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        <article-title>Valvoplastia mitral percut&#226;nea: 30 anos de experi&#234;ncia</article-title>
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  <body>
    <p>
      <bold>EDITORIAL</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Valvoplastia mitral percut&#226;nea: 30 anos de experi&#234;ncia</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Marco V. Wainstein<sup>I, II, III</sup>; Rodrigo V. Wainstein<sup>I, II, IV</sup></bold>
    </p>
    <p><sup>I</sup>Hospital de Clinicas de Porto Alegre </p>
    <p><sup>II</sup>Universidade Federal do Rio Grande do Sul</p>
    <p><sup>III</sup>Hospital Moinhos de Vento Porto Alegre, RS, Brasil </p>
    <p><sup>IV</sup>Toronto General Hospital, Toronto, Canad&#225;</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p><bold>Palavras-chave: </bold> Valva mitral, dilata&#231;&#227;o com bal&#227;o/hist&#243;ria.</p>
    <p>Em 1982, Kanjii Inoue, um cirurgi&#227;o card&#237;aco japon&#234;s, desenvolveu a id&#233;ia de que uma v&#225;lvula mitral espessada e degenerada pudesse ser dilatada com um bal&#227;o sint&#233;tico. Esse conceito era semelhante aquele utilizado na comissurotomia mitral cir&#250;rgica fechada<sup>1</sup>. Subsequentemente, a t&#233;cnica de duplo-bal&#227;o foi introduzida na Ar&#225;bia Saudita, como um m&#233;todo alternativo &#224; valvoplastia com bal&#227;o de Inoue<sup>2</sup>. Atualmente, a t&#233;cnica de Inoue tornou-se o m&#233;todo mais utilizado para realiza&#231;&#227;o de valvoplastia mitral percut&#226;nea. Em compara&#231;&#227;o com a t&#233;cnica de duplo-bal&#227;o, demonstra efic&#225;cia semelhante, com a vantagem de apresentar menores riscos periprocedimento<sup>3</sup>. Quando comparada com a comissurotomia mitral cir&#250;rgica, a valvoplastia mitral com bal&#227;o demonstra taxas de sucesso semelhantes ou superiores<sup>4,5</sup>, com taxas de reestenose equivalentes<sup>5</sup>. Estudos randomizados, que compararam a valvoplastia mitral com bal&#227;o com a comissurotomia cir&#250;rgica fechada, demonstraram que a t&#233;cnica percut&#226;nea supera a cirurgia, por resultar numa maior &#225;rea valvar com durabilidade superior em longo prazo<sup>6</sup>.</p>
    <p>Na presente edi&#231;&#227;o dos Arquivos, Cardoso e cols.<sup>7</sup> apresentam os resultados imediatos e tardios da valvoplastia mitral percut&#226;nea, em pacientes com estenose mitral, em uma s&#233;rie de 330 pacientes consecutivos, que foram seguidos por 47 &#177; 36 meses, sendo avaliados os fatores relacionados ao sucesso do procedimento, &#224; reestenose e aos eventos cl&#237;nicos adversos tardios<sup>7</sup>. Os autores conclu&#237;ram que a valvoplastia mitral com bal&#227;o &#233; um procedimento efetivo, j&#225; que mais de 60% dos pacientes estiveram livres de eventos ao final do seguimento. O escore ecocardiogr&#225;fico abaixo de 8 pontos foi a &#250;nica vari&#225;vel com valor preditivo independente para o sucesso imediato. A an&#225;lise multivariada demonstrou ainda que a &#225;rea valvar mitral pr&#233;-procedimento e a presen&#231;a de calcifica&#231;&#227;o mitral acentuada foram os &#250;nicos preditores independentes de reestenose p&#243;s-procedimento. Com rela&#231;&#227;o &#224; ocorr&#234;ncia de eventos cardiovasculares adversos, idade mais avan&#231;ada, menor &#225;rea valvar mitral pr&#233;-procedimento e maior valor de gradiente transvalvar mitral m&#233;dio no p&#243;s-procedimento imediato foram considerados como indicadores independentes. Trata-se de um estudo observacional altamente louv&#225;vel, por retratar os resultados da valvoplastia mitral em um n&#250;mero substancial de pacientes que foram acompanhados por um per&#237;odo consideravelmente longo. Se a efic&#225;cia do procedimento j&#225; havia sido estabelecida atrav&#233;s de estudos randomizados, sua efetividade no chamado "mundo real" foi agora documentada de forma inequ&#237;voca.</p>
    <p>&#201; interessante observar que o escore ecocardiogr&#225;fico desempenha um papel central para a predi&#231;&#227;o de sucesso inicial e em longo prazo de pacientes candidatos &#224; valvoplastia mitral percut&#226;nea<sup>8</sup>. Seja de forma direta, atrav&#233;s do escore propriamente dito, seja individualmente, por um de seus componentes, como a presen&#231;a de calcifica&#231;&#227;o, a sele&#231;&#227;o adequada dos pacientes passa obrigatoriamente pela avalia&#231;&#227;o ecocardiogr&#225;fica da v&#225;lvula mitral. Entretanto, outros fatores podem ser determinantes para o sucesso cl&#237;nico, em longo prazo, de pacientes submetidos &#224; valvoplastia mitral percut&#226;nea. A presen&#231;a de fibrila&#231;&#227;o atrial, por exemplo, tem demonstrado, em outros estudos, ser um importante marcador de desfechos cl&#237;nicos adversos, especialmente cerebrovasculares, nesses pacientes. Em contrapartida, estudos demonstram que a valvoplastia mitral percut&#226;nea com bal&#227;o pode reduzir a ocorr&#234;ncia de acidente vascular cerebral isqu&#234;mico emb&#243;lico em pacientes com estenose mitral grave e ritmo sinusal<sup>9</sup>.</p>
