<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
<article xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" specific-use="sps-1.9" dtd-version="1.1" xml:lang="pt" article-type="editorial">
  <front>
    <journal-meta>
      <journal-id journal-id-type="publisher-id">abc</journal-id>
      <journal-title-group>
        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
      </journal-title-group>
      <issn pub-type="ppub">0066-782X</issn>
      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
      </publisher>
    </journal-meta>
    <article-meta>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">whKFSkL3D7nsbXwFfLKCD8B</article-id>
      <article-id pub-id-type="other">00001</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2005001900001</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(05)08500601</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2005001900001</article-id>
      <article-categories>
        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Editorial</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title>Como era gostoso o meu caldo de cana...</article-title>
      </title-group>
      <contrib-group>
        <contrib contrib-type="author">
          <name>
            <surname>Ianni</surname>
            <given-names>Barbara Maria</given-names>
          </name>
          <xref ref-type="aff" rid="aff01"/>
        </contrib>
        <contrib contrib-type="author">
          <name>
            <surname>Mady</surname>
            <given-names>Charles</given-names>
          </name>
          <xref ref-type="aff" rid="aff01"/>
        </contrib>
      </contrib-group>
      <aff id="aff01">
        <addr-line>
          <named-content content-type="city">S&#227;o Paulo</named-content>
          <named-content content-type="state">SP</named-content>
        </addr-line>
        <institution content-type="orgname">FMUSP</institution>
        <institution content-type="orgdiv1">Instituto do Cora&#231;&#227;o do Hospital das Cl&#237;nicas </institution>
      </aff>
      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>12</month>
        <year>2005</year>
      </pub-date>
      <volume>85</volume>
      <issue>6</issue>
      <fpage>379</fpage>
      <lpage>381</lpage>
      <permissions>
        <license license-type="open-access" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/" xml:lang="en">
          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
        </license>
      </permissions>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>16</day>
        <month>01</month>
        <year>2006</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <p>
      <bold>EDITORIAL</bold>
    </p>
    <p>Como era gostoso o meu caldo de cana...</p>
    <p>
      <bold>Barbara Maria Ianni; Charles Mady</bold>
    </p>
    <p>Instituto do Cora&#231;&#227;o do Hospital das Cl&#237;nicas - FMUSP - S&#227;o Paulo, SP</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back10">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>... mas a ressaca quinze dias depois quase me matou". Esse pensamento deve ter passado pela cabe&#231;a das 25 pessoas que foram contaminadas (das quais cinco morreram) por via oral com <italic>Trypanosoma cruzi</italic> em Navegantes, Santa Catarina, no in&#237;cio deste ano. Logo em seguida, 26 pessoas foram contaminadas com suco de a&#231;a&#237; acrescido do parasita em Igarap&#233; da Fortaleza, Amap&#225;. Portanto, s&#243; no primeiro trimestre de 2005, 51 pessoas tiveram quadro agudo de doen&#231;a de Chagas. Esse fato exp&#244;s em todas as manchetes dos grandes jornais e nos notici&#225;rios da TV uma forma de transmiss&#227;o da doen&#231;a que n&#227;o &#233; freq&#252;entemente lembrada.</p>
