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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2008000500012</article-id>
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          <subject>Artigo de Revis&#227;o</subject>
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        <article-title>O sistema apelin&#233;rgico: papel na fisiologia e patologia humanas e potenciais aplica&#231;&#245;es terap&#234;uticas</article-title>
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        <institution content-type="orgname">Universidade do Porto</institution>
        <institution content-type="orgdiv1">Faculdade de Medicina </institution>
        <institution content-type="orgdiv2">Servi&#231;o de Fisiologia</institution>
        <country country="PT">Portugal</country>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>05</month>
        <year>2008</year>
      </pub-date>
      <volume>90</volume>
      <issue>5</issue>
      <fpage>374</fpage>
      <lpage>380</lpage>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      </permissions>
      <abstract>
        <p>A apelina &#233; um pept&#237;deo recentemente descoberto e identificado como o ligando end&#243;geno do receptor APJ. A apelina e o receptor APJ s&#227;o expressos numa grande variedade de tecidos, tais como cora&#231;&#227;o, c&#233;rebro, rins e pulm&#245;es, onde a sua intera&#231;&#227;o pode ter importantes efeitos fisiopatol&#243;gicos. Com efeito, a &#250;ltima d&#233;cada foi f&#233;rtil no esclarecimento de poss&#237;veis pap&#233;is desempenhados pela apelina na fisiologia humana, nomeadamente como pept&#237;deo regulador dos sistemas cardiovascular, hipot&#225;lamo-hip&#243;fis&#225;rio, gastrointestinal e imunit&#225;rio. Um poss&#237;vel envolvimento da apelina na patog&#234;nese de doen&#231;as com elevada preval&#234;ncia e co-morbilidades, como a hipertens&#227;o arterial, a insufici&#234;ncia card&#237;aca e o diabete melito tipo 2, perspectivam-na como um poss&#237;vel alvo terap&#234;utico a explorar no futuro. Este trabalho fornece uma vis&#227;o geral dos efeitos fisiol&#243;gicos da apelina e apresenta o poss&#237;vel papel desse pept&#237;deo na patog&#234;nese de v&#225;rias doen&#231;as, associado a implica&#231;&#245;es terap&#234;uticas que poder&#227;o vir a ser, assim, exploradas.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Pept&#237;deos</kwd>
        <kwd>pept&#237;deos</kwd>
        <kwd>apelina</kwd>
        <kwd>hipertens&#227;o</kwd>
        <kwd>baixo d&#233;bito card&#237;aco</kwd>
        <kwd>diabetes mellitus</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>27</day>
        <month>05</month>
        <year>2008</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
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  <body>
    <p>
      <bold>ARTIGO DE REVIS&#195;O</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>O sistema apelin&#233;rgico: papel na fisiologia e patologia humanas e potenciais aplica&#231;&#245;es terap&#234;uticas</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Ricardo Ladeiras-Lopes; Jo&#227;o Ferreira-Martins; Adelino F. Leite-Moreira</bold>
    </p>
    <p>Servi&#231;o de Fisiologia, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Porto - Portugal</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p>A apelina &#233; um pept&#237;deo recentemente descoberto e identificado como o ligando end&#243;geno do receptor APJ. A apelina e o receptor APJ s&#227;o expressos numa grande variedade de tecidos, tais como cora&#231;&#227;o, c&#233;rebro, rins e pulm&#245;es, onde a sua intera&#231;&#227;o pode ter importantes efeitos fisiopatol&#243;gicos. Com efeito, a &#250;ltima d&#233;cada foi f&#233;rtil no esclarecimento de poss&#237;veis pap&#233;is desempenhados pela apelina na fisiologia humana, nomeadamente como pept&#237;deo regulador dos sistemas cardiovascular, hipot&#225;lamo-hip&#243;fis&#225;rio, gastrointestinal e imunit&#225;rio. Um poss&#237;vel envolvimento da apelina na patog&#234;nese de doen&#231;as com elevada preval&#234;ncia e co-morbilidades, como a hipertens&#227;o arterial, a insufici&#234;ncia card&#237;aca e o diabete melito tipo 2, perspectivam-na como um poss&#237;vel alvo terap&#234;utico a explorar no futuro. Este trabalho fornece uma vis&#227;o geral dos efeitos fisiol&#243;gicos da apelina e apresenta o poss&#237;vel papel desse pept&#237;deo na patog&#234;nese de v&#225;rias doen&#231;as, associado a implica&#231;&#245;es terap&#234;uticas que poder&#227;o vir a ser, assim, exploradas.</p>
    <p><bold>Palavras-chave: </bold> Pept&#237;deos/fisiologia, pept&#237;deos/efeitos de drogas, apelina, hipertens&#227;o, baixo d&#233;bito card&#237;aco, diabetes mellitus.</p>
    <p>
      <bold>Introdu&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>Em 1993, O'Dowd e cols.<sup>1</sup> identificaram um gene que apresentava uma grande homologia com o gene que codifica o receptor de tipo 1 da angiotensina II (AT-1). Denominado APJ, esse receptor permaneceu "&#243;rf&#227;o" at&#233; 1998, quando Tatemoto e cols.<sup>2</sup> descobriram um ligando end&#243;geno seletivo para o mesmo, o qual foi denominado apelina ("apelin") para "APJ endogenous ligand". Os primeiros estudos demonstraram que a apelina e o seu receptor s&#227;o expressos de uma forma praticamente ubiquit&#225;ria, adquirindo especial destaque em &#243;rg&#227;os como cora&#231;&#227;o, c&#233;rebro, rins e pulm&#245;es<sup>3-6</sup>.</p>
    <p>A distribui&#231;&#227;o do sistema apelin&#233;rgico por essa grande variedade de tecidos sugeriu que esse poderia desempenhar pap&#233;is importantes na fisiologia humana. Com efeito, a apelina est&#225; envolvida na regula&#231;&#227;o das fun&#231;&#245;es cardiovascular, gastrointestinal e imunit&#225;ria, na fisiologia &#243;ssea, na homeostasia de fluidos e no desenvolvimento embrion&#225;rio do sistema cardiovascular<sup>7-9</sup>. Recentemente, foi igualmente demonstrado o envolvimento do sistema apelin&#233;rgico na patog&#234;nese de diversas doen&#231;as com uma elevada preval&#234;ncia, tais como a hipertens&#227;o arterial, a insufici&#234;ncia card&#237;aca (IC), a obesidade, a intoler&#226;ncia a glicose e o diabete melito tipo 2, bem como na infec&#231;&#227;o pelo VIH (v&#237;rus da imunodefici&#234;ncia humana), no diabete ins&#237;pido, na &#250;lcera g&#225;strica e na osteoporose<sup>7-9</sup>. Assim, &#233; cada vez mais consensual que a modula&#231;&#227;o do bin&#244;mio apelina/APJ poder&#225; ser um poss&#237;vel alvo terap&#234;utico a explorar no futuro<sup>10,11</sup>.</p>
    <p>Nesse sentido, o objetivo deste trabalho &#233; fazer uma revis&#227;o do sistema apelin&#233;rgico e proporcionar uma vis&#227;o geral dos processos fisiol&#243;gicos e patol&#243;gicos em que esse est&#225; envolvido, para que uma melhor compreens&#227;o do bin&#244;mio apelina/APJ permita a idealiza&#231;&#227;o de novas investiga&#231;&#245;es a desenvolver e de poss&#237;veis aplica&#231;&#245;es cl&#237;nicas no futuro.</p>
    <p>
      <bold>O receptor APJ</bold>
    </p>
    <p>Em 1993, O'Dowd e cols.<sup>1</sup> caracterizaram um fragmento de 700 pares de bases, usando a tecnologia de rea&#231;&#227;o em cadeia da polimerase (PCR), cuja an&#225;lise detalhada revelou v&#225;rias semelhan&#231;as com as seq&#252;&#234;ncias g&#234;nicas dos dom&#237;nios transmembranares dos receptores acoplados a prote&#237;nas G (GPCR). A prote&#237;na codificada possu&#237;a 380 amino&#225;cidos e foi denominada APJ.</p>
    <p>Cedo se verificou uma grande homologia entre o receptor APJ e o receptor AT-1: 115 amino&#225;cidos (a.a.) (30%) no total e 86 a.a. (54%) nas regi&#245;es transmembranares<sup>1</sup>, bem como uma grande semelhan&#231;a na express&#227;o tecidual dos dois receptores<sup>3</sup>. Por&#233;m, a apelina, ligando end&#243;geno do receptor APJ, n&#227;o se liga ao receptor AT-1<sup>12</sup>, nem a angiotensina II (AngII) ao APJ<sup>1,2</sup>.</p>
