<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">DvCv5yXk6fdKzZhMZjbQ79R</article-id>
      <article-id pub-id-type="other">00016</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2009000700016</article-id>
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      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2009000700016</article-id>
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          <subject>Ponto de Vista</subject>
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        <article-title>Reposi&#231;&#227;o hormonal e doen&#231;a cardiovascular: uma diretriz contr&#225;ria &#224; evid&#234;ncia</article-title>
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            <surname>Fuchs</surname>
            <given-names>Fl&#225;vio Danni</given-names>
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          <named-content content-type="city">Porto Alegre</named-content>
          <named-content content-type="state">Rio Grande do Sul</named-content>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio Grande do Sul</institution>
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        <month>07</month>
        <year>2009</year>
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      <volume>93</volume>
      <issue>1</issue>
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      <lpage>e13</lpage>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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        <day>13</day>
        <month>10</month>
        <year>2009</year>
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    <p>
      <bold>PONTO DE VISTA</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Reposi&#231;&#227;o hormonal e doen&#231;a cardiovascular: uma diretriz contr&#225;ria &#224; evid&#234;ncia</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Fl&#225;vio Danni Fuchs</bold>
    </p>
    <p>Hospital de Cl&#237;nicas de Porto Alegre, Porto Alegre, RS - Brasil</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p><bold>Palavras-chave: </bold> Doen&#231;as cardiovasculares / preven&#231;&#227;o e controle, climat&#233;rio, menopausa, terapia de reposi&#231;&#227;o hormonal.</p>
    <p>A I Diretriz Brasileira para Preven&#231;&#227;o de Doen&#231;as Cardiovasculares em Mulheres Climat&#233;ricas foi recentemente publicada nos <italic>Arquivos</italic><sup>1</sup>. A iniciativa &#233; bem-vinda, mas chama a aten&#231;&#227;o que mesmo se tratando de diretriz conjunta da SBC e da Associa&#231;&#227;o Brasileira do Climat&#233;rio, h&#225; franco predom&#237;nio de colegas da especialidade do Climat&#233;rio entre seus redatores. Somente seis entre os 40 participantes s&#227;o cardiologistas, sendo praticamente todos os demais membros da Associa&#231;&#227;o Brasileira do Climat&#233;rio. Certamente os colegas que cuidam de clientes nessa condi&#231;&#227;o entendem desse problema, mas de preven&#231;&#227;o de doen&#231;a cardiovascular entendem bem os cardiologistas. A falta de isonomia entre os especialistas na reda&#231;&#227;o da diretriz se inverte na hora da publica&#231;&#227;o. Por ora, a publica&#231;&#227;o foi somente feita nos <italic>Arquivos</italic>, peri&#243;dico l&#237;der brasileiro e de alta visibilidade. Desconhe&#231;o a exist&#234;ncia de peri&#243;dico nacional da especialidade associada, e nem sequer na p&#225;gina da Sociedade Brasileira do Climat&#233;rio h&#225; men&#231;&#227;o sobre essas diretrizes. Tamb&#233;m desconhe&#231;o a atual normatiza&#231;&#227;o para realiza&#231;&#227;o de diretrizes por parte da SBC, que entendo deva abrigar orienta&#231;&#245;es para realiza&#231;&#227;o de diretrizes conjuntas com outras sociedades. A estranheza com o formato e divulga&#231;&#227;o, no entanto, n&#227;o &#233; o mote deste coment&#225;rio, que pretende rebater, com base em s&#243;lida fundamenta&#231;&#227;o, a recomenda&#231;&#227;o de usar terapia de reposi&#231;&#227;o hormonal (TRH) para prevenir doen&#231;a cardiovascular (DCV) em mulheres no climat&#233;rio.</p>
    <p>Boa parte da Diretriz reproduz recomenda&#231;&#245;es de aceita&#231;&#227;o universal, aplic&#225;veis a homens e mulheres, estando estas no climat&#233;rio ou n&#227;o. O ponto central, no entanto, &#233; o posicionamento sobre a indica&#231;&#227;o de TRH com vista &#224; preven&#231;&#227;o de DCV. Os autores da Diretriz afirmam ter pesquisado 574 estudos, dos quais foram extra&#237;das 114 publica&#231;&#245;es que foram avaliadas mais aprofundadamente para compor a base de conhecimentos e os n&#237;veis de evid&#234;ncia dispon&#237;veis. Com base nessas publica&#231;&#245;es (que n&#227;o s&#227;o especificamente citadas para fundamentar a recomenda&#231;&#227;o), estabeleceram, por consenso, diversas conclus&#245;es. Sobre uma, a de que h&#225; riscos cardiovasculares quando a TRH &#233; iniciada tardiamente (Classe III, N&#237;vel de Evid&#234;ncia B), n&#227;o h&#225; reparos (ver adiante). A conclus&#227;o que antecede esta, de que "<italic>existem evid&#234;ncias de benef&#237;cios cardiovasculares quando a TRH &#233; iniciada na transi&#231;&#227;o menop&#225;usica ou nos primeiros anos de p&#243;s-menopausa (chamada de janela de oportunidade) (Classe IIa, N&#237;vel de evid&#234;ncia B)</italic>" (reprodu&#231;&#227;o literal, grifo meu), n&#227;o &#233; aceit&#225;vel e atenta fortemente contra a evid&#234;ncia dispon&#237;vel. Se n&#227;o, vejamos.</p>
    <p>A id&#233;ia de que horm&#244;nios femininos s&#227;o protetores contra DCV &#233; antiga e est&#225; ainda arraigada. Procedeu da observa&#231;&#227;o de menor incid&#234;ncia de DCV em mulheres antes da menopausa, sendo aparentemente corroborada por antigos estudos observacionais. A cren&#231;a era t&#227;o forte que estr&#243;genos foram, ali&#225;s, administrados a homens com vistas &#224; preven&#231;&#227;o secund&#225;ria de doen&#231;a cardiovascular. Um elegante ensaio cl&#237;nico, o "<italic>Coronary Drug Project</italic>", com resultados publicados na d&#233;cada de 70 do s&#233;culo passado, eliminou a pr&#225;tica corrente naquela &#233;poca, pois homens tratados com estr&#243;geno tiveram maior incid&#234;ncia de infarto do mioc&#225;rdio do que os que receberam placebo, sendo necess&#225;rio interromper precocemente esse bra&#231;o do estudo<sup>2</sup>. A teoria da prote&#231;&#227;o estrog&#234;nica em mulheres pr&#233;-menop&#225;usicas tem sido questionada pelo progressivo aumento da incid&#234;ncia de cardiopatia isqu&#234;mica em mulheres jovens. Provavelmente os riscos a que elas est&#227;o expostas atualmente, como o h&#225;bito de fumar e a competitiva vida profissional, sejam as reais raz&#245;es para a perda de prote&#231;&#227;o, erroneamente atribu&#237;da aos horm&#244;nios femininos.</p>
