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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">tfDSZxFMgStCRGDnFzGxXDM</article-id>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2006000400014</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(06)08600414</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2006000400014</article-id>
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        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Correla&#231;&#227;o Anatomocl&#237;nica</subject>
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        <article-title>Caso 2/06 - insufici&#234;ncia card&#237;aca na evolu&#231;&#227;o tardia depois de infarto do mioc&#225;rdio em mulher de 33 anos de idade</article-title>
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          <trans-title>Case 2/06 - heart failure in a 33 year-old woman in the late follow-up after myocardial infarction</trans-title>
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            <given-names>Luiz Alberto</given-names>
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        <institution content-type="orgname">FMUSP</institution>
        <institution content-type="orgdiv1">Instituto do Cora&#231;&#227;o do Hospital das Cl&#237;nicas </institution>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>04</month>
        <year>2006</year>
      </pub-date>
      <volume>86</volume>
      <issue>4</issue>
      <fpage>310</fpage>
      <lpage>316</lpage>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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        <day>25</day>
        <month>04</month>
        <year>2006</year>
      </pub-date>
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  <body>
    <p>
      <bold>CORRELA&#199;&#195;O ANATOMOCL&#205;NICA</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Caso 2/06 - insufici&#234;ncia card&#237;aca na evolu&#231;&#227;o tardia depois de infarto do mioc&#225;rdio em mulher de 33 anos de idade</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Case 2/06 - heart failure in a 33 year-old woman in the late follow-up after myocardial infarction</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Otavio Celeste Mangili; Paulo J. Moffa; Luiz Alberto Benvenuti</bold>
    </p>
    <p>Instituto do Cora&#231;&#227;o do Hospital das Cl&#237;nicas - FMUSP - S&#227;o Paulo, SP</p>
    <p>Mulher de 33 anos de idade procurou atendimento m&#233;dico em raz&#227;o de piora da falta de ar h&#225; duas semanas.</p>
    <p>A paciente sofreu, aos 31 anos de idade, infarto do mioc&#225;rdio. Depois do infarto, evoluiu com dispn&#233;ia desencadeada por esfor&#231;os moderados que progrediu at&#233; ser desencadeada por m&#237;nimos esfor&#231;os e ocorrer mesmo em repouso. A paciente era tabagista.</p>
    <p>O cateterismo card&#237;aco realizado dois meses ap&#243;s o infarto revelou press&#245;es na aorta 120/80 mmHg e no ventr&#237;culo esquerdo (VE) 120/20 mmHg. A cineangiocoronariografia revelou les&#227;o de 60% na origem do ramo interventricular anterior da art&#233;ria coron&#225;ria esquerda. A ventriculografia revelou aumento de VE com acinesia &#226;ntero-lateral e apical, e insufici&#234;ncia mitral moderada.</p>
    <p>O exame f&#237;sico no primeiro atendimento no Hospital, h&#225; um ano, revelou freq&#252;&#234;ncia card&#237;aca de 70 bpm, press&#227;o arterial 110/70 mmHg. O exame dos pulm&#245;es foi normal. O exame do cora&#231;&#227;o revelou segunda bulha hiperfon&#233;tica em &#225;rea pulmonar e sopro sist&#243;lico ++/4 em &#225;rea mitral. O exame do abdome foi normal e n&#227;o havia edema de membros.</p>
    <p>O eletrocardiograma de h&#225; um ano revelou ritmo sinusal, freq&#252;&#234;ncia 79 bpm, dura&#231;&#227;o de QRS de 129 mseg, S&#194;QRS -30&#176; para tr&#225;s, ondas Q em I, aVL, V<sub>3</sub> e V<sub>4</sub>, ondas S profundas em V<sub>2</sub> e V<sub>3</sub> e persist&#234;ncia de supradesn&#237;vel de segmento ST em deriva&#231;&#245;es precordiais. Os diagn&#243;sticos eletrocardiogr&#225;ficos foram de sobrecarga atrial esquerda, dist&#250;rbio intraventricular da condu&#231;&#227;o do est&#237;mulo do tipo bloqueio de ramo esquerdo, bloqueio da divis&#227;o &#226;ntero-superior do ramo esquerdo e &#225;reas eletricamente inativas em paredes lateral e anterior (<xref ref-type="fig" rid="f1">Fig. 1</xref>).</p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="f1">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-04-0310-00014-gf01.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>A radiografia de t&#243;rax revelou aumento da &#225;rea card&#237;aca, sem sinais de congest&#227;o pulmonar.</p>
