<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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      <journal-id journal-id-type="publisher-id">abc</journal-id>
      <journal-title-group>
        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
      </journal-title-group>
      <issn pub-type="ppub">0066-782X</issn>
      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
      </publisher>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">QPvbTtTkPVqkwtTx93ynCVb</article-id>
      <article-id pub-id-type="other">00022</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2010001500022</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(10)09500522</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2010001500022</article-id>
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        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Relato de Caso</subject>
        </subj-group>
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        <article-title>Amiodarona e tireotoxicose: relatos de casos</article-title>
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            <given-names>Ana Beatriz Winter</given-names>
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            <given-names>Simone Kalil de</given-names>
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            <surname>Teixeira</surname>
            <given-names>Patr&#237;cia de F&#225;tima dos Santos</given-names>
          </name>
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          <named-content content-type="city">Rio de Janeiro</named-content>
          <named-content content-type="state">Rio de Janeiro</named-content>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio de Janeiro</institution>
        <institution content-type="orgdiv1">Hospital Universit&#225;rio Clementino Fraga Filho </institution>
        <institution content-type="orgdiv2">Servi&#231;o de Endocrinologia</institution>
        <country country="BR">Brazil</country>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>10</month>
        <year>2010</year>
      </pub-date>
      <volume>95</volume>
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          <day>09</day>
          <month>06</month>
          <year>2009</year>
        </date>
        <date date-type="received">
          <day>13</day>
          <month>12</month>
          <year>2008</year>
        </date>
        <date date-type="accepted">
          <day>23</day>
          <month>06</month>
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        </date>
      </history>
      <permissions>
        <license license-type="open-access" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/" xml:lang="en">
          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
        </license>
      </permissions>
      <abstract>
        <p>Relata-se que a disfun&#231;&#227;o tireoidiana induzida pela amiodarona afeta de 2 a 24% dos usu&#225;rios. Embora seja f&#225;cil tratar o hipotireoidismo induzido pela amiodarona, o desenvolvimento da tireotoxicose leva a uma abordagem dif&#237;cil na maioria dos casos. O objetivo deste estudo &#233; descrever tr&#234;s casos diferentes de pacientes com tireotoxicose induzida por amiodarona e discutir os aspectos cl&#237;nicos e laboratoriais, e as diferentes abordagens para esses casos. &#201; essencial avaliar cuidadosamente os pacientes antes e durante o tratamento com amiodarona, tendo em vista que o diagn&#243;stico e o tratamento imediato dessa condi&#231;&#227;o s&#227;o cruciais em pacientes com alto risco cardiovascular.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Amiodarona</kwd>
        <kwd>tireotoxicose</kwd>
        <kwd>tireoidite</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>13</day>
        <month>04</month>
        <year>2011</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <p>
      <bold>RELATO DE CASO</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Amiodarona e tireotoxicose: relatos de casos</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Ana Beatriz Winter Tavares; Simone Kalil de Paula; Mario Vaisman; Patr&#237;cia de F&#225;tima dos Santos Teixeira</bold>
    </p>
    <p>Servi&#231;o de Endocrinologia do Hospital Universit&#225;rio Clementino Fraga Filho - UFRJ - Rio de Janeiro, RJ - Brasil</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="end">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p>Relata-se que a disfun&#231;&#227;o tireoidiana induzida pela amiodarona afeta de 2 a 24% dos usu&#225;rios. Embora seja f&#225;cil tratar o hipotireoidismo induzido pela amiodarona, o desenvolvimento da tireotoxicose leva a uma abordagem dif&#237;cil na maioria dos casos. </p>
    <p> O objetivo deste estudo &#233; descrever tr&#234;s casos diferentes de pacientes com tireotoxicose induzida por amiodarona e discutir os aspectos cl&#237;nicos e laboratoriais, e as diferentes abordagens para esses casos. </p>
    <p> &#201; essencial avaliar cuidadosamente os pacientes antes e durante o tratamento com amiodarona, tendo em vista que o diagn&#243;stico e o tratamento imediato dessa condi&#231;&#227;o s&#227;o cruciais em pacientes com alto risco cardiovascular.</p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> Amiodarona, tireotoxicose, tireoidite.</p>
    <p>