    <p>Apesar de predominantemente localizado na membrana, o receptor APJ foi tamb&#233;m encontrado no n&#250;cleo de c&#233;lulas do cerebelo e do hipot&#225;lamo humanos, tendo sido identificado na terceira al&#231;a intracelular um sinal de localiza&#231;&#227;o nuclear<sup>13</sup>. Esses dados sugerem que esse receptor poder&#225; ter um poss&#237;vel papel na regula&#231;&#227;o da transcri&#231;&#227;o de genes, tal como foi anteriormente demonstrado para a AngII<sup>10</sup>, aspecto que dever&#225; ser alvo de investiga&#231;&#227;o no futuro.</p>
    <p>Ap&#243;s o estudo da distribui&#231;&#227;o do receptor APJ em ratos, camundongos e humanos, concluiu-se que esse &#233; abundantemente expresso no sistema nervoso central (SNC) e em v&#225;rios tecidos perif&#233;ricos, merecendo especial destaque os pulm&#245;es e o cora&#231;&#227;o<sup>1,3-5,14</sup>. No sistema cardiovascular, os diversos estudos j&#225; realizados demonstram que o receptor APJ est&#225; presente nas c&#233;lulas endoteliais de pequenos vasos intramioc&#225;rdicos, renais, pulmonares e supra-renais, art&#233;rias coron&#225;rias, c&#233;lulas endoteliais endoc&#225;rdicas e c&#233;lulas musculares lisas vasculares<sup>5</sup>. &#201; interessante notar que a imuno-reatividade do APJ est&#225; disposta nos cardiomi&#243;citos segundo um padr&#227;o estriado transversal, indicando a co-localiza&#231;&#227;o do receptor com os t&#250;bulos-T<sup>5</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Os pept&#237;deos apelin&#233;rgicos</bold>
    </p>
    <p>O receptor APJ permaneceu &#243;rf&#227;o at&#233; 1998, quando Tatemoto e cols.<sup>2</sup> isolaram um pept&#237;deo com 36 a.a. a partir de extratos de est&#244;mago de bovino, que denominaram apelina, o qual induzia a acidifica&#231;&#227;o extracelular e a inibi&#231;&#227;o da forma&#231;&#227;o de AMPc numa linha celular de ov&#225;rios de hamster chin&#234;s que expressava o receptor APJ. O gene que codifica a pr&#233;-proapelina, um pr&#233;-propept&#237;deo com 77 a.a., est&#225; localizado, no humano, no cromossoma Xq25-26.1, e possui 1.726 pares de bases com 3 exons. Curiosamente, demonstrou-se uma grande homologia entre diferentes esp&#233;cies na seq&#252;&#234;ncia prot&#233;ica da pr&#233;-proapelina, nomeadamente nos 23 a.a. do terminal C<sup>12</sup>. Com efeito, o fragmento terminal 65-77 C dos pept&#237;deos apelin&#233;rgicos &#233; essencial para a liga&#231;&#227;o ao receptor APJ e para a sua atividade biol&#243;gica, enquanto o terminal N desempenha um papel fundamental na modula&#231;&#227;o da intera&#231;&#227;o ligando-receptor<sup>15</sup>.</p>
    <p>Nos primeiros trabalhos sobre a apelina foram identificadas diferentes isoformas que se pensa poderem existir <italic>in vivo</italic>: apelina-36 (apelina42-77), apelina-17 (apelina61-77), apelina-13 (apelina65-77) e apelina-13 na forma piroglutaminada [(Pyr1)apelina-13], ou seja, com um res&#237;duo glutamato no terminal N<sup>2</sup>. Enquanto as isoformas mais curtas parecem ser mais potentes na a&#231;&#227;o cardiovascular, a apelina-36 &#233; mais eficiente no bloqueio da infec&#231;&#227;o pelo HIV em c&#233;lulas APJ-positivas. Atualmente pensa-se que a apelina-36 funciona como um precursor com uma atividade biol&#243;gica limitada at&#233; sofrer prote&#243;lise e modifica&#231;&#245;es p&#243;s-translacionais para dar origem a pept&#237;deos biologicamente mais ativos, predominantemente a (Pyr1)apelina-13, cuja piroglutamina&#231;&#227;o preserva a fun&#231;&#227;o biol&#243;gica e impede a degrada&#231;&#227;o enzim&#225;tica<sup>8</sup>. Foi j&#225; descrito por Lee e cols.<sup>16</sup> um poss&#237;vel antagonista do receptor APJ: por substitui&#231;&#227;o da fenilalanina do terminal C da apelina-13 por um res&#237;duo alanina cria-se um pept&#237;deo que anula, de uma forma dependente da dose, a a&#231;&#227;o hipotensora da inje&#231;&#227;o intravenosa de apelina-13 em ratos.</p>
    <p>Os primeiros estudos que caracterizaram a distribui&#231;&#227;o tecidual da apelina foram realizados em tecidos de ratos e evidenciaram a presen&#231;a do seu pr&#233;-propept&#237;deo numa grande diversidade de tecidos<sup>3,4,6,12,17</sup>. Em humanos, o RNAm da pr&#233;-proapelina existe abundantemente no SNC e na placenta, bem como em quantidades mais moderadas no rim, no cora&#231;&#227;o, nos pulm&#245;es e na gl&#226;ndula mam&#225;ria. &#201; de salientar o fato de a apelina biologicamente ativa se encontrar no mioc&#225;rdio, no endot&#233;lio card&#237;aco e no endot&#233;lio dos grandes vasos e de pequenas veias e art&#233;rias<sup>7</sup>. Nas c&#233;lulas endoteliais, a apelina n&#227;o se localiza nos corpos de Weibel-Palade, ves&#237;culas resultantes da secre&#231;&#227;o pept&#237;dica endotelial induzida, sugerindo uma libera&#231;&#227;o constitutiva da apelina<sup>5</sup>.</p>
    <p>A concentra&#231;&#227;o de apelina circulante em humanos foi estimada entre 3 e 4 ng/mL atrav&#233;s de um ensaio imunoenzim&#225;tico<sup>18</sup>. Essa &#233; uma concentra&#231;&#227;o baixa quando comparada com aquela de outros horm&#244;nios circulantes, sendo, por&#233;m, compar&#225;vel &#224; de mediadores vasoativos derivados do endot&#233;lio, o que sugere uma libera&#231;&#227;o endotelial da apelina.</p>
    <p>Atualmente, atribui-se &#224; carboxipept&#237;dase ECA2 (enzima de convers&#227;o da angiotensina de tipo 2) o papel de degrada&#231;&#227;o da apelina, ao clivar a fenilalanina do terminal C dos pept&#237;deos apelin&#233;rgicos com alta pot&#234;ncia enzim&#225;tica e efic&#225;cia<sup>19</sup>. Essa rela&#231;&#227;o sugere, assim, uma grande import&#226;ncia da apelina na regula&#231;&#227;o cardiovascular, uma vez que a ECA2 participa no eixo renina-angiotensina-aldosterona<sup>8</sup>. De fato, a ECA2 tamb&#233;m participa na degrada&#231;&#227;o da AngII a angiotensina 1-7, a qual, ao contr&#225;rio da AngII, parece desempenhar importantes fun&#231;&#245;es de prote&#231;&#227;o card&#237;aca e renal<sup>20</sup>. Assim, a indu&#231;&#227;o da a&#231;&#227;o dessa enzima poder&#225;, no futuro, ser um alvo terap&#234;utico nas principais doen&#231;as cardiovasculares.</p>
    <p>
      <bold>Intera&#231;&#227;o apelina/APJ</bold>
    </p>
    <p>Uma das principais vias de transdu&#231;&#227;o de sinal da apelina depende da intera&#231;&#227;o com uma prote&#237;na G<sub>i</sub> acoplada ao receptor APJ, independentemente da prote&#237;na Ras, sendo, contudo, dependente da prote&#237;na c&#237;nase C (PKC)<sup>7</sup>. Com efeito, se inibirmos a PKC, a fosfol&#237;pase C (PLC), o trocador Na<sup>+</sup>-H<sup>+</sup> (NHE) e o trocador Na<sup>+</sup>-Ca<sup>2+</sup> (NCX), os efeitos da apelina s&#227;o significativamente reduzidos, nomeadamente no que diz respeito ao seu efeito inotr&#243;pico positivo<sup>21</sup>. &#201; de salientar que a ativa&#231;&#227;o da PKC resulta na fosforila&#231;&#227;o do NHE, o qual promove a alcaliniza&#231;&#227;o do interior da c&#233;lula e a sensibiliza&#231;&#227;o dos miofilamentos ao Ca<sup>2+</sup>, bem como numa ativa&#231;&#227;o do NCX, que passa a funcionar em modo reverso e promove, assim, a entrada de Ca<sup>2+</sup> para a c&#233;lula (<xref ref-type="fig" rid="f1">fig. 1</xref>). Hashimoto e cols.<sup>22</sup> demonstraram recentemente que a apelina induz a fosforila&#231;&#227;o da cadeia leve de miosina em c&#233;lulas musculares lisas vasculares, a qual &#233; de m&#225;xima import&#226;ncia na inicia&#231;&#227;o da contra&#231;&#227;o do m&#250;sculo liso, e a inibi&#231;&#227;o da PKC, do NHE e do NCX se traduz numa redu&#231;&#227;o significativa desse efeito.</p>
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        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-90-05-0374-00012-gf01.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>Para al&#233;m da via de inibi&#231;&#227;o da adenilc&#237;clase, a apelina ativa a via das ERKs (c&#237;nases reguladas extracelularmente) atrav&#233;s de uma prote&#237;na G sens&#237;vel &#224; PTX (toxina <italic>pertussis</italic>), num processo dependente da PKC<sup>23</sup>. A via de controle da prolifera&#231;&#227;o das c&#233;lulas endoteliais PI3K-p70S6K &#233; tamb&#233;m ativada pela apelina mediante dois mecanismos, um ERK-dependente e outro PI3K-dependente<sup>24</sup>. &#201; importante referir que a via PI3K/Akt parece ser a respons&#225;vel pela fosforila&#231;&#227;o e conseq&#252;ente ativa&#231;&#227;o da s&#237;ntase do &#243;xido n&#237;trico endotelial (eNOS), a qual &#233; imprescind&#237;vel para a maioria dos efeitos vasoativos da apelina<sup>25</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Apelina/APJ: papel na fisiologia e patologia humanas e potenciais aplica&#231;&#245;es terap&#234;uticas</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Desenvolvimento e fun&#231;&#227;o cardiovasculares</bold>
