<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
      </publisher>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">3Pdd3VJQvc95zm6Csv5B85r</article-id>
      <article-id pub-id-type="other">00012</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2008000300012</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(08)09000312</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2008000300012</article-id>
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        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Artigo de Revis&#227;o</subject>
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        <article-title>Uso de levosimendana em diversos quadros de insufici&#234;ncia card&#237;aca aguda</article-title>
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        <institution content-type="orgname">Universit&#233; Paris Diderot-Paris 7</institution>
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        <country country="FR">France</country>
      </aff>
      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>03</month>
        <year>2008</year>
      </pub-date>
      <volume>90</volume>
      <issue>3</issue>
      <fpage>231</fpage>
      <lpage>235</lpage>
      <permissions>
        <license license-type="open-access" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/" xml:lang="en">
          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      </permissions>
      <abstract>
        <p>Nos pa&#237;ses em que &#233; comercializada, a administra&#231;&#227;o precoce de levosimendana deve ser considerada em pacientes que permanecem sintom&#225;ticos e com dispn&#233;ia em repouso apesar da terapia inicial, principalmente aqueles com hist&#243;ria de insufici&#234;ncia card&#237;aca cr&#244;nica ou em tratamento prolongado com betabloqueadores. Pacientes hipotensos ou com isquemia ativa n&#227;o s&#227;o os melhores candidatos para receber infus&#227;o de levosimendana e precisam, primeiro, ter esses problemas tratados.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Levosimendana</kwd>
        <kwd>baixo d&#233;bito card&#237;aco</kwd>
        <kwd>insufici&#234;ncia card&#237;aca congestiva</kwd>
        <kwd>beta-agonistas adren&#233;rgicos</kwd>
        <kwd>inibidores de fosfodiesterase</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>26</day>
        <month>03</month>
        <year>2008</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <p>
      <bold>ARTIGO DE REVIS&#195;O</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Uso de levosimendana em diversos quadros de insufici&#234;ncia card&#237;aca aguda</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Miguel Tavares, MD<sup>I</sup>; Ana Carolina Andrade, MD<sup>II</sup>; Alexandre Mebazaa, MD, PHD<sup>II</sup></bold>
    </p>
    <p><sup>I</sup>Department of Anesthesiology and Critical Care, Hospital Geral de Santo Ant&#243;nio, Porto - Portugal </p>
    <p><sup>II</sup>University Paris 7 Denis Diderot; Department of Anesthesiology and Critical Care Medicine, Lariboisi&#232;re Hospital, AP-HP, Paris - Fran&#231;a</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p>Nos pa&#237;ses em que &#233; comercializada, a administra&#231;&#227;o precoce de levosimendana deve ser considerada em pacientes que permanecem sintom&#225;ticos e com dispn&#233;ia em repouso apesar da terapia inicial, principalmente aqueles com hist&#243;ria de insufici&#234;ncia card&#237;aca cr&#244;nica ou em tratamento prolongado com betabloqueadores. Pacientes hipotensos ou com isquemia ativa n&#227;o s&#227;o os melhores candidatos para receber infus&#227;o de levosimendana e precisam, primeiro, ter esses problemas tratados.</p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> Levosimendana, baixo d&#233;bito card&#237;aco, insufici&#234;ncia card&#237;aca congestiva / terapia, beta-agonistas adren&#233;rgicos, inibidores de fosfodiesterase. </p>
    <p>S&#237;ndromes de insufici&#234;ncia card&#237;aca aguda (ICA) s&#227;o definidas como altera&#231;&#245;es graduais ou r&#225;pidas nos sinais e sintomas de insufici&#234;ncia card&#237;aca (IC) que exigem tratamento urgente<sup>1</sup>. Essa &#233; a principal causa de interna&#231;&#227;o hospitalar ap&#243;s os 65 anos de idade<sup>2</sup>. O n&#250;mero de hospitaliza&#231;&#245;es por IC cresce todos os anos, e representa 75% dos custos com a doen&#231;a<sup>3</sup>. O aumento na incid&#234;ncia de IC pode ser atribu&#237;do aos avan&#231;os alcan&#231;ados na abordagem terap&#234;utica do infarto agudo do mioc&#225;rdio (IAM), que est&#227;o aumentando a sobrevida dos pacientes com defici&#234;ncia card&#237;aca, e ao envelhecimento crescente da popula&#231;&#227;o.</p>
    <p>Essas s&#237;ndromes s&#227;o heterog&#234;neas e abrangem todo um espectro de pacientes com sintomas que podem ser predominantemente congestivos ou, no caso de doen&#231;a mais avan&#231;ada, relacionados com baixo d&#233;bito card&#237;aco (DC).</p>
    <p>Na &#250;ltima d&#233;cada houve maior interesse por ICA, pois reconheceu-se a necessidade de interven&#231;&#227;o precoce e estabiliza&#231;&#227;o do paciente para melhorar os sintomas, restaurar a oxigena&#231;&#227;o e a perfus&#227;o tecidual, evitar ou restringir les&#245;es renais e em outros &#243;rg&#227;os e dar in&#237;cio a terapias de longo prazo capazes de melhorar a evolu&#231;&#227;o da doen&#231;a<sup>4</sup>.</p>
