<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="ppub">0066-782X</issn>
      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
      </publisher>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">WVQjK3wMyrRqd9dLHj7LsjQ</article-id>
      <article-id pub-id-type="other">00019</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2010001300019</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(10)09500319</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2010001300019</article-id>
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        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Artigo de Revis&#227;o</subject>
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        <article-title>Riscos cardiovasculares do bloqueio androg&#234;nico</article-title>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>09</month>
        <year>2010</year>
      </pub-date>
      <volume>95</volume>
      <issue>3</issue>
      <fpage>412</fpage>
      <lpage>415</lpage>
      <history>
        <date date-type="rev-recd">
          <day>15</day>
          <month>03</month>
          <year>2010</year>
        </date>
        <date date-type="received">
          <day>06</day>
          <month>08</month>
          <year>2009</year>
        </date>
        <date date-type="accepted">
          <day>27</day>
          <month>04</month>
          <year>2010</year>
        </date>
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        <license license-type="open-access" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/" xml:lang="en">
          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      </permissions>
      <abstract>
        <p>O adenocarcinoma de pr&#243;stata &#233; o c&#226;ncer mais comum no sexo masculino ap&#243;s o c&#226;ncer de pele. Entre as v&#225;rias formas de tratamento do c&#226;ncer de pr&#243;stata, a terapia de bloqueio androg&#234;nico &#233; uma modalidade consagrada nos pacientes com doen&#231;a metast&#225;tica ou localmente avan&#231;ada, que provavelmente resulta em aumento de sobrevida. No entanto, o bloqueio androg&#234;nico &#233; causador de uma s&#233;rie de consequ&#234;ncias adversas. Complica&#231;&#245;es como osteoporose, disfun&#231;&#227;o sexual, ginecomastia, anemia e altera&#231;&#245;es na composi&#231;&#227;o corporal s&#227;o bem conhecidas. Recentemente, uma s&#233;rie de complica&#231;&#245;es metab&#243;licas foi descrita como aumento da circunfer&#234;ncia abdominal, resist&#234;ncia &#224; insulina, hiperglicemia, diabete, dislipidemia e s&#237;ndrome metab&#243;lica com consequente aumento do risco de eventos coronarianos e mortalidade cardiovascular nessa popula&#231;&#227;o espec&#237;fica. Este artigo de atualiza&#231;&#227;o apresenta uma revis&#227;o bibliogr&#225;fica realizada no MEDLINE de toda literatura publicada em ingl&#234;s no per&#237;odo de 1966 at&#233; junho de 2009, com as seguintes palavras-chave: androgen deprivation therapy, androgen supression therapy, hormone treatment, prostate cancer, metabolic syndrome e cardiovascular disease, no intuito de analisar quais seriam os reais riscos cardiovasculares da terapia de depriva&#231;&#227;o androg&#234;nica, tamb&#233;m chamada bloqueio androg&#234;nico, nos pacientes com c&#226;ncer de pr&#243;stata.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Doen&#231;as cardiovasculares</kwd>
        <kwd>risco</kwd>
        <kwd>androg&#234;nios</kwd>
        <kwd>doen&#231;as do sistema end&#243;crino</kwd>
        <kwd>horm&#244;nios</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>13</day>
        <month>10</month>
        <year>2010</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
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  <body>
    <p>
      <bold>ARTIGO DE REVIS&#195;O</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Riscos cardiovasculares do bloqueio androg&#234;nico</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Adriano Freitas Ribeiro; C&#233;sar Camara; Carlos Alexandre Segre; Miguel Srougi; Carlos V. Serrano Jr</bold>
    </p>
    <p><sup>I</sup>Instituto do Cora&#231;&#227;o (InCor) do Hospital das Cl&#237;nicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S&#227;o Paulo, S&#227;o Paulo, SP - Brasil </p>
    <p><sup>II</sup>Divis&#227;o de Urologia do Hospital das Cl&#237;nicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S&#227;o Paulo, S&#227;o Paulo, SP - Brasil</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p>O adenocarcinoma de pr&#243;stata &#233; o c&#226;ncer mais comum no sexo masculino ap&#243;s o c&#226;ncer de pele. Entre as v&#225;rias formas de tratamento do c&#226;ncer de pr&#243;stata, a terapia de bloqueio androg&#234;nico &#233; uma modalidade consagrada nos pacientes com doen&#231;a metast&#225;tica ou localmente avan&#231;ada, que provavelmente resulta em aumento de sobrevida. No entanto, o bloqueio androg&#234;nico &#233; causador de uma s&#233;rie de consequ&#234;ncias adversas. Complica&#231;&#245;es como osteoporose, disfun&#231;&#227;o sexual, ginecomastia, anemia e altera&#231;&#245;es na composi&#231;&#227;o corporal s&#227;o bem conhecidas. Recentemente, uma s&#233;rie de complica&#231;&#245;es metab&#243;licas foi descrita como aumento da circunfer&#234;ncia abdominal, resist&#234;ncia &#224; insulina, hiperglicemia, diabete, dislipidemia e s&#237;ndrome metab&#243;lica com consequente aumento do risco de eventos coronarianos e mortalidade cardiovascular nessa popula&#231;&#227;o espec&#237;fica. </p>
    <p> Este artigo de atualiza&#231;&#227;o apresenta uma revis&#227;o bibliogr&#225;fica realizada no MEDLINE de toda literatura publicada em ingl&#234;s no per&#237;odo de 1966 at&#233; junho de 2009, com as seguintes palavras-chave: <italic>androgen deprivation therapy</italic>, <italic>androgen supression therapy</italic>, <italic>hormone treatment</italic>, <italic>prostate cancer</italic>, <italic>metabolic syndrome</italic> e <italic>cardiovascular disease</italic>, no intuito de analisar quais seriam os reais riscos cardiovasculares da terapia de depriva&#231;&#227;o androg&#234;nica, tamb&#233;m chamada bloqueio androg&#234;nico, nos pacientes com c&#226;ncer de pr&#243;stata. </p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> Doen&#231;as cardiovasculares, risco, androg&#234;nios/defici&#234;ncia, doen&#231;as do sistema end&#243;crino, horm&#244;nios/defici&#234;ncia.</p>
    <p>
      <bold>Aspectos epidemiol&#243;gicos do c&#226;ncer de pr&#243;stata</bold>
    </p>
    <p>O adenocarcinoma de pr&#243;stata, excluindo-se as neoplasias de pele, apresenta a maior incid&#234;ncia entre todas as neoplasias diagnosticadas no sexo masculino nos EUA, com mais de 218.000 novos casos no ano de 2007, correspondendo a 29% do total de neoplasias<sup>1</sup>. No Brasil, a incid&#234;ncia estimada para 2008 corresponde a 52 casos novos a cada 100 mil homens, com total aproximado de 50 mil novos casos ao ano<sup>2</sup>. Essa incid&#234;ncia vem aumentando continuamente nos &#250;ltimos anos, fato atribu&#237;do principalmente &#224; dosagem do ant&#237;geno prost&#225;tico espec&#237;fico (PSA) de forma rotineira em homens a partir dos 45 anos. &#201; o c&#226;ncer que apresenta maior correla&#231;&#227;o com idade, e acredita-se que, nos EUA, um em cada seis homens receber&#225; o diagn&#243;stico de c&#226;ncer de pr&#243;stata durante a vida<sup>3</sup>.</p>
