<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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          <subject>Relato de Caso</subject>
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        <article-title>Tumor em ventr&#237;culo direito em paciente com melanoma</article-title>
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        <institution content-type="orgname">Funda&#231;&#227;o Universit&#225;ria de Cardiologia</institution>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>09</month>
        <year>2008</year>
      </pub-date>
      <volume>91</volume>
      <issue>3</issue>
      <fpage>e21</fpage>
      <lpage>e24</lpage>
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          <day>03</day>
          <month>09</month>
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        <date date-type="accepted">
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
        </license>
      </permissions>
      <abstract>
        <p>Os tumores prim&#225;rios card&#237;acos s&#227;o infreq&#252;entes; entretanto, as neoplasias metast&#225;ticas com acometimento do cora&#231;&#227;o s&#227;o mais comuns. Alguns tumores apresentam, em estudos post-mortem, implantes secund&#225;rios card&#237;acos com freq&#252;&#234;ncias que superam 50%. Esse comprometimento deve ser lembrado em pacientes com hist&#243;ria de neoplasia, que apresentem dist&#250;rbios de condu&#231;&#227;o, sopro, cardiomegalia ou arritmias. Relatar-se-&#225;, a seguir, o caso de um homem de 39 anos, encaminhado por cansa&#231;o e dispn&#233;ia aos esfor&#231;os. Ecocardiograma evidenciou grande massa tumoral em ventr&#237;culo direito. A hist&#243;ria m&#233;dica pregressa revelou antecedentes de melanoma e a avalia&#231;&#227;o complementar mostrou doen&#231;a metast&#225;tica para pulm&#245;es, cora&#231;&#227;o e c&#233;rebro, com evolu&#231;&#227;o a &#243;bito. Os aspectos singulares do caso s&#227;o a presen&#231;a de uma grande massa no ventr&#237;culo direito de origem metast&#225;tica, ilustrando um quadro cl&#237;nico raro e de progn&#243;stico reservado.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Tumores</kwd>
        <kwd>ventr&#237;culos card&#237;acos</kwd>
        <kwd>melanoma</kwd>
        <kwd>met&#225;stase neopl&#225;sica</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>01</day>
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        <year>2008</year>
      </pub-date>
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  <body>
    <p>
      <bold>RELATO DE CASO</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Tumor em ventr&#237;culo direito em paciente com melanoma</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Vin&#237;cius Daudt Morais; Fl&#225;vio Dalbem; Kr&#225;s Borges; Vicente Restelli</bold>
    </p>
    <p> Instituto de Cardiologia - Funda&#231;&#227;o Universit&#225;ria de Cardiologia, Porto Alegre, RS - Brasil</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p>Os tumores prim&#225;rios card&#237;acos s&#227;o infreq&#252;entes; entretanto, as neoplasias metast&#225;ticas com acometimento do cora&#231;&#227;o s&#227;o mais comuns. Alguns tumores apresentam, em estudos post-mortem, implantes secund&#225;rios card&#237;acos com freq&#252;&#234;ncias que superam 50%. Esse comprometimento deve ser lembrado em pacientes com hist&#243;ria de neoplasia, que apresentem dist&#250;rbios de condu&#231;&#227;o, sopro, cardiomegalia ou arritmias. Relatar-se-&#225;, a seguir, o caso de um homem de 39 anos, encaminhado por cansa&#231;o e dispn&#233;ia aos esfor&#231;os. Ecocardiograma evidenciou grande massa tumoral em ventr&#237;culo direito. A hist&#243;ria m&#233;dica pregressa revelou antecedentes de melanoma e a avalia&#231;&#227;o complementar mostrou doen&#231;a metast&#225;tica para pulm&#245;es, cora&#231;&#227;o e c&#233;rebro, com evolu&#231;&#227;o a &#243;bito. Os aspectos singulares do caso s&#227;o a presen&#231;a de uma grande massa no ventr&#237;culo direito de origem metast&#225;tica, ilustrando um quadro cl&#237;nico raro e de progn&#243;stico reservado. </p>