    <p>Os exames laboratoriais naquela ocasi&#227;o revelaram 12,6 g/dl de hemoglobina, hemat&#243;crito 37%, colesterol 140 mg/dl, triglic&#233;rides 64 mg/dl, glicemia 107 mg/dl e creatininemia 0,7 mg/dl.</p>
    <p>A avalia&#231;&#227;o por ecocardiograma, h&#225; um ano, revelou espessura diast&#243;lica do septo interventricular 9 mm, da parede posterior VE 10 mm, di&#226;metro diast&#243;lico de VE 82 mm, fra&#231;&#227;o de eje&#231;&#227;o 15%, di&#226;metro da aorta 36 mm e do &#225;trio esquerdo 61 mm. As dimens&#245;es do ventr&#237;culo e do &#225;trio direitos foram consideradas normais. Foram diagnosticadas discinesia apical, hipocinesia difusa do VE e insufici&#234;ncia mitral acentuada.</p>
    <p>Foi indicado o tratamento medicamentoso com 0,25 mg de digoxina, 40 mg de furosemida, 5 mg de cilazapril e 60 mg de monitrato de isossorbida di&#225;rios. Al&#233;m do tratamento medicamentoso, foi indicado o tratamento cir&#250;rgico eletivo &#150; aneurismectomia, reconstru&#231;&#227;o geom&#233;trica do VE e tratamento cir&#250;rgico da insufici&#234;ncia da valva mitral.</p>
    <p>Alguns meses depois, a paciente apresentou n&#227;o s&#243; piora acentuada da dispn&#233;ia, que aparecia mesmo no repouso, com ortopn&#233;ia como tamb&#233;m aparecimento de edema de membros inferiores, e necessitou interna&#231;&#227;o para tratamento. Houve melhora dos sintomas e a paciente recebeu alta com prescri&#231;&#227;o de tratamento medicamentoso com 80 mg de furosemida, 37,5 mg de captopril, 0,25 mg de digoxina e 200 mg de &#225;cido acetilsalic&#237;lico di&#225;rios.</p>
    <p>O ecocardiograma contempor&#226;neo a essa piora cl&#237;nica revelou espessura dist&#243;lica do septo interventricular 7 mm, da parede posterior do VE 8 mm, do VE 81 mm (di&#225;stole) e 69 mm (s&#237;stole). A fra&#231;&#227;o de eje&#231;&#227;o do VE foi de 38%. O di&#226;metro da aorta foi 35 mm e do &#225;trio esquerdo 50 mm; o ventr&#237;culo e o &#225;trio direitos estavam dilatados. Havia hipocinesia acentuada e difusa do VE e acentuada insufici&#234;ncia mitral.</p>
    <p>A paciente evoluiu bem por um m&#234;s e houve piora acentuada da dispn&#233;ia e aparecimento de dor tor&#225;cica. Foi novamente internada para controle dos sintomas.</p>
    <p>O exame f&#237;sico na &#250;ltima interna&#231;&#227;o revelou freq&#252;&#234;ncia card&#237;aca 96 bpm, press&#227;o arterial aud&#237;vel em torno de 80 mmHg. O exame dos pulm&#245;es foi normal. O exame do cora&#231;&#227;o revelou sopro sist&#243;lico em &#225;rea mitral ++/4; n&#227;o havia altera&#231;&#245;es no exame do abdome e dos membros inferiores.</p>
    <p>O tratamento medicamentoso incluiu a administra&#231;&#227;o de dobutamina e furosemida por via venosa, al&#233;m de 37,5 mg de captopril e 40 mg de enoxaparina di&#225;rios por via subcut&#226;nea.</p>
    <p>O eletrocardiograma revelou ritmo sinusal, freq&#252;&#234;ncia 100 bpm, bloqueio atrioventricular de primeiro grau, sobrecarga atrial esquerda, dist&#250;rbio de condu&#231;&#227;o intraventricular, bloqueio da divis&#227;o &#226;ntero-superior do ramo esquerdo e &#225;rea inativa anterior extensa (<xref ref-type="fig" rid="f2">Fig. 2</xref>).</p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="f2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-04-0310-00014-gf02.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>A evolu&#231;&#227;o laboratorial revelou progressiva eleva&#231;&#227;o da creatinina que passou de 1,2 mg/dl para 3,2 mg/dl; a ur&#233;ia passou de 41 mg/dl para 125 mg/dl; as enzimas hep&#225;ticas AST e ALT passaram de 21 e 10 UI/l para 526 e 522 UI/l. A taxa de leuc&#243;citos elevou-se de 6900/mm&#179; para 13900/mm&#179;, e instalou-se progressiva plaquetopenia de 223000/mm&#179; para 95000/mm&#179;. Houve tamb&#233;m altera&#231;&#245;es nos testes de coagula&#231;&#227;o. O INR passou de 1,36 para 3,67 e rela&#231;&#227;o de tempos de TTPA de 1 para 2,91. Houve estabilidade das dosagens s&#233;ricas do s&#243;dio e do pot&#225;ssio: 140 mEq//l para 150 mEq/l de s&#243;dio, e de 5,1 mEq/l de pot&#225;ssio para 4,3 mEq/l. Havia hipoproteinemia - prote&#237;nas totais de 5,7 g/dl e albumina de 3,3 g/dl.</p>
