<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="ppub">0066-782X</issn>
      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
      </publisher>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">qcNsxxN8mL5r5tD7DT5Vp3n</article-id>
      <article-id pub-id-type="other">00021</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2010000200021</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(10)09400221</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2010000200021</article-id>
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        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Artigos Originais</subject>
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      <title-group>
        <article-title>Obesidade e doen&#231;a arterial coronariana: papel da inflama&#231;&#227;o vascular</article-title>
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        <institution content-type="orgname">Universidade de S&#227;o Paulo</institution>
        <institution content-type="orgdiv1">Faculdade de Medicina </institution>
        <institution content-type="orgdiv2">Hospital das Cl&#237;nicas</institution>
        <country country="BR">Brazil</country>
      </aff>
      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>02</month>
        <year>2010</year>
      </pub-date>
      <volume>94</volume>
      <issue>2</issue>
      <fpage>273</fpage>
      <lpage>279</lpage>
      <history>
        <date date-type="accepted">
          <day>08</day>
          <month>06</month>
          <year>2009</year>
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        <date date-type="rev-recd">
          <day>18</day>
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          <year>2009</year>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      </permissions>
      <abstract>
        <p>A obesidade vem se tornando uma epidemia global. Cerca de 1,1 bilh&#245;es de adultos e 10% das crian&#231;as do mundo s&#227;o atualmente considerados portadores de sobrepeso ou obesos. Classicamente associada a fatores de risco para doen&#231;a cardiovascular, como diabete melito e hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica, a obesidade vem sendo cada vez mais encarada como fator de risco independente para doen&#231;a arterial coronariana (DAC). A aterosclerose coronariana compreende uma s&#233;rie de respostas inflamat&#243;rias em n&#237;vel celular e molecular, cujas rea&#231;&#245;es se encontram mais exacerbadas em pacientes obesos. Antes considerado mero dep&#243;sito de gordura, o tecido adiposo &#233; visto hoje em dia como &#243;rg&#227;o end&#243;crino e par&#225;crino ativo, produtor de diversas citocinas inflamat&#243;rias, como as adipocinas. Este artigo visa alertar para o grave problema de sa&#250;de p&#250;blica em que a obesidade se tornou nas &#250;ltimas d&#233;cadas e correlacionar o processo inflamat&#243;rio exacerbado nos indiv&#237;duos obesos com a maior incid&#234;ncia de DAC nessa popula&#231;&#227;o.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Obesidade</kwd>
        <kwd>doen&#231;a da art&#233;ria coronariana</kwd>
        <kwd>inflama&#231;&#227;o</kwd>
        <kwd>prote&#237;na C</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>05</day>
        <month>05</month>
        <year>2010</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <p>
      <bold>ARTIGO DE REVIS&#195;O</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Obesidade e doen&#231;a arterial coronariana: papel da inflama&#231;&#227;o vascular</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Fernando Gomes; Daniela F. Telo; Heraldo P. Souza; Jos&#233; Carlos Nicolau; Alfredo Halpern; Carlos V. Serrano Jr.</bold>
    </p>
    <p>Hospital das Cl&#237;nicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S&#227;o Paulo - S&#227;o Paulo, SP - Brasil</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p>A obesidade vem se tornando uma epidemia global. Cerca de 1,1 bilh&#245;es de adultos e 10% das crian&#231;as do mundo s&#227;o atualmente considerados portadores de sobrepeso ou obesos. </p>
    <p> Classicamente associada a fatores de risco para doen&#231;a cardiovascular, como diabete melito e hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica, a obesidade vem sendo cada vez mais encarada como fator de risco independente para doen&#231;a arterial coronariana (DAC). </p>
    <p> A aterosclerose coronariana compreende uma s&#233;rie de respostas inflamat&#243;rias em n&#237;vel celular e molecular, cujas rea&#231;&#245;es se encontram mais exacerbadas em pacientes obesos. </p>
    <p> Antes considerado mero dep&#243;sito de gordura, o tecido adiposo &#233; visto hoje em dia como &#243;rg&#227;o end&#243;crino e par&#225;crino ativo, produtor de diversas citocinas inflamat&#243;rias, como as adipocinas. </p>
    <p> Este artigo visa alertar para o grave problema de sa&#250;de p&#250;blica em que a obesidade se tornou nas &#250;ltimas d&#233;cadas e correlacionar o processo inflamat&#243;rio exacerbado nos indiv&#237;duos obesos com a maior incid&#234;ncia de DAC nessa popula&#231;&#227;o.</p>
    <p><bold>Palavras-chave: </bold> Obesidade, doen&#231;a da art&#233;ria coronariana, inflama&#231;&#227;o, prote&#237;na C.</p>
    <p>
      <bold>Obesidade como problema de sa&#250;de p&#250;blica</bold>
    </p>
    <p>A obesidade &#233; considerada atualmente uma epidemia global - um importante problema de sa&#250;de p&#250;blica, principalmente em pa&#237;ses ocidentais<sup>1</sup>. De acordo com os dados rec&#233;m-publicados nos Estados Unidos, 67% da popula&#231;&#227;o adulta sofre de sobrepeso, enquanto 34% apresentam obesidade, representando um aumento de 75% em rela&#231;&#227;o a 1991 (<xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>)<sup>2</sup>. Pela primeira vez na hist&#243;ria da humanidade o n&#250;mero de pessoas com excesso de peso ultrapassou o de pessoas com desnutri&#231;&#227;o, passando de um bilh&#227;o e cem milh&#245;es de pessoas acima do peso em todo o mundo.</p>
    <fig id="f1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-02-0273-00021-gf01.jpg"/></fig>
    <p>Excesso de peso est&#225; associado a aumento de morbidade e mortalidade, sendo que nos Estados Unidos se espera, pela primeira vez desde a Guerra Civil, uma diminui&#231;&#227;o da expectativa de vida decorrente das doen&#231;as e dist&#250;rbios relacionados &#224; obesidade - o que inclui hipertens&#227;o, dislipidemia, doen&#231;as cardiovasculares e alguns tipos de c&#226;ncer<sup>3</sup>.</p>
    <p>No Brasil, dados da Pesquisa de Or&#231;amento Familiar de 2003 revelaram que o excesso de peso afeta 41,1% dos homens e 40% das mulheres, dentre os quais s&#227;o considerados obesos 8,9% dos homens adultos e 13,1% das mulheres adultas<sup>4</sup>. Podemos, portanto, considerar a obesidade como o fator de risco mais comumente encontrado nos pa&#237;ses industrializados e em desenvolvimento (<xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>).</p>
    <fig id="f2">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-02-0273-00021-gf02.jpg"/></fig>
    <p>
      <bold>Obesidade como fator de risco para doen&#231;a arterial coronariana</bold>
    </p>
    <p>A associa&#231;&#227;o com fatores de risco cl&#225;ssicos para doen&#231;as cardiovasculares, como hipertens&#227;o arterial, diabete melito, dislipidemias e s&#237;ndrome metab&#243;lica, &#233; conhecida h&#225; bastante tempo. Por&#233;m, o conhecimento mais recente de que, mesmo ap&#243;s o controle dessas doen&#231;as associadas, o risco de eventos cardiovasculares permanece elevado, fez com que hoje em dia se considere a obesidade como fator de risco cardiovascular independente<sup>5</sup>.</p>
    <p>A associa&#231;&#227;o entre obesidade e doen&#231;a arterial coron&#225;ria clinicamente significativa &#233; evidente em dois estudos prospectivos cl&#225;ssicos de longo seguimento: o <italic>Framingham Heart Stud</italic>y<sup>6</sup> e o <italic>Nurses Health Study</italic><sup>7</sup>.</p>
    <p>O risco relativo para doen&#231;a arterial coron&#225;ria (DAC), partindo de adultos com &#237;ndice de massa corp&#243;rea (IMC) de 21 kg/m&#178;, aumentou de 1,19 para pacientes com IMC de 21 a 22,9 kg/m&#178;, e para 3,56 em pacientes com IMC maior do que 29 kg/m&#178; (<xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>).</p>
    <table-wrap id="t1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-02-0273-00021-gt01.jpg"/></table-wrap>
    <p>O <italic>Asia Pacific Cohort Collaboration Study,</italic> estudo com segmento maior do que sete 7 anos e que envolveu 430.000 pacientes adultos, encontrou um aumento de 9% em eventos card&#237;acos isqu&#234;micos para cada unidade de mudan&#231;a no IMC.</p>
    <p>A rela&#231;&#227;o entre obesidade e morte por doen&#231;a cardiovascular &#233; ainda mais evidente quando se considera pacientes com obesidade abdominal. No estudo TRACE (<italic>Tandolapril Cardiac Evaluation</italic>), uma an&#225;lise de banco de dados mostrou aumento de mortalidade em torno de 23% em compara&#231;&#227;o com pacientes que n&#227;o tinham obesidade abdominal, j&#225; excluindo influ&#234;ncia de diabete e hipertens&#227;o arterial<sup>9</sup>.</p>
    <p>Quando se analisam pacientes com doen&#231;a cardiovascular conhecida ou ap&#243;s infarto agudo do mioc&#225;rdio, o aumento do IMC se correlaciona inversamente com o aumento de mortalidade<sup>10</sup>.</p>
