<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <article-title>Prescri&#231;&#227;o de dieta na insufici&#234;ncia card&#237;aca cr&#244;nica: por que n&#227;o fazemos?</article-title>
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        <kwd>Prescri&#231;&#227;o n&#227;o medicamentosa</kwd>
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    <p>
      <bold>EDITORIAL</bold>
    </p>
    <p>Prescri&#231;&#227;o de dieta na insufici&#234;ncia card&#237;aca cr&#244;nica: por que n&#227;o fazemos?</p>
    <p>
      <bold>Adriana Lopes Latado</bold>
    </p>
    <p>Hospital Universit&#225;rio Professor Edgard Santos; Hospital Ana Neri; Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA - Brasil</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="end">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p><bold>Palavras-chave: </bold>Prescri&#231;&#227;o n&#227;o medicamentosa, dieta, insufici&#234;ncia card&#237;aca.</p>
    <p>Programas de tratamento para pacientes portadores de insufici&#234;ncia card&#237;aca cr&#244;nica s&#227;o eficazes em reduzir desfechos cl&#237;nicos, especialmente reinterna&#231;&#245;es. Equipes multidisciplinares participam desses programas, incluindo m&#233;dicos cl&#237;nicos e cardiologistas, enfermeiros, fisioterapeutas, psic&#243;logos, nutricionistas, entre outros<sup>1</sup>. Em anos recentes, tem sido reconhecida a import&#226;ncia da nutri&#231;&#227;o no progn&#243;stico e no tratamento de pacientes com insufici&#234;ncia card&#237;aca. Witte e cols.<sup>2</sup>, em ensaio cl&#237;nico controlado, demonstraram um efeito significante da suplementa&#231;&#227;o de uma combina&#231;&#227;o de micronutrientes na fun&#231;&#227;o ventricular, al&#233;m de aparente melhora na qualidade de vida dos portadores de insufici&#234;ncia card&#237;aca.</p>
    <p>A insufici&#234;ncia card&#237;aca cr&#244;nica est&#225; associada &#224; ingest&#227;o inadequada de calorias e prote&#237;nas, al&#233;m de reduzida disponibilidade energ&#233;tica para atividade f&#237;sica<sup>3</sup>. Defici&#234;ncias de micronutrientes e vitaminas j&#225; foram descritas e decorrem de fatores comuns na s&#237;ndrome (baixa ingest&#227;o, deple&#231;&#227;o por uso de diur&#233;ticos e, em algumas situa&#231;&#245;es, gasto excessivo), al&#233;m de, por outro lado, poder desencadear ou piorar a doen&#231;a card&#237;aca<sup>4</sup>.</p>
    <p>Muitos esfor&#231;os t&#234;m sido despendidos na pesquisa cl&#237;nica sobre terapias farmacol&#243;gicas da insufici&#234;ncia card&#237;aca nas &#250;ltimas d&#233;cadas. Contudo pouca aten&#231;&#227;o tem sido dada ao seu tratamento n&#227;o farmacol&#243;gico, particularmente a orienta&#231;&#227;o nutricional.</p>
    <p>O artigo de Louren&#231;o e cols.<sup>5</sup> traz novamente a quest&#227;o dos dist&#250;rbios nutricionais que acompanham pacientes com insufici&#234;ncia card&#237;aca est&#225;vel cr&#244;nica, em uma amostra composta por indiv&#237;duos atendidos em cl&#237;nica especializada. Esses autores demonstraram a ocorr&#234;ncia de deple&#231;&#227;o das reservas musculares e inadequa&#231;&#227;o da ingest&#227;o de diversos nutrientes da dieta, como magn&#233;sio, zinco, ferro, tiamina, c&#225;lcio, pot&#225;ssio e s&#243;dio.</p>
    <p>Apesar de a maioria dos pacientes ter relatado ingest&#227;o de carboidratos, lip&#237;deos e prote&#237;nas dentro das recomenda&#231;&#245;es atuais<sup>6</sup>, 38,4% dos casos apresentaram deple&#231;&#227;o ou risco de deple&#231;&#227;o das reservas musculares, medida por meio da &#225;rea muscular do bra&#231;o. Ainda nesse subgrupo, a maioria dos pacientes tinha &#205;ndice de Massa Corp&#243;rea (IMC) dentro dos limites normais (24,2 &#177; 3,2kg/m<sup>2</sup>), chamando a aten&#231;&#227;o para a limita&#231;&#227;o do emprego do IMC como marcador de adequa&#231;&#227;o da ingest&#227;o cal&#243;rica em pacientes com insufici&#234;ncia card&#237;aca.</p>