      <bold>Introdu&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>A amiodarona &#233; um agente antiarr&#237;tmico tipo III que bloqueia os canais de pot&#225;ssio do mioc&#225;rdio e possui algumas propriedades betabloqueadoras. Cada mol&#233;cula de amiodarona tem uma semelhan&#231;a estrutural significativa em rela&#231;&#227;o aos horm&#244;nios tireoidianos e cont&#233;m dois &#225;tomos de iodo, que constituem 37,5% da sua massa. Sendo assim, um paciente que consome uma dose di&#225;ria de 200mg de amiodarona ingere uma quantidade de iodo livre em sua circula&#231;&#227;o de 20 a 40 vezes maior que a ingest&#227;o di&#225;ria de iodo entre a popula&#231;&#227;o em geral<sup>1</sup>.</p>
    <p>Esta carga excessiva de iodo gera adapta&#231;&#245;es importantes no metabolismo hormonal e altera&#231;&#245;es fisiol&#243;gicas em testes de fun&#231;&#227;o tireoidiana - <xref ref-type="table" rid="tab1">Tabela 1</xref><sup>1</sup>.</p>
    <table-wrap id="tab1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-05-e122-00022-gt01.jpg"/></table-wrap>
    <p>A amiodarona tem uma meia-vida de aproximadamente 100 dias devido principalmente ao seu armazenamento no tecido adiposo, e seus efeitos t&#243;xicos podem persistir ou mesmo ocorrer ap&#243;s a sua interrup&#231;&#227;o<sup>1</sup>.</p>
    <p>Relata-se que a disfun&#231;&#227;o tireoidiana afeta de 2 a 24% dos usu&#225;rios de amiodarona<sup>2</sup>. O hipotireoidismo induzido pela amiodarona ocorre normalmente entre 6 a 12 meses de tratamento<sup>3</sup>, podendo ser consequ&#234;ncia do efeito Wolff-Chaikoff com bloqueio da secre&#231;&#227;o hormonal ou consequ&#234;ncia de tireoidite cr&#244;nica autoimune induzida por excesso de iodo<sup>2</sup>.</p>
    <p>O tratamento com levotiroxina (LT4) &#233; o principal tratamento adotado para o hipotireoidismo e a retirada da amiodarona nem sempre &#233; necess&#225;ria<sup>2</sup>.</p>
    <p>A amiodarona tamb&#233;m pode induzir a tireotoxicose, mais comumente encontrada em &#225;reas com defici&#234;ncia de iodo<sup>3,4</sup>, podendo ocorrer de 4 meses a 3 anos ap&#243;s o in&#237;cio do tratamento ou ap&#243;s a retirada do f&#225;rmaco, e n&#227;o est&#225; relacionada &#224; dosagem cumulativa do f&#225;rmaco<sup>3</sup>.</p>
    <p>Existem dois tipos de tireotoxicose induzida pela amiodarona (TIA). O Tipo 1 de TIA &#233; definido como o hipertireoidismo induzido pelo iodo, que se desenvolve em indiv&#237;duos com doen&#231;a tireoidiana subjacente ou positividade de anticorpos antitireoperoxidase circulantes (anti-TPO) devido ao aumento da s&#237;ntese e libera&#231;&#227;o de horm&#244;nio tireoidiano (efeito Jod-Basedow). A TIA tipo 2 &#233; uma tireoidite destrutiva induzida por f&#225;rmacos, que ocorre em indiv&#237;duos sem doen&#231;a tireoidiana subjacente, sendo mais frequente em &#225;reas com sufici&#234;ncia de iodo<sup>3</sup> - <xref ref-type="table" rid="tab2">tabela 2</xref>. No entanto, distinguir um tipo do outro pode ser problem&#225;tico, e em alguns casos eles podem, de fato, representar formas mistas, onde os indiv&#237;duos podem ter caracter&#237;sticas de ambos os subtipos de TIA. Devido a essa heterogeneidade, a TIA representa um desafio em termos de diagn&#243;stico e tratamento<sup>2,5</sup>.</p>
    <table-wrap id="tab2">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-05-e122-00022-gt02.jpg"/></table-wrap>
    <p>O Tratamento da TIA tipo 1 inclui o uso de f&#225;rmacos antitireoidianos (metimazol ou propiltiouracil) e a suspens&#227;o da amiodarona &#233; necess&#225;ria, se poss&#237;vel<sup>2,3</sup>. Na TIA tipo 2, o tratamento deve ser feito com glicocorticoides (prednisona)<sup>2,3</sup>. Casos de TIA mista podem n&#227;o responder a monoterapias com f&#225;rmacos antitireoidianos ou glicocorticoides, por&#233;m podem responder a esses agentes administrados em conjunto. Outra estrat&#233;gia seria come&#231;ar a tratar todos os pacientes com f&#225;rmacos antitireoidianos e prednisona diariamente. Se n&#227;o houver uma resposta muito r&#225;pida (i.e., dentro de 1 a 2 semanas), &#233; bem prov&#225;vel que o paciente tenha a TIA tipo 2<sup>1</sup>.</p>
    <p>O objetivo deste estudo &#233; descrever tr&#234;s diferentes casos cl&#237;nicos de pacientes com tireotoxicose induzida por amiodarona e discutir os aspectos cl&#237;nicos e laboratoriais, bem como abordagens diferentes para esses casos.</p>
    <p>
      <bold>Relatos de casos</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Paciente 1</bold>
    </p>
    <p>Um homem de sessenta anos de idade desenvolveu hipertireoidismo subcl&#237;nico no quarto m&#234;s de uso de amiodarona prescrito para taquicardia ventricular e instabilidade el&#233;trica devido &#224; cardiopatia chag&#225;sica. N&#227;o havia sintomas de disfun&#231;&#227;o tireoidiana, nem b&#243;cio. O n&#237;vel s&#233;rico de TSH era &lt;0.01 mUI/ml (faixa de refer&#234;ncia - VR: 0,4-4,0 mUI/ml), negatividade para anticorpos antitireoperoxidase (anti-TPO) e valores s&#233;ricos normais de T4 Livre (0.8-1.9 ng/dl). A capta&#231;&#227;o de iodo radioativo pela tiroide (RAIU) em 24 horas foi de 1%. Foi feita redu&#231;&#227;o da dose de amiodarona e o n&#237;vel s&#233;rico de TSH foi de 0,25 mUI/ml. Ap&#243;s doze meses de seguimento, constatou-se positividade s&#233;rica de anti-TPO, e o paciente desenvolveu tireotoxicose, com T4 livre = 1,9 ng/dl e TSH = 0,20 mUI/ml. Apesar da prescri&#231;&#227;o inicial de 40 mg/dia de prednisona por 2 meses, o paciente ainda apresentava tireotoxicose (T4 Livre = 1,9 ng/dl e TSH = 0,069 mUI/ml). Foi adicionado propiltiouracil &#224; prescri&#231;&#227;o e o paciente recuperou o eutireoidismo ap&#243;s um per&#237;odo de 5 meses (T4 Livre = 1,58 ng/dl), ainda em uso de amiodarona. Posteriormente, os cardiologistas retiraram a amiodarona e o paciente manteve eutireoidismo. Depois disso, tamb&#233;m foi poss&#237;vel retirar a prednisona e o propiltiouracil da prescri&#231;&#227;o.</p>
