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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
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        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">XHdqY8vQT5kj9bFxcyQtPzr</article-id>
      <article-id pub-id-type="other">00009</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2007001700009</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(07)08900509</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2007001700009</article-id>
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        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Artigos Originais</subject>
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        <article-title>Exposi&#231;&#227;o ao tabagismo e atitudes: compara&#231;&#227;o entre inqu&#233;ritos realizados na popula&#231;&#227;o adulta do munic&#237;pio de S&#227;o Paulo em 1987 e 2002</article-title>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>11</month>
        <year>2007</year>
      </pub-date>
      <volume>89</volume>
      <issue>5</issue>
      <fpage>333</fpage>
      <lpage>340</lpage>
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          <day>11</day>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      </permissions>
      <abstract>
        <p>FUNDAMENTO: O monitoramento peri&#243;dico do tabagismo na popula&#231;&#227;o &#233; de interesse para a sa&#250;de p&#250;blica. OBJETIVOS: Comparar a preval&#234;ncia do tabagismo e atitudes em rela&#231;&#227;o ao tabagismo em uma amostra de residentes do munic&#237;pio de S&#227;o Paulo, em 1987 e em 2002. M&#201;TODOS: Foram realizados dois inqu&#233;ritos domicili&#225;rios por amostragem probabil&#237;stica em residentes do munic&#237;pio de S&#227;o Paulo, em 1987 e em 2002, respectivamente com 1.471 e 2.103 entrevistados na faixa et&#225;ria de 15 a 59 anos. RESULTADOS: A preval&#234;ncia de tabagismo ajustada para idade caiu de 41,8% (em 1987) para 25,5% (em 2002) no sexo masculino e, respectivamente, de 30,6% para 19,8% no sexo feminino. Houve redu&#231;&#227;o do tabagismo em todos os n&#237;veis de escolaridade, diminui&#231;&#227;o da m&#233;dia di&#225;ria de cigarros no sexo masculino (mas eleva&#231;&#227;o no feminino), crescimento pela procura de cigarros com baixo teor, aumento dos que deixaram de fumar havia mais de 10 anos, crescimento dos que tentaram seriamente parar de fumar, aumento dos que cogitavam em parar totalmente e aumento do reconhecimento de que "fumar faz mal para a sa&#250;de". CONCLUS&#195;O: Houve mudan&#231;a favor&#225;vel na situa&#231;&#227;o do tabagismo na cidade de S&#227;o Paulo de 1987 para 2002.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Tabagismo</kwd>
        <kwd>preval&#234;ncia</kwd>
        <kwd>adulto</kwd>
        <kwd>amostragem</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>07</day>
        <month>12</month>
        <year>2007</year>
      </pub-date>
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  <body>
    <p>ARTIGO ORIGINAL </p>
    <p>
      <bold>Exposi&#231;&#227;o ao tabagismo e atitudes: compara&#231;&#227;o entre inqu&#233;ritos realizados na popula&#231;&#227;o adulta do munic&#237;pio de S&#227;o Paulo em 1987 e 2002 </bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Luiz Francisco Marcopito; Ana Paula Coutinho; Dalva Maria de Oliveira Valencich; Marco Antonio de Moraes; Rodolfo Brumini; Sandra Aparecida Ribeiro</bold>
    </p>
    <p> Universidade Federal de S&#227;o Paulo, Secretaria do Estado de Sa&#250;de &#150; S&#227;o Paulo, SP - Brasil</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p><bold>FUNDAMENTO:</bold> O monitoramento peri&#243;dico do tabagismo na popula&#231;&#227;o &#233; de interesse para a sa&#250;de p&#250;blica. </p>
    <p><bold>OBJETIVOS:</bold> Comparar a preval&#234;ncia do tabagismo e atitudes em rela&#231;&#227;o ao tabagismo em uma amostra de residentes do munic&#237;pio de S&#227;o Paulo, em 1987 e em 2002. </p>
    <p><bold>M&#201;TODOS:</bold> Foram realizados dois inqu&#233;ritos domicili&#225;rios por amostragem probabil&#237;stica em residentes do munic&#237;pio de S&#227;o Paulo, em 1987 e em 2002, respectivamente com 1.471 e 2.103 entrevistados na faixa et&#225;ria de 15 a 59 anos. </p>
    <p><bold>RESULTADOS:</bold> A preval&#234;ncia de tabagismo ajustada para idade caiu de 41,8% (em 1987) para 25,5% (em 2002) no sexo masculino e, respectivamente, de 30,6% para 19,8% no sexo feminino. Houve redu&#231;&#227;o do tabagismo em todos os n&#237;veis de escolaridade, diminui&#231;&#227;o da m&#233;dia di&#225;ria de cigarros no sexo masculino (mas eleva&#231;&#227;o no feminino), crescimento pela procura de cigarros com baixo teor, aumento dos que deixaram de fumar havia mais de 10 anos, crescimento dos que tentaram seriamente parar de fumar, aumento dos que cogitavam em parar totalmente e aumento do reconhecimento de que "fumar faz mal para a sa&#250;de". </p>
    <p><bold>CONCLUS&#195;O:</bold> Houve mudan&#231;a favor&#225;vel na situa&#231;&#227;o do tabagismo na cidade de S&#227;o Paulo de 1987 para 2002. </p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> Tabagismo, preval&#234;ncia, adulto, amostragem.</p>
    <p>
      <bold>Introdu&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>A Organiza&#231;&#227;o Mundial da Sa&#250;de (OMS) considera o tabagismo o maior agente isolado e evit&#225;vel de morbidade e mortalidade no mundo. Prev&#234;-se que, para meados deste s&#233;culo, a pandemia tab&#225;gica ser&#225; a maior causa de morte, vitimando mais que tuberculose, aids, acidentes de tr&#226;nsito, homic&#237;dios, suic&#237;dios, drogas ilegais e alcoolismo, somados<sup>1</sup>.</p>
    <p>O tabagismo &#233; classificado como um dos principais fatores de risco para doen&#231;a coronariana, hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica, acidente vascular encef&#225;lico, bronquite, enfisema e c&#226;ncer, que constituem importantes causas de morte nos pa&#237;ses desenvolvidos e nas grandes cidades brasileiras<sup>1-2</sup>.</p>
    <p>Estima-se que, no Brasil, ocorram cerca de 200 mil mortes anuais por doen&#231;as tabaco-relacionadas<sup>3</sup>. Al&#233;m disso, tem-se verificado que a remo&#231;&#227;o da exposi&#231;&#227;o ao fumo implica a redu&#231;&#227;o da mortalidade e/ou da preval&#234;ncia, bem como no aparecimento mais tardio das doen&#231;as relacionadas<sup>4-5</sup>. Estudos sobre a preval&#234;ncia do tabagismo realizados em diferentes momentos mostraram que o n&#250;mero de fumantes com idade acima de 15 anos variou muito de acordo com a &#225;rea geogr&#225;fica<sup>6-8</sup>.</p>
    <p>Estudos transversais repetidos, de base populacional, s&#227;o uma maneira de monitorar a difus&#227;o do tabagismo. Em 1987, o Instituto de Sa&#250;de da Secretaria de Estado da Sa&#250;de (SES) de S&#227;o Paulo (SP) realizou inqu&#233;rito domicili&#225;rio em amostra de 1.471 pessoas com 15 a 59 anos de idade residentes na cidade de S&#227;o Paulo<sup>9</sup>. Em 2002, o Centro de Vigil&#226;ncia Epidemiol&#243;gica (CVE) da SES de SP realizou outro inqu&#233;rito em 2.103 residentes de mesma idade e regi&#227;o de resid&#234;ncia<sup>10</sup>. Ambos os bancos de dados foram disponibilizados pela SES-SP, tornando poss&#237;vel a compara&#231;&#227;o direta sobre a preval&#234;ncia de tabagismo naqueles dois pontos do tempo.</p>
    <p>
      <bold>M&#233;todos</bold>
    </p>
    <p>Os dois inqu&#233;ritos foram estudos transversais de base populacional sobre fatores de risco para doen&#231;as cr&#244;nicas n&#227;o transmiss&#237;veis em pessoas com idade entre 15 e 59 anos, realizados em coopera&#231;&#227;o com a SES-SP, um em 1987 e outro em 2001-2<sup>9-10</sup>. O m&#233;todo empregado foi quase o mesmo em ambos, e consistiu de entrevistas domicili&#225;rias em pessoas selecionadas por sorteio. O estudo de 2002 foi realizado em 12 dos 96 distritos administrativos do munic&#237;pio de S&#227;o Paulo, selecionados de forma intencional &#150; de maneira a cobrir &#225;rea geogr&#225;fica semelhante &#224;quela do inqu&#233;rito de 1987 (quando a divis&#227;o administrativa do munic&#237;pio era outra). As etapas do processo de amostragem foram estas: 1) os setores censit&#225;rios dos distritos selecionados, fornecidos pelo IBGE, foram ordenados de acordo com a renda m&#233;dia; 2) os setores censit&#225;rios dentro de cada distrito foram sorteados, de forma sistem&#225;tica, com probabilidade proporcional ao n&#250;mero de domic&#237;lios fornecido pelo Censo; 3) dentro de cada setor censit&#225;rio foram selecionados domic&#237;lios proporcionalmente ao n&#250;mero de domic&#237;lios do setor; e 4) finalmente, dentro de cada domic&#237;lio foi sorteado um indiv&#237;duo entre 15 e 59 anos (unidade amostral) por meio de um sistema balanceado proposto por Marques &amp; Berqu&#243;<sup>11</sup>. No que se refere ao controle de qualidade, foram realizadas checagens rotineiras por telefone quanto &#224; integridade das entrevistas e a maioria (71,1%) dessas foi realizada nos finais de semana, o que permitiu a boa ades&#227;o do sexo masculino. As porcentagens de recusas foram 10% e 16% nos inqu&#233;ritos de 1987 e 2002, respectivamente.</p>