    <p>Apesar do tratamento administrado, a hipoxemia foi progressiva e a paciente necessitou intuba&#231;&#227;o orotraqueal para suporte respirat&#243;rio no quinto dia da interna&#231;&#227;o.</p>
    <p>A avalia&#231;&#227;o por cintilografia de perfus&#227;o pulmonar revelou hipoperfus&#227;o de bases de ambos os pulm&#245;es. As altera&#231;&#245;es foram consideradas de baixa probabilidade para tromboembolia pulmonar.</p>
    <p>As medidas obtidas por meio da monitoriza&#231;&#227;o hemodin&#226;mica com o emprego do cateter de Swan-Ganz demonstraram baixo d&#233;bito card&#237;aco, hipotens&#227;o arterial, aumento de resist&#234;ncia vascular sist&#234;mica e hipertens&#227;o arterial e capilar pulmonar. Na evolu&#231;&#227;o houve queda da resist&#234;ncia sist&#234;mica, sem altera&#231;&#227;o da circula&#231;&#227;o pulmonar (<xref ref-type="table" rid="tabela1">Tab. 1</xref>).</p>
    <table-wrap id="tabela1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-04-0310-00014-gt01.jpg"/></table-wrap>
    <p>A paciente apresentou taquicardia ventricular sustentada, revertida com cardiovers&#227;o el&#233;trica de 200 J no quinto dia de interna&#231;&#227;o.</p>
    <p>A evolu&#231;&#227;o do quadro deu-se com choque e hipertermia persistentes. Foram acrescentados ceftriaxone 2g e clindamicina 2400 mg di&#225;rios. Na evolu&#231;&#227;o apresentou parada cardiorrespirat&#243;ria refrat&#225;ria &#224;s manobras de ressuscita&#231;&#227;o e faleceu no s&#233;timo dia da interna&#231;&#227;o.</p>
    <p><bold>Interpreta&#231;&#227;o do eletrocardiograma</bold> - O tra&#231;ado inicial n&#227;o deve ser considerado como bloqueio de ramo esquerdo e sim como dist&#250;rbio de condu&#231;&#227;o periinfarto, por isso pode ser feito o diagn&#243;stico de &#225;rea eletricamente inativa anterior extensa (<xref ref-type="fig" rid="f1">Fig. 1</xref>).</p>
    <p>O segundo tra&#231;ado (<xref ref-type="fig" rid="f2">Fig. 2</xref>) revela ritmo sinusal, freq&#252;&#234;ncia card&#237;aca de 100 bpm, dura&#231;&#227;o do intervalo PR de 180 ms, do intervalo QRS 130 ms, do intervalo QT 300 ms. O eixo el&#233;trico do QRS est&#225; localizado a 60&#176; para tr&#225;s. Podemos observar altera&#231;&#245;es na dura&#231;&#227;o da onda P, e fase negativa lenta em V1, presen&#231;a de onda r de V1 a V4 interior a 3 mm, onda q patol&#243;gica em V5. Verifica-se tamb&#233;m onda S em V2 e V3 de 35 mm. A onda T demonstra morfologia sugestiva de a&#231;&#227;o digit&#225;lica, e &#233; negativa em I, aVL, e V4, V5, e V6. Os achados configuram sobrecarga atrial esquerda, bloqueio divisional &#226;ntero-superior do ramo esquerdo do feixe de His, &#225;rea eletricamente inativa em deriva&#231;&#245;es da parede anterior ventricular.</p>
    <p>
      <bold>(Dr. Paulo J. Moffa)</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>ASPECTOS CL&#205;NICOS</bold>
    </p>
    <p>A presente paciente relatou infarto agudo do mioc&#225;rdio (IAM) no in&#237;cio da 4&#170; d&#233;cada de vida, que se faz corroborar pela presen&#231;a da onda Q em DI, aVL, V3 e V4 e persist&#234;ncia de supradesn&#237;vel de ST o que sugere forma&#231;&#227;o de aneurisma, e acinesia &#226;ntero-lateral e apical de VE em cineangiocoronariografia e discinesia apical em ecocardiograma, todos sugestivos de infarto em topografia do ramo interventricular anterior da coron&#225;ria esquerda.</p>
    <p>O IAM em pacientes adultos com menos de 45 anos &#233; um fen&#244;meno incomum. Estudos das d&#233;cadas de 1970 e 1980 sugeriam que entre 2 e 6% dos infartos ocorriam em pacientes jovens. S&#233;ries de 1990s sugerem que entre 4 e 10% dos infartos incidiam nessa faixa et&#225;ria<sup>1</sup>. Al&#233;m disso, estudo recente evidenciou que mulheres correspondem a 20% dos IAM abaixo de 45 anos de idade e 55% acima de 75 anos<sup>2</sup>.</p>
