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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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          <subject>Correla&#231;&#227;o Anatomocl&#237;nica</subject>
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        <article-title>Caso 4/2006 - mulher de 74 anos com cardiopatia restritiva que evoluiu para choque cardiog&#234;nico</article-title>
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          <trans-title>Case 4/2006 - a 74 year-old woman presenting restrictive cardiomyopathy and cardiogenic schock</trans-title>
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            <given-names>George Paulo Cobe</given-names>
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            <surname>Benvenuti</surname>
            <given-names>Luiz Alberto</given-names>
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        <institution content-type="orgname">FMUSP</institution>
        <institution content-type="orgdiv1">Hospital das Cl&#237;nicas </institution>
        <institution content-type="orgdiv2">Instituto do Cora&#231;&#227;o</institution>
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        <month>08</month>
        <year>2006</year>
      </pub-date>
      <volume>87</volume>
      <issue>2</issue>
      <fpage>200</fpage>
      <lpage>206</lpage>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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        <day>28</day>
        <month>09</month>
        <year>2006</year>
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  <body>
    <p>
      <bold>CORRELA&#199;&#195;O ANATOMOCL&#205;NICA</bold>
    </p>
    <p>Caso 4/2006 - mulher de 74 anos com cardiopatia restritiva que evoluiu para choque cardiog&#234;nico</p>
    <p>
      <bold>George Paulo Cobe Fonseca e Luiz Alberto Benvenuti</bold>
    </p>
    <p>Instituto do Cora&#231;&#227;o do Hospital das Cl&#237;nicas - FMUSP - S&#227;o Paulo, SP</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="end">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>Mulher de 74 anos de idade foi trazida ao hospital em estado de confus&#227;o mental e com as extremidades frias.</p>
    <p>A paciente apresentava h&#225; dois anos dispn&#233;ia desencadeada por esfor&#231;os progressivamente menores, com piora h&#225; dois meses. H&#225; duas semanas apresentava dispn&#233;ia mesmo em repouso e quando se deitava. Foi submetida a avalia&#231;&#227;o m&#233;dica, que incluiu ecocardiograma (30.7.2003), o qual revelou disfun&#231;&#227;o sist&#243;lica acentuada de ventr&#237;culo esquerdo, insufici&#234;ncia acentuada das valvas mitral e tric&#250;spide e volumoso derrame peric&#225;rdico. Foram prescritos 50 mg de captopril, 40 mg de furosemida e 50 mg de espironolactona di&#225;rios. Havia tamb&#233;m antecedente de evento isqu&#234;mico encef&#225;lico h&#225; um ano, sem seq&#252;elas motoras. </p>
    <p>Duas semanas depois dessa avalia&#231;&#227;o m&#233;dica, apresentou rebaixamento do n&#237;vel de consci&#234;ncia e foi trazida ao Hospital.</p>
    <p>O exame f&#237;sico (11.8.2003) revelou paciente torporosa, em mau estado geral, pulsos finos com 100 bpm e press&#227;o arterial inaud&#237;vel, palpada em 40 mmHg. A press&#227;o venosa jugular estava discretamente elevada. N&#227;o havia d&#233;ficit motor. A semiologia pulmonar foi normal, o exame do cora&#231;&#227;o revelou sopros sist&#243;licos mitral +++/4+ e tric&#250;spide ++/4+. O f&#237;gado foi palpado a 2 cm do rebordo costal direito e havia edema ++/4+ em membros inferiores. </p>
    <p>O eletrocardiograma (ECG) (11.8.2003) revelou freq&#252;&#234;ncia card&#237;aca de 68 bpm, ritmo sinusal e escape ventricular - QRS largo, com morfologia de dist&#250;rbio de condu&#231;&#227;o pelo fasc&#237;culo &#226;ntero-superior do ramo esquerdo e anterioriza&#231;&#227;o da al&#231;a de QRS (R puro em V<sub>1</sub> e V<sub>2</sub>) (<xref ref-type="fig" rid="fig01">fig. 1</xref>). Alguns momentos depois, foram registrados epis&#243;dios de taquicardia com freq&#252;&#234;ncia de 137 bpm, com morfologia semelhante ao QRS do ECG inicial e ondas P dissociadas.</p>
