<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="ppub">0066-782X</issn>
      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">MZJFNyHDghgdtvc53Tpq8Lm</article-id>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2010000400007</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(10)09400407</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2010005000011</article-id>
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          <subject>Artigos Originais</subject>
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        <article-title>Incapacidade para atividades habituais: rela&#231;&#227;o com press&#227;o arterial e terap&#234;utica anti-hipertensiva</article-title>
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            <surname>Goffredo Filho</surname>
            <given-names>Gilberto Senechal de</given-names>
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            <surname>Faerstein</surname>
            <given-names>Eduardo</given-names>
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        <institution content-type="orgname">Universidade do Estado do Rio de Janeiro</institution>
        <institution content-type="orgdiv1">Instituto de Medicina Social </institution>
        <institution content-type="orgdiv2">Departamento de Epidemiologia</institution>
      </aff>
      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>04</month>
        <year>2010</year>
      </pub-date>
      <volume>94</volume>
      <issue>4</issue>
      <fpage>472</fpage>
      <lpage>476</lpage>
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          <year>2009</year>
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          <day>24</day>
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        <license license-type="open-access" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/" xml:lang="en">
          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      </permissions>
      <abstract>
        <p>FUNDAMENTO: A hipertens&#227;o arterial desempenha papel determinante na ocorr&#234;ncia de eventos cl&#237;nicos graves, por&#233;m h&#225; controv&#233;rsias quanto ao impacto dos n&#237;veis da press&#227;o arterial ou das medica&#231;&#245;es anti-hipertensivas no cotidiano dos indiv&#237;duos. OBJETIVO: Verificar se a eleva&#231;&#227;o dos valores press&#243;ricos ou a terapia farmacol&#243;gica anti-hipertensiva determinam incapacidade tempor&#225;ria para atividades habituais. M&#201;TODOS: An&#225;lise de dados seccionais de 2.953 participantes, em 1999-2001, de coorte de funcion&#225;rios de universidade no Rio de Janeiro (Estudo Pr&#243;-Sa&#250;de). A ocorr&#234;ncia e dura&#231;&#227;o da incapacidade nos 14 dias anteriores &#224; coleta de dados foram avaliadas segundo o valor aferido da press&#227;o arterial, como vari&#225;vel cont&#237;nua, e com a estratifica&#231;&#227;o dos participantes em quatro grupos, combinando as informa&#231;&#245;es quanto &#224; press&#227;o arterial (&lt; ou &gt; 140/90 mmHg) e o uso relatado de medica&#231;&#227;o anti-hipertensiva. Realizamos regress&#227;o log&#237;stica multinomial, com ajuste m&#250;ltiplo para sexo, idade cor/ra&#231;a, renda domiciliar per capita, e relato de comorbidades. RESULTADOS: A raz&#227;o de chances ajustada para a rela&#231;&#227;o entre uso de anti-hipertensivos e incapacidade de 8 a 14 dias foi de 2,08 (IC 95%: 1,25-3,48), e para a rela&#231;&#227;o entre aumento de 10 mmHg da press&#227;o sist&#243;lica e incapacidade de at&#233; 7 dias foi de 0,92 (IC 95%: 0,84-1,01). CONCLUS&#195;O: Incapacidade tempor&#225;ria por 8 a 14 dias associada &#224; medica&#231;&#227;o anti-hipertensiva pode estar relacionada aos seus efeitos adversos. Entre outras raz&#245;es, a sugestiva associa&#231;&#227;o inversa entre press&#227;o sist&#243;lica e incapacidade por at&#233; 7 dias pode relacionar-se ao fen&#244;meno de hipoalgesia por vezes descrita entre hipertensos.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Hipertens&#227;o</kwd>
        <kwd>anti-hipertensivos</kwd>
        <kwd>perfil de impacto da doen&#231;a</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>26</day>
        <month>03</month>
        <year>2010</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
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  <body>
    <p>ARTIGO ORIGINAL </p>
    <p> EPIDEMIOLOGIA </p>
    <p>Incapacidade para atividades habituais: rela&#231;&#227;o com press&#227;o arterial e terap&#234;utica anti-hipertensiva</p>
    <p>
      <bold>Gilberto Senechal de Goffredo Filho; Eduardo Faerstein</bold>
    </p>
    <p> Departamento de Epidemiologia - Instituto de Medicina Social - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ &#150; Brasil</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="nt">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p><bold>FUNDAMENTO:</bold> A hipertens&#227;o arterial desempenha papel determinante na ocorr&#234;ncia de eventos cl&#237;nicos graves, por&#233;m h&#225; controv&#233;rsias quanto ao impacto dos n&#237;veis da press&#227;o arterial ou das medica&#231;&#245;es anti-hipertensivas no cotidiano dos indiv&#237;duos. </p>
    <p><bold>OBJETIVO: </bold>Verificar se a eleva&#231;&#227;o dos valores press&#243;ricos ou a terapia farmacol&#243;gica anti-hipertensiva determinam incapacidade tempor&#225;ria para atividades habituais. </p>
    <p><bold>M&#201;TODOS: </bold>An&#225;lise de dados seccionais de 2.953 participantes, em 1999-2001, de coorte de funcion&#225;rios de universidade no Rio de Janeiro (Estudo Pr&#243;-Sa&#250;de). A ocorr&#234;ncia e dura&#231;&#227;o da incapacidade nos 14 dias anteriores &#224; coleta de dados foram avaliadas segundo o valor aferido da press&#227;o arterial, como vari&#225;vel cont&#237;nua, e com a estratifica&#231;&#227;o dos participantes em quatro grupos, combinando as informa&#231;&#245;es quanto &#224; press&#227;o arterial (&lt; ou <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg) e o uso relatado de medica&#231;&#227;o anti-hipertensiva. Realizamos regress&#227;o log&#237;stica multinomial, com ajuste m&#250;ltiplo para sexo, idade cor/ra&#231;a, renda domiciliar per capita, e relato de comorbidades. </p>
    <p><bold>RESULTADOS: </bold>A raz&#227;o de chances ajustada para a rela&#231;&#227;o entre uso de anti-hipertensivos e incapacidade de 8 a 14 dias foi de 2,08 (IC 95%: 1,25-3,48), e para a rela&#231;&#227;o entre aumento de 10 mmHg da press&#227;o sist&#243;lica e incapacidade de at&#233; 7 dias foi de 0,92 (IC 95%: 0,84-1,01). </p>
    <p><bold>CONCLUS&#195;O: </bold>Incapacidade tempor&#225;ria por 8 a 14 dias associada &#224; medica&#231;&#227;o anti-hipertensiva pode estar relacionada aos seus efeitos adversos. Entre outras raz&#245;es, a sugestiva associa&#231;&#227;o inversa entre press&#227;o sist&#243;lica e incapacidade por at&#233; 7 dias pode relacionar-se ao fen&#244;meno de hipoalgesia por vezes descrita entre hipertensos. </p>
    <p><bold>Palavras-chave: </bold>Hipertens&#227;o, anti-hipertensivos/efeitos adversos, perfil de impacto da doen&#231;a.</p>
    <p>
      <bold>Introdu&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>A hipertens&#227;o arterial (HA) desempenha papel plenamente reconhecido na g&#234;nese de agravos &#224; sa&#250;de, com grande impacto individual e coletivo, como doen&#231;a coronariana, acidente vascular encef&#225;lico (AVE) e doen&#231;a renal cr&#244;nica<sup>1</sup>. Um aspecto menos estudado da HA &#233; sua potencial repercuss&#227;o no cotidiano do portador, que pode ocorrer atrav&#233;s de mecanismos diferentes das les&#245;es de &#243;rg&#227;os-alvo citadas. Em primeiro lugar, h&#225; a possibilidade da ocorr&#234;ncia de efeitos biol&#243;gicos diretamente relacionados aos valores elevados da press&#227;o arterial (PA). A maior parte das evid&#234;ncias atuais sugere que a HA, ao menos nas faixas leve a moderada, &#233; assintom&#225;tica<sup>2</sup>, sendo ainda controversa a exist&#234;ncia de rela&#231;&#227;o, por exemplo, entre HA e cefaleia<sup>3</sup>. Em segundo lugar, o uso de terapia farmacol&#243;gica anti-hipertensiva pode determinar pior qualidade de vida do usu&#225;rio<sup>4</sup>, decorrente de sintomas induzidos pelas drogas utilizadas. Por fim, um indiv&#237;duo hipertenso pode adotar atitudes espec&#237;ficas, como absente&#237;smo no trabalho e limita&#231;&#227;o de atividades sociais ou de lazer<sup>5</sup>, simplesmente por reconhecer-se portador de uma doen&#231;a, num processo conhecido como rotula&#231;&#227;o. </p>
    <p>A incapacidade tempor&#225;ria para a realiza&#231;&#227;o de atividades habituais, definida como uma restri&#231;&#227;o tempor&#225;ria na capacidade funcional habitual do indiv&#237;duo<sup>6</sup>, &#233; um indicador do estado de sa&#250;de recomendado pela Organiza&#231;&#227;o Mundial da Sa&#250;de para estudos populacionais e pode ser &#250;til para determinar o impacto de uma doen&#231;a ou condi&#231;&#227;o no cotidiano dos indiv&#237;duos.</p>
    <p>Neste trabalho, investigamos se a HA determina incapacidade tempor&#225;ria para atividades habituais, especificamente pela repercuss&#227;o direta dos valores press&#243;ricos ou indiretamente pelo efeito da terapia farmacol&#243;gica anti-hipertensiva.</p>
    <p>
      <bold>M&#233;todos</bold>
    </p>
    <p>Analisamos dados do Estudo Pr&#243;-Sa&#250;de, uma pesquisa longitudinal de funcion&#225;rios t&#233;cnico-administrativos efetivos de uma universidade localizada no Estado do Rio de Janeiro. A popula&#231;&#227;o-alvo foi identificada por meio da combina&#231;&#227;o de listagens fornecidas pelo &#243;rg&#227;o de recursos humanos da institui&#231;&#227;o, pelo setor respons&#225;vel pela elabora&#231;&#227;o da folha de pagamento e diretamente por suas unidades e setores. Foram exclu&#237;dos funcion&#225;rios cedidos a outras institui&#231;&#245;es e licenciados por motivos n&#227;o relacionados &#224; sa&#250;de.</p>
    <p>Tr&#234;s fases de coleta de dados j&#225; foram realizadas: 1999, 2001 e 2006-2007. Todo o processo de coleta de dados nas tr&#234;s fases foi realizado por equipes treinadas de pesquisadores, supervisores e coordenadores de campo. Diariamente, os question&#225;rios eram revisados e digitados de maneira duplicada e independente. Especificamente em rela&#231;&#227;o &#224; PA, os pesquisadores de campo foram treinados por meio de material produzido pelo <italic>British Medical Journal</italic><sup>7</sup>. O controle de qualidade incluiu a detec&#231;&#227;o de poss&#237;vel vi&#233;s de d&#237;gito terminal e a avalia&#231;&#227;o quinzenal da propor&#231;&#227;o de dados ausentes e de medidas id&#234;nticas da PA. </p>
    <p>Em nosso estudo, de natureza seccional, utilizamos dados colhidos na segunda fase do estudo, relativos aos participantes das duas primeiras fases de coleta de dados. Dos 4.177 servidores eleg&#237;veis para participa&#231;&#227;o na coorte, foram obtidas informa&#231;&#245;es sobre 3.253 funcion&#225;rios. Ap&#243;s exclus&#227;o de dois servidores com idade acima de 80 anos e de participantes com dados faltantes (267 em rela&#231;&#227;o &#224; incapacidade tempor&#225;ria e 31 em rela&#231;&#227;o &#224; PA), nossa popula&#231;&#227;o de estudo foi composta de 2.953 participantes (70,7% dos eleg&#237;veis).</p>
    <p>Realizaram-se duas medidas da PA e utilizou-se a m&#233;dia das aferi&#231;&#245;es. O uso de medica&#231;&#227;o anti-hipertensiva foi avaliado por meio da pergunta: "Nos &#250;ltimos 7 dias voc&#234; tomou algum medicamento?". Em caso de resposta positiva, o participante informava a medica&#231;&#227;o, e esta era categorizada como anti-hipertensivo ou n&#227;o por dois codificadores independentes. Posteriormente, os indiv&#237;duos foram categorizados em quatro grupos referentes &#224; exposi&#231;&#227;o: 1) aqueles com PA abaixo de 140/90 mmHg e sem relato de uso de medica&#231;&#227;o anti-hipertensiva; 2) aqueles com PA <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg e igualmente sem relato de medica&#231;&#227;o; 3) os que relataram o uso de medica&#231;&#227;o e apresentaram PA &lt; 140/90 mmHg; 4) e os que relataram uso de medica&#231;&#227;o e apresentaram PA <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg. Esse procedimento permitiu a an&#225;lise em separado do valor elevado da PA e dos medicamentos como potenciais determinantes de incapacidade tempor&#225;ria. </p>