    <p>
      <bold>Paciente 2</bold>
    </p>
    <p>Uma mulher de cinquenta e quatro anos de idade desenvolveu tireotoxicose no quinto ano de uso de amiodarona (T4 Livre = 2,1 ng/dl, TSH = 0,232 mUI/ml; anti TPO negativo). A amiodarona foi prescrita para taquicardia ventricular com instabilidade el&#233;trica devido &#224; cardiopatia chag&#225;sica. A tireoide estava aumentada (aproximadamente 50 g) e houve RAIU em 24 horas &lt;1%. A amiodarona foi mantida por causa do risco de morte s&#250;bita. A paciente recebeu metimazol (30 mg/dia) e prednisona (20 mg/dia). O eutireoidismo foi recuperado ap&#243;s 3 meses e a prednisona foi suspensa. A paciente necessitou de 5 mg/dia de metimazol para manter o eutireoidismo por dois anos, quando morreu de complica&#231;&#245;es relacionadas &#224; cardiopatia chag&#225;sica, ainda em uso de amiodarona.</p>
    <p>
      <bold>Paciente 3</bold>
    </p>
    <p>Um homem de sessenta e cinco anos de idade desenvolveu tireotoxicose ap&#243;s tr&#234;s meses de uso de amiodarona prescrita para fibrila&#231;&#227;o atrial (T4 Livre = 2,4 ng/dl, TSH = 0,083 mUI/ml; anti TPO negativo). A tireoide estava aumentada, com um n&#243;dulo palp&#225;vel. A amiodarona foi, ent&#227;o, suspensa. O ultrassom da tireoide revelou n&#243;dulos com extens&#227;o para ambos os lobos, medindo 6.1 cm, com fluxo perif&#233;rico e intr&#237;nseco. O primeiro RAIU foi &lt;1%. No entanto, ap&#243;s 12 meses da retirada da amiodarona, a cintilografia tireoidiana mostrou uma capta&#231;&#227;o predominante no l&#243;bulo esquerdo, com o aspecto de b&#243;cio multinodular e RAIU de 7.63% (normal). A citopatologia do n&#243;dulo demonstrou b&#243;cio nodular benigno. O eutireoidismo foi atingido 10 meses ap&#243;s a suspens&#227;o da amiodarona, sem qualquer outro tratamento complementar.</p>
    <p>
      <bold>Discuss&#227;o</bold>
    </p>
    <p>Descrevemos tr&#234;s casos de tireotoxicose em pacientes sob tratamento com amiodarona: nos dois primeiros casos, a gravidade das doen&#231;as e da morbidade possivelmente consequente ao excesso de horm&#244;nio tireoidiano justificam a abordagem inicial com f&#225;rmacos corticoides e antitireoideanos. O tratamento combinado deve ser a alternativa inicial em pacientes com doen&#231;a cardiovascular grave. Al&#233;m disso, esses pacientes apresentam caracter&#237;sticas que podem levar a diagn&#243;sticos err&#244;neos sobre o tipo espec&#237;fico de TIA, que se constitui em uma dificuldade comumente enfrentada na pr&#225;tica cl&#237;nica di&#225;ria.</p>
    <p>No caso 1, alguns resultados sugerem a TIA de tipo 1: a melhora da tireotoxicose somente ocorreu quando o propiltiouracil foi adicionado &#224; prescri&#231;&#227;o, RAIU de 1% (onde esperava-se uma capta&#231;&#227;o nula); tamb&#233;m sugerem o tipo 2: o desenvolvimento de anticorpos circulantes durante a avalia&#231;&#227;o, ainda em uso de amiodarona, definindo uma TIA de padr&#227;o misto.</p>
    <p>O caso 2 tamb&#233;m pode apresentar uma TIA mista, por&#233;m o b&#243;cio e o uso cont&#237;nuo de metimazol sugerem a predomin&#226;ncia do tipo 1, apesar do RAIU &lt;1%. Tendo em vista que a interpreta&#231;&#227;o do RAIU deve ser dif&#237;cil nesses pacientes, o ultrassom com Doppler seria apropriado (<xref ref-type="table" rid="tab2">tabela 2</xref>).</p>
    <p>O caso 3 demonstra um paciente com um grande n&#243;dulo tireoidiano, que pode desenvolver fun&#231;&#245;es aut&#244;nomas, precipitado pelo uso de amiodarona, devido ao fen&#244;meno de Jod-Basedow. Este fen&#244;meno &#233; mais comum em pacientes com antecedentes de doen&#231;as da tireoide, principalmente a doen&#231;a nodular e em &#225;reas com defici&#234;ncia de iodo ao redor do mundo.</p>
    <p>Mesmo sabendo dos efeitos da amiodarona na gl&#226;ndula tireoide, muitos m&#233;dicos n&#227;o realizam uma avalia&#231;&#227;o adequada. Nosso grupo detectou que 33,9% dos pacientes sob tratamento com amiodarona apresentavam disfun&#231;&#227;o tireoidiana (1,8 e 3,6% apresentavam hipertireoidismo cl&#237;nico e subcl&#237;nico, respectivamente, e 10,7 e 17,9% apresentavam hipotireoidismo cl&#237;nico e subcl&#237;nico, respectivamente). No entanto, apenas 49,2% dos cardiologistas costumam acompanhar a fun&#231;&#227;o tireoidiana com frequ&#234;ncia<sup>6</sup>.</p>
    <p>&#201; essencial avaliar cuidadosamente os pacientes antes e durante a terapia com amiodarona. Recomenda-se a an&#225;lise cuidadosa da gl&#226;ndula tireoide e a determina&#231;&#227;o dos valores basais de TSH, T4 livre e anti-TPO. Os n&#237;veis s&#233;ricos de TSH e T4 livre devem ser medidos ap&#243;s 3 meses de terapia e, posteriormente, a cada seis meses<sup>7</sup>. A deteriora&#231;&#227;o da fun&#231;&#227;o card&#237;aca implica a suspeita de disfun&#231;&#227;o tireoidiana associada, mesmo na aus&#234;ncia de sintomas cl&#225;ssicos.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflito de interesses pertinentes.</p>
    <p>
      <bold>Fontes de Financiamento</bold>
    </p>
    <p>O presente estudo n&#227;o teve fontes de financiamento externas.</p>
    <p>
