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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2007001600005</article-id>
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          <subject>Artigos Originais</subject>
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        <article-title>Risco cardiovascular em vegetarianos e on&#237;voros: um estudo comparativo</article-title>
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          <named-content content-type="city">Vit&#243;ria</named-content>
          <named-content content-type="state">Esp&#237;rito Santo</named-content>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Esp&#237;rito Santo</institution>
        <country country="BR">Brazil</country>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>10</month>
        <year>2007</year>
      </pub-date>
      <volume>89</volume>
      <issue>4</issue>
      <fpage>237</fpage>
      <lpage>244</lpage>
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          <day>25</day>
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        <date date-type="accepted">
          <day>09</day>
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          <year>2007</year>
        </date>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      </permissions>
      <abstract>
        <p>FUNDAMENTO: Estudos cl&#237;nicos e epidemiol&#243;gicos demonstram grande associa&#231;&#227;o da dieta com os agravos cr&#244;nicos, particularmente com os eventos cardiovasculares, apesar de ainda n&#227;o compreendidos todos os seus mecanismos de a&#231;&#227;o. OBJETIVO: Descrever e analisar o risco cardiovascular em vegetarianos e on&#237;voros residentes na Grande Vit&#243;ria/ES, na faixa et&#225;ria de 35 a 64 anos. M&#201;TODOS: Para avalia&#231;&#227;o do risco cardiovascular foi realizado estudo de coorte hist&#243;rico com 201 indiv&#237;duos. Foram inclu&#237;dos 67 vegetarianos h&#225; no m&#237;nimo 5 anos, provenientes da Grande Vit&#243;ria, e 134 on&#237;voros, participantes do Projeto MONICA/Vit&#243;ria, pareados por classe socioecon&#244;mica, sexo, idade e ra&#231;a. Medidas bioqu&#237;micas e hemodin&#226;micas foram obtidas na Cl&#237;nica de Investiga&#231;&#227;o Cardiovascular da UFES. Para compara&#231;&#227;o de propor&#231;&#245;es, foi usado o teste chi2 e calculada a raz&#227;o de preval&#234;ncia. O risco cardiovascular foi calculado por meio do algoritmo de Framingham. RESULTADOS: A idade m&#233;dia do grupo foi de 47 &#177; 8 anos e o tempo m&#233;dio de vegetarianismo 19 &#177; 10 anos, sendo a dieta ovolactovegetariana seguida por 73% dos vegetarianos. Press&#227;o arterial, glicemia de jejum, colesterol total, colesterol de lipoprote&#237;na de baixa densidade (LDL-colesterol) e triglicer&#237;deos foram mais baixos entre vegetarianos (p&lt;0,001). O colesterol de lipoprote&#237;na de alta densidade (HDL-colesterol) n&#227;o foi diferente entre os grupos. De acordo com o algoritmo de Framingham, os vegetarianos apresentaram menor risco cardiovascular (p&lt;0,001). CONCLUS&#195;O: A alimenta&#231;&#227;o on&#237;vora desbalanceada, com excesso de prote&#237;nas e gorduras de origem animal, pode estar implicada, em grande parte, no desencadeamento de doen&#231;as e agravos n&#227;o-transmiss&#237;veis, especialmente no risco cardiovascular.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Dieta vegetariana</kwd>
        <kwd>fatores de risco</kwd>
        <kwd>doen&#231;a cr&#244;nica</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>18</day>
        <month>04</month>
        <year>2008</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
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  <body>
    <p>
      <bold>ARTIGO ORIGINAL</bold>
    </p>
    <p>Risco cardiovascular em vegetarianos e on&#237;voros: um estudo comparativo</p>
    <p>
      <bold>Rita de C&#225;ssia Moreira de Almeida Teixeira; Maria del Carmen Bisi Molina; Eliana Zandonade; Jos&#233; Geraldo Mill</bold>
    </p>
    <p> Universidade Federal do Esp&#237;rito Santo - UFES - Vit&#243;ria, ES - Brasil</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="end">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p><bold>FUNDAMENTO:</bold> Estudos cl&#237;nicos e epidemiol&#243;gicos demonstram grande associa&#231;&#227;o da dieta com os agravos cr&#244;nicos, particularmente com os eventos cardiovasculares, apesar de ainda n&#227;o compreendidos todos os seus mecanismos de a&#231;&#227;o. </p>
    <p><bold>OBJETIVO:</bold> Descrever e analisar o risco cardiovascular em vegetarianos e on&#237;voros residentes na Grande Vit&#243;ria/ES, na faixa et&#225;ria de 35 a 64 anos. </p>
    <p><bold>M&#201;TODOS:</bold> Para avalia&#231;&#227;o do risco cardiovascular foi realizado estudo de coorte hist&#243;rico com 201 indiv&#237;duos. Foram inclu&#237;dos 67 vegetarianos h&#225; no m&#237;nimo 5 anos, provenientes da Grande Vit&#243;ria, e 134 on&#237;voros, participantes do Projeto MONICA/Vit&#243;ria, pareados por classe socioecon&#244;mica, sexo, idade e ra&#231;a. Medidas bioqu&#237;micas e hemodin&#226;micas foram obtidas na Cl&#237;nica de Investiga&#231;&#227;o Cardiovascular da UFES. Para compara&#231;&#227;o de propor&#231;&#245;es, foi usado o teste c<sup>2 </sup>e calculada a raz&#227;o de preval&#234;ncia. O risco cardiovascular foi calculado por meio do algoritmo de Framingham. </p>
    <p><bold>RESULTADOS:</bold> A idade m&#233;dia do grupo foi de 47 &#177; 8 anos e o tempo m&#233;dio de vegetarianismo 19 &#177; 10 anos, sendo a dieta ovolactovegetariana seguida por 73% dos vegetarianos. Press&#227;o arterial, glicemia de jejum, colesterol total, colesterol de lipoprote&#237;na de baixa densidade (LDL-colesterol) e triglicer&#237;deos foram mais baixos entre vegetarianos (p&lt;0,001). O colesterol de lipoprote&#237;na de alta densidade (HDL-colesterol) n&#227;o foi diferente entre os grupos. De acordo com o algoritmo de Framingham, os vegetarianos apresentaram menor risco cardiovascular (p&lt;0,001). </p>
    <p><bold>CONCLUS&#195;O:</bold> A alimenta&#231;&#227;o on&#237;vora desbalanceada, com excesso de prote&#237;nas e gorduras de origem animal, pode estar implicada, em grande parte, no desencadeamento de doen&#231;as e agravos n&#227;o-transmiss&#237;veis, especialmente no risco cardiovascular.</p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> Dieta vegetariana, fatores de risco, doen&#231;a cr&#244;nica.</p>
    <p>
      <bold>Introdu&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>Padr&#227;o alimentar vegetariano (VEG) &#233; aquele segundo o qual nada que implique sacrif&#237;cio de vidas animais deve servir &#224; alimenta&#231;&#227;o. Vegetarianos n&#227;o comem carne e seus derivados, mas podem consumir leite, latic&#237;nios e ovos. Essa dieta, corretamente planejada e balanceada, &#233; saud&#225;vel e traz benef&#237;cios para a sa&#250;de, pois atua tanto na preven&#231;&#227;o como no tratamento de doen&#231;as<sup>1</sup>. As dietas VEG s&#227;o classificadas em: ovolactovegetariana (OLVEG), pois inclui ovos, leite e latic&#237;nios; lactovegetariana (LVEG), em que s&#227;o inclu&#237;dos leite e seus derivados; e vegetariana estrita (VEGE), a qual n&#227;o inclui qualquer produto de origem animal.</p>
    <p>Estudos demonstram que os vegetarianos (VEGs) apresentam press&#227;o arterial mais baixa (entre 5 mmHg e 10 mmHg) que os on&#237;voros (ONIs)<sup>2 </sup>e menor preval&#234;ncia de hipertens&#227;o arterial<sup>3</sup>, mesmo quando o &#237;ndice de massa corporal (IMC) &#233; similar<sup>4</sup>. A mortalidade por doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o (DIC) foi 24% mais baixa entre os VEGs, comparativamente aos ONIs, sendo ainda mais baixa entre os ovolactovegetarianos (OLVEGs)<sup>5</sup>. O menor risco cardiovascular entre VEGs poderia ser explicado, em parte, pela ocorr&#234;ncia de n&#237;veis mais baixos de colesterol nesses indiv&#237;duos<sup>6</sup>. De acordo com estudo experimental de seguimento de um ano em coronariopatas<sup>7</sup>, as dietas vegetarianas seriam ainda capazes de reduzir a estenose coronariana secund&#225;ria &#224; aterosclerose. A redu&#231;&#227;o das placas, ainda que modesta, poderia explicar a redu&#231;&#227;o da angina nos pacientes que adotaram a dieta VEG nesse estudo<sup>7</sup>.</p>
    <p>As dietas vegetarianas tamb&#233;m atendem &#224;s diretrizes para o tratamento do diabete e estudos indicam que reduzem o risco para diabete do tipo 2. No Estudo de Sa&#250;de dos Adventistas, o risco de desenvolver diabete nos VEGs e nos ONIs, ajustado para a idade, foi de 1 e 1,97 para os homens e de 1 e 1,93 para as mulheres, respectivamente<sup>3</sup>.</p>
    <p>V&#225;rias s&#227;o as evid&#234;ncias cl&#237;nicas e epidemiol&#243;gicas de que a dieta tem implica&#231;&#227;o direta com o desencadeamento de doen&#231;as cr&#244;nicas, por&#233;m ainda n&#227;o s&#227;o totalmente esclarecidos os mecanismos de a&#231;&#227;o, particularmente em rela&#231;&#227;o ao risco cardiovascular.</p>