    <p>Como desfecho, consideraram-se a ocorr&#234;ncia e a dura&#231;&#227;o dos epis&#243;dios de incapacidade tempor&#225;ria para a realiza&#231;&#227;o das atividades habituais nos 14 dias anteriores, por meio das perguntas: "Nas <italic>&#250;ltimas duas semanas</italic>, voc&#234; ficou impedido(a) de realizar alguma de suas atividades habituais (por exemplo, trabalho, estudo, lazer ou tarefas dom&#233;sticas) por algum problema de sa&#250;de que voc&#234; teve ou tem?"; o participante que relatasse incapacidade tempor&#225;ria, responderia &#224; seguinte quest&#227;o: "Nessas <italic>&#250;ltimas duas semanas</italic>, por <italic>quantos dias</italic>, no total, voc&#234; ficou impedido(a) de realizar alguma de suas atividades habituais (por exemplo, trabalho, estudo, lazer ou tarefas dom&#233;sticas) devido a este(s) problema(s) de sa&#250;de que voc&#234; teve ou tem?". </p>
    <p>Com base na distribui&#231;&#227;o observada, nosso desfecho foi agrupado em tr&#234;s categorias de participantes: aqueles que n&#227;o relataram incapacidade, os que a relataram por per&#237;odo de at&#233; 7 dias e os que a relataram por 8 a 14 dias. </p>
    <p>Algumas vari&#225;veis foram consideradas potenciais confundidoras. A idade, o &#237;ndice de massa corporal (IMC, em kg/m<sup>2</sup>) e a renda domiciliar <italic>per capita</italic> (em sal&#225;rios m&#237;nimos vigentes na &#233;poca) foram tratados como vari&#225;veis cont&#237;nuas, e aplicamos a esta &#250;ltima uma transforma&#231;&#227;o logar&#237;tmica, em raz&#227;o de sua distribui&#231;&#227;o apresentar grande assimetria &#224; direita. Tratamos como vari&#225;veis categ&#243;ricas: sexo; cor/ra&#231;a, autodefinida pelo entrevistado; presen&#231;a de comorbidades (foi considerado portador de comorbidades o participante que declarou j&#225; ter sido informado por m&#233;dico ser portador de "diabete" e/ou "colesterol alto"); e escolaridade, com estratifica&#231;&#227;o em tr&#234;s categorias: participantes com at&#233; o ensino fundamental completo, n&#237;vel m&#233;dio completo e n&#237;vel universit&#225;rio.</p>
    <p>Ap&#243;s a an&#225;lise descritiva dos dados e a determina&#231;&#227;o da propor&#231;&#227;o de indiv&#237;duos com valores da PA <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg, daqueles em uso de medica&#231;&#227;o anti-hipertensiva, e da frequ&#234;ncia e dura&#231;&#227;o da incapacidade tempor&#225;ria, realizamos uma avalia&#231;&#227;o da preval&#234;ncia e dura&#231;&#227;o da incapacidade tempor&#225;ria entre as quatro categorias de exposi&#231;&#227;o citadas. Foram pesquisadas tamb&#233;m as m&#233;dias da PA sist&#243;lica e diast&#243;lica nos tr&#234;s diferentes grupos em rela&#231;&#227;o ao desfecho (sem incapacidade e incapacidade de menor e maior dura&#231;&#227;o).</p>
    <p>Posteriormente, conduzimos a an&#225;lise multivariada por meio de regress&#227;o log&#237;stica multinomial para a aprecia&#231;&#227;o da influ&#234;ncia de potenciais fatores de confus&#227;o, usando a raz&#227;o de chances como medida da magnitude da associa&#231;&#227;o. A utiliza&#231;&#227;o desse modelo baseou-se na aus&#234;ncia de ordinalidade intr&#237;nseca entre as categorias do desfecho<sup>8</sup>. Utilizamos dois modelos diferentes na an&#225;lise. No primeiro, a exposi&#231;&#227;o foi tratada usando-se as quatro categorias descritas, sendo o grupo de refer&#234;ncia aqueles indiv&#237;duos com PA &lt; 140/90 mmHg e sem uso de medica&#231;&#227;o, e o desfecho com a vari&#225;vel composta citada. No segundo modelo, utilizamos os valores da PA sist&#243;lica e diast&#243;lica em mmHg como vari&#225;vel cont&#237;nua, multiplicados por 10, e o uso de medica&#231;&#227;o anti-hipertensiva como dicot&#244;mica, como vari&#225;veis de exposi&#231;&#227;o.</p>
    <p>Introduzimos nos modelos, sequencialmente, as potenciais vari&#225;veis de confus&#227;o: inicialmente, sexo, idade e cor/ra&#231;a; posteriormente as que se relacionam com a posi&#231;&#227;o socioecon&#244;mica, como escolaridade e renda domiciliar <italic>per capita</italic>; por fim, inclu&#237;mos o &#237;ndice de massa corporal (IMC) e a presen&#231;a de comorbidades. As covari&#225;veis que modificassem a estimativa pontual da associa&#231;&#227;o entre exposi&#231;&#227;o e desfecho em mais de 10% ou que fossem associadas a um p-valor &lt; 0,05 em sua associa&#231;&#227;o com o desfecho foram mantidas no modelo. As an&#225;lises citadas foram repetidas ap&#243;s exclus&#227;o dos entrevistados que relataram diagn&#243;stico pr&#233;vio de infarto do mioc&#225;rdio (IM), angina ou AVE. Os procedimentos estat&#237;sticos foram realizados usando-se o programa Stata 9.1.</p>
    <p>Esses protocolos foram submetidos e aprovados pelo Comit&#234; de &#201;tica na Pesquisa da universidade onde o estudo foi conduzido. Os participantes foram informados sobre o Estudo Pr&#243;-Sa&#250;de e seus objetivos, e assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido.</p>
    <p>
      <bold>Resultados</bold>
    </p>
    <p>A <xref ref-type="table" rid="tab01">tabela 1</xref> mostra a distribui&#231;&#227;o das covari&#225;veis nos 2.953 participantes, havendo pequeno predom&#237;nio de indiv&#237;duos do sexo feminino, brancos, do grupo com renda domiciliar<italic> per capita</italic> de at&#233; tr&#234;s sal&#225;rios m&#237;nimos e de indiv&#237;duos com maior grau de escolaridade. As frequ&#234;ncias de relatos de diagn&#243;stico pr&#233;vio de comorbidades (diabete melito ou dislipidemia) e de angina, IM ou AVE se encontram na mesma tabela. A idade m&#233;dia dos participantes foi de 41,7 anos (variando entre 24 e 69 anos), e o IMC variou entre 15,6 e 64,1, com m&#233;dia de 26,2 e mediana de 25,5 (dados n&#227;o mostrados na tabela).</p>
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    <p>Quatrocentos e noventa e cinco participantes apresentaram PA <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg, e 452 relataram uso de medica&#231;&#227;o anti-hipertensiva; a composi&#231;&#227;o dos quatro estratos formados com base nessas caracter&#237;sticas &#233; apresentada na <xref ref-type="table" rid="tab02">tabela 2</xref>, assim como suas PA m&#233;dias.</p>
    <table-wrap id="tab02">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-04-0472-00011-gt02.jpg"/></table-wrap>
    <p>Incapacidade tempor&#225;ria para atividades habituais nas 2 semanas anteriores foi relatada por 704 participantes (23,8%), com dura&#231;&#227;o m&#233;dia de 3,9 dias e mediana de 2 dias. Dentre aqueles que relataram o tempo de incapacidade, em 551 (83%) participantes esta durou at&#233; 7 dias, e em 113 (17%), de 8 a 14 dias.</p>
    <p>A maior propor&#231;&#227;o de incapacidade tempor&#225;ria foi relatada no grupo que usava medica&#231;&#227;o e com PA &lt; 140/90 mmHg (<xref ref-type="table" rid="tab02">Tabela 2</xref>). Na mesma tabela, observamos que a menor preval&#234;ncia de incapacidade foi encontrada entre os indiv&#237;duos com PA elevada, sem uso de medica&#231;&#227;o. Observamos um tempo m&#233;dio de incapacidade maior entre os indiv&#237;duos que relataram uso de anti-hipertensivos (<xref ref-type="table" rid="tab02">Tabela 2</xref>).</p>
    <p>As m&#233;dias da PA sist&#243;lica e diast&#243;lica nos grupos com ou sem incapacidade tempor&#225;ria encontram-se na <xref ref-type="table" rid="tab03">tabela 3</xref>, e n&#227;o verificamos diferen&#231;as clinicamente relevantes dos valores entre esses grupos.</p>
    <table-wrap id="tab03">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-04-0472-00011-gt03.jpg"/></table-wrap>
    <p>Na an&#225;lise de regress&#227;o em que se utilizou a exposi&#231;&#227;o como vari&#225;vel categ&#243;rica, observamos que o grupo de indiv&#237;duos com PA &lt; 140/90 mmHg e que relatou uso de medica&#231;&#227;o anti-hipertensiva apresentou maior chance de incapacidade tempor&#225;ria por 8 a 14 dias, e esse efeito n&#227;o se manteve no grupo que relatou uso de medica&#231;&#227;o e apresentou PA <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg (<xref ref-type="table" rid="tab04">Tabela 4</xref>). Entre os participantes com PA <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg sem uso de medica&#231;&#227;o, houve uma sugest&#227;o, com signific&#226;ncia estat&#237;stica lim&#237;trofe, de menor chance de incapacidade tempor&#225;ria por at&#233; 7 dias.</p>
    <table-wrap id="tab04">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-04-0472-00011-gt04.jpg"/></table-wrap>
    <p>No modelo em que se utilizou o valor da PA como vari&#225;vel cont&#237;nua, verificamos uma tend&#234;ncia a menor chance da ocorr&#234;ncia de incapacidade tempor&#225;ria por at&#233; 7 dias para cada aumento de 10 mmHg da PA sist&#243;lica, novamente sem que o resultado alcancasse signific&#226;ncia estat&#237;stica formal. O uso de medica&#231;&#227;o anti-hipertensiva associou-se a maior chance de incapacidade por 8 a 14 dias (<xref ref-type="table" rid="tab05">Tabela 5</xref>).</p>
    <table-wrap id="tab05">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-04-0472-00011-gt05.jpg"/></table-wrap>
    <p>Os resultados permaneceram praticamente inalterados quando as an&#225;lises foram repetidas com a exclus&#227;o dos indiv&#237;duos que relataram angina, IM ou AVE pr&#233;vios (dados n&#227;o apresentados).</p>
    <p>
      <bold>Discuss&#227;o</bold>
    </p>
    <p>Em nosso estudo, observamos maior ocorr&#234;ncia de incapacidade para atividades habituais por 8 a 14 dias nos indiv&#237;duos que relataram uso de medica&#231;&#227;o anti-hipertensiva. No modelo que utilizou a PA como vari&#225;vel categ&#243;rica, essa rela&#231;&#227;o entre uso de medica&#231;&#227;o e incapacidade se manteve nos indiv&#237;duos com PA &lt; 140/90 mmHg, e n&#227;o foi observada nos indiv&#237;duos com PA <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg. </p>
    <p>Entre aqueles participantes que n&#227;o relataram uso de medica&#231;&#227;o anti-hipertensiva, ou considerando o valor da PA, observamos rela&#231;&#227;o inversa, com signific&#226;ncia estat&#237;stica lim&#237;trofe, entre a PA e incapacidade por at&#233; 7 dias de dura&#231;&#227;o. </p>
    <p>O fato de n&#227;o haver mudan&#231;a dos resultados ap&#243;s exclus&#227;o dos participantes que relataram diagn&#243;stico pr&#233;vio de angina, IM ou AVE refor&#231;a a ideia de que as associa&#231;&#245;es observadas n&#227;o se relacionam &#224; presen&#231;a dessas complica&#231;&#245;es.</p>
    <p>N&#227;o encontramos na literatura estudo que abordasse poss&#237;veis efeitos da HA na incapacidade tempor&#225;ria para atividades habituais. Utilizando vari&#225;vel semelhante a essa, Tsai e cols.<sup>9</sup> observaram maior n&#250;mero de dias de aus&#234;ncia no trabalho em indiv&#237;duos hipertensos. Tirado e cols.<sup>10</sup> verificaram maior frequ&#234;ncia de incapacidade tempor&#225;ria para o trabalho e tamb&#233;m maior n&#250;mero de dias de incapacidade laborativa em hipertensos. Ressaltamos que esses estudos n&#227;o enfocam o mecanismo por meio do qual a HA determinou a incapacidade citada.</p>
    <p>Acreditamos que a ocorr&#234;ncia de eventos adversos constitui explica&#231;&#227;o plaus&#237;vel para a maior preval&#234;ncia de incapacidade tempor&#225;ria encontrada nos indiv&#237;duos que relataram o uso de medica&#231;&#227;o anti-hipertensiva, principalmente quando observamos que o uso das drogas associou-se &#224; incapacidade por 8 a 14 dias, sugerindo um efeito associado ao uso di&#225;rio ou, pelo menos, frequente da medica&#231;&#227;o. Nossos resultados s&#227;o consistentes com outras pesquisas, como as de Lawrence e cols.<sup>4</sup> e Roca-Cusachs e cols.<sup>11</sup> que observaram rela&#231;&#227;o direta entre n&#250;mero de drogas usadas e pior avalia&#231;&#227;o da qualidade de vida em hipertensos. Considerando que a presen&#231;a de efeitos indesej&#225;veis &#233; um determinante importante da n&#227;o ades&#227;o ao tratamento, conforme apontado na quinta edi&#231;&#227;o do evento Diretrizes Brasileiras de Hipertens&#227;o Arterial<sup>12</sup>, esses dados refor&#231;am a ideia j&#225; amplamente difundida quanto &#224; necessidade de estabelecimento de um esquema terap&#234;utico farmacol&#243;gico com o m&#237;nimo poss&#237;vel de efeitos indesej&#225;veis. </p>
