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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="ppub">0066-782X</issn>
      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
      </publisher>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">Cs6RMx94ytLjTCp44PmkVZH</article-id>
      <article-id pub-id-type="other">00012</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2007000500012</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(07)08800512</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2007000500012</article-id>
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          <subject>Artigos Originais</subject>
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        <article-title>&#205;ndice de massa corporal e circunfer&#234;ncia da cintura como marcadores de hipertens&#227;o arterial em adolescentes</article-title>
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            <given-names>Maria Luiza Garcia</given-names>
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            <given-names>V&#226;nia de Matos</given-names>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Federal Fluminense</institution>
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        <institution content-type="orgname">Funda&#231;&#227;o Oswaldo Cruz</institution>
        <institution content-type="orgdiv1">Instituto Fernandes Figueira </institution>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>05</month>
        <year>2007</year>
      </pub-date>
      <volume>88</volume>
      <issue>5</issue>
      <fpage>573</fpage>
      <lpage>578</lpage>
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          <day>03</day>
          <month>07</month>
          <year>2006</year>
        </date>
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          <day>03</day>
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        <date date-type="accepted">
          <day>27</day>
          <month>12</month>
          <year>2006</year>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      </permissions>
      <abstract>
        <p>OBJETIVO: Avaliar a sensibilidade e a especificidade de medidas antropom&#233;tricas de gordura corporal em uma amostra de adolescentes brasileiros, na predi&#231;&#227;o da hipertens&#227;o. M&#201;TODOS: A press&#227;o arterial de uma amostra de 456 estudantes de 12 a 17 anos, de escolas p&#250;blicas e privadas do bairro do Fonseca (Niter&#243;i, RJ), entre 2003 e 2004, foi medida em duas visitas, definindo-se como hipertenso o adolescente com press&#227;o arterial sist&#243;lica e press&#227;o arterial diast&#243;lica superiores ao percentil 95 por sexo, idade e altura. Foi aplicado question&#225;rio e foram medidos o &#237;ndice de massa corporal (IMC) e a circunfer&#234;ncia da cintura (CC). RESULTADOS: Houve associa&#231;&#227;o estatisticamente significativa entre hipertens&#227;o e os pontos de corte considerados desfavor&#225;veis, tanto para IMC como para CC. A maior associa&#231;&#227;o foi com o ponto de corte proposto para a popula&#231;&#227;o brasileira. Os valores da sensibilidade do IMC, usados para as popula&#231;&#245;es americanas negra e branca ou para a popula&#231;&#227;o brasileira, foram de 52,4% a 57,1% e de 52,4%, respectivamente. J&#225; os valores da especificidade foram de 69,3%, 70,0% e 80,88%. A sensibilidade encontrada na amostra deste estudo, relativa aos pontos de corte para CC propostos para todas as etnias americanas, tamb&#233;m foi baixa (45,0%), e a especificidade foi um pouco mais elevada (77,6% e 74,5%, respectivamente). CONCLUS&#195;O: As medidas referentes &#224; CC americana mostraram baixos n&#237;veis de sensibilidade e especificidade para a hipertens&#227;o na popula&#231;&#227;o brasileira. Em rela&#231;&#227;o ao IMC, os pontos de corte dispon&#237;veis tamb&#233;m demonstraram baixa sensibilidade. H&#225; necessidade de se estabelecer pontos de corte de gordura corporal, que possam melhor predizer o risco cardiovascular.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Adolescentes</kwd>
        <kwd>preval&#234;ncia</kwd>
        <kwd>hipertens&#227;o</kwd>
        <kwd>obesidade</kwd>
        <kwd>circunfer&#234;ncia abdominal</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>15</day>
        <month>06</month>
        <year>2007</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <p>
      <bold>ARTIGO ORIGINAL</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>&#205;ndice de massa corporal e circunfer&#234;ncia da cintura como marcadores de hipertens&#227;o arterial em adolescentes</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Maria Luiza Garcia Rosa; Evandro Tinoco Mesquita; Emanuel Ribeiro Romeiro da Rocha; V&#226;nia de Matos Fonseca</bold>
    </p>
    <p> Universidade Federal Fluminense (Instituto de Sa&#250;de da Comunidade e Departamento de Medicina Cl&#237;nica)/Funda&#231;&#227;o Oswaldo Cruz (Instituto Fernandes Figueira) &#150; Niter&#243;i, RJ</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="end">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p><bold>OBJETIVO: </bold>Avaliar a sensibilidade e a especificidade de medidas antropom&#233;tricas de gordura corporal em uma amostra de adolescentes brasileiros, na predi&#231;&#227;o da hipertens&#227;o. </p>
    <p><bold>M&#201;TODOS: </bold>A press&#227;o arterial de uma amostra de 456 estudantes de 12 a 17 anos, de escolas p&#250;blicas e privadas do bairro do Fonseca (Niter&#243;i, RJ), entre 2003 e 2004, foi medida em duas visitas, definindo-se como hipertenso o adolescente com press&#227;o arterial sist&#243;lica e press&#227;o arterial diast&#243;lica superiores ao percentil 95 por sexo, idade e altura. Foi aplicado question&#225;rio e foram medidos o &#237;ndice de massa corporal (IMC) e a circunfer&#234;ncia da cintura (CC). </p>
    <p><bold>RESULTADOS: </bold>Houve associa&#231;&#227;o estatisticamente significativa entre hipertens&#227;o e os pontos de corte considerados desfavor&#225;veis, tanto para IMC como para CC. A maior associa&#231;&#227;o foi com o ponto de corte proposto para a popula&#231;&#227;o brasileira. Os valores da sensibilidade do IMC, usados para as popula&#231;&#245;es americanas negra e branca ou para a popula&#231;&#227;o brasileira, foram de 52,4% a 57,1% e de 52,4%, respectivamente. J&#225; os valores da especificidade foram de 69,3%, 70,0% e 80,88%. A sensibilidade encontrada na amostra deste estudo, relativa aos pontos de corte para CC propostos para todas as etnias americanas, tamb&#233;m foi baixa (45,0%), e a especificidade foi um pouco mais elevada (77,6% e 74,5%, respectivamente). </p>
