<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="ppub">0066-782X</issn>
      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
      </publisher>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">CYbrYr7bqvhfJqCBYpXv7rr</article-id>
      <article-id pub-id-type="other">00021</article-id>
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      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2011000900021</article-id>
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        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Atualiza&#231;&#227;o Cl&#237;nica</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title>Miocardiopatia n&#227;o compactada: uma vis&#227;o atual</article-title>
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          <named-content content-type="city">S&#227;o Paulo</named-content>
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        <institution content-type="orgname">Universidade de S&#227;o Paulo</institution>
        <institution content-type="orgdiv1">Faculdade de Medicina </institution>
        <institution content-type="orgdiv2">Hospital das Cl&#237;nicas</institution>
        <country country="BR">Brazil</country>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>07</month>
        <year>2011</year>
      </pub-date>
      <volume>97</volume>
      <issue>1</issue>
      <fpage>e13</fpage>
      <lpage>e19</lpage>
      <history>
        <date date-type="rev-recd">
          <day>16</day>
          <month>03</month>
          <year>2010</year>
        </date>
        <date date-type="received">
          <day>09</day>
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          <year>2009</year>
        </date>
        <date date-type="accepted">
          <day>28</day>
          <month>04</month>
          <year>2010</year>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      </permissions>
      <abstract>
        <p>A miocardiopatia n&#227;o compactada isolada &#233; uma doen&#231;a rara, que provavelmente surge no per&#237;odo embrion&#225;rio, com a parada intrauterina da compacta&#231;&#227;o mioc&#225;rdica no in&#237;cio do desenvolvimento fetal, e que determina trabecula&#231;&#245;es mioc&#225;rdicas proeminentes com recessos intertrabeculares profundos e espessamento do mioc&#225;rdio em duas camadas distintas (compactado e n&#227;o compactado). Embora descrita inicialmente na popula&#231;&#227;o pedi&#225;trica ou em conjunto com cardiopatia cong&#234;nita, pode-se compreender que essa doen&#231;a ocorre de forma isolada, porque o diagn&#243;stico &#233; cada vez mais comum em pacientes adultos que n&#227;o apresentam outra doen&#231;a card&#237;aca. As manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas s&#227;o altamente vari&#225;veis, porque partem da aus&#234;ncia de sintomas &#224; insufici&#234;ncia card&#237;aca congestiva, arritmias e tromboembolismo sist&#234;mico. A ecocardiografia &#233; o procedimento diagn&#243;stico mais utilizado, por&#233;m o pouco conhecimento sobre essa doen&#231;a, sua semelhan&#231;a com outras afec&#231;&#245;es mioc&#225;rdicas e a limita&#231;&#227;o da t&#233;cnica ecocardiogr&#225;fica empregada fazem com que o diagn&#243;stico seja postergado. Esta revis&#227;o objetiva mostrar que outras modalidades de imagem como resson&#226;ncia magn&#233;tica, tomografia computadorizada e ventriculografia esquerda s&#227;o alternativas diagn&#243;sticas.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Cardiomiopatias</kwd>
        <kwd>estruturas embrion&#225;rias</kwd>
        <kwd>feto</kwd>
        <kwd>cardiopatias cong&#234;nitas</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>30</day>
        <month>08</month>
        <year>2011</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
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  <body>
    <p>
      <bold>ATUALIZA&#199;&#195;O CL&#205;NICA</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Miocardiopatia n&#227;o compactada - uma vis&#227;o atual</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Leonardo Vieira da Rosa; Vera Maria Cury Salemi; Leonardo Machado Alexandre; Charles Mady</bold>
    </p>
    <p>Instituto do Cora&#231;&#227;o (InCor) do Hospital das Cl&#237;nicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S&#227;o Paulo, S&#227;o Paulo, SP - Brasil</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="end">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p>A miocardiopatia n&#227;o compactada isolada &#233; uma doen&#231;a rara, que provavelmente surge no per&#237;odo embrion&#225;rio, com a parada intrauterina da compacta&#231;&#227;o mioc&#225;rdica no in&#237;cio do desenvolvimento fetal, e que determina trabecula&#231;&#245;es mioc&#225;rdicas proeminentes com recessos intertrabeculares profundos e espessamento do mioc&#225;rdio em duas camadas distintas (compactado e n&#227;o compactado). Embora descrita inicialmente na popula&#231;&#227;o pedi&#225;trica ou em conjunto com cardiopatia cong&#234;nita, pode-se compreender que essa doen&#231;a ocorre de forma isolada, porque o diagn&#243;stico &#233; cada vez mais comum em pacientes adultos que n&#227;o apresentam outra doen&#231;a card&#237;aca. As manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas s&#227;o altamente vari&#225;veis, porque partem da aus&#234;ncia de sintomas &#224; insufici&#234;ncia card&#237;aca congestiva, arritmias e tromboembolismo sist&#234;mico. A ecocardiografia &#233; o procedimento diagn&#243;stico mais utilizado, por&#233;m o pouco conhecimento sobre essa doen&#231;a, sua semelhan&#231;a com outras afec&#231;&#245;es mioc&#225;rdicas e a limita&#231;&#227;o da t&#233;cnica ecocardiogr&#225;fica empregada fazem com que o diagn&#243;stico seja postergado. Esta revis&#227;o objetiva mostrar que outras modalidades de imagem como resson&#226;ncia magn&#233;tica, tomografia computadorizada e ventriculografia esquerda s&#227;o alternativas diagn&#243;sticas.</p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> Cardiomiopatias, estruturas embrion&#225;rias/anormalidades, feto/anormalidades, cardiopatias cong&#234;nitas.</p>
    <p>
      <bold>Introdu&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>Os primeiros casos relatados de miocardiopatia n&#227;o compactada (MNC) foram associados &#224; doen&#231;a card&#237;aca cong&#234;nita com obstru&#231;&#245;es de via de sa&#237;da do ventr&#237;culo esquerdo e direito, malforma&#231;&#245;es cong&#234;nitas cian&#243;ticas complexas e anomalias coronarianas<sup>1</sup>. A forma isolada da n&#227;o compacta&#231;&#227;o mioc&#225;rdica foi primeiramente relatada por Chin e cols.<sup>2</sup> em 1990, que descreveu oito casos da doen&#231;a<sup>2</sup>.</p>
    <p>A miocardiopatia n&#227;o compactada &#233; uma desordem rara, classificada como cardiomiopatia prim&#225;ria geneticamente determinada pela Associa&#231;&#227;o Americana de Cardiologia<sup>3</sup> ou como miocardiopatia n&#227;o classificada pela Organiza&#231;&#227;o Mundial da Sa&#250;de. Caracteriza-se pelos seguintes aspectos:</p>
    <disp-quote>
      <p>&#149; Altera&#231;&#227;o na parede mioc&#225;rdica devido &#224; proemin&#234;ncia de suas trabecula&#231;&#245;es com recessos intertrabeculares profundos que podem ser secund&#225;rios &#224; parada intrauterina da compacta&#231;&#227;o mioc&#225;rdica que ocorre nos prim&#243;rdios do desenvolvimento fetal; o resultado s&#227;o duas l&#226;minas apresentadas pelo mioc&#225;rdio, em que uma &#233; compactada, e a outra, n&#227;o compactada<sup>4,5</sup>.</p>
      <p>&#149; Continuidade entre a cavidade ventricular e os recessos intertrabeculares, que s&#227;o preenchidos com sangue do ventr&#237;culo e que n&#227;o possuem comunica&#231;&#227;o com o sistema coronariano epic&#225;rdico.</p>
      <p>&#149; Diminui&#231;&#227;o da reserva do fluxo coronariano avaliado pelo PET-CT, observado na maioria dos segmentos que apresentam anormalidades de movimento da parede ventricular<sup>6</sup>.</p>
    </disp-quote>
    <p>A preval&#234;ncia da MNC na popula&#231;&#227;o geral ainda n&#227;o foi determinada. No entanto, em uma popula&#231;&#227;o de pacientes submetidos &#224; avalia&#231;&#227;o ecocardiogr&#225;fica, identificaram-se 34 casos em 15 anos de acompanhamento, o que representou 0,014% dos ecocardiogramas realizados<sup>7</sup>. Todavia, esse &#233; um dado provavelmente subestimado, visto que a qualidade de imagem desse m&#233;todo melhorou muito nos &#250;ltimos anos. Estudos mais recentes determinaram uma preval&#234;ncia da doen&#231;a em membros de fam&#237;lias afetadas em torno de 18% a 50%<sup>8</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Patog&#234;nese e gen&#233;tica da n&#227;o compacta&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>Durante o desenvolvimento embrion&#225;rio do mioc&#225;rdio, h&#225; uma rede de fibras musculares card&#237;acas frouxamente entrela&#231;adas e separadas por profundos recessos que ligam a parede mioc&#225;rdica com a cavidade ventricular. Aproximadamente entre a 5&#170; e a 8&#170; semanas, essa malha esponjosa de fibras e espa&#231;os intertrabeculares ir&#227;o compactar-se da dire&#231;&#227;o do epic&#225;rdio ao endoc&#225;rdio e da base ao &#225;pice card&#237;aco<sup>4,9</sup>. Ao mesmo tempo em que ocorre a compacta&#231;&#227;o, a circula&#231;&#227;o coronariana desenvolve-se com a redu&#231;&#227;o dos recessos intertrabeculares e a forma&#231;&#227;o de capilares. Esse processo envolve a secre&#231;&#227;o de fatores de crescimento endotelial, tais como neuregulinas e angiopoietinas<sup>4,10</sup>.</p>
    <p>A causa da n&#227;o compacta&#231;&#227;o ainda n&#227;o &#233; totalmente compreendida, mas se acredita que a sobrecarga de press&#227;o ou isquemia mioc&#225;rdica tenham papel na regress&#227;o dos sinusoides embrion&#225;rios. Esse processo resultar&#225; na persist&#234;ncia dos espa&#231;os intertrabeculares, podendo ter, em alguns casos, comunica&#231;&#227;o direta com cavidade ventricular e circula&#231;&#227;o coronariana<sup>7</sup>.</p>
    <p>Em rela&#231;&#227;o aos achados de microscopia eletr&#244;nica, n&#227;o existe um padr&#227;o histol&#243;gico espec&#237;fico, embora alguns estudos tenham descrito presen&#231;a de necrose e fibrose na bi&#243;psia endomioc&#225;rdica<sup>11-14</sup>.</p>
    <p>Algumas anormalidades card&#237;acas podem estar associadas &#224; MNC:</p>
