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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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          <subject>Artigos Originais</subject>
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        <article-title>S&#237;ndrome metab&#243;lica, resist&#234;ncia &#224; a&#231;&#227;o da insulina e doen&#231;a cardiovascular no diabete melito tipo 1</article-title>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>01</month>
        <year>2010</year>
      </pub-date>
      <volume>94</volume>
      <issue>1</issue>
      <fpage>134</fpage>
      <lpage>139</lpage>
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        <date date-type="rev-recd">
          <day>20</day>
          <month>05</month>
          <year>2008</year>
        </date>
        <date date-type="received">
          <day>14</day>
          <month>04</month>
          <year>2008</year>
        </date>
        <date date-type="accepted">
          <day>26</day>
          <month>05</month>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
        </license>
      </permissions>
      <abstract>
        <p>A s&#237;ndrome metab&#243;lica (SM) &#233; um transtorno complexo representado por um conjunto de fatores de risco cardiovasculares relacionados &#224; deposi&#231;&#227;o central de gordura e &#224; resist&#234;ncia &#224; a&#231;&#227;o da insulina (RI), e est&#225; associada &#224; mortalidade precoce em indiv&#237;duos n&#227;o-diab&#233;ticos e em pacientes com Diabete melito (DM) tipo 2. A presen&#231;a da SM e dos seus componentes tem sido descrita tamb&#233;m em pacientes com DM tipo 1 e pode contribuir para o elevado risco de doen&#231;a cardiovascular observado nessa popula&#231;&#227;o de pacientes. O objetivo deste trabalho foi revisar as evid&#234;ncias dispon&#237;veis sobre o papel da SM e da RI no desenvolvimento da doen&#231;a cardiovascular nos pacientes com DM tipo 1.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Sindrome metab&#243;lica</kwd>
        <kwd>resist&#234;ncia &#224; insulina</kwd>
        <kwd>doen&#231;as cardiovasculares</kwd>
        <kwd>diabete melito tipo 1</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>22</day>
        <month>09</month>
        <year>2010</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
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  <body>
    <p>
      <bold>ARTIGO DE REVIS&#195;O</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>S&#237;ndrome metab&#243;lica, resist&#234;ncia &#224; a&#231;&#227;o da insulina e doen&#231;a cardiovascular no diabete melito tipo 1</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Ticiana C. Rodrigues<sup>I, II</sup>; Luis Henrique Canani<sup>I, II</sup>; Jorge L. Gross<sup>I ,II</sup></bold>
    </p>
    <p><sup>I</sup>Servi&#231;o de Endocrinologia - Hospital de Cl&#237;nicas de Porto Alegre, Porto Alegre, RS </p>
    <p><sup>II</sup>Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p>A s&#237;ndrome metab&#243;lica (SM) &#233; um transtorno complexo representado por um conjunto de fatores de risco cardiovasculares relacionados &#224; deposi&#231;&#227;o central de gordura e &#224; resist&#234;ncia &#224; a&#231;&#227;o da insulina (RI), e est&#225; associada &#224; mortalidade precoce em indiv&#237;duos n&#227;o-diab&#233;ticos e em pacientes com Diabete melito (DM) tipo 2. </p>
    <p> A presen&#231;a da SM e dos seus componentes tem sido descrita tamb&#233;m em pacientes com DM tipo 1 e pode contribuir para o elevado risco de doen&#231;a cardiovascular observado nessa popula&#231;&#227;o de pacientes. </p>
    <p> O objetivo deste trabalho foi revisar as evid&#234;ncias dispon&#237;veis sobre o papel da SM e da RI no desenvolvimento da doen&#231;a cardiovascular nos pacientes com DM tipo 1.</p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> Sindrome metab&#243;lica, resist&#234;ncia &#224; insulina, doen&#231;as cardiovasculares, diabete melito tipo 1.</p>
    <p>
      <bold>Introdu&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>A s&#237;ndrome metab&#243;lica (SM) &#233; um transtorno complexo representado por um conjunto de fatores de risco cardiovasculares relacionados &#224; deposi&#231;&#227;o central de gordura e &#224; resist&#234;ncia &#224; a&#231;&#227;o da insulina (RI)<sup>1</sup>. Entre esses fatores de risco, incluem-se a dislipidemia, a obesidade centr&#237;peta, a altera&#231;&#227;o na homeostase glic&#234;mica e a hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica. A preval&#234;ncia de SM na popula&#231;&#227;o em geral &#233; de aproximadamente 24%<sup>2</sup>, chegando a mais de 80% entre os pacientes com Diabete melito (DM) tipo 2<sup>3</sup>. A SM &#233; um importante fator de risco de mortalidade precoce em indiv&#237;duos n&#227;o-diab&#233;ticos<sup>4,5</sup> e em pacientes com DM tipo 2<sup>4</sup>. Entretanto, o papel da SM como entidade independente e associada a um maior risco para o desenvolvimento de eventos cardiovasculares tem sido recentemente questionado<sup>6</sup>.</p>
    <p>A presen&#231;a da SM e dos seus componentes tem sido descrita tamb&#233;m em pacientes com DM tipo 1 e pode estar associada &#224; presen&#231;a de nefropatia diab&#233;tica (ND) e &#224; piora do controle glic&#234;mico<sup>7</sup>.</p>
    <p>Embora o risco absoluto de doen&#231;a cardiovascular (DCV) em pacientes com DM tipo 1 seja menor do que nos pacientes com DM tipo 2, ele est&#225; drasticamente elevado quando comparado aos indiv&#237;duos n&#227;o-diab&#233;ticos de mesma idade<sup>8</sup>. Os fatores de risco cl&#225;ssicos e a presen&#231;a de ND explicam apenas parcialmente essa observa&#231;&#227;o<sup>9</sup>. A hip&#243;tese de que a presen&#231;a da SM em pacientes com DM tipo 1 poderia se constituir em um fator de risco para DCV apresenta uma fundamenta&#231;&#227;o te&#243;rica. A presen&#231;a de RI tem sido descrita em pacientes com DM tipo 1<sup>9-11</sup> e pode contribuir para o elevado risco de DCV observado nessa popula&#231;&#227;o de pacientes. Os estudos que analisaram o papel da SM como fator de risco para as complica&#231;&#245;es micro e macrovasculares s&#227;o escassos e foram conduzidos em popula&#231;&#245;es selecionadas.</p>
    <p>O objetivo deste trabalho foi revisar as evid&#234;ncias dispon&#237;veis do papel da SM e da RI no desenvolvimento da DCV em pacientes com DM tipo 1.</p>
    <p>
      <bold>Crit&#233;rios diagn&#243;sticos da s&#237;ndrome metab&#243;lica</bold>
    </p>
    <p>Existem v&#225;rias propostas de defini&#231;&#227;o cl&#237;nica de SM. Tr&#234;s s&#227;o as mais utilizadas: Organiza&#231;&#227;o Mundial da Sa&#250;de (OMS)<sup>12</sup>, <italic>National Cholesterol Education Program&#180;s Adults Treatment Panel III</italic> (NCEP-ATP III)<sup>13</sup> e, mais recentemente, a <italic>International Diabetes Federation</italic> (IDF)<sup>14</sup>. A defini&#231;&#227;o da OMS foi proposta em 1998 e preconiza como ponto de partida a avalia&#231;&#227;o da RI ou do dist&#250;rbio do metabolismo da glicose e inclui a medida da albumin&#250;ria e por isso &#233; mais complexa de ser avaliada. A defini&#231;&#227;o do NCEP-ATP III foi desenvolvida para uso cl&#237;nico e n&#227;o exige a comprova&#231;&#227;o de RI. Pela sua simplicidade e praticidade, esta &#233; a defini&#231;&#227;o recomendada pela I Diretriz Brasileira de Diagn&#243;stico e Tratamento da S&#237;ndrome Metab&#243;lica<sup>15</sup>. Durante a conven&#231;&#227;o sobre SM e pr&#233;-diabetes, realizada em Berlim no ano de 2005, foi apresentada outra defini&#231;&#227;o que coloca a adiposidade central como componente principal. Al&#233;m disso, os pontos de corte de circunfer&#234;ncia da cintura s&#227;o mais baixos do que na defini&#231;&#227;o do NCEP, e h&#225; valores espec&#237;ficos para os diferentes grupos &#233;tnicos<sup>14,16</sup>. Os crit&#233;rios das tr&#234;s propostas est&#227;o descritos na <xref ref-type="table" rid="t1">tabela 1</xref>.</p>
    <table-wrap id="t1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-01-0134-00020-gt01.jpg"/></table-wrap>
    <p>
      <bold>M&#233;todos de avalia&#231;&#227;o de resist&#234;ncia &#224; a&#231;&#227;o da insulina</bold>
    </p>
    <p>Acredita-se que a RI seja o principal fator patog&#234;nico da SM<sup>17</sup>. Tradicionalmente, o conceito de RI &#233; definido como um defeito na a&#231;&#227;o da insulina que resulta em uma hiperinsulinemia compensat&#243;ria para manter os n&#237;veis de glicemia dentro da normalidade. Um importante fator de contribui&#231;&#227;o para a RI &#233; a presen&#231;a de n&#237;veis s&#233;ricos elevados de &#225;cidos graxos livres, provenientes do aumento da mobiliza&#231;&#227;o de triglicer&#237;deos do tecido adiposo<sup>17</sup>.</p>
    <p>O padr&#227;o-ouro para a avalia&#231;&#227;o de RI &#233; o estudo de <italic>clamp</italic> hiperinsulin&#234;mico euglic&#234;mico<sup>18</sup>. De forma simplificada, este &#233; realizado atrav&#233;s de um acesso venoso e administra&#231;&#227;o de insulina com o objetivo de suprimir a produ&#231;&#227;o end&#243;gena de glicose e aumentar a sua capta&#231;&#227;o fisiol&#243;gica. Para manter os n&#237;veis glic&#234;micos entre 90 e 140 mg/dl, h&#225; a infus&#227;o de glicose intravenosa. A sensibilidade &#224; a&#231;&#227;o da insulina &#233; quantificada pela taxa de infus&#227;o de glicose necess&#225;ria para manter os n&#237;veis glic&#234;micos dentro das metas estabelecidas<sup>18</sup>. Em raz&#227;o da dificuldade de execu&#231;&#227;o dos estudos de clampeamento, outras formas de avalia&#231;&#227;o da RI foram desenvolvidas. Por mais de duas d&#233;cadas, a insulina de jejum foi utilizada como marcador de sensibilidade insul&#237;nica em v&#225;rios estudos epidemiol&#243;gicos, assumindo que a insulina de jejum seria um equivalente de RI<sup>18,19</sup>. Por&#233;m, a insulina de jejum n&#227;o pode explicar mais de 30% a 40% da varia&#231;&#227;o de sensibilidade insul&#237;nica encontrada no clampeamento<sup>20</sup>. Um m&#233;todo melhor, mas ainda n&#227;o ideal, de estimar a RI &#233; o <italic>Homeostasis Model Assessment</italic> (HOMA-IR) desenvolvido por Matthews e cols.<sup>21</sup>, utilizando um modelo matem&#225;tico que leva em considera&#231;&#227;o os n&#237;veis de glicemia e de insulina s&#233;ricos. O HOMA-IR possui uma correla&#231;&#227;o estreita com os resultados do clampeamento em rela&#231;&#227;o &#224; RI<sup>21,22</sup>. Por&#233;m, em pacientes usu&#225;rios de insulina, como nos pacientes com DM tipo 1, tanto a dosagem de insulina s&#233;rica quanto a utiliza&#231;&#227;o do HOMA s&#227;o inv&#225;lidas, fazendo-se necess&#225;ria uma outra forma de avalia&#231;&#227;o de RI.</p>
