<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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      <article-id pub-id-type="other">00008</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2010001500008</article-id>
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      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2010005000136</article-id>
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          <subject>Artigos Originais</subject>
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        <article-title>Perfil lip&#237;dico em escolares de Recife - PE</article-title>
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          <named-content content-type="city">Recife</named-content>
          <named-content content-type="state">Pernambuco</named-content>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Pernambuco</institution>
        <country country="BR">Brazil</country>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>10</month>
        <year>2010</year>
      </pub-date>
      <volume>95</volume>
      <issue>5</issue>
      <fpage>606</fpage>
      <lpage>613</lpage>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
        </license>
      </permissions>
      <abstract>
        <p>FUNDAMENTO: A ocorr&#234;ncia de dislipidemias &#233; crescente na popula&#231;&#227;o infanto-juvenil. N&#237;veis alterados do perfil lip&#237;dico est&#227;o relacionados com maior incid&#234;ncia de hipertens&#227;o e doen&#231;a ateroscler&#243;tica. OBJETIVO: Avaliar a magnitude das dislipidemias e investigar a rela&#231;&#227;o do perfil lip&#237;dico com o excesso de peso e a obesidade abdominal em adolescentes escolares da cidade do Recife - PE. M&#201;TODOS: Foram coletados dados pessoais, situa&#231;&#227;o socioecon&#244;mica, medidas antropom&#233;tricas e perfil lip&#237;dico de 470 adolescentes de 10 a 14 anos, de ambos os sexos, da rede p&#250;blica de ensino de Recife - PE. A an&#225;lise estat&#237;stica foi realizada com os programas Epi-info 6.04 e SPSS 13.0. Adotou-se o n&#237;vel de signific&#226;ncia de 5%. RESULTADOS: A maior parte da popula&#231;&#227;o era dislipid&#234;mica (63,8%, IC95% 59,3 - 68,2), sendo a hipoalfalipoproteinemia a dislipidemia mais prevalente (56%, IC95% 51,3 - 60,5). Adolescentes com excesso de peso ou com obesidade abdominal apresentaram valores mais elevados de triglicer&#237;deos e mais baixos de HDL-colesterol (p &lt; 0,05). As concentra&#231;&#245;es do colesterol total e fra&#231;&#245;es n&#227;o diferiram em rela&#231;&#227;o ao sexo. CONCLUS&#195;O: Ficou demonstrada a elevada ocorr&#234;ncia do perfil lip&#237;dico desfavor&#225;vel, o que faz alertar para a necessidade da dosagem do perfil lip&#237;dico j&#225; nessa faixa et&#225;ria. Medidas de estilo de vida saud&#225;vel devem ser incentivadas nessa popula&#231;&#227;o.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Dislipidemias</kwd>
        <kwd>hipertens&#227;o</kwd>
        <kwd>obesidade abdominal</kwd>
        <kwd>adolescente</kwd>
        <kwd>estilo de vida</kwd>
        <kwd>Recife</kwd>
        <kwd>Brasil</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>08</day>
        <month>10</month>
        <year>2010</year>
      </pub-date>
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  <body>
    <p>
      <bold>Perfil lip&#237;dico em escolares de Recife - PE</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Patr&#237;cia Brazil Pereira; Ilma Kruze Grande de Arruda; Ana M&#225;rcia Ten&#243;rio de Souza Cavalcanti; Alcides da Silva Diniz</bold>
    </p>
    <p>Universidade Federal de Pernambuco, Recife, PE - Brasil</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p><bold>FUNDAMENTO: </bold> A ocorr&#234;ncia de dislipidemias &#233; crescente na popula&#231;&#227;o infanto-juvenil. N&#237;veis alterados do perfil lip&#237;dico est&#227;o relacionados com maior incid&#234;ncia de hipertens&#227;o e doen&#231;a ateroscler&#243;tica. </p>
    <p><bold>OBJETIVO:</bold> Avaliar a magnitude das dislipidemias e investigar a rela&#231;&#227;o do perfil lip&#237;dico com o excesso de peso e a obesidade abdominal em adolescentes escolares da cidade do Recife - PE. </p>
    <p> M&#201;TODOS: Foram coletados dados pessoais, situa&#231;&#227;o socioecon&#244;mica, medidas antropom&#233;tricas e perfil lip&#237;dico de 470 adolescentes de 10 a 14 anos, de ambos os sexos, da rede p&#250;blica de ensino de Recife - PE. A an&#225;lise estat&#237;stica foi realizada com os programas Epi-info 6.04 e SPSS 13.0. Adotou-se o n&#237;vel de signific&#226;ncia de 5%. </p>
    <p><bold>RESULTADOS:</bold> A maior parte da popula&#231;&#227;o era dislipid&#234;mica (63,8%, IC95% 59,3 - 68,2), sendo a hipoalfalipoproteinemia a dislipidemia mais prevalente (56%, IC95% 51,3 - 60,5). Adolescentes com excesso de peso ou com obesidade abdominal apresentaram valores mais elevados de triglicer&#237;deos e mais baixos de HDL-colesterol (p &lt; 0,05). As concentra&#231;&#245;es do colesterol total e fra&#231;&#245;es n&#227;o diferiram em rela&#231;&#227;o ao sexo. </p>
    <p><bold>CONCLUS&#195;O:</bold> Ficou demonstrada a elevada ocorr&#234;ncia do perfil lip&#237;dico desfavor&#225;vel, o que faz alertar para a necessidade da dosagem do perfil lip&#237;dico j&#225; nessa faixa et&#225;ria. Medidas de estilo de vida saud&#225;vel devem ser incentivadas nessa popula&#231;&#227;o.</p>
    <p><bold>Palavras-chave: </bold> Dislipidemias/epidemiologia, hipertens&#227;o, obesidade abdominal, adolescente, estilo de vida, Recife, Brasil.</p>
    <p>
      <bold>Introdu&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>Dislipidemia &#233; um quadro cl&#237;nico caracterizado por concentra&#231;&#245;es anormais de lip&#237;dios ou lipoprote&#237;nas no sangue e &#233; determinada por fatores gen&#233;ticos e ambientais. Evid&#234;ncias demonstraram que n&#237;veis elevados de colesterol total (CT), LDL colesterol (LDL-c) e triglicer&#237;deos (TG), assim como n&#237;veis reduzidos de HDL colesterol (HDL-c), est&#227;o relacionados com maior incid&#234;ncia de hipertens&#227;o e doen&#231;a ateroscler&#243;tica<sup>1</sup>.</p>
    <p>A aterog&#234;nese tem in&#237;cio com a forma&#231;&#227;o de estrias gordurosas precursoras das placas de ateroma. Essas come&#231;am a surgir na aorta a partir dos tr&#234;s anos de idade e, na adolesc&#234;ncia, passam a atingir as coron&#225;rias, progredindo, subsequentemente, nas outras fases do ciclo vital<sup>2</sup>. T&#234;m evolu&#231;&#227;o lenta e silenciosa, e as manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas na vida adulta repercutem sob diversas condi&#231;&#245;es m&#243;rbidas do aparelho circulat&#243;rio que culminam nas elevadas taxas de mortalidade<sup>3</sup>. A literatura aponta para o in&#237;cio da aterosclerose j&#225; na inf&#226;ncia pelo aumento do colesterol plasm&#225;tico, que pode ser potencializado no decorrer da vida pela obesidade e por outros fatores, como hist&#243;ria familiar, inatividade f&#237;sica, dieta inadequada e hipertens&#227;o arterial<sup>4</sup>.</p>
    <p>As publica&#231;&#245;es atualizadas em nosso meio indicam avan&#231;o das dislipidemias em crian&#231;as e jovens<sup>5-7</sup>. A preval&#234;ncia neste grupo varia no mundo todo entre 2,9 e 33%, com aumento progressivo dessas taxas ao longo dos anos<sup>8,9</sup>.</p>
    <p>A dislipidemia frequentemente &#233; secund&#225;ria &#224; obesidade infantil, existindo uma associa&#231;&#227;o positiva entre incid&#234;ncia da obesidade e dislipidemia em crian&#231;as e adolescentes<sup>3</sup>. Pesquisas v&#234;m relatando a rela&#231;&#227;o de par&#226;metros antropom&#233;tricos que classificam o excesso de peso e a obesidade abdominal com o perfil lip&#237;dico alterado nesse grupo<sup>10,11</sup>.</p>
    <p>Tendo em vista o n&#250;mero crescente de crian&#231;as e adolescentes que apresentam risco de doen&#231;as cardiovasculares, e considerando os poucos estudos de base populacional sobre a preval&#234;ncia de dislipidemias em adolescentes brasileiros, &#233; de fundamental import&#226;ncia a realiza&#231;&#227;o de pesquisas que avaliem esse problema na faixa et&#225;ria infanto-juvenil.</p>
    <p>Desse modo, o presente estudo teve como objetivo avaliar a magnitude das dislipidemias e investigar a rela&#231;&#227;o do perfil lip&#237;dico com o excesso de peso e a obesidade abdominal em adolescentes escolares da rede p&#250;blica da cidade do Recife, estado de Pernambuco.</p>
    <p>
      <bold>M&#233;todos</bold>
    </p>
    <p>Foi realizado um estudo observacional do tipo transversal em 31 escolas p&#250;blicas que oferecem educa&#231;&#227;o fundamental e fazem parte da rede oficial de ensino da cidade do Recife - PE, no per&#237;odo de outubro a dezembro de 2007. A popula&#231;&#227;o foi composta por adolescentes em idade escolar, na faixa et&#225;ria de 10 a 14 anos, de ambos os sexos, regularmente matriculados nessas escolas, no ano de 2007.</p>
    <p>O tamanho amostral foi determinado com base nos dados de preval&#234;ncia de dislipidemia de estudo similar realizado em Camaragibe/PE<sup>12</sup>. A dislipidemia encontrada em menor percentual (hipertrigliceridemia) foi utilizada para o c&#225;lculo do tamanho da amostra. Desse modo, adotando-se uma preval&#234;ncia de 15%, com a margem de erro aceit&#225;vel de 5%, uma confiabilidade de 95% e uma popula&#231;&#227;o maior que 9.000 escolares, o tamanho amostral ficou em torno de 196 estudantes. Como o processo de sele&#231;&#227;o da amostra foi do tipo polietapas, cujas unidades amostrais foram a escola (1&#186; conglomerado) e a turma (2&#186; conglomerado), o "n" amostral foi ajustado pelo efeito do desenho do estudo, mediante o uso de um fator de corre&#231;&#227;o da ordem de 2.1, totalizando um n&#250;mero m&#237;nimo de 412 adolescentes. Para corrigir eventuais perdas, esse valor foi acrescido em 15%, perfazendo uma amostra em torno de 470 estudantes.</p>
    <p>Exclu&#237;ram-se do estudo os adolescentes com: hist&#243;ria pessoal referida de patologias (diabete melito tipo II, hipotireoidismo, s&#237;ndrome nefr&#243;tica, insufici&#234;ncia renal cr&#244;nica, doen&#231;a hep&#225;tica, s&#237;ndrome de <italic>cushing</italic>, anorexia nervosa e bulimia) ou uso referido de medicamentos (anti-hipertensivos, corticoides, esteroides, isotretino&#237;na, inibidores de protease) que pudessem alterar o perfil lip&#237;dico.</p>
    <p>As informa&#231;&#245;es sobre dados pessoais, situa&#231;&#227;o socioecon&#244;mica, dados antropom&#233;tricos e amostras de sangue dos participantes foram obtidas na mesma ocasi&#227;o, nas pr&#243;prias escolas, e anotadas em formul&#225;rios espec&#237;ficos.</p>
    <p>Para as dosagens bioqu&#237;micas de CT, LDL-c, HDL-c e TG, foram colhidos cerca de 5 ml de sangue por pun&#231;&#227;o venosa, de cada escolar, ap&#243;s jejum de 12 a 14 horas, em tubos <italic>Vacuntainer</italic>. Os frascos foram acondicionados em caixas de isopor que continham gelo recicl&#225;vel e foram vedadas e transportadas para o processamento das amostras. O soro foi separado das hem&#225;cias por centrifuga&#231;&#227;o a 3.000 rpm durante dez minutos a 4&#186; C at&#233; duas horas ap&#243;s pun&#231;&#227;o venosa. O soro foi colocado em microtubos e armazenado a -20&#186; C para posterior dosagem das fra&#231;&#245;es lip&#237;dicas. O material foi analisado em laborat&#243;rio de an&#225;lises cl&#237;nicas, e os n&#237;veis s&#233;ricos de CT, HDL-c e TG foram determinados por m&#233;todos enzim&#225;ticos (Roche Diagnostics), e os de LDL-c foram estimados pela f&#243;rmula de Friedewald: LDL-c = CT - (HDL + TG/5)<sup>13</sup>.</p>
    <p>Foram utilizados como crit&#233;rios de anormalidade para os lip&#237;deos e as lipoprote&#237;nas aqueles definidos pela I Diretriz Brasileira de Preven&#231;&#227;o da Aterosclerose na Inf&#226;ncia e na Adolesc&#234;ncia<sup>9</sup> (I DPAIA). Os pontos de coorte estabelecidos foram: CT <underline>&gt;</underline> 150 mg/dl (lim&#237;trofe) e CT <underline>&gt;</underline> 170 mg/dl (aumentado); LDL-c <underline>&gt;</underline> 100 mg/dl (lim&#237;trofe) e LDL-c <underline>&gt;</underline> 130 mg/dl (aumentado); HDL-c &lt; 45 mg/dl (n&#227;o desej&#225;vel); TG <underline>&gt;</underline> 100 mg/dl (lim&#237;trofe) e TG <underline>&gt;</underline> 130 mg/dl (aumentado). Para o diagn&#243;stico das dislipidemias, foram adotados os valores aumentados ou alterados. Considerou-se como portador de dislipidemia o indiv&#237;duo que apresentasse, entre esses exames, pelo menos um valor alterado.</p>
