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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Atualiza&#231;&#227;o Cl&#237;nica</subject>
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        <article-title>Determinantes de complica&#231;&#245;es neurol&#243;gicas no uso da circula&#231;&#227;o extracorp&#243;rea (CEC)</article-title>
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            <given-names>Natia de Freitas</given-names>
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          <named-content content-type="state">Minas Gerais</named-content>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Minas Gerais</institution>
        <country country="BR">Brazil</country>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>12</month>
        <year>2010</year>
      </pub-date>
      <volume>95</volume>
      <issue>6</issue>
      <fpage>151</fpage>
      <lpage>157</lpage>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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        <day>26</day>
        <month>01</month>
        <year>2011</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
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  <body>
    <p>
      <bold>ATUALIZA&#199;&#195;O CL&#205;NICA</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Determinantes de complica&#231;&#245;es neurol&#243;gicas no uso da circula&#231;&#227;o extracorp&#243;rea (CEC)</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Natia de Freitas Barbosa; Danilo Martins Cardinelli; Fl&#225;via Falci Ercole</bold>
    </p>
    <p>Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG - Brasil</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p><bold>Palavras-chave: </bold> Circula&#231;&#227;o extracorp&#243;rea/efeitos adversos, circula&#231;&#227;o cerebrovascular, encefalopatias, S&#237;ndrome de Resposta Inflamat&#243;ria Sist&#234;mica.</p>
    <p>
      <bold>Introdu&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>A circula&#231;&#227;o extracorp&#243;rea &#233; hoje uma tecnologia em constante evolu&#231;&#227;o, com princ&#237;pios b&#225;sicos j&#225; bem estabelecidos. Seus efeitos sobre o organismo humano ainda n&#227;o est&#227;o inteiramente definidos, assim como &#233; especulativa a fisiopatologia de diversas rea&#231;&#245;es do organismo a esse procedimento<sup>1</sup>.</p>
    <p>Por ser uma tecnologia que n&#227;o mant&#233;m princ&#237;pios da fisiologia normal, sua utiliza&#231;&#227;o rotineira estimulou an&#225;lise das complica&#231;&#245;es associadas<sup>2,3</sup> a ela. In&#250;meros pesquisadores referem que os efeitos delet&#233;rios da CEC est&#227;o relacionados com o desenvolvimento da "S&#237;ndrome de Resposta Inflamat&#243;ria Sist&#234;mica", caracterizada pelo comprometimento pulmonar, renal, cerebral e card&#237;aco<sup>3-6</sup>.</p>
    <p>O efeito da CEC sobre o sistema nervoso deve ser considerado. No transcurso da perfus&#227;o pode ocorrer um aumento da press&#227;o arterial, principalmente em idosos, que com facilidade desenvolvem edema e hemorragia cerebral. Na hipotens&#227;o, a hip&#243;xia induz &#224; inj&#250;ria tissular, sendo esta mais grave no tecido cerebral<sup>1</sup>. Al&#233;m disso, a CEC pode ocasionar processos emb&#243;licos com danos cerebrais irrevers&#237;veis<sup>7</sup>.</p>
    <p>Os progressos da tecnologia extracorp&#243;rea e das t&#233;cnicas de cirurgia, anestesia e p&#243;s-operat&#243;rio contribu&#237;ram para reduzir a incid&#234;ncia de eventos indesej&#225;veis relacionados ao sistema nervoso<sup>1</sup>. Por&#233;m, as complica&#231;&#245;es neurol&#243;gicas ainda ocorrem e, frequentemente, s&#227;o consideradas entre os mais importantes agravos, pois determinam taxas de sobrevida e produzem grande impacto na qualidade de vida do paciente e de sua fam&#237;lia.</p>
    <p>Atualmente, a CEC precisa ter um objetivo que vai al&#233;m da substitui&#231;&#227;o das fun&#231;&#245;es cardiopulmonares, devendo garantir a integridade celular e a estrutura e fun&#231;&#227;o dos &#243;rg&#227;os e sistemas durante o tempo necess&#225;rio para o desenvolvimento das cirurgias. &#201; complexo atribuir uma determinada altera&#231;&#227;o a um &#250;nico procedimento, por&#233;m, alguns autores colocam a CEC como vari&#225;vel independente para ocorr&#234;ncia de disfun&#231;&#245;es neurol&#243;gicas<sup>7-9</sup>. No entanto, h&#225; estudos que mencionam outros fatores como causadores das les&#245;es cerebrais, tais como: idade avan&#231;ada, gravidade da doen&#231;a, ato anest&#233;sico-cir&#250;rgico etc<sup>10,11</sup>.</p>
    <p>Considerando a frequente utiliza&#231;&#227;o da CEC e o pressuposto de que complica&#231;&#245;es neurol&#243;gicas comprometem a qualidade de vida, faz-se necess&#225;ria uma aprecia&#231;&#227;o dos ind&#237;cios de disfun&#231;&#227;o cerebral no manuseio da CEC. Pretende-se tamb&#233;m identificar fatores de risco inerentes &#224; CEC e interven&#231;&#245;es que minimizem a incid&#234;ncia e gravidade das les&#245;es, considerando o grau de seguran&#231;a deste procedimento.</p>
    <p>
      <bold>M&#233;todos</bold>
    </p>
    <p>Trata-se de um estudo de revis&#227;o integrativa sobre o tema complica&#231;&#245;es neurol&#243;gicas no uso da CEC. A revis&#227;o integrativa possibilita a s&#237;ntese e a an&#225;lise do conhecimento cient&#237;fico j&#225; produzido sobre o tema investigado, exigindo os mesmos padr&#245;es de rigor e clareza utilizados nos estudos prim&#225;rios<sup>12</sup>. Esse tipo de revis&#227;o permite analisar estudos com abordagens metodol&#243;gicas diferentes, mas que contemplam o tema em quest&#227;o. Os resultados dos estudos selecionados nesse tipo de revis&#227;o levam &#224; constru&#231;&#227;o de um corpo de conhecimento necess&#225;rio para o aperfei&#231;oamento t&#233;cnico-cient&#237;fico da assist&#234;ncia prestada.</p>
    <p>A an&#225;lise considerou a classifica&#231;&#227;o da for&#231;a da evid&#234;ncia elaborada por Stetler e cols., proposta por n&#237;veis para as principais fontes de evid&#234;ncia cient&#237;fica<sup>13</sup>. O n&#237;vel I engloba as revis&#245;es sistem&#225;ticas com metan&#225;lise e os estudos n&#237;vel VI s&#227;o baseados em opini&#245;es de especialistas ou de &#243;rg&#227;os de regulamenta&#231;&#227;o ou legais, conforme <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>.</p>
    <table-wrap id="t1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-06-0151-00022-gt01.jpg"/></table-wrap>
    <p>O levantamento bibliogr&#225;fico de publica&#231;&#245;es indexadas foi realizado no per&#237;odo de janeiro de 1998 a setembro de 2008, nas seguintes bases de dados: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ci&#234;ncias de Sa&#250;de (LILACS), Index Medicus Eletr&#244;nico da <italic>National Library of Medicine</italic> (MEDLINE), SciELO e Biblioteca Cochrane. Tamb&#233;m se utilizou a busca reversa de estudos originais, que &#233; um m&#233;todo de sele&#231;&#227;o de estudos a partir da bibliografia de trabalhos prim&#225;rios recuperados na busca anterior<sup>14</sup>.</p>
    <p>Ap&#243;s pesquisa nos bancos de dados, foram selecionados e inclu&#237;dos artigos das bases de dados MEDLINE e LILACS, adotando os seguintes crit&#233;rios: artigos que abordassem os temas "circula&#231;&#227;o extracorp&#243;rea" e "complica&#231;&#245;es neurol&#243;gicas", restritos aos &#250;ltimos 10 anos, nos idiomas portugu&#234;s, ingl&#234;s e espanhol. Tamb&#233;m foi utilizado como fonte de pesquisa livro com import&#226;ncia reconhecida e de relev&#226;ncia para o estudo.</p>
    <p>Ao selecionar o per&#237;odo de interesse, o quantitativo foi reduzido para 20 estudos na base de dados LILACS e 184 estudos na MEDLINE. Ap&#243;s a leitura e an&#225;lise dos 204 trabalhos selecionados, verificou-se que 27 artigos abordavam direta ou indiretamente os temas de interesse. Os artigos foram solicitados na &#237;ntegra, atrav&#233;s da Biblioteca do <italic>Campus</italic> Sa&#250;de da UFMG, pelo Sistema de Comuta&#231;&#227;o Bibliogr&#225;fica, pela consulta ao Portal de Peri&#243;dicos da CAPES e pela BIREME.</p>
    <p>Para facilitar a coleta de dados dos estudos selecionados, foi elaborado um instrumento contendo itens para an&#225;lise e s&#237;ntese dos dados do conte&#250;do das publica&#231;&#245;es conforme <xref ref-type="fig" rid="fig22q01">Quadro 1</xref>. Esses estudos foram ordenados e valorizados de acordo com a classifica&#231;&#227;o de for&#231;a de evid&#234;ncia supracitada, considerando a preval&#234;ncia de altera&#231;&#245;es neurol&#243;gicas no uso da CEC, os tipos de complica&#231;&#245;es e seus fatores causais. Os resultados extra&#237;dos de cada estudo foram discutidos &#224; luz da literatura espec&#237;fica.</p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="fig22q01">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-06-0151-00022-gf01.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>
      <bold>Resultados</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>An&#225;lise da amostra</bold>
    </p>
    <p>A amostra foi composta por: um livro amplamente referenciado nessa &#225;rea tem&#225;tica, um estudo experimental realizado <italic>in vitro</italic>, tr&#234;s estudos com delineamento do tipo caso-controle, um estudo semiexperimental com grupo &#250;nico com pr&#233; e p&#243;s-teste, 14 pesquisas descritivas observacionais tipo coorte ou estudo de caso e 08 revis&#245;es de literatura.</p>
    <p>Os pa&#237;ses que mais se destacaram em quantidade de publica&#231;&#245;es de artigos foram os Estados Unidos da Am&#233;rica (30%), Brasil (19%), Inglaterra (15%), Espanha (11%) e Jap&#227;o (11%). Dentre os idiomas selecionados, 66,7% dos estudos utilizaram a l&#237;ngua inglesa, 18,5% foram publicados na l&#237;ngua portuguesa e 14,8% dos trabalhos usaram o espanhol em sua publica&#231;&#227;o.</p>
    <p>Desde a introdu&#231;&#227;o da circula&#231;&#227;o extracorp&#243;rea at&#233; os tempos atuais, n&#227;o h&#225; uma &#233;poca espec&#237;fica para o aumento do n&#250;mero de publica&#231;&#245;es. Na amostra, percebe-se a distribui&#231;&#227;o praticamente homog&#234;nea dos peri&#243;dicos, sendo que 14 trabalhos foram publicados nos &#250;ltimos 5 anos e 13 foram publicados no intervalo de 5 a 10 anos anteriores. Esse fato demonstra o constante interesse pelo tema, contribuindo decisivamente para a constru&#231;&#227;o do conhecimento espec&#237;fico.</p>
    <p>Em rela&#231;&#227;o &#224; profiss&#227;o dos autores, 4 estudos citaram diretamente m&#233;dicos como autores. Seis estudos t&#234;m profissionais com t&#237;tulo de doutorado ou mestrado em sua autoria. A maioria da amostra referiu seus autores como membros vinculados &#224;s institui&#231;&#245;es hospitalares e universit&#225;rias (n&#227;o citando profiss&#227;o e gradua&#231;&#227;o), sendo que 37% dos trabalhos foram vinculados somente &#224;s universidades, 30% vinculados somente &#224;s institui&#231;&#245;es hospitalares, 26% vinculados a ambos os estabelecimentos e 7% n&#227;o referiram a institui&#231;&#227;o que os autores fazem parte.</p>
    <p>Na identifica&#231;&#227;o das fontes para localiza&#231;&#227;o dos artigos, 81,5% s&#227;o provenientes do MEDLINE e 18,5% foram localizados na base de dados da LILACS.</p>
    <p>Dentre os trabalhos publicados, nenhum artigo cient&#237;fico foi produzido com base em disserta&#231;&#245;es ou teses e dois artigos utilizaram o delineamento experimental ou o semiexperimental. Apesar de os experimentos apresentarem algumas limita&#231;&#245;es de car&#225;ter &#233;tico, devido a vari&#225;veis manipul&#225;veis, tecnicamente, s&#227;o estes estudos que melhor respondem ao teste das hip&#243;teses causais<sup>15</sup>.</p>
    <p>No que se refere ao procedimento &#233;tico em pesquisas envolvendo seres humanos, 6 pesquisas descritivas correlacionais, tr&#234;s estudos de caso e um estudo semiexperimental n&#227;o referiram os aspectos &#233;ticos do trabalho. Esses trabalhos representam 55,5% da amostra de estudos envolvendo seres humanos. Constata-se na Declara&#231;&#227;o de Helsinque<sup>16</sup> e na Resolu&#231;&#227;o do Conselho Nacional de Sa&#250;de n&#186; 196<sup>17</sup> que a afirma&#231;&#227;o de obedi&#234;ncia aos preceitos &#233;ticos deve constar no protocolo de pesquisa, gerando margens &#224; interpreta&#231;&#227;o de n&#227;o obrigatoriedade desta no discurso do estudo conclu&#237;do.</p>
    <p>Ao se analisar o conjunto da amostra, verifica-se que o tema do presente estudo n&#227;o &#233; espec&#237;fico de peri&#243;dicos referentes &#224; cirurgia cardiovascular ou &#224; &#225;rea de cardiologia. A maioria dos artigos foi publicada em peri&#243;dicos gerais de medicina e sa&#250;de e revistas de neurologia e anestesiologia, o que compromete tamb&#233;m a r&#225;pida atualiza&#231;&#227;o do conhecimento.</p>
