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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2006000600006</article-id>
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          <subject>Artigos Originais</subject>
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        <article-title>Fatores de risco cardiovasculares em adolescentes: indicadores biol&#243;gicos e comportamentais</article-title>
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            <given-names>Decio Sabbatini</given-names>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Estadual de Londrina</institution>
        <country country="BR">Brazil</country>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>06</month>
        <year>2006</year>
      </pub-date>
      <volume>86</volume>
      <issue>6</issue>
      <fpage>439</fpage>
      <lpage>450</lpage>
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          <day>30</day>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      </permissions>
      <abstract>
        <p>OBJETIVO: Oferecer informa&#231;&#245;es descritivas e investigar a extens&#227;o com que os fatores de risco para doen&#231;as cardiovasculares de natureza comportamental est&#227;o associados aos fatores de risco biol&#243;gicos na popula&#231;&#227;o jovem. M&#201;TODOS: Amostra de 452 adolescentes (246 mo&#231;as e 206 rapazes) com idades entre 15 e 18 anos, selecionados de uma escola de ensino m&#233;dio da cidade de Londrina, Paran&#225;. Fatores de risco de natureza comportamental foram analisados mediante pr&#225;tica insuficiente de atividade f&#237;sica, ingest&#227;o excessiva de gorduras e de colesterol e uso de tabaco. Como indicadores dos fatores de risco biol&#243;gicos recorreu-se ao sobrepeso, aos n&#237;veis elevados de press&#227;o arterial e concentra&#231;&#245;es n&#227;o-favor&#225;veis de lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas. RESULTADOS: Por volta de 20% das mo&#231;as e 16% dos rapazes apresentaram pelo menos um fator de risco biol&#243;gico para o desenvolvimento de doen&#231;as cardiovasculares. O sobrepeso se associou significativamente com a ingest&#227;o excessiva de gorduras, enquanto a press&#227;o arterial elevada se relacionou com o estilo de vida sedent&#225;rio e o uso de tabaco. A excessiva ingest&#227;o de gorduras e de colesterol indicou risco aumentado de concentra&#231;&#245;es indesej&#225;veis de lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas. Adolescentes fumantes tenderam a demonstrar risco de press&#227;o arterial e de lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas alterados duas vezes maior que n&#227;o-fumantes. CONCLUS&#195;O: Os resultados refor&#231;am a necessidade de que interven&#231;&#245;es direcionadas &#224; ado&#231;&#227;o de um estilo de vida saud&#225;vel, incluindo pr&#225;tica regular de atividade f&#237;sica, padr&#245;es diet&#233;ticos adequados e absten&#231;&#227;o ao uso de tabaco, dever&#227;o ser iniciadas em idades jovens.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Press&#227;o arterial</kwd>
        <kwd>lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas</kwd>
        <kwd>sobrepeso</kwd>
        <kwd>atividade f&#237;sica</kwd>
        <kwd>padr&#227;o diet&#233;tico</kwd>
        <kwd>tabaco</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>26</day>
        <month>06</month>
        <year>2006</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
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  <body>
    <p>ARTIGOS ORIGINAIS </p>
    <p> EPIDEMIOLOGIA</p>
    <p>Fatores de risco cardiovasculares em adolescentes: indicadores biol&#243;gicos e comportamentais</p>
    <p>
      <bold>Dartagnan Pinto Guedes; Joana Elisabete Ribeiro Pinto Guedes; Decio Sabbatini Barbosa; Jair Aparecido de Oliveira; Luiz Cl&#225;udio Reeberg Stanganelli</bold>
    </p>
    <p>Universidade Estadual de Londrina - Londrina, PR</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back10">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p><bold>OBJETIVO: </bold>Oferecer informa&#231;&#245;es descritivas e investigar a extens&#227;o com que os fatores de risco para doen&#231;as cardiovasculares de natureza comportamental est&#227;o associados aos fatores de risco biol&#243;gicos na popula&#231;&#227;o jovem. </p>
    <p><bold>M&#201;TODOS: </bold>Amostra de 452 adolescentes (246 mo&#231;as e 206 rapazes) com idades entre 15 e 18 anos, selecionados de uma escola de ensino m&#233;dio da cidade de Londrina, Paran&#225;. Fatores de risco de natureza comportamental foram analisados mediante pr&#225;tica insuficiente de atividade f&#237;sica, ingest&#227;o excessiva de gorduras e de colesterol e uso de tabaco. Como indicadores dos fatores de risco biol&#243;gicos recorreu-se ao sobrepeso, aos n&#237;veis elevados de press&#227;o arterial e concentra&#231;&#245;es n&#227;o-favor&#225;veis de lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas. </p>
    <p><bold>RESULTADOS: </bold> Por volta de 20% das mo&#231;as e 16% dos rapazes apresentaram pelo menos um fator de risco biol&#243;gico para o desenvolvimento de doen&#231;as cardiovasculares. O sobrepeso se associou significativamente com a ingest&#227;o excessiva de gorduras, enquanto a press&#227;o arterial elevada se relacionou com o estilo de vida sedent&#225;rio e o uso de tabaco. A excessiva ingest&#227;o de gorduras e de colesterol indicou risco aumentado de concentra&#231;&#245;es indesej&#225;veis de lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas. Adolescentes fumantes tenderam a demonstrar risco de press&#227;o arterial e de lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas alterados duas vezes maior que n&#227;o-fumantes. </p>
    <p><bold>CONCLUS&#195;O: </bold>Os resultados refor&#231;am a necessidade de que interven&#231;&#245;es direcionadas &#224; ado&#231;&#227;o de um estilo de vida saud&#225;vel, incluindo pr&#225;tica regular de atividade f&#237;sica, padr&#245;es diet&#233;ticos adequados e absten&#231;&#227;o ao uso de tabaco, dever&#227;o ser iniciadas em idades jovens.</p>
    <p><bold>Palavras-chave: </bold>Press&#227;o arterial, lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas, sobrepeso, atividade f&#237;sica, padr&#227;o diet&#233;tico, tabaco.</p>
    <p>Apesar da discreta tend&#234;ncia de decl&#237;nio nos casos de morte, as disfun&#231;&#245;es associadas ao sistema cardiovascular constituem uma das principais causas de morbidade e mortalidade nos pa&#237;ses industrializados<sup>1</sup>. No Brasil, estima-se que as doen&#231;as cardiovasculares (DCV) respondam por aproximadamente 20% dos &#243;bitos por causas conhecidas em sujeitos a partir dos vinte anos de idade<sup>2</sup>.</p>
    <p>A literatura apresenta fortes evid&#234;ncias no sentido de que as DCV, manifestadas na idade adulta, resultam de complexa intera&#231;&#227;o entre uma variedade de fatores de risco que podem ter origem na inf&#226;ncia e na adolesc&#234;ncia<sup>3-5</sup>. Portanto, aqueles jovens que eventualmente venham a apresentar fatores de risco, com o avan&#231;o da idade, tendem a apresentar maior predisposi&#231;&#227;o ao aparecimento de processos ateroscler&#243;tico e conseq&#252;ente desenvolvimento das DCV.</p>
    <p>Em sendo assim, tentar detectar precocemente a presen&#231;a de fatores de risco no jovem possibilita o planejamento e a implementa&#231;&#227;o de programas intervencionistas preventivos direcionados &#224; redu&#231;&#227;o da probabilidade de manifesta&#231;&#227;o das DCV futuramente na idade adulta.</p>
    <p>As caracter&#237;sticas dos fatores de risco predisponentes &#224;s DCV s&#227;o tradicionalmente identificadas como de natureza biol&#243;gica, como &#233; o caso da quantidade de gordura corporal, do perfil lip&#237;dico-lipoprot&#233;ico plasm&#225;tico e dos n&#237;veis de press&#227;o arterial. Contudo, em se tratando de sujeitos jovens, momento em que s&#227;o adquiridos e incorporados comportamentos de dif&#237;cil modifica&#231;&#227;o em idades futuras, torna-se prudente analisar n&#227;o apenas os fatores de risco biol&#243;gicos de forma isolada, mas tamb&#233;m aqueles de natureza comportamental, como s&#227;o os casos da pr&#225;tica de atividade f&#237;sica, dos h&#225;bitos alimentares e do uso de tabaco<sup>6-8</sup>.</p>
    <p>Informa&#231;&#245;es dispon&#237;veis quanto &#224; incid&#234;ncia e &#224; agrega&#231;&#227;o de fatores de risco predisponentes &#224;s DCV de natureza biol&#243;gica e comportamental em adolescentes s&#227;o relativamente escassos. Ao consultar a literatura brasileira, verifica-se que estudos com essa finalidade s&#227;o raros ou mesmo inexistentes. Nesse sentido, o objetivo do presente estudo foi: (a) oferecer informa&#231;&#245;es descritivas quanto aos fatores de risco predisponentes &#224;s DCV observadas em amostra representativa de adolescentes; e (b) estabelecer a extens&#227;o com que os fatores de risco de natureza comportamental podem estar associados aos fatores de risco de natureza biol&#243;gica na popula&#231;&#227;o jovem.</p>
    <p>
      <bold>M&#201;TODOS</bold>
    </p>
    <p>Para elabora&#231;&#227;o do estudo foram utilizadas informa&#231;&#245;es contidas no banco de dados constru&#237;do a partir do projeto de pesquisa "Atividade F&#237;sica, Composi&#231;&#227;o da Dieta e Fatores de Risco Predisponentes &#224;s Doen&#231;as Cardiovasculares em Adolescentes", que inclui adolescentes entre quinze e dezoito anos de idade de ambos os sexos<sup>9</sup>.</p>
    <p>O projeto de pesquisa teve como alvo escolares regularmente matriculados no ensino m&#233;dio do Col&#233;gio de Aplica&#231;&#227;o ligado &#224; Universidade Estadual de Londrina, Paran&#225;. Optou-se por envolver sujeitos que freq&#252;entavam unicamente essa escola, por conta das caracter&#237;sticas longitudinais do estudo (experimenta&#231;&#227;o de programas de educa&#231;&#227;o para a sa&#250;de mediante interven&#231;&#245;es diet&#233;ticas e de pr&#225;tica de exerc&#237;cios f&#237;sicos), e por sua representatividade no universo de escolares de ensino m&#233;dio do munic&#237;pio de Londrina, Paran&#225;.</p>
    <p>Protocolos de interven&#231;&#227;o no estudo foram aprovados pelo Comit&#234; de &#201;tica em Pesquisa da Universidade Estadual de Londrina e acompanham normas da Resolu&#231;&#227;o 196/96 do Conselho Nacional de Sa&#250;de sobre pesquisa envolvendo seres humanos. Inclus&#227;o dos sujeitos no estudo ocorreu por desejo em participar do experimento e mediante autoriza&#231;&#227;o dos pais ou respons&#225;veis. Para tanto, todos os escolares matriculados no ano letivo de 2003, juntamente com seus pais ou respons&#225;veis, foram contatados e informados quanto &#224; natureza e aos objetivos do estudo. Dos 518 escolares matriculados, 452 (87%) concordaram em participar do estudo (<xref ref-type="table" rid="tab1">tab. 1</xref>).</p>
    <table-wrap id="tab1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-06-0439-00006-gt01.jpg"/></table-wrap>
    <p>Como informa&#231;&#227;o adicional da amostra analisada no estudo, destaca-se que, com base nos crit&#233;rios de classifica&#231;&#227;o socioecon&#244;mica das fam&#237;lias dos escolares, mediante informa&#231;&#245;es quanto ao n&#237;vel de escolaridade do chefe da fam&#237;lia, &#224;s condi&#231;&#245;es de moradia, &#224; posse de utens&#237;lios dom&#233;sticos, autom&#243;veis e n&#250;mero de empregados dom&#233;sticos<sup>10</sup>, observou-se que 22% dos escolares foram categorizados em menor n&#237;vel socioecon&#244;mico, 27% em maior n&#237;vel e 51% em n&#237;veis intermedi&#225;rios. Com rela&#231;&#227;o aos crit&#233;rios de classifica&#231;&#227;o de matura&#231;&#227;o sexual sugeridos por Tanner<sup>11</sup>, 10% das mo&#231;as analisadas apresentavam desenvolvimento mam&#225;rio equivalente ao est&#225;gio III, 61% ao est&#225;gio IV e 29% ao est&#225;gio V. Entre os rapazes, 49% se encontravam no est&#225;gio IV de desenvolvimento de pilosidade pubiana, e os 51% restantes no est&#225;gio V.</p>
    <p>Os fatores de risco predisponentes &#224;s doen&#231;as cardio-vasculares foram analisados mediante indicadores biol&#243;gicos e comportamentais. Com refer&#234;ncia aos indicadores biol&#243;gicos, recorreu-se as informa&#231;&#245;es voltadas ao &#237;ndice de massa corporal, &#224; press&#227;o arterial em repouso e ao teor sang&#252;&#237;neo de l&#237;pides-lipoprote&#237;nas circulantes. No campo comportamental foram obtidas informa&#231;&#245;es acerca do n&#237;vel de pr&#225;tica da atividade f&#237;sica, da composi&#231;&#227;o da dieta e do uso de tabaco.</p>
    <p>O &#237;ndice de massa corporal foi calculado considerando-se a raz&#227;o entre o peso corporal e o quadrado da estatura (kg/m<sup>2</sup>). Para determina&#231;&#227;o da estatura utilizou-se estadi&#244;metro com escala de medida de 0,1 cm, e para a verifica&#231;&#227;o do peso corporal balan&#231;a antropom&#233;trica com defini&#231;&#227;o de 100 g, a partir da metodologia apresentada por Gordon e cols.<sup>12</sup>. Atendendo valores de refer&#234;ncia para idade e sexo sugeridos na literatura<sup>13</sup>, foram considerados com sobrepeso aqueles adolescentes que apresentavam IMC <underline>&gt;</underline> 25 kg/m<sup>2</sup>.</p>