    <p>Infelizmente, na aus&#234;ncia das etiologias de ICA que podem se beneficiar de um tratamento espec&#237;fico, tem sido dif&#237;cil aumentar a sobrevida do paciente, e a ICA ainda est&#225; associada com um p&#233;ssimo progn&#243;stico. Isso se aplica especialmente &#224; ICA com baixo d&#233;bito card&#237;aco, pois press&#227;o sist&#243;lica baixa no momento da interna&#231;&#227;o representa um importante preditor do desfecho cl&#237;nico<sup>5,6</sup>. O &#237;ndice de mortalidade em seis meses da ICA com baixo d&#233;bito card&#237;aco &#233; superior a 20%<sup>5-7</sup>.</p>
    <p>Os portadores de IC com press&#227;o sist&#243;lica normal ou baixa geralmente t&#234;m menor fra&#231;&#227;o de eje&#231;&#227;o do ventr&#237;culo esquerdo e sinais freq&#252;entes de hipoperfus&#227;o. Esses pacientes, que muitas vezes se apresentam com hiponatremia, baixa temperatura perif&#233;rica, insufici&#234;ncia renal e intoler&#226;ncia a vasodilatadores, s&#227;o os que t&#234;m mais chance de receber inotr&#243;picos por falta de uma alternativa terap&#234;utica e tamb&#233;m a maior taxa de mortalidade hospitalar entre os portadores de ICA. Os inotr&#243;picos ou inodilatadores tradicionais, como agonistas beta-adren&#233;rgicos e inibidores da fosfodiesterase (PDE), reduzem as press&#245;es de enchimento e aumentam do d&#233;bito card&#237;aco (DC), melhorando os par&#226;metros hemodin&#226;micos e os sintomas do paciente. No entanto, na literatura especializada esses agentes t&#234;m sido sistematicamente associados com maior mortalidade, qualquer que seja a dose empregada<sup>8-10</sup>. Eles exercem uma a&#231;&#227;o inotr&#243;pica positiva principalmente ao aumentar as concentra&#231;&#245;es intracelulares de adenosina-monofosfato c&#237;clico (AMPc) e c&#225;lcio nas c&#233;lulas mioc&#225;rdicas, mas em caso de IC grave o uso desses medicamentos pode ser limitado por aumentarem a freq&#252;&#234;ncia card&#237;aca, estimularem a ocorr&#234;ncia de arritmia e terem seu efeito reduzido devido &#224; dessensibiliza&#231;&#227;o beta-adren&#233;rgica.</p>
    <p>Em vista das limita&#231;&#245;es do uso de altas doses de diur&#233;ticos e vasodilatadores nesses pacientes, foram introduzidas diversas novas interven&#231;&#245;es farmacol&#243;gicas e n&#227;o-farmacol&#243;gicas. Outras, voltadas para o tratamento de congest&#227;o pulmonar e sist&#234;mica e a restaura&#231;&#227;o do d&#233;bito card&#237;aco em portadores de ICA, ainda est&#227;o em desenvolvimento ou em fase pr&#233;-cl&#237;nica de pesquisa<sup>11</sup>.</p>
    <p>A levosimendana, o mais estudado sensibilizador de c&#225;lcio lan&#231;ado em diversos pa&#237;ses para tratamento de insufici&#234;ncia card&#237;aca aguda descompensada (ICAD), tem efeitos inotr&#243;picos e vasodilatadores. Ao contr&#225;rio dos inodilatadores cl&#225;ssicos, a levosimendana aumenta a efici&#234;ncia mioc&#225;rdica sem aumentar a demanda mioc&#225;rdica de oxig&#234;nio, tem propriedades anti-hibernantes, aumenta o fluxo sang&#252;&#237;neo coronariano e n&#227;o tem efeitos lusitr&#243;picos negativos<sup>12</sup>. V&#225;rios estudos revelaram benef&#237;cios cl&#237;nicos significativos, como redu&#231;&#227;o da congest&#227;o e aumento do d&#233;bito card&#237;aco, embora um estudo cl&#237;nico recente de grande porte n&#227;o tenha confirmado o benef&#237;cio de sobrevida a longo prazo. A Sociedade Europ&#233;ia de Cardiologia indica o uso desse medicamento em portadores de ICA para tratamento de insufici&#234;ncia card&#237;aca com baixo d&#233;bito card&#237;aco secund&#225;ria &#224; disfun&#231;&#227;o sist&#243;lica e sem hipotens&#227;o grave<sup>13</sup>.</p>
    <p>Neste estudo, analisaremos o uso de levosimendana em diversos quadros de insufici&#234;ncia card&#237;aca aguda.</p>
    <p>
      <bold>Farmacologia e mecanismos de a&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>O nome qu&#237;mico da levosimendana &#233; [(R)-[[4-(1,4,5,6-tetraidro- 4-metil-6-oxo-3-piridazinil)-fenil] hidrazono] propanedinitrilo. O medicamento &#233; um is&#244;mero lev&#243;giro da simendana rac&#234;mica, um derivado dinitrilo-piridazin&#244;nico. A simendana &#233; um composto rac&#234;mico formado por dois enanti&#244;meros: dextrosimendana e levosimendana.</p>
    <p>A levosimendana pertence ao chamado grupo de "sensibilizadores de c&#225;lcio", que abrange v&#225;rias outras subst&#226;ncias capazes de aumentar a sensibilidade dos miofilamentos ao c&#225;lcio, produzindo maior contratilidade mioc&#225;rdica sem eleva&#231;&#227;o da concentra&#231;&#227;o intracelular de adenosina-monofosfato c&#237;clico ou c&#225;lcio, possivelmente com alguns efeitos inibidores da fosfodiesterase. Esse conceito parece estar associado com menor n&#250;mero de efeitos adversos, menor potencial arritmog&#234;nico e um efeito favor&#225;vel sobre o consumo de oxig&#234;nio pelo mioc&#225;rdio, comparado aos inotr&#243;picos e inodilatadores tradicionais.</p>
    <p>A levosimendana apresenta liga&#231;&#227;o dependente do c&#225;lcio ao dom&#237;nio aminoterminal da troponina C card&#237;aca (TnC), exibindo maior afinidade quando a concentra&#231;&#227;o de c&#225;lcio est&#225; alta e menor afinidade quando a concentra&#231;&#227;o de c&#225;lcio est&#225; baixa<sup>14</sup>. Ao estabilizar o complexo c&#225;lcio-TnC, a levosimendana inibe o efeito da troponina I (TnI) e prolonga a forma&#231;&#227;o de pontes cruzadas entre os filamentos de actina e miosina. Esse efeito inotr&#243;pico positivo &#233; obtido sem aumento da concentra&#231;&#227;o intracelular de c&#225;lcio nem aumento significativo da demanda mioc&#225;rdica de oxig&#234;nio, como ocorre com outros inotr&#243;picos<sup>15-17</sup>.</p>
