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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="ppub">0066-782X</issn>
      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
      </publisher>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">cFr9rPfQxgqJtXtswjRjGbr</article-id>
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          <subject>Ponto de Vista</subject>
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        <article-title>Perfis de sa&#250;de: Brasil, 2006 - modifica&#231;&#245;es e suas causas</article-title>
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            <surname>Gus</surname>
            <given-names>Iseu</given-names>
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          <named-content content-type="city">Porto Alegre</named-content>
          <named-content content-type="state">RS</named-content>
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        <institution content-type="orgname">Funda&#231;&#227;o Universit&#225;ria de Cardiologia</institution>
        <institution content-type="orgdiv1">Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul </institution>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>04</month>
        <year>2007</year>
      </pub-date>
      <volume>88</volume>
      <issue>4</issue>
      <fpage>e88</fpage>
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        <day>24</day>
        <month>05</month>
        <year>2007</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
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  <body>
    <p>
      <bold>PONTO DE VISTA</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Perfis de sa&#250;de &#150; Brasil, 2006 &#150; modifica&#231;&#245;es e suas causas </bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Iseu Gus</bold>
    </p>
    <p>Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul &#150; Funda&#231;&#227;o Universit&#225;ria de Cardiologia &#150; Porto Alegre, RS</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> Perfil de sa&#250;de, doen&#231;as neurodegenerativas, doen&#231;as cardiovasculares.</p>
    <p> Durante s&#233;culos a medicina progrediu muito lentamente<sup>1</sup>, e de 50 anos para c&#225; seu desenvolvimento foi de uma "rapidez alucinante", de dif&#237;cil acompanhamento, tornando indispens&#225;vel o aux&#237;lio dos meios de comunica&#231;&#227;o e, em especial, da computa&#231;&#227;o. A cada passo dessa progress&#227;o o perfil de sa&#250;de enfrentado pela medicina foi se modificando, e, com isso, alterando o racioc&#237;nio m&#233;dico.</p>
    <p>Pode-se dizer que os perfis de sa&#250;de s&#227;o modifica&#231;&#245;es no foco principal do atendimento m&#233;dico em conseq&#252;&#234;ncia da evolu&#231;&#227;o de nossa civiliza&#231;&#227;o e da pr&#243;pria medicina.</p>
    <p>
      <bold>Evid&#234;ncias</bold>
    </p>
    <p>Nesses anos todos de evolu&#231;&#227;o da medicina, o perfil de sa&#250;de, como conseq&#252;&#234;ncia, foi sendo modificado, e o m&#233;dico teve de acompanhar, se adaptar e modificar suas atitudes e decis&#245;es.</p>
    <p>A inten&#231;&#227;o deste artigo &#233; tentar colocar, de maneira did&#225;tica e compreens&#237;vel, como se desenrolaram alguns fatos que modificaram os perfis de sa&#250;de e suas repercuss&#245;es nas doen&#231;as cr&#244;nico-degenerativas (DCD) e, em especial, nas doen&#231;as cardiovasculares (DCV).</p>
    <p>
      <bold>Perfis de sa&#250;de: modifica&#231;&#245;es e suas causas</bold>
    </p>
    <p>Algumas das modifica&#231;&#245;es que influenciaram o foco principal do atendimento m&#233;dico foram:</p>
    <p>&#150; Mudan&#231;as epidemiol&#243;gicas: Aconteceram quando as DCV, dentro das DCD, passaram a predominar como causa principal de &#243;bito, a partir da segunda metade do s&#233;culo 20, com profundas mudan&#231;as de comportamento m&#233;dico, tratamentos, sa&#250;de p&#250;blica e seus programas de cunho populacional.</p>
    <p>&#150; Mudan&#231;as de est&#225;gio na transi&#231;&#227;o demogr&#225;fica: O Brasil passou a apresentar maior popula&#231;&#227;o de adultos e de idosos, em decorr&#234;ncia da queda dos &#237;ndices de mortalidade e de natalidade. Isso acarretou mudan&#231;as de porcentuais das faixas et&#225;rias, com significativo aumento de idosos.</p>
    <p>&#150; Grandes mudan&#231;as estruturais no mundo: Entre final do s&#233;culo 19 e in&#237;cio do s&#233;culo 20, foram registradas grandes mudan&#231;as no mundo, que alteraram toda a estrutura tanto habitacional como populacional, com a industrializa&#231;&#227;o e a conseq&#252;ente mudan&#231;a da popula&#231;&#227;o rural para as cidades.</p>
    <p>&#150; Mudan&#231;as com a evolu&#231;&#227;o temporal da medicina: Houve uma fase inicial, que durou v&#225;rios s&#233;culos, chamada de era da Medicina Baseada na Observa&#231;&#227;o e na Experi&#234;ncia. A fase atual, que teve in&#237;cio na metade do s&#233;culo 20, &#233; conhecida como era da Medicina Baseada em Evid&#234;ncias. A medicina, que at&#233; ent&#227;o era curativa e tratava as complica&#231;&#245;es das DCV, passou a ser mais preventiva.</p>
    <p>&#150; Mudan&#231;as com a valoriza&#231;&#227;o dos fatores de risco nas DCV: Com a valoriza&#231;&#227;o dos fatores de risco (FR) nas DCV, surge a preven&#231;&#227;o prim&#225;ria para as DCD, em especial das DCV, o que s&#243; se tornou poss&#237;vel gra&#231;as aos princ&#237;pios que surgiram com a Medicina Baseada em Evid&#234;ncias, a partir dos quais ficaram evidenciados os FR para as DCV. Surgiu uma gama de possibilidades de se fazer preven&#231;&#227;o prim&#225;ria, o que at&#233; ent&#227;o n&#227;o se imaginava.</p>