    <p>Apesar da elevada incid&#234;ncia, as taxas de mortalidade s&#227;o relativamente baixas, com proje&#231;&#227;o de pouco mais de 27.000 mortes nos EUA no ano de 2007, correspondendo a 9% do total de mortes relacionadas a neoplasias. Aproximadamente 86% dos diagn&#243;sticos s&#227;o feitos quando a doen&#231;a ainda se encontra localizada e os &#237;ndices de sobrevida livre de doen&#231;a em cinco anos s&#227;o pr&#243;ximos de 100%<sup>4</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Tratamento do c&#226;ncer de pr&#243;stata: aten&#231;&#227;o para o bloqueio androg&#234;nico</bold>
    </p>
    <p>Com rela&#231;&#227;o ao tratamento, o c&#226;ncer de pr&#243;stata apresenta v&#225;rias possibilidades terap&#234;uticas como radioterapia/braquiterapia, prostatectomia, bloqueio androg&#234;nico e at&#233; mesmo conduta expectante em situa&#231;&#245;es especiais, dependendo do estado cl&#237;nico da doen&#231;a, da avalia&#231;&#227;o de agressividade do tumor, da comorbidades e da expectativa de vida do paciente.</p>
    <p>O bloqueio androg&#234;nico &#233; uma modalidade de tratamento utilizada pela primeira vez por Huggins e Hodges em 1941<sup>5</sup>. Seu efeito baseia-se no fato de as c&#233;lulas neopl&#225;sicas prost&#225;ticas apresentarem uma grande quantidade de receptores de andr&#243;geno na superf&#237;cie e de o crescimento ser dependente da estimula&#231;&#227;o desses receptores. De forma resumida, podemos afirmar que a testosterona &#233; o principal androg&#234;nio circulante, sendo a grande maioria produzida pelas c&#233;lulas de Leydig nos test&#237;culos, ap&#243;s a estimula&#231;&#227;o central pelo horm&#244;nio liberador de gonadotrofina (GNRH) e pelo horm&#244;nio luteinizante (LH) secretados, respectivamente, pelo hipot&#225;lamo e pela hip&#243;fise. Ap&#243;s penetrar na pr&#243;stata, a testosterona &#233; convertida pela 5&#945;-redutase em diidrotestosterona e liga-se a um receptor citoplasm&#225;tico, formando um complexo que modula a transcri&#231;&#227;o nuclear e consequentemente toda a atividade celular<sup>6</sup>. A <xref ref-type="fig" rid="f1">figura 1</xref> ilustra esse eixo hormonal e as medica&#231;&#245;es espec&#237;ficas para bloque&#225;-lo.</p>
    <fig id="f1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-03-0412-00019-gf01.jpg"/></fig>
    <p>O bloqueio androg&#234;nico pode ser realizado por meio dos agonistas de GNRH, antiandrog&#234;nos esteroidais e n&#227;o esteroidais, estr&#243;genos ou orquiectomia bilateral. Nessa revis&#227;o, limitaremo-nos a falar dos agonistas de GNRH e orquiectomia, modalidades consideradas mais eficientes. Agonistas de GNRH como <italic>leuprolide</italic> e <italic>goserelina</italic> causam um bloqueio central na secre&#231;&#227;o de testosterona ao suprimirem a pulsatilidade fisiol&#243;gica da secre&#231;&#227;o do GNRH com consequente regula&#231;&#227;o negativa dos receptores na hip&#243;fise e menor secre&#231;&#227;o de LH. S&#227;o medica&#231;&#245;es de longa dura&#231;&#227;o usadas por meio de inje&#231;&#245;es de dep&#243;sito. A orquiectomia &#233; outra maneira de se inibir a atividade androg&#234;nica e &#233; considerada um procedimento relativamente simples e com poucos riscos, por&#233;m &#233; pouco utilizada em decorr&#234;ncia dos efeitos psicol&#243;gicos no paciente<sup>7</sup>. A metan&#225;lise de dez estudos n&#227;o mostrou diferen&#231;a em sobrevida global, com mortalidade semelhante entre as duas op&#231;&#245;es terap&#234;uticas<sup>8</sup>.</p>
    <p>Inicialmente, o bloqueio foi utilizado apenas em pacientes com doen&#231;a avan&#231;ada (metast&#225;tica), o que comprovadamente melhora a qualidade de vida dos indiv&#237;duos, incluindo redu&#231;&#227;o de dor &#243;ssea, fraturas patol&#243;gicas, compress&#227;o medular e obstru&#231;&#227;o ureteral. Mais recentemente, surgiram estudos que demonstraram aumento de sobrevida em pacientes com doen&#231;a localmente avan&#231;ada (envolvimento extracapsular ou doen&#231;a local de alto risco (PSA &gt; 20, Gleason &gt; 8 ou est&#225;dio T2c) submetidos ao bloqueio androg&#234;nico ap&#243;s tratamento local com radioterapia ou prostatectomia. Tamb&#233;m tem sido indicado, por&#233;m de forma mais controversa, para pacientes com eleva&#231;&#227;o de PSA ap&#243;s tratamento local, mesmo sem evid&#234;ncias de doen&#231;a metast&#225;tica<sup>7</sup>. Portanto, a utiliza&#231;&#227;o do bloqueio androg&#234;nico cresceu consideravelmente na &#250;ltima d&#233;cada.</p>
    <p>
      <bold>Efeitos adversos do bloqueio androg&#234;nico</bold>
    </p>
    <p>Apesar dos benef&#237;cios do bloqueio e de respostas muitas vezes dram&#225;ticas e sustentadas de muitos pacientes, essa forma de tratamento tamb&#233;m os exp&#245;e a uma s&#233;rie de efeitos adversos h&#225; muito tempo conhecidos, como complica&#231;&#245;es esquel&#233;ticas, perda de for&#231;a muscular, perda de libido, disfun&#231;&#227;o er&#233;til, fogachos, anemia e ginecomastia. No entanto, somente em 1990, a partir de um pequeno estudo transversal de Tayek e cols.<sup>9</sup>, surgiram as primeiras evid&#234;ncias dos efeitos delet&#233;rios cardiovasculares desse tipo de tratamento. Nesse estudo, foi demonstrado em seguimento de 12 meses o surgimento de altera&#231;&#245;es metab&#243;licas e nutricionais que consistiam em aumento de peso, da quantidade de gordura corporal e dos n&#237;veis de colesterol total.</p>
    <p>A esse estudo, seguiram-se v&#225;rias publica&#231;&#245;es<sup>10,11</sup> com popula&#231;&#245;es semelhantes que confirmaram ganho de peso, perda de massa magra, aumento de porcentagem de gordura corporal, principalmente &#224;s custas de deposi&#231;&#227;o no tecido subcut&#226;neo. Outros estudos mostraram diminui&#231;&#227;o da complac&#234;ncia arterial, assim como altera&#231;&#245;es metab&#243;licas marcantes<sup>12,13</sup>: aumento dos n&#237;veis de colesterol total, de lipoprote&#237;nas de alta densidade (HDL-colesterol), de liprote&#237;nas de baixa densidade (LDL-colesterol), de triglic&#233;rides, da resist&#234;ncia &#224; insulina e da glicemia. Tamb&#233;m foi demonstrado o aumento da incid&#234;ncia de diabete ap&#243;s o bloqueio<sup>14</sup>.</p>
    <p>
      <bold>S&#237;ndrome metab&#243;lica secund&#225;ria ao bloqueio</bold>
    </p>
    <p>Nos &#250;ltimos anos, demonstrou-se que o hipogonadismo corresponde a um fator de risco independente para o desenvolvimento de s&#237;ndrome metab&#243;lica<sup>15,16</sup> e que o bloqueio androg&#234;nico nada mais &#233; do que um modelo de hipogonadismo produzido intencionalmente, seja de forma cir&#250;rgica ou medicamentosa. Atualmente, essa s&#237;ndrome &#233; definida como um conjunto de m&#250;ltiplos fatores de risco metab&#243;licos que est&#227;o diretamente relacionados ao desenvolvimento de doen&#231;a cardiovascular ateroscler&#243;tica<sup>17</sup>.</p>
    <p>A preval&#234;ncia de s&#237;ndrome metab&#243;lica<sup>18,19</sup> ap&#243;s o bloqueio androg&#234;nico foi estudada recentemente por Braga-Basaria e cols.<sup>20</sup> Eles foram pioneiros ao publicarem um estudo transversal que demonstrou aumento na preval&#234;ncia de s&#237;ndrome metab&#243;lica ap&#243;s um ano de bloqueio androg&#234;nico (22% grupo sem bloqueio para 55% no grupo com bloqueio, p &lt; 0,03). &#201; interessante ressaltar que a s&#237;ndrome metab&#243;lica dos pacientes submetidos ao bloqueio apresenta algumas peculiaridades que diferem da forma classicamente descrita, como o ac&#250;mulo de gordura predominante no subcut&#226;neo e n&#227;o em regi&#227;o visceral e a eleva&#231;&#227;o conjunta dos n&#237;veis de HDL-colesterol e LDL-colesterol. &#201; poss&#237;vel que a s&#237;ndrome metab&#243;lica como descrita habitualmente agrupe diferentes perfis de pacientes e que as altera&#231;&#245;es nos pacientes submetidos ao bloqueio androg&#234;nico constituam um subgrupo espec&#237;fico<sup>21</sup>. Al&#233;m disso, a s&#237;ndrome metab&#243;lica nesses pacientes parece se desenvolver logo no in&#237;cio do tratamento.</p>
