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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="ppub">0066-782X</issn>
      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
      </publisher>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">n3z9YwkPgHmBzZ99nRJtm7w</article-id>
      <article-id pub-id-type="other">00015</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2010000300015</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(10)09400315</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2010000300015</article-id>
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          <subject>Artigos Originais</subject>
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      <title-group>
        <article-title>Obesidade abdominal em adolescentes: preval&#234;ncia e associa&#231;&#227;o com atividade f&#237;sica e h&#225;bitos alimentares</article-title>
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          <named-content content-type="city">Recife</named-content>
          <named-content content-type="state">Pernambuco</named-content>
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        <institution content-type="orgname">Universidade de Pernambuco</institution>
        <country country="BR">Brazil</country>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>03</month>
        <year>2010</year>
      </pub-date>
      <volume>94</volume>
      <issue>3</issue>
      <fpage>371</fpage>
      <lpage>377</lpage>
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        <date date-type="rev-recd">
          <day>07</day>
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          <year>2009</year>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      </permissions>
      <abstract>
        <p>FUNDAMENTO: A obesidade abdominal em adolescentes est&#225; associada a doen&#231;as cardiovasculares e metab&#243;licas, mas a preval&#234;ncia e os fatores associados &#224; sua ocorr&#234;ncia s&#227;o ignorados. OBJETIVOS: Determinar a preval&#234;ncia e verificar se indicadores de atividade f&#237;sica e h&#225;bitos alimentares est&#227;o associados &#224; ocorr&#234;ncia de obesidade abdominal em adolescentes. M&#201;TODOS: A amostra compreendeu 4.138 estudantes do ensino m&#233;dio (14-19 anos), selecionados mediante amostragem por conglomerados em dois est&#225;gios. Obtiveram-se os dados por meio do Global School-based Health Survey, enquanto medidas antropom&#233;tricas foram aferidas para determina&#231;&#227;o de excesso de peso e obesidade abdominal. Regress&#227;o log&#237;stica bin&#225;ria foi empregada para an&#225;lise dos fatores comportamentais associados &#224; ocorr&#234;ncia de obesidade abdominal. Identifica&#231;&#227;o dos casos de obesidade abdominal foi efetuada por an&#225;lise da circunfer&#234;ncia da cintura, tomando-se como refer&#234;ncia pontos de corte para idade e sexo. RESULTADOS: A idade m&#233;dia foi de 16,8 anos (s =1,4), e 59,8% dos sujeitos eram do sexo feminino; a preval&#234;ncia de obesidade abdominal foi de 6% (IC95%:5,3-6,7), significativamente superior entre as mo&#231;as (6,7%; IC95%: 5,8-7,8) em compara&#231;&#227;o aos rapazes (4,9%; IC95%:3,9-6,0). As an&#225;lises brutas evidenciaram que sexo e excesso de peso s&#227;o fatores associados &#224; ocorr&#234;ncia de obesidade abdominal. O ajustamento das an&#225;lises por regress&#227;o log&#237;stica permitiu observar que a pr&#225;tica de atividades f&#237;sicas est&#225; significativamente associada &#224; ocorr&#234;ncia de obesidade abdominal nesse grupo (OR = 0,7; IC95%:0,49-0,99), independentemente da presen&#231;a de excesso de peso. CONCLUS&#213;ES: A Preval&#234;ncia de obesidade abdominal foi baixa em compara&#231;&#227;o ao observado em levantamentos internacionais, e a pr&#225;tica de atividades f&#237;sicas &#233; um fator associado &#224; ocorr&#234;ncia desse evento em adolescentes.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Obesidade</kwd>
        <kwd>adolescente</kwd>
        <kwd>epidemiologia</kwd>
        <kwd>atividade motora</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>28</day>
        <month>04</month>
        <year>2010</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
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  <body>
    <p>ARTIGO ORIGINAL </p>
    <p> EPIDEMOLOGIA</p>
    <p>
      <bold>Obesidade abdominal em adolescentes: preval&#234;ncia e associa&#231;&#227;o com atividade f&#237;sica e h&#225;bitos alimentares</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Cl&#225;udio Barnab&#233; dos Santos Cavalcanti; Mauro Virgilio Gomes de Barros; Annelise Lins Men&#234;ses; Carla Men&#234;ses Santos; Andrea Maria Pires Azevedo; Fernando Jos&#233; de S&#225; Pereira Guimar&#227;es</bold>
    </p>
    <p>Universidade de Pernambuco, Recife, PE - Brasil</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p><bold>FUNDAMENTO: </bold> A obesidade abdominal em adolescentes est&#225; associada a doen&#231;as cardiovasculares e metab&#243;licas, mas a preval&#234;ncia e os fatores associados &#224; sua ocorr&#234;ncia s&#227;o ignorados. </p>
    <p><bold>OBJETIVOS:</bold> Determinar a preval&#234;ncia e verificar se indicadores de atividade f&#237;sica e h&#225;bitos alimentares est&#227;o associados &#224; ocorr&#234;ncia de obesidade abdominal em adolescentes. </p>
    <p><bold>M&#201;TODOS:</bold> A amostra compreendeu 4.138 estudantes do ensino m&#233;dio (14-19 anos), selecionados mediante amostragem por conglomerados em dois est&#225;gios. Obtiveram-se os dados por meio do <italic>Global School-based Health Survey</italic>, enquanto medidas antropom&#233;tricas foram aferidas para determina&#231;&#227;o de excesso de peso e obesidade abdominal. Regress&#227;o log&#237;stica bin&#225;ria foi empregada para an&#225;lise dos fatores comportamentais associados &#224; ocorr&#234;ncia de obesidade abdominal. Identifica&#231;&#227;o dos casos de obesidade abdominal foi efetuada por an&#225;lise da circunfer&#234;ncia da cintura, tomando-se como refer&#234;ncia pontos de corte para idade e sexo. </p>
    <p> RESULTADOS: A idade m&#233;dia foi de 16,8 anos (s =1,4), e 59,8% dos sujeitos eram do sexo feminino; a preval&#234;ncia de obesidade abdominal foi de 6% (IC95%:5,3-6,7), significativamente superior entre as mo&#231;as (6,7%; IC95%: 5,8-7,8) em compara&#231;&#227;o aos rapazes (4,9%; IC95%:3,9-6,0). As an&#225;lises brutas evidenciaram que sexo e excesso de peso s&#227;o fatores associados &#224; ocorr&#234;ncia de obesidade abdominal. O ajustamento das an&#225;lises por regress&#227;o log&#237;stica permitiu observar que a pr&#225;tica de atividades f&#237;sicas est&#225; significativamente associada &#224; ocorr&#234;ncia de obesidade abdominal nesse grupo (OR = 0,7; IC95%:0,49-0,99), independentemente da presen&#231;a de excesso de peso. </p>
    <p><bold>CONCLUS&#213;ES:</bold> A Preval&#234;ncia de obesidade abdominal foi baixa em compara&#231;&#227;o ao observado em levantamentos internacionais, e a pr&#225;tica de atividades f&#237;sicas &#233; um fator associado &#224; ocorr&#234;ncia desse evento em adolescentes.</p>
    <p><bold>Palavras-chave: </bold> Obesidade, adolescente, epidemiologia, atividade motora.</p>
    <p>
      <bold>Introdu&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>A obesidade &#233; um problema mundial de sa&#250;de cuja preval&#234;ncia vem aumentando at&#233; mesmo nos pa&#237;ses em desenvolvimento<sup>1,2</sup> e em popula&#231;&#245;es jovens<sup>3-5</sup>. Entre 1980 e 2000, estima-se que a preval&#234;ncia de sobrepeso e obesidade em crian&#231;as aumentou at&#233; 5 vezes nos pa&#237;ses desenvolvidos e at&#233; 4 vezes naqueles em desenvolvimento<sup>6,7</sup>. No Brasil, a propor&#231;&#227;o de crian&#231;as e adolescentes com excesso de peso tamb&#233;m cresceu de aproximadamente 4,1% (1974/1975) para 13,9% (1996/1997)<sup>7</sup>.</p>
