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        <article-title>Os dois Brasis e o tratamento do infarto agudo do mioc&#225;rdio</article-title>
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        <kwd>Infarto do mioc&#225;rdio</kwd>
        <kwd>letalidade</kwd>
        <kwd>desigualdades em sa&#250;de</kwd>
        <kwd>pol&#237;tica de sa&#250;de</kwd>
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        <year>2009</year>
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  <body>
    <p>
      <bold>EDITORIAL</bold>
    </p>
    <p>Os dois Brasis e o tratamento do infarto agudo do mioc&#225;rdio</p>
    <p>
      <bold>Antonio Luiz Pinho Ribeiro</bold>
    </p>
    <p>Hospital das Cl&#237;nicas e Faculdade de Medicina da UFMG &#150; Departamento de Aten&#231;&#227;o Especializada, SAS/Minist&#233;rio da Sa&#250;de</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="nt02">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> Infarto do mioc&#225;rdio, letalidade, desigualdades em sa&#250;de, pol&#237;tica de sa&#250;de.</p>
    <p>O estabelecimento de tratamento eficaz para o infarto agudo do mioc&#225;rdio (IAM) foi uma das conquistas m&#233;dicas mais importantes da segunda metade do s&#233;culo XX<sup>1</sup>. A mortalidade hospitalar caiu de alarmantes 30% a 40% nas d&#233;cadas de 1950 e 1960<sup>2</sup> para menos de 5% em 2006<sup>3</sup>, em decorr&#234;ncia da introdu&#231;&#227;o de v&#225;rias estrat&#233;gias terap&#234;uticas, entre as quais se destacam a instala&#231;&#227;o das unidades de tratamento intensivo (UTI) cardiovascular, as unidades coronarianas, e a introdu&#231;&#227;o da terapia de reperfus&#227;o (qu&#237;mica ou percut&#226;nea)1. O artigo publicado neste volume dos Arquivos demonstra, por&#233;m, que os benef&#237;cios do tratamento moderno do IAM n&#227;o est&#227;o acess&#237;veis a todos os brasileiros<sup>4</sup>.</p>
    <p>Nesse estudo de desenho singelo e condu&#231;&#227;o competente, os autores observaram uma letalidade do infarto do mioc&#225;rdio de 19,5% em pacientes com IAM, internados em um hospital p&#250;blico de Feira de Santana, quatro vezes maior do que a encontrada naqueles internados nos tr&#234;s hospitais privados da mesma cidade, na Bahia (4,8%, p=0,001)<sup>4</sup>. Entre aqueles pacientes atendidos no hospital p&#250;blico, predominavam os pobres e os analfabetos, que demoraram mais tempo para chegar ao hospital e para serem medicados, evoluindo com maior gravidade, manifesta pela frequ&#234;ncia elevada de pacientes com Killip classe II ou superior. O tratamento tamb&#233;m foi radicalmente distinto: enquanto 94% daqueles indiv&#237;duos atendidos na rede privada receberam tratamento na UTI, com uso de trombol&#237;tico em 79% dos casos, apenas 8% dos pacientes do hospital p&#250;blico foram admitidos na UTI e 21% foram submetidos &#224; terapia de reperfus&#227;o<sup>4</sup>. Os betabloqueadores, preditores independentes de progn&#243;stico nesta amostra, tamb&#233;m foram mais frequentemente usados nos hospitais privados. Em outros termos, os pacientes atendidos no hospital p&#250;blico, al&#233;m de desfavorecidos do ponto de vista s&#243;cio-econ&#244;mico e cl&#237;nico, n&#227;o receberam o tratamento formalmente preconizado para o IAM, o que parece ter sido essencial para o elevado n&#233;mero de &#243;bitos.</p>
    <p>Tais resultados n&#227;o chegam a ser completamente novos, j&#225; que estudos pr&#233;vios sugeriram que pacientes do Sistema &#218;nico de Sa&#250;de (SUS) efetivamente n&#227;o t&#234;m acesso &#224; UTI para tratamento do IAM, apresentando mortalidade aumentada quando comparados aos da rede suplementar. Assim, Evangelista e cols.<sup>5</sup>, estudando os pacientes do SUS com diagn&#243;stico de IAM na cidade de Belo Horizonte em 2002-2003, encontraram que apenas 33% dos indiv&#237;duos haviam sido admitidos em UTI durante sua interna&#231;&#227;o; adicionalmente, ter sido internado em um hospital p&#250;blico (em oposi&#231;&#227;o a hospitais conveniados da rede privada) foi fator independente de progn&#243;stico adverso<sup>5</sup>.</p>