    <fig id="fig01">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-87-02-0200-00021-gf01.jpg"/></fig>
    <p>A glicemia capilar inicial foi de 38 mg/dl; contudo, mesmo ap&#243;s a administra&#231;&#227;o intravenosa de 40 g de glicose, n&#227;o houve altera&#231;&#227;o do n&#237;vel de consci&#234;ncia. A press&#227;o arterial n&#227;o se elevou ap&#243;s a administra&#231;&#227;o r&#225;pida de solu&#231;&#227;o de NaCl a 0,9%. Foram iniciadas aminas vasoativas e realizada intuba&#231;&#227;o orotraqueal para suporte respirat&#243;rio.</p>
    <p>Os exames laboratoriais s&#227;o apresentados na <xref ref-type="table" rid="tab01">tabela 1</xref>.</p>
    <table-wrap id="tab01">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-87-02-0200-00021-gt01.jpg"/></table-wrap>
    <p>O ecocardiograma (11.8.2003) revelou espessuras de septo interventricular e de parede posterior de ventr&#237;culo esquerdo 14 mm; di&#226;metro diast&#243;lico de ventr&#237;culo esquerdo 47 mm, e di&#226;metro sist&#243;lico do ventr&#237;culo esquerdo 38 mm, fra&#231;&#227;o de encurtamento 19%. O di&#226;metro da aorta foi 32 mm e havia aumento acentuado do &#225;trio esquerdo. O ventr&#237;culo direito era hipocin&#233;tico e a press&#227;o estimada da art&#233;ria pulmonar foi de 50 mmHg. Havia, ainda, calcifica&#231;&#227;o de valva a&#243;rtica, sem estenose, derrame peric&#225;rdico discreto e derrame pleural esquerdo. </p>
    <p>Foram administradas amiodarona, heparina (logo suspensa), dopamina, depois noradrenalina e furosemida por via intravenosa.</p>
    <p>O ecocardiograma (13.8.2003) foi repetido e revelou espessura de septo interventricular, 15 mm, de parede posterior de ventr&#237;culo esquerdo, 16 mm; di&#226;metros de ventr&#237;culo esquerdo 40 mm (diast&#243;lico) e 36 mm sist&#243;lico; di&#226;metro de aorta de 29 mm, aumento acentuado do &#225;trio esquerdo, &#225;trio direito e ventr&#237;culo direito, esse &#250;ltimo com aumento da espessura das suas paredes. A valva mitral apresentava discreta insufici&#234;ncia, enquanto a tric&#250;spide tinha insufici&#234;ncia intensa. O peric&#225;rdio era normal e havia derrame pleural &#224; esquerda.</p>
    <p>Apesar do uso continuado de aminas vasoativas, a paciente continuou em choque e olig&#250;ria e sob seda&#231;&#227;o cont&#237;nua, e apresentou bradicardia seguida de assistolia, sem resposta &#224;s manobras de ressuscita&#231;&#227;o (13.8.2003).</p>
    <p>
      <bold>ASPECTOS CL&#205;NICOS</bold>
    </p>
    <p>A paciente em refer&#234;ncia j&#225; apresentava sintomas sugestivos da s&#237;ndrome da insufici&#234;ncia card&#237;aca esquerda havia pelo menos dois anos. Esses sintomas progressivamente tornaram-se mais intensos, at&#233; que duas semanas antes da interna&#231;&#227;o hospitalar evolu&#237;ram para dispn&#233;ia em repouso e ortopn&#233;ia, ou seja, insufici&#234;ncia card&#237;aca em classe funcional III/IV da NYHA.</p>
    <p>A insufici&#234;ncia card&#237;aca &#233; a via final de v&#225;rias doen&#231;as card&#237;acas, sendo as mais comuns a doen&#231;a arterial coronariana, a hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica, a miocardiopatia dilatada n&#227;o-isqu&#234;mica e a doen&#231;a card&#237;aca valvar. </p>
    <p>A insufici&#234;ncia card&#237;aca &#233; uma desordem relativamente prevalente, afetando mais de 4,6 milh&#245;es de pacientes nos Estados Unidos, e 550.000 casos novos por ano<sup>1</sup>. No Brasil, segundo o Datasus, existem atualmente 6,5 milh&#245;es de pacientes com insufici&#234;ncia card&#237;aca, e a mortalidade anual &#233; em torno de 10%, e entre 30%-40% para pacientes em classe funcional IV<sup>2</sup>.</p>
    <p>O primeiro ecocardiograma da paciente, realizado no dia 30.7.2003, j&#225; mostrava doen&#231;a card&#237;aca estrutural com disfun&#231;&#227;o sist&#243;lica acentuada, insufici&#234;ncia mitral e tric&#250;spide, al&#233;m de volumoso derrame peric&#225;rdico.</p>