    <p>Embora a morfologia valvar mitral seja o fator de maior import&#226;ncia para determinar o desfecho ap&#243;s o procedimento, a valvoplastia mitral percut&#226;nea pode ser uma alternativa para casos selecionados onde os fatores anat&#244;micos n&#227;o s&#227;o ideais, existindo, entretanto, um alto risco cir&#250;rgico<sup>10</sup>. Pacientes assintom&#225;ticos com estenose mitral grave tamb&#233;m podem beneficiar-se de valvoplastia mitral quando a anatomia valvar for favor&#225;vel e apresentarem hipertens&#227;o pulmonar e/ou risco elevado de eventos tromboemb&#243;licos associados &#224; fibrila&#231;&#227;o atrial<sup>10</sup>.</p>
    <p>J&#225; se v&#227;o quase 30 anos desde a descri&#231;&#227;o da t&#233;cnica e a publica&#231;&#227;o dos primeiros resultados de pacientes submetidos &#224; valvoplastia mitral percut&#226;nea. No decorrer desse per&#237;odo, pequenas varia&#231;&#245;es t&#233;cnicas foram incorporadas, mas o m&#233;todo permanece essencialmente inalterado. J&#225; foi demonstrado que a valvoplastia mitral percut&#226;nea &#233; igual ou mesmo superior em termos de resultados cl&#237;nicos quando comparada com a comissurotomia cir&#250;rgica. A correta avalia&#231;&#227;o pr&#233;-operat&#243;ria, atrav&#233;s de escore ecocardiogr&#225;fico, &#233; fundamental na identifica&#231;&#227;o dos candidatos que ir&#227;o apresentar maior benef&#237;cio imediato e em longo prazo. Os resultados aqui apresentados, frutos do acompanhamento prolongado de pacientes portadores de estenose mitral grave, que foram submetidos &#224; valvoplastia mitral percut&#226;nea, demonstram claramente que este, a exemplo de outros procedimentos da Cardiologia Intervencionista, constitui-se em uma alternativa menos invasiva do que a cirurgia convencional, entretanto, altamente efetiva para o manejo dessa enfermidade. O avan&#231;o t&#233;cnico tem, felizmente, permitido que a medicina rume para op&#231;&#245;es minimamente invasivas, com preserva&#231;&#227;o ou aprimoramento dos resultados.</p>
    <p>
      <fn id="back" fn-type="corresp">
        <p>Correspond&#234;ncia:</p>
        <p> Marco V. Wainstein </p>
        <p> Rua Carvalho Monteiro, 68 / 501 </p>
        <p> 90470-100 - Porto Alegre, RS - Brasil </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p><email xlink:href="mvwainstein@cardiol.br">mvwainstein@cardiol.br</email>, </p>
        <p>
          <email xlink:href="mvwainstein@uol.com.br">mvwainstein@uol.com.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 06/03/09; revisado recebido em 06/03/09; aceito em 06/05/09.</p>
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          <article-title>Percutaneous balloon commissurotomy reduces incidence of ischemic cerebral stroke in patients with symptomatic rheumatic mitral stenosis</article-title>
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          <article-title>ACC/AHA 2006 guidelines for the management of patients with valvular heart disease: a report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Practice Guidelines (writing committee to revise the 1998 Guidelines for the Management of Patients With Valvular Heart Disease): developed in collaboration with the Society of Cardiovascular Anesthesiologists</article-title>
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        <article-title xml:lang="en">Percutaneous mitral valvoplasty: 30 years of experience</article-title>
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    <body>
      <p>
        <bold>EDITORIAL</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="top-body2">
          <label>
            <bold>Percutaneous mitral valvoplasty: 30 years of experience</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Marco V. Wainstein<sup>I, II, III</sup>; Rodrigo V. Wainstein<sup>I, II, IV</sup></bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p><sup>I</sup>Hospital de Clinicas de Porto Alegre</p>
      <p><sup>II</sup>Universidade Federal do Rio Grande do Sul</p>
      <p><sup>III</sup>Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS, Brasil</p>
      <p><sup>IV</sup>Toronto General Hospital, Toronto, Canad&#225;</p>
      <p>Mailing address</p>
      <p><bold>Key words:</bold> Mitral Valve; Balloon Dilatation / history.</p>
