<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
      </publisher>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">5tsKfhMwBHqGCCj93kVQXZx</article-id>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2008001500005</article-id>
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      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2008001500005</article-id>
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          <subject>Artigos Originais</subject>
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        <article-title>Impacto econ&#244;mico dos casos de doen&#231;a cardiovascular grave no Brasil: uma estimativa baseada em dados secund&#225;rios</article-title>
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        <institution content-type="orgname">Hospital Moinhos de Vento-Porto Alegre</institution>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>09</month>
        <year>2008</year>
      </pub-date>
      <volume>91</volume>
      <issue>3</issue>
      <fpage>163</fpage>
      <lpage>171</lpage>
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        <date date-type="rev-recd">
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
        </license>
      </permissions>
      <abstract>
        <p>FUNDAMENTO: H&#225; escassez de dados no Brasil para subsidiar a crescente preocupa&#231;&#227;o sobre o impacto econ&#244;mico das doen&#231;as cardiovasculares (DCV). OBJETIVO: Estimar os custos referentes aos casos de DCV grave no Brasil. M&#201;TODOS: O n&#250;mero de casos de DCV grave foi estimado a partir das taxas de letalidade e mortalidade dos pacientes hospitalizados. Estudos observacionais e bancos de dados nacionais foram utilizados para estimar os custos referentes &#224; hospitaliza&#231;&#227;o, atendimento ambulatorial e benef&#237;cios pagos pela previd&#234;ncia. A perda da renda foi estimada com base nos dados do estudo de Carga de Doen&#231;as no Brasil. RESULTADOS: Aproximadamente dois milh&#245;es de casos de DCV grave foram relatados em 2004 no Brasil, representando 5,2% da popula&#231;&#227;o acima de 35 anos de idade. O custo anual foi de, pelo menos, R$ 30,8 bilh&#245;es (36,4% para a sa&#250;de, 8,4% para o seguro social e reembolso por empregadores e 55,2% como resultado da perda de produtividade), correspondendo a R$ 500,00 per capita (para a popula&#231;&#227;o de 35 anos e acima) e R$ 9.640,00 por paciente. Somente nesse subgrupo, os custos diretos em sa&#250;de corresponderam por 8% do gasto total do pa&#237;s com sa&#250;de e 0,52% do PIB (R$ 1.767 bilh&#245;es = 602 bilh&#245;es de d&#243;lares), o que corresponde a uma m&#233;dia anual de R$ 182,00 para os custos diretos per capita (R$ 87,00 de recursos p&#250;blicos) e de R$ 3.514,00 por caso de DCV grave. CONCLUS&#195;O: Os custos anuais totais para cada caso de DCV grave foram significativos. Estima-se que tanto os custos per capita como aqueles correspondentes ao subgrupo de pacientes com DCV grave aumentem significativamente &#224; medida que a popula&#231;&#227;o envelhece e a preval&#234;ncia de casos graves aumente.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Doen&#231;as cardiovasculares</kwd>
        <kwd>cardiopatia isqu&#234;mica</kwd>
        <kwd>acidente cerebrovascular</kwd>
        <kwd>dados econ&#244;micos na sa&#250;de</kwd>
        <kwd>an&#225;lise econ&#244;mica</kwd>
        <kwd>economia da sa&#250;de</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>02</day>
        <month>10</month>
        <year>2008</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <p>ARTIGO ORIGINAL </p>
    <p> EPIDEMIOLOGIA</p>
    <p>
      <bold>Impacto econ&#244;mico dos casos de doen&#231;a cardiovascular grave no Brasil: uma estimativa baseada em dados secund&#225;rios</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Maria In&#234;s Reinert Azambuja<sup>I</sup>; Murilo Foppa<sup>I, II</sup>; M&#225;rio Fernando de Camargo Maranh&#227;o<sup>III</sup>; Aloyzio Cechella Achutti<sup>II</sup></bold>
    </p>
    <p><sup>I</sup>Faculdade de Medicina Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Programa de Epidemiologia da Faculdade de Medicina - Brasil </p>
    <p><sup>II</sup>Servi&#231;o de Cardiologia do Hospital Moinhos de Vento-Porto Alegre, RS - Brasil </p>
    <p><sup>III</sup>Faculdade Evang&#233;lica de Medicina, Curitiba, PR - Brasil </p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p><bold>FUNDAMENTO:</bold> H&#225; escassez de dados no Brasil para subsidiar a crescente preocupa&#231;&#227;o sobre o impacto econ&#244;mico das doen&#231;as cardiovasculares (DCV). </p>
    <p><bold>OBJETIVO:</bold> Estimar os custos referentes aos casos de DCV grave no Brasil. </p>
    <p><bold>M&#201;TODOS:</bold> O n&#250;mero de casos de DCV grave foi estimado a partir das taxas de letalidade e mortalidade dos pacientes hospitalizados. Estudos observacionais e bancos de dados nacionais foram utilizados para estimar os custos referentes &#224; hospitaliza&#231;&#227;o, atendimento ambulatorial e benef&#237;cios pagos pela previd&#234;ncia. A perda da renda foi estimada com base nos dados do estudo de Carga de Doen&#231;as no Brasil. </p>
    <p><bold>RESULTADOS:</bold> Aproximadamente dois milh&#245;es de casos de DCV grave foram relatados em 2004 no Brasil, representando 5,2% da popula&#231;&#227;o acima de 35 anos de idade. O custo anual foi de, pelo menos, R$ 30,8 bilh&#245;es (36,4% para a sa&#250;de, 8,4% para o seguro social e reembolso por empregadores e 55,2% como resultado da perda de produtividade), correspondendo a R$ 500,00 per capita (para a popula&#231;&#227;o de 35 anos e acima) e R$ 9.640,00 por paciente. Somente nesse subgrupo, os custos diretos em sa&#250;de corresponderam por 8% do gasto total do pa&#237;s com sa&#250;de e 0,52% do PIB (R$ 1.767 bilh&#245;es = 602 bilh&#245;es de d&#243;lares), o que corresponde a uma m&#233;dia anual de R$ 182,00 para os custos diretos per capita (R$ 87,00 de recursos p&#250;blicos) e de R$ 3.514,00 por caso de DCV grave. </p>
    <p><bold>CONCLUS&#195;O:</bold> Os custos anuais totais para cada caso de DCV grave foram significativos. Estima-se que tanto os custos per capita como aqueles correspondentes ao subgrupo de pacientes com DCV grave aumentem significativamente &#224; medida que a popula&#231;&#227;o envelhece e a preval&#234;ncia de casos graves aumente. </p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> Doen&#231;as cardiovasculares/epidemiologia, cardiopatia isqu&#234;mica/epidemiologia, acidente cerebrovascular/epidemiologia, dados econ&#244;micos na sa&#250;de, an&#225;lise econ&#244;mica, economia da sa&#250;de.</p>
    <p>
      <bold>Introdu&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>Em anos recentes, v&#225;rios autores e institui&#231;&#245;es ligadas &#224; promo&#231;&#227;o da sa&#250;de e &#224; preven&#231;&#227;o de doen&#231;as t&#234;m recomendado aos pa&#237;ses menos desenvolvidos que se preparem cada vez mais para o tratamento de doen&#231;as cr&#244;nicas, cuja carga sobre a popula&#231;&#227;o provavelmente dever&#225; aumentar nas pr&#243;ximas d&#233;cadas<sup>1-6</sup>. Os alertas &#224; sa&#250;de p&#250;blica passaram a ser mais enf&#225;ticos a partir da publica&#231;&#227;o de Leeder e colaboradores em 2003: "A race against time" (Uma corrida contra o tempo)<sup>7</sup>. Na opini&#227;o dos autores, a an&#225;lise da transi&#231;&#227;o demogr&#225;fica que ocorre nos pa&#237;ses menos desenvolvidos mostra uma "janela de oportunidade" de duas d&#233;cadas para implementar a&#231;&#245;es de preven&#231;&#227;o das DCV e evitar atingir n&#237;veis catastr&#243;ficos, com suas conseq&#252;&#234;ncias econ&#244;micas, nos pr&#243;ximos 20 a 40 anos.</p>
    <p>Este estudo foi elaborado para estimar o impacto econ&#244;mico das doen&#231;as cardiovasculares com base em dados brasileiros. Com o objetivo de se obter uma estimativa preliminar (e conservadora) do impacto econ&#244;mico que as DCV representam ao pa&#237;s, delineamos um grupo de pacientes com DCV grave e empregamos uma estrat&#233;gia seq&#252;encial com os dados dispon&#237;veis para as estimativas socioecon&#244;micas.</p>
    <p>A op&#231;&#227;o de limitar a estimativa preliminar exclusivamente ao grupo de casos de DCV grave foi feita com base nas seguintes considera&#231;&#245;es:</p>
    <p><bold>1)</bold> limita&#231;&#227;o de dados dispon&#237;veis no sistema p&#250;blico de sa&#250;de e a aus&#234;ncia de um registro de casos de DCV no Brasil;</p>
    <p><bold>2)</bold> um sistema de sa&#250;de voltado para os casos agudos, subgrupo da popula&#231;&#227;o que consumiria a maior parte dos recursos em sa&#250;de no nosso pa&#237;s;</p>
    <p><bold>3)</bold> o tamanho da amostra poderia ser estimado e reproduzido a partir dos dados de hospitaliza&#231;&#227;o e coeficientes de mortalidade.</p>
    <p>
      <bold>M&#233;todos</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Fonte de dados</bold>
    </p>
    <p>As fontes de dados incluem bancos de dados de acesso p&#250;blico sobre mortalidade (SIM)<sup>8</sup>, morbidade hospitalar (SIH-SUS)<sup>8</sup> e previd&#234;ncia social (DATAPREV)<sup>9</sup>. Foram ainda coletadas informa&#231;&#245;es de estudos observacionais no Brasil com os seguintes objetivos:</p>
