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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
      </publisher>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">nk843hrGCGqS8ZPtQkqTkwh</article-id>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2006001700015</article-id>
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      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2006001700015</article-id>
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          <subject>Artigos Originais</subject>
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        <article-title>Hipertens&#227;o arterial e sa&#250;de da fam&#237;lia: aten&#231;&#227;o aos portadores em munic&#237;pio de pequeno porte na regi&#227;o Sul do Brasil</article-title>
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            <given-names>Luciano Burigo de</given-names>
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            <surname>Scochi</surname>
            <given-names>Maria Jos&#233;</given-names>
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          <named-content content-type="city">Londrina</named-content>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Estadual de Maring&#225;</institution>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>10</month>
        <year>2006</year>
      </pub-date>
      <volume>87</volume>
      <issue>4</issue>
      <fpage>496</fpage>
      <lpage>503</lpage>
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          <month>04</month>
          <year>2005</year>
        </date>
        <date date-type="accepted">
          <day>08</day>
          <month>12</month>
          <year>2005</year>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      </permissions>
      <abstract>
        <p>OBJETIVO: A partir da an&#225;lise de indicadores, que expressem aproxima&#231;&#227;o &#224; l&#243;gica das a&#231;&#245;es program&#225;ticas, foi desenvolvido um estudo transversal com o objetivo de avaliar o desempenho de uma Equipe de Sa&#250;de da Fam&#237;lia na aten&#231;&#227;o &#224;s pessoas portadoras de hipertens&#227;o arterial em munic&#237;pio de pequeno porte. M&#201;TODOS: A pesquisa foi realizada a partir da an&#225;lise das fichas de cadastro, Ficha A do Sistema de Informa&#231;&#227;o de Aten&#231;&#227;o B&#225;sica, de 418 pessoas portadoras de hipertens&#227;o arterial, do registro de informa&#231;&#245;es em 351 prontu&#225;rios, localizados na unidade b&#225;sica de sa&#250;de, em 376 entrevistas realizadas com os residentes na &#225;rea de atua&#231;&#227;o da equipe, no ano de 2003. Foram estudadas as seguintes vari&#225;veis: sexo, idade, renda familiar, condi&#231;&#245;es de moradia, servi&#231;o de sa&#250;de utilizado, presen&#231;a de diabete melito, cobertura e concentra&#231;&#227;o de atendimento. RESULTADOS: Mulheres com idade acima de sessenta anos predominaram: (65,7% dos casos). A taxa de preval&#234;ncia de hipertens&#227;o arterial referida foi de 18%, sendo distinta entre os sexos: nas mulheres foi de 22,3%, a cobertura foi de 64,1% para consultas m&#233;dicas, 32,4% para consultas de enfermagem e 36,4% para atendimentos m&#233;dicos domiciliares. Os registros em prontu&#225;rio revelaram que 25,8% dos portadores n&#227;o foram atendidos em 2003 e 52,7% n&#227;o receberem atendimento no &#250;ltimo semestre. A concentra&#231;&#227;o de atendimentos foi abaixo da preconizada. CONCLUS&#195;O: As informa&#231;&#245;es revelaram distanciamento da organiza&#231;&#227;o da aten&#231;&#227;o na l&#243;gica da vigil&#226;ncia &#224; sa&#250;de, prevalecendo o atendimento &#224; demanda espont&#226;nea, expressando despreparo na utiliza&#231;&#227;o dos sistemas de informa&#231;&#227;o para o planejamento e avalia&#231;&#227;o das a&#231;&#245;es.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Hipertens&#227;o arterial</kwd>
        <kwd>a&#231;&#245;es program&#225;ticas</kwd>
        <kwd>sa&#250;de da fam&#237;lia</kwd>
        <kwd>sistema de informa&#231;&#227;o</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>21</day>
        <month>11</month>
        <year>2006</year>
      </pub-date>
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  <body>
    <p>
      <bold>ARTIGO ORIGINAL</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Hipertens&#227;o arterial e sa&#250;de da fam&#237;lia: aten&#231;&#227;o aos portadores em munic&#237;pio de pequeno porte na regi&#227;o Sul do Brasil</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Luciano Burigo de Sousa; Regina Kazue Tanno de Souza; Maria Jos&#233; Scochi</bold>
    </p>
    <p>Universidade Estadual de Maring&#225; - Londrina, PR</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p><bold>OBJETIVO:</bold> A partir da an&#225;lise de indicadores, que expressem aproxima&#231;&#227;o &#224; l&#243;gica das a&#231;&#245;es program&#225;ticas, foi desenvolvido um estudo transversal com o objetivo de avaliar o desempenho de uma Equipe de Sa&#250;de da Fam&#237;lia na aten&#231;&#227;o &#224;s pessoas portadoras de hipertens&#227;o arterial em munic&#237;pio de pequeno porte. </p>
    <p><bold>M&#201;TODOS:</bold> A pesquisa foi realizada a partir da an&#225;lise das fichas de cadastro, Ficha A do Sistema de Informa&#231;&#227;o de Aten&#231;&#227;o B&#225;sica, de 418 pessoas portadoras de hipertens&#227;o arterial, do registro de informa&#231;&#245;es em 351 prontu&#225;rios, localizados na unidade b&#225;sica de sa&#250;de, em 376 entrevistas realizadas com os residentes na &#225;rea de atua&#231;&#227;o da equipe, no ano de 2003. Foram estudadas as seguintes vari&#225;veis: sexo, idade, renda familiar, condi&#231;&#245;es de moradia, servi&#231;o de sa&#250;de utilizado, presen&#231;a de diabete melito, cobertura e concentra&#231;&#227;o de atendimento. </p>
    <p><bold>RESULTADOS:</bold> Mulheres com idade acima de sessenta anos predominaram: (65,7% dos casos). A taxa de preval&#234;ncia de hipertens&#227;o arterial referida foi de 18%, sendo distinta entre os sexos: nas mulheres foi de 22,3%, a cobertura foi de 64,1% para consultas m&#233;dicas, 32,4% para consultas de enfermagem e 36,4% para atendimentos m&#233;dicos domiciliares. Os registros em prontu&#225;rio revelaram que 25,8% dos portadores n&#227;o foram atendidos em 2003 e 52,7% n&#227;o receberem atendimento no &#250;ltimo semestre. A concentra&#231;&#227;o de atendimentos foi abaixo da preconizada. </p>
    <p><bold>CONCLUS&#195;O:</bold> As informa&#231;&#245;es revelaram distanciamento da organiza&#231;&#227;o da aten&#231;&#227;o na l&#243;gica da vigil&#226;ncia &#224; sa&#250;de, prevalecendo o atendimento &#224; demanda espont&#226;nea, expressando despreparo na utiliza&#231;&#227;o dos sistemas de informa&#231;&#227;o para o planejamento e avalia&#231;&#227;o das a&#231;&#245;es.</p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> Hipertens&#227;o arterial, a&#231;&#245;es program&#225;ticas, sa&#250;de da fam&#237;lia, sistema de informa&#231;&#227;o.</p>
    <p>A crescente import&#226;ncia das doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio no perfil epidemiol&#243;gico da popula&#231;&#227;o brasileira, a partir da d&#233;cada de 1960, tem conduzido &#224; proposi&#231;&#227;o de documentos oficiais visando subsidiar a programa&#231;&#227;o e implementa&#231;&#227;o de atividades sistem&#225;ticas, com a finalidade de melhorar a sa&#250;de cardiovascular dos indiv&#237;duos. Nesse sentido, evidencia-se o controle da hipertens&#227;o arterial como importante condi&#231;&#227;o para se evitar ocorr&#234;ncia dos agravos dessa natureza<sup>1,2</sup>.</p>
    <p>Na Norma Operacional da Assist&#234;ncia &#224; Sa&#250;de do Sistema &#218;nico de Sa&#250;de (NOAS/SUS)<sup>3</sup>, entre as a&#231;&#245;es estrat&#233;gicas m&#237;nimas de responsabilidade dos munic&#237;pios, o controle da hipertens&#227;o arterial, a ser desenvolvido por meio do diagn&#243;stico de casos, no cadastramento de portadores, na busca ativa, no tratamento e nas a&#231;&#245;es educativas, figura como destaque na aten&#231;&#227;o b&#225;sica.</p>
    <p>Essas a&#231;&#245;es, previstas para serem executadas pelo Programa Sa&#250;de da Fam&#237;lia (PSF), s&#227;o apontadas pelo Minist&#233;rio da Sa&#250;de como principal estrat&#233;gia de organiza&#231;&#227;o da assist&#234;ncia prim&#225;ria. O que se percebe &#233; que, apesar da orienta&#231;&#227;o da vigil&#226;ncia &#224; sa&#250;de das fam&#237;lias e dos seus entornos, predomina, em grande parte do pa&#237;s, a falta de v&#237;nculo entre os portadores de hipertens&#227;o arterial e as unidades de sa&#250;de<sup>2</sup>.</p>