    <p>Em estudos com pessoas adultas, verificou-se que a obesidade abdominal &#233; um fator relacionado a eventos cardiovasculares e mortalidade<sup>8,9</sup>. Em adolescentes, o ac&#250;mulo de gordura abdominal vem sendo apontado como um fator de risco para ocorr&#234;ncia de doen&#231;as cardiovasculares e metab&#243;licas<sup>10-12</sup>. Al&#233;m disso, o aumento da adiposidade abdominal est&#225; associado com eleva&#231;&#227;o da press&#227;o arterial<sup>13</sup>, maior concentra&#231;&#227;o de triglic&#233;rides<sup>14</sup> e hiperinsulinemia<sup>15</sup>.</p>
    <p>Estudos realizados com diferentes subgrupos populacionais evidenciaram que, nas &#250;ltimas d&#233;cadas, houve um aumento significativo da medida da circunfer&#234;ncia abdominal m&#233;dia ou da preval&#234;ncia de obesidade abdominal em adolescentes de ambos os sexos<sup>16-19</sup>. Apesar da tend&#234;ncia de aumento, h&#225; ainda consider&#225;vel escassez de informa&#231;&#245;es e resultados divergentes quanto aos fatores associados &#224; ocorr&#234;ncia de obesidade abdominal em adolescentes. Evid&#234;ncias dispon&#237;veis sugerem que a pr&#225;tica de atividades f&#237;sicas estruturadas e de intensidade vigorosa est&#225; inversamente associada &#224; medida da circunfer&#234;ncia da cintura<sup>20,21</sup>. Todavia, Ortega e cols.<sup>22</sup> observaram associa&#231;&#227;o entre atividade f&#237;sica e adiposidade abdominal somente em adolescentes com baixo n&#237;vel de aptid&#227;o cardiovascular. Em rela&#231;&#227;o aos h&#225;bitos alimentares, Francis e cols.<sup>23</sup> conclu&#237;ram que um elevado consumo de refrigerantes e baixo consumo de frutas e verduras s&#227;o indicadores alimentares que est&#227;o associados com maior adiposidade abdominal.</p>
    <p>Uma revis&#227;o dos estudos sobre obesidade abdominal desenvolvidos no Brasil evidenciou que as amostras foram bastante heterog&#234;neas em rela&#231;&#227;o &#224; idade<sup>24</sup>. Das investiga&#231;&#245;es com amostras mais homog&#234;neas em rela&#231;&#227;o &#224; faixa et&#225;ria, quatro foram com idosos e tr&#234;s com crian&#231;as, mas nenhuma com amostra exclusiva de adolescentes. Assim, o objetivo do presente estudo foi determinar a preval&#234;ncia e verificar se indicadores de pr&#225;tica de atividade f&#237;sica e de h&#225;bitos alimentares est&#227;o associados &#224; ocorr&#234;ncia de obesidade abdominal em adolescentes.</p>
    <p>
      <bold>M&#233;todos</bold>
    </p>
    <p>Trata-se de um estudo epidemiol&#243;gico transversal, conduzido como parte do projeto denominado "Estilos de Vida e Comportamentos de Risco &#224; Sa&#250;de em Estudantes do Ensino M&#233;dio no Estado de Pernambuco". O protocolo do estudo foi aprovado pelo Comit&#234; de &#201;tica em Pesquisa com seres humanos do Hospital Agamenon Magalh&#227;es (Recife). A participa&#231;&#227;o dos sujeitos foi volunt&#225;ria e an&#244;nima, adotando-se a utiliza&#231;&#227;o de termo negativo de consentimento (<italic>parental passive consent form</italic>). N&#227;o foi permitido uso de nenhum tipo de identifica&#231;&#227;o pessoal nos instrumentos a fim de garantir o anonimato das respostas.</p>
    <p>A popula&#231;&#227;o-alvo foi limitada aos estudantes da rede p&#250;blica estadual de ensino m&#233;dio do Estado de Pernambuco, com idade entre 14 e 19 anos. Considerando-se todas as depend&#234;ncias administrativas (federal, estadual, municipal e privada), os sujeitos matriculados na rede p&#250;blica estadual representavam cerca de 80% do total de estudantes do ensino m&#233;dio em Pernambuco. O dimensionamento da amostra foi efetuado de forma a atender aos diversos objetivos do projeto, que inclu&#237;am a avalia&#231;&#227;o da exposi&#231;&#227;o a dez fatores comportamentais de risco &#224; sa&#250;de, al&#233;m de medidas antropom&#233;tricas e da press&#227;o arterial em repouso (fator que n&#227;o foi analisado no presente estudo).</p>
    <p>Para o c&#225;lculo do tamanho da amostra, foram utilizados os seguintes crit&#233;rios: popula&#231;&#227;o estimada em 353 mil sujeitos; intervalo de confian&#231;a de 95%; erro amostral de 3 pontos percentuais; por tratar-se de estudo que envolvia an&#225;lise de v&#225;rios fatores, a preval&#234;ncia estimada foi fixada em 50%; e o efeito de delineamento amostral, estabelecido em 4 vezes o tamanho m&#237;nimo da amostra. Isso representaria uma amostra com 4.217 sujeitos. Com esse dimensionamento amostral, seria poss&#237;vel analisar a associa&#231;&#227;o entre as vari&#225;veis independentes e a ocorr&#234;ncia de obesidade abdominal com possibilidade de detectar como significativas raz&#245;es de <italic>odds</italic> (OR) de 1,2 ou superiores, utilizando-se n&#237;vel de confian&#231;a de 95% e poder estat&#237;stico de 80%.</p>
    <p>Procurou-se garantir que a amostra selecionada representasse a popula&#231;&#227;o-alvo, considerando a sua distribui&#231;&#227;o conforme regi&#227;o geogr&#225;fica, per&#237;odo de matr&#237;cula (diurno e noturno) e porte das escolas (pequenas, com menos de 200 alunos; m&#233;dias, com 200 a 499 alunos; e grandes, com 500 estudantes ou mais). Alunos matriculados no per&#237;odo da manh&#227; e da tarde foram agrupados numa &#250;nica categoria (estudantes do per&#237;odo diurno). A distribui&#231;&#227;o regional foi observada pelo n&#250;mero de escolas existentes em cada uma das 17 ger&#234;ncias regionais de ensino da Secretaria de Educa&#231;&#227;o do Estado.</p>
    <p>Para sele&#231;&#227;o da amostra requerida, recorreu-se a um procedimento de amostragem por conglomerados em dois est&#225;gios, e a "escola" e a "turma" representaram, respectivamente, as unidades amostrais no primeiro e no segundo est&#225;gio. Todas as escolas da rede p&#250;blica estadual em Pernambuco foram consideradas eleg&#237;veis para inclus&#227;o no estudo. No primeiro est&#225;gio, adotou-se como crit&#233;rio de estratifica&#231;&#227;o a densidade de escolas em cada microrregi&#227;o do Estado (Ger&#234;ncia Regional de Educa&#231;&#227;o - Gere), segundo porte (tamanho); assim, foram sorteadas, proporcionalmente, mais escolas nas microrregi&#245;es onde a densidade era tamb&#233;m maior. No segundo est&#225;gio, considerou-se a densidade de turmas nas escolas sorteadas por per&#237;odo (diurno e noturno) como crit&#233;rio para sorteio daquelas nas quais os question&#225;rios seriam aplicados. Todos os estudantes das turmas sorteadas foram convidados a participar do estudo, independentemente da idade deles. Ap&#243;s a aplica&#231;&#227;o, os question&#225;rios respondidos por alunos com idade superior ao estabelecido (19 anos) foram exclu&#237;dos. A coleta dos dados foi realizada no per&#237;odo de abril a outubro de 2006. A aplica&#231;&#227;o dos question&#225;rios foi efetuada em sala de aula, sem a presen&#231;a dos professores, por seis estudantes de p&#243;s-gradua&#231;&#227;o (tr&#234;s profissionais de educa&#231;&#227;o f&#237;sica, duas enfermeiras e um m&#233;dico) que participaram de uma capacita&#231;&#227;o pr&#233;via para padroniza&#231;&#227;o dos procedimentos de coleta de dados. Os sujeitos foram continuamente assistidos pelos aplicadores (sempre dois por turma) para que pudessem esclarecer d&#250;vidas e auxiliar no preenchimento das informa&#231;&#245;es.</p>
    <p>Para medida das vari&#225;veis independentes, foi utilizada vers&#227;o traduzida e adaptada do <italic>Global School-based Student Health Survey</italic> (GSHS), proposto pela Organiza&#231;&#227;o Mundial da Sa&#250;de (OMS), dispon&#237;vel para consulta no seguinte endere&#231;o eletr&#244;nico: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.who.int/chp/gshs/en">www.who.int/chp/gshs/en</ext-link>. O question&#225;rio &#233; composto por dez m&#243;dulos: 1. caracter&#237;sticas pessoais; 2. consumo de &#225;lcool e drogas; 3. h&#225;bitos alimentares; 4. higiene; 5. sentimentos e relacionamentos; 6. atividades f&#237;sicas; 7. comportamentos na escola; 8. comportamento sexual; 9. tabagismo; e 10. viol&#234;ncia.</p>