    <p>A insufici&#234;ncia card&#237;aca &#233; caracterizada por hipercatabolismo<sup>3</sup>. A inadequa&#231;&#227;o da ingest&#227;o cal&#243;rica comporta-se como estado catab&#243;lico adicional, propiciando a deteriora&#231;&#227;o progressiva das concentra&#231;&#245;es de glicog&#234;nio e amino&#225;cidos intracelulares e a degrada&#231;&#227;o da prote&#237;na muscular<sup>7</sup>. A evolu&#231;&#227;o desse processo culminaria na instala&#231;&#227;o da caquexia card&#237;aca, importante fator progn&#243;stico de qualidade de vida e sobrevida da insufici&#234;ncia card&#237;aca<sup>3,7</sup>.</p>
    <p>A ingest&#227;o inadequada de micronutrientes (minerais e tiamina) tamb&#233;m ocorreu em significativo percentual de pacientes no estudo de Louren&#231;o e cols<sup>5</sup>. Defici&#234;ncias em micronutrientes s&#227;o comuns em pacientes com insufici&#234;ncia card&#237;aca cr&#244;nica, e sua origem parece ser multifatorial4. As ingest&#245;es de c&#225;lcio, pot&#225;ssio e magn&#233;sio foram descritas como abaixo do recomend&#225;vel na quase totalidade dos pacientes avaliados; ao contr&#225;rio do s&#243;dio, cuja ingest&#227;o esteve acima do n&#237;vel, sendo considerada adequada em 84% dos indiv&#237;duos pesquisados<sup>5</sup>.</p>
    <p>O estudo de Louren&#231;o e cols.<sup>5</sup> tem limita&#231;&#245;es, algumas j&#225; citadas pelos autores: dados colhidos retrospectivamente a partir de relato dos pacientes, sujeitos a vieses de lembran&#231;a e de classifica&#231;&#227;o; e a n&#227;o-utiliza&#231;&#227;o de vari&#225;veis bioqu&#237;micas na avalia&#231;&#227;o nutricional dos pacientes, limitando-se &#224;s interpreta&#231;&#245;es dos dados antropom&#233;tricos.</p>
    <p>Outros aspectos tamb&#233;m s&#227;o relevantes. O tamanho amostral &#233; pequeno, limitando a validade de algumas associa&#231;&#245;es descritas. Existe uma car&#234;ncia de informa&#231;&#245;es cl&#237;nicas e de exames complementares acerca da amostra estudada. Isso poderia, direta ou indiretamente, interferir nos achados descritos, a exemplo de etiologia da insufici&#234;ncia card&#237;aca, fra&#231;&#227;o de eje&#231;&#227;o do ventr&#237;culo esquerdo, classe funcional, presen&#231;a de insufici&#234;ncia renal, entre outros.</p>
    <p>Pacientes com fal&#234;ncia renal significativa apresentam altera&#231;&#245;es humorais e metab&#243;licas que, por si, interferem no estado nutricional<sup>8</sup>. Pacientes com insufici&#234;ncia card&#237;aca secundaria &#224; doen&#231;a de Chagas est&#227;o sujeitos aos efeitos do n&#237;vel socioecon&#244;mico mais baixo, que podem afetar diretamente os h&#225;bitos diet&#233;ticos. Apesar de o grau da disfun&#231;&#227;o sist&#243;lica ventricular esquerda n&#227;o se associar ao n&#237;vel de desnutri&#231;&#227;o dos pacientes com insufici&#234;ncia card&#237;aca em alguns estudos pr&#233;vios<sup>9,10</sup>, essa &#233; uma quest&#227;o ainda controversa, visto que a perda de peso desses pacientes est&#225; vinculada a altera&#231;&#245;es neuro-humorais e imunol&#243;gicas mais intensas<sup>9</sup>.</p>
    <p>De qualquer modo, o trabalho de Louren&#231;o e cols.<sup>5</sup> &#233; importante por refor&#231;ar a ideia da necessidade de se avaliar sistematicamente o estado nutricional de pacientes portadores de insufici&#234;ncia card&#237;aca cr&#244;nica, no contexto da assist&#234;ncia multidisciplinar, cujos benef&#237;cios j&#225; s&#227;o bem estabelecidos. Estudos cl&#237;nicos controlados e randomizados s&#227;o necess&#225;rios para investigar a efic&#225;cia de reposi&#231;&#245;es espec&#237;ficas de nutrientes no progn&#243;stico desses pacientes.</p>
    <p>