    <p>O excesso de peso associado ao ac&#250;mulo de gordura na regi&#227;o mesent&#233;rica &#233; uma obesidade do tipo central, visceral ou androg&#234;nica<sup>11</sup>. &#201; sabido que a chamada obesidade visceral est&#225; associada a uma maior mortalidade que a obesidade perif&#233;rica. A causa dessa diferen&#231;a se deve ao fato do tecido adiposo visceral ser metabolicamente mais ativo do que o tecido adiposo subcut&#226;neo, causando, por exemplo, uma maior produ&#231;&#227;o de glicose e, consequentemente, diabete melito tipo 2 e hiperinsulinismo. Essa secre&#231;&#227;o maior de insulina ocasiona reten&#231;&#227;o de s&#243;dio, resultando em hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica<sup>12</sup>. Essas condi&#231;&#245;es caracterizam a s&#237;ndrome metab&#243;lica, atualmente considerada um desafio de sa&#250;de p&#250;blica, pois representa uma substancial eleva&#231;&#227;o de risco para diabetes melito (duas vezes), bem como para doen&#231;a cardiovascular (duas a tr&#234;s vezes)<sup>13</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Obesidade, doen&#231;a arterial coronariana e inflama&#231;&#227;o vascular</bold>
    </p>
    <p>Por muitos anos, a fisiopatologia da aterosclerose era considerada meramente um ac&#250;mulo de lip&#237;dios na parede arterial. No entanto, nas &#250;ltimas duas d&#233;cadas, o crescente desenvolvimento no campo da biologia vascular tem esclarecido que as les&#245;es ateroscler&#243;ticas s&#227;o de fato uma s&#233;rie de respostas celulares e moleculares altamente espec&#237;ficas e din&#226;micas, essencialmente inflamat&#243;rias por natureza<sup>14,15</sup>.</p>
    <p>Em pacientes vulner&#225;veis, a aterosclerose se desenvolve por meio da influ&#234;ncia de condi&#231;&#245;es que traumatizam o endot&#233;lio, como envelhecimento, hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica, hipercolesterolemia, diabete, tabagismo e a pr&#243;pria obesidade. Esses fatores danificam o endot&#233;lio e estimulam uma rea&#231;&#227;o inflamat&#243;ria/proliferativa na parede vascular. Tal rea&#231;&#227;o aumenta a secre&#231;&#227;o de citocinas pr&#243;-inflamat&#243;rias prim&#225;rias, como a interleucina (IL)-1 e o fator de necrose tumoral (TNF)-alfa. Elas s&#227;o respons&#225;veis pela express&#227;o de mol&#233;culas de ades&#227;o leucocit&#225;ria, pela mol&#233;cula de ades&#227;o intercelular (ICAM)-1 e P-, E-, e L-selectinas, e pelo aumento de subst&#226;ncias quimiot&#225;ticas (prote&#237;na quimiot&#225;tica de mon&#243;citos [MCP]-1 e fator estimulador de col&#244;nia de macr&#243;fagos [M-CSF], ambas amplificadoras da cascata inflamat&#243;ria)<sup>16,17</sup> (Ver <xref ref-type="table" rid="t02">Tabela 2</xref>).</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="t02">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-02-0273-00021-gt02.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>A obesidade &#233; caracterizada por excesso de tecido adiposo, com consequente ganho de peso, e associada a diversas comorbidades<sup>18</sup>. Antes considerado mero e passivo dep&#243;sito de triacilglicerol e &#225;cidos graxos livres, hoje o tecido adiposo &#233; visto como importante &#243;rg&#227;o end&#243;crino e par&#225;crino, produtor de diversas subst&#226;ncias pr&#243;-inflamat&#243;rias<sup>19</sup>.</p>
    <p>No processo de diferencia&#231;&#227;o dos pr&#233;-adip&#243;citos em adip&#243;citos maduros, estes adquirem a capacidade de produ&#231;&#227;o de centenas de prote&#237;nas: enzimas, citocinas, fatores de crescimento e horm&#244;nios envolvidos em diversos eventos metab&#243;licos<sup>20</sup>.</p>
    <p>Componentes envolvidos na adipog&#234;nese incluem a lipase lipoproteica, angiotensinog&#234;nio, adipsina, adiponectina, IL-6, prostaglandinas, TNF-alfa e &#243;xido n&#237;trico. Essas mol&#233;culas possuem a&#231;&#227;o moduladora dos dep&#243;sitos lip&#237;dicos e distribui&#231;&#227;o corporal de gordura<sup>21</sup>.</p>
    <p>Mais recentemente, o tecido adiposo vem sendo considerado uma fonte de mediadores pr&#243;-inflamat&#243;rios que contribuem para inj&#250;ria vascular, resist&#234;ncia insul&#237;nica e aterog&#234;nese. As hoje em dia chamadas adipocinas incluem: TNF-alfa, IL-6, leptina, inibidor do ativador de plasminog&#234;nio (PAI)-1, angiotensinog&#234;nio, resistina e prote&#237;na C-reativa (PCR). Algumas possuem a&#231;&#227;o protetora contra inflama&#231;&#227;o vascular e resist&#234;ncia insul&#237;nica, dentre as quais figuram a adiponectina e o &#243;xido n&#237;trico<sup>18</sup>.</p>
    <p>As adipocinas est&#227;o elevadas em pacientes obesos e com resist&#234;ncia insul&#237;nica, sendo mais produzidas em tecido adiposo abdominal do que em outros locais. A perda de peso est&#225; associada &#224; diminui&#231;&#227;o dos n&#237;veis dessas subst&#226;ncias<sup>22</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Principais marcadores inflamat&#243;rios presentes na obesidade</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Prote&#237;na C-reativa</bold>
    </p>
    <p>A PCR &#233; uma prote&#237;na de fase aguda sintetizada pelo f&#237;gado e regulada pelos n&#237;veis circulantes de IL-6. Tamb&#233;m a IL-1 e TNF-alfa podem induzir express&#227;o de RNA mensageiro para produ&#231;&#227;o de PCR. Recentemente, n&#237;veis elevados de PCR no plasma foram considerados como preditores independentes de doen&#231;a arterial coron&#225;ria<sup>23</sup>. N&#237;veis plasm&#225;ticos circulantes de PCR s&#227;o elevados em obesos e relacionam-se diretamente &#224; quantidade de gordura corp&#243;rea, estimada por meio de &#237;ndice de massa corp&#243;rea, obesidade visceral, circunfer&#234;ncia abdominal, resist&#234;ncia insul&#237;nica, s&#237;ndrome metab&#243;lica e diabete melito<sup>24</sup>.</p>
    <p>A PCR n&#227;o &#233; um mero marcador de atividade inflamat&#243;ria: participa diretamente no processo de aterog&#234;nese e modula a fun&#231;&#227;o endotelial. Tamb&#233;m induz a express&#227;o de v&#225;rias mol&#233;culas (ICAM-1, VCAM-1, MCP-1 e selectinas). Atua como regulador da produ&#231;&#227;o de &#243;xido n&#237;trico no endot&#233;lio e coordena a produ&#231;&#227;o e secre&#231;&#227;o de v&#225;rias citocinas, aumentando a atividade pr&#243;-inflamat&#243;ria de diversas adipocinas<sup>25</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Leptina</bold>
    </p>
    <p>A leptina &#233; um horm&#244;nio espec&#237;fico do adip&#243;cito, que funciona como uma mol&#233;cula sinalizadora no c&#233;rebro para completar o <italic>feedback</italic> negativo da teoria lipost&#225;tica de controle de peso<sup>26</sup>. O conhecimento de que indiv&#237;duos obesos n&#227;o s&#227;o, em sua maioria, deficientes em leptina, mas, pelo contr&#225;rio, possuem altas concentra&#231;&#245;es s&#233;ricas desta subst&#226;ncia, propiciou a teoria da resist&#234;ncia &#224; leptina<sup>2</sup>.</p>
    <p>A resist&#234;ncia &#224; leptina se explicaria por uma baixa sensibilidade &#224; a&#231;&#227;o do horm&#244;nio ou os altos n&#237;veis s&#233;ricos de leptina levariam a uma resposta inadequada (defici&#234;ncia relativa de leptina).</p>
    <p>A teoria de resist&#234;ncia &#224; leptina ganhou for&#231;a quando um estudo de escalonamento de dose de leptina recombinante, randomizado e placebo-controlado, obteve resultados desapontadores ao tentar avaliar a perda de peso ao se injetar leptina recombinante. Foram necess&#225;rias concentra&#231;&#245;es s&#233;ricas de vinte a trinta vezes maiores que o normal para perda de peso<sup>27</sup>. N&#227;o est&#225; claro por que altas concentra&#231;&#245;es s&#233;ricas de leptina end&#243;gena s&#227;o encontradas em indiv&#237;duos obesos e com resist&#234;ncia &#224; leptina. Sabe-se, no entanto, que esses altos n&#237;veis e suplementos ex&#243;genos de leptina n&#227;o s&#227;o suficientes para manter um peso saud&#225;vel.</p>
    <p>S&#227;o v&#225;rias as teorias que explicam esse mecanismo, mas nenhuma foi comprovada: muta&#231;&#227;o gen&#233;tica, autorregula&#231;&#227;o, acesso tecidual limitado pela barreira hemato-encef&#225;lica e a a&#231;&#227;o de mol&#233;culas em n&#237;vel celular e circulat&#243;rio.</p>
    <p>Diversas s&#227;o as poss&#237;veis implica&#231;&#245;es terap&#234;uticas de se combater a resist&#234;ncia &#224; leptina, uma vez que esta condi&#231;&#227;o parece estar associada a v&#225;rios fatores de risco para DCV e outros estados patol&#243;gicos, como obesidade, s&#237;ndrome metab&#243;lica, resist&#234;ncia &#224; insulina, diabete melito tipo 2, hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica, aterotrombose e doen&#231;a mioc&#225;rdica.</p>
    <p>
      <bold>TNF-alfa</bold>
    </p>
    <p>Citocina inflamat&#243;ria secretada em grande quantidade por humanos obesos e pacientes com resist&#234;ncia insul&#237;nica, n&#227;o somente iniciando, mas tamb&#233;m propagando a forma&#231;&#227;o de les&#227;o ateroscler&#243;tica. A TNF-alfa participa da acelera&#231;&#227;o da aterog&#234;nese por meio da indu&#231;&#227;o da express&#227;o de VCAM-1, ICAM-1, MCP-1 e E-selectina. Tamb&#233;m reduz a biodisponibilidade do &#243;xido n&#237;trico nas c&#233;lulas endoteliais e prejudica a vasodilata&#231;&#227;o endot&#233;lio-dependente, promovendo disfun&#231;&#227;o endotelial. Al&#233;m disso, provoca a apoptose nas c&#233;lulas endoteliais, contribuindo para a inj&#250;ria endotelial<sup>28</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Resistina</bold>
    </p>
    <p>&#201; um horm&#244;nio espec&#237;fico do tecido adiposo, recentemente descoberto, que induz diretamente a resist&#234;ncia insul&#237;nica no m&#250;sculo e no f&#237;gado. A resistina induz a express&#227;o de RNA-mensageiro produtor de endotelina-1 nas c&#233;lulas endoteliais, contribuindo assim para a disfun&#231;&#227;o endotelial. Tamb&#233;m aumenta significativamente a express&#227;o da mol&#233;cula de ades&#227;o celular VCAM-1 e a MCP-1, fatores-chave na forma&#231;&#227;o da les&#227;o ateroscler&#243;tica inicial<sup>29</sup>.</p>
