<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2006001700027</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(06)08700427</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2006001700027</article-id>
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          <subject>Relato de Caso</subject>
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        <article-title>Dissec&#231;&#227;o aguda da aorta durante a gravidez</article-title>
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        <institution content-type="orgname">Universidade de S&#227;o Paulo</institution>
        <institution content-type="orgdiv1">Faculdade de Medicina </institution>
        <institution content-type="orgdiv2">Hospital das Cl&#237;nicas</institution>
        <country country="BR">Brazil</country>
      </aff>
      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>10</month>
        <year>2006</year>
      </pub-date>
      <volume>87</volume>
      <issue>4</issue>
      <fpage>e112</fpage>
      <lpage>e115</lpage>
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        <date date-type="accepted">
          <day>17</day>
          <month>10</month>
          <year>2005</year>
        </date>
        <date date-type="received">
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          <month>08</month>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      <abstract>
        <p>A dissec&#231;&#227;o aguda da aorta representa uma das situa&#231;&#245;es cl&#237;nicas mais dram&#225;ticas na gravidez. As dificuldades do diagn&#243;stico e a limita&#231;&#227;o da investiga&#231;&#227;o invasiva elevam a taxa de mortalidade pela doen&#231;a. A escassez de experi&#234;ncias relatadas na literatura n&#227;o permite determinar uma conduta cl&#237;nica e/ou cir&#250;rgica frente &#224; dissec&#231;&#227;o de aorta durante a gravidez. Apresentamos um caso de dissec&#231;&#227;o aguda da aorta em paciente cursando a 33&#170; semana de gesta&#231;&#227;o e discutimos sobre a conduta diante das peculiaridades da manifesta&#231;&#227;o da doen&#231;a.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Dissec&#231;&#227;o de aorta</kwd>
        <kwd>gravidez</kwd>
        <kwd>cirurgia card&#237;aca</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>21</day>
        <month>11</month>
        <year>2006</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
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  <body>
    <p>
      <bold>RELATO DE CASO</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Dissec&#231;&#227;o aguda da aorta durante a gravidez</bold>
    </p>
    <p>
      <bold> Walkiria Samuel Avila; Ricardo Dias; Renato Takeshi Yamada; Adriano Armelin</bold>
    </p>
    <p>Instituto do Cora&#231;&#227;o e Hospital das Cl&#237;nicas da Faculdade de Medicina da USP - S&#227;o Paulo, SP</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p>A dissec&#231;&#227;o aguda da aorta representa uma das situa&#231;&#245;es cl&#237;nicas mais dram&#225;ticas na gravidez. As dificuldades do diagn&#243;stico e a limita&#231;&#227;o da investiga&#231;&#227;o invasiva elevam a taxa de mortalidade pela doen&#231;a. A escassez de experi&#234;ncias relatadas na literatura n&#227;o permite determinar uma conduta cl&#237;nica e/ou cir&#250;rgica frente &#224; dissec&#231;&#227;o de aorta durante a gravidez. Apresentamos um caso de dissec&#231;&#227;o aguda da aorta em paciente cursando a 33&#170; semana de gesta&#231;&#227;o e discutimos sobre a conduta diante das peculiaridades da manifesta&#231;&#227;o da doen&#231;a.</p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> Dissec&#231;&#227;o de aorta, gravidez, cirurgia card&#237;aca.</p>
    <p>A dissec&#231;&#227;o aguda da aorta &#233; um evento grave e raro durante o per&#237;odo gestacional e representa uma das situa&#231;&#245;es cl&#237;nicas mais dram&#225;ticas no ciclo grav&#237;dico-puerperal. As dificuldades do diagn&#243;stico, a valoriza&#231;&#227;o dos sintomas (que se confundem com os da gravidez normal) e a limita&#231;&#227;o da investiga&#231;&#227;o invasiva (pelo potencial risco ao concepto) resultam na demora do tratamento e elevam, ainda mais, a taxa de mortalidade pela doen&#231;a.</p>
    <p>A heterogeneidade da apresenta&#231;&#227;o dos casos e a escassez de experi&#234;ncias relatadas na literatura n&#227;o permitem, ainda, determinar as diretrizes para a conduta cl&#237;nica e/ou cir&#250;rgica ante a dissec&#231;&#227;o de aorta durante a gravidez. Contudo, o tratamento deve sempre proporcionar chances de sobrevida &#224; m&#227;e e ao feto, ponderando-se o quadro cl&#237;nico materno, a idade gestacional e a oportunidade da interven&#231;&#227;o cir&#250;rgica, quando indicada.</p>
    <p>Apresentamos um caso de dissec&#231;&#227;o aguda da aorta em paciente cursando a 33&#170; semana de gesta&#231;&#227;o e discutimos sobre a conduta diante das peculiaridades da manifesta&#231;&#227;o da doen&#231;a.</p>
    <p>
      <bold>Relato do Caso</bold>
    </p>
    <p>Paciente de 35 anos, m&#233;dica, primigesta, nul&#237;para, assintom&#225;tica, com 33 semanas de gesta&#231;&#227;o, sem antecedentes pessoais de cardiopatia ou de hipertens&#227;o arterial, apresentou forte dor retroesternal com queda da press&#227;o arterial (80/40 mmHg, <italic>sic</italic>), sem rela&#231;&#227;o com esfor&#231;o, seguida de melhora gradativa e espont&#226;nea. Foi atendida num setor de emerg&#234;ncia m&#233;dica e medicada com antiespasm&#243;dico. Evoluiu durante as 48 horas seguintes com desconforto respirat&#243;rio, mal-estar e edema de membros inferiores. Nessa ocasi&#227;o, foi aconselhada a realizar um ecocardiograma, o qual registrou dissec&#231;&#227;o de aorta Tipo I, de DeBakey, insufici&#234;ncia a&#243;rtica leve e importante disfun&#231;&#227;o diast&#243;lica de ventr&#237;culo esquerdo (<xref ref-type="fig" rid="figura1">fig. 1</xref>), sendo imediatamente encaminhada ao Instituto do Cora&#231;&#227;o.</p>