    <p><bold>1)</bold> ajustar as estimativas iniciais do n&#250;mero de hospitaliza&#231;&#245;es<sup>10</sup>;</p>
    <p><bold>2)</bold> estimar os custos com assist&#234;ncia ambulatorial<sup>11</sup> e refinar as estimativas com custos hospitalares<sup>11-12</sup>;</p>
    <p><bold>3)</bold> estimar o n&#250;mero de casos e a distribui&#231;&#227;o comparativa dos custos entre o sistema p&#250;blico, medicina suplementar e desembolso direto (particular)<sup>10,13</sup>;</p>
    <p><bold>4)</bold> calcular o impacto das DCV no total de benef&#237;cios por incapacidade pagos pela previd&#234;ncia<sup>14-15</sup>.</p>
    <p>Exceto se explicitado, os dados referem-se a indiv&#237;duos com 35 anos de idade ou acima no ano de 2004, segundo a distribui&#231;&#227;o demogr&#225;fica do IBGE<sup>16</sup>, estratificados por sexo em intervalos de 5 anos. A categoria das doen&#231;as cardiovasculares abrange os c&#243;digos I01-I09 do CID10, ou classificadas como "Cap&#237;tulo IX ou Doen&#231;as do Sistema Circulat&#243;rio", nos bancos de dados mencionados.</p>
    <p>
      <bold>Casos</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Casos de doen&#231;a cardiovascular grave</bold>
    </p>
    <p>A amostra de pacientes definida como doen&#231;a cardiovascular grave baseou-se na seguinte estrat&#233;gia: casos graves foram definidos como pacientes hospitalizados durante o ano de refer&#234;ncia (pressupondo-se que a taxa de nova hospitaliza&#231;&#227;o tenha sido zero), acrescidos de uma popula&#231;&#227;o hipot&#233;tica n&#227;o-hospitalizada com o mesmo &#237;ndice de letalidade dos pacientes internados. O n&#250;mero total de sujeitos teria que gerar o mesmo n&#250;mero anual de &#243;bitos se comparado ao de pacientes hospitalizados com DCV com o quociente entre o n&#250;mero total de &#243;bitos por DCV e o &#237;ndice de letalidade hospitalar. Por esta abordagem, calculou-se n&#250;mero de casos de DCV grave para cada intervalo sucessivo de 5 anos - entre 35 e 80 anos - que somados, resultam no n&#250;mero estimado de casos de DCV grave no Brasil em 2004.</p>
    <p>
      <bold>Hospitaliza&#231;&#227;o por doen&#231;a cardiovascular</bold>
    </p>
    <p>O n&#250;mero de hospitaliza&#231;&#245;es obtido do Sistema de Informa&#231;&#227;o Hospitalar (SIH-SUS) corresponde &#224; cobertura do sistema p&#250;blico de sa&#250;de (SUS) apenas. Os dados relativos ao sistema privado n&#227;o est&#227;o dispon&#237;veis. Os dados mostram que o SUS &#233; respons&#225;vel por 72,3% das hospitaliza&#231;&#245;es em geral (<xref ref-type="table" rid="tab1">Tabela 1</xref>)<sup>10</sup> . O mesmo &#237;ndice foi utilizado para representar a propor&#231;&#227;o de hospitaliza&#231;&#245;es cobertas pelo SUS em decorr&#234;ncia de DCV. O n&#250;mero total de hospitaliza&#231;&#245;es por DCV (hospitais p&#250;blicos e privados) foi calculado pela multiplica&#231;&#227;o do n&#250;mero fornecido pelo SIH-SUS pelo fator 100/72,3. A mesma corre&#231;&#227;o foi aplicada para estimar o n&#250;mero total de &#243;bitos por DCV entre pacientes com DCV em ambiente hospitalar (letalidade hospitalar de pacientes com DCV).</p>
    <table-wrap id="tab1">
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    <p>
      <bold>Atendimento ambulatorial</bold>
    </p>
    <p>O atendimento ambulatorial foi estimado para a popula&#231;&#227;o total de casos de DCV grave, para um ano todo, independentemente de hospitaliza&#231;&#227;o.</p>
    <p>
      <bold>Benef&#237;cios do seguro social por incapacidade decorrente de DCV</bold>
    </p>
    <p>Os dados sobre as causas m&#233;dicas dos benef&#237;cios de incapacidade n&#227;o s&#227;o divulgados pelo INSS. Para se estimar o n&#250;mero de aposentadorias pagas em 2004 por DCV, usamos a propor&#231;&#227;o DCV/total de aposentadorias pagas em mar&#231;o de 2006<xref ref-type="fn" rid="back1"><sup>*</sup></xref>. Para estimar o n&#250;mero de benef&#237;cios tempor&#225;rios pagos em 2004 por incapacidade resultante de DCV usamos a propor&#231;&#227;o (8,4%)<sup>14</sup> e a dura&#231;&#227;o m&#233;dia (um ano)<sup>15</sup> dos benef&#237;cios relativos &#224; DCV documentados na cidade de Porto Alegre em 1998.</p>
    <p>
      <bold>Licen&#231;a m&#233;dica paga pelo empregador</bold>
    </p>
    <p>A legisla&#231;&#227;o brasileira prev&#234; que o empregador remunere 15 dias dos benef&#237;cios por licen&#231;a m&#233;dica. Portanto, estimamos o n&#250;mero de licen&#231;as pagas pelo empregador como o n&#250;mero total de benef&#237;cios por incapacidade iniciados em 2004 e multiplicado por 15 dias. N&#227;o conseguimos estimar o n&#250;mero de licen&#231;as m&#233;dicas pagas pelos empregadores quando n&#227;o foram seguidas de benef&#237;cios do seguro social por incapacidade.</p>
    <p>
      <bold>Custos</bold>
    </p>
    <p>A estimativa de custos seguiu a seguinte escala de prioridades: dados de artigos originais baseados em an&#225;lise econ&#244;mica, dados de registros nacionais, estimativas nacionais baseadas em registros incompletos, estimativas gerais e extrapola&#231;&#245;es.</p>
    <p>
      <bold>Custos diretos</bold>
    </p>
    <p>Os custos foram calculados em moeda brasileira (Reais - R$) para 2004.</p>
    <p>
      <bold>Custos hospitalares - Setor p&#250;blico</bold>
    </p>
    <p>Foram obtidos os valores reembolsados pelo SUS para cada categoria de DCV (cardiopatia isqu&#234;mica, doen&#231;a cerebrovascular, insufici&#234;ncia card&#237;aca e outras DCV), somados por sexo e intervalos et&#225;rios de 5 anos, para representar os custos atribu&#237;dos a todas as hospitaliza&#231;&#245;es na popula&#231;&#227;o de 35 anos ou mais, para ambos os sexos. Procedimentos m&#233;dicos com reembolso espec&#237;fico - como cirurgias card&#237;acas e outros procedimentos invasivos - s&#227;o computados desvinculados dos registros individuais de hospitaliza&#231;&#227;o. Seus valores de reembolso foram acrescidos diretamente &#224;s estimativas de custo, ponderadas por idade e sexo.</p>
    <p>Uma avalia&#231;&#227;o preliminar dos custos hospitalares obtida por tal abordagem sugeriu valores altamente subestimados. Consultas informais a representantes da &#225;rea da sa&#250;de p&#250;blica e administradores de hospitais revelaram outras fontes de financiamento no or&#231;amento dos hospitais (significativas, por&#233;m dif&#237;ceis de quantificar). Tais fontes foram utilizadas para suplementar os reembolsos do SUS para os custos de hospitaliza&#231;&#227;o (<xref ref-type="fig" rid="q1">Quadro 1</xref>).</p>
    <fig id="q1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-03-0163-00005-gf01.jpg"/></fig>
    <p>A fim de refinar as estimativas comparamos os valores m&#233;dios do reembolso do SUS para as hospitaliza&#231;&#245;es por insufici&#234;ncia card&#237;aca extra&#237;dos do SIH-SUS, com uma estimativa obtida por meio de um registro detalhado de todos os custos relacionados aos cuidados hospitalares de pacientes hospitalizados pelo sistema p&#250;blico de sa&#250;de<sup>11</sup>. Nesta amostra, a m&#233;dia anual de hospitaliza&#231;&#227;o por paciente foi de 19,3 dias, o que correspondeu a um custo m&#233;dio anual de R$ 4.033,62, ou uma m&#233;dia di&#225;ria de custo hospitalar da ordem de R$ 205,75. Na m&#233;dia, os reembolsos do SUS para insufici&#234;ncia card&#237;aca corresponderam a R$ 660,00 para 5,9 dias de hospitaliza&#231;&#227;o. Se estes 5,9 dias fossem remunerados de acordo com os valores estimados da amostra, seu custo seria de R$ 1.213,00, ou 1,8 vezes o valor do reembolso pelo SUS. Com base nesta compara&#231;&#227;o, introduzimos um fator multiplicativo de corre&#231;&#227;o de 1,8 &#224; nossa estimativa inicial do reembolso do SUS para as hospitaliza&#231;&#245;es por DCV e consideramos os custos dos procedimentos espec&#237;ficos contemplados neste novo valor estimado.</p>
    <p><bold>Custos n&#227;o-hospitalares </bold> - <bold>Setor p&#250;blico</bold></p>
    <p>Estimativas dos custos diretos n&#227;o-hospitalares m&#233;dios basearam-se em dois estudos de an&#225;lise econ&#244;mica: um avaliando insufici&#234;ncia card&#237;aca = R$ 1.935,30<sup>12</sup> e outro doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o = R$ 1.488,00<sup>11</sup>. Ambos os estudos utilizaram pre&#231;o de compra para medicamentos e despesas pessoais e os valores de reembolso pelo sistema de sa&#250;de para testes laboratoriais e consultas ambulatoriais. Para estimar o custo n&#227;o-hospitalar anual por caso de doen&#231;a cardiovascular no sistema p&#250;blico usamos uma interpola&#231;&#227;o entre aqueles valores (R$ 1.711,65). Para estimar os custos ambulatoriais totais financiados pelo sistema p&#250;blico utilizamos os valores m&#233;dios da propor&#231;&#227;o de pagamentos do SUS que &#233; destinada &#224; cobertura ambulatorial (60,5%;<xref ref-type="table" rid="tab1">Tabela 1</xref>) multiplicados pelo n&#250;mero estimado de casos de DCV grave.</p>
    <p><bold>Custos de sa&#250;de relacionados a DCV</bold> - <bold>Setor p&#250;blico</bold></p>