    <p>Este trabalho teve como objetivo determinar a preval&#234;ncia de fatores de risco cardiovascular em VEGs e comparar o quadro de risco com um grupo controle de ONIs, participantes do Projeto MONICA-OMS/Vit&#243;ria. </p>
    <p>
      <bold>M&#233;todos</bold>
    </p>
    <p>Trata-se de um estudo observacional comparativo, em que o risco cardiovascular foi considerado e investigado como desfecho principal nas dietas on&#237;vora (ONI - com carne) e VEG (sem carne), com e sem o fator de exposi&#231;&#227;o, respectivamente, formando dois grupos (um exposto &#224; ingest&#227;o de carne e o outro n&#227;o exposto). Os grupos de expostos e n&#227;o expostos &#224; dieta ONI ocidental foram determinados no in&#237;cio da investiga&#231;&#227;o.</p>
    <p>Foram classificados como VEGs indiv&#237;duos que, durante entrevista, relataram n&#227;o consumir carnes (vermelha ou branca) h&#225;, pelo menos, 5 anos. Foram classificados como ONIs indiv&#237;duos que participaram do Projeto MONICA-OMS/Vit&#243;ria e que relataram n&#227;o fazer restri&#231;&#227;o ao uso de carne em question&#225;rio sobre h&#225;bitos alimentares. O Projeto MONICA-OMS/Vit&#243;ria foi desenvolvido com o objetivo de tra&#231;ar os principais fatores de risco para as doen&#231;as cardiovasculares na popula&#231;&#227;o da cidade de Vit&#243;ria, Esp&#237;rito Santo, por meio de levantamento e an&#225;lise de dados socioecon&#244;micos, bioqu&#237;micos, antropom&#233;tricos, h&#225;bitos alimentares e de sa&#250;de em amostra probabil&#237;stica de moradores do munic&#237;pio.</p>
    <p>VEGs de ambos os sexos foram convidados a participar do estudo a partir da divulga&#231;&#227;o de inten&#231;&#227;o de pesquisa em restaurantes naturais e/ou vegetarianos e nas igrejas adventistas das cidades de Vit&#243;ria e Vila Velha, no Esp&#237;rito Santo. Dos 92 indiv&#237;duos eleg&#237;veis, 67 (73%) realizaram todos os exames necess&#225;rios para determina&#231;&#227;o do risco cardiovascular e responderam aos question&#225;rios para levantamento de dados socioecon&#244;micos, sa&#250;de auto-referida e h&#225;bitos de vida. Os question&#225;rios e os protocolos de realiza&#231;&#227;o dos exames laboratoriais foram id&#234;nticos aos utilizados no Projeto MONICA-OMS/Vit&#243;ria<sup>8</sup>. O grupo de ONIs foi selecionado a partir do banco de dados dos 1.663 participantes do Projeto MONICA-OMS/Vit&#243;ria. Para cada VEG foram selecionados pelo menos dois ONIs de mesmo sexo, idade, classe socioecon&#244;mica e ra&#231;a, visando ao pareamento das amostras nesses crit&#233;rios e ao aumento do poder dos testes estat&#237;sticos a serem realizados. No caso de haver mais de dois ONIs eleg&#237;veis para cada VEG, a escolha foi feita por sorteio. Apesar de a coleta de dados ter sido realizada em momentos distintos (1999-2000 para os ONIs e 2003-2004 para os VEGs), igual sistem&#225;tica foi adotada nos dois momentos. O estudo foi aprovado pelo Comit&#234; de &#201;tica em Pesquisa do Centro de Ci&#234;ncias da Sa&#250;de da UFES e n&#227;o houve conflito de interesses, conforme declara&#231;&#227;o dos autores.</p>
    <p>O question&#225;rio socioecon&#244;mico, de sa&#250;de, de h&#225;bitos alimentares e de atividade f&#237;sica aplicado durante visita domiciliar foi elaborado e utilizado durante a vig&#234;ncia do Projeto MONICA-OMS/Vit&#243;ria e os exames cl&#237;nicos foram realizados na Cl&#237;nica de Investiga&#231;&#227;o Cardiovascular do Programa de P&#243;s-Gradua&#231;&#227;o em Ci&#234;ncias Fisiol&#243;gicas da UFES nos dois grupos estudados. Na visita domiciliar, eram coletados os dados pessoais e levantados par&#226;metros para definir a classe socioecon&#244;mica, a escolaridade, e a condi&#231;&#227;o de tabagista (poss&#237;vel fator de confundimento, assim como o consumo de bebida alco&#243;lica) e de atividade f&#237;sica. Foi considerado neste estudo que o indiv&#237;duo praticava atividade f&#237;sica regular quando realizava exerc&#237;cios f&#237;sicos pelo menos tr&#234;s vezes na semana e no m&#237;nimo 30 minutos por se&#231;&#227;o.</p>
    <p>A coleta de sangue foi realizada em jejum de 12 horas, por pun&#231;&#227;o venosa profunda. As amostras de sangue foram analisadas em um &#250;nico laborat&#243;rio (Laborat&#243;rio Central do SESI - Vit&#243;ria, Esp&#237;rito Santo), sendo realizadas as quantifica&#231;&#245;es de colesterol total e fra&#231;&#245;es e glicemia de jejum. Para avalia&#231;&#227;o do consumo de s&#243;dio e pot&#225;ssio, foi utilizada a quantifica&#231;&#227;o desses eletr&#243;litos na urina noturna de 12 horas, protocolo validado em estudo anterior<sup>8</sup>.</p>
    <p>A press&#227;o arterial foi aferida duas vezes durante a visita cl&#237;nica, obedecendo-se &#224;s diretrizes da Sociedade Brasileira de Hipertens&#227;o<sup>9</sup>. As medidas foram feitas por um &#250;nico observador treinado, usando um esfigmoman&#244;metro de coluna de merc&#250;rio. As fases I e V dos sons de Korotkoff foram usadas como indicadores da press&#227;o arterial sist&#243;lica (PAS) e da press&#227;o arterial diast&#243;lica (PAD), respectivamente. A press&#227;o arterial de cada indiv&#237;duo foi calculada pela m&#233;dia aritm&#233;tica das duas medidas. A classifica&#231;&#227;o dos indiv&#237;duos em n&#237;veis press&#243;ricos foi feita segundo os crit&#233;rios do <italic>V Joint National Committee<sup>10</sup>. </italic>Dessa forma, foram enquadrados como hipertensos aqueles indiv&#237;duos com PAS<underline>&gt;</underline>140 mmHg e/ou com PAD<underline>&gt;</underline>90 mmHg ou, ainda, quando o indiv&#237;duo informava estar usando qualquer medica&#231;&#227;o anti-hipertensiva, ainda que de forma irregular.</p>
    <p>O risco de desenvolvimento de doen&#231;a arterial coronariana (DAC) aguda, mais especificamente infarto agudo do mioc&#225;rdio, tamb&#233;m chamado risco cardiovascular, foi calculado com base na tabela de pontos desenvolvida no Estudo de Framingham<sup>11</sup>. De acordo com essa tabela, o risco foi calculado, para cada sexo, levando-se em considera&#231;&#227;o sete par&#226;metros, quatro dos quais s&#227;o vari&#225;veis cont&#237;nuas (idade, PAS, concentra&#231;&#227;o plasm&#225;tica de colesterol total e concentra&#231;&#227;o plasm&#225;tica da fra&#231;&#227;o colesterol de lipoprote&#237;na de alta densidade - HDL-colesterol) e tr&#234;s s&#227;o vari&#225;veis dicot&#244;micas, definidas pela presen&#231;a de tabagismo, diabete melito e hipertrofia do ventr&#237;culo esquerdo. Foi considerado "tabagista" todo indiv&#237;duo que se declarou "fumante" no momento da entrevista (n&#227;o importando se cigarro de papel ou palha) ou que relatou abandono do tabagismo h&#225; menos de seis meses antes da entrevista. Os que se declararam fumantes ocasionais tamb&#233;m foram enquadrados como tabagistas. O indiv&#237;duo era classificado como "diab&#233;tico" quando apresentava glicemia de jejum <underline>&gt;</underline>126 mg/dl ou quando declarou fazer uso de hipoglicemiante oral e/ou insulina. A presen&#231;a de hipertrofia ventricular esquerda foi avaliada por meio de eletrocardiografia de repouso, usando-se como crit&#233;rio de corte o &#237;ndice de Sokolow-Lyon (SKL) <underline>&gt;</underline>3,5 mV (S<sub>V1 ou V2 </sub>+ R<sub>V5 ou V6</sub>). Para cada indiv&#237;duo, o total de pontos foi calculado a partir da seguinte f&#243;rmula: </p>
    <p> Spontos = pontos (Idade + CT + HDL + PAS + SKL + Tabagismo + Diabete).</p>
    <p>De acordo com o n&#250;mero de pontos, foi calculada a probabilidade de desenvolvimento de DAC em 5 e 10 anos, conforme tabela desenvolvida no Estudo de Framingham<sup>12</sup>. A estratifica&#231;&#227;o do risco cardiovascular utilizada neste estudo foi feita de acordo com diretrizes da SBC<sup>13</sup>: baixo risco, risco de evento &lt;10% em 5 e 10 anos; m&#233;dio risco, risco de evento <underline>&gt;</underline>10%, por&#233;m &lt;20%; e alto risco, risco de evento <underline>&gt;</underline>20%.</p>
    <p>Os dados referentes a vari&#225;veis quantitativas cont&#237;nuas s&#227;o apresentados como m&#233;dia &#177; desvio padr&#227;o e os referentes a vari&#225;veis qualitativas, como porcentuais. Foi realizada an&#225;lise bivariada para compara&#231;&#227;o de m&#233;dias, utilizando-se o teste <italic>t</italic> de Student. A compara&#231;&#227;o de propor&#231;&#245;es foi feita pelo teste do qui-quadrado (c<sup>2</sup>). A raz&#227;o de preval&#234;ncia (RP) foi usada como medida de associa&#231;&#227;o. Para avaliar a signific&#226;ncia estat&#237;stica das associa&#231;&#245;es, a hip&#243;tese nula foi de RP=1. Todos os testes foram bicaudais e o n&#237;vel de signific&#226;ncia estat&#237;stica foi preestabelecido em 5%. A an&#225;lise estat&#237;stica foi realizada no programa SPSS para ambiente Windows (vers&#227;o 10.0.1). Como o tamanho da amostra foi determinado pela triagem dos VEGs (total de 67), foi calculado <italic>a posteriori</italic> o poder do teste associado ao tamanho da amostra do estudo. Objetivando aumentar o poder do teste, foram definidos dois controles para cada caso, tendo sido calculado o poder do teste associado ao tamanho da amostra para as principais vari&#225;veis do estudo (raz&#227;o cintura-quadril, sobrepeso, glicose, hipertens&#227;o e colesterol). O valor m&#237;nimo de poder encontrado foi de 89%. Para esse c&#225;lculo utilizou-se o programa EPIINFO. </p>
