<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="ppub">0066-782X</issn>
      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
      </publisher>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">NXNJXHVkPXr6XgZnsn3kgRw</article-id>
      <article-id pub-id-type="other">00001</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2008001300001</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(08)09100101</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2008001300001</article-id>
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        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Artigos Originais</subject>
        </subj-group>
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        <article-title>O perfil de sa&#250;de cardiovascular dos idosos brasileiros precisa melhorar: estudo de base populacional</article-title>
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            <given-names>Sandhi Maria</given-names>
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            <given-names>Val&#233;ria Maria A.</given-names>
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          <named-content content-type="city">Belo Horizonte</named-content>
          <named-content content-type="state">Minas Gerais</named-content>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Minas Gerais</institution>
        <country country="BR">Brazil</country>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>07</month>
        <year>2008</year>
      </pub-date>
      <volume>91</volume>
      <issue>1</issue>
      <fpage>1</fpage>
      <lpage>10</lpage>
      <history>
        <date date-type="accepted">
          <day>03</day>
          <month>01</month>
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        </date>
        <date date-type="rev-recd">
          <day>18</day>
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          <day>22</day>
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          <year>2007</year>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      </permissions>
      <abstract>
        <p>FUNDAMENTO: No Brasil, existe pouca informa&#231;&#227;o de base populacional sobre a aglomera&#231;&#227;o de fatores de risco e sua rela&#231;&#227;o com doen&#231;as cardiovasculares em idosos. OBJETIVO: Estimar preval&#234;ncia e aglomera&#231;&#227;o de fatores de risco e investigar associa&#231;&#227;o com doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o (DIC) em idosos. M&#201;TODOS: Foram inclu&#237;dos todos os participantes &gt; 60 anos do "Inqu&#233;rito domiciliar sobre comportamentos de risco e morbidade referida de doen&#231;as e agravos n&#227;o-transmiss&#237;veis", realizado pelo Minist&#233;rio da Sa&#250;de em 2002/2003, em quinze capitais e no Distrito Federal. Investigou-se a preval&#234;ncia de fatores de risco (tabagismo, consumo de &#225;lcool, inatividade f&#237;sica, dieta inadequada e obesidade) e de morbidade referida (hipertens&#227;o, hipercolesterolemia e diabete), al&#233;m da associa&#231;&#227;o entre DIC e aglomera&#231;&#227;o desses fatores pela regress&#227;o de Poisson. RESULTADOS: Os idosos representaram 13,4% (3.142/23.457), 59,4% mulheres e 40,6% homens. A idade m&#233;dia foi de 69,5 anos. Preval&#234;ncias de dieta inadequada, inatividade f&#237;sica, obesidade, tabagismo e consumo de risco de &#225;lcool foram 94,4%, 40%, 17%, 12,7%e 3,2%, respectivamente. Cerca de 50% referiram hipertens&#227;o; 33% hipercolesterolemia e 18%, diabete. Tabagismo e hipercolesterolemia reduziram significativamente com a idade. Hipertens&#227;o, inatividade f&#237;sica, obesidade e hipercolesterolemia foram mais prevalentes em mulheres. Aglomera&#231;&#227;o de dois ou mais fatores foi observada em 71,3% dos idosos e reduziu com o avan&#231;ar da idade. Idosos com DIC apresentaram uma preval&#234;ncia quatro vezes maior de aglomera&#231;&#227;o de quatro ou mais fatores (RP = 4,1; IC_95%: 2,6-6,4). CONCLUS&#195;O: A associa&#231;&#227;o entre DIC e maior aglomera&#231;&#227;o de fatores de risco expressa, provavelmente, maior risco acumulado ao longo da vida, mas indica tamb&#233;m a necessidade de melhorar o perfil de risco desses idosos.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Idoso</kwd>
        <kwd>doen&#231;as cardiovasculares</kwd>
        <kwd>fatores de risco</kwd>
        <kwd>preval&#234;ncia</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>28</day>
        <month>07</month>
        <year>2008</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
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  <body>
    <p>ARTIGO ORIGINAL </p>
    <p> CARDIOGERIATRIA</p>
    <p>O perfil de sa&#250;de cardiovascular dos idosos brasileiros precisa melhorar: estudo de base populacional</p>
    <p>
      <bold>Janaina Caldeira Pereira; Sandhi Maria Barreto; Val&#233;ria Maria A. Passos</bold>
    </p>
    <p>Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG - Brasil</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="nt">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO </bold>
    </p>
    <p><bold>FUNDAMENTO:</bold> No Brasil, existe pouca informa&#231;&#227;o de base populacional sobre a aglomera&#231;&#227;o de fatores de risco e sua rela&#231;&#227;o com doen&#231;as cardiovasculares em idosos. </p>
    <p><bold>OBJETIVO:</bold> Estimar preval&#234;ncia e aglomera&#231;&#227;o de fatores de risco e investigar associa&#231;&#227;o com doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o (DIC) em idosos. </p>
    <p><bold>M&#201;TODOS: </bold>Foram inclu&#237;dos todos os participantes <underline>&gt;</underline> 60 anos do "Inqu&#233;rito domiciliar sobre comportamentos de risco e morbidade referida de doen&#231;as e agravos n&#227;o-transmiss&#237;veis", realizado pelo Minist&#233;rio da Sa&#250;de em 2002/2003, em quinze capitais e no Distrito Federal. Investigou-se a preval&#234;ncia de fatores de risco (tabagismo, consumo de &#225;lcool, inatividade f&#237;sica, dieta inadequada e obesidade) e de morbidade referida (hipertens&#227;o, hipercolesterolemia e diabete), al&#233;m da associa&#231;&#227;o entre DIC e aglomera&#231;&#227;o desses fatores pela regress&#227;o de Poisson. </p>
    <p><bold>RESULTADOS:</bold> Os idosos representaram 13,4% (3.142/23.457), 59,4% mulheres e 40,6% homens. A idade m&#233;dia foi de 69,5 anos. Preval&#234;ncias de dieta inadequada, inatividade f&#237;sica, obesidade, tabagismo e consumo de risco de &#225;lcool foram 94,4%, 40%, 17%, 12,7%e 3,2%, respectivamente. Cerca de 50% referiram hipertens&#227;o; 33% hipercolesterolemia e 18%, diabete. Tabagismo e hipercolesterolemia reduziram significativamente com a idade. Hipertens&#227;o, inatividade f&#237;sica, obesidade e hipercolesterolemia foram mais prevalentes em mulheres. Aglomera&#231;&#227;o de dois ou mais fatores foi observada em 71,3% dos idosos e reduziu com o avan&#231;ar da idade. Idosos com DIC apresentaram uma preval&#234;ncia quatro vezes maior de aglomera&#231;&#227;o de quatro ou mais fatores (RP = 4,1; IC_95%: 2,6-6,4). </p>
    <p><bold>CONCLUS&#195;O:</bold> A associa&#231;&#227;o entre DIC e maior aglomera&#231;&#227;o de fatores de risco expressa, provavelmente, maior risco acumulado ao longo da vida, mas indica tamb&#233;m a necessidade de melhorar o perfil de risco desses idosos. </p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> Idoso, doen&#231;as cardiovasculares, fatores de risco, preval&#234;ncia. </p>
    <p>
      <bold>Introdu&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>A popula&#231;&#227;o mundial est&#225; vivendo mais. O envelhecimento expressa maior cuidado com a sa&#250;de, progresso da ci&#234;ncia no combate &#224;s doen&#231;as e melhorias no meio ambiente. No Brasil, o crescimento da popula&#231;&#227;o idosa deve-se, sobretudo, &#224; redu&#231;&#227;o da fecundidade e mortalidade nas &#250;ltimas d&#233;cadas. Proje&#231;&#245;es realizadas no pa&#237;s estimam que esse contingente dobre em quinze anos<sup>1</sup>. O envelhecimento refor&#231;a a import&#226;ncia de manter a sa&#250;de e autonomia. O avan&#231;ar da idade, por si s&#243;, aumenta o risco de doen&#231;as cr&#244;nicas, com destaque para as cardiovasculares. Entretanto, o desenvolvimento dessas doen&#231;as acomete diferencialmente os indiv&#237;duos, com menor freq&#252;&#234;ncia e gravidade naqueles com trajet&#243;ria e cotidiano mais saud&#225;veis. </p>
