<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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          <subject>Artigos Originais</subject>
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        <article-title>Mortalidade compensada por doen&#231;as cardiovasculares no per&#237;odo de 1980 a 1999 - Brasil</article-title>
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            <given-names>Gl&#225;ucia Maria Moraes</given-names>
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        <institution content-type="orgname">Escola Nacional de Sa&#250;de P&#250;blica</institution>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>11</month>
        <year>2005</year>
      </pub-date>
      <volume>85</volume>
      <issue>5</issue>
      <fpage>305</fpage>
      <lpage>313</lpage>
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          <day>14</day>
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          <year>2005</year>
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          <day>26</day>
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          <year>2005</year>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
        </license>
      </permissions>
      <abstract>
        <p>OBJETIVO: Avaliar comparativamente a evolu&#231;&#227;o das mortalidades por doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio (DAC), doen&#231;as isqu&#234;micas do cora&#231;&#227;o (DIC) e cerebrovasculares (DCBV), no estados do Rio de Janeiro (RJ), S&#227;o Paulo (SP) e Rio Grande do Sul (RS), e suas capitais, no per&#237;odo 1980-1999. M&#201;TODOS: Os dados relativos a &#243;bitos por DAC provieram do Datasus, e os das popula&#231;&#245;es, do IBGE. Calcularam-se taxas de mortalidade brutas e ajustadas, por sexo e idade, pelo m&#233;todo direto (popula&#231;&#227;o padr&#227;o: maiores de vinte anos do Estado do RJ, em 2000). Em raz&#227;o do crescimento relevante da mortalidade por causas mal definidas no munic&#237;pio e no Estado do RJ, a partir de 1990, procedeu-se &#224; compensa&#231;&#227;o dos &#243;bitos preliminares aos ajustamentos. As tend&#234;ncias foram analisadas com regress&#245;es lineares. RESULTADOS: Os decl&#237;nios anuais da mortalidade, compensados e ajustados, variaram de -11,3 &#243;bitos por DAC, por cem mil habitantes, no munic&#237;pio e no Estado do RJ, at&#233; -7,4 no munic&#237;pio de SP. As DIC foram semelhantes no Estado e munic&#237;pio do RJ e em Porto Alegre, sendo menores no munic&#237;pio de SP (-2,5 &#243;bitos por cem mil habitantes). Nas DCBV, a varia&#231;&#227;o observada foi de -6,0 a -2,8 &#243;bitos por cem mil habitantes, no Estado do RJ e em Porto Alegre, respectivamente. CONCLUS&#195;O: Observaram-se decl&#237;nios das taxas de mortalidade compensadas e ajustadas por DAC, DIC e DCBV, no per&#237;odo 1980-1999, nos tr&#234;s estados e capitais. No RJ, Estado e munic&#237;pio, os decl&#237;nios das DIC foram n&#237;tidos a partir de 1990, enquanto as DCBV mostraram quedas em todo o per&#237;odo.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>tend&#234;ncia</kwd>
        <kwd>mortalidade</kwd>
        <kwd>doen&#231;as cardiovasculares</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>05</day>
        <month>12</month>
        <year>2005</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
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  <body>
    <p>
      <bold>ARTIGO ORIGINAL</bold>
    </p>
    <p>Mortalidade compensada por doen&#231;as cardiovasculares no per&#237;odo de 1980 a 1999 - Brasil</p>
    <p>
      <bold>Gl&#225;ucia Maria Moraes Oliveira; Nelson Albuquerque Souza e Silva; Carlos Henrique Klein</bold>
    </p>
    <p>Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola Nacional de Sa&#250;de P&#250;blica e Secretaria de Estado de Sa&#250;de do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro, RJ</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back10">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p><bold>OBJETIVO:</bold> Avaliar comparativamente a evolu&#231;&#227;o das mortalidades por doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio (DAC), doen&#231;as isqu&#234;micas do cora&#231;&#227;o (DIC) e cerebrovasculares (DCBV), no estados do Rio de Janeiro (RJ), S&#227;o Paulo (SP) e Rio Grande do Sul (RS), e suas capitais, no per&#237;odo 1980-1999. </p>
    <p><bold>M&#201;TODOS:</bold> Os dados relativos a &#243;bitos por DAC provieram do Datasus, e os das popula&#231;&#245;es, do IBGE. Calcularam-se taxas de mortalidade brutas e ajustadas, por sexo e idade, pelo m&#233;todo direto (popula&#231;&#227;o padr&#227;o: maiores de vinte anos do Estado do RJ, em 2000). Em raz&#227;o do crescimento relevante da mortalidade por causas mal definidas no munic&#237;pio e no Estado do RJ, a partir de 1990, procedeu-se &#224; compensa&#231;&#227;o dos &#243;bitos preliminares aos ajustamentos. As tend&#234;ncias foram analisadas com regress&#245;es lineares. </p>
    <p><bold>RESULTADOS:</bold> Os decl&#237;nios anuais da mortalidade, compensados e ajustados, variaram de -11,3 &#243;bitos por DAC, por cem mil habitantes, no munic&#237;pio e no Estado do RJ, at&#233; -7,4 no munic&#237;pio de SP. As DIC foram semelhantes no Estado e munic&#237;pio do RJ e em Porto Alegre, sendo menores no munic&#237;pio de SP (-2,5 &#243;bitos por cem mil habitantes). Nas DCBV, a varia&#231;&#227;o observada foi de -6,0 a -2,8 &#243;bitos por cem mil habitantes, no Estado do RJ e em Porto Alegre, respectivamente. </p>
    <p><bold>CONCLUS&#195;O:</bold> Observaram-se decl&#237;nios das taxas de mortalidade compensadas e ajustadas por DAC, DIC e DCBV, no per&#237;odo 1980-1999, nos tr&#234;s estados e capitais. No RJ, Estado e munic&#237;pio, os decl&#237;nios das DIC foram n&#237;tidos a partir de 1990, enquanto as DCBV mostraram quedas em todo o per&#237;odo.</p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> tend&#234;ncia, mortalidade, doen&#231;as cardiovasculares</p>
    <p>A partir do final da d&#233;cada de 1960 e in&#237;cio dos anos 1970, um decl&#237;nio da mortalidade por doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio (DAC) come&#231;ou a ser observado nos pa&#237;ses industrializados, principalmente nos Estados Unidos, no Canad&#225; e nos pa&#237;ses do Oeste Europeu. Apesar da tend&#234;ncia de queda dessas taxas de mortalidade, as DAC s&#227;o as principais causas de morte nos pa&#237;ses desenvolvidos ou em desenvolvimento<sup>1,2</sup>, e tamb&#233;m no Brasil<sup>3,4</sup>. Assim, no ano de 1998, as DAC foram respons&#225;veis por 26,5% dos &#243;bitos no Brasil<sup>5</sup>.</p>
    <p>No Brasil, essa tend&#234;ncia de queda das taxas de mortalidade por DAC foi constatada em estudos realizados no Estado e munic&#237;pio de S&#227;o Paulo<sup>6,7</sup> e, posteriormente, em capitais como Salvador<sup>8</sup> e Goi&#226;nia<sup>9</sup>. Melhor controle de fatores de risco, especialmente hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica, e novas t&#233;cnicas diagn&#243;sticas, al&#233;m de avan&#231;os no campo terap&#234;utico foram considerados os principais respons&#225;veis pela redu&#231;&#227;o dessas taxas de mortalidade<sup>10-14</sup>.</p>
    <p>Na regi&#227;o Sudeste, em 1996, as DAC representaram 30,8% das mortes, seguidas por causas externas com 13,5% e neoplasias com 12,4%<sup>5</sup>. Dentre as DAC, destacam-se as doen&#231;as cerebrovasculares (DCBV) e as doen&#231;as isqu&#234;micas do cora&#231;&#227;o (DIC), que em 1998 compuseram mais de 60% das taxas de &#243;bitos por DAC, no Brasil<sup>4</sup>. No Estado do Rio Grande do Sul, bem como em sua capital, Porto Alegre, as DAC tamb&#233;m foram as principais causas de mortalidade em 30% a 35% dos &#243;bitos nos &#250;ltimos trinta anos<sup>15</sup>.</p>
    <p>Souza e cols.<sup>16</sup>, estudando a tend&#234;ncia do risco de morte por DAC nas cinco regi&#245;es do Brasil, no per&#237;odo de 1979 a 1996, corroboraram a maioria dos achados descritos acima. Esses autores demonstraram uma tend&#234;ncia de queda de mortalidade por DAC nas regi&#245;es Sul, Sudeste e Norte, em todas as faixas et&#225;rias e em ambos os sexos.</p>