    <p>Os n&#237;veis de press&#227;o arterial sist&#243;lica (PAS) e diast&#243;lica (PAD) foram aferidos mediante o m&#233;todo auscultat&#243;rio com aux&#237;lio de esfigmoman&#244;metro de coluna de merc&#250;rio, com manguitos de tamanhos apropriados &#224; circunfer&#234;ncia dos bra&#231;os dos adolescentes. Com o adolescente sentado, ap&#243;s um per&#237;odo m&#237;nimo de cinco minutos de repouso, a press&#227;o arterial foi medida no bra&#231;o esquerdo. O valor da PAS correspondeu &#224; fase I de Korotkoff e o da PAD &#224; fase V, ou de desaparecimento dos sons. Foram realizadas duas medidas, e o valor m&#233;dio de ambas foi considerado para efeito de an&#225;lise. Seguindo os crit&#233;rios estabelecidos pelo III Consenso Brasileiro de Hipertens&#227;o Arterial<sup>14</sup>, foram considerados portadores de press&#227;o arterial elevada aqueles adolescentes que apresentavam PAS <underline>&gt;</underline> 140 mmHg e PAD <underline>&gt;</underline> 90 mmHg.</p>
    <p>As dosagens dos lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas foram realizadas mediante coleta de amostras de 10 ml de sangue venoso na prega do cotovelo, ap&#243;s per&#237;odo de 10-12 horas em jejum, entre 7h00 e 8h00 da manh&#227;. O soro foi imediatamente separado por centrifuga&#231;&#227;o, sendo determinados teores de triglicer&#237;deos (TG), colesterol total (CT) e fra&#231;&#245;es, lipoprote&#237;nas de baixa densidade (LDL-C) e de alta densidade (HDL-C). Determinou-se o colesterol s&#233;rico total pelo m&#233;todo enzim&#225;tico colesterol oxidase/peroxidase em aparelho espectofot&#244;metro. O HDL-C foi medido pelo m&#233;todo reativo precipitante, e o LDL-C calculado pela f&#243;rmula de Friedewald e cols.<sup>15</sup>. Os triglicer&#237;deos s&#233;ricos foram determinados pelo m&#233;todo enzim&#225;tico glicerol. Os valores de refer&#234;ncia empregados para definir um perfil lip&#237;dico-lipoproteico de risco aterog&#234;nico acompanharam proposta apresentada para adolescentes no Consenso Brasileiro sobre Dislipidemias<sup>16</sup>: TG <underline>&gt;</underline> 130 mg/dl, CT <underline>&gt;</underline> 200 mg/dl, LDL-C <underline>&gt;</underline> 130 mg/dl e HDL-C <underline>&lt;</underline> 35 mg/dl.</p>
    <p>Para estimar os n&#237;veis de pr&#225;tica da atividade f&#237;sica utilizou-se do instrumento retrospectivo de auto-recorda&#231;&#227;o das atividades di&#225;rias, preconizado por Bouchard e cols.<sup>17</sup>. Nesse caso, as atividades do cotidiano s&#227;o classificadas em um <italic>continuum</italic> envolvendo nove categorias, de acordo com estimativas quanto ao custo cal&#243;rico m&#233;dio das atividades realizadas por humanos: (1) repouso na cama; (2) atividades realizadas em posi&#231;&#227;o sentada; (3) atividades leves realizadas em posi&#231;&#227;o de p&#233;; (4) atividades que exigem caminhadas leves (&lt; 4 km/hora); (5) trabalho manual leve; (6) atividades de lazer ativo e pr&#225;tica de esportes recreativos; (7) trabalho manual em ritmo moderado; (8) atividades de lazer ativo e pr&#225;tica de esportes de intensidade moderada; e (9) trabalho manual intenso e pr&#225;tica de esportes competitivos.</p>
    <p>O instrumento retrospectivo foi preenchido pelos pr&#243;prios adolescentes em quatro dias da mesma semana, dois no meio (entre segunda-feira e sexta-feira) e dois no final de semana (s&#225;bado e domingo). Para efeito de c&#225;lculo, utilizou-se m&#233;dia ponderada envolvendo os dois dias do meio e do final de semana. Para sua administra&#231;&#227;o, o dia foi dividido em 96 per&#237;odos de quinze minutos cada. Os participantes do estudo receberam instru&#231;&#245;es e recomenda&#231;&#245;es no sentido de identificar o tipo de atividade, classificada entre as categorias 1 e 9, realizada em cada per&#237;odo de quinze minutos, durante as 24 horas do dia. Lista de atividades caracter&#237;sticas do cotidiano, exemplificando atividades contempladas nas diferentes categorias, foi apresentada aos adolescentes na tentativa de facilitar o preenchimento do instrumento. Ainda, os participantes do estudo foram instru&#237;dos a realizar anota&#231;&#245;es adicionais, caso alguma atividade realizada n&#227;o estivesse sendo contemplada na lista especificamente elaborada para essa finalidade.</p>
    <p>De posse dessas informa&#231;&#245;es, estabeleceu-se o tempo despendido por cada participante do estudo nas diferentes categorias de atividade f&#237;sica. Considerou-se o tempo despendido nas categorias 6 a 9 (custo energ&#233;tico m&#233;dio &gt; 4,8 Mets) como indicador de atividade f&#237;sica de moderada-a-vigorosa intensidades (AFMV). O tempo despendido nas categorias 3 a 5 (custo energ&#233;tico m&#233;dio entre 2,3 e 3,3 Mets) como indicador de atividade f&#237;sica de baixa intensidade (AFBA); e nas categorias 1 e 2 (custo energ&#233;tico &lt; 1,5 Mets) como indicador de inatividade f&#237;sica (INAF). Adicionalmente, com base nas refer&#234;ncias cal&#243;ricas sugeridas pelos idealizadores do instrumento de medida utilizado<sup>17</sup>, recorreu-se &#224;s estimativas do disp&#234;ndio energ&#233;tico por quilograma de peso corporal das atividades realizadas durante o dia (kcal/kg/dia) como indicador da pr&#225;tica habitual de atividade f&#237;sica (DE). Esse procedimento foi validado para utiliza&#231;&#227;o em adolescentes diante da t&#233;cnica crit&#233;rio &#225;gua duplamente marcada<sup>18</sup>. De acordo com proposta idealizada por Cale<sup>19</sup>, considerou-se como insuficientemente ativos fisicamente aqueles adolescentes que apresentavam DE <underline>&lt;</underline> 37 kcal/kg/dia.</p>
    <p>As informa&#231;&#245;es acerca da composi&#231;&#227;o da dieta foram obtidas a partir de registros diet&#233;ticos. Os participantes do estudo receberam instrumento com instru&#231;&#245;es e recomenda&#231;&#245;es visando identificar todo alimento ingerido, incluindo bebidas, com suas respectivas por&#231;&#245;es estimadas (medidas caseiras), em quatro dias da mesma semana, dois no meio (entre segunda-feira e sexta-feira) e dois no final de semana (s&#225;bado e domingo). Para efeito de c&#225;lculo, utilizou-se a m&#233;dia ponderada envolvendo os dois dias do meio e do final de semana. De posse dessas informa&#231;&#245;es, determinou-se a propor&#231;&#227;o m&#233;dia do suprimento energ&#233;tico/dia proveniente da ingest&#227;o das gorduras total (GORD<sub>total</sub>) e da gordura saturada (AG<sub>saturado</sub>), e a quantidade m&#233;dia/dia quanto &#224; ingest&#227;o de colesterol (mg/dia). O equivalente cal&#243;rico e as propor&#231;&#245;es nutricionais dos alimentos foram estabelecidos mediante utiliza&#231;&#227;o do <italic>software</italic> Sistema de Apoio &#224; Decis&#227;o em Nutri&#231;&#227;o - Vers&#227;o 2.5, idealizado pelo Centro de Inform&#225;tica em Sa&#250;de da Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de S&#227;o Paulo<sup>20</sup>. A adequa&#231;&#227;o dos indicadores diet&#233;ticos foi analisada mediante recomenda&#231;&#245;es da Academia Americana de Pediatria<sup>21</sup>. Considerou-se como adequado consumo <underline>&lt;</underline> 30% de gordura total, <underline>&lt;</underline> 10% de gordura saturada e <underline>&lt;</underline> 300 mg/dia de colesterol.</p>
    <p>O h&#225;bito quanto ao uso de tabaco foi identificado mediante an&#225;lise das respostas apresentadas pelos adolescentes a uma quest&#227;o elaborada especificamente para essa finalidade. A quest&#227;o "voc&#234; &#233; fumante" foi apresentada aos adolescentes com cinco op&#231;&#245;es de resposta: (a) n&#227;o, nunca fumei; (b) n&#227;o, mas j&#225; fumei anteriormente; (c) sim, fumo ocasionalmente; (d) sim, fumo pelo menos uma vez por semana; e (e) sim, fumo diariamente. Foram considerados fumantes aqueles adolescentes que disseram fumar pelo menos uma vez por semana ou diariamente.</p>
    <p>O tratamento estat&#237;stico das informa&#231;&#245;es foi realizado mediante o pacote computadorizado <italic>Statistical Package for the Social Science</italic> (SPSS), vers&#227;o 12.0. Para an&#225;lise das vari&#225;veis cont&#237;nuas recorreu-se aos procedimentos da estat&#237;stica descritiva e, posteriormente, para identifica&#231;&#227;o de eventuais diferen&#231;as entre os sexos, ao teste "t" de Student. As vari&#225;veis categ&#243;ricas (propor&#231;&#227;o de freq&#252;&#234;ncia de acordo com os pontos de corte considerados) foram analisadas mediante tabelas de conting&#234;ncia, envolvendo testes de qui-quadrado (c<sup>2</sup>) para identifica&#231;&#227;o de diferen&#231;as estat&#237;sticas entre os sexos. A extens&#227;o com que os indicadores relacionados &#224; pr&#225;tica de atividade f&#237;sica, &#224; composi&#231;&#227;o da dieta e ao uso de tabaco possam estar associados ao sobrepeso e aos n&#237;veis comprometedores de press&#227;o arterial e de lip&#237;dios-lipoprote&#237;na plasm&#225;tica foi estabelecida mediante estimativas de <italic>Odds Ratio</italic> (OR), por interm&#233;dio da utiliza&#231;&#227;o da an&#225;lise de regress&#227;o log&#237;stica bin&#225;ria. Adotou-se intervalo de confian&#231;a de 95%.</p>
    <p>
      <bold>RESULTADOS</bold>
    </p>
    <p>Informa&#231;&#245;es estat&#237;sticas com rela&#231;&#227;o &#224;s vari&#225;veis analisadas s&#227;o mostradas na <xref ref-type="table" rid="t02">tabela 2</xref>. No que se refere aos indicadores de natureza biol&#243;gica associados aos fatores de risco predisponentes &#224;s DCV, quando da compara&#231;&#227;o dos valores m&#233;dios relativos ao IMC, n&#227;o se encontram diferen&#231;as entre os sexos que possam ser apontadas estatisticamente. No entanto, constatam-se valores m&#233;dios referentes &#224; PAD e &#224; PAS significativamente mais elevados entre os rapazes. Quanto aos teores plasm&#225;ticos de lip&#237;dios e de lipoprote&#237;nas, os resultados apontam valores m&#233;dios estatisticamente mais elevados entre as mo&#231;as na maioria dos componentes analisados. As concentra&#231;&#245;es m&#233;dias de TG mostram ser semelhantes entre os sexos.</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="t02">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-06-0439-00006-gt02.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>Com rela&#231;&#227;o aos indicadores de natureza comportamental associados aos fatores de risco predisponentes &#224;s DCV, estimativas quanto ao DE, equivalentes &#224;s atividades f&#237;sicas realizadas durante o dia, e os tempos m&#233;dios despendidos nas atividades f&#237;sicas de AFBA e de AFMV apontaram diferen&#231;as significativas em linguagem estat&#237;stica entre os sexos. Por&#233;m, mo&#231;as e rapazes permaneceram igualmente por volta de vinte horas/dia inativos fisicamente. Em m&#233;dia, rapazes dedicaram quatro vezes mais tempo do dia em AFMV que mo&#231;as (45,13 <italic>versus</italic> 12,46 min/dia; p = 0,000). Resultados quanto &#224; composi&#231;&#227;o da dieta tamb&#233;m revelam diferen&#231;as estat&#237;sticas entre os sexos. Os valores m&#233;dios encontrados apontam os rapazes como tendo apresentado ingest&#227;o significativamente maior de gorduras e de colesterol, assim como suplemento energ&#233;tico/dia superior em compara&#231;&#227;o com as mo&#231;as.</p>
    <p>Propor&#231;&#245;es de adolescentes que apresentaram indicadores biol&#243;gicos e comportamentais considerados de risco cardiovascular s&#227;o mostradas na <xref ref-type="table" rid="tab3">tabela 3</xref>. Os fatores de risco associados aos aspectos comportamentais foram aqueles de maior preval&#234;ncia. Nesse caso, as mo&#231;as apresentaram propor&#231;&#227;o de pr&#225;tica insuficiente de atividade f&#237;sica (DE <underline>&lt;</underline> 37 kcal/kg/dia) estatisticamente superior aos rapazes (55,4 <italic>versus</italic> 41,9%; p = 0,006). As ingest&#245;es excessivas de gorduras total e saturada n&#227;o apresentaram diferen&#231;as significativas entre ambos os sexos; por&#233;m, se mostraram como os indicadores comportamentais agressivos mais freq&#252;entemente observados. Com diferen&#231;as apontadas em linguagem estat&#237;stica (p = 0,000), propor&#231;&#227;o mais elevada de rapazes (50%) apresentou ingest&#227;o <underline>&gt;</underline> 300 mg/dia de colesterol diet&#233;tico em compara&#231;&#227;o com as mo&#231;as (24,8%). A propor&#231;&#227;o de fumantes tamb&#233;m foi significativamente superior entre os rapazes (20,7 <italic>versus</italic> 15,1; p = 0,034).</p>
    <table-wrap id="tab3">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-06-0439-00006-gt03.jpg"/></table-wrap>