    <p>Os efeitos ben&#233;ficos da levosimendana tamb&#233;m est&#227;o relacionados com seus efeitos vasodilatadores sobre as art&#233;rias sist&#234;micas<sup>18,19</sup>, coron&#225;rias<sup>20,22</sup>, pulmonares<sup>23</sup>, renais<sup>19</sup>, espl&#234;nicas<sup>19</sup> e cerebrais<sup>19</sup> e sobre as veias sist&#234;micas<sup>18,24,25</sup> e portais<sup>26</sup>. Esse efeito &#233; mediado pela abertura dos canais de pot&#225;ssio sens&#237;veis &#224; adenosina-trifosfato nas c&#233;lulas da musculatura lisa<sup>27</sup> das art&#233;rias de baixa resist&#234;ncia e pela abertura dos canais de pot&#225;ssio ativados pelo c&#225;lcio e canais de pot&#225;ssio sens&#237;veis &#224; voltagem em vasos de grande condut&#226;ncia<sup>28,29</sup>. A hiperpolariza&#231;&#227;o da membrana induzida pelos canais abertos de pot&#225;ssio inibe a entrada de c&#225;lcio e ativa a troca entre s&#243;dio e c&#225;lcio, diminuindo o c&#225;lcio intracelular e induzindo vasodilata&#231;&#227;o.</p>
    <p>Essa redu&#231;&#227;o induzida na p&#243;s-carga ventricular direita e esquerda parece ser ben&#233;fica para o cora&#231;&#227;o de pacientes com insufici&#234;ncia card&#237;aca<sup>30,31</sup>.</p>
    <p>A meia-vida da levosimendana gira em torno de 1,3 horas<sup>32</sup>. O medicamento &#233; metabolizado no f&#237;gado, formando dois metab&#243;litos ativos, OR-1855 e OR-1896, que t&#234;m uma meia-vida longa de 75 a 78 horas, s&#227;o excretados pelos rins e prolongam a dura&#231;&#227;o dos efeitos hemodin&#226;micos do f&#225;rmaco original<sup>32,33</sup>. Essa meia-vida longa &#233; acentuadamente maior em pacientes com insufici&#234;ncia renal cr&#244;nica grave ou doen&#231;a renal terminal sob di&#225;lise, em compara&#231;&#227;o com indiv&#237;duos saud&#225;veis<sup>34</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Estudos cl&#237;nicos</bold>
    </p>
    <p>
      <italic>Insufici&#234;ncia card&#237;aca aguda</italic>
    </p>
    <p>V&#225;rios estudos cl&#237;nicos demonstraram o efeito ben&#233;fico da levosimendana sobre os sinais cl&#237;nicos e hemodin&#226;micos de curto prazo em portadores de ICA. Kivikko e colegas relataram<sup>35</sup> aumento de 40 % no d&#233;bito card&#237;aco e de 30 % na press&#227;o capilar pulmonar (PCP) 24 horas ap&#243;s a infus&#227;o do medicamento em pacientes com classe funcional III e IV de insufici&#234;ncia card&#237;aca. O estudo duplo-cego LIDO (Levosimendan Infusion versus Dobutamine) comparou os efeitos da levosimendana com os da dobutamina em 203 pacientes com IC e baixo d&#233;bito card&#237;aco durante 24 horas<sup>36</sup>. Vinte e oito por cento dos pacientes do grupo de levosimendana e 15% dos pacientes do grupo de dobutamina (p=0.022) atingiram o desfecho prim&#225;rio de melhora dos par&#226;metros hemodin&#226;micos (aumento de pelo menos 30 % no d&#233;bito card&#237;aco e redu&#231;&#227;o de pelo menos 25% na press&#227;o capilar pulmonar. &#201; interessante observar que a an&#225;lise de subgrupo revelou que o uso de betabloqueadores aumentou os efeitos hemodin&#226;micos da levosimendana, mas reduziu os efeitos hemodin&#226;micos da dobutamina. Nesse estudo, o tratamento com levosimendana tamb&#233;m foi associado com redu&#231;&#227;o significativa da taxa de mortalidade<sup>37</sup>. No 31&#186; dia, a mortalidade por todas as causas foi significantemente menor com a levosimendana do que com a dobutamina (raz&#227;o de risco 0,43 [IC 95% 0,18-1,00] <italic>p</italic> = 0,049). Os pacientes tamb&#233;m foram acompanhados retrospectivamente durante 180 dias, e essa an&#225;lise revelou que 26% dos pacientes do grupo de levosimendana morreram, comparado com 38% dos pacientes do grupo de dobutamina (raz&#227;o de risco 0,57 [IC 95% 0,34-0,95] <italic>p</italic> = 0,029).</p>
    <p>Vale ressaltar que, no estudo LIDO, os efeitos inodilatadores da levosimendana foram acentuados pelo uso concomitante de agentes betabloqueadores. No estudo REVIVE (<italic>Randomized Multicenter Evaluation of Intravenous Levosimendan Efficacy</italic>), a levosimendana diminuiu os sinais e sintomas cl&#237;nicos de IC descompensada aguda em um prazo de cinco dias, conforme avalia&#231;&#227;o dos pr&#243;prios pacientes e dos m&#233;dicos<sup>7</sup>. No estudo SURVIVE (<italic>Survival Of Patients With Acute Heart Failure In Need Of Intravenous Inotropic Suppor</italic>t), foi observada uma diferen&#231;a estatisticamente significante logo nos primeiros cinco dias, sobretudo em pacientes em tratamento cr&#244;nico com betabloqueador, mas n&#227;o em rela&#231;&#227;o &#224; sobrevida em 180 dias<sup>7</sup>.</p>
    <p>Em portadores de IC cr&#244;nica avan&#231;ada &#224; espera de transplante card&#237;aco, a levosimendana melhora a fun&#231;&#227;o renal por um per&#237;odo de tr&#234;s meses ap&#243;s a administra&#231;&#227;o do medicamento<sup>38</sup>.</p>
    <p>Ap&#243;s interven&#231;&#227;o coron&#225;ria percut&#226;nea ou cirurgia de revasculariza&#231;&#227;o mioc&#225;rdica</p>