    <p>Em rela&#231;&#227;o ao epis&#243;dio de Navegantes, dez vetores infectados foram encontrados numa palmeira pr&#243;xima ao quiosque de venda de caldo de cana, um dentro do quiosque, tamb&#233;m infectado, e 33 na mata fechada atr&#225;s do quiosque, n&#227;o estando infectados apenas tr&#234;s deles. Tamb&#233;m pr&#243;ximo foi encontrado um gamb&#225; f&#234;mea com quatro filhotes, todos infectados.</p>
    <p>As regi&#245;es central e sul do Brasil j&#225; foram certificadas pela Organiza&#231;&#227;o Pan-Americana da Sa&#250;de como tendo a transmiss&#227;o vetorial do <italic>Trypanosoma cruzi</italic> controlada, mas o parasita ressurge provocando casos agudos, utilizando outra forma de contamina&#231;&#227;o, a via oral.</p>
    <p>Microepidemias foram registradas (Teutonia, RS<sup>1,2</sup>;Catol&#233; do Rocha, PB<sup>3</sup>; Amaz&#244;nia brasileira<sup>4-7</sup>), com alta infectividade e algumas mortes, mas a possibilidade de transmiss&#227;o oral j&#225; &#233; fato conhecido h&#225; longo tempo. Em 1921, formas tripomastigotas sang&#252;&#237;neas inoculadas oralmente em animais de laborat&#243;rio levaram ao desenvolvimento da doen&#231;a<sup>8</sup>. Em 1933, formas metac&#237;clicas do parasita encontradas nas fezes dos insetos vetores inoculadas por via oral em animais de laborat&#243;rio tamb&#233;m causaram a doen&#231;a<sup>9</sup>. Em 1940, foi demonstrada a transmiss&#227;o entre animais selvagens (predadores e suas presas infectadas)<sup>10</sup>. Em 1991, em Catol&#233; do Rocha (PB) foram descritos 26 casos agudos provocados por caldo de cana infectado, ap&#243;s uma reuni&#227;o familiar numa fazenda da regi&#227;o<sup>3</sup>. Desde 1987 sabe-se que o <italic>Trypanosoma cruzi</italic> pode permanecer infeccioso por 24 horas no caldo de cana<sup>11</sup>. As possibilidades aventadas nessa &#233;poca foram que, durante a moagem da cana, alguns insetos teriam sido triturados, e outra, intrigante, de que a cana estivesse contaminada com secre&#231;&#245;es de animais silvestres, dentre eles o gamb&#225;.</p>
    <p>Em 1984 foi publicado um artigo muito interessante demonstrando haver o ciclo do vertebrado e do invertebrado num mesmo animal silvestre, o gamb&#225; <italic>Didelphis marsupialis</italic><sup>12</sup>. Os autores encontraram formas epimastigotas multiplicando-se extracelularmente e formas tripomastigotas metac&#237;clicas, caracter&#237;sticas do ciclo do <italic>Trypanosoma cruzi</italic> na luz intestinal do inseto vetor, na luz de gl&#226;ndulas anais desse animal silvestre, inoculado subcutaneamente com fezes infectadas de triatom&#237;deos. A localiza&#231;&#227;o dessas formas do <italic>Trypanosoma cruzi</italic> na luz de gl&#226;ndulas anais do gamb&#225; requer grande adapta&#231;&#227;o ao meio, mas serve para manter um reservat&#243;rio a partir do qual o parasita pode ser disseminado para outros tecidos atrav&#233;s da corrente sang&#252;&#237;nea, al&#233;m de ser prote&#231;&#227;o eficiente contra a resposta imune do hospedeiro que, no gamb&#225;, &#233; t&#227;o eficiente quanto em outros hospedeiros vertebrados, inclusive o homem. No hospedeiro vertebrado, o <italic>Trypanosoma cruzi</italic> multiplicase intracelularmente na forma amastigota, mas no inseto multiplica-se na luz do trato digestivo como epimastigota, extracelularmente. O parasita n&#227;o se multiplica como tripomastigota, forma que surge na fase final do ciclo no vertebrado e &#233; utilizada para invadir novas c&#233;lulas, ou ficar na corrente sang&#252;&#237;nea, transferindo a infec&#231;&#227;o ao invertebrado. Tamb&#233;m no inseto a forma tripomastigota metac&#237;clica &#233; o produto final do ciclo de multiplica&#231;&#227;o, sendo a forma infecciosa para os mam&#237;feros.</p>
    <p>O meio ambiente no mam&#237;fero normalmente &#233; adverso &#224;s formas de multiplica&#231;&#227;o no inseto, at&#233; pela alta temperatura do corpo<sup>12</sup>. Epimastigotas s&#227;o rapidamente lisadas ou fagocitadas e digeridas. Mas com as tripomastigotas metac&#237;clicas isso n&#227;o acontece. No gamb&#225;, a temperatura do corpo n&#227;o &#233; t&#227;o alta como em mam&#237;feros semelhantes, provavelmente propiciando esses fatos.</p>