    <fig id="figura1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-87-04-e112-00027-gf01.jpg"/></fig>
    <p>A paciente relatou que nas primeiras semanas da gesta&#231;&#227;o os exames pr&#233;-natais de rotina foram normais; na 29&#170; semana apresentou palpita&#231;&#227;o de curta dura&#231;&#227;o, o que motivou a realiza&#231;&#227;o de eletrocardiograma convencional e ecocardiograma transtor&#225;cico, ambos sem anormalidades; na 32&#170; semana realizou uma urina tipo I que apresentou leucocit&#250;ria de 71.000/ml.</p>
    <p>Durante a interna&#231;&#227;o estava consciente, dispn&#233;ica ++/++++, acian&#243;tica, afebril e descorada ++/++++. A press&#227;o arterial (PA) aferida foi 130/60 mmHg e a freq&#252;&#234;ncia card&#237;aca (FC) 90 batimentos por minuto (bpm); os pulsos perif&#233;ricos eram palp&#225;veis e sim&#233;tricos, e a press&#227;o de pulso elevada. Nos pulm&#245;es auscultava-se murm&#250;rio vesicular normal bilateralmente, sem ru&#237;dos advent&#237;cios. O cora&#231;&#227;o estava r&#237;tmico, com bulhas normofon&#233;ticas e sem sopros. Os membros inferiores apresentavam edema ++/++++; n&#227;o havia hepatomegalia e o abdome evidenciava &#250;tero grav&#237;dico compat&#237;vel com trinta semanas de gesta&#231;&#227;o.</p>
    <p>A tomografia, realizada na interna&#231;&#227;o, mostrou di&#226;metros aumentados de cavidades card&#237;acas esquerdas e confirmou o diagn&#243;stico de dissec&#231;&#227;o de aorta Tipo I, com acometimento do tronco braquiocef&#225;lico e da aorta ascendente e descendente (<xref ref-type="fig" rid="figura2">fig. 2</xref>). Os exames obst&#233;trico e ultra-sonogr&#225;fico do abdome mostraram que o feto era vi&#225;vel, &#250;nico, tinha a vitalidade preservada, idade gestacional de 33 semanas e peso estimado em 2.300 g.</p>
    <fig id="figura2">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-87-04-e112-00027-gf02.jpg"/></fig>
    <p>Fundamentada no progressivo risco de ruptura da aorta e diante da viabilidade fetal, a equipe m&#233;dica indicou imediata cirurgia corretiva da dissec&#231;&#227;o e interrup&#231;&#227;o da gesta&#231;&#227;o por parto ces&#225;reo antecedendo a toracotomia.</p>
    <p>A paciente participou e concordou com a essa decis&#227;o, e entrou no centro cir&#250;rgico consciente e com os dados vitais est&#225;veis, como mostrou a monitoriza&#231;&#227;o invasiva. Quando da indu&#231;&#227;o anest&#233;sica para o parto ces&#225;reo ocorreu hipotens&#227;o s&#250;bita seguida de parada card&#237;aca em assistolia. Sob massagem card&#237;aca externa foi realizada a ces&#225;rea por laparotomia mediana e imediata retirada do beb&#234;. N&#227;o havendo recupera&#231;&#227;o dos batimentos card&#237;acos maternos iniciou-se a esternotomia exploradora que evidenciou um importante hemoperic&#225;rdio. Ap&#243;s sua drenagem, restabeleceram-se os batimentos card&#237;acos e se estabilizou o quadro hemodin&#226;mico materno. A circula&#231;&#227;o extracorp&#243;rea foi estabelecida por perfus&#227;o anter&#243;grada atrav&#233;s do tronco braquiocef&#225;lico e drenagem venosa por meio de c&#226;nula &#250;nica no &#225;trio direito; a prote&#231;&#227;o mioc&#225;rdica foi realizada com solu&#231;&#227;o sang&#252;&#237;nea fria e hipotermia a 20&#176;C. A corre&#231;&#227;o da dissec&#231;&#227;o foi feita com interposi&#231;&#227;o de tubo de dacron na aorta ascendente (<xref ref-type="fig" rid="figura3">fig.3</xref>) e na art&#233;ria subcl&#225;via direita, destacada que fora do tronco braquiocef&#225;lico durante a instala&#231;&#227;o da linha arterial.</p>
    <fig id="figura3">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-87-04-e112-00027-gf03.jpg"/></fig>
    <p>O exame anatomopatol&#243;gico mostrou delamina&#231;&#227;o parcial da aorta no n&#237;vel da camada m&#233;dia e hemorragia da advent&#237;cia, e moderado ac&#250;mulo de subst&#226;ncia muc&#243;ide nas camadas m&#233;dia e &#237;ntima.</p>
    <p>No p&#243;s-operat&#243;rio, a paciente permaneceu sob ventila&#231;&#227;o assistida durante 48 horas e foi medicada com os f&#225;rmacos de rotina do p&#243;s-operat&#243;rio e ocit&#243;cico em doses habituais. Manteve-se hemodinamicamente est&#225;vel, sem sangramentos, e com contratilidade uterina e loquia&#231;&#227;o normais. Evoluiu nos primeiros sete dias de p&#243;s-operat&#243;rio com edema ++++ de membros inferiores, hipertens&#227;o arterial importante (PA, em m&#233;dia, 180/120 mmHg) e taquicardia sinusal (FC, em m&#233;dia, 110 bpm), que foram controladas, gradativamente, com atenolol 200 mg/dia, captopril 150 mg/dia, amlodipina 20 mg/dia e furosemide 80 mg/dia. Administrou-se, tamb&#233;m, heparina de baixo peso molecular, em doses profil&#225;ticas, durante seis semanas. Nos dias sucessivos as doses dos medicamentos foram ajustadas para manuten&#231;&#227;o da PA em torno de 100/60 mmHg e da FC em aproximadamente 70 bpm. A alta hospitalar ocorreu no 15&#186; dia de p&#243;s-operat&#243;rio mantendo-se a mesma dosagem de atenolol e amlodipina e reduzindo-se a de captopril (75 mg/dia). Pela aus&#234;ncia de assepsia e antissepsia para as l&#225;paro e toracotomias de emerg&#234;ncia, indicou-se profilaxia antibi&#243;tica com vancomicina 500 mg/dia e ceftriaxone 1 g/dia durante 21 dias consecutivos.</p>
    <p>O beb&#234;, do sexo masculino e com idade gestacional de 33 semanas, nasceu sob anestesia geral e durante as manobras de ressuscita&#231;&#227;o card&#237;aca materna; apresentou bradicardia, cianose e palidez cut&#226;nea, com &#237;ndices de Apgar de 1 no primeiro minuto, de 5 no quinto e de 7 no d&#233;cimo minuto de vida.</p>