    <p>Mansur e cols.<sup>3</sup> estudaram, posteriormente, a mortalidade por DAC, DIC e DCBV em onze capitais do Brasil, no per&#237;odo de 1980 a 1998, das cinco grandes regi&#245;es. Observaram quedas na maioria das capitais. O Rio de Janeiro apresentou redu&#231;&#245;es dos riscos de morte por DIC e DCBV, bem como Porto Alegre. Entretanto, S&#227;o Paulo apresentou um discreto aumento nas DIC, em ambos os sexos, na faixa et&#225;ria de trinta a 39 anos entre os homens e, entre as mulheres, de quarenta a 59 anos. Os autores salientaram as relevantes diminui&#231;&#245;es nas DAC, DIC e DCBV no Rio de Janeiro.</p>
    <p>Embora esses autores mencionem as altas taxas de mortalidade por causas mal definidas nas regi&#245;es Nordeste, Norte e Centro-Oeste<sup>16</sup>, n&#227;o referem a crescente mortalidade por esse grupo de causas no Rio de Janeiro a partir de 1990 e sua influ&#234;ncia nas tend&#234;ncias observadas nas taxas de mortalidade por causas definidas.</p>
    <p>O desenvolvimento de um sistema de informa&#231;&#227;o em sa&#250;de, composto de bases de dados confi&#225;veis para an&#225;lise, &#233; fundamental para a tomada de decis&#245;es gerenciais buscando definir prioridades, estrat&#233;gias e a&#231;&#245;es voltadas para a melhoria de sa&#250;de da popula&#231;&#227;o<sup>17</sup>.</p>
    <p>Este estudo tem como objetivo principal delinear o comportamento evolutivo da mortalidade por DAC e suas fra&#231;&#245;es, DIC e DCBV, no Estado do Rio de Janeiro (RJ), comparando-a com a sua evolu&#231;&#227;o nos Estados do Rio Grande do Sul (RS) e de S&#227;o Paulo (SP), utilizando uma casu&#237;stica hist&#243;rica dos anos de 1980 a 1999, por meio do emprego de metodologia uniforme de an&#225;lise dos dados.</p>
    <p>
      <bold>M&#201;TODOS</bold>
    </p>
    <p>O estudo tem delineamento ecol&#243;gico de s&#233;rie hist&#243;rica, com dados dos anos de 1980 a 1999, o &#250;ltimo ano com dados dispon&#237;veis na &#233;poca do estudo. Analisou-se a mortalidade por DAC nos estados do Rio de Janeiro, S&#227;o Paulo e Rio Grande do Sul, bem como em suas respectivas capitais, na popula&#231;&#227;o adulta de vinte anos ou mais. As popula&#231;&#245;es totais, de adultos e de idosos, dos locais estudados, no ano de 2000, podem ser observadas na <xref ref-type="table" rid="tab1">tabela I</xref>.</p>
    <table-wrap id="tab1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-05-0305-00002-gt01.jpg"/></table-wrap>
    <p>Os dados referentes &#224;s popula&#231;&#245;es utilizadas para os c&#225;lculos das taxas de mortalidade foram obtidos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&#237;stica (IBGE) com base nos censos de 1970, 1980, 1991 e 2000, e da contagem populacional de 1996<sup>18</sup>, utilizando o m&#233;todo de Lagrange para os c&#225;lculos das popula&#231;&#245;es em 1&#186; de julho para os anos intercensit&#225;rios de 1980 a 1999<sup>19</sup>.</p>
    <p>Os dados relativos &#224;s freq&#252;&#234;ncias anuais de mortes por DAC, no per&#237;odo entre 1980 e 1999, foram obtidos do Sistema Datasus, Minist&#233;rio da Sa&#250;de<sup>20</sup>. Utilizaram-se os c&#243;digos da 9&#170; Confer&#234;ncia de Revis&#227;o da Classifica&#231;&#227;o Internacional de Doen&#231;as de 1975<sup>21</sup> (CID 9) para os &#243;bitos de 1980 a 1995, com os seguintes c&#243;digos: DIC- 410 a 414, DCBV- 430 a 438 e DAC- 390 a 459 . Para os &#243;bitos a partir de 1996, at&#233; 1999, foi utilizada a 10&#170; Confer&#234;ncia de Revis&#227;o da Classifica&#231;&#227;o Internacional de Doen&#231;as<sup>22</sup> de 1995(CID 10) com os c&#243;digos de DIC- I20 a I25, DCBV- I60 a 69 e DAC- I10 a I82.9.</p>
    <p>A popula&#231;&#227;o foi estratificada de acordo com o sexo e os grupos et&#225;rios (20 a 29; 30 a 39; 40 a 49; 50 a 59; 60 a 69; 70 a 79 e 80 ou mais), sendo ent&#227;o calculadas as taxas de mortalidade brutas e ajustadas (por sexo e idade) pelo m&#233;todo direto. O ajustamento teve como popula&#231;&#227;o padr&#227;o a dos maiores de vinte anos no Estado do Rio de Janeiro no ano de 2000, com base no censo realizado nesse mesmo ano. Esse procedimento se justifica pelas diferentes distribui&#231;&#245;es de sexo e idade observadas nos locais estudados (<xref ref-type="table" rid="tab1">tab.I</xref>).</p>
    <p>Observaram-se a partir de 1990 aumentos relevantes da mortalidade por causas mal definidas no Estado e no munic&#237;pio do Rio de Janeiro, o mesmo n&#227;o ocorrendo nos estados de S&#227;o Paulo e Rio Grande do Sul, e suas respectivas capitais. Por esse motivo, decidiu-se adicionar aos &#243;bitos certificados pelas causas definidas de interesse (DIC, DCBV e DAC) uma determinada propor&#231;&#227;o de &#243;bitos de causas mal definidas, em cada grupo, de acordo com o sexo e a idade. Essa propor&#231;&#227;o &#233; aquela observada da causa definida (DIC, DCBV ou DAC), em rela&#231;&#227;o a todos os &#243;bitos, excluindo-se os mal definidos. A suposi&#231;&#227;o &#233; a de que as distribui&#231;&#245;es das causas de &#243;bitos entre os mal definidos s&#227;o semelhantes &#224;s observadas entre os &#243;bitos de causas definidas. Esse procedimento foi utilizado em todos os locais, n&#227;o apenas no Rio de Janeiro. Portanto, podemos resumir esse procedimento em uma f&#243;rmula como a que se segue: X<sub>c</sub> = X + M * X / (T - M) em que X &#233; o n&#250;mero de &#243;bitos pela causa espec&#237;fica (DAC, DIC ou DCBV), M &#233; o n&#250;mero de &#243;bitos por causas mal definidas, T &#233; o n&#250;mero de &#243;bitos por todas as causas, e X<sub>c</sub> &#233; o n&#250;mero compensado de &#243;bitos pela causa espec&#237;fica.</p>
    <p>Depois dessa compensa&#231;&#227;o &#233; que se procedeu ao ajustamento por padroniza&#231;&#227;o; portanto, passamos a denominar as taxas de mortalidade resultantes de "compensadas e ajustadas".</p>
    <p>Para a an&#225;lise de tend&#234;ncias de mortalidade utilizaram-se as taxas de mortalidade compensadas e ajustadas, estimando-se as taxas com modelos de regress&#227;o linear, considerando as taxas de mortalidade compensadas e ajustadas por DAC, DIC e DCBV observadas como vari&#225;veis dependentes <bold>Y</bold>, e os anos calend&#225;rios do estudo como vari&#225;veis independentes <bold>X.</bold> As taxas m&#233;dias do per&#237;odo estudado correspondem ao ponto m&#233;dio entre os anos de 1989 e 1990.</p>
    <p>Os modelos ficaram assim representados: <inline-graphic xlink:href="https://minio.scielo.br/documentstore/1678-4170/pJs6rTZ69fjmk6kRV3N4mpf/b49faa7cc701084dc9f53bde84054ace498e1c22.gif"/> = a + bX, onde <inline-graphic xlink:href="https://minio.scielo.br/documentstore/1678-4170/pJs6rTZ69fjmk6kRV3N4mpf/b49faa7cc701084dc9f53bde84054ace498e1c22.gif"/>&#233; a taxa estimada compensada e ajustada; <bold>a</bold> &#233; a taxa m&#233;dia do per&#237;odo; <bold>b</bold> &#233; a varia&#231;&#227;o anual m&#233;dia (coeficiente de inclina&#231;&#227;o da reta) e <bold>X</bold> &#233; o ano (ano 0 = 1980 e ano 19 = 1999).</p>
    <p>As propor&#231;&#245;es das vari&#226;ncias totais explicadas pelos modelos s&#227;o expressas em r<sup>2</sup> (varia&#231;&#227;o de 0 a 1). As porcentagens de varia&#231;&#227;o anual foram calculadas a partir das raz&#245;es b/a.</p>
    <p>Para o ajustamento de taxas e demais manobras quantitativas foi utilizado o programa STATA<sup>23</sup>.</p>
    <p>
      <bold>RESULTADOS</bold>
    </p>
    <p>O munic&#237;pio do Rio de Janeiro, conforme mostrado na <xref ref-type="table" rid="tab1">tabela I</xref>, apresenta perfil et&#225;rio com porcentual de idosos maior do que as demais capitais, S&#227;o Paulo e Porto Alegre, o mesmo ocorrendo na compara&#231;&#227;o entre os estados.</p>
    <p>A <xref ref-type="table" rid="t2">tabela II</xref> apresenta as taxas brutas de mortalidade nos estados, e suas respectivas capitais, das DAC, DIC, DCBV, mal definidas e de todas as causas. Observamos decr&#233;scimos das taxas brutas de DAC, DCBV e DIC nos tr&#234;s estados e suas capitais. O Estado e o munic&#237;pio do Rio de Janeiro detinham as maiores taxas brutas na primeira d&#233;cada, apresentando-se no final da segunda d&#233;cada com todas essas taxas em n&#237;veis mais elevados que os dois outros estados e capitais, exceto para as DIC.</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="t2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-05-0305-00002-gt02.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>Os &#243;bitos por causas mal definidas apresentaram distribui&#231;&#245;es desiguais nos estados e munic&#237;pios estudados. No Estado e munic&#237;pio de S&#227;o Paulo as taxas de mortalidade permaneceram constantes. No Rio Grande do Sul e Porto Alegre as mortalidades brutas por causas mal definidas ca&#237;ram em mais de 50% da d&#233;cada de 1980-1989 para a seguinte, por&#233;m no Estado do Rio de Janeiro essa mortalidade aumentou mais de duas vezes, e no munic&#237;pio do Rio de Janeiro quadruplicou da primeira para a segunda d&#233;cadas. Ainda mais, os n&#237;veis das taxas de mortalidade por causas mal definidas variaram consideravelmente entre os estados e munic&#237;pios, apresentando o Estado e o munic&#237;pio do Rio de Janeiro as mais elevadas, especialmente na d&#233;cada de 1990-1999, em que as taxas do munic&#237;pio do Rio de Janeiro s&#227;o dez vezes maiores do que nas outras duas capitais (<xref ref-type="fig" rid="fig1">figs.1</xref> e <xref ref-type="fn" rid="fig2">2</xref>).</p>