      <bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>N&#227;o h&#225; vincula&#231;&#227;o deste estudo a programas de p&#243;s-gradua&#231;&#227;o.</p>
    <p>
      <fn id="end" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold>Correspond&#234;ncia:</bold>
        </label>
        <p> Ana Beatriz Winter Tavares </p>
        <p> Rua Bar&#227;o de Lucena, 135/202 - Botafogo </p>
        <p> 22260-020 - Rio de Janeiro, RJ - Brasil </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="anabeatrizwinter@yahoo.com.br">anabeatrizwinter@yahoo.com.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 13/12/08; revisado recebido em 09/06/09; aceito em 23/06/09.</p>
  </body>
  <back>
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          <article-title>Amiodarone and the thyroid</article-title>
          <source>Am J Med</source>
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            <year>2005</year>
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          <volume>118</volume>
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          <article-title>Disfun&#231;&#227;o tireoidiano e conduta dos cardiologistas em pacientes usando amiodarona</article-title>
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          <article-title>Practical guidelines for clinicians who treat patients with amiodarone: Practice Guidelines Subcommittee, North American Society of Pacing and Electrophysiology</article-title>
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          <subject>Case Report</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Amiodarone and thyrotoxicosis: case reports</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>Amiodarone-induced thyroid dysfunction has been reported to affect 2-24% of users. Despite the easy management of amiodarone-induced hypothyroidism, the development of thyrotoxicosis leads to a difficult approach in most cases. The aim of this study is to describe three different cases of patients with amiodarone-induced thyrotoxicosis and discuss the clinical and laboratorial aspects, and the different approaches to them. It is essential to carefully evaluate patients before and during amiodarone therapy, since the prompt diagnosis and treatment of this condition is essential in patients with high cardiovascular risk.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Amiodarone</kwd>
        <kwd>thyrotoxicosis</kwd>
        <kwd>thyroiditis</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>CASE REPORT</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="top-body2">
          <label>
            <bold>Amiodarone and thyrotoxicosis: case reports</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Ana Beatriz Winter Tavares; Simone Kalil de Paula; Mario Vaisman; Patr&#237;cia de F&#225;tima dos Santos Teixeira</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Servi&#231;o de Endocrinologia do Hospital Universit&#225;rio Clementino Fraga Filho - UFRJ - Rio de Janeiro, RJ - Brazil</p>
      <p>Mailing address</p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p>Amiodarone-induced thyroid dysfunction has been reported to affect 2-24% of users. Despite the easy management of amiodarone-induced hypothyroidism, the development of thyrotoxicosis leads to a difficult approach in most cases.</p>
      <p> The aim of this study is to describe three different cases of patients with amiodarone-induced thyrotoxicosis and discuss the clinical and laboratorial aspects, and the different approaches to them.</p>
      <p> It is essential to carefully evaluate patients before and during amiodarone therapy, since the prompt diagnosis and treatment of this condition is essential in patients with high cardiovascular risk.</p>
      <p><bold>Keywords:</bold> Amiodarone; thyrotoxicosis; thyroiditis.</p>
      <p>
        <bold>Introduction</bold>
      </p>
      <p>Amiodarone is a Type-III anti-arrhythmic agent that blocks myocardial potassium channels and has some beta-blocking properties. Each molecule of amiodarone has a significant structural resemblance to the thyroid hormones and contains two iodine atoms, which constitute 37.5% of its mass. Hence, a patient taking a 200 mg daily dose of amiodarone leads an amount of free iodine into circulation that is 20-40 times higher than the daily iodine intake in the general population<sup>1</sup>.</p>
      <p>This excessive load of iodine generates important adjustments in hormone metabolism and physiological alterations in serum thyroid function tests - <xref ref-type="table" rid="tab1-body2">table 1</xref><sup>1</sup>.</p>
      <table-wrap id="tab1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-05-e122-00022-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>Amiodarone has a half-life of approximately 100 days, mainly due to its storage in adipose tissue, and its toxic effects may persist or even occur after its discontinuation<sup>1</sup>.</p>
      <p>Thyroid dysfunction has been reported to affect 2-24% of amiodarone users<sup>2</sup>. Amiodarone-induced hypothyroidism occurs typically between 6-12 months of treatment<sup>3</sup>. It may be a consequence of Wolff-Chaikoff effect with blockage of hormone secretion or a consequence of chronic autoimmune thyroiditis induced by iodine excess<sup>2</sup>.</p>
      <p>Levothyroxine (LT4) replacement is the treatment of choice for hypothyroidism and amiodarone withdrawal is not always necessary<sup>2</sup>.</p>