    <p>Essas mudan&#231;as s&#227;o abordadas com maiores detalhes a seguir.</p>
    <p>
      <bold>Mudan&#231;as epidemiol&#243;gicas</bold>
    </p>
    <p>As doen&#231;as infecto-contagiosas predominavam at&#233; 1950, respondendo por 40% dos &#243;bitos. J&#225; em 1990 come&#231;aram a predominar as DCD, entre elas a DCV, com 34,5% dos &#243;bitos, enquanto as infecto-contagiosas ca&#237;am para 12%<sup>2-4</sup>. As no&#231;&#245;es de higiene e os conhecimentos dos transmissores e dos agentes etiol&#243;gicos das doen&#231;as infecto-contagiosas fizeram com que essas doen&#231;as decrescessem, diminuindo a mortalidade de pessoas mais jovens. Isso aconteceu mais cedo nos pa&#237;ses hoje chamados desenvolvidos. Uma das conseq&#252;&#234;ncias foi que as popula&#231;&#245;es passaram a ser compostas de pessoas de mais idade, o que fez com que as DCD come&#231;assem a predominar, passando as DCV a ser o principal enfoque da medicina.</p>
    <p>
      <bold>Mudan&#231;a de est&#225;gio na transi&#231;&#227;o demogr&#225;fica</bold>
    </p>
    <p>Na mudan&#231;a de est&#225;gio na transi&#231;&#227;o demogr&#225;fica, quando o Brasil passou para o quarto est&#225;gio, com queda dos &#237;ndices de fertilidade e de mortalidade, foram registradas altera&#231;&#245;es dos porcentuais das diferentes faixas et&#225;rias e aumento do porcentual de idosos<sup>5</sup>.</p>
    <p>Segundo previs&#245;es da Organiza&#231;&#227;o Mundial da Sa&#250;de<sup>6</sup>, o Brasil ter&#225; 32 milh&#245;es de idosos entre 2020 e 2025, o sexto pa&#237;s do mundo em idosos. Os adultos, os adultos mais idosos e os idosos passaram a representar porcentuais muito elevados, come&#231;ando a ter o mesmo peso populacional, com suas conseq&#252;&#234;ncias, algo que os pa&#237;ses europeus j&#225; sentiam e se prepararam h&#225; mais tempo. Em 1950, o Brasil era considerado um pa&#237;s de jovens. Em 2000, no Estado do Rio Grande do Sul (RS), nossos idosos (<underline>&gt;</underline> 60 anos) representavam 17% da popula&#231;&#227;o adulta<sup>7</sup>, com mais de 20 anos de idade. Para isso devemos nos preparar. Nossa popula&#231;&#227;o de idosos, que vinha crescendo &#224; semelhan&#231;a dos pa&#237;ses desenvolvidos, dobrar&#225; em rela&#231;&#227;o ao crescimento registrado nesses pa&#237;ses.</p>
    <p>Outro fator que vai colaborar para elevar a popula&#231;&#227;o de idosos no Brasil &#233; o aumento da expectativa de vida. Segundo o Minist&#233;rio da Sa&#250;de, em 1994, a expectativa de vida era de 67 anos; mas no RS, segundo a Coordenadoria de Informa&#231;&#227;o da Secretaria Estadual de Sa&#250;de do RS, para os nascidos entre 1998 e 2000, est&#225; prevista m&#233;dia de idade de 71,79 anos. Esse aumento da expectativa de vida deve acontecer em todo o Brasil, acarretando importante modifica&#231;&#227;o na composi&#231;&#227;o e nos porcentuais das diferentes faixas et&#225;rias.</p>
    <p>Essa modifica&#231;&#227;o populacional traz importantes conseq&#252;&#234;ncias:</p>
    <p>&#150; aumento proporcional de uma faixa et&#225;ria com mais co-morbidades;</p>
    <p>&#150; aumento proporcional de uma faixa et&#225;ria com mais problemas de ordem emocional, de conviv&#234;ncia e de qualidade;</p>
    <p>&#150; aumento proporcional de uma faixa et&#225;ria com maiores problemas de ordem econ&#244;mico-financeira e de maior valoriza&#231;&#227;o desses mesmos problemas;</p>
    <p>&#150; dificuldades na administra&#231;&#227;o e efeitos colaterais dos medicamentos;</p>
    <p>&#150; faixa et&#225;ria que s&#243; poder&#225; ser tratada por grupos interdisciplinares.</p>
    <p>
      <bold>Grandes mudan&#231;as estruturais no mundo</bold>
    </p>
    <p>Essas mudan&#231;as se processaram com muita intensidade no fim do s&#233;culo 19 e in&#237;cio do s&#233;culo 20 (<xref ref-type="table" rid="tabela1">tab. 1</xref>).</p>
    <table-wrap id="tabela1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-88-04-0e88-00028-gt01.jpg"/></table-wrap>
    <p>Como pode ser observado na <xref ref-type="table" rid="tabela1">tabela 1</xref>, foram mudan&#231;as estruturais muito significativas e que influenciaram todas as atividades humanas. Surgiram as grandes medidas higi&#234;nicas, a qualidade de vida come&#231;ou a melhorar, as cidades cresceram e a popula&#231;&#227;o rural foi se transferindo para as cidades. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&#237;stica (IBGE), 81,4% da popula&#231;&#227;o brasileira em 2000 era urbana. Dentro dessas mudan&#231;as estruturais, deve-se considerar que esse &#234;xodo da popula&#231;&#227;o rural no Brasil, como em todo o mundo, leva a grande aumento de popula&#231;&#227;o nas grandes cidades, com elevado porcentual de marginaliza&#231;&#227;o.</p>
    <p>Sem d&#250;vida essas enormes mudan&#231;as influenciaram de maneira profunda as atitudes m&#233;dicas e seus enfoques principais. O perfil de sa&#250;de come&#231;ava a mudar radicalmente: medicina do trabalho, medicina das cidades, doen&#231;as profissionais, cooperativismo, socializa&#231;&#227;o, novos equipamentos, valoriza&#231;&#227;o dos exames complementares, etc. Novamente essas mudan&#231;as chegaram mais cedo nos pa&#237;ses hoje chamados desenvolvidos. Todas essas modifica&#231;&#245;es e o conhecimento m&#233;dico, como conseq&#252;&#234;ncia das mudan&#231;as estruturais b&#225;sicas, levaram mais tempo para serem colocados em pr&#225;tica no Brasil. Essa foi uma das causas do retardo do desenvolvimento da medicina em quase todos os pa&#237;ses em desenvolvimento e, muito mais, nos subdesenvolvidos.</p>