    <p>O derrame peric&#225;rdico visto na ecocardiografia pode ser inicialmente interpretado como hidroperic&#225;rdio, que ocorre em condi&#231;&#245;es de intensa reten&#231;&#227;o h&#237;drica, tal como na insufici&#234;ncia card&#237;aca. Por&#233;m, essa apresenta&#231;&#227;o &#233; bem menos freq&#252;ente que o derrame pleural. Geralmente, o hidroperic&#225;rdio n&#227;o tem maiores conseq&#252;&#234;ncias, a n&#227;o ser quando muito volumoso, podendo levar a compress&#227;o de estruturas vizinhas, como o pulm&#227;o<sup>3</sup>. Em princ&#237;pio n&#227;o temos dados na hist&#243;ria cl&#237;nica inicial que possam sugerir outras causas para explicar o derrame peric&#225;rdico, como uma pericardite infecciosa, por vasculite, metab&#243;lica, neopl&#225;sica, traum&#225;tica, ou por continuidade de estruturas (embolia pulmonar, infarto do mioc&#225;rdio, aneurisma, dissec&#231;&#227;o da aorta e/ou pneumonia).</p>
    <p>A doente apresentava tamb&#233;m antecedente de evento isqu&#234;mico encef&#225;lico havia um ano, que sugere doen&#231;a vascular ateroscler&#243;tica, a causa mais comum de acidente vascular cerebral, assim como dos fatores de risco para isso, como hipertens&#227;o arterial, diabete melito, tabagismo, arritmia card&#237;aca e doen&#231;a valvar, todavia n&#227;o relatados no caso cl&#237;nico<sup>1</sup>.</p>
    <p>Duas semanas ap&#243;s avalia&#231;&#227;o inicial, a paciente foi trazida ao hospital em s&#237;ndrome de baixo d&#233;bito card&#237;aco, caracterizada por depress&#227;o do<italic> status</italic> mental, hipoperfus&#227;o tecidual, extremidades frias e hipotens&#227;o<sup>4</sup>. N&#227;o tinha d&#233;ficit motor aparente que sugerisse novo evento isqu&#234;mico cerebral e na ocasi&#227;o apresentava sinais de insufici&#234;ncia card&#237;aca direita, mas aparentemente sem congest&#227;o pulmonar, j&#225; que a semiologia desse sistema foi normal.</p>
    <p>A principal causa de choque cardiog&#234;nico &#233; o infarto agudo do mioc&#225;rdio em conseq&#252;&#234;ncia da perda de grande quantidade de m&#250;sculo, geralmente mais de 40%, ou perda menor de mioc&#225;rdio em cora&#231;&#227;o j&#225; doente<sup>4</sup>. A incid&#234;ncia do choque cardiog&#234;nico varia entre 5% e 10% dos infartos, com mortalidade extremamente elevada (70%-100%). Complica&#231;&#245;es mec&#226;nicas tamb&#233;m podem levar a choque cardiog&#234;nico, como a ruptura de septo interventricular, ruptura ou disfun&#231;&#227;o de m&#250;sculo papilar e ruptura de parede livre dos ventr&#237;culos<sup>5</sup>.</p>
    <p>Outras causas de choque cardiog&#234;nico incluem infarto do ventr&#237;culo direito, taquicardias ou bradicardias refrat&#225;rias e choque cardiog&#234;nico como parte da evolu&#231;&#227;o final da disfun&#231;&#227;o mioc&#225;rdica progressiva da doen&#231;a de base, como doen&#231;a isqu&#234;mica, idiop&#225;tica, hipertr&#243;fica e restritiva. Deve tamb&#233;m ser lembrado e analisado o <italic>status</italic> vol&#234;mico do paciente, j&#225; que a hipovolemia pode contribuir e agravar o choque cardiog&#234;nico<sup>4</sup>.</p>
    <p>Discutindo e raciocinando sobre o choque cardiog&#234;nico, s&#227;o esperados, al&#233;m do baixo d&#233;bito card&#237;aco, press&#245;es de enchimento do ventr&#237;culo esquerdo elevadas. Todavia, no caso relatado, a paciente aparentemente n&#227;o tinha congest&#227;o pulmonar. Das causas de choque cardiog&#234;nico apresentadas, o infarto do ventr&#237;culo direito, que geralmente acompanha o infarto de parede inferior, promove elevadas press&#245;es de enchimento no cora&#231;&#227;o direito (press&#227;o venosa central e diast&#243;lica de ventr&#237;culo direito), enquanto as press&#245;es esquerdas s&#227;o normais ou discretamente elevadas, podendo justificar a semiologia pulmonar normal. Seguindo a mesma linha de pensamento, entrariam como diagn&#243;sticos diferenciais de choque com aumento de press&#245;es direitas e press&#245;es esquerdas normais o tamponamento peric&#225;rdico, a pericardite constritiva e a embolia pulmonar<sup>5</sup>.</p>
