<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="ppub">0066-782X</issn>
      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
      </publisher>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">dqj3vHgNsTHFxnLZfZDxsqj</article-id>
      <article-id pub-id-type="other">00007</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2010001200007</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(10)09500207</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2010005000075</article-id>
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        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Artigos Originais</subject>
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        <article-title>Preval&#234;ncia de angina pectoris em Pelotas, RS</article-title>
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            <given-names>Juraci A.</given-names>
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            <given-names>Bernardo L.</given-names>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Pelotas</institution>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio Grande</institution>
        <institution content-type="orgdiv1">Faculdade de Medicina </institution>
        <institution content-type="orgdiv2">Divis&#227;o de Popula&#231;&#227;o &amp; Sa&#250;de</institution>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>08</month>
        <year>2010</year>
      </pub-date>
      <volume>95</volume>
      <issue>2</issue>
      <fpage>179</fpage>
      <lpage>185</lpage>
      <history>
        <date date-type="rev-recd">
          <day>23</day>
          <month>11</month>
          <year>2009</year>
        </date>
        <date date-type="received">
          <day>21</day>
          <month>04</month>
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        <date date-type="accepted">
          <day>22</day>
          <month>02</month>
          <year>2009</year>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
        </license>
      </permissions>
      <abstract>
        <p>FUNDAMENTO: A cardiopatia isqu&#234;mica &#233; a doen&#231;a respons&#225;vel pelo maior n&#250;mero de mortes no mundo, sendo a angina sua principal manifesta&#231;&#227;o. OBJETIVO: Determinar a preval&#234;ncia de angina e de poss&#237;vel angina e sua distribui&#231;&#227;o conforme as principais caracter&#237;sticas s&#243;cio-demogr&#225;ficas entre adultos com idade igual ou maior que 40 anos. M&#201;TODOS: Estudo transversal de base populacional com moradores da &#225;rea urbana da cidade de Pelotas (RS) entre os meses de outubro e dezembro de 2007. Foi adotado o plano de amostragem por conglomerados em dois est&#225;gios - setores censit&#225;rios e domic&#237;lios. As preval&#234;ncias de angina e de poss&#237;vel angina foram definidas de acordo com o question&#225;rio de Rose. Essas condi&#231;&#245;es foram avaliadas conforme as caracter&#237;sticas s&#243;cio-demogr&#225;ficas: idade, sexo, cor da pele, condi&#231;&#227;o econ&#244;mica e escolaridade. Para a coleta dos dados, foram aplicados question&#225;rios padronizados por meio de entrevista com os indiv&#237;duos em seus domic&#237;lios. A taxa de n&#227;o respondentes foi de 6,8%. RESULTADOS: A preval&#234;ncia de angina entre os 1.680 indiv&#237;duos participantes do estudo foi de 8,2 % (IC 95%: 6,7 - 9,6), enquanto a de poss&#237;vel angina, 12,3% (IC 95%: 10,6 - 14,0). As preval&#234;ncias de angina e de poss&#237;vel angina foram maiores entre os indiv&#237;duos do sexo feminino, de cor da pele preta/parda, de pior condi&#231;&#227;o econ&#244;mica e de menor escolaridade. A preval&#234;ncia de angina foi maior entre indiv&#237;duos mais velhos. N&#227;o se observou diferen&#231;a para poss&#237;vel angina. CONCLUS&#195;O: A preval&#234;ncia de angina e de poss&#237;vel angina mostrou-se alta, acometendo cerca de 20% da popula&#231;&#227;o de Pelotas.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Angina</kwd>
        <kwd>preval&#234;ncia</kwd>
        <kwd>popula&#231;&#227;o</kwd>
        <kwd>estudos transversais</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>25</day>
        <month>06</month>
        <year>2010</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
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  <body>
    <p>ARTIGO ORIGINAL </p>
    <p> EPIDEMIOLOGIA</p>
    <p>
      <bold>Preval&#234;ncia de angina pectoris em Pelotas, RS</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Leonardo Alves<sup>I</sup>; Juraci A. Cesar<sup>I, II</sup>; Bernardo L. Horta<sup>I</sup></bold>
    </p>
    <p><sup>I</sup>Programa de P&#243;s-Gradua&#231;&#227;o em Epidemiologia - Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, RS - Brazil </p>
    <p><sup>II</sup>Divis&#227;o de Popula&#231;&#227;o &amp; Sa&#250;de - Faculdade de Medicina - Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande, RS - Brasil</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p><bold>FUNDAMENTO:</bold> A cardiopatia isqu&#234;mica &#233; a doen&#231;a respons&#225;vel pelo maior n&#250;mero de mortes no mundo, sendo a angina sua principal manifesta&#231;&#227;o. </p>
    <p><bold>OBJETIVO:</bold> Determinar a preval&#234;ncia de angina e de poss&#237;vel angina e sua distribui&#231;&#227;o conforme as principais caracter&#237;sticas s&#243;cio-demogr&#225;ficas entre adultos com idade igual ou maior que 40 anos. </p>
    <p><bold>M&#201;TODOS:</bold> Estudo transversal de base populacional com moradores da &#225;rea urbana da cidade de Pelotas (RS) entre os meses de outubro e dezembro de 2007. Foi adotado o plano de amostragem por conglomerados em dois est&#225;gios - setores censit&#225;rios e domic&#237;lios. As preval&#234;ncias de angina e de poss&#237;vel angina foram definidas de acordo com o question&#225;rio de Rose. Essas condi&#231;&#245;es foram avaliadas conforme as caracter&#237;sticas s&#243;cio-demogr&#225;ficas: idade, sexo, cor da pele, condi&#231;&#227;o econ&#244;mica e escolaridade. Para a coleta dos dados, foram aplicados question&#225;rios padronizados por meio de entrevista com os indiv&#237;duos em seus domic&#237;lios. A taxa de n&#227;o respondentes foi de 6,8%. </p>
    <p><bold>RESULTADOS:</bold> A preval&#234;ncia de angina entre os 1.680 indiv&#237;duos participantes do estudo foi de 8,2 % (IC 95%: 6,7 - 9,6), enquanto a de poss&#237;vel angina, 12,3% (IC 95%: 10,6 - 14,0). As preval&#234;ncias de angina e de poss&#237;vel angina foram maiores entre os indiv&#237;duos do sexo feminino, de cor da pele preta/parda, de pior condi&#231;&#227;o econ&#244;mica e de menor escolaridade. A preval&#234;ncia de angina foi maior entre indiv&#237;duos mais velhos. N&#227;o se observou diferen&#231;a para poss&#237;vel angina. </p>