    <p>Os estudos sobre o tema podem ser divididos em estudos de coorte, ensaios cl&#237;nicos com desfechos substitutos e ensaios cl&#237;nicos com desfechos primordiais. Mais de 20 estudos observacionais foram praticamente homog&#234;neos em identificar menor incid&#234;ncia de DCV entre usu&#225;rias de estr&#243;genos. Um dos primeiros sugeria que at&#233; a mortalidade geral fosse menor nessas pacientes<sup>3</sup>. O de maior impacto, entretanto, foi o da coorte de enfermeiras americanas (<italic>The Nurses' Health Study</italic>)<sup>4</sup>. Esse estudo, que acompanhou 59.337 mulheres por longo per&#237;odo, observou redu&#231;&#227;o de 40% na incid&#234;ncia de doen&#231;a arterial coronariana (DAC) entre as usu&#225;rias de TRH. Meta-an&#225;lise de 25 estudos de coorte mostrou risco relativo de 0,70 para doen&#231;a coronariana em usu&#225;rias de estr&#243;genos<sup>5</sup>.</p>
    <p>As evid&#234;ncias de estudos observacionais, entretanto, t&#234;m que ser hoje tomadas como geradoras de hip&#243;teses, pois algumas se confirmam em ensaios cl&#237;nicos e outras, n&#227;o. Vandenbroucke<sup>6</sup> j&#225; questionava, em 1991, se o resultado desses estudos de coorte n&#227;o poderiam estar enviesados pelo estilo de vida mais saud&#225;vel das usu&#225;rias de TRH<sup>6</sup>, o ''<italic>healthy cohort effect</italic>''. Muitas vari&#225;veis de confus&#227;o foram controladas na an&#225;lise daquelas coortes, mas Vandenbroucke<sup>6</sup> atentou que uma, a vontade de viver, era incontrol&#225;vel, podendo se expressar por raz&#245;es diversas das existentes nos bancos de dados dos estudos.</p>
    <p>Progredindo na hierarquia da evid&#234;ncia, chega-se aos ensaios cl&#237;nicos. Diversos foram feitos nessa &#225;rea, mas muitos empregaram desfechos substitutos. O maior deles &#233; o ensaio cl&#237;nico PEPI<sup>7</sup>, que alocou 875 mulheres p&#243;s-menop&#225;usicas para receber placebo ou diversas associa&#231;&#245;es de horm&#244;nios. Houve aumento de HDL e redu&#231;&#227;o de fibrinog&#234;nio, especialmente entre as pacientes tratadas com estr&#243;genos isolados. Os resultados do estudo ILLUMINATE, em que houve acentuado aumento de mortalidade em pacientes tratados com torcetrapib, a despeito de eleva&#231;&#245;es de mais de 60% nos n&#237;veis de HDL<sup>8</sup>, sugerem que esse n&#227;o seja um bom substituto de eventos primordiais em cardiopatia isqu&#234;mica. Em outro elegante ensaio cl&#237;nico com desfechos substitutos, publicado mais recentemente<sup>9</sup>, n&#227;o houve nenhum efeito de horm&#244;nios femininos no surgimento de novas les&#245;es ou progress&#227;o das les&#245;es coronarianas existentes, determinadas por angiografia quantitativa. Esse efeito nulo se deu a despeito da redu&#231;&#227;o de LDL e aumento de HDL observado entre as tratadas com horm&#244;nio.</p>
    <p>Os ensaios cl&#237;nicos randomizados com desfechos primordiais, por defini&#231;&#227;o os desfechos entendidos facilmente pelos pr&#243;prios pacientes<sup>10</sup>, tais como mortalidade, infarto do mioc&#225;rdio, AVC e outros, s&#227;o os que d&#227;o as respostas mais consistentes para a decis&#227;o terap&#234;utica. H&#225; um punhado de estudos consistentes nesse contexto.</p>
    <p>O primeiro foi o estudo HERS<sup>11</sup>, que avaliou o efeito da associa&#231;&#227;o estr&#243;geno-progest&#243;geno na preven&#231;&#227;o secund&#225;ria da doen&#231;a cardiovascular em mulheres p&#243;s-menop&#225;usicas com doen&#231;a coronariana estabelecida. Surpreendentemente, &#224; &#233;poca, houve aumento de 52% no risco de doen&#231;a card&#237;aca isqu&#234;mica no primeiro ano do estudo nas mulheres tratadas com TRH, risco que aparentemente se dilu&#237;a nos anos subsequentes. Todavia, o seguimento do estudo confirmou que o risco persistia com o uso prolongado<sup>12</sup>. Houve tamb&#233;m importante aumento na incid&#234;ncia de eventos tromboemb&#243;licos venosos, incluindo embolia pulmonar entre as participantes tratadas com TRH. O estudo foi intensamente debatido e criticado. As cr&#237;ticas eventualmente consistentes eram a de que a idade das participantes era avan&#231;ada (67 anos em m&#233;dia), e que efeitos protromb&#243;ticos da TRH teriam se exteriorizado pela exist&#234;ncia de doen&#231;a vascular pr&#233;via.</p>
    <p>O estudo maior dirigido &#224; avalia&#231;&#227;o da efic&#225;cia de TRH na preven&#231;&#227;o prim&#225;ria da DAC e outros desfechos primordiais &#233; conhecido pelo acr&#244;nimo WHI<sup>13</sup>, a despeito de ser somente um dos estudos de grande iniciativa de pesquisa sobre a sa&#250;de de mulheres nos Estados Unidos (<italic>Women's Health Initiative</italic>). No total, 8.506 pacientes foram randomizadas para empregar 0,625 mg/dia de estr&#243;genos equinos conjugados e 2,5 mg/dia de medroxiprogesterona, sendo 8.102 alocadas a placebo. Ap&#243;s 5,2 anos de seguimento, a incid&#234;ncia do desfecho prim&#225;rio, DAC fatal e n&#227;o-fatal, foi 29% maior nas usu&#225;rias de TRH (IC 95% correspondendo a um aumento de pelo menos 2% at&#233; aumento de 63%).</p>
    <p>Em ensaio cl&#237;nico paralelo ao estudo WHI, em que se empregou somente o estr&#243;geno conjugado em pacientes histerectomizadas, n&#227;o houve aumento da incid&#234;ncia de DAC e c&#226;ncer de mama, mas a incid&#234;ncia de AVC foi 39% (IC 95% de 10% a 77%) maior nas pacientes tratadas com estr&#243;geno<sup>14</sup>, de forma similar ao observado no estudo com associa&#231;&#227;o de progest&#225;geno.</p>