    <p>O que mais chama a aten&#231;&#227;o nos resultados de Ferreira e cols.<sup>4</sup> &#233; a magnitude da diferen&#231;a de letalidade entre os hospitais privados e o p&#250;blico, associada diretamente &#224; diferen&#231;as no uso de medidas sabidamente eficazes no tratamento do infarto. A descri&#231;&#227;o dos &#243;bitos documentados na rede p&#250;blica revela que muitos poderiam ter sido evitados pela monitoriza&#231;&#227;o cont&#237;nua em UTI: cinco dos 17 casos fatais no hospital p&#250;blico ocorreram por morte s&#250;bita e arritmia ventricular. Se apenas dois pacientes no grupo tratado nos hospitais privados (3%) faleceram por fal&#234;ncia de bomba, 12 dos 87 pacientes falecidos no hospital p&#250;blico (14%) apresentaram esta complica&#231;&#227;o, cuja frequ&#234;ncia se reduz com a terapia de reperfus&#227;o. Como ressaltam os autores, &#233; o desempenho institucional o principal respons&#225;vel pela maior gravidade e letalidade no hospital p&#250;blico, j&#225; que apenas 38% dos pacientes eleg&#237;veis com janela de tempo satisfat&#243;ria foram tratados com trombol&#237;ticos, ubiquamente dispon&#237;veis e cobertos pelo financiamento do SUS. </p>
    <p>Essa brutal desigualdade no direito ao atendimento de qualidade evidencia a continuidade de dois Brasis distintos, um pobre e atrasado, outro abastado e desenvolvido, como escreveu o soci&#243;logo franc&#234;s Jacques Lambert h&#225; mais de meio s&#233;culo<sup>6</sup>. Enquanto os resultados do tratamento do infarto nos hospitais privados s&#227;o compar&#225;veis aos observados no registro internacional GRACE<sup>3</sup><italic>(Global Registry of Acute Coronary Events)</italic>, a letalidade do infarto do mioc&#225;rdico no hospital p&#250;blico &#233; semelhante ao obtido antes da introdu&#231;&#227;o da UTI e da tromb&#243;lise<sup>2</sup>. </p>
    <p>A diferen&#231;a entre a letalidade do IAM tratado nos hospitais p&#250;blicos e privados &#233; particularmente larga em Feira de Santana, excedendo em muito os dados do Brasil como um todo. Assim, dos 56.275 pacientes internados com IAM pelo SUS em 2007, 45% se internaram na rede p&#250;blica, com letalidade de 15,6%, enquanto 55% se internaram na rede privada, com letalidade de 14,5% (p=0,0002)<sup>7</sup>. Nos 7.550 pacientes que receberam o tratamento por angioplastia prim&#225;ria pelo SUS em 2007, a letalidade &#233; bem menor: 7,2% na rede privada contra 7,8% na p&#250;blica (p=0,37). Ou seja, no Brasil como um todo, para a rede p&#250;blica ou privada credenciada pelo SUS, a diferen&#231;a de letalidade entre o hospital p&#250;blico e o privado &#233; muito menor que a observada em Feira de Santana. &#201; necess&#225;rio verificar quais fatores locais e regionais explicam tal disparidade em Feira de Santana, que, embora seja a cidade p&#243;lo de uma macro-regi&#227;o de sa&#250;de com mais que dois milh&#245;es de habitantes, inexplicavelmente n&#227;o disp&#245;e de Unidade de Assist&#234;ncia Cardiovascular de Alta Complexidade credenciada pelo SUS. Portanto, as recomenda&#231;&#245;es dos autores s&#227;o pertinentes: primeiro que seja organizada adequadamente a rede assistencial regional em todos os n&#237;veis de aten&#231;&#227;o e, segundo, que os gestores monitorem sistematicamente os resultados do tratamento hospitalar das doen&#231;as cardiovasculares. </p>