    <p>Dados sobre as vari&#225;veis sexo, idade, ra&#231;a/cor e escolaridade foram coletados em ambos os inqu&#233;ritos, permitindo compara&#231;&#245;es entre 1987 e 2002.</p>
    <p>No que se refere ao tabagismo, os question&#225;rios de 1987 e 2002 continham as seguintes perguntas com a mesma reda&#231;&#227;o, que tamb&#233;m puderam ser comparadas:</p>
    <p>&#150; "Voc&#234; fuma todos os dias, &#224;s vezes, ou n&#227;o fuma mais?", com estas op&#231;&#245;es de resposta: a) diariamente (pelo menos uma vez por dia); b) &#224;s vezes; c) n&#227;o fuma mais; d) n&#227;o se aplica &#150; sendo esta &#250;ltima reservada para os que declararam n&#227;o ter fumado por seis meses ou mais em qualquer &#233;poca da vida. No question&#225;rio de 1987, para essa quest&#227;o, tamb&#233;m havia a op&#231;&#227;o (e): n&#227;o sabe / n&#227;o quer responder. Foram considerados fumantes (tabagistas) os que indicaram a op&#231;&#227;o (a), independentemente da quantidade di&#225;ria consumida; os que indicaram a op&#231;&#227;o (b) foram considerados fumantes espor&#225;dicos; e os que indicaram a op&#231;&#227;o (c) foram considerados ex-fumantes.</p>
    <p>&#150; "Em que m&#234;s e ano voc&#234; deixou de fumar?", aplicada a ex-fumantes, transformada em anos.</p>
    <p>&#150; "Fuma cigarros com filtro ou sem filtro?", aplicada a fumantes, que admitia as respostas a) com filtro, b) sem filtro, c) ambos (e tamb&#233;m "n&#227;o sabe / n&#227;o quer responder" no question&#225;rio de 1987).</p>
    <p>&#150; "Costuma fumar cigarros fracos, isto &#233;, de baixo teor?", aplicada a fumantes, com as op&#231;&#245;es a) sim, b) n&#227;o (e tamb&#233;m "n&#227;o sabe / n&#227;o quer responder" no question&#225;rio de 1987).</p>
    <p>&#150; "Quantos cigarros (ou outros) voc&#234; fuma por dia?", cuja resposta foi avaliada apenas entre os fumantes.</p>
    <p>&#150; "Voc&#234; j&#225; tentou seriamente parar de fumar?", tamb&#233;m avaliada apenas entre os fumantes. "Por quanto tempo ficou sem fumar a &#250;ltima vez que parou?", aplicada a fumantes e transformada em meses.</p>
    <p>&#150; "Daqui a cinco anos voc&#234; acha que seu modo de fumar ter&#225; mudado?", tamb&#233;m avaliada apenas entre os fumantes. As op&#231;&#245;es comuns de resposta em ambos os question&#225;rios eram: a) sim, e b) n&#227;o. No question&#225;rio de 1987 tamb&#233;m havia a op&#231;&#227;o (c): n&#227;o sabe / n&#227;o quer responder.</p>
    <p>&#150; "Como?", aplicada apenas aos que responderam "sim" na quest&#227;o anterior. Estas eram as op&#231;&#245;es de resposta: a) Certamente ter&#225; parado de fumar; b) Talvez ter&#225; parado de fumar; c) Ter&#225; diminu&#237;do o n&#250;mero de cigarros; d) Ter&#225; mudado de cigarros sem filtro para com filtro; e) Ter&#225; mudado para cigarros mais fracos ou de baixo teor de alcatr&#227;o e nicotina; f) Outro.</p>
    <p>&#150; "Acha que fumar faz mal para sua sa&#250;de?", que comportava estas respostas em ambos os question&#225;rios: a) Concorda inteiramente; b) Concorda em parte; c) Discorda em parte; d) Discorda inteiramente. No question&#225;rio de 1987 tamb&#233;m havia a op&#231;&#227;o (e): n&#227;o sabe / n&#227;o quer responder.</p>
    <p>As respostas &#224; quest&#227;o "Que tipo de problema(s) o h&#225;bito de fumar pode causar para sua sa&#250;de?", presente em ambos os question&#225;rios, s&#243; p&#244;de ser tabulada para o inqu&#233;rito de 2002. Essa pergunta continha tr&#234;s op&#231;&#245;es abertas para respostas, que foram codificadas pela D&#233;cima Revis&#227;o da Classifica&#231;&#227;o Estat&#237;stica Internacional de Doen&#231;as e Problemas Relacionados &#224; Sa&#250;de (CID-10). A vari&#225;vel renda <italic>per capita</italic> s&#243; p&#244;de ser determinada a partir do question&#225;rio de 2002. A pergunta sobre idade de in&#237;cio do tabagismo s&#243; constava do question&#225;rio de 2002.</p>
    <p>Apenas no question&#225;rio de 2002 havia a pergunta "Quanto tempo ap&#243;s acordar voc&#234; acende o primeiro cigarro?", aplicada a fumantes, que comportava as seguintes respostas: a) Na primeira meia hora depois de acordar; e b) Mais que meia hora depois de acordar. Essas respostas, junto com o n&#250;mero de cigarros por dia, foram utilizadas na an&#225;lise do grau de depend&#234;ncia da nicotina pelo teste de toler&#226;ncia de Fagerstr&#246;m<sup>12-13</sup> adaptado. A pontua&#231;&#227;o foi feita da seguinte maneira: indiv&#237;duos que acendiam o primeiro cigarro do dia na primeira meia hora receberam dois pontos; os que acendiam o primeiro cigarro ap&#243;s a primeira meia hora, um ponto; os que fumavam at&#233; 10 cigarros por dia n&#227;o receberam pontua&#231;&#227;o, os que fumavam de 11 a 20 cigarros por dia, um ponto; os que fumavam de 21 a 30 cigarros por dia, dois pontos; e os que fumavam mais de 30 cigarros por dia, tr&#234;s pontos. A soma da pontua&#231;&#227;o classificou os indiv&#237;duos em: pouco dependentes do cigarro (1 e 2 pontos), moderadamente dependentes (3 pontos) e muito dependentes (4 e 5 pontos).</p>
    <p>Para fins de compara&#231;&#245;es externas, a idade foi agrupada em quatro categorias de dez anos, exceto a mais jovem (15 a 29 anos). As estimativas pontuais de preval&#234;ncias foram apresentadas em porcentagens, por faixa et&#225;ria em cada sexo, com os respectivos intervalos de confian&#231;a de 95% (IC 95%). Esses IC 95% foram todos calculados usando probabilidades exatas fornecidas pela distribui&#231;&#227;o binomial, porque a aproxima&#231;&#227;o &#224; distribui&#231;&#227;o normal n&#227;o se aplicava em alguns casos. Em cada sexo, as preval&#234;ncias totais brutas foram corrigidas para o efeito da amostra utilizando as composi&#231;&#245;es et&#225;rias reais, de acordo com a t&#233;cnica descrita por Cochran<sup>14</sup> para popula&#231;&#245;es finitas. Essa corre&#231;&#227;o forneceu as estimativas populacionais das preval&#234;ncias totais em cada sexo.</p>
    <p>Em algumas compara&#231;&#245;es estat&#237;sticas, os IC 95% foram usados em vez de valores de p. Em outras, foram utilizados os testes estat&#237;sticos do Qui-quadrado ou exato de Fisher (para propor&#231;&#245;es independentes), de Kruskall-Wallis e de Mann-Whitney (respectivamente, equivalentes n&#227;o-param&#233;tricos para amostras independentes da an&#225;lise de vari&#226;ncia a um crit&#233;rio e do teste <italic>t</italic> de Student) quando n&#227;o se p&#244;de assumir a normalidade; nessas compara&#231;&#245;es, considerou-se que p&lt;0,05 indicava baixa probabilidade de a diferen&#231;a observada ter ocorrido por acaso, mesmo quando foram conduzidos m&#250;ltiplos testes estat&#237;sticos<sup>15</sup>. A entrada dos dados foi feita em duplicata. Utilizaram-se os programas eletr&#244;nicos SPSS 10.0, Stata 7.0 e Excel 97.</p>
    <p>O estudo de 2002 foi aprovado pelo Comit&#234; de &#201;tica em Pesquisa da Universidade Federal de S&#227;o Paulo. Os participantes que necessitavam de assist&#234;ncia m&#233;dica foram encaminhados &#224; unidade b&#225;sica de sa&#250;de mais pr&#243;xima e os fumantes que desejavam aux&#237;lio espec&#237;fico para deixar de fumar foram encaminhados aos centros de refer&#234;ncia de tratamento de tabagismo existentes no munic&#237;pio de S&#227;o Paulo.</p>
    <p>
      <bold>Resultados</bold>
    </p>