    <p><bold>CONCLUS&#195;O: </bold>As medidas referentes &#224; CC americana mostraram baixos n&#237;veis de sensibilidade e especificidade para a hipertens&#227;o na popula&#231;&#227;o brasileira. Em rela&#231;&#227;o ao IMC, os pontos de corte dispon&#237;veis tamb&#233;m demonstraram baixa sensibilidade. H&#225; necessidade de se estabelecer pontos de corte de gordura corporal, que possam melhor predizer o risco cardiovascular.</p>
    <p><bold>Palavras-chave: </bold>Adolescentes, preval&#234;ncia, hipertens&#227;o, obesidade, circunfer&#234;ncia abdominal.</p>
    <p>
      <bold>Introdu&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>Estudos longitudinais t&#234;m demonstrado que as condi&#231;&#245;es de risco durante a inf&#226;ncia e a adolesc&#234;ncia tendem a se expressar na vida adulta (<italic>tracking</italic>). Tal &#233; o caso da hipertens&#227;o arterial<sup>1</sup>, da obesidade<sup>2,3</sup>, dos n&#237;veis alterados de colesterol de lipoprote&#237;na de alta densidade (HDL-colesterol), dos triglicer&#237;deos e da glicemia de jejum<sup>4</sup>. Esses mesmos fatores tendem a se agregar (<italic>cluster</italic>), mesmo em crian&#231;as<sup>5,6</sup>. Desde o final da d&#233;cada de 1990, tanto a Organiza&#231;&#227;o Mundial da Sa&#250;de (OMS) como o <italic>National Heart, Lung, and Blood Institute</italic> (NHLBI) prop&#245;em que se classifique a anormalidade do peso corporal pelo &#237;ndice de massa corporal (IMC) e a distribui&#231;&#227;o da gordura corporal pela circunfer&#234;ncia abdominal (CA) ou pela circunfer&#234;ncia da cintura (CC)<sup>7,8</sup>. Em rela&#231;&#227;o &#224;s duas &#250;ltimas medidas, muitos autores usam termos distintos para se referir &#224; mesma medida, fazem medi&#231;&#245;es em locais diferentes e comparam resultados incompar&#225;veis. A OMS preconiza a utiliza&#231;&#227;o da CA, tomada na metade da dist&#226;ncia entre a crista il&#237;aca e o rebordo costal inferior, no plano horizontal. O NHLBI, por sua vez, recomenda a CC, tomada na parte mais alta da crista il&#237;aca direita. O guia de identifica&#231;&#227;o e tratamento de obesidade em adultos, publicado em 1998, refere-se a v&#225;rios estudos prospectivos, demonstrando que a gordura abdominal correlaciona-se com aumento da mortalidade e do risco de diabetes, hiperlipidemia, hipertens&#227;o, doen&#231;a arterial coronariana e doen&#231;a cerebral e perif&#233;rica<sup>8</sup>. Estudos publicados na mesma &#233;poca demonstravam que a associa&#231;&#227;o entre gordura abdominal e hipertens&#227;o<sup>9</sup> e gordura intra-abdominal e risco cardiovascular<sup>10</sup> tamb&#233;m estava presente em crian&#231;as. Apesar da necessidade de se estabelecer pontos de corte para a predi&#231;&#227;o de risco para crian&#231;as e adolescentes, no tocante &#224; CC ou &#224; CA, isso n&#227;o foi proposto at&#233; 2004, embora tenham sido publicados alguns artigos com distribui&#231;&#245;es de percentis em diferentes popula&#231;&#245;es<sup>11</sup>. At&#233; ent&#227;o, utilizavam-se os pontos de corte propostos para adultos pelo NHLBI<sup>8</sup>, de 88 cent&#237;metros para mulheres e de 102 cent&#237;metros para homens. Em 2004, Katzmarzyk e cols.<sup>11</sup> compararam a utilidade do uso do IMC e da CA para a predi&#231;&#227;o de risco de agrega&#231;&#227;o de fatores de risco cardiovascular (<italic>factor clustering</italic>). Os autores conclu&#237;ram que o uso do IMC e da CA em crian&#231;as e adolescentes tem boa utilidade cl&#237;nica, n&#227;o sendo muito diferentes entre si, na predi&#231;&#227;o de risco. Os valores encontrados para o IMC foram inferiores ao percentil 85 da curva do <italic>Centers for Disease Control</italic> (CDC)<sup>12</sup> e a outros pontos de corte para diferentes popula&#231;&#245;es, inclusive de crian&#231;as e adolescentes brasileiros, proposta por Sichieri e Allam<sup>13</sup>. Fern&#225;ndez e cols.<sup>14</sup> publicaram, na mesma &#233;poca, um trabalho apresentando os percentis de CC em amostra representativa da popula&#231;&#227;o americana, sem relacion&#225;-los &#224; predi&#231;&#227;o de risco. O objetivo deste artigo foi avaliar a sensibilidade e a especificidade de medidas antropom&#233;tricas de gordura corporal, em uma amostra de adolescentes brasileiros, na predi&#231;&#227;o da hipertens&#227;o, a partir dos pontos de corte: a) de IMC, propostos por Katzmarzyk e cols.<sup>11</sup>, para a popula&#231;&#227;o americana de brancos e negros, com a finalidade de discriminar agrega&#231;&#227;o de risco cardiovascular; b) de IMC, propostos para sobrepeso/obesidade em adolescentes brasileiros, por Sichieri e Allam<sup>13</sup>; e c) de CC, propostos por Fern&#225;ndez e cols.<sup>14</sup>, para todas as etnias, para a popula&#231;&#227;o americana.</p>
    <p>
      <bold>M&#233;todos</bold>
    </p>
    <p>Este estudo faz parte de uma pesquisa realizada nas escolas do bairro do Fonseca, em Niter&#243;i, Rio de Janeiro, no per&#237;odo de outubro de 2003 a junho de 2004. Trata-se de um estudo seccional, em que foram avaliados adolescentes entre 12 e 17 anos, de ambos os sexos. A amostra estudada foi proporcional ao n&#250;mero de alunos matriculados por idade em todas as escolas p&#250;blicas e privadas do bairro investigado, que tivessem 50 ou mais alunos regulares nessa faixa et&#225;ria identificados pelo censo escolar de 2001. Essas escolas foram visitadas e as listagens de alunos por faixa et&#225;ria e turmas foram registradas e serviram de base para o sorteio da amostra de 480 alunos (400 mais 20% de perdas), calculada para o poder de 80% e signific&#226;ncia estat&#237;stica de 5%, para identificar preval&#234;ncias de 8%<sup>15</sup> de hipertens&#227;o na popula&#231;&#227;o do estudo. Foram listados 4.530 alunos, com varia&#231;&#227;o entre 14% a 20% por ano de idade. Participaram do estudo 456 alunos do total dos matriculados, sendo as 24 perdas decorrentes de faltas ou recusa (tr&#234;s casos). A coleta de dados foi realizada em duas visitas. Na primeira visita foi aplicado um question&#225;rio de