    <p>Previamente ao in&#237;cio da coleta de dados, um estudo piloto foi conduzido a fim de determinar indicadores de reprodutibilidade de medidas e testar a aplicabilidade do instrumento. Os dados do estudo piloto foram coletados em duas escolas da rede p&#250;blica municipal de ensino na cidade do Recife, com uma amostra de 138 adolescentes com idade de 14 a 19 anos (59 mo&#231;as). Indicadores de reprodutibilidade (consist&#234;ncia de medidas teste-reteste) foram de moderados a altos na maioria dos itens do instrumento, e os coeficientes de concord&#226;ncia (&#237;ndice kappa) variaram de 0,52 a 1,00.</p>
    <p>Estadi&#244;metros da marca Plenna (modelo 206) foram utilizados na determina&#231;&#227;o da estatura, com uma precis&#227;o de 0,5 cent&#237;metros (amplitude de medidas de 120 a 220 cent&#237;metros), enquanto a medida de massa foi efetuada mediante utiliza&#231;&#227;o de balan&#231;a eletr&#244;nica da marca Plenna (modelo Sport), previamente calibrada (amplitude de medidas de 30 a 150 quilogramas). Massa (kg) e estatura (cm) corporal foram verificadas conforme padroniza&#231;&#227;o de medidas proposta na literatura especializada<sup>25</sup>. Circunfer&#234;ncia da cintura foi mensurada mediante utiliza&#231;&#227;o de uma fita antropom&#233;trica, considerando-se como ponto anat&#244;mico para realiza&#231;&#227;o da medida a menor circunfer&#234;ncia entre a crista il&#237;aca e primeiro arco costal<sup>26</sup>. Os sujeitos avaliados usavam roupas leves e estavam sem sapatos durante a aferi&#231;&#227;o.</p>
    <p>A vari&#225;vel dependente neste estudo foi a "ocorr&#234;ncia de obesidade abdominal" determinada mediante an&#225;lise da medida da circunfer&#234;ncia da cintura. Os pontos de corte sugeridos por Taylor e cols.<sup>27</sup> foram utilizados para identifica&#231;&#227;o dos casos de obesidade abdominal. A op&#231;&#227;o por essa refer&#234;ncia de avalia&#231;&#227;o foi decorrente dos resultados apresentados por Almeida e cols.<sup>28</sup> em um estudo cujo objetivo foi avaliar a sensibilidade e especificidade de duas tabelas de refer&#234;ncia para circunfer&#234;ncia da cintura em crian&#231;as e adolescentes.</p>
    <p>As vari&#225;veis independentes foram: participa&#231;&#227;o em aulas de educa&#231;&#227;o f&#237;sica (sim/n&#227;o); exposi&#231;&#227;o a comportamentos sedent&#225;rios em dias de semana e do final de semana (di&#225;rio/ocasional); n&#237;vel de atividade f&#237;sica (ativo/insuficientemente ativo); baixa frequ&#234;ncia de consumo de frutas (di&#225;rio/ocasional); baixa frequ&#234;ncia de consumo de hortali&#231;as (di&#225;rio/ocasional); e elevada frequ&#234;ncia de consumo de refrigerantes (di&#225;rio/ocasional).</p>
    <p>A participa&#231;&#227;o nas aulas de educa&#231;&#227;o f&#237;sica foi estabelecida pela frequ&#234;ncia semanal de assist&#234;ncia &#224;s aulas, e agruparam-se os dados em duas categorias: frequenta e n&#227;o frequenta. Tempo de assist&#234;ncia &#224; televis&#227;o foi efetuada separadamente para dias de semana e para dias de final de semana, sendo analisadas como duas vari&#225;veis independentes. Aqueles que referiram assistir, diariamente, &#224; TV por um per&#237;odo de tr&#234;s ou mais horas foram classificados como "expostos" a excessivo tempo de assist&#234;ncia &#224; televis&#227;o.</p>
    <p>O consumo de frutas, verduras e refrigerantes foi determinado pela an&#225;lise da frequ&#234;ncia de ingest&#227;o nos 30 dias anteriores ao levantamento, considerando-se as seguintes op&#231;&#245;es de resposta em rela&#231;&#227;o ao consumo habitual nos &#250;ltimos 30 dias: n&#227;o consumi, &lt;1 vez por dia, 1 vez por dia, 2 vezes por dia, 3 vezes por dia e 4 ou mais vezes por dia. Os adolescentes que relataram um consumo di&#225;rio de refrigerantes e consumo ocasional (&lt;1 vez por dia) de frutas e verduras foram classificados como sendo expostos a padr&#227;o inadequado de consumo desses alimentos.</p>
    <p>A frequ&#234;ncia e o tempo de pr&#225;tica de atividade f&#237;sica de intensidade moderada a vigorosa em uma semana t&#237;pica do adolescente foram considerados a fim de derivar uma medida do n&#237;vel de atividade f&#237;sica. Os sujeitos que relataram participar de pelo menos 60 minutos de atividades f&#237;sicas moderadas a vigorosas, durante 5 ou mais dias por semana, foram classificados como fisicamente ativos, enquanto os demais foram denominados insuficientemente ativos.</p>
    <p>Consideraram-se como potenciais fatores intervenientes (confus&#227;o e modificadores de efeito) as seguintes vari&#225;veis: sexo, faixa et&#225;ria (14 a 16/17 a 19 anos), etnia/cor da pele (branca/n&#227;o branca), turno (diurno/noturno), s&#233;rie (1&#170;/2&#170;/3&#170;), <italic>status</italic> ocupacional (trabalhador; n&#227;o trabalhador), escolaridade materna (<underline>&lt;</underline>8 anos, 9 a 11 anos e 12 anos ou mais de estudo), local de resid&#234;ncia (urbana/rural) e excesso de peso (determinado pela classifica&#231;&#227;o do &#237;ndice de massa corporal). A ocorr&#234;ncia de excesso de peso foi determinada em conformidade com os pontos de corte para o &#237;ndice de massa corporal (IMC = massa/altura<sup>2</sup>) propostos pelo International Obesity Task Force (IOTF) e publicados por Cole e cols.<sup>29</sup>. Todas as vari&#225;veis independentes e intervenientes, exceto o IMC, foram autorreferidas.</p>
    <p>O procedimento de tabula&#231;&#227;o final dos dados foi efetuado atrav&#233;s do programa EpiData, recorrendo-se &#224; entrada dupla e, posteriormente, &#224; compara&#231;&#227;o dos arquivos de dados gerados a fim de detectar e corrigir erros. Checagens autom&#225;ticas de amplitude e consist&#234;ncia na entrada de dados tamb&#233;m foram adotadas.</p>
    <p>A an&#225;lise foi realizada atrav&#233;s do programa SPSS para Windows (vers&#227;o 10). Para avaliar a associa&#231;&#227;o entre vari&#225;veis, recorreu-se &#224; aplica&#231;&#227;o do teste de qui-quadrado e, no caso das vari&#225;veis em escala ordinal, ao qui-quadrado para tend&#234;ncia. Na etapa de an&#225;lise multivari&#225;vel, recorreu-se &#224; regress&#227;o log&#237;stica bin&#225;ria, considerando-se como desfecho a ocorr&#234;ncia de obesidade abdominal. Foram realizadas an&#225;lises multivari&#225;veis para dois n&#237;veis de ajustamento &#224;s vari&#225;veis intervenientes: na primeira, efetuou-se ajustamento para as vari&#225;veis sexo, faixa et&#225;ria, cor da pele/etnia e excesso de peso; na segunda, realizou-se ajustamento para sexo, faixa et&#225;ria, cor da pele/etnia, excesso de peso e para os demais fatores comportamentais inclu&#237;dos no estudo como vari&#225;veis independentes. No modelo final de regress&#227;o, foram considerados significativamente associados os fatores para os quais o valor p foi inferior a 0,05.</p>
    <p>
      <bold>Resultados</bold>
    </p>
    <p>Foram visitadas 76 escolas (11% do total de escolas estaduais do Estado) em 44 munic&#237;pios, o que representa 23% do total de munic&#237;pios pernambucanos. Foram efetivamente entrevistados e avaliados 4.138 estudantes com idade entre 14 e 19 anos (m&#233;dia de 16,8 anos; s =1,4), e 59,8% dos sujeitos eram do sexo feminino.</p>
    <p>Do total de estudantes presentes nas escolas na ocasi&#227;o da visita para coleta de dados (n = 4.297), 83 se recusaram a participar do estudo (1,9% de recusas) e outros 62 responderam ao question&#225;rio, mas n&#227;o consentiram em ter a medida da circunfer&#234;ncia da cintura aferida. A amostra final (n = 4.138) representa, portanto, 98,1% do inicialmente previsto (n = 4.217).</p>
    <p>As caracter&#237;sticas demogr&#225;ficas e socioecon&#244;micas est&#227;o apresentadas na <xref ref-type="table" rid="t1">tabela 1</xref>. Na <xref ref-type="table" rid="t2">tabela 2</xref>, apresentam-se, em valores m&#233;dios e correspondentes desvios padr&#227;o, as caracter&#237;sticas dos sujeitos quanto a idade e fatores antropom&#233;tricos.</p>
    <table-wrap id="t1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-03-0371-00015-gt01.jpg"/></table-wrap>
    <table-wrap id="t2">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-03-0371-00015-gt02.jpg"/></table-wrap>
