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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
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        <article-title>Crian&#231;as com cora&#231;&#245;es de adultos</article-title>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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        <day>22</day>
        <month>10</month>
        <year>2009</year>
      </pub-date>
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  <body>
    <p>
      <bold>EDITORIAL</bold>
    </p>
    <p>Crian&#231;as com cora&#231;&#245;es de adultos</p>
    <p>
      <bold>Isabela de Carlos Back Giuliano<sup>I</sup>; Bruno Caramelli<sup>IV</sup>; Bruce Bartholow Duncan<sup>III</sup>; Lucia Campos Pellanda<sup>II</sup></bold>
    </p>
    <p><sup>I</sup>Universidade Federal de Santa Catarina, Florian&#243;polis, SC </p>
    <p><sup>II</sup>Funda&#231;&#227;o Universit&#225;ria de Cardiologia, Porto Alegre, RS </p>
    <p><sup>III</sup>Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS </p>
    <p><sup>IV</sup>Universidade de S&#227;o Paulo, S&#227;o Paulo, SP &#150; Brasil </p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="end">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> L&#237;pides, aterosclerose, preven&#231;&#227;o de doen&#231;as, fatores de risco, crian&#231;a, adolescente.</p>
    <p>O rel&#243;gio do mundo acelerou. Nos &#250;ltimos 200 anos, o que antes era uma civiliza&#231;&#227;o centrada basicamente na economia familiar, regida pelo rel&#243;gio natural do crescimento de animais e plantas, tornou-se um mundo fren&#233;tico e globalizado, onde n&#227;o h&#225; tempo para contempla&#231;&#245;es ou valoriza&#231;&#227;o de um ritmo org&#226;nico. </p>
    <p>Nossos filhos e netos j&#225; nasceram neste mundo repleto de informa&#231;&#245;es. &#205;ntimos da Internet, dos controles remotos e dos diversos tipos de jogos eletr&#244;nicos, sentimos at&#233; uma ponta de inveja da familiaridade com que lidam com todos estes est&#237;mulos. Ao mesmo tempo, nos vemos aliviados e orgulhosos por parecerem mais adaptados a esta nova realidade: numa analogia &#224; tecnologia, parecem "novas vers&#245;es de seres humanos", mais inteligentes, vers&#225;teis, adapt&#225;veis e resistentes a tanta informa&#231;&#227;o.</p>
    <p>Mas ser&#225; que essa &#233; a melhor heran&#231;a que deixamos para eles, que, afinal, s&#227;o seres humanos geridos por um material gen&#233;tico que se adapta mais lentamente do que suas brilhantes cabecinhas?</p>
    <p>Aparentemente n&#227;o. Vide a pandemia de obesidade e suas co-morbidades, que parece atingir mais precoce e gravemente esta nova gera&#231;&#227;o, como discutido pelo estudo intitulado "Variabilidade da Frequ&#234;ncia Card&#237;aca, L&#237;pides e Capacidade F&#237;sica de Crian&#231;as Obesas e N&#227;o Obesas"<sup>1</sup>. Do mesmo modo, temos os problemas que antes nem se cogitava na inf&#226;ncia, como os do cora&#231;&#227;o de um atleta de alto rendimento, como discutido no estudo intitulado "Esporte competitivo na crian&#231;a e no adolescente: exame pr&#233;-participa&#231;&#227;o, eletrocardiograma obrigat&#243;rio?" Em prol de prepararmos nossa prole para um mundo cada vez mais competitivo &#150; ou de gerar atletas virtuosos, talvez na tentativa de compensar um desejo de nossa pr&#243;pria inf&#226;ncia &#150; aceleramos o envelhecimento do seu aparelho cardiovascular. </p>
    <p>Acredita-se que esta seja a primeira gera&#231;&#227;o que viver&#225; menos que seus pais<sup>2</sup> e h&#225; uma preocupa&#231;&#227;o mundial com a prov&#225;vel sobrecarga do sistema de sa&#250;de nas pr&#243;ximas d&#233;cadas, caso n&#227;o haja controle do risco cardiovascular, em n&#237;vel populacional.</p>
    <p>E como andamos aqui pelo Brasil? H&#225; uma pol&#237;tica de preven&#231;&#227;o efetiva, em n&#237;vel nacional, que vise &#224; prote&#231;&#227;o cardiovascular de toda a fam&#237;lia? H&#225; crescentes iniciativas governamentais nesta dire&#231;&#227;o, mas ainda insuficientes, considerando a dimens&#227;o do problema. Temos honrosas e importantes iniciativas isoladas pelo pa&#237;s, al&#233;m de excelentes estudos cl&#237;nicos e populacionais em algumas regi&#245;es<sup>3-15</sup>, mas muito aqu&#233;m do necess&#225;rio.</p>