    <p>Outros riscos da TRH devem ser comentados. Os colegas especialistas no climat&#233;rio t&#234;m leg&#237;timo interesse e compet&#234;ncia para cuidado das doen&#231;as cardiovasculares de suas pacientes. Em contrapartida, cardiologistas tamb&#233;m t&#234;m compromisso com outros aspectos da sa&#250;de de suas pacientes. A incid&#234;ncia dobrada de eventos tromboemb&#243;licos venosos e o aumento de 26% na incid&#234;ncia de carcinoma de mama invasivo nas pacientes tratadas com TRH no estudo WHI<sup>13</sup> s&#227;o outras raz&#245;es substanciais para que se evite o uso prolongado de TRH. Houve benef&#237;cio quanto a preven&#231;&#227;o de fraturas e c&#226;ncer colorretal, mas foram amplamente superadas em n&#250;meros absolutos pelos efeitos adversos apontados. Em outras an&#225;lises do estudo WHI<sup>15,16</sup>, verificou-se que TRH, com estr&#243;genos isolados ou associados a progest&#225;geno, n&#227;o tem nenhum benef&#237;cio na fun&#231;&#227;o cognitiva e na preven&#231;&#227;o de dem&#234;ncia de pacientes no climat&#233;rio, sendo ambas as abordagens provavelmente delet&#233;rias.</p>
    <p>Independentemente de outros efeitos delet&#233;rios e ben&#233;ficos de TRH, sociedades cient&#237;ficas de diversos pa&#237;ses t&#234;m se posicionado predominantemente contra a indica&#231;&#227;o de TRH com vistas &#224; preven&#231;&#227;o de DCV. O documento mais robusto &#233; certamente o elaborado e subscrito por 36 sociedades cient&#237;ficas ou &#243;rg&#227;os oficiais nos Estados Unidos, que concluiu, em 2007, que essa terapia est&#225; contraindicada para preven&#231;&#227;o prim&#225;ria ou secund&#225;ria de doen&#231;a cardiovascular em mulheres, cotando-a como interven&#231;&#227;o de classe III (ineficaz e possivelmente delet&#233;ria), com base em n&#237;vel de evid&#234;ncia A<sup>17</sup>. H&#225; diversas sociedades de ginecologia e de menopausa entre as entidades que elaboraram ou subscreveram o documento.</p>
    <p>A diretriz brasileira que deu origem a este coment&#225;rio<sup>1</sup>, indicando TRH para preven&#231;&#227;o de DCV na dita "janela de oportunidade", se antep&#245;e completamente &#224;s evid&#234;ncias comentadas e &#224; posi&#231;&#227;o de sociedades cient&#237;ficas de outros pa&#237;ses. Os autores da Diretriz brasileira justificam sua posi&#231;&#227;o afirmando que os estudos comentados foram feitos com estr&#243;genos conjugados equinos, extra&#237;dos da urina de &#233;guas gr&#225;vidas, o cl&#225;ssico e mundialmente conhecido Premarin<sup>&#174;</sup>, e n&#227;o com estradiol, hoje empregado por via transd&#233;rmica. Tamb&#233;m questionam o progest&#225;geno empregado, aventando que outras op&#231;&#245;es, tipicamente na linha de comercializa&#231;&#227;o atual de grandes corpora&#231;&#245;es farmac&#234;uticas, possam ter efeito diverso. Os horm&#244;nios mais novos, entretanto, n&#227;o foram testados em ensaios cl&#237;nicos randomizados com vistas a demonstrar sua efic&#225;cia na preven&#231;&#227;o de DCV. Como reproduzem a atividade biol&#243;gica principal dos agentes mais antigos, &#233; dif&#237;cil supor que tenham efeitos absolutamente divergentes nesse contexto. A id&#233;ia da "janela de oportunidade" &#233; defendida tamb&#233;m com base no fato de as pacientes dos estudos WHI e HERS serem, em m&#233;dia, idosas. A m&#233;dia de idade das pacientes do estudo WHI era de 63 anos, mas um ter&#231;o tinha entre 50 e 59 anos. N&#227;o houve intera&#231;&#227;o entre idade e efeitos do tratamento, demonstrando que esse n&#227;o foi diferente nas pacientes mais jovens, muitas delas na considerada "janela de oportunidade".</p>
    <p>Por fim, no arrazoado com que defendem o uso de TRH com vistas &#224; preven&#231;&#227;o de DCV, os autores da Diretriz afirmam que o ju&#237;zo cl&#237;nico n&#227;o deve levar em conta somente as evid&#234;ncias colhidas nos ensaios cl&#237;nicos randomizados controlados por placebo, mas sim o conjunto de vari&#225;veis cl&#237;nicas e de fatores de riscos apresentados pela paciente. Essa posi&#231;&#227;o sof&#237;stica n&#227;o pode obviamente se antepor ao peso da evid&#234;ncia de boa qualidade e a aus&#234;ncia de qualquer evid&#234;ncia concreta que a sustente.</p>
    <p>As considera&#231;&#245;es apresentadas s&#227;o suficientemente fortes para questionar a indica&#231;&#227;o de TRH para prevenir DCV feita pela I Diretriz Brasileira. Enquanto os cardiologistas brasileiros n&#227;o reconsiderarem sua indica&#231;&#227;o oficial, entendo ser prudente seguir as <italic>Diretrizes da American Heart Association</italic> e suas mais de 30 associadas para reduzir o risco cardiovascular em mulheres no climat&#233;rio.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflito de interesses pertinentes.</p>
    <p>
      <bold>Fontes de Financiamento</bold>
    </p>
    <p>O presente estudo n&#227;o teve fontes de financiamento externas.</p>
    <p>
      <bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>N&#227;o h&#225; vincula&#231;&#227;o deste estudo a programas de p&#243;s-gradua&#231;&#227;o.</p>
    <p>
      <fn id="back" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold> Correspond&#234;ncia:</bold>
        </label>
        <p>Fl&#225;vio Danni Fuchs  </p>
        <p>Servi&#231;o de Cardiologia, Hospital de Cl&#237;nicas de Porto Alegre, Ramiro Barcelos </p>
        <p> 2350, 90.035-903, Porto Alegre, RS - Brasil </p>
        <p>E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="ffuchs@hcpa.ufrgs.br">ffuchs@hcpa.ufrgs.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 06/09/2008; revisado recebido em 20/10/2008; aceito em 23/10/2008.</p>
  </body>
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        <mixed-citation>1. Sociedade Brasileira    de Cardiologia. I Diretriz brasileira sobre preven&#231;&#227;o de doen&#231;as    cardiovasculares em mulheres climat&#233;ricas e a influ&#234;ncia da terapia    de reposi&#231;&#227;o hormonal (TRH). Arq Bras Cardiol. 2008; 91 (1 supl.1):    1-23.</mixed-citation>
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          <article-title>I Diretriz brasileira sobre preven&#231;&#227;o de doen&#231;as cardiovasculares em mulheres climat&#233;ricas e a influ&#234;ncia da terapia de reposi&#231;&#227;o hormonal (TRH)</article-title>
          <source>Arq Bras Cardiol</source>
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            <year>2008</year>
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          <lpage>23</lpage>
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          <volume>91</volume>