    <fig id="fig1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-05-0305-00002-gf01.jpg"/></fig>
    <p>
      <fn id="fig2">
        <p>
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-05-0305-00002-e01.jpg"/></p>
      </fn>
    </p>
    <p>Podemos observar que, enquanto o munic&#237;pio e o Estado de S&#227;o Paulo mantiveram taxas est&#225;veis de mortalidade por causas mal definidas, ocorreu queda progressiva no Estado do Rio Grande do Sul e Porto Alegre, e eleva&#231;&#227;o no munic&#237;pio e Estado do Rio de Janeiro a partir de 1990. Em Porto Alegre, a estabilidade dessas taxas s&#243; foi alterada para mais nos &#250;ltimos anos da d&#233;cada de 1980, voltando a cair no in&#237;cio da d&#233;cada de 1990-1999.</p>
    <p>A <xref ref-type="table" rid="t3">tabela III</xref> apresenta os valores estimados pelos modelos de regress&#227;o linear das taxas de mortalidade compensadas e ajustadas. Os modelos lineares foram capazes de explicar a vari&#226;ncia total de forma satisfat&#243;ria (r<sup>2</sup> = 0,77 a 0,95).</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="t3">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-05-0305-00002-gt03.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>Observamos que os decl&#237;nios anuais estimados das taxas de mortalidade, compensadas e ajustadas, tanto nas capitais quanto nos estados do Rio de Janeiro, S&#227;o Paulo e Rio Grande do Sul, variaram de -11,3 &#243;bitos por DAC, por cem mil habitantes, no munic&#237;pio e no Estado do Rio de Janeiro, a -7,4 &#243;bitos, por cem mil habitantes, no munic&#237;pio de S&#227;o Paulo. Nas DIC os decl&#237;nios foram semelhantes no Estado do Rio de Janeiro e sua capital, bem como em Porto Alegre, sendo o menor no munic&#237;pio de S&#227;o Paulo (-2,5 &#243;bitos por cem mil habitantes). Nas DCBV, a varia&#231;&#227;o observada &#233; de -6,0 &#243;bitos, por cem mil habitantes, no Estado do Rio de Janeiro, at&#233; -2,8 &#243;bitos, por cem mil habitantes, em Porto Alegre (<xref ref-type="table" rid="t3">tab. III</xref>).</p>
    <p>Os porcentuais de varia&#231;&#227;o anuais das taxas de mortalidade estimadas apresentaram diminui&#231;&#227;o das DAC, mesmo de suas parcelas DIC e DCBV. As DCBV predominaram no Estado (217,4/100 mil habitantes) e munic&#237;pio do Rio de Janeiro (192,9/100 mil habitantes) em rela&#231;&#227;o aos demais estados e capitais, o mesmo acontecendo com as DIC em menor grau.</p>
    <p>As <xref ref-type="fig" rid="fig3">figuras 3 a 6</xref> apresentam as taxas de mortalidade compensadas e ajustadas nos estados e capitais, por DIC e DCBV.</p>
    <fig id="fig3">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-05-0305-00002-gf02.jpg"/></fig>
    <p>
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-05-0305-00002-e02.jpg"/></p>
    <fig id="fig5">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-05-0305-00002-gf03.jpg"/></fig>
    <fig id="fig6">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-05-0305-00002-gf04.jpg"/></fig>
    <p>O Estado e o munic&#237;pio do Rio de Janeiro apresentaram as maiores taxas de mortalidade por DAC no per&#237;odo, seguidos pelo Estado e o munic&#237;pio de S&#227;o Paulo, ficando o Estado do Rio Grande do Sul e sua capital Porto Alegre com as taxas mais baixas. O Estado do Rio de Janeiro apresentou as maiores taxas de mortalidade, compensadas e ajustadas, por DIC at&#233; 1990, aproximando-se dos outros estados no final da s&#233;rie hist&#243;rica (<xref ref-type="fig" rid="fig3">fig. 3</xref>). As DIC apresentaram taxas de mortalidade, compensadas e ajustadas, semelhantes nas capitais.</p>
    <p>O Estado do Rio de Janeiro apresentou as maiores taxas de mortalidade, compensadas e ajustadas, por DCBV, ao longo de todo o per&#237;odo estudado. Por&#233;m, a tend&#234;ncia de decl&#237;nio dessas taxas foi um pouco mais acentuada do que nos estados de S&#227;o Paulo e do Rio Grande do Sul (<xref ref-type="table" rid="t3">tab. III</xref> e <xref ref-type="fig" rid="fig5">fig. 5</xref>). Esses dois estados, S&#227;o Paulo e Rio Grande do Sul, apresentaram taxas de mortalidade por DCBV bastante pr&#243;ximas. O mesmo padr&#227;o observado nos estados se repete na compara&#231;&#227;o das capitais (<xref ref-type="fig" rid="fig6">fig. 6</xref>). Apesar das taxas do munic&#237;pio do Rio de Janeiro se apresentarem mais elevadas, sua tend&#234;ncia de decl&#237;nio foi maior e no final do per&#237;odo as taxas de mortalidade por DCBV, compensadas e ajustadas, se aproximam.</p>
    <p>
      <bold>DISCUSS&#195;O</bold>
    </p>
    <p>Nos &#250;ltimos vinte anos, v&#225;rios estudos mostraram tend&#234;ncias de decl&#237;nio da mortalidade por DAC, inicialmente nos Estados Unidos, Canad&#225; e Austr&#225;lia no inicio da d&#233;cada de 1960, seguidos por Inglaterra, Alemanha e Dinamarca na primeira metade dos anos 1970, e Fran&#231;a, It&#225;lia e Su&#233;cia na segunda metade dessa &#250;ltima d&#233;cada<sup>2,24,25</sup>.</p>
    <p>No Brasil foram publicados diversos estudos sobre a mortalidade por DAC<sup>3,5,6-9,13,16,26</sup> referentes a dados a partir da d&#233;cada de 1970. Laurenti e cols.<sup>27</sup>, em 1981, sinalizaram para o aumento das DIC, que representavam as principais causas b&#225;sicas de morte (16,7%) em adultos de quinze a 74 anos no munic&#237;pio de S&#227;o Paulo. Conclu&#237;ram tamb&#233;m que as informa&#231;&#245;es obtidas com os documentos de &#243;bitos (DO) correlacionavam-se com razo&#225;vel seguran&#231;a com os dados obtidos na an&#225;lise dos casos (sensibilidade de 75,3% e especificidade de 95,8%). Em outro estudo, esse mesmos autores chamaram a aten&#231;&#227;o para a preponder&#226;ncia das DCBV sobre as DIC em v&#225;rias capitais brasileiras, aproximando-se das taxas de &#243;bito observadas por aquela causa no Jap&#227;o, mesmo no sexo masculino<sup>28</sup>.</p>
    <p>Chor e cols.<sup>26</sup> compararam a mortalidade no Brasil com a verificada nos Estados Unidos, na Inglaterra e em Cuba em 1988, e constataram que cerca de 50% dos &#243;bitos masculinos por DIC ocorriam antes dos 65 anos de idade em nosso pa&#237;s, contra 25% naqueles pa&#237;ses. Entretanto, &#233; preciso considerar que a popula&#231;&#227;o brasileira &#233; mais jovem do que a desses pa&#237;ses, como assinalaram os autores. A taxa de mortalidade por infarto agudo do mioc&#225;rdio (IAM) no Brasil foi compar&#225;vel &#224; encontrada nos pa&#237;ses do leste Europeu at&#233; a d&#233;cada de 1990, cujas taxas de mortalidade estavam entre as mais altas do mundo. O mesmo ocorreu em rela&#231;&#227;o ao risco de morte por DCBV, que foi ainda maior no Brasil, comparado aos Estados Unidos, assemelhando-se tamb&#233;m &#224;s taxas do Leste Europeu<sup>26</sup>.</p>
    <p>As DIC, em adultos maiores de vinte anos, de acordo com Lolio e cols.<sup>29</sup>, no munic&#237;pio de S&#227;o Paulo, apresentaram tend&#234;ncia de aumento nas taxas de mortalidade de 1950 a 1976, seguidas de decl&#237;nio a partir da&#237;, sendo maior no sexo feminino e nos mais jovens<sup>29</sup>. Nos anos de 1970 a 1983, a redu&#231;&#227;o observada foi de 28% em m&#233;dia nas DIC e 16% nas DCBV, nas faixas et&#225;rias de quarenta a 69 anos. No entanto, essas taxas ainda eram elevadas quando comparadas com as de 27 pa&#237;ses industrializados, ap&#243;s padroniza&#231;&#227;o com ajuste de idade em ambos os sexos<sup>13</sup>.</p>
    <p>Durante o per&#237;odo de 1979 a 1989, as DIC e as DAC foram estudadas nas capitais de regi&#245;es metropolitanas do Brasil, observando-se decl&#237;nios desiguais nas diversas capitais<sup>30</sup>. No entanto, os autores apontaram aumentos nas taxas de mortalidade por DAC no Rio de Janeiro, +1,4% nos homens e +0,8% nas mulheres. Esse aumento de mortalidade tamb&#233;m ocorreu por DIC no Rio de Janeiro, +2,3% nos homens e +2,5% nas mulheres. Note-se que o Rio de Janeiro foi a &#250;nica capital estudada que apresentou tend&#234;ncia de aumento nas DAC e DIC nesse per&#237;odo.</p>