    <p>
      <bold>Resultados</bold>
    </p>
    <p>Foram estudados 67 VEGs e 134 ONIs de ambos os sexos. A m&#233;dia de idade dos grupos foi de 47&#177;8 anos, sendo a maioria dos participantes brancos e mesti&#231;os. Uma descri&#231;&#227;o mais detalhada dos grupos foi publicada anteriormente<sup>14</sup>. A m&#233;dia de tempo de ades&#227;o &#224; dieta VEG do grupo VEG foi de 19&#177;10 anos, sendo a maioria (73%) do grupo do tipo OLVEG. Na amostra, 14% eram VEGs estritos, 10% eram ictovegetarianos e apenas 3% eram lactovegetarianos. </p>
    <p>Apesar de n&#227;o ter sido encontrada diferen&#231;a quanto &#224; freq&#252;&#234;ncia de pr&#225;tica regular de atividade f&#237;sica entre os dois grupos, o tempo dedicado &#224; atividade f&#237;sica foi maior no grupo ONI (62&#177;24 minutos) quando comparado ao grupo VEG (49&#177;27 minutos) (p=0,037). O tempo gasto assistindo &#224; televis&#227;o e/ou utilizando computador foi maior no grupo ONI<sup>14</sup>.</p>
    <p>As m&#233;dias da PAS e da PAD foram significativamente menores (p&lt;0,01) nos VEGs (108&#177;16 mmHg e 71&#177;10 mmHg, respectivamente) comparativamente aos ONIs (129&#177;19 mmHg e 86&#177;13 mmHg, respectivamente). Apenas um indiv&#237;duo do grupo VEG relatou fazer uso de medica&#231;&#227;o anti-hipertensiva, enquanto no grupo ONI 22 indiv&#237;duos relataram utilizar esse tipo de medica&#231;&#227;o, com 50% deles apresentando n&#237;veis press&#243;ricos controlados.</p>
    <p>A <xref ref-type="table" rid="tab01">tabela 1</xref> mostra que o grupo VEG apresentou IMC e raz&#227;o cintura-quadril menores que o grupo ONI, apesar de a ingest&#227;o cal&#243;rica total ter sido similar nos dois grupos. Entretanto, houve diferen&#231;a no balanceamento das dietas, pois os VEGs ingeriam menos calorias provenientes de prote&#237;nas e lip&#237;dios e mais provenientes de carboidratos. Todas as medidas bioqu&#237;micas relacionadas com o perfil lip&#237;dico, com exce&#231;&#227;o do HDL-colesterol, foram menores no grupo VEG. A glicemia de jejum tamb&#233;m mostrou diferen&#231;a significativa (p=0,000) entre os grupos, cabendo ressaltar que nenhum indiv&#237;duo do grupo VEG apresentou valor maior que 125 mg/dl, enquanto 14 indiv&#237;duos do grupo ONI apresentaram valores acima deste.</p>
    <table-wrap id="tab01">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-89-04-0237-00005-gt01.jpg"/></table-wrap>
    <p>Os VEGs tamb&#233;m apresentaram menores valores de ur&#233;ia e de &#225;cido &#250;rico e melhor rela&#231;&#227;o s&#243;dio/pot&#225;ssio (Na/K), &#224;s custas de menor ingest&#227;o de Na, j&#225; que n&#227;o houve diferen&#231;a em rela&#231;&#227;o &#224; excre&#231;&#227;o urin&#225;ria de K.</p>
    <p>A <xref ref-type="table" rid="tab02">tabela 2</xref> apresenta a preval&#234;ncia de fatores de risco cardiovascular nos dois grupos. A <xref ref-type="fig" rid="fig01">figura 1</xref> mostra que o total de pontos de risco cardiovascular foi significativamente menor nos VEGs. J&#225; que n&#227;o houve diferen&#231;a de sexo e idade entre os grupos, a diferen&#231;a deve-se aos menores valores de colesterol total e de press&#227;o arterial nos VEGs, bem como &#224; menor preval&#234;ncia de tabagismo e diabete. Apenas um ONI somou pontos com hipertrofia do ventr&#237;culo esquerdo.</p>
    <table-wrap id="tab02">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-89-04-0237-00005-gt02.jpg"/></table-wrap>
    <fig id="fig01">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-89-04-0237-00005-gf01.jpg"/></fig>
    <p>As probabilidades de DAC em 10 anos foram calculadas para os dois grupos diet&#233;ticos estudados e o valor do risco foi plotado em fun&#231;&#227;o da idade. No grupo como um todo, (<xref ref-type="fig" rid="fig02">fig. 2</xref>) a probabilidade de DAC em 10 anos foi ajustada para as seguintes equa&#231;&#245;es, para os VEGs e para os ONIs: Probabilidade de DAC em VEGs = 0,1 x 10<sup>-5</sup> x Idade<sup>3,77 </sup>e Probabilidade de DAC em ONIs = 0,6 x 10<sup>-6</sup> x Idade<sup>4,1959</sup>, sendo dada a idade em anos. Pode-se observar que a curva de probabilidade come&#231;a a sofrer inflex&#227;o para cima ap&#243;s os 37 ou 38 anos nos dois grupos, mas &#233; mais acentuada nos ONIs, culminando com probabilidade maior que o dobro para idades superiores a 40 anos.</p>
    <fig id="fig02">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-89-04-0237-00005-gf02.jpg"/></fig>
    <p>Pode-se observar que os VEGs, ao atingirem a idade de 64 anos, ainda t&#234;m, em m&#233;dia, probabilidade de DAC em 10 anos inferior a 10%, classificado como de baixo risco<sup>13</sup>, enquanto os ONIs de mesma idade t&#234;m probabilidade m&#233;dia superior a 20%, situando-se, portanto, na faixa de alto risco. A m&#233;dia e o desvio padr&#227;o da probabilidade de DAC em 10 anos para os VEGs foi de 4,0%&#177;3,4% e para os ONIs, de 8,7%&#177;7,3%.</p>
    <p>Tendo em vista que a m&#233;dia de idade para as mulheres foi de 47&#177;8 anos, portanto mulheres na faixa et&#225;ria da perimenopausa, os c&#225;lculos da probabilidade de DAC em 10 anos foram feitos separadamente (<xref ref-type="fig" rid="fig03">fig. 3</xref>). As curvas exponenciais que melhor se ajustaram aos pontos foram: Probabilidade de DAC em VEGs = 0,4 x 10<sup>-8</sup> x Idade<sup>5,185</sup> e Probabilidade de DAC em ONIs = 0,5 x 10<sup>-8</sup> x Idade<sup>5,3421</sup>, sendo dada a idade em anos. Pode-se observar que mulheres VEGs t&#234;m probabilidade m&#233;dia de DAC em 10 anos inferior a 5% aos 64 anos, situando-se, portanto, na zona de baixo risco, enquanto ONIs de mesma idade j&#225; se encontram na faixa de alto risco.</p>
    <fig id="fig03">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-89-04-0237-00005-gf03.jpg"/></fig>
    <p>A vari&#225;vel fumo apresentou associa&#231;&#227;o estatisticamente significante com os grupos ONIs e VEGs (p=0,0023), como tamb&#233;m a vari&#225;vel consumo de bebida alco&#243;lica (p=0,0104). Foram realizadas an&#225;lises excluindo os fumantes, tendo sido encontrados resultados muito semelhantes para todas as vari&#225;veis (resultados estatisticamente significantes). Foi por esse motivo que os autores deste trabalho optaram por apresentar somente a an&#225;lise incluindo os fumantes.</p>
    <p>Na <xref ref-type="table" rid="tab03">tabela 3</xref> pode-se observar que 93% dos VEGs foram classificados como de baixo risco e 7% como de m&#233;dio risco, enquanto 63% dos ONIs foram classificados como de baixo risco, 27% de m&#233;dio risco e 10% de alto risco (p=0,000).</p>
    <table-wrap id="tab03">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-89-04-0237-00005-gt03.jpg"/></table-wrap>
    <p>
      <bold>Discuss&#227;o</bold>
    </p>
    <p>Apesar de os produtos aliment&#237;cios ricos em prote&#237;nas e gorduras de origem animal serem bastante consumidos e valorizados na cultura brasileira, como carnes vermelhas e produtos embutidos, algumas pessoas optam por n&#227;o consumir alimentos de origem animal. Esse n&#250;mero &#233; bastante pequeno na popula&#231;&#227;o ocidental, em particular nos pa&#237;ses em desenvolvimento, como o Brasil, em que o consumo de produtos de origem animal vem crescendo continuamente com a renda, segundo estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&#237;stica (IBGE) em 2002 e 2003<sup>15</sup>.</p>
    <p>Apesar da dificuldade de se encontrar pessoas adeptas &#224; alimenta&#231;&#227;o sem carne na Grande Vit&#243;ria, foi poss&#237;vel contar com a colabora&#231;&#227;o de 67 pessoas que informaram n&#227;o ter consumido carne nos &#250;ltimos 5 anos, fato marcante para os indiv&#237;duos que optam por esse tipo de alimenta&#231;&#227;o em nossa cultura. Esse tempo m&#237;nimo de 5 anos foi estipulado neste estudo, considerando que quanto mais tempo de vegetarianismo maior seria a probabilidade de repercuss&#227;o desse tipo de dieta na sa&#250;de. No entanto, o tempo m&#233;dio entre os participantes desta avalia&#231;&#227;o foi de 19&#177;10 anos, possibilitando a realiza&#231;&#227;o do estudo. De acordo com a hip&#243;tese inicial, os ONIs estariam ingerindo excesso de prote&#237;nas e de lip&#237;dios de origem animal; portanto, o desbalanceamento da alimenta&#231;&#227;o ocidentalizada, adotada pela maioria da popula&#231;&#227;o, est&#225; associado &#224; ocorr&#234;ncia de doen&#231;as cr&#244;nicas n&#227;o-transmiss&#237;veis.</p>