    <p><bold>Palavras-chave: </bold> Tumores, ventr&#237;culos card&#237;acos, melanoma, met&#225;stase neopl&#225;sica.</p>
    <p>
      <bold>Introdu&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>Os tumores prim&#225;rios card&#237;acos s&#227;o entidades raras, com incid&#234;ncia aproximada de 0,02% em casu&#237;sticas de necropsias, em que 75% deles s&#227;o benignos. Os mixomas representam 50% dos casos. Comparativamente, as neoplasias secund&#225;rias ou metast&#225;ticas s&#227;o freq&#252;entes, apresentando uma incid&#234;ncia 20-100 vezes superior<sup>1,2</sup>. Uma freq&#252;&#234;ncia particularmente elevada de envolvimento card&#237;aco metast&#225;tico tem sido observada em carcinoma epiderm&#243;ide de pulm&#227;o (62%), tumores do trato urin&#225;rio (60%) e melanomas (45%)<sup>3</sup>.</p>
    <p>Uma das maiores casu&#237;sticas de pacientes terminais com c&#226;ncer mostrou que cerca de 8% dos pacientes apresentavam doen&#231;a metast&#225;tica envolvendo o cora&#231;&#227;o<sup>3</sup>.</p>
    <p>Os tumores card&#237;acos podem ser sintom&#225;ticos ou, mais comumente, achados incidentais, observados durante investiga&#231;&#227;o de um problema n&#227;o-relacionado. A apresenta&#231;&#227;o cl&#237;nica &#233; eminentemente relacionada &#224; de uma neoplasia disseminada, sendo as met&#225;stases card&#237;acas, via de regra, assintom&#225;ticas<sup>4</sup>.</p>
    <p>Relatar-se-&#225; a seguir o caso de um homem de 39 anos encaminhado a hospital de refer&#234;ncia por cansa&#231;o e dispn&#233;ia aos esfor&#231;os, associados a massa intracard&#237;aca, observada em ecocardiograma transtor&#225;cico. A despeito de ocorrerem freq&#252;entemente met&#225;stases card&#237;acas em neoplasias bastante incidentes, tais condi&#231;&#245;es s&#227;o pouco lembradas na pr&#225;tica cl&#237;nica. Tal caso se mostra relevante, uma vez que ressalta a import&#226;ncia das causas secund&#225;rias na investiga&#231;&#227;o de massas card&#237;acas e a repercuss&#227;o que essa ter&#225; na terap&#234;utica do paciente.</p>
    <p>
      <bold>Relato do Caso</bold>
    </p>
    <p>Em dezembro de 2006, um homem de 39 anos referiu que iniciara com sintomas de dispn&#233;ia e cansa&#231;o aos grandes esfor&#231;os. Tais sintomas mostraram discreta progress&#227;o nos meses subseq&#252;entes, de maneira que ele procurou cardiologista em mar&#231;o de 2007. Ao exame f&#237;sico, apresentava segunda bulha hiperfon&#233;tica e sopro sist&#243;lico grau 4, com epicentro em quarto espa&#231;o intercostal esquerdo, na borda paraesternal esquerda. Foi realizado ecocardiograma em abril de 2007, que evidenciou massa tumoral em via de entrada do ventr&#237;culo direito, com extens&#227;o at&#233; a via de sa&#237;da desse, causando obstru&#231;&#227;o importante de fluxo, associada &#224; hipertens&#227;o arterial pulmonar de grau moderado a importante (press&#227;o sist&#243;lica na art&#233;ria pulmonar: 60 mmHg) (<xref ref-type="fig" rid="fig1">fig. 1</xref>).</p>
    <fig id="fig1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-03-0e21-00012-gf01.jpg"/></fig>
    <p>O paciente foi internado em nossa institui&#231;&#227;o no dia 9/4/2007 por massa em ventr&#237;culo direito com vistas &#224; abordagem cir&#250;rgica.</p>
    <p>Na hist&#243;ria m&#233;dica pregressa do paciente havia a ressec&#231;&#227;o de uma les&#227;o cut&#226;nea em regi&#227;o cervical esquerda, cujo exame histopatol&#243;gico mostrou tratar-se de melanoma nodular, n&#237;vel III de Clark. Al&#233;m disso, ex&#233;rese de les&#227;o cut&#226;nea de antebra&#231;o direito, realizada em 2006, revelou melanoma tipo dissemina&#231;&#227;o superficial, com margens cir&#250;rgicas comprometidas.</p>
    <p>O eletrocardiograma apresentava bloqueio de ramo direito, aumento de &#225;trio direito e altera&#231;&#245;es secund&#225;rias da repolariza&#231;&#227;o ventricular.</p>
    <p>Em radiografia de t&#243;rax, foram observadas m&#250;ltiplas les&#245;es nodulares bilaterais, compat&#237;veis com implantes secund&#225;rios.</p>