    <p><bold>CONCLUS&#195;O:</bold> A preval&#234;ncia de angina e de poss&#237;vel angina mostrou-se alta, acometendo cerca de 20% da popula&#231;&#227;o de Pelotas.</p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> Angina; preval&#234;ncia; popula&#231;&#227;o; estudos transversais.</p>
    <p>
      <bold>Introdu&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>A cardiopatia isqu&#234;mica &#233; a principal causa de morte em todo o mundo, respons&#225;vel por mais de sete milh&#245;es de &#243;bitos por ano<sup>1</sup>. Angina pectoris &#233; sua principal manifesta&#231;&#227;o, respondendo por cerca de metade dos casos inicais<sup>2</sup>. O sintoma anginoso ocorre devido &#224; isquemia mioc&#225;rdica e caracteriza-se por dor ou desconforto no peito, desencadeados principalmente pelo esfor&#231;o f&#237;sico e aliviados com o repouso. O comprometimento da luz coronariana por placa ateroscler&#243;tica - doen&#231;a sist&#234;mica e de car&#225;ter inflamat&#243;rio - &#233; sua principal causa, embora outras patologias, como hipertens&#227;o arterial, miocardiopatia hipertr&#243;fica e doen&#231;a valvar a&#243;rtica possam, tamb&#233;m, estar envolvidas. A angina pode ocorrer ainda entre indiv&#237;duos com coron&#225;rias normais em presen&#231;a de espasmo arterial ou disfun&#231;&#227;o endotelial. Finalmente, manifesta&#231;&#227;o similar pode ser observada em doen&#231;as do es&#244;fago, pulm&#227;o e da caixa tor&#225;cica<sup>3</sup>.</p>
    <p>O diagn&#243;stico de angina &#233; essencialmente baseado na hist&#243;ria cl&#237;nica do paciente, o que dificulta a sua determina&#231;&#227;o, sobretudo, em n&#237;vel populacional. Visando utiliz&#225;-lo em inqu&#233;ritos epidemiol&#243;gicos, Geofrey Rose prop&#244;s em 1962 um question&#225;rio padronizado para avalia&#231;&#227;o de angina que tem sido amplamente utilizado<sup>4</sup>. Recente revis&#227;o sistem&#225;tica identificou 74 estudos conduzidos em 31 pa&#237;ses<sup>5</sup>.</p>
    <p>Esse question&#225;rio, que se utiliza da presen&#231;a de caracter&#237;sticas espec&#237;ficas do sintoma anginoso, mostrou-se capaz de predizer mortalidade cardiovascular<sup>6</sup>. Sua acur&#225;cia j&#225; foi comparada ao diagn&#243;stico cl&#237;nico, altera&#231;&#245;es no eletrocardiograma, cintilografia do mioc&#225;rdio e coronariografia, evidenciando especificidade de 80% a 95% e sensibilidade de 20% a 80%<sup>7</sup>.</p>
    <p>Em virtude de ser um importante indicador da doen&#231;a isqu&#234;mica card&#237;aca e de n&#227;o haver, no Brasil, estudos populacionais representativos recentes que o tenham utilizado decidiu-se, ent&#227;o, por medir as preval&#234;ncias de angina e de poss&#237;vel angina a partir do question&#225;rio de Rose na popula&#231;&#227;o adulta da cidade de Pelotas, RS.</p>
    <p>
      <bold>M&#233;todos</bold>
    </p>
    <p>Realizou-se um estudo transversal de base populacional na cidade de Pelotas entre os meses de outubro e dezembro de 2007. Pelotas est&#225; situada no sul do Brasil e possui cerca de 340 mil habitantes, residentes, na sua quase totalidade, na zona urbana.</p>
    <p>A popula&#231;&#227;o-alvo foi constitu&#237;da por indiv&#237;duos de 40 anos ou mais de idade, moradores da &#225;rea urbana. Foram exclu&#237;dos todos aqueles que mostraram incapacidade de deambular e de compreender o enunciado das perguntas.</p>
    <p>Para o c&#225;lculo de tamanho de amostra, foram utilizados os seguintes par&#226;metros: preval&#234;ncia esperada de 10%<sup>8,9</sup>, precis&#227;o de 1,6 ponto percentual e n&#237;vel de confian&#231;a de 95%. A este n&#250;mero foram acrescidos 20% para compensar o efeito de delineamento amostral e 10% para poss&#237;veis n&#227;o respondentes, totalizando 1.781 indiv&#237;duos. Com base no Censo Demogr&#225;fico de 2000, estimava-se encontrar 1,2 indiv&#237;duo com 40 anos ou mais de idade por resid&#234;ncia fixa na cidade de Pelotas. Dessa forma, seria necess&#225;rio visitar 1.484 domic&#237;lios para alcan&#231;ar o tamanho de amostra desejado.</p>
    <p>Com o prop&#243;sito de obter uma amostra representativa desses domic&#237;lios, foi adotado um plano de amostragem probabil&#237;stico e por conglomerados em dois est&#225;gios. As unidades prim&#225;rias eram os setores censit&#225;rios - com base nos dados do censo demogr&#225;fico do ano de 2000 - ao passo que as secund&#225;rias eram os domic&#237;lios. No primeiro est&#225;gio, os 404 setores censit&#225;rios eleg&#237;veis - exclu&#237;dos quatro essencialmente comerciais - foram ordenados por renda m&#233;dia do conglomerado. A seguir, dentre os setores eleg&#237;veis, 125 foram selecionados atrav&#233;s de amostragem sistem&#225;tica e com probabilidade de sele&#231;&#227;o proporcional ao n&#250;mero de domic&#237;lios existentes nesses setores. No segundo est&#225;gio, ap&#243;s um cadastramento de todos os domic&#237;lios residenciais e habitados dos setores escolhidos, uma nova amostragem sistem&#225;tica foi utilizada para selecionar, em m&#233;dia, 11 domic&#237;lios por setor. Esse processo resultou, ao final, na sele&#231;&#227;o de 1.534 domic&#237;lios.</p>
    <p>Para a coleta dos dados, foi utilizado um question&#225;rio padronizado, pr&#233;-codificado e previamente testado em um estudo piloto conduzido em um setor n&#227;o inclu&#237;do no estudo. O question&#225;rio abordou, al&#233;m das quest&#245;es necess&#225;rias para a defini&#231;&#227;o do desfecho, caracter&#237;sticas demogr&#225;ficas como idade em anos completos, sexo e cor da pele observados - esta, classificada em branca e preta/parda; bem como caracter&#237;sticas socioecon&#244;micas como escolaridade, medida em anos completos de aprova&#231;&#227;o e condi&#231;&#227;o econ&#244;mica de acordo com os crit&#233;rios da Associa&#231;&#227;o Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP)<sup>10</sup>. Esta classifica&#231;&#227;o se baseia principalmente no ac&#250;mulo de bens materiais dom&#233;sticos e na escolaridade do chefe da fam&#237;lia e possui cinco categorias (ou classes): A, B, C, D e E, sendo a primeira a de melhor n&#237;vel.</p>
    <p>A ocorr&#234;ncia de angina foi avaliada de acordo com o question&#225;rio de Rose (ver <xref ref-type="fig" rid="q1">Quadro 1</xref>) e expressa em termos de preval&#234;ncia cumulativa, ou seja, em qualquer momento do passado<sup>11</sup>. Foram classificados como tendo angina os indiv&#237;duos que apresentassem (a) hist&#243;ria de dor no peito (<italic>resposta "sim" &#224; quest&#227;o 1</italic>); (b) desencadeada por esfor&#231;o f&#237;sico (<italic>resposta "sim" &#224; quest&#227;o 2 ou 3</italic>); (c) for&#231;ando-os a parar ou diminuir o ritmo (<italic>quest&#227;o 4</italic>); (d) com al&#237;vio subsequente (<italic>resposta "sim" &#224; quest&#227;o 5</italic>); (e) dentro de 10 minutos (<italic>quest&#227;o 6</italic>), e (f) localizada na regi&#227;o esternal ou tor&#225;cica anterior esquerda e bra&#231;o esquerdo (<italic>quadrantes 4, 8, ou 5 e 6, na quest&#227;o 7</italic>).</p>