    <p>A publica&#231;&#227;o desses resultados coloca na pauta do dia o tratamento do IAM na rede p&#250;blica, forte candidato &#224; prioridade nacional de sa&#250;de. &#201; grande o n&#250;mero de mortes que poderiam ser evitadas com procedimentos e medicamentos j&#225; dispon&#237;veis no Sistema &#218;nico de Sa&#250;de. Experi&#234;ncias internacionais de organiza&#231;&#227;o do cuidado no infarto podem ser adaptadas &#224; nossa realidade, permitindo o direcionamento dos pacientes para os centros capazes de realizar a reperfus&#227;o com rapidez e seguran&#231;a<sup>8</sup>. Para dar suporte a essa estrat&#233;gia, h&#225; uma estrutura de cuidado pr&#233;-hospitalar (Servi&#231;o de Atendimento M&#243;vel de Urg&#234;ncia - SAMU) e outra hospitalar (UTIs, Unidades de Aten&#231;&#227;o Cardiovascular) j&#225; organizadas em quase todo pa&#237;s, apesar das necessidades de melhorias e de investimentos. E quem sabe se, com a mobiliza&#231;&#227;o das sociedades m&#233;dico-cient&#237;ficas e a a&#231;&#227;o dos gestores de sa&#250;de nos diferentes n&#237;veis de governo, n&#227;o poder&#237;amos diminuir a enorme desigualdade no tratamento dos pacientes infartados em nosso meio, contribuindo, assim, para construir um Brasil mais justo e igualit&#225;rio.  </p>
    <p>
      <bold>Agradecimentos</bold>
    </p>
    <p>O autor agradece &#224; Profa. Regina Horta Duarte, &#224; Profa. Graziela Chequer e ao Dr. Jos&#233; Luiz Nogueira pela leitura cr&#237;tica deste texto e pelas sugest&#245;es incorporadas em sua vers&#227;o final. O autor &#233; bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&#237;fico e Tecnol&#243;gico) e participante do programa pesquisador mineiro da FAPEMIG (Funda&#231;&#227;o de Amparo a Pesquisa do Estado de Minas Gerais).</p>
    <p>
      <fn id="nt02" fn-type="corresp">
        <p>Correspond&#234;ncia:</p>
        <p> Antonio Luiz Pinho Ribeiro </p>
        <p> Rua Campanha, 98/101 </p>
        <p> 30310-770 - Belo Horizonte, MG - Brasil </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="tom@hc.ufmg.br">tom@hc.ufmg.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
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          <volume>90</volume>
          <person-group person-group-type="author">
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              <surname>Evangelista</surname>
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        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>Recommendation to develop strategies to increase the number of ST-segment-elevation myocardial infarction patients with timely access to primary percutaneous coronary intervention</article-title>
          <source>Circulation</source>
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        <article-title xml:lang="es">Los dos Brasiles y el tratamiento del infarto agudo de miocardio</article-title>
      </title-group>
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    <body>
      <p>
        <bold>EDITORIAL</bold>
      </p>
      <p><undefined id="topo-body2"/>Los dos Brasiles y el tratamiento del infarto agudo de miocardio</p>
      <p>
        <bold>Antonio Luiz Pinho Ribeiro</bold>
      </p>
      <p>Hospital das Cl&#237;nicas e Faculdade de Medicina da UFMG - Departamento de Aten&#231;&#227;o Especializada, SAS/Minist&#233;rio da Sa&#250;de</p>
      <p>Correspondencia</p>
      <p><bold>Palabras-clave:</bold> Infarto de miocardio, letalidad, desigualdades en salud, pol&#237;tica de salud.</p>
      <p>El establecimiento de un tratamiento eficaz para el infarto agudo de miocardio (IAM) fue una de las conquistas m&#233;dicas m&#225;s importantes de la segunda mitad del siglo XX<sup>1</sup>. La mortalidad hospitalaria cay&#243; del alarmante 30% al 40% en las d&#233;cadas de 1950 y 1960<sup>2</sup> para menos del 5% en el 2006<sup>3</sup>, en consecuencia de la introducci&#243;n de varias estrategias terap&#233;uticas, entre las que se destacan la instalaci&#243;n de las unidades de tratamiento intensivo (UCI) cardiovascular, las unidades coronarias, y la introducci&#243;n de la terapia de reperfusi&#243;n (qu&#237;mica o percut&#225;nea)<sup>1</sup>. El art&#237;culo publicado en este volumen de <italic>Arquivos</italic> evidencia, sin embargo, que los beneficios del tratamiento moderno del IAM no est&#225;n asequibles a todos los brasile&#241;os<sup>4</sup>.</p>