    <p>Na Amaz&#244;nia, os tr&#234;s primeiros casos foram registrados em 1966, tamb&#233;m com contamina&#231;&#227;o via oral<sup>13</sup>. At&#233; 2001 havia 148 casos informados na Amaz&#244;nia brasileira, sendo 121 agudos, com cinco mortes. Somente no Par&#225;, 71 casos foram notificados, incluindo dezessete microepidemias familiares, principalmente por ingest&#227;o de suco de a&#231;a&#237; contaminado. A palmeira de a&#231;a&#237;, juntamente com a de bacaba, cujo suco tamb&#233;m &#233; consumido na regi&#227;o e a de baba&#231;u s&#227;o conhecidas por abrigar triatom&#237;deos na regi&#227;o Norte do Brasil<sup>7</sup>. Curiosamente, nos treze casos agudos relatados em Abaetetuba (PA), aproximadamente a metade evoluiu com eletrocardiograma normal, caracter&#237;stica observada em estudos de campo em outras regi&#245;es do Brasil.</p>
    <p>Trabalhos com ratos e camundongos inoculados oralmente com <italic>Trypanosoma cruzi</italic>, obtidos a partir de sangue de camundongos infectados ou fezes infectadas de triatom&#237;deo, mostraram que a infec&#231;&#227;o era mais grave quando secund&#225;ria &#224; inocula&#231;&#227;o via oral de fezes infectadas de triatom&#237;deo, demonstrando que a infec&#231;&#227;o por tripomastigotas metac&#237;clicas &#233; maior que com a forma sang&#252;&#237;nea<sup>14</sup>. Essas formas tamb&#233;m j&#225; foram isoladas a partir de urina do vetor ap&#243;s alimenta&#231;&#227;o repetida em camundongos com alta parasitemia<sup>15</sup>.</p>
    <p>Outro ponto intrigante diz respeito a quanto a barreira do suco g&#225;strico pode realmente ser uma barreira. O <italic>Trypanosoma cruzi</italic> pode invadir e se multiplicar no epit&#233;lio da mucosa g&#225;strica murina, o que &#233; visto por alguns pesquisadores como uma possibilidade para o desenvolvimento de uma vacina<sup>16</sup>. Tamb&#233;m j&#225; foi observado que formas circulantes tripomastigotas n&#227;o podem eficientemente iniciar infec&#231;&#227;o a partir da mucosa, experimentalmente, mesmo com in&#243;culos grandes, a menos que haja defeitos de mucosa ou doen&#231;a periodontal; por sua vez, in&#243;culos menores de tripomastigotas metac&#237;clicas administrados via oral s&#227;o muito infectantes<sup>17</sup>.</p>
    <p>Outro interessante experimento foi feito com camundongos infectados por gavagem em compara&#231;&#227;o com inocula&#231;&#227;o intraperitoneal das cepas Colombiana e Peruana do <italic>Trypanosoma cruzi</italic><sup>18</sup>. A cepa Colombiana teve alta infectividade, semelhante pelas duas vias, enquanto a Peruana mostrou-se de alta infectividade por via peritoneal e de baixa infectividade quando administrada por gavagem. Nos casos humanos, a influ&#234;ncia da cepa durante a transmiss&#227;o oral ainda n&#227;o foi comprovada, mas provavelmente tamb&#233;m &#233; importante. Nos epis&#243;dios de Icoaraci (PA) e Catol&#233; do Rocha (PB) foram isoladas cepas encontradas no ciclo silvestre. Como essas microepidemias acontecem em &#225;reas pr&#243;ximas a ac&#243;topos silvestres, esse fato refor&#231;a a rela&#231;&#227;o com a cepa do parasita.</p>
    <p>O encontro de parasitas nas mucosas g&#225;strica e esof&#225;gica nesses trabalhos experimentais n&#227;o &#233; uma constante<sup>16</sup>, havendo, em alguns deles, como no trabalho citado, apenas grande infiltrado inflamat&#243;rio.</p>
    <p>Outra preocupa&#231;&#227;o em rela&#231;&#227;o &#224; contamina&#231;&#227;o oral diz respeito &#224; ingest&#227;o de carne de ca&#231;a crua ou malcozida por algumas popula&#231;&#245;es do interior do Brasil, principalmente ind&#237;genas<sup>19</sup>.</p>