    <p>A tomografia de t&#243;rax mostrou volumosa les&#227;o expansiva ocupando a cavidade ventricular direita, com redu&#231;&#227;o da amplitude das vias de entrada e de sa&#237;da do ventr&#237;culo direito, estendendo-se ao tronco da art&#233;ria pulmonar e por&#231;&#227;o proximal dos ramos principais direito e esquerdo. Havia ainda deslocamento do septo interventricular para a esquerda, derrame peric&#225;rdico moderado, m&#250;ltiplos n&#243;dulos pulmonares, de dimens&#245;es variadas e distribui&#231;&#227;o rand&#244;mica bilateral, al&#233;m de pequenos g&#226;nglios axilares bilaterais (<xref ref-type="fig" rid="f2">figura 2</xref>).</p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="f2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-03-0e21-00012-gf02.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>A tomografia de cr&#226;nio evidenciou m&#250;ltiplas les&#245;es cerebrais, compat&#237;veis com implantes metast&#225;ticos.</p>
    <p>Considerou-se medida f&#250;til a remo&#231;&#227;o cir&#250;rgica de tal massa, com fins diagn&#243;sticos ou terap&#234;uticos.</p>
    <p>Assumiu-se o diagn&#243;stico de melanoma disseminado, com met&#225;stases para pulm&#227;o, cora&#231;&#227;o e c&#233;rebro, sem evid&#234;ncia histopatol&#243;gica.</p>
    <p>O paciente foi encaminhado a servi&#231;o de oncologia para realiza&#231;&#227;o de terapia sist&#234;mica. Foi programado in&#237;cio de quimioterapia, no entanto houve deteriora&#231;&#227;o cl&#237;nica significativa, com &#237;ndice de Karnofski menor que 80%, suspendendo-se tal plano terap&#234;utico.</p>
    <p>O paciente evoluiu a &#243;bito em julho de 2007.</p>
    <p>
      <bold>Discuss&#227;o</bold>
    </p>
    <p>Os tumores prim&#225;rios card&#237;acos s&#227;o raros e a maioria desses &#233; benigna. As neoplasias secund&#225;rias s&#227;o mais comuns.</p>
    <p>Embora nenhuma neoplasia se dissemine preferencialmente para o cora&#231;&#227;o, algumas o fazem com freq&#252;&#234;ncia mais elevada. Nesse contexto, mesotelioma, melanoma, adenocarcinoma de pulm&#227;o, carcinomas indiferenciados, carcinoma epiderm&#243;ide de pulm&#227;o e carcinoma de mama tinham evid&#234;ncias de met&#225;stases card&#237;acas com uma preval&#234;ncia, respectivamente, de 48, 27, 21, 18, 19 e 15 por cem pacientes em uma grande s&#233;rie de casos<sup>5</sup>.</p>
    <p>Estudo japon&#234;s mostrou que os s&#237;tios prim&#225;rios mais freq&#252;entemente implicados em met&#225;stases card&#237;acas foram pulm&#227;o, seguido por mediastino, f&#237;gado, &#250;tero e test&#237;culos<sup>6</sup>.</p>
    <p>Cerca de dois ter&#231;os de todos os casos de met&#225;stases card&#237;acas em determinada casu&#237;stica envolveram o peric&#225;rdio (69,4%); um ter&#231;o, o epic&#225;rdio (34,2%) ou o mioc&#225;rdio (31,8%), e somente 5%, o endoc&#225;rdio<sup>7</sup>.</p>
    <p>As manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas, quando presentes, s&#227;o extremamente vari&#225;veis. O cen&#225;rio mais t&#237;pico &#233; o paciente com uma neoplasia de pulm&#227;o ou de mama que inicia com dispn&#233;ia progressiva, hipotens&#227;o e taquicardia. Outras apresenta&#231;&#245;es caracter&#237;sticas incluem arritmias, como <italic>flutter</italic> atrial, fibrila&#231;&#227;o atrial, batimentos prematuros, arritmias ventriculares, dist&#250;rbios de condu&#231;&#227;o e bloqueio atrioventricular, especialmente se houver acometimento mioc&#225;rdico.</p>
    <p>Quando o diagn&#243;stico &#233; prov&#225;vel e a interven&#231;&#227;o cir&#250;rgica terap&#234;utica &#233; indicada, toracotomia &#233; uma abordagem razo&#225;vel. Alternativamente, pode-se obter evid&#234;ncia histol&#243;gica para o diagn&#243;stico por meio de bi&#243;psia transvenosa, guiada por ecocardiograma. Esse procedimento &#233; mais seguro, mas n&#227;o isento de riscos. H&#225; relato de desfecho fatal na literatura com essa abordagem<sup>7</sup>. No referido caso, considerando a doen&#231;a disseminada, os antecedentes de neoplasia e a aus&#234;ncia de benef&#237;cio de interven&#231;&#227;o cir&#250;rgica, prescindiu-se de tais m&#233;todos. Contudo, na aus&#234;ncia de hist&#243;ria de melanoma, buscar-se-ia evid&#234;ncia histopatol&#243;gica para a confirma&#231;&#227;o do diagn&#243;stico.</p>