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        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>Estrogen plus progestin and the incidence of dementia and mild cognitive impairment in postmenopausal women: the Women's Health Initiative Memory Study: a randomized controlled trial</article-title>
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        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>Conjugated equine estrogens and incidence of probable dementia and mild cognitive impairment in postmenopausal women: Women's Health Initiative Memory Study</article-title>
          <source>JAMA</source>
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          <article-title>Expert Panel/Writing Group; American Heart Association; American Academy of Family Physicians; American College of Obstetricians and Gynecologists; American College of Cardiology Foundation; Society of Thoracic Surgeons; American Medical Women's Association; Centers for Disease Control and Prevention; Office of Research on Women's Health; Association of Black Cardiologists; American College of Physicians; World Heart Federation; National Heart, Lung, and Blood Institute; American College of Nurse Practitioners. Evidence-based guidelines for cardiovascular disease prevention in women: 2007 update</article-title>
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          <subject>Point of View</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Hormonal replacement and cardiovascular disease: a guideline against the evidence</article-title>
      </title-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>POINT OF VIEW</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="top-body2">
          <label>
            <bold>Hormonal replacement and Cardiovascular Disease: a guideline against the evidence</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Fl&#225;vio Danni Fuchs</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Hospital de Cl&#237;nicas de Porto Alegre, Porto Alegre, RS - Brazil</p>
      <p>Mailing address</p>
      <p><bold>Key Words:</bold> Cardiovascular diseases / prevention and control; climacteric; menopause; hormone replacement therapy.</p>
      <p>The I Brazilian Guideline for the Prevention of Cardiovascular Diseases in Climacteric Women was recently published in the <italic>Archives</italic><sup>1</sup>. The initiative is welcome, but it is evident that, even though it is a joint guideline of the Brazilian Society of Cardiology (SBC) and of the Brazilian Society of Climacterium, there is a predominance of colleagues specialized in climacterium among its authors. Only six out 40 participants are cardiologists and practically all of the others are members of the Brazilian Association of Climacterium. Undoubtedly, colleagues that take care of climacteric patients do have expertise in their whole care, but cardiologists surely understand about the prevention of cardiovascular diseases. The lack of isonomy among the specialists who wrote the guideline is inverted at the time of the publication. For now, the publication has been restricted to the <italic>Archives</italic>, a Brazilian leading journal with high visibility. I am unaware of the existence of a journal of the associated specialty and there is no mention of this guideline on the page of the Brazilian Society of Climacterium. I am also unaware of the current rules for guidelines of the SBC, which should include recommendations for carrying out guidelines together with other societies. The formal aspects regarding the publication of this guideline, however, are not the aim of this comment, which intends to challenge, based on the best available evidence, the recommendation for using hormonal replacement therapy (HRT) to prevent cardiovascular disease (CVD) in climacteric women.</p>
      <p>Most recommendations from the guideline are universally accepted, applicable to men and women, independently of women being climacteric or not. The main question, however, is the view regarding the indication of HRT aiming at the prevention of CVD. The authors of the guideline affirm that they have searched 574 studies, of which 114 publications were extracted and these were assessed in depth to make up the basis of the knowledge and the available levels of evidence. Based on these publications (which are not specifically cited to substantiate the recommendation), several conclusions have been established by consensus. The statement that there are cardiovascular risks when the HRT is initiated late (Class III, Level of Evidence B), there are no repairs (see below). The conclusion that precedes this statement, i.e., that there is evidence of cardiovascular benefits when the HRT is initiated during the menopausal transition or during the first post-menopausal years (called "window of opportunity") (Class IIa, Level of Evidence B) (literal reproduction of the text, my underlining), is not acceptable and goes against the available evidence. Otherwise, let us see.</p>
      <p>The idea that female hormones are protective against CVD is old and is still deeply rooted. It was drawn from the observation of a lower incidence of CVD in women before menopause, being apparently corroborated by old observational studies. The belief was so strong that estrogens were even administered to men aiming at the secondary prevention of cardiovascular disease. A well-designed clinical trial, the Coronary Drug Project, published in the 70's, abolished that practice, since men treated with estrogens presented a higher incidence of myocardial infarction than recipients of placebo, leading to an early interruption of this arm of the study<sup>2</sup>. The idea that estrogen protects pre-menopausal women has been questioned by the progressive increase in the incidence of coronary heart disease in young women. Probably, the risks to which they are currently exposed, such as the habit of smoking and the competitive professional life, are the real reasons for the loss of the protection, wrongly attributed to the female hormones.</p>
      <p>Studies about the putative protection of HRT can be divided as cohort studies, clinical trials with surrogate outcomes and clinical trials with hard outcomes.</p>