    <p>A levosimendana aumenta o fluxo sang&#252;&#237;neo coronariano<sup>20,39-46</sup>, diminui a extra&#231;&#227;o mioc&#225;rdica de oxig&#234;nio<sup>20</sup> e melhora o desempenho do mioc&#225;rdio isqu&#234;mico<sup>20,39,40,42-46</sup>. Esses efeitos foram demonstrados primeiro em animais<sup>39-41,46</sup> e seres humanos saud&#225;veis<sup>20</sup>. Mais tarde, por&#233;m, foram demonstrados em portadores de IC congestiva<sup>17</sup>, IAM<sup>43</sup> e ap&#243;s interven&#231;&#227;o coron&#225;ria percut&#226;nea (ICP) em pacientes com IAM e disfun&#231;&#227;o ventricular esquerda<sup>42</sup>, melhorando a fun&#231;&#227;o diast&#243;lica do ventr&#237;culo esquerdo do mioc&#225;rdio atordoado desses pacientes<sup>47</sup>.</p>
    <p>Em pacientes submetidos &#224; cirurgia de revasculariza&#231;&#227;o mioc&#225;rdica (CRM) programada, a levosimendana aumenta o d&#233;bito card&#237;aco e o volume sist&#243;lico e diminui a resist&#234;ncia vascular sist&#234;mica sem aumentar o consumo de oxig&#234;nio pelo mioc&#225;rdio nem provocar a deteriora&#231;&#227;o da utiliza&#231;&#227;o do substrato mioc&#225;rdico<sup>44</sup>.</p>
    <p>
      <italic>Insufici&#234;ncia card&#237;aca diast&#243;lica</italic>
    </p>
    <p>Em estudos pr&#233;-cl&#237;nicos realizados em animais e seres humanos, a levosimendana melhorou a fun&#231;&#227;o diast&#243;lica, e seu efeito inotr&#243;pico est&#225; associado com maior taxa de relaxamento e menor tempo de relaxamento, melhorando, assim, o enchimento diast&#243;lico<sup>48-51</sup>.</p>
    <p>Em portadores de IC grave com enchimento ventricular esquerdo restritivo determinado por ecocardiografia Doppler de onda pulsada do fluxo mitral e cateteriza&#231;&#227;o simult&#226;nea da art&#233;ria pulmonar, a levosimendana melhorou as fun&#231;&#245;es sist&#243;lica e diast&#243;lica, aumentando o enchimento do ventr&#237;culo esquerdo, o volume sist&#243;lico (-24% &#177; 9) e o d&#233;bito card&#237;aco (29% &#177; 14), ao mesmo tempo em que diminuiu a PCP (-29% &#177; 6). As mudan&#231;as percentuais na rela&#231;&#227;o entre a velocidade m&#225;xima do fluxo transmitral no in&#237;cio e no final da di&#225;stole (E/A), bem como no tempo de relaxamento isovolum&#233;trico, foram preditores independentes do aumento no d&#233;bito card&#237;aco nessa s&#233;rie<sup>52</sup>.</p>
    <p>
      <italic>Cardiomiopatia periparto</italic>
    </p>
    <p>&#201; sempre dif&#237;cil usar novos medicamentos em pacientes com doen&#231;as raras, e existem apenas alguns relatos isolados sobre o uso bem-sucedido de levosimendana em portadoras de cardiomiopatia periparto<sup>53-55</sup>. ICA &#233; um evento potencialmente fatal que raramente ocorre durante ou ap&#243;s o parto. Nesses casos publicados de pacientes com grave epis&#243;dio de ICA, a levosimendana melhorou o desempenho mioc&#225;rdico, promovendo al&#237;vio sintom&#225;tico e hemodin&#226;mico ou melhora ecocardiogr&#225;fica na fun&#231;&#227;o ventricular. A levosimendana induziu uma redu&#231;&#227;o gradual da PCP aumentada, seguida por aumento definitivo no volume sist&#243;lico e pela recupera&#231;&#227;o da paciente.</p>
    <p>
      <italic>Insufici&#234;ncia card&#237;aca do ventr&#237;culo direito e choque cardiog&#234;nico</italic>
    </p>
    <p>A levosimendana tem sido empregada tamb&#233;m para restaurar a fun&#231;&#227;o ventricular direita ou esquerda de pacientes submetidos &#224; cirurgia card&#237;aca<sup>56</sup> e pacientes com choque cardiog&#234;nico resistente ao tratamento por fal&#234;ncia do enxerto ap&#243;s transplante card&#237;aco<sup>57,58</sup>.</p>
    <p>Em pacientes com s&#237;ndrome de baixo d&#233;bito card&#237;aco durante ou ap&#243;s cirurgia card&#237;aca a c&#233;u aberto, embora o uso de levosimendana melhore o estado hemodin&#226;mico e funcional dos dois grupos de pacientes, ela est&#225; associada com maior sobrevida e menor tempo de UTI e hospitaliza&#231;&#227;o quando iniciada precocemente ainda no centro cir&#250;rgico, e n&#227;o depois, em pacientes que dependem do suporte de inotr&#243;picos cl&#225;ssicos e bal&#227;o intra-a&#243;rtico (BIA)<sup>59</sup>.</p>
    <p>Em portadores de s&#237;ndrome da ang&#250;stia respirat&#243;ria aguda (SARA), hipertens&#227;o pulmonar e disfun&#231;&#227;o ventricular direita foram associadas com desfechos ruins<sup>60-62</sup>. Em um estudo cl&#237;nico piloto, prospectivo, randomizado e controlado com placebo de pacientes com choque s&#233;ptico que necessitavam de suporte respirat&#243;rio mec&#226;nico em decorr&#234;ncia de SARA, a levosimendana diminuiu a press&#227;o m&#233;dia da art&#233;ria pulmonar, o &#237;ndice de resist&#234;ncia vascular pulmonar e o volume sist&#243;lico final do ventr&#237;culo direito, aumentando o d&#233;bito card&#237;aco, a fra&#231;&#227;o de eje&#231;&#227;o do ventr&#237;culo direito e a satura&#231;&#227;o de oxig&#234;nio venoso misto<sup>30</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Uso terap&#234;utico</bold>
    </p>