    <p>A avalia&#231;&#227;o antropom&#233;trica constou de dupla tomada do peso, altura e circunfer&#234;ncia da cintura dos adolescentes, sendo utilizada a m&#233;dia dos valores. Para a consist&#234;ncia dos dados, foram desprezadas as medidas que apresentaram diferen&#231;as superiores a 100 g para o peso, 0,5 cm para a altura e 0,3 cm para a circunfer&#234;ncia da cintura. O peso corporal foi obtido em balan&#231;a eletr&#244;nica digital, da marca Plenna-MEA-03140<sup>&#174;</sup>, com capacidade m&#225;xima de 150 kg e precis&#227;o de 100 g. A altura foi aferida com o uso de fita m&#233;trica Stanley<sup>&#174;</sup> milimetrada, com precis&#227;o de 1 mm e exatid&#227;o de 0,5 cm, segundo as normas preconizadas por Lohman e cols.<sup>14</sup>. A circunfer&#234;ncia da cintura (CC) foi obtida no ponto m&#233;dio entre o &#250;ltimo arco costal e a crista il&#237;aca com fita m&#233;trica flex&#237;vel e inel&#225;stica sem comprimir os tecidos<sup>15</sup>.</p>
    <p>O diagn&#243;stico do excesso de peso foi realizado pelo &#237;ndice de massa corporal (IMC) de acordo com os valores indicados por Cole e cols.<sup>16</sup>, ajustado para idade e sexo. Odiagn&#243;stico da obesidade abdominal foi realizado pela avalia&#231;&#227;o da CC e da rela&#231;&#227;o CC (cm)/Altura (cm) (WHtR). O ponto de coorte utilizado para a classifica&#231;&#227;o da circunfer&#234;ncia da cintura foi o recomendado por Taylor e cols.<sup>15</sup>, no qual define obesidade abdominal como CC <underline>&gt;</underline> percentil 80, ajustado para idade e sexo. Em rela&#231;&#227;o a WHtR, adotaram-se os preconizados por Li e cols.<sup>17</sup>, sendo utilizado como ponto de coorte para defini&#231;&#227;o de obesidade abdominal o valor <underline>&gt;</underline> 0,5.</p>
    <p>Para fins de classifica&#231;&#227;o socioecon&#244;mica das fam&#237;lias, utilizaram-se os "Crit&#233;rios de Classifica&#231;&#227;o Econ&#244;mica do Brasil", estabelecidos pela Associa&#231;&#227;o Brasileira de Antropologia e Associa&#231;&#227;o Brasileira de Empresas de Pesquisa<sup>18</sup>. Esse instrumento utiliza uma escala de pontos, obtidos pela soma dos pontos da posse de itens dom&#233;sticos e pelo grau de instru&#231;&#227;o do chefe da fam&#237;lia, que classifica a popula&#231;&#227;o nas classes econ&#244;micas A1, A2, B1, B2, C1, C2, D e E, de ordem decrescente, respectivamente iniciada pelo de melhor poder aquisitivo.</p>
    <p>A constru&#231;&#227;o do banco de dados e a an&#225;lise estat&#237;stica foram realizadas com os programas Epi-info vers&#227;o 6.04 e SPSS vers&#227;o 13.0. Os dados foram digitados com dupla entrada e verificados com o VALIDATE, m&#243;dulo do Programa Epi-info vers&#227;o 6.04, para checar a consist&#234;ncia e valida&#231;&#227;o dos dados.</p>
    <p>As vari&#225;veis cont&#237;nuas foram testadas quanto &#224; normalidade da distribui&#231;&#227;o pelo teste de Kolmogorov Smirnof, e aquelas que n&#227;o obtiveram distribui&#231;&#227;o normal foram convertidas para o logaritmo neperiano e foram testadas novamente quanto &#224; normalidade. Ap&#243;s essa transforma&#231;&#227;o, apenas o TG e a idade apresentaram distribui&#231;&#227;o n&#227;o Gaussiana, cujos dados foram descritos em mediana e intervalo interquart&#237;lico. Os dados das vari&#225;veis de distribui&#231;&#227;o normal foram expressos na forma de m&#233;dia e desvio-padr&#227;o e na forma de m&#233;dia geom&#233;trica e seus respectivos intervalos de confian&#231;a, para as vari&#225;veis que apresentaram normalidade apenas ap&#243;s transforma&#231;&#227;o logar&#237;tmica. Na descri&#231;&#227;o das propor&#231;&#245;es, a distribui&#231;&#227;o binomial foi aproximada &#224; distribui&#231;&#227;o normal pelo intervalo de confian&#231;a de 95%. A investiga&#231;&#227;o de correla&#231;&#245;es foi realizada pela correla&#231;&#227;o de Pearson, pois pelo menos uma das vari&#225;veis envolvidas apresentou distribui&#231;&#227;o Gaussiana. As vari&#225;veis com distribui&#231;&#227;o normal tiveram as m&#233;dias comparadas pelos testes de "t" <italic>student</italic>, e, para aquelas cujos crit&#233;rios de normalidade ou homocedasticidade n&#227;o foram atingidos, utilizou-se o teste U de Mann Whitney. Adotou-se o n&#237;vel de signific&#226;ncia de 5% para rejei&#231;&#227;o de hip&#243;tese de nulidade.</p>
    <p>O trabalho foi submetido e aprovado pelo Comit&#234; de &#201;tica do Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Registro CEP/IMIP n&#186; 1.024/07). Todos os adolescentes que participaram do estudo foram previamente informados dos objetivos da pesquisa, bem como dos m&#233;todos a serem adotados. Mediante o consentimento, cada pai ou respons&#225;vel pelo adolescente assinou o Termo de Compromisso Livre e Esclarecido.</p>
    <p>
      <bold>Resultados</bold>
    </p>
    <p>Das 470 amostras sangu&#237;neas, uma dosagem de LDL-c e tr&#234;s de CT foram perdidas por problemas t&#233;cnicos na an&#225;lise das fra&#231;&#245;es, enquanto foram descartados tr&#234;s dados referentes ao peso, 11 de altura e 13 de circunfer&#234;ncia da cintura, pois apresentaram inconsist&#234;ncia entre as duas aferi&#231;&#245;es realizadas.</p>
    <p>A mediana de idade foi de 11 anos (IQ: 10 - 12 anos), n&#227;o havendo diferen&#231;as da mesma em rela&#231;&#227;o ao sexo. Na <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>, &#233; apresentada a caracteriza&#231;&#227;o da amostra estudada. Entre os adolescentes inclu&#237;dos no estudo, a maior parte foi do sexo feminino (55,3%; IC <sub>95%</sub>: 50,7 - 59,9; p &lt; 0,05). No que se refere &#224; classe socioecon&#244;mica, houve predom&#237;nio de estudantes da classe C<sub>2</sub> (43,6%; IC <sub>95%</sub> 38,5 - 48,9).</p>
    <table-wrap id="t1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-05-0606-00136-gt01.jpg"/></table-wrap>
    <p>Considerando como dislipid&#234;mico o adolescente com altera&#231;&#227;o em pelo menos uma fra&#231;&#227;o do perfil lip&#237;dico, a maior parte dos participantes (63,8%) enquadrou-se como portadores dessa patologia (IC <sub>95%</sub> 59,3-68,2; p &lt; 0,05).</p>
    <p>As preval&#234;ncias de altera&#231;&#245;es nas diferentes taxas do perfil lip&#237;dico est&#227;o apresentadas na <xref ref-type="table" rid="port_t02">Tabela 2</xref>. Foi detectada baixa frequ&#234;ncia para o aumento do LDL-c. Diferentemente, foram registradas maiores preval&#234;ncias para a altera&#231;&#227;o do HDL-c, e a hipoalfalipoproteinemia foi a dislipidemia mais frequente.</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="port_t02">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-05-0606-00136-gt02.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>Quando analisada a ocorr&#234;ncia de dislipidemias simult&#226;neas, a mais frequente na popula&#231;&#227;o estudada foi o aumento de TG combinado com a redu&#231;&#227;o do HDL-c (12,1%) (<xref ref-type="table" rid="t3">Tabela 3</xref>). Na <xref ref-type="fig" rid="f1">figura 1</xref>, s&#227;o mostrados os gr&#225;ficos de correla&#231;&#227;o entre diferentes fra&#231;&#245;es lip&#237;dicas. Foram observadas as correla&#231;&#245;es significativas (p &lt; 0,01) entre todas as vari&#225;veis analisadas, por&#233;m a melhor correla&#231;&#227;o encontrada foi com os valores de TG e de HDL-c (r= - 0,38).</p>
    <table-wrap id="t3">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-05-0606-00136-gt03.jpg"/></table-wrap>
    <fig id="f1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-05-0606-00136-gf01.jpg"/></fig>
    <p>Na <xref ref-type="table" rid="port_t04">Tabela 4</xref>, s&#227;o expressas as compara&#231;&#245;es dos l&#237;pides e das lipoprote&#237;nas entre os g&#234;neros e entre a presen&#231;a ou n&#227;o de excesso de peso e de obesidade abdominal.</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="port_t04">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-05-0606-00136-gt04.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>As concentra&#231;&#245;es de todo perfil lip&#237;dico n&#227;o diferiram em rela&#231;&#227;o ao sexo (p <underline>&gt;</underline> 0,05), e os indiv&#237;duos com excesso de peso, segundo o IMC, mostraram valores mais elevados de TG e mais reduzidos de HDL-c. Fato semelhante foi encontrado nos estudantes com obesidade abdominal, segundo o indicador CC. De acordo com o indicador WHtR, os adolescentes com obesidade abdominal apresentaram, al&#233;m de valores superiores nas concentra&#231;&#245;es de TG e inferiores nas de HDL-c, valores mais altos de LDL-c. Os n&#237;veis de CT foram os &#250;nicos que n&#227;o diferiram em rela&#231;&#227;o a esse par&#226;metro.</p>
    <p>
      <bold>Discuss&#227;o</bold>
    </p>
    <p>No Brasil, ainda s&#227;o escassos os trabalhos sobre a preval&#234;ncia de altera&#231;&#245;es lip&#237;dicas na faixa et&#225;ria infanto-juvenil. Os resultados encontrados no presente estudo s&#227;o importantes sinalizadores para o fato de que as dislipidemias fazem parte de uma realidade preocupante e precisam ser mais investigadas entre os adolescentes do pa&#237;s.</p>
    <p>Al&#233;m disso, a falta de padroniza&#231;&#227;o nas amostragens e nas metodologias, principalmente na defini&#231;&#227;o dos intervalos de refer&#234;ncia, prejudica a compara&#231;&#227;o desse fen&#244;meno epidemiol&#243;gico nos diferentes estudos. Muitos trabalhos utilizam os pontos de coorte recomendados pelas III Diretrizes Brasileiras sobre Dislipidemias<sup>19</sup> (III DBSD), que adotam os valores do <italic>National Cholesterol Education Program</italic> estabelecidos para crian&#231;as e adolescentes dos Estados Unidos<sup>20</sup>. Essa pr&#225;tica pode induzir potenciais vieses, pois desconsidera diferen&#231;as &#233;tnicas, socioecon&#244;micas, h&#225;bitos alimentares e constitui&#231;&#227;o f&#237;sica da popula&#231;&#227;o brasileira<sup>21</sup>. Estudos realizados em uma cidade de S&#227;o Paulo, com crian&#231;as e adolescentes, identificaram intervalos de refer&#234;ncia divergentes dos valores propostos pelas III DBSD<sup>22,23</sup>. Assim, em 2005, a I Diretriz da Preven&#231;&#227;o da Aterosclerose na Inf&#226;ncia e Adolesc&#234;ncia (I DPAIA) prop&#244;s valores de refer&#234;ncia de lip&#237;dios e lipoprote&#237;nas para crian&#231;as e adolescentes brasileiros<sup>9</sup>.</p>
    <p>A preval&#234;ncia de dislipidemia encontrada em nosso estudo (63,8%) foi bastante alta, o que &#233; um fato alarmante. Gama e cols.<sup>24</sup>, em investiga&#231;&#227;o realizada no sudeste do pa&#237;s com crian&#231;as, utilizando-se os pontos de coorte propostos pela I DPAIA, registraram uma preval&#234;ncia de dislipidemia similar (68,4%).</p>
    <p>Etiologicamente, as dislipidemias s&#227;o classificadas em prim&#225;rias e secund&#225;rias. As prim&#225;rias t&#234;m uma conota&#231;&#227;o gen&#233;tica, e algumas somente se manifestam em fun&#231;&#227;o da influ&#234;ncia ambiental<sup>25</sup>. Entre a preval&#234;ncia de dislipidemias, devem-se considerar as hipercolesterolemias familiares homozog&#243;ticas, que, embora raras, s&#227;o consideradas doen&#231;as graves<sup>9</sup>. No entanto, a maior parte das dislipidemias em crian&#231;as e adolescentes est&#225; relacionada a um estilo de vida inadequado<sup>25</sup>. Dessa forma, a manuten&#231;&#227;o de um modelo diet&#233;tico nutricionalmente adequado, o controle do peso corp&#243;reo, a pr&#225;tica de exerc&#237;cios f&#237;sicos e o abandono ao tabagismo s&#227;o algumas das orienta&#231;&#245;es relacionadas a mudan&#231;as no estilo de vida que ajudam na preven&#231;&#227;o de altera&#231;&#245;es nos n&#237;veis lip&#237;dicos, bem como na forma&#231;&#227;o de h&#225;bitos saud&#225;veis para a vida adulta<sup>9,25</sup>.</p>
    <p>A hipoalfalipoproteinemia foi a principal altera&#231;&#227;o lip&#237;dica. Esse fato merece aten&#231;&#227;o por se tratar de uma popula&#231;&#227;o jovem e por ser o HDL-colesterol importante fator protetor contra o desenvolvimento de doen&#231;as cr&#244;nicas, particularmente da aterosclerose<sup>3</sup>. Trabalhos de Carvalho e cols.<sup>2</sup> e Grillo e cols.<sup>26</sup>, com crian&#231;as e adolescentes, tamb&#233;m apontaram a ocorr&#234;ncia de HDL-colesterol baixo como a dislipidemia mais frequente nessa faixa et&#225;ria. Em contraposi&#231;&#227;o, no estudo de Gama e cols.<sup>24</sup>, o aumento de CT foi a dislipidemia mais prevalente, e o percentual de altera&#231;&#227;o de HDL-c foi inferior a observada neste estudo (35,1% vs. 56%).</p>