      <p>En ese estudio de dibujo sencillo y conducci&#243;n competente, los autores observaron una letalidad del infarto de miocardio de un 19,5% en pacientes con IAM, internados en un hospital p&#250;blico de Feira de Santana, cuatro veces mayor que la encontrada en aquellos internados en los tres hospitales privados de la misma ciudad, Bah&#237;a (4,8%, p=0,001)<sup>4</sup>. Entre los pacientes atendidos en el hospital p&#250;blico, predominaban los pobres y los analfabetos, -que tardaron m&#225;s tiempo para llegar al hospital, tardando tambi&#233;n para administrarles los medicamentos- evolucionando con mayor severidad, manifestada por la frecuencia elevada de pacientes con Killip Clase II o superior. El tratamiento tambi&#233;n fue radicalmente distinto: mientras que el 94% de los individuos atendidos en el sistema privado recibieron tratamiento en el UCI, con el uso de trombol&#237;tico en el 79% de los casos, solamente el 8% de los pacientes del hospital p&#250;blico ingresaron en el UCI y el 21% ingresaron en la terapia de reperfusi&#243;n<sup>4</sup>. Los betabloqueantes, predictores independientes de pron&#243;stico en esta muestra, tambi&#233;n fueron m&#225;s frecuentemente usados en los hospitales privados. En otras palabras, los pacientes atendidos en el hospital p&#250;blico, adem&#225;s de ser desfavorecidos bajo el punto de vista socioecon&#243;mico y cl&#237;nico, no recibieron el tratamiento formalmente preconizado para el IAM, lo que parece haber sido esencial para el elevado n&#250;mero de &#243;bitos.</p>
      <p>Tales resultados no llegan a ser completamente nuevos, ya que estudios previos sugirieron que pacientes del Sistema &#218;nico de Salud (SUS) efectivamente no tienen acceso a la UCI para tratamiento del IAM, presentando mortalidad aumentada cuando comparados a los del sistema suplementario. As&#237;, Evangelista et al.<sup>5</sup>, estudiando a los pacientes SUS con diagn&#243;stico de IAM en la ciudad de Belo Horizonte, entre el 2002 y el 2003, encontraron que solamente el 33% de los individuos hab&#237;an ingresado en UCI durante su internaci&#243;n; adicionalmente, haber sido internado en un hospital p&#250;blico (en oposici&#243;n a hospitales asociados del sistema privado) fue un factor independiente de pron&#243;stico adverso<sup>5</sup>.</p>
      <p>Lo que m&#225;s llama la atenci&#243;n en los resultados de Ferreira et al.<sup>4</sup> es la magnitud de la diferencia de letalidad entre los hospitales privados y el p&#250;blico, asociada directamente a las diferencias en el uso de medidas sabidamente eficaces en el tratamiento del infarto. La descripci&#243;n de los &#243;bitos documentados en el sistema p&#250;blico revela que muchos podr&#237;an haber sido evitados por la monitorizaci&#243;n continua en UCI: 5 de los 17 casos fatales en el hospital p&#250;blico ocurrieron por muerte s&#250;bita y arritmia ventricular. Si solamente dos pacientes en el grupo tratado en los hospitales privados (3%) fallecieron por falla de bomba, 12 de los 87 pacientes fallecidos en el hospital p&#250;blico (14%) presentaron esta complicaci&#243;n, cuya frecuencia se reduce con la terapia de reperfusi&#243;n. Como resaltan los autores, es el desempe&#241;o institucional el principal responsable de la mayor severidad y letalidad en el hospital p&#250;blico, ya que s&#243;lo el 38% de los pacientes elegibles con ventana de tiempo satisfactoria fueron tratados con trombol&#237;ticos, universalmente disponibles y respaldados por la financiaci&#243;n del SUS. </p>
      <p>Esa desigualdad desmedida en el derecho a la atenci&#243;n de calidad evidencia la persistencia de dos Brasiles distintos, uno pobre y retrasado, otro acaudalado y desarrollado, como escribi&#243; el soci&#243;logo franc&#233;s Jacques Lambert, hace m&#225;s de medio siglo<sup>6</sup>. Mientras que los resultados del tratamiento del infarto en los hospitales privados son comparables con los observados en el registro internacional GRACE<sup>3 </sup>(<italic>Global Registry of Acute Coronary Events</italic>), la letalidad del infarto de miocardio en el hospital p&#250;blico se asemeja al que se consigue antes de la introducci&#243;n de la UCI y de la tromb&#243;lisis<sup>2</sup>. </p>
