<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="ppub">0066-782X</issn>
      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
      </publisher>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">nMpjYjdNX3m8rJWcZZFPhNP</article-id>
      <article-id pub-id-type="other">00002</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2006000600002</article-id>
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      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2006000600002</article-id>
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          <subject>Artigos Originais</subject>
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      <title-group>
        <article-title>Fatores adicionais de risco cardiovascular associados ao excesso de peso em crian&#231;as e adolescentes: o estudo do cora&#231;&#227;o de Belo Horizonte</article-title>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>06</month>
        <year>2006</year>
      </pub-date>
      <volume>86</volume>
      <issue>6</issue>
      <fpage>408</fpage>
      <lpage>418</lpage>
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          <day>17</day>
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          <year>2005</year>
        </date>
        <date date-type="accepted">
          <day>29</day>
          <month>04</month>
          <year>2005</year>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      </permissions>
      <abstract>
        <p>OBJETIVO: Examinar a associa&#231;&#227;o de sobrepeso e obesidade com perfis de atividade f&#237;sica, press&#227;o arterial (PA) e l&#237;pides s&#233;ricos. M&#201;TODOS: Inqu&#233;rito epidemiol&#243;gico com 1.450 estudantes - seis a dezoito anos, em Belo Horizonte-MG. Dados: peso, altura, PA, espessura de pregas cut&#226;neas, circunfer&#234;ncia das cinturas, atividade f&#237;sica, colesterol total (CT), LDL-c, HDL-c, e h&#225;bitos alimentares. RESULTADOS:Preval&#234;ncias de sobrepeso e obesidade foram 8,4% e 3,1%. Em rela&#231;&#227;o aos estudantes situados no quartil inferior (Q1) da distribui&#231;&#227;o da prega subescapular, os estudantes do quartil superior (Q4) apresentaram um risco (odds ratio) 3,7 vezes maior de ter um CT aumentado. Os estudantes com sobrepeso e obesos tiveram 3,6 vezes mais risco de apresentar PA sist&#243;lica aumentada, e 2,7 vezes para PA diast&#243;lica aumentada, em rela&#231;&#227;o aos estudantes com peso normal. Os estudantes menos ativos, no Q1 da distribui&#231;&#227;o de MET, apresentaram 3,8 vezes mais riscos de terem CT aumentado comparados com os mais ativos (Q4). CONCLUS&#195;O: Estudantes com sobrepeso ou obesos ou nos quartis superiores para outras vari&#225;veis de adiposidade, assim como os estudantes com baixos n&#237;veis de atividade f&#237;sica ou sedent&#225;rios apresentaram n&#237;veis mais elevados de PA e perfil lip&#237;dico de risco aumentado para o desenvolvimento de aterosclerose.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Obesidade</kwd>
        <kwd>press&#227;o arterial</kwd>
        <kwd>atividade f&#237;sica</kwd>
        <kwd>nutri&#231;&#227;o</kwd>
        <kwd>crian&#231;a</kwd>
        <kwd>adolescente</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>26</day>
        <month>06</month>
        <year>2006</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
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  <body>
    <p>
      <bold>ARTIGOS ORIGINAIS</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>ATEROSCLEROSE</bold>
    </p>
    <p>Fatores adicionais de risco cardiovascular associados ao excesso de peso em crian&#231;as e adolescentes. O estudo do cora&#231;&#227;o de Belo Horizonte</p>
    <p>
      <bold>Robespierre Q. C. Ribeiro; Paulo A. Lotufo; Joel A. Lamounier; Reynaldo G. Oliveira; Jos&#233; Francisco Soares; Denise Aparecida Botter</bold>
    </p>
    <p>Universidade de S&#227;o Paulo e Universidade Federal de Minas Gerais - S&#227;o Paulo, SP - Minas Gerais, MG</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back10">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p><bold>OBJETIVO: </bold>Examinar a associa&#231;&#227;o de sobrepeso e obesidade com perfis de atividade f&#237;sica, press&#227;o arterial (PA) e l&#237;pides s&#233;ricos. </p>
    <p><bold>M&#201;TODOS:</bold> Inqu&#233;rito epidemiol&#243;gico com 1.450 estudantes &#150; seis a dezoito anos, em Belo Horizonte-MG. Dados: peso, altura, PA, espessura de pregas cut&#226;neas, circunfer&#234;ncia das cinturas, atividade f&#237;sica, colesterol total (CT), LDL-c, HDL-c, e h&#225;bitos alimentares. </p>
    <p><bold>RESULTADOS:</bold>Preval&#234;ncias de sobrepeso e obesidade foram 8,4% e 3,1%. Em rela&#231;&#227;o aos estudantes situados no quartil inferior (Q1) da distribui&#231;&#227;o da prega subescapular, os estudantes do quartil superior (Q4) apresentaram um risco (<italic>odds ratio</italic>) 3,7 vezes maior de ter um CT aumentado. Os estudantes com sobrepeso e obesos tiveram 3,6 vezes mais risco de apresentar PA sist&#243;lica aumentada, e 2,7 vezes para PA diast&#243;lica aumentada, em rela&#231;&#227;o aos estudantes com peso normal. Os estudantes menos ativos, no Q1 da distribui&#231;&#227;o de MET, apresentaram 3,8 vezes mais riscos de terem CT aumentado comparados com os mais ativos (Q4). </p>
    <p><bold>CONCLUS&#195;O:</bold> Estudantes com sobrepeso ou obesos ou nos quartis superiores para outras vari&#225;veis de adiposidade, assim como os estudantes com baixos n&#237;veis de atividade f&#237;sica ou sedent&#225;rios apresentaram n&#237;veis mais elevados de PA e perfil lip&#237;dico de risco aumentado para o desenvolvimento de aterosclerose</p>
    <p><bold>Palavras-chave: </bold>Obesidade, press&#227;o arterial, atividade f&#237;sica, nutri&#231;&#227;o, crian&#231;a, adolescente.</p>
    <p>A atual epidemia de doen&#231;as cardiovasculares isqu&#234;micas (DCV) surgida nos pa&#237;ses em desenvolvimento trouxe uma elevada carga para a sa&#250;de p&#250;blica quanto a Anos de Vida Perdidos Ajustados por Incapacidade (AVAI ou DALY &#150; Disability Adjusted Life Years)<sup>1</sup>. No Brasil, as DCV s&#227;o respons&#225;veis pela maior carga de doen&#231;a (9,6 DALY), seguidas pelo diabete melito (5,1 DALY), ambos com um fator de risco comum que &#233; o excesso de peso<sup>2</sup>.</p>
    <p>As recentes e profundas altera&#231;&#245;es nos h&#225;bitos de vida, no que se refere a uma alimenta&#231;&#227;o com consumo excessivo de alimentos ricos em gordura saturada, bebidas hipercal&#243;ricas e baixos n&#237;veis de atividade f&#237;sica, determinaram uma pandemia de sobrepeso e obesidade, e suas conseq&#252;entes comorbidades, as doen&#231;as cardiovasculares isqu&#234;micas e o diabete melito n&#227;o-insulino-dependente (DMNID)<sup>1</sup>.</p>
    <p>As crian&#231;as v&#234;m se tornando cada vez mais vulner&#225;veis ao excesso de peso, numa vers&#227;o "j&#250;nior" da epidemia global da obesidade adulta, inclusive com a presen&#231;a de resist&#234;ncia a insulina, diabete melito tipo II<sup>3</sup> e aterosclerose precoce<sup>4</sup>, compondo o quadro da s&#237;ndrome metab&#243;lica.</p>
    <p>Estudos recentes t&#234;m demonstrado uma redu&#231;&#227;o na preval&#234;ncia da desnutri&#231;&#227;o e um predom&#237;nio do excesso de peso em crian&#231;as e adolescentes, com taxas significativas de incremento anual desse &#250;ltimo. Wang e cols.<sup>5</sup> verificaram que a preval&#234;ncia de excesso de peso triplicou no Brasil; enquanto a preval&#234;ncia de d&#233;ficit ponderal apresentou um decl&#237;nio acentuado, reduzindo-se para quase a metade.</p>
    <p>
      <bold>M&#201;TODOS</bold>
    </p>
    <p>Foi realizado um estudo transversal, do tipo inqu&#233;rito epidemiol&#243;gico de base escolar, na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Inicialmente, foram randomizadas vinte escolas entre as 521 escolas p&#250;blicas e privadas existentes; e num segundo est&#225;gio, duas salas de aula em cada escola, quando todos os alunos de cada sala foram escolhidos para compor a amostra de 1.450 estudantes a serem investigados. O tamanho da amostra foi calculado para o primeiro e o segundo est&#225;gios, de acordo com metodologia descrita por Kish<sup>6</sup>, a partir da f&#243;rmula do teste <italic>t</italic> de Student, pr&#233;-especificando os erros a e b, como 0,05 e 0,20, respectivamente.</p>
    <p>Foi fornecido aos estudantes o documento do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. O estudo foi aprovado pelo Comit&#234; de &#201;tica em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pelo Comit&#234; de &#201;tica em Pesquisa da Universidade de S&#227;o Paulo (USP).</p>
    <p>Todos os instrumentos foram testados em um estudo piloto pr&#233;vio, realizado em duas escolas (p&#250;blica e privada).</p>
    <p>As medidas antropom&#233;tricas inclu&#237;ram peso, altura e indicadores de distribui&#231;&#227;o truncal da adiposidade &#150; espessura das pregas tricipital, subescapular e supra-il&#237;aca, e circunfer&#234;ncias das cinturas abdominal e p&#233;lvica. O porcentual de gordura corporal foi estimado por meio de imped&#226;ncia bioel&#233;trica fornecida pelo aparelho Tanita. A estatura foi obtida por meio de um estadi&#244;metro port&#225;til de alum&#237;nio, com uma aproxima&#231;&#227;o de 0,1 cm, estando o estudante sem sapatos. A medida de peso corporal, com aproxima&#231;&#227;o 0,1 kg, foi fornecida pelo Tanita, e confirmada, sistematicamente a cada dez medidas, por uma balan&#231;a eletr&#244;nica port&#225;til fornecida pela OMS. A medida da espessura das pregas subcut&#226;neas foi registrada no mil&#237;metro mais pr&#243;ximo por meio do adip&#244;metro da marca Lange (Cambridge Scientific, Cambridge, MA).</p>
    <p>Os n&#237;veis s&#233;ricos de colesterol total (CT) e lipoprote&#237;nas LDL-c, HDL-c foram analisados pelo Cobas Mira Plus (Roche Corp.), de acordo com os protocolos do National Cholesterol Education Pannel. Como n&#227;o houve nenhum valor de triglic&#233;rides s&#233;rico maior que 400 mg/dl, os n&#237;veis s&#233;ricos do LDL foram calculados a partir da f&#243;rmula de Friedwald.</p>
    <p>A press&#227;o arterial sist&#234;mica (sist&#243;lica e diast&#243;lica) foi medida de acordo com as recomenda&#231;&#245;es da American Heart Association<sup>7</sup>. Foram utilizadas as m&#233;dias das duas medidas da press&#227;o arterial nas an&#225;lises estat&#237;sticas.</p>