    <p>Em muitas situa&#231;&#245;es os atendimentos ocorrem de modo n&#227;o sistem&#225;tico ou nos servi&#231;os de emerg&#234;ncia, identificando-se dificuldades da rede de agir baseada em crit&#233;rios de risco. As equipes n&#227;o est&#227;o preparadas para atuar programaticamente, sobressai o atendimento &#224; demanda espont&#226;nea em contraposi&#231;&#227;o &#224; alternativa do trabalho program&#225;tico e da oferta organizada, expressando aus&#234;ncia de planejamento para uma base populacional e despreparo no monitoramento e na avalia&#231;&#227;o da efetividade das a&#231;&#245;es desenvolvidas.</p>
    <p>Conforme ressaltam Sala e cols.<sup>4</sup>, avaliar o desempenho dos servi&#231;os de sa&#250;de &#233;, na atualidade, uma importante necessidade para as proposi&#231;&#245;es que buscam aprimorar a qualidade da aten&#231;&#227;o. Assim sendo, a partir da an&#225;lise da capta&#231;&#227;o e cobertura da demanda program&#225;tica para hipertens&#227;o arterial, da concentra&#231;&#227;o de algumas modalidades de atendimento e da situa&#231;&#227;o dos indicadores de acompanhamento das a&#231;&#245;es desenvolvidas, estabelecidos no Manual de Organiza&#231;&#227;o da Aten&#231;&#227;o B&#225;sica<sup>5</sup>, no presente estudo avalia-se o desempenho de uma Equipe de Sa&#250;de da Fam&#237;lia de um munic&#237;pio de pequeno porte da regi&#227;o Sul do pa&#237;s, na aten&#231;&#227;o &#224; hipertens&#227;o arterial.</p>
    <p>Utilizando como refer&#234;ncia as proposi&#231;&#245;es de Sala e cols.<sup>6</sup>, quanto &#224;s categorias orientadoras dos processos de avalia&#231;&#227;o em trabalhos organizados com base nas necessidades de sa&#250;de e no seguimento sistem&#225;tico, analisam-se os indicadores que expressem a aproxima&#231;&#227;o do trabalho de uma equipe &#224; l&#243;gica da aten&#231;&#227;o assentada no princ&#237;pio da vigil&#226;ncia &#224; sa&#250;de e a&#231;&#245;es program&#225;ticas.</p>
    <p>
      <bold>M&#233;todos</bold>
    </p>
    <p>O estudo foi desenvolvido em munic&#237;pio de pequeno porte, com popula&#231;&#227;o aproximada de quinze mil habitantes, localizado na regi&#227;o Noroeste do Estado do Paran&#225;, Sul do Brasil. O sistema de sa&#250;de &#233; constitu&#237;do por um hospital p&#250;blico e cinco equipes de sa&#250;de da fam&#237;lia que cobrem 100% dos moradores.</p>
    <p>A popula&#231;&#227;o de estudo foi constitu&#237;da pelos indiv&#237;duos que referiram hipertens&#227;o arterial no ano de 2003, cadastrados no Sistema de Informa&#231;&#227;o da Aten&#231;&#227;o B&#225;sica (SIAB), residentes na regi&#227;o urbana, sob a responsabilidade de uma equipe de sa&#250;de da fam&#237;lia.</p>
    <p>A fonte de dados foi constitu&#237;da pelas informa&#231;&#245;es contidas nas fichas A do SIAB, no caderno dos Agentes Comunit&#225;rios de Sa&#250;de (ACS) para o registro de atividades di&#225;rias, nos prontu&#225;rios dos pacientes localizados na unidade b&#225;sica de sa&#250;de e nas entrevistas domiciliares.</p>
    <p>As vari&#225;veis estudadas foram: sexo, idade, alfabetiza&#231;&#227;o, renda familiar, n&#250;mero de pessoas na fam&#237;lia, condi&#231;&#245;es de moradia, presen&#231;a de diabete melito, servi&#231;o de sa&#250;de utilizado, cobertura e concentra&#231;&#227;o de atendimento.</p>
    <p>Inicialmente, foi solicitado consentimento ao respons&#225;vel pela institui&#231;&#227;o para coleta de dados. Com a autoriza&#231;&#227;o, o projeto foi encaminhado ao Comit&#234; Permanente de &#201;tica em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos da Universidade Estadual de Maring&#225;, para aprecia&#231;&#227;o, aprovado pelo Parecer n.082/2004 - COPEP.</p>
    <p>Na fase de coleta de dados, o ponto de partida foi a identifica&#231;&#227;o de pessoas registradas como portadoras de hipertens&#227;o arterial nas fichas de cadastramento (Ficha A) do SIAB. Com os dados de identifica&#231;&#227;o como sexo, idade, endere&#231;o, foi realizada uma confer&#234;ncia desses com os dos registros de atividades di&#225;rias nos cadernos dos ACS, excluindo-se as pessoas que, embora constassem no cadastro, n&#227;o confirmaram a condi&#231;&#227;o de portadores de hipertens&#227;o arterial por ocasi&#227;o da visita domiciliar ou n&#227;o eram residentes na &#225;rea de abrang&#234;ncia da equipe de sa&#250;de da fam&#237;lia (ESF) no ano de 2003. Al&#233;m disso, procedeu-se &#224; inclus&#227;o de pessoas n&#227;o cadastradas no sistema de informa&#231;&#227;o, mas que faziam parte do registro dos ACS. Assim, uma listagem com 385 pessoas, contendo nome, sexo e endere&#231;o, conforme as informa&#231;&#245;es dos cadernos de registro do ACS, foi confeccionada (<xref ref-type="fig" rid="f1">fig.1</xref>).</p>
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    </p>
    <p>A fase seguinte foi o treinamento dos ACS para a coleta de dados no domic&#237;lio, utilizando um formul&#225;rio espec&#237;fico. Toda coleta de dados foi supervisionada pelo pesquisador principal, m&#233;dico da ESF (LBS). Antecedendo a coleta de dados, os ACS procediam &#224; leitura do Termo de Consentimento e, das 385 pessoas identificadas, 376 assinaram e concordaram em fornecer as informa&#231;&#245;es solicitadas.</p>
    <p>A segunda etapa da coleta consistiu na consulta aos prontu&#225;rios, pelo m&#233;dico da ESF, para complementa&#231;&#227;o dos dados, com revis&#227;o de 296 prontu&#225;rios. Ressalte-se que, apesar de 351 pessoas inclu&#237;das no estudo terem prontu&#225;rio na unidade, problemas como de arquivamento e outras dificuldades que inviabilizaram a localiza&#231;&#227;o impediram a obten&#231;&#227;o de dados referentes a todas as vari&#225;veis estudadas. O processamento de dados foi realizado utilizando-se pacote Statistica 6,0.</p>
    <p>A an&#225;lise dos resultados foi realizada a partir dos seguintes defini&#231;&#245;es:</p>
    <p>- Capacidade de identifica&#231;&#227;o/capta&#231;&#227;o da demanda program&#225;tica da hipertens&#227;o arterial baseada na preval&#234;ncia referida da doen&#231;a por ocasi&#227;o do contato dos ACS com as fam&#237;lias e, portanto, nem sempre com diagn&#243;stico m&#233;dico confirmado.</p>
    <p>- Taxa de cobertura foi obtida relacionando-se n&#250;mero de pessoas da popula&#231;&#227;o estudada que utilizaram o atendimento m&#233;dico ou do enfermeiro pelo menos uma vez durante o ano de 2003, dividido pelo n&#250;mero total de pessoas inclu&#237;das no estudo.</p>
    <p>- Concentra&#231;&#227;o de atendimentos, n&#250;mero de atendimentos realizados pelo m&#233;dico ou enfermeiro durante o ano de 2003 e devidamente registrados no prontu&#225;rio do paciente.</p>
    <p>- Controle da hipertens&#227;o arterial &#150; as categorias de an&#225;lise foram definidas conforme a classifica&#231;&#227;o apresentada nas IV Diretrizes Brasileiras de Hipertens&#227;o Arterial<sup>7</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Resultados</bold>
    </p>
    <p>Das 418 pessoas registradas no SIAB em 2003 como portadoras de hipertens&#227;o arterial, 75 n&#227;o fizeram parte da popula&#231;&#227;o estudada, em raz&#227;o de: um por &#243;bito antes de 2003; dois por mudan&#231;a de endere&#231;o para fora da &#225;rea de atua&#231;&#227;o da equipe; dez por n&#227;o haver sido confirmada a hipertens&#227;o arterial nos registros da unidade de sa&#250;de e 62 cadastrados no sistema como residentes na &#225;rea, mas n&#227;o localizados pelos agentes comunit&#225;rios nos endere&#231;os. A consulta a outra fonte de dado (registro das atividades dos agentes comunit&#225;rios de sa&#250;de) revelou, ainda, que 42 casos que n&#227;o constavam na ficha A estavam sendo acompanhados como hipertensos.</p>
    <p>As inclus&#245;es e exclus&#245;es n&#227;o ocorreram uniformemente nas cinco micro-&#225;reas de atua&#231;&#227;o da equipe de sa&#250;de da fam&#237;lia, pois 69,7% das inclus&#245;es e 80,9% das exclus&#245;es ocorreram em uma micro-&#225;rea. Assim, a popula&#231;&#227;o de estudo foi constitu&#237;da por 385 pessoas residentes na &#225;rea de atua&#231;&#227;o da ESF, que em algum momento referiram hipertens&#227;o arterial e estavam sob acompanhamento dos ACS em 2003.</p>