    <p>Marcadores cl&#237;nicos podem identificar pacientes com RI<sup>23</sup>. Al&#233;m das tradicionais caracter&#237;sticas cl&#237;nicas de hipertens&#227;o arterial, raz&#227;o cintura/quadril, hist&#243;ria familiar de DM tipo 2, n&#237;veis de triglicer&#237;deos e HDL colesterol, tamb&#233;m o mau controle glic&#234;mico e a dose total de insulina s&#227;o associados &#224; RI<sup>24</sup>. A partir dessas informa&#231;&#245;es, foi desenvolvido e validado um escore de avalia&#231;&#227;o de RI, denominado <italic>glucose disposal rate</italic> (GDR), utilizando a t&#233;cnica de <italic>clamp</italic> hiperinsulin&#234;mico euglic&#234;mico (60 mU. m<sup>-2</sup>.min<sup>-1</sup>)<sup>24</sup> em um grupo de pacientes com DM tipo/ 1. Essa avalia&#231;&#227;o deu origem &#224; seguinte equa&#231;&#227;o:</p>
    <p>GDR (mg.kg<sup>-1</sup>.min<sup>-1</sup>) = 24,31 - 12,22 x (raz&#227;o cintura/quadril) - 3,29/ x (presen&#231;a de hipertens&#227;o arterial) - 0,57 x (HbA1)</p>
    <p>Presen&#231;a de hipertens&#227;o arterial = 1 e aus&#234;ncia = 0. Essa equa&#231;&#227;o foi modificada para a utiliza&#231;&#227;o de Hb<sub>A1c</sub> no lugar de HbA1 (7), tendo atualmente a seguinte descri&#231;&#227;o:</p>
    <p>GDR (mg.kg<sup>-1</sup>.min<sup>-1</sup>) = 24,4 - 12,97 x (raz&#227;o cintura/quadril) - 3,39 x (presen&#231;a de hipertens&#227;o arterial) - 0,60 x (Hb<sub>A1c</sub>).</p>
    <p>Diversos estudos t&#234;m utilizado essa equa&#231;&#227;o como m&#233;todo de avalia&#231;&#227;o de RI em pacientes com DM tipo 1<sup>7,9,25,26</sup>.</p>
    <p>
      <bold>A doen&#231;a cardiovascular no paciente com Diabete melito tipo 1</bold>
    </p>
    <p>A DCV ateroscler&#243;tica, especialmente a doen&#231;a arterial coronariana (DAC), &#233; a principal causa de mortalidade e morbidade no paciente com DM<sup>27</sup>. A maior ocorr&#234;ncia de mortalidade por DAC em pacientes com DM tipo 1 j&#225; tem sido relatada desde a d&#233;cada de 1970<sup>28</sup>. Krolewski e cols.<sup>29</sup> demonstraram que aos 55 anos de idade a taxa de mortalidade cumulativa nessa popula&#231;&#227;o era de 30%-40%, comparada &#224; mortalidade de 4%-8% em pacientes n&#227;o-diab&#233;ticos descrita no estudo Framingham. Dados do Wisconsin Epidemiologic Study of Diabetic Retinopathy (WESDR) relatam um risco de mortalidade por DAC de 9,1 para homens e de 13,5 para mulheres, em pacientes com diagn&#243;stico de Diabete antes dos 30 anos de idade em rela&#231;&#227;o &#224; popula&#231;&#227;o em geral no per&#237;odo de 8 anos de seguimento<sup>30</sup>. Recentemente, um estudo prospectivo que acompanhou uma coorte de mais de sete mil pacientes com DM tipo 1 com 7 anos de seguimento demonstrou que o risco relativo de eventos cardiovasculares foi de 3,6 (95% IC 2,9-4,5) para homens e de 7,7 (95% IC 5,5-10,7) para mulheres quando comparados com indiv&#237;duos n&#227;o-diab&#233;ticos<sup>31</sup>. Esse mesmo estudo estimou em 5% o risco de DCV fatal nos pr&#243;ximos 10 anos para um indiv&#237;duo diab&#233;tico com 50 anos de idade, o que corresponde a 10 a 15 anos antes de o mesmo risco estar presente na popula&#231;&#227;o n&#227;o-diab&#233;tica. O seguimento de 23.751 pacientes com DM diagnosticado antes dos 30 anos de idade e tratados com insulina observou taxas de mortalidade semelhantes &#224;s descritas previamente e evidenciou que outras formas de DCV, como hipertens&#227;o arterial, doen&#231;a valvar, cardiomiopatia, insufici&#234;ncia card&#237;aca e acidente vascular cerebral, tamb&#233;m est&#227;o elevadas nessa popula&#231;&#227;o de pacientes<sup>32</sup>. Estudos anatomopatol&#243;gicos e de ultra-sonografia endovascular demonstraram ateromatose e anormalidades na parede coronariana consistentes com DAC precoce em pacientes com DM tipo 1<sup>33,34</sup>.</p>
    <p>Embora a associa&#231;&#227;o de DCV precoce em pacientes com DM tipo 1 seja conhecida h&#225; bastante tempo, a patog&#234;nese envolvida ainda n&#227;o &#233; completamente entendida. A hiperglicemia &#233;, <italic>a priori</italic>, o mais importante fator respons&#225;vel pela elevada incid&#234;ncia de DCV<sup>35</sup>. Entretanto, apesar de recente evid&#234;ncia de que o melhor controle glic&#234;mico tenha sido associado &#224; redu&#231;&#227;o de DCV<sup>36</sup>, a literatura &#233; conflitante na associa&#231;&#227;o de DCV e glicemia em pacientes com DM tipo 1. Enquanto alguns estudos afirmam que o controle glic&#234;mico, ap&#243;s ajuste para os tradicionais fatores de risco de DCV, n&#227;o esta significativamente associado com eventos cardiovasculares<sup>9,37-39</sup>, outros estudos apontam para uma associa&#231;&#227;o positiva<sup>36,40-42</sup>. Uma metan&#225;lise recente de ensaios cl&#237;nicos mostrou que o melhor controle glic&#234;mico reduziu a incid&#234;ncia de DCV em pacientes com Diabete tipo 1 e 2<sup>41</sup>. O efeito ben&#233;fico do controle glic&#234;mico intensivo por 6 anos nos desfechos cardiovasculares foi confirmado ap&#243;s 11 anos de seguimento em pacientes com DM tipo 1<sup>42</sup>. Mais recentemente, uma an&#225;lise, ap&#243;s 16 anos de seguimento, mostrou que a varia&#231;&#227;o positiva de hemoglobina glicada foi fortemente associada &#224; DCV e &#224; DAC e que parte das discrep&#226;ncias nos resultados dos estudos anteriores podem ser conseq&#252;&#234;ncia das diferentes preval&#234;ncias de doen&#231;a renal<sup>36</sup>.</p>
    <p>As recomenda&#231;&#245;es europ&#233;ias n&#227;o consideram o paciente com DM tipo 1 como de alto risco, a menos que microalbumin&#250;ria esteja presente<sup>43</sup>. Um estudo recente que avaliou um grupo de pacientes com DM tipo 1 com doen&#231;a de longa dura&#231;&#227;o e assintom&#225;ticos para queixas cardiovasculares observou associa&#231;&#227;o de doen&#231;a ateroscler&#243;tica em coron&#225;rias, mas n&#227;o em aorta, com nefropatia diab&#233;tica<sup>44</sup>. Pacientes com DM tipo 1 e perda de fun&#231;&#227;o renal geralmente desenvolvem doen&#231;a ateroscler&#243;tica extensa<sup>45</sup>.</p>
    <p>O elevado risco de DCV observado em pacientes do sexo feminino com DM tipo 1 n&#227;o &#233; explicado pelos tradicionais fatores de risco de DCV<sup>46</sup>, e ainda n&#227;o s&#227;o completamente conhecidos os mecanismos envolvidos.</p>
    <p>Um estudo prospectivo que avaliou os fatores de risco associados ao desenvolvimento de DCV observou que nefropatia (especialmente em homens), hipertens&#227;o, fumo, dislipidemia, sintomas depressivos e RI foram todos relacionados ao desfecho CV em pacientes com DM tipo 1<sup>9</sup>. O controle glic&#234;mico n&#227;o foi associado com eventos cardiovasculares, mas manteve sua estreita rela&#231;&#227;o com doen&#231;a microvascular.</p>
    <p>A presen&#231;a de calcifica&#231;&#245;es em art&#233;rias coron&#225;rias (CAC) tem uma excelente correla&#231;&#227;o (r &gt;0,9) com aterosclerose coronariana, sendo &#250;til como medida de extens&#227;o de aterosclerose<sup>47</sup>. A presen&#231;a de CAC prediz eventos cardiovasculares especialmente em indiv&#237;duos assintom&#225;ticos<sup>48</sup>. Pacientes com DM tipo 1 possuem maior quantidade de CAC em compara&#231;&#227;o com indiv&#237;duos n&#227;o-diab&#233;ticos<sup>49,50</sup>, o que favorece a hip&#243;tese de aterosclerose acelerada nestes pacientes. A presen&#231;a de CAC neste grupo de pacientes foi associada &#224; doen&#231;a cl&#237;nica e presen&#231;a de fatores de risco de DCV<sup>51</sup>. A avalia&#231;&#227;o de estudos com a presen&#231;a de CAC em pacientes com DM tipo 1 mostrou que a presen&#231;a de qualquer quantidade de c&#225;lcio aumenta o risco de DCV<sup>35</sup>. Estudos pr&#233;vios t&#234;m confirmado o maior risco de DAC em mulheres com DM tipo 1<sup>31,49</sup>. A avalia&#231;&#227;o de um grupo de pacientes com DM tipo 1 mostrou que a presen&#231;a de CAC nas mulheres pode se dever &#224; maior RI observada neste grupo de pacientes, especialmente associada &#224; distribui&#231;&#227;o de gordura corporal<sup>49</sup>.</p>
    <p>
      <bold>O impacto da s&#237;ndrome metab&#243;lica e da resist&#234;ncia &#224; a&#231;&#227;o da insulina no Diabete melito tipo 1</bold>
    </p>
    <p>O primeiro estudo que avaliou pacientes com DM tipo 1 e presen&#231;a de SM observou uma preval&#234;ncia de 38% em homens e de 40% em mulheres<sup>7</sup>. Nos pacientes sem doen&#231;a renal, nos microalbumin&#250;ricos, nos macroalbumin&#250;ricos e nos pacientes com doen&#231;a renal terminal, a preval&#234;ncia de SM observada foi de 28%, 44%, 62% e 68%, respectivamente<sup>7</sup>. A freq&#252;&#234;ncia de SM tamb&#233;m foi maior quanto pior o controle glic&#234;mico desses pacientes. Todos os componentes separadamente da s&#237;ndrome foram associados &#224; ND. Mais recentemente, a preval&#234;ncia da SM em pacientes com DM tipo 1 tem sido mais diversa, variando de 12,5% a 42%<sup>26,31,52</sup>. Essas varia&#231;&#245;es podem ser explicadas por diferentes n&#237;veis de RI e de faixa et&#225;ria entre as popula&#231;&#245;es estudadas.</p>