    <p>A estimativa do custo total para o setor p&#250;blico foi obtido pela soma das duas estimativas anteriores: custos ambulatoriais e hospitaliza&#231;&#227;o de pacientes pelo SUS.</p>
    <p><bold>Custos totais de sa&#250;de referentes a DCV</bold> - <bold>Todos os setores</bold></p>
    <p>N&#227;o h&#225; dados dispon&#237;veis sobre os custos ambulatoriais e hospitalares descrevendo a distribui&#231;&#227;o entre pacientes particulares e aqueles com cobertura m&#233;dica suplementar. Para estimar o total de gastos referentes &#224; DCV nestes setores usamos duas estrat&#233;gias alternativas.</p>
    <p>A primeira estrat&#233;gia (mesmo custo por paciente), declaradamente conservadora, considerou os mesmos custos ambulatoriais e de hospitaliza&#231;&#245;es por caso nos tr&#234;s setores, e baseou a estimativa de custo em uma extrapola&#231;&#227;o do custo do setor p&#250;blico (<xref ref-type="table" rid="tab1">Tabela 1</xref>) - correspondendo a 72,3% das hospitaliza&#231;&#245;es e 60,5% do atendimento ambulatorial - para o total de hospitaliza&#231;&#245;es (custo do SUS/0,723) e dos casos de DCV grave com necessidade de atendimento ambulatorial (custo SUS/0,605).</p>
    <p>A segunda estrat&#233;gia (mesma propor&#231;&#227;o do or&#231;amento em DCV) considerou o or&#231;amento total anual de cada setor (<xref ref-type="table" rid="tab1">Tabela 1</xref>). A fra&#231;&#227;o correspondente aos cuidados dos casos de DCV grave em cada setor foi obtida aplicando-se ao or&#231;amento total de cada setor a propor&#231;&#227;o atribu&#237;da ao tratamento de casos de DCV grave estimado para os pacientes do SUS (8%). A soma dos valores correspondentes &#224; fra&#231;&#227;o estimada dos custos com DCV em cada setor foi ent&#227;o usada para representar de forma mais realista o custo direto anual total associado aos cuidados com sa&#250;de dos casos de DCV grave no Brasil.</p>
    <p>
      <bold>Custos decorrentes de incapacidade e aposentadoria precoce</bold>
    </p>
    <p>O n&#250;mero estimado de aposentadorias por incapacidade devido &#224; DCV e o n&#250;mero e a dura&#231;&#227;o m&#233;dia dos benef&#237;cios tempor&#225;rios pagos devido a DCV (pessoas-anos), conforme explicitado anteriormente, foram multiplicados pelos valores m&#233;dios anuais correspondentes, pagos a trabalhadores em licen&#231;a por incapacidade ou aposentados (por todas as causas) em 2004<sup>9</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Custos de licen&#231;as m&#233;dicas pagos pelo empregador</bold>
    </p>
    <p>Metade do valor mensal dos benef&#237;cios pagos por incapacidade tempor&#225;ria foi utilizada como estimativa do desembolso do empregador para licen&#231;as m&#233;dicas que tiveram como conseq&#252;&#234;ncia benef&#237;cios do seguro social por incapacidade (correspondendo aos primeiros 15 dias de incapacidade). As licen&#231;as m&#233;dicas de menos de 15 dias n&#227;o foram consideradas.</p>
    <p>
      <bold>Custos indiretos</bold>
    </p>
    <p>Como os dados para calcular custos indiretos s&#227;o menos consistentes, utilizou-se uma estrat&#233;gia mais abrangente: o n&#250;mero total de anos perdidos (YLL-<italic>years of life lost</italic>) e os anos perdidos por incapacidade (YLD - <italic>years of life with disability</italic>) por doen&#231;a cardiovascular, com base nos dados do Estudo de Carga de Doen&#231;a no Brasil<sup>17</sup>. As perdas estimadas foram multiplicadas pelo sal&#225;rio mensal m&#233;dio no pa&#237;s<sup>16</sup> e ajustadas para considerar a taxa de desemprego nacional em 2004 e a propor&#231;&#227;o de indiv&#237;duos com incapacidade f&#237;sica/mental nos dados do censo de 2001<sup>16</sup> .</p>
    <p>
      <bold>Resultados</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Casos</bold>
    </p>
    <p>A <xref ref-type="table" rid="tab2">Tabela 2</xref> apresenta n&#250;meros referentes a popula&#231;&#227;o, hospitaliza&#231;&#245;es, &#243;bitos (decorrentes de todas as causas e de DCV) e o n&#250;mero estimado de casos de DCV grave (todas as categorias e algumas espec&#237;ficas) em 2004.</p>
    <table-wrap id="tab2">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-03-0163-00005-gt02.jpg"/></table-wrap>
    <p>Da popula&#231;&#227;o brasileira total de 179.108.134 em 2004, 24.697.754 (13,8%) eram homens e 26.526.261 (14,8%) eram mulheres entre 35 e 64 anos de idade; Na popula&#231;&#227;o de 65 anos ou mais, 4.579.833 (2,6%) eram homens e 5.810.269 (3,2%) eram mulheres. No mesmo ano, houve 5.123.463 hospitaliza&#231;&#245;es na faixa et&#225;ria de 30 anos ou mais (exclu&#237;das as hospitaliza&#231;&#245;es relacionadas &#224; gravidez), 3.300.921 na faixa et&#225;ria entre 35 e 64 anos, e 1.822.864 na faixa et&#225;ria dos 65 anos e acima. As doen&#231;as cardiovasculares representaram 24% das hospitaliza&#231;&#245;es na faixa mais jovem e 49% no grupo mais velho. Em 2003, as DCV foram respons&#225;veis por 27,4% de todos os &#243;bitos na faixa et&#225;ria entre 35 e 64 anos (26% de homens e 30% de mulheres) e 35,9% na faixa de 65 anos e acima (31% homens e 35% mulheres). Os &#243;bitos durante a hospitaliza&#231;&#227;o representaram, respectivamente, 50,0% e 56,9% de todos os &#243;bitos por DCV em homens e mulheres na faixa et&#225;ria entre 35 e 64 anos, e 43% dos &#243;bitos por DCV em ambos os sexos na faixa de 65 anos ou acima. Com esta estrat&#233;gia, estimamos um total de 1.508.125 indiv&#237;duos na faixa et&#225;ria entre 35 e 64 anos, e 1.717.397 na faixa de 65 anos e acima com DCV grave em 2004 (<xref ref-type="table" rid="tab2">Tabela 2</xref>).</p>
    <p>
      <bold>Custos diretos</bold>
    </p>
    <p>A estimativa dos custos do setor p&#250;blico com DCV grave no Brasil em 2004 consta na <xref ref-type="table" rid="tab3">Tabela 3</xref>; para todos os setores, na <xref ref-type="table" rid="tab4">Tabela 4</xref>. Em 2004, o sistema p&#250;blico de sa&#250;de pagou R$ 1.139.363.988,84 pelas hospitaliza&#231;&#245;es por DCV. Al&#233;m disso, reembolsou separadamente, como procedimentos espec&#237;ficos, 35.076 cirurgias card&#237;acas, ao custo de R$ 243.937.076,36; 40.686 procedimentos intervencionistas e eletrofisiol&#243;gicos, ao custo de R$ 202.563.413,43; 18.324 procedimentos relacionados a marca-passos, ao custo de R$ 149.871.335,09 (incluindo o implante de 515 desfibriladores/cardioversores e marca-passos multis&#237;tio, com custo total de R$ 17.326.073,35) e 12.930 cirurgias vasculares de grande porte que totalizaram R$ 26.610.405,45. O reembolso de todos estes procedimentos totalizou R$ 622.982.230,31. Ap&#243;s ajustes pelo fator de corre&#231;&#227;o os gastos p&#250;blicos totais com sa&#250;de somaram R$ 2.050.855.179,91 em hospitaliza&#231;&#245;es e R$ 3.309.072.335,90 em assist&#234;ncia ambulatorial.</p>
    <table-wrap id="tab3">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-03-0163-00005-gt03.jpg"/></table-wrap>
    <table-wrap id="tab4">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-03-0163-00005-gt04.jpg"/></table-wrap>
    <p>A estimativa de gastos pelo setores de medicina suplementar e desembolso direto com hospitaliza&#231;&#245;es e atendimento ambulatorial para casos de DCV grave utilizando o mesmo custo do sistema p&#250;blico por caso (estrat&#233;gia 1) foi de R$ 8.306.130.894,65. A estrat&#233;gia escolhida baseada no or&#231;amento geral (estrat&#233;gia 2) teve como resultado gastos de R$ 11.229.124.083,59 (<xref ref-type="table" rid="tab4">Tabela 4</xref>; A no <xref ref-type="fig" rid="q2">Quadro 2</xref>). Portanto, de acordo com a abordagem adotada, para a sociedade brasileira os custos diretos anuais atribu&#237;dos aos casos de DCV grave correspondem a R$ 11.229.124.083, distribu&#237;dos entre os setores p&#250;blico (R$ 5.359.927.515), de sa&#250;de suplementar (R$ 2.157.769.095) e desembolso direto (R$ 3.711.427.472).</p>
    <fig id="q2">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-03-0163-00005-gf02.jpg"/></fig>
    <p>
      <bold>Custos decorrentes de incapacidade e aposentadoria precoce</bold>
    </p>
    <p>Em mar&#231;o de 2006, 300.757 aposentadorias por incapacidade atribu&#237;das a causas subjacentes &#224;s DCV foram pagas pelo INSS (comunicado pessoal). Este n&#250;mero corresponde a 20% dos casos severos de DCV estimados para a popula&#231;&#227;o entre 35 e 64 anos de idade. Aos valores de 2004, o custo anual m&#233;dio seria de R$ 4.974,00. Considerando-se 3,7 anos como um per&#237;odo m&#233;dio de aposentadoria, um custo direto de pelo menos R$ 5.535.071.676,60 seria atribu&#237;do ao montante atual de aposentadorias por incapacidade decorrentes de DCV dos trabalhadores formais inscritos no INSS, com pagamentos anuais m&#233;dios de R$ 1.495.965.318,00 pelos valores de 2004 (B. no <xref ref-type="fig" rid="q2">Quadro 2</xref>).</p>
    <p>Al&#233;m das aposentadorias, foram pagos 1.726.000 benef&#237;cios por incapacidade tempor&#225;ria (com dura&#231;&#227;o m&#233;dia de um ano) em 2004, sendo que 8,4% foram atribu&#237;dos a DCV, correspondendo a 144.984 benef&#237;cios - representando 10% a mais nos casos estimados de DCV grave na popula&#231;&#227;o entre 35 e 64 anos. Aos valores de 2004, cada benef&#237;cio custaria R$ 7.176,00 por ano, e o custo anual total com benef&#237;cios por incapacidade tempor&#225;ria totalizaria R$ 1.040.405.184,00 (C. no <xref ref-type="fig" rid="q2">Quadro 2</xref>).</p>