    <p>O estudo revelou um &#237;ndice de identifica&#231;&#227;o/capta&#231;&#227;o (preval&#234;ncia referida) de 12,6% de portadores de hipertens&#227;o arterial entre os residentes na &#225;rea de atua&#231;&#227;o da ESF. Ao considerar as pessoas com vinte anos e mais esse &#237;ndice passa para 18%. Essa identifica&#231;&#227;o foi distinta de acordo com sexo e faixa et&#225;ria. No sexo feminino a taxa de preval&#234;ncia referida foi de 22,3%; no masculino foi de 13,2% (raz&#227;o de 1,67). Observou-se aumento progressivo das taxas de acordo com a faixa et&#225;ria e as raz&#245;es de preval&#234;ncia, tendo por categoria refer&#234;ncia a faixa et&#225;ria vinte a 39 anos. Nos demais grupos et&#225;rios de quarenta a 49 anos; cinq&#252;enta a 59 anos e sessenta ou mais anos, essas foram de 5,6; 10,7 e 24,3, respectivamente. Nenhum caso em menores de vinte anos foi observado. A idade variou de 21 a 103 anos, sendo a m&#233;dia de 63,6 e desvio padr&#227;o de 13,8 anos. Houve predom&#237;nio de idosos (65,7% com sessenta anos e mais) e das mulheres que corresponderam a 64,7% dos casos (<xref ref-type="table" rid="t1">tab. 1</xref>).</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="t1">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-87-04-0496-00015-gt01.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>Quanto ao perfil sociodemogr&#225;fico verificou-se baixo n&#237;vel de escolariza&#231;&#227;o, e mais de 80% cursaram no m&#225;ximo at&#233; a quarta s&#233;rie do ensino fundamental; desses, metade &#233; analfabeta. Em rela&#231;&#227;o ao n&#250;mero de residentes no domic&#237;lio, 11,6% moram sozinhos e a maioria coabita domic&#237;lios com mais uma ou duas pessoas (62,7%). No que diz respeito &#224;s moradias, apenas 1,1% vivem em resid&#234;ncias com at&#233; dois c&#244;modos, e aproximadamente 90% com cinco ou mais c&#244;modos. A renda familiar de 71,7% dos entrevistados foi de, no m&#225;ximo, dois sal&#225;rios m&#237;nimos mensais, e 9% referiram renda familiar superior a cinco sal&#225;rios m&#237;nimos. Quanto &#224; utiliza&#231;&#227;o de servi&#231;os de sa&#250;de, 91,8% dos entrevistados referiram utilizar o Sistema &#218;nico de Sa&#250;de (SUS), 5% eram usu&#225;rios de plano de sa&#250;de com cobertura integral e 6,4% com cobertura parcial. A utiliza&#231;&#227;o de servi&#231;os particulares de sa&#250;de foi mencionada em 17,2% dos casos (<xref ref-type="table" rid="tabela2">tab. 2</xref>).</p>
    <table-wrap id="tabela2">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-87-04-0496-00015-gt02.jpg"/></table-wrap>
    <p>Entre as 385 pessoas estudadas, a preval&#234;ncia referida de diabete melito foi de 16,4%. Constatou-se, ainda, a ocorr&#234;ncia de quatro &#243;bitos (taxa de mortalidade de 10,4 por mil), treze refer&#234;ncias a interna&#231;&#245;es hospitalares por infarto agudo do mioc&#225;rdio e 23 por acidente vascular cerebral. Na ocasi&#227;o da &#250;ltima consulta, mais de 59% desses pacientes apresentavam press&#227;o arterial elevada, sendo 50,9% com a press&#227;o sist&#243;lica acima de 139 mmHg e 36,9% com press&#227;o diast&#243;lica acima de 89 mmHg (<xref ref-type="table" rid="tabela3">tab. 3</xref>).</p>
    <table-wrap id="tabela3">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-87-04-0496-00015-gt03.jpg"/></table-wrap>
    <p>Relativamente ao tempo de hipertens&#227;o arterial, mais de 38% referiram que s&#227;o portadores dessa doen&#231;a h&#225; menos de seis anos. Com rela&#231;&#227;o &#224; data do &#250;ltimo atendimento na unidade de sa&#250;de, o registro nos prontu&#225;rios revelou que 25,8% n&#227;o foram atendidos em 2003 e apenas 52,7% foram atendidos (na unidade b&#225;sica ou em seu domic&#237;lio) no &#250;ltimo semestre.</p>
    <p>Entre as pessoas identificadas como portadoras da hipertens&#227;o arterial, a cobertura da Unidade B&#225;sica de Sa&#250;de, em 2003, foi de 64,1% para consulta m&#233;dica, 32,4% para consulta de enfermagem e 36,4% para atendimento m&#233;dico domiciliar. Relativamente &#224; concentra&#231;&#227;o de consultas m&#233;dicas, 35,9% n&#227;o consultaram nenhuma vez, 31,4% consultaram at&#233; duas vezes e 21,5% entre tr&#234;s e cinco vezes. Em 5,6% dos prontu&#225;rios foram registrados mais de sete comparecimentos para essa finalidade. Quanto &#224;s consultas de enfermagem, a cobertura foi bem inferior, e 67,6% n&#227;o consultaram com a enfermeira uma &#250;nica vez, apesar de em um caso verificarem-se nove comparecimentos. No que diz respeito ao atendimento m&#233;dico domiciliar, 36,4% dos usu&#225;rios receberam aten&#231;&#227;o m&#233;dica em suas moradias e em cinco casos (1,3%) o n&#250;mero de atendimentos foi superior a seis (<xref ref-type="table" rid="tabela4">tab. 4</xref>).</p>
    <table-wrap id="tabela4">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-87-04-0496-00015-gt04.jpg"/></table-wrap>
    <p>
      <bold>Discuss&#227;o</bold>
    </p>
    <p>A an&#225;lise das exclus&#245;es (75) e inclus&#245;es (42) revela uma discord&#226;ncia entre os registros do SIAB e o caderno dos ACS. Essa situa&#231;&#227;o provavelmente decorre da falta de utiliza&#231;&#227;o desses dados conforme as finalidades estabelecidas no Manual do SIAB, que em sua concep&#231;&#227;o visava, primordialmente, produzir relat&#243;rios e auxiliar as equipes, as unidades b&#225;sicas de sa&#250;de e os gestores municipais no acompanhamento do trabalho e na avalia&#231;&#227;o da sua qualidade<sup>8</sup>.</p>
    <p>Ressalte-se que, no servi&#231;o estudado, nenhum ACS tem acesso aos dados consolidados, e por essa raz&#227;o estabeleceram sistema paralelo de anota&#231;&#227;o (cadernos) no acompanhamento das fam&#237;lias da &#225;rea em que atuam. Outras quest&#245;es possivelmente relacionadas &#224; baixa confiabilidade dos dados do SIAB referem-se &#224; n&#227;o-utiliza&#231;&#227;o pelos demais membros da equipe e &#224; aus&#234;ncia de uma pr&#225;tica de supervis&#227;o dos ACS. Isso dificulta o conhecimento de suas atribui&#231;&#245;es e muitas vezes ocupa seu tempo com atividades alheias aos objetivos do programa de sa&#250;de da fam&#237;lia. Ilustram tamb&#233;m essa situa&#231;&#227;o os 40,3% de analfabetos encontrados nas entrevistas, quase o dobro do valor registrado no SIAB.</p>
    <p>Em rela&#231;&#227;o &#224;s caracter&#237;sticas socio-demogr&#225;ficas da popula&#231;&#227;o estudada, a ocorr&#234;ncia de 49,4% das resid&#234;ncias com um ou dois moradores deve-se &#224; elevada m&#233;dia de idade da popula&#231;&#227;o e &#224; sa&#237;da dos filhos para constituir novos n&#250;cleos familiares ou mudan&#231;a de munic&#237;pio, em busca de oportunidades de emprego. A m&#233;dia de pessoas por domic&#237;lio (2,8) foi inferior aos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic&#237;lios<sup>9</sup>, que trazem uma m&#233;dia de 3,4 para a popula&#231;&#227;o brasileira e 3,3 para a regi&#227;o Sul do pa&#237;s. A renda familiar tamb&#233;m se mostrou inferior &#224; da popula&#231;&#227;o brasileira, com 71,7% dos entrevistados com renda familiar mensal de at&#233; dois sal&#225;rios m&#237;nimos, diferindo dos 27,8% referidos para a popula&#231;&#227;o brasileira e dos 22,2% para a regi&#227;o Sul<sup>10</sup>. Provavelmente essa situa&#231;&#227;o se explique pela alta propor&#231;&#227;o de idosos. A baixa renda, assim como o porcentual de analfabetismo, revela piores condi&#231;&#245;es socio-econ&#244;micas das pessoas portadores de hipertens&#227;o arterial residentes na &#225;rea de atua&#231;&#227;o da equipe, comparativamente ao conjunto da popula&#231;&#227;o.</p>
    <p>A taxa de preval&#234;ncia referida de hipertens&#227;o arterial de 18% (para faixa et&#225;ria de vinte anos e mais), encontrada pelo estudo para a &#225;rea de atua&#231;&#227;o da equipe de sa&#250;de da fam&#237;lia, apesar de superior &#224; preval&#234;ncia de 16,4% do munic&#237;pio<sup>8</sup>, pode estar subestimada, visto que &#233; inferior aos 20% apresentados pelo Minist&#233;rio da Sa&#250;de<sup>5</sup> para essa mesma faixa et&#225;ria. Nas IV Diretrizes Brasileiras de Hipertens&#227;o Arterial a taxa de preval&#234;ncia mencionada varia de 23,3% a 43,9%<sup>7</sup>.</p>
    <p>A tend&#234;ncia crescente de hipertens&#227;o arterial com o aumento da idade tamb&#233;m &#233; concordante aos outros estudos semelhantes<sup>4,6,11,12</sup>. Analisando isoladamente a popula&#231;&#227;o feminina, a taxa de preval&#234;ncia de 22,3% est&#225; mais pr&#243;xima da referida na literatura. J&#225; na popula&#231;&#227;o masculina, a taxa encontrada foi consideravelmente baixa (13,2% aproximadamente). Esses resultados diferem do estudo realizado em Araraquara SP, onde Lolio e cols.<sup>12</sup> encontraram taxas de 32% para a popula&#231;&#227;o masculina e 25,3% para a popula&#231;&#227;o feminina.</p>