    <p>Existem v&#225;rios fatores de risco para IAM nos adultos jovens. A a maioria est&#225; relacionada &#224; aterosclerose (80% dos casos). Por&#233;m, IAM na aus&#234;ncia de aterosclerose, embora mais raro em faixas et&#225;rias maiores, corresponde a 20% dos casos abaixo de 45 anos; 5% s&#227;o atribu&#237;dos a &#234;mbolo coron&#225;rio e outros 5% a estados de hipercoa-gulabilidade<sup>1</sup>.</p>
    <p>Para os casos ligados &#224; aterosclerose, existem tanto fatores de risco convencionais quanto novos fatores de risco. Merecem considera&#231;&#227;o na popula&#231;&#227;o jovem<sup>2</sup>, entre os fatores de risco coron&#225;rio cl&#225;ssicos, o tabagismo, a dislipidemia, a hist&#243;ria familiar, e, em menor freq&#252;&#234;ncia, a hipertens&#227;o arterial, o diabetes <italic>mellitus</italic>; nessa faixa et&#225;ria entram, ainda, como fatores de risco, o uso de coca&#237;na e as s&#237;ndromes trombof&#237;licas<sup>3,4</sup>.</p>
    <p>O tabagismo parece ser o principal fator de risco para IAM em jovens. Entre 76 e 91% dos pacientes jovens com IAM s&#227;o fumantes, comparados com 40% dos pacientes mais idosos.</p>
    <p>A dislipidemia est&#225; presente entre 12% e 89% dos jovens com IAM. A hipercolesterolemia familiar homozig&#243;tica parece ter rela&#231;&#227;o mais consistente com aterosclerose prematura. Por&#233;m aumentos de triglic&#233;rides e queda de HDL-colesterol tamb&#233;m foram associados a IAM abaixo de 45 anos.</p>
    <p>A preval&#234;ncia de hist&#243;ria familiar positiva entre familiares de primeiro grau de jovens infartados varia de 14 a 69%, constituindo um fator de risco maior. Estudos em g&#234;meos demonstraram que o risco relativo de &#243;bito em homens cujo irm&#227;o morreu de DAC antes de 55 anos &#233; de 8,0.</p>
    <p>A hipertens&#227;o &#233; menos comum em jovens com IAM que em idosos, tal como ocorre com o diabetes m<italic>ellitus</italic> que tamb&#233;m est&#225; mais relacionado ao IAM em idosos que em jovens, e menos de 10% destes &#250;ltimos s&#227;o diab&#233;ticos.</p>
    <p>A coca&#237;na &#233; reconhecida como fator de risco para IAM em jovens, particularmente na forma de <italic>crack</italic>. Agudamente, a coca&#237;na aumenta a freq&#252;&#234;ncia card&#237;aca e a press&#227;o arterial e diminui o fluxo sang&#252;&#237;neo coronariano pela indu&#231;&#227;o de vasoespasmo, levando a aumento na demanda e &#224; redu&#231;&#227;o no aporte de oxig&#234;nio. O uso cr&#244;nico de coca&#237;na pode levar a aumento no processo de aterosclerose. Al&#233;m desses, a droga pode levar &#224; necrose mioc&#225;rdica focal por miocardiotoxicidade.</p>
    <p>V&#225;rias anormalidades do sistema de coagula&#231;&#226;o s&#227;o descritas como associadas ao IAM. O <italic>European Concerted Action on Thrombosis</italic> (ECAT)<sup>5</sup> seguiu 2960 pacientes com angina de peito por 2 anos. De 106 pacientes com evento coron&#225;rio, 12% estavam com menos que 45 anos e o n&#237;vel s&#233;rico de fibrinog&#234;nio, fator de vWB e tPA, foram preditores independentes de eventos coronarianos agudos. A atividade fibrinol&#237;tica diminu&#237;da com a resultante de n&#237;veis aumentados de PAI-1 tamb&#233;m foi descrita em jovens com IAM. O uso de contraceptivos orais, que produzem estado pr&#243;-tromb&#243;tico, tem sido considerado importante fator de risco para IAM, embora recentemente tenha decrescido de import&#226;ncia devido &#224; diminui&#231;&#227;o de concentra&#231;&#227;o hormonal. Defici&#234;ncias de prote&#237;nas anticoagulantes, como prote&#237;na C, prote&#237;na S e antittrombina III s&#227;o mais relacionadas a trombose venosa. A presen&#231;a de fator V de Leiden n&#227;o foi associada a evento tromb&#243;tico arterial em nenhuma idade.</p>
    <p>Dados do <italic>Coronary Artery Surgery Registry</italic><sup>4</sup> mostram que os 504 pacientes com menos de 45 anos tiveram com maior freq&#252;&#234;ncia coronariopatia n&#227;o obstrutiva e doen&#231;a de um &#250;nico vaso. Klein e cols.<sup>6</sup> descreveram preval&#234;ncia de doen&#231;a coron&#225;ria em 85 pacientes (59 ap&#243;s infarto) e encontraram doen&#231;a de um vaso em 51%, dois vasos em 31% e em tr&#234;s vasos em 19%</p>
