<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
      </journal-title-group>
      <issn pub-type="ppub">0066-782X</issn>
      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
      </publisher>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">Nv9HrQHTKdxcrJWP8Rgxkzs</article-id>
      <article-id pub-id-type="other">00013</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2005001600013</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(05)08500313</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2005001600013</article-id>
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        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Ponto de Vista</subject>
        </subj-group>
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        <article-title>Que valores devem ser adotados como limites de normalidade na monitoriza&#231;&#227;o ambulatorial de press&#227;o arterial e na monitoriza&#231;&#227;o residencial de press&#227;o arterial?</article-title>
      </title-group>
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        <contrib contrib-type="author">
          <name>
            <surname>Gus</surname>
            <given-names>Miguel</given-names>
          </name>
          <xref ref-type="aff" rid="aff01"/>
        </contrib>
      </contrib-group>
      <aff id="aff01">
        <addr-line>
          <named-content content-type="city">Porto Alegre</named-content>
          <named-content content-type="state">RS</named-content>
        </addr-line>
        <institution content-type="orgname">Hospital de Cl&#237;nicas de Porto Alegre</institution>
      </aff>
      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>09</month>
        <year>2005</year>
      </pub-date>
      <volume>85</volume>
      <issue>3</issue>
      <fpage>212</fpage>
      <lpage>214</lpage>
      <permissions>
        <license license-type="open-access" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/" xml:lang="en">
          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
        </license>
      </permissions>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>10</day>
        <month>10</month>
        <year>2005</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
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  <body>
    <p>
      <bold>PONTO DE VISTA</bold>
    </p>
    <p>Que valores devem ser adotados como limites de normalidade na monitoriza&#231;&#227;o ambulatorial de press&#227;o arterial e na monitoriza&#231;&#227;o residencial de press&#227;o arterial?</p>
    <p>
      <bold>Miguel Gus</bold>
    </p>
    <p>Hospital de Cl&#237;nicas de Porto Alegre - Porto Alegre, RS</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back10">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>Novos m&#233;todos de aferi&#231;&#227;o da press&#227;o arterial, como a monitoriza&#231;&#227;o ambulatorial de press&#227;o arterial (MAPA) e a monitoriza&#231;&#227;o residencial de press&#227;o arterial (MRPA), t&#234;m sido progressivamente mais utilizados na pr&#225;tica cl&#237;nica por sua capacidade de fornecer informa&#231;&#245;es adicionais &#224;s usualmente obtidas a partir da tradicional aferi&#231;&#227;o da press&#227;o arterial de consult&#243;rio. Existe um corpo crescente de evid&#234;ncias demonstrando que ambos os m&#233;todos s&#227;o capazes de predizer mais fortemente a ocorr&#234;ncia tanto de desfechos cardiovasculares substitutos ou intermedi&#225;rios como a morbidade e mortalidade cardiovasculares<sup>1</sup>. Adiciona-se a isso a sua capacidade de avaliar situa&#231;&#245;es antes menos pesquisadas, tais como a s&#237;ndrome do avental branco, o efeito do avental branco, o comportamento da press&#227;o arterial durante o sono, hipertens&#227;o mascarada e ascens&#227;o matinal da press&#227;o arterial<sup>2</sup>.</p>
    <p>Os valores de "normalidade" da press&#227;o arterial permanecem sendo assunto de amplo debate. O JOINT-VII, reconhecendo a rela&#231;&#227;o cont&#237;nua entre valores sist&#243;lico e diast&#243;lico da press&#227;o arterial (aferidos atrav&#233;s do esfigmoman&#244;metro tradicional) e o risco cardiovascular, estabeleceu o conceito de pr&#233;-hipertens&#227;o<sup>3</sup>. O conjunto dos estudos de coorte, reunindo quase um milh&#227;o de indiv&#237;duos, demonstra que essa rela&#231;&#227;o j&#225; existe a partir de valores de 115/75 mmHg. Igualmente, identificou-se que para cada aumento de 20 mmHg na press&#227;o sist&#243;lica e 10 mmHg na diast&#243;lica, esse risco duplica<sup>4</sup>.</p>