    <p>Visando a analisar essas altera&#231;&#245;es metab&#243;licas na popula&#231;&#227;o brasileira portadora de c&#226;ncer de pr&#243;stata, foi realizada uma pesquisa preliminar conjunta entre o Instituto do Cora&#231;&#227;o (InCor) e a Divis&#227;o de Urologia do Hospital das Cl&#237;nicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S&#227;o Paulo, com pacientes com diagn&#243;stico de c&#226;ncer de pr&#243;stata submetidos a bloqueio androg&#234;nico. Tratou-se de um estudo de preval&#234;ncia com 54 pacientes que foram separados em dois grupos: bloqueio recente (menos tr&#234;s meses de tratamento) e bloqueio cr&#244;nico (um ano de tratamento). A preval&#234;ncia de s&#237;ndrome metab&#243;lica no grupo do bloqueio recente foi de 26%, enquanto, no grupo do bloqueio cr&#244;nico, foi de 48%. Assim, tamb&#233;m em nossa popula&#231;&#227;o ocorre um aumento da preval&#234;ncia de s&#237;ndrome metab&#243;lica em pacientes submetidos a bloqueio androg&#234;nico<sup>22,23</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Intera&#231;&#227;o "bloqueio androg&#234;nico <italic>vs</italic> s&#237;ndrome metab&#243;lica <italic>vs</italic> doen&#231;a cardiovascular" em pacientes com c&#226;ncer de pr&#243;stata</bold>
    </p>
    <p>Em vista de todas as altera&#231;&#245;es, in&#250;meras d&#250;vidas surgiram com rela&#231;&#227;o &#224; seguran&#231;a e aos potenciais riscos cardiovasculares inerentes ao bloqueio. Estat&#237;sticas da d&#233;cada passada j&#225; mostravam que as doen&#231;as cardiovasculares s&#227;o a principal causa de morte nos pacientes com c&#226;ncer de pr&#243;stata submetidos ao bloqueio e que essas taxas s&#227;o maiores do que na popula&#231;&#227;o geral<sup>24</sup>. Recentemente, surgiram tr&#234;s publica&#231;&#245;es que ser&#227;o analisadas a seguir, as quais sugerem fortemente o aumento da mortalidade cardiovascular e a frequ&#234;ncia de infarto do mioc&#225;rdio (IM) n&#227;o fatais nesta popula&#231;&#227;o.</p>
    <p>O primeiro foi realizado por Keating e cols.<sup>25</sup>, um estudo observacional com uma popula&#231;&#227;o de mais de 73.000 pacientes com diagn&#243;stico de c&#226;ncer de pr&#243;stata localizado. Desse total, 36% foram submetidos ao bloqueio com agonistas de GNRH, e 6,9%, por meio de orquiectomia. Ap&#243;s seguimento m&#233;dio de 4,6 anos, constatou-se que o uso de agonistas de GNRH estava associado com aumento de 44% do risco de desenvolvimento de diabete, 11% de infarto do mioc&#225;rdio e 16% de morte s&#250;bita. A orquiectomia, por sua vez, foi associada a aumento de 34% do risco de diabete e n&#227;o das doen&#231;as cardiovasculares.</p>
    <p>Outro estudo foi publicado por Tsai e cols.<sup>26</sup>, que, ao analisarem mais de 1.000 pacientes submetidos a bloqueio androg&#234;nico, observaram uma incid&#234;ncia cumulativa de morte cardiovascular em cinco anos de 5,5% naqueles com mais de 65 anos de idade. Essa incid&#234;ncia foi significativamente menor para pacientes sem bloqueio, com risco de 2,0%, e para aqueles com menos de 65 anos, com 3,6% de risco.</p>
    <p>&#201; importante destacar que esses estudos apresentam limita&#231;&#245;es, principalmente por serem retrospectivos, portanto, sem capacidade para controlar outros fatores de risco cardiovasculares. Ainda assim, a diferen&#231;a de mortalidade entre os grupos &#233; muito significativa e sugere um papel do bloqueio nessa diferen&#231;a.</p>
    <p>O terceiro e mais recente estudo foi publicado por D'Amico e cols.<sup>27</sup>, que analisaram a influ&#234;ncia do bloqueio na frequ&#234;ncia e no tempo de desenvolvimento de IM fatal. Esse estudo foi realizado com base na an&#225;lise retrospectiva combinada dos resultados de tr&#234;s ensaios randomizados com bloqueio androg&#234;nico e radioterapia, publicados na Austr&#225;lia, no Canad&#225; e nos Estados Unidos. Observou-se aumento na incid&#234;ncia cumulativa de IM fatal em pacientes com mais de 65 anos, que receberam bloqueio por seis meses em rela&#231;&#227;o &#224;queles que n&#227;o receberam bloqueio. Pacientes que receberam apenas tr&#234;s meses de bloqueio tiveram incid&#234;ncia de IM semelhante &#224;queles submetidos a seis meses de bloqueio, sugerindo que tr&#234;s meses bastariam para causar efeitos cardiovasculares delet&#233;rios. Al&#233;m disso, a ocorr&#234;ncia de IM fatal nos pacientes submetidos a bloqueio tamb&#233;m foi mais precoce que nos sem bloqueio.</p>
    <p>
      <bold>Conclus&#227;o</bold>
    </p>
    <p>Apesar da potencial limita&#231;&#227;o da presente revis&#227;o que restringiu a bibliografia &#224; base de dados do Medline, &#233; cada vez mais evidente que essa modalidade de tratamento acarreta uma s&#233;rie de efeitos colaterais importantes como diabete, dislipidemia, s&#237;ndrome metab&#243;lica e doen&#231;a arterial coronariana, inclusive com aumento dos &#237;ndices de infarto fatal e da mortalidade cardiovascular. Portanto, apesar de efetiva no tratamento de subgrupos espec&#237;ficos de pacientes com c&#226;ncer de pr&#243;stata, a indica&#231;&#227;o deve ser sempre bastante criteriosa e individualizada, visando a tanto minimizar o impacto cardiol&#243;gico como otimizar o benef&#237;cio oncol&#243;gico. &#201; importante tamb&#233;m ressaltar que esses pacientes devem ser monitorizados tanto pelo urologista como pelo cardiologista e devem ser avaliados de forma rotineira, visando ao diagn&#243;stico e ao tratamento precoces dos potenciais efeitos adversos cardiovasculares.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflito de interesses pertinentes.</p>
    <p>
      <bold>Fontes de Financiamento</bold>
    </p>
    <p>O presente estudo n&#227;o teve fontes de financiamento externas.</p>
    <p>
      <bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>N&#227;o h&#225; vincula&#231;&#227;o deste estudo a programas de p&#243;s-gradua&#231;&#227;o.</p>
    <p>
      <fn id="back" fn-type="corresp">
        <p>Correspond&#234;ncia:</p>
        <p> Carlos V. Serrano Jr. </p>
        <p> Av. En&#233;as Carvalho de Aguiar - Bloco II, 2 Andar, Sala 12 </p>
        <p> 05403-000 - S&#227;o Paulo, SP - Brasil </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="carlos.serrano@incor.usp.br">carlos.serrano@incor.usp.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 06/08/09; revisado recebido em 15/03/10; aceito em 27/04/10.</p>
  </body>
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          <article-title>Association between androgen-deprivation therapy and incidence of diabetes among males with prostate cancer</article-title>
          <source>Urology</source>
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          <article-title>Diabetes and cardiovascular disease during androgen deprivation therapy for prostate cancer</article-title>
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          <article-title>Androgen deprivation therapy for localized prostate cancer and the risk of cardiovascular mortality</article-title>
          <source>J Natl Cancer Inst</source>
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        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>Influence of androgen suppression therapy for prostate cancer on the frequency and timing of fatal myocardial infarctions</article-title>
          <source>J Clin Oncol</source>
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            <year>2007</year>