    <p>A SM e a RI s&#227;o caracter&#237;sticas do DM tipo 2. A presen&#231;a de SM pelos crit&#233;rios da OMS est&#225; associada &#224; presen&#231;a de complica&#231;&#245;es micro e macrovasculares em pacientes com DM tipo 2<sup>3,53</sup>. Em pacientes com DM tipo 1 essa associa&#231;&#227;o precisa ser mais bem entendida, mas em rela&#231;&#227;o &#224; RI parece ser semelhante, uma vez que a RI foi associada &#224; presen&#231;a de retinopatia diab&#233;tica (RD)<sup>54</sup>, ND<sup>53,55-57</sup> e DCV<sup>25</sup>.</p>
    <p>Pacientes com DM tipo 1 e microalbumin&#250;ria com discreta redu&#231;&#227;o da taxa de filtra&#231;&#227;o glomerular (TFG) possuem maior grau de RI, quando comparados a pacientes com microalbumin&#250;ria sem redu&#231;&#227;o da TFG e pacientes sem nefropatia<sup>56</sup>. Entretanto, pacientes com nefropatia possuem n&#237;veis elevados de press&#227;o arterial, dislipidemia, baixo grau de inflama&#231;&#227;o e RI secund&#225;ria &#224; insufici&#234;ncia renal, tornando dif&#237;cil a distin&#231;&#227;o entre nefropatia e SM<sup>56,58</sup>. A RI avaliada pela utiliza&#231;&#227;o do <italic>clamp</italic> hiperinsulin&#234;mico euglic&#234;mico &#233; capaz de predizer o desenvolvimento de microalbumin&#250;ria<sup>57</sup>.</p>
    <p>Dados de estudos prospectivos nos auxiliam no entendimento dessas rela&#231;&#245;es. Uma an&#225;lise que avaliou pacientes com Diabete tipos 1 e 2 demonstrou que nos primeiros a presen&#231;a de SM foi associada ao desenvolvimento de nefropatia e de neuropatia<sup>53</sup>. Uma avalia&#231;&#227;o realizada ap&#243;s 9 anos de seguimento demonstrou que a RI estimada pela equa&#231;&#227;o GDR foi capaz de identificar pacientes que desenvolveram nefropatia, retinopatia e DCV<sup>59</sup>. A presen&#231;a de SM ou a dose de insulina inicialmente administrada n&#227;o tiveram esse poder. Os pacientes que participaram do grupo de tratamento intensivo e que apresentaram maior ganho de peso tiveram maior incid&#234;ncia de SM<sup>59</sup>. Outra avalia&#231;&#227;o prospectiva de 11 anos de seguimento em um pequeno grupo de pacientes com DM tipo 1 tamb&#233;m n&#227;o mostrou associa&#231;&#227;o entre a presen&#231;a de SM e o desenvolvimento de DCV, a SM n&#227;o adicionou valor progn&#243;stico aos j&#225; tradicionais fatores de risco de DCV<sup>52</sup>. Apenas um &#250;nico estudo observou que a presen&#231;a de SM, pelos 3 crit&#233;rios conhecidos (OMS, NCEP e IDF), foi capaz de predizer risco de DAC e doen&#231;a renal em pacientes com DM tipo 1, mas seus componentes individuais tiveram maior poder, especialmente a presen&#231;a de microalbumin&#250;ria no crit&#233;rio da OMS<sup>26</sup>.</p>
    <p>Apesar de a defici&#234;ncia insul&#237;nica ser o defeito metab&#243;lico prim&#225;rio nos pacientes com DM tipo 1, os estudos descritos aqui demonstram que a RI &#233; um achado freq&#252;ente e que, em parte, pode contribuir para as elevadas taxas de eventos vasculares nessa popula&#231;&#227;o.</p>
    <p>A administra&#231;&#227;o ex&#243;gena de insulina suficiente para atingir n&#237;veis adequados na circula&#231;&#227;o portal e manter a euglicemia produz hiperinsulinemia sist&#234;mica. Tem sido proposto que essa hiperinsulinemia seria respons&#225;vel pelo ac&#250;mulo de gordura abdominal nos pacientes com DM tipo 1<sup>60</sup>. O mecanismo proposto &#233; de que a insulina aumenta a atividade da 11&#946;-hidroxiester&#243;ide-desidrogenase, especialmente nos adip&#243;citos do omento, favorecendo o hipercortisolismo e aumentando a diferencia&#231;&#227;o das c&#233;lulas estromais a adip&#243;citos, promovendo obesidade abdominal<sup>61-63</sup>.</p>
    <p>Uma an&#225;lise realizada quatro anos ap&#243;s o encerramento do <italic>Diabetes Control and Complications Trial</italic> (DCCT) demonstrou que os pacientes submetidos ao tratamento intensivo e que apresentaram maior ganho de peso apresentavam um &#237;ndice cintura/quadril aumentado, maiores n&#237;veis de press&#227;o arterial e maior necessidade de insulina para um melhor controle metab&#243;lico quando comparados aos pacientes que n&#227;o obtiveram um ganho exagerado de peso. Estes pacientes tamb&#233;m apresentaram um perfil lip&#237;dico mais aterog&#234;nico, assim como altera&#231;&#227;o de enzimas hep&#225;ticas, o que poderia ser explicado por uma conseq&#252;&#234;ncia da SM em fun&#231;&#227;o do ganho de peso neste grupo de pacientes com DM tipo 1<sup>59</sup>.</p>
    <p>A avalia&#231;&#227;o de pacientes com DM tipo 1 classificados de acordo com seu peso corporal demonstrou que pacientes com sobrepeso possuem maior preval&#234;ncia de retinopatia e neuropatia diab&#233;ticas, por&#233;m, ap&#243;s a an&#225;lise de regress&#227;o, os maiores determinantes foram ainda controle glic&#234;mico e dura&#231;&#227;o do DM<sup>54</sup>.</p>
    <p>O uso de sensibilizador de insulina (rosiglitazona) em pacientes com DM tipo 1 com excesso de peso resulta em melhora glic&#234;mica e controle dos n&#237;veis de press&#227;o arterial, sem a necessidade de aumento da dose de insulina. Esse resultado foi mais pronunciado em pacientes com marcadores de RI, especialmente naqueles com IMC &gt;30 kg/m<sup>2 64</sup>. O uso de outro sensibilizador de insulina (metformina) em adultos e adolescentes com DM tipo 1 tamb&#233;m melhora o controle glic&#234;mico e reduz a necessidade de insulina nesses pacientes<sup>65-68</sup>.</p>
    <p>Em uma grande coorte de pacientes com DM tipo 1, os n&#237;veis de lip&#237;deos foram associados ao h&#225;bito de fumar e &#224; adiposidade abdominal, caracterizando a s&#237;ndrome de RI<sup>69</sup>.</p>
    <p>Realizamos um estudo transversal em 100 pacientes com DM tipo 1 para a avalia&#231;&#227;o da associa&#231;&#227;o de SM e presen&#231;a de CAC. Observamos uma associa&#231;&#227;o entre a presen&#231;a de CAC e SM, especialmente em pacientes do sexo feminino. A hipertens&#227;o arterial foi o fator de risco individual da SM associado &#224; presen&#231;a de CAC. Essa observa&#231;&#227;o refor&#231;a o papel da RI no paciente com DM tipo 1. A SM pode ter um impacto cl&#237;nico e repercuss&#227;o mais severa na aterosclerose de pacientes com DM tipo 1 do sexo feminino<sup>70</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Conclus&#227;o</bold>
    </p>
    <p>A DCV &#233; a principal causa de mortalidade em pacientes com DM tipo 1, assim como nos pacientes com DM tipo 2.</p>
    <p>Os marcadores de RI est&#227;o associados com complica&#231;&#245;es micro e macrovasculares em pacientes com DM tipo 1. A RI &#233; um dos pilares da SM. Em indiv&#237;duos com Diabete tipo 2 e em n&#227;o-diab&#233;ticos, a SM &#233; um importante fator de risco cardiovascular. Nos pacientes com DM tipo 1, a associa&#231;&#227;o de SM e RI com nefropatia &#233; bastante evidente, mas a SM isoladamente n&#227;o parece predizer DCV. A presen&#231;a da SM pode ter um impacto mais acentuado na aterosclerose de pacientes do sexo feminino com DM tipo 1.</p>
    <p>Os benef&#237;cios da melhora no cuidado com o DM ainda n&#227;o parecem ter reduzido a mortalidade por DCV nos pacientes com DM tipo 1. Possivelmente devemos mudar nosso olhar sobre esses pacientes; al&#233;m de perseguirmos as metas ideais de controle glic&#234;mico, press&#243;rico e lip&#237;dico, tamb&#233;m devemos intensificar os esfor&#231;os no controle de peso corporal, um fator de risco modific&#225;vel e associado com a presen&#231;a de RI.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflito de interesses pertinentes.</p>
    <p>
      <bold>Fontes de Financiamento</bold>
    </p>
    <p>O presente estudo foi parcialmente financiado por FAPERGS (Funda&#231;&#227;o de Amparo a Pesquisa do Rio Grande do Sul.</p>
    <p>
      <bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>Este artigo &#233; parte de tese de Doutorado de Ticiana da Costa Rodrigues pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.</p>
    <p>626-32.</p>
    <p>
      <fn id="back" fn-type="corresp">
        <p>Correspond&#234;ncia:</p>
        <p> Ticiana C. Rodrigues </p>
        <p> Rua Ramiro Barcelos, 2350, Pr&#233;dio 12, 4&#186; andar </p>
        <p> Servi&#231;o de Endocrinologia do Hospital de Cl&#237;nicas de Porto Alegre </p>
        <p> 90035-003 - Porto Alegre, RS, Brasil </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="ticianacr@yahoo.com.br">ticianacr@yahoo.com.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 14/04/08; revisado recebido em 20/05/08; aceito em 26/05/08</p>
  </body>
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          <article-title>Metformin reduces insulin requirement in type 1 (insulin-dependent) diabetes</article-title>
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          <article-title>The benefits of metformin therapy during continuos subcutaneous insulin infusion treatment of type 1 diabetic patients</article-title>
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          <article-title>Metformin s additional therapy in adolescents with poorly controlled type 1 diabetes: randomised placebo-controlled trial with aspects on insulin sensitivity</article-title>
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          <article-title>Metformin as an adjunct therapy in adolescents with type 1 diabetes and insulin resistance: a randomized controlled trial</article-title>
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          <article-title>Factors associated with plasma lipids and lipoproteins in type 1 diabetes mellitus: the EURODIAB IDDM Complications Study</article-title>
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            <year>2008</year>
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          <subject>Original Articles</subject>
        </subj-group>