      <p>Amiodarone may also induce thyrotoxicosis, more commonly found in iodine deficient areas<sup>3,4</sup>. It may occur 4 months to 3 years after initiating therapy or after drug withdrawal and is not related to cumulative drug dosage<sup>3</sup>.</p>
      <p>There are two types of amiodarone-induced thyrotoxicosis (AIT). Type 1 AIT is defined as iodine-induced hyperthyroidism, developing in individuals with underlying thyroid disease or positive circulating thyroid peroxidase antibodies (TPOAb) and is due to increased synthesis and release of thyroid hormone (Jod-Basedow effect). Type 2 AIT is a drug-induced destructive thyroiditis that occurs in individuals with no underlying thyroid disease and is more frequent in iodine sufficient areas<sup>3</sup> - <xref ref-type="table" rid="tab2-body2">table 2</xref>. However, distinguishing one type from the other may be troublesome, and some cases may in fact represent mixed forms, where individuals may have characteristics of both AIT subtypes. Because of this heterogeneity, AIT poses a difficult diagnostic and therapeutic challenge<sup>2,5</sup>.</p>
      <table-wrap id="tab2-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-05-e122-00022-gt02-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>Treatment of type 1 AIT includes the use of antithyroid drugs (methimazole or propylthiouracil) and discontinuation of amiodarone is necessary, if possible<sup>2,3</sup>. In type 2 AIT, treatment must be done with glucocorticoids (prednisone)<sup>2,3</sup>. Cases of mixed AIT may not respond to monotherapy with either antithyroid drugs or glucocorticoids but may respond to both agents together. Another strategy could be starting all patients on both antithyroid drug and prednisone daily. If there is a very rapid response (i.e., within 1-2 weeks), then the patient is very likely to have type 2<sup>1</sup> AIT.</p>
      <p>The aim of this study is to describe three different clinical cases of patients with amiodarone-induced thyrotoxicosis and discuss the clinical and laboratorial aspects, as well as different approaches to them.</p>
      <p>
        <bold>Case reports</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Patient 1</bold>
      </p>
      <p>A sixty year-old man developed subclinical hyperthyroidism in the fourth month of amiodarone use, which was prescribed for ventricular tachycardia and electrical instability due to Chagas heart disease. There were no symptoms of thyroid dysfunction, no goiter. Serum TSH level was &lt;0.01 mUI/ml (reference range - RR: 0.4-4.0 mUI/ml), negative thyroperoxidase antibody (TPOAb) and normal serum values of FT4 (0.8-1.9 ng/dl). Iodine uptake (RAIU) in 24 hours was 1%. A reduction in the amiodarone dosage was performed and the following serum TSH was 0.25 mUI/ml. After twelve months of follow-up, serum TPOAb became positive, and patient developed thyrotoxicosis, with FT4=1.9 ng/dl and TSH=0.20 mUI/ml. Despite an initial prescription of 40 mg/day of prednisone for 2 months, the patient still presented thyrotoxicosis (FT4= 1.9 ng/dl and TSH=0.069 mUI/ml). Propylthiouracil was added to the prescription and patient restored euthyroidism after 5 months (FT4=1.58 ng/dl), still in use of amiodarone. Afterwards, cardiologists were able to take out amiodarone and the patient maintained euthyroidism. After that, it was also possible to withdraw prednisone and propylthiouracil from prescription.</p>
      <p>
        <bold>Patient 2</bold>
      </p>
      <p>A fifty-four-year-old woman developed thyrotoxicosis in the fifth year of amiodarone use (FT4=2.1 ng/dl; TSH=0.232 mUI/ml; negative TPOAb). Amiodarone was prescribed for ventricular tachycardia and electrical instability due to Chagas heart disease. Thyroid was enlarged (approximately 50 g) and RAIU in 24 hours &lt;1%. Amiodarone was maintained because of the risk of sudden death. The patient received methimazole (30 mg/day) and prednisone (20 mg/day). Euthyroidism was restored after 3 months and prednisone was suspended after that. The patient needed 5mg/day of methimazole to maintain euthyroidism for two years, when she died from Chagas heart disease complications, still in use of amiodarone.</p>
      <p>
        <bold>Patient 3</bold>
      </p>
      <p>A sixty-five-year-old man developed thyrotoxicosis after three months of amiodarone use, prescribed for atrial fibrillation (FT4=2.4 ng/dl; TSH=0.083 mUI/ml; negative TPO-Ab). Thyroid was enlarged, with a palpable nodule. Amiodarone was then suspended. Thyroid ultrasound disclosed a nodule expanding to both lobes, measuring 6.1 cm, with peripheral and intrinsic flow. The first RAIU was &lt;1%. However, after 12 months of amiodarone withdrawal, the thyroid scintillography showed a predominant uptake in the left lobe, with the aspect of multinodular goiter and RAIU of 7.63% (normal). Cytopathology of the nodule demonstrated benign nodular goiter. Euthyroidism was achieved 10 months after the suspension of amiodarone, without any complementary treatment.</p>
      <p>
        <bold>Discussion</bold>
      </p>
      <p>We describe three cases of thyrotoxicosis in patients taking amiodarone: in the first two cases the severity of diseases and the possibly consequent morbidity associated to the thyroid hormone excess justify the initial approach with corticosteroids and antithyroid drugs. The combined treatment must be the initial choice in patients with severe cardiovascular disease. Furthermore, they have characteristics that may misdiagnosis the specific type of AIT, which is a common difficulty seen in daily clinical practice.</p>