    <p>A <xref ref-type="table" rid="t1">tabela 1</xref> mostra a preval&#234;ncia do tabagismo entre todos os entrevistados, por faixa et&#225;ria e sexo e a preval&#234;ncia estimada para a popula&#231;&#227;o real, nos inqu&#233;ritos de 1987 e 2002. Comparando-se as preval&#234;ncias encontradas em 1987 e 2002, nota-se, nas duas faixas et&#225;rias mais jovens de ambos os sexos, significante redu&#231;&#227;o da preval&#234;ncia de tabagismo. Nas faixas et&#225;rias mais idosas houve modifica&#231;&#245;es que n&#227;o atingiram signific&#226;ncia estat&#237;stica: queda nos homens e aumento nas mulheres. Essas modifica&#231;&#245;es nas porcentagens de tabagistas podem ser mais bem observadas nas preval&#234;ncias totais ajustadas por idade.</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="t1">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-89-05-0333-00009-gt01.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>No que se refere &#224; cor da pele (<xref ref-type="table" rid="t2">tab. 2</xref>), a porcentagem bruta de fumantes foi semelhante em brancos, pardos e negros em cada um dos dois inqu&#233;ritos, tendo ocorrido diminui&#231;&#227;o significante (p&lt;0,001) em brancos e pardos de 1987 para 2002. A redu&#231;&#227;o entre negros n&#227;o atingiu signific&#226;ncia estat&#237;stica (p=0,280), nem as diferen&#231;as observadas entre amarelos (tanto dentro de cada inqu&#233;rito, como de um inqu&#233;rito para outro).</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="t2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-89-05-0333-00009-gt02.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>Dos 1.471 entrevistados em 1987, 795 (54,0%) eram n&#227;o-fumantes, 130 (8,8%) eram ex-fumantes e 35 (2,4%) eram fumantes espor&#225;dicos, contra 1.247 (59,3%), 320 (15,2%) e 40 (1,9%), respectivamente, dos 2.103 entrevistados em 2002. Esses resultados apontam para crescimento significante de n&#227;o-fumantes (p=0,002) e de ex-fumantes (p&lt;0,001) de 1987 para 2002 no total de entrevistados.</p>
    <p>Com rela&#231;&#227;o &#224; escolaridade, os resultados foram os seguintes (<xref ref-type="table" rid="t3">tab. 3</xref>): entre as pessoas com a menor escolaridade n&#227;o houve modifica&#231;&#227;o significativa, de 1987 para 2002, na porcentagem de n&#227;o-fumantes (57,6 e 53,0%, respectivamente; p=0,321), mas a porcentagem de ex-fumantes aumentou significantemente (p=0,005), de 11,0 para 20,2%. A relativamente baixa preval&#234;ncia de fumantes (29,3%) no grupo com menor escolaridade em 1987 n&#227;o se deveu a maior concentra&#231;&#227;o de pessoas jovens do sexo feminino nessa categoria. Entre as pessoas com escolaridade intermedi&#225;ria, a porcentagem de n&#227;o-fumantes cresceu de 53,8% para 59,4% (p=0,005) e, a de ex-fumantes, de 7,2% para 14,1% (p&lt;0,001). Entre as pessoas com a maior escolaridade, a porcentagem de n&#227;o-fumantes cresceu de 49,3% para 62,0%, em 1987 e 2002, respectivamente (p=0,007), sem modifica&#231;&#227;o apreci&#225;vel na porcentagem de ex-fumantes (16,2% e 16,9%, p=0,854).</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="t3">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-89-05-0333-00009-gt03.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>Entre os fumantes de 1987, a m&#233;dia de consumo de cigarros por dia nos homens foi de 19,7 e de 13,4 nas mulheres (p&lt;0,001). Entre os fumantes de 2002 essas m&#233;dias foram, respectivamente, 17,5 e 15,0 (p=0,002). A diminui&#231;&#227;o na m&#233;dia masculina (p=0,037) e o aumento na m&#233;dia feminina (p=0,029) foram significantes. Tanto em 1987 como em 2002 houve predom&#237;nio do consumo de cigarros com filtro (98,4% e 97,8%, respectivamente), mas a procura por cigarros de baixo teor cresceu de 41,7% em 1987 para 61,5% em 2002 (p&lt;0,001).</p>
    <p>Em 1987, dos 130 ex-fumantes, todos (100,0%) haviam deixado de fumar h&#225; menos de 10 anos, a maior parte (67,7%) h&#225; menos de cinco anos. Em 2002, dos 320 ex-fumantes, 64,1% haviam deixado de fumar h&#225; menos de 10 anos (44,4% h&#225; menos de cinco anos, 19,7% entre cinco e 10 anos), e 35,9% h&#225; mais de 10 anos.</p>
    <p>Entre os fumantes de 1987, 57,5% j&#225; haviam seriamente tentado parar de fumar, contra 61,7% em 2002 (p=0,179). Nas duas pesquisas o tempo mediano sem fumar foi de 1,0 m&#234;s.</p>
    <p>Quando os fumantes foram questionados se modificariam seu modo de fumar nos pr&#243;ximos cinco anos, 53,4% responderam positivamente em 1987 (38,5% pensariam em parar totalmente, 12,9% em diminuir o consumo de cigarros, e 2,0% deram outras respostas). Em 2002, 71,2% responderam positivamente (57,7% parariam totalmente, 11,9% diminuiriam o consumo, e 1,6% deram outras respostas).</p>
    <p>O reconhecimento de que "fumar faz mal &#224; sa&#250;de" foi elevado nos dois inqu&#233;ritos (<xref ref-type="table" rid="t4">tab. 4</xref>), e cresceu de 1987 para 2002 &#150; quando a porcentagem total dos que concordam com essa assertiva elevou-se de 95,3% para 99,4% (p&lt;0,001). A altera&#231;&#227;o mais expressiva ocorreu entre fumantes, em que a porcentagem dos que "concordam inteiramente" aumentou de 78,7% para 95,0% (p&lt;0,001), e a dos que discordam diminuiu de 8,6% para 1,2% (p&lt;0,001). Fato semelhante ocorreu entre n&#227;o-fumantes, em que essas porcentagens variaram de 91,7% para 98,7% (p&lt;0,001) e de 1,1% para 0,3% (p=0,015), respectivamente.</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="t4">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-89-05-0333-00009-gt04.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>Quanto aos resultados dispon&#237;veis apenas para o inqu&#233;rito de 2002, a m&#233;dia de idade de in&#237;cio do tabagismo foi de 16,3 anos (16,4 no sexo masculino e 16,2 no feminino), e 88,3% dos entrevistados referiram in&#237;cio do tabagismo antes dos 20 anos. A mediana de renda mensal <italic>per capita</italic> foi menor (p=0,008) entre fumantes (R$ 284), quando comparada a ex-fumantes (R$ 310) e a n&#227;o-fumantes (R$ 333). Pelo teste de Fagerstr&#246;m simplificado foram classificados como pouco dependentes 57,1% dos fumantes, moderadamente dependentes 30,6%, e muito dependentes 12,3%. N&#227;o houve diferen&#231;a estat&#237;stica entre o grau de depend&#234;ncia e sexo.</p>
    <p>Quando todos os 2.103 indiv&#237;duos entrevistados em 2002 foram estimulados a citar livremente quais os problemas de sa&#250;de que relacionavam com o tabagismo, apenas 17 (0,8%) n&#227;o citaram nenhum, 981 (46,6%) mencionaram um problema, 681 (32,4%) citaram dois, e 424 (20,2%), tr&#234;s. Obteve-se o total de 3.614 cita&#231;&#245;es, as mais freq&#252;entes classific&#225;veis em cinco cap&#237;tulos da CID-10, como se mostra na <xref ref-type="table" rid="t5">tabela 5</xref>, por categorias de tabagistas: II- neoplasias (41,9%), X- doen&#231;as do aparelho respirat&#243;rio (28,3%), XVIII- maldefinidas (12,6%), IX- doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio (9,2%), V- transtornos mentais e comportamentais (3,8%) e outros (4,1%). Em ordem decrescente, as neoplasias mais citadas foram: c&#226;ncer n&#227;o-especificado, c&#226;ncer de pulm&#227;o, c&#226;ncer de orofaringe, c&#226;ncer de boca e c&#226;ncer de outras localiza&#231;&#245;es. As doen&#231;as do aparelho respirat&#243;rio mais citadas foram: afec&#231;&#245;es devidas a inala&#231;&#227;o, outros transtornos respirat&#243;rios, insufici&#234;ncia respirat&#243;ria, enfisema e bronquite. As maldefinidas foram: mal-estar e fadiga, tosse, anormalidades da respira&#231;&#227;o, dor de garganta e no peito, outros sintomas e sinais gerais, causas desconhecidas e n&#227;o especificadas de morbidade e doen&#231;as do aparelho digestivo. As doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio foram: hipertens&#227;o arterial, infarto agudo do mioc&#225;rdio, acidente vascular cerebral, doen&#231;as card&#237;acas maldefinidas e demais doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio. Dentre os transtornos mentais e comportamentais os mais citados foram: disfun&#231;&#227;o sexual e outros transtornos mentais.</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="t5">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-89-05-0333-00009-gt05.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>
      <bold>Discuss&#227;o</bold>
    </p>