    <p>Em nosso estudo, o munic&#237;pio e o Estado do Rio de Janeiro apresentaram as maiores taxas de mortalidade por DAC e DCBV no per&#237;odo. Por&#233;m, a tend&#234;ncia de decl&#237;nio dessas taxas, tanto no Estado quanto no munic&#237;pio, foi mais acentuada no Rio do que nos demais estados e capitais, e no final do per&#237;odo as taxas se equivaliam nas capitais. Tamb&#233;m, o Estado do Rio de Janeiro tinha as maiores taxas de mortalidade, compensadas e ajustadas, por DIC at&#233; 1990, aproximando-se dos outros estados no final da casu&#237;stica hist&#243;rica. Entretanto, as DIC apresentaram taxas de mortalidade, compensadas e ajustadas, semelhantes nas capitais. A observa&#231;&#227;o atenta das mortalidades compensadas e ajustadas por DAC (<xref ref-type="table" rid="t2">tab. II</xref>) e DIC (<xref ref-type="table" rid="t2">tab. II</xref>, <xref ref-type="fig" rid="fig3">figs.3</xref> e <label href="#fig4" link-type="internal" xml_text="4">4</label>) mostra que tanto no Estado como no munic&#237;pio do Rio de Janeiro essas taxas se mantiveram est&#225;veis de 1980 a 1989, tendo iniciado seu decl&#237;nio na d&#233;cada seguinte. J&#225; as taxas de mortalidade compensadas e ajustadas por DCBV apresentaram decl&#237;nio no Rio de Janeiro, Estado e munic&#237;pio, a partir dos primeiros anos da casu&#237;stica hist&#243;rica dos dados dispon&#237;veis para nosso estudo (<xref ref-type="fig" rid="fig5">figs. 5</xref> e <xref ref-type="fig" rid="fig6">6</xref>). Portanto, &#233; poss&#237;vel supor que o aumento das taxas de DAC e DIC se verificou durante a d&#233;cada de 1970, tendo ocorrido estabiliza&#231;&#227;o na d&#233;cada seguinte, e queda na d&#233;cada de 1990.</p>
    <p>Lolio &amp; Laurenti<sup>31</sup>, estudando a mortalidade por DCBV em adultos maiores de vinte anos de idade, no munic&#237;pio de S&#227;o Paulo, de 1950 a 1981, observaram aumento na mortalidade nas d&#233;cadas de 1950 e 1960 nos grupos acima de vinte anos, seguido de decl&#237;nio entre 1970 e 1981, mais acentuado nos grupos et&#225;rios acima dos sessenta anos em ambos os sexos. Esse decl&#237;nio foi confirmado no presente trabalho no munic&#237;pio e o no Estado de S&#227;o Paulo com porcentuais de varia&#231;&#227;o anual m&#233;dia de -2,7% e -3,0%, respectivamente.</p>
    <p>Mansur e cols.<sup>3</sup> observaram, no per&#237;odo de 1979 a 1996, tend&#234;ncias de queda nas mortalidades por DAC, DIC e DCBV em ambos os sexos no Brasil. As redu&#231;&#245;es observadas, por cem mil habitantes, foram: DIC &#150; quase duas vezes maior nos homens, 2,94 contra 1,67 mortes/ano nas mulheres; DCBV &#150; cerca de tr&#234;s mortes/ano; DAC &#150; oito mortes/ano, estas em ambos os sexos. O decl&#237;nio das taxas de mortalidade por DIC ocorreu somente a partir de 1985, com queda progressiva at&#233; 1995, diferente dos Estados Unidos que a iniciaram em 1960 e mantiveram a queda desde ent&#227;o. Entretanto, segundo esses autores, as mortalidades por DCBV em homens e mulheres no Brasil foram sempre menores que as registradas nos pa&#237;ses do estudo MONICA<sup>8</sup>, n&#227;o se podendo dizer o mesmo para o Estado do Rio de Janeiro de acordo com nosso estudo.</p>
    <p>Chamamos a aten&#231;&#227;o para a qualidade das informa&#231;&#245;es sobre mortalidade, as quais podem ser avaliadas pela mortalidade por causas mal definidas. Destacamos o aumento desta no Estado e munic&#237;pio do Rio de Janeiro a partir de 1990, o que ali&#225;s nos levou a trabalhar com as taxas de mortalidade compensadas, al&#233;m de ajustadas por sexo e idade, pelas causas definidas de interesse (DAC, DIC e DCBV) para fazer compara&#231;&#245;es entre estados e munic&#237;pios. Esse aumento no Estado e munic&#237;pio do Rio de Janeiro pode estar relacionado com a portaria de 29 de janeiro de 1990, que determinou que "esgotadas todas as tentativas de se determinar a causa b&#225;sica da morte e n&#227;o havendo suspeita de &#243;bito por causa violenta (acidente, homic&#237;dio ou suic&#237;dio), dever&#225; ser declarada na parte l do atestado m&#233;dico causa indeterminada"<sup>32</sup>. Essa portaria, provavelmente, &#233; um dos fatores que influenciaram o preenchimento de documentos de &#243;bito sem diagn&#243;stico definido no Estado do Rio de Janeiro.</p>
    <p>&#201; poss&#237;vel, tamb&#233;m, que a manobra que realizamos para compensar as "perdas" de &#243;bitos por DAC, e suas parcelas, DIC e DCBV, ainda permita subestimar a verdadeira "for&#231;a" da mortalidade por esses grupos de causas, especialmente no Rio de Janeiro. Neste estudo consideramos que as propor&#231;&#245;es de &#243;bitos por DAC entre aqueles declarados por causa indeterminada, e portanto mal definidos, eram as mesmas que foram observadas, por DAC, entre todos os de causas definidas, por grupos de sexo e idade. Entretanto, observamos tamb&#233;m que as DAC foram o &#250;nico grande grupo de causas que sofreu uma queda relevante na mortalidade bruta dos adultos, de vinte anos ou mais, quando comparada a d&#233;cada de 1990-1999 com a de 1980-1989, no munic&#237;pio de Rio de Janeiro (-87,5 por cem mil habitantes). E talvez n&#227;o coincidentemente, a mortalidade por causas mal definidas foi a que mais cresceu no munic&#237;pio do Rio de Janeiro, na compara&#231;&#227;o das mesmas d&#233;cadas, nos adultos de vinte anos ou mais, em n&#237;vel semelhante (+84,6 por cem mil habitantes) ao da queda por DAC. Portanto, &#233; poss&#237;vel que um n&#250;mero ainda maior de &#243;bitos mal definidos devesse ter sido incorporado &#224;queles por DAC e seus componentes, DIC e DCBV, como compensa&#231;&#227;o, fazendo que as tend&#234;ncias de queda por esses grupos de causas n&#227;o fossem t&#227;o pronunciadas no Rio de Janeiro, especialmente quando comparadas &#224;s experimentadas por S&#227;o Paulo, Rio Grande do Sul e suas capitais. Esse ponto merece novas investiga&#231;&#245;es que esclare&#231;am as verdadeiras causas de &#243;bitos mal definidos no passado e medidas que impe&#231;am sua ocorr&#234;ncia no futuro.</p>
    <p>Procura-se atribuir essa redu&#231;&#227;o observada nos outros estudos ao controle dos fatores de risco cardiovascular conhecidos (hipertens&#227;o arterial, tabagismo, obesidade, diabete melito, dislipidemias, sedentarismo etc.). No Rio de Janeiro vimos que a preval&#234;ncia da hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica, por exemplo, no estudo da Ilha do Governador, era de 38% da popula&#231;&#227;o adulta, e apenas 10% dos hipertensos tinham seu n&#237;vel de PA controlado, enquanto o tabagismo variava de cerca de 30% na popula&#231;&#227;o de alta renda at&#233; 50% nos homens de baixo n&#237;vel socioecon&#244;mico<sup>33</sup>. O Programa de Controle da Hipertens&#227;o Arterial do munic&#237;pio do Rio de Janeiro<sup>34</sup>, que j&#225; alcan&#231;ou quase trezentos mil pacientes registrados em mais de dez anos de atua&#231;&#227;o, controla apenas 19% da popula&#231;&#227;o-alvo de hipertensos. O diabete, que ocorre em aproximadamente 8,7% nas mulheres e 5,8% nos homens acima de trinta anos de idade, tamb&#233;m apresenta baixas taxas de controle, principalmente na popula&#231;&#227;o de n&#237;vel socioecon&#244;mico mais baixo, em que cerca de dois ter&#231;os desconhecem a sua condi&#231;&#227;o<sup>35</sup>. A hipercolesterolemia atinge cerca de um ter&#231;o da popula&#231;&#227;o adulta<sup>36</sup>. Sabe-se ainda que esses fatores de risco ocorrem mais freq&#252;entemente na popula&#231;&#227;o de baixa renda e baixa escolaridade<sup>37</sup>.</p>
    <p>Podemos ampliar a explica&#231;&#227;o da redu&#231;&#227;o progressiva e discreta da mortalidade por DAC nas duas &#250;ltimas d&#233;cadas nos estados do RJ, SP e RS com as melhorias das condi&#231;&#245;es de vida das popula&#231;&#245;es, com mais munic&#237;pios servidos por redes de &#225;gua e esgoto e conseq&#252;ente redu&#231;&#227;o das DIC.</p>