      <p>In case 1, some findings are suggestive of type 1 AIT: amelioration of thyrotoxicosis only when propylthiouracil was added to prescription, RAIU of 1% (where we expected a null uptake); and also suggestive of type 2: development of circulating antibodies during the evaluation, still in use of amiodarone, defining an AIT with mixed pattern.</p>
      <p>Case 2 may also present a mixed AIT, however the goiter and the long-time use of methimazole suggest type 1 predominance, despite RAIU &lt; 1%. Since the RAIU interpretation must be difficult in these patients, the Doppler ultrasound would be appropriate (table 2).</p>
      <p>Case 3 demonstrates a patient with a big thyroid nodule, which might develop autonomous function, precipitated by the use of amiodarone; due to Jod-Basedow phenomenon. This phenomenon is more common in patients with previous thyroid diseases, especially nodular disease and in iodine deficient areas of the world.</p>
      <p>Even knowing the effects of amiodarone in the thyroid gland, many physicians do not proceed to an adequate evaluation. Our group detected that 33.9% of patients taking amiodarone had thyroid dysfunction (1.8 and 3.6% had clinical and subclinical hyperthyroidism, respectively, and 10.7 and 17.9% had clinical and subclinical hypothyroidism, respectively). However, only 49.2% of the cardiologists used to follow thyroid function frequently<sup>6</sup>.</p>
      <p>It is essential to carefully evaluate patients before and during amiodarone therapy. Careful thyroid gland examination and baseline TSH, FT4 and TPOAb determinations are recommended. Serum TSH and FT4 should be measured after 3 months of therapy and semiannually after that 6 months<sup>7</sup>. A deterioration of cardiac function implies the suspicion of associated thyroid dysfunction, even in the absence of classic symptoms.</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>Sources of Funding</bold>
      </p>
      <p>There were no external funding sources for this study.</p>
      <p>
        <bold>Study Association</bold>
      </p>
      <p>This study is not associated with any post-graduation program.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
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      <title-group>
        <article-title xml:lang="es">Amiodarona y tirotoxicosis: relatos de casos</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="es">
        <p>Se relata que la disfunci&#243;n tiroidea inducida por la amiodarona afecta de 2 a 24% de los usuarios. Aunque sea f&#225;cil tratar el hipotiroidismo inducido por la amiodarona, el desarrollo de la tirotoxicosis lleva a un abordaje dif&#237;cil en la mayor&#237;a de los casos. El objetivo de este estudio es describir tres casos diferentes de pacientes con tirotoxicosis inducida por amiodarona y discutir los aspectos cl&#237;nicos y de laboratorio, y los diferentes abordajes para esos casos. Es esencial evaluar cuidadosamente los pacientes antes y durante el tratamiento con amiodarona, teniendo en vista que el diagn&#243;stico y el tratamiento inmediato de esa condici&#243;n son cruciales en pacientes con alto riesgo cardiovascular.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="es">
        <kwd>Tiroiditis</kwd>
        <kwd>tirotoxicosis</kwd>
        <kwd>amiodarona</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>CASO CL&#205;NICO</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="top-body3">
          <label>
            <bold>Amiodarona y tirotoxicosis: relatos de casos</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Ana Beatriz Winter Tavares; Simone Kalil de Paula; Mario Vaisman; Patr&#237;cia de F&#225;tima dos Santos Teixeira</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Servi&#231;o de Endocrinologia do Hospital Universit&#225;rio Clementino Fraga Filho - UFRJ - Rio de Janeiro, RJ - Brasil</p>
      <p>Correspondencia</p>
      <p>
        <bold>RESUMEN</bold>
      </p>
      <p>Se relata que la disfunci&#243;n tiroidea inducida por la amiodarona afecta de 2 a 24% de los usuarios. Aunque sea f&#225;cil tratar el hipotiroidismo inducido por la amiodarona, el desarrollo de la tirotoxicosis lleva a un abordaje dif&#237;cil en la mayor&#237;a de los casos.</p>
      <p> El objetivo de este estudio es describir tres casos diferentes de pacientes con tirotoxicosis inducida por amiodarona y discutir los aspectos cl&#237;nicos y de laboratorio, y los diferentes abordajes para esos casos.</p>
      <p> Es esencial evaluar cuidadosamente los pacientes antes y durante el tratamiento con amiodarona, teniendo en vista que el diagn&#243;stico y el tratamiento inmediato de esa condici&#243;n son cruciales en pacientes con alto riesgo cardiovascular.</p>
      <p><bold>Palabras-clave:</bold> Tiroiditis, tirotoxicosis, amiodarona.</p>
      <p>
        <bold>Introducci&#243;n</bold>
      </p>
      <p>La amiodarona es un agente antiarr&#237;tmico tipo III que bloquea los canales de potasio del miocardio y posee algunas propiedades betabloqueantes. Cada mol&#233;cula de amiodarona tiene una semejanza estructural significativa en relaci&#243;n a las hormonas tiroideas y contienen dos &#225;tomos de yodo, que constituyen 37,5% de su masa. Siendo as&#237;, un paciente que consume una dosis diaria de 200mg de amiodarona ingiere una cantidad de yodo libre en su circulaci&#243;n de 20 a 40 veces mayor que la ingesti&#243;n diaria de yodo entre la poblaci&#243;n en general<sup>1</sup>.</p>