    <p>Em estudo de metodologia semelhante, a frequ&#234;ncia de TG aumentado foi inferior &#224; encontrada neste trabalho (3,5% <italic>vs</italic> 15%); enquanto as de LDL-c e CT foram superiores (18,6% <italic>vs</italic> 2,1%; 43,8% <italic>vs</italic> 11,6%, respectivamente)<sup>24</sup>. Em outras pesquisas, tamb&#233;m foram mostrados maiores percentuais de CT aumentado, quando considerado valores superiores a 170 mg/dl<sup>1,5,6</sup>. Por outro lado, nossos achados s&#227;o concordantes com os Scherr e cols.<sup>7</sup>, que encontraram menor magnitude de hipercolestrolemia entre os jovens de escolas p&#250;blicas/filantr&#243;picas (14%).</p>
    <p>Neste estudo, o percentual de LDL-c aumentado foi baixo. No entanto, &#233; importante destacar que existem subclasses de LDL, uma LDL &#233; pequena e densa (LDL tipo B), e a outra, de maior tamanho. As part&#237;culas de LDL tipo B, pelo menor tamanho e pela maior densidade, atravessam mais facilmente a barreira endotelial e s&#227;o mais facilmente oxid&#225;veis, o que as tornam tamb&#233;m mais aterog&#234;nicas<sup>27</sup>. Assim, mesmo em indiv&#237;duos com n&#237;veis normais de LDL-c, o perfil lip&#237;dico pode ser menos favor&#225;vel, dada &#224; propor&#231;&#227;o entre as subclasses das lipoprote&#237;nas<sup>28</sup>.</p>
    <p>A ocorr&#234;ncia de valores considerados aumentados de TG juntamente com os reduzidos de HDL-c foi o tipo de dislipidemia concomitante mais frequente nesses adolescentes. Quando foram analisadas as correla&#231;&#245;es entre as vari&#225;veis lip&#237;dicas, essas fra&#231;&#245;es foram as que apresentaram melhor correla&#231;&#227;o. Essa ocorr&#234;ncia deve ser interpretada de forma cuidadosa j&#225; que a raz&#227;o TG/HDL-c correlaciona-se diretamente com o n&#237;vel de LDL tipo B no plasma, podendo, assim, indicar um perfil lip&#237;dico mais aterog&#234;nico<sup>29</sup>.</p>
    <p>Os valores m&#233;dios obtidos nos l&#237;pides e nas lipoprote&#237;nas dos estudantes de escola p&#250;blica, em Recife, encontram-se abaixo dos apresentados em outros estudos<sup>1,5,6,10,30</sup>, exceto os relatados por Moura e cols.<sup>5</sup> e Franca e Alves<sup>1</sup>, em que o TG mostrou-se ligeiramente inferior. Apesar de os trabalhos a respeito da influ&#234;ncia do n&#237;vel socioecon&#244;mico no perfil lip&#237;dico n&#227;o serem consensuais, pesquisas realizadas no Brasil mostram m&#233;dias inferiores de CT, TG e LDL para o grupo com condi&#231;&#245;es menos favorecidas<sup>6,7,26</sup>. Scherr e cols.<sup>7</sup> e Giuliano e cols.<sup>6</sup> compararam o perfil lip&#237;dico de escolares da rede p&#250;blica e privada e observaram, respectivamente, m&#233;dias de CT e LDL-c e de CT e TG mais altas entre os escolares das unidades privadas. Isso talvez se explique porque no Brasil ainda se encontram mais crian&#231;as com sobrepeso ou obesidade nas classes mais altas, que estudam, em sua maioria, nas escolas privadas<sup>6</sup>. Quando comparamos os achados da atual pesquisa com os observados entre alunos apenas de escolas p&#250;blicas, obtivemos n&#237;veis de TG superiores e de HDL-c inferiores, enquanto os n&#237;veis de CT e LDL foram similares<sup>7,26</sup>.</p>
    <p>O fato de os valores m&#233;dios observados das fra&#231;&#245;es lip&#237;dicas encontrarem-se abaixo dos outros trabalhos realizados com escolares no Brasil<sup>6,10,30</sup> talvez possa ser decorrente do fato de os estudantes da rede p&#250;blica apresentarem um estilo de vida mais saud&#225;vel em compara&#231;&#227;o aos da rede privada. Em geral, os adolescentes de escolas p&#250;blicas exercitam-se mais e apresentam uma alimenta&#231;&#227;o mais equilibrada, j&#225; que as merendas oferecidas nessas escolas s&#227;o feitas sobre supervis&#227;o de profissionais nutricionistas, e muitos desses estudantes t&#234;m como &#250;nica alimenta&#231;&#227;o a merenda escolar<sup>7</sup>.</p>
    <p>Uma s&#233;rie de publica&#231;&#245;es, em nosso meio, mostra n&#237;veis mais elevados da maior parte das lipoprote&#237;nas e dos l&#237;pides em crian&#231;as e adolescentes do sexo feminino<sup>1,6,10,31</sup>. No entanto, n&#227;o verificamos diferen&#231;a estatisticamente significante em rela&#231;&#227;o ao sexo, apesar de os valores serem mais altos nas meninas, com destaque para o TG.</p>
    <p>Com base em nossos dados, e levando-se em considera&#231;&#227;o a rela&#231;&#227;o entre par&#226;metros antropom&#233;tricos que classificam o excesso de peso e a obesidade com o perfil lip&#237;dico alterado relatados em v&#225;rios estudos<sup>2,10,11,26,32</sup>, os n&#237;veis m&#233;dios de TG e HDL-c tanto dos participantes com excesso de peso como dos com obesidade abdominal apresentaram-se menos favor&#225;veis. Esses dados corroboram aqueles encontrados por Su&#225;rez e cols.<sup>11</sup>, que observaram diferen&#231;as significativas nos valores de lip&#237;deos (TG e HDL-c) entre a popula&#231;&#227;o total e aquela com sobrepeso e obesidade. Grillo e cols.<sup>26</sup> acharam associa&#231;&#227;o significativa entre os n&#237;veis de HDL-c baixo e a presen&#231;a de obesidade, definida pelo IMC, em escolares de 3 a 14 anos. Em rela&#231;&#227;o ao TG, pesquisadores<sup>33</sup> avaliaram o perfil lip&#237;dico de adolescentes e encontraram maiores valores de TG e menores valores de HDL-c no grupo com excesso de peso em rela&#231;&#227;o aos valores observados no grupo com peso normal; enquanto os valores de CT e LDL-c, assim como no estudo em quest&#227;o, n&#227;o diferiram entre os dois grupos. Em rela&#231;&#227;o aos valores de CT e LDL-c, nossos achados concordam parcialmente com os encontrados por Su&#225;rez e cols.<sup>11</sup> e Silva e cols.<sup>34</sup>, que n&#227;o relataram diferen&#231;as nos valores de LDL-c segundo o estado nutricional. Por&#233;m, encontraram valores de CT superiores naqueles escolares com excesso de peso e obesidade, respectivamente.</p>
    <p>A dislipidemia frequentemente &#233; secund&#225;ria &#224; obesidade infantil, existindo uma associa&#231;&#227;o positiva entre incid&#234;ncia da obesidade e dislipidemia em crian&#231;as e adolescentes<sup>9,35</sup>. O mecanismo que explica essa associa&#231;&#227;o talvez seja a ativa&#231;&#227;o da via da cinase AMP-dependente, induzida pelo aumento da insulina e da leptina e pela redu&#231;&#227;o da ativa&#231;&#227;o da adiponectina, que, por sua vez, aumenta a oxida&#231;&#227;o dos &#225;cidos graxos. Nessas crian&#231;as, a adiponectina possui uma associa&#231;&#227;o positiva com a sensibilidade &#224; insulina e com os n&#237;veis de HDL-c e negativa com os n&#237;veis de triglicer&#237;deos<sup>36</sup>. De acordo com Santos e Sp&#243;sito<sup>37</sup>, a principal dislipidemia associada &#224; obesidade &#233; caracterizada por eleva&#231;&#245;es leves e moderadas do TG e pela diminui&#231;&#227;o do HDL-c, o que corrobora os achados deste estudo.</p>
    <p>A obesidade abdominal tem emergido como um importante preditor de complica&#231;&#245;es metab&#243;licas e efeitos adversos &#224; sa&#250;de e est&#225; relacionada com o aumento do risco cardiovascular e metab&#243;lico em crian&#231;as e adolescentes<sup>17</sup>. A CC e a raz&#227;o CC/Altura (WHtR) s&#227;o medidas simples e efetivas de mensurar obesidade abdominal em crian&#231;as e podem ser melhores preditores do risco de doen&#231;a cardiovascular do que o IMC<sup>15</sup>.</p>
    <p>Contudo, a CC tem sido criticada por n&#227;o trazer em seu c&#225;lculo diferen&#231;as na altura corporal, e a raz&#227;o da circunfer&#234;ncia da cintura pela altura (WHtR) tem sido proposta como o melhor preditor de risco cardiovascular<sup>38</sup>. Estudo de Schneider e cols.<sup>38</sup>, realizado em adultos e idosos, verificou que a WHtR pode predizer preval&#234;ncia de dislipidemia melhor do que os outros par&#226;metros antropom&#233;tricos, respectivamente: CC e IMC. No presente trabalho, adolescentes com excesso de peso e obesidade abdominal (segundo o indicador CC) n&#227;o apresentaram valores mais elevados de LDL-c em compara&#231;&#227;o aos outros estudantes. Esse fato somente foi observado naqueles classificados como obeso central, de acordo com o indicador WHtR. Al&#233;m disso, os n&#237;veis de CT nos obesos centrais, de acordo com esse mesmo indicador, apresentaram uma tend&#234;ncia de valores mais elevados quando comparados com os valores observados nos estudantes sem obesidade abdominal. Esses achados poderiam sugerir o WHtR como melhor indicador de poss&#237;veis altera&#231;&#245;es no perfil lip&#237;dico.</p>
    <p>
      <bold>Conclus&#227;o</bold>
    </p>
    <p>O percentual de dislipidemia em adolescentes &#233; alto, o que faz alertar para a necessidade de dosagem do perfil lip&#237;dico j&#225; nessa faixa et&#225;ria. O excesso de peso e a obesidade central exercem influ&#234;ncia nos valores m&#233;dios dessas fra&#231;&#245;es.</p>
    <p>Os dados aqui apresentados lan&#231;am um alerta para a equipe multiprofissional sobre a necessidade de incentivo a medidas de estilo de vida saud&#225;vel na referida popula&#231;&#227;o, principalmente no que diz respeito &#224; pr&#225;tica de atividade f&#237;sica e a h&#225;bitos alimentares saud&#225;veis.</p>
    <p>
      <bold>Agradecimentos</bold>
    </p>
    <p>Ao Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) e ao Minist&#233;rio da Ci&#234;ncia Tecnologia (MCT) pelo financiamento da pesquisa; ao Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira pelo suporte log&#237;stico; ao profissional Em&#237;dio Albuquerque pela an&#225;lise estat&#237;stica; e &#224;s bolsistas de inicia&#231;&#227;o cient&#237;fica Rafaella de Andrade e Emilly Moreno pela ajuda na digita&#231;&#227;o dos dados.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflito de interesses pertinentes.</p>
    <p>
      <bold>Fontes de Financiamento</bold>
    </p>
    <p>O presente estudo foi financiado pelo Minist&#233;rio de Ci&#234;ncia e Tecnologia e CNPq.</p>
    <p>
      <bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>Este artigo &#233; parte de disserta&#231;&#227;o de Mestrado de Patr&#237;cia Brazil Pereira pela Universidade Federal de Pernambuco.</p>
    <p>
      <fn id="back" fn-type="corresp">
        <p>Correspond&#234;ncia:</p>
        <p> Patr&#237;cia Brazil Pereira </p>
        <p> Rua Cel. An&#237;zio Rodrigues Coelho, 527/702 - Boa Viagem </p>
        <p> 51021-130 - Recife, PE - Brasil </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="patriciabrazil@hotmail.com">patriciabrazil@hotmail.com</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 07/10/09; revisado recebido em 31/03/10; aceito em 27/04/10.</p>
  </body>
  <back>
    <ref-list>
      <ref id="B1">
        <mixed-citation>1. Franca EF, Alves    JGB. Dislipidemia entre crian&#231;as e adolescentes de Pernambuco. Arq Bras    Cardiol. 2006; 87 (6): 722-7.</mixed-citation>
        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>Dislipidemia entre crian&#231;as e adolescentes de Pernambuco</article-title>
          <source>Arq Bras Cardiol</source>
          <date>
            <year>2006</year>
          </date>
          <fpage>722</fpage>
          <lpage>7</lpage>
          <issue>6</issue>
          <volume>87</volume>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Franca</surname>
              <given-names>EF</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>Alves</surname>
              <given-names>JGB</given-names>
            </name>
          </person-group>
        </element-citation>
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        <mixed-citation>38. Schneider HJ,    Glaesmer H, Klotsche J, B&#246;hler S, Lehnert H, Zeiher AM, et al. Accuracy    of antropometric indicators of obesity to predict cardiovascular risk. J Clin    Endocrinol Metab. 2007; 92 (2): 589-94.</mixed-citation>
        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>Accuracy of antropometric indicators of obesity to predict cardiovascular risk</article-title>
          <source>J Clin Endocrinol Metab</source>
          <date>
            <year>2007</year>
          </date>
          <fpage>589</fpage>
          <lpage>94</lpage>
          <issue>2</issue>
          <volume>92</volume>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Schneider</surname>
              <given-names>HJ</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>Glaesmer</surname>
              <given-names>H</given-names>
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              <surname>Klotsche</surname>
              <given-names>J</given-names>
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              <surname>B&#246;hler</surname>
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              <surname>Lehnert</surname>