autopreenchimento, foi realizada a primeira aferi&#231;&#227;o da press&#227;o arterial e foram realizadas as medidas antropom&#233;tricas. Na segunda visita, foi feita a segunda aferi&#231;&#227;o da press&#227;o arterial. As medidas de circunfer&#234;ncia da cintura foram feitas na borda da crista il&#237;aca com fita m&#233;trica inextens&#237;vel, com o adolescente em expira&#231;&#227;o<sup>16</sup>. Para a estatura e a cintura foram realizadas tr&#234;s mensura&#231;&#245;es em cada aluno, tomando-se a m&#233;dia de cada uma delas como estimativa. Foi considerado adolescente sexualmente maduro o menino que tivesse p&#234;los axilares e a menina que j&#225; tivesse tido a menarca<sup>17</sup>. Para a determina&#231;&#227;o da hipertens&#227;o arterial foram usados os aparelhos de press&#227;o autom&#225;ticos Omrom Hem-711 e o Omron 905, validados conforme protocolos internacionais<sup>18</sup>. A medida da press&#227;o arterial foi tomada tr&#234;s vezes, com um intervalo m&#237;nimo de um minuto entre as medidas, em cada uma das duas visitas, realizadas com intervalos entre 15 dias e tr&#234;s meses, conforme as orienta&#231;&#245;es da IV Diretriz de Hipertens&#227;o Arterial, utilizando-se tr&#234;s tamanhos de manguito<sup>19</sup>. Foi considerada a m&#233;dia das seis medidas (tr&#234;s em cada visita), classificando-se como adolescente hipertenso aquele que apresentasse a m&#233;dia das medidas da press&#227;o arterial sist&#243;lica (PAS) e da press&#227;o arterial diast&#243;lica (PAD) superior ao percentil 95 para sexo, idade e altura, tal como proposto pelo <italic>Fourth Report on the Diagnosis, Evaluation, and Treatment of High Blood Pressure in Children and Adolescents</italic><sup>20</sup>. As medidas antropom&#233;tricas foram tomadas por uma m&#233;dica ou por uma nutricionista, previamente testadas quanto &#224; confiabilidade das aferi&#231;&#245;es antropom&#233;tricas em estudo piloto. Foi utilizado o IMC, definido como peso em quilogramas dividido pela altura em metros quadrados. O peso foi medido utilizando-se balan&#231;a eletr&#244;nica da marca Filizola (modelo PL18 (Ind&#250;strias Filizola SA, S&#227;o Paulo - SP, Brasil). Foram feitas tr&#234;s pesagens consecutivas, sempre retornando a balan&#231;a ao marco zero antes de cada pesagem. Para aferi&#231;&#227;o da altura, foi afixada uma fita m&#233;trica pl&#225;stica na parede. Os estudantes, de meias ou descal&#231;os, deveriam manter os calcanhares juntos e encostados &#224; parede, com a cabe&#231;a no plano horizontal, utilizando-se um esquadro de madeira para a localiza&#231;&#227;o exata da medida na fita. Tanto no peso como na altura o valor utilizado foi a m&#233;dia das medidas. As medidas da press&#227;o arterial foram tomadas por m&#233;dicas ou estudantes de medicina, previamente treinados. Foram consideradas condi&#231;&#245;es desfavor&#225;veis de IMC: a) aquelas acima das quais, no estudo de Katzmarzyk e cols.<sup>11</sup>, foi observada maior probabilidade de agrega&#231;&#227;o de fatores de risco cardiovascular (mais de tr&#234;s); e b) aquelas acima do percentil 90, definidas por Sichieri e Allam<sup>13</sup> como sobrepeso/obesidade. Para a CC, foram consideradas condi&#231;&#245;es desfavor&#225;veis os pontos de corte acima do percentil 75, propostos por Fern&#225;ndez e cols.<sup>14</sup> para todas as etnias. Foi selecionado o percentil 75 para cintura, uma vez que os valores, para todas as idades estudadas, est&#227;o aqu&#233;m daqueles estabelecidos para adultos (102 cm para homens e 88 cm para mulheres), e tamb&#233;m por serem os mais pr&#243;ximos do proposto por Katzmarzyk e cols.<sup>11</sup>. Todos os participantes com idade igual ou superior a 15 anos assinaram o consentimento informado, e os participantes de 12 a 14 anos trouxeram o consentimento assinado pelos respons&#225;veis. O estudo foi aprovado pelo Comit&#234; de &#201;tica em Pesquisa do Hospital Universit&#225;rio Antonio Pedro da Universidade Federal Fluminense. </p>
    <p>Na an&#225;lise estat&#237;stica, foram estimadas as preval&#234;ncias de hipertens&#227;o e seus respectivos intervalos com 95% de confian&#231;a. A sensibilidade, a especificidade e a acur&#225;cia para a predi&#231;&#227;o da hipertens&#227;o (PAS e PAD), dos diferentes pontos de corte de IMC e CC considerados desfavor&#225;veis, e seus intervalos com 95% de confian&#231;a foram calculados segundo a f&#243;rmula<sup>21</sup>: p + 1,96 x sqrt[p(1-p)/n], em que p = preval&#234;ncia, sqrt = raiz quadrada e n = popula&#231;&#227;o total. </p>
    <p>Os dados foram analisados pelo programa EpiInfo, vers&#227;o 3.2, de dom&#237;nio p&#250;blico (CDC).</p>
    <p>
      <bold>Resultados</bold>
    </p>
    <p>Do total de 456 adolescentes pesquisados, 55,5% eram meninas e 44,5%, meninos. Quanto &#224; idade, 48,2% tinham entre 12 e 14 anos e 51,8%, entre 15 e 17 anos. Foram classificados como maduros sexualmente 83,6% do total estudado, 88,1% das meninas e 78,0% dos meninos. Estudavam em escolas p&#250;blicas 71,7% dos adolescentes e 28,3%, em escolas privadas. </p>
    <p>A preval&#234;ncia de hipertens&#227;o arterial para ambos os sexos foi de 4,6%, sendo de 5,9% para os meninos e de 3,6% para as meninas. A preval&#234;ncia de hipertens&#227;o arterial sist&#243;lica foi ligeiramente superior &#224; diast&#243;lica entre os meninos e &#224; diast&#243;lica entre as meninas, embora essa diferen&#231;a n&#227;o tenha sido estatisticamente significativa (<xref ref-type="table" rid="tab01">tab. 1</xref>). </p>
    <table-wrap id="tab01">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-88-05-0573-00012-gt01.jpg"/></table-wrap>
    <p>Na amostra estudada, a correla&#231;&#227;o de Pearson entre IMC e CC foi de 0,889, significante em 0,001 (<xref ref-type="fig" rid="fig01">fig. 1</xref>). </p>
    <fig id="fig01">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-88-05-0573-00012-gf01.jpg"/></fig>
    <p>Houve associa&#231;&#227;o estatisticamente significativa entre hipertens&#227;o e os pontos de corte considerados desfavor&#225;veis, tanto para IMC como para CC. Todas as raz&#245;es de preval&#234;ncia foram maiores que um e nenhum dos intervalos de confian&#231;a incluiu a unidade. A maior associa&#231;&#227;o foi com o ponto de corte proposto para a popula&#231;&#227;o brasileira (<xref ref-type="table" rid="tab02">tab. 2</xref>).</p>