    <p>Na an&#225;lise estrutural, percebe-se que em poucos casos n&#227;o h&#225; o estabelecimento de prioridades de pesquisa conforme se preconiza. &#201; importante destacar que 100% dos artigos apresentaram um quadro te&#243;rico para fundamentar o objeto de estudo e as demais etapas do processo de pesquisa. Os quadros te&#243;ricos foram variados, extra&#237;dos da bibliografia nacional e internacional, representando grande parte da amostra de estudo do presente trabalho.</p>
    <p>
      <bold>Complica&#231;&#245;es neurol&#243;gicas</bold>
    </p>
    <p>De acordo com a amostra de 28 trabalhos, 51,7% referem-se diretamente &#224; ocorr&#234;ncia de complica&#231;&#245;es neurol&#243;gicas em procedimentos que utilizam a circula&#231;&#227;o extracorp&#243;rea, sendo que apenas um destes trabalhos menciona que essa associa&#231;&#227;o &#233; relativa<sup>18</sup>. Todas as revis&#245;es de literatura e os demais trabalhos que se referem indiretamente ao tema correlato evidenciaram, no fundamento te&#243;rico, a possibilidade de agravo cerebral desse procedimento.</p>
    <p>Na an&#225;lise dos trabalhos, identificam-se grupos de pacientes de maior risco para a realiza&#231;&#227;o de CEC. Neonatos, idosos, hipertensos, diab&#233;ticos, obesos e pacientes com hist&#243;ria de acidente vascular cerebral possuem reconhecidamente uma maior suscetibilidade ao desenvolvimento de complica&#231;&#245;es neurol&#243;gicas.</p>
    <p>Quando os pacientes s&#227;o avaliados prospectivamente, por uma equipe de especialistas, utilizando tecnologia avan&#231;ada e testes refinados e espec&#237;ficos, podem ser identificadas altera&#231;&#245;es neurol&#243;gicas, tempor&#225;rias ou n&#227;o, em mais de 70% dos pacientes<sup>1</sup>.</p>
    <p>A defici&#234;ncia cognitiva &#233; referida em 16 estudos da amostra (55%), cuja incid&#234;ncia relatada varia entre 2 e 80% dos casos<sup>19-21</sup>. Altera&#231;&#245;es do n&#237;vel de aten&#231;&#227;o, do ciclo vigia-sono, da marcha e da mem&#243;ria, desorienta&#231;&#227;o simples, confus&#227;o de suave &#224; extrema e agita&#231;&#227;o psicomotora com comportamento psic&#243;tico mais grave est&#227;o entre as disfun&#231;&#245;es org&#226;nicas relatadas. Tais disfun&#231;&#245;es s&#227;o referidas geralmente como altera&#231;&#245;es funcionais difusas e revers&#237;veis (na maioria dos casos) do metabolismo oxidativo cerebral e de transmiss&#227;o tanto das vias adren&#233;rgicas quanto das colin&#233;rgicas<sup>22,23</sup>.</p>
    <p>A incid&#234;ncia de complica&#231;&#245;es neurol&#243;gicas graves, como hemorragia intracraniana em neonatos (9,9 a 31%) e adultos (3,4 a 18,9%), infarto ou morte cerebral (11%), &#233; citada em alguns artigos de n&#237;vel IV de For&#231;a de Evid&#234;ncia Cient&#237;fica<sup>20,24,25</sup>.</p>
    <p>Alguns estudos N&#237;vel III, ou com o mesmo n&#237;vel de evid&#234;ncia dos trabalhos supracitados, sup&#245;em a associa&#231;&#227;o de disfun&#231;&#227;o cerebral no manuseio da CEC em sua fundamenta&#231;&#227;o te&#243;rica, por&#233;m n&#227;o evidenciaram esta complica&#231;&#227;o neurol&#243;gica em seus resultados devido &#224; amostra ou aos mecanismos de monitoriza&#231;&#227;o insuficientes para a an&#225;lise de tal tipo de complica&#231;&#227;o<sup>4,26-28</sup>.</p>
    <p>O estabelecimento s&#250;bito de perda visual insens&#237;vel, uni ou bilateral, diagnosticado como "Neuropatia Isqu&#234;mica &#211;ptica Anterior", e a paralisia ocular t&#234;m sido discutidos com crescente frequ&#234;ncia como complica&#231;&#245;es depois de cirurgia com circula&#231;&#227;o extracorp&#243;rea<sup>23,25,29</sup>. A neuropatia isqu&#234;mica &#243;ptica descreve um defeito no nervo &#243;tico, cuja fisiopatologia do processo n&#227;o est&#225; elucidada, e leva a perda irrevers&#237;vel da vis&#227;o na maioria dos casos. As tentativas terap&#234;uticas t&#234;m falhado, logo, medidas de profilaxia transoperat&#243;rias de poss&#237;veis causas, tais como hipotens&#227;o prolongada ou vasoconstri&#231;&#227;o induzida por catecolaminas, s&#227;o sugeridas como &#250;nico modo de prevenir essa complica&#231;&#227;o<sup>29</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Mecanismos de les&#227;o</bold>
    </p>
    <p>Os mecanismos de les&#227;o cerebral mais frequentemente relatados nos estudos foram os relacionados &#224; ocorr&#234;ncia de microembolias (17 estudos) e a baixa perfus&#227;o cerebral (16 estudos), correspondendo a 63 e 59,3% dos estudos que descrevem o desenvolvimento de les&#245;es cerebrais, respectivamente. Dentre eles, 24 (89%) dos 27 trabalhos referiram-se a pelo menos um dos eventos supracitados.</p>
    <p>Esses dois mecanismos de les&#227;o podem precipitar uma cascata de eventos bioqu&#237;micos celulares induzidos por isquemia cerebral. Um estudo semiexperimental, n&#237;vel II de evid&#234;ncia cient&#237;fica, demonstra que valores menores de 40% de satura&#231;&#227;o de oxig&#234;nio alteram o desempenho cognitivo dos pacientes analisados, indicando circula&#231;&#227;o cerebral insuficiente para as demandas metab&#243;licas<sup>19</sup>. As altera&#231;&#245;es do fluxo de distribui&#231;&#227;o sangu&#237;nea durante o estado n&#227;o fisiol&#243;gico que ocorre na CEC, a resposta individual do paciente a estas altera&#231;&#245;es e a concomitante redu&#231;&#227;o do fluxo de bomba para facilitar o reparo cir&#250;rgico podem afetar adversamente a reperfus&#227;o cerebral regional e global<sup>30</sup>.</p>
    <p>O mecanismo fisiopatol&#243;gico do dano cerebral requer estudo minucioso. Pode existir uma vulnerabilidade seletiva &#224; hip&#243;xia prolongada em determinados n&#250;cleos neuronais do tronco encef&#225;lico<sup>23</sup>. A entrega inadequada de oxig&#234;nio induz &#224; morte celular por falta de energia e &#224; modula&#231;&#227;o de uma resposta excitot&#243;xica pelas c&#233;lulas parcialmente perfundidas. As c&#233;lulas isqu&#234;micas liberam uma variedade de receptores que causam um incremento de c&#225;lcio e s&#243;dio intracelular. Simultaneamente, o glucamato estimula os receptores que induzem &#224; forma&#231;&#227;o de inosol, trifosfato e diacilglicerol, que causam aumento da sensibilidade das aminas excitat&#243;rias. No estado final, as enzimas ativadas pelo c&#225;lcio degradam o &#225;cido araquid&#244;nico que, junto com o fator ativador de plaquetas, causa vasoconstri&#231;&#227;o, oclus&#227;o de vasos e, desta forma, aumenta a isquemia<sup>30</sup>.</p>
    <p>O c&#233;rebro est&#225; sujeito a uma cont&#237;nua exposi&#231;&#227;o de micro&#234;mbolos durante a CEC. A morbidade neurol&#243;gica e a magnitude da disfun&#231;&#227;o est&#227;o relacionadas com o tamanho e o n&#250;mero de &#234;mbolos difundidos na circula&#231;&#227;o cerebral. Os &#234;mbolos s&#227;o produzidos por diferentes fontes: microembolias de ar, detritos ateromatosos e trombos intracard&#237;acos na circula&#231;&#227;o cerebral<sup>5,30,31</sup>.</p>
    <p>A microembolia a&#233;rea &#233; causada por v&#225;rias situa&#231;&#245;es propensas durante o uso da CEC: 1) durante o manuseio da aorta ascendente por ocasi&#227;o do pin&#231;amento e despin&#231;amento; 2) invers&#227;o do fluxo para o ventr&#237;culo esquerdo e aorta; 3) contra&#231;&#227;o inesperada do cora&#231;&#227;o ainda aberto com aorta sem pin&#231;amento; 4) retirada de ar inadequada antes de restabelecer a circula&#231;&#227;o; e 5) situa&#231;&#245;es de baixo n&#237;vel sangu&#237;neo no reservat&#243;rio da CEC<sup>5,30,31</sup>.</p>
    <p>H&#225; fortes ind&#237;cios de que as microbolhas tamb&#233;m podem ser oriundas do movimento r&#225;pido da pr&#243;tese valvar especificamente mec&#226;nica. Essa cria um fluxo local de inclina&#231;&#245;es de alta press&#227;o que podem causar cavita&#231;&#245;es, especialmente durante o fechamento, gerando efeito de descompress&#227;o durante o desvio cardiopulmonar<sup>31</sup>.</p>
    <p>A disfun&#231;&#227;o cerebral tamb&#233;m est&#225; intrinsecamente relacionada &#224; press&#227;o intra-abdominal (IAP). O aumento da IAP pode resultar em fal&#234;ncia dos sistemas renal, circulat&#243;rio, respirat&#243;rio e nervoso. Um decr&#233;scimo no retorno do sangue venoso do sistema nervoso central (SNC) resulta em hipertens&#227;o venosa cerebral e consequente hipertens&#227;o intracraniana, edema cerebral e infarto. A alta press&#227;o intra-abdominal aumenta a press&#227;o pulmonar e a press&#227;o venosa central (PVC), portanto, pode-se presumir que o aumento da PVC influencia a homeostase do SNC<sup>32</sup>.</p>
    <p>Apesar de in&#250;meros fatores de risco relacionados &#224; CEC, deve-se considerar que o mecanismo de les&#227;o cerebral &#233; complexo e frequentemente influenciado por causas independentes, tais como: extremos de idade, hist&#243;ria pr&#233;via de enfermidade cerebrovascular, hip&#243;xia, gravidade da doen&#231;a, uso de bicarbonato e de drogas inotr&#243;picas vasopressoras e urg&#234;ncia cir&#250;rgica<sup>23,24,33,34</sup>.</p>
    <p>A resposta inflamat&#243;ria sist&#234;mica (SIRS) tamb&#233;m &#233; referida como fator em potencial para complica&#231;&#245;es p&#243;s-operat&#243;rias, sobretudo pulmonares, renais, hematol&#243;gicas e neurol&#243;gicas. O mecanismo fisiopatol&#243;gico desse processo &#233; descrito em poucos estudos dessa amostra sendo relacionado pelo uso da CEC por influ&#234;ncia de v&#225;rios fatores. Contudo, &#233; importante destacar que o desenvolvimento da SIRS ocorre em outros procedimentos cir&#250;rgicos que n&#227;o utilizam o desvio cardiopulmonar<sup>35-37</sup>.</p>
    <p>A CEC imp&#245;e altera&#231;&#245;es importantes com o estresse mec&#226;nico sobre os elementos figurados durante a mudan&#231;a do regime do fluxo sangu&#237;neo. Nesse processo, muitas interleucinas s&#227;o liberadas, sendo a IL-8 a mais ativa no SNC. Essa sofre a&#231;&#227;o da endotelina, atraindo c&#233;lulas polimorfo-nucleadas, ativadas pela resposta humoral e celular, respons&#225;veis pela inj&#250;ria cerebral por isquemia e reperfus&#227;o<sup>38,39</sup>.</p>
    <p>O conhecimento sobre o sincronismo do sistema nervoso central com rela&#231;&#227;o &#224; inicia&#231;&#227;o de circula&#231;&#227;o extracorp&#243;rea &#233; desconhecido, mas essencial a fim de compreender os mecanismos fisiopatol&#243;gicos do desenvolvimento dessas complica&#231;&#245;es neurol&#243;gicas<sup>40</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Estrat&#233;gias para prote&#231;&#227;o cerebral</bold>
    </p>
    <p>V&#225;rias estrat&#233;gias t&#234;m sido empregadas para diminuir as altera&#231;&#245;es neurol&#243;gicas associadas &#224; circula&#231;&#227;o extracorp&#243;rea. O uso de glicocorticoides, anest&#233;sicos, barbit&#250;ricos, oxigenadores de membrana, c&#226;meras hiperb&#225;ricas, hipotermia, hemofiltra&#231;&#227;o, circuitos revestidos de heparina e a manuten&#231;&#227;o da temperatura, do PH e da volemia t&#234;m sido recomendados pela literatura<sup>1,5,30</sup>.</p>
    <p>O fator de prote&#231;&#227;o cerebral da hipotermia &#233; relativo. Essa permite prolongar o tempo de parada card&#237;aca, diminuindo a necessidade de oxig&#234;nio no c&#233;rebro e evitando dano neurol&#243;gico. Por outro lado, quando profunda, requer aumento do tempo total da CEC, sendo considerado um fator de risco para sequelas neurol&#243;gicas. Al&#233;m disso, a hipotermia favorece a hemoconcentra&#231;&#227;o e o aumento da viscosidade sangu&#237;nea, o que pode provocar altera&#231;&#245;es na fun&#231;&#227;o plaquet&#225;ria, favorecendo dano cerebrovascular. O padr&#227;o considerado seguro seria de 12 a 28&#186; C segundo alguns estudos<sup>1,23</sup>.</p>
    <p>Mecanismos de monitoriza&#231;&#227;o tamb&#233;m s&#227;o sugeridos na preven&#231;&#227;o e redu&#231;&#227;o da extens&#227;o do dano cerebral, pois permitem diagn&#243;stico precoce de poss&#237;veis altera&#231;&#245;es, especialmente em pacientes que s&#227;o propensos &#224; inj&#250;ria neurol&#243;gica durante a CEC<sup>28,32</sup>. Na an&#225;lise do estudo, os mecanismos de monitoriza&#231;&#227;o mais comumente citados s&#227;o os que obt&#234;m dados de press&#227;o intracraniana, PVC, IAP e m&#233;todos de imagem, como eletroencefalograma, ultrassom uni e bilateral e doppler transcraniano.</p>
    <p>Al&#233;m dos mecanismos de monitoriza&#231;&#227;o, o desenvolvimento de dispositivos de seguran&#231;a &#233; essencial para a CEC. A linha de filtro arterial ganhou grande popularidade pela sua habilidade de remover com a mesma efic&#225;cia micro&#234;mbolos e grandes &#234;mbolos de ar, no caso de um acidente de perfus&#227;o.</p>