    <p>A incid&#234;ncia de doen&#231;as cardiovasculares em adultos dobra aproximadamente a cada dec&#234;nio de vida<sup>2</sup>. Apesar de aumentar com a idade, grande parte dessas doen&#231;as poderia ser evitada. Como as doen&#231;as cr&#244;nicas mais freq&#252;entes (cardiovasculares, c&#226;ncer e diabete) compartilham v&#225;rios fatores de risco, a Organiza&#231;&#227;o Mundial de Sa&#250;de (OMS) prop&#245;e uma abordagem de preven&#231;&#227;o e controle integrado, em todas as idades, baseada na redu&#231;&#227;o dos seguintes fatores: hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica (HAS), fumo, &#225;lcool, inatividade f&#237;sica, dieta inadequada, obesidade, hipercolesterolemia<sup>3</sup>. </p>
    <p>Estudos mostram que esses fatores tendem a ocorrer simultaneamente<sup>4-6</sup>. A sua combina&#231;&#227;o, usualmente, representa um risco total aumentado para doen&#231;as cardiovasculares, comparado ao risco resultante da soma de seus efeitos isolados, indicando efeito sin&#233;rgico entre eles<sup>7</sup>. Estimativas do efeito da aglomera&#231;&#227;o desses fatores consideram que muitos s&#227;o inter-relacionados e participam como intermedi&#225;rios em uma cadeia causal<sup>8,9</sup>. Portanto, uma preven&#231;&#227;o efetiva das doen&#231;as cardiovasculares s&#243; ser&#225; alcan&#231;ada com a melhoria global do perfil de risco de indiv&#237;duos e popula&#231;&#245;es. </p>
    <p>No Brasil, existe pouca informa&#231;&#227;o de base populacional sobre a aglomera&#231;&#227;o de fatores de risco cardiovascular em idosos. O presente estudo analisou dados do "Inqu&#233;rito domiciliar sobre comportamentos de risco e morbidade referida de doen&#231;as e agravos n&#227;o-transmiss&#237;veis" do Minist&#233;rio da Sa&#250;de<sup>10</sup>, com o objetivo de descrever a preval&#234;ncia e aglomera&#231;&#227;o de fatores de risco cardiovascular e investigar sua associa&#231;&#227;o com o relato de doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o (DIC) em idosos. </p>
    <p>
      <bold>M&#233;todos</bold>
    </p>
    <p>A popula&#231;&#227;o deste estudo &#233; composta por participantes do "Inqu&#233;rito domiciliar sobre comportamentos de risco e morbidade referida de doen&#231;as e agravos n&#227;o-transmiss&#237;veis", realizado pelo Instituto Nacional de C&#226;ncer (Inca) e pela Secretaria de Vigil&#226;ncia &#224; Sa&#250;de (SVS) do Minist&#233;rio da Sa&#250;de, no per&#237;odo de 2002 a 2003. Trata-se de estudo transversal de base populacional composto por 23.457 indiv&#237;duos, de 15 ou mais anos de idade, residentes em dezesseis capitais: Aracaju, Bel&#233;m, Belo Horizonte, Bras&#237;lia, Campo Grande, Curitiba, Florian&#243;polis, Fortaleza, Jo&#227;o Pessoa, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, S&#227;o Paulo e Vit&#243;ria. A amostra foi autoponderada e selecionada em dois est&#225;gios. Detalhes sobre a metodologia e coleta de dados encontram-se na publica&#231;&#227;o oficial do inqu&#233;rito<sup>10</sup>. </p>
    <p>Este estudo incluiu 3.142 indiv&#237;duos de ambos os sexos (13,4% dos participantes) com idade igual ou superior a 60 anos, limite et&#225;rio para idosos recomendado pela OMS para pa&#237;ses em desenvolvimento. </p>
    <p>Foram considerados tr&#234;s grupos de vari&#225;veis: </p>
    <p>&#149; Caracter&#237;sticas sociodemogr&#225;ficas: idade (60 a 69, 70 a 79, 80 ou + anos), sexo e escolaridade (0 a 3, 4 a 7, 8 ou mais anos de estudo). </p>
    <p>&#149; Fatores de risco modific&#225;veis: atividade f&#237;sica, tabagismo, consumo de &#225;lcool considerado de risco, dieta inadequada, obesidade e morbidade referida &#150; HAS, hipercolesterolemia e diabete. </p>
    <p>&#149; Doen&#231;a: relato de DIC. </p>
    <p>O n&#237;vel de atividade f&#237;sica foi aferido pelo <italic>International Physical Activity Questionnaire</italic> (IPAQ), vers&#227;o reduzida, recomendado pela OMS para avalia&#231;&#227;o da atividade f&#237;sica em adultos de 15 a 69 anos<sup>11</sup>. Portanto, no presente estudo, essa vari&#225;vel foi avaliada apenas em idosos jovens (de 60 a 69 anos). O instrumento cont&#233;m perguntas relacionadas &#224; freq&#252;&#234;ncia (dias por semana), dura&#231;&#227;o (tempo por dia) e intensidade (leve, moderada e vigorosa) da atividade f&#237;sica nos &#250;ltimos sete dias. Os indiv&#237;duos s&#227;o classificados em muito ativos, ativos, irregularmente ativos e sedent&#225;rios, de acordo com o escore obtido no IPAQ. Foram considerados grupos de risco aqueles classificados como irregularmente ativos ou sedent&#225;rios. </p>
    <p>Para defini&#231;&#227;o de obesidade, utilizou-se o &#237;ndice de massa corporal (IMC) calculado a partir do peso e altura referidos, com ponto de corte de 30 kg/m<sup>2 </sup>para obesidade<sup>12</sup>. </p>
    <p>Os indiv&#237;duos foram classificados em tr&#234;s categorias: fumantes (fumaram pelo menos cem cigarros na vida e fumavam atualmente), ex-fumantes (fumaram pelo menos cem cigarros na vida, mas n&#227;o fumavam atualmente) e n&#227;o-fumantes<sup>13</sup>. </p>
    <p>O consumo alco&#243;lico de risco foi identificado entre homens que relataram consumir mais de duas doses de bebida alco&#243;lica por dia, e entre mulheres, mais de uma dose de bebida alco&#243;lica por dia, nos &#250;ltimos trinta dias. Considerou-se dose como meia garrafa ou uma lata de cerveja, um c&#225;lice de vinho ou um drinque de bebida destilada (aguardente, u&#237;sque etc.)<sup>13</sup>. </p>
    <p>Para avaliar o padr&#227;o de consumo alimentar de risco, foram utilizadas informa&#231;&#245;es sobre a freq&#252;&#234;ncia di&#225;ria do consumo de frutas e/ou legumes e/ou hortali&#231;as. Considerou-se risco quando o entrevistado informou que a ingest&#227;o desses alimentos era inferior a cinco por&#231;&#245;es ao dia<sup>13</sup>. </p>
    <p>A HAS foi definida a partir da resposta positiva &#224; pergunta: "Algum m&#233;dico, enfermeiro ou agente comunit&#225;rio de sa&#250;de j&#225; lhe disse que o(a) Sr.(a) tem press&#227;o alta?". </p>
    <p>Os indiv&#237;duos que referiram diabete, colesterol alto e doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o deram respostas positivas &#224;s seguintes quest&#245;es: </p>
    <p>&#149; "Algum m&#233;dico j&#225; lhe disse que o(a) Sr.(a) tem diabete?" </p>
    <p>&#149; "Algum m&#233;dico, enfermeiro ou nutricionista j&#225; lhe disse que o(a) Sr.(a) tem colesterol alto?" </p>
    <p>&#149; "Algum m&#233;dico j&#225; lhe disse que o(a) Sr.(a) tem ou teve ataque do cora&#231;&#227;o ou infarto ou angina ou doen&#231;a das coron&#225;rias?" </p>
    <p>Foram feitas distribui&#231;&#245;es das preval&#234;ncias dos fatores de risco e morbidade referida por faixa et&#225;ria e sexo, usando medidas de propor&#231;&#227;o pela estimativa do qui-quadrado de Pearson e seu intervalo de confian&#231;a de 95% (IC_95%). </p>
    <p>Para investigar a aglomera&#231;&#227;o de fatores de risco cardiovascular (FRCV), foi criado um escore que reuniu os fatores de risco modific&#225;veis (tabagismo, consumo de &#225;lcool e dieta inadequada) e morbidade referida (hipertens&#227;o, diabete e hipercolesterolemia). Inclu&#237;ram-se as vari&#225;veis referidas por mais de 75% do total de idosos. Como a informa&#231;&#227;o sobre atividade f&#237;sica &#233; restrita aos idosos mais jovens (60 a 69 anos) o escore foi analisado separadamente para essa faixa et&#225;ria com inclus&#227;o de inatividade f&#237;sica. </p>
    <p>Os percentuais de respostas para cada vari&#225;vel foram: 88,0% (n = 2.765) para tabagismo; 87,9% (n = 2.763) para dieta; 87,1%(n = 2.737) para consumo de &#225;lcool; 86,9% (n = 2.731) para hipertens&#227;o; 77% (n = 2.419) para hipercolesterolemia; 76,2% para diabete (n = 2.393); e 56,7% (n = 988) para o IPAQ. As medidas de peso e altura foram relatadas por 2.094 (66,6%) indiv&#237;duos para c&#225;lculo do IMC, e 2.631 (83,7%) responderam sobre DIC. </p>