    <disp-quote>
      <p>&#149; Mioc&#225;rdio n&#227;o compactado com sinus&#243;ides e f&#237;stulas da art&#233;ria coron&#225;ria direita pode apresentar anormalidades cong&#234;nitas nas vias de sa&#237;da dos ventr&#237;culos esquerdo e direito<sup>15</sup>.</p>
      <p>&#149; Presen&#231;a de anomalia de Ebstein, valva a&#243;rtica bivalvular e transposi&#231;&#227;o dos grandes vasos<sup>16,17</sup>. Pacientes com MNC tamb&#233;m podem apresentar defeito no septo ventricular<sup>18</sup>.</p>
      <p>&#149; A MNC pode ocorrer em doen&#231;as metab&#243;licas e s&#237;ndromes gen&#233;ticas, incluindo a s&#237;ndrome de Barth, a doen&#231;a de Charco-Marie-Tooth e a s&#237;ndrome de Melnick-Needles<sup>19</sup>.</p>
    </disp-quote>
    <p>A MNC pode ser geneticamente espor&#225;dica ou familiar. Em um estudo, seis de 34 pacientes (18%) apresentavam hist&#243;ria familiar de MNC<sup>7</sup>. Alguns indiv&#237;duos afetados podem ser detectados pelo rastreamento dos parentes assintom&#225;ticos de pacientes acometidos.</p>
    <p>Diferentes genes t&#234;m sido identificados:</p>
    <disp-quote>
      <p>&#149; Muta&#231;&#245;es no gene G4.5, encontrado nos tafazzins, s&#227;o respons&#225;veis pela s&#237;ndrome de Barth.</p>
      <p>&#149; Muta&#231;&#227;o (P121L) no gene que codifica a alfadistrobrevina, prote&#237;na citoesquel&#233;tica, e o fator de transcri&#231;&#227;o NKX2.5 foi encontrada em uma fam&#237;lia com MNC e doen&#231;a card&#237;aca cong&#234;nita<sup>3,20,21</sup>.</p>
      <p>&#149; Muta&#231;&#227;o do gene para prote&#237;na citoesquel&#233;tica, CYPHER/ZASP, foi encontrada em uma fam&#237;lia e em tr&#234;s casos espor&#225;dicos<sup>22,23</sup>.</p>
      <p>&#149; O <italic>locus</italic> no cromossomo 11p15 foi visto em uma fam&#237;lia com penetr&#226;ncia autoss&#244;mica dominante<sup>24</sup>.</p>
      <p>&#149; A muta&#231;&#227;o E101K da actina card&#237;aca alfa tem sido identificada em fam&#237;lias com MNC, defeito septal e cardiomiopatia hipertr&#243;fica apical<sup>25</sup>.</p>
    </disp-quote>
    <p>
      <bold>Manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas</bold>
    </p>
    <p>As manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas da MNC s&#227;o muito vari&#225;veis (<xref ref-type="table" rid="a21tab01m">Tabela 1</xref>). Os pacientes podem ser assintom&#225;ticos ou demonstrar sintomas de insufici&#234;ncia card&#237;aca, arritmias ou tromboembolismo<sup>25-27</sup>. Em uma pequena s&#233;rie de 16 casos, a m&#233;dia de tempo do in&#237;cio dos sintomas, ap&#243;s o diagn&#243;stico, foi de 3,5 anos<sup>4</sup>. A frequ&#234;ncia dessas manifesta&#231;&#245;es foi ilustrada em uma s&#233;rie mais recente de 34 pacientes desses mesmos autores<sup>7</sup>. Nesse estudo, no momento do diagn&#243;stico, as manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas inclu&#237;am: dispneia - 27 pacientes (79%); insufici&#234;ncia card&#237;aca (IC) classe funcional III e IV - 12 pacientes (35%); dor tor&#225;cica - 9 pacientes (26%); fibrila&#231;&#227;o atrial cr&#244;nica - 9 pacientes (26%).</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="a21tab01m">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-01-0e13-00021-gt01.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>A maioria dos pacientes com miocardiopatia n&#227;o compactada apresentar&#227;o, ao longo dos anos, sintomas de fal&#234;ncia ventricular. A origem da disfun&#231;&#227;o nesses pacientes ainda &#233; obscura, mas acredita-se que a disfun&#231;&#227;o microcirculat&#243;ria e, consequentemente, a hipoperfus&#227;o subendoc&#225;rdica corroboram de forma determinante para esse quadro<sup>2</sup>.</p>
    <p>Os achados eletrocardiogr&#225;ficos s&#227;o frequentemente anormais, mas nenhuma altera&#231;&#227;o espec&#237;fica foi identificada<sup>7</sup>. As anormalidades que podem ser descritas s&#227;o, basicamente, bloqueios de ramo e arritmias, como fibrila&#231;&#227;o atrial e taquicardia ventricular. Uma poss&#237;vel associa&#231;&#227;o com bradicardia e S&#237;ndrome de Wolff Parkinson White foi descrita em 18% dos pacientes pedi&#225;tricos com MNC<sup>20,28,29</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Diagn&#243;stico</bold>
    </p>
    <p>O diagn&#243;stico da miocardiopatia n&#227;o compactada &#233; frequentemente realizado pela ecocardiografia. Por&#233;m, outras modalidades de imagem como a resson&#226;ncia magn&#233;tica, o m&#233;todo mais escolhido, tomografia computadorizada e ventriculografia esquerda podem diagnosticar ou confirmar a suspeita cl&#237;nica.</p>
    <p>Os principais diagn&#243;sticos diferenciais da MNC incluem: cardiomiopatia dilatada, doen&#231;a card&#237;aca hipertensiva, cardiomiopatia hipertr&#243;fica apical, cardiomiopatia infiltrativa, e endomiocardiofibrose.</p>
    <p>
      <bold>A. Ecocadiograma</bold>
    </p>
    <p>&#201; utilizado como m&#233;todo inicial no diagn&#243;stico e acompanhamento<sup>7,30</sup>. Os crit&#233;rios ecocardiogr&#225;ficos propostos incluem aqueles baseados em estudos observacionais de tr&#234;s autores: Chin e cols.<sup>2</sup>, Jenni e cols.<sup>30,31</sup> e Stollberger e cols.<sup>32</sup>:</p>
    <p>
      <bold>1. Os crit&#233;rios propostos por Chin e cols.<sup>2</sup></bold>
    </p>
    <p>Presen&#231;a de x / y &lt; 0,5, em que:</p>
    <p>X = dist&#226;ncia da superf&#237;cie epic&#225;rdica at&#233; o recesso trabecular;</p>
    <p>Y = dist&#226;ncia da superf&#237;cie epic&#225;rdica at&#233; o pico das trabecula&#231;&#245;es.</p>
    <p>Esses crit&#233;rios s&#227;o aplicados para trabecula&#231;&#245;es do &#225;pice do ventr&#237;culo esquerdo com imagem apical quatro-c&#226;maras ou subxifoide no final da di&#225;stole.</p>
    <p>
      <bold>2. Crit&#233;rios propostos por Stollberger e cols.<sup>32</sup></bold>
    </p>
    <disp-quote>
      <p>&#149; Presen&#231;a de mais de tr&#234;s trabecula&#231;&#245;es na parede ventricular esquerda, com localiza&#231;&#227;o apical dos m&#250;sculos papilares, vis&#237;vel em um &#250;nico plano da imagem.</p>
      <p>&#149; Espa&#231;os intertrabeculares perfundidos desde a cavidade ventricular, visualizados por imagem ao Doppler colorido.</p>
    </disp-quote>
    <p>
      <bold>3. Crit&#233;rios propostos por Jenni e cols.<sup>30,31</sup></bold>
    </p>
    <disp-quote>
      <p>&#149; Aus&#234;ncia de anormalidades card&#237;acas coexistentes.</p>
      <p>&#149; Espessamento segmentar da parede mioc&#225;rdica do ventr&#237;culo esquerdo com duas l&#226;minas: uma l&#226;mina epic&#225;rdica fina e uma l&#226;mina endoc&#225;rdica espessa com proeminentes trabecula&#231;&#245;es e recessos profundos. A raz&#227;o do mioc&#225;rdico n&#227;o compactado com mioc&#225;rdico compactado no final da sistole &#233; &gt; 2:1;</p>
      <p>&#149; Localiza&#231;&#227;o das trab&#233;culas geralmente nas paredes apical/lateral, m&#233;dia/inferior do ventr&#237;culo esquerdo. A maioria dos segmentos n&#227;o compactados &#233; hipocin&#233;tica.</p>
      <p>&#149; Pelo Doppler colorido pode ser identificado fluxo entre os recessos intertrabeculares (<xref ref-type="fig" rid="a21fig01m">Figura 1</xref>).</p>
    </disp-quote>
    <p content-type="asset">
      <fig id="a21fig01m">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-01-0e13-00021-gf01.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>Os crit&#233;rios diagn&#243;sticos comumente utilizados s&#227;o aqueles propostos por Jenni e cols.<sup>30</sup> e Frischknecht e cols.<sup>31</sup>. S&#227;o crit&#233;rios ecocardiogr&#225;ficos dispon&#237;veis com maior acur&#225;cia. O estudo realizado por Frischknecht e cols., que fundamentou tais crit&#233;rios, foi retrospectivo e cego, em que se avaliaram 19 pacientes com miocardiopatia n&#227;o compactada, 31 com cardiopatia dilatada idiop&#225;tica, 22 com miocardiopatia hipertensiva e 86 com doen&#231;a valvar card&#237;aca grave com disfun&#231;&#227;o. Dos pacientes com MNC, todos apresentavam as duas estruturas laminares com espessamento da parede do ventr&#237;culo esquerdo, recessos perfundidos avaliados pelo Doppler colorido em 95% e segmentos hipocin&#233;ticos em 89%.</p>
    <p>A localiza&#231;&#227;o das trabecula&#231;&#245;es na parede mioc&#225;rdica encontra-se mais comumente em &#225;pice e nas paredes lateral e inferior do ventr&#237;culo esquerdo<sup>33</sup> (<xref ref-type="table" rid="tab2">Tabela 2</xref>).</p>
    <table-wrap id="tab2">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-01-0e13-00021-gt02.jpg"/></table-wrap>
    <p>
      <bold>Resson&#226;ncia magn&#233;tica card&#237;aca</bold>
    </p>
    <p>Tradicionalmente, a n&#227;o compacta&#231;&#227;o do ventr&#237;culo esquerdo &#233; diagnosticada pela ecocardiografia, quando a rela&#231;&#227;o do mioc&#225;rdio n&#227;o compactado para compactado &#233; superior a dois. Por&#233;m, a ecocardiografia n&#227;o pode, muitas vezes, visibilizar a regi&#227;o apical da melhor maneira, levando &#224; subestima&#231;&#227;o do grau de n&#227;o compacta&#231;&#227;o ventricular esquerda. Com isso, a resson&#226;ncia card&#237;aca tornou-se o m&#233;todo de escolha para confirmar ou afastar o diagn&#243;stico da MNC, pois fornece uma descri&#231;&#227;o mais detalhada da morfologia card&#237;aca em qualquer plano de imagem (<xref ref-type="fig" rid="a21fig02m">Figura 2</xref>). Uma rela&#231;&#227;o do mioc&#225;rdio n&#227;o compactado ao compactado &gt; 2,3 produz a maior sensibilidade (86%) e especificidade (99%) no diagn&#243;stico<sup>34,35</sup>. A efic&#225;cia do diagn&#243;stico realizado pela resson&#226;ncia foi avaliada por um estudo com sete pacientes com MNC, comparando-se com 170 pacientes h&#237;gidos, atletas, pacientes com miocardiopatia hipertr&#243;fica, doen&#231;a card&#237;aca, hipertensiva e estenose a&#243;rtica<sup>35</sup> e observou-se:</p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="a21fig02m">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-01-0e13-00021-gf02.jpg"/></fig>
    </p>
    <disp-quote>
      <p>1. &#193;reas de n&#227;o compacta&#231;&#227;o s&#227;o mais comumente encontradas nas por&#231;&#245;es apical e lateral do ventr&#237;culo esquerdo<sup>35</sup>.</p>
      <p>2. A rela&#231;&#227;o mioc&#225;rdico n&#227;o compactado e compactado deve ser maior que 2,3 durante a di&#225;stole (sensibilidade de 86% e especificidade de 99%)<sup>35</sup>.</p>