    <p>Esse dado ensina que o estabelecimento de limites de normalidade, quando tratamos de uma vari&#225;vel continua como a press&#227;o arterial, pode constituir-se em uma arbitrariedade, independentemente do m&#233;todo utilizado para aferi-la. No entanto, dentro do contexto de atendimento cl&#237;nico, os m&#233;dicos baseiam suas decis&#245;es num racioc&#237;nio dicot&#244;mico. O estabelecimento de valores de normalidade torna-se imperativo.</p>
    <p>A presente revis&#227;o tem por objetivo analisar as evid&#234;ncias que atualmente permitem estabelecer os valores de normalidade para as m&#233;dias press&#243;ricas obtidas por interm&#233;dio da MAPA e da MRPA.</p>
    <p>
      <bold>Valores de normalidade na MAPA</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>
        <italic>O normal como o comum</italic>
      </bold>
    </p>
    <p>Muitas vezes &#233; estabelecido que o valor normal &#233; aquele que se aproxima dos valores mais freq&#252;entemente encontrados em uma popula&#231;&#227;o. Essa estrat&#233;gia pode levar a erros<sup>5</sup>. Primeiro: valores baixos e que s&#227;o infreq&#252;entes podem n&#227;o estar associados &#224; doen&#231;a ou risco. Segundo: valores freq&#252;entes podem estar associados a risco e, mesmo, determinar interven&#231;&#245;es. &#201; o que ocorre no exemplo do colesterol s&#233;rico na popula&#231;&#227;o de adultos de Framingham (<xref ref-type="fig" rid="fig1">fig.1</xref>).</p>
    <fig id="fig1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-03-0212-00013-gf01.jpg"/></fig>
    <p>Os valores mais comuns s&#227;o hoje reconhecidamente associados a risco cardiovascular determinando, inclusive, interven&#231;&#245;es terap&#234;uticas. Apesar dessas limita&#231;&#245;es, esta foi a primeira estrat&#233;gia utilizada para o estabelecimento dos valores de normalidade na MAPA (<xref ref-type="table" rid="tab1">tab.I</xref>)<sup>6,7</sup>.</p>
    <table-wrap id="tab1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-03-0212-00013-gt01.jpg"/></table-wrap>
    <p>
      <bold>
        <italic>Os valores normais s&#227;o aqueles que n&#227;o se associam a risco</italic>
      </bold>
    </p>
    <p>Uma abordagem mais consistente baseia-se na utiliza&#231;&#227;o de estudos de coorte para estabelecer como limites de normalidade aqueles valores que n&#227;o se associam a risco (no caso da MAPA a risco cardiovascular). Estudos longitudinais t&#234;m sido realizados, mas os resultados obtidos em diferentes popula&#231;&#245;es podem dificultar a sua generaliza&#231;&#227;o.</p>
    <p>Verdecchia e cols., em uma coorte de 1.187 pacientes acompanhados, em m&#233;dia, por 3,2 anos, identificaram que homens e mulheres com valores de MAPA, durante a vig&#237;lia, menores que 136/87 mmHg e 131/86 mmHg, respectivamente, tinham um progn&#243;stico cardiovascular semelhante aos indiv&#237;duos classificados como normotensos a partir da medida de consult&#243;rio. Em uma posterior an&#225;lise da mesma popula&#231;&#227;o, foi demonstrado que valores abaixo de 130/80 mmHg durante a vig&#237;lia, independentemente do sexo, seriam os valores que estariam associados a um menor risco cardiovascular<sup>8</sup>. Ressalte-se que essa coorte tem limita&#231;&#245;es quanto &#224; sua validade externa, pois os hipertensos eram aqueles que consultavam em cl&#237;nicas e os normotensos foram "anexados" a partir de amostra de funcion&#225;rios dos estabelecimentos de sa&#250;de ou de pacientes que consultavam nos ambulat&#243;rios por outras causas.</p>
    <p>A coorte japonesa da comunidade de Ohasama estudou 1.542 indiv&#237;duos com mais de quarenta anos com um tempo m&#233;dio de seguimento de 6,2 anos. Os valores de MAPA nas 24 horas que se associaram ao melhor progn&#243;stico cardiovascular foram 120 a 133 mmHg e 65 a 78 mmHg para press&#227;o sist&#243;lica e diast&#243;lica, respectivamente<sup>9</sup>.</p>