    <p>A preval&#234;ncia de obesidade abdominal foi de 6% (IC95%: 5,3-6,7), significativamente superior (p &lt; 0,05) entre as mo&#231;as (6,7%; IC95%: 5,8-7,8) em compara&#231;&#227;o aos rapazes (4,9%; IC95%: 3,9-6,0). A <xref ref-type="table" rid="t3">tabela 3</xref> apresenta a preval&#234;ncia de obesidade abdominal, segundo fatores demogr&#225;ficos, socioecon&#244;micos e relacionados &#224; escola.</p>
    <table-wrap id="t3">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-03-0371-00015-gt03.jpg"/></table-wrap>
    <p>Na an&#225;lise bivariada, al&#233;m do sexo, o excesso de peso tamb&#233;m discriminou significativamente a ocorr&#234;ncia da obesidade abdominal. A propor&#231;&#227;o de adolescentes com obesidade abdominal foi de 44,8% (IC95%: 40,3; 49,4) entre os que foram classificados como adolescentes com excesso de peso, enquanto, entre aqueles classificados com peso normal, a preval&#234;ncia foi de somente 0,9% (IC95%: 0,6;1,3).</p>
    <p>Procedeu-se ent&#227;o &#224;s an&#225;lises com ajuste para vari&#225;veis de confus&#227;o e potenciais modificadores de efeito (vari&#225;veis intervenientes). No primeiro ajustamento, foram inclu&#237;das, al&#233;m do excesso de peso, as seguintes vari&#225;veis: sexo, idade e cor da pele. Identificou-se que a atividade f&#237;sica &#233;, nesse grupo, um fator significativamente associado &#224; ocorr&#234;ncia de obesidade abdominal.</p>
    <p>Recorreu-se, ainda, a um ajustamento mais abrangente, incluindo nas an&#225;lises, al&#233;m das vari&#225;veis j&#225; mencionadas, os fatores comportamentais considerados neste estudo: indicadores da pr&#225;tica de atividade f&#237;sica, de exposi&#231;&#227;o a comportamentos sedent&#225;rios (tempo de TV) e de h&#225;bitos alimentares (consumo de frutas, verduras e refrigerantes). Os resultados permaneceram inalterados, preservando-se a associa&#231;&#227;o estatisticamente significativa entre o n&#237;vel de atividade f&#237;sica e a ocorr&#234;ncia de obesidade abdominal (<xref ref-type="table" rid="t4">Tabela 4</xref>).</p>
    <table-wrap id="t4">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-03-0371-00015-gt04.jpg"/></table-wrap>
    <p>As an&#225;lises de regress&#227;o foram repetidas, substituindo-se a vari&#225;vel excesso de peso (categ&#243;rica) pela medida do IMC (num&#233;rica) como forma de buscar um melhor ajustamento para a interveni&#234;ncia dessa vari&#225;vel na an&#225;lise da associa&#231;&#227;o entre as vari&#225;veis independentes e o desfecho sob an&#225;lise. Verificou-se que, apesar de discreta modifica&#231;&#227;o na magnitude dos valores de OR, a associa&#231;&#227;o identificada (atividade f&#237;sica e obesidade abdominal) permaneceu inalterada.</p>
    <p>
      <bold>Discuss&#227;o</bold>
    </p>
    <p>No Brasil, at&#233; onde se tem conhecimento, este &#233; o primeiro estudo epidemiol&#243;gico, de base escolar e abrang&#234;ncia estadual, conduzido a fim de determinar a preval&#234;ncia e os fatores associados &#224; obesidade abdominal em adolescentes<sup>24</sup>. Este estudo demonstrou que a obesidade abdominal teve baixa preval&#234;ncia em compara&#231;&#227;o ao observado em levantamentos similares realizados com adolescentes indianos<sup>30</sup>, australianos<sup>31</sup> e americanos<sup>17</sup>. Al&#233;m disso, observou-se que a ocorr&#234;ncia de obesidade abdominal est&#225; significativamente associada &#224; pr&#225;tica de atividades f&#237;sicas, mas mostrou independ&#234;ncia tanto em rela&#231;&#227;o &#224; exposi&#231;&#227;o a comportamento sedent&#225;rio (tempo de TV) quanto em rela&#231;&#227;o &#224; frequ&#234;ncia de consumo de frutas, hortali&#231;as e refrigerantes.</p>
    <p>Este estudo foi realizado com uma amostra relativamente grande, representativa dos adolescentes (de 14 a 19 anos) matriculados em escolas p&#250;blicas de ensino m&#233;dio no Estado de Pernambuco. Os fatores demogr&#225;ficos, socioecon&#244;micos e comportamentais considerados nas an&#225;lises foram obtidos mediante utiliza&#231;&#227;o de um question&#225;rio que foi previamente testado e que apresentou bom n&#237;vel de reprodutibilidade teste-reteste. As medidas antropom&#233;tricas foram efetuadas por profissionais de sa&#250;de, com forma&#231;&#227;o superior (estudantes de cursos de p&#243;s-gradua&#231;&#227;o) e previamente treinados para padronizar as medidas e reduzir os erros intra e interavaliador. Destaca-se, ainda, o fato de que o presente estudo explorou simultaneamente a associa&#231;&#227;o que dois fatores comportamentais (pr&#225;tica de atividades f&#237;sicas e exposi&#231;&#227;o a comportamento sedent&#225;rio) podem ter com a frequ&#234;ncia de obesidade abdominal em adolescentes.</p>
    <p>&#201; importante, entretanto, interpretar com cuidado as estimativas de preval&#234;ncia relatadas neste estudo, principalmente em decorr&#234;ncia da utiliza&#231;&#227;o de uma refer&#234;ncia de avalia&#231;&#227;o constru&#237;da a partir de estudo realizado com adolescentes da Nova Zel&#226;ndia<sup>27</sup>. Medidas dos fatores comportamentais de risco &#224; sa&#250;de foram autorreferidas, e h&#225; possibilidade de vi&#233;s de classifica&#231;&#227;o de exposi&#231;&#227;o. H&#225; tamb&#233;m a possibilidade de causalidade reversa que &#233; uma caracter&#237;stica inerente ao delineamento transversal adotado para desenvolvimento do presente estudo. Por fim, deve-se destacar ainda que os dados considerados no desenvolvimento deste estudo s&#227;o de sujeitos de um &#250;nico Estado brasileiro, e estudantes de escolas p&#250;blicas n&#227;o representam a popula&#231;&#227;o adolescente como um todo. Sendo assim, a generaliza&#231;&#227;o dos resultados deve ser feita com consider&#225;vel cautela.</p>
    <p>Internacionalmente, os estudos dispon&#237;veis se concentraram principalmente na an&#225;lise de tend&#234;ncias em rela&#231;&#227;o &#224; medida absoluta da circunfer&#234;ncia da cintura<sup>18,19</sup> ou na verifica&#231;&#227;o de tend&#234;ncias em rela&#231;&#227;o a outros indicadores antropom&#233;tricos, como a rela&#231;&#227;o cintura/estatura<sup>17</sup>. Poucos estudos relataram preval&#234;ncias de obesidade abdominal em adolescentes<sup>16,30,31</sup>, e todos empregaram refer&#234;ncias de avalia&#231;&#227;o diferentes das que foram utilizadas no presente estudo. Por isso, compara&#231;&#245;es ficam bastante prejudicadas.</p>
    <p>A despeito das limita&#231;&#245;es j&#225; enunciadas, as evid&#234;ncias deste estudo sugerem que, em compara&#231;&#227;o aos resultados de estudos internacionais, a preval&#234;ncia de obesidade abdominal em adolescentes dessa regi&#227;o do Brasil &#233; expressivamente mais baixa. Examinando dados de 1997 do estudo norte-americano <italic>National Diet and Nutrition Survey</italic>, Li e cols.<sup>16</sup> verificaram uma preval&#234;ncia de aproximadamente 14% entre os rapazes e 17% entre as mo&#231;as. Num estudo com adolescentes indianos, Anjama e cols.<sup>30</sup> verificaram uma preval&#234;ncia de aproximadamente 12% que chegava a 19,6% em adolescentes cujos pais eram diab&#233;ticos. Sellers e cols.<sup>31</sup> identificaram circunfer&#234;ncia da cintura elevada em 26,2% dos participantes em um estudo de coorte com crian&#231;as e adolescentes abor&#237;genes australianos.</p>
    <p>Apesar das diferen&#231;as metodol&#243;gicas, particularmente no tocante &#224;s estrat&#233;gias de an&#225;lise e defini&#231;&#227;o operacional das vari&#225;veis, os resultados do presente estudo s&#227;o convergentes em rela&#231;&#227;o &#224;s evid&#234;ncias relatadas por Klein-Platat e cols.<sup>20</sup> que verificaram existir uma associa&#231;&#227;o inversa entre a pr&#225;tica de atividades f&#237;sicas e a circunfer&#234;ncia da cintura. Al&#233;m disso, similarmente ao observado no presente estudo, a associa&#231;&#227;o entre esses fatores permaneceu inalterada mesmo ap&#243;s ajustamento para exposi&#231;&#227;o a comportamentos sedent&#225;rios (tempo de TV, uso do computador/videogame e leitura) e &#237;ndice de massa corporal. Esses resultados sugerem que a preven&#231;&#227;o da obesidade abdominal, nesse grupo populacional, deve estar baseada em interven&#231;&#245;es que focalizam mais a promo&#231;&#227;o da atividade f&#237;sica do que a redu&#231;&#227;o do tempo de exposi&#231;&#227;o a comportamentos sedent&#225;rios.</p>