    <p>Analisou-se a associa&#231;&#227;o entre DIC referida e escore de aglomera&#231;&#227;o de FRCV, ajustado pelas caracter&#237;sticas sociodemogr&#225;ficas. Esse escore variou de um a quatro: 1) de zero a um, 2) dois, 3) tr&#234;s e 4) quatro ou mais fatores, em qualquer combina&#231;&#227;o entre eles. Verificou-se ainda a associa&#231;&#227;o entre DIC e vari&#225;veis de interesse em an&#225;lise univariada. As vari&#225;veis que apresentaram valor de p &lt; 0,20 foram inclu&#237;das no modelo multivariado, e considerou-se significativa a associa&#231;&#227;o que apresentou valor de p &lt; 0,05. A magnitude das associa&#231;&#245;es e os respectivos intervalos de confian&#231;a de 95% foram medidos pelas raz&#245;es de preval&#234;ncia obtidas por meio da regress&#227;o de Poisson adaptada para estudos transversais<sup>14</sup>. A an&#225;lise utilizou o programa Stata 9.0 que disp&#245;e de procedimentos para an&#225;lise de inqu&#233;ritos amostrais complexos. Esses procedimentos permitem incorporar pesos distintos das observa&#231;&#245;es que influenciam estimativas pontuais de par&#226;metros da popula&#231;&#227;o total. </p>
    <p>O inqu&#233;rito foi desenvolvido de forma a proteger a privacidade dos indiv&#237;duos, garantindo participa&#231;&#227;o an&#244;nima e volunt&#225;ria. Os crit&#233;rios definidos pela Comiss&#227;o de &#201;tica do Instituto Nacional do C&#226;ncer e pelo Conselho Nacional de &#201;tica em Pesquisa (Conep) foram seguidos. </p>
    <p>
      <bold>Resultados</bold>
    </p>
    <p>Entre os 3.142 idosos, 1.868 (59,4%) eram mulheres e 1.274 (40,6%) homens. A m&#233;dia de idade foi igual a 69,5 (&#177; 0,19 anos), e 1.742 (55,44%) tinham idade entre 60 e 69 anos. A escolaridade m&#233;dia foi de 5,6 anos (IC 95%_5,2-5,9). A distribui&#231;&#227;o das caracter&#237;sticas sociodemogr&#225;ficas revelou maioria significativa de mulheres em todas as faixas et&#225;rias, pela estimativa do qui-quadrado de Pearson (valor de p &lt; 0,05). </p>
    <p>As preval&#234;ncias de fatores de risco e morbidade referidos e seus intervalos de confian&#231;a de 95% s&#227;o mostradas na <xref ref-type="fig" rid="a01fig01">figura 1</xref>. A preval&#234;ncia de dieta inadequada foi igual a 94,4% (IC_ 95% 92,8-95,6). N&#227;o houve diferen&#231;as significativas entre sexos e faixas et&#225;rias. A HAS foi o segundo fator mais prevalente (50,6%; IC_ 95% 47,9-53,2). Nos dois sexos, a faixa et&#225;ria com maiores percentuais de hipertens&#227;o foi a de 70 a 79 anos. Apenas para mulheres houve associa&#231;&#227;o significativa entre hipertens&#227;o e idade (&#967;<sup>2 </sup>= 15,1; p = 0,01). Cerca de 40% dos idosos com menos de 70 anos foram classificados como insuficientemente ativos ou sedent&#225;rios. Observou-se maior propor&#231;&#227;o de homens ativos ou muito ativos (64,3%; IC_95% 57,9-70,3), com diferen&#231;a estatisticamente significativa entre sexos (&#967;<sup>2 </sup>= 10,18; p = 0,01). A obesidade foi maior entre mulheres (19,3%; IC_95% 16,6-22,3; &#967;<sup>2</sup> = 9,5; p = 0,03). Nos homens houve redu&#231;&#227;o da preval&#234;ncia da obesidade com o avan&#231;ar da idade, sem signific&#226;ncia estat&#237;stica (&#967;<sup>2</sup> = 2,5; p = 0,6). Oitocentos e vinte e nove entrevistados, 33,1% (IC_95% 30,7-35,5), relataram hipercolesterolemia, com maior preval&#234;ncia entre mulheres e redu&#231;&#227;o com aumento da idade (&#967;<sup>2 </sup>= 10,04; p = 0,05). A preval&#234;ncia de fumantes reduziu significativamente (12,7%, IC_ 95%, 11,1-14,5) com o envelhecer (&#967;<sup>2 </sup>= 66,6; p = 0,001). J&#225; a propor&#231;&#227;o de ex-fumantes (30,4%, IC_ 95% 28,1-32,7) cresceu com o envelhecimento entre homens e reduziu entre mulheres. Observou-se consumo alco&#243;lico de risco em 3,2% (IC_95% 2,3-4,4) dos entrevistados, e esse fator foi maior entre homens (&#967;<sup>2 </sup>= 54,5; p = 0,001) e na faixa et&#225;ria de 60 a 69 anos (&#967;<sup>2 </sup>= 25,3; p = 0,01). </p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="a01fig01">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-01-0001-00001-gf01.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>A preval&#234;ncia do diabete foi de 17,83% (IC_95% 15,74-20,12) e maior entre homens (&#967;<sup>2 </sup>= 10,6, p = 0,03). N&#227;o houve diferen&#231;a significativa entre faixas et&#225;rias (&#967;<sup>2 </sup>= 1,5; p = 0,6395). </p>
    <p>A aglomera&#231;&#227;o de dois ou mais FRCV foi observada em 71,3% dos idosos (n = 2.219). Os mais velhos, de 80 ou mais anos, apresentaram menor aglomera&#231;&#227;o quando comparados &#224;s demais faixas et&#225;rias (&#967;<sup>2 </sup>= 40,9; p = 0,001). Houve associa&#231;&#227;o significativa entre aglomera&#231;&#227;o e idade apenas para mulheres (&#967;<sup>2 </sup>= 30,1; p = 0,004) (<xref ref-type="fig" rid="a01fig02">fig. 2</xref>). </p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="a01fig02">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-01-0001-00001-gf02.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>A DIC foi referida por 12,6% dos entrevistados (n = 2.765), sem diferen&#231;as significativas entre sexos e faixas et&#225;rias. Na an&#225;lise separada por sexo, houve associa&#231;&#227;o significativa com idade entre homens. Na an&#225;lise univariada entre DIC e vari&#225;veis selecionadas, foram significativos os seguintes fatores: fumo (ex-fumante), obesidade, hipertens&#227;o, hipercolesterolemia e diabete. No modelo multivariado ajustado, a vari&#225;vel obesidade perdeu signific&#226;ncia (p &gt; 0,05) (<xref ref-type="table" rid="tab01">tab. 1</xref>). Os idosos com aglomera&#231;&#227;o de quatro ou mais FRCV apresentaram uma probabilidade quatro vezes maior (RP = 4,1 IC_95% 2,5-6,4) de referir DIC quando comparados &#224;queles com nenhum ou um fator, ap&#243;s ajuste (<xref ref-type="table" rid="tab02">tab. 2</xref>). Na an&#225;lise separada para idosos jovens, a chance de referir DIC tamb&#233;m aumentou, com maior n&#250;mero de FRCV, e foi maior para todas as categorias do escore quando comparada &#224; amostra total de idosos, antes e ap&#243;s a inclus&#227;o de inatividade f&#237;sica (<xref ref-type="table" rid="tab03">tab. 3</xref>). </p>
    <table-wrap id="tab01">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-01-0001-00001-gt01.jpg"/></table-wrap>
    <table-wrap id="tab02">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-01-0001-00001-gt02.jpg"/></table-wrap>
    <table-wrap id="tab03">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-01-0001-00001-gt03.jpg"/></table-wrap>
    <p>
      <bold>Discuss&#227;o</bold>
    </p>
    <p>O inqu&#233;rito realizado pelo Inca e pela SVS<sup>10</sup> fornece dados da popula&#231;&#227;o urbana de grande parte do pa&#237;s, de forma in&#233;dita. A car&#234;ncia de dados de abrang&#234;ncia nacional, no que diz respeito a FRCV, deve-se ao porte e custo desse tipo de estudo. A utiliza&#231;&#227;o de dados a partir da morbidade referida, em vez da coleta objetiva (medidas de HAS, glicemia etc.), permite obter informa&#231;&#245;es de maneira confi&#225;vel a um custo mais adequado num pa&#237;s em desenvolvimento com a dimens&#227;o do Brasil. </p>
    <p>Estudos realizados tanto no exterior como no Brasil mostraram a validade de informa&#231;&#245;es referidas com sensibilidade e especificidade para detectar condi&#231;&#245;es relacionadas &#224; sa&#250;de. Por&#233;m, em todo o mundo, diagn&#243;sticos com maior acesso, tais como HAS e diabete, s&#227;o mais confi&#225;veis que outros como colesterol<sup>15-18</sup>. </p>
    <p>Popula&#231;&#245;es envelhecidas s&#227;o heterog&#234;neas, e a an&#225;lise de fatores de riscos difere daquela para adultos mais jovens. Suas caracter&#237;sticas s&#227;o influenciadas, sobretudo, por eventos hist&#243;ricos que marcam as diferentes coortes de nascimento, vi&#233;s de sobreviv&#234;ncia e por diferen&#231;as entre g&#234;neros. </p>
    <p>A redu&#231;&#227;o das preval&#234;ncias de fatores de risco como tabagismo e consumo de &#225;lcool com o envelhecimento pode refletir tanto a mortalidade precoce de adultos mais jovens expostos a esses fatores quanto mudan&#231;as de comportamentos de risco ap&#243;s adoecimento. Entretanto, este estudo mostrou que continuam altas as preval&#234;ncias de alguns dos principais fatores de risco, como HAS, inatividade f&#237;sica, hipercolesterolemia e dieta inadequada. A probabilidade de referir DIC aumentou com a maior aglomera&#231;&#227;o desses fatores. </p>