    <p>O tratamento com levosimendana geralmente &#233; iniciado com uma dose de ataque em bolus de 3 a 6 mcg/kg administrada durante dez minutos seguida por infus&#227;o cont&#237;nua durante 24 horas de 0,05 a 0,2 mcg/kg por minuto. No caso de paciente hipotenso, deve-se pular a dose de ataque ou associ&#225;-la a uma dose baixa de norepinefrina. Se n&#227;o houver sinais de resposta vol&#234;mica, deve-se considerar a possibilidade de uma administra&#231;&#227;o cuidadosa e devidamente monitorada de l&#237;quido. A maioria dos pacientes apresenta melhora da fun&#231;&#227;o hemodin&#226;mica durante as 24 horas seguintes, caracterizada por aumento acentuado da diurese e redu&#231;&#227;o significativa da PCP. Esse efeito diur&#233;tico muitas vezes provoca um desequil&#237;brio eletrol&#237;tico, que foi associado com arritmia. Deve-se considerar a administra&#231;&#227;o profil&#225;tica de magn&#233;sio e pot&#225;ssio para evitar hipopotassemia e arritmia, a menos que haja alguma contra-indica&#231;&#227;o, como insufici&#234;ncia renal.</p>
    <p>Como um poderoso vasodilatador, a levosimendana pode ser um medicamento nocivo. Embora esse medicamento esteja associado com pouca demanda mioc&#225;rdica de oxig&#234;nio, em pacientes com isquemia ativa ou coronariopatia obstrutiva a levosimendana induziu hipotens&#227;o, principalmente em pacientes hipovol&#234;micos, podendo causar taquicardia, agravar a isquemia e aumentar a les&#227;o mioc&#225;rdica, piorando o progn&#243;stico a longo prazo. Pacientes hipotensos ou com isquemia ativa n&#227;o s&#227;o os melhores candidatos &#224; administra&#231;&#227;o de levosimendana. Primeiro, &#233; preciso que esses problemas sejam tratados.</p>
    <p>
      <bold>Resumo</bold>
    </p>
    <p>Em pacientes que permanecem sintom&#225;ticos e com dispn&#233;ia em repouso apesar da terapia inicial, principalmente aqueles com hist&#243;ria de IC cr&#244;nica ou em tratamento cr&#244;nico com betabloqueadores, deve-se considerar a infus&#227;o precoce de levosimendana<sup>63</sup>. Pacientes hipotensos ou com isquemia ativa n&#227;o s&#227;o os melhores candidatos &#224; administra&#231;&#227;o de levosimendana. Primeiro, &#233; preciso que esses problemas sejam tratados.</p>
    <p>
      <fn id="back" fn-type="corresp">
        <p>Correspond&#234;ncia:</p>
        <p> Alexandre Mebazaa </p>
        <p> 2, Rue Ambroise Par&#233;, 75010 </p>
        <p> Paris - Fran&#231;a </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="alexandre.mebazaa@lrb.aphp.fr">alexandre.mebazaa@lrb.aphp.fr</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>
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          <date>
            <year>1998</year>
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          <fpage>1018</fpage>
          <lpage>28</lpage>
          <volume>24</volume>
          <person-group person-group-type="author">
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              <surname>Squara</surname>
              <given-names>P</given-names>
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          </person-group>
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      </ref>
      <ref id="B63">
        <mixed-citation>63. Follath F,    Franco F, Cardoso JS. European experience on the practical use of levosimendan    in patients with acute heart failure syndromes. Am J Cardiol. 2005; 96: 80G-85G.</mixed-citation>
        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>European experience on the practical use of levosimendan in patients with acute heart failure syndromes</article-title>
          <source>Am J Cardiol</source>
          <date>
            <year>2005</year>
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          <fpage>80G</fpage>
          <lpage>85G</lpage>
          <volume>96</volume>
          <person-group person-group-type="author">
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          </person-group>
        </element-citation>
      </ref>
    </ref-list>
  </back>
  <sub-article article-type="translation" id="TRen" xml:lang="en">
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      <article-categories>
        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Review Article</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Levosimendan use in several scenarios of acute heart failure</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>In countries where it is available, early levosimendan infusion can be considered for patients who remain symptomatic with dyspnea at rest despite initial therapy, particularly those with a history of chronic heart failure or chronically treated with beta-blockers. Hypotensive patients or patients with active ischemia are not the best candidates for levosimendan administration and should have these problems addressed first.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Levisimendan</kwd>
        <kwd>inotropes</kwd>
        <kwd>inodilators</kwd>
        <kwd>acute heart failure therapy</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>REVIEW ARTICLE</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Levosimendan use in several scenarios of Acute Heart Failure</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Miguel Tavares, MD<sup>I</sup>; Ana Carolina Andrade, MD<sup>II</sup>; Alexandre Mebazaa, MD, PHD<sup>II</sup></bold>
      </p>
      <p><sup>I</sup>Department of Anesthesiology and Critical Care, Hospital Geral de Santo Ant&#243;nio, Porto &#150; Portugal</p>
      <p><sup>II</sup>University Paris 7 Denis Diderot; Department of Anesthesiology and Critical Care Medicine, Lariboisi&#232;re Hospital, AP-HP, Paris &#150; France</p>
      <p>
        <xref ref-type="corresp" rid="back-body2">Mailing address</xref>
      </p>
      <p>
        <bold>SUMMARY</bold>
      </p>