    <p>Provavelmente a subidentifica&#231;&#227;o no sexo masculino, encontrada neste estudo, se deva ao fato de os homens procurarem menos os servi&#231;os de sa&#250;de que as mulheres, pois Sala e cols.<sup>13</sup> observaram uma maior demanda de mulheres em uma unidade b&#225;sica de sa&#250;de do bairro do Butant&#227;, em S&#227;o Paulo. Al&#233;m disso, conforme Almeida e cols.<sup>14</sup>, as mulheres tendem a informar, mais do que os homens, os problemas de sa&#250;de. A partir de 75 anos, a preval&#234;ncia de hipertens&#227;o, observada na popula&#231;&#227;o masculina, aproximou-se da observada na popula&#231;&#227;o feminina.</p>
    <p>Uma poss&#237;vel explica&#231;&#227;o seria o fato de os homens mais idosos apresentarem uma maior freq&#252;&#234;ncia de comorbidades que os levam a procurar um servi&#231;o de sa&#250;de, assim como pelo fato de terem maior disponibilidade de tempo nessa faixa et&#225;ria.</p>
    <p>Essa situa&#231;&#227;o, contudo, apresenta-se como preocupante: a menor preval&#234;ncia referida entre os homens &#233; sugestiva das barreiras enfrentadas pelos adultos jovens, principalmente do sexo masculino, na utiliza&#231;&#227;o de servi&#231;os. As dificuldades de acesso aos servi&#231;os e os aspectos de comportamento que determinam a procura espont&#226;nea de cuidados curativos ou preventivos s&#227;o fatores que podem influenciar na preval&#234;ncia de complica&#231;&#245;es de &#243;rg&#227;os-alvo da hipertens&#227;o arterial<sup>15</sup>.</p>
    <p>Nesse sentido, os mecanismos de capta&#231;&#227;o definidos pela equipe, baseados na morbidade referida, t&#234;m se mostrado insuficientes, pois, conforme estudo realizado por Oliveira &amp; Nogueira<sup>16</sup>, em munic&#237;pio pr&#243;ximo, a preval&#234;ncia estimada foi de 35,3%, verificando tamb&#233;m os autores que 53,4% dos hipertensos desconheciam sua condi&#231;&#227;o.</p>
    <p>Essas constata&#231;&#245;es se revestem de maior relev&#226;ncia ao considerar que o porcentual de utiliza&#231;&#227;o do SUS &#233; superior a 90%, bem acima do divulgado pela Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar<sup>9</sup>. Conforme esta pesquisa, 49,3% das pessoas que consultaram nas duas semanas que antecederam a entrevista utilizaram o SUS. Para os portadores de doen&#231;as cr&#244;nicas, como &#233; o caso da hipertens&#227;o, o porcentual de utiliza&#231;&#227;o do servi&#231;o p&#250;blico chegou a 53,1%. Ressalta-se, no presente estudo, que at&#233; mesmo entre os 8,2% que responderam que n&#227;o utilizam o SUS, 12,9% consultaram pelo menos uma vez na unidade b&#225;sica de sa&#250;de.</p>
    <p>Acresce ainda o fato de, entre os que referiram utilizar servi&#231;o de sa&#250;de particular (17,2%), 44,6% terem consultado na unidade b&#225;sica de sa&#250;de e 20% desses consultaram de tr&#234;s a cinco vezes. Por fim, a an&#225;lise das caracter&#237;sticas revela uma popula&#231;&#227;o de baixo poder aquisitivo, com grande import&#226;ncia do SUS na sua aten&#231;&#227;o, pois apenas uma pequena parte tem acesso aos servi&#231;os de sa&#250;de alternativos ao sistema p&#250;blico.</p>
    <p>A cobertura por consulta foi baixa, pois quase 36% dos portadores de hipertens&#227;o arterial n&#227;o consultaram com o m&#233;dico nenhuma vez; para a enfermagem, esse porcentual foi mais elevado ainda (67,6%).</p>
    <p>Em um estudo realizado em S&#227;o Paulo<sup>5</sup>, com portadores de doen&#231;as cr&#244;nicas (hipertens&#227;o e diabetes), observou-se que 47,9% destes pacientes consultaram entre tr&#234;s e cinco vezes. A diferen&#231;a entre os n&#250;meros do presente estudo explica-se pela falta de sistematiza&#231;&#227;o do atendimento para portadores de doen&#231;as cr&#244;nicas, como a hipertens&#227;o arterial, apesar da exist&#234;ncia de v&#225;rios documentos oficiais sobre o tema, em especial, voltados para a aten&#231;&#227;o b&#225;sica<sup>1,2,5</sup>.</p>
    <p>No caso das visitas domiciliares, a cobertura das visitas m&#233;dicas est&#225; de acordo com a esperada, tendo em vista a prioriza&#231;&#227;o das fam&#237;lias com indiv&#237;duos acamados e as interna&#231;&#245;es domiciliares.</p>
    <p>Conforme destacam Sala e cols.<sup>13</sup>, a obten&#231;&#227;o de uma cobertura expressiva de indiv&#237;duos com risco para doen&#231;as cardiovasculares &#233; fundamental para se observar modifica&#231;&#227;o significativa no perfil epidemiol&#243;gico, pois o grupo de indiv&#237;duos com risco para doen&#231;as cardiovasculares n&#227;o produz a maioria dos casos de doen&#231;a, na medida em que &#233; um grupo numericamente bem menor que o dos indiv&#237;duos de baixo risco (muitas vezes n&#227;o objeto dos programas de sa&#250;de).</p>
    <p>A dificuldade de revers&#227;o do modelo assistencial tamb&#233;m se torna not&#243;ria ao se analisar os dados relativos ao &#250;ltimo atendimento, pois apenas 32% dos entrevistados foram atendidos no &#250;ltimo trimestre de 2003. Esses resultados revelam a dificuldade de efetiva&#231;&#227;o das normas e condutas padronizadas, apesar de oficialmente estabelecidos desde 1983 com a divulga&#231;&#227;o do "Guia para controle de hipertens&#227;o arterial"<sup>1</sup>.</p>
    <p>No tocante &#224; efetividade, que se constitui em medida do alcance dos resultados estrat&#233;gicos apreens&#237;veis nos usu&#225;rios do servi&#231;o, o indicador, no caso do controle e tratamento de hipertens&#227;o, tem sido o coeficiente de hospitaliza&#231;&#227;o por acidente vascular cerebral (AVC) e infarto agudo do mioc&#225;rdio (IAM)<sup>5,6</sup>.</p>
    <p>Desse modo, relativamente aos casos de IAM, possivelmente pode ter acontecido uma superidentifica&#231;&#227;o, haja vista que n&#227;o houve nenhum caso de &#243;bito decorrente dessa doen&#231;a no ano de 2003. Outras doen&#231;as isqu&#234;micas do cora&#231;&#227;o podem ter sido confundidas com infarto do mioc&#225;rdio. No que se refere aos casos de AVC, pode ter ocorrido o mesmo fato, pois houve apenas um caso de &#243;bito por essa doen&#231;a, e o Minist&#233;rio da Sa&#250;de<sup>2</sup> faz refer&#234;ncia a uma taxa de letalidade de 50% no primeiro m&#234;s, entre os casos acometidos. Os resultados obtidos por meio de relato dos entrevistados sugerem baixa confiabilidade quanto a esse aspecto e aponta a necessidade da equipe, no seu trabalho de monitoramento das complica&#231;&#245;es, utilizar v&#225;rios sistemas de informa&#231;&#227;o, como o de Mortalidade (SIM) e de Interna&#231;&#227;o Hospitalar (SIH).</p>
    <p>Com rela&#231;&#227;o aos &#243;bitos, dois ocorreram por doen&#231;as neopl&#225;sicas, um por acidente vascular cerebral e um teve sua causa ignorada pelo estudo. A taxa de mortalidade encontrada (10,6 por mil habitantes) n&#227;o foi superior aos 10,8 por mil da popula&#231;&#227;o geral da equipe de sa&#250;de estudada. Esperava-se uma mortalidade maior, em raz&#227;o da hipertens&#227;o arterial e da idade das pessoas inclu&#237;das na pesquisa. Entretanto, o valor encontrado foi superior &#224; taxa de mortalidade de 7,6 por mil do munic&#237;pio, conforme dados oficiais, e a do pa&#237;s e do estado (6,3 por mil e 6,2 por mil respectivamente). Provavelmente, as taxas observadas para a popula&#231;&#227;o estudada retratem a realidade, pois, sendo o &#243;bito um evento marcante, para os familiares e comunidade, dificilmente deixaria de ser mencionado pelos familiares entrevistados e os resultados se devam a flutua&#231;&#245;es que podem ocorrer nos dados de mortalidade entre um ano e outro, quando o n&#250;mero de eventos &#233; bastante reduzido.</p>
    <p>Os casos de hospitaliza&#231;&#245;es, contudo, assim como os problemas na confiabilidade dos dados do SIAB recomendam a necessidade de apropria&#231;&#227;o de m&#250;ltiplos sistemas de informa&#231;&#245;es, no planejamento das a&#231;&#245;es, a fim de evitar tanto as superestima&#231;&#245;es quanto as subenumera&#231;&#245;es.</p>