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      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Metabolic syndrome, insulin resistance and cardiovascular disease in type-1 diabetes mellitus</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>Metabolic syndrome (MS) is a complex disorder represented by a cluster of cardiovascular risk factors related to central fat distribution and insulin resistance (IR), and is associated with early mortality in non-diabetic individuals and in patients with type-2 diabetes mellitus (DM). The presence of MS and its components has also been described in patients with type-1 DM and may contribute to the increased risk of cardiovascular disease seen in this patient population. The objective of this study was to review the available evidences of the role of MS and IR in the development of cardiovascular disease in patients with type-1 DM.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Metabolic syndrome</kwd>
        <kwd>insulin resistance</kwd>
        <kwd>cardiovascular diseases</kwd>
        <kwd>diabetes mellitus</kwd>
        <kwd>type 1</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>ORIGINAL ARTICLE</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="top-body2">
          <label>
            <bold>Metabolic syndrome, insulin resistance and cardiovascular disease in type-1 diabetes mellitus</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Ticiana C. Rodrigues<sup>I, II</sup>; Luis Henrique Canani<sup>I, II</sup>; Jorge L. Gross<sup>I, II</sup></bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p><sup>I</sup>Servi&#231;o de Endocrinologia - Hospital de Cl&#237;nicas de Porto Alegre, RS, Brazil</p>
      <p><sup>II</sup>Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brazil</p>
      <p>Mailing address</p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p>Metabolic syndrome (MS) is a complex disorder represented by a cluster of cardiovascular risk factors related to central fat distribution and insulin resistance (IR), and is associated with early mortality in non-diabetic individuals and in patients with type-2 diabetes mellitus (DM).</p>
      <p> The presence of MS and its components has also been described in patients with type-1 DM and may contribute to the increased risk of cardiovascular disease seen in this patient population.</p>
      <p> The objective of this study was to review the available evidences of the role of MS and IR in the development of cardiovascular disease in patients with type-1 DM.</p>
      <p><bold>Key- Words: </bold> Metabolic syndrome; insulin resistance; cardiovascular diseases; diabetes mellitus, type 1.</p>
      <p>
        <bold>Introduction</bold>
      </p>
      <p>Metabolic syndrome (MS) is a complex disorder represented by a cluster of cardiovascular risk factors related to central fat distribution and insulin resistance (IR)<sup>1</sup>. These risk factors include dyslipidemia, central obesity, changes in blood glucose homeostasis and hypertension. The prevalence of MS in the overall population is of approximately 24%<sup>2</sup>, reaching more than 80% among patients with type-2 diabetes mellitus (DM)<sup>3</sup>. MS is an important risk factor for early mortality in non-diabetic individuals<sup>4,5</sup> and in patients with type-2 DM<sup>4</sup>. However, the role of MS as an independent entity, associated with a higher risk for the development of cardiovascular events has been recently questioned<sup>6</sup>.</p>
      <p>The presence of MS and its components has also been described in patients with type-1 DM and may be associated with the presence of diabetic nephropathy (DN) and worse glycemic control<sup>7</sup>.</p>
      <p>Although the absolute risk of cardiovascular disease (CVD) in patients with type-1 DM is lower than that in patients with type-2 DM, it is dramatically increased when compared to that of non-diabetic individuals of a similar age<sup>8</sup>. The conventional risk factors and the presence of DN only partially explain this finding<sup>9</sup>. The hypothesis that the presence of MS in patients with type-1 DM could be a risk factor for CVD has a theoretical background. The presence of IR has been described in patients with type-1 DM<sup>9-11</sup> and may contribute to the elevated risk of CVD seen in this patient population. Studies analyzing the role of MS as a risk factor for micro and macrovascular complications are scarce and were conducted in selected populations.</p>
      <p>The objective of this study was to review the available evidences of the role of MS and IR in the development of CVD in patients with type-1 DM.</p>
      <p>
        <bold>Diagnostic Criteria of Metabolic Syndrome</bold>
      </p>
      <p>Several clinical definitions of MS have been proposed. The three most frequently used are those of the World Health Organization (WHO)<sup>12</sup>, National Cholesterol Education Program's Adults Treatment Panel III (NCEP-ATP III)<sup>13</sup> and, more recently, the International Diabetes Federation (IDF)<sup>14</sup>. The WHO definition was proposed in 1998 and recommends the assessment of IR or of glucose metabolism disorders as the starting point; it includes measurement of albuminuria and is thus more complex to evaluate. The NCEP-ATP III definition was developed for clinical use and does not require confirmation of IR. Because it is simple and easy to use, this is the definition recommended by the I Brazilian Guideline on the Diagnosis and Treatment of Metabolic Syndrome<sup>15</sup>. During the congress on MS and prediabetes held in Berlin in 2005, another definition was presented that puts central adiposity as a major component. Also, the cut-off points of waist circumference are lower than those used in the NCEP definition, and there are specific values for the different ethnic groups<sup>14,16</sup>. The criteria of the three recommendations are described in <xref ref-type="table" rid="t1-body2">Table 1</xref>.</p>
      <table-wrap id="t1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-01-0134-00020-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>
        <bold>Methods of Assessment of Insulin Resistance</bold>
      </p>
      <p>IR is believed to be the main pathogenic factor of MS<sup>17</sup>. IR is classically defined as a defect in insulin action that results in compensatory hyperinsulinemia to keep glucose levels within normal limits. An important contributing factor for IR is the presence of high serum levels of free fatty acids, resulting from increased mobilization of fat tissue tryglicerides<sup>17</sup>.</p>
      <p>The gold standard for the assessment of IR is the euglycemic hyperinsulinemic clamp technique<sup>18</sup>. In summary, this is performed via a venous access and insulin is administered with the purpose of suppressing the endogenous glucose production and increasing its physiological uptake. In order to keep blood glucose levels between 90 and 140mg/ dL, glucose is intravenously infused. Insulin sensitivity is quantified by the rate of glucose infusion required to keep blood glucose levels within the goals established<sup>18</sup>. Due to the difficulties in performing clamp studies, other forms of IR assessment were developed. For more than two decades, fasting insulin was used as a marker of insulin sensitivity in several epidemiological studies, it being assumed that fasting insulin was an IR equivalent<sup>18,19</sup>. However, fasting insulin is not able to explain more than 30% to 40% of the variation of insulin sensitivity found in the clamp technique<sup>20</sup>. A better, yet still not optimal way to estimate IR is the Homeostasis Model Assessment (HOMA-IR) developed by Matthews et al, who used a mathematical model that takes into consideration the serum glucose and insulin levels<sup>21</sup>. HOMA-IR correlates closely with the results of clamp in relation to IR<sup>21,22</sup>. However, in patients using insulin, such as type-1 DM patients, both the dosage of serum insulin and the use of HOMA are invalid, thus making another form of IR assessment necessary.</p>
      <p>Clinical markers may identify patients with IR<sup>23</sup>. In addition to the conventional clinical characteristics of hypertension, waist/hip ratio, family history of type-2 diabetes mellitus, and triglyceride and HDL cholesterol levels, poor glycemic control and total insulin dose are also associated with IR<sup>24</sup>. Based on this information, an IR assessment score named glucose disposal rate (GDR) was developed and validated, using the euglycemic hyperinsulinemic clamp technique (60 mU. m<sup>-2</sup>.min<sup>-1</sup>)<sup>24</sup> in a group of patients with type-1 DM. This assessment gave rise to the following equation:</p>
      <p>GDR (mg.kg<sup>-1</sup>.min<sup>-1</sup>) = 24.31 - 12.22 x (waist/hip ratio) - 3.29 x (presence of hypertension) - 0.57 x (HbA1), where presence of hypertension = 1 and absence of hypertension = 0.</p>
      <p>This equation was modified for the use of Hb<sub>A1c</sub> in place of HbA1 (7), and is currently described as follows:</p>
      <p>GDR (mg.kg<sup>-1</sup>.min<sup>-1</sup>) = 24.4 - 12.97 x (waist/hip ratio) - 3.39 x (presence of hypertension) - 0.60 x (Hb<sub>A1c</sub>).</p>
      <p>Several studies have used this equation as a method of IR assessment in patients with type-1 DM<sup>7,9,25,26</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Cardiovascular Disease in Patients with Type-1 Diabetes Mellitus</bold>
      </p>