    <p>Desde que o tabagismo foi introduzido na sociedade moderna, a propor&#231;&#227;o de homens fumantes tem sido mais elevada do que a de mulheres. Nas &#250;ltimas d&#233;cadas, tem-se observado, no sexo masculino, decl&#237;nio da preval&#234;ncia, principalmente em pa&#237;ses desenvolvidos, mas tamb&#233;m em alguns pa&#237;ses em desenvolvimento, como no Brasil<sup>16</sup>. J&#225; no sexo feminino, a taxa de queda da preval&#234;ncia tem variado entre diversos pa&#237;ses<sup>16-17</sup>.</p>
    <p>Neste estudo, a estimativa da preval&#234;ncia de tabagismo em 2002 foi menor do que aquela de 1987, tanto em homens (25,4% e 41,8%) como em mulheres (19,9% e 30,4%). A redu&#231;&#227;o relativa de 1987 para 2002 foi de 39% no sexo masculino e de 35% no feminino, por forte influ&#234;ncia da redu&#231;&#227;o nas faixas et&#225;rias mais jovens.</p>
    <p>Comparando-se com dados da literatura sobre a preval&#234;ncia de tabagismo no munic&#237;pio de S&#227;o Paulo, relatou-se em 1971, para a faixa et&#225;ria de 15 a 74 anos, preval&#234;ncia de 54,8% em homens e de 20,9% em mulheres<sup>18</sup>. Em 2002-2003, o Inqu&#233;rito Domiciliar sobre Comportamentos de Risco e Morbidade Referida de Doen&#231;as e Agravos n&#227;o Transmiss&#237;veis<sup>8</sup>, estudando indiv&#237;duos com mais de 15 anos de idade, mostrou preval&#234;ncia de 23,1% em homens e 17,5% em mulheres, em amostra de 1.210 indiv&#237;duos, confirmando a tend&#234;ncia de redu&#231;&#227;o das preval&#234;ncias em ambos os sexos, tamb&#233;m mais acentuada no sexo masculino, em rela&#231;&#227;o ao feminino.</p>
    <p>Essa queda hist&#243;rica nas preval&#234;ncias do tabagismo parece estar fortemente influenciada pelas campanhas nacionais contra o tabagismo, assim como diminui&#231;&#227;o da renda e desemprego<sup>10</sup>. O Brasil criou, na &#250;ltima d&#233;cada, diversas leis restringindo a propaganda e o consumo de cigarros em locais p&#250;blicos, al&#233;m de aumentar o n&#237;vel de advert&#234;ncia sobre os malef&#237;cios do fumo. Por&#233;m, a menor queda da preval&#234;ncia de tabagismo no sexo feminino pode estar apontando para a preocupante dificuldade de cessa&#231;&#227;o do tabagismo nesse grupo, em parte fruto da ampla publicidade da ind&#250;stria tab&#225;gica, que tenta tamb&#233;m estimular a inicia&#231;&#227;o ao tabagismo, especificamente voltada para as mulheres. No presente estudo verificou-se que ocorreu, no sexo feminino, aumento da m&#233;dia de consumo de 13,4 para 15,0 cigarros por dia, de 1987 para 2002.</p>
    <p>No que se refere &#224; redu&#231;&#227;o das preval&#234;ncias do tabagismo por cor da pele, observou-se que houve queda em todos os grupos, embora essa redu&#231;&#227;o n&#227;o tenha atingido signific&#226;ncia estat&#237;stica entre negros e amarelos &#150; provavelmente pelo pequeno n&#250;mero de entrevistados nesses dois grupos. N&#227;o foi poss&#237;vel verificar por este estudo se a rela&#231;&#227;o entre cor com maior preval&#234;ncia de tabagismo ocorreu em raz&#227;o da classe social mais baixa do entrevistado.</p>
    <p>Quanto ao tabagismo por n&#237;vel de escolaridade, verificou-se redu&#231;&#227;o na preval&#234;ncia de fumantes em todos os tr&#234;s n&#237;veis, de 1987 para 2002. No que se refere aos resultados de 1987, a baixa preval&#234;ncia de fumantes no grupo com menor escolaridade pode ter ocorrido por varia&#231;&#227;o amostral, j&#225; que n&#227;o &#233; explicada por diferen&#231;as de sexo e idade nessa categoria em rela&#231;&#227;o &#224;s outras, nem segue os padr&#245;es observados em v&#225;rias partes do mundo<sup>19</sup>. &#201;, portanto, razo&#225;vel supor que em 1987 a preval&#234;ncia de tabagismo na popula&#231;&#227;o de baixa escolaridade tenha sido maior do que os 29,3% registrados naquele inqu&#233;rito.</p>
    <p>Al&#233;m de menor escolaridade, tamb&#233;m entre os fumantes a renda <italic>per capita</italic> declarada foi menor (resultados dispon&#237;veis apenas para o inqu&#233;rito de 2002), do que a dos ex-fumantes e n&#227;o-fumantes. A tend&#234;ncia de o tabagismo concentrar-se em classes sociais menos favorecidas &#233; observada no Brasil e em v&#225;rios pa&#237;ses<sup>17-19</sup>. Dentre os fatores sociais destaca-se o menor acesso a informa&#231;&#227;o, educa&#231;&#227;o e assist&#234;ncia &#224; sa&#250;de. Esses fatores s&#227;o potencializados por est&#237;mulos de mercado que facilitam o consumo e o acesso aos produtos de tabaco, especialmente o cigarro. De fato, muitas fam&#237;lias pobres comprometem importante parcela do seu or&#231;amento com a compra de tabaco<sup>20</sup>, agravando o seu estado de pobreza e de sa&#250;de, uma vez que o tabagismo &#233; mais um fator de risco que vai se somar a outras condi&#231;&#245;es m&#243;rbidas presentes nas popula&#231;&#245;es menos abastadas.</p>
    <p>O in&#237;cio do tabagismo antes dos 20 anos, referido por 88,3% dos fumantes em 2002, mostra que se come&#231;a fumar precocemente. Recentemente verificou-se mais profundamente a import&#226;ncia da idade de in&#237;cio do tabagismo, no desenvolvimento de maior grau de depend&#234;ncia &#224; nicotina. Dos que se iniciam no tabagismo em torno dos 14 anos de idade, cerca de 90% estar&#227;o dependentes aos 19 anos. Tem-se comprovado que os que come&#231;am a fumar entre 14 e 16 anos desenvolvem maior depend&#234;ncia de nicotina, em compara&#231;&#227;o com aqueles que fumaram o primeiro cigarro depois dos 20 anos de idade<sup>21-22</sup>. A inicia&#231;&#227;o precoce &#233; importante fator de progn&#243;stico para o adoecimento e deve ser combatida, pois maior ser&#225; o risco de mortes prematuras na meia-idade ou na idade madura<sup>23</sup>.</p>
    <p>Como indicadores de elevada depend&#234;ncia nicot&#237;nica, v&#225;rios trabalhos mostraram a import&#226;ncia de se fumar na primeira meia hora depois de acordar e consumir mais de 20 cigarros por dia<sup>12-13</sup>. No presente trabalho foram classificados como muito dependentes 12,3% dos fumantes e 30,6% como moderadamente dependentes, indicando aos servi&#231;os de sa&#250;de os indiv&#237;duos que possivelmente ter&#227;o desconforto (s&#237;ndrome de abstin&#234;ncia) ao deixar de fumar e talvez necessitar&#227;o de interven&#231;&#245;es mais complexas, incluindo uso de medicamentos, fazendo crer que apresentar&#227;o maior dificuldade em manter a abstin&#234;ncia em longo prazo.</p>
    <p>A atitude dos fumantes da cidade de S&#227;o Paulo vem mudando, a julgar pela compara&#231;&#227;o dos resultados de 1987 e 2002. Houve redu&#231;&#227;o da quantidade m&#233;dia de consumo di&#225;rio de cigarros no sexo masculino (mas eleva&#231;&#227;o no feminino), crescimento pela procura de cigarros com baixo teor, aumento dos que deixaram de fumar h&#225; mais de 10 anos, crescimento das porcentagens daqueles que tentaram seriamente parar de fumar, aumento de indiv&#237;duos que est&#227;o pensando em parar totalmente de fumar nos pr&#243;ximos cinco anos e aumento do reconhecimento de que "fumar faz mal para a sa&#250;de", tanto entre os fumantes como entre os n&#227;o-fumantes. Como coment&#225;rio cr&#237;tico, em rela&#231;&#227;o &#224; tentativa de "seriamente parar de fumar", o atributo de "seriedade" pode ter conota&#231;&#227;o diferente de pessoa para pessoa, o que leva a uma mais reservada avalia&#231;&#227;o dos resultados, ainda que a pergunta tenha sido aplicada com a mesma reda&#231;&#227;o em 1987 e em 2002.</p>
    <p>O conhecimento sobre os malef&#237;cios &#224; sa&#250;de causados pelo cigarro tem se modificado drasticamente com o passar dos anos. Na d&#233;cada de 1950, menos de 50% dos adultos americanos acreditavam que o fumo causasse c&#226;ncer de pulm&#227;o. Na d&#233;cada de 1990, essa porcentagem aumentou para 92%. Outros estudos mostraram que a maioria da popula&#231;&#227;o (fumantes e n&#227;o-fumantes) &#233; a favor de leis que restringem o tabagismo nos locais p&#250;blicos e no ambiente de trabalho<sup>24</sup>.</p>
    <p>No presente estudo, quando perguntados sobre os problemas de sa&#250;de que o consumo do tabaco pode trazer, tanto fumantes como ex-fumantes tenderam a citar espontaneamente mais afec&#231;&#245;es maldefinidas em rela&#231;&#227;o aos n&#227;o-fumantes, e os n&#227;o-fumantes, mais neoplasias em rela&#231;&#227;o aos fumantes e ex-fumantes.</p>