    </disp-quote>
    <p>
      <bold>Limita&#231;&#245;es dos crit&#233;rios dos diagn&#243;sticos</bold>
    </p>
    <p>J&#225; existem evid&#234;ncias suficientes que apoiam o conceito de miocardiopatia n&#227;o compactada como uma doen&#231;a real e que pode, em alguns casos, ter associa&#231;&#227;o com outras anomalias card&#237;acas e sist&#234;micas, principalmente desordens neuromusculares. Entretanto, estudo recente<sup>36</sup> demonstrou que uma grande propor&#231;&#227;o de pacientes com diagn&#243;stico de insufici&#234;ncia card&#237;aca sist&#243;lica preenche os crit&#233;rios utilizados para MNC, pelo menos quando esses crit&#233;rios s&#227;o aplicados a posteriori. Tamb&#233;m verificou-se que 8,3% dos controles normais arrolados nesse estudo preenchiam tais crit&#233;rios, sugerindo que trabecula&#231;&#245;es proeminentes poderiam ser mais um achado incidental. Isso &#233; particularmente verdadeiro em pessoas da ra&#231;a negra, que t&#234;m uma maior incid&#234;ncia de hipertrabecula&#231;&#227;o que cumprem os atuais crit&#233;rios de diagn&#243;stico, independentemente da presen&#231;a da doen&#231;a ventricular esquerda.</p>
    <p>Para se evitar um excesso de diagn&#243;sticos de MNC, recomenda-se a confirma&#231;&#227;o da suspeita diagn&#243;stica com o uso da resson&#226;ncia card&#237;aca, justamente para se diferenciar as trab&#233;culas de bandas aberrantes, falsos tend&#245;es e inser&#231;&#227;o anormal de m&#250;sculos papilares. Considerar diagn&#243;stico diferencial com trombos, cardiomiopatia hipertr&#243;fica apical, fibroma, processo obliterante, hematoma intramioc&#225;rdico, met&#225;stases card&#237;acas ou abscesso intramioc&#225;rdico (<xref ref-type="table" rid="tab3">Tabela 3</xref>)<sup>37,38</sup>.</p>
    <table-wrap id="tab3">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-01-0e13-00021-gt03.jpg"/></table-wrap>
    <p>Em crian&#231;as, essa cardiomiopatia deve ser diferenciada da atresia valvar pulmonar, com septo interventricular intacto e de patologias que possam induzir obstru&#231;&#227;o do fluxo de via de sa&#237;da do ventr&#237;culo esquerdo. Alguns tumores card&#237;acos como os hemangiomas, que s&#227;o caracterizados pela prolifera&#231;&#227;o de vasos sangu&#237;neos, podem ter a apar&#234;ncia de recessos<sup>26</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Tratamento</bold>
    </p>
    <p>As principais complica&#231;&#245;es relacionadas &#224; miocardiopatia n&#227;o compactada s&#227;o tromboembolismo, arritmias e insufici&#234;ncia card&#237;aca progressiva. A preven&#231;&#227;o das complica&#231;&#245;es tromboemb&#243;licas tem sido alvo de intensos debates, alguns autores recomendam anticoagula&#231;&#227;o profil&#225;tica, em longo prazo, para todos pacientes com o diagn&#243;stico de n&#227;o compacta&#231;&#227;o ventricular, independentemente da fun&#231;&#227;o ventricular<sup>4,7</sup>. No entanto, o risco de tromboembolismo &#233; provavelmente menor do que se acreditava anteriormente, com isso algumas diretrizes, incluindo a brasileira<sup>39</sup>, recomendam anticoagula&#231;&#227;o aos pacientes que apresentam fun&#231;&#227;o sist&#243;lica diminu&#237;da com fra&#231;&#227;o de eje&#231;&#227;o inferior a 40%, hist&#243;ria de tromboembolismo ou fibrila&#231;&#227;o atrial<sup>8</sup>. Preconiza-se o uso da aspirina em pacientes assintom&#225;ticos e com fun&#231;&#227;o sist&#243;lica normal. Em rela&#231;&#227;o aos betabloqueadores, a sua utiliza&#231;&#227;o na disfun&#231;&#227;o ventricular esquerda promovida pela n&#227;o compacta&#231;&#227;o &#233; feita por extrapola&#231;&#227;o das indica&#231;&#245;es de manejo na insufici&#234;ncia card&#237;aca. Embora os resultados sejam escassos, devem ser utilizados, juntamente com inibidores da enzima de convers&#227;o do angiotensinog&#234;nio (IECAS). Existe apenas um &#250;nico estudo que avaliou o uso de betabloqueador em crian&#231;as com MNC<sup>40</sup>.</p>
    <p>Devido &#224; frequencia aumentada de taquicardia ventricular e risco significativo de morte s&#250;bita, a avalia&#231;&#227;o de arritmias atriais e ventriculares pela monitoriza&#231;&#227;o ambulatorial do ECG deve ser realizada anualmente. No caso de arritmia ventricular sintom&#225;tica e no contexto da fun&#231;&#227;o sist&#243;lica prejudicada, a preven&#231;&#227;o de um evento sustentado e de arritmia potencialmente letal &#233; indicada por meio de agentes antiarr&#237;tmicos ou de desfibriladores card&#237;acos implant&#225;veis, de acordo com as diretrizes internacionais. Rastreamento ecocardiogr&#225;fico dos familiares tem sido preconizado. Devido &#224; grande preval&#234;ncia de desordens neuromusculares relatadas em pacientes com MNC, avalia&#231;&#245;es neurol&#243;gicas e musculoesquel&#233;ticas s&#227;o tamb&#233;m recomendadas.</p>
    <p>O motivo pelo qual existe uma associa&#231;&#227;o frequente entre n&#227;o compacta&#231;&#227;o e desordens neuromusculares &#233; desconhecido. A preval&#234;ncia de desordens neuromusculares foi de 82% em 49 pacientes com MNC que foram investigados neurologicamente<sup>32</sup>. Em alguns desses casos, o dist&#250;rbio neuromuscular ainda n&#227;o tinha se manifestado clinicamente. Em tais casos, o diagn&#243;stico da MNC pode levar ao diagn&#243;stico neurol&#243;gico, por isso, recomenda-se que os pacientes com MNC sejam submetidos a exames neurol&#243;gicos, independentemente de terem ou n&#227;o sintomas.</p>
    <p>Oechslin e cols.<sup>7</sup> relataram que certas caracter&#237;sticas cl&#237;nicas eram observadas mais frequentemente nos pacientes que foram a &#243;bito, comparados aos sobreviventes com MNC, incluindo maior di&#226;metro diast&#243;lico final do ventr&#237;culo esquerdo, baixa fra&#231;&#227;o de eje&#231;&#227;o, classe funcional III ou IV (<italic>Nova York Heart Association</italic>), fibrila&#231;&#227;o atrial persistente ou permanente e bloqueio de ramo. Pacientes com essas caracter&#237;sticas s&#227;o de alto risco e candidatos precocemente &#224;s interven&#231;&#245;es agressivas, incluindo considera&#231;&#227;o de cardiodesfibrilador implant&#225;vel e avalia&#231;&#227;o para transplante.</p>
    <p>O progn&#243;stico dos pacientes com miocardiopatia n&#227;o compactada &#233; determinado pelo grau e progress&#227;o da insufici&#234;ncia card&#237;aca, presen&#231;a de eventos tromboemb&#243;licos e arritmias. Em uma s&#233;rie inicial, aproximadamente 60% dos pacientes sofreram morte s&#250;bita ou foram submetidos a transplante card&#237;aco, no prazo de seis anos ap&#243;s o diagn&#243;stico<sup>4</sup>. De forma similar, em outra s&#233;rie de 34 adultos com MNC isolada, 47% daqueles pacientes morreram ou foram submetidos a transplante card&#237;aco, em um per&#237;odo de <italic>follow-up</italic> de 44 &#177; 39 meses<sup>7</sup>. A ocorr&#234;ncia de eventos emb&#243;licos, arritmias ventriculares e morte s&#250;bita parece ser consideravelmente menor nos doentes pedi&#225;tricos<sup>26</sup> quando comparada &#224; subpopula&#231;&#227;o de adultos na descri&#231;&#227;o inicial de Chin e cols.<sup>2</sup>, apesar de aproximadamente 90% dos doentes seguidos em um per&#237;odo de dez anos desenvolverem disfun&#231;&#227;o ventricular esquerda. Recentemente, Murphy e cols.<sup>8</sup> observaram melhoria no progn&#243;stico, comparando-se ao que fora relatado em estudos pr&#233;vios. Durante um per&#237;odo m&#233;dio de 46 meses, encontrou-se uma morte em uma coorte de 45 pacientes com n&#227;o compacta&#231;&#227;o ventricular, que passou por um estreito acompanhamento cl&#237;nico com intervalos regulares a cada seis meses em centro especializado.</p>
    <p>
      <bold>Conclus&#227;o</bold>
    </p>
    <p>A miocardiopatia n&#227;o compactada &#233; uma doen&#231;a com diagn&#243;stico crescente na pr&#225;tica cl&#237;nica e que pode, em alguns casos, ter associa&#231;&#227;o com outras anomalias card&#237;acas e sist&#234;micas, principalmente desordens neuromusculares. Sua apresenta&#231;&#227;o cl&#237;nica &#233; altamente vari&#225;vel e pode ser assintom&#225;tica em muitos casos, ou levar &#224; insufici&#234;ncia card&#237;aca grave e morte s&#250;bita em outros. A alta incid&#234;ncia de miocardiopatia n&#227;o compactada verificada nos &#250;ltimos anos, principalmente devido &#224; melhora das t&#233;cnicas ecocardiogr&#225;ficas e utiliza&#231;&#227;o da resson&#226;ncia card&#237;aca, sugere que a hipertrabecula&#231;&#227;o ocorre tamb&#233;m em outras comorbidades e que pode ser falsamente diagnosticada como n&#227;o compacta&#231;&#227;o ventricular<sup>41</sup>. Assim sendo, sugerimos que o diagn&#243;stico de suspeita de n&#227;o compacta&#231;&#227;o mioc&#225;rdica seja criteriosamente avaliado pelos m&#233;todos de imagem para evitar o diagn&#243;stico inapropriado e exagerado.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflito de interesses pertinentes.</p>
    <p>
      <bold>Fontes de Financiamento</bold>
    </p>
    <p>O presente estudo n&#227;o teve fontes de financiamento externas.</p>
    <p>
      <bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>N&#227;o h&#225; vincula&#231;&#227;o deste estudo a programas de p&#243;s-gradua&#231;&#227;o.</p>
    <p>
      <fn id="end" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold>Correspond&#234;ncia:</bold>
        </label>
        <p> Leonardo Vieira da Rosa</p>
        <p> Rua Alves Guimar&#227;es, 518/193 - Pinheiros</p>
        <p> 05407-000 - S&#227;o Paulo, SP - Brasil</p>
        <p> E-mail: </p>
        <p><email xlink:href="vieira27130@yahoo.com.br">vieira27130@yahoo.com.br</email>, </p>
        <p>
          <email xlink:href="vieira27130@hotmail.com">vieira27130@hotmail.com</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 09/11/09; revisado recebido em 16/03/10; aceito em 28/04/10.</p>
  </body>
  <back>
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          <article-title>Pitfalls in the diagnosis of left ventricular hypertrabeculation/non-compaction</article-title>
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          <article-title>Extent of myocardial non-compaction: comparison between MRI and echocardiographic evaluation</article-title>
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          <article-title>Effects of carvedilol on left ventricular function, mass, and scintigraphic findings in isolated left ventricular non-compaction</article-title>