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              <surname>Zeiher</surname>
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          <subject>Original Articles</subject>
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      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Lipid profile of schoolchildren from Recife, PE</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>BACKGROUND: The occurrence of dyslipidemia is increasing in pediatric populations. Altered lipid profiles are related to a higher incidence of hypertension and atherosclerotic disease. OBJECTIVE: To evaluate the extent of dyslipidemia and investigate its association with overweight and abdominal obesity in adolescent students from Recife, Brazil. METHODS: Personal data, socioeconomic level, anthropometric measurements and lipid profile of 470 adolescents, aged 10 to 14 years, of both sexes, students at the Public School system in the city of Recife, state of Pernambuco, Brazil, were obtained. The statistical analysis was carried out using the Epi-info 6.04 and SPSS 13.0 software. The level of significance was set at 5%. RESULTS: The majority of the population was dyslipidemic (63.8%; 95%CI: 59.3 - 68.2), with hypoalphalipoproteinemia being the most prevalent dyslipidemia (56%; 95%CI: 51.3 - 60.5). Adolescents who were overweight or who had abdominal obesity presented higher levels of triglycerides and lower levels of HDL-cholesterol (p &lt; 0.05). Levels of total cholesterol and fractions were not different between sexes. CONCLUSION: A high incidence of unfavorable lipid profile was shown in this series, demonstrating the necessity to measure the lipid profile as early as this age range. Healthy lifestyle measures should be encouraged in this population.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Dyslipidemias</kwd>
        <kwd>hypertension</kwd>
        <kwd>obesity, abdominal</kwd>
        <kwd>adolescent</kwd>
        <kwd>life style</kwd>
        <kwd>Recife</kwd>
        <kwd>Brazil</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <fn id="top-body2">
          <label>
            <bold>Lipid profile of schoolchildren from Recife, PE</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Patr&#237;cia Brazil Pereira; Ilma Kruze Grande de Arruda; Ana M&#225;rcia Ten&#243;rio de Souza Cavalcanti; Alcides da Silva Diniz</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Universidade Federal de Pernambuco, Recife, PE - Brazil</p>
      <p>Mailing address</p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p><bold>BACKGROUND: </bold> The occurrence of dyslipidemia is increasing in pediatric populations. Altered lipid profiles are related to a higher incidence of hypertension and atherosclerotic disease.</p>
      <p><bold>OBJECTIVE:</bold> To evaluate the extent of dyslipidemia and investigate its association with overweight and abdominal obesity in adolescent students from Recife, Brazil.</p>
      <p><bold>METHODS: </bold> Personal data, socioeconomic level, anthropometric measurements and lipid profile of 470 adolescents, aged 10 to 14 years, of both sexes, students at the Public School system in the city of Recife, state of Pernambuco, Brazil, were obtained. The statistical analysis was carried out using the Epi-info 6.04 and SPSS 13.0 software. The level of significance was set at 5%.</p>
      <p><bold>RESULTS: </bold> The majority of the population was dyslipidemic (63.8%; 95%CI: 59.3 - 68.2), with hypoalphalipoproteinemia being the most prevalent dyslipidemia (56%; 95%CI: 51.3 - 60.5). Adolescents who were overweight or who had abdominal obesity presented higher levels of triglycerides and lower levels of HDL-cholesterol (p &lt; 0.05). Levels of total cholesterol and fractions were not different between sexes.</p>
      <p><bold>CONCLUSION: </bold> A high incidence of unfavorable lipid profile was shown in this series, demonstrating the necessity to measure the lipid profile as early as this age range. Healthy lifestyle measures should be encouraged in this population.</p>
      <p><bold>Key words:</bold> Dyslipidemias/epidemiology; hypertension; obesity, abdominal; adolescent; life style; Recife; Brazil.</p>
      <p>
        <bold>Introduction</bold>
      </p>
      <p>Dyslipidemia is a clinical condition characterized by abnormal levels of lipids or lipoproteins in blood that is determined by genetic and environmental factors. Evidence has demonstrated that high levels of total cholesterol (TC), LDL-cholesterol (LDL-c) and triglycerides (TG), as well as decreased levels of HDL-cholesterol (HDL-c) are related to a higher incidence of hypertension and atherosclerotic disease<sup>1</sup>.</p>
      <p>Atherogenesis starts with the formation of fatty streaks, which are the precursors of atheroma plaques. They start to appear at the aorta as early as three years of age and, in adolescence, they start to affect the coronaries, subsequently progressing at the other phases of the life cycle<sup>2</sup>. The disease has a slow and silent evolution and the clinical manifestations in adult life result in several morbid conditions that affect the circulatory system, which, in turn, culminate in high mortality rates<sup>3</sup>. The literature has demonstrated the start of atherosclerosis as early as in childhood due to the increase in plasma cholesterol levels, which can be potentiated throughout life by obesity and other factors, such as family history, physical inactivity, inadequate diet and arterial hypertension<sup>4</sup>.</p>
      <p>Updated publications in our country indicate an increase in the occurrence of dyslipidemia in children and adolescents<sup>5-7</sup>. The prevalence in this age group varies worldwide between 2.9% and 33%, with a progressive increase along the years<sup>8,9</sup>.</p>
      <p>Dyslipidemia is often secondary to childhood obesity and there is a positive association between the incidence of obesity and dyslipidemia in children and adolescents<sup>3</sup>. Studies have shown the association between the anthropometric parameters that classify overweight and abdominal obesity and the altered lipid profile in this group<sup>10,11</sup>.</p>
      <p>Considering the increasing number of children and adolescents at risk for the development of cardiovascular diseases and considering the few population-based studies on the prevalence of dyslipidemia in Brazilian adolescents, it is of utmost importance to perform studies to assess the problem at this age range.</p>
      <p>Therefore, the present study aimed at assessing the extent of dyslipidemia and investigating the association of the lipid profile with overweight and abdominal obesity in adolescent students from the Public School system in the city of Recife, state of Pernambuco, Brazil.</p>
      <p>
        <bold>Methods</bold>
      </p>
      <p>An observational, cross-sectional study was carried out in 31 public elementary schools, which belong to the Public School system of the city of Recife, state of Pernambuco, from October to December 2007. The population consisted of schoolchildren aged 10 to 14 years, of both sexes, regularly attending these schools in the year 2007.</p>
      <p>The sample size was determined based on the dyslipidemia prevalence data of a similar study carried out in Camaragibe, state of Pernambuco, Brazil<sup>12</sup>. The type of dyslipidemia with the lowest percentage (hypertriglyceridemia) was used to calculate the sample size. Therefore, considering a prevalence of 15%, with an acceptable margin of error of 5%, reliability of 5% and a population larger than 9,000 schoolchildren, the sample size was established as 196 students. As the process of sample selection was the polyphase type, of which sample units were the school (1<sup>st</sup> conglomerate) and the school year (2<sup>nd</sup> conglomerate), the sample "n" was adjusted by the effect of the study design, using a factor of correction of 2.1, totaling a minimum number of 412 adolescents . To correct eventual losses, 15% was added to this number, totaling a sample of around 470 students.</p>
      <p>The following students were excluded from the study: those with a referred personal history of pathologies (diabetes mellitus type II, hypothyroidism, nephrotic syndrome, chronic renal failure, liver disease, Cushing syndrome, anorexia nervosa and bulimia) or referred use of medications (anti-hypertensive drugs, corticoids, steroids, isotretinoin, protease inhibitors) that could affect the lipid profile.</p>
      <p>The information on personal data, socioeconomic level, anthropometric data and blood samples from the participants were obtained at the same time, at the schools and the data were entered in specific formularies.</p>
      <p>For the biochemical measurements of TC, LDL-c, HDL-c and TG, approximately 5 ml of blood were collected from each student, after a 12-14-hour fast, in Vacutainer tubes. The tubes were stored in Styrofoam boxes containing recyclable ice were sealed and transported for the sample processing. The serum was separated from the red blood cells by centrifuging the samples at 3,000 rpm for 10 minutes at 4&#186; C up to 2 hours after the venipuncture. The sera was placed in microtubes and stored at -20&#186; C for subsequent lipid fraction measurement. The material was analyzed in a laboratory of clinical analysis and the serum levels of TC, HDL-c and TG were determined by enzymatic methods (Roche Diagnostics) and the LDL-c levels were estimated using Friedewald's formula: LDL-c = CT - (HDL + TG/5)<sup>13</sup>.</p>
      <p>The criteria used to determine abnormal levels of lipids and lipoproteins were those established by the I Brazilian Guideline for Atherosclerosis Prevention in Childhood and Adolescence<sup>9</sup> (I DPAIA). The cutoffs were established as: TC <underline>&gt;</underline> 150mg/dl (borderline) and TC <underline>&gt;</underline> 170mg/dl (increased); LDL-c <underline>&gt;</underline> 100 mg/dl (borderline) and LDL-c <underline>&gt;</underline> 130 mg/dl (increased); HDL-c &lt; 45 mg/dl (not desirable); TG <underline>&gt;</underline> 100 mg/dl (borderline) and TG <underline>&gt;</underline> 130 mg/dl (increased). The diagnosis of dyslipidemia was based on altered or increased values. The individual was considered dyslipidemic when he or she presented at least one altered result.</p>
      <p>The anthropometric assessment included weight, height and waist circumference measurement of the adolescents and the mean values were used in the study. To maintain the consistency of the data, measurements that contained differences higher than 100 g for weight, 0.5 cm for height and 0.3 cm for waist circumference were disregarded. Body weight was obtained using a Plenna-MEA-03140&#153; digital electronic scale, with a maximum capacity of 150 kg and a precision of 100 g. Height was measured used a Stanley&#153; measuring tape with millimeter grading, precision of 1 mm and accuracy of 0.5 cm, according to the norms established by Lohman et al<sup>14</sup>. The waist circumference (WC) was measured at the midpoint between the last costal arch and the iliac crest, with a flexible and inextensible measuring tape, without compressing the tissues<sup>15</sup>.</p>
      <p>The diagnosis of overweight was based on the body mass index (BMI), according to the values indicated by Cole et al<sup>16</sup>, adjusted for age and sex. The diagnosis of abdominal obesity was carried out by assessing the WC and the WC(cm)/height (cm) ratio (WhtR). The cutoff used for the classification of the WC was the one recommended by Taylor et al<sup>15</sup>, which defines abdominal obesity as WC <underline>&gt;</underline> 80<sup>th</sup> percentile, adjusted for age and sex.</p>
      <p>Regarding the WHtR, the cutoffs used were the ones recommended by Li et al<sup>17</sup>, and the value <underline>&gt;</underline> 0.5 was used as the cutoff to define the abdominal obesity.</p>
      <p>The socioeconomic classification of the families followed the "Criteria for the Economic Classification of Brazil", established by the Brazilian Association of Anthropology and the Brazilian Association of Research Companies<sup>18</sup>. This instrument uses a scale of points, obtained by adding the points attributed to the ownership of domestic appliances and the degree of schooling of the head of the household, which divides the population in economic classes A1, A2, B1, B2, C1, C2, D and E, in a decreasing order, respectively starting with the one with the highest socioeconomic status.</p>