    <p>A paciente evoluiu com dilata&#231;&#227;o e disfun&#231;&#227;o ventricular sist&#243;lica acentuadas e insufici&#234;ncia mitral secund&#225;ria. Alguns reparos devem ser feitos em rela&#231;&#227;o ao tratamento medicamentoso inicial. Apesar de dose otimizada de inibidor de ECA, n&#227;o houve relato de uso de betabloqueador, cujos benef&#237;cios tanto na preven&#231;&#227;o da morte por arritmia quanto na evolu&#231;&#227;o da fal&#234;ncia mioc&#225;rdica foram evidenciados nos estudos US-Carvedilol<sup>7</sup>, CIBIS II<sup>8</sup> e MERIt-HF<sup>9</sup>. Cabe ainda ressaltar, como evidenciado no estudo CARMEN<sup>10,</sup> que o papel dos betabloqueadores no remodelamento ventricular e na melhora de fra&#231;&#227;o de eje&#231;&#227;o, al&#233;m de mais expressivos, s&#227;o aditivos aos inibidores da ECA.</p>
    <p>O tratamento inicial da paciente n&#227;o inclu&#237;a antipla-quet&#225;rios. Est&#225; bem demonstrado que o tratamento com antiplaquet&#225;rios foi ben&#233;fico para pacientes que sofreram infarto do mioc&#225;rdio e para portadores de cardiopatia isqu&#234;mica cr&#244;nica por aterosclerose coron&#225;ria<sup>11</sup>.</p>
    <p>Al&#233;m disso, embora n&#227;o haja relato de dor precordial durante seguimento ambulatorial, fazia uso de nitratos, medica&#231;&#227;o para qual n&#227;o foi demonstrada influ&#234;ncia na taxa de sobreviv&#234;ncia de portadores de coronariopatia cr&#244;nica.</p>
    <p>Houve indica&#231;&#227;o de terapia cir&#250;rgica, aneurismectomia e reconstru&#231;&#227;o geom&#233;trica de VE, al&#233;m de tratamento cir&#250;rgico da valva mitral. Os aneurismas ventriculares s&#227;o graves complica&#231;&#245;es do infarto do mioc&#225;rdio transmural, com importante repercuss&#227;o cl&#237;nica (insufici&#234;ncia card&#237;aca, tromboembolismo, angina e arritmias); ocorrem mais freq&#252;entemente em obstru&#231;&#245;es proximais da art&#233;ria descendente anterior. O tratamento cir&#250;rgico tem sido indicado freq&#252;entemente, com melhora de sintomas, qualidade de vida e sobrevida dos pacientes. A insufici&#234;ncia card&#237;aca, tromboembolismo arterial sist&#234;mico e arritmias ventriculares s&#227;o as principais indica&#231;&#245;es de corre&#231;&#227;o cir&#250;rgica do aneurisma<sup>12</sup>.</p>
    <p>A insufici&#234;ncia mitral faz parte do cortejo evolutivo do remodelamento ventricular em pacientes com insufici&#234;ncia card&#237;aca, principalmente por dilata&#231;&#227;o do anel valvar. A indica&#231;&#227;o do emprego da anuloplastia ou da substitui&#231;&#227;o valvar mitral no tratamento de insufici&#234;ncia card&#237;aca faz-se na presen&#231;a de insufici&#234;ncia mitral moderada a grave.</p>
    <p>Devem ser considerados para este procedimento pacientes em CFIII ou IV, apesar de otimiza&#231;&#227;o do tratamento medicamentoso. O emprego das t&#233;cnicas cir&#250;rgicas sobre o aparelho valvar mitral em cardiomiopatia dilatada, embora eficientes na melhora de qualidade de vida dos pacientes, n&#227;o conferiam aumento de sobreviv&#234;ncia<sup>13,14</sup>.</p>
    <p>O quadro da paciente evoluiu com epis&#243;dios de descompensa&#231;&#227;o aguda da o=insufici&#234;ncia card&#237;aca, tendo sido internada por duas ocasi&#245;es no intervalo de dois a tr&#234;s meses. Dentre as causas de descompensa&#231;&#227;o aguda de insufici&#234;ncia card&#237;aca vale ressaltar: redu&#231;&#227;o inapropriada da medica&#231;&#227;o e abuso na dieta <sup>15,16</sup>; arritmias card&#237;acas, destacando-se a fibrila&#231;&#227;o atrial que leva &#224; perda do impulso sist&#243;lico atrial, e as bradicardias por dist&#250;rbio na condu&#231;&#227;o atrioventricular, ambas com queda de d&#233;bito card&#237;aco; isquemia ou infarto do mioc&#225;rdio; neste caso, um novo evento isqu&#234;mico n&#227;o pode ser descartado, uma vez que houve r&#225;pida piora funcional e altera&#231;&#227;o evolutiva no eletrocardiograma; infec&#231;&#227;o sist&#234;mica, que leva ao aumento do