      <p>Esta carga excesiva de yodo genera adaptaciones importantes en el metabolismo hormonal y alteraciones fisiol&#243;gicas en tests de funci&#243;n tiroidea - <xref ref-type="table" rid="tab1-body3">Tabla 1</xref><sup>1</sup>.</p>
      <table-wrap id="tab1-body3">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-05-e122-00022-gt01-es.jpg"/></table-wrap>
      <p>La amiodarona tiene una vida media de aproximadamente 100 d&#237;as debido principalmente a su almacenamiento en el tejido adiposo, y sus efectos t&#243;xicos pueden persistir o aun ocurrir despu&#233;s de su interrupci&#243;n<sup>1</sup>.</p>
      <p>Se relata que la disfunci&#243;n tiroidea afecta de 2 a 24% de los usuarios de amiodarona<sup>2</sup>. El hipotiroidismo inducido por la amiodarona ocurre normalmente entre 6 a 12 meses de tratamiento<sup>3</sup>, pudiendo ser consecuencia del efecto Wolff-Chaikoff con bloqueo de la secreci&#243;n hormonal o consecuencia de tiroiditis cr&#243;nica autoinmune inducida por exceso de yodo<sup>2</sup>.</p>
      <p>La substituci&#243;n por levotiroxina (T4 libre) es el principal tratamiento adoptado para el hipotiroidismo y la retirada de la amiodarona no siempre es necesaria<sup>2</sup>.</p>
      <p>La amiodarona tambi&#233;n puede inducir la tirotoxicosis, m&#225;s com&#250;nmente encontrada en &#225;reas con deficiencia de yodo<sup>3,4</sup>, pudiendo ocurrir de 4 a 3 a&#241;os despu&#233;s del inicio del tratamiento o despu&#233;s de la retirada del f&#225;rmaco, y no est&#225; relacionada al dosaje acumulativo del f&#225;rmaco<sup>3</sup>.</p>
      <p>Existen dos tipos de tirotoxicosis inducida por la amiodarona (TIA). El Tipo 1 de TIA es definido como el hipertiroidismo inducido por el yodo, que se desarrolla en individuos con enfermedad tiroidea subyacente o positividad de anticuerpos antitiroperoxidasa circulantes (anti-TPO) debido al aumento de la s&#237;ntesis y liberaci&#243;n de hormona tiroidea (efecto Jod-Basedow). La TIA tipo 2 es una tiroiditis destructiva inducida por f&#225;rmacos, que ocurre en individuos sin enfermedad tiroidea subyacente, siendo m&#225;s frecuente en &#225;reas con suficiencia de yodo<sup>3</sup> - <xref ref-type="table" rid="tab2-body3">tabla 2</xref>. Mientras tanto, distinguir un tipo del otro puede ser problem&#225;tico, y en algunos casos pueden, de hecho, representar formas mixtas, donde los individuos pueden tener caracter&#237;sticas de ambos subtipos de TIA. Debido a esa heterogeneidad, la TIA representa un desaf&#237;o en t&#233;rminos de diagn&#243;stico y tratamiento<sup>2,5</sup>.</p>
      <table-wrap id="tab2-body3">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-05-e122-00022-gt02-es.jpg"/></table-wrap>
      <p>El Tratamiento de la TIA tipo 1 incluye el uso de f&#225;rmacos antitiroideos (metimazol o propiltiouracil) y la suspensi&#243;n de la amiodarona es necesaria, se posible<sup>2,3</sup>. En la TIA tipo 2, el tratamiento debe ser hecho con glicocorticoides (prednisona)<sup>2,3</sup>. Casos de TIA mixta pueden no responder a monoterapias con f&#225;rmacos antitiroideos o glicocorticoides, sin embargo pueden responder a esos agentes administrados en conjunto. Otra estrategia seria comenzar a tratar todos los pacientes con f&#225;rmacos antitiroideos y prednisona diariamente. Si no hay una respuesta muy r&#225;pida (p.e., dentro de 1 a 2 semanas), es muy probable que el paciente tenga la TIA tipo 2<sup>1</sup>.</p>
      <p>El objetivo de este estudio es describir tres diferentes casos cl&#237;nicos de pacientes con tirotoxicosis inducida por amiodarona y discutir los aspectos cl&#237;nicos y de laboratorio, as&#237; como abordajes diferentes para esos casos.</p>
      <p>
        <bold>Relatos de Casos</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Paciente 1</bold>
      </p>
      <p>Un hombre de sesenta a&#241;os de edad desarroll&#243; hipertiroidismo subcl&#237;nico en el cuarto mes de uso de amiodarona prescrito para taquicardia ventricular y inestabilidad el&#233;ctrica debido a cardiopat&#237;a chag&#225;sica. No hab&#237;a s&#237;ntomas de disfunci&#243;n tiroidea, ni bocio. El nivel s&#233;rico de TSH era &lt;0.01 mUI/mL (franja de referencia - RR: 0,4-4,0 mUI/mL), negatividad para anticuerpos antitireoperoxidasa (anti-TPO) y valores s&#233;ricos normales de T4 Libre (0.8-1.9 ng/dl). La captaci&#243;n de yodo radioactivo por la tiroides (RAIU) en 24 horas fue de 1%. Fue hecha reducci&#243;n de la dosis de amiodarona y el nivel s&#233;rico de TSH fue de 0,25 mUI/mL. Despu&#233;s de doce meses de seguimiento, se constat&#243; positividad s&#233;rica de anti-TPO, y el paciente desarroll&#243; tirotoxicosis, con T4L = 1,9 ng/dL y TSH = 0,20 mUI/mL. A pesar de la prescripci&#243;n inicial de 40 mg/d&#237;a de prednisona por 2 meses, el paciente aun presentaba tirotoxicosis (T4 Libre = 1,9 ng/dL y TSH = 0,069 mUI/mL). Fue adicionado propiltiouracil a la prescripci&#243;n y el paciente recuper&#243; el eutiroidismo despu&#233;s de un per&#237;odo de 5 meses (T4 Libre = 1,58 ng/dL), aun en uso de amiodarona. Posteriormente, los cardi&#243;logos pudieron retirar la amiodarona y el paciente mantuvo eutiroidismo. Despu&#233;s de eso, tambi&#233;n fue posible retirar la prednisona y el propiltiouracil de la prescripci&#243;n.</p>
      <p>
        <bold>Paciente 2</bold>
      </p>