    <p>Permaneceu sob ventila&#231;&#227;o artificial com oxig&#234;nio a 100% em bal&#227;o anest&#233;sico no primeiro minuto, e recuperou rapidamente a freq&#252;&#234;ncia card&#237;aca, a colora&#231;&#227;o da pele e a respira&#231;&#227;o espont&#226;nea; por&#233;m, apresentava-se hipot&#244;nico e sem irritabilidade reflexa. Evoluiu com insufici&#234;ncia respirat&#243;ria, sendo necess&#225;rias ventila&#231;&#227;o mec&#226;nica intermitente e administra&#231;&#227;o de surfactante por via endotraqueal por 2 horas, obtendo-se melhora dos par&#226;metros ventilat&#243;rios; foi extubado ainda no primeiro dia de vida e mantido com cateter nasal de oxig&#234;nio com press&#227;o positiva cont&#237;nua nas vias a&#233;reas.</p>
    <p>No segundo dia de vida, diagnosticou-se pneumot&#243;rax &#224; direita e satura&#231;&#227;o de oxig&#234;nio reduzida, tendo sido novamente intubado e mantido sob ventila&#231;&#227;o mec&#226;nica e agentes vasoativos. Ap&#243;s duas drenagens de t&#243;rax e ventila&#231;&#227;o de alta freq&#252;&#234;ncia houve melhora cl&#237;nica e dos par&#226;metros ventilat&#243;rios, o que lhe permitiu ser extubado em seu nono dia de vida, embora continuasse na incubadora e com cateter de oxig&#234;nio. Com a melhora do quadro respirat&#243;rio foi diminu&#237;da, progressivamente, a administra&#231;&#227;o de oxig&#234;nio e de f&#225;rmacos vasoativos. Os drenos tor&#225;cicos foram retirados em seu 12&#186; dia, ocasi&#227;o em que se iniciou a alimenta&#231;&#227;o enteral, atrav&#233;s de sonda orog&#225;strica.</p>
    <p>Com dificuldade de coordena&#231;&#227;o na suc&#231;&#227;o-degluti&#231;&#227;o, foi necess&#225;ria estimula&#231;&#227;o n&#227;o-nutritiva e transi&#231;&#227;o paulatina para a alimenta&#231;&#227;o oral. Embora apresentasse hemograma normal e hemocultura negativa, a crian&#231;a foi mantida sob antibioticoterapia durante dez dias, porque o exame radiol&#243;gico mostrava velamento na base pulmonar direita, a prote&#237;na C-reativa apresentava-se elevada para a idade (6,8) e havia hist&#243;ria materna de infec&#231;&#227;o urin&#225;ria na ocasi&#227;o do parto. O exame neurol&#243;gico foi normal, assim como o ecocardiograma Doppler e a ultra-sonografia cerebral; por&#233;m, a tomografia cerebral evidenciou atenua&#231;&#227;o de grau leve da subst&#226;ncia branca em ambos os hemisf&#233;rios cerebrais. Respondendo adequadamente aos est&#237;mulos de suc&#231;&#227;o e recebendo todo volume de leite por via oral, o beb&#234; teve alta hospitalar com 34 dias de vida, em boas condi&#231;&#245;es.</p>
    <p>
      <bold>Discuss&#227;o</bold>
    </p>
    <p>A dissec&#231;&#227;o de aorta na mulher jovem &#233; uma doen&#231;a incomum, de etiologia &#224;s vezes desconhecida, potencialmente catastr&#243;fica e de extens&#227;o vari&#225;vel, que se inicia com a ruptura da &#237;ntima dessa art&#233;ria.</p>
    <p>Em pacientes jovens, as condi&#231;&#245;es cl&#237;nicas mais comuns que predisp&#245;em &#224; dissec&#231;&#227;o de aorta s&#227;o as doen&#231;as do col&#225;geno (Marfan, Ehlers-Danlos) ou aquelas que primariamente acometem o vaso, como a coarcta&#231;&#227;o e a valva a&#243;rtica bivalvular<sup>1</sup>. Contudo, em mulheres saud&#225;veis tem sido descrita uma forte correla&#231;&#227;o de dissec&#231;&#227;o da aorta e gravidez, fundamentada na alta incid&#234;ncia desse evento durante a gesta&#231;&#227;o<sup>2,3</sup>. De fato, a revis&#227;o de Schnitker e Bayer verificou que 24 das 49 delamina&#231;&#245;es a&#243;rticas em mulheres abaixo de quarenta anos de idade ocorreram em associa&#231;&#227;o com a gravidez, e vinte delas aconteceram antes do parto<sup>4</sup>. A causa dessa associa&#231;&#227;o (gravidez/dissec&#231;&#227;o de aorta) em mulheres internadas como saud&#225;veis ainda n&#227;o est&#225; claramente estabelecida.</p>
    <p>Inicialmente sugeriu-se que incrementos fisiol&#243;gicos da volemia e do d&#233;bito card&#237;aco poderiam ser as potenciais causas do evento; contudo, essa hip&#243;tese n&#227;o consegue explicar a menor incid&#234;ncia de dissec&#231;&#227;o durante o trabalho de parto<sup>5</sup>, ocasi&#227;o em que, em rela&#231;&#227;o a outras fases do ciclo grav&#237;dico-puerperal, acontece o maior impacto circulat&#243;rio em raz&#227;o da importante oscila&#231;&#227;o hemodin&#226;mica.</p>
    <p>Tem-se cogitado, tamb&#233;m, que as modifica&#231;&#245;es estruturais vasculares demonstradas durante a gravidez, semelhantes &#224; necrose c&#237;stica da m&#233;dia, respons&#225;veis pelo aumento do di&#226;metro e da complac&#234;ncia da aorta (mais marcantes no termo da gesta&#231;&#227;o), possam desempenhar um papel importante na dissec&#231;&#227;o<sup>5</sup>. A degenera&#231;&#227;o muc&#243;ide nas camadas m&#233;dia e &#237;ntima, descrita no exame anatomopatol&#243;gico da aorta do presente caso, coincide com os relatos da literatura sobre as dissec&#231;&#245;es que ocorrem no terceiro trimestre da gravidez. Nesse aspecto, destaca-se o recente estudo gen&#233;tico que demonstrou express&#227;o vari&#225;vel de genes de transcri&#231;&#227;o das enzimas metaloproteinases da matriz celular da aorta que apresentam forte influ&#234;ncia na remodela&#231;&#227;o vascular fisiol&#243;gica da gravidez<sup>6</sup>.</p>
    <p>Com respeito aos horm&#244;nios, ainda &#233; desconhecida sua exata influ&#234;ncia sobre o tecido conectivo vascular. Estudos em modelos animais, contudo, demonstraram que os estr&#243;genos inibem o col&#225;geno e a deposi&#231;&#227;o de elastina na aorta enquanto a progesterona acelera, minimamente, a deposi&#231;&#227;o de prote&#237;nas n&#227;o-colagenosas nas paredes do vaso<sup>7</sup>.</p>