    </p>
    <p>A apelina e o seu receptor s&#227;o expressos em tecidos embrion&#225;rios e adultos. Dessa forma, desempenham um amplo espectro de a&#231;&#245;es, com in&#237;cio em fases muito precoces do desenvolvimento cardiovascular e que se continua at&#233; a idade adulta, sendo cada vez mais evidente a sua contribui&#231;&#227;o em v&#225;rios processos fisiopatol&#243;gicos.</p>
    <p>Assim, foi j&#225; demonstrada a elevada express&#227;o do receptor APJ no endot&#233;lio dos vasos embrion&#225;rios<sup>14</sup> e na t&#250;nica &#237;ntima dos vasos da retina, bem como o aumento e a diminui&#231;&#227;o da express&#227;o desse receptor durante a forma&#231;&#227;o e a estabiliza&#231;&#227;o dos vasos da retina, respectivamente<sup>26</sup>.</p>
    <p>Esses dados fortalecem a id&#233;ia de que a apelina desempenha um papel importante na prolifera&#231;&#227;o das c&#233;lulas endoteliais, quer no desenvolvimento embrion&#225;rio e estados fisiol&#243;gicos quer em estados patol&#243;gicos (exemplo, neoplasias malignas e retinopatia diab&#233;tica). Desse modo, poder&#227;o ser imaginadas poss&#237;veis aplica&#231;&#245;es terap&#234;uticas futuras, tais como o uso de agonistas para a promo&#231;&#227;o da angiog&#234;nese terap&#234;utica (exemplo, situa&#231;&#245;es isqu&#234;micas), e de antagonistas angiog&#234;nicos, como estrat&#233;gia para controlar o crescimento tumoral e a retinopatia diab&#233;tica.</p>
    <p>Os primeiros estudos sobre a distribui&#231;&#227;o tecidual da apelina e do receptor APJ apontaram para uma alta express&#227;o dos respectivos RNAm no cora&#231;&#227;o e em vasos sang&#252;&#237;neos de ratos e humanos<sup>4,6,14,17,18</sup>, sendo a express&#227;o do APJ especialmente elevada no cora&#231;&#227;o de rato<sup>15</sup> e a apelina abundantemente expressa nas c&#233;lulas endoteliais dos grandes vasos de condu&#231;&#227;o humanos<sup>3</sup>. Mais recentemente, foi detectado RNAm do receptor APJ na t&#250;nica m&#233;dia dos grandes vasos<sup>27</sup> e imuno-reatividade &#224; apelina nas c&#233;lulas endoteliais de pequenos vasos de resist&#234;ncia<sup>28</sup>.</p>
    <p>Em 2000, Lee e cols.<sup>12</sup> demonstraram, pela primeira vez, que ap&#243;s a infus&#227;o intravenosa de apelina-13 em ratos anestesiados, as press&#245;es arteriais sist&#243;lica e diast&#243;lica sofriam uma queda tempor&#225;ria (de cerca de 10 mmHg). No seguimento desse trabalho, outro grupo de investigadores demonstrou que a efic&#225;cia do efeito hipotensor estava inversamente correlacionada com o peso molecular da isoforma da apelina, sendo esse efeito abolido ap&#243;s a administra&#231;&#227;o de um inibidor da s&#237;ntase de NO (NOS)<sup>25</sup>, o que sugere que a apelina exerce os seus efeitos vasoativos mediante um mecanismo dependente do NO. Com efeito, a apelina causa uma vasodilata&#231;&#227;o dependente do endot&#233;lio mediante a ativa&#231;&#227;o da Akt que fosforila a eNOS e promove a libera&#231;&#227;o de NO e o aumento dos n&#237;veis de GMPc<sup>25</sup>. No entanto, pode desencadear uma resposta vasoconstritora na presen&#231;a de um endot&#233;lio disfuncionante, atuando, nesse caso, sobre as c&#233;lulas musculares lisas vasculares, que tamb&#233;m expressam o receptor APJ<sup>27</sup> (<xref ref-type="fig" rid="f2">fig. 2</xref>).</p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="f2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-90-05-0374-00012-gf02.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>Relativamente aos efeitos card&#237;acos, Szokodi e cols.<sup>21</sup> demonstraram que, em prepara&#231;&#245;es de cora&#231;&#227;o intacto de rato, a apelina-16 tinha um efeito inotr&#243;pico positivo, aumentando a contractilidade com um EC<sub>50</sub> de, aproximadamente, 30 pM, e um efeito m&#225;ximo de cerca de 70% da resposta &#224; isoprenalina (agonista beta-adren&#233;rgico). Experi&#234;ncias <italic>in vivo</italic> confirmaram esses resultados mediante um aumento da press&#227;o m&#225;xima desenvolvida (P<sub>m&#225;x</sub>) e da velocidade de eleva&#231;&#227;o da press&#227;o (dP/dt<sub>m&#225;x</sub>) intraventriculares, tanto em ratos normais como em ratos com IC<sup>29</sup>. Estudos hemodin&#226;micos em camundongos demonstraram que a administra&#231;&#227;o de apelina diminui a pr&#233; e a p&#243;s-carga do ventr&#237;culo esquerdo, aumentando cronicamente o d&#233;bito card&#237;aco sem evid&#234;ncia de hipertrofia<sup>30</sup>.</p>
    <p>Um estudo do nosso grupo, para al&#233;m de confirmar o efeito inotr&#243;pico positivo <italic>in vivo</italic>, demonstrou um efeito inotr&#243;pico negativo da apelina no m&#250;sculo card&#237;aco isolado, sugerindo que poder&#227;o ser necess&#225;rias outras c&#233;lulas, para al&#233;m das mioc&#225;rdicas, para que o efeito inotr&#243;pico positivo se manifeste; demonstramos, tamb&#233;m, que a apelina n&#227;o exerce nenhuma fun&#231;&#227;o evidente sobre as propriedades diast&#243;licas do mioc&#225;rdio<sup>7</sup>.</p>
    <p>O par apelina/APJ est&#225; intrinsecamente relacionado com o par AngII/AT-1 na regula&#231;&#227;o da fisiopatologia da fun&#231;&#227;o cardiovascular. Camundongos <italic>knock-out</italic> para o receptor APJ apresentam uma resposta vasopressora aumentada &#224; Ang II; por&#233;m, apresentam valores normais de tens&#227;o arterial<sup>31</sup>. Num importante estudo de Iwanaga e cols.<sup>32</sup>, em ratos com IC (que apresentavam uma express&#227;o reduzida da apelina e do receptor APJ), o tratamento com telmisartan, um antagonista dos receptores AT-1, fez que os n&#237;veis de apelina/APJ voltassem ao normal, sugerindo que a efic&#225;cia da inibi&#231;&#227;o dos receptores AT1 na IC pode tamb&#233;m dever-se &#224; restitui&#231;&#227;o dos n&#237;veis normais de apelina, um potente agente inotr&#243;pico positivo end&#243;geno. Assim, &#233; sugerida uma regula&#231;&#227;o direta do par apelina/APJ pelo par AngII/AT1.</p>
    <p>A demonstra&#231;&#227;o de que o exerc&#237;cio f&#237;sico promove o aumento da express&#227;o de apelina e do receptor APJ no mioc&#225;rdio de ratos hipertensos e a transforma&#231;&#227;o de uma hipertrofia patol&#243;gica, de etiologia hipertensiva, numa hipertrofia fisiol&#243;gica, em raz&#227;o do exerc&#237;cio<sup>33</sup>, leva-nos a pensar que o efeito ben&#233;fico da atividade f&#237;sica na redu&#231;&#227;o dos valores de tens&#227;o arterial em hipertensos poder&#225;, em parte, ficar a dever-se ao aumento da express&#227;o do sistema apelina/APJ em n&#237;vel cardiovascular.</p>
    <p>Para al&#233;m dos seus efeitos fisiol&#243;gicos, a apelina foi tamb&#233;m implicada na patog&#234;nese da IC. Nos primeiros estudos, verificou-se que os n&#237;veis circulantes de apelina estavam aumentados em doentes com IC de in&#237;cio recente, diminuindo progressivamente com o agravamento da doen&#231;a<sup>34</sup>. Um estudo populacional de grandes dimens&#245;es verificou que a concentra&#231;&#227;o s&#233;rica de apelina estava diminu&#237;da em doentes com IC sist&#243;lica por disfun&#231;&#227;o ventricular esquerda<sup>35</sup>. Essa diminui&#231;&#227;o pode resultar da disfun&#231;&#227;o endotelial que acompanha a IC (afetando a produ&#231;&#227;o de apelina)<sup>34</sup> ou da exaust&#227;o de um poss&#237;vel mecanismo compensat&#243;rio com vista &#224; manuten&#231;&#227;o de um d&#233;bito card&#237;aco adequado levado a cabo pelo sistema apelin&#233;rgico em doentes com IC. Em 2006, Dai e cols.<sup>36</sup> demonstraram que a apelina exerce uma a&#231;&#227;o inotr&#243;pica positiva significativa no mioc&#225;rdio insuficiente em conseq&#252;&#234;ncia de um aumento no transiente de Ca<sup>2+</sup>.</p>