    <p>A maior preval&#234;ncia de tabagismo entre homens envolve aspectos hist&#243;ricos e culturais. Esse h&#225;bito iniciou-se no mundo como um comportamento predominante neste sexo e se expandiu drasticamente ap&#243;s a Primeira Guerra Mundial. Entre mulheres, o tabagismo era pouco comum antes da d&#233;cada de 1930. A redu&#231;&#227;o de fumantes com o aumento da idade foi observada em ambos os sexos, provavelmente em raz&#227;o do vi&#233;s de sobreviv&#234;ncia, corroborando resultados obtidos em outros estudos<sup>19,20</sup>. </p>
    <p>O predom&#237;nio significativo de mulheres em todas as faixas et&#225;rias pode ser explicado por fatores biol&#243;gicos, ligados ao sexo, e socioculturais, relacionados ao g&#234;nero<sup>21</sup>. As mulheres apresentaram maiores preval&#234;ncias de HAS, inatividade f&#237;sica, obesidade e hipercolesterolemia. Esses resultados podem refletir diferen&#231;as reais na distribui&#231;&#227;o desses fatores, mas, provavelmente, expressam tamb&#233;m maior informa&#231;&#227;o sobre a condi&#231;&#227;o de sa&#250;de e possibilidade de diagn&#243;stico, em raz&#227;o da maior procura de assist&#234;ncia m&#233;dica por mulheres. A maior preval&#234;ncia de HAS no sexo feminino foi tamb&#233;m encontrada na Pesquisa Nacional por Amostra de Domic&#237;lio (Pnad) de 1998<sup>22</sup> e nas popula&#231;&#245;es residentes em S&#227;o Paulo<sup>23</sup> e Campinas, onde tamb&#233;m se verificaram percentuais semelhantes e maiores freq&#252;&#234;ncias na faixa et&#225;ria de 70 a 79 anos<sup>24</sup>. A menor freq&#252;&#234;ncia de obesidade no sexo masculino &#233; condizente com outros estudos de base populacional brasileiros<sup>25,26 </sup>e pode estar relacionada &#224; maior pr&#225;tica de atividade f&#237;sica ligada a atividades laborais em homens e a fatores como paridade e mudan&#231;as hormonais nas mulheres. </p>
    <p>A hipercolesterolemia aumenta com a idade para homens e mulheres, e tende a declinar nas faixas et&#225;rias mais velhas. Nos homens, h&#225; aumento do colesterol at&#233; 45 a 50 anos, com posterior decl&#237;nio. Nas mulheres, o colesterol tende a aumentar ap&#243;s a menopausa, e o decl&#237;nio ocorre mais tardiamente, por volta dos 60 a 70 anos, com tend&#234;ncia similar de redu&#231;&#227;o ap&#243;s esse per&#237;odo nos dois sexos. Entre os fatores envolvidos na diminui&#231;&#227;o dos n&#237;veis de colesterol em idosos, destacam-se defici&#234;ncia na absor&#231;&#227;o, redu&#231;&#227;o da ingest&#227;o de dietas ricas em colesterol, mortalidade seletiva para indiv&#237;duos com hipercolesterolemia e efeito de comorbidades<sup>27</sup>. Neste estudo, a maior preval&#234;ncia entre mulheres pode ser atribu&#237;da &#224; distribui&#231;&#227;o et&#225;ria e de sexo na amostra, com 55,44% de idosos jovens e 60% de mulheres. Foi encontrada menor preval&#234;ncia de hipercolesterolemia entre os idosos quando comparada aos resultados da "Campanha nacional de alerta sobre o colesterol elevado", que identificou 40% de brasileiros com essa altera&#231;&#227;o. A medida na campanha foi determinada em volunt&#225;rios e n&#227;o em uma amostra representativa da popula&#231;&#227;o. Al&#233;m disso, esses volunt&#225;rios tinham em m&#233;dia 15 anos, idade inferior &#224; da amostra estudada. Medidas feitas em volunt&#225;rios tendem a superestimar a preval&#234;ncia de fatores como o colesterol, pois &#233; prov&#225;vel que pessoas com dieta inadequada ou tend&#234;ncia familiar sintam-se mais estimuladas a participar e ter seu colesterol medido que as demais<sup>28</sup>. </p>
    <p>A preval&#234;ncia de diabete est&#225; de acordo com o observado para a popula&#231;&#227;o idosa residente na cidade de S&#227;o Paulo (17,9%)<sup>23</sup> e nos Estados Unidos (16,9%)<sup>29</sup>, e superior &#224; verificada em Bambu&#237; (14,59%)<sup>30</sup>. O risco de diabete tipo 2 aumenta com a idade e &#233; incrementado por obesidade, inatividade f&#237;sica e dieta inadequada. Esses fatores que tendem a andar juntos mostraram altas preval&#234;ncias entre os idosos brasileiros. O diabete &#233; um grave FRCV, especialmente para DIC. Estudo recente de causas m&#250;ltiplas de &#243;bito no Brasil indicou que 39% dos adultos, cujo &#243;bito tem rela&#231;&#227;o com o diabete, morreram por doen&#231;as coronarianas<sup>31</sup>. </p>
    <p>O n&#250;mero reduzido de idosos fisicamente ativos pode se dever, em parte, &#224; exist&#234;ncia de barreiras como a falta de orienta&#231;&#227;o e de locais adequados para realiza&#231;&#227;o de exerc&#237;cios. A atividade f&#237;sica, al&#233;m de promover intera&#231;&#227;o social entre idosos, preserva a independ&#234;ncia nas atividades da vida di&#225;ria e contribui para redu&#231;&#227;o e controle de FRCV e de condi&#231;&#245;es como as DIC. A preval&#234;ncia de inatividade f&#237;sica foi superior ao resultado encontrado em Pelotas (29,3%) e S&#227;o Paulo (8,35%)<sup>32</sup>. </p>
    <p>Evid&#234;ncias epidemiol&#243;gicas mostram a associa&#231;&#227;o inversa entre consumo adequado de frutas e vegetais e risco de DCV<sup>33</sup>. Nosso estudo mostrou que somente uma minoria dos idosos segue as recomenda&#231;&#245;es nutricionais da OMS para o consumo desses alimentos. Elevadas preval&#234;ncias de dieta inadequada foram tamb&#233;m identificadas no "Inqu&#233;rito Mundial de Sa&#250;de" conduzido no Brasil em 2003<sup>34</sup>, na Pesquisa de Or&#231;amento Familiar de 2002/2003<sup>35</sup> e entre idosos residentes em Belo Horizonte<sup>36</sup>. </p>
    <p>A maioria dos idosos apresentou mais de dois FRCV. O aumento da aglomera&#231;&#227;o desses fatores com a idade em &#225;reas urbanas &#233; bastante difundido na literatura<sup>4-7</sup>. Por&#233;m, nossos resultados indicaram a diminui&#231;&#227;o da aglomera&#231;&#227;o com o progredir da idade, o que pode significar que os indiv&#237;duos sobreviventes, sobretudo aqueles que relataram DIC, conseguiram modificar comportamentos. Essa conclus&#227;o &#233; corroborada pela maior magnitude da associa&#231;&#227;o encontrada entre aglomera&#231;&#227;o e DIC nos idosos mais jovens comparados &#224; amostra total. </p>
    <p>A DIC se destaca entre as cardiovasculares pela magnitude, nas suas diferentes manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas. A maior preval&#234;ncia em idosos &#233; esperada e ocorre por causa de uma combina&#231;&#227;o de fatores que v&#227;o al&#233;m das altera&#231;&#245;es fisiol&#243;gicas pr&#243;prias da idade, com destaque para acumula&#231;&#227;o dos efeitos dos fatores de risco ao longo da vida. Entre as in&#250;meras condi&#231;&#245;es associadas &#224; DIC, apontadas na literatura, a hipertens&#227;o arterial, a hipercolesterolemia e o tabagismo s&#227;o os mais potentes fatores de risco para essa doen&#231;a<sup>37-39</sup>. Esses fatores apresentaram maiores associa&#231;&#245;es com DIC em rela&#231;&#227;o aos demais investigados na an&#225;lise multivariada. O aumento da preval&#234;ncia de doen&#231;a isqu&#234;mica referida com maior aglomera&#231;&#227;o de FRCV chama a aten&#231;&#227;o para a import&#226;ncia da medida de risco cardiovascular baseada no n&#250;mero de fatores de risco que o indiv&#237;duo apresenta. </p>
    <p>Muitas das varia&#231;&#245;es observadas no risco para as DCV em diferentes popula&#231;&#245;es podem ser compreendidas por meio da aglomera&#231;&#227;o, j&#225; que os fatores de risco tendem a operar sinergicamente, tendo um efeito maior que o aditivo<sup>9</sup>. </p>
    <p>O desenho transversal deste estudo n&#227;o permite fazer infer&#234;ncias causais ou temporais acerca da associa&#231;&#227;o entre vari&#225;veis dependentes e independentes<sup>40</sup>. Al&#233;m do vi&#233;s de sobrevida, comum a estudos em idosos, as informa&#231;&#245;es auto-referidas podem sofrer influ&#234;ncia do acesso aos servi&#231;os de sa&#250;de e vi&#233;s de mem&#243;ria. Apesar de ter sido realizado em dezesseis capitais, incluindo as maiores do pa&#237;s, o inqu&#233;rito n&#227;o representa toda a popula&#231;&#227;o brasileira, e as caracter&#237;sticas da amostra n&#227;o permitiram desagregar os dados por regi&#227;o. </p>