    <p>
      <bold>Mudan&#231;as com a evolu&#231;&#227;o temporal da medicina</bold>
    </p>
    <p>A primeira refer&#234;ncia ao trabalho m&#233;dico encontra-se na c&#226;mara mortu&#225;ria de Was Ptah, da mitologia eg&#237;pcia; Hip&#243;crates (c. 460-c. 377 a.C.) introduziu a observa&#231;&#227;o dos sintomas para fazer diagn&#243;stico; Paracelso, Vesalius, Malpighi e Laenec s&#227;o de 1493 a 1781; e as grandes descobertas m&#233;dicas b&#225;sicas, de instrumentos, de equipamentos e de pensamentos mais cient&#237;ficos datam dos s&#233;culos 19 e 20<sup>1</sup>. Essas r&#225;pidas cita&#231;&#245;es s&#227;o para evidenciar a lentid&#227;o com que a medicina evoluiu. Foi um longo per&#237;odo, que pode ser chamado de Medicina Baseada na Observa&#231;&#227;o e na Experi&#234;ncia.</p>
    <p>Talvez o ano de 1950, com os estudos de Framingham e os trabalhos duplo-cegos randomizados, possa ser considerado o in&#237;cio da era moderna, que passou a ser chamada de Medicina Baseada em Evid&#234;ncias. &#201; com esse marco que come&#231;am a aparecer os trabalhos cient&#237;ficos chamados de grandes ensaios, formando-se a base do que ser&#225; chamado de Medicina Baseada em Evid&#234;ncias. O aumento do conhecimento nestes &#250;ltimos 50 anos tem sido enorme e com modifica&#231;&#245;es significativas nas bases da medicina, fazendo com que muitos dos conceitos considerados definitivos fossem revistos e atualizados com bases mais atuais, a partir das conclus&#245;es de alguns dos grandes ensaios.</p>
    <p>Com o aumento da incid&#234;ncia das DCD, em especial das DCV, elas passaram a representar mortalidade de 17 milh&#245;es, anualmente, no mundo. Os maiores respons&#225;veis por esse n&#250;mero s&#227;o os pa&#237;ses desenvolvidos, como os da Am&#233;rica do Norte, da Europa e da &#193;sia. &#201; esperada para os pr&#243;ximos anos uma epidemia de DCV se n&#227;o se conseguir modificar a atual evolu&#231;&#227;o dessa doen&#231;a.</p>
    <p>A Medicina Baseada em Evid&#234;ncias tem proporcionado dados capazes de modificar a evolu&#231;&#227;o das DCV. Isso trouxe importante modifica&#231;&#227;o no perfil de sa&#250;de e, conseq&#252;entemente, nova vis&#227;o terap&#234;utica. &#201; o surgimento da valoriza&#231;&#227;o dos FR e sua aplica&#231;&#227;o na preven&#231;&#227;o prim&#225;ria, inicialmente nas DCV, mas que muito certamente estar&#225; sendo usada em todas as DCD.</p>
    <p>
      <bold>Mudan&#231;as com a valoriza&#231;&#227;o dos fatores de risco nas doen&#231;as cardiovasculares</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Idade</bold>
    </p>
    <p>A valoriza&#231;&#227;o dos FR, especialmente para as DCV, foi um ganho da mais alta import&#226;ncia. A preven&#231;&#227;o prim&#225;ria, que at&#233; ent&#227;o era impens&#225;vel, passou a ser posta em pr&#225;tica com resultados que foram se acumulando para o lado favor&#225;vel.</p>
    <p>Com o aumento significativo dos porcentuais de idosos, na popula&#231;&#227;o em geral, talvez seja a idade um dos FR que mais t&#234;m pesado na incid&#234;ncia das DCV. &#201; com a preven&#231;&#227;o tanto prim&#225;ria como a secund&#225;ria, associada ao combate a outros FR, que se dever&#225; agir principalmente em idades mais avan&#231;adas. Em geral, os idosos apresentam tr&#234;s ou mais FR associados, al&#233;m da alta incid&#234;ncia de co-morbidades.</p>
    <p>
      <bold>G&#234;nero</bold>
    </p>
    <p>O g&#234;nero masculino foi definido como de maior risco para DCV. A mulher, como em muitos setores da atividade humana, tamb&#233;m nas DCV passou a ser mais bem estudada h&#225; menos de 20 anos, quando come&#231;ou a fazer parte de amostras dos grandes ensaios e dos trabalhos nacionais<sup>8-9</sup> (<xref ref-type="fig" rid="figura1">fig. 1</xref>). Pode-se observar, na <xref ref-type="fig" rid="figura1">figura 1</xref>, que &#233; a partir dos 55 anos que a mulher come&#231;a a apresentar, com mais preval&#234;ncia que o homem, as complica&#231;&#245;es das DCV. Esse gr&#225;fico, baseado em dados da Secretaria Estadual de Sa&#250;de-RS, apresenta os &#243;bitos por DCV no per&#237;odo de 1990 a 1995.</p>
    <fig id="figura1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-88-04-0e88-00028-gf01.jpg"/></fig>
    <p>
      <bold>Desigualdades sociais</bold>
    </p>
    <p>As desigualdades sociais est&#227;o presentes em importante fatia da popula&#231;&#227;o, que &#233; mais vulner&#225;vel &#224;s DCV a partir da maior preval&#234;ncia de alguns FR<sup>10</sup>. Com exce&#231;&#227;o de diabetes melito e hipercolesterolemia, todos os demais FR avaliados s&#227;o significativamente mais prevalentes nos indiv&#237;duos classificados como "vulner&#225;veis", os quais, em geral, t&#234;m mais de dois FR associados. Neste trabalho foi considerado integrante do grupo vulner&#225;vel o indiv&#237;duo com renda familiar inferior a tr&#234;s sal&#225;rios m&#237;nimos e com at&#233; oito anos de escolaridade.</p>