    <p>Os familiares ou respons&#225;veis de cada crian&#231;a ou adolescente com menos de quatorze anos de idade e o pr&#243;prio estudante foram entrevistados mediante a aplica&#231;&#227;o de um question&#225;rio elaborado para obter informa&#231;&#245;es sobre aspectos demogr&#225;ficos, h&#225;bitos alimentares, atividade f&#237;sica, sedentarismo, tabagismo e hist&#243;ria familiar de doen&#231;a cardiovascular isqu&#234;mica precoce.</p>
    <p>O gasto cal&#243;rico, avaliado em quilocalorias -MET (custo metab&#243;lico ou unidade de gasto energ&#233;tico em repouso), foi obtido por meio de um question&#225;rio recordat&#243;rio de 24 horas, sobre a atividade f&#237;sica realizada pelo estudante, modificado do question&#225;rio Spark<sup>8</sup>.</p>
    <p>Para as an&#225;lises estat&#237;sticas, a atividade f&#237;sica foi categorizada, de acordo com a quantidade de energia despendida, em quatro intervalos quart&#237;licos ou quartis, dos quais consideramos nessa an&#225;lise apenas com o intervalo ou quartil superior (Q<sub>4</sub>) e o intervalo ou quartil inferior (Q<sub>1</sub>) para obter um contraste mais definido entre os estudantes mais ativos <italic>versus</italic> os menos ativos. Tamb&#233;m utilizamos uma quest&#227;o com informa&#231;&#227;o tipo qualitativa que, indagada ao estudante, comparava a quantidade de atividade f&#237;sica que ele usualmente realiza no seu dia-a-dia, em rela&#231;&#227;o aos outros estudantes de idade e g&#234;nero similares<sup>9</sup>.</p>
    <p>O question&#225;rio avaliou tamb&#233;m as atividades sedent&#225;rias que inclu&#237;ram horas vendo televis&#227;o e v&#237;deo, horas despendidas em jogos de computador, videogame e minigame, e horas ouvindo m&#250;sica (sem dan&#231;ar) em repouso<sup>9</sup>.</p>
    <p>Foi constru&#237;do um question&#225;rio de avalia&#231;&#227;o quantitativa da freq&#252;&#234;ncia de consumo alimentar, modificado a partir de um question&#225;rio norte-americano elaborado para estudos de <italic>screening</italic>, dirigido a doen&#231;as cardiovasculares e desenvolvido por Gladys Block e cols., organizado por Thompson e Byers<sup>10</sup>, no Manual de Avalia&#231;&#227;o de Question&#225;rio sobre Alimenta&#231;&#227;o. A partir da escala mencionada, foram estabelecidos tr&#234;s n&#237;veis de padr&#227;o alimentar: adequado (dieta com baixo conte&#250;do lip&#237;dico e alto conte&#250;do em frutas e vegetais); inadequado (alto conte&#250;do de gordura e baixo conte&#250;do em frutas e vegetais); muito inadequado (conte&#250;do muito alto em gordura e muito baixo em frutas e vegetais). O consumo desses alimentos foi avaliado em uma freq&#252;&#234;ncia semanal e mensal, por meio de question&#225;rio recordat&#243;rio.</p>
    <p>Foram consideradas crian&#231;as os estudantes at&#233; a idade de onze anos, e adolescentes, de doze a dezoito anos completos. A vari&#225;vel n&#237;vel socioecon&#244;mico foi definida de acordo com a Associa&#231;&#227;o Brasileira dos Institutos de Pesquisa de Mercado, e agrupadas em um n&#237;vel superior AB e um inferior CDE, com prop&#243;sito de an&#225;lise estat&#237;stica.</p>
    <p>Com o objetivo de compara&#231;&#227;o de resultados com outros estudos realizados anteriormente, e segundo recomenda&#231;&#245;es para avalia&#231;&#227;o em inqu&#233;ritos epidemiol&#243;gicos de preval&#234;ncia de excesso de peso em crian&#231;as e adolescentes, e infer&#234;ncia de associa&#231;&#245;es e risco de subseq&#252;entes comorbidades, foram considerados como sobrepeso o IMC entre os percentis 85-94 e obesidade o IMC igual ou maior que o percentil 95, de acordo com o g&#234;nero e idade<sup>11,12</sup>. No presente estudo, foram considerados "com excesso de peso" aqueles estudantes com sobrepeso juntamente com os obesos, isto &#233;, qualquer um que estivesse com o IMC acima do percentil 85, e aqueles considerados como de "peso normal" quando o seu IMC fosse abaixo do percentil 85 at&#233; o percentil 5. Ao se definir o percentil 85 como ponto de corte para excesso de peso, incluiu-se o sobrepeso, fator de risco para DCV<sup>12</sup>, que na amostra contava com um n&#250;mero de estudantes muito maior do que os obesos.</p>
    <p>Foi considerada press&#227;o arterial "normal alta" (lim&#237;&#173;trofe) quando o valor da press&#227;o arterial sist&#243;lica (PAS) ou press&#227;o arterial diast&#243;lica (PAD) se situava entre os percentis 90 e 95 da popula&#231;&#227;o de refer&#234;ncia; hipertens&#227;o arterial significativa quando a PAS ou PAD estava acima do percentil 95; e hipertens&#227;o severa nas situa&#231;&#245;es em que a PAS ou PAD estava acima do percentil 99 da popula&#231;&#227;o de refer&#234;ncia, ou cerca de 10 mmHg acima do percentil 95, de acordo com o <italic>National High Blood Pressure Education Program Working Group on Hypertension Control in Children and Adolescents</italic><sup>13</sup>. Considerou-se como "press&#227;o arterial acima dos valores considerados normais" ou "press&#227;o arterial aumentada" quando a PAS ou PAD estava acima do percentil 90 da popula&#231;&#227;o de refer&#234;ncia.</p>
    <p><italic>An&#225;lise estat&#237;stica</italic> - Todos os testes de signific&#226;ncia foram considerados num n&#237;vel de 0,05 para o erro tipo I, ou seja, um n&#237;vel de 5% para hip&#243;tese de que cada par&#226;metro &#233; igual a zero foi usado para rejeitar a hip&#243;tese sempre que o valor do par&#226;metro estimado exceder 1,96 vez o erro-padr&#227;o estimado. As an&#225;lises foram realizadas inicialmente no Departamento de Estat&#237;stica do Instituto de Ci&#234;ncias Exatas, Universidade Federal de Minas Gerais, com o programa de an&#225;lise estat&#237;stica SPSS for <italic>Windows</italic> (<italic>Release 8.0</italic> Chicago, IL, USA), e a an&#225;lise inferencial no Instituto de Matem&#225;tica e Estat&#237;stica, Universidade de S&#227;o Paulo-SP<sup>14</sup>, utilizando o programa <italic>Statistical Analysis Software</italic>-SAS (<italic>Release 8.02</italic>, SAS <italic>Institute Inc</italic>, Cary, NC, USA).</p>
    <p>O agrupamento de fatores de risco foi determinado como a soma de quatro vari&#225;veis de risco estudadas, ou seja, colesterol total &gt; 200 mg/dL, press&#227;o arterial sist&#243;lica (PAS) <underline>&gt;</underline> percentil 90, press&#227;o arterial diast&#243;lica (PAD) <underline>&gt;</underline> percentil 90, e IMC &gt; percentil 85.</p>
    <p>An&#225;lises univariadas para teste de signific&#226;ncia das associa&#231;&#245;es foram realizadas utilizando o teste <italic>t</italic> de Student e o teste do Qui-quadrado para vari&#225;veis cont&#237;nuas e discretas, respectivamente. Para avaliar a for&#231;a da associa&#231;&#227;o, foi utilizado o c&#225;lculo da raz&#227;o de chances que, em um enfoque cl&#237;nico como pretende este estudo, pode ser utilizado como um <italic>proxy</italic> de risco, tanto na an&#225;lise univariada como na multivariada. As suposi&#231;&#245;es da adequa&#231;&#227;o do modelo linear foram avaliadas graficamente e utilizando o teste de Ryan-Joiner (similar a Shapiro-Wilk) para verificar a normalidade da distribui&#231;&#227;o dos erros do modelo.</p>
    <p>A associa&#231;&#227;o independente de vari&#225;veis preditoras com n&#237;veis elevados de press&#227;o arterial, sobrepeso e obesidade foi avaliada mediante regress&#227;o log&#237;stica <italic>backward stepwise</italic>, mantendo as vari&#225;veis com n&#237;vel descritivo de no m&#225;ximo 0,01, no teste de nulidade de seu efeito, para determinar quais n&#237;veis de gasto energ&#233;tico, sedentarismo, h&#225;bitos alimentares, classe socioecon&#244;mica, excesso de peso (IMC) e vari&#225;veis indicativas de distribui&#231;&#227;o truncal da adiposidade seriam mais preditivos de n&#237;veis adversos de colesterol total e suas fra&#231;&#245;es lipoprot&#233;icas, e press&#227;o arterial sist&#243;lica e diast&#243;lica. Todas as an&#225;lises de regress&#227;o foram controladas para v&#225;rios potenciais fatores de confundimento, incluindo, entre esses, cor da pele e idade.</p>
    <p>
      <bold>RESULTADOS</bold>
    </p>
    <p>Dos 1.450 participantes, cinco foram exclu&#237;dos por inconsist&#234;ncia de dados; e dos 1.445 que responderam adequadamente os question&#225;rios e tiveram os dados antropom&#233;tricos coletados, 1.382 (95,3%) permitiram a retirada de amostra sang&#252;&#237;nea. A maioria dos participantes freq&#252;entava escola p&#250;blica (76%); 53,0% eram do sexo feminino; e 47,0%, do sexo masculino; enquanto 56,0% eram oriundos das classes sociais mais baixas &#150; abaixo da classe m&#233;dia (CDE); 45,0% eram brancos; 44,4%, morenos; e 14,5%, negros. Para os prop&#243;sitos de an&#225;lise estat&#237;stica, os participantes de cor branca e morena foram agrupado, pois n&#227;o foram encontradas diferen&#231;as significativas entre a cor de pele morena com as outras vari&#225;veis. Assim, a vari&#225;vel cor de pele foi definida como brancos e negros.</p>
    <p>A <xref ref-type="table" rid="t01">tabela 1</xref> mostra os valores m&#233;dios, desvio-padr&#227;o (DP), m&#237;nimo, m&#225;ximo, mediano, e quartis inferior e superior das vari&#225;veis estudadas.</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="t01">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-06-0408-00002-gt01.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>As <xref ref-type="table" rid="t02">tabelas 2</xref> e <xref ref-type="table" rid="t03">3</xref> mostram a distribui&#231;&#227;o (m&#233;dia e desvio-padr&#227;o) dos l&#237;pides s&#233;ricos, press&#227;o arterial, atividade f&#237;sica e sedentarismo, e vari&#225;veis de adiposidade, de acordo com as caracter&#237;sticas demogr&#225;ficas dos participantes.</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="t02">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-06-0408-00002-gt02.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="t03">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-06-0408-00002-gt03.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>Em rela&#231;&#227;o &#224;s faixas classificadas como "desej&#225;veis", "lim&#237;trofes" e "aumentados", uma em cada tr&#234;s, ou um ter&#231;o (32,9%) dos estudantes apresentou n&#237;veis de colesterol total acima dos valores considerados desej&#225;veis (&gt; 170 mg/dL); e uma em cada quatro, ou um quarto (25,1%) com LDL-c tamb&#233;m acima dos valores considerados desej&#225;veis (&gt; 110 mg/dL). Em rela&#231;&#227;o ao HDL-c, aproximadamente um quinto (17%) dos estudantes apresentou n&#237;veis considerados n&#227;o-desej&#225;veis (<xref ref-type="table" rid="t4">tab. 4</xref>).</p>
    <p content-type="html">
      <table-wrap id="t4">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-06-0408-00002-gt04.jpg"/></table-wrap>
