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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">Qc3kmMVKBg9gBVhKLRXJs9h</article-id>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2005001600008</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(05)08500308</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2005001600008</article-id>
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          <subject>Artigo Original</subject>
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        <article-title>Hipertrofia ventricular esquerda do atleta: resposta adaptativa fisiol&#243;gica do cora&#231;&#227;o</article-title>
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        <institution content-type="orgname">Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia</institution>
        <country country="BR">Brazil</country>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>09</month>
        <year>2005</year>
      </pub-date>
      <volume>85</volume>
      <issue>3</issue>
      <fpage>191</fpage>
      <lpage>197</lpage>
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          <day>12</day>
          <month>09</month>
          <year>2004</year>
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        <date date-type="accepted">
          <day>04</day>
          <month>03</month>
          <year>2005</year>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      </permissions>
      <abstract>
        <p>OBJETIVO: Verificar se a hipertrofia ventricular esquerda (HVE) de atletas competitivos de resist&#234;ncia (maratonistas) representa processo adaptativo, puramente fisiol&#243;gico, ou se pode envolver aspectos patol&#243;gicos em suas caracter&#237;sticas anat&#244;micas e funcionais. M&#201;TODOS: De novembro de 1999 a dezembro de 2000, foram separados consecutivamente de 30 maratonistas em atividade esportiva plena, idade inferior a 50 anos, com HVE, previamente documentada, e sem cardiopatia subjacente. Foram submetidos aos exames: cl&#237;nico, eletrocardiograma, ecodopplercardiograma, e teste ergom&#233;trico (TE). Quinze foram sorteados para realizar, tamb&#233;m, teste ergoespirom&#233;trico e resson&#226;ncia magn&#233;tica (RM) do cora&#231;&#227;o. RESULTADOS: Nos TE, todos apresentavam boa capacidade f&#237;sica cardiopulmonar, sem evid&#234;ncias de resposta isqu&#234;mica ao exerc&#237;cio, sintomas ou arritmias. No ecodopplercardiograma, os valores do di&#226;metro e espessura diast&#243;lica da parede posterior do ventr&#237;culo esquerdo (VE), do septo interventricular, massa do VE e di&#226;metro do &#225;trio esquerdo, foram significativamente maiores que os do grupo de n&#227;o atletas, com idades e medidas antropom&#233;tricas semelhantes. A m&#233;dia da massa do VE dos atletas indexada &#224; superf&#237;cie corp&#243;rea (126 g/m2) foi significativamente maior que a do grupo controle (70 g/m2) (p&lt;0,001). A RM mostrou que n&#227;o havia preju&#237;zo da for&#231;a contr&#225;til ou da performance ventricular esquerda e valores de volume diast&#243;lico final, volume sist&#243;lico final e fra&#231;&#227;o de eje&#231;&#227;o dentro dos limites da normalidade. Por outro lado, a massa do VE m&#233;dia, 162,93&#177;17,90 g, e a espessura parietal ventricular, 13,67&#177;2,13 mm, ao final da di&#225;stole no grupo atleta, diferiu significativamente do controle: 110&#177;14,2 g (p=0,0001) e 8&#177;0,9 mm, respectivamente (p=0,0001). O mesmo ocorreu na m&#233;dia da espessura ao final da s&#237;stole, que foi 18,87&#177;3,40 mm (controle: 10&#177; 1,80 mm, p=0,0001). CONCLUS&#195;O: Os resultados permitiram concluir que a HVE de maratonistas em per&#237;odo de atividade esportiva plena, avaliada por m&#233;todos n&#227;o invasivos, representa resposta adaptativa ao treinamento f&#237;sico intensivo e prolongado, com caracter&#237;sticas fisiol&#243;gicas.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>hipertrofia card&#237;aca</kwd>
        <kwd>cora&#231;&#227;o de atleta</kwd>
        <kwd>cardiomegalia do atleta</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>10</day>
        <month>10</month>
        <year>2005</year>
      </pub-date>
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  <body>
    <p>
      <bold>ARTIGO ORIGINAL</bold>
    </p>
    <p>Hipertrofia ventricular esquerda do atleta. Resposta adaptativa fisiol&#243;gica do cora&#231;&#227;o</p>
    <p>
      <bold>Nabil Ghorayeb; Michel Batlouni; Ibraim M. F. Pinto; Giuseppe S. Dioguardi</bold>
    </p>
    <p>Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia - S&#227;o Paulo, SP</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back10">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p><bold>OBJETIVO:</bold> Verificar se a hipertrofia ventricular esquerda (HVE) de atletas competitivos de resist&#234;ncia (maratonistas) representa processo adaptativo, puramente fisiol&#243;gico, ou se pode envolver aspectos patol&#243;gicos em suas caracter&#237;sticas anat&#244;micas e funcionais. </p>
    <p><bold>M&#201;TODOS:</bold> De novembro de 1999 a dezembro de 2000, foram separados consecutivamente de 30 maratonistas em atividade esportiva plena, idade inferior a 50 anos, com HVE, previamente documentada, e sem cardiopatia subjacente. Foram submetidos aos exames: cl&#237;nico, eletrocardiograma, ecodopplercardiograma, e teste ergom&#233;trico (TE). Quinze foram sorteados para realizar, tamb&#233;m, teste ergoespirom&#233;trico e resson&#226;ncia magn&#233;tica (RM) do cora&#231;&#227;o. </p>