      <p>More than 20 observational studies were practically homogenous when identifying a lower incidence of CVD among estrogen users. One of the first suggested that even general mortality was lower among women who used HRT<sup>3</sup>. The cohort study with the highest impact was the Nurses' Health Study<sup>4</sup>. This study, which followed 59,337 women for a long period of time, observed a reduction of 40% in the incidence of coronary artery disease (CAD) among HRT users. A meta-analysis of 25 studies showed a relative risk of 0.70 for coronary disease among estrogen users<sup>5</sup>.</p>
      <p>The evidence from observational studies, however, must be taken as hypothesis generators, since some are confirmed in clinical trials and others are not. Vandenbroucke<sup>6</sup> questioned, as early as in 1991, whether the results of these cohort studies could not be biased by the healthier life style of HRT users<sup>6</sup>, the ''healthy cohort effect''. Many confounding variables were controlled in the analysis of those cohorts, but Vandenbroucke called attention to the fact that one, the will to live, was impossible to control for, and that it could be expressed by reasons not investigated in the cohort studies.</p>
      <p>Moving ahead in the hierarchy of evidence, we reach clinical trials. Several have been carried out in this area, but most of them employed surrogate outcomes. The largest of them was the PEPI<sup>7</sup> clinical trial, which allocated 875 post-menopausal women to receive placebo or several associations of hormones. There was an increase in HDL levels and fibrinogen decrease, especially among the patients treated with isolated estrogens. The results of the ILLUMINATE study, in which there was a marked increase in mortality among patients treated with torcetrapib, in spite of increases of more than 60% in HDL levels<sup>8</sup>, suggest that HDL is not a good substitute of hard outcomes of CAD. Another well-designed clinical trial with surrogate outcomes, published more recently<sup>9</sup>, showed no effect of HRT on the onset of new lesions or the progression of the existing coronary lesions, determined by quantitative angiography. This null effect occurred in spite of the decrease in LDL and increase in HDL levels observed among those treated with hormones.</p>
      <p>Randomized clinical trials with primordial outcomes, by definition, the outcomes that are easily understood by patients' themselves<sup>10</sup>, such as mortality, myocardial infarction, stroke and others, are the ones that provide more consistent responses for the therapeutic decision-making. There is a small number of consistent studies in this context.</p>
      <p>The first was the HERS<sup>11</sup> study, which evaluated the effect of the estrogen-progesterone association in the secondary prevention of cardiovascular disease in post-menopausal women with established coronary disease. Surprisingly, at that time, there was an increase of 52% in the risk of coronary heart disease during the first year of the study in the women treated with HRT, a risk that apparently became diluted during the subsequent years. However, the study follow-up confirmed that the risk persisted with the prolonged use<sup>12</sup>. There was also an important increase in the incidence of venous thromboembolic events, including pulmonary embolism, among the participants treated with HRT. The study was intensely debated and criticized. The criticism that was ultimately consistent concerned the older age of the participants (mean of 67 years) and that the pro-thrombotic effects of the HRT would have exteriorized due to the existence of previous vascular disease. The largest study directed at the assessment of the efficacy of HRT in the primary prevention of CAD and other primary outcomes is known by the acronym WHI<sup>13</sup>, even though it is only one of the studies of a major investigation on women's health in the USA (Women's Health Initiative). In total, 8,506 patients were randomized to use 0.625 mg/day of conjugated equine estrogens and 2.5 mg/day of medroxyprogesterone, with 8,102 receiving a placebo. After 5.2 years of follow-up, the incidence of the primary outcome, fatal and non-fatal CAD, was 29% higher among the HRT users (95%CI corresponding to an increase of at least 2% up to an increase of 63%).</p>
      <p>In a parallel trial, with conjugated estrogen without progestagens compared to placebo in hysterectomized women, there was no increase in the incidence of CAD and breast cancer, but the incidence of stroke was 39% (95%CI: 10 - 77%) higher in the patients treated with estrogen<sup>14</sup>, similarly to what was observed in the study with the association of progestagen.</p>
      <p>Other HRT risks must be mentioned. The colleagues who are specialized in climacterium have a legitimate interest and competence to care for the prevention of cardiovascular diseases of their patients. On the other hand, cardiologists also have a commitment with other health issues of their patients. The doubled incidence of venous thromboembolic events and the 26% increase in the incidence of invasive breast carcinoma in patients treated with HRT in the WHI<sup>13</sup> study are substantial reasons to avoid the prolonged use of HRT. There were benefits regarding the prevention of fractures and colorectal cancer, but they were broadly overcome in absolute number by the acknowledged adverse effects. Other analyses of the WHI<sup>15,16</sup> study showed that the HRT, with isolated estrogens or estrogens associated with progestagen, did not have any beneficial effect on the cognitive function or dementia prevention in climacteric patients, with both approaches probably being deleterious.</p>
      <p>Regardless of other deleterious and beneficial effects of HRT, scientific societies from several countries have been predominantly against the indication of HRT aiming at the prevention of CVD. The most solid document is certainly the one elaborated and subscribed by 36 Scientific Societies or Official Organs in the USA, which concluded, in 2007, that this therapy is contraindicated for the primary or secondary cardiovascular disease prevention in women, classifying it as a Class III intervention (ineffective and possibly deleterious), based on a level of evidence A<sup>17</sup>. There are several Societies of Gynecology and Menopause among the entities that elaborated or subscribed the document.</p>