    <p>Intenso processo educativo para a classe m&#233;dica precisa ser desenvolvido para mostrar a import&#226;ncia do conhecimento correto da <italic>causa mortis</italic> para a tomada de decis&#245;es gerenciais em sa&#250;de. Ao mesmo tempo, os servi&#231;os de anatomia patol&#243;gica, principalmente dos hospitais p&#250;blicos, precisam ser reativados ou reaparelhados para poderem cumprir o seu papel fundamental na caracteriza&#231;&#227;o das causas de &#243;bitos. Esse esclarecimento &#233; fundamental, pois podemos supor tamb&#233;m que ocorrem &#243;bitos declarados como sendo por infarto do mioc&#225;rdio ou por acidente vascular cerebral que se constituem em erros de declara&#231;&#227;o, por falta de comprova&#231;&#227;o.</p>
    <p>15. Secretaria de Sa&#250;de do Rio Grande do Sul [homepage na Internet] [acesso em dezembro de 2001]. Informa&#231;&#245;es de Sa&#250;de. Morbidade e informa&#231;&#245;es epidemiol&#243;gicas. Dispon&#237;vel em &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.saude.rs.gov.br">http:// www.saude.rs.gov.br</ext-link>&gt;</p>
    <p>18. Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&#237;stica [homepage na Internet]. Censo 2000. [acesso em dezembro de 2001] Dispon&#237;vel em: http://www.ibge.gov.br</p>
    <p>20. Minist&#233;rio da Sa&#250;de [homepage na Internet]. Secretaria Executiva. DATASUS. [acesso em dezembro de 2001]. Informa&#231;&#245;es de Sa&#250;de. Morbidade e informa&#231;&#245;es epidemiol&#243;gicas. Dispon&#237;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.datasus.gov.br">http://www.datasus.gov.br</ext-link></p>
    <p>
      <fn id="back10" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold>Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</bold>
        </label>
        <p> Gl&#225;ucia Maria Moraes Oliveira </p>
        <p> Rua Fadel Fadel, 112/1204 </p>
        <p> 22430-170 - Rio de Janeiro, RJ </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="glauciam@cardiol.br">glauciam@cardiol.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Recebido em 26/04/05 </p>
    <p> Aceito em 14/06/05</p>
  </body>
  <back>
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        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>Diabetes in Brazil: a review of recent survey data</article-title>
          <source>Ethnicity and Disease</source>
          <date>
            <year>1992</year>
          </date>
          <fpage>158</fpage>
          <lpage>65</lpage>
          <volume>2</volume>
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        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>Obesidade e fatores de risco cardiovascular em Campos-RJ</article-title>
          <source>Arq Bras Cardiol</source>
          <date>
            <year>2002</year>
          </date>
          <fpage>70</fpage>
          <volume>79</volume>
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        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>O n&#237;vel socioecon&#244;mico e os fatores de risco cardiovasculares em jovens acompanhados por 10 anos: Estudo do Rio de Janeiro</article-title>
          <source>Arq Bras Cardiol</source>
          <date>
            <year>2002</year>
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          <fpage>18</fpage>
          <volume>79</volume>
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  <sub-article article-type="translation" id="TRen" xml:lang="en">
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      <article-categories>
        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Original Articles</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Balanced cardiovascular disease mortality from 1980 to 1999 - Brazil</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>OBJECTIVE: To compare trends in mortality rates from cardiovascular diseases (CVD), ischemic heart diseases (IHD) and cerebrovascular diseases (CBVD) in the States of Rio de Janeiro (RJ), S&#227;o Paulo (SP) and Rio Grande do Sul (RS) and respective capitals from 1980 to 1999. METHODS: Data regarding CVD deaths were obtained from Datasus, and those regarding populations were obtained from IBGE. Crude and sex and age-adjusted mortality rates were calculated using the direct method (standard population: State of Rio de Janeiro's population twenty years of age or older in 2000). Because of the relevant increase in mortality from ill-defined causes in the city and State of RJ as of 1990, the deaths were balanced prior to adjustments. The trends were analyzed using linear regressions. RESULTS: Annual declines of balanced and adjusted mortality ranged from -11.3 CVD deaths/100,000 inhabitants in the city and State of RJ to -7.4 in the city of SP. IHD mortality rates were similar in the State and city of RJ and in Porto Alegre, and lower in the city of SP (-2.5 deaths/100,000 inhabitants). CBVD mortality rates ranged from -6.0 to -2.8 deaths/100,000 inhabitants in the State of RJ and in Porto Alegre, respectively. CONCLUSION: A decline in balanced and adjusted CVD, IHD and CBVD mortality rates was observed from 1980 to 1999 in the three States and capitals. In the State and city of RJ declines in IHD were clear as of 1990, whereas declines in CBVD occurred throughout the period studied.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>trend</kwd>
        <kwd>mortality</kwd>
        <kwd>cardiovascular diseases</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>ORIGINAL ARTICLE</bold>
      </p>
      <p>Balanced cardiovascular disease mortality from 1980 to 1999 - Brazil</p>
      <p>
        <bold>Gl&#225;ucia Maria Moraes Oliveira; Nelson Albuquerque Souza e Silva; Carlos Henrique Klein</bold>
      </p>
      <p>Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola Nacional de Sa&#250;de P&#250;blica e Secretaria de Estado de Sa&#250;de do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro, RJ - Brazil</p>
      <p>
        <xref ref-type="corresp" rid="back10-body2">Mailing address</xref>
      </p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p><bold>OBJECTIVE: </bold>To compare trends in mortality rates from cardiovascular diseases (CVD), ischemic heart diseases (IHD) and cerebrovascular diseases (CBVD) in the States of Rio de Janeiro (RJ), S&#227;o Paulo (SP) and Rio Grande do Sul (RS) and respective capitals, from 1980 to 1999.</p>
      <p><bold>METHODS: </bold>Data regarding CVD deaths were obtained from Datasus, and those regarding populations were obtained from IBGE. Crude and sex and age-adjusted mortality rates were calculated using the direct method (standard population: State of Rio de Janeiro's population twenty years of age or older in 2000). Because of the relevant increase in mortality from ill-defined causes in the city and State of RJ as of 1990, the deaths were balanced prior to adjustments. The trends were analyzed using linear regressions.</p>
      <p><bold>RESULTS: </bold>Annual declines of balanced and adjusted mortality ranged from -11.3 CVD deaths/100,000 inhabitants in the city and State of RJ to -7.4 in the city of SP. IHD mortality rates were similar in the State and city of RJ and in Porto Alegre, and lower in the city of SP (-2.5 deaths/100,000 inhabitants). CBVD mortality rates ranged from -6.0 to -2.8 deaths/100,000 inhabitants in the State of RJ and in Porto Alegre, respectively.</p>
      <p><bold>CONCLUSION: </bold>A decline in balanced and adjusted CVD, IHD and CBVD mortality rates was observed from 1980 to 1999 in the three States and capitals. In the State and city of RJ declines in IHD were clear as of 1990, whereas declines in CBVD occurred throughout the period studied.</p>
      <p><bold>Keywords: </bold>trend, mortality, cardiovascular diseases</p>
      <p>As of the late 1960's and early 1970's, a decline in cardiovascular disease (CVD) mortality started to be observed in industrialized countries, especially in the United States, Canada and Western European countries. Despite the decrease trend in these mortality rates, CVD are the major causes of death in developed or developing countries<sup>1,2</sup>, and also in Brazil<sup>3,4</sup>. Thus, in 1998, CVD accounted for 26.5% of deaths in Brazil<sup>5</sup>.</p>
      <p>In Brazil, this decrease trend in CVD mortality rates was verified in studies conducted in the State and city of S&#227;o Paulo<sup>6,7</sup>, and later in capitals like Salvador<sup>8</sup> and Goi&#226;nia<sup>9</sup>. A better control of risk factors, especially of high blood pressure, and new diagnostic techniques, in addition to advances in therapy, were considered the main responsible factors for the reduction in these mortality rates<sup>10-14</sup>.</p>