      <p>The construction of the database and the statistical analysis were carried out using the Epi-info release 6.04 and SPSS release 13.0 software. The data were entered in duplicate and verified using VALIDATE, a module of the Epi-info Software release 6.04, to check the consistency and validation of the data.</p>
      <p>The continuous variables were tested regarding the normality of distribution using the Kolmogorov-Smirnov test; the neperian logarithm was used to convert the ones that did not present a normal distribution, which were then tested again regarding the normality. After this transformation, only TG and age did not present a non-Gaussian distribution, of which data were described as medians and interquartile interval. The data of variables with normal distribution were expressed as means and standard deviations and as geometric means and respective confidence intervals, for the variables that presented a normal distribution only after the log-transformation. When describing the proportions, the binomial distribution was approximated to the normal distribution by the 95% confidence interval. The correlation assessment was carried out using Pearson's correlation test, as at least one of the variables involved presented a Gaussian distribution. The variables with normal distribution had their means compared by the Student's <italic>t</italic> test and the Mann Whitney U test was used for those that did not meet the criteria of normality or homoscedasticity. The level of significance was set at 5% for the rejection of the null hypothesis.</p>
      <p>The study was submitted to and approved by the Research Ethics Committee of Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Registration# CEP/IMIP 1.024/07). All adolescents that participated in the study were previously informed on the objective of the research, as well as the methods to be employed. All parents or tutors in charge of the adolescents participating in the study signed the Free and Informed Consent Form.</p>
      <p>
        <bold>Results</bold>
      </p>
      <p>Of the 470 blood samples, a LDL-c and three TC measurements were lost due to technical problems at the analysis of the fractions, whereas three data concerning weight, 11 concerning height and 13 concerning waist circumference were disregarded, as there were inconsistencies between the two performed measurements.</p>
      <p>The age median was 11 years (CI: 10 - 12 years) and there were no differences between the sexes. <xref ref-type="table" rid="t1-body2">Table 1</xref> shows the characterization of the studied sample. Among the adolescents included in the study, most were females (55.3%; 95%CI: 50.7 - 59.9; p &lt; 0.05). Regarding the socioeconomic class, there was a predominance of students from social class C<sub>2</sub> (43.6%; 95%CI: 38.5 - 48.9).</p>
      <table-wrap id="t1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-05-0606-00136-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>Considering as dyslipidemic the adolescent with alteration in at least one lipid profile fraction, most of the participants (63.8%) were considered as having the pathology (95%CI: 59.3 - 68.2; p &lt; 0.05).</p>
      <p>The prevalence of alterations in the different lipid profile measurements are shown in <xref ref-type="table" rid="ing_t02-body2">Table 2</xref>. There was a low frequency of LDL-c increase. On the other hand, a higher prevalence was observed for HDL-c alteration and hypoalphalipoproteinemia was the most frequent dyslipidemia.</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="ing_t02-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-05-0606-00136-gt02-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>When the occurrence of simultaneous dyslipidemias was analyzed, it was observed that the most frequently observed combination was TG+HDL-c decrease (12.1%) (<xref ref-type="table" rid="t3-body2">Table 3</xref>). <xref ref-type="fig" rid="f1-body2">Figure 1</xref> shows the correlation charts between different lipid fractions. Significant correlations (p &lt; 0.01) were observed among all analyzed variables; however, the best correlation was observed between the TG and HLD-c values (r= - 0.38).</p>
      <table-wrap id="t3-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-05-0606-00136-gt03-en.jpg"/></table-wrap>
      <fig id="f1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-05-0606-00136-gf01-en.jpg"/></fig>
      <p><xref ref-type="table" rid="ing_t04-body2">Table 4</xref> shows the comparisons of lipids and lipoproteins between the sexes and the presence or not of overweight and abdominal obesity.</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="ing_t04-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-05-0606-00136-gt04-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>The levels of the lipid profile as a whole did not differ regarding sex (p <underline>&gt;</underline> 0.05) and individuals with overweight, according to the BMI, showed higher levels of TG and lower levels of HDL-c. A similar fact was observed among students with abdominal obesity, according to the WC indicator. According to the WHtR indicator, the adolescents with abdominal obesity presented, in addition to higher TG and lower HDL-c levels, higher levels of LHL-c. The TC levels were the only ones that did not differ in relation to this parameter.</p>
      <p>
        <bold>Discussion</bold>
      </p>
      <p>In Brazil, studies on the prevalence of lipid alterations in the pediatric age range are still scarce. The results obtained in the present study are important, as they demonstrate that dyslipidemia is part of a disturbing reality and must be investigated among the adolescent population of the country.</p>
      <p>Additionally, the lack of standardization in the sampling and the methodology, mainly regarding the definition of reference intervals, impairs the comparison of this epidemiological phenomenon in the different states of the country. Many studies use cutoffs recommended by the III Brazilian Guideline on Dyslipidemias<sup>19</sup> (III DBSD), which use the values established by the National Cholesterol Education Program for children and adolescents from the United States<sup>20</sup>. This fact can induce potential biases, as it disregards differences in ethnicity, socioeconomic levels, dietary habits and the physical constitution of the Brazilian population<sup>21</sup>. Studies carried out in the city of S&#227;o Paulo with children and adolescents identified reference intervals that were different from the values proposed by the III DBSD<sup>22,23</sup>. Thus, in 2005, the I Guideline for the Prevention of Atherosclerosis in Childhood and Adolescence (I DPAIA) proposed reference values for lipids and lipoproteins for Brazilian children and adolescents<sup>9</sup>.</p>
      <p>The prevalence of dyslipidemia found in the present study (63.8%) was quite high, which is an alarming fact. Gama et al<sup>24</sup>, in an investigation carried out in children from the southeast region of the country using the cutoffs proposed by the DPAIA, reported a similar prevalence of dyslipidemia (68.4%).</p>
      <p>Etiologically, dyslipidemias are classified as primary or secondary. The primary dyslipidemias have a genetic connotation and some of them only manifest only under the influence of environmental factors<sup>25</sup>. Among the prevalence of dyslipidemias, one must consider the homozygous familial hypercholesterolemias, which, albeit rare, are considered severe diseases<sup>9</sup>. Nevertheless, most dyslipidemias in children and adolescents are related to an inadequate lifestyle<sup>25</sup>. Therefore, The maintenance of a nutritionally adequate dietetic model, the control of body weight, the practice of physical exercises and the cessation of smoking are some of the recommendations related to changes in the lifestyle that help prevent alterations in the lipid levels, as well as establish healthy habits into the adult life<sup>9,25</sup>.</p>
      <p>The hypoalphalipoproteinemia was the main lipid alteration. This fact is noteworthy, as this is a young population and the HDL-c is an important protective factor against the development of chronic diseases, especially atherosclerosis<sup>3</sup>. Studies by Carvalho et al<sup>2</sup> and Grillo et al<sup>26</sup> with children and adolescents also demonstrated the occurrence of low HDL-c levels as the most frequent dyslipidemia at this age range. On the other hand, in the study by Gama et al<sup>24</sup>, the increase in TC was the most prevalent dyslipidemia and the percentage of alteration in HDL-c levels was lower than the one observed in the present study (35.1% <italic>vs</italic> 56%).</p>
      <p>In a study with a similar methodology, the frequency of increased TG levels was lower than the one found in the present study (3.5% <italic>vs</italic> 15%), whereas the LDL-c and TC levels were higher (18.6% <italic>vs</italic> 2.1%; 43.8% <italic>vs</italic> 11.6%, respectively)<sup>24</sup>. Other studies have also demonstrated higher percentages of increased TC levels, when considering values &gt; 170 mg/dl<sup>1,5,6</sup>. On the other hand, our findings are in accordance with those by Scherr et al<sup>7</sup>, who found a lower magnitude of hypercholesterolemia among schoolchildren from public/philanthropic schools (14%).</p>
      <p>In the present study, the percentage of increased LDL-c levels was low. However, it is important to mention that there are subclasses of LDL, as one LDL is small and dense (LDL phenotype B) and another, which is larger. The LDL phenotype B, being smaller and denser, more easily cross the endothelial barrier and are more easily oxidable, which also makes them more atherogenic<sup>27</sup>. Thus, even in individuals with normal LDL-c levels, the lipid profile can be less favorable, given the proportion between the lipoprotein subclasses<sup>28</sup>.</p>
      <p>The occurrence of TG levels considered to be increased, together with decreased HDL-c levels, was the type of concomitant dyslipidemia more frequently observed among these adolescents. When the correlations between the lipid variables were analyzed, these fractions were the ones that presented the best correlation. This occurrence must be interpreted carefully, as the TG/HDL-c ratio is directly correlated with the LDL phenotype B in plasma, and thus, it can indicate a more atherogenic lipid profile<sup>29</sup>.</p>
      <p>The mean levels of lipids and lipoproteins obtained from the schoolchildren from the public schools in Recife are lower than the ones reported by other studies<sup>1,5,6,10,30</sup>, except for the ones reported by Moura et al<sup>5</sup> and Franca and Alves<sup>1</sup> in which TG levels were slightly lower. Although the studies on the influence of the socioeconomic level on the lipid profile are not consensual, studies carried out in Brazil show lower means of TC, TG and LDL in the group from the lowest socioeconomic class<sup>6,7,26</sup>. Scherr et al<sup>7</sup> and Giuliano et al<sup>6</sup> compared the lipid profile of students from the public <italic>vs</italic>. private schools and observed, respectively, higher mean levels of TC and LDL-c and TC and TG among students from private schools. This might be explained by the fact that in Brazil, more overweight or obese children are still found in the upper socioeconomic classes, who mostly attend private schools<sup>6</sup>. When we compared the findings of the present study with those observed among students from public schools only, we obtained higher TG and lower HDL-c levels, whereas the TC and LDL-c levels were similar<sup>7,26</sup>.</p>
      <p>The fact that the mean values of the lipid fractions were lower than those observed in studies carried out with Brazilian schoolchildren<sup>6,10,30</sup> might be due to the fact that the students from public schools present a healthier lifestyle in comparison to those from private schools. In general, adolescents from public schools exercise more and have a more balanced diet, as the food offered by the public school cafeteria is prepared according to recommendations by nutritionists and many of these students only eat at school<sup>7</sup>.</p>
      <p>Several publications in our country have shown higher levels of most lipoproteins and lipids in female children and adolescents<sup>1,6,10,31</sup>. However, we did not observe a statistically significant difference between the sexes, although the levels were higher among the girls, especially regarding TG levels.</p>