    <p>Os eletrocardiogramas que mostram ritmo idioventricular e per&#237;odos de taquicardia ventricular n&#227;o possibilitam a an&#225;lise do segmento ST em qualquer deriva&#231;&#227;o, nem sugerem um diagn&#243;stico espec&#237;fico da doen&#231;a de base. Como se sabe, as anormalidades na condu&#231;&#227;o intraventricular e a dissocia&#231;&#227;o atrioventricular podem precipitar ou intensificar a insufici&#234;ncia card&#237;aca e o estado de choque<sup>6</sup>.</p>
    <p>Os resultados laboratoriais mostram altera&#231;&#227;o da perfus&#227;o tecidual e da microcircula&#231;&#227;o, secund&#225;rios ao baixo d&#233;bito card&#237;aco &#150; insufici&#234;ncia renal com padr&#227;o pr&#233;-renal, aumento do lactato s&#233;rico e d&#233;ficit de base encontrado na gasimetria.</p>
    <p>A paciente, j&#225; na interna&#231;&#227;o, apresentava v&#225;rios fatores de mau progn&#243;stico, como a idade superior a 65 anos, piora recente da classe funcional da insufici&#234;ncia card&#237;aca, fatores hemodin&#226;micos, fatores laboratoriais (altera&#231;&#227;o da microcircula&#231;&#227;o, Na+ s&#233;rico &lt; 130 mEq/l), necessidade de aminas vasoativas para manter press&#227;o arterial e presen&#231;a de taquicardia ventricular sustentada ou n&#227;o<sup>7</sup>.</p>
    <p>O ecocardiograma realizado no dia da interna&#231;&#227;o n&#227;o descreveu nenhuma altera&#231;&#227;o de contra&#231;&#227;o segmentar que pudesse sugerir um choque cardiog&#234;nico secund&#225;rio a infarto agudo do mioc&#225;rdio, nem temos dados na hist&#243;ria cl&#237;nica que possam contribuir para esse diagn&#243;stico. Evidenciava uma hipertrofia conc&#234;ntrica de ventr&#237;culo esquerdo n&#227;o descrita no primeiro ecocardiograma, mas que ajudaria a identificar a doen&#231;a de base como, por exemplo, hipertrofia conc&#234;ntrica do ventr&#237;culo esquerdo secund&#225;ria a hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica. A valva a&#243;rtica era calcificada, mas sem estenose, afastando assim esse diagn&#243;stico como causa de hipertrofia ventricular.</p>
    <p>As miocardiopatias s&#227;o classificadas como dilatadas, hipertr&#243;ficas, restritivas, arritmog&#234;nica do ventr&#237;culo direito, ou ainda n&#227;o-classificadas. Al&#233;m disso, existem tamb&#233;m as miocardiopatias espec&#237;ficas, relacionadas &#224;s suas etiologias, como miocardiopatias isqu&#234;mica, hipertensiva, valvar, inflamat&#243;ria, metab&#243;licas, peripar&#173;to, por doen&#231;as sist&#234;micas, alco&#243;licas, por distrofias musculares, etc.<sup>8</sup>. Dentro do contexto do caso, afasta-se a maioria das causas espec&#237;ficas e tamb&#233;m a miocardiopatia dilatada.</p>
    <p>A miocardiopatia hipertr&#243;fica &#233; encontrada em 0,2% da popula&#231;&#227;o geral, na aus&#234;ncia de causas &#243;bvias de hipertrofia como a hipertens&#227;o arterial e a estenose a&#243;rtica, freq&#252;entemente com um predom&#237;nio septal e com ventr&#237;culo esquerdo n&#227;o-dilatado. Pode ser obstrutiva (estenose suba&#243;rtica) ou n&#227;o-obstrutiva, e a disfun&#231;&#227;o diast&#243;lica &#233; bem maior que a sist&#243;lica<sup>9</sup>. O principal sintoma &#233; a dispn&#233;ia em conseq&#252;&#234;ncia da congest&#227;o pulmonar por aumento da press&#227;o diast&#243;lica do ventr&#237;culo esquerdo. Desenvolve-se geralmente na adolesc&#234;ncia, mas manifesta-se entre os 30-40 anos. Pode estar presente em idosos, com um in&#237;cio mais tardio, sendo nesses casos caracterizada por cavidades pequenas com discreta para moderada hipertrofia ventricular esquerda. Necropsias em octogen&#225;rios t&#234;m mostrado que a miocardiopatia hipertr&#243;fica &#233; bem mais freq&#252;ente do que parece. O principal achado ecocardiogr&#225;fico &#233; a hipertrofia ventricular esquerda, geralmente de car&#225;ter assim&#233;trico (septal, anterolateral etc). Outros achados incluem a presen&#231;a ou n&#227;o de obstru&#231;&#227;o do fluxo de sa&#237;da do ventr&#237;culo esquerdo, insufici&#234;ncia mitral, &#225;trio esquerdo dilatado, cavidade ventricular esquerda pequena, reduzida movimenta&#231;&#227;o septal e anormalidades na fun&#231;&#227;o diast&#243;lica<sup>8,10</sup>.</p>