    <p>Precisamos de um diagn&#243;stico nacional dos fatores de risco para doen&#231;as cr&#244;nicas em todas as idades, formula&#231;&#227;o de crit&#233;rios nacionais de normalidade para par&#226;metros cardiovasculares, al&#233;m de uma pol&#237;tica efetiva que inclua todos os brasileiros. Interven&#231;&#245;es na fam&#237;lia, na escola, na comunidade, nas empresas, entendendo sa&#250;de realmente como um direito universal e inalien&#225;vel. Programas que contemplem o ser humano em todo o seu ciclo de vida, com todas as limita&#231;&#245;es e fragilidades inerentes &#224;s suas caracter&#237;sticas biol&#243;gicas, que infelizmente n&#227;o conseguimos "turbinar" ou "atualizar" como gostar&#237;amos. </p>
    <p>Preven&#231;&#227;o cardiovascular n&#227;o tem idade. Deve iniciar antes da concep&#231;&#227;o e se manter por toda a exist&#234;ncia, entendendo o processo pelo prisma ecol&#243;gico. Em cada fase da vida, guardadas as caracter&#237;sticas espec&#237;ficas do momento, h&#225; uma oportunidade de preven&#231;&#227;o. Alguns per&#237;odos podem ser mais cr&#237;ticos do que outros em termos de consequ&#234;ncias duradouras. Por exemplo, o per&#237;odo fetal, no qual o metabolismo &#233; preparado para enfrentar as mudan&#231;as do mundo externo, ou a inf&#226;ncia, na qual os h&#225;bitos de sa&#250;de come&#231;am a se formar.</p>
    <p>Os fatores de risco cardiovasculares s&#227;o conhecidos h&#225; mais de meio s&#233;culo, e s&#227;o muitas as formas de controle e tratamento dispon&#237;veis. Ensaios cl&#237;nicos aparecem com frequ&#234;ncia nos peri&#243;dicos m&#233;dicos, demonstrando redu&#231;&#227;o significativa na morbi-mortalidade cardiovascular com anti-hipertensivos, antiagregantes, e f&#225;rmacos para redu&#231;&#227;o dos l&#237;pides. Chegamos &#224; sofistica&#231;&#227;o de elaborar recursos estat&#237;sticos para analisar, em conjunto, estudos como milhares de pacientes, por meio das meta-an&#225;lises e revis&#245;es sistem&#225;ticas. Com estes recursos &#233; poss&#237;vel detectar pequenos &#150; mas significativos &#150; efeitos de medicamentos e de interven&#231;&#245;es cir&#250;rgicas. Portanto, desconhecimento n&#227;o &#233; a causa da manuten&#231;&#227;o das doen&#231;as cardiovasculares como a primeira causa de morte na maior parte dos pa&#237;ses. </p>
    <p>A proposta de uma teoria inflamat&#243;ria para aterosclerose permitiu a formula&#231;&#227;o de v&#225;rias abordagens terap&#234;uticas espec&#237;ficas. A identifica&#231;&#227;o de agentes infecciosos, ou at&#233; mesmo a especula&#231;&#227;o sobre uma sele&#231;&#227;o natural de indiv&#237;duos mais propensos &#224;s complica&#231;&#245;es da aterosclerose, por meio de bact&#233;rias ou v&#237;rus, representou uma possibilidade promissora. Entretanto, do ponto de vista de resultados, pouco se viu at&#233; agora. Os diversos tratamentos produziram efeitos limitados aos ensaios cl&#237;nicos, que pouco ou nada modificam o panorama epidemiol&#243;gico da doen&#231;a cardiovascular. &#201; poss&#237;vel que a preven&#231;&#227;o tenha chegado tarde demais para estes pacientes. Para eles, o tratamento das complica&#231;&#245;es pode ser mais eficiente para reduzir a morbi-mortalidade. A contraposi&#231;&#227;o entre preven&#231;&#227;o e tratamento das complica&#231;&#245;es &#233; um erro, que frequentemente ocorre quando os recursos econ&#244;micos s&#227;o limitados. N&#227;o h&#225; como negar que a preven&#231;&#227;o deve come&#231;ar muito cedo, sobre a mulher em idade f&#233;rtil, para oferecer ao feto um ambiente intrauterino saud&#225;vel. Devemos lembrar, entretanto, que a preven&#231;&#227;o tem suas limita&#231;&#245;es, que incluem ader&#234;ncia, custo e necessidade de ado&#231;&#227;o e manuten&#231;&#227;o de estilo de vida saud&#225;vel, numa sociedade na qual o <italic>modus vivendi</italic> conduz &#224; obesidade e ao sedentarismo coletivos.</p>
    <p>Este desafio exige novas propostas. Que a batalha seja travada em duas frentes. O tratamento preventivo deve come&#231;ar cedo, com a futura mam&#227;e e com as crian&#231;as, ensinando, educando e ganhando parceiros para o controle dos fatores de risco. As pr&#243;prias crian&#231;as se revelam parceiros muito eficazes na mudan&#231;a de comportamento dos pais. Paralelamente &#150; e contemporaneamente &#150; pesquisas sobre novos marcadores, novos agentes causais e novos f&#225;rmacos poder&#225; manter acesa a esperan&#231;a de modificar a hist&#243;ria natural desta doen&#231;a, quando a preven&#231;&#227;o n&#227;o foi suficientemente efetiva.</p>