    <p>O melanoma &#233; uma neoplasia cujo progn&#243;stico &#233; reservado, especialmente pela sua propens&#227;o a met&#225;stases precoces, oligossintom&#225;ticas. O melanoma prim&#225;rio &#233; predominantemente cut&#226;neo, e o tumor prim&#225;rio raramente &#233; a causa de morbidade e mortalidade. Aproximadamente 30% dos pacientes com essa neoplasia desenvolver&#227;o doen&#231;a metast&#225;tica com necessidade de terapia sist&#234;mica. Os s&#237;tios mais comuns de acometimento visceral secund&#225;rio s&#227;o pulm&#245;es, f&#237;gado, c&#233;rebro e ossos. A despeito de 50% dos pacientes com melanoma mostrarem envolvimento card&#237;aco em estudos <italic>post-mortem</italic>, somente em 2% dos casos esse &#233; observado <italic>ante-mortem</italic>. Tal neoplasia &#233; considerada com a maior propens&#227;o a acometimento card&#237;aco secund&#225;rio<sup>4</sup>.</p>
    <p>Em uma casu&#237;stica de 70 pacientes com melanoma metast&#225;tico, foram observados implantes tumorais no cora&#231;&#227;o em 45 casos. Apenas em 11 casos tais implantes associaram-se a disfun&#231;&#227;o card&#237;aca importante, n&#227;o havendo, portanto, uma correla&#231;&#227;o bem-definida entre a extens&#227;o do envolvimento e a repercuss&#227;o cl&#237;nica<sup>8</sup>.</p>
    <p>O envolvimento card&#237;aco pode ocorrer por dissemina&#231;&#227;o hematog&#234;nica, invas&#227;o direta do mediastino, crescimento dentro da veia cava com extens&#227;o para o &#225;trio direito, sendo o primeiro mais freq&#252;ente.</p>
    <p>As met&#225;stases card&#237;acas ou peric&#225;rdicas devem ser consideradas sempre que um paciente com uma malignidade desenvolve sintomas cardiovasculares, particularmente se esses ocorrerem em conjun&#231;&#227;o com cardiomegalia, sopro, dist&#250;rbios de condu&#231;&#227;o ou arritmias.</p>
    <p>Determinados centros consideram a ressec&#231;&#227;o cir&#250;rgica desses pacientes se o &#237;ndice de Karnofsky pr&#233;-operat&#243;rio for maior que 80%, se houver m&#237;nima doen&#231;a extracard&#237;aca ou se ocorrer deteriora&#231;&#227;o cl&#237;nica significativa por sintomas card&#237;acos<sup>9,10</sup>.</p>
    <p>O envolvimento card&#237;aco raramente &#233; isolado; geralmente &#233; parte da doen&#231;a disseminada. Essa costuma ser multifocal e inadequada &#224; abordagem cir&#250;rgica. Essa forma de tratamento &#233;, via de regra, paliativa e tem por finalidade o controle dos sintomas.</p>
    <p>Pacientes com tumores card&#237;acos malignos, prim&#225;rios ou secund&#225;rios, apresentam um progn&#243;stico reservado. Estudo mostrou que apenas 23% tiveram uma sobrevida superior a seis meses ap&#243;s o diagn&#243;stico<sup>6</sup>.</p>
    <p>S&#227;o limitadas as op&#231;&#245;es terap&#234;uticas dessas met&#225;stases, uma vez que h&#225; envolvimento difuso e question&#225;vel benef&#237;cio da quimioterapia. Entretanto, para uma parcela reduzida de pacientes - envolvimento card&#237;aco isolado ou fun&#231;&#227;o card&#237;aca comprometida pelo tumor -, a cirurgia pode ser uma op&#231;&#227;o, considerando-se o risco cir&#250;rgico e a sobrevida esperada<sup>11</sup>.</p>
    <p>Em conclus&#227;o, para pacientes com hist&#243;ria de melanoma que se apresentam com poss&#237;veis sintomas card&#237;acos, o m&#233;dico deve estar atento para a possibilidade de met&#225;stases card&#237;acas. Esse diagn&#243;stico ter&#225; implica&#231;&#245;es fundamentais no tratamento e no progn&#243;stico de tais casos. </p>
    <p>
      <fn id="back" fn-type="corresp">
        <p>Correspond&#234;ncia:</p>
        <p> Vin&#237;cius Daudt Morais </p>
        <p> Rua Prot&#225;sio Alves, 1723/11 - Rio Branco </p>