      <p>Based on our data and considering the association between the anthropometric parameters that classify overweight and obesity and the altered lipid profile reported by several studies<sup>2,10,11,26,32</sup>, the mean levels of TG and HDL-c, both from overweight participants and those with abdominal obesity, show to be less favorable. These data corroborate those reported by Su&#225;rez et al<sup>11</sup>, who observed significant differences in lipid levels (TG and HDL-c) between the general population and that presenting overweight and obesity. Grillo et al<sup>26</sup> found a significant association between the low HDL-c levels and the presence of obesity, defined by the BMI, in schoolchildren aged 3 to 14 years. Regarding the TG levels, researchers<sup>33</sup> evaluated the lipid profile of adolescents and found higher TG and lower HLD-c levels in the group with overweight, when compared to the levels observed in the group with normal weight, whereas TC and LDL-c levels did not differ between the two groups.</p>
      <p>Regarding the CT and LDL-c levels, our findings are partially in agreement with those found by Su&#225;rez et al<sup>11</sup> and Silva et al<sup>34</sup>, who did not report differences in LDL-c levels according to the nutritional status. However, they found higher TC levels in overweight and obese schoolchildren, respectively.</p>
      <p>Dyslipidemia is frequently secondary to childhood obesity and there is a positive association between the incidence of obesity and dyslipidemia in children and adolescents<sup>9,35</sup>. The mechanism that explains this association is perhaps the activation of the AMP-dependent kinase pathway, induced by the increase in insulin and leptin and the decrease in the activation of adiponectin, which, in turn, increases the oxidation of fatty acids. In these children, adiponectin has a positive association with insulin sensitivity and HDL-c levels and a negative association with TG levels<sup>36</sup>. According to Santos and Sp&#243;sito<sup>37</sup>, the main dyslipidemia associated with obesity is characterized by mild and moderated increases in TG and decrease in HDL-c levels, which corroborates the findings of the present study.</p>
      <p>The abdominal obesity has shown to be an important predictor of metabolic complications and adverse health effects and it is related to an increase in the cardiovascular and metabolic risk in children and adolescents<sup>17</sup>. The WC and the WHtR are simple and effective ways to measure abdominal obesity in children and can be better predictors of the risk of cardiovascular disease than the BMI<sup>15</sup>.</p>
      <p>However, the WC has been criticized as it does not include in its calculation the differences in body height and the waist-to-height ratio (WHtR) has been proposed as better predictor of cardiovascular risk<sup>38</sup>. A study by Schneider et al<sup>38</sup>, carried out in adult and elderly individuals, verified that the WHtR can predict the prevalence of dyslipidemia better than the other anthropometric parameters, respectively WC and BMI.</p>
      <p>In the present study, adolescents with overweight and abdominal obesity (according to the parameter WC) did not present higher LDL-c levels in comparison with the other students. This fact was only observed in those classified as having central obesity, according to the indicator WHtR. Additionally, the TC levels in the adolescents with central obesity, according to this same indicator, showed a tendency toward higher values, when compared to the levels observed in students without abdominal obesity. These findings can suggest that WHtR is the best indicator of possible alterations in the lipid profile.</p>
      <p>
        <bold>Conclusion</bold>
      </p>
      <p>The percentage of dyslipidemia in adolescents is high, which demonstrates the need for the measurement of the lipid profile as early as this age range. Overweight and central obesity have an effect on the mean values of these fractions.</p>
      <p>The data presented here should serve as a warning to the multidisciplinary team on the need to encourage healthy lifestyle measures among the aforementioned population, mainly regarding the practice of physical activities and healthy dietary habits.</p>
      <p>
        <bold>Acknowledgements</bold>
      </p>
      <p>To <italic>Conselho Nacional de Pesquisa</italic> (National Research Council - CNPq) and the Ministry of Science and Technology (MCT) for the financial support; to <italic>Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira</italic> for the logistic support; to Em&#237;dio Albuquerque for the statistical analysis; and the scientific initiation fellows Rafaella de Andrade and Emilly Moreno for typing the data.</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>Sources of Funding</bold>
      </p>
      <p>This study was funded by <italic>Minist&#233;rio de Ci&#234;ncia e Tecnologia</italic> and CNPq.</p>
      <p>
        <bold>Study Association</bold>
      </p>
      <p>This article is part of the thesis of master submitted by Patr&#237;cia Brazil Pereira, from <italic>Universidade Federal de Pernambuco</italic>.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
  <sub-article article-type="translation" id="TRes" xml:lang="es">
    <front-stub>
      <article-categories>
        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Art&#237;culos Originales</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group/>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>ART&#205;CULO ORIGINAL</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="top-body3">
          <label>
            <bold>Perfil lip&#237;dico en escolares de Recife-PE</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Patr&#237;cia Brazil Pereira; Ilma Kruze Grande de Arruda; Ana M&#225;rcia Ten&#243;rio de Souza Cavalcanti; Alcides da Silva Diniz</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Universidade Federal de Pernambuco, Recife, PE - Brasil</p>
      <p>Correspondencia</p>
      <p>
        <bold>RESUMEN</bold>
      </p>
      <p><bold>FUNDAMENTO:</bold> La presencia de dislipidemias es cada vez mayor en la poblaci&#243;n de ni&#241;os y j&#243;venes. Los niveles alterados de perfil de l&#237;pidos se asocian con mayor incidencia de hipertensi&#243;n y enfermedad ateroscler&#243;tica.</p>
      <p><bold>OBJETIVOS:</bold> Evaluar la magnitud de las dislipidemias e investigar la relaci&#243;n del perfil lip&#237;dico con el exceso de peso y la obesidad abdominal en adolescentes escolares de la ciudad del Recife-PE.</p>
      <p><bold>M&#201;TODOS:</bold> Se recolectaron datos personales, situaci&#243;n socioecon&#243;mica, mediciones antropom&#233;tricas y perfil lip&#237;dico de 470 adolescentes de 10 a 14 a&#241;os, de ambos sexos, de la red p&#250;blica de ense&#241;anza de Recife-PE. El an&#225;lisis estad&#237;stico se llev&#243; a cabo con los programas Epi-info 6.04 y SPSS 13.0. Se adopt&#243; el nivel de significancia del 5%.</p>
      <p><bold>RESULTADOS:</bold> La mayor parte de la poblaci&#243;n era dislipid&#233;mica (63,8%, IC95% 59,3-68,2), y la hipoalfalipoproteinemia era la dislipidemia m&#225;s prevalente (56%, IC95% 51,3-60,5). Adolescentes con exceso de peso o con obesidad abdominal presentaron valores m&#225;s elevados de triglic&#233;ridos y m&#225;s bajos de HDL-colesterol (p &lt; 0,05). Las concentraciones del colesterol total y fracciones no difirieron con relaci&#243;n al sexo.</p>
      <p><bold>CONCLUSI&#211;N:</bold> Se evidenci&#243; la elevada ocurrencia del perfil lip&#237;dico desfavorable, lo que llama la atenci&#243;n a la necesidad de la dosificaci&#243;n del perfil lip&#237;dico ya en este grupo de edad. Medidas de estilo de vida saludable se deben incentivar en esta poblaci&#243;n. (Arq Bras Cardiol 2010; 95(5): 606-613)</p>
      <p><bold>Palabras-clave:</bold> Dislipidemia / epidemiologia, hipertensi&#243;n, obesidad abdominal, adolescente, estilo de vida, Recife, Brasil.</p>
      <p>
        <bold>Introducci&#243;n</bold>
      </p>
      <p>Dislipidemia es un cuadro cl&#237;nico caracterizado por concentraciones anormales de l&#237;pidos o lipoprote&#237;nas en la sangre y es determinada por factores gen&#233;ticos y ambientales. Evidencias demuestran que niveles elevados de colesterol total (CT), LDL colesterol (LDL-c) y triglic&#233;ridos (TG), as&#237; como niveles reducidos de HDL colesterol (HDL-c), est&#225;n relacionados con mayor incidencia de hipertensi&#243;n y enfermedad aterosclerosis<sup>1</sup>.</p>
      <p>La aterog&#233;nesis tiene inicio con la formaci&#243;n de estr&#237;as grasosas precursoras de las placas de ateroma. &#201;stas comienzan a aparecer en la aorta a partir de los tres a&#241;os de edad y, en la adolescencia, pasan a alcanzar las coronarias, progresando, subsecuentemente, en las otras fases del ciclo vital<sup>2</sup>. Tienen una evoluci&#243;n lenta y silenciosa, y las manifestaciones cl&#237;nicas en la vida adulta repercuten bajo diversas condiciones m&#243;rbidas del aparato circulatorio que culminan en las elevadas tasas de mortalidad<sup>3</sup>. La literatura se&#241;ala al inicio de la aterosclerosis ya en la ni&#241;ez por el aumento del colesterol plasm&#225;tico, que puede ser potencializado, en el transcurrir de la vida, por la obesidad y por otros factores, como historia familiar, inactividad f&#237;sica, dieta inadecuada e hipertensi&#243;n arterial<sup>4</sup>.</p>
      <p>Las publicaciones actualizadas en nuestro medio indicaban el avance de las dislipidemias en ni&#241;os y j&#243;venes<sup>5-7</sup>. La prevalencia en este grupo var&#237;a en el mundo todo entre un 2,9% y el 33%, con aumento progresivo de estas tasas con el paso de los a&#241;os<sup>8,9</sup>.</p>
      <p>La dislipidemia frecuentemente es secundaria a la obesidad infantil, adem&#225;s de haber una asociaci&#243;n positiva entre la incidencia de la obesidad y la dislipidemia en ni&#241;os y adolescentes<sup>3</sup>. Investigaciones vienen relatando la relaci&#243;n de par&#225;metros antropom&#233;tricos que clasifican el exceso de peso y la obesidad abdominal con el perfil lip&#237;dico alterado en este grupo<sup>10,11</sup>.</p>
      <p>Dado el creciente n&#250;mero de ni&#241;os y adolescentes en situaci&#243;n de riesgo de enfermedades cardiovasculares, y teniendo en cuenta los pocos estudios de base poblacional sobre la prevalencia de dislipidemias entre los adolescentes brasile&#241;os, es fundamental la importancia para llevar a cabo investigaciones que eval&#250;en este problema en el grupo de edad de ni&#241;os y j&#243;venes.</p>
      <p>De esta manera, el presente estudio tuvo como objetivo evaluar la magnitud de las dislipidemias e investigar la relaci&#243;n del perfil lip&#237;dico con el exceso de peso y la obesidad abdominal en adolescentes escolares de la red p&#250;blica de la ciudad de Recife, Estado de Pernambuco.</p>
      <p>
        <bold>M&#233;todos</bold>
      </p>
      <p>Se realiz&#243; un estudio observacional de tipo transversal en 31 escuelas p&#250;blicas que ofrecen educaci&#243;n b&#225;sica y fundamental y forman parte de la red oficial de ense&#241;anza de la ciudad de Recife-PE, en el per&#237;odo de octubre a diciembre de 2007. La poblaci&#243;n estaba conformada por adolescentes en edad escolar, en el grupo de edad de 10 a 14 a&#241;os, de ambos sexos, regularmente matriculados en estas escuelas, en el a&#241;o de 2007.</p>
      <p>El tama&#241;o de la muestra se determin&#243; fundamentado en la prevalencia de la dislipidemia de un estudio similar realizado en Camaragibe/PE<sup>12</sup>. La dislipidemia encontrada en menor porcentaje (hipertrigliceridemia) se utiliz&#243; para el c&#225;lculo del tama&#241;o de la muestra. Por lo tanto, la adopci&#243;n de una prevalencia del 15%, con un margen de error aceptable del 5%, una confiabilidad del 95% y una poblaci&#243;n mayor de 9.000 estudiantes, el tama&#241;o de la muestra fue de alrededor de 196 estudiantes. Como el proceso de selecci&#243;n de la muestra fue del tipo polietapas, cuyas unidades de muestreo fueron la escuela (1<sup>er</sup> conglomerado) y la clase (2&#186; conglomerado), el "n" de muestreo se ajust&#243; por el efecto del dise&#241;o del estudio, utilizando un factor de correcci&#243;n del orden de 2.1, totalizando un n&#250;mero m&#237;nimo de 412 adolescentes Para corregir las p&#233;rdidas eventuales, este valor se increment&#243; en un 15%, totalizando una muestra de alrededor 470 estudiantes.</p>
      <p>Fueron excluidos del estudio los adolescentes con: historia personal referida de patolog&#237;as (<italic>diabetes mellitus</italic> tipo II, hipotiroidismo, s&#237;ndrome nefr&#243;tico, insuficiencia renal cr&#243;nica, enfermedad hep&#225;tica, s&#237;ndrome de <italic>cushing</italic>, anorexia nerviosa y bulimia) o uso referido de medicamentos (antihipertensivos, corticoides, esteroides, isotretino&#237;na, inhibidores de proteasa) que pudieran alterar el perfil lip&#237;dico.</p>