    <p>A paciente em discuss&#227;o poderia se encaixar no diagn&#243;stico de miocardiopatia hipertr&#243;fica; por&#233;m, o argumento em contr&#225;rio &#233; que o ecocardiograma n&#227;o mostrou acometimento assim&#233;trico do ventr&#237;culo esquerdo e, al&#233;m disso, essa doen&#231;a geralmente n&#227;o cursa com disfun&#231;&#227;o sist&#243;lica, a n&#227;o ser em fases mais avan&#231;adas em que o ventr&#237;culo esquerdo come&#231;a a dilatar, o que n&#227;o &#233; o caso.</p>
    <p>A miocardiopatia restritiva &#233; forma pouco comum, e a sua principal caracter&#237;stica &#233; a anormal fun&#231;&#227;o diast&#243;lica do ventr&#237;culo esquerdo. As paredes do ventr&#237;culo esquerdo s&#227;o extremamente r&#237;gidas, impedindo o seu enchimento, e a fun&#231;&#227;o sist&#243;lica, dependendo da causa, tamb&#233;m pode estar acometida pela infiltra&#231;&#227;o do mioc&#225;rdio. Existem v&#225;rias causas de miocardiopatia restritiva que podem ser divididas em causas mioc&#225;rdicas (n&#227;o-infiltrativas e infiltrativas) e endomioc&#225;rdicas. Dentre as mioc&#225;r&#173;dicas n&#227;o-infiltrativas, citamos a idiop&#225;tica, a familiar, a secund&#225;ria ao escleroderma e hipertr&#243;fica. Dentre as mioc&#225;rdicas infiltrativas, citamos a amiloidose, a sarcoidose, a doen&#231;a de Gaucher, a doen&#231;a de Hurler, a hemocromatose, a glicogenose e a doen&#231;a de Fabry. Dentre as endomioc&#225;rdicas, temos a endomiocardiofibrose, a s&#237;ndrome carcin&#243;ide, as altera&#231;&#245;es por radia&#231;&#227;o e a cardiopatia de Loeffler<sup>8</sup>.</p>
    <p>A amiloidose resulta no dep&#243;sito de prote&#237;nas amil&#243;ides em diversos &#243;rg&#227;os, incluindo o cora&#231;&#227;o, ocorrendo por desordens heredit&#225;rias, inflamat&#243;rias e neopl&#225;sicas. Pode ser prim&#225;ria por dep&#243;sito de imunoglobulinas de cadeia leve, como no caso do mieloma m&#250;ltiplo, ou secund&#225;ria a outras prote&#237;nas que n&#227;o imunoglobulinas, associada a doen&#231;as inflamat&#243;rias, infecciosas e cr&#244;nicas. Existe tamb&#233;m a amiloidose familiar com car&#225;ter autoss&#244;mico dominante e a amiloidose senil. No ecocardiograma verifica-se fun&#231;&#227;o sist&#243;lica normal nas fases iniciais, mas comprometida nos casos avan&#231;ados, aumento da espessura das paredes ventricular esquerda e ventr&#237;culo de tamanho pequeno ou normal, &#225;trio esquerdo dilatado, podendo ocorrer acometimento valvar. O derrame peric&#225;rdico &#233; comum, mas raramente causa tamponamento. Pontos de hiper-refring&#234;ncia disseminados no m&#250;sculo card&#237;aco e aparelhos valvares<sup>8,11,12 </sup>s&#227;o encontrados.</p>
    <p>Pelos exames laboratoriais, a paciente n&#227;o apresen&#173;tou ind&#237;cios que pudessem sugerir mieloma m&#250;ltiplo ou outra doen&#231;a cr&#244;nica (neopl&#225;sica ou inflamat&#243;ria), j&#225; que n&#227;o apresentou anemia nem invers&#227;o do padr&#227;o albumina/globulina. Por&#233;m, pelos dados apresentados acima, a amiloidose senil pode justificar os achados de disfun&#231;&#227;o sist&#243;lica e diast&#243;lica e o derrame peric&#225;r&#173;dico. Contudo, n&#227;o foram descritos pontos de hiper-refrig&#234;ncia no ecocardiograma, o que n&#227;o exclui o diagn&#243;stico de amiloidose.</p>
    <p>O ritmo idioventricular encontrado nesse caso, assim como ritmo juncional ou bloqueios atrioventriculares de graus variados, poderia ser justificado pelo dep&#243;sito de subst&#226;ncia amil&#243;ide no sistema de condu&#231;&#227;o. Mas, como j&#225; mencionado, n&#227;o &#233; um achado espec&#237;fico de qualquer doen&#231;a.</p>