      <p>Atherosclerotic CVD, especially coronary artery disease (CAD), is the major cause of mortality and morbidity in patients with DM<sup>27</sup>. A higher occurrence of mortality from CAD in patients with type-1 DM has already been reported since the 1970's<sup>28</sup>. Krolewski et al demonstrated that at 55 years of age the cumulative mortality rate in this population was 30%-40% in comparison with a 4%-8% mortality rate in non-diabetic patients described in the Framingham study<sup>29</sup>. Data from the Wisconsin Epidemiologic Study of Diabetic Retinopathy (WESDR) show a risk of CAD mortality of 9.1 for men and 13.5 for women, in patients diagnosed with diabetes before the age of 30 years in relation to the general population in an 8-year follow-up period<sup>30</sup>. Recently, a prospective study that followed-up a cohort of more than seven thousand patients with type-1 DM for seven years demonstrated that the relative risk of cardiovascular events was 3.6 (95% CI 2.9-4.5) for men and 7.7 (95% CI 5.5-10.7) for women in comparison with non-diabetic individuals<sup>31</sup>. That study also estimated at 5% the risk of fatal CVD in the next 10 years for a 50-year-old diabetic individual, which corresponds to 10 to 15 years before the same risk is present in the non-diabetic population. The follow-up of 23,751 patients with DM diagnosed before 30 years of age and treated with insulin showed mortality rates similar to those previously described, and demonstrated that other CVD forms such as hypertension, heart valve disease, cardiomyopathy, heart failure and stroke are also frequent among this population of patients<sup>32</sup>. Pathological studies and intravascular ultrasonography demonstrated atheromatosis and abnormalities in the coronary wall consistent with early CAD in patients with type-1 DM<sup>33,34</sup>.</p>
      <p>Although the association of early CVD in patients with type-1 DM has been known for a long time, the underlying pathogenesis is still not fully understood. Hyperglycemia is, a priori, the most important factor accounting for the high incidence of CVD<sup>35</sup>. However, despite recent evidence that a better glycemic control has been associated with reduction of CVD<sup>36</sup>, the literature is conflicting as to the association of CVD and glycemia in patients with type-1 DM. While some studies state that the glycemic control after adjustment for the conventional risk factors for CVD is not significantly associated with cardiovascular events<sup>9,37-39</sup>, others point to a positive association<sup>36,40-42</sup>. A recent meta-analysis of clinical trials showed that an improved glycemic control reduced the incidence of CVD in patients with type-1 and 2 diabetes<sup>41</sup>. The beneficial effect of the intensive glycemic control for six years on cardiovascular endpoints was confirmed after an 11-year follow-up of patients with type-1 DM<sup>42</sup>. More recently, an analysis after a 16-year follow-up showed that the positive variation of glycosylated hemoglobin was strongly associated with CVD and CAD, and that the discrepancies found in the results of previous studies may in part be the result of different prevalence rates of renal disease<sup>36</sup>.</p>
      <p>European guidelines do not consider patients with type-1 DM as being at high risk, unless microalbuminuria is present<sup>43</sup>. A recent study evaluating a group of patients with long-standing type-1 DM and without symptoms of cardiovascular disease showed an association of atherosclerotic disease in the coronary arteries, but not in the aorta, with diabetic nephropathy<sup>44</sup>. Patients with type-1 DM and diminished renal function often develop extensive atherosclerosis<sup>45</sup>.</p>
      <p>The high risk of CVD observed in female patients with type-1 DM is not explained by the conventional risk factors for CVD<sup>46</sup>, and the underlying mechanisms are still not fully understood.</p>
      <p>A prospective study evaluating the risk factors associated with the development of CVD showed that nephropathy (especially in men), hypertension, smoking, dyslipidemia, depressive symptoms, and IR were all related to CV endpoints in patients with type-1 DM<sup>9</sup>. Glycemic control was not associated with cardiovascular events, but maintained a close relation to microvascular disease.</p>
      <p>The presence of coronary artery calcification (CAC) has an excellent correlation (r &gt; 0.9) with coronary atherosclerosis, and is useful as a measurement of extent of atherosclerosis<sup>47</sup>. The presence of CAC predicts cardiovascular events, especially in asymptomatic individuals<sup>48</sup>. Patients with type-1 DM have more CAC in comparison with non-diabetic individuals<sup>49,50</sup>, which favors the hypothesis of accelerated atherosclerosis in these patients. The presence of CAC in this group of patients was associated with clinical disease and the presence of risk factors for CVD<sup>51</sup>. The evaluation of studies including patients with type-1 DM and CAC showed that the presence of any amount of calcium increases the risk of CVD<sup>35</sup>. Previous studies have confirmed the higher risk of CAD in women with type-1 DM<sup>31,49</sup>. The evaluation of a group of patients with type-1 DM showed that the presence of CAC in women may be due to the higher incidence of IR observed in this group of patients, especially associated with body fat distribution<sup>49</sup>.</p>
      <p>
        <bold>The Impact of the Metabolic Syndrome and Insulin Resistance on Type-1 Diabetes Mellitus</bold>
      </p>
      <p>The first study that evaluated patients with type-1 DM and presence of MS showed a prevalence of 38% in men and 40% in women<sup>7</sup>. In patients without renal disease, in those with microalbuminuria, those with macroalbuminuria, and in patients with end-stage renal disease the prevalence of MS observed was 28%, 44%, 62%, and 68%, respectively<sup>7</sup>. Also, the worse the glycemic control of these patients, the higher the frequency of MS. All the components of the syndrome were individually associated with DN. More recently, the prevalence of MS in patients with type-1 DM has had a more wide variation, from 12.5% to 42%<sup>26,31,52</sup>. These variations may be explained by different levels of IR and age range between the populations studied.</p>
      <p>MS and IR are characteristic of type-2 DM. The presence of MS according to the WHO criteria is associated with the presence of micro and macrovascular complications in patients with type-2 DM<sup>3,53</sup>. In patients with type-1 DM this association requires further understanding, but in relation to IR it seems to be similar, since IR was associated with the presence of diabetic retinopathy (DR)<sup>54</sup>, DN<sup>53,55-57</sup>, and CVD<sup>25</sup>.</p>
      <p>Patients with type-1 DM and microalbuminuria with mild reduction in the glomerular filtration rate (GFR) have a higher degree of IR in comparison with patients with microalbuminuria without reduction in GRF and patients without nephropathy<sup>56</sup>. However, patients with nephropathy have high levels of blood pressure, dyslipidemia, low degree of inflammation and IR secondary to renal failure, which makes the distinction between nephropathy and MS difficult<sup>56,58</sup>. IR as assessed by euglycemic hyperinsulinemic clamp is predictive of the development of microalbuminuria<sup>57</sup>.</p>
      <p>Data from prospective studies help us understand these relationships. An analysis of patients with type-1 and 2 diabetes demonstrated that in the first ones the presence of MS was associated with the development of nephropathy and neuropathy<sup>53</sup>. An evaluation carried out after nine years of follow-up demonstrated that IR as estimated by the GDR equation enabled the identification of patients who developed nephropathy, retinopathy and CVD<sup>59</sup>, differently from the presence of MS or the insulin dose initially administered. The patients who participated in the intensive treatment group and had greater weight gain had a higher incidence of MS<sup>59</sup>. Another prospective analysis of an 11-year follow-up in a small group of patients with type-1 DM did not show association between the presence of MS and development of CVD either, and MS did not add prognostic value to the conventional CVD risk factors<sup>52</sup>. Only one study showed that the presence of MS according to the three known criteria (WHO, NCEP and IDF) was predictive of the risk of CAD and renal disease in patients with type-1 DM; however, its individual components had a higher power, especially the presence of microalbuminuria in the WHO criterion<sup>26</sup>.</p>
      <p>Although insulin deficiency is the primary metabolic defect in patients with type-1 DM, the studies described above show that IR is a frequent finding and can partly contribute to the high rates of vascular events in this population.</p>
      <p>Exogenous insulin administration enough to reach adequate levels in the portal circulation and keep euglycemia leads to systemic hyperinsulinemia. This hyperinsulinemia has been proposed to account for the abdominal fat accumulation in patients with type-1 DM<sup>60</sup>. The mechanism proposed is that insulin increases the activity of 11&#946;-hydroxysteroid-dehydrogenase, especially in the omental adipocytes, thus favoring hypercortisolism and increasing the differentiation of stromal cells into adipocytes, and promoting abdominal obesity<sup>61-63</sup>.</p>
      <p>An analysis carried out four years after the conclusion of the Diabetes and Complications Trial (DCCT) demonstrated that patients that underwent intensive treatment and who presented greater weight gain had increased waist-hip ratio, higher blood pressure levels and higher insulin requirements for a better metabolic control when compared with patients who did not have an exaggerated weight gain. These patients also presented a more atherogenic lipid profile, as well as liver enzyme abnormalities, which could be explained as a consequence of MS in function of the weight gain in this group of patients with type-1 DM<sup>59</sup>.</p>
      <p>The evaluation of patients with type-1 DM classified according to their body weight demonstrated that overweight patients have a higher prevalence of diabetic retinopathy and neuropathy; however, after regression analysis, the major determinants were still glycemic control and duration of DM<sup>54</sup>.</p>