    <p>Assim sendo, foram encontradas diferen&#231;as com melhores resultados para o grupo VEG em rela&#231;&#227;o ao ONI em todos os fatores de risco cardiovascular estudados, exceto no HDL-colesterol. Resultados similares t&#234;m sido encontrados em muitas pesquisas em pa&#237;ses da Europa e nos Estados Unidos, mas os estudos s&#227;o ainda escassos na Am&#233;rica do Sul. Navarro desenvolveu dois estudos<sup>16,17</sup>, e em ambos foi encontrada menor preval&#234;ncia de fatores de risco cardiovascular em VEGs que em semivegetarianos (SVGs) e ONIs.</p>
    <p>Seriam as dietas vegetarianas uma panac&#233;ia para doen&#231;as do estilo de vida moderno? Segundo Segasothy e Phillips<sup>18</sup>, h&#225; consider&#225;vel evid&#234;ncia epidemiol&#243;gica sugerindo que o estilo de vida vegetariano &#233; menos associado a doen&#231;as como obesidade, diabete, hiperlipidemia, hipertens&#227;o, DAC e alguns tipos de c&#226;ncer, comuns em pa&#237;ses industrializados. Segundo Lessa<sup>19</sup>, a express&#227;o cl&#237;nica das doen&#231;as cr&#244;nicas n&#227;o-transmiss&#237;veis faz-se ap&#243;s longo tempo de exposi&#231;&#227;o aos fatores de risco e da conviv&#234;ncia assintom&#225;tica do indiv&#237;duo com a doen&#231;a n&#227;o-diagnosticada, mesmo quando os fatores de risco s&#227;o percept&#237;veis. Curiosamente, a maioria dos fatores de risco para doen&#231;as cardiovasculares s&#227;o os mesmos para diabete e doen&#231;a renal cr&#244;nica, e compartilhados por uma variedade de neoplasias malignas. </p>
    <p>Quem primeiro evidenciou tal fato, por meio de estudos observacionais, foi Burkitt, que, ap&#243;s 20 anos de estudos epidemiol&#243;gicos na &#193;frica, publicou v&#225;rios artigos cient&#237;ficos na d&#233;cada de 1970<sup>20-23</sup>, descrevendo que as doen&#231;as cardiovasculares, o c&#226;ncer de c&#243;lon e de reto, a apendicite, a diverticulose dos c&#243;lons e os c&#225;lculos biliares eram raros ou quase desconhecidos nas popula&#231;&#245;es da &#193;frica rural. Em paralelo, essas mesmas doen&#231;as j&#225; apresentavam alta incid&#234;ncia nos Estados Unidos e nos pa&#237;ses industrializados<sup>21</sup>. Observando que o africano rural evacuava mais de 450 g de fezes pastosas uma vez ao dia, enquanto as popula&#231;&#245;es de &#225;reas industrializadas evacuavam, em m&#233;dia, 100 g de fezes duras, concentradas e com esfor&#231;o, centrou sua pesquisa nas diferen&#231;as da alimenta&#231;&#227;o dessas duas popula&#231;&#245;es. Observou que enquanto os africanos rurais usavam cereais integrais e pequena propor&#231;&#227;o de alimentos de origem animal, os habitantes de pa&#237;ses industrializados usavam cereais refinados, principalmente arroz e trigo, prote&#237;nas e gorduras de origem animal e pouca fibra. O tr&#226;nsito intestinal do africano tinha dura&#231;&#227;o de 15 a 17 horas e o dos habitantes de &#225;reas industrializadas, de 72 a 80 horas. A defici&#234;ncia de fibras retarda o tr&#226;nsito gastrointestinal, provocando estase de sais biliares nos c&#243;lons. A falta de fibras e o uso de cereais refinados e a&#231;&#250;car determinam aumento da preval&#234;ncia de flora bacteriana anaer&#243;bica nos c&#243;lons. Essa flora, agindo nos sais biliares, degrada-os quimicamente a colatos, que s&#227;o cancer&#237;genos. Esse autor, ent&#227;o, formulou a hip&#243;tese de que, em decorr&#234;ncia da estase, esses cancer&#237;genos permaneceriam por tempo prolongado em contato com a mucosa do c&#243;lon e do reto, causando risco de aparecimento de c&#226;ncer nessas regi&#245;es. Al&#233;m disso, a defici&#234;ncia de fibras na dieta propicia maior absor&#231;&#227;o de gorduras, pelo tr&#226;nsito mais lento e porque as fibras iriam adsorver as gorduras e impedir sua absor&#231;&#227;o para a circula&#231;&#227;o, eliminando-as com as fezes<sup>22</sup>. </p>
    <p>De fato, ap&#243;s a Revolu&#231;&#227;o Industrial, a ind&#250;stria aliment&#237;cia intensificou o processo de decortica&#231;&#227;o e refinamento dos cereais, a fim de prolongar sua armazenagem. Assim, alimentos que eram b&#225;sicos das popula&#231;&#245;es, como arroz e trigo, perderam 93% das fibras, 30% das prote&#237;nas, 71% dos sais minerais e 81% das vitaminas. O sal passou a ser refinado industrialmente, aumentando a concentra&#231;&#227;o com a remo&#231;&#227;o de outros 79 sais minerais, passando de 70% para 100% de cloreto de s&#243;dio<sup>24</sup>. O aumento do consumo de produtos animais, provavelmente, pode ter ocorrido para compensar as defici&#234;ncias nutricionais dos cereais refinados.</p>
    <p>A urbaniza&#231;&#227;o &#233; a grande for&#231;a que influencia a demanda mundial por produtos derivados de animais. Segundo a Organiza&#231;&#227;o Mundial da Sa&#250;de (OMS)<sup>25</sup>, tem havido enorme press&#227;o do setor de agropecu&#225;ria quanto ao reconhecimento do alto valor da prote&#237;na de origem animal. Esse setor vem crescendo num ritmo in&#233;dito, como uma grande onda que a&#231;ambarca o crescimento da popula&#231;&#227;o, a urbaniza&#231;&#227;o e o aumento de rendimentos. Nos pa&#237;ses em desenvolvimento, entre 1964-1966 e 1997-1999, o consumo de carne <italic>per capita</italic> aumentou 150% e o de latic&#237;nios, 60%. A produ&#231;&#227;o de carne no mundo &#233; projetada para aumentar de 218 milh&#245;es (1997-1999) para 376 milh&#245;es de toneladas em 2030, e o consumo <italic>per capita</italic> pode aumentar mais de 44%<sup>16</sup>. Se, por um lado, a urbaniza&#231;&#227;o tem favorecido a melhoria das condi&#231;&#245;es de vida da popula&#231;&#227;o, por outro tem impulsionado o crescimento das doen&#231;as cr&#244;nicas n&#227;o-transmiss&#237;veis. Essas doen&#231;as t&#234;m sido respons&#225;veis por 60% das mortes e incapacidade em todo o mundo e, numa escala progressiva, poder&#227;o chegar a 73% de todas as mortes em 2020<sup>26</sup>.</p>
    <p>A mistura de arroz integral com leguminosa (feij&#227;o, lentilha, ervilha, soja, gr&#227;o de bico) oferece a quantidade de amino&#225;cidos essenciais necess&#225;ria para o organismo, com a vantagem de n&#227;o carrear gordura saturada, al&#233;m de devolver as fibras nas propor&#231;&#245;es ideais &#224; dieta. Segundo Federmann<sup>27</sup>, os cereais integrais cont&#234;m quatro a cinco vezes mais fibras que um volume similar de vegetais e cerca de 15 a 20 vezes mais fibras que as frutas, d&#227;o a sensa&#231;&#227;o de saciedade e s&#227;o alimentos com baixo &#237;ndice glic&#234;mico. </p>
    <p>Nesta pesquisa observou-se a import&#226;ncia do IMC adequado na preven&#231;&#227;o da intoler&#226;ncia &#224; glicose. Mas &#233; interessante assinalar que, dentre os ONIs com intoler&#226;ncia &#224; glicose, 53% tinham IMC <underline>&gt;</underline> 30 e 35% tinham IMC <underline>&lt;</underline> 25. Assim, a menor glicemia do grupo VEG parece n&#227;o ser somente em decorr&#234;ncia do IMC mais adequado desse grupo, mas tamb&#233;m da menor ingest&#227;o de prote&#237;na de origem animal, pois esse &#233; o grande diferencial entre os dois grupos estudados. </p>
    <p>Uma das limita&#231;&#245;es deste estudo &#233; o fato de n&#227;o comparar grupos id&#234;nticos, isto &#233;: os VEGS foram volunt&#225;rios e os ONIs foram identificados a partir de um banco de dados de uma amostra rand&#244;mica. Al&#233;m disso, seria considerado mais adequado um estudo longitudinal, por&#233;m as dificuldades de condu&#231;&#227;o desse tipo de estudo s&#227;o imensas. Outra limita&#231;&#227;o diz respeito ao n&#227;o comparecimento de todos os vegetarianos eleg&#237;veis para exames necess&#225;rios &#224; determina&#231;&#227;o do risco cardiovascular. Ao comparar algumas vari&#225;veis estudadas nos indiv&#237;duos que compareceram com os que n&#227;o compareceram, foi observado que a m&#233;dia de idade e o porcentual de mulheres e homens eram semelhantes. O tempo de vegetarianismo foi maior (23 anos) e a maioria tamb&#233;m era de OLVEGs (73%).</p>
    <p>Como 62% dos VEGs eram adventistas do s&#233;timo dia (ASD), foi realizada uma an&#225;lise segundo a religi&#227;o (ASD e n&#227;o-ASD), n&#227;o tendo sido encontrada nenhuma diferen&#231;a estat&#237;stica entre esses dois grupos. Essa an&#225;lise permitiu excluir a religi&#227;o como a vari&#225;vel determinante das diferen&#231;as encontradas nos c&#225;lculos de risco entre VEGs e ONIs, confirmando dados da literatura obtidos pela compila&#231;&#227;o de grandes estudos, que demonstraram menor incid&#234;ncia de morte por DIC em vegetarianos<sup>5</sup>.</p>
    <p>Outro poss&#237;vel fator de confundimento neste estudo seria o fato de o grupo de ONIs contar com maior n&#250;mero de fumantes e de indiv&#237;duos que consomem bebidas alco&#243;licas. Vale ressaltar que n&#227;o foi aplicado question&#225;rio relativo ao consumo de &#225;lcool. Os dados obtidos sobre a ingest&#227;o de &#225;lcool dos ONIs s&#227;o indiretos (constam dos resultados do recordat&#243;rio alimentar) e ao grupo VEG foi perguntado sobre a ingest&#227;o de &#225;lcool e sua freq&#252;&#234;ncia. Estudos demonstram que o &#225;lcool em excesso pode contribuir para a ocorr&#234;ncia de hipertens&#227;o arterial, hipertrigliceridemia, diabete do tipo 2, c&#226;ncer, hepatopatia, pancreatite e problemas psicossociais<sup>28</sup>. Entretanto, segundo a OMS<sup>25</sup>, h&#225; evid&#234;ncia convincente de que o baixo a moderado consumo de &#225;lcool, regularmente, diminui o risco de doen&#231;a coronariana, o que seria favor&#225;vel aos ONIs. </p>