    <p>Ao recorrer aos valores de refer&#234;ncia sugeridos pela Sociedade Brasileira de Cardiologia<sup>16</sup>, verifica-se que as concentra&#231;&#245;es de lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas associadas ao aumento do risco de DCV foram comuns em aproximadamente 2%-13% das mo&#231;as estudadas. Entre os rapazes, a propor&#231;&#227;o de risco oscilou entre 4% e 8%. Al&#233;m disso, entre 8% e 10% dos adolescentes de ambos os sexos selecionados no estudo demonstraram n&#237;veis adversos de press&#227;o arterial, sugerindo que eventual indica&#231;&#227;o de hipertens&#227;o n&#227;o &#233; fen&#244;meno incomum na adolesc&#234;ncia. Diferen&#231;as significativas, apontando maior propor&#231;&#227;o de mo&#231;as com comprometimento lipoprot&#233;ico plasm&#225;tico, foram identificadas quando das compara&#231;&#245;es entre ambos os sexos do CT (12,9 <italic>versus</italic> 5,6%; p = 0,015) e de suas fra&#231;&#245;es HDL-C (1,9 <italic>versus</italic> 4,4%; p = 0,045) e LDL-C (9,0 <italic>versus</italic> 4,4%; p = 0,006). As diferen&#231;as quanto &#224;s propor&#231;&#245;es de mo&#231;as (9,5%) e de rapazes (8,1%) que apresentaram valores elevados de TG n&#227;o foram apontadas em linguagem estat&#237;stica.</p>
    <p>A <xref ref-type="table" rid="tab4">tabela 4</xref> descreve as propor&#231;&#245;es de adolescentes analisados que apresentaram m&#250;ltiplos fatores de riscos concomitantemente. Por volta de 20% das mo&#231;as e 16% dos rapazes demonstraram ser portadores de pelo menos um fator de risco biol&#243;gico relacionado ao desenvolvimento de DCV. Concomit&#226;ncias de dois e tr&#234;s potenciais fatores de risco biol&#243;gico foram identificadas em 16% e 3% das mo&#231;as e 12% e 3% dos rapazes, respectivamente. Diferen&#231;as significativas entre ambos os sexos foram constatadas somente quanto a menor propor&#231;&#227;o de mo&#231;as que n&#227;o apresentou pelo menos um fator de risco biol&#243;gico (59,1 <italic>versus</italic> 68,5%; p = 0,049). Quanto aos fatores de risco relacionados aos indicadores comportamentais, cerca de t&#227;o-somente 10% dos adolescentes deixaram de apresentar pelo menos um dos cinco comportamentos agressivos selecionados no estudo que possam eventualmente predispor ao desenvolvimento de DCV. As mo&#231;as apresentaram propor&#231;&#245;es de magnitudes crescentes at&#233; a presen&#231;a combinada de tr&#234;s fatores de risco comportamentais, enquanto os rapazes demonstraram distribui&#231;&#227;o equilibrada nas propor&#231;&#245;es de ocorr&#234;ncia simult&#226;nea dos cinco fatores de risco de natureza comportamental considerados. Diferen&#231;as estat&#237;sticas, apontando maiores propor&#231;&#245;es entre os rapazes, foram identificadas quanto &#224; presen&#231;a simult&#226;nea de quatro ou mais fatores de risco comportamentais (21 <italic>versus</italic> 10,1%; p = 0,003).</p>
    <table-wrap id="tab4">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-06-0439-00006-gt04.jpg"/></table-wrap>
    <p>A extens&#227;o com que os fatores de risco de natureza comportamental (atividade f&#237;sica insuficiente, ingest&#227;o excessiva de gorduras e de colesterol e uso de tabaco) se associaram aos fatores de risco de natureza biol&#243;gica (sobrepeso, n&#237;veis comprometedores de press&#227;o arterial e de lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas) foi estimada mediante an&#225;lise de regress&#227;o log&#237;stica bin&#225;ria. Dimens&#245;es de OR provenientes dos c&#225;lculos estat&#237;sticos s&#227;o apresentadas na <xref ref-type="table" rid="t05">tabela 5</xref>. Os resultados encontrados indicam que a ingest&#227;o excessiva de gordura total e de gordura saturada foram os indicadores comportamentais que apresentaram mais elevada associa&#231;&#227;o com a ocorr&#234;ncia do sobrepeso entre os adolescentes de ambos os sexos analisados no estudo. Baseando-se nos valores de OR, estima-se que, em linguagem estat&#237;stica, mo&#231;as que demonstraram ingest&#227;o excessiva de gordura total (OR = 1,64; 95% IC 1,32-1,98) e de gordura saturada (OR = 1,57; 95% IC 1,28-1,88) apresentaram, respectivamente, 64% e 57% mais chances de serem portadores de sobrepeso. No caso dos rapazes, aqueles que demonstraram ingest&#227;o excessiva de gorduras total (OR = 2,17; 95% IC 1,81-2,58) e de gordura saturada (OR = 1,93; 95% IC 1,65-2,24) apresentaram, em valores aproximados, duas vezes mais chances de ser portadores de sobrepeso. Ingest&#227;o excessiva de colesterol, uso de tabaco e pr&#225;tica insuficiente de atividade f&#237;sica n&#227;o apresentaram associa&#231;&#245;es significativas com a ocorr&#234;ncia do sobrepeso.</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="t05">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-06-0439-00006-gt05.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>Pr&#225;tica insuficiente de atividade f&#237;sica e uso de tabaco foram os indicadores comportamentais que apresentaram mais elevada associa&#231;&#227;o com n&#237;veis comprometedores de press&#227;o arterial, sobretudo no caso da PAS. Ingest&#227;o excessiva de gorduras e de colesterol apresentou menores associa&#231;&#245;es com eventual eleva&#231;&#227;o dos n&#237;veis de press&#227;o arterial, apesar de que, no caso espec&#237;fico da PAS, os valores de OR demonstraram signific&#226;ncia estat&#237;stica. Mo&#231;as (OR = 2,27; 95% IC 1,85-2,71) e rapazes (OR = 2,41; 95% IC 2,01-2,85) fumantes apresentaram predisposi&#231;&#227;o superior a duas vezes mais para eleva&#231;&#227;o da PAS que seus pares n&#227;o-fumantes. Quanto &#224; pr&#225;tica de atividade f&#237;sica, mo&#231;as (OR = 1,91; 95% IC 1,66-21,16) e rapazes (OR = 1,90; 95% IC 1,64-2,12) insuficientemente ativos fisicamente demonstraram por volta de 90% mais chances de apresentarem valores de PAS <underline>&gt;</underline> 140 mmHg.</p>
    <p>Com rela&#231;&#227;o aos lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas, dimens&#245;es de OR encontradas revelam que o uso de tabaco e a ingest&#227;o excessiva de gordura saturada foram os indicadores comportamentais que mais contribu&#237;ram para a preocupante altera&#231;&#227;o de seus n&#237;veis plasm&#225;ticos. Aquelas mo&#231;as fumantes ou que fazem uso de excessiva ingest&#227;o de gordura saturada demonstram possuir de 2,3 (CT &#150; OR = 2,33; 95% IC 1,98-2,70) a 2,8 (LDL-C &#150; OR = 2,79; 95% IC 2,40-3,20) mais chances de apresentarem perfil aterog&#234;nico de lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas. No caso dos rapazes, as dimens&#245;es encontradas de OR se reduziram discretamente; contudo, ainda assim, permaneceram significativos em linguagem estat&#237;stica. De acordo com o delineamento estabelecido para a regress&#227;o log&#237;stica, as menores dimens&#245;es de OR foram encontradas entre os valores de LDL-C <underline>&gt;</underline> 130 mg/dl e a pr&#225;tica insuficiente de atividade f&#237;sica e entre os valores de HDL-C <underline>&lt;</underline> 35 mg/dl e a ingest&#227;o excessiva de gorduras e de colesterol. Por&#233;m, concentra&#231;&#245;es diminu&#237;das de HDL-C apresentaram associa&#231;&#245;es significativas com o uso de tabaco (mo&#231;as &#150; OR = 2,27; 95% IC 1,85-2,71; e rapazes &#150; OR = 1,91; 95% IC 1,46-2,34).</p>
    <p>
      <bold>DISCUSS&#195;O</bold>
    </p>
    <p>Estudos pr&#233;vios disponibilizados na literatura procuram descrever estimativas quanto &#224; preval&#234;ncia de fatores de risco predisponentes &#224;s DCV em popula&#231;&#245;es jovens. No entanto, enquanto alguns desses estudos t&#234;m enfocado unicamente indicadores de natureza biol&#243;gica<sup>22-28</sup>; outros concentram suas informa&#231;&#245;es t&#227;o-somente em indicadores comportamentais agressivos &#224; sa&#250;de cardiovascular<sup>29-31</sup>. O presente estudo, al&#233;m de oferecer informa&#231;&#245;es descritivas conjuntas de natureza biol&#243;gica e comportamental observadas em amostra de adolescentes, tentou estabelecer a extens&#227;o com que selecionados indicadores comportamentais possam estar associados aos indicadores biol&#243;gicos considerados de risco para o aparecimento e o desenvolvimento das DCV.</p>
    <p>Com rela&#231;&#227;o aos fatores de risco biol&#243;gicos predisponentes &#224;s DCV, diferen&#231;as entre ambos os sexos quanto aos valores m&#233;dios de IMC, press&#227;o arterial e concentra&#231;&#245;es plasm&#225;ticas de lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas observados no estudo coincidem com tend&#234;ncias encontradas na literatura. Indica&#231;&#245;es encontradas em publica&#231;&#245;es anteriores apontam que o dimorfismo sexual observado nos n&#237;veis de press&#227;o arterial e de lip&#237;dio-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas pode ser explicado em raz&#227;o das altera&#231;&#245;es hormonais t&#237;picas de cada sexo que ocorrem em idades pr&#243;ximas da puberdade. A maior produ&#231;&#227;o de estrog&#234;nio que ocorre no organismo feminino nesse per&#237;odo dever&#225; contribuir temporariamente para uma mais elevada concentra&#231;&#227;o plasm&#225;tica de CT e de suas fra&#231;&#245;es; ao passo que a maior produ&#231;&#227;o de testosterona no organismo masculino est&#225; relacionada aos n&#237;veis mais elevados de press&#227;o arterial<sup>32,33</sup>. Por&#233;m, no in&#237;cio da idade adulta j&#225; est&#225; estabelecido o padr&#227;o lipoprot&#233;ico respons&#225;vel pela maior incid&#234;ncia de DCV entre os homens frente &#224;s mulheres. A literatura consultada sugere que eventual rela&#231;&#227;o entre n&#237;veis de TG e sexo n&#227;o &#233; precisa. Alguns estudos encontraram valores mais elevados entre os rapazes<sup>27,34-36</sup>; enquanto outros, coincidindo com os resultados observados no presente estudo, n&#227;o encontraram diferen&#231;as que possam ser apontadas estatisticamente entre os adolescentes de ambos os sexos<sup>23-26,28</sup>.</p>
    <p>Em compara&#231;&#227;o com outros estudos, se, por um lado, os adolescentes aqui analisados apresentaram valores m&#233;dios quanto aos fatores de risco biol&#243;gicos predisponentes &#224;s DCV similares a de outros estudos realizados em pa&#237;ses da Am&#233;rica Latina<sup>22,26,37</sup>, da &#193;frica<sup>23</sup> e da &#193;sia<sup>38,39</sup>; por outro, s&#227;o constatadas diferen&#231;as importantes quando da compara&#231;&#227;o com resultados provenientes de casu&#237;sticas de mesma idade de pa&#237;ses europeus<sup>24,27,28,33,36,40</sup> e norte-americanos<sup>25,35</sup>. Apesar de localizados alguns estudos envolvendo jovens brasileiros<sup>41-44</sup>, diferen&#231;as relacionadas &#224; composi&#231;&#227;o das amostras impedem eventuais compara&#231;&#245;es com os resultados observados no presente estudo. Acredita-se que as diferen&#231;as quanto aos atributos biol&#243;gicos relacionados aos fatores de risco predisponentes &#224;s DCV possam ser atribu&#237;das, em grande parte, &#224;s m&#250;ltiplas conting&#234;ncias mesol&#243;gicas definidas pelas caracter&#237;sticas geoclim&#225;ticas, econ&#244;micas, sociais e culturais, que modulam a express&#227;o do potencial gen&#233;tico.</p>
    <p>Quanto &#224; propor&#231;&#227;o de adolescentes que apresentaram informa&#231;&#245;es de natureza biol&#243;gica indicativa de risco para as DCV, no que se refere especificamente ao IMC, verificou-se que, em compara&#231;&#227;o com resultados de levantamentos epidemiol&#243;gicos envolvendo diferentes segmentos da popula&#231;&#227;o de jovens brasileiros<sup>45,46</sup>, menor propor&#231;&#227;o de adolescentes reunidos no estudo foi classificada com sobrepeso (16,5% de mo&#231;as e 18,6% de rapazes). No entanto, mesmo assim, esses dados devem causar preocupa&#231;&#227;o, considerando que o excesso de peso corporal presente na inf&#226;ncia e na adolesc&#234;ncia tende a persistir em idades futuras. Estimativas sugerem que, de cada cinco adolescentes com sobrepeso, apenas um deles tende a reduzir e a manter seu peso corporal em limites esperados quando adulto<sup>47</sup>. Tamb&#233;m, programas de redu&#231;&#227;o e controle do peso corporal na adolesc&#234;ncia parecem apresentar efici&#234;ncia bastante limitada, supondo que aqueles adolescentes com sobrepeso dever&#227;o, provavelmente, continuar a apresentar sobrepeso na vida adulta.</p>
    <p>Nesse particular, deve-se destacar que o sobrepeso n&#227;o &#233; considerado um fator de risco biol&#243;gico imediato para o aparecimento e o desenvolvimento de DCV. Contudo, em geral, perfil cardiovascular comprometido na idade adulta &#233; acompanhado por excesso de peso corporal instalado e mantido quando crian&#231;a e adolescente<sup>48,49</sup>. Assim, mediante a&#231;&#245;es de controle do peso corporal em idades jovens, pode-se potencialmente minimizar a ocorr&#234;ncia de outros fatores de risco not&#243;rios em idades mais avan&#231;adas.</p>