    <p>
      <fn id="end" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold>Correspond&#234;ncia:</bold>
        </label>
        <p> Isabela de Carlos Back Giuliano </p>
        <p> Servid&#227;o do Ara&#231;a Azul, 122 casa 1 - Lagoa da Concei&#231;&#227;o </p>
        <p> 88062365 &#150; Florian&#243;polis, SC &#150; Brasil </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p><email xlink:href="isabelag@cardiol.br">isabelag@cardiol.br</email>, </p>
        <p>
          <email xlink:href="isabela@ccs.ufsc.br">isabela@ccs.ufsc.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 08/07/09; revisado recebido em 08/07/09; aceito em 10/07/09.</p>
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              <given-names>CC</given-names>
            </name>
          </person-group>
        </element-citation>
      </ref>
    </ref-list>
  </back>
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      <article-categories>
        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Editorials</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Children with adult hearts</article-title>
      </title-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>EDITORIAL</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="tx-body2">
          <label>
            <bold>Children with adult hearts</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Isabela de Carlos Back Giuliano<sup>I</sup>; Bruno Caramelli<sup>IV</sup>; Bruce Bartholow Duncan<sup>III</sup>; Lucia Campos Pellanda<sup>II</sup></bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p><sup>I</sup>Universidade Federal de Santa Catarina, Florian&#243;polis, SC</p>
      <p><sup>II</sup>Funda&#231;&#227;o Universit&#225;ria de Cardiologia, Porto Alegre, RS</p>
      <p><sup>III</sup>Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS</p>
      <p><sup>IV</sup>Universidade de S&#227;o Paulo, S&#227;o Paulo, SP &#150; Brasil </p>
      <p>Mailing address</p>
      <p><bold>Key words:</bold> Lipids; Atherosclerosis; Disease Prevention; Risk Factors; Child; Adolescent.</p>
      <p>The pace of the world has accelerated. Over the past 200 years, what once was a civilization centered primarily in the household economy, governed by the pace of the natural growth of animals and plants, became a frantic and globalized world, where there is no time for considering or following an organic pace.</p>
      <p>Our children and grandchildren were born in this information-loaded world. They are intimate with the Internet, remote controls and various types of electronic games, and we even feel a twinge of jealousy of their familiarity in dealing with all these stimuli. At the same time, we are relieved and proud to see that they look more suited to this new reality than we are. By analogy with technology, they seem to be "new versions of human beings"&#151;more intelligent, versatile, adaptable and resistant to such a load of information.</p>
      <p>Is this, however, the best legacy we can leave them, who, after all, are human beings governed by a genetic material that adapts more slowly than their brilliant minds? Apparently not. As an example of this, we have the pandemic of obesity and its comorbidities, which seem to affect this new generation earlier and more seriously, as discussed in the study entitled "Variability in heart rate, lipids and physical capacity of obese and nonobese children"<sup>1</sup>. Similarly, we have problems that previously were not even contemplated during childhood, such as those related to the high yield hearts of athletes, as discussed in the study entitled "Competitive Sport in children and adolescents: should pre-participation examination, and electrocardiogram be required?" In order to prepare our offspring for an increasingly competitive world&#151;or to raise gifted athletes, perhaps in an attempt to make our own childhood dreams come true&#151;we accelerate the aging of their cardiovascular system.</p>
      <p>It is believed that this will be the first generation in history to fail to outlive its parent generation<sup>2</sup>, and there is a global concern with the probable burden on health systems in coming decades, if no control of cardiovascular risks is achieved at population level.</p>