          <source>Heart</source>
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          <article-title>Comparison of echocardiographic features of noncompaction of the left ventricle in adults versus idiopathic dilated cardiomyopathy in adults</article-title>
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      <article-categories>
        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Clinical Update</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Noncompaction cardiomyopathy: a current view</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>Isolated non-compaction cardiomyopathy is a rare disease that is likely to develop in the embryonic period. It is caused by the intrauterine arrest of the myocardial compaction process in the beginning of the fetal development. It is characterized by prominent myocardial trabeculations and deep intertrabecular recesses, as well as the thickening of the myocardium into two distinct layers (compacted and not compacted). Even though this disease is said to be prevalent in the pediatric population or together with congenital heart disease, one can understand that this disease occurs in isolation, because the diagnosis is becoming more common in adult patients that have no other heart disease. The clinical manifestations vary greatly, because they range from absence of symptoms to congestive heart failure, arrhythmias and systemic thromboembolism. Echocardiography is the most widely used diagnostic procedure, but the little knowledge about this disease, its similarity to other myocardial diseases and the limitation of the echocardiographic technique used delay the diagnosis. The purpose of this review is to show that that other imaging techniques, such as MRI, CT and left ventriculography have emerged as diagnostic alternatives.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Cardiomyopathies</kwd>
        <kwd>embryonic structures</kwd>
        <kwd>fetus</kwd>
        <kwd>heart defects, congenital</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>CLINICAL UPDATE</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="top-body2">
          <label>
            <bold>Noncompaction cardiomyopathy - a current view</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Leonardo Vieira da Rosa; Vera Maria Cury Salemi; Leonardo Machado Alexandre; Charles Mady</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Instituto do Cora&#231;&#227;o (InCor) do Hospital das Cl&#237;nicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S&#227;o Paulo, S&#227;o Paulo, SP - Brazil</p>
      <p>Mailing address</p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p>Isolated non-compaction cardiomyopathy is a rare disease that is likely to develop in the embryonic period. It is caused by the intrauterine arrest of the myocardial compaction process in the beginning of the fetal development. It is characterized by prominent myocardial trabeculations and deep intertrabecular recesses, as well as the thickening of the myocardium into two distinct layers (compacted and not compacted). Even though this disease is said to be prevalent in the pediatric population or together with congenital heart disease, one can understand that this disease occurs in isolation, because the diagnosis is becoming more common in adult patients that have no other heart disease. The clinical manifestations vary greatly, because they range from absence of symptoms to congestive heart failure, arrhythmias and systemic thromboembolism. Echocardiography is the most widely used diagnostic procedure, but the little knowledge about this disease, its similarity to other myocardial diseases and the limitation of the echocardiographic technique used delay the diagnosis. The purpose of this review is to show that that other imaging techniques, such as MRI, CT and left ventriculography have emerged as diagnostic alternatives.</p>
      <p><bold>Keywords:</bold> Cardiomyopathies; embryonic structures/abnormalities; fetus/abnormalities; heart defects, congenital.</p>
      <p>
        <bold>Introduction</bold>
      </p>
      <p>The first reported cases of non-compaction cardiomyopathy (NCC) were associated with congenital heart disease with obstructed outflow tract of the left and right ventricle, complex cyanotic congenital malformations and coronary anomalies<sup>1</sup>. The isolated noncompaction cardiomyopathy was reported for the first time by Chin et al<sup>2</sup> in 1990, who described eight cases of the disease<sup>2</sup>.</p>
      <p>The non-compaction cardiomyopathy is a rare disorder, which is considered to be a primary genetically-determined cardiomyopathy by the American Heart Association<sup>3</sup> or an unclassified cardiomyopathy according to the World Health Organization. It is characterized by the following aspects:</p>
      <disp-quote>
        <p>&#149; Change in myocardial wall due to the prominence of its trabeculations with deep intertrabecular recesses, which may be secondary to the intrauterine arrest of myocardial compaction that occurs in the early stages of fetal development. The result is two layers of myocardium, a compacted one and noncompacted layer<sup>4,5</sup>.</p>
        <p>&#149; Continuity between the ventricular cavity and the intertrabecular recesses, which are filled with blood from the ventricle and which have no communication with the epicardial coronary system.</p>
        <p>&#149; Decrease in the coronary flow reserve measured by PET-CT, observed in most segments that show ventricular wall motion abnormalities<sup>6</sup>.</p>
      </disp-quote>
      <p>The prevalence of NCC in the general population has not yet been determined. However, in a population of patients who underwent echocardiographic examination, it was possible to identify 34 cases in 15 years of monitoring, which represented 0.014% of the echocardiograms<sup>7</sup>. However, this is a fact that is probably underestimated, since the image quality of this method has greatly improved in recent years. More recent studies have determined that the prevalence of the disease was of around 18% to 50% among members of affected families<sup>8</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Pathogenesis and genetics of the non-compaction</bold>
      </p>
      <p>During the embryonic development of the myocardium, there is a meshwork of cardiac muscle fibers loosely interwoven and separated by deep recesses that link the myocardial wall with the ventricular cavity. Approximately between the 5<sup>th</sup> and 8<sup>th</sup> weeks, this sponge-like meshwork of fibers and intertrabecular spaces will become compressed, from the epicardium to the endocardium and from the base to the apex of the heart<sup>4,9</sup>. While the compaction occurs, the coronary circulation develops with the reduction in intertrabecular recesses and the formation of capillaries. This process involves the secretion of endothelial growth factors, such as neuregulins and angiopoietins<sup>4,10</sup>.</p>
      <p>The cause of the non-compaction is not yet fully understood, but it is believed that pressure overload or myocardial ischemia have a role in the regression of embryonic sinusoids. This process will result in the persistence of intertrabecular spaces and, in some cases, there may be a direct communication with the ventricular cavity and coronary circulation<sup>7</sup>.</p>
      <p>With respect to the findings of electron microscopy, there is not a specific histological pattern, although some studies have described the presence of necrosis and fibrosis in the endomyocardial biopsy<sup>11-14</sup>.</p>
      <p>Some cardiac abnormalities may be associated with NCC:</p>
      <disp-quote>
        <p>&#149; The noncompacted myocardium with sinusoids and fistulas of the right coronary artery may present congenital abnormalities in the outflow tract of left and right ventricles<sup>15</sup>.</p>
        <p>&#149; Presence of Ebstein's anomaly, bicuspid aortic valve and transposition of great vessels<sup>16,17</sup>. Patients with NCC may also have a ventricular septal defect<sup>18</sup>.</p>
        <p>&#149; The NCC can occur in metabolic diseases and genetic syndromes, including the Barth syndrome, the Charco-Marie-Tooth disease and the Melnick-Needles syndrome<sup>19</sup>.</p>
      </disp-quote>
      <p>The NCC can be genetically sporadic or familial. In one study, six of 34 patients (18%) had a family history of NCC<sup>7</sup>. Some affected individuals may be detected by tracking the asymptomatic relatives of affected patients.</p>
      <p>Different genes have been identified:</p>
      <disp-quote>
        <p>&#149; Mutations in the G4.5 gene, found in tafazzins, are responsible for the Barth syndrome.</p>
        <p>&#149; A mutation (P121L) in the gene that codes the dystrobrevin alpha, cytoskeletal protein and transcription factor NKX2.5 was found in a family with NCC and congenital heart disease<sup>3,20,21</sup>.</p>
        <p>&#149; A mutation of the gene for the cytoskeletal protein, CYPHER/ZASP, was found in one family and in three sporadic cases<sup>22,23</sup>.</p>
        <p>&#149; The locus on chromosome 11p15 was seen in a family with autosomal dominant penetrance<sup>24</sup>.</p>
        <p>&#149; The E101K mutation of the alpha-cardiac actin has been identified in families with NCC, septal defect and apical hypertrophic cardiomyopathy<sup>25</sup>.</p>
      </disp-quote>
      <p>
        <bold>Clinical manifestations</bold>
      </p>
      <p>The clinical manifestations of NCC vary widely (<xref ref-type="table" rid="en_a21tab01m-body2">Table 1</xref>). Patients may be asymptomatic or show symptoms of heart failure, arrhythmias or thromboembolism<sup>25-27</sup>. In a small series of 16 cases, the average time for the onset of symptoms after the diagnosis was 3.5 years<sup>4</sup>. The frequency of these manifestations was illustrated in a more recent series of 34 patients of the same authors<sup>7</sup>. In this study, at the time of the diagnosis, the clinical manifestations included: dyspnoea - 27 patients (79%); heart failure (HF) functional class III and IV - 12 patients (35%); chest pain - 9 patients (26%); chronic atrial fibrillation - 9 patients (26%).</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_a21tab01m-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-01-0e13-00021-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>Most patients with noncompaction cardiomyopathy will develop, over the years, symptoms of ventricular failure. The origin of the dysfunction in these patients is still unclear, but it is believed that the microcirculatory dysfunction and, consequently, the subendocardial hypoperfusion collaborate in a decisive way to these symptoms<sup>2</sup>.</p>