    <p>
      <bold>Conclus&#245;es</bold>
    </p>
    <p>A associa&#231;&#227;o entre DIC e maior aglomera&#231;&#227;o de FR expressa, provavelmente, maior risco acumulado ao longo da vida, mas indica tamb&#233;m a necessidade de melhorar o perfil de risco desses idosos. </p>
    <p>Inqu&#233;ritos de sa&#250;de permitem coletar dados e construir indicadores associados &#224; sa&#250;de e n&#227;o apenas &#224;s doen&#231;as, e ainda obter informa&#231;&#245;es de fatores de risco e determinantes sociais do processo sa&#250;de/doen&#231;a. Essas informa&#231;&#245;es ajudam a abordar a sa&#250;de do idoso com olhar multidimensional voltado para a preven&#231;&#227;o de desfechos relacionados &#224;s doen&#231;as cr&#244;nicas n&#227;o-transmiss&#237;veis e para o desenvolvimento de pol&#237;ticas p&#250;blicas com meta no envelhecimento saud&#225;vel. </p>
    <p>
      <bold>Agradecimentos</bold>
    </p>
    <p>&#192; Coordena&#231;&#227;o de Preven&#231;&#227;o e Vigil&#226;ncia (Comprev), ao Instituto Nacional do C&#226;ncer (Inca) e &#224; Secretaria de Vigil&#226;ncia &#224; Sa&#250;de do Minist&#233;rio da Sa&#250;de, pela disponibiliza&#231;&#227;o do banco de dados. </p>
    <p>&#192; Coordena&#231;&#227;o de Aperfei&#231;oamento de Pessoal de N&#237;vel Superior: JP Caldeira &#233; bolsista de mestrado. </p>
    <p>Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&#237;fico e Tecnol&#243;gico: SM Barreto e VMA Passos s&#227;o pesquisadoras do CNPq (n&#186; 300908/95 e 300159/99-4). </p>
    <p>
      <bold> Potencial Conflito de Interesses </bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflito de interesses pertinentes. </p>
    <p>
      <bold>Fontes de Financiamento </bold>
    </p>
    <p>O presente estudo n&#227;o teve fontes de financiamento externas. </p>
    <p>
      <bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica </bold>
    </p>
    <p>Este artigo &#233; parte de disserta&#231;&#227;o de mestrado em Sa&#250;de P&#250;blica de Janaina Caldeira Pereira pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. </p>
    <p>
      <fn id="nt" fn-type="corresp">
        <p>Correspond&#234;ncia:</p>
        <p> Janaina Caldeira Pereira </p>
        <p> Rua Itapemirim, 176/404, Serra </p>
        <p> 30.240-000, Belo Horizonte, MG - Brasil </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="janacgodoy@yahoo.com.br">janacgodoy@yahoo.com.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 22/10/07; revisado recebido em 18/12/07; aceito em 03/01/08.</p>
  </body>
  <back>
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      <ref id="B1">
        <label>1</label>
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          <source>Perfil dos idosos respons&#225;veis pelos domic&#237;lios no Brasil 2000</source>
          <date>
            <year>2003</year>
          </date>
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          <article-title>Comparison of risk profiles for cardiovascular events: implications for prevention</article-title>
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            <year>1997</year>
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          <fpage>39</fpage>
          <lpage>66</lpage>
          <volume>42</volume>
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              <surname>Kannel</surname>
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      <abstract xml:lang="en">
        <p>BACKGROUND: In Brazil, population-based information on risk factors and their relationship with cardiovascular diseases in the elderly is scarce. OBJECTIVE: To estimate the prevalence and clustering of risk factors and investigate their association with ischemic heart disease (IHD) in elderly people. METHODS: All subjects &gt;60 years of age participating in the "Inqu&#233;rito domiciliar sobre comportamentos de risco e morbidade referida de doen&#231;as e agravos n&#227;o transmiss&#237;veis" (Household Survey on Risk Behaviors and Reported Morbidity of Non Transmissible Diseases and Health Conditions) carried out by the Ministry of Health, in 2002/2003 in 15 capitals and the Federal District were included. The prevalence of risk factors (smoking, alcohol consumption, lack of physical activity, inappropriate diet, and obesity) and reported morbidity (hypertension, hypercholesterolemia, and diabetes) was assessed, as well as the association between IHD and clustering of these factors using the Poisson regression model. RESULTS: Elderly individuals represented 13.4% (3,142/23,457), 59.4% women and 40.6% men. The mean age of the participants was 69.5 years. Approximately 50% of participants reported having hypertension, 33% hypercholesterolemia, and 18% diabetes. Smoking and hypercholesterolemia dropped significantly with age. Hypertension, physical inactivity, obesity, and hypercholesterolemia were more prevalent among women. Clustering of two or more factors was observed in 71.3% of the elderly, and diminished with age. Elderly subjects with IHD had a four-fold higher prevalence of clusters with four or more factors (PR=4.1; 95% CI: 2.6-6.4). CONCLUSION: The relationship between IHD and a larger clustering of risk factors probably represents a greater accumulated risk throughout life, but it also indicates the need to improve the risk profile of these elderly people.</p>
      </abstract>
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        <bold>ORIGINAL ARTICLE</bold>
      </p>
      <p><undefined id="tx-body2"/>The profile of cardiovascular health of elderly Brazilian people needs to improve: a population-based study</p>
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      <p>Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG &#150; Brazil</p>
      <p>Mailing address</p>
      <p>
        <bold>SUMMARY</bold>
      </p>
      <p><bold>BACKGROUND:</bold> In Brazil, population-based information on risk factors and their relationship with cardiovascular diseases in the elderly is scarce.</p>
      <p><bold>OBJECTIVE:</bold> To estimate the prevalence and clustering of risk factors and investigate their association with ischemic heart disease (IHD) in elderly people.</p>
      <p><bold>METHODS:</bold> All subjects <underline>&gt;</underline>60 years of age participating in the "Inqu&#233;rito domiciliar sobre comportamentos de risco e morbidade referida de doen&#231;as e agravos n&#227;o transmiss&#237;veis" (Household Survey on Risk Behaviors and Reported Morbidity of Non Transmissible Diseases and Health Conditions) carried out by the Ministry of Health, in 2002/2003 in 15 capitals and the Federal District were included. The prevalence of risk factors (smoking, alcohol consumption, lack of physical activity, inappropriate diet, and obesity) and reported morbidity (hypertension, hypercholesterolemia, and diabetes) was assessed, as well as the association between IHD and clustering of these factors using the Poisson regression model.</p>
      <p><bold>RESULTS:</bold> Elderly individuals represented 13.4% (3,142/23,457), 59.4% women and 40.6% men. The mean age of the participants was 69.5 years. Approximately 50% of participants reported having hypertension, 33% hypercholesterolemia, and 18% diabetes. Smoking and hypercholesterolemia dropped significantly with age. Hypertension, physical inactivity, obesity, and hypercholesterolemia were more prevalent among women. Clustering of two or more factors was observed in 71.3% of the elderly, and diminished with age. Elderly subjects with IHD had a four-fold higher prevalence of clusters with four or more factors (PR=4.1; 95% CI: 2.6-6.4).</p>
      <p><bold>CONCLUSION:</bold> The relationship between IHD and a larger clustering of risk factors probably represents a greater accumulated risk throughout life, but it also indicates the need to improve the risk profile of these elderly people. </p>
      <p><bold>Key words:</bold> Aged; cardiovascular diseases; risk factors; prevalence.</p>
      <p>
        <bold>Introduction</bold>
      </p>