    <p><bold>RESULTADOS:</bold> Nos TE, todos apresentavam boa capacidade f&#237;sica cardiopulmonar, sem evid&#234;ncias de resposta isqu&#234;mica ao exerc&#237;cio, sintomas ou arritmias. No ecodopplercardiograma, os valores do di&#226;metro e espessura diast&#243;lica da parede posterior do ventr&#237;culo esquerdo (VE), do septo interventricular, massa do VE e di&#226;metro do &#225;trio esquerdo, foram significativamente maiores que os do grupo de n&#227;o atletas, com idades e medidas antropom&#233;tricas semelhantes. A m&#233;dia da massa do VE dos atletas indexada &#224; superf&#237;cie corp&#243;rea (126 g/m2) foi significativamente maior que a do grupo controle (70 g/m2) (p&lt;0,001). A RM mostrou que n&#227;o havia preju&#237;zo da for&#231;a contr&#225;til ou da performance ventricular esquerda e valores de volume diast&#243;lico final, volume sist&#243;lico final e fra&#231;&#227;o de eje&#231;&#227;o dentro dos limites da normalidade. Por outro lado, a massa do VE m&#233;dia, 162,93&#177;17,90 g, e a espessura parietal ventricular, 13,67&#177;2,13 mm, ao final da di&#225;stole no grupo atleta, diferiu significativamente do controle: 110&#177;14,2 g (p=0,0001) e 8&#177;0,9 mm, respectivamente (p=0,0001). O mesmo ocorreu na m&#233;dia da espessura ao final da s&#237;stole, que foi 18,87&#177;3,40 mm (controle: 10&#177; 1,80 mm, p=0,0001). </p>
    <p><bold>CONCLUS&#195;O:</bold> Os resultados permitiram concluir que a HVE de maratonistas em per&#237;odo de atividade esportiva plena, avaliada por m&#233;todos n&#227;o invasivos, representa resposta adaptativa ao treinamento f&#237;sico intensivo e prolongado, com caracter&#237;sticas fisiol&#243;gicas.</p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> hipertrofia card&#237;aca, cora&#231;&#227;o de atleta, cardiomegalia do atleta</p>
    <p>A hipertrofia card&#237;aca do atleta altamente treinado foi reconhecida h&#225; mais de um s&#233;culo por Bergmann (1884) e Parrot (1893), citados por Rost<sup>1</sup>, e constitui um dos achados mais freq&#252;entes do cora&#231;&#227;o de atleta.</p>
    <p>No entanto, controv&#233;rsias ainda persistem sobre seu real significado. Tratar-se-ia de processo puramente fisiol&#243;gico, hipertrofia compensat&#243;ria ou adaptativa, necess&#225;ria para manter &#243;tima performance card&#237;aca em condi&#231;&#245;es de sobrecarga circulat&#243;ria aumentada; ou envolveria o potencial de induzir, a longo prazo, altera&#231;&#245;es patol&#243;gicas, relacionadas &#224; estrutura mioc&#225;rdica e ao comprometimento do desempenho card&#237;aco? A maioria dos autores ap&#243;ia a primeira hip&#243;tese<sup>1-5</sup>. De outra parte, alguns autores t&#234;m questionado esse ponto de vista, admitindo que a hipertrofia ventricular esquerda do atleta possa ter conseq&#252;&#234;ncias patol&#243;gicas, considerando que, n&#227;o raramente, os valores acentuadamente aumentados da espessura parietal e da dilata&#231;&#227;o ventricular se sobrep&#245;em aos da miocardiopatia hipertr&#243;fica ou dilatada<sup>6</sup>.</p>
    <p>O treinamento f&#237;sico intensivo e prolongado induz adapta&#231;&#245;es cardiovasculares que permitem ao cora&#231;&#227;o do atleta desempenho f&#237;sico excepcional<sup>7-9</sup>. Entretanto, essas adapta&#231;&#245;es incluem altera&#231;&#245;es funcionais e anat&#244;micas, que podem situar-se fora dos limites da normalidade e cujo significado cl&#237;nico e progn&#243;stico t&#234;m sido objeto de intensa discuss&#227;o e controv&#233;rsias<sup>1,6</sup>.</p>
    <p>V&#225;rios e conhecidos s&#227;o os efeitos cardiovasculares do treinamento f&#237;sico vigoroso, praticado durante longos per&#237;odos, observados experimentalmente e em atletas competitivos, altamente treinados<sup>2,10,11</sup>. Verifica-se, ainda, maior efici&#234;ncia mec&#226;nica da musculatura esquel&#233;tica, aumento da capilariza&#231;&#227;o, atividades enz&#237;micas, aumento da capacidade funcional pulmonar e melhor rela&#231;&#227;o ventila&#231;&#227;o/perfus&#227;o. Essas altera&#231;&#245;es cardiovasculares resultam de complexa intera&#231;&#227;o de mecanismos centrais e perif&#233;ricos, operando em n&#237;veis estruturais, eletrofisiol&#243;gicos, bioqu&#237;micos, metab&#243;licos e neurog&#234;nicos<sup>12</sup>. E dependem da intensidade e dura&#231;&#227;o do treinamento, do tipo de atividade atl&#233;tica e de fatores gen&#233;ticos.</p>
    <p>
      <bold>M&#201;TODOS</bold>
    </p>
    <p>No per&#237;odo de novembro de 1999 a dezembro de 2000, foram atendidos 306 atletas, rotineiramente encaminhados por suas respectivas entidades esportivas, para avalia&#231;&#227;o cardiol&#243;gica pr&#233;-participa&#231;&#227;o. Destes, foram separados, consecutivamente, 30 atletas, dezoito da ra&#231;a branca, onze da negra e um, da amarela, que preencheram os crit&#233;rios de inclus&#227;o: sexo masculino, com idade inferior a 50 anos (idades de 24 a 48 anos, m&#233;dia 37,5&#177;6,21); praticantes de esporte aer&#243;bio de alta resist&#234;ncia (maratonistas) h&#225; mais de tr&#234;s anos e em per&#237;odo de atividade atl&#233;tica plena; hipertrofia ventricular esquerda ao ecocardiograma bidimensional com doppler colorido (espessura e massa ventricular esquerda acima dos limites da normalidade); aus&#234;ncia de doen&#231;a cardiovascular subjacente. Dos 30 atletas, foram sorteados 15 para se submeterem ao exame de resson&#226;ncia magn&#233;tica do cora&#231;&#227;o.</p>