      <p>In countries where it is available, early levosimendan infusion can be considered for patients who remain symptomatic with dyspnea at rest despite initial therapy, particularly those with a history of chronic heart failure or chronically treated with beta-blockers. Hypotensive patients or patients with active ischemia are not the best candidates for levosimendan administration and should have these problems addressed first.</p>
      <p><bold>Key words:</bold> Levisimendan, inotropes, inodilators, acute heart failure therapy.</p>
      <p>Acute heart failure (AHF) syndromes are defined as gradual or rapid change in signs and symptoms of heart failure (HF) requiring urgent therapy<sup>1</sup>. This is the most common reason for hospital admission among patients above 65 years of age<sup>2</sup>. HF hospitalizations continue to increase each year and account for 75% of hospital costs<sup>3</sup>. HF incidence continues to increase because of several therapeutic advances in the management of acute myocardial infarction (AMI), which are leading to improved survival in patients with impaired cardiac function, and also due to an increasingly aging population.</p>
      <p>These syndromes are heterogeneous, encompassing an entire spectrum of patients where symptoms may be predominantly congestive, or in more advanced disease, related to low cardiac output (CO).</p>
      <p>The past decade witnessed an increased interest in AHF because the need for early intervention and patient stabilization was recognized to improve symptoms; restore oxygenation and organ perfusion; avoid or limit cardiac, renal and other organ damage; and initiate long-term therapies that may improve outcome<sup>4</sup>.</p>
      <p>Unfortunately, in the absence of knowledge about causes of AHF that may benefit from specific treatment, improving patient survival has been difficult, and AHF continues to carry an ominous prognosis. This is particularly true for AHF with low CO, where low systolic blood pressure at admission has been shown to be a major outcome determinant<sup>5,6</sup> and where mortality is above 20% at 6 months.<sup>5,7</sup></p>
      <p>HF patients with normal or low systolic blood pressure usually have a lower left ventricular ejection fraction and frequent signs of organ hypoperfusion. These patients, who often present with hyponatremia, low peripheral temperature, renal failure, and vasodilator intolerance, are more likely to receive inotropes for lack of an alternative therapeutic option, and have the highest in-hospital mortality rate among AHF patients. Usual inotropes or inodilators like beta-adrenergic agonists and phosphodiesterase (PDE) inhibitors acutely lower filling pressures and enhance CO, improving hemodynamics and symptoms. According to an increasing number of reports in the literature<sup>8-10</sup>, these agents, however, have been consistently associated with a detrimental effect on survival rates, regardless of the dosage used. They exert a positive inotropic action primarily by increasing cyclic adenosine monophosphate (cAMP) and intracellular calcium concentration in cardiac myocytes, but in severe HF their use may be limited by heart rate increase, arrhythmia stimulation, and by a reduced effect due to beta-adrenergic desensitization.</p>
      <p>Given the limitations of high-dose diuretic and vasodilator use in these patients, several new pharmacologic and nonpharmacologic interventions have been introduced, while others are under development or in preclinical investigation for treatment of pulmonary and systemic congestion and restoration of CO in the setting of AHF<sup>11</sup>.</p>
      <p>Among these, levosimendan, the most studied calcium sensitizer, introduced in several countries for treatment of acutely decompensated HF, has both inotropic and vasodilatory effects. It differs from classic inodilators because of its ability to improve myocardial efficiency without increasing myocardial oxygen demand, its antistunning properties, its effects on coronary blood flow, and its lack of negative lusitropic effects<sup>12</sup>. Several studies have shown significant benefit in decreasing congestion, improving CO, and clinical outcome, although a recent large trial failed to confirm long-term survival benefit. The European Society of Cardiology indicates the use of levosimendan in AHF patients to treat symptomatic low cardiac output heart failure secondary to cardiac systolic dysfunction without severe hypotension<sup>13</sup>.</p>
      <p>In this paper, we intend to review its use in several clinical scenarios of acute heart failure.</p>
      <p>
        <bold>Pharmacology and Mechanism of Action</bold>
      </p>
      <p>Its chemical name is [(<italic>R</italic>)-[[4-(1,4,5,6-tetrahydro-4-methyl-6-oxo-3-pyridazinyl)-phenyl] hydrazono] propanedinitrile]. The drug is a levo-isomer of racemic simendan, a pyridazinone-dinitrile derivative. Simendan is a racemic compound made of 2 enantiomers: dextrosimendan and levosimendan.</p>
      <p>Levosimendan belongs to the so-called group of "calcium sensitizers" that includes several other substances that share the ability of increasing sensitivity of myofilaments to calcium, leading to increased myocardial contraction without increasing intracellular cyclic adenosine monophosphate or intracellular calcium concentration, possibly with some PDE inhibitory effects. This concept seems to be associated with fewer adverse effects, lower arrhythmogenic potential, and a favorable effect on myocardial oxygen consumption compared with traditional inotropes or inodilators.</p>