      <fn id="fn29873t04"/>
    </p>
    <p>De acordo com os n&#237;veis encontrados, e pelo crit&#233;rio do NCEP/NHLBI/NIH (<xref ref-type="table" rid="t05">tab. 5</xref>), novamente um ter&#231;o (32,9%) desses estudantes que se apresentaram com n&#237;veis elevados de colesterol total (&gt; 170 mg/dL) se encontra em uma faixa de risco moderado e grave de desenvolver doen&#231;a ateroscler&#243;tica quando atingir a idade adulta, e tamb&#233;m pr&#243;ximo a um ter&#231;o (32,4%) em rela&#231;&#227;o &#224;queles com n&#237;veis elevados de LDL-c (&gt; 105 mg/dL).</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="t05">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-06-0408-00002-gt05.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>Foram encontrados 28,1% dos participantes despendendo mais que 5,5 horas em atividades sedent&#225;rias; 22,6% apresentando baixos n&#237;veis de atividade f&#237;sica expressa como gasto energ&#233;tico (situados no quartil inferior de MET); e 68,5% foram descritos pelos seus parentes/respons&#225;veis ou por eles mesmos como menos ativos do que os outros da mesma idade e g&#234;nero, que por sua vez foram considerados muito mais ativos (31,5%). Como um todo, apresentaram um tempo m&#233;dio com atividades sedent&#225;rias de quatro horas ao dia, 2,8 horas assistindo a TV, e 0,3 hora com videogames ou jogos de computador. O gasto energ&#233;tico m&#233;dio (MET/dia) foi de 627,8.</p>
    <p>A maioria dos estudantes apresentou um padr&#227;o alimentar caracterizado pelo consumo de alimentos ricos em gordura. Em rela&#231;&#227;o ao grupo das frutas, vegetais e fibras, 64,8% apresentaram um consumo classificado como "muito inadequado"; 35,0%, um consumo inadequado; e ningu&#233;m (0,0%) relatou um consumo adequado desses macronutrientes. Pouco mais de um quarto (26,7%) consumia chips ou pipoca quase todos os dias (&gt; cinco dias na semana); 14,5%, tr&#234;s a quatro dias na semana; 22,8%, um a dois dias na semana. Em torno de um quarto (25,9%) consumia salgadinhos quase todos os dias (&gt; cinco dias na semana); 18,0%, tr&#234;s a quatro dias na semana; e quase um ter&#231;o (31,5%), um a dois dias na semana. Mais de um ter&#231;o (37,5%) consumia batata frita um a dois dias na semana; 17,9%, tr&#234;s a quatro dias na semana; e 14,3%, quase todos os dias (&gt; cinco dias na semana). Pouco mais da metade (58,3%) consumia balas e chicletes quase todos os dias (&gt; cinco dias na semana); 14,7%, tr&#234;s a quatro dias na semana; e 13,7%, um a dois dias na semana. Cerca de um ter&#231;o (32,9%) consumia refrigerante n&#227;o-<italic>diet</italic> quase todos nos dias ( &gt; cinco dias na semana); e outro ter&#231;o (32,8%), um a dois dias na semana; enquanto um quinto (21,0%), de tr&#234;s a quatro dias na semana; e a maioria (86,6%), pelo menos uma vez na semana. Quase a metade (48,0%) consumia frutas e vegetais todos os dias; 22,8%, dois a tr&#234;s dias na semana; e 11,1%, quatro a seis dias na semana.</p>
    <p>Foram encontradas taxas de preval&#234;ncia de 8,4% para estudantes com sobrepeso; 3,1% para obesidade; e 11,5% para o excesso de peso (IMC &gt; percentil 85).</p>
    <p>Participantes com consumo habitual de alimentos muito ricos em gordura e muito pobres em vegetais, frutas e fibras n&#227;o apresentaram diferen&#231;as significativas, quando comparados com aqueles que apresentaram um consumo apenas rico em gordura e pobre em vegetais, frutas e fibras, em rela&#231;&#227;o a n&#237;veis baixos de HDL-c, e n&#237;veis elevados de colesterol total, LDL-c, press&#227;o arterial sist&#243;lica ou diast&#243;lica aumentadas, vari&#225;veis de distribui&#231;&#227;o truncal de adiposidade, exceto os subgrupos de espessura das pregas subescapular e supra-il&#237;aca em crian&#231;as (<xref ref-type="table" rid="t06">tab. 6</xref>).</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="t06">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-06-0408-00002-gt06.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>A chance de um estudante com n&#237;vel de atividade f&#237;sica situado no 1&#186; intervalo ou quartil inferior &#150; Q<sub>1</sub> da distribui&#231;&#227;o do gasto cal&#243;rico, tamb&#233;m classificado como "menos ativo" (gasto cal&#243;rico &lt; 100 MET/dia), ter colesterol aumentado (&gt;200 mg/dl) &#233; 3,80 vezes maior do que a chance de um outro classificado como "mais ativo", situado no quartil superior &#150; Q<sub>4</sub> (gasto cal&#243;rico &gt; 964 MET/dia) (<xref ref-type="table" rid="t06">tab. 6</xref>). Um estudante localizado no 4&#186; intervalo (quartil superior &#150; Q<sub>4</sub>) da distribui&#231;&#227;o da espessura da prega subescapular categorizada em quartis tem 3,68 vezes mais chances de ter colesterol aumentado do que um outro estudante localizado no 1&#186; intervalo (quartil inferior &#150; Q<sub>1</sub>) dessa prega (<xref ref-type="table" rid="t06">tab. 6</xref>). Em rela&#231;&#227;o ao LDL-c, a chance de um estudante com distribui&#231;&#227;o truncal da adiposidade, ou seja, localizado no 4&#186; intervalo (quartil superior &#150; Q<sub>4</sub>) do "somat&#243;rio das pregas cut&#226;neas", ter n&#237;veis elevados de LDL-c (&gt;130 mg/dL) &#233; 3,29 vezes maior do que a chance de outro localizado no 1&#186; intervalo dessa vari&#225;vel (<xref ref-type="table" rid="t06">tab. VI</xref>). Quanto ao HDL-c, a chance de um estudante com valor do IMC abaixo do percentil 85 ter "n&#237;veis desej&#225;veis de HDL-c" &#233; 2,20 vezes maior do que a chance de outro com excesso de peso (&gt; percentil 85) (<xref ref-type="table" rid="t06">tab. 6</xref>). Ainda, a chance de um estudante situado no 1&#186; intervalo da "rela&#231;&#227;o ou quociente das cinturas abdominal/quadril" categorizado em quartis ter "n&#237;veis desej&#225;veis de HDL-c" &#233; 2,45 vezes maior do que a chance de outro escolar localizado no 4&#186; intervalo desse quociente, quando ambos est&#227;o no &#250;ltimo intervalo do somat&#243;rio das pregas (<xref ref-type="table" rid="t06">tab. 6</xref>).</p>
    <p>Estudantes com excesso de peso (IMC&gt;Ptil 85) apresentaram 3,60 e 2,70 vezes mais chances de ter, respectivamente, press&#227;o arterial sist&#243;lica e diast&#243;lica aumentadas (&gt;Ptil 90) (<xref ref-type="table" rid="t06">tab. 6</xref>). Tamb&#233;m os estudantes matriculados em escolas p&#250;blicas apresentaram 3,95 vezes mais chances de ter press&#227;o arterial sist&#243;lica acima do percentil 90 do que os outros de escolas particulares (<xref ref-type="table" rid="t06">tab. 6</xref>).</p>
    <p>Estudantes com "excesso de peso" apresentaram 1,99 vez mais chances de se situar em n&#237;veis socioecon&#244;micos mais elevados (AB) do que aqueles com IMC &lt; percentil 85; 1,86 e 1,78 vez, respectivamente, mais chances de ser do g&#234;nero masculino e "menos ativo que os outros", quando comparados com aqueles do g&#234;nero feminino e considerados "mais ativos que os outros". A faixa et&#225;ria (crian&#231;a), entretanto, se associou de forma significativa ao "excesso de peso" apenas quando a vari&#225;vel cor da pele foi inclu&#237;da no modelo de regress&#227;o (<xref ref-type="table" rid="t06">tab. 6</xref>).</p>
    <p>Havia mais estudantes do g&#234;nero feminino, oriundos de n&#237;veis socioecon&#244;micos mais elevados (AB), com porcentual de gordura corporal no quartil superior (Q<sub>4</sub>) de sua distribui&#231;&#227;o, do que do g&#234;nero masculino. Comparado com um estudante "mais ativo que os outros", o menos ativo foi estimado ter 1,18 vez mais chances de estar no quartil superior da distribui&#231;&#227;o do percentual de gordura corporal (<xref ref-type="table" rid="t06">tab. 6</xref>).</p>
    <p>Tamb&#233;m foram encontrados mais estudantes do g&#234;nero feminino com valores de espessura de prega subescapular no quartil superior de sua distribui&#231;&#227;o em rela&#231;&#227;o aos do g&#234;nero masculino, exceto as crian&#231;as de cor de pele morena. As crian&#231;as com h&#225;bito alimentar categorizado como "consumo muito inadequado de vegetais, frutas e fibras" apresentaram 1,18 vez mais chances de apresentar valores de espessura da prega subescapular no quartil superior de sua distribui&#231;&#227;o, comparadas com aquelas que apresentaram um "consumo inadequado". Estudantes considerados "menos ativos que os outros" apresentaram 1,23 vez mais chances de se situar no quartil superior da distribui&#231;&#227;o dessa prega do que os mais ativos (<xref ref-type="table" rid="t06">tab. 6</xref>).</p>
    <p>Mais uma vez, foram encontrados mais estudantes do g&#234;nero feminino com valores de espessura de prega supra-il&#237;aca no quartil superior de sua distribui&#231;&#227;o em rela&#231;&#227;o aos do g&#234;nero masculino. Crian&#231;as com h&#225;bito alimentar categorizado como "consumo muito inadequado de vegetais, frutas e fibras" apresentaram 1,18 vez mais chances de apresentar valores de espessura da prega supra-il&#237;aca no quartil superior de sua distribui&#231;&#227;o, comparadas com aquelas que apresentaram um "consumo inadequado". Participantes "menos ativos que os outros" apresentaram 1,25 vez mais chances de se situar no quartil superior da distribui&#231;&#227;o dessa prega do que os mais ativos (<xref ref-type="table" rid="t06">tab. 6</xref>).</p>
    <p>Participantes oriundos do grupo socioecon&#244;mico AB apresentaram 1,22 vez mais chances de apresentar valores do somat&#243;rio das pregas cut&#226;neas estudas situados no quartil superior de sua distribui&#231;&#227;o em rela&#231;&#227;o &#224;queles oriundos de classes inferiores (grupo CDE). Assim como ocorreu com outras vari&#225;veis indicativas de distribui&#231;&#227;o truncal de adiposidade, participantes "menos ativos que os outros" apresentaram 1,23 vez mais chances de se situar no quartil superior da distribui&#231;&#227;o dessa vari&#225;vel do que os mais ativos. Tamb&#233;m os participantes do g&#234;nero feminino apresentaram valores maiores dessa vari&#225;vel em rela&#231;&#227;o aos do g&#234;nero masculino (<xref ref-type="table" rid="t06">tab. 6</xref>).</p>
    <p>Havia mais estudantes do g&#234;nero masculino com valores de rela&#231;&#227;o circunfer&#234;ncias de cintura abdominal &#150; cintura p&#233;lvica (RCQ) situados no quartil superior de sua distribui&#231;&#227;o em rela&#231;&#227;o ao g&#234;nero feminino. Estudantes situados no quartil superior da distribui&#231;&#227;o da RCQ n&#227;o mostraram diferen&#231;as significativas comparados &#224;queles situados no quartil inferior, em rela&#231;&#227;o &#224;s vari&#225;veis de adiposidade e atividade f&#237;sica e sedentarismo (<xref ref-type="table" rid="t06">tab. 6</xref>).</p>