    <p>Al&#233;m dos benef&#237;cios do seguro social, os empregadores t&#234;m a responsabilidade de pagar os primeiros 15 dias da licen&#231;a-sa&#250;de tempor&#225;ria com base no sal&#225;rio vigente do trabalhador. Com base na m&#233;dia nacional de sal&#225;rios, o custo estimado seria, assim, de R$ 40.015.584,00 por ano (D. no <xref ref-type="fig" rid="q2">Quadro 2</xref>).</p>
    <p>
      <bold>Custos indiretos</bold>
    </p>
    <p>De acordo com o estudo de Carga de Doen&#231;as no Brasil, as doen&#231;as isqu&#234;micas do cora&#231;&#227;o foram respons&#225;veis por 1.679.821 YLL (<italic>years of life lost</italic> -anos de vida perdidos) e doen&#231;a cerebrovascular por 1.475.019 YLL, as duas maiores causas de YLL no Brasil, correspondendo a 17,4% do valor total de YLL. O total correspondente &#224;s doen&#231;as cardiovasculares foi de 4.465.827 YLL, acrescidos de 523.579 YLD (<italic>years lost to disease</italic> - anos de vida vividos com incapacidade), totalizando 4.989.406 DALYs (<italic>disease adjusted life years</italic> - anos de vida perdidos ou vividos com incapacidade)<sup>18</sup> .</p>
    <p>Considerando-se um sal&#225;rio mensal m&#233;dio de R$ 380,00<sup>16</sup> e o total de 4.989.406 DALYs, descontando-se a taxa de desemprego de 11,40%<sup>16</sup> e uma estimativa da popula&#231;&#227;o com defici&#234;ncia f&#237;sica ou mental de 15,6%<sup>16</sup>, a perda total anual de renda em decorr&#234;ncia de doen&#231;as cardiovasculares seria de R$ 17.013.350.772,00 (E. no <xref ref-type="fig" rid="q2">Quadro 2</xref>).</p>
    <p>
      <bold>Impacto econ&#244;mico potencial sobre a economia nacional</bold>
    </p>
    <p>De acordo com nossas estimativas, no ano de 2004, os casos de DCV grave, representaram uma despesa de R$ 11.2 bilh&#245;es para o sistema de sa&#250;de e de R$ 2.57 bilh&#245;es para o seguro social. Isto representa aproximadamente 0,64% e 0,16%, respectivamente, do Produto Interno Bruto (de 1.766 bilh&#245;es). Al&#233;m disso, uma perda potencial adicional de 0,97% do PIB foi atribu&#237;da &#224; perda de renda (<xref ref-type="table" rid="t5">Tabela 5</xref>). Estes n&#250;meros demonstram que as doen&#231;as cardiovasculares representaram um impacto potencial de, pelo menos, R$ 30.8 bilh&#245;es, correspondendo a 1,74% do PIB naquele ano. Este valor foi equivalente a R$ 500,00 <italic>per capita</italic> (para a popula&#231;&#227;o de 35 anos ou mais) e R$9.640,00 por paciente. Os custos diretos com a sa&#250;de para os casos de DCV grave representaram 8% dos gastos nacionais totais com sa&#250;de e 0,52% do PIB de 2004 (R$ 1.767 bilh&#245;es = 602 bilh&#245;es de d&#243;lares), o que correspondeu para toda a popula&#231;&#227;o brasileira, um custo direto anual de R$182,00 <italic>per capita</italic> (R$ 87,00 destes provenientes de recursos p&#250;blicos) e de R$ 3.514,00 por caso.</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="t5">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-03-0163-00005-gt05.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>
      <bold>Discuss&#227;o</bold>
    </p>
    <p>Dois aspectos foram fundamentais na obten&#231;&#227;o dos dados para chegar &#224; estimativa do impacto econ&#244;mico das DCV no Brasil: a inexist&#234;ncia de um registro nacional confi&#225;vel dos casos de doen&#231;as cardiovasculares; e a escassez de dados de medicina suplementar e demais financiadores. Assim sendo, optamos por desenvolver estrat&#233;gias seq&#252;enciais para elaborar as estimativas, optando por um vi&#233;s conservador.</p>
    <p>Al&#233;m disso, exceto pela popula&#231;&#227;o como um todo (a popula&#231;&#227;o-alvo para as estrat&#233;gias de promo&#231;&#227;o da sa&#250;de) e por aqueles que chegaram a &#243;bito em decorr&#234;ncia de DCV em um dado per&#237;odo de tempo, &#233; dif&#237;cil definir, dentro da hist&#243;ria natural da DCV, o n&#250;mero de indiv&#237;duos que apresentam gravidade intermedi&#225;ria em qualquer per&#237;odo de tempo. Desta forma, a defini&#231;&#227;o destes subgrupos deveria ser simples e racional para permitir a reprodu&#231;&#227;o dos c&#225;lculos no tempo e no espa&#231;o e nas estimativas de suas necessidades e custos.</p>
    <p>A estrat&#233;gia de selecionar os casos de DCV grave como ponto de partida para esta an&#225;lise baseou-se na premissa de que os casos graves seriam os mais onerosos para o sistema de sa&#250;de. De acordo com as expectativas, a estrat&#233;gia produziu uma curva consistente de aumento exponencial da preval&#234;ncia de casos graves com a idade. Considerando toda a popula&#231;&#227;o acima de 35 anos, a estimativa da preval&#234;ncia de DCV grave foi baixa (apenas 5%). Como se pode ver na <xref ref-type="fig" rid="fig1">Figura 1</xref>, esta taxa baixa &#233; provavelmente explicada pela estrutura et&#225;ria da nossa popula&#231;&#227;o. O alerta dado por Leeder e cols.<sup>7</sup> &#233; facilmente projet&#225;vel a partir desta figura: o envelhecimento da popula&#231;&#227;o brasileira dever&#225; aumentar significativamente o impacto das DCV, suas seq&#252;elas e o n&#250;mero de &#243;bitos nas pr&#243;ximas d&#233;cadas.</p>
    <fig id="fig1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-03-0163-00005-gf03.jpg"/></fig>
    <p>A estrat&#233;gia de considerar uma &#250;nica interna&#231;&#227;o por paciente foi o &#250;nico ponto onde fomos menos conservadores na estimativa da gravidade. Ao transformar o pr&#243;prio n&#250;mero de interna&#231;&#245;es em popula&#231;&#227;o de refer&#234;ncia para a mortalidade hospitalar resultou no menor &#237;ndice poss&#237;vel de letalidade hospitalar. Como conseq&#252;&#234;ncia desta menor letalidade hospitalar, a extrapola&#231;&#227;o do n&#250;mero total de casos de DCV grave (na popula&#231;&#227;o que n&#227;o se hospitalizou) foi proporcionalmente maior</p>
    <p>Os crit&#233;rios adotados para a sele&#231;&#227;o das fontes de dados e os c&#225;lculos foram sempre conservadores, colocando as estimativas econ&#244;micas mais pr&#243;ximas dos menores custos poss&#237;veis. No entanto, descobriu-se que as estimativas de custos hospitalares baseados apenas no reembolso pelo SUS eram baixas e n&#227;o refletiam a realidade. Observou-se que outras fontes vari&#225;veis e n&#227;o-mensur&#225;veis complementam os custos de hospitaliza&#231;&#227;o al&#233;m dos reembolsos pelo SUS (<xref ref-type="fig" rid="q1">Quadro 1</xref>). Portanto, para que as estimativas de custos de hospitaliza&#231;&#227;o fossem mais realistas, os valores de reembolso pelo SUS foram ajustados usando os custos diretos medidos em uma pesquisa com uma amostra selecionada de pacientes do SUS<sup>12</sup> .</p>
    <p>As estimativas para os custos diretos com tratamento ambulatorial basearam-se no pre&#231;o de compra para medicamentos e gastos pessoais, para testes laboratoriais e consultas cl&#237;nicas, no valor de reembolso do SUS. Esses &#250;ltimos foram subestimados, como era de se esperar. Por outro lado, os custos com medica&#231;&#227;o podem estar superestimados, caso os pre&#231;os de compra pelo SUS sejam menores devido ao imenso volume de medicamentos comprados.</p>
    <p>Para os dados de medicina suplementar e desembolso direto dos usu&#225;rios, dispomos somente das informa&#231;&#245;es referentes a or&#231;amentos anuais, cobertura relativa de hospitaliza&#231;&#245;es e atendimento ambulatorial por todas as causas (<xref ref-type="table" rid="tab1">Tabela 1</xref>). Mesmo reconhecendo os riscos de propor estimativas de custo baseadas em informa&#231;&#227;o t&#227;o escassa, a signific&#226;ncia da contribui&#231;&#227;o do setor privado ao or&#231;amento geral na &#225;rea da sa&#250;de (R$ 72 bilh&#245;es dos R$ 132 bilh&#245;es totais) e no n&#250;mero de atendimentos (26,7% das hospitaliza&#231;&#245;es e 39,5% do atendimento ambulatorial) exigia estim&#225;-los de alguma forma. A divulga&#231;&#227;o desses dados e das estrat&#233;gias utilizadas para obter as estimativas em cada segmento deve estimular administradores da sa&#250;de com acesso a dados mais precisos a comparar as informa&#231;&#245;es e posteriormente contribuir para aperfei&#231;o&#225;-las.</p>
    <p>Aproximadamente 300.757 aposentadorias por incapacidade e 144.984 benef&#237;cios tempor&#225;rios por incapacidade decorrentes de DCV, representam 30% do n&#250;mero estimado de casos de DCV grave na faixa et&#225;ria entre 35 e 64 anos de idade. As estimativas parecem adequadas considerando-se a baixa cobertura por parte do INSS para a nossa popula&#231;&#227;o empregada (40%) e o efeito trabalhador-saud&#225;vel, que tende a eliminar os doentes da for&#231;a de trabalho. A divulga&#231;&#227;o completa das causas m&#233;dicas subjacentes aos benef&#237;cios do seguro social por incapacidade tempor&#225;ria ou definitiva seria de grande valia para se estimar a carga das diferentes doen&#231;as.</p>