    <p>A pobreza no mundo atinge 4,4 milh&#245;es de pessoas, das quais tr&#234;s quintos n&#227;o t&#234;m acesso a instala&#231;&#245;es sanit&#225;rias adequadas, um ter&#231;o n&#227;o tem &#225;gua pot&#225;vel, e um quinto n&#227;o tem acesso a cuidados m&#233;dicos<sup>11</sup>. Isso tem atrasado as medidas corretivas mais prim&#225;rias da medicina, ou seja, o sanitarismo.</p>
    <p>Esses s&#227;o elementos que a medicina atual ter&#225; de considerar com muita aten&#231;&#227;o, pois envolvem outras quest&#245;es n&#227;o m&#233;dicas propriamente ditas, como as quest&#245;es sociais e as financeiras.</p>
    <p>
      <bold>Diabete melito</bold>
    </p>
    <p>A import&#226;ncia do diabete melito nas DCV &#233; bem definida, sendo um dos FR que atualmente representam progn&#243;stico estabelecido, em que as possibilidades de ocorr&#234;ncia de evento card&#237;aco s&#227;o semelhantes &#224;s de pacientes cardiopatas e que j&#225; tiveram um evento card&#237;aco. Associa-se, em porcentuais estatisticamente v&#225;lidos, com a obesidade, o sedentarismo, a hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica (HAS) e a dislipidemia<sup>12-14</sup>. A import&#226;ncia do diabete melito tomou tamanha propor&#231;&#227;o que o portador de diabetes melito passou a apresentar os mesmos riscos de evento card&#237;aco que o portador de cardiopatia isqu&#234;mica.</p>
    <p>
      <bold>Hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>A HAS tem valor indiscut&#237;vel como FR nas DCV e talvez seja a afec&#231;&#227;o mais pesquisada nestes &#250;ltimos anos. Associa-se com obesidade, idosos, baixa escolaridade, popula&#231;&#227;o de baixas condi&#231;&#245;es socioecon&#244;micas<sup>3,7,8,15-19</sup> e com os novos par&#226;metros para as cifras tensionais conforme determina&#231;&#227;o do <italic>Seventh Report of the Joint National Committee on Prevention, Detection, Evaluation, and Treatment of High Blood Pressure</italic> (VII JOINT)<sup>20</sup>. O enfoque da HAS &#233; fundamental nos programas de sa&#250;de de cunho populacional.</p>
    <p>
      <bold>Fumo e sedentarismo</bold>
    </p>
    <p>Tanto o fumo como o sedentarismo s&#227;o FR j&#225; bem definidos nas DCV e devem fazer parte de qualquer planejamento de preven&#231;&#227;o prim&#225;ria e/ou secund&#225;ria.</p>
    <p>
      <bold>Conclus&#245;es</bold>
    </p>
    <p>Numa tentativa de resumir o que foi dito e de procurar a tirar ensinamentos a partir disso, pode-se dizer que os perfis de sa&#250;de das DCV se alteraram a partir das seguintes mudan&#231;as:</p>
    <p>&#150; Mudan&#231;as epidemiol&#243;gicas: predom&#237;nio das DCD, em especial a DCV.</p>
    <p>&#150; Mudan&#231;as de est&#225;gio na transi&#231;&#227;o demogr&#225;fica: aumento significativo de idosos.</p>
    <p>&#150; Grandes mudan&#231;as estruturais no mundo: industrializa&#231;&#227;o, higiene b&#225;sica, popula&#231;&#227;o urbana.</p>
    <p>&#150; Mudan&#231;as com a evolu&#231;&#227;o temporal da medicina: Medicina Baseada em Evid&#234;ncias.</p>
    <p>&#150; Mudan&#231;as com a valoriza&#231;&#227;o dos FR nas DCV: preven&#231;&#227;o nas DCV.</p>
    <p>&#201; importante que os m&#233;dicos tenham essa vis&#227;o para poder entender as dificuldades que hoje em dia eles enfrentam. As modifica&#231;&#245;es foram significativas e em curto espa&#231;o de tempo. Mudou o enfoque do tratamento, mudou o arsenal terap&#234;utico, mudou o relacionamento m&#233;dico-paciente. Os mais novos, que j&#225; encontraram essas transi&#231;&#245;es, talvez n&#227;o sintam o quanto o perfil de sa&#250;de se modificou; e os mais velhos, por outro lado, apesar de conhecerem a evolu&#231;&#227;o, t&#234;m dificuldade de aceitar todas as modifica&#231;&#245;es pela enorme quantidade de informa&#231;&#245;es, que quase diariamente vai oferecendo uma vis&#227;o mais moderna da medicina.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflitos de interesses pertinentes.</p>
    <p>
      <bold>Refer&#234;ncias</bold>
    </p>
    <p>1. Gottschall CAM. Do mito ao pensamento cient&#237;fico. A busca da realidade, de Tales a Einstein. S&#227;o Paulo: Editora Atheneu, 2003.</p>
    <p>2. Gus I, Zielinsky P. As cardiopatias no Brasil. In: Ferreira C; P&#243;voa R. Cardiologia para o cl&#237;nico geral. Rio de Janeiro: Atheneu; 1999. p. 131-43.</p>
    <p>3. 27th Bethsda Conference - Matching the intensity of risk factor management with the hazard for coronary disease events. J Am Coll Cardiol. 1996; 27 (5): 957-1047.</p>
    <p>4. Cardiovascular and Cerebrovascular Disease in the Americas, 1996, and IHF publication Pan American Health Organization Data. FIAH Boletim, Dallas-USA, 1996:18.</p>
    <p>5. Silvestre JA, Kalache A, Ramos LR, Veras RP. O envelhecimento populacional brasileiro e o setor sa&#250;de. Arq Geriatr Gerontol. 1996; 1: 81-9.</p>
    <p>6. World Health Organization Annuals 1979-1982. Geneva, 1987.</p>
    <p>7. Gus I, Fischmann A, Medina C. Preval&#234;ncia dos fatores de risco da doen&#231;a arterial coronariana no estado do Rio Grande do Sul. Arq Bras Cardiol. 2002;78(5)484-90.</p>
    <p>8. The six report of the Joint National Committee on prevention, detection, evaluation, and treatment of high blood pressure. Arch Intern Med. 1997; 157:2413</p>
    <p>9. Haddad N, da Silva MB. Mortalidade por doen&#231;as cardiovasculares em mulheres em idade reprodutiva (15 a 49 anos), no Estado de S&#227;o Paulo, Brasil, 1991 a 1995. Arq Bras Cardiol. 2000;75 (5):3 75-9.</p>
    <p>10. Harzheim E, Fischer JPM, Gus I. Desigualdades socio-econ&#244;micas na distribui&#231;&#227;o de fatores de risco da doen&#231;a arterial coronariana no Rio Grande do Sul (RS). Ci&#234;ncia &amp; Sa&#250;de Coletiva. 2003; 8 (Supl.1 e 2):1-8.</p>