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        </element-citation>
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  </back>
  <sub-article article-type="translation" id="TRen" xml:lang="en">
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      <article-categories>
        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Review Update</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Cardiovascular risks of androgen deprivation therapy</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>Prostate adenocarcinoma is the most common cancer type in the male sex after skin cancer. Among the several types of treatment for prostate cancer, the androgen deprivation therapy has been highly recommended in patients with metastatic or locally advanced disease, which probably results in increased survival. However, the androgen deprivation is the cause of several adverse effects. Complications such as osteoporosis, sexual dysfunction, gynecomastia, anemia and body composition alterations are well-known effects of the therapy. Recently, a number of metabolic complications have been described, such as increase in the abdominal circumference, insulin resistance, hyperglycemia, diabetes, dyslipidemia and metabolic syndrome, with a consequent increase in the risk of coronary events and cardiovascular mortality in this specific population. This update article presents a literature review carried out at MEDLINE database of all literature published in English from 1966 to June 2009, using the following key words: androgen deprivation therapy, androgen suppression therapy, hormone treatment, prostate cancer, metabolic syndrome and cardiovascular disease, with the objective of analyzing which would be the actual cardiovascular risks of androgen deprivation therapy, also called androgen suppression, in patients with prostate cancer.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Cardiovascular diseases</kwd>
        <kwd>risk</kwd>
        <kwd>androgens</kwd>
        <kwd>endocrine system diseases</kwd>
        <kwd>hormones</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>REVIEW ARTICLE</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="top-body2">
          <label>
            <bold>Cardiovascular risks of androgen deprivation therapy</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Adriano Freitas Ribeiro; C&#233;sar Camara; Carlos Alexandre Segre; Miguel Srougi; Carlos V. Serrano Jr.</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p><sup>I</sup>Instituto do Cora&#231;&#227;o (InCor) do Hospital das Cl&#237;nicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S&#227;o Paulo, S&#227;o Paulo, SP - Brazil</p>
      <p><sup>II</sup>Divis&#227;o de Urologia do Hospital das Cl&#237;nicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S&#227;o Paulo, S&#227;o Paulo, SP - Brazil</p>
      <p>Mailing address</p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p>Prostate adenocarcinoma is the most common cancer type in the male sex after skin cancer. Among the several types of treatment for prostate cancer, the androgen deprivation therapy has been highly recommended in patients with metastatic or locally advanced disease, which probably results in increased survival. However, the androgen deprivation is the cause of several adverse effects. Complications such as osteoporosis, sexual dysfunction, gynecomastia, anemia and body composition alterations are well-known effects of the therapy. Recently, a number of metabolic complications have been described, such as increase in the abdominal circumference, insulin resistance, hyperglycemia, diabetes, dyslipidemia and metabolic syndrome, with a consequent increase in the risk of coronary events and cardiovascular mortality in this specific population.</p>
      <p> This update article presents a literature review carried out at MEDLINE database of all literature published in English from 1966 to June 2009, using the following key words: androgen deprivation therapy, androgen suppression therapy, hormone treatment, prostate cancer, metabolic syndrome and cardiovascular disease, with the objective of analyzing which would be the actual cardiovascular risks of androgen deprivation therapy, also called androgen suppression, in patients with prostate cancer.</p>
      <p><bold>Key words:</bold> Cardiovascular diseases; risk; androgens/deficiency; endocrine system diseases; hormones/deficiency.</p>
      <p>
        <bold>Epidemiological aspects of prostate cancer</bold>
      </p>
      <p>Prostate adenocarcinoma, with the exception of skin cancer, presents the highest incidence among all cancer types diagnosed in the male sex in the USA, with more than 218,000 new cases diagnosed in the year 2007, corresponding to 29% of all neoplasias<sup>1</sup>. In Brazil, the estimated incidence for 2008 corresponds to 52 new cases for every 100,000 male individuals, with an approximate total number of 50,000 new cases diagnosed a year<sup>2</sup>. This incidence has been progressively increasing in the last years, a fact attributed mainly to the routine measurement of the prostate-specific antigen (PSA) in males aged 45 years and older. This type of cancer presents the highest correlation with age and it is believed, in the USA, that one in every six men will be diagnosed with prostate cancer in his lifetime<sup>3</sup>.</p>
      <p>In spite of the high incidence, the mortality rates are relatively low, with a projected number of deaths of little more than 27,000 in the USA in the year 2007, corresponding to 9% of the total number of cancer-related deaths. Approximately 86% of the diagnoses are attained when the disease is still localized and the disease-free five-year survival rate is close to 100%<sup>4</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Prostate cancer treatment: attention to androgen deprivation</bold>
      </p>
      <p>Regarding the treatment, prostate cancer presents several therapeutic possibilities, such as radiotherapy/brachytherapy, prostatectomy, androgen deprivation therapy and even an expectant conduct in special situations, depending on the clinical stage of the disease, tumor aggressiveness assessment, the presence of comorbidities and the patient's life expectancy.</p>
      <p>Androgen deprivation therapy was first used by Huggins and Hodges in 1941<sup>5</sup>. Its effect is based on the fact that the prostatic neoplastic cells present a large number of androgen receptors on their surface and that their growth depends on the stimulation of these receptors. In brief, we can affirm that testosterone is the main circulating androgen and most of it is produced by Leydig cells in the testes, after central stimulation by the gonadotropin-releasing hormone (GnRH) and the luteinizing hormone (LH), which are secreted by the hypothalamus and the pituitary, respectively. After entering the prostate, testosterone is converted by 5&#945;-reductase into dihydrotestosterone and binds to a cytoplasmic receptor, forming a complex that modulates the nuclear transcription and consequently, all cell activity<sup>6</sup>. The figure below illustrates this hormonal axis and the specific mediations used to block it (<xref ref-type="fig" rid="f1-body2">Figure 1</xref>).</p>
      <fig id="f1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-03-0412-00019-gf01-en.jpg"/></fig>