    <p>Os casos menos graves n&#227;o foram inclu&#237;dos nos c&#225;lculos. Esses n&#250;meros puderam ser estimados de maneira aproximada, como um esbo&#231;o preliminar para completar o cen&#225;rio epidemiol&#243;gico (<xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>). Com base em pesquisas de amostras domiciliares aleat&#243;rias<sup>19</sup>, a preval&#234;ncia de cardiopatia sintom&#225;tica chega a cerca de 6% (pr&#243;ximo do valor correspondente &#224; estimativa de casos de DCV grave) e a preval&#234;ncia de hipertens&#227;o (=/&gt;160 e/ou =/&gt;95 mm Hg) a aproximadamente 15%. Portanto, n&#227;o seria inadequado estimar que 10% a 15% da popula&#231;&#227;o adulta apresente DCV de gravidade mais baixa, tamb&#233;m em acordo com os registros do Programa HIPERDIA, que em tr&#234;s anos, registrou mais de 4 milh&#245;es de pacientes hipertensos em seguimento.</p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="f2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-03-0163-00005-gf04.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>Mesmo adotando estrat&#233;gias conservadoras para estimar custos - que incluem concentrar esta an&#225;lise apenas nos casos graves - encontramos que as DCV t&#234;m um impacto relevante na economia brasileira (<xref ref-type="table" rid="t5">Tabela 5</xref>). Os custos anuais totais por DCV grave s&#227;o altos, principalmente se considerarmos a baixa preval&#234;ncia de casos graves (5% da popula&#231;&#227;o de 35 anos e acima). Fica tamb&#233;m evidente, pelos dados apresentados na <xref ref-type="fig" rid="fig1">Figura 1</xref>, a expectativa do aumento acelerado dos casos de DCV nas pr&#243;ximas d&#233;cadas, e consequentemente dos seus custos, seguindo o envelhecimento de nossa popula&#231;&#227;o ainda jovem.</p>
    <p>A tradu&#231;&#227;o dos dados epidemiol&#243;gicos em informa&#231;&#245;es econ&#244;micas &#233; um exerc&#237;cio interessante, pois contribui para fazer uma verifica&#231;&#227;o cruzada da validade dos dados nas duas &#225;reas. Atrav&#233;s das estimativas apresentadas, os autores esperam ter fornecido subs&#237;dios para que se tomem decis&#245;es pol&#237;ticas n&#227;o apenas visando a preven&#231;&#227;o da doen&#231;a cardiovascular pelo setor de sa&#250;de, mas pela sociedade como um todo.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Os autores declaram n&#227;o haver conflito de interesses pertinentes.</p>
    <p>
      <bold>Fontes de Financiamento</bold>
    </p>
    <p>O presente estudo foi parcialmente financiado por IC-HEALTH (&#205;ndia).</p>
    <p>
      <bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>N&#227;o h&#225; vincula&#231;&#227;o deste estudo a programas de p&#243;s-gradua&#231;&#227;o.</p>
    <p>
      <fn id="back" fn-type="corresp">
        <p>Correspond&#234;ncia:</p>
        <p> Aloyzio Cechella Achutti </p>
        <p> Av. Bastian, 212, Menino Deus </p>
        <p> 90.130-020, Porto Alegre, RS - Brasil </p>
        <p> E-mail:</p>
        <p><email xlink:href="aloyzio.achutti@terra.com.br">aloyzio.achutti@terra.com.br</email>, </p>
        <p>
          <email xlink:href="achutti@cardiol.br">achutti@cardiol.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 01/04/07; revisado recebido em 18/06/07; aceito em 04/03/08.</p>
    <p>
      <fn id="back1">
        <label>*</label>
        <p> Comunica&#231;ao Pessoal- Dra D&#243;ris Leite (INSS-Porto Alegre) </p>
      </fn>
    </p>
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          <article-title>Hipertens&#227;o arterial no Rio Grande do Sul</article-title>
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  <sub-article article-type="translation" id="TRen" xml:lang="en">
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      <article-categories>
        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Original Articles</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Economic burden of severe cardiovascular diseases in Brazil: an estimate based on secondary data</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>BACKGROUND: The scarce amount of data available in Brazil on the economic burden of cardiovascular diseases (CVD) does not justify the growing concern in regard to the economic burden involved. OBJECTIVE: The present study aims at estimating the costs of severe CVD cases in Brazil. METHODS: Cases of severe CVD were estimated based on hospitalized cases lethality and total CVD mortality rates. National data bases and sample studies were used to estimate costs of hospitalization, outpatient care, and social security benefits. Loss of income was estimated from the Burden of Disease in Brazil data. RESULTS: Approximately two million cases of severe CVD were reported in 2004 in Brazil. That accounts for 5.2% of the population over 35 years of age. The resulting annual cost was at least R$ 30.8 billion (36.4% for health care, 8.4% for social security and employers' reimbursements, and 55.2% due to loss in productivity). That corresponded to R$ 500.00 per capita (considering 35 year-old and older population) and R$ 9,400.00 per patient. Direct costs with health care from severe CVD cases accounted for 8% of total national expenditure on health and 0.52% of 2004 GNP (R$ 1,767 billion = US$ 602 billion). That corresponded to an yearly average direct cost of R$182.00 per capita (R$ 87.00 from public resources) and of R$ 3,514.00 per case. CONCLUSION: Total annual costs per severe CVD case were estimated to be significant. Costs per capita and total costs corresponding to this sub-group of CVD patients are expected to escalate as the population ages and the prevalence of severe cases increases.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Cardiovascular diseases</kwd>
        <kwd>ischemic heart disease</kwd>
        <kwd>cerebrovascular disease</kwd>
        <kwd>health economics</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>ORIGINAL ARTICLE</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="top10-body2">
          <label>
            <bold>Economic burden of severe cardiovascular diseases in Brazil: an estimate based on secondary data</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Maria In&#234;s Reinert Azambuja<sup>I</sup>; Murilo Foppa<sup>I, II</sup>; M&#225;rio Fernando de Camargo Maranh&#227;o<sup>III</sup>; Aloyzio Cechella Achutti<sup>II</sup></bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p><sup>I</sup>Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Medical School, Graduate studies in epidemiology - Brazil</p>
      <p><sup>II</sup>Moinhos de Vento Hospital, Cardiology Division, Porto Alegre, RS - Brazil</p>
      <p><sup>III</sup>Evangelical Medical School, Curitiba, PR - Brazil </p>
      <p>Mailing Address</p>
      <p>
        <bold>SUMMARY</bold>
      </p>
      <p><bold>BACKGROUND:</bold> The scarce amount of data available in Brazil on the economic burden of cardiovascular diseases (CVD) does not justify the growing concern in regard to the economic burden involved.</p>
      <p><bold>OBJECTIVE:</bold> The present study aims at estimating the costs of severe CVD cases in Brazil.</p>
      <p><bold>METHODS:</bold> Cases of severe CVD were estimated based on hospitalized cases lethality and total CVD mortality rates. National data bases and sample studies were used to estimate costs of hospitalization, outpatient care, and social security benefits. Loss of income was estimated from the Burden of Disease in Brazil data.</p>
      <p><bold>RESULTS:</bold> Approximately two million cases of severe CVD were reported in 2004 in Brazil. That accounts for 5.2% of the population over 35 years of age. The resulting annual cost was at least R$ 30.8 billion (U$1=R$2.93; 2004) (36.4% for health care, 8.4% for social security and employers' reimbursements, and 55.2% due to loss in productivity). That corresponded to R$ 500.00 per capita (considering 35 year-old and older population) and R$ 9,400.00 per patient. Direct costs with health care from severe CVD cases accounted for 8% of total national expenditure on health and 0.52% of 2004 GNP (R$ 1,767 billion = US$ 602 billion). That corresponded to a yearly average direct cost of R$182.00 per capita (R$ 87.00 from public resources) and of R$ 3,514.00 per case.</p>
      <p><bold>CONCLUSION:</bold> Total annual costs per severe CVD case were estimated to be significant. Costs per capita and total costs corresponding to this sub-group of CVD patients are expected to escalate as the population ages and the prevalence of severe cases increases. </p>
      <p><bold>Key words:</bold> Cardiovascular diseases/epidemiology; ischemic heart disease/epidemiology; cerebrovascular disease/epidemiology; health economics.</p>
      <p>
        <bold>Introduction</bold>
      </p>
      <p>In recent years, several authors and institutions involved in health promotion and disease prevention have recommended less developed nations to be more prepared to deal with chronic diseases, which are expected to significantly increase their burden on our populations in the next decades<sup>1-6</sup>. Those public health alerts were more emphatic following a publication launched in 2003 by Leeder and cols: "A race against time"<sup>7</sup>. According to the authors, an analysis of the demographic transition taking place in less developed countries would identify a two-decade window opportunity to take action to prevent catastrophic cardiovascular disease (CVD) levels in twenty to forty years' time, as well as resulting economic consequences.</p>