    <p>Seguiu-se o protocolo da Se&#231;&#227;o M&#233;dica de Cardiologia do Esporte do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, do Estado de S&#227;o Paulo: entrevista cl&#237;nica, com especial aten&#231;&#227;o aos sintomas e sinais cardiovasculares, em repouso ou induzidos pelo esfor&#231;o, &#224; dura&#231;&#227;o, intensidade e freq&#252;&#234;ncia do treinamento, eletrocardiograma em repouso<sup>13</sup>, teste ergom&#233;trico em esteira rolante, usando-se protocolo de Bruce<sup>14</sup>, at&#233; sintoma ou sinal limitante, e teste cardiopulmonar ou ergoespirom&#233;trico, com protocolo de rampa padronizado para atletas, nos 15 atletas sorteados para realizar resson&#226;ncia magn&#233;tica do cora&#231;&#227;o. Os registros do ecocardiograma com Doppler colorido dos 30 atletas foram realizados em condi&#231;&#245;es de repouso e sem a administra&#231;&#227;o de f&#225;rmacos. Cada exame constou de avalia&#231;&#245;es nos modos M, bidimensional e Doppler nas modalidades pulsado, cont&#237;nuo e por mapeamento de fluxo a cores<sup>15,16</sup>.</p>
    <p>Pela resson&#226;ncia magn&#233;tica (RM), foi quantificada a massa mioc&#225;rdica, analisado o padr&#227;o de contra&#231;&#227;o das fibras card&#237;acas e avaliada a fun&#231;&#227;o ventricular global e a contratilidade regional do ventr&#237;culo esquerdo pelo tagging<sup>17</sup>. Essa an&#225;lise &#233; subjetiva e determina se h&#225; ou n&#227;o defeitos de contratilidade regional, comparando os cora&#231;&#245;es dos atletas com os da popula&#231;&#227;o normal. A seq&#252;&#234;ncia utilizada foi a cine-resson&#226;ncia "FIESTA" com apn&#233;ia. As defini&#231;&#245;es de bordas e a determina&#231;&#227;o dos volumes ventriculares foram feitas na pr&#243;pria esta&#231;&#227;o de trabalho computadorizada, dedicada para esse fim, com programa pr&#243;prio do fabricante.</p>
    <p>Os resultados obtidos no grupo de atletas foram comparados com os observados em um grupo controle de 30 indiv&#237;duos normais, sedent&#225;rios, com caracter&#237;sticas antropom&#233;tricas semelhantes.</p>
    <p>
      <bold>RESULTADOS</bold>
    </p>
    <p>Nenhum dos 30 atletas apresentou hist&#243;rico cl&#237;nico de doen&#231;as familiares ou de morte s&#250;bita, nem antecedentes pessoais de import&#226;ncia cl&#237;nica, e os exames f&#237;sicos n&#227;o mostraram anormalidades significativas.</p>
    <p>A an&#225;lise dos eletrocardiogramas (ECG) mostrou padr&#245;es comuns em atletas treinados: a) a freq&#252;&#234;ncia card&#237;aca variou de 40 a 64 bpm, m&#233;dia 50,4 bpm&#177;7,0; b) bradicardia sinusal (menos de 60 bpm) em 26 atletas (87%); c) bloqueio atrioventricular (BAV) de 1&#176; grau em cinco casos (17%). Em um, BAV de 2&#176; grau, tipo Mobitz 1 intermitente; d) dist&#250;rbio de condu&#231;&#227;o do ramo direito em 11 casos (37%), um dos quais com bloqueio completo do ramo direito, intermitente (QRS&gt;12 mm); e) sobrecarga atrial esquerda em seis casos (20%); f) hipertrofia ventricular esquerda<sup>18</sup> em oito casos (27%); g) padr&#227;o de repolariza&#231;&#227;o ventricular precoce em 19 casos (63%), padr&#227;o juvenil, em cinco (17%), ondas T negativas/achatadas (parede anterior), em dois (7%).</p>
    <p>Os resultados obtidos nos 30 testes ergom&#233;tricos s&#227;o apresentados na <xref ref-type="table" rid="tab1">tabela I</xref> e os resultados dos 15 testes cardiopulmonares na <xref ref-type="table" rid="t2">tabela II</xref>.</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="t2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-03-0191-00008-gt01.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <table-wrap id="tab1">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-03-0191-00008-gt02.jpg"/></table-wrap>
    <p>Nos testes ergom&#233;trico e cardiopulmonar, os par&#226;metros cl&#237;nicos e eletrocardiogr&#225;ficos observados e registrados, durante e ap&#243;s os mesmos, foram considerados compat&#237;veis com a normalidade, em nenhum caso houve resposta isqu&#234;mica ao exerc&#237;cio, nem foram observado sintomas cl&#237;nicos, arritmias, comportamento anormal da freq&#252;&#234;ncia card&#237;aca ou da fun&#231;&#227;o ventricular. O motivo da interrup&#231;&#227;o do exerc&#237;cio em todos os casos foi a exaust&#227;o f&#237;sica que, em geral, ocorreu pr&#243;xima &#224; FC m&#225;xima prevista. A capacidade cardiorrespirat&#243;ria dos 30 atletas foi considerada de n&#237;vel funcional "bem condicionado", superior &#224;s encontradas em sedent&#225;rios normais<sup>19</sup>.</p>
    <p>Ecodopplercardiograma - Foram obtidos valores absolutos e valores indexados &#224; massa corp&#243;rea e comparados a grupo controle de 30 n&#227;o atletas, com idades e medidas antropom&#233;tricas semelhantes (<xref ref-type="table" rid="tab3">tabs. III</xref> e <xref ref-type="undefined" rid="tab4">IV</xref>).</p>
    <table-wrap id="tab3">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-03-0191-00008-gt03.jpg"/></table-wrap>
    <p>
      <undefined id="tab4"/>
    </p>
    <p>
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-03-0191-00008-e01.jpg"/></p>
    <p>As m&#233;dias do di&#226;metro do &#225;trio esquerdo, do di&#226;metro sist&#243;lico do VE, das espessuras diast&#243;licas do septo interventricular e da parede posterior do VE, da massa ventricular, da fra&#231;&#227;o de eje&#231;&#227;o e da porcentagem de encurtamento foram significativamente maiores (p&lt;0,001) no grupo atleta em compara&#231;&#227;o com o grupo controle (<xref ref-type="table" rid="tab3">tab. III</xref>).</p>