    <p>O estudo de Whitaker e colaboradores com delineamento caso-controle, n&#237;vel III de for&#231;a de evid&#234;ncia cient&#237;fica, define defici&#234;ncia cognitiva pela redu&#231;&#227;o do desempenho neurol&#243;gico em 9 testes, aplicados em uma amostra de 110 pacientes, divididos em dois grupos que utilizaram filtros de CEC distintos. O resultado desse trabalho demonstra que ambos os filtros foram eficientes na remo&#231;&#227;o de macro e micro&#234;mbolos durante a perfus&#227;o, com resultados semelhantes em rela&#231;&#227;o &#224; ocorr&#234;ncia de disfun&#231;&#227;o cognitiva<sup>41</sup>.</p>
    <p>O benef&#237;cio de prote&#231;&#227;o cerebral da insufla&#231;&#227;o de CO<sub>2</sub> no campo operat&#243;rio, no caso de ocorr&#234;ncia de entrada de ar na linha venosa da CEC, foi demonstrado por Martens e colaboradores, em estudo experimental <italic>in vitro,</italic> classificado como N&#237;vel II de evid&#234;ncia cient&#237;fica. Devido &#224; solubilidade do CO<sub>2</sub> ser maior do que a do ar ambiente, a oclus&#227;o ou interrup&#231;&#227;o do fluxo nas art&#233;rias cerebrais est&#225; presumivelmente diminu&#237;da quando o g&#225;s bloqueador &#233; o CO<sub>2</sub>. &#201; um m&#233;todo cada vez mais utilizado em cirurgias card&#237;acas abertas e, especialmente, em cirurgias valvares minimamente invasivas<sup>42</sup>.</p>
    <p>Outro m&#233;todo muito utilizado &#233; o da perfus&#227;o cerebral retr&#243;grada (RCP), em que o sangue oxigenado &#233; bombeado retrogradamente pela veia cava superior. Esse m&#233;todo possui vantagens se comparado a t&#233;cnicas convencionais, pois possibilita manter uniformizada a hipotermia com m&#233;todo diferenciado de administra&#231;&#227;o do perfusato. Possui tamb&#233;m mecanismo de abastecimento de oxig&#234;nio e substratos metab&#243;licos e atua na remo&#231;&#227;o de metab&#243;litos t&#243;xicos e di&#243;xido de carbono, al&#233;m de prevenir emboliza&#231;&#227;o cerebral por ar, placas ateromatosas, trombos ou outros restos celulares e <italic>debris</italic> teciduais<sup>43</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Discuss&#227;o</bold>
    </p>
    <p>A circula&#231;&#227;o extracorp&#243;rea hoje &#233; uma tecnologia amplamente utilizada. No mundo, anualmente, s&#227;o realizados em m&#233;dia 1.200.000 procedimentos card&#237;acos com circula&#231;&#227;o extracorp&#243;rea. Somente nos Estados Unidos, cerca de 700.000 cirurgias card&#237;acas s&#227;o realizadas por ano<sup>44</sup>. No Brasil, aproximadamente 40.000 opera&#231;&#245;es com circula&#231;&#227;o extracorp&#243;rea s&#227;o feitas a cada ano. Estima-se que esses n&#250;meros ser&#227;o maiores futuramente, em fun&#231;&#227;o de necessidades ainda n&#227;o atendidas da popula&#231;&#227;o<sup>1</sup>.</p>
    <p>A circula&#231;&#227;o extracorp&#243;rea &#233; um procedimento t&#233;cnico influenciado pelo emprego de numerosos dispositivos mec&#226;nicos e por respostas vari&#225;veis dos pacientes. A falta de padroniza&#231;&#227;o das t&#233;cnicas e materiais utilizados na CEC &#233; observada atrav&#233;s das varia&#231;&#245;es das formula&#231;&#245;es do perfusato, dos sistemas de monitoriza&#231;&#227;o intraoperat&#243;ria, das t&#233;cnicas de administra&#231;&#227;o da cardioplegia e dos oxigenadores usados nos circuitos. Isto pode levar a intercorr&#234;ncias no transoperat&#243;rio que afetar&#227;o diretamente a recupera&#231;&#227;o do paciente ap&#243;s a cirurgia.</p>
    <p>A seguran&#231;a dos pacientes em uso de CEC constitui um tema de destaque entre as pesquisas. Por&#233;m, poucos s&#227;o os trabalhos que descrevem as intercorr&#234;ncias frequentemente encontradas na pr&#225;tica da CEC na atualidade. Mejak e cols.<sup>45</sup> avaliaram 671.290 procedimentos card&#237;acos realizados em 797 hospitais que utilizam circula&#231;&#227;o extracorp&#243;rea, durante dois anos. Nesse estudo, foram registrados 4.882 intercorr&#234;ncias, correspondendo &#224; ocorr&#234;ncia de um incidente a cada 138 perfus&#245;es.</p>
    <p>O estudo identificou os 10 tipos de intercorr&#234;ncias mais comumente encontradas: 1&#186;) rea&#231;&#245;es &#224; protamina; 2&#186;) discrasias sangu&#237;neas; 3&#186;) falhas da bomba d'&#225;gua; 4&#186;) ar no circuito; 5&#186;) co&#225;gulos no circuito; 6&#186;) dissec&#231;&#227;o arterial; 7&#186;) falhas nos oxigenadores; 8&#186;) trocas de oxigenadores; 9&#186;) falhas mec&#226;nicas nas bombas; e 10&#186;) falhas das bombas e consequente uso de manivelas<sup>45</sup>.</p>
    <p>Al&#233;m disso, nessa pesquisa, foram identificados alguns pacientes que apresentaram acidente vascular encef&#225;lico, classificado como inj&#250;ria grave. Outras ocorr&#234;ncias menos frequentes, por&#233;m graves, foram a embolia a&#233;rea massiva (23 ocorr&#234;ncias e 6 &#243;bitos) e 11 transfus&#245;es incompat&#237;veis, com dois &#243;bitos. As intercorr&#234;ncias que resultaram em inj&#250;ria importante ou &#243;bito ocorreram em uma a cada 1.482 perfus&#245;es. Esse n&#250;mero significa que houve progressos desde a d&#233;cada de 80, quando ocorria uma inj&#250;ria grave ou &#243;bito a cada 1.000 perfus&#245;es<sup>45</sup>.</p>
    <p>Medidas preventivas para redu&#231;&#227;o da incid&#234;ncia das complica&#231;&#245;es foram sugeridas em alguns dos trabalhos selecionados, contudo, deve-se dar &#234;nfase sobre a import&#226;ncia da qualidade do trabalho realizado pela equipe durante o ato cir&#250;rgico. A experi&#234;ncia demonstra que os eventos ocorridos na sala de opera&#231;&#245;es s&#227;o os que definem o resultado final do tratamento cir&#250;rgico. A contribui&#231;&#227;o do p&#243;s-operat&#243;rio &#233; importante, mas, ao mesmo tempo, relativa, pois frequentemente &#233; incapaz de reverter altera&#231;&#245;es graves resultantes de um ato operat&#243;rio inadequadamente realizado.</p>
    <p>A equipe de cirurgia cardiovascular &#233; numerosa e multidisciplinar, e seu n&#250;cleo se constitui essencialmente de cirurgi&#227;o, anestesista e perfusionista. A supervis&#227;o geral da equipe, bem como o inter-relacionamento com os demais especialistas, em todas as circunst&#226;ncias, &#233; da responsabilidade do cirurgi&#227;o<sup>1</sup>. No entanto, &#233; incoerente considerar que o cirurgi&#227;o, a um s&#243; tempo, realiza o ato cir&#250;rgico e atua como fiscal das atividades de outro profissional, de cujo desempenho depende a vida do paciente.</p>
    <p>A participa&#231;&#227;o do perfusionista na seguran&#231;a da CEC n&#227;o pode ser ignorada. Esse profissional desempenha um papel primordial na seguran&#231;a dos procedimentos de CEC, seja por a&#231;&#227;o dos equipamentos ou aparelhos sob o seu controle, seja por sua a&#231;&#227;o direta<sup>1</sup>. Al&#233;m disso, a desaten&#231;&#227;o, durante o procedimento de qualquer que seja o membro da equipe, seja por neglig&#234;ncia ou por exaust&#227;o devido a uma carga excessiva de trabalho, pode estar na origem de eventos de extrema gravidade.</p>
    <p>Os hospitais que realizam esse tipo de procedimento e as institui&#231;&#245;es de ensino devem criar um sistema articulado capaz de oferecer educa&#231;&#227;o continuada, al&#233;m de outros mecanismos de incentivo pela melhoria da assist&#234;ncia prestada. Entretanto, nenhum dispositivo de seguran&#231;a substitui a comunica&#231;&#227;o constante entre os membros da equipe, desde o planejamento, at&#233; a execu&#231;&#227;o e o t&#233;rmino do procedimento. A CEC &#233; determinada pelo trabalho em equipe e este deve ser fundamentado na ades&#227;o de todos os profissionais que participam do procedimento.</p>
    <p>
      <bold>Conclus&#227;o</bold>
    </p>
    <p>A partir da an&#225;lise criteriosa dos dados levantados, pode-se concluir que a CEC oferece riscos cerebrovasculares comumente esperados em cirurgias de grande porte. Por&#233;m, suas peculiaridades favorecem significativamente a ocorr&#234;ncia de complica&#231;&#245;es neurol&#243;gicas, fazendo jus a tal rela&#231;&#227;o frequentemente encontrada no fundamento te&#243;rico de artigos correlatos.</p>
    <p>A metodologia aplicada para sele&#231;&#227;o dos estudos n&#227;o contempla a an&#225;lise acerca das complica&#231;&#245;es neurol&#243;gicas no perioperat&#243;rio n&#227;o relacionadas ao uso da CEC, pois destoa em parte do objeto desta pesquisa. Portanto, &#233; importante ressaltar que este estudo identifica a ocorr&#234;ncia de complica&#231;&#245;es neurol&#243;gicas e os principais mecanismos respons&#225;veis pela inj&#250;ria cerebral influenciados pela CEC, conforme a amostra pesquisada.</p>
    <p>As especificidades desse procedimento levantadas neste trabalho que refor&#231;am a incid&#234;ncia de les&#245;es neurol&#243;gicas por isquemia e reperfus&#227;o foram:</p>
    <list list-type="bullet">
      <list-item>
        <p>altera&#231;&#245;es do fluxo de distribui&#231;&#227;o sangu&#237;nea;</p>
      </list-item>
      <list-item>
        <p>hip&#243;xia prolongada possibilitada parcialmente com o advento da CEC, que intensifica uma cascata de eventos induzindo mais vasoconstri&#231;&#227;o;</p>
      </list-item>
      <list-item>
        <p>SIRS induzida pela libera&#231;&#227;o de mediadores inflamat&#243;rios ap&#243;s estresse mec&#226;nico sobre os elementos figurados, durante a mudan&#231;a do regime do fluxo sangu&#237;neo;</p>
      </list-item>
      <list-item>
        <p>microembolias de detritos ateromatosos, trombos intracard&#237;acos e ar.</p>
      </list-item>
    </list>
    <p>Esta &#250;ltima especificidade pode ser oriunda de v&#225;rias situa&#231;&#245;es inclu&#237;das no manuseio da CEC j&#225; referidas.</p>
    <p>Ap&#243;s a coleta e an&#225;lise da amostra pesquisada, consideramos que os efeitos da CEC sobre o organismo humano, entre eles os que determinam as complica&#231;&#245;es neurol&#243;gicas, ainda n&#227;o est&#227;o inteiramente elucidados. Novos estudos fisiopatol&#243;gicos s&#227;o necess&#225;rios para consolidar essa &#225;rea do conhecimento e permitir o surgimento de t&#233;cnicas capazes de reduzir a incid&#234;ncia e a extens&#227;o das les&#245;es neurol&#243;gicas.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflito de interesses pertinentes.</p>
    <p>
      <bold>Fontes de Financiamento</bold>
    </p>
    <p>O presente estudo n&#227;o teve fontes de financiamento externas.</p>
    <p>
      <bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>Este artigo &#233; parte de tese de especializa&#231;&#227;o de Natia de Freitas Barbosa pela Universidade Federal de Minas Gerais.</p>
    <p>
      <fn id="back" fn-type="corresp">
        <p>Correspond&#234;ncia:</p>
        <p> Natia de Freitas Barbosa </p>
        <p> Rua Edson Silveira, 29, Casa 05 - S&#227;o Gabriel </p>
        <p> 31980-120 - Belo Horizonte, MG - Brasil </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p><email xlink:href="natia_freitas@yahoo.com.br">natia_freitas@yahoo.com.br</email>, </p>
        <p>
          <email xlink:href="natia.freitas@gmail.com.br">natia.freitas@gmail.com.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 11/03/09; revisado recebido em 03/09/09; aceito em 15/12/09.</p>
  </body>
  <back>
    <ref-list>
      <ref id="B1">
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          <source>Fundamentos da circula&#231;&#227;o extracorp&#243;rea</source>
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            <year>2006</year>
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          <person-group person-group-type="author">
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              <surname>Souza</surname>
              <given-names>MHL</given-names>
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              <surname>Elias</surname>
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          <article-title>S&#237;ndrome da resposta inflamat&#243;ria sist&#234;mica na circula&#231;&#227;o extracorp&#243;rea: papel das interleucinas</article-title>
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          <article-title>Pediatric extracorporeal life support and central nervous system injury</article-title>
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          <article-title>A prospective clinical study of cerebral microemboli and neuropsychological outcome comparing vent-line and auto-venting arterial line filters: both filters are equally safe</article-title>
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          <article-title>Behavior of gaseous microemboli in extracorporeal circuits: air versus CO2</article-title>
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        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Clinical Update</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
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        <article-title xml:lang="en">Determinants of neurological complications with the use of extracorporeal circulation (ECC)</article-title>