      <p>The present study was conducted to estimate the economic burden of cardiovascular diseases based on Brazilian data. With the purpose of obtaining a (conservative) preliminary estimate of cardiovascular disease economic burden in the country, a group of severe CVD cases was designed. A stepwise approach was developed to estimate socioeconomic impact.</p>
      <p>The choice to circumscribe the preliminary estimate to the group of severe CVD cases group exclusively was based on the following considerations:</p>
      <p><bold>1)</bold> the limited availability of data from the public health system and the non-existence of a registry of CVD cases in Brazil;</p>
      <p><bold>2)</bold> within a health-care system still mostly oriented to acute care, this would be the group expected to concentrate most of the disease-related costs in our country; and</p>
      <p><bold>3)</bold> studied sample based on mortality and hospitalization available data could serve as a reproducible estimate.</p>
      <p>
        <bold>Methods</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Source of data</bold>
      </p>
      <p>Source of data included public available data bases on mortality (SIM)<sup>8</sup>, hospital morbidity (SIH-SUS)<sup>8</sup> and social security (DATAPREV)<sup>9</sup>. Information was additionally gathered from privately conducted Brazilian studies to</p>
      <p><bold>1)</bold> refine initial estimates of hospitalizations<sup>10</sup>;</p>
      <p><bold>2)</bold> estimate outpatient care costs<sup>11</sup> and refine hospital care cost estimates<sup>11-12</sup>;</p>
      <p><bold>3)</bold> estimate cases and cost distribution across public, insurance and out-of-pocket systems<sup>10,13</sup>; and</p>
      <p><bold>4)</bold> calculate CVD burden to social-security disability benefits as a whole<sup>14,15</sup>.</p>
      <p>Unless stated otherwise, data refer to individuals who were 35 years old and older in 2004, according to IBGE demographic distribution<sup>16</sup>, stratified by gender and 5 year age intervals. The cardiovascular disease category encompasses ICD10 codes I01-I99, also classified as Chapter IX or Diseases of the Circulatory System in the databases referred.</p>
      <p>
        <bold>Cases</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Cases of severe cardiovascular disease</bold>
      </p>
      <p>Sample size for the cases of severe cardiovascular disease was based on the following strategy: severe cases were defined as those admitted to hospital care during reference year (assuming re-hospitalization=0), plus a hypothetical out-of-hospital diseased population with CVD lethality rate equal to inpatient cases. The total number of individuals would have to generate the same number of deaths as CVD inpatients every year estimated as the quotient between the total number of CVD deaths and the hospital lethality. Through this approach, a number of severe CVD cases for each successive 5-year interval from ages 35 to 80 and older was obtained and added up, resulting in the estimated number of severe CVD cases in Brazil, in 2004.</p>
      <p>
        <bold>Cardiovascular disease hospitalizations</bold>
      </p>
      <p>The number of hospital admissions obtained from the Hospital Information System (SIH-SUS) corresponds to that covered by the public health care system (SUS) only. Data referring to private system are not available. SUS is said to support 72.3% of hospital admissions from all causes (<xref ref-type="table" rid="tab1-body2">Table 1</xref>)<sup>10</sup>. This same rate was taken to represent the proportion of CVD hospitalizations covered by SUS. The total number of CVD-related hospitalizations (public plus private hospitals) was calculated by multiplying the SIH-SUS number by the 100/72.3 factor. The same correction was applied to estimate the total number of CVD deaths occurring among hospitalized patients with CVD (CVD hospital lethality).</p>
      <table-wrap id="tab1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-03-0163-00005-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>
        <bold>Outpatient assistance</bold>
      </p>
      <p>Outpatient care was estimated for the whole population of severe CVD cases, for the whole year, irrespective of hospital admission.</p>
      <p>
        <bold>CVD-related disability social - security benefits</bold>
      </p>
      <p>The underlying medical causes corresponding to the disability benefits issued by the INSS are not made available by the institution. To estimate the number of CVD-related disability retirements paid for in 2004 we used the proportion CVD/total disability retirements paid in March 2006<sup>*</sup>. To estimate the number of CVD-related temporary disability benefits paid in 2004 we used the proportion (8.4%)<sup>14</sup> and the average duration (one year)<sup>15</sup> of the CVD-related benefits documented in the city of Porto Alegre in 1998.</p>
      <p>
        <bold>Employers' supported sick leaves</bold>
      </p>
      <p>According to the Brazilian legislation, disability benefits usually follow 15 days of employers' supported sick leaves. We thus estimated the number of employers' supported sick days as the total number of disability benefits initiated in 2004 multiplied by 15 days. We found no way of estimating the number of employers' supported sick days corresponding to sick leaves when not followed by a social security disability benefit.</p>
      <p>
        <bold>Costs</bold>
      </p>
      <p>To estimate costs, data preference was ranked, based on quality, as follows: original data focused on health economics; national registry data; national estimates from incomplete registries; and general estimates and extrapolations.</p>
      <p>
        <bold>Direct costs</bold>
      </p>
      <p>Costs were calculated in Brazilian currency (Reais-R$) for 2004 (Exchange Rate; 2004: Brazilian Reais (BR R$) per US$ = 2.93; BR R$ per International Dollar (PPP$) = 1.18).</p>
      <p>
        <bold>Hospital costs - public sector</bold>
      </p>
      <p>SUS reimbursement values were obtained for each CVD category (IHD, Stroke, Heart Failure and other CVD) and added up, by sex and 5-year age-strata, to represent the cost attributable to all CVD hospitalizations among the population 35 and over for both sexes. Computed separately by the system were payments for specific procedures, like cardiac surgeries and other invasive procedures, not linked to individual medical records. Those values were then directly added to the initial age and sex weighted estimate based on reimbursement values.</p>
      <p>A preliminary evaluation of the hospital costs obtained through this approach suggested greatly underestimated values. Informal inquiries made to public health officers and hospital administrators revealed other financial sources to the hospitals budget (significant but difficult to quantify) used to supplement SUS reimbursements to hospitalization costs (see <xref ref-type="fig" rid="box1-body2">Box 1</xref>).</p>
      <fig id="box1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-03-0163-00005-gf01-en.jpg"/></fig>
      <p>To improve the estimates, we compared, for heart failure hospitalizations, the average value of SUS reimbursement extracted from the SIH-SUS with an estimate obtained through a detailed registry of all costs associated with the hospital care of heart failure patients hospitalized through the public health system11. In this sample, the annual average length of hospitalization per patient was 19.3 days, corresponding to an annual average cost of R$ 4,033.2, or an average daily hospital cost of R$ 205.75. On the average, heart failure SUS reimbursements corresponded to R$ 660.00 for 5.9 days of hospitalization. If these 5.9 days were remunerated according to the estimated sample values, their cost would amount to R$ 1,213.00, or 1.8 times the value of the SUS reimbursement. Based on this comparison, we introduced a multiplicative correction factor of 1.8 to our initial estimate of SUS reimbursement from CVD hospitalizations and considered the costs of specific procedures contemplated within this new estimated value.</p>
      <p>
        <bold>Out-of-hospital costs - public sector</bold>
      </p>
      <p>Estimates of the average direct out-of-hospital cost by case were based in two economic health studies, one on heart failure - R$ 1,935.30<sup>12</sup> and the other on ischemic heart disease - R$ 1,488.00<sup>11</sup>. Both studies used purchase costs for medications and personal expenditures, and public health reimbursement costs for laboratory tests and clinic visits. To estimate the annual out-of-hospital cost by case of severe cardiovascular disease attending the public system we used an interpolation between those values (R$ 1,711.65). To estimate total outpatient costs supported by the public system, we multiplied the average cost by the SUS coverage of outpatients care: 60.5% (<xref ref-type="table" rid="tab1-body2">Table 1</xref>) of our estimated number of severe CVD cases.</p>