    <p>Quanto aos valores de press&#227;o arterial, torna-se l&#237;cito salientar que n&#237;veis mais elevados, identificados em um a cada dez dos adolescentes analisados, n&#227;o dever&#227;o inferir, necessariamente, a presen&#231;a de hipertens&#227;o. Nesse caso, para conferir a hipertens&#227;o, recomenda-se que valores anormalmente elevados de press&#227;o arterial devam ser confirmados em dois ou mais diferentes momentos em determinado per&#237;odo de tempo<sup>50</sup>. Por&#233;m, acompanhamentos longitudinais t&#234;m demonstrado que, aqueles adolescentes com elevados n&#237;veis de press&#227;o arterial tendem a manter os altos valores press&#243;ricos e a serem diagnosticados como portadores de hipertens&#227;o mais tarde na idade adulta<sup>51</sup>. Estudos ecocardiogr&#225;ficos em jovens mostram aumento cont&#237;nuo da espessura da parede ventricular posterior esquerda em paralelo aos n&#237;veis crescentes de press&#227;o arterial<sup>52</sup>. Portanto, n&#237;veis alterados de press&#227;o arterial na adolesc&#234;ncia s&#227;o demonstrativos de que possa haver necessidade de atendimento terap&#234;utico imediato visando &#224; preven&#231;&#227;o da hipertens&#227;o futura.</p>
    <p>Compara&#231;&#245;es com resultados observados em outros estudos quanto &#224; propor&#231;&#227;o de adolescentes que apresentaram comprometimento nos n&#237;veis de press&#227;o arterial e de lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas devem ser realizadas com alguma cautela, em raz&#227;o de eventuais diferen&#231;as associadas aos pontos-de-corte considerados. Contudo, com rela&#231;&#227;o aos valores de press&#227;o arterial, torna-se interessante destacar que os adolescentes aqui analisados apresentaram propor&#231;&#245;es mais favor&#225;veis que adolescentes analisados em estudos europeus<sup>24,36</sup> e norte-americanos<sup>25,35</sup>; mas com propor&#231;&#245;es similares aos estudos realizados em pa&#237;ses da Am&#233;rica Latina<sup>37</sup>, da &#193;sia<sup>38,39</sup>, da &#193;frica<sup>23</sup> e no Brasil<sup>53,54</sup>.</p>
    <p>No que se refere &#224;s concentra&#231;&#245;es de lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas, consistente com resultados de outros estudos<sup>22-28</sup>, as mo&#231;as apresentaram propor&#231;&#227;o de comprometimento significativamente mais elevada nas dosagens de CT e da fra&#231;&#227;o LDL-C. N&#237;veis diminu&#237;dos da fra&#231;&#227;o HDL-C, menos freq&#252;entes em ambos os sexos, o que parece ser t&#237;pico da popula&#231;&#227;o jovem, foi o &#250;nico fator de risco biol&#243;gico em que os rapazes apresentaram propor&#231;&#227;o significantemente superior &#224;s mo&#231;as. Esses achados repercutem com grande significado, tendo presente dados de necropsias realizadas em jovens que vieram a &#243;bito no transcurso de estudos prospectivos. Neles foi poss&#237;vel verificar que o perfil desfavor&#225;vel de lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas no organismo jovem pode ser respons&#225;vel por les&#245;es anatomopatol&#243;gicas das art&#233;rias coron&#225;rias e da aorta, se definindo, portanto, como forte preditor de DCV em idades adultas. A presen&#231;a de estrias gordurosas e de placas fibrosas esteve relacionada principalmente aos n&#237;veis alterados da fra&#231;&#227;o HDL-C e do TG<sup>55,56</sup>. Em sendo assim, o controle dos n&#237;veis plasm&#225;ticos dos lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas dever&#225; minimizar a progress&#227;o de eventual processo ateroscler&#243;tico em adolescentes e, desse modo, reduzir o risco futuro da ocorr&#234;ncia de DCV.</p>
    <p>Importante destacar tamb&#233;m que, no presente estudo, propor&#231;&#227;o significativa dos adolescentes analisados (40,9% das mo&#231;as e 31,5% dos rapazes) exibiram pelo menos um fator de risco biol&#243;gico predisponente &#224;s DCV, e aproximadamente 50% desses adolescentes apresentaram agrega&#231;&#227;o de m&#250;ltiplos fatores de risco. Sobre essas circunst&#226;ncias, e considerando evid&#234;ncias no sentido de que fatores de risco biol&#243;gicos identificados na adolesc&#234;ncia tendem a permanecer na idade adulta<sup>57</sup>, deve-se levar em conta que, quanto maior a quantidade de fatores de risco agregados maior &#233; a probabilidade de aparecimento e desenvolvimento precoce das DCV. Em sendo assim, aqueles adolescentes reunidos no estudo que apresentaram indicadores biol&#243;gicos isolados ou concomitantes acima dos pontos-de-corte tidos como de risco dever&#227;o ser considerados eventuais candidatos a apresentar futura DCV. Somente mediante acompanhamentos longitudinais daqueles adolescentes considerados de risco se poder&#225; confirmar a presen&#231;a futura dessa patologia. Contudo, mesmo que apenas uma parcela desses adolescentes venha a confirmar esse progn&#243;stico, isto, por si s&#243;, j&#225; se constitui em n&#250;mero significativo de adolescentes com fator preditivo para as DCV identificado precocemente.</p>
    <p>Quanto aos indicadores de natureza comportamental relacionados ao aparecimento e ao desenvolvimento de DCV, verifica-se que os resultados encontrados coincidem com tend&#234;ncias apresentadas por outros estudos, apontando os rapazes como sendo habitualmente mais ativos; por&#233;m, com pr&#225;tica diet&#233;tica vinculada a um maior grau de comprometimento que as mo&#231;as<sup>30,31</sup>. Embora diferen&#231;as metodol&#243;gicas relacionadas aos instrumentos de medidas empregados na coleta dos dados e aos crit&#233;rios de interpreta&#231;&#227;o das informa&#231;&#245;es possam comprometer compara&#231;&#245;es com outros estudos, os resultados apresentados pelos adolescentes aqui analisados apontam uma mais elevada propor&#231;&#227;o de sedentarismo e de uso de dieta aterog&#234;nica.</p>
    <p>No que concerne ao uso de tabaco, no presente estudo o ato de fumar pelo menos uma vez por semana ou diariamente foi aceito para definir aqueles adolescentes fumantes. Mediante essa defini&#231;&#227;o, a propor&#231;&#227;o de rapazes que se reportaram como fumantes foi significativamente superior &#224; de mo&#231;as. Em compara&#231;&#227;o com estudos disponibilizados na literatura que apresentam caracter&#237;sticas epidemiol&#243;gicas, esses achados mostram maior propor&#231;&#227;o de rapazes adolescentes fumantes. Levantamentos realizados em outras regi&#245;es brasileiras<sup>58,59</sup>, em pa&#237;ses industrializados<sup>29-31</sup> e em vias de desenvolvimento<sup>37,60</sup> revelam preval&#234;ncias similares em ambos os sexos pr&#243;ximas de 15%.</p>
    <p>Chamou aten&#231;&#227;o ainda o fato de que t&#227;o-somente 9,5% das mo&#231;as e 10,5% dos rapazes n&#227;o apresentaram pelo menos um indicador comportamental comprometido. Esta elevada agrega&#231;&#227;o de comportamentos de risco foi tamb&#233;m observada em outros estudos<sup>61</sup>, sugerindo que propor&#231;&#227;o acentuada de adolescentes que apresenta estilo de vida sedent&#225;rio tende a adotar simultaneamente dieta n&#227;o-saud&#225;vel e a fazer uso de tabaco. Esses achados se revestem de enorme import&#226;ncia para a ado&#231;&#227;o de h&#225;bitos saud&#225;veis ao longo de toda a vida, em raz&#227;o de evid&#234;ncias disponibilizadas na literatura sugerirem que comportamentos n&#227;o-saud&#225;veis adquiridos e cultivados na inf&#226;ncia e na adolesc&#234;ncia serem de dif&#237;cil modifica&#231;&#227;o e tenderem a permanecer nas idades futuras<sup>62,63</sup>.</p>
    <p>An&#225;lise quanto &#224; extens&#227;o com que os comportamentos de risco possam estar associados aos fatores de risco biol&#243;gicos predisponentes &#224;s DCV em popula&#231;&#245;es jovens dever&#225; considerar a participa&#231;&#227;o dos componentes gen&#233;ticos na varia&#231;&#227;o do peso corporal e dos n&#237;veis de press&#227;o arterial e de lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas<sup>64</sup>. Assumindo essa condi&#231;&#227;o, torna-se importante referir que, nesses casos, as eventuais altera&#231;&#245;es observadas nos fatores de risco biol&#243;gicos em conseq&#252;&#234;ncia dos comportamentos de risco podem apresentar varia&#231;&#245;es individuais para se manifestarem; al&#233;m do que, em tese, sup&#245;e-se que sua express&#227;o &#233; menos prov&#225;vel de ocorrer em adolescentes que em adultos.</p>
    <p>De qualquer forma, mesmo diante dessas limita&#231;&#245;es, os valores de OR encontrados apontaram associa&#231;&#245;es entre os indicadores comportamentais e a maioria dos fatores de risco biol&#243;gicos predisponentes &#224;s DCV selecionados no estudo. Os resultados encontrados sugerem que a pr&#225;tica insuficiente de atividade f&#237;sica, representada no estudo por DE <underline>&lt;</underline> 37 kcal/kg/dia, em ambos os sexos, pode desempenhar papel mais importante para explicar n&#237;veis aumentados de press&#227;o arterial. Aqueles adolescentes menos ativos fisicamente demonstraram de 80% a 90% mais chances de apresentarem comprometimentos vinculados aos n&#237;veis de press&#227;o arterial do que seus pares mais ativos. Entretanto, consistente com resultados de outros estudos<sup>35,36,39,65</sup>, na presente casu&#237;stica, concentra&#231;&#245;es de lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas consideradas de risco e valores mais elevados de peso corporal (IMC <underline>&gt;</underline> 25 kg/m<sup>2</sup>) n&#227;o demonstraram receber influ&#234;ncia significativa da pr&#225;tica insuficiente de atividade f&#237;sica.</p>
    <p>Em estudos envolvendo adultos, comprova-se que um estilo de vida sedent&#225;rio &#233; um comportamento claramente identificado com o aparecimento e o desenvolvimento de DCV e de seus fatores de risco associados<sup>66</sup>. Contudo, parece que essa associa&#231;&#227;o n&#227;o se confirma com o mesmo potencial em popula&#231;&#245;es jovens. No campo especulativo, apresenta-se a hip&#243;tese de que, em parte, essas diferen&#231;as possam ocorrer em raz&#227;o das adapta&#231;&#245;es metab&#243;licas relacionadas ao controle das concentra&#231;&#245;es dos lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas e do peso corporal, induzidas pela pr&#225;tica habitual de atividade f&#237;sica, de maneira particular no organismo jovem, ainda n&#227;o totalmente maturado biologicamente, e no adulto. Por exemplo, em tese, assume-se que os adolescentes possam ser mais ativos fisicamente em seu cotidiano e, por esse motivo, as varia&#231;&#245;es dos teores plasm&#225;ticos e do peso corporal n&#227;o apresentam a mesma sensibilidade que em adultos. Tamb&#233;m, pode ser que as associa&#231;&#245;es significativas observadas em adultos sejam n&#227;o-causal, havendo, portanto, efeitos adicionais de outras vari&#225;veis n&#227;o-conhecidas afetando as rela&#231;&#245;es atividade f&#237;sica-lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas e atividade f&#237;sica-peso corporal, o que ainda n&#227;o &#233; aparente entre os adolescentes. Isso talvez venha sugerir a concep&#231;&#227;o de que as repercuss&#245;es do sedentarismo nas concentra&#231;&#245;es de lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas e no peso corporal possam levar algum tempo para ser identificadas.</p>
    <p>Pr&#225;tica diet&#233;tica de maior ingest&#227;o de gorduras e de colesterol repercutiu significativamente no risco dos adolescentes analisados apresentarem excesso de peso corporal, valores aumentados de press&#227;o arterial e perfil lip&#237;dico-lipoprot&#233;ico desfavor&#225;vel. Os valores de OR encontrados comprovam que a extens&#227;o das associa&#231;&#245;es entre a pr&#225;tica diet&#233;tica aterog&#234;nica e os fatores de risco biol&#243;gicos selecionados no estudo apresentaram magnitudes diferentes em cada sexo. Enquanto entre os rapazes a excessiva ingest&#227;o de gorduras total e saturada se associou mais intensamente com a presen&#231;a do sobrepeso, entre as mo&#231;as propor&#231;&#245;es inadequadas de gorduras e de colesterol na composi&#231;&#227;o da dieta desempenharam papel mais importante nas maiores concentra&#231;&#245;es de lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas. No entanto, provavelmente em raz&#227;o da estreita rela&#231;&#227;o metab&#243;lica existente entre os componentes lip&#237;dicos-lipoprot&#233;ico, verificou-se que as dimens&#245;es das OR observadas nas associa&#231;&#245;es com a pr&#225;tica diet&#233;tica aterog&#234;nica, em cada sexo, foram bastante similares. Esses achados coincidem com resultados de estudos de interven&#231;&#227;o que, ao reduzir a ingest&#227;o de gorduras saturadas na pr&#225;tica diet&#233;tica de jovens, comprovaram diminui&#231;&#227;o mais acentuada nas concentra&#231;&#245;es de LDL-C e TG entre as mo&#231;as<sup>67</sup>.</p>