      <p>The Brazilian guideline that originated this comment<sup>1</sup>, indicating HRT for the prevention of CVD during the so-called "window of opportunity", is completely contrary to the commented evidence and the position of the scientific societies from other countries. The authors of the Brazilian guideline justify their position affirming that the commented studies were carried out with equine conjugated estrogens, extracted from the urine of pregnant mares, the classic and worldwide known Premarin<sup>&#174;</sup>, and not with estradiol, currently employed as transdermal patches. They also questioned the type of progestagen employed, saying that other options, typically being currently commercialized by large pharmaceutical corporations, might have a different effect. The newer hormones, however, have not been tested in randomized clinical trials, with the objective of demonstrating its efficacy in the prevention of CVD. As they reproduce the main biological activity of the older agents, it is difficult to suppose that they have effects that are completely different in this context. The idea of the "window of opportunity" is also defended based on the fact that the patients from the WHI and HERS studies were, on average, elderly. The mean age of the patients in the WHI study was 63 years, but 1/3 was aged between 50 and 59 years. There was no interaction between age and the treatment effect, demonstrating that the latter was not different among younger patients, many of them at the so-called "window of opportunity". Finally, the authors of the guideline stated that the clinical reasoning must take into account not only the evidence collected from placebo-controlled randomized clinical trials, but also the set of clinical variables and the risk factors presented by the patient. This sophist position certainly cannot deny the evidence of higher quality and the absence of any concrete evidence that supports it.</p>
      <p>The presented considerations are sufficiently strong to question the indication of HRT to prevent CVD proposed by the I Brazilian Guideline. Meanwhile the Brazilian Society of Cardiology does not reconsider its official guideline, I understand it is prudent to follow the guidelines of the American Heart Association and of its more than 30 associated societies to reduce the cardiovascular risk in climacteric women.</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>Sources of Funding</bold>
      </p>
      <p>There were no external funding sources for this study.</p>
      <p>
        <bold>Study Association</bold>
      </p>
      <p>This study is not associated with any post-graduation program.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
  <sub-article article-type="translation" id="TRes" xml:lang="es">
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      <article-categories/>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="es">Reposici&#243;n hormonal y enfermedad cardiovascular: una directriz contraria a la evidencia</article-title>
      </title-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>PUNTO DE VISTA</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="top-body3">
          <label>
            <bold>Reposici&#243;n hormonal y enfermedad cardiovascular: una directriz contraria a la evidencia </bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Fl&#225;vio Danni Fuchs</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Hospital de Cl&#237;nicas de Porto Alegre, Porto Alegre, RS - Brasil</p>
      <p>Correspondencia</p>
      <p><bold>Palabras clave:</bold> Enfermedades cardiovasculares / prevenci&#243;n y control, climaterio, menopausia, terapia de reposici&#243;n hormonal.</p>
      <p>La I Diretriz Brasile&#241;a para la Prevenci&#243;n de Enfermedades Cardiovasculares en Mujeres Climat&#233;ricas fue recientemente publicada en los <italic>Arquivos</italic> (<italic>Archivos</italic>)<sup>1</sup>. La iniciativa es bien recibida, pero llama la atenci&#243;n que incluso trat&#225;ndose de una directriz conjunta de la SBC (Sociedad Brasile&#241;a de Cardiolog&#237;a) y de la Asociaci&#243;n Brasile&#241;a del Climaterio, hay un franco predominio de colegas de la especialidad del Climaterio entre sus redactores. S&#243;lo seis entre los 40 participantes son cardi&#243;logos, siendo pr&#225;cticamente todos los dem&#225;s, miembros de la Asociaci&#243;n Brasile&#241;a del Climaterio. Ciertamente los colegas que tratan clientes en esa condici&#243;n entienden ese problema, pero de prevenci&#243;n de enfermedad cardiovascular entienden bien los cardi&#243;logos. La falta de isonom&#237;a entre las especialistas en la redacci&#243;n de la directriz se invierte a la hora de su publicaci&#243;n. Por el momento, la publicaci&#243;n s&#243;lo fue realizada en <italic>Arquivos</italic>, publicaci&#243;n peri&#243;dica l&#237;der brasile&#241;a y de alta visibilidad. Desconozco la existencia de publicaci&#243;n peri&#243;dica nacional de la especialidad asociada, y ni siquiera en la p&#225;gina de la Sociedad Brasile&#241;a del Climaterio se mencionan estas directrices. Desconozco tambi&#233;n la actual normalizaci&#243;n para la realizaci&#243;n de directrices por parte de la SBC, que entiendo debe abrigar orientaciones para la realizaci&#243;n de directrices conjuntas con otras sociedades. La perplejidad con el formato y la divulgaci&#243;n, con todo, no es el tema de este comentario, que pretende rebatir, basado en s&#243;lido fundamento, la recomendaci&#243;n de usar la terapia de reposici&#243;n hormonal (TRH) para la prevenci&#243;n de enfermedad cardiovascular (ECV) en mujeres en climaterio.</p>