      <p>And what about Brazil? Is there an effective prevention policy at national level aiming at the cardiovascular protection of the whole family? There is an increasing number of government initiatives in this aspect, but they are still insufficient, considering the seriousness of the problem. There have been respectable and important isolated initiatives in the country, and excellent clinical and population studies in some regions<sup>3-15</sup>, but all this has been far below what is needed.</p>
      <p>We need a national diagnosis of the risk factors for chronic diseases among all age groups, the establishment of national criteria of normality for cardiovascular markers, and an effective policy that includes all Brazilians. We need interventions in families, schools, communities, and businesses, since health should really be considered a universal and inalienable right. We need programs that deal with human beings during their entire life cycles, with all their inherent biological limitations and weaknesses, which unfortunately we are not able to "turbo" or "update" as we would like to.</p>
      <p>Cardiovascular prevention is not restricted to any age group. It should start before conception and continue throughout the whole life of the individual, and the process should be understood from an ecological perspective. At each stage of life, according to specific age characteristics, there is an opportunity for prevention. Some periods may be more critical than others in terms of lasting consequences as, for example, the fetal period, in which the metabolism is prepared to face changes in the external world, or childhood, in which health habits begin to form.</p>
      <p>Cardiovascular risk factors have been known for more than half a century, and many control and treatment measures are now available. Clinical trials are often published in medical journals, showing significant reduction in cardiovascular morbidity and mortality with the use of antihypertensive, antiplatelet, and lipid-lowering drugs. And we have even developed sophisticated statistical resources to analyze combined studies involving thousands of patients by means of meta-analysis and systematic reviews. With all these resources it is possible to detect small-but significant-effects of drugs and surgical interventions. Therefore, ignorance is not the cause of the maintenance of cardiovascular diseases as the leading cause of death in most countries.</p>
      <p>The proposal of an inflammatory atherosclerosis theory led to the formulation of more specific therapeutic approaches. The identification of infectious agents, or even the speculation about a natural selection of individuals who are more prone to complications of atherosclerosis, by bacteria or viruses, has been a promising possibility. However, in terms of results, little has been seen until now. The various treatments have had limited effects in clinical trials, achieving little or nothing to alter the epidemiological picture of cardiovascular disease. It is possible that prevention has come too late for these patients. For them, treatment of complications could be more efficient to reduce morbidity and mortality. The clash between prevention and treatment of complications is an error, which often occurs when economic resources are limited. It is undeniable that prevention must begin very early, among women of childbearing age, to provide a healthy intrauterine environment for the fetus. We must remember, however, that prevention has its limitations, which include adherence, cost and need for adoption and maintenance of a healthy lifestyle in a society whose modus vivendi leads to obesity and a sedentary life.</p>
      <p>This challenge requires new proposals. The battle has to be fought on two fronts. The preventive treatment should begin early, with the future mother and the children, and it should involve teaching, educating and recruiting partners for the control of risk factors. The children themselves are proving to be very effective partners in changing the behavior of their parents. In parallel - and contemporaneously - the search for new markers, new causal agents and new drugs can keep alight the hope of altering the natural history of this disease, as prevention has not been sufficiently effective.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