    <p>As manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas da dissec&#231;&#227;o a&#243;rtica, expressas classicamente por forte dor retroesternal e/ou abdominal, foram, nesse caso, subestimadas e indiferenciadas da dor tor&#225;cica decorrente dos efeitos mec&#226;nicos do &#250;tero grav&#237;dico e da obstipa&#231;&#227;o intestinal, comuns na gravidez normal. A prop&#243;sito, ainda, do diagn&#243;stico diferencial, devem ser sempre considerados a embolia amni&#243;tica, o descolamento prematuro da placenta, a ruptura uterina e o pneumot&#243;rax espont&#226;neo como causas freq&#252;entes de dor tor&#225;cica durante a gravidez.</p>
    <p>Embora apresente limita&#231;&#245;es para o diagn&#243;stico de dissec&#231;&#227;o da aorta, o ecocardiograma mostrou-se &#250;til na investiga&#231;&#227;o inicial, por ser um exame n&#227;o-invasivo e de f&#225;cil execu&#231;&#227;o. A tomografia computadorizada, com as vantagens da r&#225;pida factibilidade e do relativo baixo custo, confirmou o diagn&#243;stico e, principalmente, a classifica&#231;&#227;o da dissec&#231;&#227;o, dado esse de fundamental import&#226;ncia para definir a conduta terap&#234;utica.</p>
    <p>A localiza&#231;&#227;o da delamina&#231;&#227;o na aorta ascendente com extens&#227;o para a descendente caracterizou o presente caso como Tipo I, de DeBakey, o que implicou corre&#231;&#227;o cir&#250;rgica imediata, uma vez que o tratamento cl&#237;nico desse tipo de dissec&#231;&#227;o associa-se a progressivas taxas de mortalidade, alcan&#231;ando 80% de &#243;bito na primeira semana ap&#243;s o diagn&#243;stico<sup>8</sup>.</p>
    <p>Nos &#250;ltimos anos t&#234;m-se observado tr&#234;s dados relevantes para levar a bom termo o tratamento dessa grave afec&#231;&#227;o: o encaminhamento precoce desses pacientes para a cirurgia, a maior experi&#234;ncia do cirurgi&#227;o e a evolu&#231;&#227;o dos cuidados no p&#243;s-operat&#243;rio. Mesmo assim, a cirurgia corretiva de dissec&#231;&#227;o a&#243;rtica ainda se associa a graves complica&#231;&#245;es card&#237;acas e taxas de mortalidade cir&#250;rgica estimadas entre 9% e 36%<sup>9</sup>. N&#227;o diferente do risco materno, a cirurgia card&#237;aca imp&#245;e ao feto riscos de morbidade e de mortalidade de aproximadamente 30% e 9%, respectivamente, porcentuais vari&#225;veis de acordo com o tipo de procedimento, tempo de circula&#231;&#227;o extracorp&#243;rea, hipotermia, fluxo n&#227;o-puls&#225;til e condi&#231;&#245;es cl&#237;nicas pr&#233;vias maternas<sup>10</sup>.</p>
    <p>No presente caso, a indica&#231;&#227;o priorit&#225;ria de interrup&#231;&#227;o da gravidez, anterior &#224; corre&#231;&#227;o da dissec&#231;&#227;o, teve por finalidade preservar ambas as vidas, a da m&#227;e e a do concepto, uma vez que esse, j&#225; vi&#225;vel, teria, assim, maiores chances de sobreviv&#234;ncia do que se fosse mantido intra-&#250;tero durante essa cirurgia de alta complexidade. Ponderou-se, para assun&#231;&#227;o dessa conduta, o elevado risco de poss&#237;vel sofrimento fetal agudo, o que implicaria ces&#225;rea de emerg&#234;ncia durante o intra ou o p&#243;s-operat&#243;rio materno, agravando seriamente o progn&#243;stico da paciente.</p>
    <p>Nossa conduta esteve de acordo com os dados descritos na literatura os quais baseiam os melhores &#237;ndices de sobrevida (m&#227;e e feto) na idade gestacional. Assim, se o evento ocorrer at&#233; a 28&#170; semana da gesta&#231;&#227;o, a cirurgia para corre&#231;&#227;o da delamina&#231;&#227;o a&#243;rtica deve ser realizada com o feto intra-&#250;tero; ap&#243;s 32 semanas, condi&#231;&#227;o em que o feto est&#225; vi&#225;vel, a interven&#231;&#227;o corretiva deve ser feita depois da ces&#225;rea. Menos pac&#237;fica &#233; a conduta a ser tomada se a dissec&#231;&#227;o a&#243;rtica ocorrer no per&#237;odo entre 28 e 32 semanas, quando o parto deve ser definido pelas condi&#231;&#245;es do concepto, indicando-se a ces&#225;rea se houver sofrimento fetal ou mantendo-se a gravidez se o feto tolerar a cirurgia materna<sup>11</sup>.</p>
    <p>O tamponamento card&#237;aco e a subseq&#252;ente parada card&#237;aca alertam, energicamente, para o risco e a gravidade da demora em se realizar o procedimento cir&#250;rgico. No presente caso, a laparotomia, antecedendo a toracotomia, resgatou o concepto e liberou o cirurgi&#227;o para reparar a aorta sem a preocupa&#231;&#227;o adicional do feto intra-&#250;tero. O sucesso obtido deveu-se, sem d&#250;vida, &#224; indica&#231;&#227;o da interven&#231;&#227;o cir&#250;rgica na aorta imediatamente depois de confirmado o diagn&#243;stico.</p>
    <p>As condi&#231;&#245;es cl&#237;nicas apresentadas pelo beb&#234; ao nascimento pressup&#245;em sofrimento intra-uterino agudo. A resposta satisfat&#243;ria &#224;s manobras iniciais de reanima&#231;&#227;o permite supor que essa asfixia foi de curta dura&#231;&#227;o; entretanto, foi suficiente para comprometer, ainda que transitoriamente, o sistema nervoso central, demonstrado pela demora na recupera&#231;&#227;o do t&#244;nus e da irritabilidade reflexa. Embora o exame ultra-sonogr&#225;fico tenha sido normal, espera-se, nos prematuros com asfixia perinatal importante, a ocorr&#234;ncia de hemorragia intracraniana<sup>12,13</sup>.</p>
    <p>Na idade gestacional de 33 semanas a produ&#231;&#227;o de surfactante &#233; ainda insuficiente para manter a adequada distens&#227;o alveolar fetal. Essa situa&#231;&#227;o &#233; agravada pela asfixia, que favorece maior inativa&#231;&#227;o e aumento do consumo do surfactante. Por isso seu uso tem sido indicado para melhorar o quadro respirat&#243;rio, favorecendo a retirada mais precoce da ventila&#231;&#227;o mec&#226;nica<sup>13</sup>.</p>
    <p>Os traumas pulmonares decorrentes de varia&#231;&#245;es de press&#227;o e de volume est&#227;o mais associados ao uso de surfactante sob ventila&#231;&#227;o mec&#226;nica, enquanto o pneumot&#243;rax &#233; menos comum em pacientes sob press&#227;o alveolar positiva. Apesar disso, a re-expans&#227;o total dos pulm&#245;es foi obtida pela drenagem bilateral e n&#227;o houve seq&#252;elas pulmonares.</p>