    <fig id="q1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-02-0179-00075-gf01.jpg"/></fig>
    <p>Ainda, de acordo com o question&#225;rio de Rose, avaliou-se a preval&#234;ncia de poss&#237;vel angina. Sua presen&#231;a foi caracterizada quando os indiv&#237;duos apresentassem dor no peito devido ao esfor&#231;o (<italic>resposta afirmativa &#224; quest&#227;o 1 e &#224;s quest&#245;es 2 ou 3</italic>), mas n&#227;o preenchiam os demais crit&#233;rios para angina (<italic>quest&#245;es 4 a 7</italic>).</p>
    <p>A aplica&#231;&#227;o do question&#225;rio foi realizada por meio de entrevista, em contato direto com os indiv&#237;duos em seus domic&#237;lios e executada por entrevistadoras previamente treinadas. Em seguida, as respostas desses question&#225;rios eram codificadas pelas pr&#243;prias entrevistadoras. Os supervisores do trabalho de campo ficaram respons&#225;veis pela codifica&#231;&#227;o das respostas &#224;s quest&#245;es abertas e revis&#227;o final dos question&#225;rios. Na sequ&#234;ncia, os question&#225;rios eram enviados para a digita&#231;&#227;o dos dados.</p>
    <p>O controle de qualidade do trabalho de campo envolveu, al&#233;m da revis&#227;o dos question&#225;rios, digita&#231;&#227;o dupla dos dados - com checagem autom&#225;tica de amplitude e consist&#234;ncia -, bem como verifica&#231;&#227;o da realiza&#231;&#227;o das entrevistas. Este &#250;ltimo processo foi efetuado mediante confer&#234;ncia de informa&#231;&#245;es por meio de revisita de 10% dos indiv&#237;duos pelo supervisor do estudo. O resultado do teste de concord&#226;ncia (Kappa) entre essas informa&#231;&#245;es avaliadas foi superior a 0,8.</p>
    <p>Como forma de diminuir a taxa de n&#227;o respondentes, as seguintes estrat&#233;gias foram utilizadas: divulga&#231;&#227;o da pesquisa na imprensa local, entrega de comunica&#231;&#227;o impressa contendo esclarecimentos sobre o estudo nos domic&#237;lios selecionados e, pelo menos, tr&#234;s visitas aos indiv&#237;duos n&#227;o encontrados na primeira tentativa ou mediante negativa de participa&#231;&#227;o no estudo. Essas visitas ocorreram em dias e hor&#225;rios diferentes, sendo pelo menos uma delas realizada pelo pr&#243;prio supervisor do estudo.</p>
    <p>A entrada de dados foi realizada atrav&#233;s programa Epi Info<sup>12</sup> e a an&#225;lise estat&#237;stica conduzida com programa Stata 9.0<sup>13</sup>, levando em conta o delineamento amostral (amostragem por conglomerados) para corrigir a variabilidade das estimativas. Os coeficientes de correla&#231;&#227;o intraclasse encontrados foram 0,01 para a angina e 0,02 para poss&#237;vel angina, resultando nos efeitos de delineamento de 1,14 e 1,16, respectivamente para as essas mesmas condi&#231;&#245;es.</p>
    <p>O estudo foi aprovado pelo Comit&#234; de &#201;tica em Pesquisa da Universidade Federal de Pelotas. Todos os entrevistados assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido antes de responder ao question&#225;rio.</p>
    <p>
      <bold>Resultados</bold>
    </p>
    <p>Nos 1.534 domic&#237;lios selecionados, foram identificados 1.836 indiv&#237;duos com idade igual ou superior a 40 anos. Destes, 34 foram exclu&#237;dos, sendo 30 por n&#227;o compreenderem o question&#225;rio e quatro por incapacidade de deambular. Dentre os 1.802 eleg&#237;veis, n&#227;o se conseguiu obter informa&#231;&#245;es sobre 122, o que representa taxa de n&#227;o-respondentes de 6,8%. Destes, 60% possu&#237;am entre 40 e 59 anos de idade, 45% pertenciam ao sexo feminino e metade residia nas &#225;reas de maior renda m&#233;dia, conforme o Censo Demogr&#225;fico de 2000. A amostra final deste estudo resultou em 1.680 indiv&#237;duos.</p>
    <p>A <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref> mostra as caracter&#237;sticas demogr&#225;ficas e socioecon&#244;micas da amostra estudada. Em sua maioria, tal amostra era constitu&#237;da de mulheres (58%) e de indiv&#237;duos de cor da pele branca (81%); a mediana de idade foi igual a 56 anos. Em rela&#231;&#227;o &#224; condi&#231;&#227;o econ&#244;mica, cerca de 40% pertenciam &#224;s classes de melhor n&#237;vel econ&#244;mico (A e B), enquanto cerca de 20%, &#224;s de pior n&#237;vel (D e E). Quanto &#224; escolaridade, aproximadamente um ter&#231;o possu&#237;a at&#233; quatro anos de estudo e outro ter&#231;o, nove anos ou mais. Em m&#233;dia, possu&#237;am oito anos de escolaridade com aprova&#231;&#227;o.</p>
    <table-wrap id="t1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-02-0179-00075-gt01.jpg"/></table-wrap>
    <p>A <xref ref-type="table" rid="aop07210t2">Tabela 2</xref> refere-se &#224; preval&#234;ncia de angina e de poss&#237;vel angina de acordo com algumas caracter&#237;sticas demogr&#225;ficas e socioecon&#244;micas da popula&#231;&#227;o estudada. A preval&#234;ncia cumulativa de angina na amostra foi de 8,2% (IC95%: 6,7 - 9,6). &#192; medida que a idade avan&#231;ava, ocorria aumento na sua preval&#234;ncia. Por exemplo, enquanto para indiv&#237;duos com idade entre 40-49 anos a preval&#234;ncia de angina foi de 7,1%, para aqueles com 70 anos ou mais, esse percentual foi de 12%. As mulheres apresentaram taxas maiores que os homens (9,8% <italic>vs</italic> 5,9%), independente da faixa et&#225;ria, sendo esta diferen&#231;a mais acentuada nos grupos et&#225;rios extremos: 40 a 49 anos e 70 anos ou mais (<xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>). Indiv&#237;duos de cor da pele preta/parda apresentaram taxas mais elevadas de angina em rela&#231;&#227;o &#224;queles de cor branca (10,9% <italic>vs</italic> 7,5%), sendo esta diferen&#231;a cerca de duas vezes maior entre os homens (<xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>).</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="aop07210t2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-02-0179-00075-gt02.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <fig id="f1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-02-0179-00075-gf02.jpg"/></fig>
    <fig id="f2">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-02-0179-00075-gf03.jpg"/></fig>