      <p>La diferencia entre la letalidad del IAM tratado en los hospitales p&#250;blicos y privados es particularmente amplia en Feira de Santana, excediendo en mucho los datos de Brasil como un todo. As&#237;, de los 56.275 pacientes internados con IAM por el SUS en el 2007, el 45% se intern&#243; en el sistema p&#250;blico, con letalidad de un 15,6%, mientras que el 55% se intern&#243; en el sistema privado, con letalidad de un 14,5% (p=0,0002)<sup>7</sup>. En los 7.550 pacientes que recibieron el tratamiento por angioplastia primaria por el SUS en el 2007, la letalidad es bien menor: un 7,2% en el sistema privado contra un 7,8% en el sistema p&#250;blico (p=0,37). Es decir, en el Brasil como un todo, para el sistema p&#250;blico o privado asociado al SUS, la diferencia de letalidad entre el hospital p&#250;blico y el privado es bastante inferior que la observada en Feira de Santana. Es necesario verificar cuales factores locales y regionales explican dicha disparidad en Feira de Santana, que, aunque es la ciudad centro de una macro regi&#243;n de salud con m&#225;s que 2 millones de habitantes, inexplicablemente no dispone de Unidad de Asistencia Cardiovascular de Alta Complejidad asociada al SUS. Por lo tanto, las recomendaciones de los autores son pertinentes: en primer lugar, que se organice adecuadamente la red asistencial regional en todos los niveles de atenci&#243;n y, en segundo, que los gestores monitoricen sistem&#225;ticamente los resultados del tratamiento hospitalario de las enfermedades cardiovasculares. </p>
      <p>La publicaci&#243;n de esos resultados pone en el orden del d&#237;a el tratamiento del IAM en el sistema p&#250;blico, fuerte candidato a la prioridad nacional de salud. Es grande el n&#250;mero de muertes que se podr&#237;an evitar con procedimientos y medicamentos ya disponibles en el Sistema &#218;nico de Salud. Experiencias internacionales de organizaci&#243;n del cuidado en el infarto se pueden adaptar a nuestra realidad, permitiendo referir los pacientes para los centros capaces de realizar la reperfusi&#243;n con rapidez y seguridad<sup>8</sup>. Para dar soporte a esa estrategia, hay una estructura de cuidado pre hospitalario (Servicio de Atenci&#243;n M&#243;vil de Urgencia - SAMU) y otra hospitalaria (UTIs, Unidades de Atenci&#243;n Cardiovascular) ya organizadas en casi todo pa&#237;s, a pesar de las necesidades de mejoras e inversiones. Y quien sabe, si, con la movilizaci&#243;n de las sociedades m&#233;dico-cient&#237;ficas y la acci&#243;n de los gestores de salud en los diferentes niveles de gobierno, no podemos disminuir la desmedida desigualdad en el tratamiento de los pacientes infartados en nuestro medio, contribuyendo, as&#237;, para construir un Brasil m&#225;s justo e igualitario. </p>
      <p>
        <bold>Agradecimientos</bold>
      </p>
      <p>El autor agradece a las Profesoras Regina Horta Duarte y Graziela Chequer y al Dr. Jos&#233; Luiz Nogueira por la lectura cr&#237;tica de este texto y por las sugerencias incorporadas en su versi&#243;n final. El autor es becario de productividad en investigaci&#243;n del CNPq (Consejo Nacional de Desarrollo Cient&#237;fico y Tecnol&#243;gico) y participante del programa investigador de Minas Gerais, FAPEMIG (Fundaci&#243;n de Amparo a la Investigaci&#243;n del Estado de Minas Gerais).</p>
      <p>
        <bold>Referencias</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
  <sub-article article-type="translation" id="TRen" xml:lang="en">
    <front-stub>
      <article-categories>
        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Editorial</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">The two Brazils and the treatment of acute myocardial infarction</article-title>
      </title-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>EDITORIAL</bold>
      </p>
      <p><undefined id="cima-body3"/>The two Brazils and the treatment of acute myocardial infarction</p>