    <p>O elevado n&#250;mero de pacientes com press&#227;o arterial alterada, apesar da maior parte j&#225; estar realizando algum tipo de tratamento, demonstra a falta de efetividade da aten&#231;&#227;o dirigida a esses pacientes. A exemplo do que ocorre com a hipertens&#227;o, possivelmente estejam ocorrendo falhas no controle a outras doen&#231;as cr&#244;nicas (diabetes, dislipidemias, obesidade), o que aumenta consideravelmente o risco para complica&#231;&#245;es cardiovasculares. &#201; prov&#225;vel que os problemas encontrados n&#227;o sejam espec&#237;ficos da aten&#231;&#227;o aos portadores de hipertens&#227;o, mas refletem dificuldade de implementar modelo assistencial alternativo. Fica clara a import&#226;ncia da reorganiza&#231;&#227;o do trabalho com base nas necessidades de sa&#250;de e atua&#231;&#227;o na l&#243;gica da vigil&#226;ncia da sa&#250;de e das a&#231;&#245;es program&#225;ticas. Evidencia-se a necessidade de uma defini&#231;&#227;o da abrang&#234;ncia populacional (adscri&#231;&#227;o de clientela) para um melhor conhecimento da realidade das fam&#237;lias com &#234;nfase nas suas caracter&#237;sticas sociais, econ&#244;micas, culturais, demogr&#225;ficas e epidemiol&#243;gicas, para a presta&#231;&#227;o de uma assist&#234;ncia integral &#224; popula&#231;&#227;o adscrita, conforme ressalta o Guia Pr&#225;tico do Programa Sa&#250;de da Fam&#237;lia<sup>3</sup>. Outro ponto importante diz respeito ao ajuste da rela&#231;&#227;o oferta-demanda, visando ofertar recursos adequados e oportunos para garantir &#224; popula&#231;&#227;o e &#224;s equipes de sa&#250;de da fam&#237;lia o enfrentamento dos problemas e a continuidade dos tratamentos.</p>
    <p>A identifica&#231;&#227;o insuficiente dos casos de hipertens&#227;o, principalmente no g&#234;nero masculino, constitui outro impedimento para o efetivo funcionamento da assist&#234;ncia &#224; popula&#231;&#227;o. Para supera&#231;&#227;o dessa dificuldade destaca-se a necessidade de intensifica&#231;&#227;o da busca ativa para obten&#231;&#227;o de diagn&#243;stico, at&#233; por que, segundo Almeida e cols.<sup>14</sup>, a morbidade auto-referida tende a subestimar a preval&#234;ncia de hipertens&#227;o arterial.</p>
    <p>A preval&#234;ncia referida de 18%, a baixa cobertura dos servi&#231;os, da mesma forma que a quantidade inadequada de atendimento &#233; decorrente da falta de uma pr&#225;tica avaliativa das a&#231;&#245;es coletivamente desenvolvidas pela equipe, e por isso a n&#227;o-valoriza&#231;&#227;o dos sistemas de informa&#231;&#227;o dispon&#237;veis. Esses sistemas devem ser vistos como uma ferramenta para a avalia&#231;&#227;o e planejamento das atividades, ressaltando a sua import&#226;ncia e evitando seu preenchimento com a finalidade pura e simples de receber incentivos federais. Conforme ressaltam Pinheiro &amp; Escosteguy<sup>17</sup>, &#233; necess&#225;rio incorporar a avalia&#231;&#227;o da qualidade dos servi&#231;os de sa&#250;de no planejamento e na tomada de decis&#227;o em n&#237;vel local que possibilite, em &#250;ltima an&#225;lise, a melhoria da qualidade da oferta dos servi&#231;os de sa&#250;de.</p>
    <p>
      <fn id="back" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold>Correspond&#234;ncia:</bold>
        </label>
        <p> Regina Kazue Tanno de Souza </p>
        <p> Jo&#227;o Sampaio, 140/1101 </p>
        <p> 86062-100 &#150; Londrina, PR </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p><email xlink:href="regina.tanno@pucpr.br">regina.tanno@pucpr.br</email> / </p>
        <p>
          <email xlink:href="reginatanno@hotmail.com">reginatanno@hotmail.com</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
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              <given-names>KV</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>Luiz</surname>
              <given-names>RR</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>Werneck</surname>
              <given-names>GL</given-names>
            </name>
          </person-group>
        </element-citation>
      </ref>
    </ref-list>
  </back>
  <sub-article article-type="translation" id="TRen" xml:lang="en">
    <front-stub>
      <article-categories>
        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Original Articles</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Arterial hypertension and family care: care provided to hypertensive individuals in a small municipality in Southern Brazil</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>OBJECTIVE: This transversal study was developed from the analysis of indicators which express the desirable approach for programmatic actions, with the objective of evaluating the performance of a Family Healthcare Center in its attendance to patients suffering from arterial hypertension living in a small municipal district. METHODS: The research was carried out starting from the analysis of the records of enrollment in the program, Record A from SIAB (Primary Care Information System), of 418 individuals suffering from arterial hypertension. It was also analyzed the information of 351 files from the health center. In addition, 376 interviews were carried out with individuals living in the vicinity of the health center, in the year of 2003. The following variables were studied: gender, age, family income, home conditions, health services used presence of diabetes mellitus, average number of individuals attended and attendance concentration. RESULTS: Women above 60 years of age prevailed in 65.7% of the cases. The hypertension prevalence rate on individuals who searched for care was of 18%, being different among gender, among women it was of 22.3%. The average number of appointments with a doctor was of 64.1%; 32.4% for appointments with a nurse, and 36.4% for home medical attendance. The information on files revealed that 25.8% of the individuals were not assisted in 2003 and 52.7% received no assistance in the last semester. The concentration of services was below preconization. CONCLUSION: The information revealed no organization on the attention to the preventive health care, focusing the assistance to a spontaneous demand, expressing unpreparedness in the use of information systems for the planning and evaluation of the actions.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Arterial hypertension</kwd>
        <kwd>programmatic actions</kwd>
        <kwd>family health</kwd>
        <kwd>information system</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>ORIGINAL ARTICLE</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Arterial hypertension and family care: care provided to hypertensive individuals in a small municipality in Southern Brazil</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Luciano Burigo de Sousa; Regina Kazue Tanno de Souza; Maria Jos&#233; Scochi</bold>
      </p>
      <p>Universidade Estadual de Maring&#225; - Londrina, PR - Brazil</p>
      <p>
        <xref ref-type="corresp" rid="back-body2">Correspond&#234;ncia</xref>
      </p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p><bold>OBJECTIVE:</bold> Based on the analysis of indicators which express the rationale of the actions of the program, we developed a cross-sectional study to assess the performance of a Family Healthcare Team as regards the care provided to individuals with arterial hypertension living in a small municipality.</p>
      <p><bold>METHODS:</bold> The study carried out was based on the analysis of the records (Record A) of SIAB (Primary Care Information System) of 418 individuals suffering from arterial hypertension, of 351 records stored in the primary healthcare center, and of 376 interviews with individuals living in the area under the team's care, in the year 2003. The following variables were studied: gender, age, family income, housing conditions, health services used, presence of diabetes mellitus, coverage and concentration of care.</p>
      <p><bold>RESULTS:</bold> Women above 60 years of age prevailed. They were 65.7% of the cases. The arterial hypertension prevalence rate was 18%, and was different for both genders: for women it was 22.3%. The coverage was 64.1% for appointments with doctors, 32.4% for appointments with nurses, and 36.4% for home visits. The information on files revealed that 25.8% of hypertensive individuals did not receive care in 2003 and 52.7% did not receive care in the last semester. The concentration of care was below the recommendation.</p>
      <p><bold>CONCLUSION:</bold> The information showed that the organization of health care does not reflect the rationale of health surveillance in that services focus mostly on meeting spontaneous demand, which in turn reflects unpreparedness as to the use of information systems for the planning and evaluation of actions.</p>
      <p><bold>Key words:</bold> Arterial hypertension, program actions, family health, information system.</p>
      <p>The growing importance of circulatory system diseases in the epidemiological profile of the Brazilian population as of the 1960's has prompted the proposal of official documents to inform the programming and implementation of systematic activities to improve the cardiovascular health of individuals. In this scenario, the control of arterial hypertension is an important factor to avoid this type of conditions<sup>1,2</sup>.</p>