    <p>O d&#233;ficit de suc&#231;&#227;o-degluti&#231;&#227;o depois da 34&#170; semana de gesta&#231;&#227;o pode sinalizar algum grau de comprometimento do sistema nervoso central<sup>14</sup>. Contudo, a crian&#231;a respondeu bem ao est&#237;mulo da suc&#231;&#227;o e a avalia&#231;&#227;o neurol&#243;gica foi considerada normal para a idade, resultando em bom progn&#243;stico.</p>
    <p>Ap&#243;s a alta hospitalar &#233; obrigat&#243;ria a orienta&#231;&#227;o a respeito do planejamento familiar, considerando-se os altos riscos de nova gravidez em pacientes que apresentam doen&#231;as de aorta. As modifica&#231;&#245;es vasculares n&#227;o se normalizam ap&#243;s o t&#233;rmino da gesta&#231;&#227;o o que implica predisposi&#231;&#227;o a novos eventos cardiovasculares. Por esse motivo, &#233; consenso considerar que as doen&#231;as da aorta apresentam contra-indica&#231;&#227;o &#224; gravidez<sup>15</sup>, sendo a esteriliza&#231;&#227;o pela laqueadura tub&#225;rea a contracep&#231;&#227;o mais efetiva para esses casos.</p>
    <p>
      <bold>Agradecimentos</bold>
    </p>
    <p>Ao Dr. Leon Gustavo dos Reis Macedo, m&#233;dico-residente do Instituto do Cora&#231;&#227;o que acompanhou a paciente no per&#237;odo do p&#243;s-operat&#243;rio, e &#224; Dra. Ma&#233;ve Barros Correia, m&#233;dica hemodinamicista, pela revis&#227;o ortogr&#225;fica do texto.</p>
    <p>
      <fn id="back" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold>Correspond&#234;ncia:</bold>
        </label>
        <p> Walkiria Samuel Avila </p>
        <p> Rua Apiac&#225;s, 688/31 </p>
        <p> 05017-020 &#150; S&#227;o Paulo, SP </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="walkiria@incor.usp.br">walkiria@incor.usp.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Recebido em 10/08/05 </p>
    <p> Aceito em 17/10/05</p>
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          <article-title>Intraventricular hemorrhage in very low birth weight infants: associated risk factors and outcome in the neonatal period</article-title>
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          <article-title>Immediate improvement in lung volume after exogenous surfactant: alveolar recruitment versus increased distention</article-title>
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          <article-title>Sucking development in preterm newborns and the influence of nonnutritive sucking stimulation</article-title>
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          <article-title>Diretrizes sobre cardiopatia e gravidez e planejamento familiar da mulher cardiopata</article-title>
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      <article-categories>
        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Case Report</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Acute aortic dissection during pregnancy</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>Acute aortic dissection is one of the most dreaded clinical conditions during pregnancy. Difficulties in establishing a diagnosis and limitations regarding invasive studies increase mortality rates associated with the disease. The limited experience reported in the literature does not allow the determination of guidelines for clinical and/or surgical management of aortic dissection in pregnancy. The authors present a case of acute aortic dissection in a woman in her 33rd week of gestation and discuss the diagnostic approach considering the peculiarities of the disease&#8217;s manifestation.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Aortic dissection</kwd>
        <kwd>pregnancy</kwd>
        <kwd>cardiac surgery</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>CASE REPORT</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Acute aortic dissection during pregnancy</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Walkiria Samuel Avila; Ricardo Dias; Renato Takeshi Yamada; Adriano Armelin</bold>
      </p>
      <p>Heart Institute and University of S&#227;o Paulo Medical School - FMUSP - S&#227;o Paulo, SP - Brazil</p>
      <p>
        <xref ref-type="corresp" rid="back-body2">Mailing Address</xref>
      </p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p>Acute aortic dissection is one of the most dreaded clinical conditions during pregnancy. Difficulties in establishing a diagnosis and limitations regarding invasive studies increase mortality rates associated with the disease. The limited experience reported in the literature does not allow the determination of guidelines for clinical and/or surgical management of aortic dissection in pregnancy. The authors present a case of acute aortic dissection in a woman in her 33<sup>rd</sup> week of gestation and discuss the diagnostic approach considering the peculiarities of the disease's manifestation.</p>
      <p><bold>Key words:</bold> Aortic dissection, pregnancy, cardiac surgery.</p>
      <p>Acute aortic dissection is a rare but severe event during pregnancy and one of the most dreaded clinical conditions during this period. Difficulties in establishing a diagnosis and assessing of symptoms, that can be mistaken for those of a normal pregnancy, as well as limitations regarding invasive studies, due to potential risk to the conceptus, result in treatment delay and further increase mortality rates associated with the disease.</p>
      <p>The heterogeneous presentation of cases and limited experience reported in the literature do not yet allow the determination of guidelines for clinical and surgical management of aortic dissection in pregnancy. However, treatment must always offer chances of survival for both the mother and fetus, taking into account the mother's clinical status, gestational age, and the opportunity for surgical intervention, if indicated.</p>