      <p>
        <bold>Total CVD-related health care costs - Public sector</bold>
      </p>
      <p>The total cost estimate for the public sector was given by the sum of the two previous estimates: hospitalization and outpatient care costs from SUS patients.</p>
      <p>
        <bold>Total CVD-related health care costs - all sectors</bold>
      </p>
      <p>There is no public-access information on hospitalizations and outpatient costs relative to the fractions of insured and private practice patients. To estimate the total CVD-related expenses in these sectors we used two alternative strategies.</p>
      <p>The first strategy (equal cost/case in all sectors), assumedly conservative, considered per case hospitalization and outpatient care costs relative to severe CVD cases to be equal in the three sectors, and based the total cost estimate on a extrapolation of the public sector cost - corresponding to 72.3% of the hospitalizations and 60.5% of the outpatient care (<xref ref-type="table" rid="tab1-body2">Table 1</xref>) - to the totality of hospitalizations (SUS cost/0.723) and of severe cases of CVD cases in need of outpatient care (SUS cost/0.605).</p>
      <p>The second strategy (equal CVD relative budget in all sectors) took into account each sector's total annual health care budget (<xref ref-type="table" rid="tab1-body2">Table 1</xref>). The share corresponding to the care of severe CVD cases within each sector was obtained by applying to each sector total budget the proportion attributed to treating severe CVD cases estimated for SUS patients (8%). The sum of values corresponding to the estimated share of CVD costs within each sector was then taken to more realistically represent the annual total direct cost associated with the health care of severe CVD cases in Brazil.</p>
      <p>
        <bold>Disability and early retirement costs</bold>
      </p>
      <p>The estimated number of CVD-related disability retirements, and the number and average duration of CVD-related temporary disability benefits (person-years) explained above were multiplied by the corresponding average annual values paid to workers in disability leave or retirement (all causes) in 2004<sup>9</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Employer's supported sick leaves costs</bold>
      </p>
      <p>Half of the monthly value of the temporary disability benefit was used as estimate of direct employer disbursement associated with employee sick leave which has resulted in social security disability benefit (corresponding to the first 15 days of disability). Sick leaves lesser than 15 days were not considered.</p>
      <p>
        <bold>Indirect costs</bold>
      </p>
      <p>Since data to calculate indirect costs are less consistent, a more general strategy was employed. We used the total years of life lost (YLL) and years lost to disability (YLD) related to cardiovascular disease, according to data from the study Burden of Disease in Brazil<sup>17</sup>. The estimated losses were multiplied by the median national monthly wage<sup>16</sup> and adjusted to account for the national unemployment rate in 2004 and the proportion of individuals with physical/mental handicap in the 2001 census data<sup>16</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Results</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Cases</bold>
      </p>
      <p><xref ref-type="table" rid="tab2-body2">Table 2</xref> presents numbers of population, hospitalizations, deaths (all causes and from CVD) and the estimated number of severe CVD cases (all and some specific CVD categories) referent to 2004. Of the 179,108,134 Brazilian inhabitants in 2004, 24,697,754 (13.8%) were men and 26,526,261 (14.8%) were women between 35 and 64 years of age; 4,579,833 (2.6%) were men and 5,810,269 (3.2%) were women 65 years and older. In the same year there were 5,123,463 hospitalizations of ages 30 and over (excluding pregnancy-related hospitalizations), 3,300,921 between the ages of 35 and 64, with 1,822,864 aged 65 and older. Cardiovascular diseases represented 24% of the hospitalizations in the youngest stratum and 49% in the oldest one.</p>
      <table-wrap id="tab2-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-03-0163-00005-gt02-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>In 2003, CVD responded for 27.4% of all deaths in the group aged 35-64 (26% in men and 30% in women) and 35.9% in the group 65 years and older (31% in men and 35% in women). Deaths occurring during hospitalization represented, respectively, 50.0% and 56.9% of all registered CVD deaths in men and women between the ages of 35 and 64, and 43% of CVD deaths in both sexes ages 65 and over. Using our strategy, we estimated a total of 1,508,125 individuals between the ages of 35-64 and 1,717,397 with ages 65 and over with severe CVD in 2004 (<xref ref-type="table" rid="tab2-body2">Table 2</xref>).</p>
      <p>
        <bold>Direct costs</bold>
      </p>
      <p>Steps for estimating health care expenditure with severe CVD cases in Brazil in 2004 are presented for the Public Sector (<xref ref-type="table" rid="tab3-body2">Table 3</xref>) and for all sectors (<xref ref-type="table" rid="tab4-body2">Table 4</xref>). In 2004, the public health system paid R$ 1,139,363,988.84 in hospitalizations due to cardiovascular diseases. Additionally, it reimbursed separately as specific procedures 35,076 cardiac surgeries with a cost of R$ 243,937,076.36; 40,686 interventional and electrophysiological procedures costing R$ 202,563,413.43; 18,324 pacemaker related procedures costing R$ 149,871,335.09 (including the implant of 515 cardioverter-defibrillator and multisite pacemaker devices, with a cost of R$ 17,326,073.35) and 12,930 major vascular surgeries costing R$ 26,610,405.45. The reimbursement of all those procedures totaled R$ 622,982,230.31. After adjustments by the correction factor the total public health expenditure reached R$ 2,050,855,179.91 in hospitalizations and R$ 3.309.072.335,90 in outpatient care.</p>
      <table-wrap id="tab3-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-03-0163-00005-gt03-en.jpg"/></table-wrap>
      <table-wrap id="tab4-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-03-0163-00005-gt04-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>Estimated expenditure by privately insured and out-of-pocket sectors in hospitalization and outpatient care for severe CVD cases using number of cases share strategy was R$ 8,306,130,894.65 (Strategy 1). The chosen strategy based on total expenditure share resulted in an expenditure of R$ 11,229,124,083.59 (Strategy 2) (<xref ref-type="table" rid="tab4-body2">Table 4</xref>; A in <xref ref-type="fig" rid="box2-body2">Box 2</xref>). Thus, according to the approach adopted, total yearly direct costs to the Brazilian society attributable to severe CVD cases corresponded to R$ 11,229,124,083.00 distributed among public (R$ 5,359,927,515.00), privately insured (R$ 2,157,769,095.00) and out-of-pocket (R$ 3,711,427,472.00) sectors in Brazilian health care system.</p>
      <fig id="box2-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-03-0163-00005-gf02-en.jpg"/></fig>
      <p>
        <bold>Disability and early retirement costs</bold>
      </p>
      <p>In March 2006, 300,757 disability retirements attributed to underlying CVD causes were being paid for by the National Institute of Social Security (INSS) (personal communication). This number corresponds to 20% of the severe CVD cases estimated for the population aged 35-64. At values of 2004, their average annual cost would be R$ 4,974.00. Considering an average retirement period of 3.7 years, a direct cost of at least R$ 5,535,071,676.60 would be attributed to the current stock of CVD disability retirements of formal workers affiliated to the INSS, with average annual payments of R$ 1,495,965,318.00 at 2004 values (B. in <xref ref-type="fig" rid="box2-body2">Box 2</xref>).</p>
      <p>In addition to retirements, 1,726,000 temporary disability benefits (with an average duration of one year) were paid in 2004, 8.4% of them being attributed to CVD, corresponding to 144,984 benefits- representing an additional 10% of the estimated severe CVD cases among those aged 35-64. At 2004 values, each benefit would be expected to cost R$ 7,176.00 per year, and the total annual cost of CVD temporary disability benefits would amount to R$ 1,040,405,184.00 (C. in <xref ref-type="fig" rid="box2-body2">Box 2</xref>).</p>
      <p>Additionally to the social security benefits, employers are responsible for the payment of the first 15 days of temporary sick leave at worker's usual wages. Using national average wages, this resulted in an estimated cost of R$ 40,015,584.00 per year (D. in <xref ref-type="fig" rid="box2-body2">Box 2</xref>).</p>
      <p>
        <bold>Indirect Costs</bold>
      </p>