    <p>O desenho seccional de nosso estudo imp&#245;e uma ressalva em rela&#231;&#227;o &#224;s poss&#237;veis infer&#234;ncias realizadas a partir da associa&#231;&#227;o encontrada entre uso de drogas anti-hipertensivas e incapacidade tempor&#225;ria. N&#227;o podemos descartar a possibilidade de causalidade reversa, ou seja, que a percep&#231;&#227;o de um sintoma qualquer tenha levado o participante a procurar assist&#234;ncia m&#233;dica e que a medica&#231;&#227;o anti-hipertensiva tenha sido indicada a partir de verifica&#231;&#227;o de PA elevada nesse epis&#243;dio. Entretanto, se o epis&#243;dio de incapacidade tivesse acarretado o uso posterior de medica&#231;&#227;o na maior parte dos participantes, ter&#237;amos provavelmente encontrado associa&#231;&#227;o tamb&#233;m entre uso de droga e incapacidade de menor dura&#231;&#227;o, o que n&#227;o ocorreu. </p>
    <p>Ademais, o relato de uso de medica&#231;&#227;o em nosso estudo n&#227;o abrange a informa&#231;&#227;o sobre o grau de ades&#227;o ao tratamento, que pode variar consideravelmente. Poucos estudos brasileiros aferiram o grau de ades&#227;o &#224; terap&#234;utica anti-hipertensiva, com grande varia&#231;&#227;o dos resultados. O &#237;ndice de ades&#227;o &#224; medica&#231;&#227;o prescrita encontrado em pacientes pobres em Salvador foi de 11%, enquanto 67% dos pacientes em ambulat&#243;rio de geriatria em Ribeir&#227;o Preto apresentavam ades&#227;o completa<sup>13</sup>; n&#227;o temos, portanto, como fazer algum tipo de infer&#234;ncia sobre esse aspecto para a popula&#231;&#227;o pesquisada. A diferen&#231;a da rela&#231;&#227;o com incapacidade tempor&#225;ria observada entre os grupos que relataram uso de medica&#231;&#227;o, mas apresentavam PA &lt; 140/90 mmHg ou <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg, pode relacionar-se a graus diversos de ades&#227;o ao tratamento. &#201; poss&#237;vel que os indiv&#237;duos do grupo com PA elevada tenham relatado uso das drogas, mas que seu grau de ades&#227;o seja menor, o que justificaria seus maiores valores da PA e menor repercuss&#227;o das medica&#231;&#245;es em termos de incapacidade tempor&#225;ria.</p>
    <p>Outra explica&#231;&#227;o poss&#237;vel para a maior preval&#234;ncia de incapacidade tempor&#225;ria entre os indiv&#237;duos com PA elevada que relataram uso de medica&#231;&#227;o anti-hipertensiva &#233; a ado&#231;&#227;o de um comportamento de maior "autocuidado" por parte destes, por exemplo com visitas mais frequentes a profissionais de sa&#250;de, e consequente "incapacidade" para realiza&#231;&#227;o de suas atividades habituais nessas ocasi&#245;es. Esse aspecto n&#227;o foi controlado em nossas an&#225;lises pela aus&#234;ncia de dados a respeito no estudo. No entanto, consideramos que, se esse fen&#244;meno tivesse sido respons&#225;vel por maior frequ&#234;ncia de incapacidade tempor&#225;ria, tal fato teria ocorrido tamb&#233;m para incapacidade por at&#233; 7 dias, o que n&#227;o foi observado.</p>
    <p>Em rela&#231;&#227;o &#224; tend&#234;ncia de associa&#231;&#227;o inversa entre PA sist&#243;lica elevada e incapacidade por at&#233; 7 dias, podemos conjecturar se esta se relaciona ao fen&#244;meno, observado por alguns autores, de hipoalgesia associada &#224; HA. Esse fen&#244;meno foi descrito inicialmente por Zamir e Shuber<sup>14</sup> que detectaram limiar mais alto para dor por est&#237;mulo na polpa dental de homens hipertensos quando comparados com normotensos. A partir desse relato, v&#225;rios autores v&#234;m documentando esse fen&#244;meno associado a dor em outros locais e por outros est&#237;mulos. Schobel e cols.<sup>15</sup> observaram rela&#231;&#227;o inversa entre a percep&#231;&#227;o de dor por est&#237;mulo mec&#226;nico cut&#226;neo e o valor da PA m&#233;dia, aferida em momento imediatamente anterior ao est&#237;mulo. Duschek e cols.<sup>16</sup> observaram menor limiar para dor induzida por est&#237;mulo t&#233;rmico em indiv&#237;duos hipotensos quando comparados com normotensos, o que aponta para a exist&#234;ncia desse fen&#244;meno inclusive em n&#237;veis de PA abaixo daqueles que caracterizam a HA. &#201; poss&#237;vel que a repercuss&#227;o de eventos que sejam possivelmente causadores de dor no cotidiano dos hipertensos seja menor do que naqueles com PA normal. Hagen e cols.<sup>17</sup> encontraram menor preval&#234;ncia de dor musculoesquel&#233;tica em v&#225;rias localiza&#231;&#245;es anat&#244;micas nos indiv&#237;duos com PA mais elevada. Tronvik e cols.<sup>18</sup> verificaram que maiores valores da PA sist&#243;lica e da press&#227;o de pulso estavam associados a uma menor preval&#234;ncia de cefaleia n&#227;o migranosa na popula&#231;&#227;o geral. </p>
    <p>Em nosso estudo, que pode ser considerado de porte m&#233;dio, as aferi&#231;&#245;es foram realizadas com padroniza&#231;&#227;o e controle de qualidade bastante rigorosos, e tais procedimentos s&#227;o de grande import&#226;ncia para garantir a confiabilidade dos dados obtidos. Diferentemente da maior parte das pesquisas que abordam a repercuss&#227;o da HA no cotidiano apenas classificando os participantes como hipertensos ou normotensos, utilizamos tamb&#233;m o valor aferido da PA. Este estudo tamb&#233;m inova ao investigar a repercuss&#227;o dos n&#237;veis press&#243;ricos elevados atrav&#233;s de incapacidade tempor&#225;ria para atividades habituais, que consiste em abordagem diversa do enfoque habitual nos eventos graves relacionados &#224; HA.</p>
    <p>Algumas limita&#231;&#245;es do estudo devem ser apontadas. O valor da medida da PA que usamos refere-se &#224; m&#233;dia de duas aferi&#231;&#245;es realizadas em um &#250;nico dia; levando em conta a varia&#231;&#227;o da PA ao longo do tempo, n&#227;o podemos afirmar que o valor obtido representa necessariamente o valor habitual dos n&#237;veis press&#243;ricos nos 15 dias anteriores &#224; verifica&#231;&#227;o. Esta limita&#231;&#227;o deve ser enfatizada, principalmente considerando que a PA aferida do entrevistado pode ter sofrido influ&#234;ncia de alguma mudan&#231;a de comportamento (como at&#233; mesmo o uso de anti-hipertensivos) adotada em per&#237;odo recente.</p>
    <p>Dentre as covari&#225;veis utilizadas no modelo, &#233; necess&#225;rio lembrar que a classifica&#231;&#227;o do indiv&#237;duo como portador de comorbidades foi feita com base em morbidade referida pelo participante. Considerando a possibilidade de haver rela&#231;&#227;o entre a incapacidade tempor&#225;ria e as doen&#231;as consideradas nessa classifica&#231;&#227;o (em especial o diabete melito, com os sintomas dele decorrentes), n&#227;o podemos descartar o fato de haver algum grau de confundimento residual, pela possibilidade de o indiv&#237;duo n&#227;o estar ciente de ser portador dessa condi&#231;&#227;o.</p>
    <p>Por tratar-se de um estudo seccional, pode ocorrer vi&#233;s de sobreviv&#234;ncia seletiva, no qual hipertensos mais graves tenham sido exclu&#237;dos precocemente da popula&#231;&#227;o por &#243;bito ou aposentadoria decorrentes de complica&#231;&#245;es da HA. Portanto, os resultados encontrados n&#227;o necessariamente se aplicam aos hipertensos com evolu&#231;&#227;o mais desfavor&#225;vel, e a pesquisa nesse subgrupo demandaria um desenho de estudo diferente do adotado.</p>
    <p>Poderia ser cogitada tamb&#233;m a hip&#243;tese de que determinados indiv&#237;duos teriam tend&#234;ncia a subestimar ou omitir voluntariamente a ocorr&#234;ncia de incapacidade tempor&#225;ria, por tratar-se de uma coleta de informa&#231;&#245;es em ambiente de trabalho. Acreditamos que sua ocorr&#234;ncia tenha sido bastante rara, pela &#234;nfase manifestada pela equipe de coleta quanto ao sigilo dos dados, pela explicita&#231;&#227;o de que se tratava de qualquer das atividades habituais do participante e por um certo efeito de "dilui&#231;&#227;o" pelo fato de a pergunta estar disposta no question&#225;rio em meio a outras informa&#231;&#245;es sem rela&#231;&#227;o direta com ela.</p>
    <p>An&#225;lises subsequentes ser&#227;o desenvolvidas com base nos resultados apresentados aqui, como a ocorr&#234;ncia de incapacidade tempor&#225;ria em hipertensos em uso de diferentes medica&#231;&#245;es, o que pode nos fornecer dados importantes sobre op&#231;&#245;es de tratamento com menor repercuss&#227;o no cotidiano do indiv&#237;duo, e a verifica&#231;&#227;o das preval&#234;ncias dos diversos motivos relatados de incapacidade, o que permitir&#225; investigar de modo mais direto, nessa popula&#231;&#227;o de estudo, a hip&#243;tese de hipoalgesia associada &#224; hipertens&#227;o arterial.</p>
    <p>
      <bold>Conclus&#227;o</bold>
    </p>
    <p>Em rela&#231;&#227;o aos n&#237;veis da PA, nossos achados s&#227;o consistentes com a hip&#243;tese de que maiores valores press&#243;ricos podem determinar menor frequ&#234;ncia de incapacidade tempor&#225;ria por per&#237;odo de at&#233; 7 dias, e, pelo menos na faixa de valores da PA n&#227;o muito elevados, os dados sugerem aus&#234;ncia de repercuss&#227;o negativa dos n&#237;veis press&#243;ricos no cotidiano do indiv&#237;duo. </p>
    <p>Observamos tamb&#233;m associa&#231;&#227;o entre o uso de drogas anti-hipertensivas e a maior frequ&#234;ncia de incapacidade tempor&#225;ria de maior dura&#231;&#227;o, o que refor&#231;a a import&#226;ncia do cuidado na implementa&#231;&#227;o da terap&#234;utica farmacol&#243;gica anti-hipertensiva.</p>
    <p>
      <bold>Agradecimentos</bold>
    </p>
    <p>Agradecemos ao professor Michael Reichenheim as contribui&#231;&#245;es na elabora&#231;&#227;o deste trabalho.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflito de interesses pertinentes.</p>
    <p>
      <bold>Fontes de Financiamento</bold>
    </p>
    <p>O presente estudo foi parcialmente financiado pelo CNPq e FAPERJ</p>
    <p>
      <bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>Este artigo &#233; parte de disserta&#231;&#227;o de Mestrado de Gilberto Senechal de Goffredo Filho pelo Instituto de Medicina Social - Universidade do Estado do Rio de Janeiro.</p>
    <p>
      <fn id="nt" fn-type="corresp">
        <p>Correspond&#234;ncia:</p>
        <p> Gilberto Senechal de Goffredo Filho </p>
        <p> Rua Henrique Dias, 453 - Retiro - 25680-301 - Petr&#243;polis, RJ - Brasil </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="senechal330@gmail.com">senechal330@gmail.com</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p> Artigo recebido em 16/01/09; revisado recebido em 24/07/09; aceito em 10/08/09.</p>
  </body>
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        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>Does hypertension protect against chronic musculoskeletal complaints? The Nord-Tr&#248;ndelag Health Study</article-title>
          <source>Arch Intern Med</source>
          <date>
            <year>2005</year>
          </date>
          <fpage>916</fpage>
          <lpage>22</lpage>
          <issue>8</issue>
          <volume>165</volume>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Hagen</surname>
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              <surname>Svebak</surname>
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              <surname>Bovim</surname>
              <given-names>G</given-names>
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            <name>
              <surname>Stovner</surname>
              <given-names>LJ</given-names>
            </name>
          </person-group>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="B18">
        <label>18</label>
        <mixed-citation>18. Tronvik E, Stovner LJ, Hagen K, Holmen J, Zwart JA,. High pulse pressure protects against headache: prospective and cross-sectional data (HUNT study). Neurology. 2008; 70 (16): 1329-36.</mixed-citation>
        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>High pulse pressure protects against headache: prospective and cross-sectional data (HUNT study)</article-title>
          <source>Neurology</source>
          <date>
            <year>2008</year>
          </date>
          <fpage>1329</fpage>
          <lpage>36</lpage>
          <issue>16</issue>
          <volume>70</volume>
          <person-group person-group-type="author">
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              <surname>Tronvik</surname>
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              <given-names>JA</given-names>
            </name>
          </person-group>
        </element-citation>
      </ref>
    </ref-list>
  </back>
  <sub-article article-type="translation" id="TRes" xml:lang="es">
    <front-stub>