      <p>The Operational Healthcare Guidelines of Brazil's Single Health System (NOAS/SUS)<sup>3</sup> stresses the control of arterial hypertension as part of the minimum strategic actions which are the responsibility of the municipalities. This control is to be implemented by diagnosing cases, registering individuals, active search, treatment and educational activities.</p>
      <p>These actions which are to be carried out by the Family Healthcare Program (FHP) are considered by the Ministry of Health as the major strategy that guides the organization of primary care. We notice that although the guideline provides for the surveillance of the health of families and their environment, by and large individuals with arterial hypertension have no ties with the healthcare units<sup>2</sup>.</p>
      <p>In many situations, care is provided in a nonsystematic manner or in emergency facilities. We identified difficulties for the healthcare network to act based on risk criteria. The teams are not prepared to act in a programmed fashion, and demand-based care stands out rather that its alternative, that is the organized offer of care and the provision of programmed care. This expresses the lack of planning for a population and unpreparedness as regards the monitoring and evaluation of the effectiveness of the actions implemented.</p>
      <p>As Sala et al<sup>4</sup> highlight, assessing the performance of healthcare services is currently a need for those proposals seeking to improve the quality of healthcare. Therefore, based on the analysis of capture and coverage of the programmed demand for arterial hypertension, of the concentration of some types of healthcare, and of the status of follow-up indicators for the actions implemented as established in the Primary Care Organization Manual<sup>5</sup>, this study assesses the performance of a Family Healthcare Team (FHT) in a small municipality in southern Brazil as regards the provision of care to individuals with arterial hypertension.</p>
      <p>Using the propositions of Sala et al<sup>6</sup> as regards the guiding categories for assessment of efforts which are organized based on health needs and on systematic follow-up, we analyzed indicators which reflect to what extent the work of a team reflects the rationale of care based on the principle of health surveillance and programmed actions.</p>
      <p>
        <bold>Methods</bold>
      </p>
      <p>The study was conducted in a small municipality, with a population of approximately 15,000 inhabitants, in the northwestern region of the state of Paran&#225;, in the south of Brazil. The health system comprises a public hospital and five Family Healthcare Teams which serve 100% of the inhabitants.</p>
      <p>The population studied comprised individuals who reported arterial hypertension in the year 2003, who were registered at the Primary Healthcare Information System (SIAB), and lived in the urban region under the responsibility of a family healthcare team.</p>
      <p>The source of data comprised the information of record A of SIAB, the note pad of the Community Healthcare Agents (CHA) used to record their daily activities, in the records of patients stored in the Primary Healthcare Unit and the interviews carried out in the home of patients.</p>
      <p>The variables studied were gender, age, literacy, family income, number of people in the family, housing conditions, presence of diabetes mellitus, healthcare service used, coverage, concentration of care.</p>
      <p>Initially we requested the consent of the person in charge of the institution to carry out the collection of data. After the authorization had been granted, the project was sent to the Permanent Ethics Committee for Research Involving Human Beings of Universidade Estadual de Maring&#225; for approval, which was granted by opinion n.082/2004 - COPEP.</p>
      <p>During the data collection phase, the starting point was the identification of people recorded as suffering from arterial hypertension in the records (SIAB's Record A). Once we had the identification data such as gender, age, address, we checked these records against the records of daily activities included in the note pad of CHAs and we excluded those people who, although they appeared in the records, they did not confirm having arterial hypertension when visited at home or were not residents of the area under the care of the Family Healthcare Team in 2003. Additionally we included people who were not registered in the information system but who were recorded in the records of the CHAs. Therefore we made a list with 385 people, with their name, gender and address, according to the information recorded in the note pad of the CHAs (<xref ref-type="fig" rid="e15f1-body2">Fig.1</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="e15f1-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-87-04-0496-00015-gf01-en.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>In the second phase we trained CHAs to collect data in the home of individuals, using a specific form. The data collection was overseen by the main researcher, an FHT physician (LBS). Before collecting the data, the CHAs read the Term of Consent and of the 385 people identified, 376 signed the term and agreed to provide the information requested.</p>
      <p>The second stage of the collection comprised the review of the records by the FHT physician to complement data. He reviewed 296 files. It is worth highlighting that although the 351 people included in the study had records in the healthcare unit, problems with filing and other difficulties which made it impossible to locate the files prevented us from obtaining data relating to all the variables studied. The processing of data was carried out using the Statistica 6.0 package.</p>
      <p>The analysis of results was carried out based on the following definitions:</p>
      <p>- Ability to identify/capture the program's demands for arterial hypertension based on the prevalence of the said condition when the CHAs contacted the families; therefore, not always the diagnosis was confirmed by a physician.</p>
      <p>- The coverage rate was obtained by dividing the number of people in the population studied who visited a physician or nurse at least once during 2003 by the total number of people included in the study.</p>
      <p>- Concentration of care, number of visits with physician or nurse during 2003 and which were duly recorded in the patient's record.</p>
      <p>- Control of arterial hypertension &#150; the categories for analysis were defined according to the classification presented in the 4<sup>th</sup> Brazilian Guidelines on Arterial Hypertension<sup>7</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Results</bold>
      </p>
      <p>to progressivo das taxas de acordo com a faixa et&#225;ria e as razOf the 418 people registered at SIAB in 2003 as individuals with arterial hypertension, 75 were not included in the population studied for the following reasons: one individual died before 2003; two moved to an area outside the area served by the healthcare team; ten for lack of confirmation of arterial hypertension in the records of the healthcare unit; and 62 who were registered in the system as residents of the area but could not be found by the community agents in the addresses of record. Consultation of another source of data (records of the activities of community health agents) revealed that 42 cases which had not been included in Record A were being followed up as if they were hypertensive.</p>
      <p>Inclusions and exclusions did not take place in a uniform manner in the five micro-areas covered by the family healthcare teams because 69.7% of the inclusions and 80.9% of the exclusions occurred in a micro-area. Therefore, the population of the study comprised 385 individuals who lived in the area of operation of the FHT, and who at some time reported having arterial hypertension and were being followed up by the CHAs in 2003.</p>