      <p>The authors present a case of acute aortic dissection in a woman in her 33<sup>rd</sup> week of gestation and discuss the diagnostic approach considering the peculiarities of the disease's manifestation.</p>
      <p>
        <bold>Case Report</bold>
      </p>
      <p>A 35-year-old physician, nullipara, primigravida, asymptomatic, in her 33<sup>rd</sup> week of gestation and with no personal history of heart disease or hypertension experienced severe retrosternal pain unrelated to exertion and accompanied by a drop in blood pressure (80/40mmHg), followed by gradual and spontaneous improvement. The patient was seen in the emergency room and treated with antispasmodic medication. Over the following 48 hours she presented respiratory discomfort, malaise, and lower extremity edema. At that time, the patient was advised to have an echocardiogram, which showed a DeBakey type-I aortic dissection, mild aortic regurgitation and significant left ventricular diastolic dysfunction (<xref ref-type="fig" rid="figura1-body2">Fig. 1</xref>), and was immediately referred to the Heart Institute.</p>
      <fig id="figura1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-87-04-e112-00027-gf01-en.jpg"/></fig>
      <p>The patient reported that routine prenatal tests performed during the first weeks of pregnancy were normal. In the 29<sup>th</sup> week, she presented brief palpitation, which prompted conventional electrocardiogram and transthoracic echocardiogram, both of which showed no abnormality. In the 32<sup>nd</sup> week, a urinalysis revealed leukocyturia (71,000/mL).</p>
      <p>At admission, the patient was conscious, dyspneic ++/++++, acyanotic, afebrile, and pale ++/++++. Her blood pressure (BP) was 130/60 mmHg and her heart rate (HR) was 90 beats per minute (bpm); peripheral pulses were palpable and symmetrical, and pulse pressure was high. Pulmonary auscultation revealed normal vesicular breath sounds bilaterally, with no adventitious sounds. Cardiac examination showed regular rate and rhythm, without murmurs. She had lower extremity edema ++/++++, but there was no hepatomegaly. Her abdomen showed a pregnant uterus 30 weeks in size.</p>
      <p>Computed tomography at admission showed increased diameters of the left heart cavities and confirmed the diagnosis of type-I aortic dissection, involving the brachiocephalic trunk and the ascending and descending aorta (<xref ref-type="fig" rid="figura2-body2">Fig. 2</xref>). Obstetric and transabdominal ultrasonographic examinations demonstrated a single viable fetus showing vitality, gestational age of 33 weeks, and estimated weight of 2,300g.</p>
      <fig id="figura2-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-87-04-e112-00027-gf02-en.jpg"/></fig>
      <p>Based on the progressive risk of aortic rupture and taking fetal viability into account, the medical team indicated immediate corrective surgery for the aortic dissection and termination of pregnancy with cesarean section prior to thoracotomy.</p>
      <p>The patient participated in and agreed with the decision. She was conscious when she entered the operating room, with stable vital signs, as shown by invasive monitoring. During anesthetic induction for cesarean section, a sudden hypotension occurred, followed by asystolic cardiac arrest. Under external cardiac massage, the baby was immediately delivered by a cesarean section through median laparotomy. As the mother's heart rate was not restored, an exploratory sternotomy was performed, revealing significant hemopericardium. After pericardial drainage, the heart rate was restored and the patient stabilized hemodynamically. Cardiopulmonary bypass was established by antegrade perfusion through the brachiocephalic trunk and venous drainage by a single cannula advanced to the right atrium; myocardial protection was carried out with cold blood cardioplegic solution and hypothermia at 20&#176;C. Aortic dissection repair was carried out by inserting a Dacron tube into the ascending aorta (<xref ref-type="fig" rid="figura3-body2">fig. 3</xref>) and right subclavian artery, after it was detached from the brachiocephalic trunk during arterial line placement.</p>
      <fig id="figura3-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-87-04-e112-00027-gf03-en.jpg"/></fig>
      <p>Pathological studies showed partial delamination of the aorta at the media layer and hemorrhage within the adventitia, with moderate accumulation of mucoid substance in de media and intima.</p>
      <p>After surgery, the patient was maintained on assisted ventilation for 48 hours and received routine postoperative drugs and the usual doses of oxytocic agent. She remained hemodynamically stable, presenting no bleeding, with normal uterine contractility and lochia flow. During the first seven postoperative days she developed lower-extremity edema, significant arterial hypertension (mean BP 180/120 mmHg), and sinus tachycardia (mean HR 110 bpm), which were gradually controlled with atenolol 200 mg/day, captopril 150 mg/day, amlodipine 20mg/day, and furosemide 80mg/day. Low-molecular-weight heparin was also administered in prophylactic doses for six weeks. In the days that followed, drug dosages were adjusted to maintain BP around 100/60 mmHg and HR at approximately 70 bpm. The patient was discharged on the 15<sup>th</sup> postoperative day. Atenolol and amlodipine dosages were maintained; captopril dosage was reduced (75mg/day). Due to the lack of aseptic and antiseptic techniques for emergency laparoscopy and thoracotomy, antibiotic prophylaxis was instituted with vancomycin 500 mg/day and ceftriaxone 1g/day for 21 consecutive days.</p>