metabolismo corporal total e taquicardia; tromboembolia pulmonar<sup>17</sup> (TEP); estados de alto d&#233;bito; administra&#231;&#227;o de depressores card&#237;acos ou drogas retentoras de sal. Embora a paciente tenha apresentado cintilografia de ventila&#231;&#227;o-perfus&#227;o pulmonar com baixa probabilidade de TEP, cabe ressaltar que ela apresentou como sintomas que motivaram interna&#231;&#227;o: dispn&#233;ia acentuada e dor tor&#225;cica que levantaram tal hip&#243;tese diagn&#243;stica. Al&#233;m do mais, a presen&#231;a de TEP em paciente com insufici&#234;ncia card&#237;aca &#233; forte preditor de mortalidade em curto e longo prazos<sup>17</sup>.</p>
    <p>Houve evolu&#231;&#227;o do quadro de descompensa&#231;&#227;o aguda, com necessidade de suporte inotr&#243;pico. Apesar de levarem &#224; melhora de contratilidade card&#237;aca, o uso de inotr&#243;picos como a dobutamina est&#225; associado a aumento de consumo de oxig&#234;nio pelo mioc&#225;rdio e da incid&#234;ncia de arritmias, n&#227;o havendo benef&#237;cio claro em mortalidade.</p>
    <p>Embora ainda n&#227;o dispon&#237;vel para uso comercial na &#233;poca, o levosimendan, em compara&#231;&#227;o com dobutamina, como evidenciado no estudo LIDO, em pacientes com &#237;ndice card&#237;aco menor que 2,5 l/min, teve benef&#237;cio imediato significativo<sup>18</sup></p>
    <p>Diante da evolu&#231;&#227;o do quadro de descompensa&#231;&#227;o aguda, revelada pela insufici&#234;ncia renal aguda e agress&#227;o hep&#225;tica, e das medidas hemodin&#226;micas iniciais terem corroborado o diagn&#243;stico de choque cardiog&#234;nico, deve-se aventar a hip&#243;tese de se lan&#231;ar m&#227;o de assist&#234;ncia circulat&#243;ria mec&#226;nica. Os tipos de assist&#234;ncia circulat&#243;ria mec&#226;nica podem ser divididos em: assist&#234;ncia em s&#233;rie por contrapulsa&#231;&#227;o (bal&#227;o intra-a&#243;rtico), assist&#234;ncia em paralelo (bombas de fluxo cont&#237;nuo, ventr&#237;culos artificiais) e substitui&#231;&#227;o mec&#226;nica total (cora&#231;&#227;o artificial).</p>
    <p>O implante de dispositivos de assist&#234;ncia circulat&#243;ria como ponte para o transplante card&#237;aco est&#225; indicado em pacientes que apresentem choque de origem cardiog&#234;nica, refrat&#225;rio ao uso de terapia medicamentosa e ao controle adequado da volemia. S&#227;o inclusos pacientes com diagn&#243;stico de insufici&#234;ncia card&#237;aca congestiva cr&#244;nica descompensada ou de insufici&#234;ncia card&#237;aca aguda, em condi&#231;&#245;es cl&#237;nicas e psicossociais presumivelmente aceit&#225;veis para a indica&#231;&#227;o de transplante.</p>
    <p>S&#227;o crit&#233;rios hemodin&#226;micos de indica&#231;&#227;o de assist&#234;ncia circulat&#243;ria mec&#226;nica:</p>
    <p>Fal&#234;ncia do VE com &#237;ndice card&#237;aco &lt; 1,8 l/min.m<sup>2</sup>, press&#227;o arterial sist&#243;lica &lt; 90mmHg e press&#227;o oclus&#227;o pulmonar &gt;20 mmHg; fal&#234;ncia de ventr&#237;culo direito:&#237;ndice card&#237;aco &lt; 1,8 l/min.m<sup>2</sup>, press&#227;o de oclus&#227;o pulmonar &lt;10 mmHg, pess&#227;o venosa central &gt;20 mmHg.</p>
    <p>Embora n&#227;o tenha havido oportunidade de sua indica&#231;&#227;o, o transplante card&#237;aco &#233; a terapia de escolha no tratamento dos pacientes portadores de insufici&#234;ncia card&#237;aca avan&#231;ada. A sele&#231;&#227;o dos candidatos, por&#233;m, deve ser criteriosa com identifica&#231;&#227;o de fatores de mau progn&#243;stico e enfermidades coexistentes, que poder&#227;o transformar-se em crit&#233;rios de exclus&#227;o. Na avalia&#231;&#227;o cl&#237;nica, deve-se confirmar a gravidade da cardiopatia, descartar a possibilidade de terapias alternativas, excluir contra-indica&#231;&#245;es, bem como estimar o progn&#243;stico da doen&#231;a em curto prazo.</p>
    <p>S&#227;o indica&#231;&#245;es absolutas ao transplante: consumo m&#225;ximo de O2 &lt;10ml/kg.min, classe funcional IV da NYHA, hospitaliza&#231;&#245;es recorrentes por insufici&#234;ncia card&#237;aca, isquemia mioc&#225;rdica limitante e n&#227;o suscet&#237;vel de revasculariza&#231;&#227;o, arritmias ventriculares sintom&#225;ticas recorrentes e refrat&#225;rias ao tratamento cl&#237;nico.</p>