      <p>Levosimendan displays calcium-dependent binding to the N-terminal domain of cardiac troponin C (TnC) with a higher affinity at high calcium concentrations and a lower affinity at low calcium concentrations<sup>14</sup>. By stabilizing the calcium-TnC complex, levosimendan inhibits the troponin I (TnI) effect and prolongs the actin-myosin cross-bridge association rate. This positive inotropic effect is obtained without increasing intracellular calcium concentration or with a significant increase in myocardial oxygen demand, usually seen with other inotropes<sup>15-17</sup>.</p>
      <p>Beneficial effects of levosimendan are also related to its vasodilatory effects of systemic<sup>18,19</sup>, coronary<sup>20-22</sup>, pulmonary<sup>23</sup>, renal<sup>19</sup>, splanchnic<sup>19</sup>, and cerebral arteries<sup>19</sup>, and of systemic<sup>18,24,25</sup> and portal veins.<sup>26</sup> This effect is mediated by an adenosine tri-phosphate- (ATP) dependent potassium channel-opening effect in an ATP-dependent manner in arterial smooth muscle cells<sup>27</sup> of the small-resistance arteries and by a calcium-activated potassium and voltage-dependent potassium channel-opening effect in large conductance vessels<sup>28,29</sup>. Membrane hyperpolarization induced by the open potassium channels inhibits calcium entry and activates sodium-calcium exchange, decreasing intracellular calcium and inducing vasodilatation.</p>
      <p>This induced decrease in right and left ventricular afterload seems to be beneficial in failing hearts<sup>30,31</sup>.</p>
      <p>Levosimendan has about a 1.3-hour half-life<sup>32</sup>. The drug is metabolized by the liver and has 2 active metabolites, OR-1855 and OR-1896, with a long half-life, 75-78 hours, which are excreted by the kidney and prolong the duration of the hemodynamic effects of their parent compound<sup>32,33</sup>. This long half-life is markedly increased in patients with severe chronic renal failure or end-stage renal disease who are undergoing hemodialysis as compared with healthy subjects<sup>34</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Clinical Studies</bold>
      </p>
      <p>
        <italic>Acute Heart Failure</italic>
      </p>
      <p>Several clinical trials have shown the beneficial effect of levosimendan on short-term hemodynamic and clinical signs in patients with AHF. Kivikko et al reported<sup>35</sup> a 40% increase in CO and 30% decrease in pulmonary capillary wedge pressure (PCWP) after 24-hour infusion in class III-IV HF patients. The Levosimendan Infusion versus DObutamine (LIDO) study enrolled 203 patients with severe low-output HF and compared the effects of levosimendan with those of dobutamine in a double-blind fashion over 24 hours<sup>36</sup>. The primary end point of hemodynamic improvement (an increase of 30% or more in CO, and a decrease of 25% or more in PCWP) was achieved by 28% of the levosimendan patients and 15% of the dobutamine patients (p = 0.022). Interestingly, a subgroup analysis demonstrated that the use of beta-blockers enhanced the hemodynamic effects of levosimendan but reduced the hemodynamic effects of dobutamine. In this study, levosimendan treatment was also associated with a significant decrease in mortality.<sup>37</sup> At 31 days, all-cause mortality was significantly lower with levosimendan compared with dobutamine [hazard ratio 0.43 (95% CI 0.18-1.00) p=0.049]. The patients were also followed retrospectively for 180 days, and this analysis revealed that 26% of the levosimendan patients had died compared with 38% in the dobutamine group [hazard ratio 0.57 (95% CI 0.34-0.95) p = 0.029].</p>
      <p>Importantly, the inodilatory effects of levosimendan were accentuated by concomitant use of beta-blocking agents in the LIDO study. In the Randomized Multicenter Evaluation of Intravenous Levosimendan Efficacy (REVIVE) trial, levosimendan significantly improved a composite of clinical signs and symptoms of acute decompensated HF over 5 days as assessed by patients and their physicians<sup>7</sup>. In the Survival Of Patients With Acute Heart Failure In Need Of Intravenous Inotropic Support (SURVIVE) study, a statistically significant difference was seen early during the first 5 days, especially in patients chronically treated with a beta-blocker, but it was not evident in 180-day survival<sup>7</sup>.</p>
      <p>In advanced chronic HF patients awaiting cardiac transplantation, levosimendan improves renal function during the 3 months that follow drug administration.<sup>38</sup></p>
      <p>
        <italic>After Percutaneous Coronary Intervention or after Coronary Artery Bypass Grafting</italic>
      </p>
      <p>Levosimendan improves coronary blood flow,<sup>20,39-46</sup> decreases myocardial oxygen extraction,<sup>20</sup> and improves ischemic myocardium performance<sup>20,39,40, 42-46</sup>. This was first shown in animals<sup>39-41,46</sup> and healthy humans<sup>20</sup> but was later shown in patients with congestive HF,<sup>17</sup> AMI,<sup>43</sup> and after percutaneous coronary intervention (PCI) of AMI patients with LV dysfunction,<sup>42</sup> improving the left ventricular diastolic function of stunned myocardium in these patients<sup>47</sup>.</p>