      <article-categories/>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="es">Incapacidad para actividades habituales: relaci&#243;n con presi&#243;n arterial y tratamiento antihipertensivo</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="es">
        <p>FUNDAMENTO: La hipertensi&#243;n arterial desempe&#241;a un papel determinante en la aparici&#243;n de eventos cl&#237;nicos graves, aunque hay controversias en cuanto al impacto de los niveles de la presi&#243;n arterial o de la medicaci&#243;n antihipertensiva en la vida cotidiana de los individuos. OBJETIVO: Verificar si la elevaci&#243;n de los valores tensionales o el tratamiento farmacol&#243;gico antihipertensivo determinan incapacidad temporaria para actividades habituales. M&#201;TODOS: An&#225;lisis de datos seccionales de 2.953 participantes, en 1999-2001, de cohorte de funcionarios de universidad en Rio de Janeiro (Estudio Pr&#243;-Sa&#250;de). La ocurrencia y duraci&#243;n de la incapacidad en los 14 d&#237;as anteriores a la recolecci&#243;n de datos se evaluaron seg&#250;n el valor de presi&#243;n arterial medido, como variable continua, y con la estratificaci&#243;n de los participantes en cuatro grupos, en los que se combinaron las informaciones en cuanto a la presi&#243;n arterial (&lt; o &gt; 140/90 mmHg) y al uso referido de medicaci&#243;n antihipertensiva. Realizamos regresi&#243;n log&#237;stica multinomial, con ajuste m&#250;ltiple para sexo, edad color/raza, renta domiciliaria per capita, y relato de comorbilidades. RESULTADOS: La raz&#243;n de chances ajustada para la relaci&#243;n entre uso de antihipertensivos e incapacidad de 8 a 14 d&#237;as fue de 2,08 (IC 95%: 1,25-3,48), y para la relaci&#243;n entre aumento de 10 mmHg de la presi&#243;n sist&#243;lica e incapacidad de hasta 7 d&#237;as fue de 0,92 (IC 95%: 0,84-1,01). CONCLUSI&#211;N: La incapacidad temporaria por 8 a 14 d&#237;as asociada a la medicaci&#243;n antihipertensiva puede estar relacionada a sus efectos adversos. Entre otras razones, la sugestiva asociaci&#243;n inversa entre presi&#243;n sist&#243;lica e incapacidad de hasta 7 d&#237;as puede relacionarse al fen&#243;meno de hipoalgesia descripta a veces entre hipertensos.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="es">
        <kwd>Hipertensi&#243;n</kwd>
        <kwd>antihipertensivos</kwd>
        <kwd>perfil de impacto de la enfermedad</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>ART&#205;CULO ORIGINAL</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="top-body2">
          <label>
            <bold>Incapacidad para actividades habituales: relaci&#243;n con presi&#243;n arterial y tratamiento antihipertensivo</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Gilberto Senechal de Goffredo Filho; Eduardo Faerstein</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Departamento de Epidemiologia - Instituto de Medicina Social - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ - Brasil</p>
      <p>Correspondencia</p>
      <p>
        <bold>RESUMEN</bold>
      </p>
      <p><bold>FUNDAMENTO: </bold> La hipertensi&#243;n arterial desempe&#241;a un papel determinante en la aparici&#243;n de eventos cl&#237;nicos graves, aunque hay controversias en cuanto al impacto de los niveles de la presi&#243;n arterial o de la medicaci&#243;n antihipertensiva en la vida cotidiana de los individuos.</p>
      <p> OBJETIVO: Verificar si la elevaci&#243;n de los valores tensionales o el tratamiento farmacol&#243;gico antihipertensivo determinan incapacidad temporaria para actividades habituales.</p>
      <p><bold>M&#201;TODOS:</bold> An&#225;lisis de datos seccionales de 2.953 participantes, en 1999-2001, de cohorte de funcionarios de universidad en Rio de Janeiro (Estudio Pr&#243;-Sa&#250;de). La ocurrencia y duraci&#243;n de la incapacidad en los 14 d&#237;as anteriores a la recolecci&#243;n de datos se evaluaron seg&#250;n el valor de presi&#243;n arterial medido, como variable continua, y con la estratificaci&#243;n de los participantes en cuatro grupos, en los que se combinaron las informaciones en cuanto a la presi&#243;n arterial (&lt; o <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg) y al uso referido de medicaci&#243;n antihipertensiva. Realizamos regresi&#243;n log&#237;stica multinomial, con ajuste m&#250;ltiple para sexo, edad color/raza, renta domiciliaria <italic>per capita</italic>, y relato de comorbilidades.</p>
      <p> RESULTADOS: La raz&#243;n de chances ajustada para la relaci&#243;n entre uso de antihipertensivos e incapacidad de 8 a 14 d&#237;as fue de 2,08 (IC 95%: 1,25-3,48), y para la relaci&#243;n entre aumento de 10 mmHg de la presi&#243;n sist&#243;lica e incapacidad de hasta 7 d&#237;as fue de 0,92 (IC 95%: 0,84-1,01).</p>
      <p> CONCLUSI&#211;N: La incapacidad temporaria por 8 a 14 d&#237;as asociada a la medicaci&#243;n antihipertensiva puede estar relacionada a sus efectos adversos. Entre otras razones, la sugestiva asociaci&#243;n inversa entre presi&#243;n sist&#243;lica e incapacidad de hasta 7 d&#237;as puede relacionarse al fen&#243;meno de hipoalgesia descripta a veces entre hipertensos.</p>
      <p><bold>Palabras clave: </bold> Hipertensi&#243;n, antihipertensivos/efectos adversos, perfil de impacto de la enfermedad.</p>
      <p>
        <bold>Introducci&#243;n</bold>
      </p>
      <p>La hipertensi&#243;n arterial (HA) desempe&#241;a un papel plenamente reconocido en la g&#233;nesis de da&#241;os a la salud, con gran impacto individual y colectivo, como enfermedad coronaria, accidente cerebrovascular (ACV) y enfermedad renal cr&#243;nica<sup>1</sup>. Un aspecto menos estudiado de la HA es su potencial repercusi&#243;n en la vida cotidiana del portador, que puede ocurrir a trav&#233;s de mecanismos diferentes de las lesiones de &#243;rganos-blanco citadas. En primer lugar, existe la posibilidad de la presencia de efectos biol&#243;gicos directamente relacionados a los valores elevados de la presi&#243;n arterial (PA). La mayor parte de las evidencias actuales sugiere que la HA, al menos en las franjas leve a moderada, es asintom&#225;tica<sup>2</sup>, y es controvertida a&#250;n la existencia de relaci&#243;n, por ejemplo, entre HA y cefalea<sup>3</sup>. En segundo lugar, el uso de tratamiento farmacol&#243;gico antihipertensivo puede determinar peor calidad de vida del usuario<sup>4</sup>, derivada de los s&#237;ntomas inducidos por las drogas utilizadas. Finalmente, un individuo hipertenso puede adoptar actitudes espec&#237;ficas, como ausentismo en el trabajo y limitaci&#243;n de actividades sociales o de recreaci&#243;n<sup>5</sup>, simplemente por reconocerse portador de una enfermedad, en un proceso conocido como rotulaci&#243;n.</p>
      <p>La incapacidad temporaria para la realizaci&#243;n de actividades habituales, definida como una restricci&#243;n temporaria en la capacidad funcional habitual del individuo<sup>6</sup>, es un indicador del estado de salud recomendado por la Organizaci&#243;n Mundial de la Salud para estudios poblacionales y puede ser &#250;til para determinar el impacto de una enfermedad o condici&#243;n en la vida cotidiana de los individuos.</p>
      <p>En este trabajo, investigamos si la HA determina incapacidad temporaria para actividades habituales, espec&#237;ficamente por la repercusi&#243;n directa de los valores tensionales o indirectamente por el efecto del tratamiento farmacol&#243;gico antihipertensivo.</p>
      <p>
        <bold>M&#233;todos</bold>
      </p>
      <p>Analizamos datos del Estudio Pr&#243;-Sa&#250;de, una investigaci&#243;n longitudinal de funcionarios t&#233;cnico-administrativos efectivos de una universidad localizada en el Estado de Rio de Janeiro. La poblaci&#243;n-blanco fue identificada mediante la combinaci&#243;n de listados proporcionados por el &#243;rgano de recursos humanos de la instituci&#243;n, por el sector responsable de la elaboraci&#243;n de la hoja de pago y directamente por sus unidades y sectores. Se excluy&#243; a aquellos funcionarios cedidos a otras instituciones y con licencias por motivos no relacionados a la salud.</p>
      <p>Se realizaron tres fases de recolecci&#243;n de datos: 1999, 2001 y 2006-2007. Todo el proceso de recolecci&#243;n de datos en las tres fases fue llevado a cabo por equipos entrenados de investigadores, supervisores y coordinadores de campo. Diariamente, los cuestionarios eran revisados y digitados de forma duplicada e independiente. Espec&#237;ficamente en relaci&#243;n a la PA, los investigadores de campo fueron entrenados mediante material producido por el <italic>British Medical Journal</italic><sup>7</sup>. El control de calidad incluy&#243; la detecci&#243;n de posibles sesgos de d&#237;gito terminal y la evaluaci&#243;n quincenal de la proporci&#243;n de datos ausentes y de mediciones id&#233;nticas de PA.</p>
      <p>En nuestro estudio, de naturaleza seccional, utilizamos datos recogidos en la segunda fase del estudio, relativos a los participantes de las dos primeras fases de recolecci&#243;n de datos. De los 4.177 empleados elegibles para participaci&#243;n en la cohorte, se obtuvo informaci&#243;n sobre 3.253 funcionarios. Tras la exclusi&#243;n de dos empleados con edades superiores a 80 a&#241;os y de participantes con datos incompletos (267 con relaci&#243;n a la incapacidad temporaria y 31 con relaci&#243;n a la PA), nuestra poblaci&#243;n de estudio se compuso de 2.953 participantes (el 70,7% de los elegibles).</p>
      <p>Se realizaron dos mediciones de PA y se utiliz&#243; el promedio de las mediciones. El uso de medicaci&#243;n antihipertensiva fue evaluado mediante la formulaci&#243;n de la pregunta: "En los &#250;ltimos 7 d&#237;as &#191;tom&#243; usted alg&#250;n medicamento?". En caso de respuesta positiva, el participante informaba la medicaci&#243;n, y &#233;sta era catalogada como antihipertensivo o no, por dos codificadores independientes. Posteriormente, los individuos fueron seleccionados en cuatro grupos referentes a la exposici&#243;n: 1. aquellos con PA por debajo de 140/90 mmHg y sin referir uso de medicaci&#243;n antihipertensiva; 2. aquellos con PA <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg e igualmente sin referir uso de medicaci&#243;n; 3. los que refirieron uso de medicaci&#243;n y presentaron PA &lt; 140/90 mmHg; y 4. los que refirieron uso de medicaci&#243;n y presentaron PA <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg. Este procedimiento permiti&#243; el an&#225;lisis por separado del valor elevado de la PA y de los medicamentos, como potenciales determinantes de incapacidad temporaria.</p>
      <p>Como resultado, se consideraron la aparici&#243;n y la duraci&#243;n de los episodios de incapacidad temporaria para la realizaci&#243;n de las actividades habituales en los 14 d&#237;as anteriores, por medio de las preguntas: "En las <italic>&#250;ltimas dos semanas</italic>, &#191;estuvo usted impedido(a) de realizar alguna de sus actividades habituales (por ejemplo, trabajo, estudio, ocio o tareas dom&#233;sticas) por alg&#250;n problema de salud que tuvo o tiene?"; el participante que refiriese incapacidad temporaria, responder&#237;a la siguiente pregunta: "En estas <italic>&#250;ltimas dos semanas</italic>, &#191;por <italic>cu&#225;ntos d&#237;as</italic>, en total, estuvo impedido(a) de realizar alguna de sus actividades habituales (por ejemplo, trabajo, estudio, ocio o tareas dom&#233;sticas) debido a este(s) problema(s) de salud que tuvo o tiene?".</p>
      <p>Basado en la distribuci&#243;n observada, nuestro resultado fue agrupado en tres categor&#237;as de participantes: aquellos que no refirieron incapacidad, los que la refirieron por un per&#237;odo de hasta 7 d&#237;as y los que la relataron por 8 a 14 d&#237;as.</p>
      <p>Algunas variables fueron consideradas potenciales factores de confusi&#243;n. La edad, el &#237;ndice de masa corporal (IMC, en kg/m<sup>2</sup>) y la renta domiciliaria <italic>per capita</italic> (en salarios m&#237;nimos vigentes en la &#233;poca) fueron tratados como variables continuas, y aplicamos a esta &#250;ltima una transformaci&#243;n logar&#237;tmica, en raz&#243;n de que su distribuci&#243;n presenta gran asimetr&#237;a a la derecha. Tratamos como variables categ&#243;ricas: sexo; color/raza, autodefinida por el entrevistado; presencia de comorbilidades (se consider&#243; portador de comorbilidades al participante que declar&#243; haber sido ya informado por un m&#233;dico de ser portador de "diabetes" y/o "colesterol alto"); y escolaridad, con estratificaci&#243;n en tres categor&#237;as: participantes con hasta ense&#241;anza b&#225;sica completa, nivel medio completo y nivel universitario.</p>