      <p>The androgen deprivation can be attained through GnRH agonists, steroidal and nonsteroidal antiandrogens, estrogens or bilateral orchiectomy. This review will cover only GnRH agonists and orchiectomy, the modalities considered to be the most efficient ones. GnRH agonists such as leuprolide and goserelin result in a central deprivation of testosterone secretion by suppressing the physiological pulsatility of GnRH secretion, with a consequent negative regulation of the pituitary receptors and lower LH secretion. These are long-acting medications administered by depot-injections. The orchiectomy is another form to inhibit androgen activity and is considered a relatively simple procedure with few risks; however, it is seldom used, due to the psychological effects on the patient<sup>7</sup>. The meta-analysis of ten studies did not show any difference in global survival, with similar mortality rates between the two therapeutic options<sup>8</sup>.</p>
      <p>Initially, the deprivation was used only in patients with advanced (metastatic) disease, which has been shown to improve the individuals' quality of life, including the decrease in bone pain, pathological fractures, spinal cord compression and uretheral obstruction. More recently, studies have demonstrated an increase in survival in patients with localized advanced disease (extracapsular involvement or high-risk local disease -PSA&gt;20, Gleason&gt;8 or stage T2c) submitted to androgen deprivation after local treatment with radiotherapy or prostatectomy. It has also been indicated, although more controversially, for patients with PSA elevation after local treatment, even without evidence of metastatic disease<sup>7</sup>. Therefore, the use of androgen deprivation therapy has increased considerably in the last decade.</p>
      <p>
        <bold>Adverse effects of androgen deprivation</bold>
      </p>
      <p>In spite of the benefits of the deprivation therapy and the very often dramatic and sustained responses presented by many patients, this type of treatment also exposes them to several adverse effects that have been long acknowledged, such as skeletal complications, loss of muscular strength, loss of libido, erectile dysfunction, hot flashes, anemia and gynecomastia. However, it was only in 1990, after a small cross-sectional study by Tayek et al<sup>9</sup>, that the first evidence of the deleterious cardiovascular effects of this type of treatment were disclosed. This study demonstrated, during a 12-month follow-up, the onset of metabolic and nutritional alterations that comprised increase in body weight, body fat and total cholesterol levels.</p>
      <p>Several publications followed this first study<sup>10,11</sup>, with similar populations, which confirmed the weight gain, loss of lean mass, increase in body fat percentage, mainly at the cost of fat deposits in the subcutaneous tissue. Other studies have shown a decrease in arterial compliance<sup>14</sup>, as well as significant metabolic alterations<sup>11,12,13</sup>: increase in the levels of total cholesterol, high-density lipoprotein (HDL-cholesterol), triglycerides, increase in insulin resistance and glycemia. The increase in the incidence of diabetes after the deprivation therapy has also been demonstrated<sup>14</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Metabolic syndrome secondary to the hormonal deprivation</bold>
      </p>
      <p>In recent years, it has been demonstrated that hypogonadism is an independent risk factor for the development of metabolic syndrome<sup>15,16</sup> and that the androgen deprivation is nothing more than a model of hypogonadism that was purposely produced, either by surgery or drug-induced. Currently, this syndrome is defined as a set of multiple metabolic risk factors that are directly related to the development of atherosclerotic cardiovascular disease<sup>17</sup>.</p>
      <p>The prevalence of metabolic syndrome<sup>18,19</sup> after androgen deprivation was recently studied by Braga-Basaria et al<sup>20</sup> They were the pioneers when they published a cross-sectional study that demonstrated an increase in the prevalence of metabolic syndrome after one year of androgen deprivation (22% in the group without deprivation <italic>vs</italic> 55% in the group with deprivation, que demonstrou p &lt; 0.03). It is noteworthy the fact that the metabolic syndrome presented by patients submitted to androgen deprivation has some especial features that differ from the classically described form, such as the predominant accumulation of subcutaneous fat, rather than visceral fat accumulation and the concomitant increase in HDL-cholesterol and LDL-cholesterol levels. It is possible that the metabolic syndrome, as usually described, encompasses different patient profiles and that the alterations seen in patients submitted to androgen deprivation constitute a specific subgroup<sup>21</sup>. Moreover, the metabolic syndrome in these patients seems to develop early at the beginning of the treatment.</p>
      <p>Aiming at the analysis of these metabolic alterations in the Brazilian population with prostate cancer, a preliminary joint study was carried out by <italic>Instituto do Cora&#231;&#227;o</italic> (The Heart Institute) and the Division of Urology of <italic>Hospital das Cl&#237;nicas</italic> of <italic>Faculdade de Medicina da Universidade de S&#227;o Paulo</italic>, enrolling patients with a diagnosis of prostate cancer submitted to androgen deprivation. This was a prevalence study of 54 patients that were divided in two groups: recent deprivation (less than three months of treatment) and chronic deprivation (one year of treatment). The prevalence of metabolic syndrome in the recent deprivation group was 26%, whereas the chronic deprivation group presented a prevalence of 48%. Therefore, in our population, there is an increase in the prevalence of metabolic syndrome in patients submitted to androgen deprivation<sup>22,23</sup>.</p>
      <p>
        <bold>The interaction "androgen deprivation" <italic>vs</italic> metabolic syndrome <italic>vs</italic> cardiovascular disease in patients with prostate cancer</bold>
      </p>
      <p>Considering all the alterations, several doubts have surfaced regarding the safety and potential cardiovascular risks that are inherent to the deprivation therapy. Statistical data from the last decade already showed that cardiovascular diseases are the main cause of death in patients with prostate cancer submitted to hormonal deprivation and that these rates are higher than those found in the general population<sup>24</sup>. Recently, three studies that have been published, which will be analyzed next, have strongly suggested an increase in the cardiovascular mortality, as well as an increase in the frequency of nonfatal myocardial infarction (MI) in this population.</p>
      <p>The first study, carried out by Keating et al<sup>25</sup>, was an observational study of population that comprised more than 73,000 patients with a diagnosis of localized prostate cancer. Of this total, 36% were submitted to hormonal deprivation with GnRH agonists and 6.9% through orchiectomy. After a mean follow-up of 4.6 years, it was observed that the use of GnRH agonists was associated with a 44% increase in the risk of developing diabetes, 11% increase in the risk of myocardial infarction and 16% increase in the risk of sudden death. Orchiectomy, on the other hand, was associated with a 34% increase in the risk of developing diabetes and was not associated with an increase in the risk of cardiovascular diseases. Another study, published by Tsai et al<sup>26</sup>, analyzed more than 1,000 patients submitted to androgen deprivation and observed a cumulative five-year incidence of cardiovascular death of 5.5% in those older than 65 years. This incidence was significantly lower for patients without deprivation, with a 2.0% risk for those older than 65 and 3.6% for those younger than 65 years.</p>