      <p>The world population is living longer than ever. Aging populations represent a greater concern with health care, medical advances in the fight against diseases, and environmental improvements. In Brazil, the growth of the elderly population is primarily due to the decline in fertility and mortality over the past decades. Projections estimate that the number of elderly people will double in the country within the next 15 years<sup>1</sup>. Ageing underlines the importance of maintaining good health and autonomy. Ageing, in and of itself, increases the risk of chronic disease, especially cardiovascular disorders. However, the development of these diseases strikes individuals in different manners, with lower rates and severity in those with healthier medical histories and lifestyles. </p>
      <p>The incidence of cardiovascular disease in adults approximately doubles with each decade of life<sup>2</sup>. Despite increasing with age, a large part of these diseases could be prevented. Since the most frequent chronic diseases (cardiovascular, cancer, and diabetes) share several of the same risk factors, the World Health Organization proposed an approach of integrated prevention and control for all ages based on the reduction of the following factors: systemic arterial hypertension (SAH), smoking, alcohol consumption, lack of physical activity, inappropriate diet, obesity, and hypercholesterolemia<sup>3</sup>. </p>
      <p>Studies have shown that these factors tend to occur simultaneously<sup>4-6</sup>. Usually, their combination represents an increased global risk for cardiovascular disease compared to the risk resulting from the sum of their separate effects, indicating a synergetic effect among them<sup>7</sup>. Estimates of the effect of clustering of these factors consider that many of them are interrelated and have an intermediary role within a causal chain<sup>8,9</sup>. Therefore, effective prevention of cardiovascular disease can be attained only through a global improvement of the risk profile of individuals and populations.</p>
      <p>In Brazil, there is little population-based information on clustering of risk factors for cardiovascular disease in the elderly. This study analyzed data from the "Household Survey on Risk Behaviors and Reported Morbidity of Non Transmissible Diseases and Health Conditions" carried out by the Ministry of Health<sup>10</sup> with the objective of describing the prevalence and clustering of cardiovascular risk factors, as well as investigating their association with reports of ischemic heart disease (IHD) in elderly patients.</p>
      <p>
        <bold>Methodology</bold>
      </p>
      <p>The population in this study consists of participants of the "Household Survey on Risk Behaviors and Reported Morbidity of Non Transmissible Diseases and Health Conditions" carried out by the National Cancer Institute and the National Health Surveillance Agency of the Ministry of Health, from 2002 to 2003. This was a cross-section population-based study consisting of 23,457 individuals, <underline>&gt;</underline> 15 years of age, residents of 16 capitals: Aracaju, Bel&#233;m, Belo Horizonte, Bras&#237;lia, Campo Grande, Curitiba, Florian&#243;polis, Fortaleza, Jo&#227;o Pessoa, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, S&#227;o Paulo, and Vit&#243;ria. The sample was self-weighted and was selected in two stages. Details on methodology and data collection are available in the official publication of the survey<sup>10</sup>. </p>
      <p>This study enrolled 3,142 individuals of both genders (13.4% of the participants), <underline>&gt;</underline> 60 years of age (cut-off age for elderly people recommended by WHO for developing countries). </p>
      <p>Three groups of variables were analyzed: </p>
      <p>&#149; Socio-demographic characteristics: age (60 to 69, 70 to 79, 80 or more years), gender and educational level (0 to 3, 4 to 7, 8 or more years of schooling);</p>
      <p>&#149; Modifiable risk factors: physical activity, smoking, alcohol consumption considered high-risk, inappropriate diet, obesity, and reported morbidity - SAH, hypercholesterolemia, and diabetes; </p>
      <p>&#149; Disease: report of IHD.</p>
      <p>Participants&#146; level of physical activity was assessed through the short format of the International Physical Activity Questionnaire &#150; IPAQ, recommended by the WHO to measure physical activity in adults from 15 to 69 years of age<sup>11</sup>. Thus, in this study, this variable was measured only in the younger portion of elderly patients (60 to 69 years of age). The IPAQ questionnaire has questions on the frequency (number of days per week), duration (total time spent in physical activity per day), and intensity of physical activity (light, moderate, and vigorous) over the previous seven days. Individuals are classified as very active, active, irregularly active, and sedentary according to the scores obtained on the IPAQ. Those individuals classified as irregularly active or sedentary were considered part of the high-risk group. </p>
      <p>Body Mass Index (BMI) was used to define obesity, which was calculated using information on weight and height, with a cut-off point of 30 kg/sq m for obesity<sup>12</sup>.</p>
      <p>Individuals were classified within three categories: smokers (individuals who had smoked at least 100 cigarettes over their lifetime and currently smoked), ex-smokers (individuals who had smoked at least 100 cigarettes during their lifetime, but no longer smoked), and non-smokers<sup>13</sup>.</p>
      <p>The alcohol consumption considered high-risk was identified as men who reported having had more than two drinks per day, and women who reported having had more than one drink per day over the previous 30 days. One drink corresponded to a half-bottle or a can of beer, a small glass of wine, or a dose of distilled alcoholic beverage (cacha&#231;a, whisky, etc)<sup>13</sup>.</p>
      <p>To evaluate high-risk eating patterns, we used information on the daily frequency of consumption of fruits and/or leguminous plants and/or vegetables. The consumption of less than five portions of these foods per day was considered a health risk behavior<sup>13</sup>. </p>
      <p>SAH was determined according to the answer given to the question: "Has any physician, nurse, or community health agent ever told that you have high blood pressure?"</p>
      <p>Individuals who reported having diabetes, high cholesterol, and ischemic heart disease gave affirmative answers to the following questions: </p>
      <p>- "Has any physician ever told you that you have diabetes?" </p>
      <p>- "Has any physician, nurse, or nutritionist ever told you that you have high cholesterol levels?"</p>
      <p>- "Has any physician ever told you that you have or had a heart attack, infarction, angina, or coronary disease?"</p>
      <p>Distribution of prevalence of risk factors and morbidity by age bracket and gender were calculated using ratio measurements with estimates of Pearson&#146;s chi-square and its 95% confidence interval (95% CI).</p>
      <p>To investigate the clustering of cardiovascular risk factors (CVRF), a score was created that combined modifiable risk factors (smoking, alcohol consumption, and inappropriate diet) and reported morbidity (hypertension, diabetes, and hypercholesterolemia). Variables reported by more than 75% of the total number of elderly patients were included. Since the information on physical activity was obtained only from the younger patients (60 to 69 years of age), the score was analyzed separately for this age group with the inclusion of physical inactivity. </p>
      <p>The percentages of answers for each variable were: 88.0% (n=2,765) for smoking: 87.9% (n=2,763) for diet; 87.1% (n=2,737) for alcohol consumption; 86.9% (n=2,731) for hypertension; 77% (n=2,419) for hypercholesterolemia; 76.2% (n=2,393) for diabetes, and 56.7% (n=988) for IPAQ. Weight and height measurements were reported by 2,094 (66.6%) individuals for BMI calculation purposes, and 2,631 (83.7%) gave answers about IHD.</p>