    <p>A cardiomiopatia restritiva idiop&#225;tica &#233; entidade rara, caracterizada por padr&#227;o restritivo, acometendo indiv&#237;duos de faixas et&#225;rias mais elevadas (quinta, sexta e s&#233;tima d&#233;cadas de vida). Existem tr&#234;s formas: miocardiopatia restritiva pura; miocardiopatia restritiva hipertr&#243;fica; e dilatada restritiva. Nos achados de ecocardiografia encontramos aumento do &#225;trio esquerdo, comprometimento da fun&#231;&#227;o diast&#243;lica, ventr&#237;culo esquerdo pequeno, derrame peric&#225;rdico e fun&#231;&#227;o sist&#243;lica geralmente preservada<sup>12</sup>. A paciente apresentava dados que podem sugerir miocardiopatia restritiva idiop&#225;tica, principalmente em sua forma hipertr&#243;fica.</p>
    <p>Outras formas de miocardiopatia restritiva s&#227;o mais raras ou seriam mais facilmente identificadas pelo ecocardiograma, como a endomiocardiofibrose.</p>
    <p>Ainda analisando o segundo ecocardiograma, esse mostrou que o derrame peric&#225;rdico era discreto, excluindo tamponamento card&#237;aco, e n&#227;o descreveu sinais sugestivos de pericardite constritiva que justificassem o choque apresentado pela paciente. O ventr&#237;culo direito era hipocin&#233;tico com press&#227;o de art&#233;ria pulmonar elevada, o que pode estar associado &#224; doen&#231;a de base ou ser de origem aguda, como no caso de uma embolia pulmonar, sendo essa forte hip&#243;tese para explicar o choque.</p>
    <p>O terceiro ecocardiograma mostrou ventr&#237;culo esquerdo ainda menor. O &#225;trio esquerdo, o &#225;trio direito e o ventr&#237;culo direito encontravam-se bem aumentados; esse &#250;ltimo apresentava aumento da espessura de suas paredes, assim como acentuada insufici&#234;ncia tric&#250;spide. Essas altera&#231;&#245;es sugerem fortemente o diagn&#243;stico de embolia pulmonar em que se observam: dilata&#231;&#227;o e hipocinesia do ventr&#237;culo direito, hipertens&#227;o pulmonar, redu&#231;&#227;o do di&#226;metro do ventr&#237;culo esquerdo; insufici&#234;ncia tric&#250;spide e tend&#234;ncia a hipertrofia ventricular direita.</p>
    <p>A embolia pulmonar &#233; a impacta&#231;&#227;o de material dentro dos ramos do leito arterial pulmonar, sendo esse material, na maioria das vezes, trombo, mas ocorrendo tamb&#233;m com c&#233;lulas neopl&#225;sicas, got&#237;culas de gordura, l&#237;quido amini&#243;tico e subst&#226;ncias ex&#243;genas injetadas na circula&#231;&#227;o<sup>13</sup>. A principal causa &#233; a tromboemb&#243;lica secund&#225;ria a trombose venosa profunda. Nos Estados Unidos, a tromboembolia pulmonar (TEP) causa ou contribui para 50 mil mortes/ano, e 250 mil hospitaliza&#231;&#245;es por ano. A mortalidade na primeira hora &#233; de 12%, e atinge at&#233; 30% quando o diagn&#243;stico n&#227;o &#233; prontamente realizado<sup>14</sup>. V&#225;rios s&#227;o os fatores de risco para o TEP, como imobiliza&#231;&#227;o prolongada, trauma, queimaduras, cirurgias recentes, malignidade, obesidade, doen&#231;a mieloproliferativa, gravidez, puerp&#233;rio, defici&#234;ncia de prote&#237;nas C e S e antitrombina III; contudo, no caso em discuss&#227;o, devem ser ressaltadas a idade avan&#231;ada e a insufici&#234;ncia card&#237;aca congestiva<sup>13-16</sup>.</p>
    <p>Existem v&#225;rias formas de apresenta&#231;&#227;o cl&#237;nica da embolia pulmonar. Uma &#233; o choque cardiog&#234;nico que ocorre por embolia pulmonar maci&#231;a ou uma embolia menor em um cora&#231;&#227;o doente, provavelmente como aconteceu com essa paciente. </p>
    <p>
      <bold>(Dr. George Paulo Cobe Fonseca)</bold>
    </p>
    <p><bold>Hip&#243;teses diagn&#243;sticas</bold> - <bold>1&#176;)</bold> Choque cardiog&#234;nico por embolia pulmonar em paciente com miocardiopatia restritiva secund&#225;ria a amiloidose senil; <bold>2&#176;)</bold> choque cardiog&#234;nico por embolia pulmonar em paciente com miocardiopatia restritiva idiop&#225;tica &#150; forma hipertr&#243;fica ou restritiva pura; <bold>3&#176;)</bold> choque cardiog&#234;nico por embolia pulmonar em paciente com miocardiopatia hipertr&#243;fica n&#227;o-obstrutiva; <bold>4&#176;)</bold> choque cardiog&#234;nico por evolu&#231;&#227;o da doen&#231;a de base &#150; miocardiopatia restritiva ou hipertr&#243;fica; <bold>5&#176;)</bold> choque cardiog&#234;nico por infarto agudo do ventr&#237;culo direito em paciente com miocardiopatia restritiva ou hipertr&#243;fica. </p>