    <p>Ao se analisar a associa&#231;&#227;o da dieta e do risco cardiovascular sem o efeito do uso do tabaco, foi encontrado resultado semelhante. Pode-se, portanto, inferir que o grande diferencial entre os dois grupos estudados &#233; o consumo de carne, pois a maioria dos VEGs (73%) desta pesquisa consome tamb&#233;m ovos, leite e derivados. Apesar de todos os produtos de origem animal carrearem maior quantidade de prote&#237;nas e gorduras saturadas, a aus&#234;ncia de carne da dieta pode conferir prote&#231;&#227;o ao grupo dos VEGs.</p>
    <p>A hip&#243;tese inicial deste estudo era de que os ONIs estariam ingerindo excesso de prote&#237;nas e lip&#237;dios de origem animal, e, portanto, consumindo alimenta&#231;&#227;o desbalanceada, adotada pela maioria da popula&#231;&#227;o ocidental, a qual, por sua vez, estaria associada &#224; ocorr&#234;ncia de doen&#231;as cr&#244;nicas. Esse tipo de alimenta&#231;&#227;o, ingerida ao longo de muitos anos, parece favorecer o processo de aterosclerose e o desencadeamento das doen&#231;as isqu&#234;micas de modo geral.</p>
    <p>
      <bold>Conclus&#227;o</bold>
    </p>
    <p>Apesar da grande dificuldade de intervir com modifica&#231;&#227;o de h&#225;bitos alimentares, &#233; de fundamental import&#226;ncia evidenciar as vantagens da alimenta&#231;&#227;o rica em produtos de origem vegetal e pobre em alimentos de origem animal para a preven&#231;&#227;o e o controle dos fatores de risco cardiovascular. No caso das mulheres, a dieta vegetariana pode ser bastante favor&#225;vel, especialmente ap&#243;s a menopausa, visto que o risco cardiovascular se iguala ao dos homens nessa fase. </p>
    <p>
      <bold>Agradecimentos</bold>
    </p>
    <p>A todos os participantes do estudo, ao Fundo de Apoio &#224; Ci&#234;ncia e Tecnologia (Facitec/Vit&#243;ria), ao CNPq e aos alunos de gradua&#231;&#227;o da &#225;rea da sa&#250;de da UFES que participaram da coleta de dados.</p>
    <p>
      <fn id="end" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold>Correspond&#234;ncia:</bold>
        </label>
        <p> Maria del Carmen Bisi Molina </p>
        <p> Av. Marechal Campos, 1468 - Maru&#237;pe </p>
        <p> 29042-715 - Vit&#243;ria, ES - Brasil </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="mdcarmen@npd.ufes.br">mdcarmen@npd.ufes.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p> Artigo recebido em 20/08/06; revisado recebido em 25/03/07; aceito em 09/05/07.</p>
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      <article-categories>
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          <subject>Original Articles</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Cardiovascular risk in vegetarians and omnivores: a comparative study</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>BACKGROUND: Clinical and epidemiological studies have demonstrated a strong association between eating habits and chronic diseases, particularly cardiovascular events, although not all the mechanisms of action are understood. OBJECTIVE: To describe and analyze the cardiovascular risk (CVR) in vegetarians and omnivores residing in Greater Vit&#243;ria, State of Esp&#237;rito Santo, Brazil, in the age range from 35 to 64 years. METHODS: To evaluate CVR in the groups, a historical cohort study with 201 individuals was conducted. Sixty seven individuals who had been following a vegetarian diet for at least five years, and who were from Greater Vit&#243;ria, as well as 134 omnivores participating in the MONICA Project/Vit&#243;ria matched for socioeconomic class, gender, age and race were included. Biochemical and hemodynamic measurements were obtained in the Cardiovascular Investigation Clinic of UFES. For comparison of proportions, the chi2 test was used, and the Prevalence Ratio was calculated. The CVR was calculated using the Framingham algorithm for the group as a whole, and for separate genders. RESULTS: The mean age of the group was 47&#177;8 years and the mean duration of vegetarianism was 19&#177;10 years; the lacto-ovo vegetarian diet was followed by 73% of the vegetarians. Blood pressure, fasting plasma glucose, total cholesterol, LDL-c, and triglycerides were lower among vegetarians (p&lt;0.001). HDL-c levels were not different between the groups. According to the Framingham algorithm, vegetarians had a lower CVR (p&lt;0.001). CONCLUSION: Unbalanced omnivorous diet with excess animal protein and fat may be implicated, to a great extent, in the development of noncommunicable diseases and conditions, especially in the CVR.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Diet, vegetarian</kwd>
        <kwd>risk factors</kwd>
        <kwd>chronic disease</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>ORIGINAL ARTICLE</bold>
      </p>
      <p>Cardiovascular risk in vegetarians and omnivores: a comparative study</p>
      <p>
        <bold>Rita de C&#225;ssia Moreira de Almeida Teixeira; Maria del Carmen Bisi Molina; Eliana Zandonade; Jos&#233; Geraldo Mill</bold>
      </p>
      <p> Universidade Federal do Esp&#237;rito Santo - UFES - Vit&#243;ria, ES - Brazil</p>
      <p>
        <xref ref-type="corresp" rid="end-body2">Mailing address</xref>
      </p>
      <p>
        <bold>SUMMARY</bold>
      </p>
      <p><bold>BACKGROUND:</bold> Clinical and epidemiological studies have demonstrated a strong association between eating habits and chronic diseases, particularly cardiovascular events, although not all the mechanisms of action are understood.</p>
      <p><bold>OBJECTIVE:</bold> To describe and analyze the cardiovascular risk (CVR) in vegetarians and omnivores residing in Greater Vit&#243;ria, State of Esp&#237;rito Santo, Brazil, in the age range from 35 to 64 years.</p>
      <p><bold>METHODS:</bold> To evaluate CVR in the groups, a historical cohort study with 201 individuals was conducted. Sixty seven individuals who had been following a vegetarian diet for at least five years, and who were from Greater Vit&#243;ria, as well as 134 omnivores participating in the MONICA Project/Vit&#243;ria matched for socioeconomic class, gender, age and race were included. Biochemical and hemodynamic measurements were obtained in the Cardiovascular Investigation Clinic of UFES. For comparison of proportions, the c<sup>2</sup> test was used, and the Prevalence Ratio was calculated. The CVR was calculated using the Framingham algorithm for the group as a whole, and for separate genders.</p>
      <p><bold>RESULTS:</bold> The mean age of the group was 47&#177;8 years and the mean duration of vegetarianism was 19&#177;10 years; the lacto-ovo vegetarian diet was followed by 73% of the vegetarians. Blood pressure, fasting plasma glucose, total cholesterol, LDL-c, and triglycerides were lower among vegetarians (p&lt;0.001). HDL-c levels were not different between the groups. According to the Framingham algorithm, vegetarians had a lower CVR (p&lt;0.001).</p>
      <p><bold>CONCLUSION:</bold> Unbalanced omnivorous diet with excess animal protein and fat may be implicated, to a great extent, in the development of noncommunicable diseases and conditions, especially in the CVR.</p>
      <p><bold>Key words:</bold> Diet, vegetarian; risk factors; chronic disease.</p>
      <p>
        <bold>Introduction</bold>
      </p>
      <p>A vegetarian diet pattern (VEG) is that where nothing implicating the death of animals should serve as food. Vegetarians do not eat meat or meat products, but may consume milk, dairy products and eggs. This diet, when appropriately planned and balanced, is healthful and provides health benefits, because it acts both in the prevention and in the treatment of diseases<sup>1</sup>. VEG diets are classified as lacto-ovo vegetarian (LOVEG), when they include eggs, milk and dairy products; lacto vegetarian (LVEG), when milk and dairy products are included, and strict vegetarian (SVEG), which does not include any animal product. </p>
      <p>Studies show that vegetarians (VEGs) present lower blood pressure levels (from 5 to 10 mmHg) than omnivores (OMNIs)<sup>2</sup> and a lower prevalence of high blood pressure<sup>3</sup>, even when their body mass index is similar<sup>4</sup>. Mortality from ischemic heart disease (IHD) was 24% lower among VEGs when compared to OMNIs, and even lower among lacto-ovo vegetarians<sup>5</sup>. The lower cardiovascular risk among VEGs could be partly explained by the occurrence of lower cholesterol levels in these individuals<sup>6</sup>. According to an experimental one-year follow-up study in patients with coronary heart disease<sup>7</sup>, vegetarian diets could also reduce coronary stenosis secondary to atherosclerosis. Plaque reduction, albeit modest, could explain the reduction of angina in patients who adopted a VEG diet in this study<sup>7</sup>.</p>