      <p>The use of insulin sensitizer (rosiglitazone) in overweight patients with type-1 DM results in improved glycemia and control of blood pressure levels without an increase in insulin requirements. This result was more pronounced in patients with IR markers, especially among those with BMI &gt; 30 kg/m<sup>2 64</sup>. The use of another insulin sensitizer (metformin) in adults and adolescents with type-1 DM also improves the glycemic control and reduces insulin requirements in these patients<sup>65-68</sup>.</p>
      <p>In a large cohort of patients with type-1 DM, lipid levels were associated with smoking and abdominal adiposity, thus characterizing the IR syndrome<sup>69</sup>.</p>
      <p>We conducted a cross-sectional study in 100 patients with type-1 DM to evaluate the association of MS and presence of CAC. We observed an association between the presence of CAC and MS, especially in female patients. Hypertension was the individual risk factor of MS associated with the presence of CAC. This finding underscores the role of IR in patients with type-1 DM. MS may have a clinical impact and more severe consequences on atherosclerosis of female patients with type-1 DM<sup>70</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Conclusion</bold>
      </p>
      <p>CVD is the major cause of mortality in patients with type-1 DM, as well as in patients with type-2 DM.</p>
      <p>Markers of IR are associated with micro and macrovascular complications in patients with type-1 DM. IR is one of the landmarks of MS. In type-2 diabetic and non-diabetic individuals, MS is an important cardiovascular risk factor. In patients with type-1 DM, the association of MS and IR with nephropathy is quite evident, but MS alone does not seem to predict CVD. The presence of MS may have a greater impact on atherosclerosis of female patients with type-1 DM.</p>
      <p>The benefits of the improvement in DM care seem not to have reduced CVD mortality in patients with type-1 DM yet. We should probably change the way we look at these patients: in addition to pursuing optimal goals of glycemic, pressure, and lipid control, we should also increase our efforts in the control of body weight, a modifiable risk factor that is associated with the presence of IR.</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>Sources of Funding</bold>
      </p>
      <p>This study was funded by FAPERGS (Funda&#231;&#227;o de Amparo a Pesquisa do Rio Grande do Sul.</p>
      <p>
        <bold>Study Association</bold>
      </p>
      <p>This article is part of the thesis of Doctoral submitted by Ticiana da Costa Rodrigues, from Universidade Federal do Rio Grande do Sul.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
      <p>626-32.</p>
    </body>
  </sub-article>
  <sub-article article-type="translation" id="TRes" xml:lang="es">
    <front-stub>
      <article-categories/>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="es">S&#237;ndrome metab&#243;lico, resistencia a la acci&#243;n de la insulina y enfermedad cardiovascular en la diabetes mellitus tipo 1</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="es">
        <p>El s&#237;ndrome metab&#243;lico (SM) es un trastorno complejo representado por un conjunto de factores de riesgo cardiovasculares relacionados al dep&#243;sito central de grasa y a la resistencia a la acci&#243;n de la insulina (RI), y se asocia a mortalidad precoz en individuos no diab&#233;ticos y en pacientes con diabetes mellitus (DM) tipo 2. La presencia del SM y sus componentes viene siendo descripta tambi&#233;n en pacientes con DM tipo 1 y puede contribuir al elevado riesgo de enfermedad cardiovascular observado en esta poblaci&#243;n de pacientes. El objetivo de este trabajo fue revisar las evidencias disponibles sobre el papel del SM y de la RI en el desarrollo de la enfermedad cardiovascular en los pacientes con DM tipo 1.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="es">
        <kwd>S&#237;ndrome metab&#243;lico</kwd>
        <kwd>resistencia a la insulina</kwd>
        <kwd>enfermedades cardiovasculares</kwd>
        <kwd>diabetes mellitus tipo 1</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>ART&#205;CULO DE REVISI&#211;N</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="top-body3">
          <label>
            <bold>S&#237;ndrome metab&#243;lico, resistencia a la acci&#243;n de la insulina y enfermedad cardiovascular en la diabetes mellitus tipo 1</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Ticiana C. Rodrigues<sup>I, II</sup>; Luis Henrique Canani<sup>I, II</sup>; Jorge L. Gross<sup>I, II</sup></bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p><sup>I</sup>Servi&#231;o de Endocrinologia - Hospital de Cl&#237;nicas de Porto Alegre, RS - Brasil</p>
      <p><sup>II</sup>Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS - Brasil</p>
      <p>Correspondencia</p>
      <p>
        <bold>RESUMEN</bold>
      </p>
      <p>El s&#237;ndrome metab&#243;lico (SM) es un trastorno complejo representado por un conjunto de factores de riesgo cardiovasculares relacionados al dep&#243;sito central de grasa y a la resistencia a la acci&#243;n de la insulina (RI), y se asocia a mortalidad precoz en individuos no diab&#233;ticos y en pacientes con diabetes mellitus (DM) tipo 2.</p>
      <p> La presencia del SM y sus componentes viene siendo descripta tambi&#233;n en pacientes con DM tipo 1 y puede contribuir al elevado riesgo de enfermedad cardiovascular observado en esta poblaci&#243;n de pacientes.</p>
      <p> El objetivo de este trabajo fue revisar las evidencias disponibles sobre el papel del SM y de la RI en el desarrollo de la enfermedad cardiovascular en los pacientes con DM tipo 1.</p>
      <p><bold>Palabras clave: </bold> S&#237;ndrome metab&#243;lico, resistencia a la insulina, enfermedades cardiovasculares, diabetes mellitus tipo 1.</p>
      <p>
        <bold>Introducci&#243;n</bold>
      </p>
      <p>El s&#237;ndrome metab&#243;lico (SM) es un trastorno complejo representado por un conjunto de factores de riesgo cardiovasculares relacionados al dep&#243;sito central de grasa y a la resistencia a la acci&#243;n de la insulina (RI)<sup>1</sup>. Entre estos factores de riesgo, se incluyen la dislipidemia, la obesidad centr&#237;peta, la alteraci&#243;n en la homeostasis gluc&#233;mica y la hipertensi&#243;n arterial sist&#233;mica. La prevalencia de SM en la poblaci&#243;n en general es de aproximadamente el 24%<sup>2</sup>, llegando a m&#225;s del 80% entre los pacientes con diabetes mellitus (DM) tipo 2<sup>3</sup>. El SM es un importante factor de riesgo de mortalidad precoz en individuos no diab&#233;ticos<sup>4,5</sup> y en pacientes con DM tipo 2<sup>4</sup>. Sin embargo, se ha cuestionado recientemente el papel del SM como entidad independiente y asociada a un mayor riesgo de desarrollo de eventos cardiovasculares<sup>6</sup>.</p>
      <p>La presencia del SM y sus componentes est&#225; siendo descrita tambi&#233;n en pacientes con DM tipo 1 y puede estar asociada a la presencia de nefropat&#237;a diab&#233;tica (ND) y al deterioro del control de la glucemia<sup>7</sup>.</p>
      <p>A&#250;n cuando el riesgo absoluto de enfermedad cardiovascular (ECV) en pacientes con DM tipo 1 sea menor que en los pacientes con DM tipo 2, est&#225; dr&#225;sticamente elevado si se compara con los individuos no diab&#233;ticos de la misma edad<sup>8</sup>. Los factores de riesgo cl&#225;sicos y la presencia de ND explican s&#243;lo parcialmente esta observaci&#243;n<sup>9</sup>. La hip&#243;tesis de que la presencia del SM en pacientes con DM tipo 1 podr&#237;a constituirse en un factor de riesgo para ECV presenta un fundamento te&#243;rico. Se viene describiendo la presencia de RI en pacientes con DM tipo 1<sup>9-11</sup> y puede contribuir al elevado riesgo de ECV observado en esa poblaci&#243;n de pacientes. Los estudios que analizaron el papel del SM como factor de riesgo para las complicaciones micro y macrovasculares son escasos y fueron llevados a cabo en poblaciones seleccionadas.</p>
      <p>El objetivo de este trabajo fue revisar las evidencias disponibles del papel del SM y de la RI en el desarrollo de ECV en pacientes con DM tipo 1.</p>
      <p>
        <bold>Criterios diagn&#243;sticos del s&#237;ndrome metab&#243;lico</bold>
      </p>
      <p>Existen varias propuestas de definici&#243;n cl&#237;nica de SM. Tres son las m&#225;s utilizadas: Organizaci&#243;n Mundial de la Salud (OMS)<sup>12</sup>, <italic>National Cholesterol Education Program&#180;s Adults Treatment Panel III</italic> (NCEP-ATP III)<sup>13</sup> y, m&#225;s recientemente, la International <italic>Diabetes Federation</italic> (IDF)<sup>14</sup>. La definici&#243;n de la OMS fue propuesta en 1998 y preconiza como punto de partida la evaluaci&#243;n de la RI o del trastorno del metabolismo de la glucosa e incluye la medici&#243;n de la albuminuria y por eso es m&#225;s compleja su evaluaci&#243;n. La definici&#243;n del NCEP-ATP III fue desarrollada para uso cl&#237;nico y no exige la comprobaci&#243;n de RI. Por su simplicidad y practicidad, &#233;sta es la definici&#243;n recomendada por la I Directriz Brasile&#241;a de Diagn&#243;stico y Tratamiento del S&#237;ndrome Metab&#243;lico<sup>15</sup>. Durante la convenci&#243;n sobre SM y prediabetes, realizada en Berl&#237;n en el a&#241;o 2005, se present&#243; otra definici&#243;n que se&#241;ala la adiposidad central como componente principal. Adem&#225;s, los puntos de corte de circunferencia de cintura son m&#225;s bajos que en la definici&#243;n del NCEP, y hay valores espec&#237;ficos para los diferentes grupos &#233;tnicos<sup>14,16</sup>. Los criterios de las tres propuestas est&#225;n descritos en la <xref ref-type="table" rid="t1-body3">Tabla 1</xref>.</p>