        <p> 90410-001 - Porto Alegre, RS, Brasil </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="vdaudt@brturbo.com.br">vdaudt@brturbo.com.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 09/05/07; revisado recebido em 03/09/07; aceito em 01/10/07.</p>
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        <p>Primary tumors of the heart are not common. However, metastatic neoplasms affecting the heart are more commonly found. Postmortem studies have shown that some tumors have reported secondary cardiac implants to be over 50%. Such involvement is to be taken into account for patients with a history of neoplasm and who present conduction disorders, murmur, cardiomegaly or arrhythmia. This is to report the case of a 39-year-old man who had been referred due to fatigue and dyspnea on effort. Echocardiogram evidence showed large tumoral mass in right ventricle. Medical history showed previous melanoma; further evaluation showed metastasis to lungs, heart and brain. Outcome was death. The uniqueness in this case relies on the large metastatic mass in right ventricle, thus illustrating a rare clinical condition of guarded prognosis.</p>
      </abstract>
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          <label>
            <bold>Right ventricular tumor in a patient with melanoma</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Vin&#237;cius Daudt Morais; Fl&#225;vio Dalbem; Kr&#225;s Borges; Vicente Restelli</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Instituto de Cardiologia - Funda&#231;&#227;o Universit&#225;ria de Cardiologia, Porto Alegre, RS - Brazil</p>
      <p>Mailing Address</p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p>Primary tumors of the heart are not common. However, metastatic neoplasms affecting the heart are more commonly found. Postmortem studies have shown that some tumors have reported secondary cardiac implants to be over 50%. Such involvement is to be taken into account for patients with a history of neoplasm and who present conduction disorders, murmur, cardiomegaly or arrhythmia. This is to report the case of a 39-year-old man who had been referred due to fatigue and dyspnea on effort. Echocardiogram evidence showed large tumoral mass in right ventricle. Medical history showed previous melanoma; further evaluation showed metastasis to lungs, heart and brain. Outcome was death. The uniqueness in this case relies on the large metastatic mass in right ventricle, thus illustrating a rare clinical condition of guarded prognosis.</p>
      <p><bold>Key words: </bold> Neoplasms; heart ventricles; melanoma; neoplasm, metastasis.</p>
      <p>
        <bold>Introduction</bold>
      </p>
      <p>Primary tumors of the heart are rare. Incidence is 0.02% in autopsies, and 75% of them is benign. Myxomas account for 50% of cases reported. In comparison, for secondary or metastatic neoplasm incidence is reported to be 20-100 times higher<sup>1,2</sup>. A particularly high incidence of metastatic involvement of the heart has been observed in pulmonary epidermoid carcinomas (62%), urinary tract tumors (60%), and melanomas (45%)<sup>3</sup>.</p>
      <p>One of the most extensive series of terminal cancer patients showed that 8% presented metastasis involving the heart<sup>3</sup>.</p>
      <p>Heart tumors may be symptomatic or, more commonly, incidental findings while non-related problems are being investigated. Clinical presentation is essentially related to that of disseminated neoplasm. Metastasis to the heart is typically asymptomatic<sup>4</sup>.</p>
      <p>The present case is a report on a 39-year-old male patient referred to the hospital due to fatigue and dyspnea on effort, both associated to intracardiac mass observed on transthoracic echocardiogram. Although metastasis to the heart is common in high incidence neoplasm, the condition is hardly remembered in clinical practice. The relevance here is that it points out the key role played by secondary causes in cardiac mass investigation, as well as their repercussion in patients' therapeutic approach.</p>