      <p>Tras el an&#225;lisis descriptivo de los datos y la determinaci&#243;n de la proporci&#243;n de individuos con valores de PA <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg, de aquellos en uso de medicaci&#243;n antihipertensiva, y de la frecuencia y duraci&#243;n de la incapacidad temporaria, realizamos una evaluaci&#243;n de la prevalencia y duraci&#243;n de la incapacidad temporaria entre las cuatro categor&#237;as de exposici&#243;n citadas. Se investigaron tambi&#233;n los promedios de PA sist&#243;lica y diast&#243;lica en los tres diferentes grupos en relaci&#243;n con el resultado (sin incapacidad e incapacidad de menor y mayor duraci&#243;n).</p>
      <p>Posteriormente, realizamos el an&#225;lisis multivariado mediante regresi&#243;n log&#237;stica multinomial, para la apreciaci&#243;n de la influencia de potenciales factores de confusi&#243;n, usando la raz&#243;n de chances como medida de la magnitud de la asociaci&#243;n. La utilizaci&#243;n de este modelo se bas&#243; en la ausencia de ordinalidad intr&#237;nseca entre las categor&#237;as del resultado<sup>8</sup>. Utilizamos dos modelos diferentes en el an&#225;lisis. En el primero, la exposici&#243;n fue tratada usando las cuatro categor&#237;as descritas, y el grupo de referencia fue el de individuos con PA &lt; 140/90 mmHg y sin uso de medicaci&#243;n, y el resultado con la variable compuesta citada. En el segundo modelo, utilizamos los valores de PA sist&#243;lica y diast&#243;lica en mmHg como variable continua, multiplicados por 10, y el uso de medicaci&#243;n antihipertensiva como dicot&#243;mica, como variables de exposici&#243;n.</p>
      <p>Introdujimos en los modelos, secuencialmente, las potenciales variables de confusi&#243;n: inicialmente, sexo, edad y color/raza; posteriormente las que se relacionan con la posici&#243;n socioecon&#243;mica, como escolaridad y renta domiciliaria <italic>per capita</italic>; por fin, incluimos el &#237;ndice de masa corporal (IMC) y la presencia de comorbilidades. Las covariables que modificasen la estimativa puntual de la asociaci&#243;n entre exposici&#243;n y resultado en m&#225;s de 10% o que estuviesen asociadas a un p-valor &lt; 0,05 en su asociaci&#243;n con el resultado, fueron mantenidas en el modelo. Los an&#225;lisis citados fueron repetidos tras la exclusi&#243;n de los entrevistados que refirieron diagn&#243;stico previo de infarto de miocardio (IM), angina o ACV. Los procedimientos estad&#237;sticos se realizaron utilizando el programa Stata 9.1.</p>
      <p>Estos protocolos fueron sometidos y aprobados por el Comit&#233; de &#201;tica en Investigaci&#243;n de la universidad donde el estudio fue llevado a cabo. Se inform&#243; a los participantes sobre el Estudio Pr&#243;-Sa&#250;de y sus objetivos, y ellos firmaron el consentimiento informado.</p>
      <p>
        <bold>Resultados</bold>
      </p>
      <p>La <xref ref-type="table" rid="t1-body2">tabla 1</xref> muestra la distribuci&#243;n de las covariables en los 2.953 participantes, con un peque&#241;o predominio de individuos de sexo femenino, blancos, del grupo con renta domiciliaria <italic>per capita</italic> de hasta tres salarios m&#237;nimos y de individuos con mayor grado de escolaridad. En la misma tabla se encuentran las frecuencias de relatos de diagn&#243;stico previo de comorbilidades (diabetes mellitus o dislipidemia) y de angina, IM o ACV. La edad promedio de los participantes fue de 41,7 a&#241;os (variando entre 24 y 69 a&#241;os), y el IMC vari&#243; entre 15,6 y 64,1, con un promedio de 26,2 y mediana de 25,5 (datos no mostrados en la tabla).</p>
      <table-wrap id="t1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-04-0472-00011-gt01-es.jpg"/></table-wrap>
      <p>Cuatrocientos noventa y cinco participantes presentaron PA <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg, y 452 relataron uso de medicaci&#243;n antihipertensiva; la composici&#243;n de los cuatro estratos formados de acuerdo a esas caracter&#237;sticas, as&#237; como sus PA medias, se presentan en la <xref ref-type="table" rid="t2-body2">tabla 2</xref>.</p>
      <table-wrap id="t2-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-04-0472-00011-gt02-es.jpg"/></table-wrap>
      <p>Setecientos cuatro participantes (23,8%), refirieron incapacidad temporaria para actividades habituales en las 2 semanas anteriores, con duraci&#243;n promedio de 3,9 d&#237;as y mediana de 2 d&#237;as. Entre los que relataron el tiempo de incapacidad, en 551 (83%) participantes &#233;sta dur&#243; hasta 7 d&#237;as, y en 113 (17%), de 8 a 14 d&#237;as.</p>
      <p>La mayor proporci&#243;n de incapacidad temporaria fue relatada en el grupo que usaba medicaci&#243;n y con PA &lt; 140/90 mmHg (<xref ref-type="table" rid="t2-body2">Tabla 2</xref>). En la misma tabla, observamos que la menor prevalencia de incapacidad fue encontrada entre los individuos con PA elevada, sin uso de medicaci&#243;n. Observamos un tiempo promedio de incapacidad mayor entre los individuos que refirieron uso de antihipertensivos (<xref ref-type="table" rid="t2-body2">Tabla 2</xref>).</p>
      <p>Las medias de PA sist&#243;lica y diast&#243;lica en los grupos con o sin incapacidad temporaria se encuentran en la <xref ref-type="table" rid="t3-body2">tabla 3</xref>, y no verificamos diferencias cl&#237;nicamente relevantes de los valores entre estos grupos.</p>
      <table-wrap id="t3-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-04-0472-00011-gt03-es.jpg"/></table-wrap>
      <p>En el an&#225;lisis de regresi&#243;n en que se utiliz&#243; la exposici&#243;n como variable categ&#243;rica, observamos que el grupo de individuos con PA &lt; 140/90 mmHg y que refiri&#243; uso de medicaci&#243;n antihipertensiva present&#243; mayor chance de incapacidad temporaria durante 8 a 14 d&#237;as, y este efecto no se mantuvo en el grupo que relat&#243; uso de medicaci&#243;n y present&#243; PA <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg (<xref ref-type="table" rid="t4-body2">Tabla 4</xref>). Entre los participantes con PA <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg sin uso de medicaci&#243;n, hubo una sugesti&#243;n, con significancia estad&#237;stica lim&#237;trofe, de menor chance de incapacidad temporaria durante hasta 7 d&#237;as.</p>
      <table-wrap id="t4-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-04-0472-00011-gt04-es.jpg"/></table-wrap>
      <p>En el modelo en que se utiliz&#243; el valor de la PA como variable continua, verificamos una tendencia a menor chance de ocurrencia de incapacidad temporaria durante hasta 7 d&#237;as para cada aumento de 10 mmHg de la PA sist&#243;lica, nuevamente sin que el resultado alcanzase significancia estad&#237;stica formal. El uso de medicaci&#243;n antihipertensiva se asoci&#243; a mayor chance de incapacidad durante 8 a 14 d&#237;as (<xref ref-type="table" rid="t5-body2">Tabla 5</xref>).</p>
      <table-wrap id="t5-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-04-0472-00011-gt05-es.jpg"/></table-wrap>
      <p>Los resultados permanecieron pr&#225;cticamente inalterados cuando se repitieron los an&#225;lisis con la exclusi&#243;n de los individuos que refirieron angina, IM o ACV previos (datos no presentados).</p>
      <p>
        <bold>Discusi&#243;n</bold>
      </p>
      <p>En nuestro estudio, observamos mayor ocurrencia de incapacidad para actividades habituales durante 8 a 14 d&#237;as en los individuos que refirieron uso de medicaci&#243;n antihipertensiva. En el modelo que utiliz&#243; la PA como variable categ&#243;rica, esta relaci&#243;n entre uso de medicaci&#243;n e incapacidad se mantuvo en los individuos con PA &lt; 140/90 mmHg, y no se observ&#243; en los individuos con PA <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg.</p>
      <p>Entre aquellos participantes que no refirieron uso de medicaci&#243;n antihipertensiva, o considerando el valor de la PA, observamos relaci&#243;n inversa, con significancia estad&#237;stica lim&#237;trofe, entre la PA e incapacidad de hasta 7 d&#237;as de duraci&#243;n.</p>
      <p>El hecho de no haber modificaci&#243;n de los resultados tras la exclusi&#243;n de los participantes que relataron diagn&#243;stico previo de angina, IM o ACV refuerza la idea de que las asociaciones observadas no se relacionan a la presencia de estas complicaciones.</p>
      <p>No encontramos en la literatura estudio que abordase posibles efectos de la HA en la incapacidad temporaria para actividades habituales. Utilizando una variable semejante a esta, Tsai et al<sup>9</sup> observaron mayor n&#250;mero de d&#237;as de ausencia al trabajo en individuos hipertensos. Tirado et al<sup>10</sup> verificaron mayor frecuencia de incapacidad temporaria para el trabajo y tambi&#233;n mayor n&#250;mero de d&#237;as de incapacidad laboral en hipertensos. Destacamos que estos estudios no enfocan el mecanismo por medio del cual la HA determin&#243; la incapacidad citada.</p>
      <p>Creemos que la ocurrencia de eventos adversos constituye una explicaci&#243;n plausible para la mayor prevalencia de incapacidad temporaria encontrada en los individuos que refirieron uso de medicaci&#243;n antihipertensiva, principalmente cuando observamos que el uso de las drogas se asoci&#243; &#224; incapacidad durante 8 a 14 d&#237;as, sugiriendo un efecto asociado al uso diario, o por lo menos frecuente, de la medicaci&#243;n. Nuestros resultados son consistentes con otras investigaciones, como las de Lawrence et al<sup>4</sup> y Roca-Cusachs et al<sup>11</sup> que observaron relaci&#243;n directa entre n&#250;mero de drogas usadas y peor evaluaci&#243;n de la calidad de vida en hipertensos. Considerando que la presencia de efectos indeseados es un determinante importante de la no adhesi&#243;n al tratamiento, conforme se marc&#243; en la quinta edici&#243;n del evento Directrices Brasile&#241;as de Hipertensi&#243;n Arterial<sup>12</sup>, estos datos refuerzan la idea ya ampliamente difundida, en cuanto a la necesidad de establecer un esquema terap&#233;utico farmacol&#243;gico con el m&#237;nimo posible de efectos indeseados.</p>
      <p>El dise&#241;o seccional de nuestro estudio impone una correcci&#243;n en relaci&#243;n a las posibles inferencias realizadas a partir de la asociaci&#243;n encontrada entre uso de drogas antihipertensivas e incapacidad temporaria. No podemos descartar la posibilidad de causalidad reversa, o sea, que la percepci&#243;n de un s&#237;ntoma cualquiera haya llevado al participante a procurar asistencia m&#233;dica y que la medicaci&#243;n antihipertensiva haya sido indicada a partir de verificaci&#243;n de PA elevada en este episodio. No obstante, si el episodio de incapacidad hubiese tra&#237;do como consecuencia el uso posterior de medicaci&#243;n en la mayor parte de los participantes, hubi&#233;ramos probablemente encontrado asociaci&#243;n tambi&#233;n entre uso de droga e incapacidad de menor duraci&#243;n, lo que no ocurri&#243;.</p>
      <p>Adem&#225;s, el relato de uso de medicaci&#243;n en nuestro estudio no abarca la informaci&#243;n sobre el grado de adhesi&#243;n al tratamiento, que puede variar considerablemente. Unos pocos estudios brasile&#241;os midieron el grado de adhesi&#243;n al tratamiento antihipertensivo, con gran variaci&#243;n de los resultados. El &#237;ndice de adhesi&#243;n a la medicaci&#243;n prescripta encontrado en pacientes pobres en Salvador fue del 11%, mientras que el 67% de los pacientes ambulatorios de geriatr&#237;a en Ribeir&#227;o Preto presentaban adhesi&#243;n completa<sup>13</sup>; no tenemos, por lo tanto, c&#243;mo hacer alg&#250;n tipo de inferencia sobre este aspecto para la poblaci&#243;n estudiada La diferencia de la relaci&#243;n con incapacidad temporaria observada entre los grupos que refirieron uso de medicaci&#243;n, pero presentaban PA &lt; 140/90 mmHg o <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg, puede relacionarse a grados diversos de adhesi&#243;n al tratamiento. Es posible que los individuos del grupo con PA elevada hayan referido uso de drogas, pero que su grado de adhesi&#243;n sea menor, lo que justificar&#237;a sus mayores valores de PA y menor repercusi&#243;n de la medicaci&#243;n en t&#233;rminos de incapacidad temporaria.</p>