    <p>N&#227;o foram observadas diferen&#231;as significativas em an&#225;lise multivariada entre grupos de categorias de outras vari&#225;veis.</p>
    <p>
      <bold>DISCUSS&#195;O</bold>
    </p>
    <p>De modo semelhante a outros estudos, foram encontrados valores de l&#237;pides s&#233;ricos mais elevados no g&#234;nero feminino<sup>15,16</sup>, com um aumento ao redor de nove a onze anos de idade; mas ao contr&#225;rio de outros<sup>15</sup>, foram encontrados n&#237;veis mais elevados (CT, LDL-c, HDL-c) em estudantes de cor branca do que de cor preta. Como s&#243;i ocorrer nos pa&#237;ses em transi&#231;&#227;o epidemiol&#243;gica, foram encontrados n&#237;veis mais elevados de l&#237;pides s&#233;ricos, sobrepeso, obesidade e distribui&#231;&#227;o truncal da adiposidade corporal, entre os estudantes de classes socioecon&#244;micas mais elevadas e em escolas privadas.</p>
    <p>Quando comparadas com os resultados do <italic>Lipid Research Study</italic><sup>16</sup>, as diferen&#231;as encontradas entre os valores m&#233;dios dos l&#237;pides s&#233;ricos entre os dois estudos variaram muito entre valores positivos e negativos, a maioria delas sem signific&#226;ncia estat&#237;stica. Apesar da presen&#231;a de um perfil lip&#237;dico adverso &#224; sa&#250;de, semelhante e &#224;s vezes at&#233; mais preocupante que os dos norte-americanos, quanto aos valores de risco para o desenvolvimento de doen&#231;a ateroscler&#243;tica encontrados, esses ainda s&#227;o menores que os relatados nas cidades de Nova York e Bogalusa, com valores de risco leve entre 28% e 33%, risco moderado entre 17% e 22%, e risco grave entre 20% e 30%<sup>17</sup>.</p>
    <p>Escolhemos para compara&#231;&#227;o de resultados, pela semelhan&#231;a metodol&#243;gica, os estudos realizados nas cidades de Rio Acima, MG<sup>18</sup>, e Bento Gon&#231;alves,RS<sup>19</sup>. Utilizando delineamento e metodologia id&#234;nticos, replicamos o Estudo do Cora&#231;&#227;o de Belo Horizonte na cidade de Florian&#243;polis-SC<sup>20, 21</sup>, o que facilita a compara&#231;&#227;o dos resultados catarinenses com os do <italic>estudo-m&#227;e</italic> de Minas Gerais.</p>
    <p>Quanto &#224; preval&#234;ncia de valores elevados do colesterol e suas fra&#231;&#245;es lipoprot&#233;icas, os estudantes de Belo Horizonte apresentam taxas menores de n&#237;veis elevados de colesterol total e LDL-c que as encontradas nas cidades de Rio Acima<sup>18</sup>, Bento Gon&#231;alves<sup>19</sup>, e Florian&#243;polis SC<sup>20,21</sup>, e taxas maiores de n&#237;veis indesej&#225;veis de HDL-c que as de Bento Gon&#231;alves<sup>19</sup> e Florian&#243;polis SC<sup>20, 21</sup>.</p>
    <p>Ap&#243;s ajuste para outras vari&#225;veis, foram encontrados significantes valores de Raz&#227;o de Chances para n&#237;veis desej&#225;veis de HDL-c em indiv&#237;duos "sem excesso de peso", semelhante aos resultados do Estudo do Cora&#231;&#227;o de Bogalusa<sup>22</sup>. Tamb&#233;m, como descrito nessa coorte norte americana<sup>22</sup>, foi demonstrado nesse estudo brasileiro uma rela&#231;&#227;o inversa entre n&#237;veis desej&#225;veis de HDL-c e RCQ (<xref ref-type="table" rid="t06">tab. 6</xref>).</p>
    <p>Em concord&#226;ncia com outros estudos populacionais<sup>23</sup>, n&#227;o foram encontradas diferen&#231;as significativas nos valores de press&#227;o arterial diast&#243;lica entre os g&#234;neros masculino e feminino, mas os adolescentes apresentaram valores significativamente superiores em rela&#231;&#227;o &#224;s crian&#231;as, e negros em rela&#231;&#227;o aos brancos. Foram encontradas diferen&#231;as significativas entre valores aumentados de press&#227;o arterial sist&#243;lica em adolescentes masculinos negros em rela&#231;&#227;o a crian&#231;as brancas do sexo feminino, e em estudantes de escola p&#250;blica, mas nenhuma diferen&#231;a entre as classes socioecon&#244;micas (<xref ref-type="table" rid="t03">tab. 3</xref>). Na presente amostra, 12% dos estudantes apresentaram valores de press&#227;o arterial acima dos valores normais (sist&#243;lica e/ou diast&#243;lica &gt; percentil 90). Esse valor de preval&#234;ncia de n&#237;veis elevados de press&#227;o arterial foi inferior ao encontrado por Perone e cols. (15%)<sup>24</sup> em uma outra amostra brasileira, e igual ao encontrado (12%) na cidade de Florian&#243;polis SC<sup>20, 21</sup>.</p>
    <p>Como era de esperar, e semelhante aos resultados de Nielsen e cols.<sup>25</sup> (OR=3,99), nossos estudantes com "excesso de peso" (IMC &gt; percentil 85) apresentaram maiores chances de ter n&#237;veis elevados (&gt; percentil 90) de press&#227;o arterial sist&#243;lica ou diast&#243;lica, comparados com aqueles de "sem excesso de peso" (IMC &lt; percentil 85) (<xref ref-type="table" rid="t06">tab. 6</xref>). Os estudantes das escolas p&#250;blicas apresentaram maiores chances de ter press&#227;o arterial sist&#243;lica aumentada que os das escolas privadas, ao passo que n&#227;o houve diferen&#231;a significativa entre os quartis extremos da distribui&#231;&#227;o das vari&#225;veis de adiposidade e valores elevados de press&#227;o arterial (<xref ref-type="table" rid="t06">tab. 6</xref>). Esse valor de Raz&#227;o de Chances foi superior &#224;queles encontrados por Styne (2,40)<sup>26</sup>, e pr&#243;ximo daquele verificado para press&#227;o arterial sist&#243;lica em pa&#237;ses em desenvolvimento (4,00)<sup>27</sup>.</p>
    <p>Nossas taxas de preval&#234;ncia de sobrepeso (8,4%), obesidade (3,1%) e excesso de peso foram inferiores &#224;s taxas encontradas no Brasil como um todo em diversos pa&#237;ses da Am&#233;rica Latina e dos Estados Unidos<sup>28,29</sup>. Dados de outra fonte de representatividade nacional, coletados um ano antes desses, mostraram tamb&#233;m a mesma preval&#234;ncia de sobrepeso, mas uma taxa maior de obesidade e excesso de peso<sup>30</sup>. Em Santa Catarina, foram encontrados valores mais elevados de taxas de preval&#234;ncia de sobrepeso, obesidade, e excesso de peso, em uma amostra de 1.050 estudantes de seis a dezoito anos de idade SC<sup>20,21</sup>. Em compara&#231;&#227;o com um outro estudo realizado cinco anos antes em Belo Horizonte<sup>31</sup>, conduzido com delineamento e metodologia id&#234;nticos, tamb&#233;m por pesquisadores desse presente estudo, os resultados deste estudo indicam uma clara tend&#234;ncia de aumento de 13%, durante esse per&#237;odo, nas taxas de sobrepeso e obesidade nesse grupo populacional.</p>
    <p>Como era de esperar, participantes com excesso de peso e aqueles com distribui&#231;&#227;o truncal da adiposidade apresentaram n&#237;veis mais elevados de press&#227;o arterial sist&#243;lica e diast&#243;lica do que os "sem excesso de peso" e sem adiposidade truncal (<xref ref-type="table" rid="t06">tab. 6</xref>). A aus&#234;ncia de associa&#231;&#227;o significativa entre a RCQ e a maioria das vari&#225;veis estudas poderiam ser explicadas pelo aumento maior na circunfer&#234;ncia da cintura escapular, em compara&#231;&#227;o com a abdominal, durante o crescimento.</p>
    <p>No presente estudo, crian&#231;as negras do sexo masculino, matriculadas em escolas p&#250;blicas e oriundas de n&#237;veis socioecon&#244;micos mais baixos (CDE), apresentaram valores maiores de gasto energ&#233;tico (MET), quando comparadas com adolescentes brancos do sexo feminino, matriculados em escolas privadas e oriundos de n&#237;veis socioecon&#244;micos mais elevados (<xref ref-type="table" rid="t02">tabs. 2</xref> e <xref ref-type="table" rid="t03">3</xref>). Os adolescentes foram mais sedent&#225;rios que as crian&#231;as, e aqueles dos n&#237;veis socioecon&#244;micos mais baixos gastaram mais tempo assistindo &#224; televis&#227;o do que os de n&#237;veis mais elevados (<xref ref-type="table" rid="t02">tabs. 2</xref> e <xref ref-type="table" rid="t03">3</xref>). Houve mais participantes dessa amostra com tempo longo despendido em atividades sedent&#225;rias (28% &gt; 5,5 h/dia) do que o registrado na popula&#231;&#227;o mundial (17% &gt; quinze anos de idade)<sup>32</sup>; menos que a popula&#231;&#227;o brasileira como um todo (50%-79% &gt; doze anos de idade) e semelhante a esse &#250;ltimo dado no subgrupo de adolescentes (76% &gt; 5,5 h/dia)<sup>33,34</sup>. Comparados com os norte-americanos (3,5 h/dia)<sup>35</sup> e uma outra mostra brasileira (5 h/dia)<sup>36</sup>, os estudantes deste estudo, incluindo os adolescentes, permaneceram menos tempo assistindo &#224; TV (2,8 h/dia). Os resultados do bra&#231;o catarinense deste estudo<sup>20,21</sup> mostraram um percentual mais elevado de estudantes com pouca atividade f&#237;sica (gasto cal&#243;rico em n&#237;veis muito baixos em MET/dia = 40%) em rela&#231;&#227;o aos de Belo Horizonte (gasto cal&#243;rico no quartil inferior em MET/dia = 22,8%).</p>
    <p>Tanto a escala comparativa de atividade f&#237;sica quanto o n&#237;vel de gasto energ&#233;tico, ambos indicando n&#237;veis baixos dessas vari&#225;veis, foram mais freq&#252;entemente encontrados naqueles com excesso de peso do que nos "sem excesso de peso". Semelhante aos achados de outros autores<sup>25</sup>, foram encontrados expressivos valores de raz&#227;o de chances para o excesso de peso (IMC &gt; percentil 85) e valores aumentados de espessura das pregas cut&#226;neas, para n&#237;veis baixos de atividade f&#237;sica (<xref ref-type="table" rid="t06">tab. 6</xref>). Assim como Kemper e cols.<sup>37</sup> (OR = 0,81), foi encontrado um efeito protetor da atividade f&#237;sica para o excesso de peso (OR = 0,61). Ao contr&#225;rio de outros estudos<sup>38</sup>, os estudantes com excesso de peso avaliados neste estudo n&#227;o passaram mais horas assistindo &#224; TV do que os sem esse excesso.</p>
    <p>Foram encontrados resultados semelhantes aos levantados em Florian&#243;polis quanto ao consumo de alimentos que influem na sa&#250;de cardiovascular. Enquanto 88,4% dos estudantes de Belo Horizonte consumiam alimentos ricos em gordura saturada e nenhum participante relatou ingest&#227;o adequada de frutas, vegetais e fibras, em Florian&#243;polis esses valores foram de 79% e 0,3%<sup>20,21</sup>. No estudo conduzido por Dennison e cols.<sup>39</sup>, assim como neste presente estudo, participantes com excesso de peso n&#227;o apresentaram aporte maior de energia do que seus controles.</p>