    <table-wrap id="tab02">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-88-05-0573-00012-gt02.jpg"/></table-wrap>
    <p>A sensibilidade para predi&#231;&#227;o da hipertens&#227;o pelos pontos de corte das medidas antropom&#233;tricas variou entre 45,0% e 57,1% e a especificidade, entre 80,9% e 69,3%. A acur&#225;cia, considerando o ponto de corte para IMC proposto para brasileiros (66,6%), foi 10% superior &#224; proposta para americanos negros ou brancos (60,9%) (<xref ref-type="table" rid="tab03">tab. 3</xref>). </p>
    <table-wrap id="tab03">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-88-05-0573-00012-gt03.jpg"/></table-wrap>
    <p>
      <bold>Discuss&#227;o</bold>
    </p>
    <p>A acur&#225;cia dos pontos de corte do IMC propostos para predizer risco cardiovascular para adolescentes americanos negros e brancos ou aqueles propostos para definir sobrepeso/obesidade em adolescentes brasileiros n&#227;o se mostrou &#250;til para a predi&#231;&#227;o de hipertens&#227;o em estudantes de uma comunidade brasileira, multirracial e de diferentes n&#237;veis socioecon&#244;micos. Os valores da sensibilidade do IMC, para as popula&#231;&#245;es americanas negra e branca ou para a popula&#231;&#227;o brasileira (52,4% a 57,1% e 52,4%, respectivamente), foram inferiores &#224;queles encontrados para a popula&#231;&#227;o de Bogalusa (67% a 74%). J&#225; a especificidade foi mais pr&#243;xima (69,3%, 70,0% e 80,88% <italic>vs</italic> 66,8% a 73,6%)<sup>11</sup>. A sensibilidade encontrada na amostra deste estudo, relativa aos pontos de corte para CC propostos para todas as etnias americanas, tamb&#233;m foi baixa (45%), inferior &#224; encontrada pelo estudo americano (67,5%)<sup>14</sup>, e a especificidade foi um pouco mais elevada (77,6% e 74,5%, respectivamente). </p>
    <p>Embora a associa&#231;&#227;o (raz&#227;o de preval&#234;ncia) entre hipertens&#227;o e sobrepeso/obesidade e os pontos de corte propostos para a popula&#231;&#227;o brasileira tenha sido forte (4,2) e maior que a observada quando considerados os pontos de corte propostos para a popula&#231;&#227;o americana (2,38 e 2,94), a sensibilidade da primeira proposta ficou pr&#243;xima a 50%.</p>
    <p>A import&#226;ncia de se procurar estabelecer pontos de corte para medidas antropom&#233;tricas de adiposidade central foi refor&#231;ada com o estudo de Yusuf e cols.<sup>22</sup>, publicado em novembro de 2005. Esses autores demonstraram, com a popula&#231;&#227;o do estudo INTERHEART, que as medidas de obesidade central (rela&#231;&#227;o cintura-quadril e CA) t&#234;m forte associa&#231;&#227;o com a ocorr&#234;ncia de infarto agudo do mioc&#225;rdio. Essa preocupa&#231;&#227;o estende-se a crian&#231;as e adolescentes, a partir das evid&#234;ncias de que a obesidade e os demais fatores de risco cardiovascular tendem a se agregar mesmo na inf&#226;ncia e permanecer at&#233; a vida adulta. </p>
    <p>O Brasil &#233; o pa&#237;s com maior popula&#231;&#227;o de ancestrais africanos no continente Americano. A miscigena&#231;&#227;o &#233; parte da hist&#243;ria do Brasil<sup>23</sup>. Assim, o estabelecimento e a utiliza&#231;&#227;o de padr&#245;es antropom&#233;tricos para a popula&#231;&#227;o brasileira precisam levar em conta refer&#234;ncias da popula&#231;&#227;o como um todo, sem distin&#231;&#227;o de etnias, o que n&#227;o ocorre em estudos populacionais de outros pa&#237;ses. Como os pontos de corte propostos por Katzmarzyk e cols.<sup>11</sup> levaram em considera&#231;&#227;o as popula&#231;&#245;es de brancos e negros americanos separadamente, optou-se, no presente estudo, por testar os par&#226;metros antropom&#233;tricos das duas popula&#231;&#245;es e para todas as etnias para CC<sup>14</sup>, dada a aus&#234;ncia de refer&#234;ncias populacionais para medidas de cintura para a popula&#231;&#227;o brasileira.</p>
    <p>Procurou-se examinar a correla&#231;&#227;o entre IMC e CC para afastar a possibilidade de exist&#234;ncia de falhas maiores na mensura&#231;&#227;o desses valores. A correla&#231;&#227;o observada foi muito pr&#243;xima &#224; descrita por Iwao e cols.<sup>24</sup> para mulheres e homens adultos (0,84 e 0,88, respectivamente). A preval&#234;ncia de hipertens&#227;o aqui estimada foi semelhante &#224; encontrada por Rosner e cols.<sup>25</sup> (1979 a 1996) em estudo para popula&#231;&#245;es americanas de n&#227;o-obesos (entre 2,9% e 4,2% para hipertens&#227;o sist&#243;lica e entre 2,4% e 3% para hipertens&#227;o diast&#243;lica). Assim, seria de se esperar que, em princ&#237;pio, as medidas propostas para a popula&#231;&#227;o americana tivessem utilidade compar&#225;vel para a popula&#231;&#227;o ora investigada, o que n&#227;o ocorreu.</p>
    <p>Hoje sabe-se que o tecido adiposo tem m&#250;ltiplas fun&#231;&#245;es importantes na regula&#231;&#227;o do balan&#231;o tanto energ&#233;tico como metab&#243;lico. O maior impacto negativo da gordura visceral tem sido atribu&#237;do a propriedades biol&#243;gicas distintas desse dep&#243;sito em rela&#231;&#227;o aos dep&#243;sitos de outros tecidos<sup>26</sup>. A associa&#231;&#227;o entre obesidade e press&#227;o arterial &#233; explicada por outros mecanismos e sua rela&#231;&#227;o com a atividade funcional dos adip&#243;citos ainda n&#227;o est&#225; muito clara. Embora a CC n&#227;o possa discriminar entre gordura visceral e gordura subcut&#226;nea, pesquisas d&#227;o suporte &#224; id&#233;ia de que indiv&#237;duos com CC elevadas t&#234;m maior probabilidade de ter hipertens&#227;o, diabetes, dislipidemia ou s&#237;ndrome metab&#243;lica, acrescentando informa&#231;&#227;o &#224;quela fornecida pelo IMC.<sup>24,27</sup> Em investiga&#231;&#245;es nas quais foram usadas medidas mais precisas de gordura foi demonstrado que as associa&#231;&#245;es entre gordura intra-abdominal e v&#225;rias desordens metab&#243;licas come&#231;am a ocorrer na inf&#226;ncia<sup>28</sup>.</p>
    <p>A necessidade de se estabelecer pontos de corte para adiposidade central, expressa pela CA, pela CC ou pela rela&#231;&#227;o cintura-quadril, fica evidente. No entanto, n&#227;o foi identificado nenhum artigo propondo esses pontos de corte para a popula&#231;&#227;o brasileira. As medidas existentes para a CC americana demonstraram baixa sensibilidade e especificidade para hipertens&#227;o na popula&#231;&#227;o brasileira. Em rela&#231;&#227;o ao IMC, os pontos de corte dispon&#237;veis tamb&#233;m demonstraram baixa sensibilidade.</p>