      <fn id="end" fn-type="corresp">
        <p>Correspond&#234;ncia:</p>
        <p> Adriana Lopes Latado </p>
        <p> Rua Rosa dos Ventos, 39/1002 - Ed. Pedra Alta &#150; Brotas </p>
        <p> 40286-040 Salvador, BA - Brasil </p>
        <p> E-mail:</p>
        <p><email xlink:href="adrianalatado@cardiol.br">adrianalatado@cardiol.br</email>, </p>
        <p>
          <email xlink:href="abraga@ufba.br">abraga@ufba.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
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          <article-title>Biochemical analysis of muscle biopsy in overnight fasting patients with severe chronic heart failure</article-title>
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          <article-title>Avalia&#231;&#227;o nutricional em pacientes renais cr&#244;nicos em programa de hemodi&#225;lise: estudo multic&#234;ntrico</article-title>
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          <article-title>Prognostic importance of weight loss in chronic heart failure and the effect of treatment with angiotensin-converting enzyme inhibitors: an observational study</article-title>
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          <article-title>Repercuss&#227;o nutricional na insufici&#234;ncia card&#237;aca avan&#231;ada e seu valor na avalia&#231;&#227;o progn&#243;stica</article-title>
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          <subject>Editorial</subject>
        </subj-group>
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        <article-title xml:lang="en">Diet prescription in chronic heart failure: why don't we do it?</article-title>
      </title-group>
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        <kwd>Prescriptions</kwd>
        <kwd>diet</kwd>
        <kwd>heart failure</kwd>
      </kwd-group>
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    <body>
      <p>
        <bold>EDITORIAL</bold>
      </p>
      <p><undefined id="txt-body2"/>Diet prescription in chronic heart failure: why don't we do it?</p>
      <p>
        <bold>Adriana Lopes Latado</bold>
      </p>
      <p>Hospital Universit&#225;rio Professor Edgard Santos; Hospital Ana Neri; Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA - Brazil </p>
      <p>Mailing address</p>
      <p><bold>Key words: </bold>Prescriptions, non-drug; diet; heart failure.</p>
      <p>Treatment programs for chronic heart failure patients are effective in reducing clinical outcomes, especially hospital readmissions. Multidisciplinary teams participate in this program, including general practitioners, cardiologists, nurses, physiotherapists, psychologists and nutritionists, among others<sup>1</sup>. In recent years, the importance of nutrition in the prognosis and treatment of heart failure patients has been recognized. A controlled study conducted by Witte et al<sup>2</sup> showed that the supplementation of a combination of micronutrients had a significant effect in the ventricular function and promoted an apparent improvement in quality of life in heart failure patients. </p>
      <p>Chronic heart failure is associated with inadequate intake of calories and protein, and reduced energy availability for physical activity<sup>3</sup>. Micronutrient and vitamin deficiencies have been described in HF, and they result from factors that are common in the syndrome (low intake, depletion by use of diuretics and, in some situations, excessive spending). Moreover, they can trigger or worsen heart diseases<sup>4</sup>.</p>
      <p>Much has been done in clinical research on pharmacotherapies of heart failure in recent decades, but too little attention has been given to non-pharmacological treatment, particularly nutritional guidelines.</p>