      <p>
        <bold>Antonio Luiz Pinho Ribeiro</bold>
      </p>
      <p>Hospital das Cl&#237;nicas e Faculdade de Medicina da UFMG - Departamento de Aten&#231;&#227;o Especializada, SAS/Minist&#233;rio da Sa&#250;de</p>
      <p>Mailing address</p>
      <p><bold>Key words: </bold>Myocardial infarction; lethality; health inequalities; health, policy.</p>
      <p>The establishment of effective treatment for acute myocardial infarction (AMI) was one of the most important medical achievements of the second half of the 20<sup>th</sup> century<sup>1</sup>. In-hospital mortality fell from an alarming rate of 30-40%, in the 50s and 60s<sup>2</sup>, to less than 5%, in 2006<sup>3</sup>, thanks to the introduction of several therapeutic strategies, among which we highlight the opening of cardiovascular intensive care units (ICU), the coronary units, and the introduction of chemical or percutaneous reperfusion therapy<sup>1</sup>. The article published in this volume of the <italic>Archives</italic>, however, shows that the benefits of modern treatment of AMI are not accessible to all Brazilians<sup>4</sup>.</p>
      <p>In this study of simple design and effective implementation, the authors observed a mortality rate of 19.5% in patients with AMI who were hospitalized in a public hospital in Feira de Santana, Bahia. This rate was four times higher than that found among those who were hospitalized in the three private hospitals in the same city (4.8%, p = 0001)<sup>4</sup>. The patients who were hospitalized in the public hospital were predominantly poor and illiterate, they took more time to get to the hospital and to be medicated, and evolved with greater severity, which resulted in a high frequency of patients in Killip class II or higher. The treatment was also radically different: while 94% of those seen in the private hospitals received treatment in the ICU, with the use of thrombolytics in 79% of them, only 8% of the public hospital patients were admitted to the ICU, and 21% of them were submitted to reperfusion therapy<sup>4</sup>. Beta blockers, independent predictors of prognosis in this sample, were more often used in private hospitals. In other words, the patients hospitalized in public hospitals, besides their disadvantaged socioeconomic and clinical conditions, did not formally receive the recommended treatment for AMI, and this apparently was a critical factor in the explanation of the high number of deaths.</p>
      <p>These results are not entirely new, since previous studies suggested that the patients of the Unified Health System (SUS) have limited access to ICU for treatment of AMI and show increased mortality when compared to those of private hospitals. Thus, Evangelista et al<sup>5</sup>, studying SUS patients diagnosed with AMI in the city of Belo Horizonte, in 2002-2003, found that only 33% had been admitted to ICUs during hospitalization. Additionally, hospitalization in a public hospital (in comparison to private hospitals accredited by SUS) was an independent factor for adverse prognosis<sup>5</sup>.</p>
      <p>One of the most conspicuous results of the study conducted by Ferreira et al<sup>4</sup> was the magnitude of the difference in mortality between private and public hospitals, which is directly linked to differences in the use of acknowledgedly effective measures for the treatment of myocardial infarction. The descriptions of the deaths documented at public hospitals reveal that many could have been avoided by continuous monitoring in the ICU: five of the 17 fatal cases in the public hospital occurred due to sudden death and ventricular arrhythmia. While only two patients in the group treated at private hospitals (3%) died from pump failure, 12 of the 87 deceased patients in public hospitals (14%) had this complication whose frequency could have been lowered by reperfusion therapy. As the authors point out, the main responsibility for the increased severity and lethality at public hospitals falls on the performance of the institution, as only 38% of the eligible patients that were seen within the appropriate window of time were treated with thrombolytics, a treatment that is ubiquitously available and funded by SUS.</p>