      </title-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>CLINICAL UPDATE</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="top-body2">
          <label>
            <bold>Determinants of neurological complications with the use of extracorporeal circulation (ECC)</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Natia de Freitas Barbosa; Danilo Martins Cardinelli; Fl&#225;via Falci Ercole</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG - Brazil</p>
      <p>Mailing address</p>
      <p><bold>Keywords:</bold> Extracorporeal circulation/adverse effects; systemic inflammatory response syndrome; cerebrovascular circulation; brain diseases.</p>
      <p>
        <bold>Introduction</bold>
      </p>
      <p>Extracorporeal circulation is currently an ever-changing technology with well-established basic principles. Its effects on the human body are not yet fully defined; likewise, the pathophysiology of several body reactions to this procedure remains a speculation<sup>1</sup>.</p>
      <p>Because it is a technology in which the principles of normal physiology are not followed, its routine use has encouraged the analysis of associated complications<sup>2,3</sup>. Innumerous researchers report that the deleterious effects of ECC are related to the development of the "Systemic Inflammatory Response Syndrome", characterized by pulmonary, renal, cerebral and cardiac involvement<sup>3-6</sup>.</p>
      <p>The effect of ECC on the nervous system should be considered. During perfusion, there can be blood pressure elevation, especially in the elderly, who easily develop cerebral edema and hemorrhage. In the presence of hypotension, hypoxia induces tissue damage, this being more severe in the cerebral tissue<sup>1</sup>. Also, ECC may lead to embolic processes with permanent cerebral damage<sup>7</sup>.</p>
      <p>The advances in the technology of extracorporeal circulation and surgical techniques, anesthesia and postoperative care have contributed to reduce the incidence of undesirable events related to the nervous system<sup>1</sup>. However, neurological complications still occur and are frequently included among the most important events, because they determine survival rates and have a great impact on the quality of life of patients and their families.</p>
      <p>Currently, the objective of ECC must go beyond the replacement of cardiopulmonary functions, and should ensure cellular integrity, as well as the structure and function of organs and systems during the time required for the performance of surgeries. To attribute one given alteration to a single procedure is a complex idea; however, some authors classify ECC as an independent variable for the occurrence of neurological dysfunctions<sup>7-9</sup>. Nonetheless, some studies mention other factors as the cause of cerebral lesions, namely: advanced age, severity of disease, anesthetic-surgical procedure, and others<sup>10,11</sup>.</p>
      <p>Given the frequent use of ECC and the assumption that neurological complications affect the quality of life, it is necessary to consider the evidences of cerebral dysfunction in the management of ECC. Risk factors inherent to ECC and interventions that minimize the incidence and severity of the lesions should also be identified, taking into account the level of safety of this procedure.</p>
      <p>
        <bold>Methods</bold>
      </p>
      <p>This is an integrative review on neurological complications caused by the use of ECC. Integrative reviews permit the synthesis and analysis of the scientific knowledge already produced on the subject investigated, meeting the same standards as primary research in terms of clarity and rigor<sup>12</sup>. This type of review permits the analysis of studies that have different methodological approaches, but address the subject at issue. The outcomes of the studies selected in this type of review lead to the construction of a body of knowledge necessary for the technical and scientific improvement of the care provided.</p>
      <p>The analysis was based on the classification of strength of evidence elaborated by Stetler et al, who proposed levels for the main sources of scientific evidence<sup>13</sup>. Level I encompasses systematic reviews with meta-analysis, and level VI studies are based on the opinions of experts or of legal or regulatory agencies, as shown in <xref ref-type="table" rid="t1-body2">Table 1</xref>.</p>
      <table-wrap id="t1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-06-0151-00022-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>The bibliographic survey of indexed publications was carried out in the period between January 1998 and September 2008, in the following databases: <italic>Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ci&#234;ncias de Sa&#250;de</italic> (Latin-American and Caribbean Literature on Health Sciences - LILACS), electronic Index Medicus of the National Library of Medicine (MEDLINE), SciELO and Cochrane Library. Reverse search of original articles, which is a study selection method from the references of primary works retrieved in the previous search<sup>14</sup>, was also used.</p>
      <p>After search in the databases, manuscripts from MEDLINE and LILACS databases were selected and included, based on the following criteria: manuscripts addressing the themes "extracorporeal circulation" and "neurological complications", restricted to the past 10 years, in the Portuguese, English and Spanish languages. One book of acknowledged importance and relevance for this study was also used as a research source.</p>
      <p>When the period of interest was selected, the number of manuscripts was reduced to 20 in the LILACS database and to 184 in MEDLINE. After reading and analyzing the 204 manuscripts selected, we verified that 27 articles directly or indirectly addressed the issues of interest. The full-text articles were ordered through <italic>Biblioteca do Campus Sa&#250;de da UFMG</italic> (Health Campus Library, UFMG), the Bibliographic Commutation System, consultation of the Homepage of CAPES Periodicals, and through BIREME (<italic>Biblioteca de Revistas M&#233;dicas -</italic> Library of Medical Journals).</p>
      <p>In order to facilitate data collection from the studies selected, an instrument containing items for the analysis and synthesis of data from the content of the publications was elaborated, as shown in <xref ref-type="fig" rid="en_22b01-body2">Box 1</xref>. These studies were put in order and were assigned values according to the classification of strength of evidence previously mentioned, considering the prevalence of neurological changes with the use of ECC, the types of complications, and their causal factors. The results extracted from each study were discussed in light of the specific literature.</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="en_22b01-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-06-0151-00022-gf01-en.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>
        <bold>Results</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Sample analysis</bold>
      </p>
      <p>The sample comprised one widely referenced book on this theme, one in vitro experimental study, three studies with a case-control design, one quasi-experimental study with a single group with pre and post-test, 14 cohort or case report observational descriptive studies, and eight literature reviews.</p>
      <p>The countries with the largest number of publications were the United States of America (30%), Brazil (19%), England (15%), Spain (11%), and Japan (11%). As regards the languages selected, 66.7% of the studies were published in English, 18.5% in Portuguese, and 14.8% in Spanish.</p>
      <p>From the introduction of extracorporeal circulation to the present day, there has been no specific time for the increase in the number of publications. In this sample, the distribution of periodicals is practically homogeneous, with 14 studies published in the past 5 years, and 13 in the previous 5 to 10 years. This shows the constant interest in the theme, which contributes decisively for the construction of a specific knowledge.</p>
      <p>In relation to the authors' professions, four studies directly cited doctors as the authors. The authors of six studies icluded professionals with a doctorate or masters degree. Most of the sample mentioned that their authors were affiliated members of hospital institutions or universities (but did not mention their profession or titles), and 37% of the studies were linked exclusively to universities, 30% only to hospital institutions, 26% to both, and 7% did not mention the authors affiliations.</p>
      <p>In the identification of the sources for manuscript search, 81.5% were from MEDLINE and 18.5% were found in the LILACS database.</p>
      <p>Among the studies published, no scientific article was produced based on dissertations or theses, and two used an experimental or quasi-experimental design. Although the experiments had some limitations regarding ethical aspects due to manipulable variables, they are technically the studies that best respond to the test of causal hypotheses<sup>15</sup>.</p>
      <p>As regards the ethical procedure in researches involving humans, six correlational descriptive studies, three case studies and one quasi-experimental study did not mention the ethical aspects of the study. These studies account for 55.5% of the study sample involving humans. The Declaration of Helsinki<sup>16</sup> and Resolution no. 196 of the National Health Council<sup>17</sup> establish that the compliance to ethical principles should be stated in the study protocol, but there is room for the interpretation that this statement is not mandatory in the final text of the studies.</p>
      <p>When the whole sample was analyzed, we could observe that the theme of the present study is not specific to periodicals related to cardiovascular surgery or cardiology. Most of the manuscripts were published in general medical and health periodicals and neurology and anesthesiology journals, and this can also hinder a rapid update of knowledge.</p>
      <p>In the structural analysis, we observed that only in a few cases the research priorities are not established as recommended. It is important to point out that 100% of the studies provided a background to support their objective and the other phases of the research process. The background was varied, extracted from national and international references, and represented a great part of the sample of the present study.</p>
      <p>
        <bold>Neurological complications</bold>
      </p>
      <p>Of the 28 studies analyzed, 51.7% are directly related to the occurrence of neurological complications in procedures using extracorporeal circulation, and only one of these studies mentions that this association is relative<sup>18</sup>. The background of all literature reviews and other studies that indirectly refer to the subject at issue showed the possibility of cerebral damage resulting from this procedure.</p>
      <p>In the study analysis, patient groups at a greater risk for the performance of ECC were identified. Neonates, elderly, hypertensive, diabetic and obese patients, as well as those with history of stroke are known to be more susceptible to the development of neurological complications.</p>
      <p>When patients are prospectively evaluated by an expert team using advanced technology, as well as refined and specific tests, neurological alterations, whether temporary or not, can be identified in more than 70% of them<sup>1</sup>.</p>
      <p>Cognitive impairment is reported in 16 studies of the sample (55%), with an incidence ranging from 2 to 80% of the cases<sup>19-21</sup>. Disorders of the level of attention, wake-sleep cycle, gait and memory; simple disorientation; mild to severe confusion; and psychomotor agitation with more severe psychotic behavior are among the organ dysfunctions reported. These dysfunctions are usually described as diffuse and reversible functional changes (in most of the cases) of the cerebral oxidative metabolism and of transmission, both in the adrenergic and cholinergic pathways<sup>22,23</sup>.</p>
      <p>The incidence of severe neurological complications such as intracranial hemorrhage in neonates (9.9 to 31%) and adults (3.4 to 18.9%), cerebral death or infarction (11%) is cited in some of the Strength of Scientific Evidence level IV articles<sup>20,24,25</sup>.</p>
      <p>The occurrence of cerebral dysfunction during the handling of ECC is presumed in the background of some level III or level IV studies; however, these studies did not show this neurological complication in their results due to the sample size or to the insufficient monitoring mechanisms for the analysis of this type of complication<sup>4,26-28</sup>.</p>