    <p>Consistente com outros estudos<sup>39</sup>, foi encontrada uma freq&#252;&#234;ncia maior no consumo de frutas, vegetais e fibras entre aqueles com excesso de peso em rela&#231;&#227;o aos de peso normal e magros. &#201; poss&#237;vel que os participantes com "excesso de peso" e seus respons&#225;veis possam ter exagerado no relato de consumo de frutas e vegetais e sub-relatado o consumo de alimentos gordurosos, por causa do conceito de "alimentos saud&#225;veis" e "alimentos n&#227;o-saud&#225;veis" veiculado nas diversas m&#237;dias, e pelos profissionais de sa&#250;de.</p>
    <p>Assim como relatado em outros estudos, foi identificada entre os estudantes a presen&#231;a simult&#226;nea (<italic>cluster</italic>) de fatores de risco para desenvolvimento de s&#237;ndrome metab&#243;lica<sup>40</sup>. Praticamente um em cada cinco participantes (19,3%) apresentava agrupamento de quatro fatores de risco, presentes simultaneamente em um mesmo indiv&#237;duo: n&#237;veis elevados de colesterol total (&gt; 200 mg/dL), IMC &gt; percentil 85, press&#227;o arterial sist&#243;lica &gt; percentil 90, press&#227;o arterial diast&#243;lica &gt; percentil 90).</p>
    <p>A aus&#234;ncia de associa&#231;&#227;o significativa entre h&#225;bitos alimentares e outras vari&#225;veis pode, em parte, ser devida &#224; atenua&#231;&#227;o causada pela baixa acur&#225;cia dos dados relativos aos h&#225;bitos alimentares e atividade f&#237;sica.</p>
    <p>
      <bold>CONCLUS&#213;ES</bold>
    </p>
    <p>A maioria dos estudantes apresentou h&#225;bitos alimentares considerados adversos &#224; sa&#250;de, caracterizados pelo consumo de quantidades preocupantes de <italic>junk food</italic>, alimentos ricos em gordura saturada, e pobres em frutas, vegetais e fibras. V&#225;rios apresentaram n&#237;veis muito baixos de atividade f&#237;sica, longos per&#237;odos de tempo despendido em atividades sedent&#225;rias, principalmente assistindo &#224; TV, e mais da metade dos participantes da amostra foi composta por indiv&#237;duos considerados "muito menos ativo que os outros". Foi encontrada taxa preocupante de "excesso de peso" e distribui&#231;&#227;o truncal da adiposidade, as quais, juntamente com padr&#245;es adversos de atividade f&#237;sica/sedentarismo, estiveram associadas a n&#237;veis elevados de press&#227;o arterial, colesterol total, LDL-c, e baixos n&#237;veis de HDL-c.</p>
    <p>
      <bold>AGRADECIMENTOS</bold>
    </p>
    <p>Este estudo foi realizado com recursos do Departamento de P&#243;s-gradua&#231;&#227;o da Faculdade de Medicina da UFMG, Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) e Funda&#231;&#227;o de Assist&#234;ncia &#224; Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflitos de interesses pertinentes.</p>
    <p>33. Brasil. Minist&#233;rio da Sa&#250;de. Secretaria de Pol&#237;ticas de Sa&#250;de. Departamento de A&#231;&#245;es Program&#225;ticas Estrat&#233;gicas. Plano de reorganiza&#231;&#227;o da aten&#231;&#227;o &#224; hipertens&#227;o arterial e ao diabetes mellitus: hipertens&#227;o arterial e diabetes mellitus. Bras&#237;lia, 2001.</p>
    <p>
      <fn id="back10" fn-type="corresp">
        <p>Correspond&#234;ncia:</p>
        <p>Robespierre Q. C. Ribeiro </p>
        <p> Alameda Guilherme Henrique Daniel, 94/302 </p>
        <p> 30220-200 &#150; Belo Horizonte, MG </p>
        <p>E-mail: </p>
        <p><email xlink:href="dr.robespierre@gmail.com">dr.robespierre@gmail.com</email> ou </p>
        <p>
          <email xlink:href="rqueiroz@cardiol.br">rqueiroz@cardiol.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Recebido em 17/02/05 </p>
    <p> Aceito em 29/04/05</p>
  </body>
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      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>OBJECTIVE: To examine the association of overweight and obesity with physical activity, blood pressure (BP) and serum lipid profiles. METHODS: Epidemiologic investigation of 1,450 students, between the ages of 6 and 18, in the city of Belo Horizonte, MG. Data: weight, height, BP, skinfold thickness, waist circumference, physical activity, total cholesterol (TC), LDL-c, HDL-c, and dietary habits. RESULTS: The prevalence rates for overweight and obesity were 8.4% and 3.1%, respectively. In relation to the students in the lower quartile (Q1) of the distribution of subscapular skinfold, the students in the upper quartile (Q4) presented a 3.7 times higher risk (odds ratio) of having elevated TC levels. Overweight and obese students had a 3.6 times higher risk of having elevated systolic blood pressure, and a 2.7 times higher risk of elevated diastolic blood pressure when compared to normal weight students. The less active students in the Q1 of distribution of MET presented a 3.8 times higher risk of having elevated TC levels compared to those who were more active (Q4). CONCLUSION: Students who were overweight, obese or in the upper quartiles for other adiposity variables, as well as students with low levels of physical activity or a sedentary lifestyle presented higher blood pressure levels and a lipid profile indicative of an increased risk of developing atherosclerosis.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Obesity</kwd>
        <kwd>blood pressure</kwd>
        <kwd>motor activity</kwd>
        <kwd>nutrition</kwd>
        <kwd>child</kwd>
        <kwd>adolescent</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>ORIGINAL ARTICLES</bold>
      </p>
      <p>Additional cardiovascular risk factors associated with excess weigth in children and adolescents. The Belo Horizonte heart study</p>
      <p>
        <bold>Robespierre Q. C. Ribeiro; Paulo A. Lotufo; Joel A. Lamounier; Reynaldo G. Oliveira; Jos&#233; Francisco Soares; Denise Aparecida Botter</bold>
      </p>
      <p>Universidade de S&#227;o Paulo e Universidade Federal de Minas Gerais - S&#227;o Paulo, SP - Minas Gerais, MG - Brazil</p>
      <p>
        <xref ref-type="corresp" rid="back10-body2">Mailing Address</xref>
      </p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p><bold>OBJECTIVE: </bold>To examine the association of overweight and obesity with physical activity, blood pressure (BP) and serum lipid profiles.</p>
      <p><bold>METHODS: </bold> Epidemiologic investigation of 1,450 students, between the ages of 6 and 18, in the city of Belo Horizonte, MG. Data: weight, height, BP, skinfold thickness, waist circumference, physical activity, total cholesterol (TC), LDL-c, HDL-c, and dietary habits.</p>
      <p><bold>RESULTS: </bold> The prevalence rates for overweight and obesity were 8.4% and 3.1%, respectively. In relation to the students in the lower quartile (Q1) of the distribution of subscapular skinfold, the students in the upper quartile (Q4) presented a 3.7 times higher risk (odds ratio) of having elevated TC levels. Overweight and obese students had a 3.6 times higher risk of having elevated systolic blood pressure, and a 2.7 times higher risk of elevated diastolic blood pressure when compared to normal weight students. The less active students in the Q1 of distribution of MET presented a 3.8 times higher risk of having elevated TC levels compared to those who were more active (Q4).</p>
      <p><bold>CONCLUSION: </bold>Students who were overweight, obese or in the upper quartiles for other adiposity variables, as well as students with low levels of physical activity or a sedentary lifestyle presented higher blood pressure levels and a lipid profile indicative of an increased risk of developing atherosclerosis.</p>
      <p><bold>Key words: </bold>Obesity, blood pressure, motor activity, nutrition, child, adolescent.</p>
      <p>The current epidemic of ischemic cardiovascular diseases (CVD) in the developing countries has brought an increased burden for public health in terms of Disability Adjusted Life Years (DALY)<sup>1</sup>. In Brazil, DCVs account for the highest burden of disease (9.6 DALY) followed by diabetes mellitus (5.1 DALY), both sharing excess weight as a common risk factor<sup>2</sup>.</p>
      <p>Recent and profound lifestyle changes regarding dietary habits characterized by a high intake of saturated fat, hypercaloric beverages and low levels of physical activity resulted in a widespread epidemic of overweight and obesity, and their consequent comorbidities, CVDs and non-insulin-dependent diabetes mellitus (NIDDM)<sup>1</sup>.</p>
      <p>Children are becoming increasingly more vulnerable to excess weight, in a "Junior" version of the global adult obesity epidemic, and they even present with insulin resistance, type 2 diabetes mellitus<sup>3</sup> and early onset atherosclerosis<sup>4</sup> comprising the manifestations of the metabolic syndrome.</p>
      <p>Recent studies have shown a decline in the prevalence of malnutrition and a predominance of excess weight in children and adolescents with significant yearly increase rates of the latter. Wang et al<sup>5</sup> verified a three-fold increase in the prevalence of excess weight in Brazil whereas the prevalence of underweight people showed a sharp decline to almost half of previous numbers.</p>
      <p>
        <bold>METHODS</bold>
      </p>
      <p>A school-based epidemiologic cross-sectional study was conducted in the city of Belo Horizonte, State of Minas Gerais, Brazil. Initially, twenty out of the 521 public and private schools of Belo Horizonte were randomized. The second step was to choose two classrooms from each school to compose a sample of 1,450 students to be investigated. The sample size was calculated for the first two stages using the Kish method<sup>6</sup>, based on the Student's t-test and pre-specifying the a and b errors as 0.05 and 0.20, respectively.</p>
      <p>A Written Consent Form was given to the students. This study was approved by the Research Ethics Committee of UFMG and by the Research Ethics Committee of USP.</p>
      <p>All instruments were tested in a previous pilot study conducted at two schools (one public and one private).</p>
      <p>The anthropometric measurements included weight, height and central body fat distribution indicators &#150;triceps, subscapula and suprailiac skinfold thickness, and waist and hip measurements. The percentage of body fat was estimated using a Tanita bioelectric impedance scale. Height measurements were taken using a portable aluminum stadiometer, with a tolerance of approximately 0.1 cm, with the students standing without shoes. Body weights were taken with the Tanita scale, with a tolerance of approximately 0.1 kg. and systematically confirmed after every ten measurements with a OMS portable electronic scale. Skinfold thickness measurements were recorded to the closest millimeter using Lange skinfold calipers (Cambridge Scientific, Cambridge, MA).</p>