    <p>S&#227;o indica&#231;&#245;es relativas ao transplante: consumo de O2 m&#225;ximo &lt;14 ml/kg/min e limita&#231;&#227;o importante na atividade di&#225;ria, Classe II-IV, hospitaliza&#231;&#245;es recorrentes por insufici&#234;ncia card&#237;aca, arritmia ventricular freq&#252;ente, com antecedente de morte s&#250;bita ressuscitada.</p>
    <p><bold>Hip&#243;teses diagn&#243;sticas -</bold> Aterosclerose coron&#225;ria, infarto de parede anterior com forma&#231;&#227;o de aneurisma de VE e posterior dilata&#231;&#227;o ventricular levando &#224; miocardiopatia isqu&#234;mica, insufici&#234;ncia card&#237;aca descompensada e choque cardiog&#234;nico. No evento final houve sobreposi&#231;&#227;o de infec&#231;&#227;o com septicemia.</p>
    <p>
      <bold>(Dr. Otavio Celeste Mangili)</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>NECROPSIA</bold>
    </p>
    <p>O cora&#231;&#227;o pesou 600g, havendo acentuado aumento volum&#233;trico. Cortes transversais demonstraram acentuada dilata&#231;&#227;o e hipertrofia exc&#234;ntrica do VE, com cicatriz fibrosa de extenso infarto transmural pr&#233;vio acometendo a parede anterior e parte das paredes lateral e septal do VE. A cicatriz fibrosa estendia-se da base ao &#225;pice card&#237;aco, notando-se afilamento e discreta dilata&#231;&#227;o aneurism&#225;tica da parede anterior (<xref ref-type="fig" rid="figura3">Fig. 3</xref>). Havia dilata&#231;&#227;o do anel da valva mitral, que n&#227;o exibia les&#245;es anatomopatol&#243;gicas prim&#225;rias. N&#227;o havia trombos cavit&#225;rios. As art&#233;rias coron&#225;rias apresentavam domin&#226;ncia direita tendo sido dissecadas e analisadas histologicamente. Havia placa ateroscler&#243;tica exc&#234;ntrica nos primeiros cent&#237;metros do ramo interventricular anterior (<xref ref-type="fig" rid="figura4">Fig. 4</xref>), com obstru&#231;&#227;o de 90% da luz no segundo cent&#237;metro. A placa apresentava constitui&#231;&#227;o fibromuscular, sendo desprovida de conte&#250;do lip&#237;dico (<xref ref-type="fig" rid="figura5a">Fig. 5A</xref>), notando-se &#225;reas focais de neovasculariza&#231;&#227;o, compat&#237;veis com trombos organizados focais (<xref ref-type="fig" rid="figura5b">Fig. 5B</xref>). Placas exc&#234;ntricas menores, de constitui&#231;&#227;o fibromuscular, estavam presentes no primeiro cent&#237;metro da art&#233;ria circunflexa, com obstru&#231;&#227;o de 30% e no primeiro cent&#237;metro da art&#233;ria descendente posterior, com obstru&#231;&#227;o de 40%. Os pulm&#245;es pesaram 1.310g em conjunto, notando-se congest&#227;o passiva cr&#244;nica, caracterizada por discreto espessamento da parede das veias e capilares pulmonares e pela presen&#231;a de pigmento hemosider&#243;tico em histi&#243;citos localizados nos espa&#231;os alveolares. Havia bronquite cr&#244;nica e enfisema pulmonar incipiente, com &#225;reas focais de ac&#250;mulo de histi&#243;citos albergando pigmento relacionado ao fumo (<xref ref-type="fig" rid="figura6">Fig. 6</xref>).</p>
    <fig id="figura3">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-04-0310-00014-gf03.jpg"/></fig>
    <fig id="figura4">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-04-0310-00014-gf04.jpg"/></fig>
    <fig id="figura5a"/>
    <p>
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-04-0310-00014-e01.jpg"/></p>
    <p>
      <fig id="figura5b">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-04-0310-00014-gf05.jpg"/></fig>
    </p>
    <fig id="figura6">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-86-04-0310-00014-gf06.jpg"/></fig>
    <p>Encontrou-se broncopneumonia em ambas as bases pulmonares, o que constituiu a causa terminal do &#243;bito. O f&#237;gado apresentava dilata&#231;&#227;o de sinus&#243;ides em regi&#227;o centrolobular, com &#225;reas de necrose hemorr&#225;gica, secund&#225;ria a insufici&#234;ncia card&#237;aca congestiva e choque hemodin&#226;mico. Presen&#231;a de cicatriz de infarto espl&#234;nico.</p>
    <p>
      <bold>(Dr. Luiz Alberto Benvenuti)</bold>
    </p>