      <p>Sudden onset of painless loss of vision, whether uni or bilateral, diagnosed as "anterior ischemic optical neuropathy" and ocular palsy have been discussed with increasing frequency as complications following surgeries with extracorporeal circulaton<sup>23,25,29</sup>. Ischemic optical neuropathy is a defect in the optical nerve; its pathophysiology is not yet clear, and leads to irreversible loss of vision in most of the cases. Therapeutic attempts have failed. Thus, prophylactic transoperative measures targeting the possible causes, such as prolonged hypotension or catecholamine-induced vasoconstriction, have been suggested as the only means to prevent this complication<sup>29</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Mechanisms of lesion</bold>
      </p>
      <p>The mechanisms of brain lesion more frequently reported in the studies were those related to the occurrence of microembolism (17 studies) and low cerebral perfusion (16 studies), corresponding to 63 and 59.3% of the studies describing the development of brain lesions, respectively. Twenty four (89%) out of the 27 studies reported at least one of these events.</p>
      <p>These two mechanisms of lesion may precipitate a cascade of cellular biochemical events induced by cerebral ischemia. A scientific evidence level II quasi-experimental study showed that values lower than 40% of oxygen saturation are able to cause cognitive impairment in the patients analyzed, indicating insufficient cerebral circulation for the metabolic demands<sup>19</sup>. Changes in blood flow distribution during the non-physiological state seen in ECC, the patient's individual response to these changes, and the concurrent reduction of pump flow to facilitate surgical repair may adversely affect regional and global cerebral reperfusion<sup>30</sup>.</p>
      <p>The pathophysiological mechanism of brain damage requires a detailed study. There may be a selective vulnerability to prolonged hypoxia in certain neuronal nuclei of the brainstem<sup>23</sup>. Inadequate oxygen delivery induces cell death due to lack of energy and to the modulation of an excitotoxic response by partially perfused cells. The ischemic cells release a variety of receptors that cause elevation of intracellular calcium and sodium. Simultaneously, glucamate stimulates the receptors that induce the formation of inosol, triphosphate and diacylglycerol, which lead to increased sensitivity of excitatory amines. In the final state, calcium-activated enzymes degrade arachidonic acid, which, together with platelet activating factor, lead to vasoconstriction, vessel occlusion, and thus aggravate ischemia<sup>30</sup>.</p>
      <p>The brain is subject to continuous exposure to microemboli during ECC. Neurological morbidity and the magnitude of dysfunction are related to the size and number of emboli spread in the cerebral circulation. Emboli are produced by different sources: gaseous microemboli, atheromatous material, and intracardiac thrombi in the cerebral circulation<sup>5,30,31</sup>.</p>
      <p>Gaseous microembolism is caused by several situations created during the use of ECC: 1) during manipulation of the ascending aorta while clamping and unclamping; 2) flow switch to the left ventricle and aorta; 3) unexpected heart contraction while it is still open, with unclamped aorta; 4) inadequate air removal before reestablishing circulation; and 5) situations of low blood level in the ECC reservoir<sup>5,30,31</sup>.</p>
      <p>There are strong evidences that microbubbles may also originate from the rapid movement of prosthetic valves, specifically mechanical ones. These generate a local flow of high pressure inclinations that can cause cavitations, especially during closure, thus causing a decompression effect during the cardiopulmonary bypass<sup>31</sup>.</p>
      <p>Cerebral dysfunction is also intrinsically related to the intra-abdominal pressure (IAP). IAP elevation may lead to renal, circulatory, respiratory and nervous system failure. A decrease in venous blood return from the central nervous system (CNS) results in cerebral venous hypertension and consequent intracranial hypertension, cerebral edema and infarction. High intra-abdominal pressure increases pulmonary pressure and central venous pressure (CVP); therefore we can presume that increased CVP influences CNS homeostasis<sup>32</sup>.</p>
      <p>Despite the innumerous risk factors related to ECC, we should consider that the mechanism of brain lesion is complex and frequently influenced by independent causes such as extremes of age, previous history of cerebrovascular diseases, hypoxia, severity of disease, use of bicarbonate and vasopressor and inotropic drugs, and urgency of the surgery<sup>23,24,33,34</sup>.</p>
      <p>The systemic inflammatory response syndrome (SIRS) is also considered a potential factor for postoperative complications, especially pulmonary, renal, hematologic and neurological complications. The pathophysiological mechanism of this process is described in only a few studies of this sample, and is related to the use of ECC and influenced by several factors. However, it is important to point out that the development of SIRS also occurs in other off-pump surgical procedures<sup>35-37</sup>.</p>
      <p>The mechanical stress of ECC causes important changes in the formed elements during the switch in the blood flow regimen. In this process, many interleukins are released, with IL-8 being more active in the CNS. IL-8 suffers the action of endothelin, attracting polymorphonuclear cells activated by the humoral and cellular responses, which are responsible for brain injury due to ischemia and reperfusion<sup>38,39</sup>.</p>
      <p>The synchronization of the central nervous system with the initiation of extracorporeal circulation is unknown, but essential for the understanding of the pathophysiological mechanisms of the development of these neurological complications<sup>40</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Strategies for brain protection</bold>
      </p>
      <p>Several strategies have been used to reduce the neurological changes associated with extracorporeal circulation. The use of glucocorticoids; anesthetic agents; barbiturates; membrane oxygenators; hyperbaric chambers; hypothermia; hemofiltration; heparin-coated circuits; and maintenance of temperature, pH and blood volume have been recommended in the literature<sup>1,5,30</sup>.</p>
      <p>The brain protection effect of hypothermia is relative. Hypothermia permits the duration of cardiac arrest to be prolonged, by decreasing the need for oxygen in the brain, thus preventing neurological damage. On the other hand, deep hypothermia requires longer total duration of ECC, and is considered a risk factor for permanent neurological damage. In addition, hypothermia facilitates hemoconcentration and increased blood viscosity, which can lead to alterations in platelet function, thus promoting cerebrovascular damage. Temperatures ranging from 12 to 28&#186; C are considered safe according to some studies<sup>1,23</sup>.</p>
      <p>Monitoring mechanisms are also suggested for the prevention and reduction of the extent of brain damage, because they permit an early diagnosis of possible changes, particularly in patients who are prone to neurological injury during ECC<sup>28,32</sup>. In the study analysis, the monitoring mechanisms more commonly cited were those that obtain data on intracranial pressure, CVP, IAP, and imaging methods such as electroencephalogram, uni and bilateral sonography and transcranial Doppler.</p>
      <p>In addition to the monitoring mechanisms, the development of safety devices is essential for ECC. Arterial line filters have become popular for their ability to remove microemboli and large air emboli with the same efficacy in the case of perfusion accidents.</p>
      <p>Whitaker et al's study with a case-control design, strength of scientific evidence level III, define cognitive impairment as a reduction in the neurological performance in nine tests administered to a sample of 110 patients divided into two groups that used different ECC filters. The results of this study showed that both filters were efficient in removing macro and microemboli during perfusion, with similar outcomes in relation to the occurrence of cognitive dysfunction<sup>41</sup>.</p>
      <p>The beneficial effect of brain protection of CO<sub>2</sub> insufflation into the operative field, in the event of air entering the venous line of ECC, was demonstrated by Martens et al in an in vivo experimental study classified as scientific evidence level II. Since CO<sub>2</sub> is more soluble than room air, flow interruption or occlusion in the cerebral arteries is presumably decreased when CO<sub>2</sub> is the blocking gas. This method is being increasingly used in open cardiac surgeries and especially minimally invasive heart valve surgeries<sup>42</sup>.</p>
      <p>Another frequently used method is retrograde cerebral perfusion (RCP), in which oxygenated blood is pumped retrogradely through the superior vena cava. This method has advantages over conventional techniques, because it helps maintain uniform hypothermia by using a different method of perfusate administration. It also has a mechanism of oxygen and metabolic substrate supply, and acts in the removal of toxic metabolites and carbon dioxide, in addition to preventing cerebral embolization with air, atheromatous plaques, thrombi or other cell and tissue debris<sup>43</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Discussion</bold>
      </p>
      <p>Extracorporeal circulation is a widely used technology today. An average of 1,200,000 cardiac procedures using extracorporeal circulation is performed worldwide every year. In the United States alone, approximately 700,000 cardiac surgeries are performed per year<sup>44</sup>. In Brazil, approximately 40,000 operations using extracorporeal circulation are performed every year<sup>45</sup>. The forecast is that these figures will be higher in the future, in function of the unfulfilled needs of the population<sup>1</sup>.</p>
      <p>Extracorporeal circulation is a technical procedure influenced by the use of numerous mechanical devices and by variable patient responses. The lack of standardization of the techniques and materials used in ECC is observed in the variations of perfusate formulations, intraoperative monitoring systems, techniques of administration of cardioplegia, and oxygenators used in the circuits. This can lead to transoperative events that will directly affect patient recovery after surgery.</p>
      <p>The safety of patients using ECC is a key issue in the studies. However, today few studies describe the incidents commonly associated with ECC. Mejak et al<sup>45</sup> evaluated 671,290 cardiac procedures performed during two years in 797 hospitals using extracorporeal circulation. In their study, 4,882 incidents were recorded, corresponding to one event in every 138 perfusions.</p>
      <p>The study identified the 10 more common occurring incidents: 1st) protamine reactions; 2nd) coagulation problems; 3rd) water pump failure; 4th) air in the circuit; 5th) clots in the circuit; 6th) arterial dissection; 7th) oxygenator defects; 8th) oxygenator switch; 9th) mechanical pump failure; and 10th) pump failure and consequent use of cranks<sup>45</sup>.</p>
      <p>In addition, in this research, some patients developed stroke, classified as a serious injury. Other less frequent incidents, albeit serious, were massive air embolism (23 incidents and 6 deaths) and 11 incompatible transfusions (two deaths). The rate of incidents resulting in serious injury or death was one in every 1,482 perfusions. This figure means that there have been advances since the 1980's, when this rate was one in every 1,000 procedures<sup>45</sup>.</p>
      <p>Preventive measures to reduce the incidence of complications were suggested in some of the studies selected. However, the importance of the quality of the work performed by the surgical team during surgery should be emphasized. Experience shows that the incidents occurring in the operation theater are those that define the final outcome of the surgical treatment. The role of the postoperative care is important, but, at the same time, relative, because it is frequently unable to reverse serious changes resulting from a surgical procedure inadequately performed.</p>
      <p>A cardiovascular surgery team comprises many multidisciplinary members, its core being essentially formed by a surgeon, anesthesiologist and perfusionist. The overall team supervision, as well as the interaction with the other specialists, in all circumstances, falls to the surgeon<sup>1</sup>. However, it is not reasonable to expect that the surgeon can, at the same time, perform the surgery and supervise the activity of another professional, whose performance the life of the patient depends on.</p>