    <p>O presente estudo apresenta diversas limita&#231;&#245;es: a amostra, de faixa et&#225;ria restrita (12 a 17 anos), n&#227;o incluiu crian&#231;as; abrange apenas um bairro de uma cidade brasileira de m&#233;dio porte; n&#227;o estavam dispon&#237;veis dosagens bioqu&#237;micas para a constru&#231;&#227;o de um indicador de risco cardiovascular mais abrangente; e, por &#250;ltimo, as medidas de CA e a rela&#231;&#227;o cintura-quadril n&#227;o estavam dispon&#237;veis. Em que pesem todas essas restri&#231;&#245;es, fica clara a necessidade de se fazer um estudo para a identifica&#231;&#227;o de pontos de corte mais acurados para predi&#231;&#227;o de hipertens&#227;o e outros riscos cardiovasculares. A medida da cintura pode se incorporar aos h&#225;bitos de vida, tornando-se indicador da sa&#250;de cardiovascular para a popula&#231;&#227;o de crian&#231;as, adolescentes e adultos. As transforma&#231;&#245;es dos h&#225;bitos de vida, alcan&#231;adas por meio de pol&#237;ticas p&#250;blicas de promo&#231;&#227;o &#224; sa&#250;de com as quais se busca atingir a popula&#231;&#227;o de forma indiscriminada, podem ser acompanhadas de a&#231;&#245;es mais orientadas, visando a utiliza&#231;&#227;o de abordagens mais espec&#237;ficas para parcelas da popula&#231;&#227;o de maior risco.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflitos de interesses pertinentes.</p>
    <p>
      <fn id="end" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold>Correspond&#234;ncia:</bold>
        </label>
        <p> V&#226;nia de Matos Fonseca </p>
        <p> Estrada Caetano Monteiro, 2301 </p>
        <p> 24320-570 &#150; Niter&#243;i, RJ </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="mluizagr@vm.uff.br">mluizagr@vm.uff.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 03/07/06; revisado recebido em 03/07/06; aceito em 27/12/06.</p>
  </body>
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          <article-title>The concept and measurement of race and their relationship to public health: a review focused on Brazil and the United States</article-title>
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          <article-title>Blood pressure differences between blacks and whites in relation to body size among US children and adolescents</article-title>
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          <article-title>Regional differences of insulin action in adipose tissue: insights from in vivo and in vitro studies</article-title>
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          <article-title>Association between different measurements of obesity and the incidence of hypertension</article-title>
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          <article-title>Abdominal adiposity and clustering of multiple metabolic syndrome in White, Black and Hispanic Americans</article-title>
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          <subject>Original Articles</subject>
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        <article-title xml:lang="en">Body mass index and waist circumference as markers of arterial hypertension in adolescents</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>OBJECTIVE: To evaluate the sensitivity and specificity of anthropometric measurements of body fat in a sample of Brazilian adolescents for the prediction of hypertension. METHODS: The arterial blood pressure was measured on two visits in a sample of 456 students aged 12 to 17 years, from public and private schools of the Fonseca neighborhood, in Niter&#243;i, between 2003 and 2004. A subject was defined as hypertensive if he/she had systolic and diastolic pressures above the 95th percentile for sex, age and height. A questionnaire was applied and Body Mass Index (BMI) and waist circumference (WC) measurements were made. RESULTS: A statistically significant correlation was observed between hypertension and the cutoff points considered unfavorable, both for BMI and WC. The greatest association was with the cutoff point proposed for the Brazilian population. As to the BMI sensitivity used for American Black or White populations or for the Brazilian population, we found 52.4% to 57.1% and 52.4%, respectively. And BMI specificity was 69.3%, 70.0% and 80.88%, respectively. The sensitivity found in our sample, relative to the cutoff points for WC proposed for all American ethnic groups, was also low (45.0%) and specificity was a little higher (77.6% and 74.5%, respectively). CONCLUSION: Existing American WC measurements showed low sensitivity and specificity for hypertension in our population. As to BMI, the available cutoff points also showed a low level of sensitivity. There is a need to establish body fat cutoff points that can provide a better prediction of cardiovascular risk.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Adolescents</kwd>
        <kwd>prevalence</kwd>
        <kwd>hypertension</kwd>
        <kwd>obesity</kwd>
        <kwd>abdominal circunference</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>ORIGINAL ARTICLE</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Body mass index and waist circumference as markers of arterial hypertension in adolescents</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Maria Luiza Garcia Rosa; Evandro Tinoco Mesquita; Emanuel Ribeiro Romeiro da Rocha; V&#226;nia de Matos Fonseca</bold>
      </p>
      <p>Universidade Federal Fluminense (Instituto de Sa&#250;de da Comunidade and Department of Internal Medicine); Funda&#231;&#227;o Oswaldo Cruz (Instituto Fernandes Figueira) &#150; Niter&#243;i, RJ, Brazil</p>
      <p>
        <xref ref-type="corresp" rid="end-body2">Mailing address</xref>
      </p>
      <p>
        <bold>SUMMARY</bold>
      </p>
      <p><bold>OBJECTIVE: </bold>To evaluate the sensitivity and specificity of anthropometric measurements of body fat in a sample of Brazilian adolescents for the prediction of hypertension.</p>
      <p><bold>METHODS: </bold>The arterial blood pressure was measured on two visits in a sample of 456 students aged 12 to 17 years, from public and private schools of the Fonseca neighborhood, in Niter&#243;i, between 2003 and 2004. A subject was defined as hypertensive if he/she had systolic and diastolic pressures above the 95<sup>th</sup> percentile for sex, age and height. A questionnaire was applied and Body Mass Index (BMI) and waist circumference (WC) measurements were made.</p>