      <p>The association between reported cases of IHD and the clustering score of CVRF was analyzed, adjusted as per socio-demographic characteristics. This score ranged from one to four: 1) from zero to one, 2) two, 3) three, and 4) four or more factors, in any combination. The association between IHD and variables of interest was studied by univariate analysis. Variables with p&lt;0.20 values were included in the multivariate model, and associations with p&lt;0.05 were considered significant. The magnitude of these associations and their corresponding 95% confidence intervals were measured using the prevalence ratios obtained by Poisson Regression adapted for cross-sectional studies<sup>14</sup>. The analysis was carried out using STATA 9.0 software, which has procedures designed to analyze data from complex sample surveys. These procedures allow the inclusion of different weights of the observations that influence timepoint estimates of parameters of the total population. </p>
      <p>The survey was developed to protect the privacy of the individuals taking part, warranting anonymous and voluntary participation. The criteria established by the Ethics Committee of the National Cancer Institute and by the National Council on Ethics in Research (CONEP) were followed.</p>
      <p>
        <bold>Results</bold>
      </p>
      <p>Of the 3,142 elderly individuals, 1,868 (59.4%) were women and 1,274 (40.6%) were men. The mean age was 69.5 (&#177; 0.19) years and 1,742 (55.44%) patients were aged between 60 and 69 years. The average time of schooling was 5.6 years (95% CI: 5.2-5.9). According to Pearson&#146;s chi-square estimate, the distribution of the sociodemographic characteristics showed a significant majority of women in all age brackets (p&lt;0.05). </p>
      <p>The prevalence of the risk factors and reported morbidity and their corresponding 95% confidence Intervals are shown in <xref ref-type="fig" rid="fig01-body2">Figure 1</xref>. The prevalence of inappropriate diet was 94.4% (95% CI: 92.8-95.6). There were no significant differences between genders and age brackets. SAH was the second most prevalent factor (50.6%; 95% CI: 47.9-53.2). In both genders, the age bracket with the greatest percentage of hypertension was 70 to 79 years. A significant association between hypertension and age was observed only among women (&#967;<sup>2</sup>= 15.1; p= 0.01). Approximately 40% of the elderly individuals under 70 years of age were classified as insufficiently active or sedentary. A higher proportion of active or very active individuals was found among men (64.3%, 95% CI: 57.9-70.3), with a statistically significant difference between genders (&#967;<sup>2</sup>= 10.18 p= 0.01). Obesity was more prevalent among women (19.3%, 95% CI: 16.6-22.3, &#967;<sup>2</sup> =9.5; p=0.03). Among men, the prevalence of obesity declined with age, with no statistical significance (&#967;<sup>2</sup> =2.5; p=0.6). Eight hundred and twenty-nine patients, i.e., 33.1% (95% CI: 30.7-35.5), reported hypercholesterolemia, with a higher prevalence among women, and declined with age (&#967;<sup>2</sup>=10.04; p=0.05). The prevalence of smokers was significantly reduced (12.7%, 95% CI: 11.1-14.5) with age (&#967;<sup>2</sup>=66.6; p=0.001). Conversely, the percentage of ex-smokers (30.4%, 95% CI: 28.1-32.7) increased with age among men and decreased among women. High-risk alcohol consumption was observed in 3.2% (95% CI: 2.3-4.4) of all respondents and was greater among men (&#967;<sup>2</sup>=54.5; p=0.001) and in the range of 60 to 69 years of age (&#967;<sup>2</sup>=25.3; p=0.01). </p>
      <fig id="fig01-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-01-0001-00001-gf01-en.jpg"/></fig>
      <p>The prevalence of diabetes was 17.83% (95% CI: 15.74-20.12) and greater among men (&#967;<sup>2</sup>=10.6, p=0.03). No significant difference was observed among age brackets (&#967;<sup>2</sup>=1.5; p=0.6395). </p>
      <p> The clustering of two or more CVRFs was observed in 71.3% of the elderly patients (n=2,219). The oldest patients, 80 or more years of age, had smaller clusters when compared to the other age groups (&#967;<sup>2</sup>= 40.9; p=0.001). A significant association between clustering and age was observed only among women (&#967;2= 30.1; p= 0.004). </p>
      <p>IHD was reported by 12.6% of the respondents (n=2,765), with no significant difference as per gender and age bracket. In the separate analysis by gender, a significant association was observed among men as to age. In the univariate analysis between IHD and selected variables, smoking (ex-smokers), obesity, hypertension, hypercholesterolemia, and diabetes were significant. In the adjusted multivariate model, the obesity variable lost significance (p&gt;0.05) (<xref ref-type="table" rid="tab01-body2">Table 1</xref>). Elderly patients with clusters of four or more CVRFs had a four-fold higher probability (PR=4.1 95% CI: 2.5-6.4) of reporting IHD compared to those with no factor or one single factor after adjustments (<xref ref-type="table" rid="tab02-body2">Table 2</xref>). In the separate analysis conducted for the younger elderly patients, the chance of reporting IHD also increased with a greater number of CVRFs, and it was greater for all score categories compared to the total sample, both before and after the inclusion of physical inactivity (<xref ref-type="table" rid="tab03-body2">Table 3</xref>). </p>
      <table-wrap id="tab01-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-01-0001-00001-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      <table-wrap id="tab02-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-01-0001-00001-gt02-en.jpg"/></table-wrap>
      <table-wrap id="tab03-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-01-0001-00001-gt03-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>
        <bold>Discussion</bold>
      </p>
      <p>The survey carried out by INCA/SVS<sup>10</sup> provides data on the urban population from a large portion of the country in an unprecedented way. The lack of comprehensive nation-wide data on CVRFs is due to the size and cost of this type of study. The use of reported morbidity data, instead of data from an objective collection (measurements of SAP, glycemia, etc.), enables the collection of reliable information at more adequate costs in a developing country the size of Brazil. </p>
      <p>Studies undertaken both abroad and in Brazil have shown the validity of the information reported with sensitivity and specificity for detecting health-related conditions. However, globally, more accessible diagnoses, such as SAP and diabetes, are more reliable than others such as of cholesterol levels<sup>15-18</sup>.</p>
      <p>Older populations are heterogeneous and the analysis of risk factors differs from that performed in younger adults. Their characteristics are influenced mainly by historic events that characterize the different birth cohorts, survival biases, and gender-related differences. </p>
      <p>The reduction in prevalence of risk factors such as smoking and alcohol consumption over age might reflect both early mortality of younger adults exposed to these factors and changes in high-risk behaviors after illness develops. Nevertheless, this study has shown that the prevalence of some of the main risk factors such as SAP, physical inactivity, hypercholesterolemia, and inappropriate diet, remain high. The probability of IHD being reported increased with the greater clustering of these factors.</p>
      <p>The greater prevalence of smoking among men involves historic and cultural aspects. Smoking tobacco began in the world typically as a masculine habit that was dramatically disseminated after World War I. Among women, tobacco smoking was uncommon before de 1930&#146;s. The decline in the number of smokers with age has been observed in both genders, probably due to the survival bias, which corroborates the results from other studies<sup>19,20</sup>.</p>