      <p>The participation of perfusionists in the safety of ECC cannot be disregarded. These professionals play a key role in the safety of ECC procedures, whether by means of the equipment and devices they control, or by their direct action<sup>1</sup>. In addition, lack of attention on the part of any team member during the procedure, whether due to negligence or to exhaustion from excessive work hours, may be the origin of very serious incidents.</p>
      <p>Hospitals providing this type of procedure and teaching institutions should create a joint system able to offer continuing education, as well as other mechanisms to encourage improvements in the health care provided. However, no safety device can replace regular communication between team members, from the planning phase to the execution and termination of the procedure. ECC is determined by the teamwork and this should be based on cohesion among all professionals that take part in the procedure.</p>
      <p>
        <bold>Conclusion</bold>
      </p>
      <p>Based on the judicious analysis of the data obtained, we can conclude that ECC brings with it the cerebrovascular risks commonly expected in major surgeries. However, its peculiarities significantly facilitate the occurrence of neurological complications, thus justifying the theoretical background describing this correlation that is frequently found in articles on this subject.</p>
      <p>The methodology applied for study selection did not include the analysis of the neurological complications in the perioperative period not related to the use of ECC, because it partly deviates from the scope of this study. Therefore, it is important to point out that this study identifies the occurrence of neurological complications and the main mechanisms responsible for brain injury influenced by ECC, according to the sample studied.</p>
      <p>The specificities of ECC found in this study that contribute to the incidence of neurological lesions due to ischemia and reperfusion are:</p>
      <list list-type="bullet">
        <list-item>
          <p>changes in blood flow distribution;</p>
        </list-item>
        <list-item>
          <p>prolonged hypoxia partly caused by the use of ECC, which intensifies a cascade of events inducing more vasoconstriction;</p>
        </list-item>
        <list-item>
          <p>SIRS induced by the release of inflammatory mediators after mechanical stress on the formed elements during the switch in the blood flow regimen;</p>
        </list-item>
        <list-item>
          <p>microembolism of atheromatous debris, intracardiac thrombi and air.</p>
        </list-item>
      </list>
      <p>Microembolism may result from several situations concerning the management of ECC that have been previously mentioned.</p>
      <p>After collection and analysis of the sample studied, we consider that the effects of ECC on the human body, among which are those determining the neurological complications, are still not fully understood. Further pathophysiological studies are necessary to consolidate this area of knowledge and permit the development of techniques able to reduce the incidence and extent of the neurological lesions.</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>Sources of Funding</bold>
      </p>
      <p>There were no external funding sources for this study.</p>
      <p>
        <bold>Study Association</bold>
      </p>
      <p>This article is part of the post-graduation dissertation by Natia de Freitas Barbosa at Universidade Federal de Minas Gerais.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
  <sub-article article-type="translation" id="TRes" xml:lang="es">
    <front-stub>
      <article-categories/>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="es">Determinantes de complicaciones neurol&#243;gicas en el uso de la circulaci&#243;n extracorp&#243;rea (CEC)</article-title>
      </title-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>ACTUALIZACI&#211;N CL&#205;NICA</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="top-body3">
          <label>
            <bold>Determinantes de complicaciones neurol&#243;gicas en el uso de la circulaci&#243;n extracorp&#243;rea (CEC)</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Natia de Freitas Barbosa; Danilo Martins Cardinelli; Fl&#225;via Falci Ercole</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG - Brasil</p>
      <p>Correspondencia</p>
      <p><bold>Palavras-chave: </bold> Circulaci&#243;n extracorp&#243;rea / efectos adversos, circulaci&#243;n cerebrovascular, encefalopat&#237;as, s&#237;ndrome de respuesta inflamatoria sist&#233;mica.</p>
      <p>
        <bold>Introducci&#243;n</bold>
      </p>
      <p>La circulaci&#243;n extracorp&#243;rea es hoy una tecnolog&#237;a en constante evoluci&#243;n, con principios b&#225;sicos ya bien establecidos. Sus efectos sobre el organismo humano aun no est&#225;n &#237;ntegramente definidos, as&#237; como es especulativa la fisiopatolog&#237;a de diversas reacciones del organismo a ese procedimiento<sup>1</sup>.</p>
      <p>Por ser una tecnolog&#237;a que no mantiene principios de la fisiolog&#237;a normal, su utilizaci&#243;n de rutina estimul&#243; an&#225;lisis de las complicaciones asociadas<sup>2,3</sup> a ella. Inn&#250;meros investigadores refieren que los efectos delet&#233;reos de la CEC est&#225;n relacionados con el desarrollo del "S&#237;ndrome de Respuesta Inflamatoria Sist&#233;mica", caracterizada por el compromiso pulmonar, renal, cerebral y card&#237;aco<sup>3-6</sup>.</p>
      <p>El efecto de la CEC sobre el sistema nervioso debe ser considerado. En el transcurso de la perfusi&#243;n puede ocurrir un aumento de la presi&#243;n arterial, principalmente en a&#241;osos, que con facilidad desarrollan edema y hemorragia cerebral. En la hipotensi&#243;n, la hipoxia induce la injuria tisular, siendo esta m&#225;s grave en el tejido cerebral<sup>1</sup>. Adem&#225;s de eso, la CEC puede ocasionar procesos emb&#243;licos con da&#241;os cerebrales irreversibles<sup>7</sup>.</p>
      <p>Los progresos de la tecnolog&#237;a extracorp&#243;rea y de las t&#233;cnicas de cirug&#237;a, anestesia y post-operatorio contribuyeron a reducir la incidencia de eventos indeseables relacionados al sistema nervioso<sup>1</sup>. Sin embargo, las complicaciones neurol&#243;gicas aun ocurren y, frecuentemente, son consideradas entre los m&#225;s importantes da&#241;os, pues determinan tasas de sobrevida y producen gran impacto en la calidad de vida del paciente y de su familia.</p>
      <p>Actualmente, la CEC precisa tener un objetivo que vaya m&#225;s all&#225; de la sustituci&#243;n de las funciones cardiopulmonares, debiendo garantizar la integridad celular y la estructura y funci&#243;n de los &#243;rganos y sistemas durante el tiempo necesario para el desarrollo de las cirug&#237;as. Es complejo atribuir una determinada alteraci&#243;n la un &#250;nico procedimiento, sin embargo, algunos autores colocan la CEC como variable independiente para ocurrencia de disfunciones neurol&#243;gicas<sup>7-9</sup>. Mientras tanto, hay estudios que mencionan otros factores como causadores de las lesiones cerebrales, tales como: edad avanzada, gravedad de la enfermedad, acto anest&#233;sico-quir&#250;rgico, etc.<sup>10,11</sup>.</p>
      <p>Considerando la frecuente utilizaci&#243;n de la CEC y el presupuesto de que complicaciones neurol&#243;gicas comprometen la calidad de vida, se hace necesaria una apreciaci&#243;n de los indicios de disfunci&#243;n cerebral en el manejo de la CEC. Pretende-se tambi&#233;n identificar factores de riesgo inherentes a la CEC y intervenciones que minimizan la incidencia y gravedad de las lesiones, considerando el grado de seguridad de este procedimiento.</p>
      <p>
        <bold>M&#233;todos</bold>
      </p>
      <p>Se trata de un estudio de revisi&#243;n integrativa sobre el tema Complicaciones neurol&#243;gicas en el uso de la CEC. La revisi&#243;n integrativa posibilita la s&#237;ntesis y el an&#225;lisis del conocimiento cient&#237;fico ya producido sobre el tema investigado, exigiendo los mismos est&#225;ndares de rigor y claridad utilizados en los estudios primarios<sup>12</sup>. Ese tipo de revisi&#243;n permite analizar estudios con abordajes metodol&#243;gicos diferentes, pero que contemplan el tema en cuesti&#243;n. Los resultados de los estudios seleccionados en ese tipo de revisi&#243;n llevan a la construcci&#243;n de un cuerpo de conocimiento necesario para el perfeccionamiento t&#233;cnico-cient&#237;fico de la asistencia prestada.</p>
      <p>El an&#225;lisis consider&#243; la calcificaci&#243;n de la fuerza de la evidencia elaborada por Stetler y cols.et al, propuesta por niveles para las principales fuentes de evidencia cient&#237;fica<sup>13</sup>. El nivel I engloba las revisiones sistem&#225;ticas con metan&#225;lisis y los estudios nivel VI son basados en opiniones de especialistas o de &#243;rganos de reglamentaci&#243;n o legales, seg&#250;n <xref ref-type="table" rid="t1-body3">Tabla 1</xref>.</p>
      <table-wrap id="t1-body3">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-06-0151-00022-gt01-es.jpg"/></table-wrap>
      <p>El levantamiento bibliogr&#225;fico de publicaciones indexadas fue realizado en el per&#237;odo de ene/1998-set/2008, en las siguientes bases de datos: Literatura Latino Americana del Caribe en Ciencias de Salud (LILACS), Index Medicus Electr&#243;nico de la National Library of Medicine (MEDLINE), SciELO y Biblioteca Cochrane. Tambi&#233;n se utiliz&#243; la b&#250;squeda reversa de estudios originales, que es un m&#233;todo de selecci&#243;n de estudios a partir de la bibliograf&#237;a de trabajos primarios recuperados en la b&#250;squeda anterior<sup>14</sup>.</p>
      <p>Despu&#233;s de investigaci&#243;n en los bancos de datos, fueron seleccionados e incluidos art&#237;culos de las bases de datos MEDLINE y LILACS, adoptando los siguientes criterios: art&#237;culos que abordasen los temas "circulaci&#243;n extracorp&#243;rea" y "complicaciones neurol&#243;gicas", restringidos a los &#250;ltimos 10 a&#241;os, en los idiomas portugu&#233;s, ingl&#233;s y espa&#241;ol. Tambi&#233;n fue utilizado como fuente de investigaci&#243;n libro con importancia reconocida y de relevancia para el estudio.</p>
      <p>Al seleccionar el per&#237;odo de inter&#233;s, el cuantitativo fue reducido a 20 estudios en la base de datos LILACS y 184 estudios en la MEDLINE. Despu&#233;s de la lectura y an&#225;lisis de los 204 trabajos seleccionados, se verific&#243; que 27 art&#237;culos abordaban directa o indirectamente los temas de inter&#233;s. Los art&#237;culos fueron solicitados &#237;ntegros, a trav&#233;s de la Biblioteca del Campus Salud de la UFMG, por el Sistema de Conmutaci&#243;n Bibliogr&#225;fica, por la consulta al Portal de Peri&#243;dicos de la CAPES y por la BIREME.</p>
      <p>Para facilitar la colecta de datos de los estudios seleccionados, fue elaborado un instrumento conteniendo &#237;tems para an&#225;lisis y s&#237;ntesis de los datos del contenido de las publicaciones conforme <xref ref-type="fig" rid="es_22c01-body3">Cuadro 1</xref>. Esos estudios fueron ordenados y valorizados de acuerdo con la clasificaci&#243;n de fuerza de evidencia supracitada, considerando la prevalencia de alteraciones neurol&#243;gicas en el uso de las CEC, los tipos de complicaciones y sus factores causales. Los resultados extra&#237;dos de cada estudio fueron discutidos a la luz de la literatura espec&#237;fica.</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="es_22c01-body3">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-06-0151-00022-gf01-es.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>
        <bold>Resultados</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>An&#225;lisis de la muestra</bold>
      </p>
      <p>La muestra fue compuesta por: un libro ampliamente referido en esa &#225;rea tem&#225;tica, un estudio experimental realizado <italic>in vitro</italic>, tres estudios con delineamiento del tipo caso-control, un estudio semiexperimental con grupo &#250;nico con pre y post test, 14 investigaciones descriptivas observacionales tipo cohorte o estudio de caso y 8 revisiones de literatura.</p>
      <p>Los pa&#237;ses que m&#225;s se destacaron en cantidad de publicaciones de art&#237;culos fueron los Estados Unidos de Am&#233;rica (30%), Brasil (19%), Inglaterra (15%), Espa&#241;a (11%) y Jap&#243;n (11%). Entre los idiomas seleccionados, 66,7% de los estudios utilizaron la lengua inglesa, 18,5% publicaron en la lengua portuguesa y 14,8% de los trabajos usaron el espa&#241;ol en su publicaci&#243;n.</p>
      <p>Desde la introducci&#243;n de la circulaci&#243;n extracorp&#243;rea hasta los tempos actuales, no hay una &#233;poca espec&#237;fica para el aumento del n&#250;mero de publicaciones. En la muestra, se percibe la distribuci&#243;n pr&#225;cticamente homog&#233;nea de los peri&#243;dicos, siendo que 14 trabajos fueron publicados en los &#250;ltimos 5 a&#241;os y 13 fueron publicados en el intervalo de 5 a 10 a&#241;os anteriores. Ese hecho demuestra el constante inter&#233;s por el tema, contribuyendo decisivamente a la construcci&#243;n del conocimiento espec&#237;fico.</p>