      <table-wrap id="t1-body3">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-94-01-0134-00020-gt01-es.jpg"/></table-wrap>
      <p>
        <bold>M&#233;todos de evaluaci&#243;n de resistencia a la acci&#243;n de la insulina</bold>
      </p>
      <p>Se cree que la RI es el principal factor patog&#233;nico del SM<sup>17</sup>. Tradicionalmente, el concepto de RI se define como un defecto en la acci&#243;n de la insulina que resulta en una hiperinsulinemia compensatoria, para mantener los niveles de glucemia dentro de la normalidad. Un importante factor que contribuye a la RI es la presencia de niveles s&#233;ricos elevados de &#225;cidos grasos libres, provenientes del aumento de la movilizaci&#243;n de triglic&#233;ridos del tejido adiposo<sup>17</sup>.</p>
      <p>El patr&#243;n-oro para la evaluaci&#243;n de la RI es el estudio de <italic>clamp</italic> hiperinsulin&#233;mico eugluc&#233;mico<sup>18</sup>. De forma simplificada, &#233;ste se realiza a trav&#233;s de un acceso venoso con administraci&#243;n de insulina, con el objetivo de suprimir la producci&#243;n end&#243;gena de glucosa y aumentar su captaci&#243;n fisiol&#243;gica. Para mantener el nivel de la glucemia entre 90 y 140 mg/dl, est&#225; la infusi&#243;n de glucosa intravenosa. La sensibilidad a la acci&#243;n de la insulina se cuantifica mediante la tasa de infusi&#243;n de glucosa necesaria para mantener los niveles gluc&#233;micos dentro de las metas establecidas<sup>18</sup>. En raz&#243;n de la dificultad de ejecuci&#243;n de los estudios de clampeo, se desarrollaron otras formas de evaluaci&#243;n de la RI. Durante m&#225;s de dos d&#233;cadas, la insulina de ayuno se utiliz&#243; como marcador de sensibilidad insul&#237;nica en varios estudios epidemiol&#243;gicos, asumiendo que la insulina de ayuno ser&#237;a un equivalente de RI<sup>18,19</sup>. Sin embargo, la insulina de ayuno no puede explicar m&#225;s del 30% al 40% de la variaci&#243;n de sensibilidad insul&#237;nica encontrada en el clampeo<sup>20</sup>. Un m&#233;todo mejor, - aunque a&#250;n no ideal -, de estimar la RI, es el Homeostasis Model Assessment (HOMA-IR) desarrollado por Matthews et al<sup>21</sup>, utilizando un modelo matem&#225;tico que toma en consideraci&#243;n los niveles de glucemia y de insulina s&#233;ricos. El HOMA-IR posee una correlaci&#243;n estrecha con los resultados del clampeo en relaci&#243;n con la RI<sup>21,22</sup>. Sin embargo, en pacientes que utilizan insulina, como en los pacientes con DM tipo 1, tanto la dosis de insulina s&#233;rica como la utilizaci&#243;n del HOMA son inv&#225;lidas, haci&#233;ndose necesaria otra forma de evaluaci&#243;n de la RI.</p>
      <p>Los marcadores cl&#237;nicos pueden identificar a pacientes con RI<sup>23</sup>. Adem&#225;s de las tradicionales caracter&#237;sticas cl&#237;nicas de hipertensi&#243;n arterial, relaci&#243;n cintura/cadera, historia familiar de DM tipo 2, niveles de triglic&#233;ridos y HDL colesterol, tambi&#233;n el mal control de la glucemia y la dosis total de insulina est&#225;n asociados a la RI<sup>24</sup>. A partir de estas informaciones, fue desarrollado y validado un escore de evaluaci&#243;n de RI, denominado <italic>glucose disposal rate</italic> (GDR), utilizando la t&#233;cnica de <italic>clamp</italic> hiperinsulin&#233;mico eugluc&#233;mico (60 mU. m<sup>-2</sup>.min<sup>-1</sup>)<sup>24</sup> en un grupo de pacientes con DM tipo 1. Esa evaluaci&#243;n dio origen a la siguiente ecuaci&#243;n:</p>
      <p>GDR (mg.kg<sup>-1</sup>.min<sup>-1</sup>) = 24,31 - 12,22 x (relaci&#243;n cintura/cadera) - 3,29 x (presencia de hipertensi&#243;n arterial) - 0,57 x (HbA1)</p>
      <p>Presencia de hipertensi&#243;n arterial = 1 y ausencia = 0. Esta ecuaci&#243;n fue modificada para la utilizaci&#243;n de Hb<sub>A1c</sub> en el lugar de HbA1 (7), y tiene actualmente la siguiente descripci&#243;n:</p>
      <p>GDR (mg.kg<sup>-1</sup>.min<sup>-1</sup>) = 24,4 - 12,97 x (raz&#243;n cintura/cadera) - 3,39 x (presencia de hipertensi&#243;n arterial) - 0,60 x (Hb<sub>A1c</sub>).</p>
      <p>Diversos estudios vienen utilizando esta ecuaci&#243;n como m&#233;todo de evaluaci&#243;n de RI en pacientes con DM tipo 1<sup>7,9,25,26</sup>.</p>
      <p>
        <bold>La enfermedad cardiovascular en el paciente con diabetes mellitus tipo 1</bold>
      </p>
      <p>La ECV ateroscler&#243;tica, especialmente la enfermedad arterial coronaria (EAC), es la principal causa de mortalidad y morbilidad en el paciente con DM<sup>27</sup>. La mayor ocurrencia de mortalidad por EAC en pacientes con DM tipo 1 ya ha sido relatada desde la d&#233;cada de 1970<sup>28</sup>. Krolewski et al<sup>29</sup> demostraron que a los 55 a&#241;os la tasa de mortalidad acumulativa en esta poblaci&#243;n era del 30%-40%, comparada a la mortalidad del 4%-8% en pacientes no diab&#233;ticos descrita en el estudio Framingham. Datos del <italic>Wisconsin Epidemiologic Study of Diabetic Retinopathy</italic> (WESDR) refieren un riesgo de mortalidad por EAC del 9,1 para hombres y del 13,5 para mujeres, en pacientes con diagn&#243;stico de diabetes antes de los 30 a&#241;os de edad en relaci&#243;n con la poblaci&#243;n general en el per&#237;odo de 8 a&#241;os de seguimiento<sup>30</sup>. Recientemente, un estudio prospectivo que acompa&#241;&#243; una cohorte de m&#225;s de siete mil pacientes con DM tipo 1 con 7 a&#241;os de seguimiento demostr&#243; que el riesgo relativo de eventos cardiovasculares fue del 3,6 (95% IC 2,9-4,5) para hombres y del 7,7 (95% IC 5,5-10,7) para mujeres, si se comparaba con individuos no diab&#233;ticos<sup>31</sup>. Ese mismo estudio estim&#243; en un 5% el riesgo de ECV fatal en los pr&#243;ximos 10 a&#241;os para un individuo diab&#233;tico con 50 a&#241;os de edad, lo que corresponde a 10 a 15 a&#241;os antes de que el mismo riesgo se haga presente en la poblaci&#243;n no diab&#233;tica. El seguimiento de 23.751 pacientes con DM diagnosticada antes de los 30 a&#241;os de edad y tratados con insulina mostr&#243; tasas de mortalidad semejantes a las descritas previamente y evidenci&#243; que otras formas de ECV, como hipertensi&#243;n arterial, enfermedad valvular, miocardiopat&#237;a, insuficiencia cardiaca y accidente cerebrovascular, tambi&#233;n est&#225;n elevadas en esta poblaci&#243;n de pacientes<sup>32</sup>. Estudios anatomopatol&#243;gicos y de ultrasonograf&#237;a endovascular demostraron ateromatosis y anormalidades en la pared coronaria consistentes con EAC precoz en pacientes con DM tipo 1<sup>33,34</sup>.</p>
      <p>A&#250;n cuando la asociaci&#243;n de ECV precoz en pacientes con DM tipo 1 sea conocida desde hace mucho tiempo, todav&#237;a no est&#225; completamente entendida la patog&#233;nesis involucrada. La hiperglucemia es, <italic>a priori</italic>, el factor m&#225;s importante responsable por la elevada incidencia de ECV<sup>35</sup>. Sin embargo, a pesar de existir evidencia reciente de que el mejor control de la glucemia se ha asociado a la reducci&#243;n de ECV<sup>36</sup>, la literatura es contradictoria en la asociaci&#243;n de ECV y glucemia en pacientes con DM tipo 1. Mientras algunos estudios afirman que el control de la glucemia, tras el ajuste por los factores de riesgo tradicionales de ECV, no est&#225; significativamente asociado a eventos cardiovasculares<sup>9,37-39</sup>, otros estudios apuntan a una asociaci&#243;n positiva<sup>36,40-42</sup>. Un metaan&#225;lisis reciente de ensayos cl&#237;nicos mostr&#243; que el mejor control de glucemia redujo la incidencia de ECV en pacientes con diabetes tipo 1 y 2<sup>41</sup>. El efecto ben&#233;fico del control intensivo de la glucemia durante 6 a&#241;os en los eventos cardiovasculares fue confirmado tras 11 a&#241;os de seguimiento en pacientes con DM tipo 1<sup>42</sup>. M&#225;s recientemente, un an&#225;lisis, tras 16 a&#241;os de seguimiento, mostr&#243; que la variaci&#243;n positiva de hemoglobina glucosilada se asoci&#243; fuertemente a la ECV y a la EAC y que, parte de las discrepancias en los resultados de los estudios anteriores pueden ser consecuencia de las diferencias en la prevalencia de enfermedad renal<sup>36</sup>.</p>
      <p>Las recomendaciones europeas no consideran al paciente con DM tipo 1 como de alto riesgo, a menos que exista microalbuminuria<sup>43</sup>. Un estudio reciente, que evalu&#243; un grupo de pacientes con DM tipo 1 con enfermedad de larga data y sin s&#237;ntomas cardiovasculares, observ&#243; una asociaci&#243;n de enfermedad ateroscler&#243;tica en las coronarias, pero no en la aorta, con la nefropat&#237;a diab&#233;tica<sup>44</sup>. Pacientes con DM tipo 1 y p&#233;rdida de funci&#243;n renal generalmente desarrollan enfermedad ateroscler&#243;tica generalizada<sup>45</sup>.</p>
      <p>El elevado riesgo de ECV observado en pacientes de sexo femenino con DM tipo 1 no se explica por los factores de riesgo de ECV tradicionales<sup>46</sup>, y a&#250;n no se conocen completamente los mecanismos comprometidos.</p>
      <p>Un estudio prospectivo que evalu&#243; los factores de riesgo asociados al desarrollo de ECV observ&#243; que nefropat&#237;a (especialmente en hombres), hipertensi&#243;n, tabaquismo, dislipidemia, s&#237;ntomas depresivos y RI se relacionaron todos a eventos CV en pacientes con DM tipo 1<sup>9</sup>. El control de la glucemia no se asoci&#243; con eventos cardiovasculares, pero mantuvo su relaci&#243;n estrecha con la enfermedad microvascular.</p>