      <p>Vegetarian diets also comply with the guidelines for the treatment of diabetes, and studies indicate that they reduce the risk for type-2 diabetes. In the "Adventists Health Study", the risk of development of diabetes among VEGs and OMNIs, adjusted for age, was 1 and 1.97 for men, and 1 and 1.93 for women, respectively<sup>3</sup>.</p>
      <p>Several clinical and epidemiological evidences show that diet is directly implicated in the development of chronic diseases; however, the mechanisms of action are not fully explained, particularly in relation to the cardiovascular risk. </p>
      <p>The objective of this study was to determine the prevalence of cardiovascular risk factors in vegetarians and to compare this risk with a control group of OMNIs participating in the MONICA-OMS Project / Vit&#243;ria.</p>
      <p>
        <bold>Methods</bold>
      </p>
      <p>This is a comparative observational study. The cardiovascular risk was considered and investigated as the primary endpoint and the OMNI (with meat) and VEG (without meat) diets, with and without the exposure factor respectively, comprising two groups (one exposed to meat ingestion and the other not exposed). The groups of individuals exposed and not exposed to the Western omnivorous diet were determined at baseline. </p>
      <p>Individuals who, during the interview, reported not to consume meat (whether red or white) for at least five years, were classified as VEG. Individuals participating in the MONICA-OMS Project/Vit&#243;ria who reported not to refrain from eating meat in the questionnaire on eating habits were classified as OMNIs. The MONICA Project/Vit&#243;ria was developed with the purpose of determining the major risk factors for cardiovascular diseases in the population of the city of Vit&#243;ria by means of a survey and analysis of socioeconomic, biochemical, and anthropometric data, as well as data on eating and health habits in a probabilistic sample of inhabitants of the city. </p>
      <p>The intention to conduct the research was publicized in natural and/or vegetarian restaurants and in Adventist churches in the cities of Vit&#243;ria and VilaVelha/ State of Esp&#237;rito Santo as a means to invite VEGs of both genders to participate in the study. Of the 92 eligible individuals, 67 (73%) underwent all the tests required for determination of the cardiovascular risk and answered the questionnaires for acquisition of socioeconomic data, as well as of data on self-reported health and life habits. The questionnaires and protocols for laboratory test performance were identical to those used in the MONICA-OMS Project/Vit&#243;ria<sup>8</sup>. The OMNI group was selected from the database of the 1,663 participants of the MONICA-OMS Project/Vit&#243;ria. For each VEG, at least two OMNIs of the same gender, age, socioeconomic class and race were selected, with the purpose of obtaining a matched sample in relation to these criteria and increasing the power of the statistical tests to be performed. If more than two OMNIs were eligible for each VEG, the choice was made by drawing lots. Although data collection had been made at different moments (1999-2000 for OMNIs and 2003-2004 for VEGs), the method used was the same at the two moments. The study was approved by the Research Ethics Committee of the Center of Health Sciences of UFES and there was no conflict of interest, as was declared by the authors.</p>
      <p>The socioeconomic, health, eating habits, and physical activity questionnaire administered during a home visit was elaborated and used during the MONICA Project/Vit&#243;ria, and the clinical tests were performed at the Cardiovascular Research Clinic of the Postgraduate Program in Physiological Sciences in the two groups studied. During the home visit, personal data were collected, as well as parameters to define the socioeconomic class, level of education, tobacco use (a possible confounding factor, as is the use of alcoholic beverages), and physical activity. In this study, individuals who performed physical exercises at least three times a week for at least thirty minutes per section were considered to perform regular physical activity. </p>
      <p>Blood was drawn after a 12-hour fasting, via a deep venous puncture. Blood specimens were analyzed in one single laboratory (SESI Central Laboratory - Vit&#243;ria) for determination of the lipid profile and fasting plasma glucose. To evaluate the consumption of sodium and potassium, a 12-hour overnight urine quantification of these electrolytes was performed, a protocol that had been validated in a previous study<sup>8</sup>.</p>
      <p>Blood pressure was measured twice during the clinical visit, in compliance with the guidelines of the Brazilian Society of Hypertension<sup>9</sup>. The measurements were taken by a single trained observer using a mercury sphygmomanometer. Korotkoff sounds phases I and V were used as indicators of systolic (SBP) and diastolic blood pressure (DBP), respectively. Blood pressure of each individual was calculated by the arithmetic mean of the two measurements. The individuals were classified as regards their pressure levels according to the criteria of the V Joint National Committee<sup>10</sup>. Thus, they were classified as hypertensive when their SBP was <underline>&gt;</underline>140mmHg and/or DBP<underline>&gt;</underline>90mmHg or also when they reported to use any antihypertensive medication, albeit irregularly. </p>
      <p>The risk of development of acute coronary artery disease (CAD), more specifically myocardial infarction, also called "cardiovascular risk" (CVR), was calculated based on the points table developed by the Framingham Study<sup>11</sup>. According to this chart, the risk was calculated for each gender taking seven parameters into consideration, four of which are continuous variables (age, systolic blood pressure, and total cholesterol and HDL-c plasma concentration), and three are dichotomous variables, defined by the presence of cigarette smoking, diabetes mellitus, and left ventricular hypertrophy. All individuals who declared themselves to be "smokers" (whether of paper-rolled or straw-rolled cigarettes) at the moment of the interview, or who reported to have quit smoking for less than six months prior to the interview were considered smokers. Those who declared themselves as occasional smokers were also considered smokers. Individuals were classified as "diabetics" when they presented fasting plasma glucose <underline>&gt;</underline>126 mg/dl or reported use of oral hypoglycemic agents and/or insulin. The presence of left ventricular hypertrophy was detected with resting electrocardiogram (ECG) using the Sokolow-Lyon index <underline>&gt;</underline> 3.5 mV (S<sub>V1 or V2 </sub>+ R<sub>V5 or V6</sub>) as the cut-off criterion). For each individual, the total score was calculated using the following equation:</p>
      <p>S points = (Age + TC + HDL + SBP + SKL + Smoking + Diabetes) points.</p>
      <p>According to the score obtained, the probability of developing coronary artery disease in five to ten years was calculated using the table developed in the Framingham study<sup>12</sup>. CVR stratification in this study was performed according to the Brazilian Society of Cardiology (BSC)<sup>13</sup>: Low risk - event risk &lt; 10% in five to ten years; Average risk - event risk <underline>&gt;</underline>10% but &lt;20%, and High risk - event risk <underline>&gt;</underline> 20%.</p>
      <p>Data regarding continuous quantitative variables are expressed as mean &#177; standard deviation, and those regarding qualitative variables are expressed as percentages. A bivariate analysis was performed to compare the means, using the Student&#146;s t test. Comparison of proportions was performed using the chi-square test (c<sup>2</sup>). The prevalence ratio (PR) was used as a measurement of association. To evaluate the statistical significance of the associations, the null hypothesis was PR = 1. All tests were two-tailed tests and the level of statistical significance was predetermined at 5%. The statistical analysis was performed using the SPSS software program for Windows (version 10.0.1). Since the sample size was determined by screening the VEGs (total of 67), the test power associated with the study sample size was calculated <italic>a posteriori</italic>. Two controls were defined for each case to increase the test power. The test power associated with the sample size was calculated for the main variables of the study (WHR, overweight, glycemia, hypertension and cholesterol). The minimum power value found was 89%. The EPIINFO software program was used for this calculation.</p>
      <p>
        <bold>Results</bold>
      </p>