      <p><bold>RESULTS:</bold> A statistically significant correlation was observed between hypertension and the cutoff points considered unfavorable, both for BMI and WC. The greatest association was with the cutoff point proposed for the Brazilian population. As to the BMI sensitivity used for American Black or White populations or for the Brazilian population, we found 52.4% to 57.1% and 52.4%, respectively. And BMI specificity was 69.3%, 70.0% and 80.88%, respectively. The sensitivity found in our sample, relative to the cutoff points for WC proposed for all American ethnic groups, was also low (45.0%) and specificity was a little higher (77.6% and 74.5%, respectively).</p>
      <p><bold>CONCLUSION:</bold> Existing American WC measurements showed low sensitivity and specificity for hypertension in our population. As to BMI, the available cutoff points also showed a low level of sensitivity. There is a need to establish body fat cutoff points that can provide a better prediction of cardiovascular risk.</p>
      <p><bold>Key words: </bold>Adolescents; prevalence; hypertension; obesity; abdominal circunference.</p>
      <p>
        <bold>Introduction</bold>
      </p>
      <p>Longitudinal studies have demonstrated that risk conditions present in childhood and adolescence tend to express in adult life (tracking). This is the case in hypertension<sup>1</sup>, obesity<sup>2</sup>, altered levels of HDL-C, triglycerides, and fasting glucose levels<sup>3</sup>. These factors tend to cluster, even in children<sup>4,5</sup>. Since the late 1990s, both the World Health Organization (WHO) and the National Heart, Lung, and Blood Institute (NHLBI) have proposed that abnormal body weight be classified according to the body mass index (BMI) and body fat distribution, measured by the abdominal circumference (AC) or the waist circumference (WC)<sup>6,7</sup>. As for these last two measurements, we observe that many authors use distinct terms in referring to the same measurement and evaluate in different locations, comparing incomparable results. The WHO recommends the use of the AC, taken at half-distance between the iliac crest and the lower rib cage rim, on the horizontal plane. The NHLBI prefers using the WC, measured at the highest portion of the right iliac crest. The guide for identification and treatment of obesity in adults, published in 1998, refers to several prospective studies showing that abdominal fat correlates with increased mortality rate and risk for diabetes, hyperlipidemia, hypertension, coronary artery disease, and cerebral and peripheral disease<sup>8</sup>. Some studies published at the same time demonstrated that the association between abdominal fat and hypertension<sup>9</sup>, and intra-abdominal fat and cardiovascular risk<sup>10</sup>, were also present in children. In spite of the need to establish cutoff points for risk prediction in children and adolescents, as to WC or AC, this was not proposed until 2004, although some articles reported percentile distributions in different populations<sup>11</sup>. So far, the cutoff points proposed for adults by the NHLBI<sup>7</sup> were used, with 88 centimeters for women and 102 centimeters for men as standards. In 2004, Katzmarzyk et al<sup>11</sup> compared the usefulness of the BMI and AC for predicting cardiovascular risk factor clustering. The authors concluded that the use of the BMI and AC among children and adolescents is clinically useful, and there are no differences in terms of risk predictions. The values identified for BMI were below the 85<sup>th</sup> percentile of the Center for Disease Control and Prevention (CDC) curve<sup>12</sup>, and below other cutoff points for different populations, including Brazilian children and adolescents, as proposed by Sichieri and Allam<sup>13</sup>. Concurrently, Fern&#225;ndez et al<sup>14</sup> published an article presenting percentiles of WC in a representative sample of the American population, but not associating them to risk prediction. The objective of this present article was to assess the sensitivity and specificity of anthropometric body fat measurements in predicting hypertension in a sample of Brazilian adolescents. The following cutoff points were used: a) BMI proposed by Katzmarzyk et al<sup>11</sup>, for the American population of Blacks and Whites, in order to discriminate cardiovascular risk clustering; b) BMI proposed for Brazilian overweight/obese adolescents by Sichieri and Allam<sup>13</sup>; and, c) WC, proposed by Fernandez for all ethnic groups, for the American population<sup>14</sup>. </p>
      <p>
        <bold>Methods</bold>
      </p>
      <p>This study is part of a research project carried out in schools of the Fonseca neighborhood, in Niter&#243;i, Rio de Janeiro, from October 2003 to June 2004. This is a cross-section study in which male and female adolescents, aged 12 to 17 years, were assessed. The sample investigated was proportional to the number of students enrolled by age in all public and private schools of this neighborhood, which had 50 or more pupils enrolled in this age group as identified by the 2001 school census. Based on this census, all schools with 50 or more students enrolled from the 12-17-year age group were identified. These schools were visited, and the lists of students by age range and class served as a basis for the sample randomization of 480 students (400 plus 20% of losses), calculated for an 80% power and 5% statistical significance level. The goal was to identify the prevalence of 8%<sup>15</sup> of hypertension in the study population. A total of 4530 students was listed, with a variation of 14 to 20% per year of age. Of the total number enrolled in the schools, 456 pupils participated in the study. The 24 losses resulted from absences or refusals (three cases). </p>