      <p>The study revealed an index of identification/capture (reported prevalence) of 12.6% of individuals with arterial hypertension among the residents of the FHT area. When we considered individuals who were twenty years old or older, the index rose to 18%. The identification varied according to gender and age group. For female subjects, the reported prevalence rate was 22.3%; for male subjects it was 13.2% (1.67 ratio). We observed a progressive increase of the rates with the increase of age and reasons of prevalence, in that the reference age group was from twenty to thirty-nine. In the other age groups, i.e. from forty to forty-nine, fifty to fifty-nine, and sixty or above, the ratios were 5.6; 10.7 and 24.3 respectively. No case was observed in the under-twenty group. The age varied between 21 to 103 years, with a mean of 63.6 and a standard deviation of 13.8 years. There was a predominance of older people (65.7% were sixty or above) and of women, who accounted for 64.7% of the cases (<xref ref-type="table" rid="e15t1-body2">Tab.1</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="e15t1-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-87-04-0496-00015-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>As regards the social and demographic profile, we observed a low level of schooling, and more than 80% had completed the fourth grade at most, of which half are illiterate. As regards the number of people living in the household, 11.6% live alone and most live in households with another person or with another two people (62.7%). As regards their housing conditions, 1.1% live in households with up to two rooms, and approximately 90% live in households with five or more rooms. The family income of 71.7% of the interviewees was of two minimum salaries at most, and 9% reported a family income above five minimum salaries. As regards the use of health services, 91.8% of the interviewees reported using the Single Health System (SUS), 5% of the users had health plans (HMOs) with full coverage and 6.4% had partial coverage plans. The use of private healthcare services was mentioned in 17.2% of the cases (<xref ref-type="table" rid="tabela2-body2">Tab. 2</xref>).</p>
      <table-wrap id="tabela2-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-87-04-0496-00015-gt02-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>Among the 385 subjects studied, the reported prevalence of diabetes mellitus was 16.4%. We observed the occurrence of four deaths (mortality rate of 10.4 per thousand), thirteen references to hospitalization due to acute myocardial infarction and 23 due to stroke. In the last visit, more than 59% of these patients presented elevated arterial pressure with 50.9% having systolic pressure above 139 mmHg and 36.9% having diastolic pressure above 89 mmHg (<xref ref-type="table" rid="tabela3-body2">Tab. 3</xref>).</p>
      <table-wrap id="tabela3-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-87-04-0496-00015-gt03-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>As regards the time [of existence] of arterial hypertension, more than 38% reported suffering from the condition for less than six years. As regards the day of the last visit to the healthcare unit, the patient's records revealed that 25.8% were not served in 2003 and only 52.7% were served (in the healthcare unit or at home) in the last semester.</p>
      <p>Among the subjects identified as suffering from arterial hypertension, the coverage of the Primary Healthcare Unit in 2003 was 64.1% for visits with a physician, 32.4% for visits with a nurse and 36.4% for home visits. As regards the concentration of physician visits, 35.9% never saw a physician; 31.4% saw the physician up to two times and 21.5% saw a physician between three and five times. In 5.6% of the records, there were entries for more than seven visits for this same purpose. As regards visits with a nurse, the coverage was smaller, and 67.6% of the individuals never saw a nurse, although in one case, there were nine visits recorded. As regards home visits, 36.4% of the users received home visits, and in five cases (1.3%) the number of visits was above six (<xref ref-type="table" rid="tabela4-body2">Tab. 4</xref>).</p>
      <table-wrap id="tabela4-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-87-04-0496-00015-gt04-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>
        <bold>Discussion</bold>
      </p>
      <p>The analysis of exclusions (75) and inclusions (42) reveals a discrepancy between the records of the SIAB and the records of the CHAs' note pad. This situation probably arises from the lack of use of these data according to the objectives established in the SIAB Manual, which was originally designed to produce reports and help the teams, the primary healthcare units and the municipal administration monitor the activities and assess their quality<sup>8</sup>.</p>
      <p>It is worth highlighting that in the health facilities studied, no CHA had access to the consolidated data, and for this reason they [the CHAs] established a parallel record system (the note pad) to follow up of the families under their care. Other reasons, possibly related to the low reliability of SIAB's data, have to do with the fact that other members of the team did not use them and that CHAs were not subject to supervision. This makes it difficult for the agents to learn their responsibilities and oftentimes fills their time with activities which are unrelated to the objectives of the family healthcare program. This situation is also illustrated by the fact that 40.3% of illiterate people were found in the interviews, almost twice the number recorded in SIAB's records.</p>
      <p>As regards the social and demographic characteristics of the population studied, there were 49.4% of households with one or two dwellers, a fact due to the high average age of the population and to the fact that children had left home to start new families or moved to another municipality in search of jobs. The average number of individuals per household (2.8) was lower than the data included in the Brazilian Household Survey<sup>9</sup>, that presents an average of 3.4 for the Brazilian population in general and 3.3 for the southern region. Family income was also lower than the family income of the Brazilian population, with 71.7% of the interviewees having a family income of up to two minimum salaries, as compared to 27.8% of reported for the Brazilian population and 22.2% for the southern region<sup>10</sup>. This may probably be explained by the high rate of old people. The low income, as well as the percentage of illiteracy reveals the worse social and economic conditions of the individuals suffering from arterial hypertension who reside in the area under the care of the team as compared with the Brazilian population.</p>
      <p>The 18% reported prevalence rate for arterial hypertension (for the age group of twenty years and above) observed in the study in the area under the care of the family healthcare team, although above the prevalence of the municipality which is of 16.4%8, may be underestimated, as it is lower than the 20% presented by the Ministry of Health<sup>5</sup> for this age group. The 4<sup>th</sup> Brazilian Guidelines on Arterial Hypertension mention a prevalence rate between 23.3% and 43.9%<sup>7</sup>.</p>
      <p>The trend of growth of arterial hypertension with age is in agreement with similar studies<sup>4,6,11,12</sup>. Analyzing the female population in isolation, the prevalence rate of 22.3% is closer to the rate reported in the literature. For the male population, the rate found was considerably low (approximately 13.2%). These results differ from those found in the study carried out in Araraquara SP, where Lolio et al<sup>12</sup> found rates of 32% for the male population and 25.3% for the female population.</p>
      <p>The underidentification of males found in this study is probably due to the fact that men seek healthcare facilities less than women, for Sala et al<sup>13</sup> observed a higher demand from women in a Primary Healthcare Unit in the district of Butant&#227;, in S&#227;o Paulo. Additionally, according to Almeida et al<sup>14</sup>, women tend to inform on health conditions more than men. Above 75, the prevalence of hypertension observed in the male population approached the prevalence observed in the female population.</p>
      <p>A possible explanation would be the fact that older men present a higher rate of comorbidity, which prompts them to seek a healthcare facility, and to the fact that they have more time available when they reach this age.</p>
      <p>This situation, however, gives rise to concerns: the lower prevalence reported by men suggests that young adults, especially males, face barriers when they need to use healthcare services. The difficulties in accessing the services and behavioral aspects that drive patients to spontaneously seek preventive or curative care are factors that may influence the prevalence of complications in target organs in arterial hypertension<sup>15</sup>.</p>