    <p>Cem anos depois da descri&#231;&#227;o por Carlos Chagas, ainda nos vemos &#224;s voltas com a mesma doen&#231;a que o eminente m&#233;dico nosso conterr&#226;neo descreveu em todas as suas nuan&#231;as. Mas n&#243;s, um s&#233;culo depois, ainda somos incompetentes para interromper sua transmiss&#227;o por uma via que depende praticamente de higiene no preparo de alimentos. O que ser&#225; que Carlos Chagas pensaria de n&#243;s, no s&#233;culo XXI, &#224;s voltas com esses problemas? Ser&#225; que, agora que o <italic>Trypanosoma cruzi</italic> saiu do interior do Brasil e ganhou as praias de veraneio de brasileiros com maior poder aquisitivo, a doen&#231;a de Chagas vai ter visibilidade suficiente e toda a popula&#231;&#227;o se mobilizar&#225; para seu controle definitivo, tanto quanto &#233; feito com outras doen&#231;as infecciosas que penetram mais na m&#237;dia? Apenas para lembrar, o simples uso de inseticida praticamente elimina a possibilidade de novas infec&#231;&#245;es em regi&#245;es de risco. &#201; algo para parar e pensar. </p>
    <p>
      <bold>REFER&#202;NCIAS</bold>
    </p>
    <p>1. Nery-Guimar&#227;es F, Silva NN, Clausell DT et al. Um surto epid&#234;mico de doen&#231;a de Chagas de prov&#225;vel transmiss&#227;o digestiva, ocorrida em Teut&#244;nia (Estrela-Rio Grande do Sul). Hospital (Rio de Janeiro) 1968; 73: 1767-804.</p>
    <p>2. Neves da Silva N, Clausell DT, N&#243;libos H et al. Surto epid&#234;mico de doen&#231;a de Chagas com prov&#225;vel contamina&#231;&#227;o oral. Rev Inst Med Trop S&#227;o Paulo 1968; 10: 265-76.</p>
    <p>3. Shikanai-Yasuda MA, Marcondes CB, Guedes LA et al. Possible oral transmission of acute Chagas' disease in Brazil. Rev Inst Med Trop S&#227;o Paulo 1991; 33: 351-7.</p>
    <p>4. Crescente JA, Valente SAS, Valente VC et al. Ocorr&#234;ncia de 4 casos agudos de doen&#231;a de Chagas na vila de Icoaraci-PA. Rev Soc Bras Med Trop 1992; 25(supl. I): 29.</p>
    <p>5. Valente SAS, Valente VC, Fraiha Neto H. Transmiss&#227;o da doen&#231;a de Chagas: como estamos? Considera&#231;&#245;es sobre a epidemiologia e transmiss&#227;o da doen&#231;a de Chagas na Amaz&#244;nia Brasileira. Rev Soc Bras Med Trop 1999; 25(supl .2): 51-5.</p>
    <p>6. Valente VC, Valente SAS, Pinto AYN. Perfil parasitol&#243;gico e sorol&#243;gico em microepidemia familiar de doen&#231;a de Chagas em Abaetetuba, Estado do Par&#225;. Rev Soc Bras Med Trop 2001a; 34: 20-1. </p>
    <p>7. Valente SAS, Pimentel, OS, Valente VC et al. Microepidemia familiar de doen&#231;a de Chagas em Santar&#233;m. Primeiro registro no oeste do Par&#225;. Rev Soc Bras Med Trop 2001;34(supl I):19-20.</p>
    <p>8. Nattan-Larrier L. Infections &#224; Trypanosomes et voies de penetration des virus, Bull Soc Path Exot 1921; 14: 537-42.</p>
    <p>9. Kofoid CA, Donat E. Experimental infection with <italic>Trypanosoma cruzi</italic> from the intestine of cone-nose bug <italic>Triatoma protracta</italic>. Proc Soc Exp Biol Med (NY) 1933; 30: 489-91.</p>
    <p>10. Dias E. Servi&#231;o de estudos de grandes endemias. Transmiss&#227;o do <italic>" Schizotrypanum cruzi"</italic> entre vertebrados, por via digestiva. Brasil Med 1940; 54: 775.</p>
    <p>11. Soares VA, Dias JCP, Marsden PD, et al. Sobreviv&#234;ncia do <italic>T cruzi</italic> em caldo de cana: resultados preliminares. Rev Soc Bras Med Trop 1987; 20(supl 2): 38.</p>
    <p>12. Deane MP, Lenzi HL, Jansen A. <italic>Trypanosoma cruzi:</italic> vertebrate and invertebrate cycles in the same mammal host, the opossum <italic>Didelphis marsupialis</italic>. Mem Inst Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro 1984; 79: 513-5.</p>
    <p>13. Pinto AYN, Harada GS, Valente VC et al. Acometimento card&#237;aco em pacientes com doen&#231;a de Chagas aguda em microepidemia familiar, em Abaetetuba, na Amaz&#244;nia Brasileira. Rev Soc Bras Med Trop 2001; 34: 413-9.</p>