      <p>Otra explicaci&#243;n posible para la mayor prevalencia de incapacidad temporaria entre los individuos con PA elevada que refirieron uso de medicaci&#243;n antihipertensiva, es la adopci&#243;n de un comportamiento de mayor "autocuidado" por parte de estos, por ejemplo, con visitas m&#225;s frecuentes a profesionales de la salud, y consiguiente "incapacidad" para realizaci&#243;n de sus actividades habituales en estas ocasiones. Este aspecto no fue controlado en nuestros an&#225;lisis, debido a la ausencia de datos al respecto en el estudio. No obstante, consideramos que, si ese fen&#243;meno hubiese sido responsable por la mayor frecuencia de incapacidad temporaria, tal hecho hubiera ocurrido tambi&#233;n para incapacidad durante hasta 7 d&#237;as, lo que no fue observado.</p>
      <p>Con relaci&#243;n a la tendencia de asociaci&#243;n inversa entre PA sist&#243;lica elevada e incapacidad de hasta 7 d&#237;as de duraci&#243;n, podemos conjeturar si esta se relaciona al fen&#243;meno, observado por algunos autores, de hipoalgesia asociada a la HA. Ese fen&#243;meno fue descrito inicialmente por Zamir y Shuber<sup>14</sup> que detectaron un umbral m&#225;s alto para el dolor por est&#237;mulo en la pulpa dental de hombres hipertensos, comparados con normotensos. A partir de este relato, varios autores est&#225;n documentando este fen&#243;meno asociado al dolor en otros lugares y por otros est&#237;mulos. Schobel et al<sup>15</sup> observaron una relaci&#243;n inversa entre la percepci&#243;n de dolor por est&#237;mulo mec&#225;nico cut&#225;neo y el valor de la PA media, medida en el momento inmediatamente anterior al est&#237;mulo. Duschek et al<sup>16</sup> observaron un umbral menor para dolor inducido por est&#237;mulo t&#233;rmico en individuos hipotensos cuando se los compara con normotensos, lo que apunta a la existencia de este fen&#243;meno, inclusive en niveles de PA inferiores a los que caracterizan la HA. Es posible que la repercusi&#243;n de eventos que sean probablemente causantes de dolor en la vida cotidiana de los hipertensos sea menor que en aquellos con PA normal. Hagen et al<sup>17</sup> encontraron menor prevalencia de dolor musculoesquel&#233;tico en varias localizaciones anat&#243;micas en los individuos con PA m&#225;s elevada. Tronvik et al<sup>18</sup> verificaron que mayores valores de la PA sist&#243;lica y de la presi&#243;n de pulso se asociaban a una menor prevalencia de cefalea no migra&#241;osa en la poblaci&#243;n general.</p>
      <p>En nuestro estudio, que puede ser considerado de porte medio, las mediciones se realizaron con estandarizaci&#243;n y control de calidad bastante rigurosos, y tales procedimientos son de gran importancia para garantizar la confiabilidad de los datos obtenidos. Diferentemente de la mayor parte de las investigaciones que abordan la repercusi&#243;n de la HA en la vida cotidiana clasificando s&#243;lo a los participantes como hipertensos o normotensos, utilizamos tambi&#233;n el valor medido de la PA. Este estudio tambi&#233;n innova al investigar la repercusi&#243;n de los niveles tensionales elevados a trav&#233;s de la incapacidad temporaria para actividades habituales, que consiste en un abordaje diferente al enfoque habitual en los eventos graves relacionados a la HA.</p>
      <p>Algunas limitaciones del estudio deben ser tenidas en cuenta. El valor de la medici&#243;n de la PA que usamos se refiere al promedio de dos mediciones realizadas en un &#250;nico d&#237;a; teniendo en cuenta la variaci&#243;n de la PA a lo largo del tiempo, no podemos afirmar que el valor obtenido representa necesariamente el valor habitual de los niveles pres&#243;ricos en los 15 d&#237;as anteriores a la verificaci&#243;n. Esta limitaci&#243;n debe ser destacada, principalmente considerando que la PA tomada al entrevistado puede haber sufrido la influencia de alg&#250;n cambio de comportamiento (el propio uso de antihipertensivos) adoptado en per&#237;odo reciente.</p>
      <p>Entre las covariables utilizadas en el modelo, es necesario recordar que la clasificaci&#243;n del individuo como portador de comorbilidades se realiz&#243; bas&#225;ndose en la morbilidad referida por el participante. Considerando la posibilidad de que exista relaci&#243;n entre la incapacidad temporaria y las enfermedades consideradas en esta clasificaci&#243;n (en especial la diabetes mellitus, con los s&#237;ntomas que de ella deriven), no podemos descartar el hecho de que haya alg&#250;n grado de confusi&#243;n residual, por la posibilidad de que el individuo desconozca ser portador de esta condici&#243;n.</p>
      <p>Por tratarse de un estudio seccional, pueden presentarse sesgos de supervivencia selectiva, por los cuales hipertensos m&#225;s graves hayan sido excluidos precozmente de la poblaci&#243;n por &#243;bito o jubilaci&#243;n como consecuencia de complicaciones de la HA. Por lo tanto, los resultados encontrados no necesariamente se aplican a los hipertensos con evoluci&#243;n m&#225;s desfavorable, y la investigaci&#243;n en este subgrupo demandar&#237;a un dise&#241;o de estudio diferente del adoptado.</p>
      <p>Podr&#237;a pensarse tambi&#233;n la hip&#243;tesis de que determinados individuos tendr&#237;an una tendencia a subestimar u omitir voluntariamente la presencia de incapacidad temporaria, por tratarse de una recolecci&#243;n de informaciones en ambiente de trabajo. Creemos que su aparici&#243;n ha sido bastante rara, por el &#233;nfasis manifestado por el equipo de recolecci&#243;n en cuanto al sigilo de los datos, por la aclaraci&#243;n de que se trataba de cualquiera de las actividades habituales del participante y por un cierto efecto de "diluci&#243;n", por el hecho de que la pregunta est&#233; dispuesta en el cuestionario en medio de otras informaciones sin relaci&#243;n directa con ella.</p>
      <p>Bas&#225;ndose en los resultados presentados aqu&#237;, ser&#225;n desarrollados an&#225;lisis subsiguientes, como la presencia de incapacidad temporaria en hipertensos en uso de diferentes medicaciones, lo que puede proporcionarnos datos importantes sobre opciones de tratamiento con menor repercusi&#243;n en la vida cotidiana del individuo, y la verificaci&#243;n de la prevalencia de los diversos motivos relatados de incapacidad, lo que permitir&#225; investigar de modo m&#225;s directo, en esta poblaci&#243;n de estudio, la hip&#243;tesis de hipoalgesia asociada a la hipertensi&#243;n arterial.</p>
      <p>
        <bold>Conclusi&#243;n</bold>
      </p>
      <p>Con relaci&#243;n a los niveles de PA, nuestros resultados son consistentes con la hip&#243;tesis de que mayores valores tensionales pueden determinar menor frecuencia de incapacidad temporaria durante per&#237;odos de hasta 7 d&#237;as, y, por lo menos en la franja de valores de PA no muy elevados, los datos sugieren ausencia de repercusi&#243;n negativa de los niveles tensionales en la vida cotidiana del individuo.</p>
      <p>Observamos tambi&#233;n asociaci&#243;n entre el uso de drogas antihipertensivas y la mayor frecuencia de incapacidad temporaria de mayor duraci&#243;n, lo que refuerza la importancia del cuidado en la implementaci&#243;n del tratamiento farmacol&#243;gico antihipertensivo.</p>
      <p>
        <bold>Agradecimientos</bold>
      </p>
      <p>Agradecemos al profesor Michael Reichenheim las contribuciones en la elaboraci&#243;n de este trabajo.</p>
      <p>
        <bold>Potencial Conflicto de Intereses</bold>
      </p>
      <p>Declaro no haber conflicto de intereses pertinentes.</p>
      <p>
        <bold>Fuentes de Financiaci&#243;n</bold>
      </p>
      <p>El presente estudio fue parcialmente financiado por el CNPq y FAPERJ</p>
      <p>
        <bold>Vinculaci&#243;n Acad&#233;mica</bold>
      </p>
      <p>Este art&#237;culo forma parte de la disertaci&#243;n de Maestr&#237;a de Gilberto Senechal de Goffredo Filho por el Instituto de Medicina Social - Universidad del Estado de Ri&#243; de Janeiro.</p>
      <p>
        <bold>Referencias</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
  <sub-article article-type="translation" id="TRen" xml:lang="en">
    <front-stub>
      <article-categories>
        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Original Articles</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Temporary limitations in daily routine activities: association with arterial pressure and antihypertensive therapy</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>BACKGROUND: Arterial hypertension has a crucial role in the occurrence of severe clinical events, but there are controversies regarding the impact of the arterial pressure levels or anti-hypertensive medication on the routine activities of individuals. OBJECTIVE: To verify whether the increase in arterial pressure levels or anti-hypertensive medications determine a temporary incapacity for routine activities. METHODS: Analysis of sectional data of 2,953 participants, from 1999-2001, of a cohort of university employees in Rio de Janeiro (Pro-Saude Study). The occurrence and duration of the incapacity on the 14 days before data collection were assessed according to the measured level of arterial pressure, as continuous variable and with the stratification of the participants in four groups, combining the information regarding the arterial pressure (&lt; or &gt; 140/90 mmHg) and the reported use of anti-hypertensive medications. A multinomial logistic regression was carried out, with multiple adjustments for sex, age, ethnicity, per capita household income and report of comorbidities. RESULTS: The adjusted odds ratio for the association between the use of anti-hypertensive medication and incapacity for 8 to 14 days was 2.08 (95% CI: 1.25-3.48), and 0.92 (95%CI: 0.84-1.01) for the association between a 10 mmHg increase in systolic pressure and incapacity for up to 7 days. CONCLUSION: Temporary incapacity for 8 to 14 days associated to anti-hypertensive medications might be related to its adverse effects. Among other reasons, the suggestive inverse association between the systolic pressure and incapacity for up to 7 days can be related to the phenomenon of hypoalgesia, sometimes described by hypertensive individuals.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Hypertension</kwd>
        <kwd>antihypertensive agents</kwd>
        <kwd>sickness impact profile</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>ORIGINAL ARTICLE</bold>
      </p>
      <p><undefined id="linkinicio-body3"/>Temporary limitations in daily routine activities: Association with arterial pressure and antihypertensive therapy</p>
      <p>
        <bold>Gilberto Senechal de Goffredo Filho; Eduardo Faerstein</bold>
      </p>
      <p>Departamento de Epidemiologia, Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ - Brasil</p>
      <p>Mailing address</p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p><bold>BACKGROUND:</bold> Arterial hypertension has a crucial role in the occurrence of severe clinical events, but there are controversies regarding the impact of the arterial pressure levels or anti-hypertensive medication on the routine activities of individuals.</p>
      <p><bold>OBJECTIVE:</bold> To verify whether the increase in arterial pressure levels or anti-hypertensive medications determine a temporary incapacity for routine activities.</p>
      <p><bold>METHODS:</bold> Analysis of sectional data of 2,953 participants, from 1999-2001, of a cohort of university employees in Rio de Janeiro (Pro-Saude Study). The occurrence and duration of the incapacity on the 14 days before data collection were assessed according to the measured level of arterial pressure, as continuous variable and with the stratification of the participants in four groups, combining the information regarding the arterial pressure (&lt; or <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg) and the reported use of anti-hypertensive medications. A multinomial logistic regression was carried out, with multiple adjustments for sex, age, ethnicity, <italic>per capita</italic> household income and report of comorbidities.</p>
      <p><bold>RESULTS:</bold> The adjusted odds ratio for the association between the use of anti-hypertensive medication and incapacity for 8 to 14 days was 2.08 (95% CI: 1.25-3.48), and 0.92 (95%CI: 0.84-1.01) for the association between a 10-mmHg increase in systolic pressure and incapacity for up to 7 days.</p>
      <p><bold>CONCLUSION:</bold> Temporary incapacity for 8 to 14 days associated to anti-hypertensive medications might be related to its adverse effects. Among other reasons, the suggestive inverse association between the systolic pressure and incapacity for up to 7 days can be related to the phenomenon of hypoalgesia, sometimes described by hypertensive individuals. (Arq Bras Cardiol 2010; 94(4):445-450)</p>
