OSA; and absence of symptoms such as daytime sleepiness in a significant percentage of hypertensive patients (see epidemiological aspects)<sup>13</sup>.</p>
      <p>In order to suspect OSA in hypertensive patients, the physician should actively look for signs and symptoms and not just wait for the patient to address the issue, because patients frequently do not complain about their quality of sleep to the general practitioner/cardiologist. As previously described, the presence of metabolic syndrome is an important marker of OSA among patients with hypertension<sup>13</sup>. Other predictors are age between 40 and 70 years and a high risk for OSA as assessed by the Berlin questionnaire<sup>13,44</sup>.</p>
      <p>The best test for the diagnosis of OSA is nocturnal polysomnography, whose sensitivity and specificity are close to 95%<sup>1</sup>. It consists of the simultaneous monitoring of electroencephalography; electrooculography; electromyography, oxygen saturation; air flow; thoracic and abdominal movements; and heart rate. Thus, nocturnal polysomnography permits not only the assessment of the architecture and efficiency of sleep, but also the diagnosis and differentiation of sleep disorders. In OSA, we observe that during breathing events there is active thoracic and abdominal movement translated into useless attempts to open the obstructed airway. The breathing events are followed by oxygen desaturation, and frequently end with micro-awakenings, moments at which the airway is cleared. OSA is classified as mild, moderate and severe according to the number of respiratory events (apneas and hypopneas) per hour of sleep. A normal value is considered when the number of events is lower than 5 per hour of sleep. Mild, moderate and severe OSA are defined as an apnea-hypopnea index between 5 and 14.9; 15 and 29.9 and <underline>&gt;</underline> 30 events per hour of sleep, respectively.</p>
      <p>
        <bold>Pattern of blood pressure behavior</bold>
      </p>
      <p>Typically, patients with OSA may present with diastolic hypertension alone as the first manifestation of SH<sup>45,46</sup>. The causes for this phenomenon are not yet fully understood; however, it has been hypothesized that it could be partly explained by an increased peripheral vascular resistance due to sympathetic hyperactivity commonly seen in these patients. One study showed a significant association between OSA and the occurrence of combined systolic and diastolic hypertension only in patients &lt; 60 years old, but no association was observed between isolated systolic hypertension and OSA in any age range<sup>47</sup>.</p>
      <p>One of the remarkable characteristics of OSA is the occurrence of changes in sleep dip observed on ambulatory blood pressure monitoring (ABPM). In fact, changes in nocturnal dip are one of the findings that most frequently lead general practitioners and cardiologists to consider the diagnosis of OSA, although this finding is not pathognomonic of OSA. The change in blood pressure is attributed to the sympathetic activation by breathing events and frequent awakenings that occur during sleep in these patients. This change seems to be more common in black patients and those with SH<sup>48</sup>. However, abnormal nocturnal dipping is also frequent in normotensive patients with OSA, which suggests a possible contribution of this factor to in explaining the increased cardiovascular risk in OSA, even in the absence of other associated conditions<sup>49</sup>.</p>
      <p>Another finding that seems to be common in patients with OSA and may also contribute to an increased cardiovascular risk is the occurrence of masked SH<sup>50</sup>. Recent evidence suggests that individuals with OSA and masked SH present with more significant arterial stiffness than individuals with isolated OSA and controls<sup>50</sup>. However, arterial stiffness in patients with OSA without masked SH was also more significant in the control group; therefore, this may suggest that the vascular damage promoted by OSA is not mediated only by variations in and sustained increase of blood pressure<sup>50</sup>.</p>
      <p>
        <bold>OSA and target-organ damage</bold>
      </p>
      <p>Recent evidences suggest that the presence of OSA is associated with a higher frequency of target-organ damage regardless of other confounding factors such as SH and obesity<sup>51,52</sup>. However, the presence of OSA and SH in the same individual seems to have an additive effect on the occurrence of vascular damage and cardiac remodeling when compared to each factor individually<sup>52,53</sup> (<xref ref-type="fig" rid="f2-body3">Figure 2</xref>). Although the mechanisms of cardiac remodeling in OSA are not fully understood, increased arterial stiffness of the great arteries is believed to contribute to increase the left ventricular afterload<sup>52</sup>. Also, negative intrathoracic pressure during apneas may contribute to increase the left ventricular transmural pressure. Other findings directly related to vascular remodeling and increased left ventricular afterload are the increase in the left atrium<sup>54</sup> and ascending aorta<sup>55</sup>. These data suggest that OSA may worsen the outcome of hypertensive patients and predispose to the occurrence of complications such as heart failure. However, further evidence is necessary to draw definitive conclusions on this issue.</p>
      <fig id="f2-body3">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-00017-gf02-en.jpg"/></fig>
      <p>
        <bold>Treatment</bold>
      </p>