      <p>A total of 67 VEGs and 134 OMNIs of both genders were studied. The mean age of the groups was 47&#177;8 years, and most of the participants were white or of mixed race. A more detailed group description had been published previously<sup>14</sup>. The mean duration of compliance to the vegetarian diet in the group VEG was 19&#177;10 years, and most of the individuals (73%) in this group were lacto-ovo vegetarians. In the sample, 14% were strict vegetarians, 10% were pesco-vegetarians, and only 3% were lacto-vegetarians. </p>
      <p>Although no difference had been found between the two groups as regards the frequency of regular practice of physical activities, time spent with physical activities was longer in the OMNI group (62&#177;24min) when compared with the VEG group (49&#177;27min), p=0.037; time spent watching television and/or using a computer was longer in the OMNI group<sup>14</sup>.</p>
      <p>Mean SBP and DBP were significantly lower (p&lt;0.01) in VEGs (108&#177;16 and 71&#177;10mmHg) than in OMNIs (129&#177;19 and 86&#177;13mmHg). Only one individual in the VEG group reported use of antihypertensive medication, whereas in the OMNI group 22 did so; 50% of them had their blood pressure controlled. </p>
      <p>The VEG group had lower BMI and WHR than the OMNI group, although the total caloric intake had been similar in the two groups, as shown in <xref ref-type="table" rid="tab01-body2">Table 1</xref>. However, there was a difference in the balance of the diets, because VEGs ate fewer calories from protein and lipids and more from carbohydrates. All biochemical measurements related to the lipid profile were lower in the VEG group, except for HDL-cholesterol. Fasting plasma glucose was also significantly different (p=0.000) between the groups, and it is worth pointing out that no individuals from the VEG group had levels higher than 125 mg/dl, whereas 14 individuals in the OMNI group had levels higher than that.</p>
      <table-wrap id="tab01-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-89-04-0237-00005-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>VEGs also had lower levels of urea, uric acid, and a better Na/K ratio, because of lower ingestion of sodium, since no difference was observed in relation to the urinary excretion of K.</p>
      <p>The prevalence of cardiovascular risk factors in the two groups is shown in <xref ref-type="table" rid="tab02-body2">Table 2</xref>. The total CVR points were significantly lower among VEGs, as shown in <xref ref-type="fig" rid="fig01-body2">Figure 1</xref>. Since there was no difference regarding gender and age between the groups, the difference in points is due to the lower total cholesterol and blood pressure values among VEGs, as well as to the lower prevalence of cigarette smoking and diabetes. Only one OMNI had points attributed to left ventricular hypertrophy.</p>
      <table-wrap id="tab02-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-89-04-0237-00005-gt02-en.jpg"/></table-wrap>
      <fig id="fig01-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-89-04-0237-00005-gf01-en.jpg"/></fig>
      <p>The probability of developing coronary artery disease in ten years was calculated for the two diet groups studied, and the risk value was plotted as a function of age. In the group as whole (<xref ref-type="fig" rid="fig02-body2">Figure 2</xref>), the probability of developing CAD in 10 years for VEGs and OMNIs was adjusted for the following equations: Probability of CAD = 0.1 x 10<sup>-5</sup> x Age<sup>3.77 </sup>and = 0.6 x 10<sup>-6</sup> x Age<sup>4.1959</sup>, respectively (age in years). We can observe that the probability curve starts to present an upward inflection after 37 or 38 years in both groups, although more markedly for OMNIs, culminating with a higher than twofold probability for ages higher than 40 years. </p>
      <fig id="fig02-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-89-04-0237-00005-gf02-en.jpg"/></fig>
      <p>We can observe that when VEGs reach the age of 64 years they still have a lower than 10% mean probability of developing CAD in 10 years, and are thus classified as low risk<sup>13</sup>, whereas OMNIs of the same age have a higher than 20% mean probability, and are therefore classified as high risk. The mean and standard deviation of the probability of CAD in ten years was 4.0&#177;3.4 (%) for VEGs, and 8.7&#177;7.3 (%) for OMNIs.</p>
      <p>Considering that the mean age for women was 47&#177;8 years - therefore perimenopausal women - the probability of developing CAD in ten years was calculated separately (<xref ref-type="fig" rid="fig03-body2">Figure 3</xref>). The exponential curves that best adjusted to the points were: Probability of CAD in VEGs = 0.4 x 10<sup>-8</sup> x Age<sup>5.185</sup> and Probability of CAD in OMNIs = 0.5 x 10<sup>-8</sup> x Age<sup>5.3421</sup>, with age expressed in years. We can observe that VEG women have a lower than 5% mean probability of developing CAD in 10 years at the age of 64, and are therefore situated within the low risk range, whereas OMNI women of the same age are already situated within the high risk range.</p>
      <fig id="fig03-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-89-04-0237-00005-gf03-en.jpg"/></fig>
      <p>The smoking variable had a statistically significant association with the OMNI and VEG groups (p=0.0023), as did the alcohol consumption variable (p=0.0104). Analyses excluding smokers were performed and we found very similar results for all variables (statistically significant results); therefore we chose to present only the analysis including smokers. </p>
      <p><xref ref-type="table" rid="tab03-body2">Table 3</xref> reveals that 93% of the VEGs were classified as low risk and 7% as medium risk, while 63% of the OMNIs were classified as low risk, 27% as medium risk and 10% as high risk (p=0.000).</p>
      <table-wrap id="tab03-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-89-04-0237-00005-gt03-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>
        <bold>Discussion</bold>
      </p>
      <p>Although some food products rich in animal protein and fat, like red meat and sausages, are widely consumed and valued in the Brazilian culture, some people choose not to consume animal food. The number of people who do not consume animal food is excessively small in the Western population, particularly in developing countries such as Brazil, where animal food consumption has continuously increased with income, according to a study performed by the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE) in the years of 2002 and 2003<sup>15</sup>.</p>
      <p>Despite the difficulty in finding people adept to meatless food in Greater Vit&#243;ria, we could count on the collaboration of 67 persons who informed not having consumed meat in the past five years, which is a remarkable fact for individuals who choose this type of food within our culture. We stipulated this minimum period of five years, considering that the longer the time of vegetarianism, the higher the probability of any effect of this type of diet on health. However, the mean time among the participants in our study was 19&#177;10 years, thus enabling this study to be conducted. According to the initial hypothesis, OMNIs were eating animal protein and fat in excess; this shows that the unbalanced westernized diet adopted by the majority of the population is associated with the occurrence of noncommunicable chronic diseases.</p>
      <p>Thus, differences were found with better results for the VEG group in relation to the OMNI group in all cardiovascular risk factors studied, except for HDL-c. Similar results have been found in many trials conducted in European countries and the USA; however, studies are still scarce in South America. Navarro conducted two studies<sup>16,17</sup>. In both, a lower prevalence of cardiovascular risk factors was found in VEGs than in semi-vegetarians and OMNIs. </p>
      <p>Would vegetarian diets be a panacea for modern lifestyle diseases? According to Segasothy &amp; Phillips<sup>18</sup> there is considerable epidemiologic evidence suggesting that the vegetarian lifestyle is less associated with diseases such as obesity, diabetes, hyperlipidemia, hypertension, CAD, and some malignancies, which are common in industrialized countries. According to Lessa<sup>19</sup>, the clinical expression of noncommunicable chronic diseases occurs after a long period of exposure to the risk factors and of asymptomatic coexistence of the individual with the non-diagnosed disease, even when the risk factors are noticeable. Curiously, the great majority of the risk factors for CVDs is the same for diabetes and chronic kidney disease; it is also shared by a variety of malignancies. </p>