    <p>11. Smith R, Heath I, Haines A. Joining together to combat poverty. Everybody welcome and needed. [editorial]. BMJ. 2000;320:1-2.</p>
    <p>12. Schaan BD, Harzheim E, Gus I. Perfil de risco card&#237;aco no diabetes mellitus e na glicemia de Jejum alterada. Rev Sa&#250;de P&#250;blica., 2004; 38 (4): 529-36.</p>
    <p>13. DECODE Study Group. Glucose tolerance and mortality: comparison of WHO and American Diabetes Association diagnostic criteria. Lancet. 1999;3534:617-21.</p>
    <p>14. Stamler J, Vaccaro O, Neaton JD, Wentworth D. Diabetes, other risk factors, and 12-yr cardiovascular mortality for men screened in the Multiple Risk Factor Intervention Trial. Diabetes Care. 1993; 16:2, 434-44.</p>
    <p>15. Gus I, Harzheim E, Zaslavsky C, Fischmann A, Medina C, Gus M. Preval&#234;ncia, reconhecimento e controle da hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica no estado do Rio Grande do Sul. Arq Bras Cardiol. 2004; 83 (5) :424-8.</p>
    <p>16. Minist&#233;rio da Sa&#250;de. Funda&#231;&#227;o Nacional de Sa&#250;de. DATASUS. Informa&#231;&#245;es de Sa&#250;de. [acessado em 2001 Setembro 8 Dispon&#237;el em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.datasus.gov.br">http://www.datasus.gov.br</ext-link>",</p>
    <p>17. Van den Hoogen PCW, Feskens EJM, Nagelkerke NJD, Menotti A,. Nissinen A, Kromhout D. The relation between blood pressure and mortality due to coronary heart disease among men in different parts of the world. N Eng J Med. 2000;342:1-8.</p>
    <p>18. Lessa I. Epidemiologia da hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica e da insufici&#234;ncia card&#237;aca no Brasil. Rev Bras Hipertens. 2001; 8: 383-92.</p>
    <p>19. Fuchs FD, Moreira LB, Moraes RS, Bredemeier M, Cardozo SC. Preval&#234;ncia de hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica e fatores associados na regi&#227;o urbana de Porto Alegre: estudo de base populacional. Arq Bras Cardiol. 1994; 63 (6): 473-9.</p>
    <p>20. Chobanian AV, Bakris GL, Black HR, Cushman WC, Green LA, Izzo JL Jr. Joint National Committee on Prevention, Detection, Evaluation, and Treatment of High Blood Pressure. National Heart, Lung, and Blood Institute; National High Blood Pressure Education Program Coordinating Committee. Seventh report of the Joint National Committee on Prevention, Detection, Evaluation, and Treatment of High Blood Pressure. Hypertension. 2003; 42 (6): 1206-52.</p>
    <p>
      <fn id="back" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold>Correspond&#234;ncia:</bold>
        </label>
        <p> Iseu Gus </p>
        <p> Avenida Princesa Isabel, 395 </p>
        <p> 90620-001 &#150; Porto Alegre, RS </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="igus@cardiol.br">igus@cardiol.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 07/06/06; revisado recebido em 21/09/06; aceito em 05/10/06.</p>
  </body>
  <sub-article article-type="translation" id="TRen" xml:lang="en">
    <front-stub>
      <article-categories>
        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Point of View</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Health profiles: Brazil 2006 - changes and their causes</article-title>
      </title-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>POINT OF VIEW</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Health profiles &#150; Brazil 2006 &#150; changes and their causes</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Iseu Gus</bold>
      </p>
      <p>Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul &#150; Funda&#231;&#227;o Universit&#225;ria de Cardiologia &#150; Porto Alegre, RS - Brazil</p>
      <p>
        <xref ref-type="corresp" rid="back-body2">Mailing address</xref>
      </p>
      <p><bold>Key words:</bold> Health profile; neurodegenerative diseases; cardiovascular diseases.</p>
      <p>For centuries medicine progressed very slowly<sup>1</sup>, and in the past fifty years its development has been "blindingly fast" and difficult to keep up with, and made the means of communication, especially IT, indispensable. At each step of this progression the health profile faced by medicine went through changes thus changing the medical reasoning.</p>
      <p>We could say that Health Profiles are changes in the main focus of the medical care as a consequence of the evolution of our civilization and of medicine itself.</p>
      <p>
        <bold>Evidences</bold>
      </p>
      <p>Throughout all those years of medical evolution, the Health Profile consequently went through changes and physicians had to keep up, adapt and change their attitudes and decisions.</p>
      <p>The purpose of this article is to attempt to show in an instructive and comprehensible manner how some events that modified the Health Profiles unfolded, and which were their repercussions on chronic degenerative diseases (CDD), and especially on cardiovascular diseases (CVD).</p>
      <p>
        <bold>Health profiles: changes and their causes</bold>
      </p>
      <p>Some of the changes that influenced the main focus of medical care were:</p>
      <p>- Epidemiological changes occurred when CVD, among the CDD, became the major cause of death as of the second half of the 20th century, with deep changes in medical behavior, therapies, and public health and their population-targeted programs.</p>