    <p>Estudos recentes revelam que: 1) a terapia com apelina em ratos com les&#245;es mioc&#225;rdicas induzidas pela isoprenalina promove a recupera&#231;&#227;o da fun&#231;&#227;o card&#237;aca, tendo tamb&#233;m um efeito cardioprotetor, por exemplo, contra a peroxida&#231;&#227;o lip&#237;dica<sup>37</sup>; 2) os n&#237;veis de apelina est&#227;o reduzidos em pacientes com doen&#231;a coron&#225;ria sujeitos a hemodi&#225;lise, sendo especulado que a apelina possa estar envolvida na fisiopatologia da doen&#231;a cardiovascular secund&#225;ria &#224; insufici&#234;ncia renal cr&#244;nica, e que poder&#225; ser utilizada no futuro como forma de tratamento da cardiomiopatia ur&#234;mica<sup>38</sup>; 3) a terapia de ressincroniza&#231;&#227;o ventricular promove, em longo prazo, um aumento dos n&#237;veis plasm&#225;ticos de apelina<sup>39</sup>, o que poder&#225; estar associado &#224; melhoria da fun&#231;&#227;o card&#237;aca; 4) apesar de ter sido considerada um poss&#237;vel marcador de hip&#243;xia card&#237;aca (aguda e cr&#244;nica)<sup>40,41</sup> os n&#237;veis circulantes de apelina n&#227;o parecem ser &#250;teis na avalia&#231;&#227;o cl&#237;nica e no progn&#243;stico de doentes com IC aguda ou cr&#244;nica<sup>35,42,43</sup>; 5) a apelina poder&#225; ser utilizada como um marcador para avaliar o risco de desenvolver fibrila&#231;&#227;o auricular isolada<sup>44</sup> e como marcador diagn&#243;stico para distinguir a dispn&#233;ia de causa pulmonar daquela de origem cardiovascular<sup>45</sup>.</p>
    <p>Em rela&#231;&#227;o a este &#250;ltimo aspecto, foi demonstrado por Ellinor e cols.<sup>44</sup> que em pacientes com fibrila&#231;&#227;o auricular isolada os n&#237;veis de apelina est&#227;o reduzidos, o que sugere que a concentra&#231;&#227;o s&#233;rica desse pept&#237;deo poder&#225; vir a ser utilizada como &#237;ndice de risco para o aparecimento desse tipo de arritmia em sujeitos que ainda n&#227;o a manifestaram. &#201; interessante notar que os n&#237;veis plasm&#225;ticos de apelina-36 est&#227;o diminu&#237;dos em pacientes com doen&#231;a cr&#244;nica do par&#234;nquima pulmonar e fun&#231;&#227;o card&#237;aca preservada, e a determina&#231;&#227;o dos n&#237;veis de apelina-36 e proBNP (precursor do pept&#237;deo natriur&#233;tico do tipo B) poder&#225; constituir, dessa forma, um novo meio diagn&#243;stico que permita distinguir a dispn&#233;ia de causa pulmonar daquela de origem cardiovascular<sup>45</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Eixo hipot&#225;lamo-hipofis&#225;rio e homeostasia de fluidos</bold>
    </p>
    <p>Tal como j&#225; descrito, o receptor APJ e a apelina s&#227;o expressos em v&#225;rias &#225;reas do SNC e, de forma particularmente intensa. nos n&#250;cleos supra-&#243;ptico (SON) e paraventricular (PVN) do hipot&#225;lamo<sup>46,47</sup>. Dado esse padr&#227;o de express&#227;o, cedo se sugeriu que o sistema apelin&#233;rgico pudesse estar envolvido na modula&#231;&#227;o da atividade do eixo hipot&#225;lamo-hipofis&#225;rio, assim como na homeostasia de fluidos.</p>
    <p>Com efeito, foi j&#225; demonstrado que a administra&#231;&#227;o de apelina aumenta os n&#237;veis s&#233;ricos de ACTH (horm&#244;nio adrenocorticotr&#243;fico) e de corticosterona, diminuindo os de prolactina, FSH (horm&#244;nio fol&#237;culo-estimulante) e LH (horm&#244;nio luteinizante), nos 30 minutos seguintes &#224; infus&#227;o. Um estudo recente<sup>48</sup> demonstrou que a apelina se localiza sobretudo nas c&#233;lulas corticotr&#243;picas, promovendo a libera&#231;&#227;o de ACTH de uma forma aut&#243;crina/par&#225;crina, o que aponta para a exist&#234;ncia de um sistema apelin&#233;rgico na hip&#243;fise de ratos adultos.</p>
    <p>Apesar de a intensa express&#227;o do receptor APJ e de a apelina em neur&#244;nios vasopressin&#233;rgicos ter sugerido uma importante fun&#231;&#227;o dessa na homeostasia dos fluidos, existe uma grande discrep&#226;ncia nos resultados dos estudos relativos a esse assunto, uma vez que a administra&#231;&#227;o de apelina a ratos surgiu associada &#224; redu&#231;&#227;o do consumo de &#225;gua<sup>46</sup>, bem como ao seu aumento<sup>12,49</sup>. A aus&#234;ncia de efeito no comportamento d&#237;psico de ratos foi tamb&#233;m descrita<sup>50</sup>.</p>
    <p>Uma vez desvendada a associa&#231;&#227;o entre a apelina e a homeostasia h&#237;drica corporal, novas propostas terap&#234;uticas relacionadas com o bin&#244;mio apelina/APJ poder&#227;o surgir no campo de doen&#231;as tais como a hipertens&#227;o arterial e o diabetes ins&#237;pido.</p>
    <p>
      <bold>Rela&#231;&#227;o com a insulina, a obesidade e a ingest&#227;o de alimentos</bold>
    </p>
    <p>Em 2005, Boucher e cols.<sup>51</sup> demonstraram que a apelina era uma nova adipocina end&#243;crina, ao ser produzida em adip&#243;citos maduros de camundongos e humanos. Para al&#233;m disso, importantes correla&#231;&#245;es com os n&#237;veis de insulina e com a obesidade foram estabelecidas, sendo evidente um grande aumento dos n&#237;veis de apelina no plasma e nos adip&#243;citos de camundongos obesos com hiperinsulinemia, bem como uma reduzida secre&#231;&#227;o de apelina pelos adip&#243;citos de ratos insulino-dependentes com baixos n&#237;veis de insulina e durante o jejum, sendo essa secre&#231;&#227;o rapidamente reposta ap&#243;s a ingest&#227;o de alimentos, permitindo concluir que a insulina provoca um aumento da express&#227;o da apelina. Essa importante rela&#231;&#227;o com a insulina ganhou um novo contorno quando se demonstrou que o receptor APJ &#233; expresso nos ilhotas pancre&#225;ticos e que a apelina inibe a secre&#231;&#227;o de insulina dependente da glicose atrav&#233;s de uma a&#231;&#227;o direta sobre as c&#233;lulas-b, em camundongos<sup>52</sup>.</p>
    <p>&#201; interessante verificar que existe uma correla&#231;&#227;o positiva entre os n&#237;veis s&#233;ricos de apelina e o &#205;ndice de Massa Corporal<sup>53</sup>, que os n&#237;veis s&#233;ricos de apelina est&#227;o aumentados em doentes diab&#233;ticos ou com intoler&#226;ncia a glicose<sup>54</sup> e que o fator de necrose tumoral a (TNF-a) provoca um aumento da quantidade de apelina em adip&#243;citos humanos<sup>55</sup>.</p>
    <p>Num dos mais recentes estudos sobre o papel fisiopatol&#243;gico da apelina, verificou-se que a administra&#231;&#227;o intra-peritoneal dessa, em camundongos normais e obesos durante 14 dias, diminuiu a adiposidade corporal sem afetar o consumo de alimentos, diminuiu os n&#237;veis s&#233;ricos de insulina, de leptina e de triglicer&#237;deos, aumentou os n&#237;veis de adiponectina, aumentou a express&#227;o de prote&#237;nas desacopladoras (UCP) e diminuiu o quociente respirat&#243;rio<sup>56</sup>.</p>
    <p>A apelina pode desempenhar tamb&#233;m um importante papel na regula&#231;&#227;o da fun&#231;&#227;o cardiovascular no diabetes: o tratamento de camundongos diab&#233;ticos com apelina promove um aumento da resposta vasodilatadora &#224; acetilcolina, atrav&#233;s da via PI3K/Akt/eNOS<sup>57</sup>.</p>
    <p>Todos esses resultados fazem acreditar que a apelina &#233; um importante regulador do metabolismo glicolip&#237;dico normal, desempenhando tamb&#233;m um poss&#237;vel papel em situa&#231;&#245;es patol&#243;gicas tais como a obesidade, a resist&#234;ncia a insulina e o diabete melito tipo 2. Desse modo, a sua utiliza&#231;&#227;o poder&#225; ser explorada como um potencial alvo terap&#234;utico nesse conjunto de doen&#231;as.</p>
    <p>Tal como verificado para a homeostasia de fluidos, o papel da apelina no comportamento alimentar n&#227;o est&#225; bem estabelecido, uma vez que os dados dispon&#237;veis ainda s&#227;o escassos e contradit&#243;rios<sup>56,58,59</sup>, pelo que mais estudos s&#227;o necess&#225;rios para que novas conclus&#245;es sobre o papel da apelina na ingest&#227;o de alimentos possam ser obtidas.</p>
    <p>
      <bold>Sistema apelin&#233;rgico e novas implica&#231;&#245;es fisiopatol&#243;gicas</bold>
    </p>