    <p>As menores dimens&#245;es de OR observadas entre elevado consumo de colesterol diet&#233;tico e os fatores de risco biol&#243;gicos selecionados s&#227;o consistentes com as fracas associa&#231;&#245;es encontradas em estudos envolvendo adultos<sup>68</sup>, e confirmam evid&#234;ncias no sentido de que a ingest&#227;o excessiva de colesterol diet&#233;tico apresenta associa&#231;&#227;o de menor extens&#227;o com maiores concentra&#231;&#245;es de lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas que a ingest&#227;o excessiva de gorduras total e saturada.</p>
    <p>Ao analisar a extens&#227;o da associa&#231;&#227;o entre o uso de tabaco e valores aumentados de press&#227;o arterial e perfil desfavor&#225;vel de lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas, verificou-se que as dimens&#245;es das OR foram, na maioria das situa&#231;&#245;es, superiores a duas unidades. Em sendo assim, na presente casu&#237;stica, ser um adolescente fumante implica num aumento de no m&#237;nimo duas vezes mais na probabilidade de se encontrar valores de press&#227;o arterial e de lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas sugestivo de hipertens&#227;o e de dislipidemia, respectivamente. Contudo, quando da associa&#231;&#227;o entre o uso de tabaco e a presen&#231;a do sobrepeso, verificou-se que os valores de OR n&#227;o foram relevantes em linguagem estat&#237;stica, sugerindo que aqueles adolescentes fumantes n&#227;o necessariamente elevam o risco de acumular maior quantidade de peso corporal.</p>
    <p>A despeito das indiscut&#237;veis a&#231;&#245;es delet&#233;rias dos componentes do tabaco para a sa&#250;de em geral, &#224; semelhan&#231;a do que foi encontrado em outros estudos<sup>69,70</sup>, evid&#234;ncias reunidas no estudo apontam forte influ&#234;ncia do uso de tabaco na presen&#231;a de fatores de risco biol&#243;gicos predisponentes &#224;s DCV em adolescentes. Efeitos revers&#237;veis associados &#224; sa&#250;de cardiovascular em conseq&#252;&#234;ncia do abandono do uso de tabaco t&#234;m sido documentados experimentalmente em adultos<sup>71</sup>. Nesses casos, os benef&#237;cios alcan&#231;ados s&#227;o parcialmente explicados pelas altera&#231;&#245;es favor&#225;veis observadas nos n&#237;veis de press&#227;o arterial e de lip&#237;dios-lipoprote&#237;nas plasm&#225;ticas. A inc&#243;gnita est&#225; em identificar o impacto do abandono do uso de tabaco na sa&#250;de cardiovascular de adolescentes.</p>
    <p>Considerando a demonstra&#231;&#227;o de sua elevada associa&#231;&#227;o com as agress&#245;es aterog&#234;nicas e a potencial predisposi&#231;&#227;o presente em idades jovens com rela&#231;&#227;o &#224; aquisi&#231;&#227;o de depend&#234;ncia quanto ao uso de tabaco, torna-se sensato assumir que o risco dos adolescentes fumantes em apresentar posterior DCV na idade adulta &#233; extremamente elevado.</p>
    <p>A concep&#231;&#227;o de que potenciais fatores de risco biol&#243;gicos possam se instalar precocemente no organismo jovem e avan&#231;ar por v&#225;rios est&#225;gios de evolu&#231;&#227;o para resultar em DCV na idade adulta, e a confirma&#231;&#227;o dos achados de que os fatores de risco biol&#243;gicos podem ser afetados igualmente na adolesc&#234;ncia e na idade adulta em resposta &#224; exposi&#231;&#227;o de comportamentos de risco acentuam a import&#226;ncia de idealizar a&#231;&#245;es profil&#225;ticas direcionadas &#224; preven&#231;&#227;o e &#224; modifica&#231;&#227;o de h&#225;bitos agressivos &#224; sa&#250;de cardiovascular dos adolescentes. Nesse particular, embora o contexto sociofamiliar possa exercer forte participa&#231;&#227;o no desenvolvimento de comportamentos que influenciam o modo de vida saud&#225;vel dos jovens, programas de escolariza&#231;&#227;o direcionados &#224; educa&#231;&#227;o para a sa&#250;de dever&#227;o ser colocados em pr&#225;tica, na tentativa de auxiliar os jovens a minimizarem o excepcional impacto da m&#237;dia quanto &#224; op&#231;&#227;o por adotarem h&#225;bitos de atividades sedent&#225;rias voltadas ao lazer e &#224; ocupa&#231;&#227;o do tempo livre, ao maior consumo de alimentos aterog&#234;nicos e ao uso de tabaco. Especialistas da &#225;rea s&#227;o un&#226;nimes em sugerir que, esfor&#231;os para prevenir e reduzir os comportamentos de risco dever&#227;o ser institu&#237;dos no per&#237;odo de escolariza&#231;&#227;o, momento em que os jovens est&#227;o especialmente receptivos a incorporar em seu cotidiano e a projetar para as idades futuras comportamentos agressivos &#224; sa&#250;de.</p>
    <p>Nesse contexto, destaca-se que, t&#227;o-somente a simples restri&#231;&#227;o ao acesso de pr&#225;ticas diet&#233;ticas inadequadas e ao uso de tabaco e de outras subst&#226;ncias nocivas, e a pr&#225;tica compuls&#243;ria de atividade f&#237;sica mediante as aulas de educa&#231;&#227;o f&#237;sica tornam-se pouco prov&#225;veis que possam levar os jovens a assumir h&#225;bitos saud&#225;veis para toda a vida. Os programas de educa&#231;&#227;o para a sa&#250;de dever&#227;o contemplar estrat&#233;gias pedag&#243;gicas para auxiliar os jovens a se conscientizarem da nociva influ&#234;ncia dos comportamentos de risco e a tomarem suas pr&#243;prias decis&#245;es com rela&#231;&#227;o a adotarem h&#225;bitos saud&#225;veis permanentes.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflitos de interesses pertinentes.</p>
    <p>
      <fn id="back10" fn-type="corresp">
        <p>Correspond&#234;ncia:</p>
        <p> Dartagnan Pinto Guedes </p>
        <p> Rua Ildefonso Werner, 177 </p>
        <p> 86055-545 &#150; Londrina, PR </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="darta@sercomtel.com.br">darta@sercomtel.com.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p> Recebido em 01/08/05 </p>
    <p> Aceito em 30/09/05</p>
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          <article-title>Trends in serum lipid levels during 1980-1992 in children and young adults</article-title>
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          <article-title>Eating habits, activity, lipids and body mass index in Japanese children: The Shiratori Children Study</article-title>
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          <article-title>Cigarette smoking-associated changes in blood lipid and lipoprotein levels in the 8-to-19-year-old age group: a meta-analysis</article-title>
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        <article-title xml:lang="en">Cardiovascular risk factors in adolescents: biological and behavioral indicators</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>OBJECTIVE: To provide descriptive information and investigate to what extent behavioral risk factors for cardiovascular diseases are associated with biological risk factors in the young population. METHODS: The sample included 452 adolescents (246 girls and 206 boys) between 15 and 18 years of age selected in a high school in the city of Londrina, Paran&#225;. Risk factors of a behavioral nature were analyzed as regards insufficient physical activity, excessive intake of fat and cholesterol and smoking. As biological risk factor indicators we used overweight, high arterial pressure levels, and adverse concentration of serum lipids and lipoproteins. RESULTS: Approximately 20% of the girls and 16% of the boys presented at least one biological risk factor for development of cardiovascular diseases. Overweight was significantly associated with excessive intake of fats, while elevated arterial pressure was related to sedentary lifestyle and smoking. Excessive intake of fat and cholesterol indicated increased risk of undesirable concentrations of serum lipids and lipoproteins. The risk associated with altered blood pressure and serum lipids and lipoprotein was increased two-fold in smokers when compared with nonsmokers. CONCLUSION: The results reinforce the need for interventions targeted at the adoption of a healthy lifestyle, including the regular practice of physical exercise, appropriate dietary patterns, and abstention from smoking as of an early age.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Blood pressure</kwd>
        <kwd>serum lipids-lipoproteins</kwd>
        <kwd>overweight</kwd>
        <kwd>physical activity</kwd>
        <kwd>dietary patterns</kwd>
        <kwd>smoking</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>ORIGINAL ARTICLES</bold>
      </p>
      <p>Cardiovascular risk factors in adolescents: biological and behavioral indicators</p>
      <p>
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      </p>
      <p>Universidade Estadual de Londrina - Londrina, PR - Brazil</p>
      <p>
        <xref ref-type="corresp" rid="back10-body2">Mailing Address</xref>
      </p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p><bold>OBJECTIVE: </bold>To provide descriptive information and investigate to what extent behavioral risk factors for cardiovascular diseases are associated with biological risk factors in the young population.</p>
      <p><bold>METHODS: </bold>The sample included 452 adolescents (246 girls and 206 boys) between 15 and 18 years of age selected in a high school in the city of Londrina, Paran&#225;. Risk factors of a behavioral nature were analyzed as regards insufficient physical activity, excessive intake of fat and cholesterol and smoking. As biological risk factor indicators we used overweight, high arterial pressure levels, and adverse concentration of serum lipids and lipoproteins.</p>
      <p><bold>RESULTS: </bold>Approximately 20% of the girls and 16% of the boys presented at least one biological risk factor for development of cardiovascular diseases. Overweight was significantly associated with excessive intake of fats, while elevated arterial pressure was related to sedentary lifestyle and smoking. Excessive intake of fat and cholesterol indicated increased risk of undesirable concentrations of serum lipids and lipoproteins. The risk associated with altered blood pressure and serum lipids and lipoprotein was increased two-fold in smokers when compared with nonsmokers.</p>
      <p><bold>CONCLUSION:</bold> The results reinforce the need for interventions targeted at the adoption of a healthy lifestyle, including the regular practice of physical exercise, appropriate dietary patterns, and abstention from smoking as of an early age.</p>
      <p><bold>Key words: </bold>Blood pressure, serum lipids-lipoproteins, overweight, physical activity, dietary patterns, smoking.</p>
      <p>Although there is a slight declining trend in deaths, dysfunctions associated with the cardiovascular system are one of the major causes of morbidity and mortality in industrialized countries<sup>1</sup>. In Brazil, it is estimated that cardiovascular diseases (CVDs) account for approximately 20% of the deaths from known causes in subjects over twenty years of age<sup>2</sup>.</p>
      <p>The literature presents strong evidence that CVDs manifested in adulthood result from a complex interaction between a variety of risk factors that may have originated in childhood and adolescence<sup>3-5</sup>. Therefore, those young people who may eventually present risk factors tend, as they grow old, to be more predisposed to the onset of an atherosclerotic process and to the consequent development of CVDs</p>
      <p>Therefore, trying to detect the presence of risk factors early in youth enables the planning and implementation of preventive intervention programs targeted at reducing the likelihood of the manifestation of CVD in adulthood.</p>
      <p>Characteristics of risk factors which predispose subjects to CVDs are traditionally identified as being of a biological nature such as the amount of body fat, the serum lipid and lipoprotein profile and the blood pressure levels. However, since we are dealing with young subjects at a stage in life where they acquire and incorporate behaviors which are difficult to change in the future, it is prudent to analyze not only the biological risk factors in an isolated manner but also those risks of a behavioral nature such as practice of physical activity, eating habits and smoking<sup>6-8</sup>.</p>
      <p>Information available as to the incidence and aggregation of behavioral and biological risk factors which predispose to CVDs in adolescents are relatively scarce. Upon consulting the Brazilian literature, we verified that studies with such objective are rare or even inexistent. Therefore the objective of this study was to (a) provide descriptive information regarding the risk factors for CVDs observed in a representative sample of adolescents; and (b) establish the extension to which behavioral risk factors may be associated with biological risk factors in the young population.</p>
      <p>
        <bold>METHODS</bold>
      </p>
      <p>To develop this study we used information included in the database built from the research project called "Physical Activity, Diet Composition and Risk Factors which Predispose to Cardiovascular Diseases in Adolescents", which includes male and female adolescents between fifteen and eighteen years of age<sup>9</sup>.</p>