      <p>According to the 1998 Brazilian Burden of Disease Study, ischemic heart disease was responsible for 1,679,821 YLL (years of life lost) and stroke for 1,475,019 YLL, the two major causes of YLL in Brazil, representing 17.4% of all YLL. Total cardiovascular disease corresponded to 4,465,827 YLL and an additional 523,579 YLD (years lost to disease) resulting in 4,989,406 DALYs (disease adjusted life-years) lost<sup>18</sup>. Considering a median monthly wage of R$ 380.00<sup>16</sup> and 4,989,406 DALYs, discounting for an unemployment rate of 11.40%<sup>16</sup> and for an estimate of physically or mentally handicapped population of 15.6%<sup>16</sup>, the total yearly loss of income due to cardiovascular disease would represent R$ 17,013,350,772.00 (E. in <xref ref-type="fig" rid="box2-body2">Box 2</xref>).</p>
      <p>
        <bold>Potential economic impact on national economy</bold>
      </p>
      <p>According to our estimates, it was possible to attribute a health expenditure of R$ 11.2 billion and social security costs of R$ 2.57 billion to severe CVD in 2004, representing roughly 0.64% and 0.16%, respectively, of the Gross National Product (of R$ 1,766 billion). Moreover, an additional potential loss of 0.97% of the GNP was attributed to lost income (<xref ref-type="table" rid="en_05t5-body2">Table 5</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_05t5-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-03-0163-00005-gt05-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>Considering these numbers, severe cardiovascular diseases represented a potential impact of R$ 30.8 billion, corresponding to 1.74% of the GNP in that year. This amount corresponded to R$ 500.00 per capita (considering the 35-year-old and older population) and R$ 9,640.00 per patient. Direct costs with health care of severe CVD cases represented 8% of the total national expenditure on health and 0.52% of the 2004 GNP (R$ 1,767 billion = US$ 602 billion). This corresponded to an average annual direct cost of R$182.00 per capita (R$ 87.00 from public resources) and of R$ 3,514.00 per case.</p>
      <p>
        <bold>Discussion</bold>
      </p>
      <p>Two aspects were critical in obtaining data to reach a final economic burden estimate of CVD in Brazil: lack of a reliable nationwide registry of cardiovascular disease cases, and paucity of available data from health insurance and out-of-pocket segments. Thus we developed stepwise strategies to develop reliable but probably conservative global estimates. Additionally, except for the population as a whole (target of health promotion strategies) and those who died from CVD within a specified period of time, it is difficult to establish the number of individuals presenting intermediate "levels" of the "natural history" of CVD diseases at any given moment. To estimate CVD-related costs, not only the choice of this sub-group of cases needs to make sense but also its estimate needs to be easily reproducible for comparisons across time and space.</p>
      <p>The strategy of selecting severe CVD cases to initiate this analysis was based on the assumption that severe cases would be expected to have great impact on health care costs. The strategy produced a curve of prevalence rates by age which was very consistent with an expected exponential rise of severe cases occurrence. Total prevalence estimate for the population over 35 years of age was low (only 5%). As it can be seen in <xref ref-type="fig" rid="fig1-body2">Figure 1</xref>, this low overall rate is possibly explained by the age structure of our population. The alert from Leeder et al<sup>7</sup> is easily projected from this figure: the aging of the Brazilian population must be expected to significantly increase the burden of CVD and related disabilities and deaths in the next decades. It must be emphasized that the strategy of assuming yearly re-hospitalizations equal to zero equaled the number of hospitalizations with the number of cases to which the hospital mortality was referred - resulting in the lowest possible hospital lethality and, correspondingly, the highest possible estimate of the number of severe CVD cases in the population.</p>
      <fig id="fig1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-03-0163-00005-gf03-en.jpg"/></fig>
      <p>The criteria adopted for selecting data sources and making assumptions were always conservative, placing economic estimates closer to the lowest possible costs. However, we found that estimates of hospitalization costs based on SUS reimbursements only were unrealistically low. Other variable and non-measurable funding sources were found to support hospitalization costs in addition to SUS reimbursements (<xref ref-type="fig" rid="box1-body2">Box 1</xref>). Thus, to reach more realistic estimates of hospitalization costs we adjusted the SUS reimbursement values using measured direct costs obtained in a survey with a selected sample of SUS patients<sup>12</sup>.</p>
      <p>Estimates of outpatients' treatment direct costs were based on purchase costs for medications and personal expenditures, and public health system reimbursements for laboratory tests and clinic visits. Public reimbursements are expectedly underestimated, but medication costs may be overestimated if purchase prices are negotiated, considering the huge amounts of medications bought by SUS.</p>
      <p>From the privately insured and out-of-pocket segments only information on annual budgets and relative coverage of hospitalizations and out-of-patient care for all causes (<xref ref-type="table" rid="tab1-body2">Table 1</xref>) were made available. We had no access to CVD hospital and outpatient data. Even acknowledging the risks of proposing cost estimates based on such scarce information, the significance of private sector contribution to the general health care budget (R$72 of 132 billion) and assistance (26.7% of the hospitalizations and 39.5% of the outpatient care) required an attempt had to be made. The disclosure of data available and of the strategies used to attain estimates of costs attributable to the care of severe CVD cases for each segment are expected to stimulate health administrators with access to better data to compare information and further contribute to making it better.</p>
      <p>Approximately 300,757 disability retirements and 144,984 temporary disability benefits were due to CVD. Those numbers account for 30% of our estimated number of severe CVD cases in the 35-64-year-old range. The estimates seem adequate, considering the low coverage of our employed population by the National Social Security System (40%) and the healthy worker effect, which tends to expel the sick from the work force. Full disclosure of subjacent medical causes to social security temporary and definitive disability benefits would be a great contribution to estimate the burdens of different diseases.</p>
      <p>The less severe cases were not included in the calculation. Their numbers could be roughly estimated aiming at building a preliminary draft to complete the epidemiologic scenario (<xref ref-type="fig" rid="en_05f2-body2">Figure 2</xref>). Based on random domiciliary surveys of adult population limited samples<sup>19</sup>, the prevalence of symptomatic heart disease reached around 6% (approaching the value corresponding to the severe cases estimate) and the prevalence of hypertension (=/&gt;160 and/or =/&gt;95 mmHg) was approximately 15%, making it logical to estimate that 10 to15% of the adult population has CVD of clinically lower severity. According to this estimate, in three years, the HIPERDIA Program registered more than four million hypertensive patients in follow-up.</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="en_05f2-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-03-0163-00005-gf04-en.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>Even choosing conservative strategies to estimate costs - which included focusing this analysis on severe cases only - we found that CVD does have significant impact in Brazilian economy (<xref ref-type="table" rid="en_05t5-body2">Table 5</xref>). It is also evident from <xref ref-type="fig" rid="fig1-body2">Figure 1</xref> that its burden will increase in an accelerated pace in the next decades, keeping pace with current aging in our still young population.</p>
      <p>The translation of the epidemiologic data into economic information is an interesting exercise. It helps us to cross-check validity data across both fields. We showed that total annual costs per severe CVD case are significant, even at still low rates of severe disease (5% of those older than 35 years of age) given the age-structure of our population. Costs per capita and total costs corresponding to this sub-group of CVD patients are expected to escalate as the population ages and the prevalence of severe cases increases. Through the estimates presented, the authors do expect to have provided more intelligible arguments for political decisions encompassing CVD prevention not only by the health sector but by the society as a whole.</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>Sources of Funding</bold>
      </p>
      <p>This study was partially funded by IC-HEALTH (India).</p>
      <p>
        <bold>Study Association</bold>
      </p>
      <p>This study is not associated with any graduation program.</p>
      <p>
        <bold>REFERENCES</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