    <p>A literatura mostra que, dentre os fumantes, mais de 70% afirmam que gostariam de parar de fumar<sup>25</sup>. Mesmo assim, as informa&#231;&#245;es a respeito dos malef&#237;cios do fumo &#224; sa&#250;de devem ser trabalhadas em campanhas, nos curr&#237;culos escolares e em pol&#237;ticas de sa&#250;de p&#250;blica. Grande n&#250;mero de fumantes, apesar da inten&#231;&#227;o em abandonar o fumo e conhecer os problemas de sa&#250;de causados pelo tabagismo, n&#227;o consegue faz&#234;-lo, o que pode se justificar, em parte, por serem dependentes da nicotina. Estrat&#233;gias de preven&#231;&#227;o e tratamento do tabagismo precisam ser incentivadas visando adolescentes, mulheres e pessoas com baixa renda. Dessa forma, estudos regulares de preval&#234;ncia do tabagismo servir&#227;o para redirecionar campanhas de preven&#231;&#227;o e avaliar estrat&#233;gias custo-efetivas para controle do tabagismo e tratamento dos fumantes.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflitos de interesses pertinentes.</p>
    <p>
      <bold>Fontes de Financiamento</bold>
    </p>
    <p>O presente estudo foi financiado pela FAPESP</p>
    <p>
      <bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>N&#227;o h&#225; vincula&#231;&#227;o desse estudo a programas de p&#243;s-gradua&#231;&#227;o.</p>
    <p>
      <fn id="back" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold>Correspond&#234;ncia:</bold>
        </label>
        <p> Sandra Aparecida Ribeiro </p>
        <p> Av. Jo&#227;o Castaldi, 217/ 131 </p>
        <p> 04517-050, S&#227;o Paulo, SP - Brasil </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="sandrarib@uol.com.br">sandrarib@uol.com.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p> Artigo recebido em 12/03/07; revisado recebido em 12/03/07; aceito em 11/04/07.</p>
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          <article-title>El habito de fumar cigarrillos en la America Latina: una encuesta en ocho ciudades</article-title>
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          <article-title>Early smoking initiation and nicotine dependence in a cohort of young adults</article-title>
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          <article-title>The causes of cancer: quantitative estimates of avoidable risks of cancer in the United States today</article-title>
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          <article-title>Actitud ante el tabaquismo de funcionarios fumadores y no fumadores de la Universidad Federal de S&#227;o Paulo, Brasil: an&#225;lisis comparativo de fumadores y no fumadores</article-title>
          <source>Archivos de Bronconeumolog&#237;a</source>
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  <sub-article article-type="translation" id="TRen" xml:lang="en">
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          <subject>Original Articles</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Exposition to smoking and attitudes: comparison between inquiries applied to adult population in S&#227;o Paulo City, 1987 and 2002</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>BACKGROUND: Periodic monitoring of tobacco smoking in the population is of public health interest. OBJECTIVES: To compare the prevalence of smoking habits and attitudes toward tobacco smoking from a sample of residents of the City of Sao Paulo, in 1987 and 2002. METHODS: Two random sampling household surveys were carried out among residents of the City of Sao Paulo, in 1987 and 2002, respectively with 1,471 and 2,103 participants aged 15-59 years RESULTS: Age-adjusted prevalence of tobacco smoking dropped from 41.8% (in 1987) to 25.5% (in 2002) among males and, respectively, from 30.6% to 19.8% among females, and such reduction was observed in all education levels. There was a decrease in the mean number of cigarettes smoked a day among men (but an increase among women), There was a growth in the preference for low tar cigarettes, an increase in those who quit smoking in the last 10 years, a growth among those who seriously tried to quit smoking, and an increase in those who believe in that "smoking is dangerous for your health". CONCLUSION: There was a favorable change in the situation of smoking habits in the City of Sao Paulo from 1987 to 2002.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Smoking</kwd>
        <kwd>prevalence</kwd>
        <kwd>adult</kwd>
        <kwd>sampling studies</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>ORIGINAL ARTICLE</p>
      <p>
        <bold>Exposition to smoking and attitudes: comparison between inquiries applied to adult population in S&#227;o Paulo City, 1987 and 2002</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Luiz Francisco Marcopito; Ana Paula Coutinho; Dalva Maria de Oliveira Valencich; Marco Antonio de Moraes; Rodolfo Brumini; Sandra Aparecida Ribeiro</bold>
      </p>
      <p>Universidade Federal de S&#227;o Paulo, Secretaria do Estado de Sa&#250;de &#150; S&#227;o Paulo, SP - Brazil</p>
      <p>
        <xref ref-type="corresp" rid="back-body2">Mailing address</xref>
      </p>
      <p>
        <bold>SUMMARY</bold>
      </p>
      <p><bold>BACKGROUND:</bold> Periodic monitoring of smoking in the population is of interest to public health.</p>
      <p><bold>OBJECTIVES:</bold> To compare the prevalence of smoking and attitudes regarding smoking in a sample of residents of the city of Sao Paulo in 1987 and 2002.</p>
      <p><bold>METHODS:</bold> Two random sampling household surveys were conducted among residents of the city of Sao Paulo in 1987 and 2002, with 1471 and 2103 interviewees aged from 15 to 59 years, respectively. In both, very similar questionnaires on smoking habits and attitudes toward smoking were administered.</p>
      <p><bold>RESULTS:</bold> Age-adjusted prevalence of smoking dropped from 41.8% (in 1987) to 25.5% (in 2002) in males, and from 30.6% to 19.8 in females, respectively. We observed smoking reduction in all education levels, decrease in the mean number of cigarettes smoked per day among males (but increase among females), increased demand for low-tar cigarettes, increase in the number of individuals who had quit smoking for more than 10 years, increase in the number of those who had seriously tried to quit smoking, increase in the number of individuals who were considering to quit completely, and increased awareness that "smoking is harmful to health".</p>
      <p><bold>CONCLUSION:</bold> There was a favorable change in the situation regarding smoking in the city of Sao Paulo from 1987 to 2002.</p>
      <p><bold>Key words:</bold> Smoking, prevalence; adult; sampling studies.</p>
      <p>
        <bold>Introduction</bold>
      </p>
      <p>The World Health Organization (WHO) considers smoking the major single and preventable cause of morbidity and mortality worldwide. The smoking pandemic is expected to become the leading cause of death by the middle of this century, killing more than tuberculosis, AIDS, traffic accidents, homicides, suicides, illegal drugs and alcohol combined<sup>1</sup>.</p>
      <p>Smoking is classified as one of the major risk factors for coronary disease, hypertension, stroke, bronchitis, emphysema and cancer, which are important causes of death in developed countries and in larger Brazilian cities<sup>1-2</sup>.</p>
      <p>In Brazil, 200,000 annual deaths from tobacco-related diseases are estimated to occur<sup>3</sup>. Additionally, it has been verified that smoking cessation implies the reduction of mortality and/or of the prevalence and later development of related diseases<sup>4-5</sup>. Studies on the prevalence of smoking conducted at different moments showed that the number of smokers older than 15 years of age was widely variable according to the geographic area<sup>6-8</sup>.</p>
      <p>Repeat cross-sectional population-based studies are a mean of monitoring the spreading of the smoking habit. In 1987, the Health Institute of the Sao Paulo (SP) State Department of Health (SDH) conducted a household survey in a sample of 1471 individuals aged from 15 to 59 years, residents of the city of Sao Paulo<sup>9</sup>. In 2002, the Epidemiologic Surveillance Center (ESC) of the SP-SDH conducted another survey among 2103 individuals of similar age residing in the same region<sup>10</sup>. The SP-SDH made both databases available, which enabled a direct comparison of the prevalence of smoking at those two time points.</p>
      <p>
        <bold>Methods</bold>
      </p>