      <p>The study of Louren&#231;o et al<sup>5</sup> raises again the issue of nutritional disorders presented by patients with stable chronic heart failure in a sample of patients seen in a specialized clinic. The authors demonstrated the occurrence of depletion of muscle reserves and inadequate dietary intake of various nutrients, such as magnesium, zinc, iron, thiamine, calcium, potassium and sodium.</p>
      <p>While the majority of patients have reported carbohydrates, lipid and protein intakes within the current recommendations<sup>6</sup>, 38.4% of the cases had risk of depletion or depletion of muscle reserves, measured by the arm muscle area. In this subgroup, most patients had body mass index (BMI) within normal range (24.2 &#177; 3.2 kg/m<sup>2</sup>), drawing attention to the limitations in the use of BMI as an indicator of energy intake adequacy in heart failure patients.</p>
      <p>Heart failure is characterized by hypercatabolism<sup>3</sup>. The inadequacy of energy intake acts as an additional catabolic state, leading to progressive deterioration of intra-cellular concentrations of glycogen and amino acids and degradation of muscle proteins<sup>7</sup>. The evolution of this process culminates in the installation of cardiac cachexia, an important prognostic factor that affects quality of life and survival in heart failure<sup>3,7</sup>.</p>
      <p>An inadequate intake of micronutrients (minerals and thiamine) also occurred in a significant percentage of patients in the study of Louren&#231;o et al<sup>5</sup> Micronutrient deficiencies are common in chronic heart failure patients, and their origin appears to be multifactorial<sup>4</sup>. Calcium, potassium and magnesium intakes were described as below the recommended levels in almost all the patients, unlike sodium, whose intake was above the level considered appropriate in 84% of the study patients<sup>5</sup>. </p>
      <p>The study of Louren&#231;o et al<sup>5</sup> has limitations, some of which have been mentioned by the authors themselves: the patients' self-reported data were collected retrospectively and they were prone to memory and classification biases, and no biochemical variables were used in the nutritional assessment of the patients, which was limited to an anthropometric data interpretation. Other aspects were also relevant. The sample size was small, limiting the validity of some described associations. There was a lack of clinical and complementary tests on the sample that could directly or indirectly interfere with some described findings, such as etiology of heart failure, left ventricle ejection fraction, functional class, and presence of renal failure, among others.</p>
      <p>Renal failure patients have significant humoral and metabolic changes which, by themselves, affect their nutritional condition<sup>8</sup>. Patients with heart failure secondary to Chagas' disease are subject to the effects of a lower socio-economic status, which may directly affect their dietary habits. Although the degree of left ventricular systolic dysfunction did not involve the level of malnutrition in heart failure patients in some studies<sup>9,10</sup>, this is still a controversial issue, as the weight loss observed in these patients is linked to more intense neuro-humoral and immunological changes<sup>9</sup>.</p>
      <p>Nevertheless, the study conducted by Louren&#231;o et al<sup>5</sup> was important because it reinforced the idea that a systematic assessment of the nutritional status of chronic heart failure patients is needed in the context of multidisciplinary care, whose benefits are already well established. Also, randomized controlled clinical studies are needed to investigate the effectiveness of specific nutrient replacements in the prognosis of these patients.</p>
      <p>
        <bold> References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