      <p>Serum levels of total cholesterol (TC), and LDL-c and HDL-c lipoproteins were analyzed by Cobas Mira Plus (Roche Corp.) in accordance with the protocols of the National Cholesterol Education Panel. Since there were no triglyceride serum levels higher than 400 mg/dl, the LDL serum levels were calculated using the Friedewald formula.</p>
      <p>Systemic blood pressure (systolic and diastolic) readings were taken in accordance with the recommendations of the American Heart Association<sup>7</sup>. The mean of the two blood pressure readings was used in the statistical analyses.</p>
      <p>The parents or guardians of each child or adolescent under 14 years of age and the students were interviewed using a questionnaire to obtain information regarding demographic aspects, dietary habits, physical and sedentary activities, smoking and family history of early onset CVD.</p>
      <p>The energy expenditure, evaluated in kilocalories &#150; MET (metabolic cost or unit of resting metabolic rate) was obtained using a 24-hour record questionnaire of the student's physical activities, modified from the Spark questionnaire<sup>8</sup>. For statistical analyses, physical activities were classified in accordance with energy expenditure levels in four intervals or quartiles. In this analysis, only the upper interval or quartile (Q4) and the lower interval or quartile (Q1) were considered in order to obtain a more marked contrast between the most active and the least active students. A qualitative question was also included for the students to compare their daily level of physical activity with their counterparts<sup>9</sup>.</p>
      <p>The questionnaire also evaluated sedentary activities including the number of hours spent watching TV and videos, number of hours spent playing computer games, videogames and handheld computer games and the number of hours spent listening to music (without dancing) for relaxation<sup>9</sup>.</p>
      <p>A quantitative food frequency evaluation questionnaire was prepared based on a North American questionnaire that was prepared for cardiovascular disease screening studies, and developed by Gladys Block et al and organized by Thompson and Byers<sup>10</sup> in the Dietary Assessment Resource Manual.</p>
      <p>From the scale mentioned above, three levels of nutrition standard were established: adequate (a diet with low lipid levels and a high concentration of fruits and vegetables); inadequate (high fat content and low fruit and vegetable content); very inadequate (very high fat content and very low fruit and vegetable content). The consumption of these foods was evaluated on a weekly and monthly basis using a diet record.</p>
      <p>We considered students up to age 11 as children and students between 12 and 18 as adolescents. The social-economic variable was defined in accordance with the Brazilian Association of Market Research Institutes and grouped for statistical analysis purposes in an upper level (AB) and a lower level (CDE).</p>
      <p>In order to compare our results with those of other studies previously conducted, and following the recommendations for epidemiologic inquiry evaluations for the prevalence of excess weight in children and adolescents, and inference of associations and risk of subsequent comorbidities, overweight was considered as a BMI between the 85th and 94th percentiles, and obesity equal to or higher than the 95th percentile according to age and gender<sup>11,12</sup>. In the present study, students were considered with "excess weight" when they were either overweight or obese, that is, anyone with a BMI over the 85th percentile. Those considered with a "normal weight" had a BMI between the 5th and 85th percentiles. By defining the 85th percentile as the cut-off point for excess weight, overweight &#150; a CVD risk factor<sup>12</sup> &#150; was included in the data, and there was a much higher number of overweight students than obese students in the sample.</p>
      <p>Blood pressure was considered "high normal" (borderline) when the systolic blood pressure (SBP) or diastolic blood pressure (DBP) was between the 90th and 95th percentiles for the reference population; significant high blood pressure was defined as a systolic or diastolic pressure above the 95th percentile, and severe high blood pressure as a systolic or diastolic pressure above the 99th percentile for the reference population, or approximately 10 mmHg above the 95th percentile in accordance with the National High Blood Pressure Education Program Working Group on Hypertension Control in Children and Adolescents<sup>13</sup>. We considered "blood pressure higher than normal" or "high blood pressure" when the SBP or DBP levels were above the 90th percentile for the reference population.</p>
      <p><italic>Statistical Analysis</italic> - All significance tests were considered at a level of 0.05 for the type I error, that is, a level of 5% for the hypothesis that each parameter is equal to zero was used to reject the hypothesis whenever the estimated parameter value exceeded the estimated standard error 1.96 times. Initially the analyses were conducted in the Department of Statistics of the Institute of Exact Sciences, <italic>Universidade Federal de Minas Gerais</italic>, using the statistical analysis program SPSS for Windows (Release 8.0 Chicago, IL, USA). The inferential analysis was conducted in the Institute of Mathematics and Statistics, <italic>Universidade de S&#227;o Paulo</italic><sup>14</sup>, using the Statistical Analysis Software-SAS (Release 8.02, SAS Institute Inc, Cary, NC, USA).</p>
      <p>Risk factors were clustered according to the total of the four risk variables studied, that is, total cholesterol &gt; 200 mg/dl, systolic blood pressure <underline>&gt;</underline> 90th percentile, diastolic blood pressure (DBP) <underline>&gt;</underline> 90th percentile, and BMI &gt; 85th percentile.</p>
      <p>Univariate analyses for the significance test of the associations were conducted using the Student's t-test for continuous variables and the Chi-square test for discrete variables. To evaluate the strength of the association, the odds ratio calculation was used, which in a clinical focus study, such as this one, can be used as a risk proxy for both univariate and multivariate analyses. The adequacy assumptions of the linear model were evaluated graphically and using the Ryan-Joiner test (similar to Shapiro-Wilk) to verify the normality of the model error distribution.</p>
      <p>The independent association of predictive variables with elevated blood pressure levels, overweight and obesity were evaluated using the backward stepwise logistic regression, keeping the variables at a maximum descriptive level of 0.01 in the null test of their effect to determine which energy expenditure levels, sedentary activities, dietary habits, social-economic class, excess weight (BMI) and variables indicative of central body fat distribution would be the most predictive of adverse levels of total cholesterol and lipoprotein fractions, and of systolic and diastolic blood pressure. All regression analyses were controlled for various confounding factors including skin color and age.</p>
      <p>
        <bold>RESULTS</bold>
      </p>
      <p>From the initial 1,450 participants, five were excluded for inconsistent data. From the remaining 1,445 that responded adequately to the questions and had their anthropometrical data collected, 1,382 (95.3%) agreed to have a blood sample drawn. The majority of the participants attended public schools (76%), 53% were female and 47% male, 56% were from the lower social classes (below middle class - CDE), 45% were white, 44.4% were dark skinned and 14.5% were black. For statistical analysis purposes the white and dark skinned participants were grouped together since there were no significant differences between dark skin and the other variables. As such, the skin color variable was defined as white and black.</p>
      <p><xref ref-type="table" rid="en_29873t01-body2">Table 1</xref> shows the mean values, standard deviation (SD), minimum, maximum, median, and lower and upper quartiles of the variables studied.</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_29873t01-body2">
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      </p>
      <p><xref ref-type="table" rid="en_29873t02-body2">Tables 2</xref> and <xref ref-type="table" rid="en_29873t03-body2">3</xref> show the distribution (mean and standard deviation) of serum lipids, blood pressure, physical and sedentary activities and adiposity variables, according to the demographic characteristics of the participants.</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_29873t02-body2">
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      </p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_29873t03-body2">
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      </p>
      <p>In relation to the ranges classified as "desirable", "borderline" and "elevated", one third (32.9%) of these students presented total cholesterol levels higher than the values considered desirable (&gt; 170 mg/dl), and one quarter (25.1%) also presented LDL-c levels higher than the values considered desirable (&gt; 110 mg/dl). In relation to HDL-c, approximately one fifth (17%) of the students presented values considered as undesirable (<xref ref-type="table" rid="t4-body2">Table 4</xref>).</p>
      <p content-type="html">
        <table-wrap id="t4-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-06-0408-00002-gt04-en.jpg"/></table-wrap>
        <fn id="fn29873t04-body2"/>
      </p>
      <p>According to the levels found and the criteria of NCEP/NHLBI/NIH (<xref ref-type="table" rid="en_29873t05-body2">Table 5</xref>), once again one third (32.9%) of these students that presented elevated levels of total cholesterol (&gt; 170 mg/dl) were classified in the range of moderate to serious risk to develop atherosclerotic disease in adulthood, as well as close to one third (32.4%) in relation to those with elevated levels of LDL-c (&gt; 105 mg/dl).</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_29873t05-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-06-0408-00002-gt05-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>The results revealed that 28.1% of the participants spent more than 5.5 hours on sedentary activities, 22.6% presented low levels of physical activity expressed as energy expenditure (located in the lower MET quartile), and 68.5% were described by themselves or their parents/guardians as less active than their counterparts who were considered much more active (31.5%). Generally speaking, the results show an average of 4 hours per day spent on sedentary activities; 2.8 hours watching TV and 0.3 hours playing video or computer games. The mean energy expenditure (MET/day) was 627.8.</p>