    <p>A <xref ref-type="table" rid="aop07210t2">Tabela 2</xref> mostra taxa substancialmente maior de ocorr&#234;ncia de angina entre indiv&#237;duos pertencentes &#224;s classes econ&#244;micas de pior n&#237;vel (D e E) segundo a ABEP. A preval&#234;ncia de angina nessas duas categorias foi duas vezes maior quando comparadas &#224; categoria A (10,8% <italic>vs</italic> 5,1%). Verificou-se maior preval&#234;ncia de angina entre indiv&#237;duos de menor escolaridade. Entre aqueles com at&#233; quatro anos de escolaridade, a preval&#234;ncia foi de 10,3% contra 5,2% em rela&#231;&#227;o aqueles com nove anos ou mais de escolaridade.</p>
    <p>A preval&#234;ncia cumulativa de poss&#237;vel angina foi de 12,3% (IC95%: 10,6 - 14,0), n&#227;o havendo diferen&#231;a significativa entre as faixas et&#225;rias. Mulheres foram mais acometidas que homens (14,6% <italic>vs</italic> 9,2%), assim como indiv&#237;duos de cor da pele preta/parda em rela&#231;&#227;o &#224;queles de cor branca (14,5% <italic>vs</italic> 11,8%), por&#233;m sem alcan&#231;ar signific&#226;ncia estat&#237;stica. Poss&#237;vel angina foi tamb&#233;m mais prevalente entre indiv&#237;duos pertencentes &#224;s classes econ&#244;micas D e E em rela&#231;&#227;o &#224; classe A (18,9% <italic>vs</italic> 5,1%). Finalmente, enquanto somente 6,3% daqueles indiv&#237;duos com nove anos ou mais de escolaridade apresentaram poss&#237;vel angina, essa propor&#231;&#227;o foi de 17,9% entre aqueles com at&#233; quatro anos de escolaridade.</p>
    <p>
      <bold>Discuss&#227;o</bold>
    </p>
    <p>As preval&#234;ncias de angina e poss&#237;vel angina foram de 8% e 12%, respectivamente. Nas duas condi&#231;&#245;es, as maiores taxas foram observadas entre indiv&#237;duos do sexo feminino, de cor da pele preta/parda, de pior condi&#231;&#227;o econ&#244;mica e de menor escolaridade. Somente a preval&#234;ncia de angina foi maior entre indiv&#237;duos mais velhos.</p>
    <p>Ao interpretar esses resultados, &#233; preciso levar em conta pelo menos duas limita&#231;&#245;es que podem ter afetado as estimativas apresentadas: 1&#170;) o tempo de recordat&#243;rio foi ilimitado, o que faz com que indiv&#237;duos com epis&#243;dio remoto de dor ou desconforto possam n&#227;o se lembrar do fato, resultando em redu&#231;&#227;o das preval&#234;ncias; 2&#170;) a aus&#234;ncia de avalia&#231;&#227;o da acur&#225;cia (sensibilidade e especificidade) do question&#225;rio de Rose na popula&#231;&#227;o estudada pode alterar a preval&#234;ncia em qualquer dire&#231;&#227;o, dependendo dessas propriedades.</p>
    <p>Al&#233;m disso, deve-se ter cautela na infer&#234;ncia da acur&#225;cia desse instrumento quando utilizado em outra popula&#231;&#227;o, pois caracter&#237;sticas populacionais locais podem influenciar nessa avalia&#231;&#227;o. A esse respeito, um estudo comparou a acur&#225;cia desse instrumento entre duas comunidades distintas, obtendo uma diferen&#231;a de 16 pontos percentuais na sensibilidade, tanto em homens (37% <italic>vs</italic> 21%) quanto em mulheres (24% <italic>vs</italic> 8%), quando comparado com autorrelato de diagn&#243;stico m&#233;dico. Situa&#231;&#227;o semelhante foi verificada na compara&#231;&#227;o com altera&#231;&#245;es isqu&#234;micas ao eletrocardiograma de repouso, com diferen&#231;as de 18 e 27 pontos percentuais, respectivamente em homens (36% <italic>vs</italic> 18%) e mulheres (33% <italic>vs</italic> 6%)<sup>14</sup>. O autor justifica esses achados afirmando que a dor no peito pode ser experimentada, interpretada e descrita de acordo com aspectos culturais locais, fatores socioecon&#244;micos e educacionais, raz&#227;o pela qual pode ser percebida de maneira diferente<sup>14</sup>.</p>
    <p>No entanto, h&#225; aspectos que refor&#231;am a import&#226;ncia dos resultados aqui apresentados, dentre os quais a utiliza&#231;&#227;o de uma amostra representativa da cidade de Pelotas - o que reduz a possibilidade de vi&#233;s de sele&#231;&#227;o - e a baixa taxa de n&#227;o respondentes observada.</p>
    <p>A preval&#234;ncia de angina no presente estudo foi superior aos 5,1% encontrados em um grande inqu&#233;rito populacional nos Estados Unidos<sup>15</sup>. Outro estudo, conduzido nesse mesmo pa&#237;s, encontrou taxa de 5,8% para a mesma faixa et&#225;ria<sup>16</sup>. No entanto, n&#227;o se encontrou qualquer estudo na America Latina que tenha utilizado o question&#225;rio de Rose sobre ocorr&#234;ncia de angina em n&#237;vel populacional, o que possibilitaria comparar com pa&#237;ses de h&#225;bitos e n&#237;veis de desenvolvimento semelhantes. A import&#226;ncia da preval&#234;ncia de angina se deve ao fato de que indiv&#237;duos com essa condi&#231;&#227;o apresentam maior risco de infarto do mioc&#225;rdio e de morte<sup>2</sup>.</p>
    <p>A maior ocorr&#234;ncia de angina com o avan&#231;ar da idade, em ambos os sexos, foi tamb&#233;m observada em inqu&#233;ritos populacionais nos Estados Unidos<sup>15</sup> e estudos em outros pa&#237;ses como It&#225;lia<sup>17</sup> e Espanha<sup>18</sup>. Isso se deve principalmente ao ac&#250;mulo de doen&#231;a ateroscler&#243;tica, devido &#224; exposi&#231;&#227;o cumulativa aos fatores de risco<sup>19</sup>.</p>
    <p>Meta-an&#225;lise recente mostrou, de maneira similar a este estudo, preval&#234;ncia mais elevada de angina entre as mulheres, com raz&#227;o de preval&#234;ncia de 1,2<sup>5</sup>. As taxas foram maiores em todas as faixas et&#225;rias estudadas, conforme foi observado em estudo norte-americano<sup>20</sup>. Esse fato pode ser explicado pela diferen&#231;a na manifesta&#231;&#227;o da doen&#231;a coronariana entre ambos os sexos: infarto do mioc&#225;rdio e morte s&#250;bita s&#227;o mais frequentes entre homens, enquanto angina &#233; mais comum entre mulheres<sup>21</sup>. Em rela&#231;&#227;o &#224; maior diferen&#231;a na preval&#234;ncia de angina encontrada nos grupos et&#225;rios extremos, as mulheres, sobretudo as mais jovens, podem apresentar maior ocorr&#234;ncia de dor no peito n&#227;o relacionada &#224; doen&#231;a coronariana<sup>20</sup>. Al&#233;m disso, entre indiv&#237;duos de maior idade, essa diferen&#231;a pode, tamb&#233;m, decorrer de maior mortalidade entre os homens que se apresentam com angina, diminuindo, desse modo, a sua preval&#234;ncia<sup>22</sup>.</p>
    <p>A maior ocorr&#234;ncia de angina entre indiv&#237;duos do sexo masculino da cor da pele preta/parda est&#225; em acordo com um estudo norte-americano que mostrou maior preval&#234;ncia entre afrodescendentes em rela&#231;&#227;o aos de cor da pele branca (6,2% <italic>vs</italic> 3,9%). Esta diferen&#231;a n&#227;o foi observada entre as mulheres<sup>20</sup>. No entanto, outro estudo conduzido no mesmo pa&#237;s mostrou maior preval&#234;ncia entre mulheres de cor da pele preta, mas n&#227;o entre homens<sup>16</sup>.</p>