    <p>Foi demonstrada recentemente a a&#231;&#227;o pr&#243;-inflamat&#243;ria da resistina nas c&#233;lulas musculares lisas: ela induz a prolifera&#231;&#227;o de tais c&#233;lulas, sugerindo a a&#231;&#227;o desse horm&#244;nio na reestenose de les&#245;es coron&#225;rias em pacientes diab&#233;ticos<sup>30</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Angiotensinog&#234;nio</bold>
    </p>
    <p>&#201; um precursor da angiotensina II, expressa e produzida nos adip&#243;citos. A angiotensina II estimula diretamente a express&#227;o de ICAM-1, VCAM-1, MCP-1 e M-CSF nas c&#233;lulas vasculares. A produ&#231;&#227;o aumentada de angiotensinog&#234;nio pelo tecido adiposo est&#225; associada &#224; hipertens&#227;o e angiog&#234;nese, ambas relacionadas &#224; disfun&#231;&#227;o endotelial. Do mesmo modo, a angiotensina II atua na forma&#231;&#227;o de radicais livres de oxig&#234;nio, diminuindo a disponibilidade de &#243;xido n&#237;trico e provocando danos ao tecido vascular<sup>31</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Adiponectina</bold>
    </p>
    <p>Ao contr&#225;rio das outras adipocinas aqui mencionadas, os n&#237;veis de adiponectina est&#227;o diminu&#237;dos nos pacientes obesos, funcionando como inibidora do processo inflamat&#243;rio<sup>32</sup>. Estudos cl&#237;nicos e experimentais sugerem que baixos n&#237;veis de adiponectina contribuem para o desenvolvimento de doen&#231;as relacionadas com obesidade, incluindo as doen&#231;as cardiovasculares<sup>33</sup>.</p>
    <p>N&#237;veis de adiponectina no plasma geralmente variam de 3 a 30 &#956;g/ml em humanos sadios. Em obesos, esses n&#237;veis est&#227;o significantemente reduzidos, com correla&#231;&#227;o negativa entre IMC e n&#237;veis plasm&#225;ticos de adiponectina<sup>34</sup>. A raz&#227;o para a redu&#231;&#227;o dos n&#237;veis de adiponectina em obesos parece estar relacionada &#224;s citocinas pr&#243;-inflamat&#243;rias, como a IL-6, que estando aumentada nos obesos, pode causar uma redu&#231;&#227;o na express&#227;o de RNA-mensageiro produtor de adiponectina e sua libera&#231;&#227;o pelos adip&#243;citos<sup>35</sup>.</p>
    <p>Em n&#237;vel vascular, as a&#231;&#245;es da adiponectina compreendem redu&#231;&#227;o na express&#227;o de ICAM-1, VCAM-1 e E-selectina. Inibem tamb&#233;m a transforma&#231;&#227;o de macr&#243;fagos em c&#233;lulas espumosas e a prolifera&#231;&#227;o e migra&#231;&#227;o de c&#233;lulas musculares lisas<sup>36</sup>.</p>
    <p>Qasim e cols., em uma suban&#225;lise do banco de dados do SIRCA (<italic>Study of Inherited Risk of Coronary Atherosclerosis</italic>), examinaram a associa&#231;&#227;o de leptina e adiponectina com fatores de risco para DCV e calcifica&#231;&#227;o arterial coronariana (CAC). A leptina plasm&#225;tica se associou positivamente &#224; CAC ap&#243;s ajuste para idade, g&#234;nero, fatores de risco tradicionais e escore de risco de Framingham (rela&#231;&#227;o de regress&#227;o de Tobit de 2,42 [IC 95%: 1,48 - 3,95; p=0, 002]). J&#225; os n&#237;veis de adiponectina plasm&#225;tica n&#227;o se associaram &#224; CAC<sup>37</sup> (<xref ref-type="fig" rid="f03">Figura 3</xref>).</p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="f03">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-02-0273-00021-gf03.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>
      <bold>Disfun&#231;&#227;o endotelial presente na obesidade: agravante cardiovascular</bold>
    </p>
    <p>A disfun&#231;&#227;o endotelial coronariana &#233; considerada um est&#225;gio precoce de aterosclerose coronariana e pode ocorrer nos vasos epic&#225;rdicos, vasos de resist&#234;ncia ou em ambos<sup>38</sup>. Suwaidi e cols.<sup>39</sup> avaliaram o impacto da obesidade na fun&#231;&#227;o endotelial coronariana em pacientes com coron&#225;rias normais ou levemente doentes &#224; angiografia. Um total de 397 pacientes consecutivos com tais caracter&#237;sticas foram submetidos &#224; reatividade vascular coronariana usando adenosina intracoronariana, acetil-colina e nitroglicerina. Os pacientes foram divididos em tr&#234;s grupos, baseado no &#237;ndice de massa corp&#243;rea (IMC), desde o considerado normal (IMC &lt; 25 kg/m&#178;), passando pelo grupo com sobrepeso (IMC 25 a 30 kg/m&#178;) at&#233; pacientes obesos (IMC &gt; 30 kg/m&#178;). O aumento no fluxo coronariano em resposta &#224; acetilcolina foi significantemente menor no grupo de pacientes obesos do que no grupo de pacientes com IMC normal (ver <xref ref-type="fig" rid="f4">Figura 4</xref>). Por an&#225;lise multivariada, os grupos de pacientes com sobrepeso e obesidade foram independentemente associados &#224; disfun&#231;&#227;o endotelial coronariana. O estudo demonstrou que a obesidade &#233; independentemente associada &#224; disfun&#231;&#227;o endotelial coronariana em pacientes com coron&#225;rias angiograficamente normais ou com doen&#231;a arterial coronariana leve.</p>
    <fig id="f4">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-02-0273-00021-gf04.jpg"/></fig>
    <p>
      <bold>Implica&#231;&#245;es terap&#234;uticas</bold>
    </p>
    <p>O excesso de peso n&#227;o s&#243; leva a mudan&#231;as no desenvolvimento de resist&#234;ncia insul&#237;nica como tamb&#233;m influencia no processo de disfun&#231;&#227;o endotelial por meio de efeitos pr&#243;-inflamat&#243;rios e pr&#243;-tromb&#243;ticos das adipocinas. O tratamento que visa reduzir a porcentagem de gordura corp&#243;rea, assim como a de gordura visceral, tende a reduzir tais efeitos<sup>40</sup>.</p>
    <p>A magnitude do efeito protetor parece estar relacionada com a redu&#231;&#227;o do &#237;ndice de massa corp&#243;rea. Em mulheres com sobrepeso, que experimentam perda moderada de peso (&gt;10%), encontrou-se at&#233; 20% de redu&#231;&#227;o de mortalidade prematura, tamb&#233;m associada ao controle de fatores de risco, como diabete melito, dislipidemia e hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica<sup>41</sup>.</p>
    <p>O conhecimento atual de que em estados de obesidade e resist&#234;ncia insul&#237;nica a produ&#231;&#227;o de adipocinas encontra-se aumentada leva a uma nova frente de pesquisas visando desenvolver tratamentos que interfiram nessa situa&#231;&#227;o.</p>
    <p>As medidas n&#227;o farmacol&#243;gicas de mudan&#231;as de estilo de vida ainda s&#227;o a raiz do tratamento. Medicamentos como glitazonas, estatinas, &#225;cido acetilsalic&#237;lico, inibidores da enzima conversora de angiotensina e bloqueadores dos receptores de angiotensina est&#227;o sendo testados e parecem ter a&#231;&#227;o na diminui&#231;&#227;o das adipocinas anti-inflamat&#243;rias<sup>2</sup> (<xref ref-type="table" rid="t3">Tabela 3</xref>).</p>
    <table-wrap id="t3">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-02-0273-00021-gt03.jpg"/></table-wrap>
    <p>
      <bold>Conclus&#245;es</bold>
    </p>
    <p>A obesidade &#233; um dist&#250;rbio cr&#244;nico metab&#243;lico associado &#224; DAC, com &#237;ndices de morbidade e mortalidade aumentados. O processo inflamat&#243;rio n&#227;o s&#243; causa disfun&#231;&#227;o endotelial como desencadeia prolifera&#231;&#227;o e migra&#231;&#227;o celulares, estresse oxidativo, apoptose, trombose e necrose celular. As adipocinas t&#234;m importante papel nesse processo, principalmente na disfun&#231;&#227;o endotelial. A perda de peso, embora sem comprova&#231;&#227;o cient&#237;fica para diminui&#231;&#227;o de mortalidade, parece reduzir risco para DAC e diabetes melito, principalmente em obesos.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflito de interesses pertinentes.</p>
    <p>
      <bold>Fontes de Financiamento</bold>
    </p>
    <p>O presente estudo n&#227;o teve fontes de financiamento externas.</p>
    <p>
      <bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>N&#227;o h&#225; vincula&#231;&#227;o deste estudo a programas de p&#243;s-gradua&#231;&#227;o.</p>
    <p>
      <fn id="back" fn-type="corresp">
        <p>Correspond&#234;ncia:</p>
        <p> Carlos V. Serrano Jr. </p>
        <p> Instituto do Cora&#231;&#227;o HCFMUSP </p>
        <p> Av. En&#233;as C. de Aguiar 44 - Bloco II, 2&#186; Andar, Sala 12 </p>
        <p> 05403-000 - S&#227;o Paulo, SP - Brasil </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="carlos.serrano@incor.usp.br">carlos.serrano@incor.usp.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 09/01/09; revisado recebido em 18/05/09; aceito em 08/06/09.</p>
  </body>
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          <article-title>Paradoxical decrease of an adipose-especific protein, adiponectin, in obesity</article-title>
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          <article-title>Obesity, adiponectin and vascular inflammatory disease</article-title>
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          <article-title>Adipocyte-derived plasma protein, adiponectin suppresses lipid accumulation and class A scavenger receptor expression in human monocyte-derived macrophages</article-title>
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          <article-title>Adipokines, insulin resistence, and coronary artery calcification</article-title>
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          <article-title>Impaired coronary blood flow response to acetylcholine in patients with coronary risk factors and proximal atherosclerotic lesions.</article-title>
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          <article-title>Obesity is independently associated with coronary endothelial dysfunction in patients with normal or mildly diseased coronary arteries</article-title>