      <p>Both surveys were cross-sectional population-based studies on risk factors for noncommunicable chronic diseases in individuals aged between 15 and 59 years, and were conducted in cooperation with the SP-SDH, one of them in 1987, and the other in 2001-2<sup>9-10</sup>. The method used was almost the same in both, and consisted of household interviews with individuals selected by drawing lots. The 2002 survey was conducted in 12 out of the 96 administrative districts intentionally selected in the city of Sao Paulo &#150; so as to cover a geographic area similar to that of the 1987 survey (the administrative division of the city was different then). The phases of the sampling process were the following: 1) the census sectors of the districts selected, as informed by the IBGE, were ordered according to the mean income; 2) the census sectors within each district were systematically drawn by lot, with a probability proportional to the number of households informed by the Census; 3) within each census sector, the households were selected proportionally to the number of households in that sector; and 4) finally, within each household, one individual aged between 15 and 59 years was drawn by lot (sampling unit), using a balanced system proposed by Marques &amp; Berqu&#243;<sup>11</sup>. As regards quality control, routine phone calls were made to check the integrity of the interviews, and most of them (71.1%) were made on weekends, which allowed a good compliance on the part of male participants. Percentages of refusal to participate were 10% and 16% in the 1987 and 2002 surveys, respectively.</p>
      <p>Data on gender, age, race/skin color, and education level variables were collected in both surveys, thus enabling comparisons between 1987 and 2002.</p>
      <p>As regards tobacco smoking, the 1987 and 2002 surveys contained the following questions &#150; with the same wording &#150; that could also be compared:</p>
      <p>&#150; "Do you smoke everyday, sometimes, or do you not smoke any longer?", with the following answer choices: a) daily (at least once a day); b) sometimes; c) do not smoke any longer; d) not applicable &#150; the latter being left for those who had declared not to have smoked for six months or longer at any time of their lives. In the 1987 questionnaire, there was an additional option for this question: (e) do not know / do not want to answer. Individuals who chose option (a), regardless of the daily amount smoked, were considered cigarette smokers; those who chose option (b) were considered occasional smokers; and those who chose option (c) were considered former smokers.</p>
      <p>&#150; "In what month and year did you quit smoking?" &#150; applicable to former smokers, expressed in years.</p>
      <p>&#150; "Do you smoke filter or non-filter cigarettes?" &#150; applicable to smokers, with the answer choices: a) filtered, b) non-filtered, c) both (and also "do not know / do not want to answer", in the 1987 questionnaire).</p>
      <p>&#150; "Do you usually smoke light cigarettes, that is, low-tar cigarettes?" &#150; applicable to smokers, with the options: a) yes, b) no (and also "do not know / do not want to answer", in the 1987 questionnaire).</p>
      <p>&#150; "How many cigarettes (or other) do you smoke per day?" &#150; these answers were evaluated only among smokers.</p>
      <p>&#150; "Have you ever seriously tried to quit smoking?" &#150; also evaluated only among smokers. "When you last tried to quit, how long did you stay off cigarettes?" &#150; applicable to smokers and expressed in months.</p>
      <p>&#150; "Do you think your smoking pattern will have changed five years from now?" &#150; also only evaluated among smokers. The common answer choices in both questionnaires were: a) yes, and b) no. In the 1987 questionnaire, there was also the option (c) do not know / do not want to answer.</p>
      <p>&#150; "How?" &#150; applicable only to those who answered "yes" to the previous question. These were the answer choices: a) Will certainly have stopped smoking; b) Will perhaps have stopped smoking; c) Will have reduced the number of cigarettes; d) Will have changed from non-filter to filter cigarettes; e) Will have changed to light cigarettes or low-tar and nicotine cigarettes; f) Other.</p>
      <p>&#150; "Do you think that smoking is harmful to your health?" &#150; the answers here, in both questionnaires, could be: a) Fully agree; b) Partially agree; c) Partially disagree; d) Fully disagree. In the 1987 questionnaire there was also the option: (e) do not know / do not want to answer.</p>
      <p>The answers to the question "What type of problem(s) can smoking cause to your health?", included in both questionnaires, could only be tabulated for the 2002 survey. This question contained three open choices for answers, which were codified by the Tenth Revision of the International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems (ICD-10). The per-capita income variable could only be determined for the 2002 questionnaire. The question on the age of smoking initiation was only included in the 2002 questionnaire.</p>
      <p>The question "How soon after you wake up do you light your first cigarette?" was included only in the 2002 questionnaire, and was applicable to smokers, with the following answer choices: a) Within the first half hour after waking up; and b) More than half an hour after waking up. These answers, together with the number of cigarettes smoked per day, were used to analyze the degree of nicotine dependence using the modified Fagerstr&#246;m tolerance test<sup>12-13</sup>. The points were given as follows: individuals who lit their first cigarette of the day within the first half hour got two points; those who lit their first cigarette after the first half hour, one point; those who smoked up to 10 cigarettes per day did not get any points; those who smoked from 11 to 20 cigarettes per day, one point; those who smoked from 21 to 30 cigarettes per day, two points; and those who smoked more than 30 cigarettes per day, three points. According to the total points, the individuals were classified as: slightly dependent (1 and 2 points), moderately dependent (3 points), and strongly dependent (4 and 5 points) on cigarettes.</p>
      <p>For purposes of external comparisons, age was grouped in four categories of ten years each, except for the youngest one (15 to 29 years). Point prevalence estimates were presented in percentages by age range for each gender, with the respective 95% confidence intervals (95% CI). These 95% CI were all calculated using exact probabilities provided by the binomial distribution, because approximation to normal distribution was not applicable to some cases. In each gender, the total crude prevalences were corrected for the sample effect using the actual age compositions, according to the technique described by Cochran<sup>14</sup> for finite populations. This correction provided population estimates of total prevalences in each gender.</p>
      <p>In some statistical comparisons, the 95% CI were used instead of p values. In others, we used the chi-square test or Fisher's exact test (for independent proportions), the Kruskall-Wallis and Mann-Whitney tests (non-parametric equivalents for independent samples of the one-criterion variance analysis, and of the Student's t test, respectively) when normality could not be assumed. In these comparisons, p&lt;0.05 was considered to indicate a low probability that the difference observed had occurred by chance, even when multiple statistical tests were performed<sup>15</sup>. Data were double entered. The SPSS 10.0, Stata 7.0 and Excel 97 software programs were used.</p>
      <p>The 2002 study was approved by the Research Ethics Committee of <italic>Universidade Federal de S&#227;o Paulo.</italic> Participants who required medical care were referred to the nearest basic health unit, and smokers wishing to have specific help to quit smoking were referred to reference centers for smoking treatment available in the city of Sao Paulo.</p>
      <p>
        <bold>Results</bold>
      </p>