      <p>The baby boy was born the 33<sup>rd</sup> gestational week under general anesthesia and during maternal cardiac resuscitation maneuvers. He presented bradycardia, cyanosis, and pallor, with Apgar score 1 at one minute, 5 at five minutes, and 7 at ten minutes.</p>
      <p>The infant was placed on mechanical ventilation with 100% oxygen in an anesthetic bag during the first minute, and his heart rate, skin color, and spontaneous breathing rapidly improved; however, he was hypotonic and had no reflex irritability. He progressed to respiratory failure, requiring intermittent mechanical ventilation and endotracheal surfactant administration for two hours, which improved ventilation parameters. The baby was extubated while still in his first day of life and was kept on oxygen nasal catheter with continuous positive airway pressure (CPAP).</p>
      <p>On his second day of life, the baby was diagnosed with right pneumothorax and reduced oxygen saturation. He was then intubated again and maintained on mechanical ventilation and vasoactive agents. After two chest drainages and high-frequency ventilation, both his clinical condition and ventilation parameters improved, which allowed him to be extubated on his 9<sup>th</sup> day of life, although he was still kept in the incubator with oxygen catheter. As his respiratory condition enhanced, the administration of oxygen and vasoactive drugs was progressively reduced. Chest tubes were removed on the 12<sup>th</sup> day, when enteral feeding was initiated through orogastric tube.</p>
      <p>Due to his difficulties to coordinate sucking and swallowing, non-nutritive stimulation was required, with gradual transition to oral feeding. Despite normal total blood count and negative blood culture, the neonate was kept on antibiotics for 10 days, because the radiographic examination showed an area of opacity at the right lung base, C-reactive protein levels were high for his age (6.8), and there was a history of maternal urinary infection at the time of delivery. Neurological examination was unremarkable, as were the Doppler echocardiogram and brain ultrasound; brain tomography showed mild attenuation of white matter in both cerebral hemispheres. Responsive to sucking stimuli and being fed all milk volume orally, the baby was discharged at 34 days of life in good condition.</p>
      <p>
        <bold>Discussion</bold>
      </p>
      <p>Aortic dissection in young women is an uncommon disease, sometimes of unknown etiology, potentially catastrophic and variable in extension, beginning with a rupture of the aortic intima.</p>
      <p>In young patients, the most common clinical conditions predisposing to aortic dissection are collagen diseases (Marfan, Ehlers-Danlos) or those that primarily affect the vessel, such as aortic coarctation and bicuspid aortic valve<sup>1</sup>. However, in healthy women, a strong correlation between aortic dissection and pregnancy has been reported, based on the high incidence of this event during pregnancy<sup>2,3</sup>. Indeed, in the Schnitker and Bayer review 24 out of 49 aortic dissections in women younger than 40 were associated with pregnancy, and 20 of them occurred before labor<sup>4</sup>. The cause of this association (pregnancy/aortic dissection) in women considered healthy at admission is still unclear.</p>
      <p>At first, it was suggested that physiological increments in blood volume and cardiac output might be potential causes for the event. However, this hypothesis does not explain the lower incidence of dissection during labor<sup>5</sup>, when most circulatory impact occurs &#150; as compared to other phases of the pregnancy-puerperal cycle &#150; due to major hemodynamic oscillation.</p>
      <p>It has also been argued that vascular structural changes observed during pregnancy &#150; and which are similar to cystic medial necrosis and responsible for increased aortic diameter and compliance (more marked at pregnancy term) &#150; may play a significant role in dissection<sup>5</sup>. Mucoid degeneration of the media and intima layers described in the pathological examination of the aorta of the case under discussion, coincides with literature reports on dissections that occur during the third trimester of pregnancy. In this framework, a recent genetic study is worth noting. The study demonstrated variable expression of matrix metalloproteinase genes of the aorta that greatly influence physiological vascular remodeling during pregnancy<sup>6</sup>.</p>
      <p>The exact influence of hormones on vascular connective tissue remains unknown. Animal studies, however, have demonstrated that estrogens inhibit collagen and elastin deposition in the aorta, whereas progesterone accelerates &#150; although minimally &#150; the deposition of noncollagenous proteins in the vessel walls<sup>7</sup>.</p>
      <p>Clinical manifestations of aortic dissection &#150; classically expressed through severe retrosternal and/or abdominal pain &#150; were, in this case, underestimated and undifferentiated from the chest pain resulting from mechanical effects of the pregnant uterus and constipation, which are common in normal pregnancies. Regarding differential diagnosis, amniotic fluid embolism, premature placental detachment, uterine rupture, and spontaneous pneumothorax are to be considered as frequent causes of chest pain during pregnancy.</p>
      <p>Despite posing limitations for the diagnosis of aortic dissection, the echocardiography proved to be useful in early investigation, since it is a non-invasive and easy-to-perform examination. Computed tomography, combining the advantage of rapid evaluation and relatively low cost, confirmed the diagnosis and, especially, dissection classification &#150; key to therapeutic approach definition.</p>