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          <article-title>Beneficial health effects of modest weight loss</article-title>
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          <article-title>Reduction of inflammatory cytokine concentrations and improvement after weight loss over one year</article-title>
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        <article-title xml:lang="en">Obesity and coronary artery disease: role of vascular inflammation</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>Obesity is becoming a global epidemic. Around 1.1 billion adults and 10% of the world's children are currently overweight or considered obese. Generally associated with risk factors for cardiovascular disease, such as Diabetes Mellitus and systemic arterial high blood pressure, the obesity has been more and more seen as an independent risk factor for Coronary Artery Disease (CAD). Coronary arteriosclerosis comprises a series of inflammatory responses at cellular and molecular level, whose reactions are stronger in obese patients. In the past, the adipose tissue was regarded as a mere fat deposition. Now it is seen from a totally different standpoint, as an active endocrine and paracrine organ that produces several inflammatory cytokines, such as the adipokines. This article aims to raise awareness about obesity as an increasingly significant public health issue over the past decades, as well as to relate the intense inflammatory process in obese individuals with an increased tendency for this group of individuals to develop CAD.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Obesity</kwd>
        <kwd>coronary artery disease</kwd>
        <kwd>inflammation</kwd>
        <kwd>protein C</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>REVIEW ARTICLE</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="top-body2">
          <label>
            <bold>Obesity and coronary artery disease: role of vascular inflammation</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Fernando Gomes; Daniela F. Telo; Heraldo P. Souza; Jos&#233; Carlos Nicolau; Alfredo Halpern; Carlos V. Serrano Jr.</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Hospital das Cl&#237;nicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S&#227;o Paulo - S&#227;o Paulo, SP - Brasil</p>
      <p>Mailing address</p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p>Obesity is becoming a global epidemic. Around 1.1 billion adults and 10% of the world's children are currently overweight or considered obese.</p>
      <p> Generally associated with risk factors for cardiovascular disease, such as Diabetes Mellitus and systemic arterial high blood pressure, the obesity has been more and more seen as an independent risk factor for Coronary Artery Disease (CAD).</p>
      <p> Coronary arteriosclerosis comprises a series of inflammatory responses at cellular and molecular level, whose reactions are stronger in obese patients.</p>
      <p> In the past, the adipose tissue was regarded as a mere fat deposition. Now it is seen from a totally different standpoint, as an active endocrine and paracrine organ that produces several inflammatory cytokines, such as the adipokines.</p>
      <p> This article aims to raise awareness about obesity as an increasingly significant public health issue over the past decades, as well as to relate the intense inflammatory process in obese individuals with an increased tendency for this group of individuals to develop CAD.</p>
      <p><bold>Key words:</bold> Obesity; coronary artery disease; inflammation; protein C.</p>
      <p>
        <bold>Obesity as a health public issue</bold>
      </p>
      <p>The obesity is currently considered as a global epidemic - an important health public issue, mainly to Western countries<sup>1</sup>. According to data recently published in the United States, 67% of adult individuals are overweight, while 34% % present obesity, representing an increase of 75% versus 1991 (<xref ref-type="fig" rid="f1-body2">Figure 1</xref>)<sup>2</sup>. For the first time in the History of mankind, the number of people who are overweight surpassed the people with malnutrition, amounting to more than one billion one hundred million people overweight people around the world.</p>
      <fig id="f1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-02-0273-00021-gf01-en.jpg"/></fig>
      <p>Overweight is associated to an increasing morbidity and mortality. For instance, in the United States, for the first time since the Civil War, estimates are for a decrease in life expectancy arising out of diseases and disorders related to obesity - including high blood pressure, dyslipidemia, cardiovascular disease and some types of cancer<sup>3</sup>.</p>
      <p>In Brazil, data from the 2003 Brazilian Household Budget Survey revealed that the overweight affects 41.1% of men and 40% of women. Out of this percent, 8.9% of adult men and 13.1% of adult women are considered obese<sup>4</sup>. Thus, we may consider obesity as the most common risk factor found in industrialized and developing countries (<xref ref-type="fig" rid="f2-body2">Figure 2</xref>).</p>
      <fig id="f2-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-02-0273-00021-gf02-en.jpg"/></fig>
      <p>
        <bold>Obesity as a risk factor for coronary artery disease</bold>
      </p>
      <p>The association with classic risk factors for cardiovascular disease, such as arterial high blood pressure, Diabetes Mellitus, dyslipidemias and metabolic syndrome, is known for very long time now. However, more recent findings reveal that, even after the control of these associated diseases, the risk of cardiovascular events remains high, which makes obesity to be considered an independent cardiovascular risk factor<sup>5</sup>.</p>
      <p>The association of obesity with clinically significant coronary artery disease is blatant in two classical prospective studies highly consulted: the Framingham Heart Study<sup>6</sup> and the Nurses Health Study<sup>7</sup>.</p>
      <p>The relative risk for Coronary Artery Disease (CAD) for adults with body mass index (BMI) of 21 kg/m&#178; increased from 1.19 for patients with BMI from 21 to 22.9 kg/m&#178;, and to 3.56 in patients with BMI higher than 29 kg/m&#178; (<xref ref-type="table" rid="t1-body2">Table 1</xref>).</p>
      <table-wrap id="t1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-02-0273-00021-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>The Asia Pacific Cohort Collaboration Study<sup>8</sup>, with segment higher than 7 years and involving 430,000 adults, found an increase of 9% in ischemic cardiac events for each unit of change in BMI.</p>
      <p>Relationship between obesity and death due to cardiovascular disease is even more conspicuous when concerning patients with abdominal obesity. In the Tandolapril Cardiac Evaluation (TRACE) study, a database analysis showed an increase in mortality around 23% compared to patients without abdominal obesity. This study disregarded Diabetes and arterial high blood pressure influences<sup>9</sup>.</p>
      <p>When patients with diagnosed cardiovascular disease or after acute myocardial infarction are analyzed, the increase in BMI is inversely correlated to the increase of mortality<sup>10</sup>.</p>
      <p>The overweight associated to fat accumulation in mesenteric region refers to a central, visceral or androgenic obesity<sup>11</sup>. The so-called visceral obesity is well-known as associated to a higher mortality than the peripheral obesity. The cause of this difference lies in the fact that the visceral adipose tissue visceral is more metabolically active than the subcutaneous adipose tissue, causing, for instance, a higher glucose production and, consequently, type 2 Diabetes Mellitus and hyperinsulinism. This higher insulin secretion causes sodium retention, resulting in systemic arterial high blood pressure<sup>12</sup>. These conditions characterize metabolic syndrome, considering currently a challenge for public health, once it represents a substantial increase in the risk of Diabetes Mellitus (twice), as well as of cardiovascular disease (twice to thrice)<sup>13</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Obesity, coronary artery disease, and vascular inflammation</bold>
      </p>
      <p>For many years, the physiopathology of arteriosclerosis was considered merely as an accumulation of lipids on the arterial wall. However, over the two past decades, the growing development in the field of vascular biology has been elucidating the nature of atherosclerotic lesions: in fact, they correspond to a series of cellular and molecular responses highly specific and dynamic, with an inflammatory character<sup>14,15</sup>.</p>
      <p>In vulnerable patients, arteriosclerosis develops through the influence of stress conditions to the endothelium, such as aging, systemic arterial high blood pressure, hypercholesterolemia, Diabetes, tobacco addiction and obesity itself. These factors damage the endothelium and spur on an inflammatory/proliferative reaction on the vascular wall. Such reaction increases the secretion of primary proinflammatory cytokines, such as interleukin (IL)-1 and the tumoral necrosis factor-alpha (TNF-A). They are responsible for the expression of leukocyte adhesion molecules, by the intercellular adhesion molecule (ICAM)-1 and P-, E-, and L-selectins, and by the increase of chemotactic substances (monocyte chemotactic protein-1 [MCP-1] and the macrophage colony-stimulating factor [M-CSF], both amplifiers of the inflammatory cascade)<sup>16,17</sup> (<xref ref-type="table" rid="en_21t02-body2">Table 2</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_21t02-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-02-0273-00021-gt02-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>Obesity is characterized as an excess of adipose tissue, with consequent weight gain, and associated with several comorbidities<sup>18</sup>. Regarded as a mere deposition of triacylglycerol and free fatty acids in the past, now the adipose tissue is seen as an important endocrine and paracrine organ, which produces several proinflammatory substances<sup>19</sup>.</p>