    <p>14. Calvo Mendez ML, Nogueda Torres B, Alejandre Aguilar R. The oral route: an access port for <italic>Trypanosoma cruzi</italic>. Rev Latinoam Microbiol 1992; 34: 39-42.</p>
    <p>15. Kirchhoff LV, Hoft DF. Immunization and challenge of mice with insect-derived metacyclic trypomastigotes of <italic>Trypanosoma cruzi.</italic> Parasite Immunol 1990; 12; 65-74.</p>
    <p>16. Hoft DF, Farrar PL, Kratz-Owens K et al. Gastric invasion by <italic>Trypanosoma cruzi</italic> and induction of protective mucosal immune responses. Infect Immun 1996; 64: 3800-10</p>
    <p>17. Hoft DF. Differential mucosal infectivity of different life stages of <italic>Trypanosoma cruzi</italic> . Am J Trop Med Hyg 1996; 55: 360-4. </p>
    <p>18. Camandaroba EL, Pinheiro Lima CM, Andrade S. Oral transmission of Chagas' disease: importance of <italic>Trypanosoma cruzi</italic> biodeme in the intragastric experimental infection. Rev Inst Med Trop S&#227;o Paulo 2002; 44: 97-103.</p>
    <p>19. Prata A. Clinical and epidemiological aspects of Chagas' disease. Lancet Infect Dis 2001; 1: 92-100.</p>
    <p>
      <fn id="back10" fn-type="corresp">
        <p>Correspond&#234;ncia:</p>
        <p>Barbara Maria Ianni </p>
        <p> Rua Salete, 335 </p>
        <p> 02016-001 S&#227;o Paulo, SP </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="barbara.ianni@incor.usp.br">barbara.ianni@incor.usp.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Recebido em 03/05/05 </p>
    <p> Aceito em 04/05/05</p>
  </body>
  <sub-article article-type="translation" id="TRen" xml:lang="en">
    <front-stub>
      <article-categories>
        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Editorial</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">The sugarcane juice was delicious, but...</article-title>
      </title-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>EDITORIAL</bold>
      </p>
      <p>The sugarcane juice was delicious, but...</p>
      <p>
        <bold>Barbara Maria Ianni; Charles Mady</bold>
      </p>
      <p>Instituto do Cora&#231;&#227;o do Hospital das Cl&#237;nicas - FMUSP - S&#227;o Paulo, SP - Brazil</p>
      <p>
        <xref ref-type="corresp" rid="back10-body2">Mailing Address</xref>
      </p>
      <p>"The sugarcane juice was delicious, but the hangover, which only manifested itself fifteen days later, nearly killed me". This same thought must have crossed the mind of the 25 people (five of whom died) orally infected with <italic>Trypanosoma cruzi</italic> in Navegantes, Santa Catarina, early this year. Not long thereafter, 26 people were infected after drinking parasite-contaminated a&#231;a&#237; juice in Igarap&#233; da Fortaleza, Amap&#225; state. Thus, in the first quarter of 2005 alone, 51 people developed acute Chagas disease (American trypanosomiasis). These events, which exposed an often neglected means of transmission, made the headlines in all major Brazilian newspapers and TV newscasts.</p>
      <p>In the case of the Navegantes episode, public health agents found ten infected vectors in a palm tree located next to the kiosk where the sugarcane juice was sold, one infected vector inside the kiosk, and 33 vectors &#150; only three of which were not infected &#150; in the dense vegetation behind the kiosk. Nearby the agents also found a female opossum and four baby opossums, all infected.</p>
      <p>The central and southern regions of Brazil have already been certified by the Pan American Health Organization as having vectorial transmission of <italic>Trypanosoma cruzi</italic> under control. However, the parasite has now reappeared and is causing acute cases of Chagas disease &#150; now by means of oral contamination.</p>