      <p>
        <bold>Case Report</bold>
      </p>
      <p>In December, 2006, a 39-year-old male patient reported the onset of dyspnea and fatigue on effort. As the symptoms showed discreet progression in subsequent months, the patient went to see a cardiologist in March, 2007. On physical examination, the patient reported second hyperphonetic beat and Grade 4 systolic murmur, with epicenter in fourth left intercostal space on left parasternal border. The echocardiogram performed in April, 2007, showed tumoral mass at the entry pathway of right ventricle and extending to ventricle exit, thus causing significant flow obstruction associated to moderate to significant pulmonary arterial hypertension (systolic pressure at pulmonary artery: 60 mmHg) (<xref ref-type="fig" rid="en_12f1-body2">Figure 1</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="en_12f1-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-03-0e21-00012-gf01-en.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>On April, 2007, the patient was admitted at our hospital for surgical procedure due to right ventricle mass.</p>
      <p>Patient's previous medical history showed resection of skin lesion in left cervical area. Histopathological data showed Clark's Level III nodular melanoma. Patient's surgical removal of skin lesion in right forearm in 2006 revealed skin lesion of superficial dissemination with surgical margins compromised.</p>
      <p>Electrocardiogram showed right bundle branch block, enlarged right atrium, and secondary changes in ventricular repolarization.</p>
      <p>The multiple bilateral nodular lesions observed on thorax X-Ray were compatible with secondary implants.</p>
      <p>Thoracic CT Scan showed large expansive lesion occupying right ventricular cavity, with a reduction in right ventricle entry and exit pathways amplitude extending to main pulmonary artery and proximal area of major right and left branches. It also showed interventricular septal dislocation to the left, pericardial effusion, multiple pulmonary nodules - of different dimensions and bilateral randomic distribution - in addition to small bilateral axillary ganglions (<xref ref-type="fig" rid="en_12f2-body2">figure 2</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="en_12f2-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-03-0e21-00012-gf02-en.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>A brain CT scan showed multiple brain lesions compatible with metastatic implants.</p>
      <p>The surgical removal of the mass was considered inappropriate, whether for diagnostic or therapeutic purposes.</p>
      <p>Diagnosis was assumed to me disseminated melanoma, with metastasis to lung, heart and brain, with no histopathologic evidence.</p>
      <p>The patient was referred to the Oncology Service for systemic therapy. Chemotherapy was scheduled. However, significant clinical deterioration - Karnofski's index under 80% - led to the discontinuation of therapy plan.</p>
      <p>The outcome was death in July, 2007.</p>
      <p>
        <bold>Discussion</bold>
      </p>
      <p>Primary tumors of the heart are rare, and most are benign. Secondary neoplasms are more common.</p>
      <p>Although no neoplasm disseminates primarily to the heart, some do it more often. Under such scenario, mesoteliom, melanoma, lung adenocarcinoma, undifferentiated adenocarcinomas, pulmonary epidermoid carcinomas and breast carcinoma have shown evidence of metastasis to the heart - prevalence was 48%, 27%, 21%, 18%, 19% and 15% respectively in quite a number of cases<sup>5</sup>. A Japanese study showed that primary sites most commonly involved in the metastasis to the heart were lung, followed by mediastine, liver, uterus and testicles<sup>6</sup>.</p>
      <p>Approximately 2/3 of all cases reported for metastasis to the heart in a given series involved the pericardium (69.4%), 1/3 involved the epicardium (34.2%) or myocardium (31.8%) and only 5% involved the endocardium<sup>7</sup>.</p>