      <p>Buena parte de la Directriz reproduce recomendaciones de aceptaci&#243;n universal, aplicable a hombres y mujeres, estando &#233;stos en el climaterio o no. El punto central, sin embargo, es el posicionamiento sobre la indicaci&#243;n de la TRH con miras a la prevenci&#243;n de ECV. Los autores de la Directriz afirman haber investigado 574 estudios, de los cuales fueron extra&#237;das 114 publicaciones que fueron evaluadas m&#225;s profundamente para componer la base de conocimientos y los niveles de evidencia disponibles. En base a estas publicaciones (que no se citan espec&#237;ficamente para fundamentar la recomendaci&#243;n), establecieron, por consenso, diversas conclusiones. Sobre una de ellas, la de que hay riesgos cardiovasculares cuando la TRH se inicia tard&#237;amente (Clase III, Nivel de Evidencia B), no hay reparos (ver m&#225;s adelante). La conclusi&#243;n que antecede a &#233;sta, de que "<italic>existen evidencias de beneficios cardiovasculares cuando la TRH se inicia en la transici&#243;n menop&#225;usica o en los primeros a&#241;os de post menopausia (llamada ventana de oportunidad) (Clase IIa, Nivel de evidencia B)</italic>" (reproducci&#243;n literal, el destaque en cursiva es de mi autor&#237;a), no es aceptable y atenta fuertemente contra la evidencia disponible. Si no, veamos.</p>
      <p>La idea de que las hormonas femeninas son protectoras contra la ECV es antigua y todav&#237;a arraigada. Se origin&#243; en la observaci&#243;n de menor incidencia de ECV en mujeres antes de la menopausia, siendo aparentemente corroborada por antiguos estudios observacionales. La creencia era tan fuerte que los estr&#243;genos fueron, de hecho, administrados a hombres con miras a la prevenci&#243;n secundaria de enfermedad cardiovascular. Un elegante ensayo cl&#237;nico, el "Coronary Drug Project", con resultados publicados en la d&#233;cada de 70 del siglo pasado, elimin&#243; la pr&#225;ctica corriente en aquella &#233;poca, pues los hombres tratados con estr&#243;geno tuvieron mayor incidencia de infarto de miocardio que los que recibieron el placebo, siendo necesario interrumpir precozmente este brazo del estudio<sup>2</sup>. La teor&#237;a de la protecci&#243;n estrog&#233;nica en mujeres premenop&#225;usicas se viene cuestionando por el progresivo aumento de la incidencia de cardiopat&#237;a isqu&#233;mica en mujeres j&#243;venes. Probablemente los riesgos a que &#233;stas se exponen actualmente, como el h&#225;bito de fumar y la competitiva vida profesional, sean las razones reales para la p&#233;rdida de protecci&#243;n, err&#243;neamente atribuida a las hormonas femeninas.</p>
      <p>Los estudios sobre el tema pueden dividirse en estudios de cohorte, ensayos cl&#237;nicos con desenlaces secundarios y ensayos cl&#237;nicos con desenlaces primarios. M&#225;s de 20 estudios observacionales fueron pr&#225;cticamente homog&#233;neos al identificar menor incidencia de ECV entre usuarias de estr&#243;genos. Uno de los primeros suger&#237;a que incluso la mortalidad general era menor en esas pacientes<sup>3</sup>. El de mayor impacto, no obstante, fue el de la cohorte de enfermeras americanas (<italic>The Nurses' Health Study</italic>)<sup>4</sup>. Este estudio, que acompa&#241;&#243; 59.337 mujeres por un largo per&#237;odo, observ&#243; una reducci&#243;n del 40% en la incidencia de enfermedad arterial coronaria (EAC) entre las usuarias de TRH. Un metaan&#225;lisis de 25 estudios de cohorte mostr&#243; un riesgo relativo de 0,70 para enfermedad coronaria en usuarias de estr&#243;genos<sup>5</sup>.</p>
      <p>Las evidencias de estudios observacionales, sin embargo, tienen que ser tomadas hoy como generadoras de hip&#243;tesis, pues algunas se confirman con ensayos cl&#237;nicos y otras no. Vandenbroucke<sup>6</sup> ya cuestionaba, en 1991, si el resultado de esos estudios de cohorte no podr&#237;an estar influenciados por un estilo de vida m&#225;s saludable de las usuarias de TRH<sup>6</sup>, el ''<italic>healthy cohort effect</italic>''. Muchas variables de confusi&#243;n fueron controladas en el an&#225;lisis de aquellas cohortes, pero Vandenbroucke<sup>6</sup> observ&#243; que una, las ganas de vivir, era incontrolable, pudiendo ser expresada por razones diferentes a las existentes en los bancos de datos de los estudios.</p>
      <p>Progresando en la jerarqu&#237;a de la evidencia, se llega a los ensayos cl&#237;nicos. Diversos fueron realizados en esa &#225;rea, pero muchos emplearon desenlaces secundarios. El mayor de ellos es el ensayo cl&#237;nico PEPI<sup>7</sup>, que administr&#243; a 875 mujeres post menop&#225;usicas un placebo o diversas asociaciones de hormonas. Hubo aumento de HDL y reducci&#243;n de fibrin&#243;geno, especialmente entre las pacientes tratadas con estr&#243;genos aislados. Los resultados del estudio ILLUMINATE, en que hubo un acentuado aumento de la mortalidad en pacientes tratados con torcetrapib, a pesar de elevaciones de m&#225;s del 60% en los niveles de HDL<sup>8</sup>, sugieren que &#233;ste no sea un buen sustituto de eventos primarios en cardiopat&#237;a isqu&#233;mica. En otro elegante ensayo cl&#237;nico con desenlaces secundarios, publicado m&#225;s recientemente<sup>9</sup>, no hubo ning&#250;n efecto de hormonas femeninas en el surgimiento de nuevas lesiones o progresi&#243;n de las lesiones coronarias existentes, determinadas por angiograf&#237;a cuantitativa. Este efecto nulo se dio a pesar de la reducci&#243;n del LDL y del aumento del HDL observado entre las tratadas con hormona.</p>
      <p>Los ensayos cl&#237;nicos randomizados con desenlaces primarios, por definici&#243;n los desenlaces comprendidos f&#225;cilmente por los propios pacientes<sup>10</sup>, tales como mortalidad, infarto de miocardio, AVC y otros, son los que dan las respuestas m&#225;s consistentes para la decisi&#243;n terap&#233;utica. Hay un pu&#241;ado de estudios consistentes en ese contexto.</p>
      <p>El primero fue el estudio HERS<sup>11</sup>, que evalu&#243; el efecto de la asociaci&#243;n estr&#243;geno-progest&#225;geno en la prevenci&#243;n secundaria de la enfermedad cardiovascular en mujeres post menop&#225;usicas con enfermedad coronaria establecida. Sorprendentemente, en la &#233;poca, hubo un aumento del 52% en el riesgo de enfermedad card&#237;aca isqu&#233;mica en el primero a&#241;o del estudio en las mujeres tratadas con TRH, riesgo que aparentemente se dilu&#237;a en los a&#241;os subsiguientes. No obstante, el seguimiento del estudio confirm&#243; que el riesgo persist&#237;a con el uso prolongado<sup>12</sup>. Hubo tambi&#233;n un importante aumento en la incidencia de eventos tromboemb&#243;licos venosos, incluyendo embolia pulmonar entre las participantes tratadas con TRH. El estudio fue intensamente debatido y criticado. Las cr&#237;ticas eventualmente consistentes eran la de que la edad de las participantes era avanzada (un promedio de 67 a&#241;os), y que efectos protromb&#243;ticos de la TRH se habr&#237;an exteriorizado por la existencia de enfermedad vascular previa.</p>