      <p>The electrocardiographic findings are often abnormal, but no specific change was identified<sup>7</sup>. The abnormalities that can be described are, basically, branch blocks and arrhythmias, such as atrial fibrillation and ventricular tachycardia. A possible association with bradycardia and Wolff Parkinson White Syndrome was described in 18% of pediatric patients with NCC<sup>20,28,29</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Diagnosis</bold>
      </p>
      <p>The diagnosis of noncompaction cardiomyopathy is often made by echocardiography. However, other imaging tests such as magnetic resonance imaging, which is the most chosen method, computed tomography and left ventriculography may diagnose or confirm the clinical suspicion.</p>
      <p>The main differential diagnoses of NCC include: dilated cardiomyopathy, hypertensive heart disease, apical hypertrophic cardiomyopathy, infiltrative cardiomyopathy and endomyocardial fibrosis.</p>
      <p>
        <bold>A. Echocardiogram</bold>
      </p>
      <p>It is used as the initial method in the diagnosis and monitoring<sup>7,30</sup>. The echocardiographic criteria proposed include those based on observational studies of three authors: Chin et al<sup>2</sup> Jenni et al<sup>30,31</sup> and Stollberger et al<sup>32</sup></p>
      <p>
        <bold>1. Criteria proposed by Chin et al<sup>2</sup></bold>
      </p>
      <p>Presence of x / y &lt; 0.5, where:</p>
      <p>X = distance from the epicardial surface to the trabecular recess;</p>
      <p>Y = distance from the epicardial surface to the peak of trabeculations.</p>
      <p>These criteria are applied to trabeculations of the left ventricular apex with subxiphoid or apical four-chamber views at the end of the diastole.</p>
      <p>
        <bold>2. Criteria proposed by Stollberger et al<sup>32</sup></bold>
      </p>
      <disp-quote>
        <p>&#149; Presence of more than three trabeculations in the left ventricular wall, with the papillary muscles located at the apex, visible in one image plane.</p>
        <p>&#149; Intertrabecular spaces, perfused from the ventricular cavity, viewed by color Doppler imaging.</p>
      </disp-quote>
      <p>
        <bold>3. Criteria proposed by Jenni et al<sup>30,31</sup></bold>
      </p>
      <disp-quote>
        <p>&#149; Absence of coexisting cardiac abnormalities.</p>
        <p>&#149; Segmental thickening of myocardial wall of left ventricle with two layers: a thin epicardial layer and a thick endocardial layer with prominent trabeculations and deep recesses. The ratio of non-compacted myocardium to compact myocardium at the end of systole is &gt; 2:1;</p>
        <p>&#149; The trabeculae are usually located on the apical/lateral, middle/bottom walls of the left ventricle. Most non-compacted segments are hypokinetic.</p>
        <p>&#149; The flow between the intertrabecular recesses can be identified by using the color Doppler method (<xref ref-type="fig" rid="en_a21fig01m-body2">Figure 1</xref>).</p>
      </disp-quote>
      <p content-type="asset">
        <fig id="en_a21fig01m-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-01-0e13-00021-gf01-en.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>The diagnostic criteria commonly used are those proposed by Jenni et al<sup>30</sup> and Frischknecht et al<sup>31</sup>. They are more accurate echocardiographic criteria that are available. The study conducted by Frischknecht et al, who substantiated such criteria, was retrospective and blinded. The study evaluated 19 patients with non-compaction cardiomyopathy, 31 with idiopathic dilated cardiomyopathy, 22 with hypertensive cardiomyopathy and 86 with severe heart valve disease with dysfunction. In all the patients with NCC, there was thickening of the left ventricle wall in the two layered structures, as well as recesses perfused and assessed by Doppler in 95% and hypokinetic segments in 89%.</p>
      <p>The myocardial wall trabeculations are most commonly located at the apex and on lateral and bottom walls of the left ventricle<sup>33</sup> (<xref ref-type="table" rid="tab2-body2">Table 2</xref>).</p>
      <table-wrap id="tab2-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-01-0e13-00021-gt02-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>
        <bold>Cardiac magnetic resonance imaging</bold>
      </p>
      <p>Traditionally, the left ventricular non-compaction is diagnosed by echocardiography, when the ratio of compacted to noncompacted myocardium is more than two. However, the apical region cannot be properly viewed by echocardiography, and this leads to underestimation of the degree of the left ventricular non-compaction. Thus, cardiac resonance has become the method of choice to confirm or rule out the diagnosis of NCC, because it provides a more detailed description of the cardiac morphology in any image plane (<xref ref-type="fig" rid="en_a21fig02m-body2">Figure 2</xref>). A ratio of compacted myocardium to noncompacted myocardium &gt; 2.3 produces the highest sensitivity (86%) and specificity (99%) in the diagnosis<sup>34,35</sup>. The effectiveness of the diagnosis made by resonance was evaluated by a study with seven patients with NCC, who were compared with 170 healthy patients, athletes, patients with hypertrophic cardiomyopathy, hypertensive heart disease and aortic stenosis<sup>35</sup>, where the following was observed:</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="en_a21fig02m-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-01-0e13-00021-gf02-en.jpg"/></fig>
      </p>
      <disp-quote>
        <p>1. The noncompaction areas are most commonly found in the apical and lateral portions of the left ventricle<sup>35</sup>.</p>
        <p>2. The ratio of noncompacted myocardium to compacted myocardium must be greater than 2.3 during the diastole (sensitivity of 86% and specificity of 99%)<sup>35</sup>.</p>
      </disp-quote>
      <p>
        <bold>Limitations of the diagnostic criteria</bold>
      </p>
      <p>There is already enough evidence to support the concept of non-compaction cardiomyopathy as a real illness and which can, in some cases, be associated with other cardiac and systemic anomalies, especially neuromuscular disorders. However, a recent study<sup>36</sup> demonstrated that a large portion of patients diagnosed with systolic heart failure met the criteria for NCC, at least when such criteria are applied a posteriori. There was also evidence that 8.3% of the normal controls listed in this study met these criteria, suggesting that prominent trabeculations could be another incidental finding. This is particularly true for black people, who have a higher incidence of hypertrabeculation that meets current diagnostic criteria, regardless of the presence of left ventricular disease.</p>
      <p>To avoid an excess of NCC diagnoses, it is recommended that the suspected diagnosis be confirmed with the use of cardiac magnetic resonance imaging, so as to differentiate the trabeculae of aberrant bands, false tendons and abnormal insertion of papillary muscles. Consider the differential diagnosis with thrombi, apical hypertrophic cardiomyopathy, fibroma, obliterative process, intramyocardial hematoma, cardiac metastases and intramyocardial abscesses (<xref ref-type="table" rid="tab3-body2">Table 3</xref>)<sup>37,38</sup>.</p>
      <table-wrap id="tab3-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-01-0e13-00021-gt03-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>In children, this cardiomyopathy must be differentiated from pulmonary valve atresia with intact interventricular septum and diseases that may lead to obstruction of the outflow of the left ventricle. Some cardiac tumors such as hemangiomas, which are characterized by the proliferation of blood vessels, may look like recesses<sup>26</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Treatment</bold>
      </p>
      <p>The main complications related to noncompaction cardiomyopathy are thromboembolism, arrhythmias and progressive heart failure. The prevention of thromboembolic complications has been the subject of intense debate. Some authors recommend prophylactic anticoagulation, in the long term, for all patients diagnosed with ventricular noncompaction, regardless of the ventricular function<sup>4,7</sup>. However, the risk of thromboembolism is probably lower than it was previously believed. As a consequence, some guidelines, including the Brazilian one<sup>39</sup>, recommend anticoagulation to patients with decreased systolic function with ejection fraction below 40%, history of thromboembolism or atrial fibrillation<sup>8</sup>. The use of aspirin is recommended for asymptomatic patients with normal systolic function. With respect to beta-blockers, their use in left ventricular dysfunction caused by noncompaction is performed by extrapolating the indications of management in heart failure. Even though the results are scarce, they should be used together with ACE inhibitors. There is only one study that evaluated the use of beta-blockers in children with NCC<sup>40</sup>.</p>
      <p>Due to the increased frequency of ventricular tachycardia and significant risk of sudden death, the evaluation of atrial and ventricular arrhythmias by ambulatory monitoring of ECG should be carried out on an annual basis. In the case of symptomatic ventricular arrhythmia and in the context of impaired systolic function, the prevention of a sustained event and potentially lethal arrhythmia is indicated by antiarrhythmic agents or implantable cardiac defibrillators, according to international guidelines. The echocardiographic tracing of relatives has been recommended. Due to the high prevalence of neuromuscular disorders reported in patients with NCC, neurological and musculoskeletal evaluations are also recommended.</p>