      <p>The research project focused on school students regularly enrolled in high school at Col&#233;gio de Aplica&#231;&#227;o, associated with the State University of Londrina, state of Paran&#225;. We decided to include subjects which frequented only this school because of the longitudinal characteristics of the study (experimentation with health promotion educational programs with interventions on diet and practice of physical exercise), and because of its representativity in the universe of high school students in the municipality of Londrina, Paran&#225;.</p>
      <p>The study's intervention protocols were approved by the Research Ethics Committee of the State University of Londrina and complied with the rules established by Resolution 196/96 of the National Health Council about research involving human subjects. Subjects were included in the study when they were willing to participate in the experiment and upon authorization by their parents or legal guardian. To this effect, all students enrolled in the 2003 school year, together with their parents or guardians were contacted and informed about the nature and objectives of the study. Of the 518 students enrolled, 452 (87%) agreed to participate in the study (<xref ref-type="table" rid="tab1-body2">Table 1</xref>).</p>
      <table-wrap id="tab1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-06-0439-00006-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>As additional information on the sample analyzed in the study we highlight that, based on the socioeconomic criteria used to classify the families of the students which included information such as the level of schooling of the family head, their housing conditions, the possession of household goods, cars and number of servants<sup>10</sup>, we observed that 22% of the subjects were included in the lower socioeconomic level; 27% in the higher level and 51% in intermediary levels. As regards the classification criteria regarding sexual maturity as suggested by Tanner<sup>11</sup>, 10% of the girls analyzed presented breast development equivalent to stage 3; 61% to stage 4 and 29% to stage 5. Among the boys, 49% were in stage 4 as regards pubic hair and the remaining 51% were in stage 5.</p>
      <p>Risk factors predisposing to cardiovascular diseases were analyzed using biological and behavioral indicators. As regards biological indicators, we used information on the body mass index, blood pressure at rest, and the serum concentration of circulating lipids and lipoproteins. As regards behavioral indicators, we obtained information on the levels of physical activity, composition of diet and tobacco consumption.</p>
      <p>The body mass index was calculated considering the ratio between body weight and the height square (kg/m<sup>2</sup>). To determine the height, we used a stadiometer with a scale of 0.1 cm, and to verify the body weight we used a scale with a definition of 100g, based on the methodology presented by Gordon et al<sup>12</sup>. In compliance with reference values for age and gender suggested in the literature<sup>13</sup>, we considered overweight the adolescents with a BMI <underline>&gt;</underline> 25 kg/m<sup>2</sup>.</p>
      <p>The levels of systolic blood pressure (SBP) and diastolic blood pressure (DBP) were measured using the auscultation method with the help of a mercury sphygmomanometer, with cuffs of the appropriate size to fit the arms of the adolescents. With the subjects seated, the blood pressure was measured in the left arm after a minimum rest of five minutes. The value of the SBP corresponded to Korotkoff's Phase 1 and the DBP corresponded to Korotkoff's Phase 4, or the disappearance of the sounds. The blood pressure was measured twice, and the mean value of both was considered for the analysis. According to the criteria established by the 3rd Brazilian Consensus on Hypertension<sup>14</sup>, those adolescents who had SBP <underline>&gt;</underline> 140 mmHg and DBP <underline>&gt;</underline> 90 mmHg were considered as having elevated blood pressure.</p>
      <p>The concentrations of serum lipids and lipoproteins were ascertained by means of 10 ml venous blood samples collected from the elbow fold following a 10-12 hour fast, between 7 am and 8 am. The serum was immediately separated by centrifugation, and the concentration of triglycerides (TG), total cholesterol (TC) and its fractions [low-density lipoproteins (LDL-C) and high-density lipoproteins (HDL-C)] were ascertained. The total serum cholesterol was ascertained using the cholesterol oxidase/peroxidase enzymatic method in a spectrophotometer. HDL-C was measured using the reactive precipitation method, and the LDL-C was estimated using the formula proposed by Friedewald et al<sup>15</sup>. Serum triglycerides were ascertained using the glycerol enzymatic method. The reference values employed to define a lipid and liproproteic profile for atherogenic risk complied with those proposed for adolescents in the Brazilian Consensus on Dyslipidemias<sup>16</sup>: TG <underline>&gt;</underline> 130 mg/dl, TC <underline>&gt;</underline> 200 mg/dl, LDL-C <underline>&gt;</underline> 130 mg/dl and HDL-C <underline>&lt;</underline> 35 mg/dl.</p>
      <p>To estimate the levels of physical activity we used a retrospective self-report tool to record daily activities (by the subjects themselves) as proposed by Bouchard et al<sup>17</sup>. Accordingly, everyday activities are classified within a <italic>continuum</italic> with 9 categories according to estimates regarding the average calorie consumption of human activities: (1) resting in bed; (2) activities carried out while seated; (3) light activities carried out while standing; (4) activities which require light walks (&lt; 4 km/hour); (5) light manual work; (6) active leisure activities and recreational sports; (7) moderate manual work; (8) active leisure activities and recreational sports of moderate intensity; and (9) intense manual work and practice of competitive sports.</p>
      <p>The retrospective tool was filled out by the adolescents themselves in four days of the same week, two in the middle of the week (between Monday and Friday) and two on weekends (Saturday and Sunday). For calculation purposes, we used the weighted average comprising the two days in the middle of the week and of the weekend. For better management, the day was divided in 96 periods of 15 minutes each. The subjects received instructions and recommendations to identify the type of activity classified between the categories 1 and 9 carried out in each 15-minute period during the 24 hours of the day. A list of examples of typical everyday activities included in the different categories was presented to the adolescents in an attempt to facilitate the completion of the tool. The subjects were also instructed to take additional notes if an activity had not been included in the list specifically developed to this end.</p>
      <p>With this information in hand, we established the time spent by each subject in the different categories of physical activity. We considered the time spent in categories 6 to 9 (average energy expenditure &gt; 4.8 Mets) as an indicator of moderate-to-intense physical activity (MIPA). The time spent in categories 3 to 5 (average energy expenditure between 2.3 and 3.3 Mets) as an indicator of low-intensity physical activity (LIPA); and in the categories 1 and 2 (energy expenditure &lt; 1.5 Mets) as an indicator of physical inactivity (PI). Additionally, based on calorie references suggested by the developers of the measuring tool used<sup>17</sup>, we resorted to estimates of energy expenditure per kilogram of body weight relative to the activities carried out during the day (kcal/kg/day) as an indicator of the habitual practice of physical activity (PA). This procedure was validated for use with adolescents by the doubly labeled water method<sup>18</sup>. According to the proposal of Cale<sup>19</sup>, we considered as physically underactive those adolescents who presented DE <underline>&lt;</underline> 37 kcal/kg/day.</p>
      <p>Information on dietary composition was obtained from dietary records. The subjects received a tool with instructions and recommendations to identify every bit of food eaten, including beverages, with their respective estimated portion sizes (home measures), in four days of the same week, two in the middle of the week (between Monday and Friday) and two on the weekend (Saturday and Sunday). For calculation purposes, we used the weighted average of the two midweek days and two weekend days. With this information in hand, we determined the average proportion of the energy supply/day from the intake of total fat (FAT<sub>total</sub>) and saturated fat (FAT<sub>saturated</sub>), and the average quantity/day of cholesterol intake (mg/day). The caloric equivalent and the nutritional proportions of foods were established using the System for Support to Nutrition Decisions software, version 2.5, designed by the IT Center of the Paulista School of Medicine of the Federal University of S&#227;o Paulo<sup>20</sup>. The adequacy of diet indicators was analyzed following the recommendations of the American Academy of Pediatrics<sup>21</sup>. The consumption of total fat <underline>&lt;</underline> 30%, saturated fat <underline>&lt;</underline> 10% and cholesterol <underline>&lt;</underline> 300 mg/day was considered as adequate.</p>
      <p>As regards smoking, the habit was identified upon analyzing the answers to a question made specifically to this end. The question "you are a smoker" was presented to the adolescents with five options of answer: (a) no, I have never smoked; (b) no, but I used to smoke; (c) yes, I occasionally smoke; (d) yes, I smoke at least once a week; and (e) yes, I smoke on a daily basis. Those adolescents who reported smoking once a week or daily were considered as smokers.</p>
      <p>The information was statistically treated using the computerized package <italic>Statistical Package for the Social Science</italic> (SPSS), version 12.0. The analysis of continuous variables was carried out using the procedures of descriptive statistics and later, to identify any differences between the genders, we used Student's "<italic>t"</italic> test. Categorical variables (proportion of frequency according to the cut-off points considered) were analyzed using contingency tables involving chi-square (c<sup>2</sup>) tests to identify statistical differences between the genders. The extent to which the indicators related to physical activity, dietary composition and tobacco consumption may be associated with overweight and with imperiling levels of blood pressure and of serum lipids and lipoproteins was established using <italic>Odds Ratio</italic> (OR) estimates by using analysis of binary logistic regression. We adopted a 95% confidence interval.</p>
      <p>
        <bold>RESULTS</bold>
      </p>
      <p>Statistical information regarding the variables analyzed are shown in <xref ref-type="table" rid="en_29877t02-body2">Table 2</xref>. As regards biological indicators associated with risk factors for CVDs when comparing BMI mean values, there are no differences between the genders that may be pointed out statistically. However, we observe DBP and SBP mean values significantly higher among the boys. As to the serum concentrations of lipids and lipoproteins, the results indicate mean values which are statistically higher among the girls for most of the components analyzed. Mean TG concentrations have shown to be similar in both genders.</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_29877t02-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-06-0439-00006-gt02-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>As regards the behavioral indicators associated with risk factors for CVDs, estimates as to the PA, equivalent to physical activity carried out throughout the day and the average time spent in LIPA and MIPA indicated differences which are statistically significant between the genders. However, girls and boys alike remained physically inactive for approximately twenty hours/day. On average the boys dedicated four times more time of the day to MIPA than the girls (45.13 as compared with 12.46 min/day; p = 0.000). Results as to dietary composition also revealed statistical differences between the genders. The mean values found indicate that boys presented significantly higher intake of fat and cholesterol, and higher calorie supply/day as compared to the girls.</p>