      <p>Microepidemics featuring high infectivity rates and some deaths were registered (Teutonia, RS; <sup>1,2</sup> Catol&#233; do Rocha, PB; <sup>3</sup> Amaz&#244;nia brasileira),<sup>4-7</sup> but the possibility of oral transmission is a long recognized fact. In 1921, trypomastigote bloodstream forms inoculated orally in animal models led to the development of the disease.<sup>8 </sup>In 1933, metacyclic forms of the parasite found in feces of insect vectors inoculated orally in animal models also caused the disease.<sup>9</sup> Transmission among wild animals (predators and their infected preys)<sup>10</sup> was demonstrated in 1940. And in 1991, 26 acute cases caused by infected sugarcane juice were reported in Catol&#233; do Rocha in the state of Para&#237;ba following a family reunion at a farm in the region. <sup>3</sup> Since 1987 it is known that <italic>Trypanosoma cruzi</italic> can remain infectious for 24 hours in sugarcane juice<sup>11</sup>.</p>
      <p>One of the possibilities raised at that time was that some insects could have been ground in the course of the cane grinding process. Another hypothesis, an intriguing one, is that the sugarcane had been contaminated by secretions of wild animals, among them opossums.</p>
      <p>A very interesting article was published in 1984 showing that in the same animal, opossum <italic>Didelphis marsupialis</italic>,<sup>12 </sup>there are both a vertebrate and an invertebrate cycle. The authors found epimastigotes multiplying extracellularly and also metacyclic trypomastigotes - stages that correspond to the <italic>Trypanosoma cruzi</italic> life cycle in the intestinal lumen of the vector insect - in the lumen of the anal glands of this wild animal, inoculated subcutaneously with infected feces of triatomids. The presence of these forms of <italic>Trypanosoma cruzi</italic> in the lumen of the anal glands of the opossum requires a high degree of adaptation to the environment, yet may act as a reservoir from which the parasite can spread to other tissues through the bloodstream. It is also an effective protection against the immune response of the host that, in the opossum, is as effective as in other vertebrate hosts, including humans. In the vertebrate host, <italic>Trypanosoma cruzi</italic> multiplies intracellularly as amastigote, but in the insect, it multiplies extracellularly in the lumen of the digestive tract as epimastigote. The parasite does not replicate as trypomastigote, form that develops at the final phase of the vertebrate cycle and is used to invade new cells or remain in the bloodstream, infecting invertebrates. Also in the insect, the metacyclic trypomastigote form is the end product of the replication cycle, being the infectious form to the mammalian host.</p>
      <p>Due to mammal's high body temperature, the mammalian environment is usually adverse to the replicating forms in insects. Epimastigotes are readily lysed or phagocytized and digested. But this does not occur with metaclycic trypomastigotes. The reason may be that the body temperature of opossums is lower than that of most similar mammals.</p>
      <p>In Amaz&#244;nia, the first three cases were registered in 1966, also associated with oral contamination. Up to 2001, 148 cases had been reported in the Brazilian Amazonia, 121 of which were acute infections, with five deaths. In Par&#225; state alone, 71 cases were reported, including seventeen familial microepidemics, especially through the ingestion of parasite-contaminated a&#231;a&#237; juice. A&#231;a&#237; palm (<italic>Euterpe oleracea</italic>), together with bacaba palm (<italic>Oenocarpus bacaba</italic>) - the juice of which is also drunk in that region - and baba&#231;u palm (<italic>Orbignia martiana</italic>) are known to harbor triatomids in northern Brazil. Curiously enough, in the thirteen acute cases reported in Abaetetuba (Par&#225;), nearly half had normal electrocardiogram, a characteristic observed in field studies in other Brazilian regions.</p>