      <p>The reason why there is often a relationship between the noncompaction and neuromuscular disorders is unknown. The prevalence of neuromuscular disorders was of 82% in 49 patients with NCC who were neurologically investigated<sup>32</sup>. In some of these cases, the neuromuscular disorder had not yet manifested itself clinically. In such cases, the diagnosis of NCC can lead to the neurological diagnosis, so it is recommended that patients with NCC undergo neurological examinations, regardless of whether they have symptoms or not.</p>
      <p>Oechslin et al<sup>7</sup> reported that certain clinical characteristics were more frequently observed in patients who died, compared to survivors with NCC, including higher final diastolic diameter of left ventricle, low ejection fraction, functional class III-IV (New York Heart Association), persistent or permanent atrial fibrillation and bundle branch block. Patients with these characteristics are at high risk and they are, at an early stage, candidates for aggressive interventions, including the consideration of an implantable cardiac defibrillator and evaluation for transplant.</p>
      <p>The prognosis of patients with noncompaction cardiomyopathy is determined by the degree and progression of heart failure, presence of thromboembolic events and arrhythmias. In an initial series, approximately 60% of patients suffered a sudden death or underwent cardiac transplant, within six years after the diagnosis<sup>4</sup>. Similarly, in another series of 34 adults with isolated NCC, 47% of such patients died or underwent heart transplantation in a follow-up period of 44 &#177; 39 months<sup>7</sup>. The occurrence of embolic events, ventricular arrhythmias and sudden death appears to be significantly lower in pediatric patients<sup>26</sup> when compared to the subpopulation of adults in the initial description of Chin et al<sup>2</sup>, although approximately 90% of patients monitored over a period of ten years to developed left ventricular dysfunction. Recently, Murphy et al<sup>8</sup> noted improvement in prognosis, compared to what was reported in previous studies. For a mean period of 46 months, one death was found in a cohort of 45 patients with ventricular noncompaction, who were clinically monitored at regular intervals every six months in a specialized center.</p>
      <p>
        <bold>Conclusion</bold>
      </p>
      <p>Noncompaction cardiomyopathy is a disease that has been increasingly diagnosed in clinical practice and which may, in some cases, be associated with other cardiac and systemic anomalies, especially neuromuscular disorders. Its clinical presentation is highly variable and it may be asymptomatic in many cases, or it may lead to severe heart failure and sudden death in other cases. The high incidence of noncompaction cardiomyopathy in recent years, mainly due to improvements in echocardiographic techniques and use of cardiac resonance, suggests that hypertrabeculation also occurs in other comorbidities and that it may be falsely diagnosed as ventricular noncompaction. Therefore, we suggest that the diagnosis of suspected myocardial noncompaction should be carefully evaluated by imaging methods to avoid inappropriate and exaggerated diagnoses.</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>Sources of Funding</bold>
      </p>
      <p>There were no external funding sources for this study.</p>
      <p>
        <bold>Study Association</bold>
      </p>
      <p>This study is not associated with any post-graduation program.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
  <sub-article article-type="translation" id="TRes" xml:lang="es">
    <front-stub>
      <article-categories/>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="es">Miocardiopat&#237;a no compactada: una visi&#243;n actual</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="es">
        <p>La miocardiopat&#237;a no compactada aislada es una enfermedad rara, que probablemente surge en el per&#237;odo embrionario, con la parada intrauterina de la compactaci&#243;n mioc&#225;rdica en el comienzo del desarrollo fetal, y que determina trabeculaciones mioc&#225;rdicas prominentes con recesos intertrabeculares profundos y espesamiento del miocardio en dos capas distintas (compactado y no compactado). Aunque descripta inicialmente en la poblaci&#243;n pedi&#225;trica o en conjunto con cardiopat&#237;a cong&#233;nita, se puede comprender que esa enfermedad ocurre de forma aislada, porque el diagn&#243;stico es cada vez m&#225;s com&#250;n en pacientes adultos que no presentan otra enfermedad card&#237;aca. Las manifestaciones cl&#237;nicas son altamente variables, porque parten de la ausencia de s&#237;ntomas a la insuficiencia card&#237;aca congestiva, arritmias y tromboembolismo sist&#233;mico. La ecocardiograf&#237;a es el procedimiento diagn&#243;stico m&#225;s utilizado, sin embargo el poco conocimiento sobre esa enfermedad, su semejanza con otras afecciones mioc&#225;rdicas y la limitaci&#243;n de la t&#233;cnica ecocardiogr&#225;fica empleada hacen que el diagn&#243;stico sea postergado. Esta revisi&#243;n pretende mostrar que otras modalidades de imagen como resonancia magn&#233;tica, tomograf&#237;a computarizada y ventriculograf&#237;a izquierda son alternativas diagn&#243;sticas.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="es">
        <kwd>Cardiomiopat&#237;as</kwd>
        <kwd>estructuras embrionarias</kwd>
        <kwd>feto</kwd>
        <kwd>cardiopat&#237;as cong&#233;nitas</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>ACTUALIZACI&#211;N CL&#205;NICA</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="end-body3">
          <label>
            <bold>Miocardiopat&#237;a no compactada - una visi&#243;n actual</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Leonardo Vieira da Rosa; Vera Maria Cury Salemi; Leonardo Machado Alexandre; Charles Mady</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Instituto do Cora&#231;&#227;o (InCor) do Hospital das Cl&#237;nicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S&#227;o Paulo, S&#227;o Paulo, SP - Brasil</p>
      <p>Correspondencia</p>
      <p>
        <bold>RESUMEN</bold>
      </p>
      <p>La miocardiopat&#237;a no compactada aislada es una enfermedad rara, que probablemente surge en el per&#237;odo embrionario, con la parada intrauterina de la compactaci&#243;n mioc&#225;rdica en el comienzo del desarrollo fetal, y que determina trabeculaciones mioc&#225;rdicas prominentes con recesos intertrabeculares profundos y espesamiento del miocardio en dos capas distintas (compactado y no compactado). Aunque descripta inicialmente en la poblaci&#243;n pedi&#225;trica o en conjunto con cardiopat&#237;a cong&#233;nita, se puede comprender que esa enfermedad ocurre de forma aislada, porque el diagn&#243;stico es cada vez m&#225;s com&#250;n en pacientes adultos que no presentan otra enfermedad card&#237;aca. Las manifestaciones cl&#237;nicas son altamente variables, porque parten de la ausencia de s&#237;ntomas a la insuficiencia card&#237;aca congestiva, arritmias y tromboembolismo sist&#233;mico. La ecocardiograf&#237;a es el procedimiento diagn&#243;stico m&#225;s utilizado, sin embargo el poco conocimiento sobre esa enfermedad, su semejanza con otras afecciones mioc&#225;rdicas y la limitaci&#243;n de la t&#233;cnica ecocardiogr&#225;fica empleada hacen que el diagn&#243;stico sea postergado. Esta revisi&#243;n pretende mostrar que otras modalidades de imagen como resonancia magn&#233;tica, tomograf&#237;a computarizada y ventriculograf&#237;a izquierda son alternativas diagn&#243;sticas.</p>
      <p><bold>Palabras clave:</bold> Cardiomiopat&#237;as, estructuras embrionarias/anormalidades, feto/anormalidades, cardiopat&#237;as cong&#233;nitas.</p>
      <p>
        <bold>Introducci&#243;n</bold>
      </p>
      <p>Los primeros casos relatados de miocardiopat&#237;a no compactada (MNC) fueron asociados a la enfermedad card&#237;aca cong&#233;nita con obstrucciones de v&#237;a de salida del ventr&#237;culo izquierdo y derecho, malformaciones cong&#233;nitas cian&#243;ticas complejas y anomal&#237;as coronarias<sup>1</sup>. La forma aislada de la no compactaci&#243;n mioc&#225;rdica fue primeramente relatada por Chin et al<sup>2</sup> en 1990, que describi&#243; ocho casos de la enfermedad<sup>2</sup>.</p>
      <p>La miocardiopat&#237;a no compactada es un desorden raro, clasificada como cardiomiopat&#237;a primaria gen&#233;ticamente determinada por la Asociaci&#243;n Americana de Cardiolog&#237;a<sup>3</sup> o como miocardiopat&#237;a no clasificada por la Organizaci&#243;n Mundial de la Salud. Se caracteriza por los siguientes aspectos:</p>
      <disp-quote>
        <p>&#149; Alteraci&#243;n en la pared mioc&#225;rdica debido a la prominencia de sus trabeculaciones con recesos intertrabeculares profundos que pueden ser secundarios a la parada intrauterina de la compactaci&#243;n mioc&#225;rdica que ocurre en los primordios del desarrollo fetal; el resultado son dos l&#225;minas presentadas por el miocardio, en que una es compactada, y la otra, no compactada<sup>4,5</sup>.</p>
        <p>&#149; Continuidad entre la cavidad ventricular y los recesos intertrabeculares, que son llenados con sangre del ventr&#237;culo y que no poseen comunicaci&#243;n con el sistema coronario epic&#225;rdico.</p>
        <p>&#149; Disminuci&#243;n de la reserva del flujo coronario evaluado por el PET-CT, observado en la mayor&#237;a de los segmentos que presentan anormalidades de movimiento de la pared ventricular<sup>6</sup>.</p>
      </disp-quote>
      <p>La prevalencia de la MNC en la poblaci&#243;n general aun no fue determinada. Mientras tanto, en una poblaci&#243;n de pacientes sometidos a evaluaci&#243;n ecocardiogr&#225;fica, se identificaron 34 casos en 15 a&#241;os de control, lo que represent&#243; 0,014% de los ecocardiogramas realizados<sup>7</sup>. Sin embargo, ese es un dato probablemente subestimado, visto que la calidad de imagen de ese m&#233;todo mejor&#243; mucho en los &#250;ltimos a&#241;os. Estudios m&#225;s recientes determinaron una prevalencia de la enfermedad en miembros de familias afectadas de alrededor de 18% a 50%<sup>8</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Patog&#233;nesis y gen&#233;tica de la no compactaci&#243;n</bold>
      </p>