      <p>- Changes of stage of demographic transition: The Brazilian population is now comprised of more adult and elderly individuals because of the decrease in mortality and birth rates. This led to percentage changes of age ranges with a significant increase of elderly individuals.</p>
      <p>- The great structural changes in the world that modified a whole habitation and population structure that occurred between the end of the 19th century and beginning of the 20th century, with industrialization and subsequent movement of the rural population into the cities.</p>
      <p>- Changes with time evolution of medicine: We have an initial phase that lasted several centuries and could be called Medicine Based on Observation and Experience, and the current one which began in mid-20th century: the Medicine Based on Evidence. Medicine which was curative until then and treated CVD complications became more preventive.</p>
      <p>- Changes with the valuation of RF in CVD: With the valuation of RF in CVD emerges the Primary Prevention for CDD, especially for CVD. This was only possible thanks to principles that arose with the Medicine Based on Evidence. With them, RF for CVD were evidenced. And what was unthinkable until then: a whole range of possibilities to make primary prevention arose.</p>
      <p>
        <bold>Epidemiological changes</bold>
      </p>
      <p>Contagious diseases predominated until 1950, accounting for 40% of deaths. As of 1990, CDD started to predominate, and among them CVD with 34.5% of deaths, whereas contagious diseases dropped to 12%<sup>2-4</sup>. Notions of hygiene and knowledge on transmitters and etiologic agents of contagious diseases led to a reduction of these diseases, thus reducing mortality of younger individuals. This occurred earlier in the currently called developed countries. A consequence of this fact was that populations are now comprised of older people, and CDD started to predominate, with CVD being the special focus of medicine.</p>
      <p>
        <bold>Change of stage of demographic transition</bold>
      </p>
      <p>The change of stage of demographic transition, when Brazil advanced to the fourth stage, with the decrease in fertility and mortality, led to changes of the percentages of different age ranges and increase in the percentage of elderly individuals<sup>5</sup>.</p>
      <p>According to the WHO's estimates<sup>6</sup>, Brazil will have 32 million elderly individuals, the sixth country in the world in terms of elderly individuals, between 2020 and 2025. Adults, older adults and elderly individuals now account for very high percentages, and began to have the same population weight, with its consequences, which is something that the European countries already felt, and for what they have prepared themselves for longer. In 1950, Brazil was considered a country of young people. In the year 2000, in the State of Rio Grande do Sul (RS), our elderly (<underline>&gt;</underline> 60 year) accounted for 17% of the adult population<sup>7</sup> above 20 years. We should prepare for that. Our elderly population was growing just like in the developed countries, but in the last few years the growth was two-fold higher in developing countries in comparison with developed countries.</p>
      <p>Another factor that will increase the elderly population is the increase of life expectancy for Brazil, which was already of 67 years in 1994, according to the Ministry of Health. However, in RS, according to the Coordination of Information of the State Health Office of RS, for those who were born between 1998 and 2000, the mean age expected is 71.79 years. This increase in life expectancy should occur all over Brazil, resulting in important changes in the composition and percentages of the different age ranges.</p>
      <p>This population change brings significant consequences:</p>
      <p>&#149; a proportional increase of an age range with more comorbidities;</p>
      <p>&#149; a proportional increase of an age range with more emotional, relationship and quality-of-life issues;</p>
      <p>&#149; a proportional increase of an age range with more economic and finantial problems, and more concern about these problems;</p>
      <p>&#149; difficulties in the administration of medications and more collateral effects;</p>
      <p>&#149; an age range of individuals who can only be treated by interdisciplinary groups.</p>
      <p>
        <bold>The great structural changes in the world</bold>
      </p>
      <p>These changes have occurred with great intensity in the late 19th century and early 20th century (<xref ref-type="table" rid="tab1-body2">Table 1</xref>).</p>
      <table-wrap id="tab1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-88-04-0e88-00028-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>As we can observe in Chart 1, these structural changes were very significant and influenced all human activities. The great hygienic measures emerged, the quality of life started to improve, cities grew, and the rural population started to move into the cities. According to the IBGE (<italic>Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&#237;stica &#150;</italic> Brazilian Institute of Geography and Statistics), 81.4% of the Brazilian population was urban in 2000. Within these structural changes, we should consider this exodus of the rural population in Brazil, as occurred worldwide, leading to a great increase in the population of the large cities and with a high percentage of marginalization.</p>