      <p>Las informaciones sobre datos personales, situaci&#243;n socioecon&#243;mica, los datos antropom&#233;tricos y las muestras de sangre de los participantes se obtuvieron a la vez, en las propias escuelas, y se anotaron en formas espec&#237;ficas.</p>
      <p>Para las mediciones bioqu&#237;micas de CT, LDL-c, HDL-c y TG, se extrajeron alrededor de 5 ml de sangre por punci&#243;n venosa de cada escolar, despu&#233;s de un ayuno de 12 a 14 horas, en tubos Vacuntainer. Las botellas fueron embaladas en cajas de espuma de poliestireno que conten&#237;an hielo reciclable, selladas y transportadas al procesamiento de las muestras. El suero se separ&#243; de los hemat&#237;es por centrifugaci&#243;n a 3.000 RPM durante diez minutos a 4&#186;C hasta dos horas despu&#233;s de la punci&#243;n venosa. El suero se coloc&#243; en microtubos y almacenaje a -20 &#186; C para la dosificaci&#243;n posterior de las fracciones lip&#237;dicas. El material fue analizado en el laboratorio de an&#225;lisis cl&#237;nicos, y los niveles s&#233;ricos de CT, HDL-c y TG se determinaron por m&#233;todos enzim&#225;ticos (Roche Diagnostics), y los LDL-c fueron estimados por la f&#243;rmula de Friedewald: LDL-c = CT - (HDL + TG/5)<sup>13</sup>.</p>
      <p>Se utilizaron como criterios de anormalidad para los l&#237;pidos y las lipoprote&#237;nas a aquellos definidos por la I Directriz Brasile&#241;a de Prevenci&#243;n de la Aterosclerosis en la Ni&#241;ez y en la Adolescencia<sup>9</sup> (I DPAIA). Los puntos de cohorte establecidos fueron: CT <underline>&gt;</underline> 150mg/dL (lim&#237;trofe) y CT <underline>&gt;</underline> 170mg/dL (aumentado); LDL-c <underline>&gt;</underline> 100 mg/dL (lim&#237;trofe) y LDL-c <underline>&gt;</underline> 130 mg/dL (aumentado); HDL-c &lt; 45 mg/dL (no deseable); TG <underline>&gt;</underline> 100mg/dL (lim&#237;trofe) y TG <underline>&gt;</underline> 130mg/dL (aumentado). Para el diagn&#243;stico de las dislipidemias, se adoptaron los valores aumentados o modificados. Se consider&#243; como portador de dislipidemia, el sujeto que presentara, entre estas pruebas, al menos un valor cambiado.</p>
      <p>La evaluaci&#243;n antropom&#233;trica consisti&#243; de doble toma del peso, talla y circunferencia de la cintura de los adolescentes, utilizando los valores promedio. Para mantener la consistencia de los datos, se descartaron las medidas que presentaron diferencias superiores a 100 g para el peso, 0,5 cm para la altura y 0,3 cm para la circunferencia de la cintura. El peso corporal se obtuvo en una balanza electr&#243;nica digital, de la marca Plenna-MEA-03140<sup>&#174;</sup>, con una capacidad m&#225;xima de 150 kg y precisi&#243;n de 100 g. La altura se midi&#243; con el uso de cinta m&#233;trica Stanley<sup>&#174;</sup> milimetrada, con precisi&#243;n de 1 mm y exactitud de 0,5 cm, segundo las normas preconizadas por Lohman et al<sup>14</sup>. La circunferencia de la cintura (CC) se obtuvo en el punto medio entre el &#250;ltimo arco costal y la cresta il&#237;aca con cinta m&#233;trica flexible y inel&#225;stica sin comprimir los tejidos<sup>15</sup></p>
      <p>El diagn&#243;stico del exceso de peso se realiz&#243; por el &#237;ndice de masa corporal (IMC) de acuerdo con los valores propuestos por Cole et al<sup>16</sup>, ajustado para edad y sexo. El diagn&#243;stico de la obesidad abdominal se realiz&#243; mediante la evaluaci&#243;n de la CC (cm) / Altura (cm) (WHtR). El punto de cohorte utilizado para la clasificaci&#243;n de la circunferencia de la cintura fue recomendado por Taylor et al<sup>15</sup> en el que define la obesidad abdominal como CC <underline>&gt;</underline> percentil 80, ajustado para edad y sexo. En cuanto a WHtR hemos adoptado los sugeridos por Li et al <sup>17</sup> con la utilizaci&#243;n como punto de cohorte para definici&#243;n de la obesidad abdominal el valor <underline>&gt;</underline> 0,5.</p>
      <p>A los efectos de clasificaci&#243;n socioecon&#243;mica de las familias, se utilizaron los "Criterios para la Clasificaci&#243;n Econ&#243;mica del Brasil", creado por la Asociaci&#243;n Brasile&#241;a de Antropolog&#237;a y la Asociaci&#243;n Brasile&#241;a de Investigaci&#243;n<sup>18</sup>. Este instrumento utiliza una escala de puntos, obtenidos por la suma de los puntos de la posesi&#243;n de &#237;tems dom&#233;sticos y por el grado de instrucci&#243;n del jefe de la familia, que clasifica a la poblaci&#243;n en las clases econ&#243;micas A1, A2, B1, B2, C1, C2, D y E, de orden decreciente, respectivamente iniciada por aquel de mejor poder adquisitivo.</p>
      <p>La construcci&#243;n del banco de datos y el an&#225;lisis estad&#237;stico se realizaron utilizando los programas Epi-Info versi&#243;n 6.04 y SPSS versi&#243;n 13.0. Los datos fueron digitados con doble entrada y verificados con el VALIDATE, m&#243;dulo del Programa Epi-info versi&#243;n 6.04, para checar la consistencia y validaci&#243;n de los datos</p>
      <p>Las variables continuas se probaron en cuanto a la normalidad de la distribuci&#243;n de la prueba de Kolmogorov Smirnof, y aquellas que no obtuvieron una distribuci&#243;n normal se convirtieron al logaritmo neperiano y se probaron de nuevo con relaci&#243;n a la normalidad. Despu&#233;s de esta transformaci&#243;n, s&#243;lo los TG y la edad fueron de distribuci&#243;n no Gaussiana, cuyos datos fueron descritos como mediana y rango intercuart&#237;lico. Los datos de las variables de distribuci&#243;n normal se expresaron como media y desviaci&#243;n est&#225;ndar y la forma de media geom&#233;trica y sus respectivos intervalos de confianza, para las variables que presentaron normalidad solamente despu&#233;s de la transformaci&#243;n logar&#237;tmica. En la descripci&#243;n de las proporciones, la distribuci&#243;n binomial fue aproximada a la distribuci&#243;n normal por el intervalo de confianza del 95%. La investigaci&#243;n de correlaciones se realiz&#243; mediante la correlaci&#243;n de Pearson, porque una de las variables involucradas present&#243; como m&#237;nimo una distribuci&#243;n de Gauss. Las variables con distribuci&#243;n normal tuvieron los promedios comparados por las pruebas de "t" <italic>student</italic>, y, para aquellas cuyos criterios de normalidad u homocedasticidad no se alcanzaron, se utiliz&#243; la prueba U de Mann Whitney. Se adopt&#243; el nivel de significancia del 5% para rechazar la hip&#243;tesis nulidad.</p>
      <p>El trabajo fue sometido y aprobado por el Comit&#233; de &#201;tica del Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Registro CEP/IMIP n &#186; 1.024/07). Todos los adolescentes que participaron en el estudio fueron previamente informados de los objetivos de la investigaci&#243;n, as&#237; como de los m&#233;todos a adoptar. Mediante el consentimiento, cada padre o tutor del adolescente firmaron el Formulario de Consentimiento Libre.</p>
      <p>
        <bold>Fuentes de financiaci&#243;n del estudio</bold>
      </p>
      <p>Este estudio se realiz&#243; con los datos obtenidos en el Proyecto "Trastorno del comportamiento alimentario en escolares de la ciudad del Recife-PE", financiado por el CNPq (Proceso no. 474.146/2006-5) y por el MCT (01.0265.000/2005-MCT).</p>
      <p>
        <bold>Resultados</bold>
      </p>
      <p>De las 470 muestras sangu&#237;neas, una dosificaci&#243;n de LDL-c y tres de CT fueron perdidas por problemas t&#233;cnicos en el an&#225;lisis de las fracciones, mientras que se desecharon tres datos referentes al peso, 11 de talla y 13 de circunferencia de la cintura, ya que presentaron inconsistencia entre los dos c&#225;lculos realizados.</p>
      <p>La mediana de edad fue de 11 a&#241;os (RIC: 10-12 a&#241;os), no habiendo diferencia de la misma con relaci&#243;n al sexo. En la <xref ref-type="table" rid="tab1-body3">Tabla 1</xref>, est&#225; detallada la caracterizaci&#243;n de la muestra estudiada. Entre los adolescentes incluidos en el estudio, la mayor parte fue del sexo femenino (55,3%; IC <sub>95%</sub>: 50,7 - 59,9; p &lt; 0,05). En lo que se refiere a la clase socioecon&#243;mica, hubo un predominio de estudiantes de la clase C<sub>2</sub> (43,6%; IC <sub>95%</sub> 38,5 - 48,9).</p>
      <table-wrap id="tab1-body3">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-05-0606-00136-gt01-es.jpg"/></table-wrap>
      <p>Considerando como dislipidemia el adolescente con alteraci&#243;n en una fracci&#243;n del perfil lip&#237;dico como m&#237;nimo, la mayor parte de los participantes (63,8%) se enmarc&#243; como portadores de esta patolog&#237;a (IC <sub>95%</sub> 59,3-68,2; p &lt; 0,05).</p>
      <p>Las prevalencias de alteraciones en las diferentes tasas del perfil lip&#237;dico est&#225;n detalladas en la <xref ref-type="table" rid="es_a08tab02m-body3">Tabla 2</xref>. Se detect&#243; una baja frecuencia para el aumento del LDL-c. Diferentemente, Se registraron mayores prevalencias para la alteraci&#243;n del HDL-c, y la hipoalfalipoproteinemia fue la dislipidemia m&#225;s frecuente.</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="es_a08tab02m-body3">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-05-0606-00136-gt02-es.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>Cuando analizada la ocurrencia de dislipidemia simult&#225;neas, la m&#225;s frecuente en la poblaci&#243;n estudiada fue el aumento de TG combinado con la reducci&#243;n del HDL-c (12,1%) (<xref ref-type="table" rid="tab3-body3">Tabla 3</xref>). En la <xref ref-type="fig" rid="es_a08fig01m-body3">figura 1</xref>, se muestran los gr&#225;ficos de correlaci&#243;n entre diferentes fracciones lip&#237;dicas. Se observaron las correlaciones significativas (p &lt; 0,01) entre todas las variables analizadas, pero la mejor correlaci&#243;n encontrada fue con los valores de TG y de HDL-c (r= - 0,38).</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="es_a08fig01m-body3">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-05-0606-00136-gf01-es.jpg"/></fig>
      </p>
      <table-wrap id="tab3-body3">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-05-0606-00136-gt03-es.jpg"/></table-wrap>
      <p>En la <xref ref-type="table" rid="es_a08tab04m-body3">Tabla 4</xref>, se expresan las comparaciones de los l&#237;pidos y de las lipoprote&#237;nas entre los g&#233;neros y entre la presencia o no de exceso de peso y de obesidad abdominal.</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="es_a08tab04m-body3">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-05-0606-00136-gt04-es.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>Las concentraciones de todo perfil lip&#237;dico no difirieron con relaci&#243;n al sexo (p <underline>&gt;</underline> 0,05), y los individuos con exceso de peso, segundo el IMC, mostraron valores m&#225;s elevados de TG y m&#225;s reducidos de HDL-c. Hecho similar a lo encontrado en los estudiantes con obesidad abdominal, seg&#250;n el indicador CC. De acuerdo con el indicador WHtR, los adolescentes con obesidad abdominal presentaron, adem&#225;s de valores superiores en las concentraciones de TG e inferiores en las de HDL-c, valores m&#225;s altos de LDL-c. Los niveles de CT fueron los &#250;nicos que no difirieron con relaci&#243;n a este par&#225;metro.</p>
      <p>
        <bold>Discusi&#243;n</bold>
      </p>
      <p>En el Brasil, todav&#237;a son escasos los trabajos sobre la prevalencia de alteraciones lip&#237;dicas en el grupo de edad infanto-juvenil. Los resultados encontrados en el presente estudio son importantes se&#241;alizadores para el hecho de que las dislipidemias formen parte de una realidad preocupante y precisan ser investigadas entre los adolescentes del pa&#237;s.</p>
      <p>Adem&#225;s de ello, la falta de estandarizaci&#243;n en las muestras y en las metodolog&#237;as, principalmente en la definici&#243;n de los intervalos de referencia, perjudica la comparaci&#243;n de este fen&#243;meno epidemiol&#243;gico en los diferentes estudios. Muchos trabajos utilizan los puntos de cohorte recomendados por las III Directrices Brasile&#241;as sobre Dislipidemias<sup>19</sup> (III DBSD), que adoptan los valores del <italic>National Cholesterol Education Program</italic> establecidos para ni&#241;os y adolescentes de los Estados Unidos<sup>20</sup>. Esta pr&#225;ctica puede inducir potenciales vieses, ya que desconsidera diferencias &#233;tnicas, socioecon&#243;micas, h&#225;bitos alimentares y constituci&#243;n f&#237;sica de la poblaci&#243;n brasile&#241;a<sup>21</sup>. Estudios llevados a cabo en una ciudad de S&#227;o Paulo, con ni&#241;os y adolescentes, identificaron rangos de referencia divergentes de los valores propuestos por las III DBSD<sup>22,23</sup>. As&#237;, en 2005, la I Directriz de la Prevenci&#243;n de la aterosclerosis en la Ni&#241;ez y Adolescencia (I DPAIA) propuso valores de referencia de l&#237;pidos y lipoprote&#237;nas para ni&#241;os y adolescentes brasile&#241;os<sup>9</sup>.</p>