    <p>
      <bold>(Dr. George Paulo Cobe Fonseca)</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>NECROPSIA</bold>
    </p>
    <p>O cora&#231;&#227;o pesou 578 g, havendo dilata&#231;&#227;o moderada das quatro cavidades. As paredes card&#237;acas estavam espessadas e enrijecidas, tendo o mioc&#225;rdio colora&#231;&#227;o castanho-amarelada e aspecto mosqueado. Presen&#231;a de &#225;rea irregular e discretamente deprimida na parede &#226;ntero-septal do ventr&#237;culo esquerdo, com componente hemorr&#225;gico, notando-se a&#237; pequenos trombos aderidos ao endoc&#225;rdio (<xref ref-type="fig" rid="fig02">fig. 2</xref>). O exame histol&#243;gico do cora&#231;&#227;o evidenciou deposi&#231;&#227;o maci&#231;a de subst&#226;ncia amil&#243;ide, principalmente no endoc&#225;rdio e no interst&#237;cio do mioc&#225;rdio (<xref ref-type="fig" rid="fig03">fig. 3</xref>), notando-se tamb&#233;m acometimento focal da microcircula&#231;&#227;o coron&#225;ria (<xref ref-type="fig" rid="fig04">fig. 4</xref>). A les&#227;o macrosc&#243;pica descrita na parede &#226;ntero-septal do ventr&#237;culo esquerdo correspondia a m&#250;ltiplos microinfartos em organiza&#231;&#227;o, com cerca de 7-14 dias de evolu&#231;&#227;o, em meio a maci&#231;a deposi&#231;&#227;o de subst&#226;ncia amil&#243;ide (<xref ref-type="fig" rid="fig05">fig. 5</xref>). As art&#233;rias coron&#225;rias epic&#225;rdicas apresentavam les&#245;es ateroscler&#243;ticas com obstru&#231;&#245;es m&#225;ximas de 50%-60%, sem deposi&#231;&#227;o aparente de subst&#226;ncia amil&#243;ide. Os pulm&#245;es pesaram 700 g, notando-se deposi&#231;&#227;o de subst&#226;ncia amil&#243;ide nos septos alveolares (microcircula&#231;&#227;o), tromboembolia em organiza&#231;&#227;o em art&#233;rias de m&#233;dio calibre e pequena &#225;rea de infarto hemorr&#225;gico no lobo inferior esquerdo. Havia aterosclerose moderada da aorta e principais ramos, sendo detectada cicatriz de infarto cerebral antigo, acometendo n&#250;cleos da base &#224; direita, com extens&#227;o para c&#243;rtex frontal e &#225;reas focais de infarto cicatrizado em ambos os rins. O f&#237;gado exibia degenera&#231;&#227;o hidr&#243;pica e esteatose de hepat&#243;citos centrolobulares, com &#225;reas de necrose hemorr&#225;gica e colestase, secund&#225;rias a choque cardiog&#234;nico prolongado.</p>
    <fig id="fig02">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-87-02-0200-00021-gf02.jpg"/></fig>
    <fig id="fig03">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-87-02-0200-00021-gf03.jpg"/></fig>
    <fig id="fig04">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-87-02-0200-00021-gf04.jpg"/></fig>
    <fig id="fig05">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-87-02-0200-00021-gf05.jpg"/></fig>
    <p>
      <bold>(Dr. Luiz Alberto Benvenuti)</bold>
    </p>
    <p><bold>Diagn&#243;sticos anatomopatol&#243;gicos</bold> &#150; Amiloidose cardiovascular senil; microinfartos em organiza&#231;&#227;o, localizados na parede &#226;ntero-septal do ventr&#237;culo esquerdo; aterosclerose sist&#234;mica com infartos cicatrizados no c&#233;rebro e nos rins; tromboembolia pulmonar com pequeno infarto hemorr&#225;gico; altera&#231;&#245;es secund&#225;rias a choque cardiog&#234;nico prolongado (causa terminal do &#243;bito). </p>
    <p>
      <bold>(Dr. Luiz Alberto Benvenuti)</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>COMENT&#193;RIOS</bold>
    </p>