    <p>Clement e cols.<sup>10</sup> acompanharam quase dois mil hipertensos por um per&#237;odo m&#233;dio de cinco anos. Identificaram que o aumento na press&#227;o arterial sist&#243;lica e diast&#243;lica na MAPA era fator de risco para a ocorr&#234;ncia de eventos cardiovasculares, sendo independente de outros fatores de risco, inclusive dos valores press&#243;ricos aferidos em consult&#243;rio. Em uma an&#225;lise secund&#225;ria ficou demonstrado que valores de 135 mmHg na press&#227;o sist&#243;lica na MAPA de 24 horas conferiam menor risco cardiovascular, independentemente da press&#227;o sist&#243;lica de consult&#243;rio. Esse dado n&#227;o teve signific&#226;ncia estat&#237;stica ap&#243;s ajuste para potenciais vieses de confus&#227;o.</p>
    <p>
      <bold>
        <italic>O normal &#233; o valor atingido por aqueles que se beneficiaram de alguma interven&#231;&#227;o</italic>
      </bold>
    </p>
    <p>Deve-se ter em mente que nem tudo que determina risco pode ser tratado com &#234;xito. &#192; medida que v&#227;o se acumulando novos conhecimentos com os resultados de ensaios cl&#237;nicos, os valores de normalidade podem ser modificados. Portanto, o estabelecimento do valor de normalidade depende da capacidade da interven&#231;&#227;o em reverter o risco. S&#227;o poucos os ensaios cl&#237;nicos que analisaram os benef&#237;cios de anti-hpertensivos em amostras que tiveram a sua press&#227;o aferida pela MAPA.</p>
    <p>Em uma subamostra do ensaio cl&#237;nico Syst-Eur, que analisou as vantagens do tratamento anti-hipertensivo baseado na utiliza&#231;&#227;o de nitrendipina na compara&#231;&#227;o ao placebo em idosos com hipertens&#227;o sist&#243;lica, 536 pacientes tiveram sua press&#227;o aferida pela MAPA no in&#237;cio e ap&#243;s 4,4 anos de seguimento. Os valores de press&#227;o sist&#243;lica na MAPA no grupo que recebeu a medica&#231;&#227;o anti-hipertensiva (e obteve vantagens quanto &#224; diminui&#231;&#227;o de eventos) foi de 140 mmHg, 135 mmH e 124 mmHg, respectivamente, para a press&#227;o de 24 horas, vig&#237;lia e durante o sono<sup>11</sup>.</p>
    <p>Os diversos valores de normalidade obtidos a partir dos resultados dos estudos citados est&#227;o resumidos na <xref ref-type="table" rid="tab2">tabela II</xref>. Esses s&#227;o comparados com os valores de normalidade preconizados pela Sociedade Europ&#233;ia de Hipertens&#227;o.</p>
    <table-wrap id="tab2">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-03-0212-00013-gt02.jpg"/></table-wrap>
    <p>
      <bold>Valores de normalidade na MRPA</bold>
    </p>
    <p>Em rela&#231;&#227;o &#224; monitoriza&#231;&#227;o residencial de press&#227;o arterial, valores abaixo de 135/85 mmHg t&#234;m sido recomendados como normais, partindo-se como refer&#234;ncia os valores de normalidade na MAPA durante a vig&#237;lia.</p>
    <p>Esses pontos de corte foram analisados em estudo longitudinal na comunidade de Ohasama, onde 1.491 adultos foram acompanhados por um per&#237;odo de dez anos. Considerando-se como valor de refer&#234;ncia n&#237;veis de menores que 115/70 mmHg, valores maiores que 135/85 mmHg apresentaram um risco quase tr&#234;s vezes maior para desenvolvimento de eventos cerebrovasculares (RR 2,86; IC 95%: 1,55-5,30 para sist&#243;lica e RR 2,81; IC 95%: 1,64-4,77 para diast&#243;lica)<sup>12</sup>. Esse mesmo valor foi analisado por Bobrie e cols.<sup>13</sup> em uma coorte com quase cinco mil hipertensos idosos. Considerando-se o grupo com press&#227;o arterial controlada pela medida de consult&#243;rio (&lt; 140/90 mmHg) e pela MRPA como refer&#234;ncia, os indiv&#237;duos com valores de MRPA acima de 135/85 mmHg apresentaram um risco quase duas vezes maior para a ocorr&#234;ncia de eventos, independentemente do controle da press&#227;o quando aferida em consult&#243;rio.</p>
    <p>
      <bold>Conclus&#245;es</bold>
    </p>
    <p>Apesar de reconhecer-se que existe uma rela&#231;&#227;o cont&#237;nua entre a press&#227;o arterial e o risco cardiovascular, independentemente do m&#233;todo de aferi&#231;&#227;o, a utiliza&#231;&#227;o de valores de normalidade ajuda o m&#233;dico no momento de decis&#227;o cl&#237;nica. Os estudos longitudinais t&#234;m permitido reconhecer os valores a partir dos quais os risco se tornam significativos. Os valores de 130/80 mmHg na MAPA de 24 horas e de 135/85 mmHg na MRPA s&#227;o os n&#250;meros obtidos pelo conjunto dessas evid&#234;ncias. Resultados de ensaios cl&#237;nicos em que a press&#227;o arterial seja aferida por m&#233;todos autom&#225;ticos poder&#227;o estabelecer com mais precis&#227;o os nossos objetivos terap&#234;uticos.</p>
    <p>