      <p>Clinical manifestations - if any - were extremely variable. The most typical scenario is a patient with lung or breast neoplasm who starts reporting progressive dyspnea, hypotension and tachycardia. Some other common presentations include arrhythmia, such as atrial flutter, atrial fibrillation, premature beats, ventricular arrhythmias, conduction disorders and atrioventricular block, especially in the presence of myocardial impairment.</p>
      <p>Whenever diagnosis is probable and surgical intervention is indicated, thoracotomy is a reasonable approach. Alternatively, histological evidence may be obtained for the purpose of diagnosis through echocardiography-guided transvenous biopsy. This procedure is safer, but not free of risks. Literature has reported fatal outcomes from that approach<sup>7</sup>. In the present case, considering the disseminated condition, patient's previous history of neoplasm, and the lack of benefit from surgical intervention, such methods were ruled out. However, in the absence of a history of melanoma, histopathological evidence should be pursued for diagnosis confirmation.</p>
      <p>Melanoma is a guarded prognosis neoplasm, mostly from being prone to early, oligosymptomatic metastases. Primary melanoma is predominantly cutaneous; primary tumors are rarely the cause of morbidity and mortality. Approximately 30% of patients with this neoplasm will develop metastatic conditions and will require systemic therapy. The most common secondary visceral sites involved are lungs, liver, brain and bones. Although 50% of patients with melanoma show cardiac involvement in postmortem studies, only 2% is reported by ante mortem studies. This neoplasm is considered to be the most prone to secondary cardiac involvement<sup>4</sup>.</p>
      <p>In a series of 70 patients with metastatic melanoma, tumoral implants could be observed in the heart in 45 of them. Only in 11 cases the implants were associated to relevant cardiac dysfunction. Therefore, no well-defined correlation could be established between involvement degree and clinical repercussion<sup>8</sup>.</p>
      <p>The involvement of the heart may occur due to hematogenic dissemination, direct invasion of mediastine, and growth inside vena cava extending to right atrium. Hematogenic dissemination has been observed to be the most common.</p>
      <p>Metastasis to the heart or to the pericardium must be considered whenever a patient with a malignant condition develops cardiovascular symptoms - particularly if those symptoms occur in association with cardiomegaly, murmur, conduction disorders or arrhythmia.</p>
      <p>Some centers consider surgical resection for those patients if preoperative Karnofski's index is over80%, if there is any very mild extracardiac condition, or if there is significant clinical deterioration due to cardiac symptoms<sup>9,10</sup>.</p>
      <p>Cardiac involvement is hardly found to be isolated; it is usually part of dissemination. The dissemination is typically multifocal and inappropriate for surgical approach. This mode of treatment is usually a palliative, and has the purpose to control of symptoms.</p>
      <p>Patients with malign heart tumors - whether primary or secondary - have a guarded prognosis. The study showed that as low as 23% had a survival time over 6 months after diagnosis<sup>6</sup>.</p>
      <p>Therapeutic options for those metastases are limited since involvement is diffuse, and chemotherapy is questionable. However, surgery may be an option for a small number of patients - those with isolated cardiac involvement or cardiac function compromised by tumor - after surgical risk and expected survival time are considered<sup>11</sup>.</p>
      <p>To conclude: physicians must be very alert to the possibility of metastasis to the heart in patients with a history of melanoma presenting possible cardiac symptoms. This diagnosis will have key repercussions for the treatment and prognosis of those cases.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
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