    <p>Essas mesmas vari&#225;veis indexadas &#224; superf&#237;cie corp&#243;rea tamb&#233;m foram significativamente maiores no grupo atleta (<xref ref-type="undefined" rid="tab4">tab. IV</xref>).</p>
    <p>Especificamente, a m&#233;dia da massa do ventr&#237;culo esquerdo (VE) dos atletas, indexada &#224; superf&#237;cie corp&#243;rea (126 g/m2), foi significativamente maior que a do grupo controle (70 g/m2) (p&lt;0,001). A m&#233;dia da fun&#231;&#227;o ventricular esquerda, avaliada pela fra&#231;&#227;o de eje&#231;&#227;o, foi tamb&#233;m significativamente maior no grupo atleta (0,70) em compara&#231;&#227;o com a do controle (0,60) (p&lt;0,001). As vari&#225;veis da fun&#231;&#227;o diast&#243;lica do VE foram normais em todos os atletas.</p>
    <p>Resson&#226;ncia magn&#233;tica - Os resultados nos 15 atletas mostraram valores de volume diast&#243;lico final, volume sist&#243;lico final e fra&#231;&#227;o de eje&#231;&#227;o dentro dos limites da normalidade.</p>
    <p>A compara&#231;&#227;o dos resultados encontrados nos atletas com os valores dos 30 controles normais (<xref ref-type="table" rid="tab5">tabs. V</xref> e <xref ref-type="undefined" rid="tab6">VI</xref>) n&#227;o revelou diferen&#231;a significativa quanto ao volume diast&#243;lico final (p=0,7), ao volume sist&#243;lico final (p=0,14) e &#224; fra&#231;&#227;o de eje&#231;&#227;o (p=0,20). Por outro lado, houve diferen&#231;a significativa na massa ventricular esquerda e espessuras ventriculares, ao final da di&#225;stole e s&#237;stole. Assim, a massa m&#233;dia definida pela resson&#226;ncia magn&#233;tica foi 162,93&#177;17,90 g no grupo atleta versus 110&#177;14,2 g, no grupo controle (p=0,0001); a m&#233;dia da espessura ao final da di&#225;stole foi 13,67&#177;2,13 mm no grupo atleta e 8&#177;0,9 mm, no grupo controle (p=0,0001); e a m&#233;dia da espessura ao final da s&#237;stole foi 18,87&#177;3,40 mm nos atletas versus 10&#177;1,80 mm, no controle (p=0,0001).</p>
    <table-wrap id="tab5">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-03-0191-00008-gt04.jpg"/></table-wrap>
    <p>
      <undefined id="tab6"/>
    </p>
    <p>
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-03-0191-00008-e02.jpg"/></p>
    <p>A despeito da magnitude das altera&#231;&#245;es encontradas, n&#227;o havia dissinergia em nenhum caso, nem preju&#237;zo da performance ventricular, o que foi atestado n&#227;o apenas pela quantifica&#231;&#227;o da fra&#231;&#227;o de eje&#231;&#227;o global, mas tamb&#233;m pelo fato de a movimenta&#231;&#227;o regional ventricular esquerda, analisada pelo tagging, n&#227;o revelar altera&#231;&#245;es significativas em nenhum dos casos. A mensura&#231;&#227;o do espessamento regional de todos os atletas avaliados encontrar-se dentro dos limites da normalidade e a fun&#231;&#227;o diast&#243;lica dos atletas mostrar-se, igualmente, normal com discretas modifica&#231;&#245;es, sem significado cl&#237;nico (<xref ref-type="table" rid="tab7">tab. VII</xref>).</p>
    <table-wrap id="tab7">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-03-0191-00008-gt05.jpg"/></table-wrap>
    <p>
      <bold>Discuss&#227;o</bold>
    </p>
    <p>O cora&#231;&#227;o do atleta apresenta uma variedade de altera&#231;&#245;es morfol&#243;gicas e funcionais, resultantes do treinamento f&#237;sico rigoroso e sistem&#225;tico, para melhorar a fun&#231;&#227;o do cora&#231;&#227;o como bomba e a capacidade do sistema cardiovascular fornecer oxig&#234;nio aos m&#250;sculos que se exercitam. As adapta&#231;&#245;es predominantes incluem: aumento da dimens&#227;o diast&#243;lica final da cavidade ventricular esquerda, da espessura parietal e da massa ventricular esquerda, melhora do enchimento diast&#243;lico e redu&#231;&#227;o da freq&#252;&#234;ncia card&#237;aca.</p>
    <p>A hipertrofia ventricular esquerda desenvolve-se como processo compensat&#243;rio ou adaptativo a um est&#237;mulo hemodin&#226;mico, representando a sobrecarga de press&#227;o e/ou volume. A teoria, que melhor explica os padr&#245;es de hipertrofia, considera que a resposta ventricular se processa no sentido de manter o estresse parietal ventricular relativamente constante e o volume sist&#243;lico adequado.</p>
    <p>O exerc&#237;cio f&#237;sico &#233; um est&#237;mulo bem identificado para o desenvolvimento de hipertrofia ventricular esquerda. As altera&#231;&#245;es estruturais, resultantes do treinamento f&#237;sico, dependem da natureza, dura&#231;&#227;o e intensidade do exerc&#237;cio. As diversas modalidades esportivas t&#234;m sido classificadas, fundamentalmente, em dois grandes grupos: esportes de resist&#234;ncia, nos quais predominam as formas isot&#244;nicas ou din&#226;micas de exerc&#237;cio, e esportes de for&#231;a, nos quais predominam as formas isom&#233;tricas ou est&#225;ticas de exerc&#237;cio. Entretanto, raramente, o condicionamento atl&#233;tico &#233; puramente isot&#244;nico ou isom&#233;trico, a maioria das atividades f&#237;sicas envolve componente din&#226;mico e est&#225;tico, embora com predom&#237;nio de um deles<sup>8,20-22</sup>.</p>
    <p>Outro aspecto relevante &#233; que a sobrecarga hemodin&#226;mica associada ao exerc&#237;cio representa, provavelmente, o mecanismo prim&#225;rio respons&#225;vel pelas altera&#231;&#245;es estruturais card&#237;acas. Em modelos animais<sup>23</sup>, observou-se que a hipertrofia mioc&#225;rdica se relacionou estreitamente com a intensidade da sobrecarga hemodin&#226;mica, enquanto as catecolaminas plasm&#225;ticas e card&#237;acas e a atividade alfa e beta-adren&#233;rgica exerceram efeito m&#237;nimo.</p>