      <bold>REFER&#202;NCIAS</bold>
    </p>
    <p>1. Nobre F, Coelho EB. Tr&#234;s d&#233;cadas de MAPA- Monitoriza&#231;&#227;o ambulatorial de press&#227;o arterial de 24 horas. Mudan&#231;as de paradigmas no diagn&#243;stico e tratamento da hipertens&#227;o arterial Arq Bras de Cardiol 2003; 81:428-34.</p>
    <p>2. O'Brien E, Asmar R, Beilin L et al. European Society of Hypertension recommendations for conventional, ambulatory and home blood pressure measurement. J of Hypertension 2003; 21:821-48.</p>
    <p>3. Chobanian AV, Bakris GL, Black HR. The Seventh Report of the Joint National Committee on prevention, detection and treatment of high blood pressure. JAMA 2003; 289:2560-72.</p>
    <p>4. Prospective Studies Collaboration. Age-specific relevance of usual blood pressure to vascular mortality: a meta-analysis of individual data for one million adults in 61 prospective studies. Lancet 2002; 360:1903-13.</p>
    <p>5. Fletcher RH, Fletcher SW, Wagner EH. Epidemiologia Cl&#237;nica. Bases cient&#237;ficas da conduta m&#233;dica. 2 ed. Porto Alegre: Artes M&#233;dicas, 1989, 41-67.</p>
    <p>6. Staessen J, O'Brien E, Atkins N et al. Ambulatory blood pressure in normotensive compared with hypertenssive patients J of Hypertens1993; 11:1289-97.</p>
    <p>7. Mancia G, Sega R, Bravi C. Ambulatory blood pressure normality.: results from the PAMELA study. J Hypertes 1995; 13:1377-1390.</p>
    <p>8. Verdecchia P, Schillaci G, Borgioni C, Ciucci A, Porcellati C. White-coat hypertension. Lancet 1996; 348:1444-5.</p>
    <p>9. Ohkubo T, Imai Y, Tsuji I et al. Reference values for 24-hour ambulatory blood pressure monitoring based on a prognostic criterion. The Ohasama study. Hypertension 1998; 32:255-9.</p>
    <p>10. Clement DL, Buyzere ML, De Bacquer DA et al. Prognostic value of ambulatory blood pressure recordings in patients with treated hypertension. N Engl J Med 2003; 348:2407-15.</p>
    <p>11. Staessen JA, Lutgarde T, Fagard D et al. Predicting cardiovascular risk using conventional vs ambulatory blood pressure in older patients with systolic hypertension. JAMA 1999; 282:539-46.</p>
    <p>12. Ohkubo T, Asayama K, Masahiro K et al. How many times should blood pressure be measured at home for better prediction of stroke risk? Ten-year follow-up results from Ohasama study. J Hypertens 2004; 22:1099-104.</p>
    <p>13. Bobrie G, Chatellier G, Genes N et al. Cardiovascular prognosis of "masked hypertension" detected by blood pressure- self measurement in eldery trated hypertensive patients. JAMA 2004; 291:1342-9.</p>
    <p>
      <fn id="back10" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold>Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</bold>
        </label>
        <p> Miguel Gus </p>
        <p> Rua Ramiro Barcelos, 2350 </p>
        <p> 90035 - 003 </p>
        <p> Porto Alegre, RS </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="mgus@terra.com.br">mgus@terra.com.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p> Recebido em 01/05/2005 </p>
    <p> Aceito em 24/06/2005</p>
  </body>
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      <article-categories>
        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Point of View</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Which threshold values should be recommended in ambulatory blood pressure monitoring and self blood pressure monitoring?</article-title>
      </title-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>POINT OF VIEW</bold>
      </p>
      <p>Which threshold values should be recommended in ambulatory blood pressure monitoring and self blood pressure monitoring?</p>
      <p>
        <bold>Miguel Gus</bold>
      </p>
      <p>Hospital de Cl&#237;nicas de Porto Alegre - Porto Alegre, RS - Brazil</p>
      <p>
        <xref ref-type="corresp" rid="back10-body2">Correspondence</xref>
      </p>
      <p>New methods to evaluate blood pressure &#150; such as ambulatory blood pressure monitoring (ABPM) and home monitoring of blood pressure (HMBP), have been increasingly more used in clinical practice as key source of additional information to the traditional evaluation of blood pressure measuring at the doctor's office. There is a growing body of evidence available to show that both methods are strong predictors of both substitute or intermediate cardiovascular outcomes such as cardiovascular morbidity and mortality<sup>1</sup>. In addition, both methods can also evaluate conditions so far under less extensive research, such as the white coat syndrome, blood pressure behavior during sleep, masked hypertension, and early morning surge.<sup>2</sup></p>