    <p>A realiza&#231;&#227;o peri&#243;dica de levantamentos similares poder&#225; fornecer evid&#234;ncias quanto &#224; tend&#234;ncia de aumento na preval&#234;ncia de obesidade abdominal, subsidiando a formula&#231;&#227;o e o desenvolvimento precoce de a&#231;&#245;es de controle. Abordagens anal&#237;ticas s&#227;o tamb&#233;m necess&#225;rias para identifica&#231;&#227;o de fatores associados, assim como para an&#225;lise da correla&#231;&#227;o entre a ocorr&#234;ncia de obesidade abdominal e outros eventos relacionados &#224; sa&#250;de, como a hipertens&#227;o e as dislipidemias. Esta &#250;ltima abordagem de investiga&#231;&#227;o &#233; especialmente urgente em raz&#227;o da controv&#233;rsia quanto &#224; associa&#231;&#227;o entre a obesidade abdominal e a ocorr&#234;ncia de doen&#231;as cardiovasculares, conforme identificado no estudo conduzido por Janiszewski e cols.<sup>32</sup>.</p>
    <p>Outro aspecto que merece tamb&#233;m ser investigado &#233; o valor cl&#237;nico da avalia&#231;&#227;o da obesidade abdominal como preditor de risco para doen&#231;as cardiovasculares em compara&#231;&#227;o &#224; an&#225;lise do &#237;ndice de massa corporal, conforme destacado por Klein e cols.<sup>33</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Agradecimentos</bold>
    </p>
    <p>Os pesquisadores agradecem aos estudantes e professores das escolas de ensino m&#233;dio que participaram do projeto.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflito de interesses pertinentes.</p>
    <p>
      <bold>Fontes de Financiamento</bold>
    </p>
    <p>O presente estudo contou com o apoio a projetos de pesquisa (processo 486023/2006-0) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&#237;fico e Tecnol&#243;gico (CNPq), com bolsas de estudos da Coordena&#231;&#227;o de Aperfei&#231;oamento de Pessoal de N&#237;vel Superior (Capes) e da Funda&#231;&#227;o de Amparo &#224; Ci&#234;ncia e Tecnologia de Pernambuco (Facepe).</p>
    <p>
      <bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>Este artigo &#233; parte de disserta&#231;&#227;o de mestrado de Cl&#225;udio Barnab&#233; dos Santos Cavalcanti pela Universidade de Pernambuco.</p>
    <p>
      <fn id="back" fn-type="corresp">
        <p>Correspond&#234;ncia:</p>
        <p> Mauro Virgilio Gomes de Barros </p>
        <p> Rua Arnobio Marques, 310, Campus Huoc/Esef - Santo Amaro </p>
        <p> 50100-130 - Recife, PE - Brasil </p>
        <p> E-Mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="mauro.barros@pq.cnpq.br">mauro.barros@pq.cnpq.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 10/06/09; revisado recebido em 07/08/09; aceito em 18/08/09.</p>
  </body>
  <back>
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          <article-title>Indicadores antropom&#233;tricos de obesidade abdominal: revis&#227;o dos artigos indexados na biblioteca SciELO</article-title>
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          <article-title>Evaluation of waist circumference, waist-to-hip ratio, and the conicity index as screening tools for high trunk fat mass, as measured by dual-energy X-ray absorptiometry, in children aged 3-19 y</article-title>
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          <article-title>Parental history of type diabetes mellitus, metabolic syndrome, and cardiometabolic risk factors in Asian Indian adolescents</article-title>
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          <article-title>Large waist but low body mass index: the metabolic syndrome in Australian aboriginal children</article-title>
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          <article-title>Does waist circumference predict diabetes and cardiovascular disease beyond commonly evaluated cardiometabolic risk factors?</article-title>
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          <article-title>Waist circumference and cardiometabolic risk: a consensus statement from shaping America's Health: association for weight management and obesity prevention; NAASO, The Obesity Society; the American Society for Nutrition; and the American Diabetes Association</article-title>
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          <subject>Original Articles</subject>
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      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Abdominal obesity in adolescents: prevalence and association with physical activity and eating habits</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>BACKGROUND: Abdominal obesity in adolescents is associated with cardiovascular and metabolic diseases, but its prevalence and the factors associated with its occurrence are unknown. OBJECTIVES: To determine the prevalence of abdominal obesity in adolescents, and to evaluate whether the indicators of physical activity and dietary habits are associated with the occurrence of abdominal obesity in adolescents. METHODS: The sample included 4138 high school students (14-19 years), selected by cluster sampling in two stages. We obtained data using the Global School-based Health Survey, and anthropometric measurements were taken for determination of overweight and abdominal obesity. Logistic regression was used for analysis of behavioral factors associated with the occurrence of abdominal obesity. The identification of cases of abdominal obesity was performed by waist circumference analysis, using age- and gender-related cutoff points as reference. RESULTS: The mean age was 16.8 years (s = 1.4), and 59.8% of subjects were female. The prevalence of abdominal obesity was 6% (95%CI: 5.3-6.7), and it was significantly higher among girls (6.7%, 95%CI: 5.8-7.8) than among boys (4.9%, 95%CI: 3, 9-6, 0). In the crude analysis, gender and overweight were associated with the occurrence of abdominal obesity. The analysis adjustment by logisic regression allowed us to observe that physical activity was significantly associated with the occurrence of obesity in this group (OR = 0.7; 95% CI: 0.49-0.99), regardless of the presence of overweight. CONCLUSIONS: The prevalence of abdominal obesity was low compared to that observed in international studies, and physical activity was a factor associated with the occurrence of this event in adolescents.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Obesity</kwd>
        <kwd>adolescent</kwd>
        <kwd>epidemiology</kwd>
        <kwd>motor activity</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>ORIGINAL ARTICLE</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="top-body2">
          <label>
            <bold>Abdominal obesity in adolescents: prevalence and association with physical activity and eating habits</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Cl&#225;udio Barnab&#233; dos Santos Cavalcanti; Mauro Virgilio Gomes de Barros; Annelise Lins Men&#234;ses; Carla Men&#234;ses Santos; Andrea Maria Pires Azevedo; Fernando Jos&#233; de S&#225; Pereira Guimar&#227;es</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>University of Pernambuco, Recife, PE - Brazil</p>
      <p>Mailing address</p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p><bold>BACKGROUND:</bold> Abdominal obesity in adolescents is associated with cardiovascular and metabolic diseases, but its prevalence and the factors associated with its occurrence are unknown.</p>
      <p><bold>OBJECTIVES:</bold> To determine the prevalence of abdominal obesity in adolescents, and to evaluate whether the indicators of physical activity and dietary habits are associated with the occurrence of abdominal obesity in adolescents.</p>