    <p>Al&#233;m do tipo e intensidade do exerc&#237;cio, outros determinantes importante das adapta&#231;&#245;es estruturais do cora&#231;&#227;o do atleta s&#227;o a idade, sexo, ra&#231;a e o componente gen&#233;tico<sup>24,25</sup>. H&#225; consenso na literatura que fatores gen&#233;ticos devam desempenhar importante papel no desenvolvimento da hipertrofia ventricular em atletas, para justificar as acentuadas diferen&#231;as nas altera&#231;&#245;es card&#237;acas e na performance atl&#233;tica, observadas em indiv&#237;duos com as mesmas caracter&#237;sticas antropom&#233;tricas e submetidos ao mesmo n&#237;vel de treinamento<sup>1,24,26</sup>. Para Pelliccia<sup>27</sup>, os fatores heredit&#225;rios influenciam as dimens&#245;es card&#237;acas, seja pelo controle gen&#233;tico da resposta hipertr&#243;fica ao condicionamento atl&#233;tico, seja pela predisposi&#231;&#227;o gen&#233;tica para sustentar treinamento f&#237;sico mais intensivo e atingir n&#237;veis mais elevados de performance durante a competi&#231;&#227;o. Recentemente, Montgomery e cols.<sup>28</sup> estudaram 400 recrutas do ex&#233;rcito antes e ap&#243;s um per&#237;odo de 10 semanas de treinamento de for&#231;a e resist&#234;ncia. Ao final do estudo, observaram aumento da m&#233;dia da massa ventricular esquerda de 167 g para 197 g (aumento de 18%). Os indiv&#237;duos foram divididos em tr&#234;s grupos, de acordo com o polimorfismo do gen&#243;tipo da enzima de convers&#227;o da angiotensina (ECA): inser&#231;&#227;o homozig&#243;tica (I/I), inser&#231;&#227;o/dele&#231;&#227;o heterozig&#243;tica (I/D) e dele&#231;&#227;o homozig&#243;tica (D/D). Os tr&#234;s grupos, com o alelo dele&#231;&#227;o, tiveram o maior aumento da massa ventricular esquerda, sugerindo que n&#237;veis aumentados da ECA desempenhem papel importante no desenvolvimento da hipertrofia mioc&#225;rdica induzida pelo treinamento.</p>
    <p>Neste estudo, a avalia&#231;&#227;o ecocardiogr&#225;fica da fun&#231;&#227;o ventricular esquerda sist&#243;lica, representada pela fra&#231;&#227;o de eje&#231;&#227;o (0,61 a 0,79, m&#233;dia 0,70&#177;0,05) e pelo percentual de encurtamento sist&#243;lico da fibra (33 a 49%, m&#233;dia 40%&#177;4), evidenciou valores normais em todos os casos, inclusive significativamente superiores aos do grupo controle (0,53 a 0,73, m&#233;dia 0,60&#177;0,005, e 31 a 47%, m&#233;dia 36,0%&#177;4, respectivamente). Esses achados est&#227;o de acordo com os resultados de v&#225;rios estudos transversais, que compararam grupos de atletas das mais diferentes modalidades esportivas com controles sedent&#225;rios<sup>3,29-31</sup>.</p>
    <p>Dois estudos merecem aten&#231;&#227;o especial. Em atletas praticantes de esportes de resist&#234;ncia e for&#231;a, observou-se que os diversos &#237;ndices de contratilidade n&#227;o invasivos utilizados para avaliar a fun&#231;&#227;o ventricular esquerda foram normais, apesar do aumento acentuado da cavidade e espessura ventriculares<sup>30</sup>. Outro estudo<sup>5</sup> avaliou a dimens&#227;o ecocardiogr&#225;fica da cavidade ventricular esquerda em 1.309 atletas de elite, participantes de 38 diferentes modalidades esportivas. De acordo com um n&#237;vel arbitr&#225;rio de corte de 60 mm, consideraram que a cavidade ventricular esquerda estava substancialmente aumentada em 185 atletas (14%). Todos tinham fun&#231;&#227;o ventricular esquerda sist&#243;lica global dentro dos limites da normalidade e n&#227;o apresentavam anormalidades da motilidade parietal segmentar. Ap&#243;s seguimento de 1 a 12 anos (m&#233;dia 4,7 anos), os 185 atletas permaneceram assintom&#225;ticos e n&#227;o apresentaram anomalia da performance card&#237;aca. Os principais determinantes da dimens&#227;o da cavidade ventricular esquerda foram a maior superf&#237;cie corp&#243;rea e a participa&#231;&#227;o em determinados esportes de resist&#234;ncia (ciclismo, esqui de campo e canoagem).</p>
    <p>Os resultados da avalia&#231;&#227;o pela resson&#226;ncia magn&#233;tica neste estudo mostraram, igualmente, que, apesar do aumento da massa ventricular esquerda e da espessura parietal, os atletas tinham fra&#231;&#227;o de eje&#231;&#227;o normal (57 a 72%, m&#233;dia 63,67%&#177;4,53). Os achados normais da movimenta&#231;&#227;o regional, analisada pelo tagging, e da mensura&#231;&#227;o do espessamento regional refor&#231;am a conclus&#227;o que n&#227;o havia preju&#237;zo da for&#231;a contr&#225;til do cora&#231;&#227;o ou da performance ventricular esquerda. Pluim e cols.<sup>32</sup> avaliaram a anatomia, fun&#231;&#227;o e metabolismo card&#237;acos pela resson&#226;ncia magn&#233;tica e espectroscopia em ciclistas altamente treinados e em indiv&#237;duos controles. A massa ventricular esquerda e os volumes diast&#243;licos finais, indexados pela superf&#237;cie corp&#243;rea, foram significantemente maiores nos ciclistas, por&#233;m, a fra&#231;&#227;o de eje&#231;&#227;o ventricular esquerda, o &#237;ndice card&#237;aco e o estresse parietal sist&#243;lico n&#227;o diferiram dos controles. O &#237;ndice fosfocreatina/trifosfato de adenosina foi similar em ambos os grupos. Para os autores, esses achados indicam que a hipertrofia ventricular esquerda induzida pelo exerc&#237;cio f&#237;sico &#233; apenas adapta&#231;&#227;o fisiol&#243;gica.</p>