      <p>The proportions of adolescents who presented biological and behavioral indicators considered as risk factors for CVDs are shown in <xref ref-type="table" rid="tab3-body2">Table 3</xref>. Behavioral risk factors were the ones that presented the highest prevalence. With this respect, the girls presented an insufficient rate of physical activity (PA <underline>&lt;</underline> 37 kcal/kg/day) which was statistically higher than the boys' rate (55.4 as compared with 41.9%; p = 0.006). Excessive intake of total fat and saturated fat did not present significant differences between the genders; however, they showed to be the risk behavioral indicators more frequently observed. Statistically speaking (p = 0.000), a higher proportion of boys (50%) presented intake of dietary cholesterol <underline>&gt;</underline> 300 mg/day as compared with girls (24.8%). The proportion of smokers was also significantly higher among boys (20.7 as compared with 15.1; p = 0,034).</p>
      <table-wrap id="tab3-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-06-0439-00006-gt03-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>When using the reference values suggested by the Brazilian Society of Cardiology<sup>16</sup>, we verify that serum concentrations of lipids and lipoproteins associated with increased risk for CVD were common in approximately 2%-13% of the girls studied. Among the boys, the proportion of risk varied between 4% and 8%. Additionally, between 8% and 10% of both male and female adolescents selected for the study showed adverse blood pressure levels, which suggests that an eventual indication of hypertension is not an uncommon phenomenon in adolescence. Significant differences which indicate a higher proportion of girls with adverse serum lipoprotein levels were identified when both genders were compared as regards TC (12.9 as compared with 5.6%; p = 0.015) and its fractions - HDL-C (1.9 as compared with 4.4%; p = 0.045) and LDL-C (9.0 as compared with 4.4%; p = 0.006). The differences relative to the proportion of girls (9.5%) and boys (8.1%) that present high TG values were not statistically evidenced.</p>
      <p><xref ref-type="table" rid="tab4-body2">Table 4</xref> describes the proportion of adolescents analyzed that presented multiple risk factors concurrently. Approximately 20% of the girls and 16% of the boys showed to have at least one biological risk factor related to the development of CVDs. The co-occurrence of two and three potential biological risk factors was identified in 16% and 3% of the girls and in 12% and 3% of the boys respectively. Significant differences between boys and girls were verified only as regards the lower proportion of girls who did not present at least one biological risk factor (59.1 as compared with 68.5%; p = 0.049). As regards the risk factors related to behavioral indicators, only approximately 10% of the adolescents failed to present at least one of the five risk behaviors selected in the study and which may eventually predispose to the onset of CVDs. The girls presented proportions of increasing magnitude and up to the combined presence of three behavioral risk factors, whereas the boys showed a balanced distribution of the proportion of co-occurrence of the five behavioral risk factors considered. Statistical differences indicating higher proportions among boys were identified as regards the co-occurrence of four or more behavioral risk factors (21 as compared with 10.1%; p = 0.003).</p>
      <table-wrap id="tab4-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-06-0439-00006-gt04-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>The extent to which behavioral risk factors (insufficient levels of physical activity, excessive intake of fat and cholesterol and smoking) were associated with biological risk factors (overweight, imperiling levels of blood pressure and of serum lipids and lipoproteins) was estimated using binary logistic regression analysis. OR values originating from statistical calculations are presented in <xref ref-type="table" rid="en_29877t05-body2">Table 5</xref>. The results found indicate that excessive intake of total fat and saturated fat were the behavioral indicators which presented the highest association with overweight among male and female subjects alike in this study. Based on OR values, we estimate that, statistically speaking, girls who showed excessive intake of total fat (OR = 1.64; 95% CI 1.32-1.98) and saturated fat (OR = 1.57; 95% CI 1.28-1.88) had respective 64% and 57% more chances of being overweight. For boys, those who presented excessive intake of total fat (OR = 2.17; 95% CI 1.81-2.58) and saturated fat (OR = 1.93; 95% CI 1.65-2.24) presented, in approximated values, twice the chance of being overweight. Excessive intake of cholesterol, smoking and insufficient physical activity were not significantly associated with overweight.</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_29877t05-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-06-0439-00006-gt05-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>Insufficient physical activity and smoking were the behavioral indicators which had the highest association with imperiling levels of blood pressure especially in the case of SAP. Excessive intake of fat and cholesterol presented lower association with elevated blood pressure although, in the specific case of SAP, OR values were statistically significant. Girls (OR = 2.27; 95% CI 1.85-2.71) and boys (OR = 2.41; 95% CI 2.01-2.85) who smoked presented twice the predisposition to elevated SAP that their non-smoking counterparts. As regards the practice of physical activity, girls (OR = 1.91; 95% CI 1.66-21.16) and boys (OR = 1.90; 95% CI 1.64-2.12) who had insufficient physical activity had 90% more chances of presenting SAP values <underline>&gt;</underline> 140 mmHg.</p>
      <p>As regards lipids and lipoproteins, OR values reveal that smoking and excessive intake of saturated fat were the behavioral indicators which contributed the most to worrisome changes in the serum levels of this type of fat. Smoking girls or those who eat an excessive amount of saturated fat have 2.3 (CT &#150; OR = 2.33; 95% CI 1.98-2.70) to 2.8 (LDL-C &#150; OR = 2.79; 95% CI 2.40-3.20) more chances of having an atherogenic profile of serum lipids and lipoproteins. As for boys, OR values were slightly reduced and yet were still significant, statistically speaking. According to the outline established for the logistic regression, the smallest OR values were found between LDL-C values <underline>&gt;</underline> 130 mg/dl and insufficient physical activity and HDL-C values <underline>&lt;</underline> 35 mg/dl and the excessive intake of fat and cholesterol. However, reduced concentrations of HDL-C were significantly associated with smoking (girls &#150; OR = 2.27; 95% CI 1.85-2.71; and boys &#150; OR = 1.91; 95% CI 1.46-2.34).</p>
      <p>
        <bold>DISCUSSION</bold>
      </p>
      <p>Studies available in the literature seek to describe estimates regarding the prevalence of risk factors for CVD in the young population. However, while some of these studies have focused solely on biological indicators<sup>22-28</sup>; others focus only on information about behavioral indicators which are aggressive to cardiovascular health<sup>29-31</sup>. This study, in addition to providing descriptive information for both biological and behavioral aspects observed in a sample of adolescents, tried to establish to what extent selected behavioral indicators may be associated with biological indicators which are considered risks indicators for the onset and progression of CVDs.</p>
      <p>As regards biological risk factors for CVDs, differences between the genders regarding average BMI values, blood pressure and serum concentrations of lipids and lipoproteins observed in the study are consistent with trends found in the literature. Indications found in previous publications point to the sexual dimorphism observed in the levels of blood pressure and of serum lipids and lipoproteins, which can be explained by hormonal changes typical of each gender and that occur close to puberty. The higher production of estrogen in girls in this period should contribute temporarily to a higher serum concentration of TC and its fractions, whereas the higher production of testosterone in boys is related to higher levels of blood pressure<sup>32,33</sup>. In the beginning of adulthood, however, the lipoproteic pattern that accounts for the higher incidence of CVD among men as compared to women is already established. The literature we consulted suggests that any relation that there might be between the level of TG and the gender is not accurate. Some studies found higher levels among boys<sup>27,34-36</sup>, while others, in agreement with the results observed in this study, did not find differences that may be statistically relevant between male and female adolescents<sup>23-26,28</sup>.</p>
      <p>In comparison with other studies, if, on the one hand the adolescents analyzed here present mean values for biological risk factors for CVDs which are similar to the ones of other studies carried out in Latin American countries<sup>22,26,37</sup>, Africa<sup>23</sup> and Asia<sup>38,39</sup>, on the other hand important differences are observed when we compare them with the results of studies with European subjects<sup>24,27,28,33,36,40</sup> and with North American subjects<sup>25,35</sup> of the same age. Although we found some studies with Brazilian young people<sup>41-44</sup>, differences regarding the composition of samples impede comparisons with the results observed in this study. We believe that the differences regarding biological attributes relating to risk factors for CVDs can be attributed, to a large extent, to multiple environmental factors defined by geoclimatic, economic, social and cultural characteristics which modulate the expression of the genetic potential.</p>
      <p>As concerns the proportion of adolescents who presented information of a biological nature indicative of risk for CVD, specifically as regards the BMI, we verified that in comparison with the results of epidemiological surveys involving different segments of the young population in Brazil<sup>45,46</sup>, a smaller proportion of adolescents in the study was classified as overweight (16.5% of the girls and 18.6% of the boys). However, despite these results, there is reason for concern since excess weight in childhood and adolescence tends to persist in adulthood. Estimates suggest that only one out of five adolescents who are overweight tends to reduce and maintain weight within the expected limits in adulthood<sup>47</sup>. Programs to reduce and control weight in adolescence seem to be efficient to a very limited extent, acting on the supposition that those adolescents who are overweight will continue to be overweight into adulthood.</p>
      <p>With this regard, we should emphasize that overweight is not considered as an immediate biological risk factor for the onset and progression of CVDs. However, in general, a compromised cardiovascular profile in adulthood is accompanied by excess weight which is established and maintained in childhood and adolescence<sup>48,49</sup>. Therefore, by adopting actions to control weight in young people, we can potentially minimize the occurrence of other known risk factors at more advanced ages.</p>
      <p>As to blood pressure values, it is worth highlighting that higher levels, which were identified in one out of ten adolescents analyzed, should not necessarily indicate the presence of hypertension. In this case, to verify hypertension, we recommend that abnormally high blood pressure values should be confirmed at two or more different occasions within a determined period of time<sup>50</sup>. However, longitudinal follow ups have shown that those adolescents with high levels blood pressure tend to maintain high pressure values and to be diagnosed as hypertensive later in adulthood<sup>51</sup>. Echocardiographic studies with young people showed a continuous increase in the thickness of the left posterior ventricular wall in parallel with increasing levels of blood pressure<sup>52</sup>. Therefore, changed levels of blood pressure in adolescence are evidence that immediate therapeutic intervention may be required to prevent hypertension in the future.</p>
      <p>Comparisons with results observed in other studies as to the proportion of adolescents who presented inadequate levels of blood pressure and serum lipids and lipoproteins should be carried out in a careful manner due to possible differences associated with the cut-off points considered. However, as regards blood pressure levels, it is worth highlighting that the adolescents analyzed here showed more favorable proportions than the adolescents analyzed in European<sup>24,36</sup> and North American<sup>25,35</sup> studies, but similar proportions in relation to the studies carried out in countries of Latin America<sup>37</sup>, Asia<sup>38,39</sup>, Africa<sup>23</sup> and Brazil<sup>53,54</sup>.</p>