    <p>As a&#231;&#245;es do sistema apelin&#233;rgico anteriormente descritas foram aquelas que at&#233; agora receberam mais aten&#231;&#227;o por parte da comunidade m&#233;dica. Por&#233;m, existe atualmente uma intensa frente de investiga&#231;&#227;o com o intuito de demonstrar novas implica&#231;&#245;es fisiopatol&#243;gicas desse rec&#233;m-descoberto sistema.</p>
    <p>Com efeito, no que respeita &#224; fun&#231;&#227;o gastrointestinal, o bin&#244;mio apelina/APJ parece desempenhar importantes fun&#231;&#245;es na secre&#231;&#227;o g&#225;strica de &#225;cido e de colecistocinina e na prolifera&#231;&#227;o do epit&#233;lio da mucosa do est&#244;mago<sup>60</sup>, estando possivelmente envolvido na patog&#234;nese da &#250;lcera p&#233;ptica, colite ulcerosa<sup>61</sup> e doen&#231;a de Crohn<sup>61</sup>. A apelina estimula a prolifera&#231;&#227;o dos osteoblastos<sup>62,63</sup> e inibe a sua apoptose<sup>62,63</sup>, podendo vir a ser no futuro usada como aux&#237;lio terap&#234;utico em algumas doen&#231;as &#243;sseas. Por &#250;ltimo, o receptor APJ &#233; um co-receptor para a entrada do VIH nas c&#233;lulas do hospedeiro<sup>18,64</sup>, verificando-se que a apelina inibe a infec&#231;&#227;o de c&#233;lulas CD4+ e APJ+, sendo essa efic&#225;cia maior para isoformas mais pesadas<sup>65-67</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Conclus&#227;o</bold>
    </p>
    <p>Os novos pap&#233;is do sistema apelin&#233;rgico na fisiologia e patologia humanas est&#227;o em constante expans&#227;o. Com efeito, a apelina est&#225; envolvida na regula&#231;&#227;o da homeostasia de importantes sistemas do nosso organismo, bem como na patog&#234;nese de in&#250;meras doen&#231;as, muitas das quais com um peso enorme na morbilidade e mortalidade mundiais. Por&#233;m, nem tudo est&#225; feito. S&#227;o necess&#225;rios novos estudos para que todos os segredos da apelina e do receptor APJ possam ser desvendados, aumentando, assim, o nosso conhecimento sobre as fun&#231;&#245;es do sistema apelin&#233;rgico na fisiologia e patologia humanas, sendo poss&#237;vel, ent&#227;o, equacionar o potencial que esse sistema nos oferece como futuro alvo terap&#234;utico.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflito de interesses pertinentes.</p>
    <p>
      <bold>Fontes de Financiamento</bold>
    </p>
    <p>O presente estudo n&#227;o teve fontes de financiamento externas.</p>
    <p>
      <bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>N&#227;o h&#225; vincula&#231;&#227;o deste estudo a programas de p&#243;s-gradua&#231;&#227;o.</p>
    <p>
      <fn id="back" fn-type="corresp">
        <p>Correspond&#234;ncia:</p>
        <p> Adelino F. Leite-Moreira </p>
        <p> Alameda Prof. Hern&#226;ni Monteiro </p>
        <p> 4200-319 Porto - Portugal </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="amoreira@med.up.pt">amoreira@med.up.pt</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 03/08/07; revisado recebido em 17/11/07; aceito em 04/12/07.</p>
  </body>
  <back>
    <ref-list>
      <ref id="B1">
        <mixed-citation>1. O'Dowd B, Heiber    M, Chan A, Heng H, Tsui L, Kennedy J, et al. A human gene that shows identity    with the gene encoding the angiotensin receptor is located on chromosome 11.    Gene. 1993; 136 (1-2): 355-60.</mixed-citation>
        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>A human gene that shows identity with the gene encoding the angiotensin receptor is located on chromosome 11</article-title>
          <source>Gene</source>
          <date>
            <year>1993</year>
          </date>
          <fpage>355</fpage>
          <lpage>60</lpage>
          <issue>1-2</issue>
          <volume>136</volume>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
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          <article-title>Apelin suppresses apoptosis of human osteoblasts</article-title>
          <source>Apoptosis</source>
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        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>The orphan seven-transmembrane receptor apj supports the entry of primary T-cell-line-tropic and dualtropic human immunodeficiency virus type 1</article-title>
          <source>J Virol</source>
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          <article-title>Expression and coreceptor function of APJ for primate immunodeficiency viruses</article-title>
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        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>Apelin, the natural ligand of the orphan seven-transmembrane receptor APJ, inhibits human immunodeficiency virus type 1 entry</article-title>
          <source>J Virol</source>
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          <article-title>Apelin peptides block the entry of human immunodeficiency virus (HIV)</article-title>
          <source>FEBS Lett</source>
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        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Review Article</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">The apelinergic system: the role played in human physiology and pathology and potential therapeutic applications</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>Apelin is a recently discovered peptide, identified as an endogenous ligand of receptor APJ. Apelin and receptor APJ are expressed in a wide variety of tissues including heart, brain, kidneys and lungs. Their interaction may have relevant pathophysiologic effects in those tissues. In fact, the last decade has been rich in illustrating the possible roles played by apelin in human physiology, namely as a regulating peptide of cardiovascular, hypothalamus-hypophysis, gastrointestinal, and immune systems. The possible involvement of apelin in the pathogenesis of high prevalence conditions and comorbidities - such as hypertension, heart failure, and Diabetes Mellitus Type 2 (T2DM) - rank it as a likely therapeutic target to be investigated in the future. The present paper is an overview of apelin physiologic effects and presents the possible role played by this peptide in the pathogenesis of a number of conditions as well as the therapeutic implications that might, therefore, be investigated.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Peptides</kwd>
        <kwd>peptides</kwd>
        <kwd>apeline</kwd>
        <kwd>hypertension</kwd>
        <kwd>cardiac output, low</kwd>
        <kwd>diabetes mellitus</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>REVIEW ARTICLE</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="top-body2">
          <label>
            <bold>The apelinergic system: the role played in human physiology and pathology and potential therapeutic applications</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Ricardo Ladeiras-Lopes; Jo&#227;o Ferreira-Martins; Adelino F. Leite-Moreira</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Department of Physiology, Faculty of Medicine, University of Porto, Porto - Portugal</p>
      <p>Mailing address</p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p>Apelin is a recently discovered peptide, identified as an endogenous ligand of receptor APJ. Apelin and receptor APJ are expressed in a wide variety of tissues including heart, brain, kidneys and lungs. Their interaction may have relevant pathophysiologic effects in those tissues. In fact, the last decade has been rich in illustrating the possible roles played by apelin in human physiology, namely as a regulating peptide of cardiovascular, hypothalamus-hypophysis, gastrointestinal, and immune systems. The possible involvement of apelin in the pathogenesis of high prevalence conditions and comorbidities &#150; such as hypertension, heart failure, and Diabetes Mellitus Type 2 (T2DM) &#150; rank it as a likely therapeutic target to be investigated in the future. The present paper is an overview of apelin physiologic effects and presents the possible role played by this peptide in the pathogenesis of a number of conditions as well as the therapeutic implications that might, therefore, be investigated.</p>
      <p><bold>Key words:</bold> Peptides/Physiology; peptides/drug effects; apeline; hypertension; cardiac output, low; diabetes mellitus.</p>