    <p>A avalia&#231;&#227;o dos diversos &#237;ndices ecocardiogr&#225;ficos de fun&#231;&#227;o diast&#243;lica ventricular esquerda &#150; velocidades das ondas E e A do fluxograma mitral, rela&#231;&#227;o E/A, tempo de desacelera&#231;&#227;o da onda E e tempo de relaxamento isovolum&#233;trico &#150; nos atletas deste estudo mostrou valores uniformemente dentro dos limites da normalidade, em condi&#231;&#245;es basais.</p>
    <p>Utilizando angiografia com radionucl&#237;deos, Granger e cols.<sup>33</sup> observaram que atletas n&#227;o apresentavam altera&#231;&#245;es no enchimento ventricular esquerdo, embora a massa ventricular esquerda fosse 43% maior que a do grupo controle sedent&#225;rio.</p>
    <p>Ao contr&#225;rio da hipertrofia do atleta, a disfun&#231;&#227;o ventricular diast&#243;lica &#233; identificada na grande maioria dos pacientes com hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica ou miocardiopatia hipertr&#243;fica, independente do grau de hipertrofia, da presen&#231;a de sintomas ou da obstru&#231;&#227;o da via de sa&#237;da<sup>32</sup>.</p>
    <p>A natureza da textura mioc&#225;rdica, como a intensidade do eco, pode ser examinada de v&#225;rias maneiras. A simples codifica&#231;&#227;o pela cor ou a refletividade mioc&#225;rdica patol&#243;gica exibe aumento da amplitude do eco associado &#224; fibrose. Por outro lado, na hipertrofia do atleta, a amplitude do eco ou a refletividade mioc&#225;rdica ultra-s&#244;nica situam-se dentro dos limites normais, sugerindo que a hipertrofia fisiol&#243;gica n&#227;o se acompanha de fibrose e outras altera&#231;&#245;es estruturais, observadas em condi&#231;&#245;es patol&#243;gicas<sup>33</sup>.</p>
    <p>Resposta ao exerc&#237;cio - &#201; reconhecido, de longa data, que, em presen&#231;a de hipertrofia ventricular esquerda, testes de esfor&#231;o podem apresentar altera&#231;&#245;es de ST-T t&#237;picas de resposta isqu&#234;mica pela despropor&#231;&#227;o ente oferta e consumo de oxig&#234;nio, mesmo na aus&#234;ncia de doen&#231;a ateroscler&#243;tica coron&#225;ria obstrutiva. Em pacientes com hipertrofia ventricular esquerda e art&#233;rias coron&#225;rias normais ao estudo angiogr&#225;fico, testes ergom&#233;tricos com resposta isqu&#234;mica t&#237;pica foram relatados em 38%37 e 58%38.</p>
    <p>No presente estudo, os testes ergom&#233;tricos n&#227;o evidenciaram, em nenhum caso, resposta isqu&#234;mica ao exerc&#237;cio, nem foram observados sintomas, arritmias, comportamento anormal da freq&#252;&#234;ncia card&#237;aca ou da fun&#231;&#227;o ventricular. Esses resultados indicam que a hipertrofia ventricular esquerda dos atletas n&#227;o induz &#224; despropor&#231;&#227;o entre oferta e consumo de oxig&#234;nio, mesmo em condi&#231;&#245;es de esfor&#231;o m&#225;ximo. Tais achados est&#227;o de acordo com os relatados em corredores de longa dist&#226;ncia<sup>2</sup>, jogadores de bola-ao-cesto<sup>3</sup> e futebolistas profissionais<sup>29</sup>, muitos dos quais tinham hipertrofia ventricular esquerda documentada.</p>
    <p>O consumo m&#225;ximo de oxig&#234;nio (VO2 max) &#233; o principal indicador dessas adapta&#231;&#245;es e, provavelmente, o indicador isolado mais objetivo do n&#237;vel de treinamento f&#237;sico. Enquanto um adulto jovem normal, n&#227;o atleta, apresenta VO2 max da ordem de 35 ml/kg/min, em atletas de resist&#234;ncia, essa vari&#225;vel aumenta significantemente (50%, em m&#233;dia)<sup>22,24,30</sup>, podendo ultrapassar 70ml/kg/min<sup>20,21</sup>.</p>
    <p>A capacidade f&#237;sica dos 30 atletas foi determinada pelo consumo m&#225;ximo de oxig&#234;nio (VO2 max), obtido indiretamente, e seu equivalente em MET. 15 atletas foram sorteados para a submeterem-se a RM, pela medida direta do consumo de O2. A classifica&#231;&#227;o dos resultados baseou-se na tabela de consumo de O2, elaborada por Barros e cols.<sup>19</sup>, subdividida em quatro categorias: descondicionado, condicionado, bem condicionado e atleta de elite. Os &#237;ndices alcan&#231;ados neste trabalho foram de atletas bem condicionados.</p>
    <p>Estudos diversos demonstraram que as altera&#231;&#245;es da massa ventricular esquerda e do tamanho da cavidade ventricular com o treinamento e condicionamento f&#237;sico ocorrem em paralelo com altera&#231;&#245;es do VO2 max<sup>32,36,37,38</sup>, sugerindo, fortemente, que a hipertrofia ventricular se associa com melhor fun&#231;&#227;o card&#237;aca<sup>20</sup>.</p>
    <p>Em s&#237;ntese, os resultados deste estudo evidenciaram que a hipertrofia ventricular esquerda de maratonistas, com excelente n&#237;vel de treinamento, tem fun&#231;&#227;o ventricular esquerda normal, tanto sist&#243;lica como diast&#243;lica, consumo m&#225;ximo de oxig&#234;nio elevado e n&#227;o apresentam respostas an&#244;malas ao teste ergom&#233;trico.</p>
    <p>As raz&#245;es pelas quais a hipertrofia ventricular esquerda (HVE) dos atletas tem caracter&#237;sticas nitidamente diferentes da hipertrofia associada &#224; hipertens&#227;o, miocardiopatia hipertr&#243;fica e outras condi&#231;&#245;es patol&#243;gicas, n&#227;o est&#227;o estabelecidas, por&#233;m algumas sugest&#245;es podem ser feitas, embasadas em achados cl&#237;nicos e/ou experimentais.</p>
    <p>A primeira e, provavelmente, mais importante &#233; que a sobrecarga de press&#227;o e de volume resultantes do treinamento f&#237;sico intensivo representa apenas um est&#237;mulo hemodin&#226;mico para o desenvolvimento da HVE, sem necessariamente acompanhar-se de altera&#231;&#245;es neuro-humorais, como ocorre nas hipertrofias patol&#243;gicas. Experimentos em animais<sup>23</sup> mostraram que a sobrecarga hemodin&#226;mica, associada ao exerc&#237;cio, relaciona-se estreitamente com a hipertrofia mioc&#225;rdica, enquanto as catecolaminas card&#237;acas e plasm&#225;ticas e a atividade alfa beta-adren&#233;rgica exercem apenas efeito discreto.</p>