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        <article-title xml:lang="es">Prescripci&#243;n de dieta en la insuficiencia card&#237;aca cr&#243;nica: &#191;por qu&#233; no lo hacemos?</article-title>
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        <kwd>Prescripci&#243;n no medicamentosa</kwd>
        <kwd>dieta</kwd>
        <kwd>insuficiencia card&#237;aca</kwd>
      </kwd-group>
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    <body>
      <p>
        <bold>EDITORIAL</bold>
      </p>
      <p><undefined id="title-body3"/>Prescripci&#243;n de dieta en la insuficiencia card&#237;aca cr&#243;nica: &#191;por qu&#233; no lo hacemos?</p>
      <p>
        <bold>Adriana Lopes Latado</bold>
      </p>
      <p>Hospital Universit&#225;rio Professor Edgard Santos; Hospital Ana Neri; Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA - Brasil </p>
      <p>Correspondencia</p>
      <p><bold>Palabras clave:</bold> Prescripci&#243;n no medicamentosa, dieta, insuficiencia card&#237;aca.</p>
      <p>Los programas de tratamiento para pacientes portadores de insuficiencia card&#237;aca cr&#243;nica son eficaces para reducir desenlaces cl&#237;nicos, especialmente reinternaciones. En estos programas participan equipos multidisciplinarios, que incluyen a m&#233;dicos cl&#237;nicos y cardi&#243;logos, enfermeros, fisioterapeutas, sic&#243;logos, nutricionistas, entre otros<sup>1</sup>. Recientemente se est&#225; reconociendo la importancia de la nutrici&#243;n en el pron&#243;stico y tratamiento de pacientes con insuficiencia card&#237;aca. Witte et al.<sup>2</sup>, en un ensayo cl&#237;nico controlado, demostraron un efecto significativo del suplemento de una combinaci&#243;n de micronutrientes en la funci&#243;n ventricular, adem&#225;s de una aparente mejor&#237;a en la calidad de vida de los portadores de insuficiencia card&#237;aca.</p>
      <p>La insuficiencia card&#237;aca cr&#243;nica se asocia a la ingesta inadecuada de calor&#237;as y prote&#237;nas, adem&#225;s de la reducida disponibilidad energ&#233;tica para la actividad f&#237;sica<sup>3</sup>. Ya han sido descriptas deficiencias de micronutrientes y vitaminas que resultan de factores comunes en el s&#237;ndrome (bajo consumo, depleci&#243;n por uso de diur&#233;ticos y, en algunas situaciones, gasto excesivo), y que pueden, adem&#225;s, desencadenar o empeorar la enfermedad card&#237;aca<sup>4</sup>.</p>
      <p>En las &#250;ltimas d&#233;cadas se han invertido muchos esfuerzos en la investigaci&#243;n cl&#237;nica sobre tratamientos farmacol&#243;gicos de la insuficiencia card&#237;aca. Sin embargo, se est&#225; prestando muy poca atenci&#243;n a su tratamiento no farmacol&#243;gico, particularmente a la orientaci&#243;n nutricional. </p>
      <p>El art&#237;culo de Louren&#231;o et al.<sup>5</sup> expone nuevamente el tema de los disturbios nutricionales que acompa&#241;an a pacientes con insuficiencia card&#237;aca cr&#243;nica estable, en una muestra compuesta por individuos atendidos en una cl&#237;nica especializada. Los autores demostraron la existencia de depleci&#243;n de las reservas musculares e inadecuaci&#243;n del consumo de diversos nutrientes de la dieta, como magnesio, zinc, hierro, tiamina, calcio, potasio y sodio. </p>
      <p>Pese a que la mayor&#237;a de los pacientes hab&#237;a referido ingesta de carbohidratos, l&#237;pidos y prote&#237;nas dentro de las recomendaciones actuales<sup>6</sup>, el 38,4% de los casos presentaron depleci&#243;n o riesgo de depleci&#243;n de las reservas musculares, medida a trav&#233;s del &#225;rea muscular del brazo. Justamente en ese subgrupo, la mayor&#237;a de los pacientes ten&#237;a un &#205;ndice de Masa Corporal (IMC) dentro de los l&#237;mites normales (24,2 &#177; 3,2kg/m2), lo cual advierte sobre la limitaci&#243;n del empleo del IMC como marcador de la correcta ingesta cal&#243;rica en pacientes con insuficiencia card&#237;aca.</p>