      <p>The significant prevalence of women in all age brackets may be explained by gender-related biological factors and by gender-related sociocultural factors<sup>21</sup>. Women had a greater prevalence of SAP, physical inactivity, obesity, and hypercholesterolemia. These results may reflect actual differences in the distribution of these factors, but, more likely, they may also express more readily available information on health status and a better possibility of diagnosis since women are more likely to seek health care when needed. The greater prevalence of HAS among women was also reported by the National Household Sample Survey <italic>(Pesquisa Nacional por Amostra de Domic&#237;lio &#150; PNAD) </italic>1998<sup>22</sup> and in populations of S&#227;o Paulo<sup>23</sup> and Campinas, where similar percentages and greater frequencies were also observed in the groups 70 to 79 years of age<sup>24</sup>. The lower frequency of obesity among men is consistent with findings from other Brazilian population-based studies<sup>25,26</sup>, and may be related to the higher level of work-related physical activity in men and factors such as pregnancies and hormonal changes in women.</p>
      <p>Hypercholesterolemia increases with age for men and women, and tends to decline in the older age brackets. In men, cholesterol levels increase up to 45-50 years of age and then start to decline. In women, cholesterol levels tend to increase after menopause and decline later, around 60-70 years of age, with a similar tendency of reduction after that period for both genders. Among the factors involved in the reduction of cholesterol levels in elderly people, some are more significant: deficient absorption, reduced ingestion of cholesterol-rich foods, selective mortality for individuals with hypercholesterolemia, and the effect of comorbidities<sup>27</sup>. In this study, the greatest prevalence among women may be attributed to the age and gender distribution of the sample, with 55.44% of younger elderly subjects and 60% of women. A lower prevalence of hypercholesterolemia among elderly people was noted compared to the results of the "<italic>Campanha nacional de alerta sobre o colesterol elevado</italic>" (National High Cholesterol Awareness Campaign) which identified 40% of Brazilians with the disorder. In this campaign, participation was voluntary and the determination of cholesterol levels was not carried out with a representative sample of the population; moreover, the mean age was approximately 15 years younger than that of the sample evaluated in our study. Determinations made with voluntary participants tend to overestimate the prevalence of factors such as cholesterol levels, as it is likely that people with inappropriate diets or familial tendencies feel more inclined to participate and have their cholesterol levels determined than others<sup>28</sup>. </p>
      <p>
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-91-01-0001-00001-e01-en.jpg"/></p>
      <p>The prevalence of diabetes is consistent with findings about the elderly population living in S&#227;o Paulo (17.9%)<sup>23</sup> and in the United States (16.9%)<sup>29</sup>, and is higher than that observed in Bambui (14.59%)<sup>30</sup>. The risk of type 2 diabetes increases with age and is enhanced by obesity, physical inactivity, and an inappropriate diet, factors that typically tend to go together and have a high prevalence among elderly Brazilian people. Diabetes is a severe CVRF, especially for IHD. A study recently conducted on multiple causes of death in Brazil indicates that 39% of the adults with diabetes-related deaths died of coronary disease<sup>31</sup>. </p>
      <p>The reduced number of physically active elderly people may be partially due to lack of information and adequate venues for exercise. Besides facilitating social interaction among elderly people, physical activity helps to maintain independence to perform daily activities, and to reduce and control CVRFs and conditions such as IHD. The prevalence of physical inactivity was greater than had been observed in Pelotas (29.3%) and S&#227;o Paulo (8.35%)<sup>32</sup>. </p>
      <p>Epidemiological evidence shows an inverted relationship between an appropriate consumption of fruits and vegetables and the risk of CVD<sup>33</sup>. Our study showed that only a minority of elderly people follows the nutritional recommendations set by WHO as to the consumption of these foods. A high prevalence of inappropriate eating habits was also identified in the "<italic>Inqu&#233;rito Mundial de Sa&#250;de</italic>" (World Health Survey) conducted in Brazil in 2003<sup>34</sup>, in the Pesquisa de Or&#231;amento Familiar de 2002/2003<sup>35</sup> (Survey on Family Income 2002/2003), and among elderly people living in Belo Horizonte<sup>36</sup>.</p>
      <p>Most elderly adults had more than two CVRFs. The increased clustering of these factors with age within urban areas is widely divulged in literature<sup>4-7</sup>. Nevertheless, our findings indicated a reduction in clustering with age, which may mean that the individuals still alive, especially those who reported IHD, managed to change behaviors. This conclusion is corroborated by the higher magnitude of the association found between clustering and IHD in younger elderly people as compared to the global sample. </p>
      <p>IHD stands out among the cardiovascular disorders by the magnitude of its different clinical manifestations. A greater prevalence among the elderly is considered to be due to a combination of factors that go beyond typical age-related physiological changes, especially the accumulation of risk factors throughout life. Among the many conditions associated with IHD and described in literature, arterial hypertension, hypercholesterolemia, and tobacco smoking are the strongest risk factors for this disease<sup>37-39</sup>. These factors showed a larger number of associations with IHD when compared to other factors evaluated in the multivariate analysis. The increased prevalence of reported ischemic disease with a greater clustering of CVRFs highlights the importance of determining the cardiovascular risk based on the patient&#146;s number of risk factors. </p>
      <p>Many of the variations observed in the risk of CVD in different populations may be understood by clustering, since risk factors tend to operate synergically, thus exerting an effect greater than an additive impact<sup>9</sup>.</p>
      <p>The cross-sectional design of this study does not allow causal or temporal inferences on the association between dependent and independent variables<sup>40</sup>. Aside from the survival bias commonly found in studies conducted with elderly individuals, self-reported information may be influenced by access to healthcare services and memory biases. Despite the fact that it was conducted in 16 capitals, including the largest cities in the country, this survey is not representative of the entire Brazilian population and the characteristics of the sample did not allow data disaggregation by region. </p>
      <p>
        <bold>Conclusions</bold>
      </p>
      <p>The relationship between IHD and a greater clustering of risk factors probably represents a greater accumulated risk throughout life, but it also indicates the need to improve the risk profile of these elderly people.</p>
      <p>Health surveys allow the collection of data and the development of indicators related to health and not only to disease, and more, to obtain information on risk factors and social determinants of the health/disease process. This information helps to approach the subject of health of the elderly from a multidimensional perspective, oriented towards the prevention of outcomes related to chronic non-transmissible diseases and the development of public policies focused on a healthy aging process.</p>
      <p>
        <bold>Acknowledgements</bold>
      </p>
      <p>We thank COMPREV/INCA and the National Health Surveillance Agency of the Ministry of Health for allowing us access to their databases. </p>
      <p>To the Coordinator of High Level Personnel Training, in which JP Caldeira has a Master&#146;s scholarship.</p>
      <p>To the National Council for Scientific and Technological Development (CNPq): SM Barreto and VMA Passos are investigators at CNPq (# 300908/95 and #300159/99-4).</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>Sources of Funding</bold>
      </p>
      <p>There were no external funding sources for this study.</p>
      <p>
        <bold>Study Association</bold>
      </p>
      <p>This article is part of the thesis of master submitted by Janaina Caldeira Pereira, from <italic>Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais</italic>.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