      <p><bold>Key words:</bold> Hypertension; antihypertensive agents/adverse effects; sickness impact profile.</p>
      <p>
        <bold>Introduction</bold>
      </p>
      <p>Arterial hypertension (AH) has a highly acknowledged role in the genesis of health disorders, with strong individual and collective impact, such as coronary disease, cerebrovascular accident (CVA) and chronic kidney disease<sup>1</sup>. A less often studied aspect of AH is its potential impact on the individual's routine activities, which can occur through different mechanisms of the aforementioned target-organ lesions. </p>
      <p>First, there is the possibility of occurrence of biological effects, directly related to the elevated blood pressure (BP) levels. Most current evidence suggests that AH, at least at the mild to moderate range, is asymptomatic<sup>2</sup>, and an association, for instance, between AH and headaches<sup>3</sup>, is still controversial. Second, the use of anti-hypertensive medication can determine a worse quality of life for the individual<sup>4</sup>, due to the drug-induced symptoms. </p>
      <p>Finally, hypertensive individuals can adopt specific attitudes, such as work absenteeism and limitations in social or leisure activities<sup>5</sup> simply because they see themselves as individuals who have a disease, in a process called "labeling".</p>
      <p>The temporary incapacity for performing routine activities, defined as a temporary restriction in the individual's usual functional capacity<sup>6</sup>, is a health status indicator recommended by the World Health Organization (WHO) for population studies and can be useful to determine the impact of a disease or condition on the daily life of an individual. </p>
      <p>The present study investigated whether the AH determines a temporary incapacity for routine activities, specifically through the direct effect of pressure levels or indirectly, through the effect of the antihypertensive drug therapy.</p>
      <p>
        <bold>Methods</bold>
      </p>
      <p>We analyzed the data from the Pro-Saude Study, a longitudinal research that evaluated technical-administrative employees from a university located in the state of Rio de Janeiro. The target population was identified through a combination of lists supplied by the Human Resources Department of the Institution, by the Payroll Department and directly by their Units and Sectors. Employees that had been allocated at other institutions and those on leave of absence due to problems other than health reasons were excluded. </p>
      <p>Three phases of data collection have been carried out: 1999, 2001 and 2006-2007. The entire process of the data collection in the three phases was carried out by trained teams of researchers, supervisors and field coordinators. Daily, the questionnaires were revised and typed in duplicate and independently. Specifically regarding the BP, the field researchers were trained using the material produced by the British Medical Journal<sup>7</sup>. The quality control included the detection of a possible terminal digit bias and the fortnightly evaluation of the proportion of absent data and identical BP measures. </p>
      <p>In our cross-sectional study, we used data obtained from the second phase of the study, related to the participants of the two first phases of data collection. Of the 4,177 employees eligible to participate in the cohort, information was obtained from 3,253 of them. After the exclusion of two employees aged older than 80 years and participants with missing data (267 regarding the temporary incapacity and 31 regarding the BP), our study population consisted of 2,953 participants (70.7% of the eligible individuals). </p>
      <p>Two BP measurements were carried out and the mean of the two measures was used in the study. The use of antihypertensive medication was assessed through the questions: "Have you taken any medication during the last 7 days?". In case of an affirmative answer, the participant informed the type of medication, and the latter was categorized as antihypertensive or not by two independent codifiers. Subsequently, the individuals were categorized in four groups related to exposition: 1. Those with BP &lt; 140/90 mmHg and no report of anti-hypertensive medication; 2. Those with BP <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg and also no report of anti-hypertensive medication; 3. Those that reported the use of anti-hypertensive medication and presented BP &lt; 140/90 mmHg; 4. Those who reported the use of anti-hypertensive medication and presented BP <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg. This procedure allowed the isolated analysis of the elevated BP levels and medication use as potential determinants of temporary incapacity. </p>
      <p>As outcome, we considered the occurrence and duration of episodes of temporary incapacity to perform daily routine activities on the 14 previous days, assessed through the question: "During the last two weeks, were you incapable of performing any of your daily routine activities (such as, for instance, working, studying, leisure activities, or housework) due to a health problem that you have or had?"; the participant that reported a temporary incapacity, would then answer the following question: "During the <italic>last two weeks</italic>, for <italic>how many days</italic> were you incapable of performing any of your daily routine activities (such as, for instance, working, studying, leisure activities, or housework) due to this (these) health problem(s) that you have or had?"</p>
      <p>Based on the observed distribution, our outcome was grouped in three categories of participants: those that did not report incapacity, those who reported incapacity for a period of up to 7 days and those who reported it for a period of 8 to 14 days. </p>
      <p>Some variables were considered potential confounders. Age, body mass index (IMC in kg/m<sup>2</sup>) and family income <italic>per capita</italic> (in minimum wages pertinent to the time of the study) were treated as continuous variables and we applied to the latter a logarithmic transformation, due to the fact that its distribution presented a large asymmetry to the right. We treated as categorical variables: sex, ethnicity (self-defined by the participant), presence of comorbidities (the participant that reported being told by his physician that he/she had "diabetes" and/or "high cholesterol" was considered as having comorbidities) and degree of schooling, with stratification in three categories: participants with complete Elementary School; complete High School and complete College/University. </p>
      <p>After the descriptive analysis of the data and the assessment of the proportion of individuals with BP levels <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg, of those receiving antihypertensive medication and the frequency and duration of the temporary incapacity, we performed an evaluation of the prevalence and duration of the temporary incapacity among the four aforementioned exposition categories. The systolic and diastolic BP means were also investigated in the three groups regarding the outcome (no incapacity and shorter or longer duration of the incapacity). </p>
      <p>Subsequently, we performed a multivariate analysis through a multinomial logistic regression to assess the influence of potential confounding factors using odds ratio as a measure of the magnitude of the association. The use of this model was based on the absence of the intrinsic ordinality between the outcome categories<sup>8</sup>. We used two different models in the analysis. In the first, the exposition was treated using the four described categories, with the group of reference being those individuals with BP &lt; 140/90 mmHg and no use of medication and the outcome with the mentioned compound variable. In the second model, we used the systolic and diastolic BP levels in mmHg as continuous variable, multiplied by 10 and the use of antihypertensive medication as a dichotomous variable, as exposition variables.</p>
      <p>The potential confounding variables were sequentially introduced in the models: initially, sex, age, and ethnicity; subsequently, those that were related with the socioeconomic position, such as degree of schooling and family income <italic>per capita</italic>; finally, we included the body mass index (BMI) and the presence of comorbidities. </p>
      <p>The covariables that modified the punctual estimate of the association between exposition and outcome in more than 10% or that were associated to a p value &lt; 0.05 in its association with the outcome were kept in the model. The mentioned analyses were repeated after the exclusion of the interviewees that reported a previous diagnosis of myocardial infarction (MI), angina or cerebrovascular accident (CVA). The statistical procedures were carried out using the Stata 9.1 program.</p>
      <p>These protocols were submitted to and approved by the Committee of Ethics in Research of the university where the study was performed. The participants were informed on the Pro-Saude Study and its objectives and signed the Free and Informed Consent Form.</p>
      <p>
        <bold>Results</bold>
      </p>
      <p><xref ref-type="table" rid="tab01-body3">Table 1</xref> shows the distribution of the covariables in the 2,953 participants, with a slight predominance of female individuals, Caucasians, from the group with a family income <italic>per capita</italic> of up to three minimum wages and individuals with a higher degree of schooling. The frequencies of reports of the previous diagnosis of comorbidities (diabetes mellitus or dyslipidemia) and of angina, MI or CVA are found in the same table. The mean age of the participants was 41.7 years (varying from 24 to 69 years) and BMI varied from 15.6 to 64.1, with a mean of 26.2 and a median of 25.5 (data not shown in the table).</p>
      <table-wrap id="tab01-body3">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-04-0472-00011-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>A total of 495 participants presented BP <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg and 452 reported using antihypertensive medication; the composition of the four strata that were formed based on these characteristics is shown in <xref ref-type="table" rid="en_a07tab02-body3">Table 2</xref>, as well as their mean BP levels. </p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_a07tab02-body3">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-04-0472-00011-gt02-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>Temporary incapacity to perform the daily routine activities in the two previous weeks was reported by 704 participants (23.8%), with a mean duration of 3.9 days and a median of 2 days. Among those that reported the time of incapacity, the latter lasted up to 7 days in 551 (83%) and 8 to 14 days in 113 (17%). </p>
      <p>The highest prevalence of temporary incapacity was reported by the group that used medication and presented a BP &lt; 140/90 mmHg (<xref ref-type="table" rid="en_a07tab02-body3">Table 2</xref>). The same table shows that the lowest prevalence of incapacity was found among the individuals with high BP, without use of medication. We observed a higher mean time of incapacity among the individuals that reported the use of antihypertensive drugs (<xref ref-type="table" rid="en_a07tab02-body3">Table 2</xref>).</p>
      <p>The mean systolic and diastolic BP in the groups with or without temporary incapacity are shown in <xref ref-type="table" rid="en_a07tab03-body3">Table 3</xref> and there were no clinically relevant differences in the levels between these groups. </p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_a07tab03-body3">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-04-0472-00011-gt03-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>At the regression analysis that used the exposure as categorical variable, we observed that the group of individuals with BP &lt; 140/90 mmHg and reported the use of antihypertensive medication presented a higher chance of temporary incapacity for 8 to 14 days and that this effect did not persist in the group that reported medication use, but presented BP <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg (<xref ref-type="table" rid="tab04-body3">Table 4</xref>). Among the participants with BP <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg without medication, there was a suggestion, with a borderline statistical significance, of a lower chance of temporary incapacity for up to7 days.</p>