      <p>Blood pressure "normal" threshold values have been kept a topic under extensive debate. The JOINT-VII &#150; recognizing the continuous correlation between blood pressure systolic and diastolic values &#150; (measured through the traditional sphygmomanometer) and cardiovascular risk &#150; has defined the concept of pre-hypertension<sup>3</sup>. The body of cohort studies that pooled data from one million individuals shows that such correlation is true starting at 115/75 mmHg. Likewise, the risk has shown to be twofold for every 20 mmHg increase in systolic pressure and for every 10 mmHg increase in diastolic pressure<sup>4</sup>.</p>
      <p>Such finding indicates that defining thresholds when considering a continuous variable such as blood pressure may be regarded as arbitrary, irrespective of the method used for measuring it. However, in the clinical assistance environment, doctors' decision making follows a dichotomy. The definition of threshold values is crucial.</p>
      <p>The purpose of this review is to analyze the body of evidence currently available to define thre- shold values for mean blood pressure values through AMBP and HMBP.</p>
      <p>
        <bold>Thresholds for AMBP</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>
          <italic>Normal &lt; &gt;common</italic>
        </bold>
      </p>
      <p>Normal values are many times considered to be those close to most frequently found values in a given population. Such strategy may lead to errors<sup>5</sup>. Firstly: low, infrequent values may not be associated to disease or risk. Secondly: frequent values may be associated to risk, and even define interventions. This is what occurred in the serum cholesterol example in Framingham's adult population (<xref ref-type="fig" rid="fig1-body2">Fig. 1</xref>). Today, the most commonly found values are known to be associated to cardiovascular risk, and to determine therapeutic intervention. Despite such limitations, this was the first strategy used to define AMBP threshold values (<xref ref-type="table" rid="tab1-body2">Table I</xref>)<sup>6,7</sup>.</p>
      <fig id="fig1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-03-0212-00013-gf01-en.jpg"/></fig>
      <table-wrap id="tab1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-03-0212-00013-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>
        <bold>
          <italic>Normal values are those not associated to risk</italic>
        </bold>
      </p>
      <p>A more consistent approach is based on the use of cohort studies to define as normal values those not associated to risk (which for AMBP is to be understood as cardiovascular risk). Longitudinal studies have been carried out, but results obtained from different populations may turn generalization difficult.</p>
      <p>In a cohort comprising 1,187 patients under follow-up for 3.2 years in average, Verdecchia et al. found that men and women showing AMBP awake values under 136/87 mmHg and 131/86 mmHg, respectively, reported cardiovascular prognosis similar to individuals screened as normotensive based on recordings at the doctor's office. A later analysis of the same population showed that awake values under 130/80 mmHg &#150; irrespective of gender &#150; would be associated to lower cardiovascular risk<sup>8</sup>. It should be pointed out that this cohort does present limitations as to external validity, since hypertensives were those with medical visits at the clinic, and normotensives were "added in" based on the sample of health centers employees or patients that had been assisted at outpatient units for other reasons.</p>
      <p>The Japanese cohort at Ohasama community studied 1,542 individuals over forty years old under mean follow-up time of 6.2 years. AMBP values associated to best cardiovascular prognosis during the 24-hour period ranged from 120 to 133 mmHg, with systolic and diastolic blood pressure ranging from 65 to 78 mmHg respectively<sup>9</sup>.</p>