      <p>El mayor estudio orientado a la evaluaci&#243;n de la eficacia de TRH en la prevenci&#243;n primaria de la EAC y otros desenlaces primarios es el conocido por la sigla WHI<sup>13</sup>, a pesar de ser solamente uno de los estudios de gran iniciativa de investigaci&#243;n sobre la salud de mujeres en los Estados Unidos (<italic>Women's Health Initiative</italic>). En total, se tomaron aleatoriamente 8.506 pacientes para emplear 0,625 mg/d&#237;a de estr&#243;genos equinos conjugados y 2,5 mg/d&#237;a de medroxiprogesterona, siendo 8.102 asignadas a placebo. Despu&#233;s de 5,2 a&#241;os de seguimiento, la incidencia de desenlace primario, EAC falta y no fatal, fue un 29% mayor en las usuarias de TRH (IC 95% correspondiendo a un aumento de por lo menos un 2% hasta un aumento del 63%)</p>
      <p>En un ensayo cl&#237;nico paralelo al estudio WHI, en el cual se emple&#243; s&#243;lo el estr&#243;geno conjugado en pacientes histerectomizadas, no hubo aumento de la incidencia de EAC y c&#225;ncer de mama, pero la incidencia de AVC fue de un 39% (IC 95% del 10% al 77%) mayor en las pacientes tratadas con estr&#243;geno<sup>14</sup>, de forma similar al observado en el estudio con asociaci&#243;n de progest&#225;geno.</p>
      <p>Otros riesgos de la TRH deben ser comentados. Los colegas especialistas en el climaterio tienen leg&#237;timo inter&#233;s y competencia para el cuidado de las enfermedades cardiovasculares de sus pacientes. En contrapartida, los cardi&#243;logos tambi&#233;n tienen un compromiso con otros aspectos de la salud de sus pacientes. La incidencia duplicada de eventos tromboemb&#243;licos venosos y el aumento del 26% en la incidencia de carcinoma de mama invasivo en las pacientes tratadas con TRH en el estudio WHI<sup>13</sup> son otras razones sustancialrs para que se evite el uso prolongado de la TRH. Hubo beneficio en cuanto a la prevenci&#243;n de fracturas y c&#225;ncer colorrectal, pero fueron ampliamente superadas en n&#250;meros absolutos por los efectos adversos indicados. En otros an&#225;lisis del estudio WHI<sup>15,16</sup>, se verific&#243; que la TRH, con estr&#243;genos aislados o asociados a progest&#225;geno, no tiene ning&#250;n beneficio en la funci&#243;n cognitiva ni en la prevenci&#243;n de demencia de pacientes en el climaterio, siendo ambos enfoques probablemente nocivos.</p>
      <p>Independientemente de otros efectos delet&#233;reos y ben&#233;ficos de la TRH, sociedades cient&#237;ficas de diversos pa&#237;ses se han posicionado predominantemente en contra de la indicaci&#243;n de la TRH con miras a la prevenci&#243;n de ECV. El documento m&#225;s robusto es ciertamente el elaborado y suscrito por 36 sociedades cient&#237;ficas u &#243;rganos oficiales en los Estados Unidos, que concluy&#243;, en 2007, que esta terapia est&#225; contraindicada para prevenci&#243;n primaria o secundaria de enfermedad cardiovascular en mujeres, clasific&#225;ndola como intervenci&#243;n de clase III (ineficaz y posiblemente delet&#233;rea), en base al nivel de evidencia A<sup>17</sup>. Hay diversas sociedades de ginecolog&#237;a y de menopausia entre las entidades que elaboraron o suscribieron el documento.</p>
      <p>La directriz brasile&#241;a que dio origen a este comentario<sup>1</sup>, indicando la TRH para la prevenci&#243;n de ECV en la llamada "ventana de oportunidad", se antepone completamente a las evidencias comentadas y a la posici&#243;n de sociedades cient&#237;ficas de otros pa&#237;ses. Los autores de la Directriz brasile&#241;a justifican su posici&#243;n afirmando que los estudios comentados fueron realizados con estr&#243;genos conjugados equinos, extra&#237;dos de la orina de yeguas pre&#241;adas, el cl&#225;sico y mundialmente conocido Premarin<sup>&#174;</sup>, y no con estradiol, hoy empleado por v&#237;a transd&#233;rmica. Tambi&#233;n cuestionan el progest&#225;geno empleado, sugiriendo que otras opciones, t&#237;picamente en la l&#237;nea de comercializaci&#243;n actual de grandes corporaciones farmac&#233;uticas, puedan tener efecto diverso. Las hormonas m&#225;s nuevas, con todo, no fueron probadas en ensayos cl&#237;nicos randomizados con miras a demostrar su eficacia en la prevenci&#243;n de ECV. Como reproducen la actividad biol&#243;gica principal de los agentes m&#225;s antiguos, es dif&#237;cil suponer que tengan efectos absolutamente divergentes en ese contexto. La idea de la "ventana de oportunidad " es defendida tambi&#233;n en base al hecho de que las pacientes de los estudios WHI y HERS eran en promedio, ancianas. El promedio de edad de las pacientes del estudio WHI era de 63 a&#241;os, pero un tercio ten&#237;a entre 50 y 59 a&#241;os. No hubo interacci&#243;n entre edad y efectos del tratamiento, demostrando que &#233;ste no fue diferente en las pacientes m&#225;s j&#243;venes, muchas de ellas en la considerada "ventana de oportunidad".</p>
      <p>Por fin, en el alegato con que defienden el uso de la TRH con miras a la prevenci&#243;n de ECV, los autores de la Directriz afirman que el juicio cl&#237;nico no debe tomar en cuenta solamente las evidencias recogidas en los ensayos cl&#237;nicos aleatorios controlados por placebo, sino el conjunto de las variables cl&#237;nicas y de factores de riesgo presentados por la paciente. Esta posici&#243;n sofista no puede obviamente anteponerse al peso de la evidencia de buena calidad y a la ausencia de cualquier evidencia concreta que le d&#233; sustento.</p>
      <p>Las consideraciones presentadas son suficientemente fuertes para cuestionar la indicaci&#243;n de la TRH para la prevenci&#243;n de ECV realizada por la I Directriz Brasile&#241;a. Mientras los cardi&#243;logos brasile&#241;os no reconsideren su indicaci&#243;n oficial, entiendo prudente seguir las Directrices de la American Heart Association y sus m&#225;s de 30 asociadas para reducir el riesgo cardiovascular en mujeres en el climaterio.</p>
      <p>
        <bold>Referencias</bold>
      </p>
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  </sub-article>
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