      <p>In the Southeastern region, in 1996, CVD accounted for 30.8% of deaths, followed by external causes (13.5%) and neoplasias (12.4%)<sup>5</sup>. Among CVD, we point out cerebrovascular diseases (CBVD) and ischemic heart diseases (IHD) which accounted for more than 60% of CVD death rates in Brazil in 1998<sup>4</sup>. In the State of Rio Grande do Sul, as well as in its capital, Porto Alegre, CVD were also the major causes of mortality in 30% to 35% of deaths in the past thirty years<sup>15</sup>.</p>
      <p>Souza et al<sup>16</sup> study on the trend of CVD death risk in the five Brazilian regions, from 1979 to 1996, corroborated most of the findings described above. These authors demonstrated a decrease trend in CVD mortality in the Southern, Southeastern and Northern regions in all age ranges and for both sexes.</p>
      <p>Mansur et al<sup>3</sup> further studied CVD, IHD and CBVD mortalities from 1980 to 1998 in eleven capitals of the five great regions, and observed a decrease in the majority of the capitals. Rio de Janeiro and Porto Alegre showed reductions in CVD, IHC and CBVD death risk. However, S&#227;o Paulo had a slight increase in IHD for both sexes in the age range from 30 to 39 years among men, and 40 to 59 years among women. The authors pointed out the significant decreases in CVD, IHD and CBVD in Rio de Janeiro.</p>
      <p>Although these authors mention high mortality rates from ill-defined causes in the Northeastern, Northern and Central-Western regions<sup>16</sup>, they do not mention the increasing mortality rate from this group of causes in Rio de Janeiro as of 1990 and its influence on the trends observed in mortality rates from defined causes.</p>
      <p>The development of a health information system composed of a reliable database for analysis is key to managerial decision making targeted at defining priorities, strategies and actions toward population health improvement<sup>17</sup>.</p>
      <p>The main objective of this study is to outline the progression of mortality from CVD and its components IHD and CBVD, in the State of Rio de Janeiro (RJ), and to compare this progression to that observed in the States of Rio Grande do Sul (RS) and S&#227;o Paulo (SP), using the historical case series from 1980 to 1999, by means of a uniform methodology of data analysis.</p>
      <p>
        <bold>METHODS</bold>
      </p>
      <p>This is an ecologic study of historical series, with data from 1980 to 1999, which was the last year with data available at the time of the study. Cardiovascular disease mortality was analyzed in the States of Rio de Janeiro, S&#227;o Paulo and Rio Grande do Sul, as well as in the respective capitals, among the adult population twenty years of age or older. <xref ref-type="table" rid="tab1-body2">Table I</xref> shows the total, adult and elderly populations in the locations studied in the year 2000.</p>
      <table-wrap id="tab1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-05-0305-00002-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>Data regarding the populations used to calculate mortality rates were obtained from the <italic>Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&#237;stica</italic> (IBGE) &#150; Brazilian Institute of Geography and Statistics &#150; based on censuses 1970, 1980, 1991 and 2000, and on the 1996 population count<sup>18</sup>, using Lagrange method to calculate populations on July, 1st, for intercensus years from 1980 to 1999<sup>19</sup>.</p>
      <p>Data regarding annual frequencies of CVD deaths from 1980 to 1999 were obtained from Datasus System, Ministry of Health<sup>20</sup>. The codes from the International Classification of Diseases, 9th Revision Conference, 1975<sup>21</sup> (ICD 9) were used for deaths occurring from 1980 to 1995, as follows: IHD &#150; 410 to 414, CBVD &#150; 430 to 438, and CVD &#150; 390 to 459. For deaths from 1996 to 1999 the codes for IHD &#150; I20 to I25, CBVD - I60 to 69, and CVD &#150; I10 to I82.9 from the International Classification of Diseases, 10th Revision Conference<sup>22</sup>, 1995 (ICD 10) were used.</p>
      <p>The population was stratified according to sex and age groups (20-29; 30-39; 40-49; 50-59; 60-69; 70-79, and 80 or older), and crude and adjusted (for sex and age) mortality rates were then calculated using the direct method. The State of Rio de Janeiro's population twenty years of age or older in the year 2000, based on the census 2000, was used as the standard population for the adjustment. The justification for this procedure was the different sex and age distributions observed in the locations studied (<xref ref-type="table" rid="tab1-body2">Table I</xref>).</p>
      <p>Significant increases in mortality from ill-defined causes were observed as of 1990 in the State and city of Rio de Janeiro, unlike in the States of S&#227;o Paulo and Rio Grande do Sul and respective capitals. For this reason, we decided to add a determined proportion of deaths from ill-defined causes to the deaths from the causes studied (IHD, CBVD and CVD) in each group according to sex and age. This proportion is that observed for the defined cause (IHD, CBVD or CVD) in relation to all deaths, excluding ill-defined deaths. The assumption is that the cause of death distributions among ill-defined deaths are similar to those observed among deaths from defined causes. This procedure was used in all locations, and not only in Rio de Janeiro. Therefore we can summarize this procedure in an equation as follows: X<sub>c</sub> = X + M * X / (T - M) where X is the number of deaths from the specific cause (CVD, IHD or CBVD), M is the number of deaths from ill-defined causes, T is the number of deaths from all causes, and X<sub>c</sub> is the balanced number of deaths from the specific cause.</p>
      <p>The adjustment by standardization was performed after this balance; therefore, the resulting mortality rates were now called "balanced and adjusted" rates.</p>
      <p>The balanced and adjusted mortality rates were used for the analysis of mortality trends. The rates were estimated using linear regression models, considering the balanced and adjusted CVD, IHD and CBVD mortality rates observed as dependent variables <bold>Y</bold>, and the calendar years of the study as independent variables <bold>X.</bold> Mean rates of the period studied correspond to the mean point between the years 1989 and 1990.</p>
      <p>The models were represented as follows: <inline-graphic xlink:href="https://minio.scielo.br/documentstore/1678-4170/pJs6rTZ69fjmk6kRV3N4mpf/b49faa7cc701084dc9f53bde84054ace498e1c22.gif"/> = a + bX, where <inline-graphic xlink:href="https://minio.scielo.br/documentstore/1678-4170/pJs6rTZ69fjmk6kRV3N4mpf/b49faa7cc701084dc9f53bde84054ace498e1c22.gif"/> is the estimated balanced and adjusted rate; <bold>a</bold> is the mean rate in the period; <bold>b</bold> is the mean annual variation (slope of the line) and <bold>X</bold> is the year (year 0 = 1980, and year 19 = 1999).</p>
      <p>The proportions of total variances explained by the models are expressed in r<sup>2</sup> (variation from 0 to 1). The annual variation percentages were calculated from the b/a ratios.</p>
      <p>The STATA software<sup>23</sup> was used to adjust rates and other quantitative procedures.</p>
      <p>
        <bold>RESULTS</bold>
      </p>
      <p>The city of Rio de Janeiro, as shown in <xref ref-type="table" rid="tab1-body2">Table I</xref>, has an age profile with a higher percentage of elderly than those of S&#227;o Paulo and Porto Alegre. The same was observed in the comparison among the States.</p>
      <p><xref ref-type="table" rid="en_26923t2-body2">Table II</xref> shows crude mortality rates from CVD, IHD, CBVD, ill-defined causes and all causes in the States and respective capitals. Decreases in crude rates of CVD, CBVD and IHD were observed in the three States and their capitals. The State and city of Rio de Janeiro had the highest crude rates in the first decade, and by the end of the second decade they had all the rates higher than those of the other two States and respective capitals, except for IHD.</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_26923t2-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-05-0305-00002-gt02-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>Deaths from ill-defined causes had different distributions in the States and cities studied. In the State and city of S&#227;o Paulo mortality rates remained constant. In Rio Grande do Sul and Porto Alegre crude mortality rates from ill-defined causes decreased at more than 50% from the 1980's to the 1990's. However, this mortality rate had a more than twofold increase in the State of Rio de Janeiro and a four-fold increase in the city of Rio de Janeiro from the first to the second decade. Furthermore, the levels of mortality rates from ill-defined causes had a considerable variation among the States and cities. The State and city of Rio de Janeiro had the highest rates, especially in the 1990's, in which the city of Rio de Janeiro's rates are ten-fold higher than those of the other two capitals (<xref ref-type="fig" rid="fig1-body2">Fig. 1</xref> and <xref ref-type="fig" rid="fig2-body2">2</xref>).</p>