      <p>This brutal inequality in the right of access to good quality health care shows that there still exist two different Brazils, one poor and backward, and the other wealthy and developed, as the French sociologist Jacques Lambert described more than half a century ago<sup>6</sup>. While the results of the treatment of myocardial infarction at private hospitals are comparable to those seen in the Global Registry of Acute Coronary Events (<italic>GRACE) international registry</italic><sup>3</sup>, the lethality of myocardial infarction at public hospitals is similar to that achieved before the introduction of ICU and thrombolysis<sup>2</sup>.</p>
      <p>The difference between the mortality of AMI patients treated at public and private hospitals is particularly large in Feira de Santana, greatly exceeding the figures of Brazil as a whole. Of the 56,275 patients hospitalized with AMI by the SUS in 2007, 45% were treated at public hospitals, with a mortality rate of 15.6%, while 55% were treated at private hospitals, with a mortality rate of 14.5% (p = 0, 0002)<sup>7</sup>. Among the 7,550 patients who were treated with primary angioplasty by SUS in 2007, the fatality rate is much lower: 7.2% in private hospitals and 7.8% in public hospitals (p = 0.37). Therefore, in Brazil as a whole, for public or private hospitals accredited by SUS, the difference in mortality between public and private hospitals is much lower than that observed in Feira de Santana. It is necessary to determine which local and regional factors explain this disparity in Feira de Santana, which, in spite of being a hub city of a macro-region of the health care system, with more than 2 million inhabitants, inexplicably has not a SUS accredited high-complexity cardiovascular care unit. Therefore, the recommendations of the authors of the study are relevant - namely the appropriate organization of the regional health care system, on all pertinent levels, and the systematic monitoring, by administrators, of the results of hospital treatment of cardiovascular diseases.</p>
      <p>The publication of these findings stresses the importance of the treatment of AMI at public hospitals, which might be considered a priority of the national health care system. A great number of deaths could be prevented with medications and procedures that are already available in the Unified Health System. International experiences in organizing health care for the treatment of acute myocardial infarction can be adapted to our reality, allowing a fast and safe routing of patients to centers that are capable of reperfusion<sup>8</sup>. To support this strategy, there is a structured system of pre-hospital care (SAMU) and hospital care (ICUs, Cardiovascular Care Units) already covering most of the country, though it needs improvement and investments. And hopefully, through the mobilization of medical-scientific societies and the actions of health care managers at different levels of the government, we could reduce the huge inequality in the treatment of myocardial infarction patients in our country, helping to build a more just and egalitarian Brazil.</p>
      <p>
        <bold>Acknowledgments </bold>
      </p>
      <p>The author wishes to thank Professor Regina Horta Duarte, Professor Graziela Chequer and Dr. Jose Luiz Nogueira, for their critical reading of this text and for the suggestions that were incorporated into the final version. The author is supported by grants of the <italic>Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&#237;fico e Tecnol&#243;gico</italic> (CNPq) and <italic>Funda&#231;&#227;o de Amparo &#224; Pesquisa do Estado de Minas Gerais</italic> (FAPEMIG).</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