      <p>The capture mechanisms defined by the team, which are based on reported morbidity have shown to be insufficient, since, according to the study carried out by Oliveira &amp; Nogueira<sup>16</sup> in a nearby municipality, the estimated prevalence was 35.3%; the authors also observed that 53.4% of hypertensive subjects were unaware of their condition.</p>
      <p>These observations acquire greater relevance when we consider that the percentage of use of the SUS is above 90%, well above the percentage published in the Brazilian Household Survey<sup>9</sup>. According to this survey, 49.3% of the people who saw a doctor in the two weeks prior to the interview went to SUS facilities. For patients with chronic conditions such as hypertension, the percentage of use of public health services reached 53.1%. In our study, even among those 8.2% who said they had not used the SUS, 12.9% went at least once to the Primary Healthcare Unit.</p>
      <p>Additionally, among those who said they used private healthcare services (17.2%), 44.6% had been to the Primary Healthcare Unit and of these, 20% went there from three to five times. The analysis of the characteristics reveals a low-income population that relies heavily on SUS for healthcare, since only a small portion of them has access to health services other than the public ones.</p>
      <p>The coverage per visit was low, as almost 36% of the individuals with arterial hypertension never had a doctor's appointment ; for nurse visits, this percentage was even higher (67.6%).</p>
      <p>In a study carried out in S&#227;o Paulo<sup>5</sup>, with subjects suffering from chronic conditions (hypertension and diabetes), it was observed that 47.9% of these patients had between three and five visits. The difference between the numbers of this study can be explained by the lack of systematization of the care provided to individuals with chronic conditions, such as arterial hypertension, despite the myriad official documents on the topic and especially on primary care<sup>1,2,5</sup>.</p>
      <p>In the case of home visits, the coverage of medical visits is in line with the expected, in view of the priority given to families with bed-bound members and members on home care.</p>
      <p>As stressed by Sala et al<sup>13</sup>, a substantial coverage for individuals at risk for cardiovascular diseases is essential to the observation of significant changes in the epidemiological profile, since the group of individuals at risk for cardiovascular diseases does not account for the majority of the cases of the disease, as it is smaller in size than the low-risk group of individuals (who are often times not targeted by health programs).</p>
      <p>The difficulty in changing the model of care becomes clear when we analyze the data relating to the last visit, as only 32% of the interviewees were served in the last quarter of 2003. These results reveal a difficulty in effecting the standards and standardized procedures although they were officially established in 1983 with the publication of the "Guide for the Control of Arterial Hypertension"<sup>1</sup>.</p>
      <p>As regards effectiveness, i.e., the measure of the attainment of the strategic results observable in the users of the services, the indicator, in the case of the control and treatment of hypertension, has been the coefficient of hospitalization due to stroke and acute myocardial infarction (AMI)<sup>5,6</sup>.</p>
      <p>Therefore, as regards AMI cases, there may have been overidentification of AMI cases, since there was no case of death as a result of this condition in 2003. Other ischemic heart diseases may have been mistaken for AMI. As regards stroke cases, the same may have occurred, as there was just one case of death due to this condition and the Ministry of Health<sup>2</sup> makes reference to a mortality rate of 50% in the first month among those affected. The results obtained by the account given by the interviewees suggest low reliability as to this aspect and points to the need for the team to use different information systems such as the Mortality (SIM) and the Hospitalization (SIH) systems when monitoring complications.</p>
      <p>As regards deaths, two individuals died due to neoplasic diseases, one due to stroke, and one due to causes unknown to the study. The mortality rate found (10.6 per one thousand inhabitants) was not above the 10.8 per thousand found for the population in general of the health team studied. A higher mortality rate was expected in view of the arterial hypertension and of the age of the people included in the study. However, the value found was greater than the mortality rate of 7.6 per one thousand inhabitants of the municipality, according to official data, and those of the country and state (6.3 per one thousand and 6.2 per one thousand respectively). The rates observed for the population studied probably reflect the reality since, because death is a major event, to the familiaries and communities, the interviewee would not fail to inform it and the results obtained probably have to do with fluctuations that may occur in mortality data between one year and the other, when the number of events is much reduced.</p>
      <p>Hospitalization cases, however, as well as the problems regarding the reliability of SIAB's data endorse the need for using multiple information systems when planning actions to prevent overestimation and undernumbering.</p>
      <p>The high number of patients with altered blood pressure, although most of them were undergoing some kind of treatment, demonstrates the lack of effectiveness of the care provided to these patients. Just as is the case with hypertension, there may be faults in the control of other chronic diseases (diabetes, dyslipidemias, obesity), which considerably increases the risk of cardiovascular complications. The problems found may not be specific of the care provided to hypertensive individuals, but reflect the difficulty in implementing an alternative model of care. The importance of reorganizing the work based on health-related needs and of acting on the rationale of health surveillance and of actions programmed becomes clear. The need for defining the scope of care as regards the population (registration of users) becomes apparent so that the reality of families especially as regards their social, economic, cultural, demographic and epidemiological characteristics may become known and enable the provision of total care to the population registered as prescribed by the Practical Guide of the Family Health Program<sup>3</sup>. Another interesting point has to do with the adjustment of the relation between supply and demand, in order to offer timely and adequate resources to guarantee, to the population and to the family healthcare teams, that problems will be addressed and treatment will be continued.</p>
      <p>The underidentification of hypertension cases, especially among males, is another impediment to the effective provision of care to the population. In order to overcome this difficulty, it is necessary to intensify active search of diagnosis because, as stressed by Almeida and al<sup>14</sup>, self-reported morbidity tends to underestimate the prevalence of arterial hypertension.</p>
      <p>The reported prevalence of 18%, the low coverage of services, just as the inadequate amount of care, result from the lack of an assessment practice geared at the actions collectively implemented by the team, and this is why the information services available are not valued. These systems should be seen as a tool to assess and plan activities. Their importance should be stressed and they should not be filled in with the mere objective of obtaining federal funding. According to Pinheiro &amp; Escosteguy<sup>17</sup>, it is necessary to integrate the assessment of health service quality into planning and decision making at the local level, so as to enable the improvement of quality in the provision of health services.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="back-body2" fn-type="corresp">
          <label>
            <bold>Correspond&#234;ncia:</bold>
          </label>
          <p> Regina Kazue Tanno de Souza</p>
          <p> Jo&#227;o Sampaio, 140/1101</p>
          <p> 86062-100 &#150; Londrina, PR - Brazil</p>
          <p> E-mail: </p>
          <p><email xlink:href="regina.tanno@pucpr.br">regina.tanno@pucpr.br</email> / </p>
          <p>
            <email xlink:href="reginatanno@hotmail.com">reginatanno@hotmail.com</email>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Recebido em 12/04/05</p>
      <p> Aceito em 08/12/05</p>
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