      <p><xref ref-type="table" rid="en_09t1-body2">Table 1</xref> shows the smoking prevalence among all interviewees by age range and gender, and the estimated prevalence for the actual population, in the 1987 and 2002 surveys. By comparing the prevalences found in 1987 and 2002, a significant reduction in smoking prevalence can be observed in the two youngest age ranges of both genders. In the older age ranges, there were changes that did not reach statistical significance: drop among males, and increase among females. These changes in smoker percentages can be more easily observed in the total age-adjusted prevalences.</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_09t1-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-89-05-0333-00009-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>As regards skin color (<xref ref-type="table" rid="en_09t2-body2">Table 2</xref>), the crude smoker percentage was similar among white, mixed and black individuals in each of the surveys, with a significant reduction (p&lt;0.001) among white and mixed individuals from 1987 to 2002. The reduction among blacks did not reach statistical significance (p=0.280), nor did the differences observed among Asians (both within each survey and from one survey to the other).</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_09t2-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-89-05-0333-00009-gt02-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>Of the 1471 interviewees in 1987, 795 (54.0%) were non-smokers, 130 (8.8%) were former smokers, and 35 (2.4%) were occasional smokers, versus 1247 (59.3%), 320 (15.2%) and 40 (1.9%) of the 2103 interviewees in 2002, respectively. These results point to a significant increase of non-smokers (p = 0.002) and former smokers (p &lt; 0.001) from 1987 to 2002 in the total number of interviewees.</p>
      <p>In relation to the education level, the results were the following (<xref ref-type="table" rid="en_09t3-body2">Table 3</xref>): among people with the lowest education level, no significant change was observed from 1987 to 2002 as regards the percentage of non-smokers (57.6 and 53.0%, respectively; p=0.321), but the percentage of former smokers increased significantly (p=0.005), from 11.0 to 20.2%. The relatively low prevalence of smokers (29.3%) in the group with the lowest education level in 1987 did not result from the higher concentration of young females in this category. Among individuals with intermediate education level, the percentage of non-smokers increased from 53.8% to 59.4% (p=0.005) and that of former smokers increased from 7.2% to 14.1% (p&lt;0.001). Among individuals with the highest education level, the percentage of non-smokers increased from 49.3% to 62% in 1987 and 2002, respectively (p=0.007), without a significant change in the percentage of former smokers (16.2% and 16.9%, p=0.854).</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_09t3-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-89-05-0333-00009-gt03-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>Among smokers in 1987, the mean cigarette consumption per day was 19.7 for males, and 13.4 for females (p&lt;0.001). Among smokers in 2002, these means were 17.5 and 15.0, respectively (p = 0.002). The reduction in the male mean (p=0.037), and the increase in the female mean (p=0.029) were significant. Both in 1987 and in 2002, there was a predominance of filter cigarette consumption (98.4% and 97.8%, respectively), but the demand for low-tar cigarettes increased from 41.7% in 1987 to 61.5% in 2002 (p &lt; 0.001).</p>
      <p>In 1987, of the 130 former smokers, all (100.0%) had quit smoking for less than 10 years, most of them (67.7%) for less than five years. In 2002, of the 320 former smokers, 64.1% had quit smoking for less than 10 years (44.4% for less than five years, 19.7% between five and 10 years), and 35.9% for more than 10 years.</p>
      <p>Among smokers in 1987, 57.5% had already seriously tried to quit smoking, versus 61.7% in 2002 (p=0.179). In both surveys, the median time off cigarettes was 1.0 month.</p>
      <p>When smokers were asked whether they would change their smoking pattern in the next five years, 53.4% answered positively in 1987 (38.5% considered stopping completely, 12.9% considered reducing cigarette consumption, and 2.0% gave other answers). In 2002, 71.2% answered positively (57.7% would quit completely, 11.9% would reduce consumption, and 1.6% gave other answers).</p>
      <p>The awareness that "smoking is harmful to health" was high in both surveys (<xref ref-type="table" rid="en_09t4-body2">Table 4</xref>), and increased from 1987 to 2002 &#150; when the total percentage of those who agreed with this statement increased from 95.3% to 99.4% (p&lt;0.001). The most expressive change occurred for smokers, among whom the percentage of those who "fully agreed" increased from 78.7% to 95.0% (p&lt;0.001) and the percentage of those who disagreed decreased from 8.6% to 1.2% (p&lt;0.001). A similar situation occurred among non-smokers, for whom these percentages changed from 91.7 to 98.7% (p&lt;0.001) and from 1.1 to 0.3% (p=0.015), respectively.</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_09t4-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-89-05-0333-00009-gt04-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>As regards the results available only for the 2002 survey, the mean age of smoking initiation was 16.3 years (16.4 for males and 16.2 for females), and 88.3% of the interviewees referred having started smoking before the age of 20 years. The median monthly per capita income was lower (p=0.008) among smokers (R$ 284) when compared to that of former smokers (R$ 310) and of non-smokers (R$ 333). Using the simplified Fagerstr&#246;m test, 57.1% of the smokers were classified as slightly dependent, 30.6% as moderately dependent, and 12.3% as strongly dependent. No statistical difference was found between degree of dependence and gender.</p>
      <p>When all the 2103 individuals interviewed in 2002 were encouraged to freely mention what health problems they related to smoking, only 17 (0.8%) did not mention any, 981 (46.6%) mentioned one problem, 681 (32.4%) mentioned two, and 424 (20.2%), three. A total of 3614 problems were mentioned, and the most frequent ones could be classified into five ICD-10 chapters, as shown in <xref ref-type="table" rid="en_09t5-body2">Table 5</xref>, according to smokers categories: II &#150; neoplasms (41.9%), X - diseases of the respiratory system (28.3%), XVIII &#150; ill defined (12.6%), IX &#150; diseases of the circulatory system (9.2%), V &#150; behavioral and mental disorders (3.8%), and other (4.1%). In descending order, the more frequently mentioned neoplasms were: non-specified cancer, lung cancer, oropharynx cancer, mouth cancer, and cancer in other sites. The most frequently mentioned diseases of the respiratory system were: disorders due to inhalation, other respiratory disorders, respiratory failure, emphysema and bronchitis. The ill-defined problems mentioned were: malaise and fatigue, cough, respiratory abnormalities, sore throat, chest pain, other general signs and symptoms, unknown and non-specified causes of morbidity, and diseases of the digestive system. The diseases of the circulatory system mentioned were: hypertension, myocardial infarction, stroke, ill-defined heart diseases, and other diseases of the circulatory system. Among the behavioral and mental disorders, those most frequently mentioned were sexual dysfunction and other mental disorders.</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_09t5-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-89-05-0333-00009-gt05-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>
        <bold>Discussion</bold>
      </p>
      <p>Since tobacco smoking was introduced in the modern society, the proportion of male smokers has been higher than that of female smokers. In the past decades, a decrease in smoking prevalence has been observed in males, especially in developed countries, but also in some developing countries, such as Brazil<sup>16</sup>. In females, in turn, the rate of decrease in the smoking prevalence rate has varied among different countries<sup>16-17</sup>.</p>
      <p>In this study, the estimated tobacco smoking prevalence in 2002 was lower than that of 1987, both in males (25.4 and 41.8%) and in females (19.9 and 30.4%). The relative reduction from 1987 to 2002 was of 39% in males and 35% in females, because of a strong influence of the reduction in younger age ranges.</p>