      <p>Of course these huge changes influenced medical attitudes and their main focuses profoundly. The health profile was starting to change radically with occupational medicine, city medicine, occupational diseases, unionism, socialization, new equipment, valuation of laboratory tests, etc. Again, these changes reached the countries currently called developed earlier. All these changes and medical knowledge, as a consequence of the basic structural changes, took longer to be put in practice in Brazil. And this was one of the causes of the delayed medical development in almost all developing countries and even more in the underdeveloped countries.</p>
      <p>
        <bold>Changes with time evolution of medicine</bold>
      </p>
      <p>The first reference to the medical work is found in the mortuary chamber of the Egyptian Was Ptah, and only in the 30th century BC Hippocrates (460 BC) introduces the observation of symptoms as a means to make a diagnosis; Paracelsus, Vesalius, Malpighi, Laenec date back to 1493 to 1781; the great medical discoveries, discoveries of basic and more scientific instruments, equipment and thoughts date back to the 19th and 20th centuries<sup>1</sup>. The purpose of these quick references is to show how slowly medicine developed. It was a long period which can be called <bold>Medicine Based on Observation and on Experience.</bold></p>
      <p>Perhaps we could mark the year 1950, with Framingham's studies and the double-blind randomized trials, as the beginning of a modern age which was now called Medicine Based on Evidence.</p>
      <p>With this landmark, scientific studies called the Great Studies started to come up. The basis of what will be called Medicine Based on Evidences (MBE) is then formed. Knowledge over these past 50 years has been huge and with significant changes on the basis of Medicine, making many concepts which were considered definitive be revised and updated on more current bases in light of the conclusions of some Great Studies.</p>
      <p>With the increase in the incidence of CDD, and especially CVD, they now account for 17 million deaths per year worldwide. Developed countries such as those in America, Europe and Asia are the major responsible for these figures. An epidemic of CVD is expected for the coming years if the current progression of these diseases fails to be changed.</p>
      <p>MBE has provided data able to modify the evolution of CVD. It gives rise to the valuation of Risk Factors (RF) for CVD, and with it comes the Primary Prevention for CDD: the CVD. Until then this measure was unthinkable. This brought a significant change in the Health Profile and a subsequent new therapeutic view. It is the emergence of the valuation of RF and their application on primary prevention, initially on CVD, but which will very likely be used on all CDD.</p>
      <p>
        <bold>Changes with the valuation of RF in CVD</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Age</bold>
      </p>
      <p>The valuation of RF, especially for CVD, was a gain of the utmost importance. What was unthinkable until then &#150; the primary prevention &#150; was now put in practice with favorable results being accumulated.</p>
      <p>With the significant increase in the percentage of elderly individuals in the general population, perhaps is age the RF with the highest weight in the incidence of CVD. Primary and secondary prevention, in association with the fight against other RF, shall be applied mainly to older ages. Elderly individuals generally present with three or more associated RF, not to mention the high incidence of comorbidities.</p>
      <p>
        <bold>Gender</bold>
      </p>
      <p>Male gender was defined as having higher risk for CVD. Females, like in many areas of the human activity, and also in CVD, only started to be more carefully studied not more than 20 years ago, when they began to take part on the samples of the great studies and in local studies<sup>8,9</sup> (<xref ref-type="fig" rid="fig1-body2">Figure 1</xref>).</p>
      <fig id="fig1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-88-04-0e88-00028-gf01-en.jpg"/></fig>
      <p>The graph above shows that it is as of 55 years of age, in CVD, that women start to present higher prevalence of complications of CVD than men. The graph is based on data from the State Health Office &#150; RS on CVD deaths between 1990 and 1995.</p>
      <p>
        <bold>Social inequalities</bold>
      </p>
      <p>Social inequalities affect a significant portion of the population which is more vulnerable to CVD because of a higher prevalence of some RF<sup>10</sup>: except for diabetes mellitus and hypercholesterolemia, all other RF assessed are significantly more prevalent in individuals classified as "vulnerable"; in general, these patients have more than two associated RF. In this study the group considered vulnerable was that of individuals earning less than three minimum wages per family and with up to eight years of schooling.</p>
      <p>Poverty affects 4.4 million people worldwide; 3/5 lack access to sanitation, 1/3 do not have clean water, 1/5 lack access to health care<sup>11</sup>. This has delayed the most primary corrective measures in medicine, namely sanitation.</p>
      <p>These are elements that the current medicine will have to take into account with much attention, because they involve other not exactly medical issues: social and financial issues.</p>
      <p>