      <p>En relaci&#243;n a la profesi&#243;n de los autores, 4 estudios citaron directamente m&#233;dicos como autores. Seis estudios tienen profesionales con t&#237;tulo de doctorado o maestr&#237;a en su autoria. La mayor&#237;a de la muestra refiri&#243; sus autores como miembros vinculados a instituciones hospitalarias y universitarias (no citando profesi&#243;n y grado), siendo que 37% de los trabajos fueron vinculados solamente a universidades, 30% vinculados solamente a instituciones hospitalarias, 26% vinculados a ambos establecimientos y 7% no refirieron la instituci&#243;n de la que los autores hacen parte.</p>
      <p>En la identificaci&#243;n de las fuentes para localizaci&#243;n de los art&#237;culos, 81,5% son provenientes del MEDLINE y 18,5% fueron localizados en la base de datos de la LILACS.</p>
      <p>Entre los trabajos publicados, ning&#250;n art&#237;culo cient&#237;fico fue producido con base en disertaciones o tesis y dos art&#237;culos utilizaron el delineamiento experimental o el semiexperimental. A pesar de que los experimentos presentaron algunas limitaciones de car&#225;cter &#233;tico, debido a variables manipulables, t&#233;cnicamente, son estos estudios que mejor responden al test de las hip&#243;tesis causales<sup>15</sup>.</p>
      <p>En lo que se refiere al procedimiento &#233;tico en investigaciones envolviendo seres humanos, 6 investigaciones descriptivas correlacionales, tres estudios de caso y un estudio semiexperimental no refirieron los aspectos &#233;ticos del trabajo. Esos trabajos representan 55,5% de la muestra de estudios envolviendo seres humanos. Se constata en la Declaraci&#243;n de Helsinski<sup>16</sup> y en la Resoluci&#243;n del <italic>Conselho Nacional de Sa&#250;de</italic> n&#186; 196<sup>17</sup> que la afirmaci&#243;n de obediencia a los preceptos &#233;ticos debe constar en el protocolo de investigaci&#243;n, generando m&#225;rgenes a la interpretaci&#243;n de no obligatoriedad de &#233;sta en el discurso del estudio concluido.</p>
      <p>Al analizar el conjunto de la muestra, se verifica que el tema del presente estudio no es espec&#237;fico de peri&#243;dicos referentes a la cirug&#237;a cardiovascular o al &#225;rea de cardiolog&#237;a. La mayor&#237;a de los art&#237;culos fue publicada en peri&#243;dicos generales de medicina y salud y revistas de neurolog&#237;a y anestesiolog&#237;a, lo que compromete tambi&#233;n la r&#225;pida actualizaci&#243;n del conocimiento.</p>
      <p>En el an&#225;lisis estructural, se percibe que en pocos casos no hay el establecimiento de prioridades de investigaci&#243;n seg&#250;n se preconiza. Es importante destacar que 100% de los art&#237;culos presentaron un cuadro te&#243;rico para fundamentar el objeto de estudio y las dem&#225;s etapas del proceso de investigaci&#243;n. Los cuadros te&#243;ricos fueron variados, extra&#237;dos de la bibliograf&#237;a nacional e internacional, representando gran parte de la muestra de estudio del presente trabajo.</p>
      <p>
        <bold>Complicaciones neurol&#243;gicas</bold>
      </p>
      <p>De acuerdo con la muestra de 28 trabajos, 51,7% se refieren directamente a la ocurrencia de complicaciones neurol&#243;gicas en procedimientos que utilizan la circulaci&#243;n extracorp&#243;rea, siendo que apenas uno de estos trabajos menciona que esa asociaci&#243;n es relativa<sup>18</sup>. Todas las revisiones de literatura y los dem&#225;s trabajos que se refieren indirectamente al tema correlato evidenciaron, en el fundamento te&#243;rico, la posibilidad de da&#241;o cerebral de ese procedimiento.</p>
      <p>En el an&#225;lisis de los trabajos, se identifican grupos de pacientes de mayor riesgo para la realizaci&#243;n de CEC. Neonatos, a&#241;osos, hipertensos, diab&#233;ticos, obesos y pacientes con historia de accidente vascular cerebral poseen reconocidamente una mayor susceptibilidad al desarrollo de complicaciones neurol&#243;gicas.</p>
      <p>Cuando los pacientes son evaluados prospectivamente, por un equipo de especialistas, utilizando tecnolog&#237;a avanzada y tests refinados y espec&#237;ficos, pueden ser identificadas alteraciones neurol&#243;gicas, temporarias o no, en m&#225;s de 70% de los pacientes<sup>1</sup>.</p>
      <p>La deficiencia cognitiva es referida en 16 estudios de la muestra (55%), cuya incidencia relatada var&#237;a entre 2-80% de los casos<sup>19-21</sup>. Alteraciones del nivel de atenci&#243;n, del ciclo vigilia sue&#241;o, de la marcha y de la memoria, desorientaci&#243;n simples, confusi&#243;n de suave a extrema y agitaci&#243;n psicomotora con comportamiento psic&#243;tico m&#225;s grave est&#225;n entre las disfunciones org&#225;nicas relatadas. Tales disfunciones son referidas generalmente como alteraciones funcionales difusas y reversibles (en la mayor&#237;a de los casos) del metabolismo oxidativo cerebral y de transmisi&#243;n tanto de las v&#237;as adren&#233;rgicas como de las colin&#233;rgicas<sup>22,23</sup>.</p>
      <p>La incidencia de complicaciones neurol&#243;gicas graves, como hemorragia intracraneana en neonatos (9,9-31%) y adultos (3,4-18,9%), infarto o muerte cerebral (11%), es citada en algunos art&#237;culos de nivel IV de Fuerza de Evidencia Cient&#237;fica<sup>20,24,25</sup>.</p>
      <p>Algunos estudios Nivel III, o con el mismo nivel de evidencia de los trabajos supracitados, suponen la asociaci&#243;n de disfunci&#243;n cerebral en el manejo de la CEC en su fundamentaci&#243;n te&#243;rica, sin embargo no evidenciaron esta complicaci&#243;n neurol&#243;gica en sus resultados debido a la muestra o a los mecanismos de monitoreo insuficientes para el an&#225;lisis de tal tipo de complicaci&#243;n<sup>4,26-28</sup>.</p>
      <p>El establecimiento s&#250;bito de p&#233;rdida visual insensible, uni o bilateral, diagnosticado como "Neuropat&#237;a Isqu&#233;mica &#211;ptica Anterior", y la par&#225;lisis ocular han sido discutidos con creciente frecuencia como complicaciones despu&#233;s de cirug&#237;a con circulaci&#243;n extracorp&#243;rea<sup>23,25,29</sup>. LA neuropat&#237;a isqu&#233;mica &#243;ptica describe un defecto en el nervio &#243;ptico, cuja fisiopatolog&#237;a del proceso no est&#225; elucidada, y lleva la p&#233;rdida irreversible de la visi&#243;n en la mayor&#237;a de los casos. Las tentativas terap&#233;uticas han fallado, por lo tanto, medidas de profilaxis transoperatorias de posibles causas, tales como hipotensi&#243;n prolongada o vasoconstricci&#243;n inducida por catecolaminas, son sugeridas como &#250;nico modo de prevenir esa complicaci&#243;n<sup>29</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Mecanismos de lesi&#243;n</bold>
      </p>
      <p>Los mecanismos de lesi&#243;n cerebral m&#225;s frecuentemente relatados en los estudios fueron los relacionados a la ocurrencia de microembolias (17 estudios) y la baja perfusi&#243;n cerebral (16 estudios), correspondiendo a 63 y 59,3% de los estudios que describen el desarrollo de lesiones cerebrales, respectivamente. Entre ellos, 24 (89%) de los 27 trabajos se refirieron a por lo menos uno de los eventos supracitados.</p>
      <p>Esos dos mecanismos de lesi&#243;n pueden precipitar una cascada de eventos bioqu&#237;micos celulares inducidos por isquemia cerebral. Un estudio semiexperimental, nivel II de evidencia cient&#237;fica, demuestra que valores menores de 40% de saturaci&#243;n de ox&#237;geno alteran el desempe&#241;&#243; cognitivo de los pacientes analizados, indicando circulaci&#243;n cerebral insuficiente para las demandas metab&#243;licas<sup>19</sup>. Las alteraciones del flujo de distribuci&#243;n sangu&#237;nea durante el estado no fisiol&#243;gico que ocurre en la CEC, la respuesta individual del paciente a estas alteraciones y la concomitante reducci&#243;n del flujo de bomba para facilitar el reparo quir&#250;rgico pueden afectar adversamente la reperfusi&#243;n cerebral regional y global<sup>30</sup>.</p>
      <p>El mecanismo fisiopatol&#243;gico del da&#241;o cerebral requiere estudio minucioso. Puede existir una vulnerabilidad selectiva a la hipoxia prolongada en determinados n&#250;cleos neuronales del tronco encef&#225;lico<sup>23</sup>. La entrega inadecuada de ox&#237;geno induce a la muerte celular por falta de energ&#237;a y a la modulaci&#243;n de una respuesta excitot&#243;xica por las c&#233;lulas parcialmente perfundidas. Las c&#233;lulas isqu&#233;micas liberan una variedad de receptores que causan un incremento de calcio y sodio intracelular. Simult&#225;neamente, el glucamato estimula los receptores que inducen a la formaci&#243;n de inosol, trifosfato y diacilglicerol, que causan aumento de la sensibilidad de las aminas excitatorias. En el estado final, las enzimas activadas por el calcio degradan el &#225;cido araquid&#243;nico que, junto con el factor activador de plaquetas, causa vasoconstricci&#243;n, oclusi&#243;n de vasos y, de esta forma, aumenta la isquemia<sup>30</sup>.</p>
      <p>El cerebro est&#225; sujeto a una continua exposici&#243;n de micro&#233;mbolos durante la CEC. La morbilidad neurol&#243;gica y la magnitud de la disfunci&#243;n est&#225;n relacionadas con el tama&#241;o y el n&#250;mero de &#233;mbolos difundidos en la circulaci&#243;n cerebral. Los &#233;mbolos son producidos por diferentes fuentes: microembolias de aire, detritos ateromatosos y trombos intracard&#237;acos en la circulaci&#243;n cerebral<sup>5,30,31</sup>.</p>
      <p>La microembolia a&#233;rea es causada por varias situaciones propensas durante el uso de la CEC: 1) durante el manejo de la aorta ascendente por ocasi&#243;n del pinzamiento y despinzamiento; 2) inversi&#243;n del flujo para el ventr&#237;culo izquierdo y aorta; 3) contracci&#243;n inesperada del coraz&#243;n aun abierto con aorta sin pinzamiento; 4) retirada de aire inadecuada antes de restablecer la circulaci&#243;n; y 5) situaciones de bajo nivel sangu&#237;neo en el reservorio de la CEC<sup>5,30,31</sup>.</p>
      <p>Hay fuertes indicios de que las microburbujas tambi&#233;n pueden ser oriundas del movimiento r&#225;pido de la pr&#243;tesis valvar espec&#237;ficamente mec&#225;nica. Esta crea un flujo local de inclinaciones de alta presi&#243;n que pueden causar cavitaciones, especialmente durante el cierre, generando efecto de descompresi&#243;n durante el desv&#237;o cardiopulmonar<sup>31</sup>.</p>
      <p>La disfunci&#243;n cerebral tambi&#233;n est&#225; intr&#237;nsecamente relacionada a la presi&#243;n intraabdominal (IAP). El aumento de la IAP puede resultar en falla de los sistemas renal, circulatorio, respiratorio y nervioso. Una disminuci&#243;n en el retorno de la sangre venosa del sistema nervioso central (SNC) resulta en hipertensi&#243;n venosa cerebral y consecuente hipertensi&#243;n intracraneana, edema cerebral e infarto. La alta presi&#243;n intraabdominal aumenta la presi&#243;n pulmonar y la presi&#243;n venosa central (PVC), por lo tanto, se puede presumir que el aumento de la PVC influencia la homeostasis del SNC<sup>32</sup>.</p>
      <p>Apesar de inn&#250;meros factores de riesgo relacionados a la CEC, se debe considerar que el mecanismo de lesi&#243;n cerebral es complejo y frecuentemente influenciado por causas independientes, tales como: extremos de edad, historia previa de enfermedad cerebrovascular, hipoxia, gravedad de la enfermedad, uso de bicarbonato y de drogas inotr&#243;picas vasopresoras y urgencia quir&#250;rgica<sup>23,24,33,34</sup>.</p>
      <p>La respuesta inflamatoria sist&#233;mica (SIRS) tambi&#233;n es referida como factor en potencial para complicaciones post-operatorias, sobre todo pulmonares, renales, hematol&#243;gicas y neurol&#243;gicas. El mecanismo fisiopatol&#243;gico de ese proceso es descripto en pocos estudios de esta muestra siendo relacionado por el uso de la CEC por influencia de varios factores. Con todo, es importante destacar que el desarrollo de la SIRS ocurre en otros procedimientos quir&#250;rgicos que no utilizan el desv&#237;o cardiopulmonar<sup>35-37</sup>.</p>
      <p>La CEC impone alteraciones importantes con el estr&#233;s mec&#225;nico sobre los elementos figurados durante el cambio del r&#233;gimen del flujo sangu&#237;neo. En ese proceso, muchas interleucinas son liberadas, siendo la IL-8 la m&#225;s activa en el SNC. Esta sufre acci&#243;n de la endotelina, atrayendo c&#233;lulas polimorfo-nucleadas, activadas por la respuesta humoral y celular, responsables por la injuria cerebral por isquemia y reperfusi&#243;n<sup>38,39</sup>.</p>