      <p>In the process of differentiation of preadipocytes into mature adipocytes, the latter began capable of producing a number of proteins: enzyme, cytokines, growth factors and hormones involved in several metabolic events<sup>20</sup>.</p>
      <p>Components of adipogenesis include the lipoprotein lipase, angiotensinogen, adipsin, adiponectin, IL-6, prostaglandin, TNF-A and nitric oxide. These molecules have modulating action of lipid depositions and body fat distribution<sup>21</sup>.</p>
      <p>More recently, the adipose tissue is being regarded as a source of proinflammatory mediators which contribute to vascular injury, insulin resistance and atherogenesis. The adipokines, as known nowadays, include: TNF-A, IL-6, leptin, plasminogen activator inhibitor 1 (PAI)-1, angiotensinogen, resistin and C-reactive Protein (CRA). Some of them have a protective role against vascular inflammation and insulin resistance, namely: the adiponectin and the nitric oxide, among others<sup>18</sup>.</p>
      <p>The adipokines are found high in obese patients and in patients with insulin resistance, and are more produced by the abdominal adipose tissue than in other places. The weight loss is associated with the decrease of these substances<sup>22</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Main inflammatory markers in obesity</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>C-reactive protein</bold>
      </p>
      <p>The CRA is an acute phase protein (APP) synthesized in the liver and regulated by the circulating levels of IL-6. In their turn, IL-1 and TNF-A may induce expression of messenger RNA for production of CRA. Recently, high levels of CRA in plasma were considered as independent predictors of Coronary Artery Disease<sup>23</sup>. Circulating plasma levels of CRA are high in obese and are directly related to the amount of body fat, estimated by means of body mass index, visceral obesity, abdominal circumference, insulin resistance, metabolic syndrome and Diabetes Mellitus<sup>24</sup>.</p>
      <p>The CRA is not a mere marker of inflammatory activity: it participates directly in the process of atherogenesis and modulates the endothelial function. It also induces the expression of several molecules (ICAM-1, VCAM-1, MCP-1 and selectins). It acts as regulator of the production of nitric oxide in the endothelium and coordinates the production and secretion of several cytokines, increasing the proinflammatory activity of several adipokines<sup>25</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Leptin</bold>
      </p>
      <p>The leptin is a specific adipocyte hormone, which functions as a signaling molecule in the brain, which makes it complete the negative feedback of the lipostatic theory of weight control<sup>26</sup>. The knowledge that obese individuals are not mostly leptin-deficient, rather, to the contrary, they have high serum concentrations of these substances, set the stage for the leptin resistance theory<sup>2</sup>.</p>
      <p>In this vein, resistance to leptin may be explained by a low sensibility to the action of the hormone or by the high leptin serum levels that could lead to an improper response (relative leptin deficiency).</p>
      <p>The leptin resistance theory became noticeable after a dose scaling study of recombining leptin, randomized and placebo-controlled, obtained disappointing results while trying to evaluate the weight loss after injecting recombining leptin. Serum concentration twenty to thirty times higher were necessary for the weight loss<sup>27</sup>. It is not clear why high serum concentrations of endogenous leptin are found in obese individuals and in individuals resistant to leptin. One knows, however, that these high levels and exogenous supplements of leptin are not sufficient to keep a healthy weight.</p>
      <p>There are several theories that explain this mechanism, but none was scientifically proved: genetic mutation, self-regulation, tissue access limited by the blood-brain barrier and the action of molecules in cellular and circulatory levels.</p>
      <p>There are many therapeutic implications of fighting resistance to leptin, insomuch this condition seems to be associated to various risk factors for CVD and other pathological conditions, such as obesity, metabolic syndrome, resistance to insulin, type 2 Diabetes Mellitus, systemic arterial high blood pressure, atherothrombosis and myocardial disease.</p>
      <p>
        <bold>TNF-A</bold>
      </p>
      <p>High amounts of secretion of inflammatory cytokine produced by obese individuals and by insulin-resistant patients not only give rise, but spread the formation of atherosclerotic lesion. The TNF-A participates in the acceleration of atherogenesis by inducing the expression of VCAM-1, ICAM-1, MCP-1 and E-selectin. It also reduces the bioavailability of nitric oxide in endothelial cells and impairs endothelium-dependant vasodilation, promoting the endothelial dysfunction. Besides this, is causes apoptosis in endothelial cells, contributing for endothelial injury<sup>28</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Resistin</bold>
      </p>
      <p>It is a hormone specific of the adipose tissue recently discovered, which directly induces the insulin resistance in muscles and liver. The resistin induces the expression of messenger RNA producer of endothelin-1 in endothelial cells, thus contributing to endothelial dysfunction. It also significantly increases the expression of the cellular adhesion molecule VCAM-1 and the MCP-1, hey factors in formation of early atherosclerotic lesion<sup>29</sup>.</p>
      <p>It was recently demonstrated the proinflammatory action of resistin in smooth muscle cells: it induces the proliferation of such cells, suggesting the action of these hormones is restenosis of coronary lesions in patients with Diabetes<sup>30</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Angiotensinogen</bold>
      </p>
      <p>It is a precursor of angiotensin II, expressed and produced in adipocytes. The angiotensin II directly stimulates the expression of ICAM-1, VCAM-1, MCP-1 and M-CSF in vascular cells. The increased production of angiotensinogen by the adipose tissue is associated with high blood pressure and angiogenesis, both related to endothelial dysfunction. Similarly, the angiotensin II acts in the formation of oxygen-derived free radicals, decreasing the availability of nitric oxide and causing damages to the vascular tissue<sup>31</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Adiponectin</bold>
      </p>
      <p>Opposed to what happens to other adipokines already referred to, the levels of adiponectin are lower in obese patients, functioning and an inhibitor agent of the inflammatory process<sup>32</sup>. Clinical and experimental studies suggest that low levels of adiponectin contribute for the development of diseases related to obesity, including cardiovascular diseases<sup>33</sup>.</p>
      <p>Levels of adiponectin in plasma generally range from 3 to 30 &#956;g/ml in healthy individuals. In obese individuals, these levels are significantly reduced, with negative correlation between BMI and adiponectin levels in plasma<sup>34</sup>. The reason for the reduction of the levels of adiponectin in obese individuals seem to be related with proinflammatory cytokines, such as the IL-6, which, due to the fact they increase in obese individuals, may cause a reduction in the expression of the messenger RNA producer of adiponectin and its release by adipocytes<sup>35</sup>.</p>
      <p>In vascular levels, actions of the adiponectin comprise reduction in expression of ICAM-1, VCAM-1 and E-selectin. They also inhibit the transformation of macrophages in foam cells and the proliferation and migration of smooth muscle cells<sup>36</sup>.</p>
      <p>Qasim et al., in a sub-analysis of the database of SIRCA (<italic>Study of Inherited Risk of Coronary Atherosclerosis</italic>), examined the association between leptin and adiponectin and the risk factor for CVD and coronary arterial calcification (CAC). The plasma leptin associated positively with the CAC after adjustment for age, gender, traditional risk factor and Framingham risk score (Tobit regression relationship of 2.42 [IC 95%: 1.48 - 3.95; p=0. 002]). In their turn, the levels of plasma adiponectin did not associate to the CAC<sup>37</sup> (<xref ref-type="fig" rid="f3-body2">Figure 3</xref>).</p>
      <fig id="f3-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-02-0273-00021-gf03-en.jpg"/></fig>
      <p>
        <bold>Endothelial dysfunction present in obesity: cardiovascular worsening factor</bold>
      </p>