    <p>Os n&#237;veis econ&#244;mico - caracterizado no presente estudo pela classe econ&#244;mica segundo a ABEP - e de escolaridade mostraram-se associados &#224; preval&#234;ncia de angina. Esses achados est&#227;o de acordo com estudos brasileiros que mostraram associa&#231;&#227;o entre piores indicadores de n&#237;vel socioecon&#244;mico e maior mortalidade por doen&#231;a isqu&#234;mica card&#237;aca<sup>23,24</sup>. Esse padr&#227;o tamb&#233;m foi encontrado mesmo em pa&#237;ses com menor desigualdade social em rela&#231;&#227;o ao Brasil. Estudo canadense mostrou que o n&#237;vel educacional e a ocupa&#231;&#227;o est&#227;o associados &#224; ocorr&#234;ncia de angina independente dos fatores de risco cl&#225;ssicos para doen&#231;a coronariana<sup>25</sup>. Outro estudo, conduzido nos Estados Unidos, revelou que indiv&#237;duos com menor escolaridade exibem maior preval&#234;ncia de angina independente do sexo e da ra&#231;a<sup>20</sup>. Dieta n&#227;o saud&#225;vel, h&#225;bito de fumar e inatividade f&#237;sica, associados ao menor acesso &#224; sa&#250;de de boa qualidade e &#224; menor ader&#234;ncia a orienta&#231;&#245;es m&#233;dicas, constituem, em n&#237;vel proximal, explica&#231;&#245;es para tal associa&#231;&#227;o<sup>26</sup>.</p>
    <p>A preval&#234;ncia de poss&#237;vel angina encontrada neste estudo (12%) foi superior &#224; observada em estudo realizado na Espanha, que foi de 6,7%<sup>18</sup>. Este achado mostra-se relevante em virtude da comprovada associa&#231;&#227;o entre poss&#237;vel angina e ocorr&#234;ncia futura de infarto do mioc&#225;rdio e morte card&#237;aca<sup>27,28</sup>. Em um estudo norte-americano, o risco de morte por cardiopatia isqu&#234;mica entre indiv&#237;duos com poss&#237;vel angina foi de 2,4 e 2,7 em homens e mulheres, respectivamente<sup>6</sup>. Estes resultados mostraram-se independentes dos fatores de risco cl&#225;ssicos associados &#224; doen&#231;a isqu&#234;mica card&#237;aca.</p>
    <p>Tendo em vista que as preval&#234;ncias de angina e de poss&#237;vel angina s&#227;o, neste estudo, condi&#231;&#245;es excludentes, um em cada cinco indiv&#237;duos &#233; acometido por uma dessas condi&#231;&#245;es na cidade de Pelotas. Considerando que dieta inadequada, tabagismo e sedentarismo s&#227;o os principais fatores de risco modific&#225;veis associados &#224; cardiopatia isqu&#234;mica<sup>29</sup>, esfor&#231;os deveriam ser feitos na tentativa de reduzir a ocorr&#234;ncia desses fatores, o que, por certo, levaria a uma redu&#231;&#227;o na preval&#234;ncia de angina na localidade estudada e, consequentemente, de &#243;bitos por cardiopatia isqu&#234;mica. Por fim, haveria tamb&#233;m menor impacto econ&#244;mico, uma vez que essa doen&#231;a onera de forma significativa tanto o or&#231;amento familiar, quanto o sistema p&#250;blico de sa&#250;de no Brasil<sup>30</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflito de interesses pertinentes.</p>
    <p>
      <bold>Fontes de Financiamento</bold>
    </p>
    <p>O presente estudo foi parcialmente financiado pela CAPES.</p>
    <p>
      <bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>Este artigo &#233; parte de disserta&#231;&#227;o de Mestrado de Leonardo Alves pela Universidade Federal de Pelotas.</p>
    <p>
      <fn id="back" fn-type="corresp">
        <p>Correspond&#234;ncia:</p>
        <p> Leonardo Alves </p>
        <p> Rua Aquidaban, 639/201 - Centro </p>
        <p> 96200-480 - Rio Grande, RS - Brasil </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p><email xlink:href="leoalves@cardiol.br">leoalves@cardiol.br</email>, </p>
        <p>
          <email xlink:href="leoalves@vetorial.net">leoalves@vetorial.net</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 21/04/09; revisado recebido em 23/11/09; aceito em 22/02/10.</p>
  </body>
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      <abstract xml:lang="en">
        <p>BACKGROUND: Ischemic heart disease is the leading cause of death in the world and angina is its cardinal manifestation. OBJECTIVE: To determine the prevalence of angina and possible angina and its distribution by main demographic and socioeconomic characteristics among adults 40 years of age or older. METHODS: This is a population-based, cross-sectional study featuring residents of the urban area in Pelotas, a city located in the south of Brazil, from October through December 2007. A two-stage cluster sampling - census tracts and households - was used. The prevalence of angina and possible angina was defined according to the Rose questionnaire. These conditions were assessed by demographic and socioeconomic characteristics: age, sex, skin color, economic status, and schooling. Data were collected using standardized questionnaires in interviews with the individuals in their homes. The non-respondent rate was 6.8%. RESULTS: The prevalence of angina among the 1,680 individuals taking part in the study was 8.2% (95% CI: 6.7 - 9.6), while that of possible angina came to 12.3% (95% CI: 10.6 - 14.0). The prevalence of angina and possible angina was higher among women, black/brown-skinned individuals, low economic class individuals and subjects with the low schooling. The prevalence of angina was higher among older individuals, while possible angina was found not to be associated with age. CONCLUSION: The prevalence of angina and possible angina was found to be high, affecting approximately 20% of the population in Pelotas.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Angina</kwd>
        <kwd>prevalence</kwd>
        <kwd>population</kwd>
        <kwd>cross-sectional studies</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <fn id="top-body2">
          <label>
            <bold>Prevalence of angina pectoris in Pelotas, south of Brazil</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Leonardo Alves<sup>I</sup>; Juraci A. Cesar<sup>I, II</sup>; Bernardo L. Horta<sup>I</sup></bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p><sup>I</sup>Programa de P&#243;s-Gradua&#231;&#227;o em Epidemiologia - Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, RS - Brazil</p>
      <p><sup>II</sup>Divis&#227;o de Popula&#231;&#227;o &amp; Sa&#250;de - Faculdade de Medicina - Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande, RS - Brazil</p>
      <p>Mailing address</p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p><bold>BACKGROUND: </bold> Ischemic heart disease is the leading cause of death in the world and angina is its cardinal manifestation.</p>
      <p><bold>OBJECTIVE:</bold> To determine the prevalence of angina and possible angina and its distribution by main demographic and socioeconomic characteristics among adults 40 years of age or older.</p>