      <fig id="fig1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-05-0305-00002-gf01-en.jpg"/></fig>
      <fig id="fig2-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-05-0305-00002-gf02-en.jpg"/></fig>
      <p>We can observe that while mortality rates from ill-defined causes were stable in the State of S&#227;o Paulo they had a progressive decrease in the State of Rio Grande do Sul and in Porto Alegre, and an increase in the city and State of Rio de Janeiro as of 1990. In Porto Alegre, the stability of these rates was only affected by an increase in the last few years of the 1980's, to drop again in the beginning of the 1990's.</p>
      <p><xref ref-type="table" rid="en_26923t3-body2">Table III</xref> shows the values of balanced and adjusted mortality rates estimated by linear regression models. The linear models were able to explain satisfactorily the total variance (r<sup>2</sup> = 0.77 to 0.95).</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_26923t3-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-05-0305-00002-gt03-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>We observed that estimated annual declines in balanced and adjusted mortality rates, both in the capitals and in the States of Rio de Janeiro, S&#227;o Paulo and Rio Grande do Sul, ranged from -11.3 CVD deaths per 100,000 inhabitants in the city and State of Rio de Janeiro to -7.4 deaths per 100,000 inhabitants in the city of S&#227;o Paulo. For IHD the declines were similar in the State of Rio de Janeiro and its capital, as well as in Porto Alegre, and the lowest decline occurred in the city of S&#227;o Paulo (-2.5 deaths per 100,000 inhabitants). For CBVD the variation observed is from -6.0 deaths per 100,000 inhabitants in the State of Rio de Janeiro to -2.8 deaths per 100,000 inhabitants in Porto Alegre (<xref ref-type="table" rid="en_26923t3-body2">Table III</xref>).</p>
      <p>The annual variation percentage of estimated mortality rates showed a decrease in CVD, and even in its components &#150; IHD and CBVD. CBVD predominated in the State (217.4/100,000 inhabitants) and city of Rio de Janeiro (192.9/100,000 inhabitants) in relation to the other States and capitals. The same was observed for IHD to a lesser extent.</p>
      <p><xref ref-type="fig" rid="fig3-body2">Figures 3 to 6</xref> show balanced and adjusted IHD and CBVD mortality rates in the States and capitals.</p>
      <fig id="fig3-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-05-0305-00002-gf03-en.jpg"/></fig>
      <fig id="fig4-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-05-0305-00002-gf04-en.jpg"/></fig>
      <fig id="fig5-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-05-0305-00002-gf05-en.jpg"/></fig>
      <fig id="fig6-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-05-0305-00002-gf06-en.jpg"/></fig>
      <p>The State and city of Rio de Janeiro had the highest CVD mortality rates in the period, followed by the State and city of S&#227;o Paulo. The State of Rio Grande do Sul and its capital Porto Alegre had the lowest rates. The State of Rio de Janeiro had the highest balanced and adjusted IHD mortality rates until 1990, getting closer to the other States by the end of the historical series (<xref ref-type="fig" rid="fig3-body2">Fig. 3</xref>). Balanced and adjusted IHD mortality rates were similar in the capitals.</p>
      <p>The State of Rio de Janeiro had the highest balanced and adjusted CBVD mortality rates throughout the period studied. However, the decline trend in these rates was slightly more significant in the States of S&#227;o Paulo and Rio Grande do Sul (<xref ref-type="table" rid="en_26923t3-body2">Table III</xref> and <xref ref-type="fig" rid="fig5-body2">Fig. 5</xref>). These two States, S&#227;o Paulo and Rio Grande do Sul, had very similar CBVD mortality rates. The same pattern in the States is observed in the comparison between the capitals (<xref ref-type="fig" rid="fig6-body2">Fig. 6</xref>). Although the rates for the city of Rio de Janeiro had been higher, its decline trend was also higher and by the end of the period balanced and adjusted CBVD mortality rates get closer.</p>
      <p>
        <bold>DISCUSSION</bold>
      </p>
      <p>In the past twenty years several studies have shown decline trends in CVD mortality, initially in the United States, Canada and Australia in the early 1960's, followed by England, Germany and Denmark in the first half of the 1970's, and France, Italy and Sweden in the second half of the 1970's<sup>2,24,25</sup>.</p>
      <p>In Brazil several studies of CVD mortality regarding data as of the 1970's have been published<sup>3,5,6-9,13,16,26</sup>. Laurenti et al<sup>27</sup>, in 1981, signaled the increase in CVD, which represented the major basic causes of death (16.7%) among adults from 15 to 74 years of age in the city of S&#227;o Paulo. They also concluded that information obtained from death documents (DD) had a reasonably safe correlation with data obtained from case analysis (75.3% sensitivity and 95.8% specificity). In another study, these authors drew the attention to the predominance of CBVD over IHD in several Brazilian capitals, with CBVD death rates similar to those observed in Japan, even for the male gender<sup>28</sup>.</p>
      <p>Chor et al<sup>26</sup> compared mortality in Brazil to those observed in the United States, England and Cuba in 1988, and verified that approximately 50% of IHD deaths among men occurred before the age of 65 in Brazil versus 25% in those countries. Nevertheless, it is necessary to consider that the Brazilian population is younger than that of those countries, as the authors have pointed out. Acute myocardial infarction (AMI) mortality rate in Brazil was comparable to that found in the Eastern European countries until the 1990's, whose mortality rates were among the highest in the world. The same occurred for CBVD death risk, which was even higher in Brazil, compared to the United States, and also similar to the rates found in Eastern Europe<sup>26</sup>.</p>
      <p>According to Lolio et al<sup>29</sup>, there was an increase trend in IHD mortality rates among adults older than twenty years of age in the city of S&#227;o Paulo from 1950 to 1976, followed by a decrease from then on. This trend was higher among women and younger individuals<sup>29</sup>. From 1970 to 1983 an average 28% reduction was observed for IHD and 16% for CBVD in the age range from 40 to 69 years. However, these rates were still high when compared to those of the 27 industrialized countries, after standardization with age adjustment for both genders<sup>13</sup>.</p>
      <p>From 1979 to 1989, IHD and CVD were studied in the capitals of Brazilian metropolitan regions. Different declines were observed in the several capitals<sup>30</sup>. However, the authors showed increases in CVD mortality rates in Rio de Janeiro, +1.4% among men and +0.8% among women. IHD mortality rates also increased in Rio de Janeiro, +2.3% among men and +2.5% among women. We should observe that Rio de Janeiro was the only capital studied that had an increase trend of CVD and IHD in this period.</p>