      <p>The majority of the students presented dietary habits characterized by the consumption of high fat foods. In relation to the group of fruits, vegetables and fibers, 64.8% presented an intake classified as "very inadequate", 35.0% an inadequate intake and 0.0% reported and adequate intake of these macronutrients. A little more than one quarter (26.7%) ate potato chips or popcorn almost every day (&gt; five days per week), 14.5% three to four days per week and 22.8% one to two days per week. Roughly one quarter (25.9%) ate snack foods almost every day (&gt; five days per week), 18.0% three to four days per week and almost one third (31.5%) one to two days per week. More than one third (37.5%) ate French fries one to two days per week, 17.9% three to four days per week and 14.3% almost every day (&gt; five days per week). A little more than one half (58.3%) ate candies and chewing gum almost every day (&gt; five days per week), 14.7% three to four days per week and 13.7% one to two days per week. Roughly one third (32.9%) drank regular soft drinks almost every day (&gt; five days per week), and another third (32.8%) one to two days per week, while one fifth (21.0%) three to four days per week and the majority (86.6%) at least once a week. Almost one half (48.0%) ate fruits and vegetables every day, 22.8% two to three days per week and 11.1% four to six days per week.</p>
      <p>Prevalence rates were 8.4% for overweight, 3.1% for obesity, and 11.5% for excess weight (BMI &gt; 85th percentile).</p>
      <p>Participants with a regular intake of very high-fat foods and very low levels of fruits, vegetables and fibers did not present any significant differences when compared to those with intakes of high-fat foods and low levels of fruits, vegetables and fibers in relation to low levels of HDL-c, elevated levels of total cholesterol and LDL-c, elevated systolic or diastolic blood pressure and central body fat distribution variables, except the subgroups of subscapular and suprailiac skinfold thickness measurements in children. (<xref ref-type="table" rid="en_29873t06-body2">Table 6</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_29873t06-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-06-0408-00002-gt06-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>The chance of a student with a physical activity level located in the 1st interval or lower quartile &#150; Q<sub>1</sub> of the calorie expenditure distribution and also classified as "less active" (calorie expenditure &lt; 100 MET/day) to have high cholesterol (&gt;200 mg/dl) is 3.80 times higher than the chance of another student classified as "more active" located in the upper quartile &#150; Q<sub>4</sub> (calorie expenditure &gt; 964 MET/day) (<xref ref-type="table" rid="en_29873t06-body2">Table 6</xref>). A student located in the 4th interval (upper quartile &#150; Q<sub>4</sub>) of the subscapular skinfold thickness distribution classified in quartiles has 3.68 times more chances to have high cholesterol than another student located in the 1st interval (lower quartile &#150; Q<sub>1</sub>) of this skinfold (<xref ref-type="table" rid="en_29873t06-body2">Table 6</xref>). In relation to LDL-c, the chance of a student with central body fat distribution, that is, located in the 4th interval (upper quartile &#150; Q<sub>4</sub>) of the "sum of skinfold thickness measurements", to have elevated levels of LDL-c (&gt;130 mg/dl) is 3.29 times higher than the chance of another student located in the 1st interval for this variable (<xref ref-type="table" rid="en_29873t06-body2">Table 6</xref>). In regard to HDL-c, the chance of a student with a BMI value lower than the 85th percentile to have "desirable levels of HDL-c" is 2.20 times higher than the chance of another student with excess weight (&gt; 85th percentile) (<xref ref-type="table" rid="en_29873t06-body2">Table 6</xref>). Further, the chance of a student located in the 1st interval of the "waist &#150; hip ratio" classified in quartiles to have "desirable levels of HDL-c" is 2.45 times higher than the chance of another student located in the 4th interval of this quotient when both are in the last interval of the sum of skinfold measurements (<xref ref-type="table" rid="en_29873t06-body2">Table 6</xref>).</p>
      <p>Students with excess weight (BMI &gt; 85th percentile) presented 3.60 times more chances to have high systolic blood pressure and 2.70 times more chances to have high diastolic blood pressure (&gt; 90th percentile) (<xref ref-type="table" rid="t4-body2">Table 4</xref>). Also, students enrolled in public schools presented 3.95 times more chances to have a systolic blood pressure above the 90th percentile than those enrolled in private schools (<xref ref-type="table" rid="en_29873t06-body2">Table 6</xref>).</p>
      <p>Students with "excess weight" presented 1.99 times more chances to be located in the higher social-economic classes (AB) than those with a BMI &lt; 85th percentile; 1.86 times more chances to be male and 1.78 times more chances to be "less active than the others" when compared with females and those that are considered to be "more active than the others". However, the age group (child) only had a significant association with "excess weight" when the skin color variable was included in the regression model (<xref ref-type="table" rid="en_29873t06-body2">Table 6</xref>).</p>
      <p>There were more female students from the higher social-economic classes (AB) with a body fat percentage in the upper quartile (Q4) of their distribution than male students. Compared to a student that is "more active than the others", the less active was estimated to have 1.18 times more chances to be in the upper quartile of the distribution of the percentage of body fat (<xref ref-type="table" rid="en_29873t06-body2">Table 6</xref>).</p>
      <p>With the exception of dark skinned children, more female students were located in the upper quartile of the distribution of subscapular skinfold thickness than male students. Children with dietary habits classified as "very inadequate consumption of fruits, vegetables and fibers" presented 1.18 times more chances to present subscapular skinfold thickness values in the upper quartile of their distribution compared to those that presented an "inadequate intake". Students considered "less active than the others" presented 1.23 times more chances to be located in the upper quartile of the distribution of this skinfold than those who are more active (<xref ref-type="table" rid="en_29873t06-body2">Table 6</xref>).</p>
      <p>Once again, more female students were found to have suprailiac skinfold thickness measurements in the upper quartile of their distribution than male students. Children with a diet classified as "very inadequate intake of fruits, vegetables and fibers" presented 1.18 times more chances to present suprailiac skinfold thickness values in the upper quartile of their distribution compared to those who presented an "inadequate intake." Participants who were "less active than the others" presented 1.25 times more chances to be located in the upper quartile of the distribution of this skinfold than those who were more active (<xref ref-type="table" rid="en_29873t06-body2">Table 6</xref>).</p>
      <p>Participants from the social-economic group AB had 1.22 times more chances to present values of the sum of the three skinfold measurements studied located in the upper quartile of their distribution than those from the lower social-economic classes (groups CDE). Consistent with the other variables indicative of central body fat distribution, participants who were "less active than the others" presented 1.23 times more chances to be located in the upper quartile of the distribution of this variable than those who were more active. The female participants also presented higher values for this variable than the males (<xref ref-type="table" rid="en_29873t06-body2">Table 6</xref>).</p>
      <p>There were more male students with waist-hip ratios (WHR) located in the upper quartile of their distribution than females. Students located in the upper quartile of the distribution of WHR did not present any significant differences compared to those located in the lower quartile, in relation to the adiposity, and physical and sedentary activity variables (<xref ref-type="table" rid="en_29873t06-body2">Table 6</xref>).</p>
      <p>No significant differences were observed in a multivariate analysis between the groups for other variables.</p>
      <p>
        <bold>DISCUSSION</bold>
      </p>
      <p>Consistent with other studies, we found higher serum lipid levels in the female participants<sup>15,16</sup> with an increase roughly between the ages of nine and eleven. However, unlike other studies<sup>15</sup>, we found that the white students had higher levels of TC, LDL-c, and HDL-c than the black students. Higher levels of serum lipids, overweight, obesity and central body fat distribution were found among the students from the upper social-economic classes and enrolled in private schools, as frequently occurs in countries in epidemiological transition.</p>
      <p>When compared with the results of the Lipid Research Study<sup>16</sup>, there was a wide discrepancy in the positive and negative values for the mean values of serum lipids which in most cases was not statistically significant. Despite the presence of a lipid profile that is harmful to health and similar to and at times even more alarming than that of the North American population regarding the figures found for risk of development of atherosclerotic disease, these figures are still lower than those reported in the cities of New York and Bogalusa, with figures of slight risk between 28% and 33%, moderate risk between 17% and 22%, and serious risk between 20% and 30%<sup>17</sup>.</p>
      <p>For the comparison of results, we chose the studies conducted in the cities of Rio Acima &#150; MG<sup>18</sup> and Bento Gon&#231;alves &#150; RS<sup>19</sup>, because their methodology was similar to ours. Using identical design and methodology, we replicated the Belo Horizonte Heart Study in the city of Florian&#243;polis &#150; SC<sup>20,21</sup>, thus facilitating the comparison of the results found in Florian&#243;polis with those of the main study from Belo Horizonte.</p>