      <p><bold>METHODS:</bold> This is a population-based, cross-sectional study featuring residents of the urban area in Pelotas, a city located in the south of Brazil, from October through December 2007. A two-stage cluster sampling - census tracts and households - was used. The prevalence of angina and possible angina was defined according to the Rose questionnaire. These conditions were assessed by demographic and socioeconomic characteristics: age, sex, skin color, economic status, and schooling. Data were collected using standardized questionnaires in interviews with the individuals in their homes. The non-respondent rate was 6.8%.</p>
      <p><bold>RESULTS: </bold> The prevalence of angina among the 1680 individuals taking part in the study was 8.2% (95% CI: 6.7 - 9.6), while that of possible angina came to 12.3% (95% CI: 10.6 - 14.0). The prevalence of angina and possible angina was higher among women, black/brown-skinned individuals, low economic class individuals and subjects with the low schooling. The prevalence of angina was higher among older individuals, while possible angina was found not to be associated with age.</p>
      <p><bold>CONCLUSION: </bold> The prevalence of angina and possible angina was found to be high, affecting approximately 20% of the population in Pelotas. (Arq Bras Cardiol. 2010; [online]. ahead print, PP.0-0)</p>
      <p><bold>Key words:</bold> Angina; prevalence; population; cross-sectional studies.</p>
      <p>
        <bold>Introduction</bold>
      </p>
      <p>Ischemic heart disease is the main cause of death throughout the world, responsible for more than seven million deaths per year<sup>1</sup>. Angina pectoris is its main manifestation, accounting for nearly half of the initial cases<sup>2</sup>. The anginal symptom is caused by myocardial ischemia and is characterized by chest pain or discomfort. It is frequently set off by physical exertion and is relieved by rest. Obstruction of the coronary arteries by atherosclerotic plaque - a systemic inflammatory disease - is its main cause, although other conditions, such as hypertension, hypertrophic cardiomyopathy, and aortic valve disease may also be involved. Angina can also occur in individuals with normal coronary arteries in the presence of arterial spasm or endothelial dysfunction. Finally, similar manifestations may be observed in diseases of the esophagus, lungs or chest wall<sup>3</sup>.</p>
      <p>The diagnosis of angina is essentially based on the patient's medical history; this fact makes the detection of the disease difficult, especially on a populational level. Aiming at using it in epidemiologic surveys, Geoffrey Rose proposed a standardized questionnaire to evaluate angina in 1962<sup>4</sup>. It is still being widely used as observed in a recent systematic review which identified 74 studies conducted in 31 countries<sup>5</sup>.</p>
      <p>This questionnaire, which uses the presence of specific characteristics of the anginal symptom, proved capable of predicting cardiovascular mortality<sup>6</sup>. Its accuracy has been compared to clinical diagnosis, ECG findings, myocardial radionuclide scan and coronary angiography, showing specificity from 80 to 95% and sensitivity from 20 to 80%<sup>7</sup>.</p>
      <p>Not only because angina is an important indicator of ischemic heart disease, but also because Brazil lacks any updated representative populational studies using the Rose questionnaire, we decided to use this questionnaire to measure the prevalence of angina and possible angina among the adult population in Pelotas city.</p>
      <p>
        <bold>Method</bold>
      </p>
      <p>A population-based, cross-sectional study was carried out in Pelotas from October to December 2007. This city is located in the south of Brazil and most of its 340,000 inhabitants live in the urban area.</p>
      <p>The target population consisted of individuals 40 years of age or older living in the urban area. All those incapable of walking or of understanding the questions were excluded.</p>
      <p>The following parameters were used to calculate the size of the sample: expected prevalence of 10%<sup>8,9</sup>, precision of 1.6 percentage point, and confidence level of 95%. Besides, 20% was added to offset the design effect, and 10% to account for possible non-respondents, resulting in a total of 1781 individuals. Based on the 2000 Demographic Census, we estimated that we would find 1.2 individuals 40 years of age or older per household in Pelotas. Thus, in order to achieve the desired sample size we would have to visit 1484 households.</p>
      <p>A two-stage probability cluster sampling was used to obtain a representative sample of these households. The primary units were the census tract sectors - based on data from the 2000 Demographic Census - while the secondary units were the households. In the first stage, the 404 eligible census tract sectors - excluding four essentially commercial sectors - were classified by the average income of the cluster. Next, 125 out of 404 eligible sectors were chosen by systematic sampling featuring probability of selection proportional to the number of households in those sectors. In the second stage, after the registration of all the occupied dwellings in the chosen sectors, a new systematic sampling was used to select an average of 11 households per sector. In the end, this process resulted in the selection of 1,534 households.</p>
      <p>A standardized questionnaire, which had been pre-coded and previously tested in a pilot study, was used. Apart from the questions necessary for defining the outcome, collected data also included characteristics such as round age, sex, observed skin color - classified as white or black/brown - and socioeconomic characteristics such as schooling, measured in successfully completed grades, and economic status based on the <italic>Associa&#231;&#227;o Brasileira de Empresas de Pesquisa</italic> (ABEP)<sup>10</sup>, a Brazilian association of companies for research. The economic status classification is mainly based on the accumulation of home appliances and on the schooling level of the head of the family; it is divided into five different categories (or classes): A, B, C, D, and E, where A represents the highest level.</p>
      <p>The presence of angina was assessed using the Rose questionnaire (see <xref ref-type="fig" rid="b1-body2">Box 1</xref>) and expressed in terms of cumulative prevalence, i.e., at any time in the past<sup>11</sup>. Individuals classified as having angina were those who had a history of chest pain (answer "yes" to question 1), set off by physical exertion (answer "yes" to questions 2 or 3), forcing them to stop or slow down (question 4), with subsequent relief ("yes" to question 5), within 10 minutes (question 6), and located in the sternum or the left anterior chest and left arm (quadrants 4, 8, or 5 and 6 in question 7).</p>