      <p>It is important to mention that these studies present limitations, mainly the fact that they are retrospective studies, and thus, lack the capacity to control other cardiovascular risk factors. Nevertheless, the difference in mortality between the groups is very significant and suggests a role of the deprivation in this difference.</p>
      <p>The third and more recent study was published by D'Amico et al<sup>27</sup>, quewho analyzed the influence of the deprivation on the frequency and time of development of fatal MI. This study was carried out based on the combined retrospective analysis of the results of three randomized trials with androgen deprivation and radiotherapy, published in Australia, Canada and United States. An increase in the cumulative incidence of fatal MI was observed in patients older than 65 years that were submitted to deprivation, in comparison with those that were not submitted to deprivation. Patients that were submitted to only three months of deprivation therapy presented an incidence of MI similar to that observed in those submitted to a six-month therapy, suggesting that a three-month treatment period is enough to cause deleterious cardiovascular effects. Moreover, the occurrence of fatal MI in patients submitted to deprivation had an earlier onset than in those without deprivation therapy.</p>
      <p>
        <bold>Conclusion</bold>
      </p>
      <p>In spite of the potential limitation of the present review that restricted the bibliography to the Medline database, it is increasingly evident that this modality of treatment results in several important side effects, such as diabetes, dyslipidemia, metabolic syndrome and coronary artery disease, including the increase in the rate of fatal infarctions and cardiovascular mortality. Therefore, although it is effective in the treatment of specific subgroups of patients with prostate cancer, the indication must always be judiciously made and individualized for each patient, aiming at minimizing the cardiologic impact as well as optimizing the oncologic benefit. It is also worth mentioning that these patients must be monitored by both the urologist and the cardiologist and must be routinely evaluated, with the objective of attaining the early diagnosis and treatment of the potentially adverse cardiovascular effects.</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>Sources of Funding</bold>
      </p>
      <p>There were no external funding sources for this study.</p>
      <p>
        <bold>Study Association</bold>
      </p>
      <p>This study is not associated with any post-graduation program.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
  <sub-article article-type="translation" id="TRes" xml:lang="es">
    <front-stub>
      <article-categories/>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="es">Riesgos cardiovasculares del bloqueo androg&#233;nico</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="es">
        <p>El adenocarcinoma de pr&#243;stata es el c&#225;ncer m&#225;s com&#250;n en el sexo masculino despu&#233;s del c&#225;ncer de piel. Entre las varias formas de tratamiento del c&#225;ncer de pr&#243;stata, la terapia de bloqueo androg&#233;nico es una modalidad consagrada en los pacientes con enfermedad metast&#225;sica o localmente avanzada, que probablemente resulta en aumento de sobrevida. Mientras tanto, el bloqueo androg&#233;nico es causante de una serie de consecuencias adversas. Complicaciones como osteoporosis, disfunci&#243;n sexual, ginecomastia, anemia y alteraciones en la composici&#243;n corporal son bien conocidas. Recientemente, una serie de complicaciones metab&#243;licas fue descripta como aumento de la circunferencia abdominal, resistencia a la insulina, hiperglicemia, diabetes, dislipidemia y s&#237;ndrome metab&#243;lico con consecuente aumento del riesgo de eventos coronarios y mortalidad cardiovascular en esa poblaci&#243;n espec&#237;fica. Este art&#237;culo de actualizaci&#243;n presenta una revisi&#243;n bibliogr&#225;fica realizada en el MEDLINE de toda literatura publicada en ingl&#233;s en el per&#237;odo de 1966 hasta junio de 2009, con las siguientes palabras-clave: androgen deprivation therapy, androgen supression therapy, hormone treatment, prostate cancer, metabolic syndrome y cardiovascular disease, con el prop&#243;sito de analizar cuales ser&#237;an los reales riesgos cardiovasculares de la terapia de deprivaci&#243;n androg&#233;nica, tambi&#233;n llamada bloqueo androg&#233;nico, en los pacientes con c&#225;ncer de pr&#243;stata.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="es">
        <kwd>Enfermedades cardiovasculares</kwd>
        <kwd>riesgo</kwd>
        <kwd>andr&#243;genos</kwd>
        <kwd>enfermedades del sistema end&#243;crino</kwd>
        <kwd>hormonas</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>ART&#205;CULO DE REVISI&#211;N</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="top-body3">
          <label>
            <bold>Riesgos cardiovasculares del bloqueo androg&#233;nico</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Adriano Freitas Ribeiro; C&#233;sar Camara; Carlos Alexandre Segre; Miguel Srougi; Carlos V. Serrano Jr.</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p><sup>I</sup>Instituto do Cora&#231;&#227;o (InCor) do Hospital das Cl&#237;nicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S&#227;o Paulo, S&#227;o Paulo, SP - Brasil</p>
      <p><sup>II</sup>Divis&#227;o de Urologia do Hospital das Cl&#237;nicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S&#227;o Paulo, S&#227;o Paulo, SP - Brasil</p>
      <p>Correspondencia</p>
      <p>
        <bold>RESUMEN</bold>
      </p>
      <p>El adenocarcinoma de pr&#243;stata es el c&#225;ncer m&#225;s com&#250;n en el sexo masculino despu&#233;s del c&#225;ncer de piel. Entre las varias formas de tratamiento del c&#225;ncer de pr&#243;stata, la terapia de bloqueo androg&#233;nico es una modalidad consagrada en los pacientes con enfermedad metast&#225;sica o localmente avanzada, que probablemente resulta en aumento de sobrevida. Mientras tanto, el bloqueo androg&#233;nico es causante de una serie de consecuencias adversas. Complicaciones como osteoporosis, disfunci&#243;n sexual, ginecomastia, anemia y alteraciones en la composici&#243;n corporal son bien conocidas. Recientemente, una serie de complicaciones metab&#243;licas fue descripta como aumento de la circunferencia abdominal, resistencia a la insulina, hiperglicemia, diabetes, dislipidemia y s&#237;ndrome metab&#243;lico con consecuente aumento del riesgo de eventos coronarios y mortalidad cardiovascular en esa poblaci&#243;n espec&#237;fica.</p>
      <p> Este art&#237;culo de actualizaci&#243;n presenta una revisi&#243;n bibliogr&#225;fica realizada en el MEDLINE de toda literatura publicada en ingl&#233;s en el per&#237;odo de 1966 hasta junio de 2009, con las siguientes palabras-clave: <italic>androgen deprivation therapy</italic>, <italic>androgen supression therapy</italic>, <italic>hormone treatment</italic>, <italic>prostate cancer</italic>, <italic>metabolic syndrome</italic> y <italic>cardiovascular disease</italic>, con el prop&#243;sito de analizar cuales ser&#237;an los reales riesgos cardiovasculares de la terapia de deprivaci&#243;n androg&#233;nica, tambi&#233;n llamada bloqueo androg&#233;nico, en los pacientes con c&#225;ncer de pr&#243;stata.</p>
      <p><bold>Palabras clave: </bold> Enfermedades cardiovasculares, riesgo, andr&#243;genos/deficiencia, enfermedades del sistema end&#243;crino, hormonas/deficiencia.</p>