      <p>In regard to the prevalence of elevated levels of cholesterol and lipoprotein fractions, the students from Belo Horizonte presented lower rates of elevated levels of total cholesterol and LDL-c than those found in the cities of Rio Acima<sup>18</sup>, Bento Gon&#231;alves<sup>19</sup> and Florian&#243;polis<sup>20,21</sup>, and higher rates of undesirable levels of HDL-c than those of Bento Gon&#231;alves<sup>19</sup> and Florian&#243;polis<sup>20,21</sup>.</p>
      <p>After adjustment for other variables, significant odds ratio were found for desirable HDL-c levels in individuals with "normal weight", similar to the results of the Bogalusa Heart Study<sup>22</sup>. Also, as described in this North American cohort<sup>22</sup>, an inverse relation between desired HDL-c levels and the WHR was demonstrated in this Brazilian study (<xref ref-type="table" rid="en_29873t06-body2">Table 6</xref>).</p>
      <p>In agreement with other population studies<sup>23</sup>, we did not find significant differences in the diastolic blood pressure readings for males and females, but adolescents presented significantly higher values in relation to children and blacks in relation to whites. Significant differences were found between the values of elevated systolic blood pressure for black male adolescents when compared to white female children and public school students, however, no difference was found for social-economic classes (<xref ref-type="table" rid="en_29873t03-body2">Table 3</xref>). In the present sample, 12% of the students presented higher than normal blood pressure readings (systolic and/or diastolic &gt; 90th percentile). This prevalence of high blood pressure was lower than that found in another Brazilian sample by Perone et al (15%)<sup>24</sup> and the same as found in the city of Florian&#243;polis (12%)<sup>20,21</sup>.</p>
      <p>As was expected, and similar to the results found by Nielsen et al<sup>25</sup> (OR=3.99), our students with "excess weight" (BMI &gt; 85th percentile) presented more chances to have elevated (&gt; 90th percentile) systolic or diastolic blood pressure than those with "normal weight" (BMI &lt; 85th percentile) (<xref ref-type="table" rid="en_29873t06-body2">Table 6</xref>). The public school students presented more chances to have high systolic blood pressure than those enrolled in private schools, whereas no significant differences were observed between the extreme quartiles of the distribution of adiposity and high blood pressure variables (<xref ref-type="table" rid="en_29873t06-body2">Table 6</xref>). This odds ratio was higher than those found by Styne (2.40)<sup>26</sup> and close to that verified for systolic blood pressure levels in developing countries (4.00)<sup>27</sup>.</p>
      <p>Our prevalence rates for overweight (8.4%), obesity (3.1%) and excess weight were lower than the rates for Brazil as a whole, several countries in Latin America, and the United States<sup>28,29</sup>. Data collected from another source one year before our study and representative of Brazil also showed the same prevalence for overweight, but higher rates for obesity and excess weight<sup>30</sup>. In Florian&#243;polis, found higher prevalence rates for overweight, obesity, and excess weight were found in a sample of 1,050 students between the ages of six and eighteen<sup>20,21</sup>. Compared to another study conducted five years earlier with students between the ages of six and eighteen in Belo Horizonte<sup>31</sup>, with the same design and methodology and researchers as this study, our results indicate a clear 13% increase trend during this period in the rates for overweight and obesity in this population group.</p>
      <p>As was expected, participants with excess weight and those with central body fat presented higher systolic and diastolic blood pressure readings than those with "normal weight" and no central body fat (<xref ref-type="table" rid="en_29873t06-body2">Table 6</xref>). The lack of a significant association between WHR and the majority of the variables studied could be explained by a larger increase in the shoulder circumference compared to abdominal circumference during the growth cycle.</p>
      <p>In the present study, black male children enrolled in public schools and from lower social-economic classes (CDE), presented higher values of energy expenditure (MET), when compared to white female adolescents enrolled in private schools and from higher social-economic classes (<xref ref-type="table" rid="en_29873t02-body2">Tables 2</xref> and <xref ref-type="table" rid="en_29873t03-body2">3</xref>). Adolescents were more sedentary than children and those from lower social-economic classes spent more time watching television than those from the higher classes (<xref ref-type="table" rid="en_29873t02-body2">Tables 2</xref> and <xref ref-type="table" rid="en_29873t03-body2">3</xref>). There were more participants in this study that spent long periods of time on sedentary activities (28% &gt; 5.5 hr/day) than recorded for the world population (17% &gt; fifteen years of age)<sup>32</sup>, less than in the Brazilian population as a whole (50%-79% &gt; twelve years of age) but similar to the adolescent subgroup of the Brazilian population (76% &gt; 5.5 hr/day)<sup>33,34</sup>. Compared to North Americans (3.5 hr/day)<sup>35</sup> and another Brazilian sample (5 hr/day),<sup>36</sup> our students, including the adolescents, spent less time watching television (2.8 hr/day). The results from the study arm conducted in the state of Santa Catarina<sup>20,21</sup> showed a higher percentage of students with little physical activity (very low levels of calorie expenditure, MET/day = 40%) compared to those in Belo Horizonte (lower quartile calorie expenditure, MET/day = 22.8%).</p>
      <p>Both the comparative scale of physical activity and energy expenditure levels indicated low levels of these variables and were more frequently found in those with excess weight than those with "normal weight". Similar to the findings of other authors<sup>25</sup>, we found significant odds ratios for excess weight (BMI &gt; 85th percentile) and increased skinfold thickness measurements for low levels of physical activity (<xref ref-type="table" rid="t4-body2">Table 4</xref>). In agreement with Kemper et al<sup>37</sup> (OR = 0.81), we found that physical activity has a protective effect against excess weight (OR = 0.61). Unlike other studies<sup>38</sup>, our students with excess weight did not spend more hours watching television than those with normal weight levels.</p>
      <p>Our findings were similar to those in Florian&#243;polis regarding the consumption of foods affecting cardiovascular health. Thus, while 88.4% of the Belo Horizonte students consumed foods high in saturated fat and not one participant reported an adequate intake of fruits, vegetables and fibers, these values in Florian&#243;polis were 79% and 0.3%<sup>20,21</sup>. In Dennison et al's study<sup>39</sup>, just as in the present study, participants with excess weight did not present higher energy intake than their controls.</p>
      <p>Consistent with other studies<sup>39</sup>, we found that partici-pants with excess weight ate fruits, vegetables and fibers more frequently than those with normal weight levels or underweight. It is possible that the participants with excess weight and their parents exaggerated when reporting fruit and vegetable intake and under reported the intake of high fat foods due to the concepts of "healthy and unhealthy foods" that are promoted by various media and health professionals.</p>
      <p>As reported in other studies, we identified among the students a cluster of risk factors for developing metabolic syndrome<sup>40</sup>. We verified that practically one in every five participants (19.3%) presented a cluster of four cardiovascular risk factors in the same individual: elevated total cholesterol levels (&gt; 200 mg/dl), BMI &gt; 85th percentile, systolic blood pressure &gt; 90th percentile, diastolic blood pressure &gt; 90th percentile.</p>
      <p>The lack of a significant association between dietary habits and other variables could be partially due to attenuation caused by the low accuracy of data regarding dietary habits and physical activity.</p>
      <p>
        <bold>CONCLUSIONS</bold>
      </p>
      <p>The majority of the students presented dietary habits considered harmful to health, characterized by the consumption of alarming quantities of junk food, foods with high levels of saturated fat and low fruit, vegetable and fiber intakes. Many students presented very low levels of physical activity, long periods of time spent on sedentary activities, mainly watching television and more than half of the participants in the sample were individuals considered "much less active than the others." We found a disturbing rate of "excess weight" and central body fat distribution, which together with patterns of low levels of physical activity/ a sedentary lifestyle were associated with high blood pressure, elevated levels of total cholesterol and LDL-c as well as low HDL-c levels.</p>
      <p>
        <bold>Acknowledgements</bold>
      </p>
      <p>This study was conducted with resources from the Post-Graduation Department of <italic>Faculdade de Medicina da UFMG</italic>, the National Research Board &#150; CNPq and the Research Assistance Foundation of the State of Minas Gerais &#150; FAPEMIG.</p>
      <p>
        <bold>Potencial Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>REFERENCES</bold>
      </p>
      <p>33. Brasil. Minist&#233;rio da Sa&#250;de. Secretaria de Pol&#237;ticas de Sa&#250;de. Departamento de A&#231;&#245;es Program&#225;ticas Estrat&#233;gicas. Plano de reorganiza&#231;&#227;o da aten&#231;&#227;o &#224; hipertens&#227;o arterial e ao diabetes mellitus: hipertens&#227;o arterial e diabetes mellitus. Bras&#237;lia, 2001.</p>
      <p>
        <fn id="back10-body2" fn-type="corresp">
          <label>
            <bold>Mailing Address:</bold>
          </label>
          <p> Robespierre Q. C. Ribeiro </p>
          <p> Alameda Guilherme Henrique Daniel, 94/302</p>
          <p> 30220-200 &#150; Belo Horizonte, MG - Brazil</p>
          <p> E-mail: </p>
          <p><email xlink:href="dr.robespierre@gmail.com">dr.robespierre@gmail.com</email> or </p>
          <p>
            <email xlink:href="rqueiroz@cardiol.br">rqueiroz@cardiol.br</email>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p> Received: 02/17/2005 </p>
      <p> Accepted: 04/29/2005</p>
    </body>
  </sub-article>
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