      <p>In patients undergoing elective coronary artery bypass grafting (CABG), levosimendan increases CO and stroke volume and decreases systemic vascular resistance without increasing myocardial oxygen consumption or causing myocardial substrate utilization to deteriorate<sup>44</sup>.</p>
      <p>
        <italic>Diastolic Heart Failure</italic>
      </p>
      <p>In animal and human preclinical studies, levosimendan has been shown to improve diastolic function, and its inotropic effect is associated with an increased rate of relaxation and reduced relaxation time, thus improving diastolic filling<sup>48-51</sup>.</p>
      <p>In severe HF patients with restrictive left ventricular filling assessed both by pulsed-wave Doppler echocardiography of the mitral flow and simultaneous pulmonary artery catheterization, levosimendan improved both systolic and diastolic function increasing left ventricular filling, stroke volume (-24% &#177; 9) and CO (29% &#177; 14) while decreasing PCWP (-29% &#177; 6). The percentage changes of the early/late transmitral diastolic peak flow velocity (E/A) ratio and the percentage changes of the isovolumetric relaxation time were independent predictors of the increase in CO in this series<sup>52</sup>.</p>
      <p>
        <italic>Peripartum Cardiomyopathy</italic>
      </p>
      <p>Using new drugs in patients with rare diseases is always difficult, and only a few anecdotal reports are available describing the successful use of levosimendan in peripartum cardiomyopathy patients<sup>53-55</sup>. AHF is a life-threatening event that rarely occurs during or after childbirth. In these published reports, in patients with a severe episode of AHF, levosimendan improved cardiac performance that was associated both with symptomatic relief and hemodynamic or echocardiographic improvement in ventricular function. Levosimendan induced a steady decline of increased PCWP, followed by a definitive increase in cardiac stroke volume and patient recovery.</p>
      <p>
        <italic>Right Heart Failure and Cardiogenic Shock</italic>
      </p>
      <p>Levosimendan has also been used to restore right or left ventricular function in patients after cardiac surgery<sup>56</sup> and in unresponsive cardiogenic shock patients after heart transplantation primary graft failure<sup>57,58</sup>.</p>
      <p>In patients with low-output syndrome during or after open-heart surgery, although levosimendan use improves the hemodynamic and functional status of both groups of patients, it may be associated with increased survival and shorter ICU and hospital stay if started early, in the operating theater, instead of later, when patients are dependent on classical inotropic support and IABP<sup>59</sup>.</p>
      <p>In patients with acute respiratory distress syndrome (ARDS), pulmonary hypertension and right ventricular dysfunction have been associated with poor outcomes.<sup>60-62</sup> In a prospective, randomized, placebo-controlled, pilot study, of septic shock patients requiring mechanical respiratory support due to ARDS, levosimendan was shown to decrease mean pulmonary artery pressure, pulmonary vascular resistance index and right ventricular end-systolic volume, increasing CO, right ventricular ejection fraction, and mixed venous oxygen saturation<sup>30</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Therapeutic Use</bold>
      </p>
      <p>Treatment with levosimendan is usually initiated with a 10 minute loading bolus of 3 to 6 mcg/kg followed by a 24-hour continuous infusion of 0.05 to 0.2 mcg/kg per min. If the patient has hypotension, one should either skip the loading dose or associate norepinephrine in low doses. If there are signs of volume responsiveness, cautious fluid administration under adequate monitoring should be considered. Most patients show improvement in hemodynamic function during the next 24 hours, usually heralded by a marked increase in urinary output and a significant decrease in PCWP. This diuretic effect is often the cause of electrolyte imbalance that has been associated with arrhythmia. Pre-emptive magnesium and potassium administration should be considered to prevent hypokalemia and arrhythmia unless there is a contraindication such as renal failure.</p>
      <p>As a powerful vasodilator, levosimendan may be a harmful drug. Although this drug exerts little influence on myocardial oxygen demand per se, in patients with active ischemia or obstructive coronary artery disease, levosimendan induced hypotension, especially in the hypovolemic patient, may precipitate tachycardia, aggravate ischemia, and increase myocardial damage, worsening long-term prognosis. Hypotensive patients or patients with active ischemia are not the best candidates for levosimendan administration and should have these problems addressed first. </p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="back-body2" fn-type="corresp">
          <p>Mailing address:</p>
          <p> Alexandre Mebazaa</p>
          <p> 2, Rue Ambroise Par&#233;</p>
          <p> 75010, Paris - France</p>
          <p> E-mail: </p>
          <p>
            <email xlink:href="alexandre.mebazaa@lrb.aphp.fr">alexandre.mebazaa@lrb.aphp.fr</email>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-90-03-0231-00012-e01-en.jpg"/></p>
    </body>
  </sub-article>
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