      <p>To date, approximately 30 non-controlled studies and 22 controlled studies have demonstrated a mean reduction in blood pressure by approximately 2.5 mmHg with the use of CPAP treatment. However, few randomized clinical trials have studied populations with predominance of uncontrolled hypertensive patients. One of these studies involved the treatment with CPAP or sham CPAP (that is, CPAP with very low pressures and no therapeutic effect) for two months in patients with daytime sleepiness and OSA. The authors found a reduction by 10 mmHg in 24-hour systolic and diastolic blood pressure in the CPAP group<sup>56</sup>. In another study with a shorter follow-up and smaller number of participants, in which the patients without daytime sleepiness made a crossover for the use of CPAP, there was no reduction of blood pressure with the use of CPAP<sup>57</sup>. Thus, the presence of daytime sleepiness seems to be predictive of blood pressure response to CPAP treatment, although the mechanisms are unknown. To date, the largest study to evaluate the impact of CPAP on the reduction in blood pressure included 359 hypertensive patients without daytime sleepiness. Patients were randomized to CPAP or conservative treatment<sup>58</sup>. This study found a small reduction only in diastolic pressure (2.2 mmHg) by the end of a 12-month follow-up in the group treated with CPAP. This beneficial effect was found mainly in patients who used CPAP for more than 5.6 hours per night. We should point out that only half of the participants used antihypertensive drugs and that blood pressure assessment was made on an outpatient basis, without the use of ABPM<sup>58</sup>. <xref ref-type="table" rid="en_00711t01-body3">Table 1</xref> shows the main randomized studies in which at least 50% of the participants were hypertensive<sup>56-60</sup>.</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_00711t01-body3">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-00017-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>Summarizing these findings, a systematic review<sup>61</sup> and four meta-analyses<sup>62-65</sup> assessing the impact of CPAP on blood pressure have been published in the past few years. All point to a blood pressure reduction with the use of CPAP. Only one of them<sup>62</sup> did not show a beneficial effect of CPAP treatment on blood pressure control. However, when analyzed in only six studies with more severely ill patients (AHI &gt; 30 events/hour), the result showed reduction in systolic blood pressure by 3.3 mmHg and in diastolic blood pressure by 2.03 mmHg. In Haentjens et al's study<sup>63</sup>, which analyzed 12 placebo-controlled trials using ABPM for the assessment of blood pressure, there was a reduction by 1.77 and 1.79 mmHg in the mean 24-hour systolic and diastolic blood pressures, respectively. The most recent meta-analysis evaluated 818 patients and showed a reduction by 2.46 mmHg in systolic blood pressure and by 1.83 in diastolic blood pressure after the use of CPAP<sup>65</sup>. We should point out that these levels of blood pressure reduction can account for a long-term reduction of cardiovascular events. However, the studies chosen for inclusion in these meta-analyses are subject to criticism; they included normotensive patients, and this may have contributed to the small blood pressure reduction<sup>66</sup>. On the other hand, an important finding of one of the meta-analyses was that the magnitude of blood pressure reduction was directly associated with the number of hours of CPAP use during sleep<sup>65</sup>. Current evidences of the beneficial effects of the treatment of OSA in patients with refractory SH<sup>67-69</sup> are even weaker, although recent studies point to a greater blood pressure reduction (<xref ref-type="table" rid="t2-body3">Table 2</xref>).</p>
      <table-wrap id="t2-body3">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-02-00017-gt02-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>As regards alternative treatments of OSA, the use of mandibular advancement devices, which pull the mandible forward and, consequently, the base of the tongue, has proved efficient in reducing blood pressure and should be considered an alternative treatment for patients not complying with CPAP or those with mild/moderate OSA<sup>70,71</sup>.</p>
      <p>There is no definitive study on the use of specific antihypertensive medications for hypertensive patients with OSA. Clonidine may decrease REM sleep and then reduce the episodes of apnea during this sleep phase and improve nocturnal hypoxemia<sup>72</sup>. A comparison between five classes of drugs commonly used (atenolol, amlodipine, enalapril, losartan and hydrochlorotiazide) did not show any significant influence on the severity of OSA. All drugs showed similar effects on daytime blood pressure, but atenolol reduced nighttime blood pressure more effectively in comparison to the other drugs<sup>73</sup>. Finally, as previously mentioned in the present study, the antagonism of the renin-angiotensin-aldosterone system by means of spironolactone may be beneficial to the treatment of blood pressure in patients with OSA and resistant SH<sup>41</sup>. This beneficial effect may be mediated by edema reduction in the upper airways, because recent evidences suggest that, during the night, there is increased venous return from the legs and consequent fluid accumulation in the airway tissues, which could be one of the factors responsible for the increased collapsibility of the airways, especially in men<sup>74,75</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Future perspectives</bold>
      </p>
      <p>The body of evidence points to OSA as an important secondary cause of SH. Even in individuals already with SH, the presence of OSA may contribute to worsen blood pressure control and increase the occurrence of target-organ damage. Despite the small mean blood pressure reduction achieved with the treatment deemed standard for OSA (considering all studies including individuals with controlled blood pressure and normotensive individuals), the benefit of CPAP in terms of blood pressure reduction seems to be greater for the cases of resistant SH. Although evidences from an observational study show a possible reduction in the occurrence of fatal and non-fatal cardiovascular events with OSA treatment<sup>8</sup>, to date no randomized study has proven this effect. Also, it remains to be demonstrated whether blood pressure reduction is involved in decreased OSA-mediated cardiovascular risk. Further studies are required to define efficient options to treat OSA and, at the same time, reduce the cardiovascular risk. Another area of growing interest is the analysis of the impact of antihypertensive drugs already available and new generations of drugs on the treatment of SH in individuals with OSA. Despite some promises of mutual benefit in the treatment of SH and OSA<sup>41</sup>, further studies are necessary.</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>Sources of Funding</bold>
      </p>
      <p>This study was funded by FAPESP.</p>
      <p>
        <bold>Study Association</bold>
      </p>
      <p>This study is not associated with any post-graduation program.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