      <p>The coronary endothelial dysfunction is considered an early stage of the coronary arteriosclerosis and may occur in epicardic vessels, resistance vessels or both<sup>38</sup>. Suwaidi et al<sup>39</sup> assessed the impact of obesity in coronary endothelial function in patients with normal coronary or slightly sick coronary when examined with angiography. A total of 397 consecutive patients with such characteristics were subject to coronary vascular reactivity using intracoronary adenosine, acetylcholine and nitroglycerin. The patients were divided into three groups, based on the Body Mass Index (BMI), since the one considered normal (BMI &lt; 25 kg/m&#178;), until the overweight group (BMI from 25 to 30 kg/m&#178;) and the obese patients (BMI &gt; 30 kg/m&#178;). The increase in coronary flow as a response to acetylcholine was significantly lower than in the group of obese patients than in the of patients with normal BMI (see <xref ref-type="fig" rid="f4-body2">Figure 4</xref>). By means of multivariate analysis, the group of overweight and obese patients was independently associated to coronary endothelial dysfunction. The study demonstrated that the obesity is independently associated to coronary endothelial dysfunction in patients with normal coronaries under angiography exam or else with mild coronary artery disease.</p>
      <fig id="f4-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-02-0273-00021-gf04-en.jpg"/></fig>
      <p>
        <bold>Therapeutic implications</bold>
      </p>
      <p>The overweight leads not only to changes in the development of insulin resistance, but also influences the process of endothelial dysfunction by means of proinflammatory and prothrombotic effects of adipokines. The treatment which aims at reducing the percent of body fat, as well as the visceral fat, tends to reduce such effects<sup>40</sup>.</p>
      <p>The magnitude of the protective effect seems to be related with the reduction of the body mass index. In overweight women who experience slight weight loss (&gt;10%), a reduction of up to 20% % in premature mortality was found, also associated to the control of risk factors, such as Diabetes Mellitus, dyslipidemia and systemic arterial high blood pressure<sup>41</sup>.</p>
      <p>The current knowledge that the production of adipokines is increased in obesity and insulin resistance conditions leads to a new field of research aiming at developing treatments that interfere in this situation.</p>
      <p>Measures not related to use of drugs, such as change of life style, are still the crux of the treatment. Drugs such as glitazons, estatins, acetylsalicylic acid, angiotensin converter enzyme inhibitors and angiotensin receptor blockers are being tested and seem to be active in the decrease of anti-inflammatory adipokines<sup>2</sup> (<xref ref-type="table" rid="t3-body2">Table 3</xref>).</p>
      <table-wrap id="t3-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-02-0273-00021-gt03-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>
        <bold>Conclusions</bold>
      </p>
      <p>The obesity is a chronic metabolic disorder associated to the CAD, with increase indexes of morbidity and mortality. The inflammatory process causes not only endothelial dysfunction, but also triggers cellular proliferation and migration, oxidative stress, apoptosis, thrombus and cellular necrosis. The adipokines have an important role in this process, mainly in endothelial dysfunction. The weight loss, although not scientifically proven to decrease mortality, seems to reduce risk for CAD and Diabetes Mellitus, mainly in obese individuals.</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>Sources of Funding</bold>
      </p>
      <p>There were no external funding sources for this study.</p>
      <p>
        <bold>Study Association</bold>
      </p>
      <p>This study is not associated with any post-graduation program.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
  <sub-article article-type="translation" id="TRes" xml:lang="es">
    <front-stub>
      <article-categories/>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="es">Obesidad y enfermedad arterial coronaria: papel de la inflamaci&#243;n vascular</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="es">
        <p>La obesidad se est&#225; tornando una epidemia global. Cerca de 1,1 billones de adultos y el 10% de los ni&#241;os del mundo est&#225;n considerados actualmente portadores de sobrepeso u obesos. Cl&#225;sicamente asociada a factores de riesgo para enfermedad cardiovascular, como diabetes melitus e hipertensi&#243;n arterial sist&#233;mica, la obesidad se est&#225; considerando cada vez m&#225;s factor de riesgo independiente para enfermedad arterial coronaria (EAC). La aterosclerosis coronaria comprende una serie de respuestas inflamatorias a nivel celular y molecular, cuyas reacciones se encuentran m&#225;s exacerbadas en pacientes obesos. Antes considerado mero dep&#243;sito de grasa, el tejido adiposo est&#225; visto hoy en d&#237;a como &#243;rgano end&#243;crino y par&#225;crino activo, productor de diversas citocinas inflamatorias, como las adipocinas. Este art&#237;culo apunta a alertar sobre el grave problema de salud p&#250;blica en que se convirti&#243; la obesidad en las &#250;ltimas d&#233;cadas y correlacionar el proceso inflamatorio exacerbado en los individuos obesos con la mayor incidencia de EAC en esta poblaci&#243;n.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="es">
        <kwd>Obesidad</kwd>
        <kwd>enfermedad arterial coronaria</kwd>
        <kwd>inflamaci&#243;n</kwd>
        <kwd>prote&#237;na C</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>ART&#205;CULO DE REVISI&#211;N</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="top-body3">
          <label>
            <bold>Obesidad y enfermedad arterial coronaria: papel de la inflamaci&#243;n vascular</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Fernando Gomes; Daniela F. Telo; Heraldo P. Souza; Jos&#233; Carlos Nicolau; Alfredo Halpern; Carlos V. Serrano Jr.</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Hospital de Cl&#237;nicas de la Facultad de Medicina de la Universidad de S&#227;o Paulo - S&#227;o Paulo, SP - Brasil</p>
      <p>Correspondencia</p>
      <p>
        <bold>RESUMEN</bold>
      </p>
      <p>La obesidad se est&#225; tornando una epidemia global. Cerca de 1,1 billones de adultos y el 10% de los ni&#241;os del mundo est&#225;n considerados actualmente portadores de sobrepeso u obesos.</p>
      <p> Cl&#225;sicamente asociada a factores de riesgo para enfermedad cardiovascular, como diabetes melitus e hipertensi&#243;n arterial sist&#233;mica, la obesidad se est&#225; considerando cada vez m&#225;s factor de riesgo independiente para enfermedad arterial coronaria (EAC).</p>
      <p> La aterosclerosis coronaria comprende una serie de respuestas inflamatorias a nivel celular y molecular, cuyas reacciones se encuentran m&#225;s exacerbadas en pacientes obesos.</p>
      <p> Antes considerado mero dep&#243;sito de grasa, el tejido adiposo est&#225; visto hoy en d&#237;a como &#243;rgano end&#243;crino y par&#225;crino activo, productor de diversas citocinas inflamatorias, como las adipocinas.</p>
      <p> Este art&#237;culo apunta a alertar sobre el grave problema de salud p&#250;blica en que se convirti&#243; la obesidad en las &#250;ltimas d&#233;cadas y correlacionar el proceso inflamatorio exacerbado en los individuos obesos con la mayor incidencia de EAC en esta poblaci&#243;n.</p>
      <p><bold>Palabras clave: </bold> Obesidad, enfermedad arterial coronaria, inflamaci&#243;n, prote&#237;na C.</p>
      <p>
        <bold>Obesidad como problema de salud p&#250;blica</bold>
      </p>
      <p>La obesidad es considerada actualmente una epidemia global, un importante problema de salud p&#250;blica, principalmente en pa&#237;ses occidentales<sup>1</sup>. De acuerdo con los datos reci&#233;n publicados en los Estados Unidos, el 67% de la poblaci&#243;n adulta padece sobrepeso, mientras que el 34% presenta obesidad, representando un aumento del 75% en relaci&#243;n a 1991 (<xref ref-type="fig" rid="f1-body3">Figura 1</xref>)<sup>2</sup>. Por primera vez en la historia de la humanidad, el n&#250;mero de personas con exceso de peso sobrepas&#243; al n&#250;mero de personas con desnutrici&#243;n, pasando de un bill&#243;n y cien millones de personas por encima del peso en todo el mundo.</p>
      <fig id="f1-body3">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-02-0273-00021-gf01-es.jpg"/></fig>
      <p>El exceso de peso est&#225; asociado a un aumento de morbilidad y mortalidad, y en los Estados Unidos se espera, por primera vez desde la Guerra Civil, una disminuci&#243;n de la expectativa de vida a causa de las enfermedades y trastornos relacionados a la obesidad - lo que incluye hipertensi&#243;n, dislipidemia, enfermedades cardiovasculares y algunos tipos de c&#225;ncer<sup>3</sup>.</p>
      <p>En Brasil, datos de la Investigaci&#243;n de Presupuesto Familiar de 2003 revelaron que el exceso de peso afecta al 41,1% de los hombres y al 40% de las mujeres, de los cuales son considerados obesos el 8,9% de los hombres adultos y el 13,1% de las mujeres adultas<sup>4</sup>. Podemos, por lo tanto, considerar a la obesidad como el factor de riesgo m&#225;s com&#250;nmente encontrado en los pa&#237;ses industrializados y en desarrollo (<xref ref-type="fig" rid="f2-body3">Figura 2</xref>).</p>
      <fig id="f2-body3">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-02-0273-00021-gf02-es.jpg"/></fig>
      <p>
        <bold>Obesidad como factor de riesgo para enfermedad arterial coronaria</bold>
      </p>
      <p>La asociaci&#243;n con factores de riesgo cl&#225;sicos para enfermedades cardiovasculares, como hipertensi&#243;n arterial, diabetes melitus, dislipidemias y s&#237;ndrome metab&#243;lico, se conoce hace bastante tiempo. Sin embargo, el conocimiento m&#225;s reciente de que, a&#250;n despu&#233;s del control de esas enfermedades asociadas, el riesgo de eventos cardiovasculares permanece elevado, hace que hoy en d&#237;a se considere la obesidad como factor de riesgo cardiovascular independiente<sup>5</sup>.</p>