      <p><bold>METHODS:</bold> The sample included 4138 high school students (14-19 years), selected by cluster sampling in two stages. We obtained data using the Global School-based Health Survey, and anthropometric measurements were taken for determination of overweight and abdominal obesity. Logistic regression was used for analysis of behavioral factors associated with the occurrence of abdominal obesity. The identification of cases of abdominal obesity was performed by waist circumference analysis, using age- and gender-related cutoff points as reference.</p>
      <p><bold>RESULTS:</bold> The mean age was 16.8 years (s = 1.4), and 59.8% of subjects were female. The prevalence of abdominal obesity was 6% (95%CI: 5.3-6.7), and it was significantly higher among girls (6.7%, 95%CI: 5.8-7.8) than among boys (4.9%, 95%CI: 3, 9-6, 0). In the crude analysis, gender and overweight were associated with the occurrence of abdominal obesity. The analysis adjustment by logistic regression allowed us to observe that physical activity was significantly associated with the occurrence of obesity in this group (OR = 0.7; 95% CI: 0.49-0.99), regardless of the presence of overweight.</p>
      <p><bold>CONCLUSIONS:</bold> The prevalence of abdominal obesity was low compared to that observed in international studies, and physical activity was a factor associated with the occurrence of this event in adolescents.</p>
      <p><bold>Key words:</bold> Obesity; adolescent; epidemiology; motor activity. </p>
      <p>
        <bold>Introduction</bold>
      </p>
      <p>Obesity is a global health problem whose prevalence is increasing even in developing countries<sup>1</sup><sup>,2</sup>, and in younger populations<sup>3-5</sup>. Between 1980 and 2000, the estimated prevalence of overweight and obesity in children increased up to 5-fold in developed countries, and up to 4-foldin developing countries<sup>6,7</sup>. In Brazil, the proportion of overweight children and adolescents also increased from approximately 4.1% (1974/1975) to 13.9% (1996/1997)<sup>7</sup>.</p>
      <p>In studies with adults, abdominal obesity was found to be a risk factor for cardiovascular events and mortality<sup>8,9</sup>. In adolescents, the accumulation of abdominal fat has been identified as a risk factor for the occurrence of cardiovascular and metabolic diseases<sup>10-12</sup>. In addition, increased abdominal fat is associated with elevated blood pressure<sup>13</sup>, higher triglyceride concentration<sup>14</sup>, and hyperinsulinemia<sup>15</sup>.</p>
      <p>In recent decades, studies with different population subgroups showed that there has been a significant increase in mean waist circumference values or in the prevalence of abdominal obesity in adolescents of both genders<sup>16-19</sup>. Despite the upward trend, there is still considerable lack of information and conflicting results regarding the factors associated with obesity among adolescents. Available evidence suggests that the practice of structured and vigorous physical activity is inversely associated with waist circumference values<sup>20,21</sup>. However, Ortega et al<sup>22</sup> observed an association between physical activity and abdominal adiposity only in adolescents with low levels of cardiovascular fitness. As for eating habits, Francis et al<sup>23</sup> concluded that a high consumption of soft drinks and a low intake of fruits and vegetables are food indicators associated with greater abdominal fat accumulation.</p>
      <p>A review of studies on abdominal obesity conducted in Brazil showed that the samples were very heterogeneous with respect to age<sup>24</sup>. The studies with more homogeneous samples with respect to age included four studies with elderly subjects, and three studies with children, but none of them had an exclusive sample of adolescents. The objective of this study was to determine the prevalence of obesity in adolescents, and to evaluate whether the indicators of physical activity and dietary habits are associated with the occurrence of obesity in adolescents.</p>
      <p>
        <bold>Methods</bold>
      </p>
      <p>This was a cross-sectional epidemiological study, conducted as part of the project called "Lifestyles and Health Risk Behaviors in High School Students in the State of Pernambuco". The study protocol was approved by the Human Research Ethics Committe of the Hospital Agamenon Magalh&#227;es (Recife). The participation of the subjects was voluntary and anonymous, and we adopted the use of a negative term of consent (passive parental consent form). No personal identification was allowed in the instruments to ensure the anonymity of responses.</p>
      <p>The target population was limited to state public high school students in the State of Pernambuco, aged between 14 and 19 years. Considering all the administrative managements (federal, state, municipal, and private), the subjects enrolled in state public schools accounted for about 80% of all high school students in Pernambuco. The sample size was determined in such a way as to meet the various objectives of the project, which included an evaluation of exposure to ten behavioral health risk factors, anthropometric measurements, and blood pressure values at rest (a factor that was not analysed in this study).</p>
      <p>To calculate the sample size, we used the following criteria: population of approximately 353 thousand subjects, confidence interval of 95%, and sampling error of 3 percentage points. Since this was a study that involved analysis of several factors, the prevalence estimate was set at 50%, and the sample design effect was set at 4 times the minimum size of the sample. This would represent a sample of 4217 subjects. With this sample design, it would be possible to analyze the association between independent variables and the occurrence of abdominal obesity, with the possibility of detecting odds ratios (OR) of 1.2 or higher as significant, using a confidence level of 95%, and a statistical power of 80%.</p>
      <p>We tried to ensure that the sample represented the target population, considering its distribution as per geographical region, shift enrollment (day school or night school), and school size (small-less than 200 students; average-200 to 499 students; and large-500 students or more). Students enrolled in the morning and afternoon shifts were grouped into a single category (students in day classes). The regional distribution was observed by the number of schools in each of the 17 regional education management offices of the State Education Department.</p>
      <p>To select the required sample, we used a cluster sampling procedure in two stages, and "school" and "class" represented, respectively, the sampling units (clusters) in the first and in the second stage. All public schools in the State of Pernambuco were considered eligible for inclusion in the study. In the first stage we adopted, as the stratification criterion, the density of schools in each sub-area of the State (Regional Education Management Offices/Gere), according to size; Thus, proportionally more schools were drawn in the regions where the density was also higher. In the second stage, we considered the density of classes in selected schools by shift (day and night) as a criterion to draw those in which the questionnaires would be applied. All students in the selected classes were invited to participate in the study, regardless of their age. After the application, the questionnaires answered by students who were above the target age range (over 19 years) were excluded. Data collection was performed from April to October 2006. The questionnaires were applied in the classroom, without the presence of teachers, by six graduate students (three physical education professionals, two nurses, and a doctor), who had participated in previous training to standardize the data collection procedures. The subjects were continuously assisted by these interviewers (always two per class), who could answer questions and assist in filling out the information.</p>