      <p>Studies performed with rats and mice inoculated orally with <italic>Trypanosoma cruzi</italic>, obtained from blood of infected mice or infected feces from triatomid bugs, showed that the infection was more severe when secondary to oral inoculation of infected feces from triatomids, demonstrating that infection with metacyclic trypomastigotes is higher than with the bloodstream form.<sup>14</sup></p>
      <p>These forms have also been isolated from the urine of vectors fed repeatedly on highly-parasitemic mice.<sup>15</sup></p>
      <p>Another intriguing point is how effectively the gastric juice can act as a barrier. <italic>Trypanosoma cruzi</italic> can invade and replicate in the murine gastric mucosal epithelium, and some researchers believe this might aid in the development of a vaccine. <sup>16</sup></p>
      <p>It was also experimentally observed that circulating trypomastigotes cannot efficiently initiate infection from the mucous membrane, even with high inocula, unless in the presence of mucous membrane defects or periodontal disease; on the other hand, lower inocula metacyclic trypomastigote administered orally are highly infectious.<sup>17</sup></p>
      <p>Another interesting experiment was conducted on mice infected by gavage, as compared to intraperitoneal inoculation with Colombian and Peruvian strains of <italic>Trypanosoma cruzi</italic>. <sup>18</sup></p>
      <p>The Colombian strain showed similar high infectivity level by both routes, whereas the Peruvian strain showed high infectivity level by peritoneal route and low infectivity level when administered by gavage. In human beings, the effect of the strain during oral transmission has not yet been proven, but it is likely to be relevant as well. In the Icoaraci (Par&#225;) and Catol&#233; do Rocha (Paraba&#237;ba) episodes, strains found in the sylvatic cycle were isolated. The fact that these microepidemics occur near sylvatic ecotopes only corroborates the relationship with the parasite strain.</p>
      <p>The presence of parasites in the gastric and esophageal mucosa is not always detected in these experimental studies;<sup>16</sup> in some of them, such as in the study mentioned above, there is only an inflammatory infiltrate.</p>
      <p>Another concern regarding oral transmission is the consumption of raw or undercooked game meat by some populations in the rural areas of Brazil, especially by indigenous peoples.<sup>19</sup></p>
      <p>To this day we are still dealing with the same disease that our eminent fellow brazilian physician Dr. Carlos Chagas described so clearly a hundred years ago. And we, a century later, are still incapable of halting its transmission by means that depend merely on practicing basic principles of food preparation hygiene. What would Carlos Chagas think of us, already in the 21<sup>st</sup> century and still dealing with this same problem? Maybe now that <italic>Trypanosoma cruzi</italic> has moved from the brazilian hinterland to the beautiful white sand beaches frequented by Brazilians in the higher income brackets, Chagas disease will gain visibility and the population as a whole will demand its definitive control, as has been the case with other infectious diseases more regularly featured in the media. It must be kept in mind that measures as simple as the use of insecticides virtually eliminate the possibility of new infections in risk areas. The subject definitely provides food for thought. </p>
      <p>
        <bold>REFERENCES</bold>
      </p>
      <p>1. Nery-Guimar&#227;es F, Silva NN, Clausell DT et al. Um surto epid&#234;mico de doen&#231;a de Chagas de prov&#225;vel transmiss&#227;o digestiva, ocorrida em Teut&#244;nia (Estrela-Rio Grande do Sul). Hospital (Rio de Janeiro) 1968; 73: 1767-804.</p>
      <p>2. Neves da Silva N, Clausell DT, N&#243;libos H et al. Surto epid&#234;mico de doen&#231;a de Chagas com prov&#225;vel contamina&#231;&#227;o oral. Rev Inst Med Trop S&#227;o Paulo 1968; 10: 265-76.</p>