      <p>Burkitt was the first to demonstrate this fact in observational studies. After 20 years of epidemiologic studies in Africa, he published several scientific articles in the 1970&#146;s<sup>20-23</sup> describing that CVDs, cancer of the colon and rectum, appendicitis, diverticulitis of the colon, and gall stones were uncommon or almost unknown in rural African populations. In parallel, these diseases already had a high incidence in the United States and other industrialized countries<sup>21</sup>. By observing that rural Africans evacuated more than 450g of soft stools once a day, whereas populations from industrialized areas evacuated, on average, 100g of hard, concentrated, difficult to pass stools, Burkitt focused his research on the differences between the diets of these two populations. He observed that, while rural Africans used whole grains and a small proportion of animal food, inhabitants of industrialized countries used refined grains, especially rice and wheat, animal protein and fat, and little fiber. Intestinal transit time was 15 to 17 hours in Africans and 72 to 80 hours in inhabitants of industrialized areas. Fiber deficiency slows the gastrointestinal transit, thus leading to bile stasis in the colon. The lack of fibers and use of refined grains and sugar result in an increased prevalence of anaerobic bacterial flora in the colon. By acting in the bile salts, this flora chemically degrades them into cholates which are carcinogenic. The author hypothesized that, due to stasis, these carcinogens would remain in contact with the colonic and rectal mucosa for a prolonged time,thus causing the risk of development of cancer in these regions. Additionally, dietary fiber deficiency promotes increased fat absorption because of the slower transit and because fibers adsorb fat, which prevents it from being absorbed into the circulation and eliminates it with the stools<sup>22</sup>.</p>
      <p>In fact, after the Industrial Revolution, the food industry intensified the process of hulling and refining grains to extend storage life, and foods such as rice and wheat, that were basic for populations, lost 93% of their fibers, 30% of proteins, 71% of mineral salts, and 81% of vitamins. Salt started to be industrially refined, and had its concentration increased by removing other 79 mineral salts, going from 70% to 100% of sodium chloride<sup>24</sup>. The increase in consumption of animal products may likely have occurred to compensate nutritional deficiencies of refined grains. </p>
      <p>Urbanization is the major force that affects the worldwide demand for animal products and, according to the WHO<sup>25</sup>, the agriculture and livestock farming industries have put enormous pressure for the high nutritional value of animal protein to be recognized. These industries have grown at an unprecedented pace, like a great wave that controls population growth, urbanization and income increase. In developing countries, per-capita meat and dairy product consumption increased by 150% and 60%, respectively, between 1964-1966 and 1997-1999. Worldwide meat production is expected to increase from 218 million (1997-1999) to 376 million tonnes in 2030, and the per-capita consumption may increase by more than 44%<sup>16</sup>. If, on one hand, urbanization has provided the population with better living conditions, on the other hand, it has fostered the growth of noncommunicable chronic diseases. These diseases have accounted for 60% of deaths and disability worldwide and, in a progressive scale, they may reach 73% of all deaths by 2020<sup>26</sup>.</p>
      <p>The combination of whole rice and legumes (beans, lentils, peas, soy, chickpeas) provides the amount of essential amino acids required by the body, with the advantage of not carrying saturated fat, and in addition to providing an optimal proportion of fibers in the diet. According to Federmann<sup>27</sup>, whole grains contain four to five times more fibers than a similar amount of vegetables, and approximately 15 to 20 times more fibers than fruits; they also provide the feeling of satiety and are low glycemic index foods. </p>
      <p>In this study, the importance of an appropriate BMI in the prevention of glucose intolerance is observed. However, it is interesting to point out that among OMNIs with glucose intolerance, 53% had a BMI <underline>&gt;</underline>30 and 35% had a BMI <underline>&lt;</underline>25. Therefore, lower blood glucose levels in the VEG group seems to result not only from a more appropriate BMI in this group, but also from the lower animal fat ingestion because this is the major differential between the two groups studied.</p>
      <p>One of the limitations of this study is the fact that the groups compared are not identical, that is: vegetarians were volunteers and omnivores were selected from a database of a random sample. Additionally, a longitudinal study would have been more appropriate; however the difficulties to conduct this type of study are enormous. Another limitation was that not all eligible vegetarians attended the appointment for performance of the laboratory tests required for determination of the cardiovascular risk. When some of the variables studied were compared between individuals who attended the appointment and those who did not, we observed that the mean age and the percentage of females and males were similar. Duration of vegetarianism was longer (23 years) and most of them were also lacto-ovo vegetarians (73%). </p>
      <p>Since 62% of the vegetarians were Seventh-Day Adventists (SDA), an analysis was performed according to the religion (SDA and non-SDA), but no statistical difference was found between these two groups, thus allowing the exclusion of religion as the variable determining the differences found in the calculation of risk between VEGs and OMNIs, which corroborated data from the literature obtained by compilation of large studies that showed a lower incidence of death from ischemic heart disease in vegetarians<sup>5</sup>.</p>
      <p>Another possible confounding factor in this study could be the fact that there was a greater number of smokers and of individuals who consumed alcoholic beverages in the omnivore group. It is worth pointing out that no questionnaire was administered in relation to alcohol consumption. Data on alcohol consumption among the OMNIs were obtained indirectly (they are reported in the results of the diet record). VEG group individuals were asked whether they consumed alcohol and how often. Studies demonstrate that excess alcohol may contribute to the occurrence of hypertension, hypertriglyceridemia, type-2 diabetes, cancer, liver diseases, pancreatitis, and psychosocial problems<sup>28</sup>. However, according to the WHO<sup>25</sup>, there is convincing evidence that regular low to moderate alcohol consumption reduces the risk of coronary artery disease, which would be favorable to the OMNIs.</p>
      <p>When an analysis was performed to verify the association between diet and cardiovascular risk without the effect of tobacco use, a similar result was found. Therefore, we can conclude that the major differential between the two groups studied was meat consumption, because most of the vegetarians (73%) in this research also consumed eggs, milk and dairy products. Although all animal products carry a greater amount of protein and saturated fats, the lack of meat in the diet may provide protection to the vegetarian group.</p>
      <p>Our initial hypothesis was that OMNIs were consuming an excess animal protein and fat and, therefore, having an unbalanced diet, which is adopted by most of the Western population. This diet, in turn, would be associated with the occurrence of chronic diseases. This type of diet consumed over many years seems to contribute to the atherosclerotic process and the development of ischemic diseases in general.</p>
      <p>
        <bold>Conclusion</bold>
      </p>
      <p>Despite the great difficulty of intervening with changes in diet habits, it is of the utmost importance to point out the advantages of a diet rich in vegetable products and poor in animal food products in the prevention and control of cardiovascular risk factors. In the case of women, a vegetarian diet may be quite favorable, especially after menopause, given that the cardiovascular risk equals that of men in this phase.</p>
      <p>
        <bold>Acknowledgements</bold>
      </p>
      <p>To all participants in the study, to <italic>Fundo de Apoio &#224; Ci&#234;ncia e Tecnologia </italic>(Facitec/Vit&#243;ria), to CNPq, and to the college students in the Health area of UFES who participated in data collection.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="end-body2" fn-type="corresp">
          <label>
            <bold>Mailing address:</bold>
          </label>
          <p> Maria del Carmen Bisi Molina</p>
          <p> Av. Marechal Campos, 1468 - Maru&#237;pe</p>
          <p> 29042-715 - Vit&#243;ria, ES - Brazil</p>
          <p> E-mail: </p>
          <p>
            <email xlink:href="mdcarmen@npd.ufes.br">mdcarmen@npd.ufes.br</email>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p> Manuscript received August 20, 2006; revised manuscript received March 25, 2007; accepted May 9, 2007.</p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