      <p>To measure the independent variables, we used the translated version of the Global School-based Student Health Survey (GSHS) proposed by the World Health Organization (WHO), available at the following address: www.who.int/chp/GSHS/en. The questionnaire consisted of ten modules: 1. personal characteristics, 2. consumption of alcohol and drugs; 3. eating habits; 4. hygiene; 5. feelings and relationships; 6. physical activities; 7. behavior in school; 8. sexual behavior; 9. smoking habit; and 10. violent behavior.</p>
      <p>Before starting data collection, a pilot study was conducted to determine indicators of measurement reproducibility, and to test the applicability of the instrument. Data from the pilot study were collected from two municipal public schools in Recife, in a sample of 138 adolescents, aged 14 to 19 years (59 girls). The indicators of reproducibility (test-retest consistency) were moderate to high in most items of the instrument, and the coefficient of concordance (kappa) varied from 0.52 to 1.00.</p>
      <p>A Plenna stadiometer (model 206) was used to determine height values, with an accuracy of 0.5 centimeters (measurement range from 120 to 220 centimeters), whereas weight assessment was effected by using a previously calibrated Plenna electronic scale (Sport model) (measurement range from 30 to 150 kilograms). Body weight (kg) and height (cm) were assessed according to the standard measurement procedures proposed in the literature<sup>25</sup>. Waist circumference was measured by using an anthropometric tape, considering the smaller circumference between the iliac crest and first rib as the anatomical point to perform the measurement<sup>26</sup>. The study subjects wore light clothing and no shoes during the measurements.</p>
      <p>The dependent variable in this study was the "occurrence of abdominal obesity" determined by analysis of the measurement of the waist circumference. The cutoff points suggested by Taylor et al<sup>27</sup> were used to identify cases of abdominal obesity. The selection of this assessment reference was due to the results presented by Adams et al<sup>28</sup> in a study conducted to evaluate the sensitivity and specificity of two reference charts for waist circumference in children and adolescents.</p>
      <p>The independent variables were: participation in physical education classes (yes/no); exposure to sedentary behavior on weekdays and weekends (exposed/non-exposed); level of physical activity (active/insufficiently active); low frequency of fruit consumption (exposed/non-exposed); low frequency of vegetable consumption (exposed/non-exposed); and high frequency of soft drink consumption (exposed/non-exposed).</p>
      <p>Participation in physical education classes was established by weekly frequency of attendance in class, and data were grouped into two categories: attend and does not attend. TV watching time was separately assessed for weekdays and weekends, which were analyzed as two independent variables. Those who reported watching TV daily for a period of three or more hours were classified as "exposed" to excessive TV watching time.</p>
      <p>Fruit, vegetable, and soft drink consumption was determined by analyzing the frequency of intake during the 30 days preceding the survey, considering the following response regarding the habitual consumption in the last 30 days: no consumption, &lt;1 time per day, 1 time per day, 2 times per day, 3 times per day, and 4 or more times per day. Adolescents who reported a daily consumption of soft drinks and an occasional consumption (&lt;1 time per day) of fruit and vegetables were classified as being exposed to an inadequate consumption pattern of these foods.</p>
      <p>We considered the frequency and length of moderate- to vigorous-intensity physical activity that the adolescent engages in during a typical week to derive a measurement of the level of physical activity. The subjects who reported participating in at least 60 minutes of moderate- to vigorous-intensity physical activity for 5 or more days per week were classified as physically active, whereas the others were classified as insufficiently active.</p>
      <p>The following variables were considered as potential intervening factors (confounding and effect modifiers): gender, age (14-16/17-19 years), ethnicity/skin color (white/non-white), shift (day/night), grade (1st/2nd/3rd), occupational status (worker, non-worker), maternal education (<underline>&lt;</underline> 8 years, 9-11 years, and 12 years or more of schooling), place of residence (urban/rural), and overweight (determined by classification of body mass index). The occurrence of overweight was determined in accordance with the cutoff points for body mass index (BMI = weight/height<sup>2</sup>) proposed by the International Obesity Task Force (IOTF) and published by Cole et al<sup>29</sup> All independent and intervening variables, except BMI, were self-reported.</p>
      <p>The procedure for final tabulation of the data was performed using the program EpiData, resorting to a dual input and, afterwards, to the comparison of the data files created to detect and correct errors. Automatic range checks and data entry consistency checks were also adopted.</p>
      <p>The analysis was performed using the software SPSS for Windows (version 10). To evaluate the association between variables, we resorted to the application of the chi-square test, and, for ordinal scale variables, the chi-square test for trend. Multivariable analysis was done using the binary logistic regression, considering the occurrence of abdominal obesity as the outcome. Multivariate analysis was carried out with a two-level adjustment for the variables involved: first, there was an adjustment for gender, age, skin color/ethnic group, and overweight; and second, there was an adjustment for gender, age, skin color/ethnic group, overweight, and other behavioral factors included in the study as independent variables. In the final regression model, significantly associated factors were found for which the p value was less than 0.05.</p>
      <p>This study was funded by the National Council for Scientific and Technological (CNPq Process # 486023/2006-0).</p>
      <p>
        <bold>Results</bold>
      </p>
      <p>We visited 76 schools (11% of all state schools in the State), in 44 municipalities, which represented 23% of the municipalities of Pernambuco. We effectively interviewed and evaluated 4,138 students aged between 14 and 19 years (mean 16.8 years, s=1.4); 59.8% of the subjects were female.</p>
      <p>Of the students present in the schools at the time of data collection visits (n=4,297), 83 refused to participate in the study (1.9% of refusals), and 62 others completed the questionnaire, but did not agree to allow us to measure their waist circumferences. Therefore, the final sample (n=4,138) represented 98.1% of the original group (n=4,217).</p>
      <p>The demographic and socioeconomic characteristics are presented in <xref ref-type="table" rid="t1-body2">Table 1</xref>. <xref ref-type="table" rid="t2-body2">Table 2</xref> shows mean values and the corresponding standard deviations of the patients' characteristics regarding age and anthropometric factors.</p>
      <table-wrap id="t1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-03-0371-00015-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      <table-wrap id="t2-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-03-0371-00015-gt02-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>The prevalence of abdominal obesity was 6% (95% CI: 5.3-6.7), significantly higher (p &lt;0.05) among girls (6.7%, 95% CI: 5.8-7.8) than among boys (4.9%, 95% CI: 3.9-6.0). <xref ref-type="table" rid="t3-body2">Table 3</xref> presents the prevalence of abdominal obesity, according to demographic, socioeconomic and school-related factors.</p>
      <table-wrap id="t3-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-03-0371-00015-gt03-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>In the bivariate analysis, along with gender, overweight also significantly discriminated the occurrence of abdominal obesity. The proportion of adolescents with abdominal obesity was 44.8% (95% CI: 40.3, 49.4) among those adolescents classified as overweight, whereas among those classified as normal weight, the prevalence was only 0.9% (95% CI: 0.6, 1.3).</p>