      <p>In 1982, Kanjii Inoue, a Japanese cardiac surgeon, developed the concept that a thickened and deteriorated mitral valve could be widened as a synthetic balloon. This concept was similar to the one used in the surgical closed mitral commissurotomy<sup>1</sup>. Subsequently, the double-balloon technique was introduced in Saudi Arabia as an alternative method to the valvoplasty with Inoue balloon<sup>2</sup>. Nowadays, the Inoue technique became the most used method for the accomplishment of percutaneous mitral valvoplasty. In comparison to the double-balloon technique, it has similar efficacy with the additional benefit of presenting lower peri-procedures risks<sup>3</sup>. If contrasted with the surgical mitral commissurotomy, mitral valvoplasty with balloon shows similar or superior successfull rates<sup>4,5</sup>, with equivalent restenosis averages<sup>5</sup>. Randomized studies, which compared the mitral valvoplasty with balloon to the surgical closed commissurotomy, have demonstrated that the percutaneous technique overpasses surgery for it results in a larger valve area with a superior duration at long term<sup>6</sup>.</p>
      <p>In this edition of the Archives, Cardoseo et al<sup>7</sup> present the immediate and the latest results of the percutaneous mitral valvoplasty in patients with mitral stenosis, in a series of 330 consecutive patients that were followed during 47&#177;36 months, evaluating the factors related to the procedure success, restenosis and the latest adverse clinical events<sup>7</sup>. The authors have concluded that mitral valvoplasty with balloon is an effective procedure, since more than 60% of the patients were free of events at the end of the follow-up. The echocardiographic score below 8 points was the only variable with independent predictive value for immediate success. The multivariate analysis also showed that the pre-procedure mitral valve area and the presence of accentuated mitral calcification were the only independent predictors of post-procedure restenosis. With regard to the occurrence of adverse cardiovascular events, more advanced age; less pre-procedure mitral valve area; and major value of medium transvalve mitral gradient in the immediate post-procedure were considered as independent indicators. It is a highly laudable, observational study because it portrays the results of mitral valvoplasty in an essential number of patients, who were followed during a notable long period. If the procedure's efficacy had already been established through the randomized studies, its effectiveness in the so called "real world" is now unequivocally documented.</p>
      <p>It should be noted that the echocardiographic score performs a central role for the initial and long term success prediction of applicants to the percutaneous mitral valvoplasty<sup>8</sup>. Directly, through the aforesaid score, or individually, by means of one of its components, such as the presence of calcification, the appropriate selection of patients goes through the echocardiographic evaluation of the mitral valve. However, other factors can be determinant for the clinical success, at long term, of patients submitted to percutaneous mitral valvoplasty. The presence of atrial fibrillation, for example, in other studies, appeared to be a marker of adverse clinical outcomes, especially the cerebrovascular in these patients. In conformity, studies prove that the percutaneous mitral valvoplasty with balloon can reduce the occurrence of embolic ischemic cerebral vascular accident in patients with severe mitral stenosis and sinus rhythm<sup>9</sup>.</p>
      <p>Although the mitral valve morphology is the most important factor that determines the outcome after the procedure, the percutaneous mitral valvoplasty can be a choice for selected cases in which the anatomical factors are not ideal and that; however, there is a surgical high risk<sup>10</sup>. Asymptomatic patients with severe mitral stenosis can also benefit from mitral valvoplasty, when the valvar anatomy is favorable and presents pulmonar hypertension and/or high risk of thromboembolic events associated with the atrial fibrillation<sup>10</sup>.</p>
      <p>It has been 30 years since the description of the technique and publication of the first results of patients submitted to percutaneous mitral valvoplasty. In this period, small technique variations were incorporated, but the method remains essentially unmodified. Percutaneous mitral valvoplasty was shown to be equal or even superior in clinical results when compared to the surgical commissurotomy. The correct preoperative evaluation, by echocardiographic score, is fundamental to the identification of subjects who will present a higher immediate and long term benefit. The results herein presented, which are from the lengthened follow-up of patients with severe mitral stenosis and submitted to the percutaneous mitral valvoplasty, show that this, following the example from other procedures of the Interventionist Cardiology, is a less invasive alternative than the conventional surgery; however, it is really effective for the handling of this disease. Fortunately, the technical advance has allowed medicine to choose for minimally invasive options, with preservation or improvement of the results.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
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