      <p>Una mujer de cincuenta y cuatro a&#241;os de edad desarroll&#243; tirotoxicosis en el quinto a&#241;o de uso de amiodarona (T4 Libre = 2,1 ng/dL, TSH = 0,232 mUI/mL; negatividad de anti-TPO). La amiodarona fue prescripta para taquicardia ventricular con inestabilidad el&#233;ctrica debido a cardiopat&#237;a chag&#225;sica. La tiroides fue expandida (aproximadamente 50 g) y hubo RAIU en 24 horas &lt;1%. La amiodarona fue mantenida por causa del riesgo de muerte s&#250;bita. La paciente recibi&#243; metimazol (30 mg/d&#237;a) y prednisona (20 mg/d&#237;a). El eutiroidismo fue recuperado despu&#233;s de 3 meses y la prednisona fue suspendida. La paciente necesit&#243; 5mg/d&#237;a de metimazol para mantener el eutiroidismo por dos a&#241;os, cuando muri&#243; de complicaciones relacionadas a la cardiopat&#237;a chag&#225;sica, aun en uso de amiodarona.</p>
      <p>
        <bold>Paciente 3</bold>
      </p>
      <p>Un hombre de sesenta y cinco a&#241;os de edad desarroll&#243; tirotoxicosis despu&#233;s de tres meses de uso de amiodarona prescripta para fibrilaci&#243;n atrial (T4 Libre = 2,4 ng/dL, TSH = 0,083 mUI/mL; negatividad para anti-TPO). Hubo expansi&#243;n de la tiroides, con un n&#243;dulo palpable. En seguida, se suspendi&#243; la amiodarona. El ultrasonido de la tiroides revel&#243; un n&#243;dulo en expansi&#243;n para ambos l&#243;bulos, midiendo 6.1 cm, con flujo perif&#233;rico e intr&#237;nseco. El primer RAIU fue &lt;1%.Mientras tanto, despu&#233;s de 12 meses de la retirada de la amiodarona, la c&#225;mara gamma tiroidea mostr&#243; una captaci&#243;n predominante en el l&#243;bulo izquierdo, con el aspecto de bocio multinodular y RAIU de 7.63% (normal). La citopatolog&#237;a del n&#243;dulo demostr&#243; bocio nodular benigno. EL eutiroidismo fue alcanzado 10 meses despu&#233;s de la suspensi&#243;n de la amiodarona, sin cualquier otro tratamiento complementario.</p>
      <p>
        <bold>Discusi&#243;n</bold>
      </p>
      <p>Describimos tres casos de tirotoxicosis en pacientes bajo tratamiento con amiodarona: en los dos primeros casos, la gravedad de las enfermedades y de la morbilidad posiblemente asociadas al exceso de hormona tiroidea justifican el abordaje inicial con f&#225;rmacos corticoides y antitiroideos. El tratamiento combinado debe ser la alternativa inicial en pacientes con enfermedad cardiovascular grave. Adem&#225;s de eso, esos pacientes presentan caracter&#237;sticas que pueden llevar a diagn&#243;sticos err&#243;neos sobre el tipo espec&#237;fico de TIA, que se constituye en una dificultad com&#250;nmente enfrentada en la pr&#225;ctica cl&#237;nica diaria.</p>
      <p>En el caso 1, algunos resultados sugieren la TIA de tipo 1: la mejora de la tirotoxicosis solamente ocurri&#243; cuando el propiltiouracil fue adicionado a la prescripci&#243;n, RAIU de 1% (considerado alto en pacientes en uso de amiodarona); tambi&#233;n sugieren el tipo 2: el desarrollo de anticuerpos circulantes durante la evaluaci&#243;n, aun en uso de amiodarona, definiendo una TIA de est&#225;ndar mixto.</p>
      <p>El caso 2 tambi&#233;n puede presentar una TIA mixta, sin embargo el bocio y el uso continuo de metimazol sugieren predominio del tipo 1, a pesar del RAIU &lt; 1%. Teniendo en vista que la interpretaci&#243;n del RAIU debe ser dif&#237;cil en esos pacientes, el ultrasonido con Doppler seria apropiado (<xref ref-type="table" rid="tab2-body3">tabla 2</xref>).</p>
      <p>El caso 3 demuestra un paciente con un gran n&#243;dulo tiroideo, que puede desarrollar funciones aut&#243;nomas, precipitado por el uso de amiodarona, debido al fen&#243;meno de Jod-Basedow. Este fen&#243;meno es m&#225;s com&#250;n en pacientes con antecedentes de enfermedades de la tiroides, principalmente la enfermedad nodular y en &#225;reas con deficiencia de yodo alrededor del mundo.</p>
      <p>Aun sabiendo de los efectos de la amiodarona en la gl&#225;ndula tiroides, muchos m&#233;dicos no realizan una evaluaci&#243;n adecuada. Nuestro grupo detect&#243; que 33,9% de los pacientes bajo tratamiento con amiodarona presentaban disfunci&#243;n tiroidea (1,8 y 3,6% presentaban hipertiroidismo cl&#237;nico y subcl&#237;nico, respectivamente, y 10,7 y 17,9% presentaban hipotiroidismo cl&#237;nico y subcl&#237;nico). Mientras tanto, apenas 49,2% de los cardi&#243;logos suelen controlar la funci&#243;n tiroidea con frecuencia<sup>6</sup>.</p>
      <p>Es esencial evaluar cuidadosamente los pacientes antes y durante la terapia con amiodarona. Se recomienda el an&#225;lisis cuidadoso de la gl&#225;ndula tiroides y la determinaci&#243;n de los valores basales de TSH, T4 libre y anti-TPO. Los niveles s&#233;ricos de TSH y T4 libre deben ser medidos despu&#233;s de 3 meses de terapia y, posteriormente, cada seis meses<sup>7</sup>. El deterioro de la funci&#243;n card&#237;aca implica la sospecha de disfunci&#243;n tiroidea asociada, aun en la ausencia de s&#237;ntomas cl&#225;sicos.</p>
      <p>
        <bold>Potencial Conflicto de Intereses</bold>
      </p>
      <p>Declaro no haber conflicto de intereses pertinentes.</p>
      <p>
        <bold>Fuentes de Financiaci&#243;n</bold>
      </p>
      <p>El presente estudio no tuve fuentes de financiaci&#243;n externas.</p>
      <p>
        <bold>Vinculaci&#243;n Acad&#233;mica</bold>
      </p>
      <p>No hay vinculaci&#243;n de este estudio a programas de postgrado.</p>
      <p>
        <bold>Referencias</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