      <p>
        <bold>Aspectos epidemiol&#243;gicos del c&#225;ncer de pr&#243;stata</bold>
      </p>
      <p>El adenocarcinoma de pr&#243;stata, excluyendo las neoplasias de piel, presenta la mayor incidencia entre todas las neoplasias diagnosticadas en el sexo masculino en los EUA, con m&#225;s de 218.000 nuevos casos en el a&#241;o 2007, correspondiendo a 29% del total de neoplasias<sup>1</sup>. En el Brasil, la incidencia estimada para 2008 corresponde a 52 casos nuevos cada 100 mil hombres, con un total aproximado de 50 mil nuevos casos al a&#241;o<sup>2</sup>. Esa incidencia viene aumentando continuamente en los &#250;ltimos a&#241;os, hecho atribuido principalmente al dosaje del ant&#237;geno prost&#225;tico espec&#237;fico (PSA) de forma rutinaria en hombres a partir de los 45 a&#241;os. Es el c&#225;ncer que presenta mayor correlaci&#243;n con edad, y se cree que, en los EUA, uno de cada seis hombres recibir&#225; el diagn&#243;stico de c&#225;ncer de pr&#243;stata durante la vida<sup>3</sup>.</p>
      <p>A pesar de la elevada incidencia, las tasas de mortalidad son relativamente bajas, con proyecci&#243;n de poco m&#225;s de 27.000 muertes en los EUA en el a&#241;o de 2007, correspondiendo a 9% del total de muertes relacionadas a neoplasias. Aproximadamente 86% de los diagn&#243;sticos son hechos cuando la enfermedad aun se encuentra localizada y los &#237;ndices de sobrevida libre de enfermedad en cinco a&#241;os son pr&#243;ximos a 100%<sup>4</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Tratamiento del c&#225;ncer de pr&#243;stata: atenci&#243;n al el bloqueo androg&#233;nico</bold>
      </p>
      <p>Con relaci&#243;n al tratamiento, el c&#225;ncer de pr&#243;stata presenta varias posibilidades terap&#233;uticas como radioterapia/braquiterapia, prostatectom&#237;a, bloqueo androg&#233;nico y hasta aun conducta expectante en situaciones especiales, dependiendo del estado cl&#237;nico de la enfermedad, de la evaluaci&#243;n de agresividad del tumor, de las comorbilidades y de la expectativa de vida del paciente.</p>
      <p>El bloqueo androg&#233;nico es una modalidad de tratamiento utilizada por primera vez por <italic>Huggins</italic> y <italic>Hodges</italic> en 1941<sup>5</sup>. Su efecto se basa en el hecho de que las c&#233;lulas neopl&#225;sicas prost&#225;ticas presentan una gran cantidad de receptores de andr&#243;geno en la superficie y deque el crecimiento depende de la estimulaci&#243;n de esos receptores. De forma resumida, podemos afirmar que la testosterona es el principal andr&#243;geno circulante, siendo la gran mayor&#237;a producida por las c&#233;lulas de Leydig en los test&#237;culos, despu&#233;s de la estimulaci&#243;n central por la hormona liberadora de gonadotrofina (GNRH) y por la hormona luteinizante (LH) secretadas, respectivamente, por el hipot&#225;lamo y por la hip&#243;fisis. Despu&#233;s de penetrar en la pr&#243;stata, la testosterona es convertida por la 5&#945;-reductasa en dihidrotestosterona y se liga a un receptor citoplasm&#225;tico, formando un complejo que modula la transcripci&#243;n nuclear y consecuentemente toda la actividad celular<sup>6</sup>. La figura abajo ilustra ese eje hormonal y las medicaciones espec&#237;ficas para bloquearlo (<xref ref-type="fig" rid="f1-body3">Figura 1</xref>).</p>
      <fig id="f1-body3">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-03-0412-00019-gf01-es.jpg"/></fig>
      <p>El bloqueo androg&#233;nico puede ser realizado por medio de los agonistas de GNRH, antiandr&#243;genos esteroides y no esteroides, estr&#243;genos u orquiectom&#237;a bilateral. En esa revisi&#243;n, nos limitaremos a hablar de los agonistas de GNRH y orquiectom&#237;a, modalidades consideradas m&#225;s eficientes. Agonistas de GNRH como <italic>leuprolide</italic> y <italic>goserelina</italic> causam un bloqueo central en la secreci&#243;n de testosterona al suprimir la pulsatilidad fisiol&#243;gica de la secreci&#243;n del GNRH con consecuente regulaci&#243;n negativa de los receptores en la hip&#243;fisis y menor secreci&#243;n de LH. Son medicaciones de larga duraci&#243;n usadas por medio de inyecciones de dep&#243;sito. La orquiectom&#237;a es otra manera de inhibir la actividad androg&#233;nica y es considerada un procedimiento relativamente simple y con pocos riesgos, sin embargo es poco utilizada como por consecuencia de los efectos psicol&#243;gicos en el paciente<sup>7</sup>. El metan&#225;lisis de diez estudios no mostr&#243; diferencia en sobrevida global, con mortalidad semejante entre las dos opciones terap&#233;uticas<sup>8</sup>.</p>
      <p>Inicialmente, el bloqueo fue utilizado apenas en pacientes con enfermedad avanzada (metast&#225;sica), lo que comprobadamente mejora la calidad de vida de los individuos, incluyendo reducci&#243;n de dolor &#243;seo, fracturas patol&#243;gicas, compresi&#243;n medular y obstrucci&#243;n uretral. M&#225;s recientemente, surgieron estudios que demostraron aumento de sobrevida en pacientes con enfermedad localmente avanzada (envolvimiento extracapsular o enfermedad local de alto riesgo (PSA&gt;20, Gleason&gt;8 o estadio T2c) sometidos al bloqueo androg&#233;nico despu&#233;s de tratamiento local con radioterapia o prostatectom&#237;a. Tambi&#233;n ha sido indicado, aunque de forma m&#225;s controvertida, para pacientes con elevaci&#243;n de PSA despu&#233;s de tratamiento local, aun sin evidencias de enfermedad metast&#225;tica<sup>7</sup>. Por lo tanto, la utilizaci&#243;n del bloqueo androg&#233;nico creci&#243; considerablemente en la &#250;ltima d&#233;cada.</p>
      <p>
        <bold>Efectos adversos del bloqueo androg&#233;nico</bold>
      </p>
      <p>A pesar de los beneficios del bloqueo y de respuestas muchas veces dram&#225;ticas y sostenidas de muchos pacientes, esa forma de tratamiento tambi&#233;n los expone a una serie de efectos adversos conocidos hace mucho tiempo como complicaciones esquel&#233;ticas, p&#233;rdida de fuerza muscular, p&#233;rdida de libido, disfunci&#243;n er&#233;ctil, calores, anemia y ginecomastia. Mientras tanto, solamente en 1990, a partir de un peque&#241;o estudio transversal de Tayek et al<sup>9</sup>, surgieron las primeras evidencias de los efectos delet&#233;reos cardiovasculares de ese tipo de tratamiento. En ese estudio, fue demostrado en seguimiento de 12 meses el surgimiento de alteraciones metab&#243;licas y nutricionales que consist&#237;an en aumento de peso, de la cantidad de grasa corporal y de los niveles de colesterol total.</p>
      <p>A ese estudio, siguieron varias publicaciones<sup>10,11</sup> con poblaciones semejantes que confirmaron aumento de peso, p&#233;rdida de masa magra, aumento de porcentaje de grasa corporal, principalmente a costas de deposici&#243;n en el tejido subcut&#225;neo. Otros estudios mostraron disminuci&#243;n de la complacencia arterial, as&#237; como alteraciones metab&#243;licas claras<sup>12,13</sup>: aumento de los niveles de colesterol total, de lipoprote&#237;nas de alta densidad (HDL-colesterol), de liprote&#237;nas de baja densidad (LDL-colesterol), de triglic&#233;ridos, de la resistencia a la insulina y de la glicemia. Tambi&#233;n fue demostrado el aumento de la incidencia de diabetes despu&#233;s del bloqueo<sup>14</sup>.</p>
      <p>
        <bold>S&#237;ndrome metab&#243;lico secundario al bloqueo</bold>
      </p>