      <p>Follow-up was carried out by Clement et al<sup>10</sup> on close to 2,000 hypertensives for five years in average. They identified AMBP systolic and diastolic blood pressure increase to be a risk factor for cardiovascular events, irrespective of other risk factors, blood pressure values measured at the doctor's office included. A secondary analysis showed that 24-hour AMBP systolic values at 135 mmHg reported lower cardiovascular risk, irrespective of systolic pressure values at the doctor's office. After adjusted for potential confusion bias such finding was not given statistic significance.</p>
      <p>
        <bold>
          <italic>Normal value is taken to be that reached by those who have benefitted from some intervention</italic>
        </bold>
      </p>
      <p>It must be kept in mind that not all risk factors can be treated successfully. As new knowledge is acquired from clinical trials results, normal values may be changed. Therefore, normal values are defined based on the extent to which intervention can revert risk. Very few clinical trials have analyzed the benefits of anti-hypertensives in samples under AMBP.</p>
      <p>In a sub-sample of the Syst-Eur clinical trial &#150; that analyzed the benefits of anti-hypertensive based on the use of nitrendipine as compared to placebo in elderly patients with systolic hypertension &#150; 536 patients had their blood pressure taken by AMBP at baseline and after 4.4 years of follow up. Systolic AMBP values in the group on anti-hypertensive medication (who also had benefits in regard to reduction of events) was 140 mmHg, 135 mmH, and 124 mmHg, respecively, for both awake and sleep 24-hour pressure<sup>11</sup>.</p>
      <p>Normal values obtained based on the results of studies referred to are summarized in <xref ref-type="table" rid="tab2-body2">table II</xref>. Those are compared with normal values, as recommended by the European Society of Hypertension.</p>
      <table-wrap id="tab2-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-03-0212-00013-gt02-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>
        <bold>HMBP Normal Values</bold>
      </p>
      <p>As for home monitoring of blood pressure, values below 135/85 mmHg have been recommended as normal, based on AMBP awake value as reference for normal values.</p>
      <p>The cutting points were analyzed in a longitudinal study at Ohasama community, with follow-up of 1,491 adults in a 10-year period timeframe. Considering lower than 115/70 mmHg as reference value, values above 135/85 mmHg posed a nearly three-fold risk for the development of cerebrovascular events (RR 2.86; CI 95%: 1.55-5.30 for systolic, and RR 2.81; CI 95%: 1.64-4.77 for diastolic)<sup>12</sup>. The same value was analyzed by Bobrie et al<sup>13</sup> in a cohort with nearly 5,000 elderly hypertensives. Considering the group with blood pressure control by doctor's office measure (&lt; 140/90 mmHg) and HMBP as reference, individuals with HMBP values above 135/85 mmHg presented a nearly two-fold risk for the occurrence of events, irrespective of blood pressure control when measured at the doctor's office.</p>
      <p>
        <bold>Conclusions</bold>
      </p>
      <p>Although it is recognized that there is a continuous correlation between blood pressure and cardiovascular risk, irrespective of the measuring method, the use of normal values helps doctors at the point of clinical decision making. Longitudinal studies have helped detect values above which risks become significant. Twenty-four hour AMBP values at 130/80 mmHg and HMBP values at 135/85 mmHg are the figures obtained by the body of evidence. Results from clinical trials where blood pressure is measured by automatic methods may define our therapeutic objectives more accurately.</p>
      <p>
        <bold>REFERENCES</bold>
      </p>
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      <p>
        <fn id="back10-body2" fn-type="corresp">
          <label>
            <bold>Correspondence to</bold>
          </label>
          <p>Miguel Gus</p>
          <p> Rua Ramiro Barcelos, 2350</p>
          <p> 90035-003</p>
          <p> Porto Alegre, RS - Brazil</p>
          <p> E-mail: </p>
          <p>
            <email xlink:href="mgus@terra.com.br">mgus@terra.com.br</email>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Received on 05/01/05</p>
      <p> Accepted on 06/24/05</p>
      <p content-type="break"> Porto Alegre, RS</p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