      <p>Data was gathered in two visits. On the first visit, a self-completed questionnaire was applied, and the first blood pressure measurement and anthropometric measurements were made; on the second visit, the second blood pressure measurement was made. Waist circumference was measured at the level of the iliac crest rim with a non-extensible tape measure with the subject in expiratory phase<sup>16</sup>. For height and waist dimensions, three measurements were taken for each student, using each average as an estimate. We considered as sexually mature a boy with axillary hair and a girl who had already experienced menarche<sup>17</sup>. </p>
      <p>For arterial hypertension determination, we used an Omrom Hem-711 model automatic blood pressure device, and the Omron 905 device, both validated according to international protocols<sup>18</sup>. Blood pressure measurements were taken three times on each clinical visit, with minimal intervals of one minute between one reading and another. Intervals between the two visits varied from 15 days to 3 months, according to the Fourth Arterial Hypertension Guideline, and three different cuff sizes were used<sup>19</sup>. The mean of the six measurements was used, three at each visit. Hypertensive adolescents were thus classified if they presented systolic arterial pressure (SAP) and diastolic arterial pressure (DAP) means greater than the 95<sup>th</sup> percentile for sex, age, and height, as proposed by the 4<sup>th</sup> Task Force<sup>20</sup>. </p>
      <p>Anthropometric measurements were made by a physician or a dietitian previously tested as to reliability of anthropometric measurements in a pilot study. Body Mass Index (BMI) was used, defined as the weight in kilograms divided by the height in square meters. Weight was measured using electronic scales (Filizola - model PL18 (Ind&#250;strias Filizola SA, S&#227;o Paulo - SP, Brazil)). Weight was measured three consecutive times, with a scale calibration before each one. For height assessment, a plastic measuring tape was affixed to the wall and height was measured with the student in socks or barefoot, with heels together touching the wall and the subject&#146;s head on the horizontal plane, using a wooden angle ruler to locate the exact measurement on the tape measure. For both weight and height, the value used was the mean of the measurements taken. Arterial pressure measurements were taken by previously trained physicians or medical students. The unfavorable BMI conditions were as follows: a) above which, according to the study by Katzmarzyk et al<sup>11</sup>, a greater likelihood of cardiovascular risk cluster (&gt;3) was observed; b) above the 90<sup>th</sup> percentile, defined by Sichieri and Alam<sup>13</sup> as overweight/obese. For the WC, the unfavorable conditions were considered cutoff points above the 75<sup>th</sup> percentile, proposed by Fern&#225;ndez et al<sup>14</sup>,for all ethnic groups. The 75<sup>th</sup> percentile was chosen for the waist measurement since the results for all ages studied were below those established for adults (102 cm for men and 88 cm for women) and because they are closest to those proposed by Katzmarzyk et al<sup>11</sup>. All participants aged 15 years or more signed the informed consent form, and participants aged 12 to 14 years brought consent forms signed by their parents or guardians. The study was approved by the Research Ethics Committee of the <italic>Hospital Universit&#225;rio Ant&#244;nio Pedro </italic>-<italic> Universidade Federal Fluminense</italic>. </p>
      <p>In the statistical analysis, prevalence of hypertension and the respective intervals were estimated, with a 95% confidence interval. Sensitivity, specificity, and accuracy for prediction of hypertension (SAP and DAP), of the different cutoff points for BMI and WC considered unfavorable and the 95% confidence intervals were calculated according to the following formula<sup>21</sup>: p &#177; 1.96 x sqrt[p(1-p)/n], where p = prevalence, sqrt = square root, n = total population.</p>
      <p>Data were analyzed with the EpiInfo software, version 3.2, public domain (CDC).</p>
      <p>
        <bold>Results</bold>
      </p>
      <p>Of the total 456 adolescents investigated, 55.5% were girls and 44.5% were boys; 48.2% were aged between 12 and 14 years, and 51.8% were between 15 and 17 years. Of the total number studied, 83.6% were classified as sexually mature, that is, 88.1% of the girls and 78.0% of the boys. Of the total sample, 71.7% studied in public schools and 28.3% in private schools.</p>
      <p>The mean prevalence of arterial hypertension for both sexes was 4.6; in that, 5.9 in boys and 3.6 in girls. The prevalence of systolic arterial hypertension was slightly higher than diastolic arterial hypertension among boys, and the diastolic pressure was higher among girls, although this difference was not statistically significant (<xref ref-type="table" rid="tab01-body2">Table 1</xref>).</p>
      <table-wrap id="tab01-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-88-05-0573-00012-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>In the sample studied, Person&#146;s correlation between BMI and the WC was 0.889, significant at 0.001 (<xref ref-type="fig" rid="fig01-body2">Figure 1</xref>).</p>
      <fig id="fig01-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-88-05-0573-00012-gf01-en.jpg"/></fig>
      <p>There was a statistically significant association between hypertension and the cutoff points considered unfavorable both for BMI and for WC. All prevalence ratios were greater than 1, and none of the confidence intervals included the unit. The greatest correlation seen was with the cutoff point proposed for the Brazilian population (<xref ref-type="table" rid="tab02-body2">Table 2</xref>).</p>
      <table-wrap id="tab02-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-88-05-0573-00012-gt02-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>Sensitivity for predicting hypertension by anthropometric measurement cutoff points varied between 45.0% and 57.1%, and specificity varied between 80.9% and 69.3%. Accuracy, considering the BMI cutoff point proposed for Brazilians (66.6%), was 10% superior to that proposed for American Black or White populations (60.9%) (<xref ref-type="table" rid="tab03-body2">Table 3</xref>). </p>
      <table-wrap id="tab03-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-88-05-0573-00012-gt03-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>
        <bold>Discussion</bold>
      </p>