      <p>As regards serum lipid and lipoprotein concentrations, and in agreement with results of other studies<sup>22-28</sup>, the girls presented a proportion of impairment which is significantly higher for the concentrations of TC and of the LDL-C fraction. Reduced levels of HDL-C fraction, less frequent in both male and female subjects, which appears to be typical of the young population, was the only biological risk factor where the boys presented a proportion which is significantly higher than the girls'. These findings have a significant impact when we think of data from necropsies of young people who died during prospective studies. It was possible to verify that the adverse profile of serum lipids and lipoproteins in young bodies may be the cause of anatomic pathologic lesions in the coronary arteries and in the aorta, and is therefore defined as a strong predictor of CVD in adulthood. The presence of fatty streaks and fibrous plaques was related especially to the changed levels of the HDL-C fraction and TG<sup>55,56</sup>. Therefore the control of lipid and lipoprotein serum levels should minimize the progression of any atherosclerotic process in adolescents and therefore reduce the future risk of occurrence of CVD.</p>
      <p>It is important to highlight that, in this study, a significant proportion of the adolescents analyzed (40.9% of the girls and 31.5% of the boys) showed at least one biological risk factor for CVD, and approximately 50% of these adolescents had multiple risk factors combined. Under these circumstances and considering evidence that the biological risk factors identified in adolescence tend to persist in adulthood<sup>57</sup>, we have to take into account that the greater the number of aggregated risk factors, the higher the probability of early onset and progression of CVD. Therefore, those subjects who presented isolated or co-occurring biological indicators above the cut-off points regarded as points of risk should be considered as possible candidates for CVD in the future. Only by doing longitudinal follow up of the adolescents considered as "at risk" will it be possible to confirm the presence of this condition in the future. However, although only a small part of these adolescents may eventually confirm this prognosis, this translates by itself into a significant number of adolescents for whom a predictive factor for CVD is identified in an early stage.</p>
      <p>As regards behavioral indicators relating to the onset and progression of CVD, we verify that the results found are in agreement with trends presented by other studies, which indicate that boys are usually more active, but have dietary patterns which are linked to higher degrees of compromising than the girls<sup>30,31</sup>. Although methodological differences relating to measurement tools employed in the collection of data and to the criteria for interpreting information may affect comparisons with other studies, the results presented by the adolescents analyzed in this study indicate a higher proportion of sedentary lifestyle and atherogenic diet.</p>
      <p>As regards smoking, in this study, smoking daily or at least once a week defined adolescents as smokers. By this definition, the proportion of boys who reported to be smokers was significantly higher than girls. In comparison with studies available in the literature that present epidemiological characteristics, these findings show a higher proportion of smoking male adolescents. Surveys carried out in other Brazilian regions<sup>58,59</sup>, in industrialized countries<sup>29-31</sup> and in developing countries<sup>37,60</sup> reveal similar prevalence for both genders in the region of 15%.</p>
      <p>The fact that only 9.5% of the girls and 10.5% of the boys did not present at least one compromised behavioral indicator stood out. This high aggregation of risk behavior was also observed in other studies<sup>61</sup>, thus suggesting that a high proportion of adolescents with a sedentary lifestyle tend to have an unhealthy diet and smoke at the same time. These findings acquire great importance as regards the adoption of healthy habits throughout life in view of the evidence available in the literature which suggests that unhealthy behavior acquired and cultivated in childhood and adolescence is difficult to change and tends to persist in adulthood and beyond<sup>62,63</sup>.</p>
      <p>Analysis about the extent to which risk behaviors may be associated with biological risk factors for CVD in young populations should consider the role of genetic components in the variation of weight and of levels of blood pressure and of serum lipids and lipoproteins<sup>64</sup>. If we accept this premise, it is important to say that, in these cases, any changes observed in biological risk factors as a result of risk behaviors may depend on individual variations to manifest themselves; additionally, in theory, the expression is supposed to be less likely in adolescents than in adults.</p>
      <p>Anyway, even in view of these limitations, the OR values found indicated associations between behavioral indicators and most of the biological risk factors for CVD selected in the study. The results found suggest that insufficient physical activity, represented in the study by PA <underline>&lt;</underline> 37 kcal/kg/day for both male and female subjects, may play a more important role in explaining increased levels of blood pressure. The adolescents who were physically less active showed 80% to 90% more chances of presenting impairment linked to blood pressure levels than their more active counterparts. However, in agreement with the results of other studies<sup>35,36,39,65</sup>, in the set of cases studied in this paper, serum concentrations of lipids and lipoproteins considered as of risk and higher weight (BMI <underline>&gt;</underline> 25 kg/m<sup>2</sup>) did not show to be significantly influenced by insufficient physical activity.</p>
      <p>In studies with adults, it was proven that sedentary lifestyle is a behavior that is clearly related to the onset and progress of CVD and of associated risk factors<sup>66</sup>. However, this association does not appear to be confirmed with the same degree of potentiality in young populations. We can also speculate that these differences may be partly due to metabolic adaptations related to the control of serum lipid and lipoprotein concentrations and weight induced by the habitual practice of physical activity, particularly in the bodies of young people, that are not yet biologically mature, and in adults. For example, in theory, it is assumed that adolescents may be more active in their everyday life, and for this reason, variations in serum concentrations and weight are not as sensitive as in adults. It may also be that the significant associations observed in adults are non-causal, and therefore there may be additional effects of other unknown variables which affect the relationship between physical activity-serum lipids and lipoproteins and physical activity-weight which are not yet clear for adolescents. This may suggest the concept that the impact of a sedentary lifestyle on the concentration of serum lipids and lipoproteins and on weight may take some time to be identified.</p>
      <p>Dietary patterns with higher intake of fat and cholesterol had a significant impact on the subjects' risk of presenting excess weight, increased blood pressure values and an adverse lipid and lipoprotein profile. The OR values found prove that the extent of the association between atherogenic dietary patterns and biological risk factors selected in this study presented different magnitudes for each gender. Whereas among boys the excessive intake of total and saturated fat was strongly associated with overweight, among the girls inadequate proportions of fats and cholesterol in diet composition played a more important role in relation to higher serum concentrations of lipids and lipoproteins. However, probably due to the close metabolic relationship between lipid and lipoprotein components, we verified that OR values observed in association with atherogenic dietary patterns for both male and female subjects were very similar. These findings are consistent with the results of studies of interventions which reduced the intake of saturated fat in the diet of young people and caused a sharper reduction in LDL-C and TG concentrations among girls<sup>67</sup>.</p>
      <p>The lower OR values observed between the high consumption of dietary cholesterol and the selected biological risk factors are consistent with weak associations found in studies involving adults<sup>68</sup>, and confirm evidence that excessive intake of dietary cholesterol presents a weaker association with higher concentrations of serum lipids and lipoproteins than the excessive intake of total and saturated fat.</p>
      <p>On analyzing the association between smoking and increased blood pressure values and an adverse lipid and lipoprotein profile, we verified that OR values were, in most situations, superior to two units. Therefore, in the set of cases studied here, being a smoking adolescent implies at least a two-fold increase in the likelihood of having blood pressure levels and serum lipid and lipoprotein concentrations suggestive of hypertension and dyslipidemia respectively. However, when it comes to the association between smoking and overweight, we verified that OR values were not statistically relevant which suggests that, for adolescents, smoking does not necessarily increase the risk of accumulating weight.</p>
      <p>Despite the undisputed harmful effects of tobacco components to health in general, as has been evidenced in other studies <sup>69,70</sup>, the evidence gathered in this study indicates a strong influence of smoking on biological risk factors for CVD in adolescents. Reversible effects associated with cardiovascular health as a consequence of abandoning smoking have been experimentally documented in adults<sup>71</sup>. In these cases, the benefits obtained are partly explained by favorable changes observed in the levels of arterial pressure and of serum lipids and lipoproteins. The question here is to identify the impact of abandoning smoking on the cardiovascular health of adolescents.</p>
      <p>Considering the evidence of its strong association with atherogenic aggressions and the potential predisposition of young people to the acquisition of tobacco dependence, it is sensible to assume that the risk of smoking adolescents having CVD in adulthood is extremely high.</p>
      <p>The concept that potential biological risk factors may appear early in young people and progress through several stages to cause CVD in adulthood and the confirmation provided by the findings, i.e., that biological risk factors may be equally affected in adolescence and adulthood in response to exposure to risk behavior emphasizes the importance of designing preventive actions targeted at the prevention and change of habits which are aggressive to the cardiovascular health of adolescents. In this respect, although the social and family environment may play a significant role in the development of behaviors which influence the healthy lifestyle adopted by young people, educational programs targeted at health education should be implemented in an attempt to help young people minimize the extraordinary impact of the media regarding their option for adopting the habit of engaging in sedentary activities for leisure and in their free time, the higher consumption of atherogenic foods, and smoking. Specialists are unanimous in suggesting that efforts to prevent and reduce risk behavior should be implemented during school years, when young people are especially prone to incorporate behavior which is aggressive to health into their everyday life and carry them into adulthood.</p>
      <p>In this scenario, we highlight that restricting the access to inadequate diet and to tobacco and other harmful substances, and the compulsory practice of physical activity in physical education classes are very unlikely to prompt young people to take on healthy habits that will last their whole life. Health education programs should include pedagogical practices to help raise young people's awareness as to the harmful influence of risk behavior and to help them make their own decisions regarding the adoption of healthy and long lasting habits.</p>
      <p>
        <bold>Potencial Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>REFERENCES</bold>
      </p>
      <p>
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          <label>
            <bold>Mailing Address:</bold>
          </label>
          <p> Dartagnan Pinto Guedes</p>
          <p> Rua Ildefonso Werner, 177</p>
          <p> 86055-545 &#150; Londrina, PR - Brazil</p>
          <p> E-mail: </p>
          <p>
            <email xlink:href="darta@sercomtel.com.br">darta@sercomtel.com.br</email>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Received on 08/01/05</p>
      <p> Accepted on 09/30/05</p>
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  </sub-article>
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