    <p><bold>Diagn&#243;sticos anatomopatol&#243;gicos &#150;</bold> Aterosclerose coronariana, com placas fibromusculares e evid&#234;ncias de trombose antiga focal, organizada; cardiopatia isqu&#234;mica, com extenso infarto transmural cicatrizado da parede &#226;ntero-l&#225;tero-septal do VE; altera&#231;&#245;es pulmonares secund&#225;rias a tabagismo cr&#244;nico; broncopneumonia (causa terminal do &#243;bito).</p>
    <p>
      <bold>(Dr. Luiz Alberto Benvenuti)</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>COMENT&#193;RIOS</bold>
    </p>
    <p>Trata-se de paciente jovem, do sexo feminino, com cardiopatia isqu&#234;mica descompensada, secund&#225;ria a extenso infarto transmural pr&#233;vio, cicatrizado, que atingiu a parede anterior e parte da lateral e septal do VE. A dilata&#231;&#227;o do VE era acentuada e global, com discreta proemin&#234;ncia da parede anterior, o que &#233; compat&#237;vel com resqu&#237;cio de aneurisma dessa parede. O estudo das art&#233;rias coron&#225;rias mostrou les&#227;o isolada do segmento inicial da art&#233;ria interventricular anterior, com obstru&#231;&#227;o de 90% da luz, caracterizada pela presen&#231;a de placa fibromuscular exc&#234;ntrica, desprovida de conte&#250;do lip&#237;dico e com &#225;reas focais de trombose organizada. Havia evid&#234;ncias cl&#237;nicas e anatomopatol&#243;gicas de tabagismo cr&#244;nico.</p>
    <p>Nos pa&#237;ses desenvolvidos, assim como entre os homens, a cardiopatia isqu&#234;mica &#233; a principal causa de morte entre as mulheres. Al&#233;m dos tradicionais fatores de risco, deve-se considerar nas mulheres os fatores protetores relacionados aos n&#237;veis de estr&#243;geno, o que explica o aumento significativo na incid&#234;ncia da doen&#231;a arterial coron&#225;ria nas mulheres ap&#243;s a menopausa. Em mulheres jovens, o tabagismo, presente de forma indiscut&#237;vel no caso em quest&#227;o, &#233; considerado o principal fator de risco da doen&#231;a arterial coron&#225;ria, e sua a&#231;&#227;o delet&#233;ria parece estar relacionada diretamente &#224; quantidade de cigarros consumidos por dia<sup>19</sup>.</p>
    <p>O tabaco apresenta efeito aterog&#234;nico devido &#224; toxicidade endotelial, altera&#231;&#245;es do perfil lip&#237;dico e tamb&#233;m ao efeito trombog&#234;nico. Pode ainda estar associado &#224; ocorr&#234;ncia de espasmo arterial. O risco associado ao tabagismo aumenta consideravelmente na presen&#231;a de outros fatores, particularmente hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica, diabetes <italic>mellitus</italic> e uso de anticoncepcionais orais. A presen&#231;a de fatores trombof&#237;licos, que facilitam a ocorr&#234;ncia de trombose vascular, &#233; outro fator que deve ser investigado nos casos de doen&#231;a arterial coron&#225;ria em jovens. Estudo recente mostrou que esses fatores estiveram presentes em grande n&#250;mero de pacientes jovens com infarto agudo do mioc&#225;rdio, de ambos os sexos, particularmente naqueles com poucos fatores de risco tradicionais<sup>20</sup>.</p>
    <p>No presente caso, n&#227;o temos informa&#231;&#245;es sobre o uso de anticoncepcionais orais e sobre a ocorr&#234;ncia de outros fatores trombof&#237;licos, que n&#227;o o tabagismo. Interessante notar nesta paciente que a placa ateroscler&#243;tica da les&#227;o coronariana era destitu&#237;da de lip&#237;dios, e apresentava constitui&#231;&#227;o fibromuscular, com &#225;reas focais sugestivas de trombose organizada. A causa terminal do &#243;bito foi broncopneumonia, ocorrida na evolu&#231;&#227;o de paciente em grave choque cardiog&#234;nico.</p>
    <p>
      <bold>(Dr. Luiz Alberto Benvenuti)</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>REFER&#202;NCIAS</bold>
    </p>
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    <p><bold>Editor da Se&#231;&#227;o:</bold> Alfredo Jos&#233; Mansur (<email xlink:href="ajmansur@incor.usp.br">ajmansur@incor.usp.br</email>) </p>
    <p><bold>Editores Associados:</bold> Desid&#233;rio Favarato (<email xlink:href="dclfavarato@incor.usp.br">dclfavarato@incor.usp.br</email>), Vera Demarchi Aiello (<email xlink:href="anpvera@incor.usp.br">anpvera@incor.usp.br</email>)</p>
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</article>