      <p>
        <bold>Introduction</bold>
      </p>
      <p>In 1993, O'Dowd et al<sup>1</sup> identified a gene with closest identity to the angiotensin II type 1 receptor (AT-1). This receptor &#150; APJ &#150; was kept "orphan" until 1998, when Tatemoto et al<sup>2</sup> identified a selective endogenous ligand, named apelin. The first studies have demonstrated that apelin and its receptor are expressed practically ubiquitously, thus acquiring special status at organs such as heart, brain, kidneys, and lungs<sup>3-6</sup>.</p>
      <p>The apelinergic system distribution over such variety of tissues has suggested it might play relevant roles in human physiology. Indeed, apelin is involved in the regulation of cardiovascular, gastrointestinal, and immune functions, as well as in bone physiology, fluid homeostasis and cardiovascular system embryonal development<sup>7-9</sup>. Recently, the apelinergic system has been demonstrated to be involved in the pathogenesis of a number of high prevalence conditions &#150; such as hypertension, heart failure (HF), obesity, glucose intolerance and diabetes mellitus type 2 (T2DM), as well as HIV infections, diabetes insipidus, gastric ulcer and osteoporosis<sup>7-9</sup>. Therefore, it is a growing consensus that the modulation of the apelin/APJ binomial may be a therapeutic target to be investigated in the future<sup>10,11</sup>.</p>
      <p>With that in mind, the purpose of the present paper is to review the apelinergic system and provide an overview of its physiologic and pathologic involvement, so that a better understanding of the apelin/APJ binomial may lead to new investigations as well as to possible future clinical applications.</p>
      <p>
        <bold>APJ receptor</bold>
      </p>
      <p>In 1993, O'Dowd et al<sup>1</sup> characterized a 700 base pair fragment by using polymerase chain reaction (PCR). A detailed analysis revealed a number of similarities with transmembrane domains gene sequences of GPCRs (G protein-coupled membrane receptors). The codified protein had 380 aminoacids and was named APJ.</p>
      <p>High homology between APJ receptor and AT-1 receptor was soon identified: 115 aminoacids (AA) (30%) of the total sequence and 86 AA (54%) in transmembrane regions<sup>1</sup>, as well as high similarity in the tissue expression of both receptors<sup>3</sup>. However, apelin, an endogenous ligand of the APJ receptor, does not bind to AT-1 receptor<sup>12</sup>, nor does angiotensin II (AngII) binds to APJ<sup>1,2</sup>.</p>
      <p>Although predominantly located in the membrane, APJ Receptor was also found in the nucleus of cerebellum and human hypothalamus cells &#150; a nuclear localization signal was identified in the third intracellular loop<sup>13</sup>. These data suggest that this receptor may play a role in gene transcription regulation, as previously shown for AngII<sup>10</sup> &#150; an aspect that should be a topic for investigation in the future.</p>
      <p>After studying APJ receptor distribution in rats, mice, and humans, the conclusion was that it is abundantly expressed in the central nervous system (CNS), as well as in a number of peripheral tissues, especially in lung and heart<sup>1,3-5,14</sup>. A number of studies have shown that in the cardiovascular system the APJ receptor is found in the endothelial cells of small intramyocardial, renal, pulmonary and adrenal vessels, in coronary arteries, in endocardial endothelium cells, and in vascular smooth muscle cells<sup>5</sup>. Interestingly enough, APJ immunoreactivity follows a transversally estriated pattern in cardiomyocytes, thus indicating the co-localization of receptor with T-tubules<sup>5</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Apelinergic peptides</bold>
      </p>
      <p>APJ receptor was kept orphan until 1998, when Tatemoto et al<sup>2</sup> isolated a 36-AA peptide from bovine stomach extracts, which they named apelin. The peptide induced extracellular acidification and inhibited cAMP formation in a cell line of Chinese hamster ovaries that expressed the APJ receptor. The localization of the pre-proapelin codifying gene - a 77 AA pre-peptide &#150; in humans is Xq25-26.1, with 1,726 base pairs that include 3 exons. Curiously enough, high homology was shown between the different species in pre-proapelin protein sequence, namely in the 23 AA in terminal C<sup>12</sup>. Indeed, 65-77 C-terminal fragment of apelinergic peptides is key to bind to APJ receptor and to its biological activity, whereas N-terminal plays a key role in modulating ligand-receptor interaction<sup>15</sup>.</p>
      <p>The first studies on apelin identified different isoforms which are thought to exist <italic>in vivo</italic>: apelin-36 (apelin42-77), apelin-17 (apelin61-77), apelin-13 (apelin65-77) and apelin-13 in its pyroglutaminated form [(Pyr1)apelin-13], which means to say, with N-terminal glutamate residue<sup>2</sup>. While shorter isoforms seem to be more powerful in their cardiovascular action, apelin-36 is more efficient in blocking HIV infection in APJ-positive cells. It is currently thought that Apelin-36 acts as a precursor, with limited biological activity, up to the moment it is under proteolysis and post-translational changes, to then produce biologically more active peptides, predominantly (Pyr1)Apelin-13, whose pyroglutamination preserves biological function and prevents enzyme degradation<sup>8</sup>. Lee et al<sup>16</sup> have described a possible APJ receptor antagonist: by substituting terminal C phenylalanine in Apelin-13 with alanine residue, a peptide is created. In a dose-dependent mode, that peptide annihilates the hypotensive action of IV Apelin-13 in rats.</p>
      <p>The early studies that characterized apelin tissue distribution were conducted in rats' tissues, and evidenced the presence of its pre-propeptide in a wide variety of tissues<sup>3,4,6,12,17</sup>. In humans, pre-proapelin RNAm is abundant in the CNS and in the placenta, as well as in more moderate volume in kidneys, heart, lungs and mammary gland. It should be pointed out that apelin is biologically active in the myocardium, in cardiac endothelium, and in the endothelium of large vessels and small veins and arteries<sup>7</sup>. In endothelial cells, apelin is not found in Weibel-Palade bodies, vesicles resulting from induced endothelial peptide secretion, thus suggesting apelin consitutive release<sup>5</sup>.</p>
      <p>An immunoenzyme assay estimated the concentration of circulating apelin in humans to be between 3 and 4 ng/mL<sup>18</sup>. This is a low concentration if compared to that of other circulating hormones. However, it is comparable to endothelium-derived vasoactive mediators, which suggests endothelial release of apelin.</p>
      <p>It is currently thought that carboxypeptidase ACE2 (Angiotensin Converting Enzyme 2) plays the role of apelin degradation through highly efficacious cleavage of the terminal C phenylalanine from the apelinergic peptides<sup>19</sup>. Such correlation therefore suggests the high relevance of apelin in cardiovascular regulation since ACE2 is involved in the renin-angiotensin-aldosterone system<sup>8</sup>. Indeed, ACE2 is also involved in the degradation of Ang II to angiotensin 1-7, which, opposedly to Ang II, seems to play relevant functions in cardiac and renal protection<sup>20</sup>. Therefore, the induction of that enzyme may, in the future, be a therapeutic target in major cardiovascular pathologies.</p>
      <p>
        <bold>Interaction apelin/APJ</bold>
      </p>