      <p>Durante el desarrollo embrionario del miocardio, hay una red de fibras musculares card&#237;acas flojamente entrelazadas y separadas por profundos recesos que ligan la pared mioc&#225;rdica con la cavidad ventricular. Aproximadamente entre la 5&#170; y la 8&#170; semanas, esa malla esponjosa de fibras y espacios intertrabeculares se compactar&#225; en la direcci&#243;n del epicardio al endocardio y de la base al &#225;pice card&#237;aco<sup>4,9</sup>. Al mismo tempo en que ocurre la compactaci&#243;n, la circulaci&#243;n coronaria se desarrolla con la reducci&#243;n de los recesos intertrabeculares y la formaci&#243;n de capilares. Ese proceso envuelve la secreci&#243;n de factores de crecimiento endotelial, tales como neuregulinas y angiopoyetinas<sup>4,10</sup>.</p>
      <p>La causa de la no compactaci&#243;n aun no es totalmente comprendida, pero se cree que la sobrecarga de presi&#243;n o isquemia mioc&#225;rdica tengan papel en la regresi&#243;n de los sinusoides embrionarios. Ese proceso resultar&#225; en la persistencia de los espacios intertrabeculares, pudiendo tener, en algunos casos, comunicaci&#243;n directa con cavidad ventricular y circulaci&#243;n coronaria<sup>7</sup>.</p>
      <p>En relaci&#243;n a los hallazgos de microscop&#237;a electr&#243;nica, no existe un est&#225;ndar histol&#243;gico espec&#237;fico, aunque algunos estudios hayan descripto presencia de necrosis y fibrosis en la biopsia endomioc&#225;rdica<sup>11-14</sup>.</p>
      <p>Algunas anormalidades card&#237;acas pueden estar asociadas a la MNC:</p>
      <disp-quote>
        <p>&#149; Miocardio no compactado con sinusoides y f&#237;stulas de la arteria coronaria derecha puede presentar anormalidades cong&#233;nitas en las v&#237;as de salida de los ventr&#237;culos izquierdo y derecho<sup>15</sup>.</p>
        <p>&#149; Presencia de anomal&#237;a de Ebstein, v&#225;lvula a&#243;rtica bivalvular y transposici&#243;n de los grandes vasos<sup>16,17</sup>. Pacientes con MNC tambi&#233;n pueden presentar defecto en el septo ventricular<sup>18</sup>.</p>
        <p>&#149; La MNC puede ocurrir en enfermedades metab&#243;licas y s&#237;ndromes gen&#233;ticos, incluyendo el s&#237;ndrome de Barth, la enfermedad de Charco-Marie-Tooth y el s&#237;ndrome de Melnick-Needles<sup>19</sup>.</p>
      </disp-quote>
      <p>La MNC puede ser gen&#233;ticamente espor&#225;dica o familiar. En un estudio, seis de 34 pacientes (18%) presentaban historia familiar de MNC<sup>7</sup>. Algunos individuos afectados pueden ser detectados por el rastreo de los parientes asintom&#225;ticos de pacientes afectados.</p>
      <p>Diferentes genes han sido identificados:</p>
      <disp-quote>
        <p>&#149; Mutaciones en el gen G4.5, encontrado en los tafazzins, son responsables por el s&#237;ndrome de Barth.</p>
        <p>&#149; Mutaci&#243;n (P121L) en el gen que codifica la alfadistrobrevina, prote&#237;na citoesquel&#233;tica, y el factor de transcripci&#243;n NKX2.5 fue encontrada en una familia con MNC y enfermedad card&#237;aca cong&#233;nita<sup>3,20,21</sup>.</p>
        <p>&#149; Mutaci&#243;n del gen para prote&#237;na citoesquel&#233;tica, CYPHER/ZASP, fue encontrada en una familia y en tres casos espor&#225;dicos<sup>22,23</sup>.</p>
        <p>&#149; El <italic>locus</italic> en el cromosoma 11p15 fue visto en una familia con penetrancia autos&#243;mica dominante<sup>24</sup>.</p>
        <p>&#149; La mutaci&#243;n E101K de la actina card&#237;aca alfa ha sido identificada en familias con MNC, defecto septal y cardiomiopat&#237;a hipertr&#243;fica apical<sup>25</sup>.</p>
      </disp-quote>
      <p>
        <bold>Manifestaciones cl&#237;nicas</bold>
      </p>
      <p>Las manifestaciones cl&#237;nicas de la MNC son muy variables (<xref ref-type="table" rid="es_a21tab01m-body3">Tabla 1</xref>). Los pacientes pueden ser asintom&#225;ticos o demostrar s&#237;ntomas de insuficiencia card&#237;aca, arritmias o tromboembolismo<sup>25-27</sup>. En una peque&#241;a serie de 16 casos, la media de tiempo del comienzo de los s&#237;ntomas, despu&#233;s del diagn&#243;stico, fue de 3,5 a&#241;os<sup>4</sup>. La frecuencia de esas manifestaciones fue ilustrada en una serie m&#225;s reciente de 34 pacientes de esos mismos autores<sup>7</sup>. En ese estudio, en el momento del diagn&#243;stico, las manifestaciones cl&#237;nicas inclu&#237;an: disnea - 27 pacientes (79%); insuficiencia card&#237;aca (IC) clase funcional III y IV - 12 pacientes (35%); dolor tor&#225;cico - 9 pacientes (26%); fibrilaci&#243;n atrial cr&#243;nica - 9 pacientes (26%).</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="es_a21tab01m-body3">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-01-0e13-00021-gt01-es.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>La mayor&#237;a de los pacientes con miocardiopat&#237;a no compactada presentar&#225;n, a lo largo de los a&#241;os, s&#237;ntomas de insuficiencia ventricular. El origen de la disfunci&#243;n en esos pacientes aun es obscura, pero se cree que la disfunci&#243;n microcirculatoria y, consecuentemente, la hipoperfusi&#243;n subendoc&#225;rdica corroboran de forma determinante para ese cuadro<sup>2</sup>.</p>
      <p>Los hallazgos electrocardiogr&#225;ficos son frecuentemente anormales, pero ninguna alteraci&#243;n espec&#237;fica fue identificada<sup>7</sup>. Las anormalidades que pueden ser descriptas son, b&#225;sicamente, bloqueos de rama y arritmias, como fibrilaci&#243;n atrial y taquicardia ventricular. Una posible asociaci&#243;n con bradicardia y S&#237;ndrome de Wolff Parkinson White fue descripta en 18% de los pacientes pedi&#225;tricos con MNC<sup>20,28,29</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Diagn&#243;stico</bold>
      </p>
      <p>El diagn&#243;stico de la miocardiopat&#237;a no compactada es frecuentemente realizado por la ecocardiograf&#237;a. Sin embargo, otras modalidades de imagen como la resonancia magn&#233;tica, el m&#233;todo m&#225;s escogido, tomograf&#237;a computada y ventriculograf&#237;a izquierda pueden diagnosticar o confirmar la sospecha cl&#237;nica.</p>
      <p>Los principales diagn&#243;sticos diferenciales de la MNC incluyen: cardiomiopat&#237;a dilatada, enfermedad card&#237;aca hipertensiva, cardiomiopat&#237;a hipertr&#243;fica apical, cardiomiopat&#237;a infiltrativa, y endomiocardiofibrosis.</p>
      <p>
        <bold>A. Ecocadiograma</bold>
      </p>
      <p>Es utilizado como m&#233;todo inicial en el diagn&#243;stico y control<sup>7,30</sup>. Los criterios ecocardiogr&#225;ficos propuestos incluyen aquellos basados en estudios observacionales de tres autores: Chin et al<sup>2</sup>, Jenni et al<sup>30,31</sup> y Stollberger et al<sup>32</sup>:</p>
      <p>
        <bold>1. Los criterios propuestos por Chin et al<sup>2</sup></bold>
      </p>
      <p>Presencia de x / y &lt; 0,5, en que:</p>
      <p>X = distancia de la superficie epic&#225;rdica hasta el receso trabecular;</p>
      <p>Y = distancia de la superficie epic&#225;rdica hasta el pico de las trabeculaciones.</p>
      <p>Esos criterios son aplicados para trabeculaciones del &#225;pice del ventr&#237;culo izquierdo con im&#225;genes apical cuatro-c&#225;maras o subxifoide en el final de la di&#225;stole.</p>
      <p>
        <bold>2. Criterios propuestos por Stollberger et al<sup>32</sup></bold>
      </p>
      <disp-quote>
        <p>&#149; Presencia de m&#225;s de tres trabeculaciones en la pared ventricular izquierda, con localizaci&#243;n apical de los m&#250;sculos papilares, visible en un &#250;nico plano de la imagen.</p>
        <p>&#149; Espacios intertrabeculares perfundidos desde la cavidad ventricular, visualizados por imagen al Doppler color.</p>
      </disp-quote>
      <p>
        <bold>3. Criterios propuestos por Jenni et al<sup>30,31</sup></bold>
      </p>
      <disp-quote>
        <p>&#149; Ausencia de anormalidades card&#237;acas coexistentes.</p>
        <p>&#149; Espesamiento segmentario de la pared mioc&#225;rdica del ventr&#237;culo izquierdo con dos l&#225;minas: una l&#225;mina epic&#225;rdica fina y una l&#225;mina endoc&#225;rdica espesa con prominentes trabeculaciones y recesos profundos. La raz&#243;n del mioc&#225;rdico no compactado con mioc&#225;rdico compactado en el final de la s&#237;stole es &gt; 2:1;</p>
        <p>&#149; Ubicaci&#243;n de las trab&#233;culas generalmente en las paredes apical/lateral, media/inferior del ventr&#237;culo izquierdo. La mayor&#237;a de los segmentos no compactados es hipocin&#233;tica.</p>
        <p>&#149; Por el Doppler color puede ser identificado flujo entre los recesos intertrabeculares (<xref ref-type="fig" rid="es_a21fig01m-body3">Figura 1</xref>).</p>
      </disp-quote>
      <p content-type="asset">
        <fig id="es_a21fig01m-body3">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-01-0e13-00021-gf01-es.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>Los criterios diagn&#243;sticos com&#250;nmente utilizados son aquellos propuestos por Jenni et al<sup>30</sup> y Frischknecht et al<sup>31</sup>. Son criterios ecocardiogr&#225;ficos disponibles con mayor precisi&#243;n. El estudio realizado por Frischknecht et al, que fundament&#243; tales criterios, fue retrospectivo y ciego, en el que se evaluaron 19 pacientes con miocardiopat&#237;a no compactada, 31 con cardiopat&#237;a dilatada idiop&#225;tica, 22 con miocardiopat&#237;a hipertensiva y 86 con enfermedad valvular card&#237;aca grave con disfunci&#243;n. De los pacientes con MNC, todos presentaban las dos estructuras laminares con espesamiento de la pared del ventr&#237;culo izquierdo, recesos perfundidos evaluados por el Doppler en 95% y segmentos hipocin&#233;ticos en 89%.</p>
      <p>La ubicaci&#243;n de las trabeculaciones en la pared mioc&#225;rdica se encuentra m&#225;s com&#250;nmente en &#225;pice y en las paredes lateral y inferior del ventr&#237;culo izquierdo<sup>33</sup> (<xref ref-type="table" rid="tab2-body3">Tabla 2</xref>).</p>
      <table-wrap id="tab2-body3">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-01-0e13-00021-gt02-es.jpg"/></table-wrap>
      <p>
        <bold>Resonancia magn&#233;tica card&#237;aca</bold>
      </p>