      <p>La asociaci&#243;n entre obesidad y enfermedad arterial coronaria cl&#237;nicamente significativa es evidente en dos estudios prospectivos cl&#225;sicos de largo seguimiento: el <italic>Framingham Heart Study</italic><sup>6</sup> y el <italic>Nurses Health Study</italic><sup>7</sup>.</p>
      <p>El riesgo relativo para enfermedad arterial coronaria (EAC), partiendo de adultos con &#237;ndice de masa corporal (IMC) de 21 kg/m&#178;, aument&#243; de 1,19 para pacientes con IMC de 21 a 22,9 kg/m&#178;, a 3,56 en pacientes con IMC mayor que 29 kg/m&#178; (<xref ref-type="table" rid="t1-body3">Tabla 1</xref>).</p>
      <table-wrap id="t1-body3">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-02-0273-00021-gt01-es.jpg"/></table-wrap>
      <p>El <italic>Asia Pacific Cohort Collaboration Study,</italic> estudio con seguimiento de m&#225;s de siete 7 a&#241;os y que involucr&#243; a 430.000 pacientes adultos, encontr&#243; un aumento del 9% en eventos card&#237;acos isqu&#233;micos para cada unidad de cambio en el IMC.</p>
      <p>La relaci&#243;n entre obesidad y muerte por enfermedad cardiovascular es a&#250;n m&#225;s evidente cuando se considera pacientes con obesidad abdominal. En el estudio TRACE (<italic>Tandolapril Cardiac Evaluation</italic>), un an&#225;lisis de banco de datos mostr&#243; aumento de la mortalidad de alrededor del 23% en comparaci&#243;n con pacientes que no ten&#237;an obesidad abdominal, excluyendo ya la influencia de diabetes e hipertensi&#243;n arterial<sup>9</sup>.</p>
      <p>Cuando se analizan pacientes con enfermedad cardiovascular conocida o tras un infarto agudo de miocardio, el aumento del IMC se correlaciona inversamente con el aumento de la mortalidad<sup>10</sup>.</p>
      <p>El exceso de peso asociado a la acumulaci&#243;n de grasa en la regi&#243;n mesent&#233;rica es una obesidad de tipo central, visceral o androg&#233;nica<sup>11</sup>. Es sabido que la llamada obesidad visceral est&#225; asociada a una mayor mortalidad que la obesidad perif&#233;rica. La causa de esta diferencia se debe a que el tejido adiposo visceral es metab&#243;licamente m&#225;s activo que el tejido adiposo subcut&#225;neo, causando, por ejemplo, una mayor producci&#243;n de glucosa y, consiguientemente, diabetes melitus tipo 2 e hiperinsulinismo. Esta mayor secreci&#243;n de insulina ocasiona retenci&#243;n de sodio, resultando en hipertensi&#243;n arterial sist&#233;mica<sup>12</sup>. Estas condiciones caracterizan al s&#237;ndrome metab&#243;lico, actualmente considerado un desaf&#237;o de la salud p&#250;blica, pues representa una substancial elevaci&#243;n del riesgo de diabetes melitus (dos veces) y de enfermedad cardiovascular (dos a tres veces)<sup>13</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Obesidad, enfermedad arterial coronaria e inflamaci&#243;n vascular</bold>
      </p>
      <p>Durante muchos a&#241;os, la fisiopatolog&#237;a de la aterosclerosis era considerada meramente una acumulaci&#243;n de l&#237;pidos en la pared arterial. Sin embargo, en las &#250;ltimas dos d&#233;cadas, el creciente desarrollo en el campo de la biolog&#237;a vascular ha aclarado que las lesiones ateromatosas son, de hecho, una serie de respuestas celulares y moleculares altamente espec&#237;ficas y din&#225;micas, esencialmente inflamatorias por naturaleza<sup>14,15</sup>.</p>
      <p>En pacientes vulnerables, la aterosclerosis se desarrolla por la influencia de condiciones que traumatizan el endotelio, como envejecimiento, hipertensi&#243;n arterial sist&#233;mica, hipercolesterolemia, diabetes, tabaquismo y la propia obesidad. Estos factores da&#241;an el endotelio y estimulan una reacci&#243;n inflamatoria/proliferativa en la pared vascular. Tal reacci&#243;n aumenta la secreci&#243;n de citocinas proinflamatorias primarias, como la interleuquina (IL)-1 y el factor de necrosis tumoral (TNF)-alfa. Ellos son responsables de la expresi&#243;n de mol&#233;culas de adhesi&#243;n leucocitaria, de la mol&#233;cula de adhesi&#243;n intercelular (ICAM)-1 y P-, E-, y L-selectinas, y del aumento de substancias quimiot&#225;cticas (prote&#237;na quimiot&#225;ctica de monocitos [MCP]-1 y factor estimulador de colonia de macr&#243;fagos [M-CSF], ambas amplificadoras de la cascada inflamatoria)<sup>16,17</sup> (Ver <xref ref-type="table" rid="es_21t02-body3">Tabla 2</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="es_21t02-body3">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-02-0273-00021-gt02-es.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>La obesidad se caracteriza por exceso de tejido adiposo, con consiguiente aumento de peso, y se asocia a diversas comorbilidades<sup>18</sup>. Antes considerado mero y pasivo dep&#243;sito de triacilglicerol y &#225;cidos grasos libres, el tejido adiposo es visto hoy como importante &#243;rgano end&#243;crino y par&#225;crino, productor de diversas substancias proinflamatorias<sup>19</sup>.</p>
      <p>En el proceso de diferenciaci&#243;n de los preadipocitos en adipocitos maduros, estos adquieren la capacidad de producci&#243;n de centenas de prote&#237;nas: enzimas, citocinas, factores de crecimiento y hormonas comprometidas en diversos eventos metab&#243;licos<sup>20</sup>.</p>
      <p>Los componentes involucrados en la adipog&#233;nesis incluyen la lipasa lipoproteica, angiotensin&#243;geno, adipsina, adiponectina, IL-6, prostaglandinas, TNF-alfa y &#243;xido n&#237;trico. Estas mol&#233;culas poseen acci&#243;n moduladora sobre los dep&#243;sitos lip&#237;dicos y la distribuci&#243;n corporal de grasa<sup>21</sup>.</p>
      <p>M&#225;s recientemente, el tejido adiposo ha comenzado a considerarse una fuente de mediadores proinflamatorios que contribuye a la injuria vascular, resistencia insul&#237;nica y aterog&#233;nesis. Las hoy en d&#237;a llamadas adipocinas incluyen: TNF-alfa, IL-6, leptina, inhibidor del activador del plasmin&#243;geno (PAI)-1, angiotensin&#243;geno, resistina y prote&#237;na C-reactiva (PCR). Algunas, entre las cuales figuran la adiponectina y el &#243;xido n&#237;trico<sup>18</sup>, poseen acci&#243;n protectora contra la inflamaci&#243;n vascular y la resistencia insul&#237;nica.</p>
      <p>Las adipocinas est&#225;n elevadas en pacientes obesos y con resistencia insul&#237;nica, y se producen m&#225;s en tejido adiposo abdominal que en otros lugares. La p&#233;rdida de peso est&#225; asociada a la disminuci&#243;n de los niveles de esas substancias<sup>22</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Principales marcadores inflamatorios presentes en la obesidad</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Prote&#237;na C-reactiva</bold>
      </p>
      <p>La PCR es una prote&#237;na de fase aguda sintetizada por el h&#237;gado y regulada por los niveles circulantes de IL-6. Tambi&#233;n la IL-1 y TNF-alfa pueden inducir expresi&#243;n de RNA mensajero para producci&#243;n de PCR. Recientemente, niveles elevados de PCR en plasma fueron considerados predictores independientes de enfermedad arterial coronaria<sup>23</sup>. Los niveles plasm&#225;ticos circulantes de PCR son elevados en obesos y se relacionan directamente a la cantidad de grasa corporal, estimada por medio del &#237;ndice de masa corporal, obesidad visceral, circunferencia abdominal, resistencia insul&#237;nica, s&#237;ndrome metab&#243;lico y diabetes melitus<sup>24</sup>.</p>
      <p>La PCR no es un mero marcador de actividad inflamatoria: participa directamente en el proceso de aterog&#233;nesis y modula la funci&#243;n endotelial. Tambi&#233;n induce la expresi&#243;n de varias mol&#233;culas (ICAM-1, VCAM-1, MCP-1 y selectinas). Act&#250;a como regulador de la producci&#243;n de &#243;xido n&#237;trico en el endotelio y coordina la producci&#243;n y secreci&#243;n de varias citocinas, aumentando la actividad proinflamatoria de diversas adipocinas<sup>25</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Leptina</bold>
      </p>
      <p>La leptina es una hormona espec&#237;fica del adipocito, que funciona como una mol&#233;cula se&#241;alizadora en el cerebro para completar el <italic>feedback</italic> negativo de la teor&#237;a lipost&#225;tica de control de peso<sup>26</sup>. El conocimiento de que individuos obesos no son, en su mayor&#237;a, deficientes en leptina, sino, por el contrario, poseen altas concentraciones s&#233;ricas de esta sustancia, propici&#243; la teor&#237;a de la resistencia a la leptina<sup>2</sup>.</p>
      <p>La resistencia a la leptina se explicar&#237;a por una baja sensibilidad a la acci&#243;n de la hormona o por altos niveles s&#233;ricos de leptina que llevar&#237;an a una respuesta inadecuada (deficiencia relativa de leptina).</p>
      <p>La teor&#237;a de resistencia a la leptina gan&#243; fuerza cuando un estudio de escalonamiento de dosis de leptina recombinante, randomizado y controlado con placebo, obtuvo resultados decepcionantes al intentar evaluar la p&#233;rdida de peso al inyectarse leptina recombinante. Fueron necesarias concentraciones s&#233;ricas veinte a treinta veces mayores que lo normal para obtener una p&#233;rdida de peso<sup>27</sup>. No est&#225; claro por qu&#233; en individuos obesos y con resistencia a la leptina se encuentran altas concentraciones s&#233;ricas de leptina end&#243;gena. Se sabe, no obstante, que esos altos niveles y suplementos ex&#243;genos de leptina no son suficientes para mantener un peso saludable.</p>
      <p>Son varias las teor&#237;as que explican este mecanismo, pero ninguna fue comprobada: mutaci&#243;n gen&#233;tica, autorregulaci&#243;n, acceso tisular limitado por la barrera hematoencef&#225;lica y la acci&#243;n de mol&#233;culas a nivel celular y circulatorio.</p>