        <bold>Diabetes mellitus</bold>
      </p>
      <p>The importance of Diabetes Mellitus in CVD is well defined: it is a RF that currently represents an established prognosis, where the possibilities of a cardiac event are similar to those of heart disease patients who already had a cardiac event. It is associated, in statistically valid percentages, with obesity, sedentary lifestyle, HBP and dyslipidemia<sup>12-14</sup>. The importance of DM increased so much that DM patients have the same risk of a cardiac event as that of ischemic heart disease patients.</p>
      <p>
        <bold>High blood pressure</bold>
      </p>
      <p>HBP has an unquestionable value as a RF in CVD, and is perhaps the most frequently studied disease in the past few years. It is associated with obesity, elderly individuals, low level of education, and populations with low socioeconomic levels<sup>3,7,8,15-19</sup>, and the VII JOINT's guidelines<sup>20</sup> established new parameters of pressure levels. The focus on HBP is key in population-targeted health programs.</p>
      <p>
        <bold>Smoking and sedentary lifestyle</bold>
      </p>
      <p>Are already well-defined RF in CVD and should be part of any primary and/or secondary prevention planning.</p>
      <p>
        <bold>Conclusions</bold>
      </p>
      <p>In an attempt to summarize what was written, and to seek to learn from it, we could say that Health Profiles in CVD have modified from the following changes:</p>
      <p>Epidemiological changes: predominance of CDD, especially CVD.</p>
      <p>Changes of stage of demographic transition: a significant increase of elderly individuals.</p>
      <p>Great structural changes in the world: industrialization, basic hygiene, urban population.</p>
      <p>Changes with time evolution of medicine: the Medicine Based on Evidences.</p>
      <p>Changes with the valuation of RF in CVD: CVD prevention.</p>
      <p>It is important for physicians to have this view so that they can understand the difficulties they currently face. The changes were significant and occurred in a short period of time. The treatment focus has changed, the therapeutic armamentarium has changed, the doctor-patient relationship has changed. Perhaps the youngest physicians, who have already found these transitions, are not able to realize how much the Health Profile has changed, and the oldest, despite knowing its evolution, find it difficult to accept all the changes because of the huge information box which almost daily offers a more modern view of medicine.</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
      <p>1. Gottschall CAM. Do mito ao pensamento cient&#237;fico. A busca da realidade, de Tales a Einstein. S&#227;o Paulo: Editora Atheneu, 2003.</p>
      <p>2. Gus I, Zielinsky P. As cardiopatias no Brasil. In: Ferreira C; P&#243;voa R. Cardiologia para o cl&#237;nico geral. Rio de Janeiro: Atheneu; 1999. p. 131-43.</p>
      <p>3. 27th Bethsda Conference - Matching the intensity of risk factor management with the hazard for coronary disease events. J Am Coll Cardiol. 1996; 27 (5): 957-1047.</p>
      <p>4. Cardiovascular and Cerebrovascular Disease in the Americas, 1996, and IHF publication Pan American Health Organization Data. FIAH Boletim, Dallas-USA, 1996:18.</p>
      <p>5. Silvestre JA, Kalache A, Ramos LR, Veras RP. O envelhecimento populacional brasileiro e o setor sa&#250;de. Arq Geriatr Gerontol. 1996; 1: 81-9.</p>
      <p>6. World Health Organization Annuals 1979-1982. Geneva, 1987.</p>
      <p>7. Gus I, Fischmann A, Medina C. Preval&#234;ncia dos fatores de risco da doen&#231;a arterial coronariana no estado do Rio Grande do Sul. Arq Bras Cardiol. 2002;78(5)484-90.</p>
      <p>8. The six report of the Joint National Committee on prevention, detection, evaluation, and treatment of high blood pressure. Arch Intern Med. 1997; 157:2413</p>
      <p>9. Haddad N, da Silva MB. Mortalidade por doen&#231;as cardiovasculares em mulheres em idade reprodutiva (15 a 49 anos), no Estado de S&#227;o Paulo, Brasil, 1991 a 1995. Arq Bras Cardiol. 2000;75 (5):3 75-9.</p>
      <p>10. Harzheim E, Fischer JPM, Gus I. Desigualdades socio-econ&#244;micas na distribui&#231;&#227;o de fatores de risco da doen&#231;a arterial coronariana no Rio Grande do Sul (RS). Ci&#234;ncia &amp; Sa&#250;de Coletiva. 2003; 8 (Supl.1 e 2):1-8.</p>
      <p>11. Smith R, Heath I, Haines A. Joining together to combat poverty. Everybody welcome and needed. [editorial]. BMJ. 2000;320:1-2.</p>
      <p>12. Schaan BD, Harzheim E, Gus I. Perfil de risco card&#237;aco no diabetes mellitus e na glicemia de Jejum alterada. Rev Sa&#250;de P&#250;blica., 2004; 38 (4): 529-36.</p>
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      <p>
        <fn id="back-body2" fn-type="corresp">
          <label>
            <bold>Mailing address:</bold>
          </label>
          <p> Iseu Gus</p>
          <p> Avenida Princesa Isabel, 395</p>
          <p> 90620-001 &#150; Porto Alegre, RS - Brazil</p>
          <p> E-mail: </p>
          <p>
            <email xlink:href="igus@cardiol.br">igus@cardiol.br</email>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Manuscript received June 7, 2006; revised manuscript received September 21, 2006; accepted October 5, 2006.</p>
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        <bold>Hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica</bold>
      </p>
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