      <p>We then performed an analysis with adjustment for confounders and potential effect modifiers (intervening variables). In the first adjustment, the following variables were included, in addition to overweight: gender, age and skin color. In this group, physical activity was found to be a factor significantly associated with the occurrence of abdominal obesity.</p>
      <p>Another analysis with an even more comprehensive adjustment was also performed, including the behavioral factors considered in this study, besides the variables already mentioned: physical activity practice indicators, exposure to sedentary behavior (TV watching time), and eating habits (consumption of fruit, vegetables and soft drinks). The results remained unchanged, preserving the statistically significant association between the level of physical activity and the occurrence of abdominal obesity (<xref ref-type="table" rid="t4-body2">Table 4</xref>).</p>
      <table-wrap id="t4-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-03-0371-00015-gt04-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>The regression analysis was repeated, replacing the overweight variable (categorical) by the BMI measurement (numerical) as a means to obtain a better adjustment for the intervention of this variable in the analysis of the association between independent variables and the study outcome. Despite a slight change in the magnitude of the OR values, the observed association (physical activity and abdominal obesity) remained unchanged.</p>
      <p>
        <bold>Discussion</bold>
      </p>
      <p>In Brazil, as far as is known, this is the first school-based and statewide epidemiological study conducted to determine the prevalence of abdominal obesity and its associated factors in adolescents<sup>24</sup>. This study showed that the prevalence of abdominal obesity was low compared to that seen in similar studies conducted with Indian<sup>30</sup>, Australian<sup>31</sup>, and American<sup>17</sup> teenagers. In addition, we observed that the occurrence of abdominal obesity is significantly associated with physical activity, but showed independence both in relation to exposure to sedentary behavior (TV watching time) and in the frequency of consumption of fruit, vegetables and soft drinks.</p>
      <p>This study was conducted with a relatively large sample, which is representative of the adolescents (14 to 19 years) enrolled in public high schools in the State of Pernambuco. The demographic, socioeconomic and behavioral factors considered in the analysis were obtained through the use of a questionnaire that had been previously tested and showed a good level of test-retest reproducibility. The anthropometric measurements were performed by graduate-level health professionals (graduate students), who were previously trained to standardize the measurements and reduce inter- and intra-examiner errors. It is also noteworthy that this study simultaneously explored the possible association between two behavioral factors (physical activity and exposure to sedentary behavior) and the prevalence of obesity among adolescents.</p>
      <p>It is important, however, to interpret carefully the prevalence estimates reported in this study, mainly due to the use of a reference evaluation constructed from a study conducted among adolescents in New Zealand<sup>27</sup>. The measurements of behavioral risk factors for health were self-reported, and there is a possibility of bias in the classification of exposure. There is also the possibility of reverse causality, which is an inherent characteristic of the cross-sectional design adopted for the development of this study. Finally, it should be noted also that the data used in developing this study were collected among subjects of a single Brazilian state, and students in public schools do not represent the adolescent population as a whole. Therefore, the generalization of results must be made with considerable caution.</p>
      <p>Internationally, the available studies have focused mainly on the analysis of trends in relation to the absolute measurement of waist circumference<sup>18,19</sup> or on verifying trends regarding other anthropometric indicators such as the waist/height ratio<sup>17</sup>. Few studies have reported the prevalence of abdominal obesity in adolescents<sup>16,30,31</sup>, and all references employed evaluation procedures different from those used in this study. Therefore, comparisons are significantly impaired.</p>
      <p>Despite the limitations already mentioned, the evidence from this study suggests that, compared to the results of international studies, the prevalence of obesity among adolescents in this region of Brazil is significantly lower. Examining data from the 1997 U.S. National Diet and Nutrition Survey study, Li et al<sup>16</sup> found a prevalence of approximately 14% among boys and 17% among girls. In a study conducted among Indian teenagers, Anjama et al<sup>30</sup> found a prevalence of approximately 12%, which amounted to 19.6% in adolescents whose parents were diabetic. Sellers et al<sup>31</sup> identified increased waist circumference values in 26.2% of the participants in a cohort study conducted among Aboriginal Australian children and adolescents.</p>
      <p>Despite methodological differences, particularly on strategies for analysis and operational definition of variables, the results of this study are convergent with the evidence reported by Klein-Platat et al<sup>20</sup> that there is an inverse association between physical activity and waist circumference. In addition, similar to what was observed in this study, the association between these factors remained unchanged even after adjustment for exposure to sedentary behavior (TV watching time, use of computer/videogames, and reading), and body mass index. These results suggest that the prevention of abdominal obesity in this population group must be based on interventions that focus more on promoting physical activity than on reducing exposure to sedentary behaviors.</p>
      <p>Performing periodic surveys may provide similar evidence on the upward trend in the prevalence of abdominal obesity, supporting the formulation and early development of control measures. Analytical approaches are needed to identify factors associated as well as to analyze the correlation between the occurrence of abdominal obesity and other health-related events such as hypertension and dyslipidemia. The latter research approach is particularly urgent because of the controversy about the association between abdominal obesity and the occurrence of cardiovascular disease, as identified in the study conducted by Janiszewski et al<sup>32</sup>.</p>
      <p>Another aspect that deserves to be investigated is the value of clinical assessment of abdominal obesity as a predictor of cardiovascular risk as compared to the analysis of body mass index, as noted by Klein et al<sup>33</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Acknowledgments</bold>
      </p>
      <p>The researchers thank the students and teachers of the high schools that participated in the project.</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>Sources of Funding</bold>
      </p>
      <p>The present study received research project support (process #486023/2006-0) from Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&#237;fico e Tecnol&#243;gico ( CNPq), with grants from Coordena&#231;&#227;o de Aperfei&#231;oamento de Pessoal de N&#237;vel Superior (Capes) and Funda&#231;&#227;o de Amparo &#224; Ci&#234;ncia e Tecnologia de Pernambuco ( Facepe).</p>
      <p>
        <bold>Study Association</bold>
      </p>
      <p>This article is part of the thesis of master submitted by Cl&#225;udio Barnab&#233; dos Santos Cavalcanti, from Universidade de Pernambuco.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