      <fig id="b1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-02-0179-00075-gf01-en.jpg"/></fig>
      <p>In addition, the prevalence of possible angina was also assessed according to the Rose questionnaire. Its presence was characterized when respondents claimed chest pain on exertion (affirmative answer to question 1 and questions 2 or 3), but failed to fulfill the remaining criteria for definite angina (questions 4-7).</p>
      <p>The questionnaire was applied by previously trained interviewers in direct contact with the respondents in their homes. Besides the revision of the questionnaires and double data digitization - with automatic verification of amplitude and consistency - field work quality control included interview verification. The study supervisor verified interviews by revisiting 10% of the respondents. The agreement test (Kappa) result for the information under evaluation was higher than 0.8.</p>
      <p>The following strategies were used to reduce the non-respondent rate: publicity in the local press, delivery of printed communication to the selected households; and at least three visits to individuals who were absent on the first try or who refused to take part in the study. Visits were paid at different times on different days, and at least one of them was paid by the study supervisor himself.</p>
      <p>Epi Info<sup>12</sup> software was used for data entry and Strata 9.0<sup>13</sup> for statistical analysis, taking into account the sample design (sampling by clusters) to correct the variability of the estimates. The intraclass correlation coefficients were 0.01 for angina and 0.02 for possible angina, resulting in design effects of 1.14 and 1.16, respectively, for these conditions.</p>
      <p>The study was approved by the Research Ethics Committee at the Universidade Federal de Pelotas. All participants signed an informed consent prior to application of the questionnaire.</p>
      <p>
        <bold>Results</bold>
      </p>
      <p>Among the 1,534 selected households, we found 1,836 individuals 40 years of age or older. Of those, 34 were excluded - 30 who were unable to understand the questionnaire, and four who were unable to walk. We were unable to obtain information on 122 out of 1,802 eligible individuals, which represents a 6.8% non-respondent rate. Of those, 60% were between 40 and 59 years of age, 45% were females, and half resided in the areas of higher average income as defined by the 2000 Demographic Census. The final sample of this study totaled 1,680 individuals.</p>
      <p><xref ref-type="table" rid="t1-body2">Table 1</xref> shows the demographic and socioeconomic characteristics of the sample under study. The median age was 56 years old. Women made up 58% of the sample, and 81% of the study subjects were white. In regard to the economic condition, approximately 40% were in the highest economic classes (A and B), and approximately 20%, in the lowest one (D and E). As to schooling, approximately a third had completed up to four grades of schooling, and another third, nine grades or more. Average schooling for the sample as a whole amounted to eight successfully completed grades.</p>
      <table-wrap id="t1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-02-0179-00075-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      <p><xref ref-type="table" rid="en_aop07210t2-body2">Table 2</xref> shows the prevalence of angina and possible angina according to certain demographic and socioeconomic characteristics of the population under study. The cumulative prevalence of angina for the sample was 8.2% (95% CI: 6.7 - 9.6). Prevalence increased with advancing age. For example, the prevalence of angina among individuals from 40 to 49 years of age was 7.1%, while the prevalence for those 70 years of age or older was 12%. Women had higher rates than men (9.8% <italic>vs</italic> 5.9%) regardless of the age group, and that difference was more pronounced in the extreme age groups: 40 to 49, and 70 or older (<xref ref-type="fig" rid="f1-body2">Figure 1</xref>). Black/brown-skinned individuals had higher rates of angina than those with white skin (10.9% <italic>vs</italic> 7.5%), and that difference was nearly twice as high among the men (<xref ref-type="fig" rid="f2-body2">Figure 2</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_aop07210t2-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-02-0179-00075-gt02-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <fig id="f1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-02-0179-00075-gf02-en.jpg"/></fig>
      <fig id="f2-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-95-02-0179-00075-gf03-en.jpg"/></fig>
      <p><xref ref-type="table" rid="en_aop07210t2-body2">Table 2</xref> shows a substantially higher incidence of angina among the lowest economic classes (D and E), classified according to ABEP. The prevalence of angina in these two categories was double that of class A (10.8% <italic>vs</italic> 5.1%). The prevalence of angina was also higher among individuals with less schooling. Prevalence for those who had successfully completed up to four grades was 10.3%, compared with 5.2% for those who had finished nine grades or more.</p>
      <p>The cumulative prevalence of possible angina was 12.3% (95% CI: 10.6 - 14.0) with no significant difference among the age groups. Women were more affected than men (14.6% <italic>vs</italic> 9.2%), as were black/brown-skinned individuals, compared to white-skinned ones (14.5% <italic>vs</italic> 11.8%), but without statistical significance. Possible angina was also more prevalent among individuals in economic classes D and E than in class A (18.9% <italic>vs</italic> 5.1%). Finally, whereas only 6.3% of the individuals who had finished nine grades or more at school had possible angina, 17.9% of those who had not finished more that four grades had possible angina.</p>
      <p>
        <bold>Discussion</bold>
      </p>
      <p>The prevalence of angina and possible angina was 8% and 12%, respectively. In both conditions, the highest rates were found among individuals of the female sex, with black/brown skin color, the poorest economic condition, and the least schooling. Among the older individuals, only the prevalence of angina was higher.</p>