    <p>Estudos mais recentes, utilizando modelos animais com sobrecarga de volume sem ativa&#231;&#227;o do sistema renina&#150;angiotensina, induziram hipertrofia mioc&#237;tica, por&#233;m n&#227;o fibrose mioc&#225;rdica. Assim sendo, o est&#237;mulo inicial principal para a hipertrofia mioc&#225;rdica &#233; estiramento mec&#226;nico, enquanto os est&#237;mulos que resultam em fibrose s&#227;o humorais<sup>21,22,27</sup>. Em conseq&#252;&#234;ncia, a hipertrofia do atleta parece restringir-se aos mi&#243;citos, sem alterar a matriz extracelular e sem provocar fibrose intersticial<sup>1,20,21</sup>. Alguns estudos comprovaram, pela codifica&#231;&#227;o da cor ou pela refletividade mioc&#225;rdica ultra-s&#244;nica, que o mioc&#225;rdio hipertrofiado patologicamente exibe aumento da amplitude do eco associado &#224; fibrose, o que n&#227;o ocorre na hipertrofia ventricular dos atletas<sup>34</sup>.</p>
    <p>Durante o treinamento f&#237;sico intensivo, o sistema nervoso simp&#225;tico &#233; ativado, por&#233;m, nos per&#237;odos de repouso, muito mais prolongados em cada dia, ocorre preponder&#226;ncia vagal<sup>21,22</sup>, que, provavelmente, contrabalan&#231;a os efeitos delet&#233;rios das catecolaminas no mioc&#225;rdio, bem como a ativa&#231;&#227;o de outros sistemas neuro-hormonais pelo sistema nervoso simp&#225;tico.</p>
    <p>O aumento do n&#250;mero de mitoc&#244;ndrias, a neoforma&#231;&#227;o capilar, a atividade normal da ATPase da miosina observados no mioc&#225;rdio hipertrofiado pelo treinamento f&#237;sico, impedem a despropor&#231;&#227;o entre oferta e consumo de oxig&#234;nio e a ocorr&#234;ncia de isquemia, ao contr&#225;rio do observado nas hipertrofias patol&#243;gicas<sup>21,22</sup>.</p>
    <p>Os resultados do presente estudo, num grupo de maratonistas em per&#237;odo de atividade esportiva plena, permitem concluir que a hipertrofia ventricular esquerda observada nesses atletas, avaliada por m&#233;todos n&#227;o invasivos, representa resposta adaptativa ao treinamento f&#237;sico intensivo e prolongado, com caracter&#237;sticas puramente fisiol&#243;gicas.</p>
    <p>
      <bold>AGRADECIMENTOS</bold>
    </p>
    <p>Aos Drs. Daniel J. Daher, Almir S. Ferraz, Mohamed Saleh, Romeu S&#233;rgio Meneghelo, S&#233;rgio C. Pontes e H&#233;lio J. Schwartz, pela colabora&#231;&#227;o prestada.</p>
    <p>
      <fn id="back10" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold>Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</bold>
        </label>
        <p> Nabil Ghorayeb </p>
        <p> Rua Bom Pastor, 1163 </p>
        <p> 04203-051 </p>
        <p> S&#227;o Paulo, SP </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="ghorayeb@cardiol.br">ghorayeb@cardiol.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Recebido em 12/9/04 </p>
    <p> Aceito em 4/03/05</p>
  </body>
  <back>
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      <ref id="B1">
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          <article-title>The athlete's heart: a meta-analysis of cardiac structure and function</article-title>
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          <article-title>Hipertrofia card&#237;aca: fatores determinantes e mecanismos moleculares</article-title>
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          <article-title>Rapid changes in left ventricular dimension and mass in response to physical conditioning deconditioning</article-title>
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        <article-title xml:lang="en">Left ventricular hypertrophy of athletes: adaptative physiologic response of the heart</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>OBJECTIVE: To verify whether left ventricular hypertrophy (LVH) of elite competition athletes (marathoners) represents a purely physiological, adaptative process, or it may involve pathological aspects in its anatomical and functional characteristics. METHODS: From November 1999 to December 2000, consecutive samples from 30 under 50-year-old marathoners in full sportive activity, with previously documented LVH and absence of cardiopathy were selected. They were submitted to clinical exams, electrocardiogram, color Doppler echocardiogram and exercise treadmill test (ETT). Fifteen were assorted to be also submitted to ergoespirometric test and heart magnetic resonance imaging (MRI). RESULTS: In ETT, all of them showed good physical pulmonary capacity, with no evidences of ischemic response to exercise, symptoms or arrhythmias. In Doppler echocardiogram, values of diameter and diastolic thickness of LV posterior wall, interventricular septum, LV mass and left atrium diameter, were significantly higher when compared to non-athlete control group, with similar ages and anthropometric measurements. The mean of LV mass of athletes indexed to body surface (126 g/m2) was significantly greater than the one in control group (70 g/m2) (p&lt;0.001). Magnetic resonance imaging (MRI) showed there was not impairment of contractile strength or LV performance, and values of end diastolic volume, end systolic volume and EF within limits of normality. On the other hand, average ventricular parietal mass, 162.93&#177;17.90 g, and LV parietal thickness, 13.67&#177;2.13 mm, at the end of diastole in athlete group, differed significantly from control group: 110&#177;14.2 g (p=0.0001) and 8&#177;0.9 mm, respectively (p=0.0001). The same happened to the thickness at the end of systole, which was 18.87&#177;3.40 mm (control group: 10&#177;1.80 mm, p=0.0001). CONCLUSION: Results allowed for concluding that LVH in marathoners in full sportive activity period, assessed by non-invasive methods, represents an adaptative response to intensive and prolonged physical training, with purely physiological characteristics.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>cardiac hypertrophy</kwd>