      <table-wrap id="tab04-body3">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-04-0472-00011-gt04-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>In the model that used the BP level as the continuous variable, we observed a tendency toward a lower chance of occurrence of temporary incapacity for up to 7 days for each increase of 10 mmHg in the systolic BP, once again, with no formal statistical significance being attained. The use of anti-hypertensive medication is associated with a higher chance incapacity for 8 to 14 days (<xref ref-type="table" rid="tab05-body3">Table 5</xref>).</p>
      <table-wrap id="tab05-body3">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-04-0472-00011-gt05-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>The results remained practically unaltered when the analyses were repeated with the exclusion of the individuals that reported previous episodes of angina, MI or CVA (data not shown).</p>
      <p>
        <bold>Discussion</bold>
      </p>
      <p>In our study, we observed a higher occurrence of incapacity for daily routine activities for 8 to 14 days in individuals that reported the use of antihypertensive medication. In the model that used BP as the categorical variable, this association between the use of medication and incapacity persisted in individuals with BP &lt; 140/90 mmHg, and was not observed in individuals with BP <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg. </p>
      <p>Among those participants that did not report the use of antihypertensive medication or, considering the BP level, we observed an inverse association, with borderline statistical significance between BP and incapacity for up to 7 days of duration. </p>
      <p>The fact that there was no change in the results after the exclusion of the participants that reported a previous diagnosis of angina, MI or CVA reinforces the idea that the associations observed here are not related to the presence of these complications.</p>
      <p>We did not find in the literature a study that had assessed the possible effects of AH on temporary incapacity for routine activities. Using a similar variable, Tsai et al<sup>9</sup> observed a higher number of missed work days among hypertensive individuals. Tirado et al<sup>10</sup> verified a higher frequency of temporary work incapacity and also a higher number of missed days at work among hypertensive individuals. We emphasize that these studies do not focus on the mechanism through which the AH determines the mentioned incapacity. We believe that the occurrence of adverse events constitutes a plausible explanation for the higher prevalence of temporary incapacity observed among individuals that reported the use of antihypertensive medication, mainly when we observe that the use of the drugs is associated with the incapacity for 8 to 14 days, suggesting an effect associated with the daily use, or at least, the frequent use of the medication.</p>
      <p>Our results are consistent with other studies, such as the one by Lawrence et al<sup>4</sup> and Roca-Cusachs et al<sup>11</sup>, who observed a direct association between the number of drugs used and a worse assessment of the quality of life in hypertensive individuals. Considering that the presence of undesirable effects is an important determinant of poor treatment adherence, as pointed out in the 5<sup>th</sup> Brazilian Guidelines on Arterial Hypertension<sup>12</sup>, these data reinforce the broadly disseminated idea concerning the need to establish a pharmacological therapeutic regimen with a minimum of undesirable effects.</p>
      <p>The cross-sectional design of the present study limits the possible inferences made based on the association found between the use of antihypertensive medication and temporary incapacity. We cannot rule out the possibility of reverse causality, that is, that the perception of any symptom led the participant to seek medical assistance and that the antihypertensive medication was indicated based on the observation of high BP during this episode. However, if the incapacity episode had caused the posterior use of medication in most participants, we would probably also have found an association between the use of the drug and the shorter-term incapacity, which did not occur.</p>
      <p>Additionally, the report of medication use in the present study does not encompass the information on the degree of treatment adherence, which can vary considerably. Few Brazilian studies have assessed the degree of adherence to antihypertensive therapy, with large variation in results. The rate of adherence to the prescribed medication observed among low-socioeconomic level patients in the city of Salvador was 11%, whereas 67% of the patients in a Geriatrics Ambulatory in the city of Ribeir&#227;o Preto presented full adherence<sup>13</sup>; it is not possible, therefore, to make any inference regarding this aspect for the studied population. The difference in the association with the temporary incapacity observed between the groups that reported the use of medication, but presented BP &lt; 140/90 mmHg or <underline>&gt;</underline> 140/90 mmHg, might be related with several degrees of treatment adherence. It is possible that the individuals from the group with elevated BP reported the use of drugs, but their degree of adherence is lower, which would justify their higher BP levels and lower effect of the medication in terms of temporary incapacity. </p>
      <p>Another possible explanation for the higher prevalence of temporary incapacity among the individuals with elevated BP that reported the use of antihypertensive medication is the fact that they might have adopted a higher degree of self-care, such as more frequent visits to the health professionals and a consequent "incapacity" to perform their daily routine activities on these occasions. This aspect was not controlled in our analyses due to the absence of data regarding it in the study. However, we consider that if this phenomenon had been responsible for a higher frequency of temporary incapacity, this fact would have also occurred for the incapacity up to 7 days, which was not observed. </p>
      <p>Regarding the tendency toward an inverse association between elevated systolic BP and incapacity for up to 7 days, we can hypothesize whether it is correlated with the phenomenon, observed by some authors, of AH-related hypoalgesia. This phenomenon was initially described by Zamir and Shuber<sup>14</sup> that detected a higher threshold for pain through stimulus of the dental pulp in hypertensive men, when compared to normotensive ones. Based on that report, several authors have documented this phenomenon associated to pain in other places and through other stimuli. Schobel et al<sup>15</sup> observed an inverse association between the perception of pain through mechanical skin stimulus and the mean BP level, measured at a moment immediately before the stimulus. Duschek et al<sup>16</sup> observed a lower pain threshold induced by a thermal stimulus in hypotensive individuals, when compared to normotensive ones, which indicates the existence of this phenomenon even at those BP levels below the ones that characterize AH. It is possible that the impact of the events that are the possible causes of pain in the daily life of hypertensive individuals is lower than in those with normal BP. Hagen et al<sup>17</sup> found a lower prevalence of musculoskeletal pain in several anatomic locations in individuals with higher BP. Tronvik et al<sup>18</sup> verified that higher systolic BP and pulse pressure were associated with a lower prevalence of non-migraine headaches in the general population.</p>
      <p>In the present study, which can be considered a mid-sized one, the measurements were performed under strict standardization and quality control and such procedures are of great importance to guarantee the reliability of the obtained data. Differently from most studies that assess the impact of AH on the daily life by simply classifying the participants as hypertensive or normotensive, we also used the measured BP level. The present study also innovates by investigating the impact of high blood pressure levels through the temporary incapacity to perform daily routine activities, which consists in a different approach from the usual focus on AH-related severe events. Some limitations of the study must be pointed out. The BP level that we used refers to the mean of two measurements performed on a single day; considering the BP variations throughout time, we cannot affirm that the level obtained necessarily represents the usual BP level on the 15 days prior to the measurement. This limitation must be emphasized, considering that the individual's measured BP might have undergone some influence due to a recently adopted change in behavior (or even of the use of antihypertensive medication). </p>
      <p>Among the covariables used in this model, it is necessary to remember that the classification of the individual as presenting comorbidities was made based on the morbidity reported by the participant. Considering the possibility that there is an association between the temporary incapacity and the diseases considered in this classification (especially diabetes mellitus, with its symptoms), we cannot rule out the fact that there might be some degree of residual confounding, due to possibility that the individual is not aware of having such condition. </p>
      <p>As this is a cross-sectional study, a selective survival bias can occur, in which the most severely affected hypertensive individuals were excluded at an early stage from the population due to death or retirement caused by AH complications. Thus, the results found do not necessarily apply to the hypertensive individuals with a more unfavorable evolution, and the research in this subgroup of individuals would require a different study design. </p>
      <p>One could also hypothesize that certain individuals would present a tendency to underestimate or voluntarily omit the occurrence of temporary incapacity, as the data collection was carried out in the work environment. We believe this was a rare occurrence, due to emphasis given by the collection team on data confidentiality, the explanation that it referred to any of the individual's daily routine activities and due to a certain "dilution" effect due to the fact that the question was among several others in the questionnaire, which were not directly related to it. </p>
      <p>Subsequent analyses will be developed based on the results presented here, such as the occurrence of temporary incapacity among hypertensive individuals using different types of medications, which can provide important data on treatment options with a lower impact on the daily life of the individuals, and the observation of the prevalence of several reasons related to the incapacity, which will allow the more direct investigation, in this study population, of the hypothesis of hypoalgesia associated to arterial hypertension.</p>
      <p>
        <bold>Conclusion</bold>
      </p>
      <p>Regarding the BP levels, our findings are consistent with the hypothesis that higher pressure levels can determine a lower frequency of temporary incapacity for a period of up to 7 days, and at least within the range of not very high levels, the data suggest absence of a negative impact of the pressure levels on the individual's everyday life.</p>
      <p>We also observed an association between the use of antihypertensive drugs and a higher frequency of a longer duration of the temporary incapacity, which reinforces the importance of being careful when implementing antihypertensive pharmacological therapy.</p>
      <p>
        <bold>Acknowledgments</bold>
      </p>
      <p>We are grateful to Professor Michael Reichenheim for contributing to this study.</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>Sources of Funding</bold>
      </p>
      <p>This study was partially funded by CNPq and FAPERJ.</p>
      <p>
        <bold>Study Association</bold>
      </p>
      <p>This article is part of the thesis of Master submitted by Gilberto Senechal de Goffredo Filho, from Instituto de Medicina Social - <italic>Universidade do Estado do Rio de Janeiro</italic>.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