      <p>One of the major transduction pathways for apelin signal depends on the interaction with a Gi-protein coupled to the APJ receptor, independently of Ras protein; although dependent on Protein Kinase C (PKC)<sup>7</sup>. Indeed, if PKC, phospholipase C (PLC), the Na<sup>+</sup>-H<sup>+</sup> (NHE) exchanger and the Na<sup>+</sup>-Ca<sup>2+</sup>(NCX) exchanger are inhibited, apelin effects will be significantly reduced, namely in regard to its positive inotropic effect<sup>21</sup>. It should be pointed out that PKC activation results in NHE phosphorylation, which promotes inner cell alkalinization and sensitization of myofilaments to Ca<sup>2+</sup>, as well as NCX activation, whose action is then reversed to promote Ca<sup>2+</sup> entry into the cell (<xref ref-type="fig" rid="en_12f1-body2">Figure 1</xref>). Hashimoto et al<sup>22</sup> have recently demonstrated that apelin induces phosphorylation of myosin light chain in vascular smooth muscle cells, which is of major relevance in initiating smooth muscle contraction. The inhibition of PKC, NHE and NCX is translated into a significant reduction of that effect.</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="en_12f1-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-90-05-0374-00012-gf01-en.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>In addition to adenyl cyclase inhibition pathway, apelin activates ERKs (extracellular regulated kinases) pathways through a PTX (pertussis toxin) sensitive G protein, in a PKC-dependent process<sup>23</sup>. PI3K-p70S6K endothelial cells proliferation control is also activated by apelin through two mechanisms: one is ERK-dependent and the other is PI3K-dependent<sup>24</sup>. It is important to point out that PI3K/Akt seems to be responsible for the phosphorilation and resulting activation of endothelial nitric oxide (eNOS) synthase, which is indispensable for most of apelin vasoactive effects<sup>25</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Apelin/APJ: the role played in human physiology and pathology and potential therapeutic applications</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Cardiovascular development and homeostasis</bold>
      </p>
      <p>Apelin and its receptor are expressed in embryonal and adult tissues. As a result, they perform a wide action spectrum, starting at very early stages of cardiovascular development which goes on to adult life. Their contribution is increasingly evident in a number of pathophysiologic processes.</p>
      <p>The high expression of APJ receptor in the endothelium of embryonal vessels and in the tunica intima of retinal vessels has already been demonstrated<sup>14</sup>, as well as increased and reduced expression of that receptor in the formation and stabilization of retinal vessels, respectively<sup>26</sup>.</p>
      <p>Those data give stronger support to the idea that apelin plays a major role in endothelial cell proliferation &#150; whether at embryonal development and physiologic states, or at pathological states (for instance, malignant neoplasms and diabetic retinopathy). Therefore, possible therapeutic applications may be envisaged for the future, such as the use of agonists to promote therapeutic angiogenesis (for instance, for ischemic conditions), as well as angiogenic antagonists, as a strategy to control tumoral growth and diabetic retinopathy.</p>
      <p>Early studies on apelin and APJ receptor tissue distribution pointed towards high expression of their RNAm in the heart and in blood vessels of rats and humans<sup>4,6,14,17,18</sup>. APJ expression was especially high in rat's heart<sup>15</sup>, while apelin was abundantly expressed in human endothelial cells of large conduction vessels<sup>3</sup>. More recently, APJ receptor RNAm was detected in the tunica media of large vessels<sup>27</sup>, as well as immunoreactivity to apelin in endothelial cells of small resistance vessels<sup>28</sup>.</p>
      <p>In 2000, Lee et al<sup>12</sup> demonstrated for the first time that after IV infusion of apelin-13 in anesthetized rats, systolic and diastolic pressures reported temporary decrease (approximately 10mmHg). In the follow-up, another group of investigators demonstrated that the hypotensive effect was inversely correlated to apelin isoform molecular weight. That effect was absent after the administration of an NO synthase inhibitor (NOS)<sup>25</sup>, which suggests that apelin vasoactive effects occur through an NO-dependent mechanism. Indeed, apelin causes endothelium-dependent vasodilation through the Akt activation that phosphorylates eNOS and promotes NO release as well as increased GMPc levels<sup>25</sup>. However, it may trigger a vasoconstrictive response if encountering a dysfunctional endothelium, in which case it will act on the vascular smooth muscle cells, which also express APJ receptor<sup>27</sup> (<xref ref-type="fig" rid="en_12f2-body2">Figure 2</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="en_12f2-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-90-05-0374-00012-gf02-en.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>In reference to cardiac effects, Szokodi et al<sup>21</sup> have demonstrated that in intact rat heart preparations, apelin-16 had a positive inotropic effect, increasing contractility with an approximately 30 pM EC<sub>50</sub>, and maximum effect of approximately 70% response to isoprenalin (b-adrenergic agonist). <italic>In vivo</italic> experiments have confirmed those results through increased maximum pressure developed (P<sub>max</sub>) and intraventricular pressure increase velocity (dP/dt<sub>max</sub>), both in normal rats as in heart failure rats<sup>29</sup>. Hemodynamic studies in mice have demonstrated that the administration of apelin reduces left ventricle preload and afterload and chronically increases cardiac output, with no evidence of hypertrophy<sup>30</sup>.</p>
      <p>In addition to confirming the <italic>in vivo</italic> positive inotropic effect, a study in our group demonstrated apelin negative inotropic effect in isolated cardiac muscle, suggesting other cells may be required &#150; in addition to myocardial cells &#150; so that positive inotropic effect is revealed. We have also demonstrated that apelin does not perform any evident function on myocardial diastolic properties<sup>7</sup>.</p>
      <p>The apelin/APJ pair is intrinsically related to the AngII/AT-1 pair in regulating the pathophysiology of cardiovascular function. <italic>Knock-out</italic> mice for APJ receptor present increased vasopressive response to Ang II. However, they present normal blood pressure levels<sup>31</sup>. In a major study by Iwanaga et al<sup>32</sup> involving HF rats (with reduced expression of apelin and APJ receptor), treatment with telmisartan &#150; an antagonist of AT-1 receptors &#150; made apelin/APJ levels reverse back to normal, thus suggesting that the efficacy of AT1 receptors inhibition in HF may also result from restoring normal values of apelin, a powerful positive inotropic endogenous agent. Therefore, direct regulation of the apelin/APJ pair by AngII/AT1 is left as a suggestion.</p>
      <p>The demonstration that physical exercise promotes increased apelin and APJ receptor expression in the myocardium of hypertensive rats, as well as the change from a pathologic, ethiologically hypertensive hypertrophy into a physiologic hypertrophy from exercising<sup>33</sup> leads to the thought that physical exercise beneficial effect in reducing blood pressure levels in hypertensive individuals may be partially due to increased apelin/APJ expression at cardiovascular level.</p>
      <p>In addition to its physiologic effects, apelin was also involved in the pathogenesis of HF. In the early studies, apelin circulating levels showed to be increased in recent onset HF patients, with progressive reduction accompanying worsening HF<sup>34</sup>. A wide-reaching populational study demonstrated that apelin serum concentration was reduced in patients presenting systolic HF due to left ventricular dysfunction<sup>35</sup>. Such decrease may result from the endothelial dysfunction associated to HF (thus affecting apelin production)<sup>34</sup> or from the exhaustion of a possible compensatory mechanism for proper cardiac output maintenance carried out by apelinergic system in HF patients. In 2006, Dai et al<sup>36</sup> demonstrated that apelin has a significant positive inotropic action on failing myocardium as a result of a transient increase of Ca<sup>2+</sup>.</p>