      <p>La presencia de calcificaciones en arterias coronarias (CAC) tiene una excelente correlaci&#243;n (r &gt;0,9) con la aterosclerosis coronaria, y es &#250;til como marcador de la extensi&#243;n de la aterosclerosis<sup>47</sup>. La presencia de CAC es predictora de eventos cardiovasculares, especialmente en individuos asintom&#225;ticos<sup>48</sup>. Pacientes con DM tipo 1 poseen mayor cantidad de CAC en comparaci&#243;n con individuos no diab&#233;ticos<sup>49,50</sup>, lo que favorece la hip&#243;tesis de aterosclerosis acelerada en estos pacientes. La presencia de CAC en este grupo de pacientes fue asociada a la enfermedad cl&#237;nica y a la presencia de factores de riesgo de ECV<sup>51</sup>. La evaluaci&#243;n de estudios con la presencia de CAC en pacientes con DM tipo 1 mostr&#243; que la presencia de cualquier cantidad de calcio aumenta el riesgo de ECV<sup>35</sup>. Estudios previos est&#225;n confirmando el mayor riesgo de EAC en mujeres con DM tipo 1<sup>31,49</sup>. La evaluaci&#243;n de un grupo de pacientes con DM tipo 1 mostr&#243; que la presencia de CAC en las mujeres puede deberse a la mayor RI observada en este grupo de pacientes, especialmente asociada a la distribuci&#243;n de grasa corporal<sup>49</sup>.</p>
      <p>
        <bold>El impacto del s&#237;ndrome metab&#243;lico y de la resistencia a la acci&#243;n de la insulina en la diabetes mellitus tipo 1</bold>
      </p>
      <p>El primer estudio que evalu&#243; a pacientes con DM tipo 1 y la presencia de SM observ&#243; una prevalencia del 38% en hombres y del 40% en mujeres<sup>7</sup>. En los pacientes sin enfermedad renal, en los microalbumin&#250;ricos, en los macroalbumin&#250;ricos y en los pacientes con enfermedad renal terminal, la prevalencia de SM observada fue del 28%, 44%, 62% y 68%, respectivamente<sup>7</sup>. La frecuencia de SM tambi&#233;n fue mayor cuanto peor era el control de la glucemia de esos pacientes. Todos los componentes del s&#237;ndrome se asociaron separadamente a la ND. M&#225;s recientemente, la prevalencia del SM en pacientes con DM tipo 1 fue desigual, con variaciones entre el 12,5% y el 42%<sup>26,31,52</sup>. Estas variaciones pueden explicarse por diferentes niveles de RI y de intervalo de edad entre las poblaciones estudiadas.</p>
      <p>El SM y la RI son caracter&#237;sticas de la DM tipo 2. La presencia de SM seg&#250;n los criterios da OMS est&#225; asociada a la presencia de complicaciones micro y macrovasculares en pacientes con DM tipo 2<sup>3,53</sup>. En pacientes con DM tipo 1 es necesario entender mejor esa asociaci&#243;n, pero con relaci&#243;n a la RI parece ser semejante, siempre que se asoci&#243; la RI a la presencia de retinopat&#237;a diab&#233;tica (RD)<sup>54</sup>, ND<sup>53,55-57</sup> y ECV<sup>25</sup>.</p>
      <p>Pacientes con DM tipo 1 y microalbuminuria con discreta reducci&#243;n de la tasa de filtrado glomerular (TFG) poseen mayor grado de RI, si se comparan a pacientes con microalbuminuria sin reducci&#243;n de la TFG y pacientes sin nefropat&#237;a<sup>56</sup>. Sin embargo, pacientes con nefropat&#237;a poseen niveles elevados de presi&#243;n arterial, dislipidemia, bajo grado de inflamaci&#243;n y RI secundaria a la insuficiencia renal, tornando dif&#237;cil la distinci&#243;n entre nefropat&#237;a y SM<sup>56,58</sup>. La RI evaluada mediante utilizaci&#243;n del <italic>clamp</italic> hiperinsulin&#233;mico eugluc&#233;mico es capaz de predecir el desarrollo de microalbuminuria<sup>57</sup>.</p>
      <p>Datos de estudios prospectivos nos ayudan en la comprensi&#243;n de esas relaciones. Un an&#225;lisis que evalu&#243; pacientes con diabetes tipo 1 y tipo 2 demostr&#243; que, en los primeros, la presencia de SM se asoci&#243; al desarrollo de nefropat&#237;a y de neuropat&#237;a<sup>53</sup>. Una evaluaci&#243;n realizada tras 9 a&#241;os de seguimiento demostr&#243; que la RI estimada mediante la ecuaci&#243;n GDR fue capaz de identificar pacientes que desarrollaron nefropat&#237;a, retinopat&#237;a y ECV<sup>59</sup>. La presencia de SM o la dosis de insulina inicialmente administrada no tuvieron ese poder. Los pacientes que participaron del grupo de tratamiento intensivo y que presentaron mayor aumento de peso tuvieron mayor incidencia de SM<sup>59</sup>. Otra evaluaci&#243;n prospectiva de 11 a&#241;os de seguimiento en un peque&#241;o grupo de pacientes con DM tipo 1 tampoco mostr&#243; asociaci&#243;n entre la presencia de SM y el desarrollo de ECV, el SM no agreg&#243; valor pron&#243;stico a los ya tradicionales factores de riesgo de ECV<sup>52</sup>. Apenas un &#250;nico estudio observ&#243; que la presencia de SM, por los 3 criterios conocidos (OMS, NCEP y IDF), fue capaz de predecir riesgo de EAC y enfermedad renal en pacientes con DM tipo 1, pero sus componentes individuales tuvieron mayor poder, especialmente la presencia de microalbuminuria en el criterio de la OMS<sup>26</sup>.</p>
      <p>A pesar de ser la deficiencia insul&#237;nica el defecto metab&#243;lico primario en los pacientes con DM tipo 1, los estudios descritos aqu&#237; demuestran que la RI es un hallazgo frecuente y que, en parte, puede contribuir a los elevados &#237;ndices de eventos vasculares en esta poblaci&#243;n.</p>
      <p>La administraci&#243;n ex&#243;gena de insulina, suficiente para alcanzar niveles adecuados en la circulaci&#243;n portal y mantener la euglucemia, produce hiperinsulinemia sist&#233;mica. Se viene proponiendo que esa hiperinsulinemia puede ser responsable de la acumulaci&#243;n de grasa abdominal en los pacientes con DM tipo 1<sup>60</sup>. El mecanismo propuesto es que la insulina aumenta la actividad de la 11&#946;-hidroxiesteroide-deshidrogenasa, especialmente en los adipocitos del epipl&#243;n, favoreciendo el hipercortisolismo y aumentando la diferenciaci&#243;n de las c&#233;lulas estromales hacia adipocitos, promoviendo obesidad abdominal<sup>61-63</sup>.</p>
      <p>Un an&#225;lisis realizado cuatro a&#241;os despu&#233;s de la finalizaci&#243;n del <italic>Diabetes Control and Complications Trial</italic> (DCCT) demostr&#243; que los pacientes sometidos al tratamiento intensivo y que mostraron mayor aumento de peso presentaban un &#237;ndice cintura/cadera aumentado, mayores niveles de presi&#243;n arterial y mayor requerimiento de insulina para un mejor control metab&#243;lico, comparados a los pacientes que no mostraron un aumento de peso exagerado. Estos pacientes tambi&#233;n presentaron un perfil lip&#237;dico m&#225;s aterog&#233;nico, as&#237; como alteraci&#243;n de enzimas hep&#225;ticas, lo que podr&#237;a ser explicado como una consecuencia del SM en funci&#243;n del aumento de peso en este grupo de pacientes con DM tipo 1<sup>59</sup>.</p>
      <p>La evaluaci&#243;n de pacientes con DM tipo 1, clasificados de acuerdo a su peso corporal, demostr&#243; que pacientes con sobrepeso poseen mayor prevalencia de retinopat&#237;a y neuropat&#237;a diab&#233;ticas, aunque, despu&#233;s del an&#225;lisis de regresi&#243;n, los mayores determinantes fueron todav&#237;a el control de la glucemia y la duraci&#243;n de la DM<sup>54</sup>.</p>
      <p>El uso de sensibilizador de insulina (rosiglitazona) en pacientes con DM tipo 1 con exceso de peso resulta en mejora de la glucemia y control de los niveles de presi&#243;n arterial, sin necesidad de aumento de la dosis de insulina. Este resultado fue m&#225;s pronunciado en pacientes con marcadores de RI, especialmente en aquellos con IMC &gt;30 kg/m<sup>2 64</sup>. La utilizaci&#243;n de otro sensibilizador de insulina (metformina) en adultos y adolescentes con DM tipo 1 tambi&#233;n mejora el control gluc&#233;mico y reduce el requerimiento de insulina en estos pacientes<sup>65-68</sup>.</p>
      <p>En una gran cohorte de pacientes con DM tipo 1, los niveles de l&#237;pidos se asociaron al h&#225;bito de fumar y a la adiposidad abdominal, caracterizando el s&#237;ndrome de RI<sup>69</sup>.</p>
      <p>Realizamos un estudio transversal en 100 pacientes con DM tipo 1 para evaluar la asociaci&#243;n de SM y presencia de CAC. Observamos una asociaci&#243;n entre la presencia de CAC y SM, especialmente en pacientes de sexo femenino. La hipertensi&#243;n arterial fue el factor de riesgo individual del SM asociado a la presencia de CAC. Esa observaci&#243;n refuerza el papel de la RI en el paciente con DM tipo 1. El SM puede tener un impacto cl&#237;nico y repercusi&#243;n m&#225;s severa en la aterosclerosis en pacientes con DM tipo 1 de sexo femenino<sup>70</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Conclusi&#243;n</bold>
      </p>
      <p>La ECV es la principal causa de mortalidad en pacientes con DM tipo 1, as&#237; como en los pacientes con DM tipo 2.</p>
      <p>Los marcadores de RI se asocian a complicaciones micro y macrovasculares en pacientes con DM tipo 1. La RI es uno de los pilares del SM. En individuos con diabetes tipo 2 y en no diab&#233;ticos, el SM es un importante factor de riesgo cardiovascular. En los pacientes con DM tipo 1, la asociaci&#243;n de SM y RI con nefropat&#237;a es bastante evidente, pero el SM aisladamente no parece predecir ECV. La presencia del SM puede tener un impacto m&#225;s acentuado en la aterosclerosis en pacientes de sexo femenino con DM tipo 1.</p>
      <p>Los beneficios de mejorar el control de la DM a&#250;n no parecen haber reducido la mortalidad por ECV en los pacientes con DM tipo 1. Posiblemente debamos cambiar nuestra consideraci&#243;n sobre esos pacientes; adem&#225;s de perseguir las metas ideales de control de glucemia, presi&#243;n y l&#237;pidos, tambi&#233;n debemos intensificar los esfuerzos en el control del peso corporal, un factor de riesgo modificable y asociado a la presencia de RI.</p>
      <p>
        <bold>Potencial Conflicto de Intereses</bold>
      </p>
      <p>Declaro no haber conflicto de intereses pertinentes.</p>
      <p>
        <bold>Fuentes de Financiaci&#243;n</bold>
      </p>
      <p>El presente estudio fue parcialmente financiado por FAPERGS (Fundaci&#243;n de Amparo a la Investigaci&#243;n del Rio Grande do Sul.</p>
      <p>
        <bold>Vinculaci&#243;n Acad&#233;mica</bold>
      </p>
      <p>Este art&#237;culo forma parte de la tesis de Doctorado de Ticiana da Costa Rodrigues por la Universidad Federal de Rio Grande do Sul.</p>
      <p>
        <bold>Referencias</bold>
      </p>
      <p>626-32.</p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