      <p>3. Shikanai-Yasuda MA, Marcondes CB, Guedes LA et al. Possible oral transmission of acute Chagas' disease in Brazil. Rev Inst Med Trop S&#227;o Paulo 1991; 33: 351-7.</p>
      <p>4. Crescente JA, Valente SAS, Valente VC et al. Ocorr&#234;ncia de 4 casos agudos de doen&#231;a de Chagas na vila de Icoaraci-PA. Rev Soc Bras Med Trop 1992; 25(supl. I): 29.</p>
      <p>5. Valente SAS, Valente VC, Fraiha Neto H. Transmiss&#227;o da doen&#231;a de Chagas: como estamos? Considera&#231;&#245;es sobre a epidemiologia e transmiss&#227;o da doen&#231;a de Chagas na Amaz&#244;nia Brasileira. Rev Soc Bras Med Trop 1999; 25(supl .2): 51-5.</p>
      <p>6. Valente VC, Valente SAS, Pinto AYN. Perfil parasitol&#243;gico e sorol&#243;gico em microepidemia familiar de doen&#231;a de Chagas em Abaetetuba, Estado do Par&#225;. Rev Soc Bras Med Trop 2001a; 34: 20-1. </p>
      <p>7. Valente SAS, Pimentel, OS, Valente VC et al. Microepidemia familiar de doen&#231;a de Chagas em Santar&#233;m. Primeiro registro no oeste do Par&#225;. Rev Soc Bras Med Trop 2001;34(supl I):19-20.</p>
      <p>8. Nattan-Larrier L. Infections &#224; Trypanosomes et voies de penetration des virus, Bull Soc Path Exot 1921; 14: 537-42.</p>
      <p>9. Kofoid CA, Donat E. Experimental infection with <italic>Trypanosoma cruzi</italic> from the intestine of cone-nose bug <italic>Triatoma protracta</italic>. Proc Soc Exp Biol Med (NY) 1933; 30: 489-91.</p>
      <p>10. Dias E. Servi&#231;o de estudos de grandes endemias. Transmiss&#227;o do <italic>" Schizotrypanum cruzi"</italic> entre vertebrados, por via digestiva. Brasil Med 1940; 54: 775.</p>
      <p>11. Soares VA, Dias JCP, Marsden PD, et al. Sobreviv&#234;ncia do <italic>T cruzi</italic> em caldo de cana: resultados preliminares. Rev Soc Bras Med Trop 1987; 20(supl 2): 38.</p>
      <p>12. Deane MP, Lenzi HL, Jansen A. <italic>Trypanosoma cruzi:</italic> vertebrate and invertebrate cycles in the same mammal host, the opossum <italic>Didelphis marsupialis</italic>. Mem Inst Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro 1984; 79: 513-5.</p>
      <p>13. Pinto AYN, Harada GS, Valente VC et al. Acometimento card&#237;aco em pacientes com doen&#231;a de Chagas aguda em microepidemia familiar, em Abaetetuba, na Amaz&#244;nia Brasileira. Rev Soc Bras Med Trop 2001; 34: 413-9.</p>
      <p>14. Calvo Mendez ML, Nogueda Torres B, Alejandre Aguilar R. The oral route: an access port for <italic>Trypanosoma cruzi</italic>. Rev Latinoam Microbiol 1992; 34: 39-42.</p>
      <p>15. Kirchhoff LV, Hoft DF. Immunization and challenge of mice with insect-derived metacyclic trypomastigotes of <italic>Trypanosoma cruzi.</italic> Parasite Immunol 1990; 12; 65-74.</p>
      <p>16. Hoft DF, Farrar PL, Kratz-Owens K et al. Gastric invasion by <italic>Trypanosoma cruzi</italic> and induction of protective mucosal immune responses. Infect Immun 1996; 64: 3800-10</p>
      <p>17. Hoft DF. Differential mucosal infectivity of different life stages of <italic>Trypanosoma cruzi</italic> . Am J Trop Med Hyg 1996; 55: 360-4. </p>
      <p>18. Camandaroba EL, Pinheiro Lima CM, Andrade S. Oral transmission of Chagas' disease: importance of <italic>Trypanosoma cruzi</italic> biodeme in the intragastric experimental infection. Rev Inst Med Trop S&#227;o Paulo 2002; 44: 97-103.</p>
      <p>19. Prata A. Clinical and epidemiological aspects of Chagas' disease. Lancet Infect Dis 2001; 1: 92-100.</p>
      <p>
        <fn id="back10-body2" fn-type="corresp">
          <p>Mailing Address:</p>
          <p> Barbara Maria Ianni</p>
          <p> Rua Salete, 335</p>
          <p> 02016-001</p>
          <p> S&#227;o Paulo, SP - Brazil</p>
          <p> E-mail: </p>
          <p>
            <email xlink:href="barbara.ianni@incor.usp.br">barbara.ianni@incor.usp.br</email>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Received on 05/03/05</p>
      <p> Accepted on 05/04/05</p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