      <p>In a comparison with data from the literature on the prevalence of smoking in the city of Sao Paulo, for the age range of 15 to 74 years, a prevalence of 54.8% was reported in males, and of 20% in females<sup>18</sup>. In 2002-2003, the Household Survey on Risk Behaviors and Referred Morbidity of Noncommunicable Diseases and Disorders<sup>8</sup> studied individuals older than 15 years of age and showed a prevalence of 23.1% in males and 17.5% in females in a sample of 1210 individuals, thus confirming the tendency of reduction in prevalences in both genders, also more significant in males in relation to females.</p>
      <p>This historical drop in the smoking prevalences seems to be strongly influenced by national campaigns against tobacco smoking, as well as by income decrease and unemployment<sup>10</sup>. In the past decade, Brazil created several laws to restrict cigarette advertisement and consumption in public premises, in addition to increasing the level of awareness on the harmful effects of smoking. However, the lower decrease in the prevalence of smoking among females may be pointing to a disturbing difficulty of smoking cessation in this group, partly due to the extensive publicity from the tobacco industry, which also tries to encourage smoking initiation, targeting specifically women. In the present study, we observed an increase in the mean cigarette consumption from 13.4 to 15 cigarettes per day among women from 1987 to 2002.</p>
      <p>As regards the smoking prevalence according to skin color, we observed a reduction in all groups, although not reaching statistical significance among blacks and Asians &#150; probably because of the small number of interviewees in these two groups. This study did not enable the analysis of whether the relation between skin color and a higher smoking prevalence resulted from the lower social class of the interviewees.</p>
      <p>As regards tobacco smoking by education level, a reduction in the prevalence of smokers was observed in all the three levels from 1987 to 2002. In relation to the 1987 results, the low prevalence of smokers in the group with lower education level may have occurred because of sample variation, since it is not explained by differences in gender and age in this category in relation to the others, nor does it follow the patterns observed in different parts of the world<sup>19</sup>. Therefore, it is reasonable to assume that in 1987 the prevalence of tobacco smoking among the low education level population was higher than the 29.3% recorded in that survey.</p>
      <p>In addition to the lower education level, the declared per-capita income among smokers was also lower than that of former smokers and non-smokers (results available only for the 2002 survey). The tendency of smoking to concentrate in the less privileged social classes is observed in Brazil and in several other countries<sup>17-19</sup>. Among the social factors, we can point out the poorer access to information, education and health care. These factors are amplified by market incentives that promote consumption and access to tobacco products, especially cigarettes. In fact, many poor families spend a significant part of their income with tobacco<sup>20</sup>, thus aggravating their health and poverty status, since smoking is an additional risk factor that will add to other morbid conditions found in less privileged populations.</p>
      <p>Smoking initiation before 20 years of age, as reported by 88.3% of the smokers in 2002, shows that it occurs early in life. Recently, the importance of age at smoking initiation on the development of a higher degree of nicotine dependence was analyzed more deeply. Of those who start smoking at around the age of 14 years, approximately 90% will be dependent by the age of 19. Those who start smoking between 14 and 16 years of age have been proven to develop a higher degree of nicotine dependence in comparison with those who smoked their first cigarette after 20 years of age<sup>21-22</sup>. Early initiation is an important prognostic factor for the development of diseases and should be avoided so that the risk of premature deaths in middle age or old age will not be higher<sup>23</sup>.</p>
      <p>Several studies demonstrated the importance of smoking in the first half hour after waking up and of consuming more than 20 cigarettes per day as indicators of high nicotine dependence<sup>12-13</sup>. In the present study, 12.3% of the smokers were classified as strongly dependent, and 30.6% as moderately dependent; this classification will help in the identification, by health services, of the individuals who will likely present discomfort (abstinence syndrome) when they quit smoking, and will perhaps require more complex interventions, including the use of medications, which makes one believe that it will be more difficult for them to maintain abstinence in the long term.</p>
      <p>The attitude of smokers in the city of Sao Paulo has been changing, considering the comparison of the 1987 and 2002 results. There was a reduction in the mean amount of daily cigarette consumption among males (but an increase among females), increase in demand for low-tar cigarettes, increase in the number of individuals who had quit smoking for more than 10 years, increase in the percentage of those who seriously tried to quit smoking, increase in the number of individuals who are considering to stop smoking completely in the next five years, and increase in the awareness that "smoking is harmful to health", both among smokers and non-smokers. As a critical comment, in relation to the attempt of "seriously quit smoking", the attribute of "seriousness" may have a different connotation from person to person, so that the results should be evaluated with more reservation, although the question was asked with the same wording both in 1987 and in 2002.</p>
      <p>The awareness on the harmful health effects caused by cigarettes has dramatically changed over the years. In the 1950's, less than 50% of the American adults believed that smoking could cause lung cancer. In the 1990's, this percentage increased to 92%. Other studies have demonstrated that the majority of the population (smokers and non-smokers) is in favor of laws restricting smoking in public and work premises<sup>24</sup>.</p>
      <p>In the present study, when smokers and former smokers were asked about the health problems that tobacco consumption could cause, both tended to spontaneously mention more ill-defined conditions than did non-smokers, and non-smokers tended to mention more neoplasms in relation to smokers and former smokers.</p>
      <p>The literature shows that more than 70% of the smokers state that they would like to stop smoking<sup>25</sup>. Even so, information regarding the harmful health effects of smoking should be addressed in campaigns, school curricula, and in public health policies. Despite their intention to quit smoking and their knowledge of the health problems caused by tobacco smoking, a great number of smokers is not able to actually quit, which can be partly justified by their being nicotine dependent. Strategies on the prevention and treatment of tobacco smoking need to be encouraged and targeted at teenagers, women and low-income individuals. Thus, periodic studies on the prevalence of tobacco smoking will be useful to redirect prevention campaigns and to evaluate cost-effective strategies for the control of smoking and treatment of smokers.</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>Sources of Funding</bold>
      </p>
      <p>This study was funded by FAPESP, process n&#186; 99/06187-6.</p>
      <p>
        <bold>Study Association</bold>
      </p>
      <p>This study is not associated with any graduation program.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="back-body2" fn-type="corresp">
          <label>
            <bold>Mailing address:</bold>
          </label>
          <p> Sandra Aparecida Ribeiro</p>
          <p> Av. Jo&#227;o Castaldi, 217/ 131</p>
          <p> 04517-050 &#150; S&#227;o Paulo, SP, Brasil</p>
          <p> E-mail: </p>
          <p>
            <email xlink:href="sandrarib@uol.com.br">sandrarib@uol.com.br</email>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p> Manuscript received March 12, 2007; revised manuscript received March 12, 2007; accepted April 11, 2007.</p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