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        <article-title xml:lang="es">Ni&#241;os con corazones de adultos</article-title>
      </title-group>
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    <body>
      <p>
        <bold>EDITORIAL</bold>
      </p>
      <p><undefined id="tx-body3"/>Ni&#241;os con corazones de adultos</p>
      <p>
        <bold>Isabela de Carlos Back Giuliano<sup>I</sup>; Bruno Caramelli<sup>IV</sup>; Bruce Bartholow Duncan<sup>III</sup>; Lucia Campos Pellanda<sup>II</sup></bold>
      </p>
      <p><sup>I</sup>Universidade Federal de Santa Catarina, Florian&#243;polis, SC</p>
      <p><sup>II</sup>Funda&#231;&#227;o Universit&#225;ria de Cardiologia, Porto Alegre, RS</p>
      <p><sup>III</sup>Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS</p>
      <p><sup>IV</sup>Universidade de S&#227;o Paulo, S&#227;o Paulo, SP &#150; Brasil</p>
      <p>Correspondencia</p>
      <p><bold>Palabras clave: </bold> L&#237;pidos, aterosclerosis, prevenci&#243;n de enfermedades, factores de riesgo, ni&#241;o, adolescente. </p>
      <p>El reloj del mundo aceler&#243;. En los &#250;ltimos 200 a&#241;os, lo que antes era una civilizaci&#243;n centrada b&#225;sicamente en la econom&#237;a familiar, regida por el reloj natural del crecimiento de animales y plantas, se ha convertido en un mundo fren&#233;tico y globalizado, donde no hay tiempo para contemplaciones o valorizaci&#243;n de un ritmo org&#225;nico. </p>
      <p> Nuestros hijos y nietos ya nacieron en este mundo repleto de informaciones. &#205;ntimos de la Internet, de los controles remotos y de los diversos tipos de juegos electr&#243;nicos, sentimos incluso un poco de envidia de la familiaridad que ellos lidian con todos estos est&#237;mulos. A la vez nos vemos aliviados y orgullosos por parecer m&#225;s adaptados a esta nueva realidad: en una analog&#237;a a la tecnolog&#237;a, parecen "nuevas versiones de seres humanos", m&#225;s inteligentes, vers&#225;tiles, adaptables y resistentes a tanta informaci&#243;n.</p>
      <p> Sin embargo, &#191;ser&#225; que esa es la mejor herencia que les dejamos, a fin de cuentas, son seres humanos constituidos por un material gen&#233;tico que se adapta m&#225;s lentamente que sus brillantes cabecitas?</p>
      <p> Aparentemente no lo es. Es s&#243;lo observar la pandemia de obesidad y sus comorbilidades, que parece alcanzar m&#225;s precoz y severamente esta nueva generaci&#243;n, como discutido en el estudio denominado "Variabilidad de la Frecuencia Cardiaca, l&#237;pidos y Capacidad F&#237;sica de Ni&#241;os Obesos y No Obesos"<sup>1</sup>. De igual modo, tenemos los problemas que antes ni se pensaban en la ni&#241;ez, como los del coraz&#243;n de un atleta de alto rendimiento, como lo discutido en el estudio denominado "Deporte Competitivo en el Ni&#241;o y el Adolescente &#150; Examen Pre Participaci&#243;n: &#191;Deber&#237;a Ser Obligatorio el Uso de Electrocardiograma?" En favor de preparar nuestra prole para un mundo cada vez m&#225;s competitivo &#150;o de generar atletas virtuosos, quiz&#225; en el intento de compensar un deseo de nuestra propia ni&#241;ez&#150; aceleramos el envejecimiento del aparato cardiovascular. </p>
      <p>Se cree que esta sea la primera generaci&#243;n que vivir&#225; menos que sus padres<sup>2</sup> y hay una preocupaci&#243;n mundial con la probable sobrecarga del sistema de salud en las pr&#243;ximas d&#233;cadas, caso no haya un control del riesgo cardiovascular, en nivel poblacional.</p>
      <p>&#191;E como estamos por aqu&#237; en Brasil? &#191;Hay una pol&#237;tica de prevenci&#243;n efectiva, en nivel nacional, que busca una protecci&#243;n cardiovascular de toda la familia? Hay crecientes iniciativas gubernamentales en esta direcci&#243;n, pero a&#250;n insuficientes, considerando la dimensi&#243;n del problema. Tenemos honrosas e importantes iniciativas aisladas por el pa&#237;s, adem&#225;s de excelentes estudios cl&#237;nicos y poblacionales en algunas regiones<sup>3-15</sup>, sin embargo, m&#225;s all&#225; de los que se necesita.</p>