      <p>Tradicionalmente, la no compactaci&#243;n del ventr&#237;culo izquierdo es diagnosticada por la ecocardiografia, cuando la relaci&#243;n del miocardio no compactado para compactado es superior a dos. Sin embargo, la ecocardiografia no puede, muchas veces, visualizar la regi&#243;n apical de la mejor manera, llevando a la subestimaci&#243;n del grado de no compactaci&#243;n ventricular izquierda. Con eso, la resonancia card&#237;aca se volvi&#243; el m&#233;todo de elecci&#243;n para confirmar o descartar el diagn&#243;stico de la MNC, pues provee una descripci&#243;n m&#225;s detallada de la morfolog&#237;a card&#237;aca en cualquier plano de imagen (<xref ref-type="fig" rid="es_a21fig02m-body3">Fig. 2</xref>). Una relaci&#243;n del miocardio no compactado al compactado &gt; 2,3 produce la mayor sensibilidad (86%) y especificidad (99%) en el diagn&#243;stico<sup>34,35</sup>. La eficacia del diagn&#243;stico realizado por la resonancia fue evaluada por un estudio con siete pacientes con MNC, comparando con 170 pacientes sanos, atletas, pacientes con miocardiopat&#237;a hipertr&#243;fica, enfermedad card&#237;aca hipertensiva y estenosis a&#243;rtica<sup>35</sup> y fue observado:</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="es_a21fig02m-body3">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-01-0e13-00021-gf02-es.jpg"/></fig>
      </p>
      <disp-quote>
        <p>1. &#193;reas de no compactaci&#243;n son m&#225;s com&#250;nmente encontradas en las porciones apical y lateral del ventr&#237;culo izquierdo<sup>35</sup>.</p>
        <p>2. La relaci&#243;n mioc&#225;rdico no compactado y compactado debe ser mayor que 2,3 durante la di&#225;stole (sensibilidad de 86% y especificidad de 99%)<sup>35</sup>.</p>
      </disp-quote>
      <p>
        <bold>Limitaciones de los criterios de los diagn&#243;sticos</bold>
      </p>
      <p>Ya existen evidencias suficientes que apoyan el concepto de miocardiopat&#237;a no compactada como una enfermedad real y que puede, en algunos casos, tener asociaci&#243;n con otras anomal&#237;as card&#237;acas y sist&#233;micas, principalmente des&#243;rdenes neuromusculares. Entre tanto, estudio reciente<sup>36</sup> demostr&#243; que una gran proporci&#243;n de pacientes con diagn&#243;stico de insuficiencia card&#237;aca sist&#243;lica llena los criterios utilizados para MNC, por lo menos cuando esos criterios son aplicados a posteriori. Tambi&#233;n se verific&#243; que 8,3% de los controles normales enrolados en ese estudio llenaban tales criterios, sugiriendo que trabeculaciones prominentes podr&#237;an ser m&#225;s un hallazgo incidental. Eso es particularmente verdadero en personas de la raza negra, que tienen una mayor incidencia de hipertrabeculaci&#243;n que cumplen los actuales criterios de diagn&#243;stico, independientemente de la presencia de la enfermedad ventricular izquierda.</p>
      <p>Para evitar un exceso de diagn&#243;sticos de MNC, se recomienda la confirmaci&#243;n de la sospecha diagn&#243;stica con el uso de la resonancia card&#237;aca, justamente para diferenciar las trab&#233;culas de bandas aberrantes, falsos tendones e inserci&#243;n anormal de m&#250;sculos papilares. Considerar diagn&#243;stico diferencial con trombos, cardiomiopat&#237;a hipertr&#243;fica apical, fibroma, proceso obliterante, hematoma intramioc&#225;rdico, met&#225;stasis card&#237;acas o absceso intramioc&#225;rdico (<xref ref-type="table" rid="tab3-body3">Tabla 3</xref>)<sup>37,38</sup>.</p>
      <table-wrap id="tab3-body3">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-97-01-0e13-00021-gt03-es.jpg"/></table-wrap>
      <p>En ni&#241;os, esa cardiomiopat&#237;a debe ser diferenciada de la atresia valvular pulmonar, con septo interventricular intacto y de patolog&#237;as que puedan inducir obstrucci&#243;n del flujo de salida del ventr&#237;culo izquierdo. Algunos tumores card&#237;acos como los hemangiomas, que son caracterizados por la proliferaci&#243;n de vasos sangu&#237;neos, pueden tener la apariencia de recesos<sup>26</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Tratamiento</bold>
      </p>
      <p>Las principales complicaciones relacionadas a la miocardiopat&#237;a no compactada son tromboembolismo, arritmias y insuficiencia card&#237;aca progresiva. La prevenci&#243;n de las complicaciones tromboemb&#243;licas han sido blanco de intensos debates, algunos autores recomiendan anticoagulaci&#243;n profil&#225;ctica, a largo plazo, para todos los pacientes con diagn&#243;stico de no compactaci&#243;n ventricular, independientemente de la funci&#243;n ventricular<sup>4,7</sup>. Mientras tanto, el riesgo de tromboembolismo es probablemente menor de lo que se cre&#237;a anteriormente, con eso algunas directrices, incluyendo la brasile&#241;a<sup>39</sup>, recomiendan anticoagulaci&#243;n a los pacientes que presentan funci&#243;n sist&#243;lica disminuida con fracci&#243;n de eyecci&#243;n inferior a 40%, historia de tromboembolismo o fibrilaci&#243;n atrial<sup>8</sup>. Se preconiza el uso de la aspirina en pacientes asintom&#225;ticos y con funci&#243;n sist&#243;lica normal. En relaci&#243;n a los betabloqueantes, su utilizaci&#243;n en la disfunci&#243;n ventricular izquierda promovida por la no compactaci&#243;n es hecha por extrapolaci&#243;n de las indicaciones de manejo en la insuficiencia card&#237;aca. Aunque los resultados sean escasos, deben ser utilizados, juntamente con inhibidores de la enzima convertidora de angiotensin&#243;geno (IECAS). Existe apenas un &#250;nico estudio que evalu&#243; el uso de betabloqueante en ni&#241;os con MNC<sup>40</sup>.</p>
      <p>Debido a la frecuencia aumentada de taquicardia ventricular y riesgo significativo de muerte s&#250;bita, la evaluaci&#243;n de arritmias atriales y ventriculares por el monitoreo ambulatorio del ECG debe ser realizada anualmente. En el caso de arritmia ventricular sintom&#225;tica y en el contexto de la funci&#243;n sist&#243;lica perjudicada, la prevenci&#243;n de un evento sustentado y de arritmia potencialmente letal es indicada por medio de agentes antiarr&#237;tmicos o de desfibriladores card&#237;acos implantables, de acuerdo con las directrices internacionales. Rastreo ecocardiogr&#225;fico de los familiares ha sido preconizado. Debido a la gran prevalencia de des&#243;rdenes neuromusculares relatadas en pacientes con MNC, evaluaciones neurol&#243;gicas y musculoesquel&#233;ticas son tambi&#233;n recomendadas.</p>
      <p>El motivo por el cual existe una asociaci&#243;n frecuente entre no compactaci&#243;n y des&#243;rdenes neuromusculares es desconocido. La prevalencia de des&#243;rdenes neuromusculares fue de 82% en 49 pacientes con MNC que fueron investigados neurologicamente<sup>32</sup>. En algunos de esos casos, el trastorno neuromuscular aun no se hab&#237;a manifestado cl&#237;nicamente. En tales casos, el diagn&#243;stico de la MNC puede llevar al diagn&#243;stico neurol&#243;gico, por eso, se recomienda que los pacientes con MNC sean sometidos a ex&#225;menes neurol&#243;gicos, independientemente de haber o no s&#237;ntomas.</p>
      <p>Oechslin et al<sup>7</sup> relataron que ciertas caracter&#237;sticas cl&#237;nicas eran observadas m&#225;s frecuentemente en los pacientes que fueron a &#243;bito, comparados a los sobrevivientes con MNC, incluyendo mayor di&#225;metro diast&#243;lico final del ventr&#237;culo izquierdo, baja fracci&#243;n de eyecci&#243;n, clase funcional III-IV (<italic>Nova York Heart Association</italic>), fibrilaci&#243;n atrial persistente o permanente y bloqueo de rama. Pacientes con esas caracter&#237;sticas son de alto riesgo y candidatos precoces a intervenciones agresivas, incluyendo consideraci&#243;n de cardiodesfibrilador implantable y evaluaci&#243;n para transplante.</p>
      <p>El pron&#243;stico de los pacientes con miocardiopat&#237;a no compactada es determinado por el grado y progresi&#243;n de la insuficiencia card&#237;aca, presencia de eventos tromboemb&#243;licos y arritmias. En una serie inicial, aproximadamente 60% de los pacientes sufrieron muerte s&#250;bita o fueron sometidos a transplante card&#237;aco, en el plazo de seis a&#241;os despu&#233;s del diagn&#243;stico<sup>4</sup>. De forma similar, en otra serie de 34 adultos con MNC aislada, 47% de aquellos pacientes murieron o fueron sometidos a transplante card&#237;aco, en un per&#237;odo de <italic>follow-up</italic> de 44 &#177; 39 meses<sup>7</sup>. La ocurrencia de eventos emb&#243;licos, arritmias ventriculares y muerte s&#250;bita parece ser considerablemente menor en los enfermos pedi&#225;tricos<sup>26</sup> cuando es comparada a la subpoblaci&#243;n de adultos en la descripci&#243;n inicial de Chin et al<sup>2</sup>, a pesar de que aproximadamente 90% de los enfermos seguidos en un per&#237;odo de diez a&#241;os desarrollaron disfunci&#243;n ventricular izquierda. Recientemente, Murphy et al<sup>8</sup> observaron mejora en el pron&#243;stico, compar&#225;ndolo al que fuera relatado en estudios previos. Durante un per&#237;odo medio de 46 meses, se encontr&#243; una muerte en una cohorte de 45 pacientes con no compactaci&#243;n ventricular, que pas&#243; por un estrecho control cl&#237;nico con intervalos regulares cada seis meses en centro especializado.</p>
      <p>
        <bold>Conclusi&#243;n</bold>
      </p>
      <p>La miocardiopat&#237;a no compactada es una enfermedad con diagn&#243;stico creciente en la pr&#225;ctica cl&#237;nica y que puede, en algunos casos, tener asociaci&#243;n con otras anomal&#237;as card&#237;acas y sist&#233;micas, principalmente des&#243;rdenes neuromusculares. Su presentaci&#243;n cl&#237;nica es altamente variable y puede ser asintom&#225;tica en muchos casos, o llevar a la insuficiencia card&#237;aca grave y muerte s&#250;bita en otros. La alta incidencia de miocardiopat&#237;a no compactada verificada en los &#250;ltimos a&#241;os, principalmente debido a la mejora de las t&#233;cnicas ecocardiogr&#225;ficas y utilizaci&#243;n de la resonancia card&#237;aca, sugiere que la hipertrabeculaci&#243;n ocurre tambi&#233;n en otras comorbilidades y que puede ser falsamente diagnosticada como no compactaci&#243;n ventricular<sup>41</sup>. Siendo as&#237;, sugerimos que el diagn&#243;stico de sospecha de no compactaci&#243;n mioc&#225;rdica sea criteriosamente evaluado por los m&#233;todos de imagen para evitar el diagn&#243;stico inapropiado y exagerado.</p>
      <p>
        <bold>Potencial Conflicto de Intereses</bold>
      </p>
      <p>Declaro no haber conflicto de intereses pertinentes. </p>
      <p>
        <bold>Fuentes de Financiaci&#243;n</bold>
      </p>
      <p>El presente estudio no tuve fuentes de financiaci&#243;n externas. </p>
      <p>
        <bold>Vinculaci&#243;n Acad&#233;mica</bold>
      </p>
      <p>No hay vinculaci&#243;n de este estudio a programas de postgrado.</p>
      <p>
        <bold>Referencias</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