      <p>When interpreting these findings, at least two limitations that may have affected the estimates must be taken into consideration: 1) the recall time was unlimited, so, some episodes may have been forgotten; it would result in reduction of the prevalence, and 2) the lack of accuracy assessment (sensitivity and specificity) of the Rose questionnaire for the population under study could change prevalence in either direction, depending on those properties.</p>
      <p>In addition, caution must be taken regarding the inference of the accuracy of this tool when used on other populations, since local populational characteristics can influence the assessment. In this regard, a study compared the accuracy of this tool in two different communities, obtaining a difference of 16 percentage points in sensitivity among men (37% <italic>vs</italic> 21%) and women (24% <italic>vs</italic> 8%) when compared to self-reported medical diagnosis. A similar situation was found when comparing ischemic changes on resting ECG, with a difference of 18 percentage points among men (36% <italic>vs</italic> 18%) and 27 percentage points among women (33% <italic>vs</italic> 6%)<sup>14</sup>. The author justifies these findings stating that chest pain may be experienced, interpreted, and described according to local cultural aspects, or socioeconomic and educational factors that may lead them to be perceived differently<sup>14</sup>.</p>
      <p>However, there are aspects that reinforce the importance of the findings presented herein, such as the use of a representative sample in Pelotas - which reduces the possibility of selection bias - and the low non-respondent rate observed in this study.</p>
      <p>The prevalence of angina in this study was higher than the 5.1% found in a major populational survey in the United States<sup>15</sup>. Another study conducted in that country found a rate of 5.8% for the same age groups<sup>16</sup>. However, no Latin American studies that had used the Rose questionnaire for angina at the populational level were found. Such studies could have been used to compare countries featuring similar customs and levels of development. The importance of the prevalence of angina is due to the fact that individuals with this condition have higher risk of heart attack and death<sup>2</sup>.</p>
      <p>The high incidence of angina at advancing age, in both sexes, was also observed in a populational survey in the United States<sup>15</sup> and in studies in other countries such as Italy<sup>17</sup> and Spain<sup>18</sup>. This is mainly due to the accumulation of atherosclerotic disease, reflecting cumulative exposure to risk factors<sup>19</sup>.</p>
      <p>Similar to our findings, a recent meta-analysis showed higher prevalence of angina among women, with a prevalence ratio of 1.2<sup>5</sup>. The rates were high in all age groups under study, as was observed in a North American study<sup>20</sup>. This fact can be explained by the difference in the manifestation of coronary heart disease between both sexes: myocardial infarction and sudden death are more frequent among males, while angina is more common among females<sup>21</sup>. In regard to the higher difference in the prevalence of angina found in the extreme age groups, women, above all young women, may have more chest pain unrelated to coronary heart disease<sup>20</sup>. In addition, among older individuals, that difference may also stem from the higher mortality rate among men with angina, thus diminishing its prevalence<sup>22</sup>.</p>
      <p>The higher prevalence of angina among male individuals with black/brown skin color is consistent with a North American study that showed higher prevalence among individuals of African descent as compared to those of white skin color (6.2% <italic>vs</italic> 3.9%). Such difference was not observed among women<sup>20</sup>. However, another study conducted in the same country showed higher prevalence among women with black skin, but not among men<sup>16</sup>.</p>
      <p>The economic levels - characterized in this study by ABEP economic classes - and levels of schooling proved to be associated with the prevalence of angina. These findings are in accordance with Brazilian studies that showed association between the worst indicators of socioeconomic level and higher rates of death due to ischemic heart disease<sup>23,24</sup>. Such pattern was even found in countries featuring less social inequity than Brazil. A Canadian study showed that educational level and occupations are associated with angina regardless of the classical risk factors for coronary heart disease<sup>25</sup>. Another study, carried out in the United States, showed that individuals with less schooling have higher prevalence of angina, regardless of sex or race<sup>20</sup>. An unhealthy diet, smoking, and lack of physical activity, associated with less access to good quality health care and less attention to doctors' recommendations, at a proximal level, constitute explanations for such association<sup>26</sup>.</p>
      <p>The prevalence of possible angina found in this study (12%) was higher than that found in Spain (6.7%)<sup>18</sup>. This finding is relevant in view of the proven association between possible angina and future myocardial infarction and cardiac death<sup>27,28</sup>. In a North American study, the risk of death due to ischemic heart disease among individuals with possible angina was 2.4 among males, and 2.7 among females<sup>6</sup>, regardless of the classical risk factors associated with ischemic heart disease.</p>
      <p>In view of the fact that, in this study, the prevalence of angina and possible angina are mutually exclusive, either one or other condition affects one out of five individuals in Pelotas. Taking into account that a poor diet, smoking, and a sedentary lifestyle are the main modifiable risk factors associated with ischemic heart disease<sup>29</sup>, efforts should be made to attempt to reduce these factors. Such efforts would undoubtedly lead to a reduction in the prevalence of angina and, consequently, in deaths caused by ischemic heart disease in the city under study. In turn, it would also reduce the economic impact since this disease constitutes a significant burden on family budgets and on the Brazilian public health system<sup>30</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interests</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>Sources of Funding</bold>
      </p>
      <p>This study was partially funded by CAPES.</p>
      <p>
        <bold>Study Association</bold>
      </p>
      <p>This article is part of the thesis of master submitted by Leonardo Alves, from <italic>Universidade Federal de Pelotas</italic>.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