      <p>Necesitamos un diagn&#243;stico nacional de los factores de riesgo para enfermedades cr&#243;nicas en todas las edades, formulaci&#243;n de criterios nacionales de normalidad para par&#225;metros cardiovasculares, adem&#225;s de una pol&#237;tica efectiva que incluya a todos los brasile&#241;os. Intervenciones en la familia, en la escuela, en la comunidad, en las empresas, entendiendo salud realmente como un derecho universal e inalienable. Programas que contemplen al ser humano en todo su ciclo de vida, con todas las limitaciones y fragilidades inherentes a sus caracter&#237;sticas biol&#243;gicas, que infelizmente no logramos "potenciar" o "actualizar" como nos gustar&#237;a. </p>
      <p>La prevenci&#243;n cardiovascular no tiene edad. Se la debe iniciar antes de la concepci&#243;n y se la debe mantener durante toda la existencia, y comprender el proceso por el prisma ecol&#243;gico. En cada fase de la vida, preservadas las caracter&#237;sticas espec&#237;ficas del momento, hay una oportunidad de prevenci&#243;n. Algunos per&#237;odos pueden ser m&#225;s cr&#237;ticos que otros con relaci&#243;n a sus consecuencias si son duraderas. Por ejemplo, el per&#237;odo fetal, en el que se prepara el metabolismo para enfrentar los cambios del mundo externo, o la ni&#241;ez, en la que los h&#225;bitos de salud empiezan a formarse.</p>
      <p>Se conocen los factores de riesgo cardiovasculares desde hace m&#225;s de medio siglo, y son muchas las formas de control y tratamiento disponibles. Ensayos cl&#237;nicos surgen con frecuencia en los peri&#243;dicos m&#233;dicos, demostrando reducci&#243;n significativa en la morbimortalidad cardiovascular con antihipertensivos, antiagregantes, y f&#225;rmacos para reducci&#243;n de los l&#237;pidos. Llegamos a la sofisticaci&#243;n de elaborar recursos estad&#237;sticos para analizar, en conjunto, estudios como miles de pacientes, por medio de los metaan&#225;lisis y revisiones sistem&#225;ticos. Con estos recursos es posible detectar peque&#241;os &#150;sin embargo significativos&#150; efectos de medicamentos y de intervenciones quir&#250;rgicas. Por lo tanto, el desconocimiento no es la causa del mantenimiento de las enfermedades cardiovasculares como la primera causa de muerte en la mayor parte de los pa&#237;ses. </p>
      <p>La propuesta de una teor&#237;a inflamatoria para aterosclerosis permiti&#243; la formulaci&#243;n de diversos abordajes terap&#233;uticos espec&#237;ficos. La identificaci&#243;n de agentes infecciosos, o incluso la especulaci&#243;n sobre una selecci&#243;n natural de individuos m&#225;s propensos a las complicaciones de la aterosclerosis, por medio de bacterias o virus, represent&#243; una posibilidad promisoria. Sin embargo, desde el punto de vista de los resultados, se ha visto poco hasta el momento. Los diversos tratamientos produjeron efectos a los ensayos cl&#237;nicos, que poco o nada modifican el panorama epidemiol&#243;gico de la enfermedad cardiovascular. Es posible que la prevenci&#243;n haya llegado tarde dem&#225;s para estos pacientes. Para ellos, el tratamiento de las complicaciones puede ser m&#225;s eficiente para reducir la morbimortalidad. La contraposici&#243;n entre prevenci&#243;n y tratamiento de las complicaciones es un equ&#237;voco, que ocurre frecuentemente cuando los recursos econ&#243;micos son limitados. No hay como negar que la prevenci&#243;n deba empezar muy temprano, sobre la mujer en edad f&#233;rtil, para ofrecer al feto un ambiente intrauterino sano. Debemos recordar, sin embargo, que la prevenci&#243;n tiene sus limitaciones, que incluyen adherencia, coste y necesidad de adopci&#243;n y mantenimiento de estilo de vida sano, en una sociedad en la que el <italic>modus vivendi</italic> conduce a la obesidad y al sedentarismo colectivos.</p>
      <p>Este reto exige nuevas propuestas, y que se trabe la batalla en dos frentes. El tratamiento preventivo debe comenzar temprano, con la futura madre y con los ni&#241;os, ense&#241;ando, educando y ganando compa&#241;eros para el control de los factores de riesgo. Los propios ni&#241;os se revelan compa&#241;eros muy eficaces en el cambio de comportamiento de los padres. Paralelamente &#150;y contempor&#225;neamente&#150; investigaciones sobre nuevos marcadores, nuevos agentes causales y nuevos f&#225;rmacos podr&#225;n mantener encendida la esperanza de cambiar la historia natural de esta enfermedad, cuando la prevenci&#243;n no fue suficientemente efectiva.</p>
      <p>
        <bold>Referencias</bold>
      </p>
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