      <p>Diversas son las posibles implicancias terap&#233;uticas de combatir la resistencia a la leptina, toda vez que esta condici&#243;n parece estar asociada a varios factores de riesgo para ECV y otros estados patol&#243;gicos, como obesidad, s&#237;ndrome metab&#243;lico, resistencia a la insulina, diabetes melitus tipo 2, hipertensi&#243;n arterial sist&#233;mica, aterotrombosis y enfermedad mioc&#225;rdica.</p>
      <p>
        <bold>TNF-alfa</bold>
      </p>
      <p>Citocina inflamatoria secretada en gran cantidad por humanos obesos y pacientes con resistencia insul&#237;nica, que no solamente inicia, sino tambi&#233;n multiplica la formaci&#243;n de lesi&#243;n ateroscler&#243;tica. La TNF-alfa participa de la aceleraci&#243;n de la aterog&#233;nesis por medio de la inducci&#243;n de la expresi&#243;n de VCAM-1, ICAM-1, MCP-1 y E-selectina. Tambi&#233;n reduce la biodisponibilidad del &#243;xido n&#237;trico en las c&#233;lulas endoteliales y perjudica la vasodilataci&#243;n endotelio-dependiente, promoviendo disfunci&#243;n endotelial. Adem&#225;s, provoca la apoptosis en las c&#233;lulas endoteliales, contribuyendo a la injuria endotelial<sup>28</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Resistina</bold>
      </p>
      <p>Es una hormona espec&#237;fica del tejido adiposo, recientemente descubierta, que induce directamente la resistencia insul&#237;nica en el m&#250;sculo y en el h&#237;gado. La resistina induce la expresi&#243;n de RNA-mensajero productor de endotelina-1 en las c&#233;lulas endoteliales, contribuyendo as&#237; a la disfunci&#243;n endotelial. Tambi&#233;n aumenta significativamente la expresi&#243;n de la mol&#233;cula de adhesi&#243;n celular VCAM-1 y la MCP-1, factores clave en la formaci&#243;n de la lesi&#243;n ateroscler&#243;tica inicial<sup>29</sup>.</p>
      <p>Recientemente se demostr&#243; la acci&#243;n proinflamatoria de la resistina en las c&#233;lulas musculares lisas: ella induce la proliferaci&#243;n de tales c&#233;lulas, sugiriendo la acci&#243;n de esta hormona en la reestenosis de lesiones coronarias en pacientes diab&#233;ticos<sup>30</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Angiotensin&#243;geno</bold>
      </p>
      <p>Es un precursor de la angiotensina II, expresada y producida en los adipocitos. La angiotensina II estimula directamente la expresi&#243;n de ICAM-1, VCAM-1, MCP-1 y M-CSF en las c&#233;lulas vasculares. La producci&#243;n aumentada de angiotensin&#243;geno por el tejido adiposo est&#225; asociada a la hipertensi&#243;n y angiog&#233;nesis, ambas relacionadas a la disfunci&#243;n endotelial. Del mismo modo, la angiotensina II act&#250;a en la formaci&#243;n de radicales libres de ox&#237;geno, disminuyendo la disponibilidad de &#243;xido n&#237;trico y provocando da&#241;os al tejido vascular<sup>31</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Adiponectina</bold>
      </p>
      <p>Contrariamente a las otras adipocinas aqu&#237; mencionadas, los niveles de adiponectina est&#225;n disminuidos en los pacientes obesos, funcionando como inhibidora del proceso inflamatorio<sup>32</sup>. Estudios cl&#237;nicos y experimentales sugieren que bajos niveles de adiponectina contribuyen al desarrollo de enfermedades relacionadas con obesidad, incluyendo las enfermedades cardiovasculares<sup>33</sup>.</p>
      <p>Los niveles de adiponectina en el plasma var&#237;an generalmente de 3 a 30 &#956;g/ml en humanos sanos. En obesos, estos niveles est&#225;n significantemente reducidos, con correlaci&#243;n negativa entre IMC y niveles plasm&#225;ticos de adiponectina<sup>34</sup>. La raz&#243;n para la reducci&#243;n de los niveles de adiponectina en obesos parece estar relacionada a las citocinas proinflamatorias, como la IL-6, que estando aumentada en los obesos, puede causar una reducci&#243;n en la expresi&#243;n de RNA-mensajero productor de adiponectina y su liberaci&#243;n por los adipocitos<sup>35</sup>.</p>
      <p>A nivel vascular, las acciones de la adiponectina comprenden reducci&#243;n en la expresi&#243;n de ICAM-1, VCAM-1 y E-selectina. Inhiben tambi&#233;n la transformaci&#243;n de macr&#243;fagos en c&#233;lulas espumosas y la proliferaci&#243;n y migraci&#243;n de c&#233;lulas musculares lisas<sup>36</sup>.</p>
      <p>Qasim et al, en un suban&#225;lisis del banco de datos del SIRCA (<italic>Study of Inherited Risk of Coronary Atherosclerosis</italic>), examinaron la asociaci&#243;n de leptina y adiponectina con factores de riesgo para ECV y calcificaci&#243;n arterial coronaria (CAC). La leptina plasm&#225;tica se asoci&#243; positivamente a la CAC tras el ajuste por edad, g&#233;nero, factores de riesgo tradicionales y escore de riesgo de Framingham (relaci&#243;n de regresi&#243;n de Tobit de 2,42 [IC 95%: 1,48 - 3,95; p=0, 002]). Los niveles de adiponectina plasm&#225;tica no se asociaron a la CAC<sup>37</sup> (<xref ref-type="fig" rid="f3-body3">Figura 3</xref>).</p>
      <fig id="f3-body3">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-02-0273-00021-gf03-es.jpg"/></fig>
      <p>
        <bold>Disfunci&#243;n endotelial presente en la obesidad: agravante cardiovascular</bold>
      </p>
      <p>La disfunci&#243;n endotelial coronaria se considera un estadio precoz de aterosclerosis coronaria y puede aparecer en los vasos epic&#225;rdicos, vasos de resistencia o en ambos<sup>38</sup>. Suwaidi et al<sup>39</sup> evaluaron el impacto de la obesidad en la funci&#243;n endotelial coronaria en pacientes con coronarias normales o levemente enfermas en la angiograf&#237;a. Un total de 397 pacientes consecutivos con tales caracter&#237;sticas fueron sometidos a la reactividad vascular coronaria usando adenosina intracoronaria, acetilcolina y nitroglicerina. Los pacientes fueron divididos en tres grupos, bas&#225;ndose en el &#237;ndice de masa corporal (IMC), desde el considerado normal (IMC &lt; 25 kg/m&#178;), pasando por el grupo con sobrepeso (IMC 25 a 30 kg/m&#178;) hasta los pacientes obesos (IMC &gt; 30 kg/m&#178;). El aumento en el flujo coronario en respuesta a la acetilcolina fue significativamente menor en el grupo de pacientes obesos que en el grupo de pacientes con IMC normal (ver <xref ref-type="fig" rid="f4-body3">Figura 4</xref>). Por an&#225;lisis multivariado, los grupos de pacientes con sobrepeso y obesidad fueron independientemente asociados a la disfunci&#243;n endotelial coronaria. El estudio demostr&#243; que la obesidad se asocia en forma independiente a la disfunci&#243;n endotelial coronaria en pacientes con coronarias angiogr&#225;ficamente normales o con enfermedad arterial coronaria leve.</p>
      <fig id="f4-body3">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-02-0273-00021-gf04-es.jpg"/></fig>
      <p>
        <bold>Implicancias terap&#233;uticas</bold>
      </p>
      <p>El exceso de peso no s&#243;lo lleva a cambios en el desarrollo de resistencia insul&#237;nica sino que tambi&#233;n influencia el proceso de disfunci&#243;n endotelial por medio de efectos proinflamatorios y protromb&#243;ticos de las adipocinas. El tratamiento que apunta a reducir el porcentaje de grasa corporal, as&#237; como de grasa visceral, tiende a reducir tales efectos<sup>40</sup>.</p>
      <p>La magnitud del efecto protector parece estar relacionada a la reducci&#243;n del &#237;ndice de masa corporal. En mujeres con sobrepeso, que experimentan p&#233;rdida moderada de peso (&gt;10%), se hall&#243; hasta un 20% de reducci&#243;n de la mortalidad prematura, tambi&#233;n asociada al control de factores de riesgo, como diabetes melitus, dislipidemia e hipertensi&#243;n arterial sist&#233;mica<sup>41</sup>.</p>
      <p>El conocimiento actual de que en estados de obesidad y resistencia insul&#237;nica la producci&#243;n de adipocinas se encuentra aumentada, lleva a un nuevo frente de investigaciones tendientes al desarrollo de tratamientos que interfieran en esta situaci&#243;n.</p>
      <p>Las medidas no farmacol&#243;gicas de cambios de estilo de vida constituyen a&#250;n la base del tratamiento. Medicamentos como glitazonas, estatinas, &#225;cido acetilsalic&#237;lico, inhibidores de la enzima convertidora de la angiotensina y los bloqueantes de los receptores de angiotensina est&#225;n siendo probados y parecen tener acci&#243;n en la disminuci&#243;n de las adipocinas antiinflamatorias<sup>2</sup> (<xref ref-type="table" rid="t3-body3">Tabla 3</xref>).</p>
      <table-wrap id="t3-body3">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-02-0273-00021-gt03-es.jpg"/></table-wrap>
      <p>
        <bold>Conclusiones</bold>
      </p>
      <p>La obesidad es un trastorno metab&#243;lico cr&#243;nico asociado a la EAC, con &#237;ndices de morbilidad y mortalidad aumentados. El proceso inflamatorio no s&#243;lo causa disfunci&#243;n endotelial sino que desencadena la proliferaci&#243;n y migraci&#243;n celulares, estr&#233;s oxidativo, apoptosis, trombosis y necrosis celular. Las adipocinas juegan un importante papel en este proceso, principalmente en la disfunci&#243;n endotelial. La p&#233;rdida de peso, a&#250;n sin comprobaci&#243;n cient&#237;fica de la disminuci&#243;n de la mortalidad, parece reducir el riesgo de EAC y diabetes melitus, principalmente en obesos.</p>
      <p>
        <bold>Potencial Conflicto de Intereses</bold>
      </p>
      <p>Declaro no haber conflicto de intereses pertinentes.</p>
      <p>
        <bold>Fuentes de Financiaci&#243;n</bold>
      </p>
      <p>El presente estudio no tuvo fuentes de financiaci&#243;n externas.</p>
      <p>
        <bold>Vinculaci&#243;n Acad&#233;mica</bold>
      </p>
      <p>No hay vinculaci&#243;n de este estudio a programas de posgrado.</p>
      <p>
        <bold>Referencias</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