    <p>Trata-se de paciente idosa, do sexo feminino, apresentando amiloidose cardiovascular senil com deposi&#231;&#227;o maci&#231;a de subst&#226;ncia amil&#243;ide no mioc&#225;rdio, acarretando espessamento e enrijecimento das paredes card&#237;acas. Apresentava ainda aterosclerose sist&#234;mica, com infartos antigos no c&#233;rebro e nos rins; entretanto, a aterosclerose das art&#233;rias coron&#225;rias epic&#225;rdicas n&#227;o era exuberante, havendo obstru&#231;&#245;es m&#225;ximas de 50%-60%. Evoluiu com insufici&#234;ncia card&#237;aca progressiva, microinfartos em parede &#226;ntero-septal do ventr&#237;culo esquerdo, tromboembolia pulmonar e choque cardiog&#234;nico prolongado, que culminou com o &#243;bito.</p>
    <p>O cora&#231;&#227;o &#233; freq&#252;entemente acometido na amiloidose, em qualquer de suas formas. No per&#237;odo de 1889 a 1977, foram identificados 223 pacientes portadores de amiloidose que faleceram e foram submetidos a necropsia no Johns Hopkins Hospital. </p>
    <p> Nesses, o cora&#231;&#227;o esteve acometido em 108 casos (48%), sendo 63 casos de amiloidose senil, 26 de amiloidose prim&#225;ria, 5 de amiloidose secund&#225;ria, 11 associadas ao mieloma m&#250;ltiplo, e 3 de amiloidose familiar. Na amiloidose, a disfun&#231;&#227;o card&#237;aca pode manifestar-se como insufici&#234;ncia card&#237;aca congestiva, tanto sist&#243;lica como diast&#243;lica (restritiva), valvopatia ou arritmia. Na vig&#234;ncia de comprometimento card&#237;aco, a subst&#226;ncia amil&#243;ide pode estar depositada em qualquer dos tr&#234;s folhetos (endoc&#225;rdio, mioc&#225;rdio e peric&#225;rdio), sempre no espa&#231;o extracelular, sendo freq&#252;ente o acometimento da microcircula&#231;&#227;o coron&#225;ria.</p>
    <p>A amiloidose card&#237;aca tem sido reconhecida como uma das causa de infarto do mioc&#225;rdio desacompanhado de les&#245;es obstrutivas significativas das coron&#225;rias epic&#225;rdicas<sup>17</sup>. Em tais casos, a deposi&#231;&#227;o maci&#231;a de subst&#226;ncia amil&#243;ide na microcircula&#231;&#227;o, mais comum nos casos de amiloidose prim&#225;ria, estaria associada ao desenvolvimento das les&#245;es isqu&#234;micas<sup>18-20</sup>. Podemos especular tamb&#233;m que a maci&#231;a deposi&#231;&#227;o de subst&#226;ncia amil&#243;ide no interst&#237;cio do mioc&#225;rdio poderia acarretar compress&#227;o extr&#237;nseca da microcircula&#231;&#227;o e dos pr&#243;prios cardiomi&#243;citos, que se tornariam ent&#227;o necr&#243;ticos<sup>18</sup>.</p>
    <p>No presente caso, a amiloidose era cardiovascular senil e havia les&#245;es ateroscler&#243;ticas das art&#233;rias coron&#225;rias epic&#225;rdicas, apesar da aus&#234;ncia de obstru&#231;&#245;es cr&#237;ticas. O encontro de &#225;reas de infarto cicatrizado no c&#233;rebro e nos rins atesta a presen&#231;a de aterosclerose sist&#234;mica. Dessa forma, cremos que as &#225;reas de microinfarto do mioc&#225;rdio deveram-se &#224; combina&#231;&#227;o dos fatores isqu&#234;micos anteriormente citados, quer sejam o comprometimento ateroscler&#243;tico das art&#233;rias coron&#225;rias epic&#225;rdicas, a maci&#231;a deposi&#231;&#227;o de subst&#226;ncia amil&#243;ide no interst&#237;cio quer o comprometimento direto da microcircula&#231;&#227;o. </p>
    <p>
      <bold>(Dr. Luiz Alberto Benvenuti)</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>REFER&#202;NCIAS</bold>
    </p>
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    <p>
      <fn id="end" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold>Correspond&#234;ncia:</bold>
        </label>
        <p> Alfredo Jos&#233; Mansur </p>
        <p> InCor </p>
        <p> Av. Dr. En&#233;as de Carvalho Aguiar, 44 </p>
        <p> 05403-000 &#150; S&#227;o Paulo, SP </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="ajmansur@incor.usp.br">ajmansur@incor.usp.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p><bold>Editor da Se&#231;&#227;o:</bold> Alfredo Jos&#233; Mansur (<email xlink:href="ajmansur@incor.usp.br">ajmansur@incor.usp.br</email>) </p>
    <p><bold>Editores Associados:</bold> Desid&#233;rio Favarato (<email xlink:href="dclfavarato@incor.usp.br">dclfavarato@incor.usp.br</email>), Vera Demarchi Aiello (<email xlink:href="anpvera@incor.usp.br">anpvera@incor.usp.br</email>)</p>
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