      <p>The localization of aortic dissection in the ascending aorta and extending into the descending aorta has characterized the present case being as DeBakey type I, which prompted immediate surgical correction, since medical treatment for that kind of dissection is associated with increasing mortality rates, reaching 80% in the first week after the diagnosis<sup>8</sup>.</p>
      <p>In recent years, three relevant data for treating this severe disease successfully have been identified: the early referral of these patients for surgery, surgeon's greater experience, and postoperative care. Nonetheless, corrective surgery for aortic dissection is still associated with severe cardiac complications and operative mortality rates between 9% and 36%<sup>9</sup>. As with the risk posed to the mother, heart surgery causes fetal morbidity and mortality risks of approximately 30% and 9%, respectively - which may vary according to the type of procedure, time of cardiopulmonary bypass, hypothermia, nonpulsatile flow, and previous maternal clinical conditions<sup>10</sup>.</p>
      <p>In the present case, the priority indication for pregnancy termination prior to the aortic dissection repair aimed at sparing the lives of both the mother and conceptus, since the latter, already viable, would have better chance of survival than if it had been maintained inside the uterus during this highly complex surgery. While considering such approach, the high risk of acute fetal distress was taken into account, as it would require emergency cesarean section during intra- or postoperative period, thus seriously worsening the patient's prognosis.</p>
      <p>Our approach was consistent with data described in the literature, in which the best survival rates (mother's and fetus's) are based on gestational age. Therefore, if the event occurs up to 28 weeks of pregnancy, surgical aortic dissection repair should be carried out during intrauterine life; after 32 weeks, when the fetus is viable, surgical repair should be performed after the cesarean section. A more difficult decision to be made is when aortic dissection occurs between 28 and 32 weeks of gestation. During this period, delivery must be decided based on the conceptus' conditions, and caesarean section should be indicated in case of fetal distress, or pregnancy may be continued if the fetus can tolerate maternal surgery<sup>11</sup>.</p>
      <p>Cardiac tamponade and subsequent cardiac arrest are strong warnings for the risk and severity of delaying surgical procedure. In the present case, laparotomy prior to thoracotomy saved the conceptus and freed the surgeon to repair the aorta without the additional concern with the intrauterine fetus. The successful outcome was undoubtedly due to the indication of surgical intervention in the aorta immediately after diagnosis was confirmed.</p>
      <p>The clinical conditions shown by the neonate presuppose acute intrauterine distress. The satisfactory response to early resuscitation maneuvers allows us to presuppose that this asphyxia did not last long; however, it was long enough to compromise the central nervous system, although temporarily, as shown by the length of time taken for the tonus and reflex irritability recovery. Although ultrasound examination was normal, in prematures with significant perinatal asphyxia intracranial hemorrhage<sup>12, 13</sup> is expected to occur.</p>
      <p>At a gestational age of 33 weeks, surfactant production is not yet enough to keep appropriate fetal alveolar distension. The situation is aggravated by asphyxia, which favors higher inactivation and increased surfactant consumption. For that reason, its use has been indicated to improve respiratory conditions, thus favoring earlier weaning from mechanical ventilation<sup>13</sup>.</p>
      <p>Pulmonary traumas resulting from pressure and volume variations are more closely associated with the use of surfactant during mechanical ventilation, while pneumothorax is less common in patients under positive alveolar pressure. Despite that, complete lung re-expansion was obtained through bilateral drainage, and no pulmonary sequelae were reported.</p>
      <p>The suck and swallow deficit after gestational week 34 may signal some degree of impairment of the central nervous system<sup>14</sup>. Nevertheless, the child responded well to sucking stimulus, and the neurological assessment was considered normal for his age, resulting in good prognosis.</p>
      <p>After hospital discharge, counseling on family planning is mandatory due to the high risks of a new pregnancy in patients with aortic diseases. Vascular changes fail to normalize after pregnancy, resulting in predisposition to new cardiovascular events. Therefore, it is a consensus that aortic diseases are a contra-indication to pregnancy<sup>15</sup>, and tubal ligation for sterilization is the most effective contraceptive method for such cases.</p>
      <p>
        <bold>Acknowledgements</bold>
      </p>
      <p>To Dr Leon Gustavo dos Reis Macedo, intern at the Heart Institute, for the postoperative follow-up of the patient, and to Dr. Ma&#233;ve Barros Correia, hemodynamicist, for proofreading the text.</p>
      <p>
        <bold>Refer&#234;ncias</bold>
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      <p>
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          <label>
            <bold>Mailing Address:</bold>
          </label>
          <p> Walkiria Samuel Avila</p>
          <p> Rua Apiac&#225;s, 688/31</p>
          <p> 05017-020 &#150; S&#227;o Paulo, SP, Brazil</p>
          <p> E-mail: </p>
          <p>
            <email xlink:href="walkiria@incor.usp.br">walkiria@incor.usp.br</email>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Received on 10/08/05</p>
      <p> Accepted on 17/10/05</p>
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