      <p>En los &#250;ltimos a&#241;os, se demostr&#243; que el hipogonadismo corresponde a un factor de riesgo independiente para el desarrollo de s&#237;ndrome metab&#243;lico<sup>15,16</sup> y que el bloqueo androg&#233;nico es nada m&#225;s que un modelo de hipogonadismo producido intencionalmente, sea de forma quir&#250;rgica o medicamentosa. Actualmente, ese s&#237;ndrome es definido como un conjunto de m&#250;ltiples factores de riesgo metab&#243;licos que est&#225;n directamente relacionados al desarrollo de enfermedad cardiovascular ateroscler&#243;tica<sup>17</sup>.</p>
      <p>La prevalencia de s&#237;ndrome metab&#243;lico<sup>18,19</sup> despu&#233;s del bloqueo androg&#233;nico fue estudiada recientemente por Braga-Basaria et al<sup>20</sup> Ellos fueron pioneros al publicar un estudio transversal que demostr&#243; aumento en la prevalencia de s&#237;ndrome metab&#243;lico despu&#233;s de un a&#241;o de bloqueo androg&#233;nico (22% grupo sin bloqueo para 55% en el grupo con bloqueo, p&lt;0.03). Es interesante resaltar que el s&#237;ndrome metab&#243;lico de los pacientes sometidos al bloqueo presenta algunas peculiaridades que difieren de la forma cl&#225;sicamente descripta, como la acumulaci&#243;n de grasa predominante en el subcut&#225;neo y no en regi&#243;n visceral y la elevaci&#243;n conjunta de los niveles de HDL-colesterol y LDL-colesterol. Es posible que el s&#237;ndrome metab&#243;lico como es descripto habitualmente agrupe diferentes perfiles de pacientes y que las alteraciones en los pacientes sometidos al bloqueo androg&#233;nico constituyan un subgrupo espec&#237;fico<sup>21</sup>. Adem&#225;s de eso, el s&#237;ndrome metab&#243;lico en esos pacientes parece desarrollarse luego en el comienzo del tratamiento.</p>
      <p>Buscando analizar esas alteraciones metab&#243;licas en la poblaci&#243;n brasile&#241;a portadora de c&#225;ncer de pr&#243;stata, fue realizada una investigaci&#243;n preliminar conjunta entre el <italic>Instituto do Cora&#231;&#227;o</italic> (InCor) y la Divisi&#243;n de Urolog&#237;a del Hospital de las Cl&#237;nicas de la Facultad de Medicina de la Universidad de S&#227;o Paulo, con pacientes con diagn&#243;stico de c&#225;ncer de pr&#243;stata sometidos a bloqueo androg&#233;nico. Se trat&#243; de un estudio de prevalencia con 54 pacientes que fueron separados en dos grupos: bloqueo reciente (menos de tres meses de tratamiento) y bloqueo cr&#243;nico (un a&#241;o de tratamiento). La prevalencia de s&#237;ndrome metab&#243;lico en el grupo del bloqueo reciente fue de 26%, mientras que, en el grupo del bloqueo cr&#243;nico, fue de 48%. As&#237;, tambi&#233;n en nuestra poblaci&#243;n ocurre un aumento de la prevalencia de s&#237;ndrome metab&#243;lico en pacientes sometidos a bloqueo androg&#233;nico<sup>22,23</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Interacci&#243;n "bloqueo androg&#233;nico <italic>vs</italic> s&#237;ndrome metab&#243;lico <italic>vs</italic> enfermedad cardiovascular" en pacientes con c&#225;ncer de pr&#243;stata</bold>
      </p>
      <p>En vista de todas las alteraciones, inn&#250;meras dudas surgieron con relaci&#243;n a la seguridad y a los potenciales riesgos cardiovasculares inherentes al bloqueo. Estad&#237;sticas de la d&#233;cada pasada ya mostraban que las enfermedades cardiovasculares son la principal causa de muerte en los pacientes con c&#225;ncer de pr&#243;stata sometidos al bloqueo y que esas tasas son mayores que en la poblaci&#243;n geral<sup>24</sup>. Recientemente, surgieron tres publicaciones que ser&#225;n analizadas a continuaci&#243;n, las cuales sugieren fuertemente el aumento de la mortalidad cardiovascular y la frecuencia de infarto de miocardio (IM) no fatales en esta poblaci&#243;n.</p>
      <p>El primero fue realizado por Keating et al<sup>25</sup>, un estudio de observaci&#243;n con una poblaci&#243;n de m&#225;s de 73.000 pacientes con diagn&#243;stico de c&#225;ncer de pr&#243;stata localizado. De ese total, 36% fueron sometidos al bloqueo con agonistas de GNRH, y 6,9%, por medio de orquiectom&#237;a. Despu&#233;s de seguimiento medio de 4,6 a&#241;os, se constat&#243; que el uso de agonistas de GNRH estaba asociado al aumento de 44% del riesgo de desarrollo de diabetes, 11% de infarto de miocardio y 16% de muerte s&#250;bita. La orquiectom&#237;a, a su vez, fue asociada a aumento de 34% del riesgo de diabetes y no de las enfermedades cardiovasculares.</p>
      <p>Otro estudio fue publicado por Tsai et al<sup>26</sup>, que, al analizar m&#225;s de 1.000 pacientes sometidos a bloqueo androg&#233;nico, observaron una incidencia acumulativa de muerte cardiovascular en cinco a&#241;os de 5,5% en aquellos con m&#225;s de 65 a&#241;os de edad. Esa incidencia fue significativamente menor para pacientes sin bloqueo, con riesgo de 2,0%, y para aquellos con menos de 65 a&#241;os, con 3,6% de riesgo.</p>
      <p>Es importante destacar que esos estudios presentan limitaciones, principalmente por ser retrospectivos, por lo tanto, sin capacidad para controlar otros factores de riesgo cardiovasculares. Aun as&#237;, la diferencia de mortalidad entre los grupos es muy significativa y sugiere un papel del bloqueo en esa diferencia.</p>
      <p>El tercer y m&#225;s reciente estudio fue publicado por D'Amico et al<sup>27</sup>, que analizaron la influencia del bloqueo en la frecuencia y en el tiempo de desarrollo de IM fatal. Ese estudio fue realizado con base en el an&#225;lisis retrospectivo combinado de los resultados de tres ensayos randomizados con bloqueo androg&#233;nico y radioterapia, publicados en Australia, en Canad&#225; y en los Estados Unidos. Se observ&#243; aumento en la incidencia acumulativa de IM fatal en pacientes con m&#225;s de 65 a&#241;os, que recibieron bloqueo por seis meses en relaci&#243;n a aquellos que no recibieron bloqueo. Pacientes que recibieron apenas tres meses de bloqueo tuvieron incidencia de IM semejante a aquellos sometidos a seis meses de bloqueo, sugiriendo que tres meses bastar&#237;an para causar efectos cardiovasculares delet&#233;reos. Adem&#225;s de eso, la ocurrencia de IM fatal en los pacientes sometidos a bloqueo tambi&#233;n fue m&#225;s precoz que en los sin bloqueo.</p>
      <p>
        <bold>Conclusi&#243;n</bold>
      </p>
      <p>A pesar de la potencial limitaci&#243;n de la presente revisi&#243;n que restringi&#243; la bibliograf&#237;a a la base de dados del Medline, es cada vez m&#225;s evidente que esa modalidad de tratamiento acarrea una serie de efectos colaterales importantes como diabetes, dislipidemia, s&#237;ndrome metab&#243;lica y enfermedad arterial coronaria, inclusive con aumento de los &#237;ndices de infarto fatal y de la mortalidad cardiovascular. Por tanto, a pesar de efectiva en el tratamiento de subgrupos espec&#237;ficos de pacientes con c&#225;ncer de pr&#243;stata, la indicaci&#243;n debe ser siempre bastante criteriosa y individualizada, buscando tanto minimizar el impacto cardiol&#243;gico como optimizar el beneficio oncol&#243;gico. Es importante tambi&#233;n resaltar que esos pacientes deben ser monitoreados tanto por el ur&#243;logo como por el cardi&#243;logo y deben ser evaluados de forma rutinaria, procurando el diagn&#243;stico y tratamiento precoces de los potenciales efectos adversos cardiovasculares.</p>
      <p>
        <bold>Potencial Conflicto de Intereses</bold>
      </p>
      <p>Declaro no haber conflicto de intereses pertinentes.</p>
      <p>
        <bold>Fuentes de Financiamiento</bold>
      </p>
      <p>El presente estudio no tuvo fuentes de financiamiento externas.</p>
      <p>
        <bold>Vinculaci&#243;n Acad&#233;mica</bold>
      </p>
      <p>No hay vinculaci&#243;n de este estudio a programas de post grado.</p>
      <p>
        <bold>Referencias</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