      <p>La prevalencia de dislipidemia encontrada en nuestro estudio (63,8%) fue much&#237;simo alta, lo que es un hecho alarmante. Gama et al<sup>24</sup> en la investigaci&#243;n realizada en el sureste del pa&#237;s, utilizando los puntos de cohorte propuestos por la I DPAIA, registraron una prevalencia de dislipidemia similar (68,4%).</p>
      <p>Etiol&#243;gicamente, las dislipidemias son clasificadas en primarias y secundarias. Las primarias tienen una connotaci&#243;n gen&#233;tica, y algunas solo se hacen evidentes debido a la influencia ambiental<sup>25</sup>. Entre la prevalencia de dislipidemias, se deben considerar las hipercolesterolemias familiares homozog&#243;ticas, que, aunque raras, son consideradas como enfermedades severas<sup>9</sup>. Sin embargo, la mayor parte de las dislipidemias en ni&#241;os y adolescentes est&#225; relacionada a un estilo de vida inadecuado<sup>25</sup>. De esta forma, el mantenimiento de un modelo diet&#233;tico nutricionalmente adecuado, el control del peso corp&#243;reo, la pr&#225;ctica de ejercicios f&#237;sicos y el abandono al tabaquismo son algunas de las orientaciones relacionadas con cambios en el estilo de vida que ayudan en la prevenci&#243;n de alteraciones en los niveles lip&#237;dicos, as&#237; como en la formaci&#243;n de h&#225;bitos saludables para la vida adulta<sup>9,25</sup>.</p>
      <p>La hipoalfalipoproteinemia fue la principal anormalidad lip&#237;dica. Este hecho merece atenci&#243;n porque es una poblaci&#243;n joven y el HDL-colesterol es un factor importante de protecci&#243;n contra el desarrollo de enfermedades cr&#243;nicas, en particular aterosclerosis<sup>3</sup>. Trabajos de Carvalho et al<sup>2</sup> y Grillo et al<sup>26</sup>, con ni&#241;os y adolescentes, tambi&#233;n se&#241;alaron la ocurrencia de HDL-colesterol bajo como la dislipidemia m&#225;s frecuente en este grupo de edad. En contraposici&#243;n, en el estudio de Gamma et al<sup>24</sup>, el aumento de la TC fue la dislipidemia m&#225;s prevalente, y el porcentual de alteraci&#243;n de HDL-c fue interior la observancia en este estudio (35,1% vs 56%).</p>
      <p>En un estudio de metodolog&#237;a similar, la frecuencia de TG aumentado fue inferior a la encontrada en este trabajo (3,5% vs 15%); mientras que las de LDL-c y CT fueron superiores (18,6% vs 2,1%; 43,8% <italic>vs</italic> 11,6%, respectivamente) <sup>24</sup>. En otras investigaciones, tambi&#233;n se evidenciaron mayores porcentuales de CT aumentado, cuando considerado valores superiores a 170 mg/dL<sup>1,5,6</sup>. Por otro lado, nuestros hallazgos son acordes a los de Scherr et al<sup>7</sup>, que encontraron menor magnitud de hipercolestrolemia entre los j&#243;venes de escuelas p&#250;blicas/filantr&#243;picas (14%).</p>
      <p>En este estudio, el porcentaje de LDL-c aumentado fue bajo. Sin embargo, es importante destacar que existen subclases de LDL, una LDL es peque&#241;a y densa (LDL tipo B), y la otra, de mayor tama&#241;o. Las part&#237;culas de LDL tipo B, por el menor tama&#241;o y por la mayor densidad, cruzaron m&#225;s f&#225;cilmente la barrera endotelial y se oxidan con mayor facilidad, lo que las hace tambi&#233;n m&#225;s aterog&#234;nicas<sup>27</sup>. As&#237;, incluso en individuos con niveles normales de LDL-c, el perfil lip&#237;dico puede ser menos favorable, dada a la proporci&#243;n entre las subclases de las lipoprote&#237;nas<sup>28</sup>.</p>
      <p>La ocurrencia de valores considerados aumentados de TG juntamente con los reducidos de HDL-c fue el tipo de dislipidemia concomitantes m&#225;s frecuentes en estos adolescentes. Cuando se analizaron las correlaciones entre las variables lip&#237;dicas, estas fracciones fueron las que presentaron mejor correlaci&#243;n. Esta ocurrencia debe interpretarse con cautela, ya que la raz&#243;n TG/HDL-c se correlaciona directamente con el nivel de LDL de tipo B en el plasma, pudiendo de esta manera, indicar un perfil lip&#237;dico m&#225;s aterog&#233;nico<sup>29</sup>.</p>
      <p>Los valores medios obtenidos en los l&#237;pidos y en las lipoprote&#237;nas de los estudiantes de escuela p&#250;blica en Recife, se encuentran por debajo de los detallados en otros estudios<sup>1,</sup><sup>5,6,10,30</sup>, con excepci&#243;n de los reportados por Mora et al<sup>5</sup> y Francia y Alves<sup>1</sup>, en que el TG se mostr&#243; ligeramente inferior. Aunque los estudios sobre la influencia del nivel socioecon&#243;mico en el perfil de l&#237;pidos no son consensuales, las investigaciones realizadas en Brasil muestran menores medias de CT, TG y LDL en el grupo con condiciones menos favorecidas<sup>6, 7, 26</sup>. Esto quiz&#225; se explique debido a que en Brasil a&#250;n se encuentran m&#225;s ni&#241;os con sobrepeso u obesidad en las capas m&#225;s altas de la sociedad, que estudian, en su mayor&#237;a, en las escuelas privadas<sup>6</sup>. Cuando comparamos los hallazgos de la actual investigaci&#243;n con los observados entre alumnos solamente de escuelas p&#250;blicas, obtuvimos niveles de TG superiores y de HDL-c inferiores, mientras que los niveles de CT y LDL fueron similares<sup>7,26</sup>.</p>
      <p>El hecho de que los valores medios observados de las fracciones lip&#237;dicas sean inferiores a los otros trabajos efectuados con escolares en Brasil<sup>6,10,30</sup> tal vez pueda ser resultado del hecho de los estudiantes de las escuelas p&#250;blicas presentar un estilo de vida m&#225;s saludable en comparaci&#243;n a la red privada. En general, los adolescentes de las escuelas p&#250;blicas se ejercitan m&#225;s y presentan una dieta m&#225;s equilibrada, ya que las meriendas que se ofrecen en estas escuelas se realizan bajo la supervisi&#243;n de nutricionistas profesionales, y muchos de estos estudiantes tienen como &#250;nica alimentaci&#243;n la merienda escolar<sup>7</sup>.</p>
      <p>Una serie de publicaciones en nuestro medio, muestran niveles m&#225;s altos de la mayor&#237;a de las lipoprote&#237;nas y de los l&#237;pidos en ni&#241;os y adolescentes del sexo femenino<sup>1, 6,10,31</sup>. Sin embargo, no verificamos diferencia estad&#237;sticamente significante con relaci&#243;n al sexo, a pesar de los valores ser m&#225;s altos en las ni&#241;as, con destaque para el TG.</p>
      <p>Tomando como base los datos, y teniendo en cuenta la relaci&#243;n entre los par&#225;metros antropom&#233;tricos que clasifican el sobrepeso y la obesidad con el perfil lip&#237;dico alterado reportados en varios estudios<sup>2,10,11,26,32</sup>, los niveles medios de TG y HDL-c tanto de los participantes con exceso de peso como de los con obesidad abdominal se presentaron menos favorables. Estos datos corroboran aquellos obtenidos por Su&#225;rez et al<sup>11</sup>, quienes encontraron diferencias significativas en los valores de l&#237;pidos (TG y HDL-c) en la poblaci&#243;n total y aquella con sobrepeso y obesidad. Grillo et al<sup>26</sup> encontraron una asociaci&#243;n significativa entre los niveles de HDL-c bajo y la presencia de obesidad definida por el IMC, en escolares de 3 a 14 a&#241;os. En cuanto al TG, investigadores<sup>33</sup> evaluaron el perfil lip&#237;dico de los adolescentes y encontraron altos valores de TG y bajos valores de HDL-c en el grupo con sobrepeso en relaci&#243;n con los valores observados en el grupo con peso normal, mientras que los valores de CT y LDL-c, as&#237; como en el estudio en cuesti&#243;n, no difirieron entre los dos grupos. En cuanto a los valores de CT y LDL-C, nuestros hallazgos est&#225;n de acuerdo en parte con los encontrados por Su&#225;rez et al<sup>11</sup> y Silva et al<sup>34</sup>, que no refirieron diferencias en los valores de LDL-c de acuerdo con el estado nutricional. Sin embargo, se encontraron valores m&#225;s altos de CT en los ni&#241;os con sobrepeso y obesidad, respectivamente.</p>
      <p>La dislipidemia es a menudo secundaria a la obesidad infantil, con una asociaci&#243;n positiva entre la incidencia de la obesidad y la dislipidemia en ni&#241;os y adolescentes<sup>9,35</sup>. El mecanismo que explica esta asociaci&#243;n sea tal vez la activaci&#243;n de la v&#237;a de la quinasa AMP-dependiente, inducida por el aumento de la insulina y de la leptina y por la reducci&#243;n de la activaci&#243;n de la adiponectina, que, a su vez, aumenta la oxidaci&#243;n de los &#225;cidos grasos En estos ni&#241;os, la adiponectina tiene una asociaci&#243;n positiva con la sensibilidad a la insulina y con los niveles de HDL-c y negativa con los niveles triglicer&#237;deos<sup>36</sup>. De acuerdo con Santos y Sp&#243;sito<sup>37</sup> la principal dislipidemia asociada a la obesidad se caracteriza por elevaciones ligeras y moderadas del TG y por la disminuci&#243;n del HDL-c, lo que corrobora los hallazgos de este estudio.</p>
      <p>La obesidad abdominal se viene convertiendo en un importante predictor de complicaciones metab&#243;licas y efectos adversos para la salud y est&#225; asociada con un mayor riesgo cardiovascular y metab&#243;lico en ni&#241;os y adolescentes<sup>17</sup>. La CC y la raz&#243;n CC/Talla (WHtR) son mediciones simple y efectivas de mensurar obesidad abdominal en ni&#241;os y pueden ser mejores predictores del riesgo de enfermedad cardiovascular que el IMC<sup>15</sup>.</p>
      <p>Sin embargo, se viene criticando la CC por ella no llevar en su c&#225;lculo, diferencias en la talla corporal, y la raz&#243;n de la circunferencia de la cintura por la talla (WHtR) ha estado proponiendo como el mejor predictor de riesgo cardiovascular<sup>38</sup>. Estudio de Schneider et al<sup>38</sup>, llevado a cabo en adultos y adultos mayores, verific&#243; que la WHtR puede predecir una prevalencia de dislipidemia mejor que los otros par&#225;metros antropom&#233;tricos, respectivamente: CC e IMC. En este estudio, los adolescentes con sobrepeso y obesidad abdominal (seg&#250;n el indicador de CC) no mostraron valores m&#225;s altos de LDL-c en comparaci&#243;n con otros estudiantes. Este hecho se observ&#243; s&#243;lo en los clasificados como obesos central, de acuerdo con el indicador WHtR. Adem&#225;s de ello, los niveles de CT en los obesos centrales, seg&#250;n este indicador mismo, presentaron una tendencia hacia valores m&#225;s altos en comparaci&#243;n con los valores observados en los estudiantes sin obesidad abdominal. Estos resultados podr&#237;an sugerir el WHtR como el mejor indicador de los posibles cambios en el perfil lip&#237;dico.</p>
      <p>
        <bold>Conclusi&#243;n</bold>
      </p>
      <p>El porcentaje de la dislipidemia en los adolescentes es alto, lo que nos hace estar atentos a la necesidad de dosificaci&#243;n del perfil lip&#237;dico ya en este grupo de edad. El exceso de peso y la obesidad central ejercen la influencia en los valores medios de estas fracciones.</p>
      <p>Los datos presentados aqu&#237; plantean un alerta para el equipo multiprofesional sobre la necesidad de incentivo a medidas de estilo de vida saludable en la referida poblaci&#243;n, especialmente en lo que respecta a la actividad f&#237;sica y h&#225;bitos alimenticios saludables.</p>
      <p>
        <bold>Agradecimientos</bold>
      </p>
      <p>Al Consejo Nacional de Investigaciones (CNPq) y al Ministerio de la Ciencia Tecnolog&#237;a (MCT) por la financiaci&#243;n de la investigaci&#243;n; al Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira de apoyo log&#237;stico, al profesional Em&#237;dio Albuquerque por el an&#225;lisis estad&#237;stico; y a las becarias de iniciaci&#243;n cient&#237;fica Rafaella Andrade y Emilly Moreno par la ayuda en el tecleado de datos.</p>
      <p>
        <bold>Potencial Conflicto de Intereses</bold>
      </p>
      <p>Declaro no haber conflicto de intereses pertinentes.</p>
      <p>
        <bold>Fuentes de Financiaci&#243;n</bold>
      </p>
      <p>Este estudio fue financiado por el Ministerio de Ciencia y Tecnolog&#237;a y el CNPq.</p>
      <p>
        <bold>Vinculaci&#243;n Acad&#233;mica</bold>
      </p>
      <p>Este art&#237;culo forma parte de la tesis de Maestr&#237;a de Patr&#237;cia Brazil Pereira por la <italic>Universidad Federal de Pernambuco</italic>.</p>
      <p>
        <bold>Referencias</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