      <p>The accuracy of BMI cutoff points, proposed for predicting cardiovascular risks for American Black and White adolescents, or those proposed for defining overweight/obese Brazilian adolescents, did not prove useful in predicting hypertension in students of a multiracial Brazilian community comprised of different socioeconomic brackets. Sensitivity values for BMI for the American Black or White populations, or for the Brazilian population (52.4% to 57.1% and 52.4%, respectively), were inferior to those found for the population of Bogalusa (67% to 74%). Specificity was closer (69.3%, 70.0%, and 80.88%, respectively, <italic>versus</italic> 66.8% to 73.6%)<sup>11</sup>. The level of sensitivity found in our sample, relative to WC cutoff points proposed for American ethnic groups, was also low (45%), inferior to that found by the American study (67.5%)<sup>14</sup>, and specificity was a little higher (77.6% and 74.5%, respectively). </p>
      <p>Even though the association (prevalence ratio) between hypertension and overweight/obesity with the cutoff points proposed for the Brazilian population was strong (4.2), and higher than what had been observed when considering the cutoff points proposed for the American population (2.38 and 2.94), the sensitivity of the first proposal was near 50%.</p>
      <p>The importance to establish cutoff points for anthropometric measurements of central adiposity was reinforced with the study performed by Yusuf et al<sup>22</sup>, published in November 2005. These authors showed that, similar to the Interheart study population, measurements of central obesity (waist/hip ratio and AC) show a strong correlation with occurrence of acute myocardial infarct. This concern extends to children and adolescents since there is evidence that obesity and remaining cardiovascular risk factors tend to cluster, even in childhood, and remain until adulthood. </p>
      <p>Brazil is the American country with the greatest population of African ancestors. Miscegenation is a part of the Brazilian history<sup>23</sup>. As such, the establishment of anthropometric standards for the Brazilian population needs to take into account references of the population as a whole, with no ethnic distinctions, which does not happen in population studies of other countries. Since the cutoff points proposed by Katzmarzyk et al<sup>11</sup> take into consideration populations of Black and White Americans separately, in the present study we opted for testing anthropometric parameters of both populations, and the WC for all ethnic groups<sup>14 </sup>given the absence of population references for waist measurements in the Brazilian population. </p>
      <p>We aimed to examine the correlation between BMI and WC in order to exclude the possibility of greater failures in measuring these parameters. The association observed was close to that described by Iwao et al<sup>24</sup> for adult women and men (0.84 and 0.88, respectively). The prevalence of hypertension estimated was similar to that found by Rosner<sup>25</sup> in a study of American populations from 1979 to 1996, in non-obese individuals (between 2.9 and 4.2% for systolic hypertension and between 2.4% and 3% for diastolic hypertension). Thus, it could be expected that, in principle, the measurements proposed for the American population would be useful to compare the population we investigated, which did not happen. </p>
      <p>Today we recognize that adipose tissue has multiple important functions in regulating the energy and metabolic balance. The greatest negative impact of visceral fat has been attributed to the distinct biological properties of this deposit in relation to the deposits in other tissues<sup>26</sup>. The association between obesity and blood pressure is explained by other mechanisms and its relation with the functional activity of adipocytes is not yet clear. The waist circumference measurement alone cannot discriminate between visceral and subcutaneous fat. Nevertheless, research supports the idea that individuals with large waist circumferences have a greater probability of experiencing hypertension, diabetes, dyslipidemia and metabolic syndrome, adding information to data provided by the BMI<sup>24,27</sup>. Investigations with more precise measurements of fat showed that the associations between intra-abdominal fat and several metabolic disorders begin in childhood<sup>28</sup>. </p>
      <p>The need to establish cutoff points for central adiposity, expressed by AC, WC, or the waist/hip ratio is evident. Even so, we did not find any article proposing these cutoff points for the Brazilian population. The existing American measurements for WC show low sensitivity and specificity for hypertension in our population. As to the BMI, the cutoff points available also demonstrated low sensitivity. </p>
      <p>This study has several limitations. The sample covers a narrow age bracket (12 to 17 years), and does not include children. It only takes in one neighborhood of a medium-size Brazilian city. No biochemical tests were available for constructing a more encompassing cardiovascular risk indicator, and lastly, measurements of AC and waist/hip ratios were not available. In spite of all these restrictions, the need to conduct a study to identify more accurate cutoff points for predicting hypertension and other cardiovascular risks is patent. The waist measurement may be incorporated into life habits, and become an indicator of cardiovascular health for populations of children, adolescents, and adults. Changes in lifestyle, achieved through public policies of health promotion seeking to reach the population indiscriminately, may be accompanied by more focused actions, in order to use more specific approaches for segments of the population with greater risks.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="end-body2" fn-type="corresp">
          <label>
            <bold>Mailing address:</bold>
          </label>
          <p> V&#226;nia Matos Fonseca</p>
          <p> Estrada Caetano Monteiro, 2301 </p>
          <p> 24320-570 &#150; Niter&#243;i, RJ</p>
          <p> E-mail: </p>
          <p>
            <email xlink:href="mluizagr@vm.uff.br">mluizagr@vm.uff.br</email>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p> Manuscript received July 3<sup>rd</sup>, 2006; revised manuscript received July 3<sup>rd</sup>, 2006; accepted December 27, 2006.</p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