      <p>La insuficiencia card&#237;aca se caracteriza por el hipercatabolismo<sup>3</sup>. La ingesta cal&#243;rica inadecuada se comporta como un estado catab&#243;lico adicional, propiciando el deterioro progresivo de las concentraciones de gluc&#243;geno y amino&#225;cidos intracelulares y la degradaci&#243;n de la prote&#237;na muscular<sup>7</sup>. La evoluci&#243;n de ese proceso culminar&#237;a en la instalaci&#243;n de la caquexia card&#237;aca, importante factor pron&#243;stico de calidad de vida y sobrevida de la insuficiencia card&#237;aca<sup>3,7</sup>.</p>
      <p>La ingesta inadecuada de micronutrientes (minerales y tiamina) tambi&#233;n apareci&#243; en un porcentaje significativo de pacientes en el estudio de Louren&#231;o et al.<sup>5</sup>. Las deficiencias en micronutrientes son comunes en pacientes con insuficiencia card&#237;aca cr&#243;nica, y su origen parece ser multifactorial<sup>4</sup>. Casi en la totalidad de los pacientes evaluados, la ingesta de calcio, potasio y magnesio fue descripta como por debajo de lo recomendable, contrariamente a lo ocurrido con el sodio, cuyo consumo estuvo por encima del nivel, consider&#225;ndose adecuado en el 84% de los individuos examinados<sup>5</sup>.</p>
      <p>El estudio de Louren&#231;o et al.<sup>5</sup> tiene limitaciones, algunas ya citadas por los autores: datos recogidos retrospectivamente a partir del relato de los pacientes, sujetos a sesgos de memoria y de clasificaci&#243;n, y la no utilizaci&#243;n de variables bioqu&#237;micas en la evaluaci&#243;n nutricional de los pacientes, limit&#225;ndose a las interpretaciones de los datos antropom&#233;tricos. </p>
      <p>Otros aspectos tambi&#233;n son relevantes. El tama&#241;o de la muestra es peque&#241;o, limitando la validez de algunas asociaciones descriptas. Hay una carencia de informaciones cl&#237;nicas y de ex&#225;menes complementarios sobre la muestra estudiada. Directa o indirectamente, ello podr&#237;a interferir en los hallazgos descriptos, como la etiolog&#237;a de la insuficiencia card&#237;aca, fracci&#243;n de eyecci&#243;n del ventr&#237;culo izquierdo, clase funcional, presencia de insuficiencia renal, entre otros. </p>
      <p>Los pacientes con falla renal significativa presentan alteraciones humorales y metab&#243;licas que, por s&#237; mismas, interfieren en el estado nutricional<sup>8</sup>. Pacientes con insuficiencia card&#237;aca secundaria a la enfermedad de Chagas est&#225;n sujetos a los efectos de un nivel socioecon&#243;mico que puede afectar directamente los h&#225;bitos diet&#233;ticos. A pesar de que el grado de la disfunci&#243;n sist&#243;lica ventricular izquierda no se asocia al nivel de desnutrici&#243;n de los pacientes con insuficiencia card&#237;aca en algunos estudios previos<sup>9,10</sup>, es una cuesti&#243;n a&#250;n controvertida, dado que la p&#233;rdida de peso de esos pacientes est&#225; vinculada a alteraciones neurohumorales e inmunol&#243;gicas m&#225;s intensas<sup>9</sup>.</p>
      <p>De cualquier manera, el trabajo de Louren&#231;o et al.<sup>5</sup> es importante por reforzar la idea de la necesidad de evaluar sistem&#225;ticamente el estado nutricional de pacientes portadores de insuficiencia card&#237;aca cr&#243;nica, en el contexto de la asistencia multidisciplinaria, cuyos beneficios ya est&#225;n bien establecidos. Son necesarios estudios cl&#237;nicos controlados y randomizados para investigar la eficacia de reposiciones espec&#237;ficas de nutrientes en el pron&#243;stico de esos pacientes.</p>
      <p>
        <bold>Referencias</bold>
      </p>
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