      <p>El conocimiento sobre el sincronismo del sistema nervioso central con relaci&#243;n a la iniciaci&#243;n de circulaci&#243;n extracorp&#243;rea es desconocido, pero esencial a fin de comprender los mecanismos fisiopatol&#243;gicos del desarrollo de esas complicaciones neurol&#243;gicas<sup>40</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Estrategias para protecci&#243;n cerebral</bold>
      </p>
      <p>Varias estrategias han sido empleadas para disminuir las alteraciones neurol&#243;gicas asociadas a la circulaci&#243;n extracorp&#243;rea. El uso de glicocorticoides, anest&#233;sicos, barbit&#250;ricos, oxigenadores de membrana, c&#225;maras hiperb&#225;ricas, hipotermia, hemofiltraci&#243;n, circuitos revestidos de heparina y la manutenci&#243;n de la temperatura, del PH y de la volemia han sido recomendados por la literatura<sup>1,5,30</sup>.</p>
      <p>El factor de protecci&#243;n cerebral de la hipotermia es relativo. Esta permite prolongar el tiempo de parada card&#237;aca, diminuyendo la necesidad de ox&#237;geno en el cerebro y evitando da&#241;o neurol&#243;gico. Por otro lado, cuando es profunda, requiere aumento del tiempo total de la CEC, siendo considerado un factor de riesgo para secuelas neurol&#243;gicas. Adem&#225;s de eso, la hipotermia favorece la hemoconcentraci&#243;n y el aumento de la viscosidad sangu&#237;nea, lo que puede provocar alteraciones en la funci&#243;n plaquetaria, favoreciendo da&#241;o cerebrovascular. El est&#225;ndar considerado seguro ser&#237;a de 12 a 28&#186;C seg&#250;n algunos estudios<sup>1,23</sup>.</p>
      <p>Mecanismos de monitoreo tambi&#233;n son sugeridos en la prevenci&#243;n y reducci&#243;n de la extensi&#243;n del da&#241;o cerebral, pues permiten diagn&#243;stico precoz de posibles alteraciones, especialmente en pacientes que son propensos a la injuria neurol&#243;gica durante la CEC<sup>28,32</sup>. En el an&#225;lisis del estudio, los mecanismos de monitoreo m&#225;s com&#250;nmente citados son los que obtienen datos de presi&#243;n intracraneana, PVC, IAP y m&#233;todos de imagen, como electroencefalograma, ultrasonido uni y bilateral y doppler transcraneano.</p>
      <p>Adem&#225;s de los mecanismos de monitoreo, el desarrollo de dispositivos de seguridad es esencial para la CEC. La l&#237;nea de filtro arterial gan&#243; gran popularidad por su habilidad para remover con la misma eficacia micro&#233;mbolos y grandes &#233;mbolos de aire, en el caso de un accidente de perfusi&#243;n.</p>
      <p>El estudio de Whitaker y colaboradores con delineamiento caso-control, nivel III de fuerza de evidencia cient&#237;fica, define deficiencia cognitiva por la reducci&#243;n del desempe&#241;o neurol&#243;gico en 9 tests, aplicados en una muestra de 110 pacientes, divididos en dos grupos que utilizaron filtros de CEC distintos. El resultado de ese trabajo demuestra que ambos filtros fueron eficientes en la remoci&#243;n de macro y micro&#233;mbolos durante la perfusi&#243;n, con resultados semejantes en relaci&#243;n a la ocurrencia de disfunci&#243;n cognitiva<sup>41</sup>.</p>
      <p>El beneficio de protecci&#243;n cerebral de la insuflaci&#243;n de CO<sub>2</sub> en el campo operatorio, en el caso de ocurrencia de entrada de aire en la l&#237;nea venosa de la CEC, fue demostrado por Martens y colaboradores, en estudio experimental <italic>in vitro,</italic> clasificado como Nivel II de evidencia cient&#237;fica. Debido a que la solubilidad del CO<sub>2</sub> es mayor que la del aire ambiente, la oclusi&#243;n o interrupci&#243;n del flujo en las arterias cerebrales est&#225; presumiblemente disminuida cuando el gas bloqueador es el CO<sub>2</sub>. Es un m&#233;todo cada vez m&#225;s utilizado en cirug&#237;as card&#237;acas abiertas y, especialmente, en cirug&#237;as valvares m&#237;nimamente invasivas<sup>42</sup>.</p>
      <p>Otro m&#233;todo muy utilizado es el de la perfusi&#243;n cerebral retr&#243;grada (RCP), en que la sangre oxigenada es bombeada retr&#243;gradamente por la vena cava superior. Ese m&#233;todo posee ventajas si es comparado a t&#233;cnicas convencionales, pues posibilita mantener uniforme la hipotermia con m&#233;todo diferenciado de administraci&#243;n del perfusato. Posee tambi&#233;n mecanismo de abastecimiento de ox&#237;geno y substratos metab&#243;licos y act&#250;a en la remoci&#243;n de metabolitos t&#243;xicos y di&#243;xido de carbono, adem&#225;s de prevenir embolizaci&#243;n cerebral por aire, placas ateromatosas, trombos o otros restos celulares y <italic>debris</italic> tisulares<sup>43</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Discusi&#243;n</bold>
      </p>
      <p>La circulaci&#243;n extracorp&#243;rea hoy es una tecnolog&#237;a ampliamente utilizada. En el mundo, anualmente, son realizados en media 1.200.000 procedimientos card&#237;acos con circulaci&#243;n extracorp&#243;rea. Solamente en los Estados Unidos, cerca de 700.000 cirug&#237;as card&#237;acas son realizadas por a&#241;o<sup>44</sup>. En el Brasil, aproximadamente 40.000 operaciones con circulaci&#243;n extracorp&#243;rea son hechas cada a&#241;o. Se estima que esos n&#250;meros ser&#225;n mayores futuramente, en funci&#243;n de necesidades aun no atendidas de la poblaci&#243;n<sup>1</sup>.</p>
      <p>La circulaci&#243;n extracorp&#243;rea es un procedimiento t&#233;cnico influenciado por el empleo de numerosos dispositivos mec&#225;nicos y por respuestas variables de los pacientes. La falta de estandarizaci&#243;n de las t&#233;cnicas y materiales utilizados en la CEC es observada a trav&#233;s de las variaciones de las formulaciones del perfusato, de los sistemas de monitoreo intraoperatoria, de las t&#233;cnicas de administraci&#243;n de la cardioplegia y de los oxigenadores usados en los circuitos. Esto puede llevar a intercurrencias en el transoperatorio que afectar&#225;n directamente la recuperaci&#243;n del paciente despu&#233;s de la cirug&#237;a.</p>
      <p>La seguridad de los pacientes en uso de CEC constituye un tema de destaque entre las investigaciones. Sin embargo, pocos son los trabajos que describen las intercurrencias frecuentemente encontradas en la pr&#225;ctica de la CEC en la actualidad. Mejak y cols.et al<sup>45</sup> evaluaron 671.290 procedimientos card&#237;acos realizados en 797 hospitales que utilizan circulaci&#243;n extracorp&#243;rea, durante dos a&#241;os. En ese estudio, fueron registrados 4.882 intercurrencias, correspondiendo a la ocurrencia de un incidente cada 138 perfusiones.</p>
      <p>El estudio identific&#243; los 10 tipos de intercurrencias m&#225;s com&#250;nmente encontradas: 1&#186;) Reacciones a la protamina; 2&#186;) Discrasias sangu&#237;neas; 3&#186;) Fallas de la bomba de agua; 4&#186;) Aire en el circuito; 5&#186;) Co&#225;gulos en el circuito; 6&#186;) Disecci&#243;n arterial; 7&#186;) Fallas en los oxigenadores; 8&#186;) Intercambios de oxigenadores; 9&#186;) Fallas mec&#225;nicas en las bombas; y 10&#186;) Fallas de las bombas y consecuente uso de manivelas<sup>45</sup>.</p>
      <p>Adem&#225;s de eso, en esa investigaci&#243;n, fueron identificados algunos pacientes que presentaron accidente vascular encef&#225;lico, clasificado como injuria grave. Otras ocurrencias menos frecuentes, sin embargo graves, fueron la embolia a&#233;rea masiva (23 ocurrencias y 6 &#243;bitos) y 11 transfusiones incompatibles, con dos &#243;bitos. Las intercurrencias que resultaron en injuria importante u &#243;bito ocurrieron una cada 1.482 perfusiones. Ese n&#250;mero significa que hubo progresos desde la d&#233;cada de 80, cuando ocurr&#237;a una injuria grave o &#243;bito cada 1.000 perfusiones<sup>45</sup>.</p>
      <p>Medidas preventivas para reducci&#243;n de la incidencia de las complicaciones fueron sugeridas en algunos de los trabajos seleccionados, con todo, se debe dar &#233;nfasis a la importancia de la calidad del trabajo realizado por el equipo durante el acto quir&#250;rgico. La experiencia demuestra que los eventos ocurridos en la sala de operaciones son los que definen el resultado final del tratamiento quir&#250;rgico. La contribuci&#243;n del post operatorio es importante, pero, al mismo tiempo, relativa, pues frecuentemente es incapaz de revertir alteraciones graves resultantes de un acto operatorio inadecuadamente realizado.</p>
      <p>El equipo de cirug&#237;a cardiovascular es numeroso y multidisciplinario, y su n&#250;cleo se constituye esencialmente de cirujano, anestesista y perfusionista. La supervisi&#243;n general del equipo, as&#237; como la interrelaci&#243;n con los dem&#225;s especialistas, en todas las circunstancias, es de la responsabilidad del cirujano<sup>1</sup>. Mientras tanto, es incoherente considerar que el cirujano, a un mismo tiempo, realiza el acto quir&#250;rgico y act&#250;a como fiscal de las actividades de otro profesional, de cuyo desempe&#241;o depende la vida del paciente.</p>
      <p>La participaci&#243;n del perfusionista en la seguridad de la CEC no puede ser ignorada. Ese profesional desempe&#241;a un papel primordial en la seguridad de los procedimientos de CEC, sea por acci&#243;n de los equipamientos o aparatos bajo su control, o sea por su acci&#243;n direta<sup>1</sup>. Adem&#225;s de eso, la desatenci&#243;n, durante el procedimiento de cualquier miembro del equipo, sea por negligencia o por cansancio debido a una carga excesiva de trabajo, puede estar en el origen de eventos de extrema gravedad.</p>
      <p>Los hospitales que realizan ese tipo de procedimiento y las instituciones de ense&#241;anza deben crear un sistema articulado capaz de ofrecer educaci&#243;n continuada, adem&#225;s de otros mecanismos de incentivo para la mejora de la asistencia prestada. Entre tanto, ning&#250;n dispositivo de seguridad substituye la comunicaci&#243;n constante entre los miembros del equipo, desde el planeamiento, hasta la ejecuci&#243;n y el t&#233;rmino del procedimiento. La CEC es determinada por el trabajo en equipo y este debe ser fundamentado en la adhesi&#243;n de todos los profesionales que participan del procedimiento.</p>
      <p>
        <bold>Conclus&#237;on</bold>
      </p>
      <p>A partir del an&#225;lisis criterioso de los datos levantados, se puede concluir que la CEC ofrece riesgos cerebrovasculares com&#250;nmente esperados en cirug&#237;as de gran tama&#241;o. Sin embargo, sus peculiaridades favorecen significativamente la ocurrencia de complicaciones neurol&#243;gicas, justificando la relaci&#243;n frecuentemente encontrada en el fundamento te&#243;rico de art&#237;culos correlatos.</p>
      <p>La metodolog&#237;a aplicada para selecci&#243;n de los estudios no contempla el an&#225;lisis acerca de las complicaciones neurol&#243;gicas en el perioperatorio no relacionadas al uso de la CEC, pues desentona en parte con el objeto de esta investigaci&#243;n. Por lo tanto, es importante resaltar que este estudio identifica la ocurrencia de complicaciones neurol&#243;gicas y los principales mecanismos responsables por la injuria cerebral influenciados por la CEC, seg&#250;n la muestra investigada.</p>
      <p>Las especificidades de ese procedimiento levantadas en este trabajo que refuerzan la incidencia de lesiones neurol&#243;gicas por isquemia y reperfusi&#243;n fueron:</p>
      <disp-quote>
        <p>- alteraciones del flujo de distribuci&#243;n sangu&#237;nea;</p>
        <p>- hipoxia prolongada posibilitada parcialmente con la llegada de la CEC, que intensifica una cascada de eventos induciendo m&#225;s vasoconstricci&#243;n;</p>
        <p>- SIRS inducida por la liberaci&#243;n de mediadores inflamatorios despu&#233;s de estr&#233;s mec&#225;nico sobre los elementos figurados, durante el cambio del r&#233;gimen del flujo sangu&#237;neo;</p>
        <p>- microembolias de detritos ateromatosos, trombos intracard&#237;acos y aire.</p>
      </disp-quote>
      <p>Esta &#250;ltima especificidad puede ser oriunda de varias situaciones incluidas en el manejo de la CEC ya referidas.</p>
      <p>Despu&#233;s de la colecta y an&#225;lisis de la muestra investigada, consideramos que los efectos de la CEC sobre el organismo humano, entre ellos los que determinan las complicaciones neurol&#243;gicas, aun no est&#225;n &#237;ntegramente elucidados. Nuevos estudios fisiopatol&#243;gicos son necesarios para consolidar esa &#225;rea del conocimiento y permitir el surgimiento de t&#233;cnicas capaces de reducir la incidencia y la extensi&#243;n de las lesiones neurol&#243;gicas.</p>
      <p>
        <bold>Potencial Conflicto de Intereses</bold>
      </p>
      <p>Declaro no haber conflicto de intereses pertinentes.</p>
      <p>
        <bold>Fuentes de Financiaci&#243;n</bold>
      </p>
      <p>El presente estudio no tuve fuentes de financiaci&#243;n externas.</p>
      <p>
        <bold>Vinculaci&#243;n Acad&#233;mica</bold>
      </p>
      <p>Esteart&#237;culo forma parte de tesis de especializaci&#243;n de Natia de Freitas Barbosa, por la <italic>Universidade Federal de Minas Gerais</italic>.</p>
      <p>
        <bold>Referencias</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