      <p>In our study, the city and State of Rio de Janeiro had the highest CVD and CBVD mortality rates in the period. However, the decline trend of these rates, both in the State and in the city, was more prominent in Rio than in the other States and capitals, and by the end of the period the rates were equivalent among capitals. Also, the State of Rio de Janeiro had the highest balanced and adjusted IHD mortality rates until 1990, getting closer to the other States by the end of the historical case series. However, balanced and adjusted IHD mortality rates were similar in the capitals. Careful observation of balanced and adjusted CVD (<xref ref-type="table" rid="en_26923t2-body2">Table II</xref>) and IHD (<xref ref-type="table" rid="en_26923t2-body2">Table II</xref>, <xref ref-type="fig" rid="fig3-body2">Fig. 3</xref> and <xref ref-type="fig" rid="fig4-body2">4</xref>) mortality rates shows that both in the State and in the city of Rio de Janeiro these rates remained stable from 1980 to 1989, to start declining in the following decade. On the other hand balanced and adjusted CBVD mortality rates had a decline in Rio de Janeiro, State and city, as of the first few years of the historical case series of data available for our study (<xref ref-type="fig" rid="fig5-body2">Fig. 5</xref> and <xref ref-type="fig" rid="fig6-body2">6</xref>). Therefore, it is possible to assume that the increase in CVD and IHD rates occurred in the 1970's, with a stabilization in the following decade and a decline in the 1990's.</p>
      <p>Lolio &amp; Laurenti<sup>31</sup>, studying CBVD mortality among adults older than 20 years of age in the city of S&#227;o Paulo from 1950 to 1981 observed an increase in mortality in the 1950's and 1960's in the group of individuals above 20 years of age, followed by a decline between 1970 and 1981, which was more significant in the age groups above sixty years of age for both genders. This decline was confirmed in the present study in the city and State of S&#227;o Paulo with mean annual variation percentages of -2.7% and -3.0%, respectively.</p>
      <p>Mansur et al<sup>3</sup> observed decline trends in CVD, IHD and CBVD mortality rates for both genders in Brazil from 1979 to 1996. Reductions observed per 100,000 inhabitants were: IHD &#150; almost twofold higher among men, 2.94 versus 1.67 deaths/year among women; CBVD &#150; approximately three deaths/year; CVD &#150; eight deaths/year, the two latter for both genders. The decline in IHD mortality rates occurred only as of 1985, with a progressive decrease until 1995, unlike in the United States, where the rates started declining in 1960 and remained declining ever since. However, according to these authors, CBVD mortality rates among men and women in Brazil have always been lower than those recorded in the countries participating in the MONICA study<sup>8</sup>. The same cannot be said for the State of Rio de Janeiro according to our study.</p>
      <p>We draw the attention to the quality of information on mortality, which can be evaluated by mortality from ill-defined causes. We point out the increase in mortality from ill-defined causes in the State and city of Rio de Janeiro as of 1990, which incidentally made us work with balanced mortality rates from the defined causes studied (CVD, IHD and CBVD) adjusted by sex and age to compare States and cities. This increase observed in the State and city of Rio de Janeiro may be related to the January 29, 1990 Regulation, which determined that "if all attempts to determine the basic cause of death have been exhausted, and if a violent death (accident, homicide or suicide) is not suspected, undetermined cause shall be declared in part 1 of the death declaration"<sup>32</sup>. This regulation is probably one of the factors that influenced the filling out of documents of death of undetermined causes in the State of Rio de Janeiro.</p>
      <p>It is also possible that even with the procedure we performed to balance the "losses" of CVD deaths and its components, IHD and CBVD, the true "strength" of mortality from these groups of causes is still underestimated especially in Rio de Janeiro. In the present study we considered that the proportions of CVD deaths among those declared as from undetermined cause, and therefore ill-defined, were the same as those observed for CVD among all deaths with a defined cause by age group and gender. However, we also observed that CVD were the only large group of causes that had a significant decrease in crude mortality among adults twenty years of age or older when the 1990's were compared to the 1980's in the city of Rio de Janeiro (- 87.5 per 100,000 inhabitants). Maybe not coincidentally, mortality from ill-defined causes was the one that grew the most in the city of Rio de Janeiro in the comparison of the same decades among adults twenty years of age or older, at a similar level (+84.6 per 100,000 inhabitants) to that of the decrease of CVD. Therefore, maybe an even larger number of ill-defined deaths should have been incorporated to those of CVD and its components IHD and CBVD- as a balance, so that the decrease trends of these groups of causes would not be so sharp in Rio de Janeiro, especially when compared to those experienced by S&#227;o Paulo, Rio Grande do Sul and respective capitals. This issue deserves further investigations to clarify the true causes of ill-defined deaths in the past, and measures to prevent its occurrence in the future.</p>
      <p>There is an attempt to attribute this reduction observed in the other studies to the control of known cardiovascular risk factors (high blood pressure, smoking, obesity, diabetes mellitus, dyslipidemias, sedentary lifestyle, and others). In Rio de Janeiro the prevalence of high blood pressure observed, for instance, in the Ilha do Governador study, was 38% among the adult population, and blood pressure levels were controlled in only 10% of individuals with hypertension, whereas smoking ranged from approximately 30% among the high-income population to 50% among males in the low socioeconomic level<sup>33</sup>. The City of Rio de Janeiro High Blood Pressure Control Program<sup>34</sup>, that has already reached almost three hundred thousand patients recorded in more than ten years of existence, controls only 19% of the target population of patients with high blood pressure. Diabetes, which affects approximately 8.7% of women and 5.8% of men older than thirty years of age, has also poor control rates, especially among the population in the lower socioeconomic level, where two thirds are not aware of their condition<sup>35</sup>. Hypercholesterolemia affects approximately one third of the adult population<sup>36</sup>. Also, these risk factors are known to occur more frequently among the low-income and low-education population<sup>37</sup>.</p>
      <p>We can broaden the explanation for the progressive and slight reduction of CVD mortality in the past two decades in the States of RJ, SP and RS with the improvement of life conditions of the populations, with more cities being served by water and sewerage systems and a subsequent reduction in IHD.</p>
      <p>An intense educational process for the middle class has to be developed to show the importance of the correct knowledge of the cause of death for managerial decision-making in health. Concurrently, pathology services, mainly in public hospitals, need to be reactivated or re-equipped to be able to play their key role in the characterization of the causes of deaths. This explanation is key because we can also assume that there are deaths declared as from myocardial infarction or stroke that have actually been wrongly declared due to lack of corroboration.</p>
      <p>
        <bold>REFERENCES</bold>
      </p>
      <p>15. Secretaria de Sa&#250;de do Rio Grande do Sul [homepage na Internet] [acesso em dezembro de 2001]. Informa&#231;&#245;es de Sa&#250;de. Morbidade e informa&#231;&#245;es epidemiol&#243;gicas. Dispon&#237;vel em &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.saude.rs.gov.br">http:// www.saude.rs.gov.br</ext-link>&gt;</p>
      <p>18. Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&#237;stica [homepage na Internet]. Censo 2000. [acesso em dezembro de 2001] Dispon&#237;vel em: http://www.ibge.gov.br</p>
      <p>20. Minist&#233;rio da Sa&#250;de [homepage na Internet]. Secretaria Executiva. DATASUS. [acesso em dezembro de 2001]. Informa&#231;&#245;es de Sa&#250;de. Morbidade e informa&#231;&#245;es epidemiol&#243;gicas. Dispon&#237;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.datasus.gov.br">http://www.datasus.gov.br</ext-link></p>
      <p>
        <fn id="back10-body2" fn-type="corresp">
          <label>
            <bold>Mailing address</bold>
          </label>
          <p> Gl&#225;ucia Maria Moraes Oliveira</p>
          <p> Rua Fadel Fadel, 112/1204</p>
          <p> 22430-170 - Rio de Janeiro, RJ - Brazil</p>
          <p> E-mail: </p>
          <p>
            <email xlink:href="glauciam@cardiol.br">glauciam@cardiol.br</email>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Received on 04/26/05</p>
      <p> Accepted on 06/14/05</p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