      <p>Recent studies have demonstrated that: 1) apelin therapy in rats with isoprenalin-induced lesions promotes the restoration of cardiac function, and is also cardioprotective, against lipidic peroxidation, for instance<sup>37</sup>; 2) apelin levels are reduced in coronary disease patients submitted to hemodialysis; it is speculated that apelin may be involved in the physiopathology of cardiovascular disease secondary to chronic renal failure, and that it may be utilized in the future as a treatment approach for uremic cardiomyopathy<sup>38</sup>; 3) ventricular resinchronization therapy promotes a long-term increase of apelin plasma levels<sup>39</sup>, which may be associated to cardiac function improvement; 4) although it has been considered a possible marker for cardiac hypoxy (acute and chronic)<sup>40, 41</sup> apelin circulating levels do not seem to be of help for the clinical evaluation and prognosis of acute or chronic HF patients<sup>35,42,43</sup>; 5) apelin may be utilized as a marker to assess the development of isolated atrial fibrillation<sup>44</sup> as well as a diagnostic marker to distinguish the dyspnea from pulmonary causes from that of cardiovascular cause<sup>45</sup>.</p>
      <p>In regard to the last aspect, Ellinor et al<sup>44</sup> have demonstrated that apelin levels are reduced in patients with isolated atrial fibrillation, which suggests serum concentration of that peptide may be utilized as a risk index for the onset of that kind of arrhythmia in individuals with no manifestation. Interestingly, apelin-36 plasma levels are shown to be decreased in patients with pulmonary parenchyma chronic disease and preserved cardiac function. The determination of apelin-36 and proBNP (type B natriuretic peptide precursor) levels may, therefore, act as a new diagnostic method to distinguish dyspnea from pulmonary causes from that from cardiovascular cause<sup>45</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Hypothalamus-hypophysis axis and fluid homeostasis</bold>
      </p>
      <p>As described earlier, APJ receptor and apelin are expressed in different areas at the CNS, particularly intensely in hypothalamic supra-optical (SON) and paraventricular (PVN) nuclei<sup>46,47</sup>. Given the expression pattern, it was soon suggested that the apelinergic system could be involved in the modulation of the hypothalamus-hypophysis axis activity as well as in fluid homeostasis.</p>
      <p>Indeed, as demonstrated earlier, apelin administration increases ACTH (adrenocorticotrophic hormone) and cortisone serum levels while decreasing prolactin, FSH (follicle stimulating hormone), and LH (luteinizing hormone) levels within 30 minutes after infusion. A recent study<sup>48</sup> has demonstrated that apelin is typically localized in corticotropic cells, promoting autocrine/paracrine ACTH release, which points towards the presence of an apelinergic system in adult rats' hypophysis.</p>
      <p>Although APJ receptor and apelin high expression in vasopressinergic neurons has suggested a relevant role played in fluid homeostasis, great discrepancy has been shown in corresponding results since the administration of apelin to rats was associated to both water consumption reduction<sup>46</sup>, and increase<sup>12,49</sup>. The absence of dipsic behavior effect in rats has also been described<sup>50</sup>.</p>
      <p>The unmasking of the association between apelin and body hydric homeostasis may allow the application of new therapeutic proposals associated to the apelin/APJ binomial for pathologies such as hypertension and diabetes insipidus.</p>
      <p>
        <bold>Correlation with insulin, obesity and food intake</bold>
      </p>
      <p>In 2005, Boucher et al<sup>51</sup> demonstrated that apelin was a new endocrine adipokine produced at mature adipocytes of mice and humans. Additionally, relevant correlations with insulin and obesity have been established. Plasma and adipocyte apelin levels increase was evident in obese mice with hyperinsulinemia, as well as reduced apelin secretion by the adipocytes of insulin-dependent rats reporting low insulin levels and when fasting. That secretion was quickly replaced after food intake, thus leading to the conclusion that insulin increases apelin expression. This relevant correlation with insulin became more interesting when APJ receptor was shown to have expression in pancreatic islets, and when apelin was shown to inhibit glucose-dependent insulin secretion through direct action on mice b- cells<sup>52</sup>.</p>
      <p>Interestingly, a positive correlation could be observed between apelin serum levels and body mass index (BMI)<sup>53</sup>. It was also observed that apelin serum levels are increased in diabetic or glucose intolerance<sup>54</sup> patients, and that tumor necrosis factor-a (TNF-a) increases apelin levels in human adipocytes<sup>55</sup>.</p>
      <p>A most recent study on the pathophysiologic role played by apelin showed that its intraperitoneal administration in normal and obese mice for 14 days reduced body adiposity without affecting food intake, reduced insulin, leptin and triglycerides level, increased adiponectin levels, increased the expression of uncoupling proteins (UCP), and reduced respiratory quocient<sup>56</sup>.</p>
      <p>Apelin may also play a relevant role in regulating cardiovascular function in diabetes condition: diabetic mice treated with apelin reported increased vasodilating response to acetylcholine through PI3K/Akt/eNOS pathway<sup>57</sup>.</p>
      <p>All results seem to lead to the belief that apelin is a key regulator in a normal glucolipidic metabolism, also playing a possible role at pathologic scenarios such as obesity, insulin resistance and T2DM. Therefore, the use of apelin may be investigated as a potential therapeutic target for these pathologies.</p>
      <p>As shown for fluid homeostasis, the role played by apelin in eating behavior is not yet well established, since data available are still scarce and contradictory<sup>56,58,59</sup>. Further studies are, therefore, required so that new conclusions on the role played by apelin in food intake can be reached.</p>
      <p>
        <bold>Apelinergic system and new pathophysiologic implications</bold>
      </p>
      <p>The apelinergic system actions described previously were the ones to draw closest attention on the part of medical community. However, there is an ongoing strong investigation task with the purpose of demonstrating new pathophysiologic implications of this newly found system.</p>
      <p>Indeed, in regard to gastrointestinal function, the apelin/APJ binomial seems to perform relevant functions in gastric acid and cholecystokinin secretion, as well as epithelial cell proliferation in stomach mucosa<sup>60</sup>, with possible involvement in the pathogenesis of peptic ulcer, ulcerous colitis<sup>61</sup> and Crohn's disease<sup>61</sup>. Apelin stimulates the proliferation of osteoblasts<sup>62,63</sup> and inhibits apoptosis<sup>62,63</sup>. In the future, it may be used as therapeutic support for some bone diseases. Finally, the APJ receptor is a co-receptor for the entry of HIV in host's cells<sup>18,64</sup>. Apelin was shown to inhibit the infection of CD4+ and APJ+ cells, with efficacy being higher in heavier isoforms<sup>65-67</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Conclusion</bold>
      </p>
      <p>The new roles played by the apelinergic system in human physiology and pathology are under continuing expansion. In fact, apelin is involved in the homeostasis regulation of major systems in our body, such as in the pathogenesis of a number of diseases, many of which accounting for extremely high levels of morbiditiy and mortality worldwide. There is a long way ahead, though. Further studies are required so that apelin and APJ receptor secrets can be revealed, thus expanding our knowledge on the functions performed by the apelinergic system in human physiology and pathology. Then, and only then, will the apelin/APJ system be properly considered as a future therapeutic target.</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>Sources of Funding</bold>
      </p>
      <p>There were no external funding sources for this study.</p>
      <p>
        <bold>Study Association</bold>
      </p>
      <p>This study is not associated with any graduation program.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