        <kwd>athletic heart</kwd>
        <kwd>athletic cardiomegaly</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>ORIGINAL ARTICLE</bold>
      </p>
      <p>Left ventricular hypertrophy of athletes. Adaptative physiologic response of the heart</p>
      <p>
        <bold>Nabil Ghorayeb; Michel Batlouni; Ibraim M. F. Pinto; Giuseppe S. Dioguardi</bold>
      </p>
      <p>Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia - S&#227;o Paulo, SP - Brazil</p>
      <p>
        <xref ref-type="corresp" rid="back10-body2">Correspondence</xref>
      </p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p><bold>OBJECTIVE:</bold> To verify whether left ventricular hypertrophy (LVH) of elite competition athletes (marathoners) represents a purely physiological, adaptative process, or it may involve pathological aspects in its anatomical and functional characteristics.</p>
      <p><bold>METHODS:</bold> From November 1999 to December 2000, consecutive samples from 30 under 50-year-old marathoners in full sportive activity, with previously documented LVH and absence of cardiopathy were selected. They were submitted to clinical exams, electrocardiogram, color Doppler echocardiogram and exercise treadmill test (ETT). Fifteen were assorted to be also submitted to ergoespirometric test and heart magnetic resonance imaging (MRI).</p>
      <p><bold>RESULTS:</bold> In ETT, all of them showed good physical pulmonary capacity, with no evidences of ischemic response to exercise, symptoms or arrhythmias. In Doppler echocardiogram, values of diameter and diastolic thickness of LV posterior wall, interventricular septum, LV mass and left atrium diameter, were significantly higher when compared to non-athlete control group, with similar ages and anthropometric measurements. The mean of LV mass of athletes indexed to body surface (126 g/m2) was significantly greater than the one in control group (70 g/m2) (p&lt;0.001). Magnetic resonance imaging (MRI) showed there was not impairment of contractile strength or LV performance, and values of end diastolic volume, end systolic volume and EF within limits of normality. On the other hand, average ventricular parietal mass, 162.93&#177;17.90 g, and LV parietal thickness, 13.67&#177;2.13 mm, at the end of diastole in athlete group, differed significantly from control group: 110&#177;14.2 g (p=0.0001) and 8&#177;0.9 mm, respectively (p=0.0001). The same happened to the thickness at the end of systole, which was 18.87&#177;3.40 mm (control group: 10&#177;1.80 mm, p=0.0001).</p>
      <p><bold>CONCLUSION:</bold> Results allowed for concluding that LVH in marathoners in full sportive activity period, assessed by non-invasive methods, represents an adaptative response to intensive and prolonged physical training, with purely physiological characteristics.</p>
      <p><bold>Key words:</bold> cardiac hypertrophy, athletic heart, athletic cardiomegaly</p>
      <p>Cardiac hypertrophy of highly trained athletes has been acknowledged for more than a century by Bergmann (1884) and Parrot (1893), mentioned by Rost<sup>1</sup>, and consists of one of the most frequent findings in athletic hearts.</p>
      <p>However, controversies still persist on its real meaning. Would it be about a purely physiological process, compensatory or adaptative hypertrophy, necessary to keep excellent cardiac performance under increased circulatory overload conditions, or would involve the potential of inducing, in long term, pathological changes, related to myocardial structure and compromising of cardiac performance? Most authors support the first hypothesis<sup>1-5</sup>. Elsewhere, some authors have questioned that point of view, by acknowledging that left ventricular hypertrophy in athletes may have pathological consequences, considering that, very often, emphatically increased values of parietal thickness and ventricular dilatation superimpose those of hypertrophic or dilated cardiomyopathy<sup>6</sup>.</p>
      <p>Intensive and prolonged physical training induces to cardiovascular adjustments that allow for an exceptional physical performance of athletic heart<sup>7-9</sup>. However, those adjustments include functional and anatomical changes that may be placed out of normality limits and whose clinical and prognostic meanings have been a matter of intense discussion and controversies<sup>1,6.</sup></p>
      <p>There are many well-known cardiovascular effects of energetic physical training, which is done throughout long periods of time, experimentally observed and in highly-trained competitive athletes<sup>2,10,11</sup>. It is also verified a higher mechanical efficiency of skeleton musculature, increase in capillarization, enzyme activities, increase of pulmonary function capacity and a better ventilation/perfusion rate. Those cardiovascular changes result from a complex interaction of central and peripheral mechanisms, operating in structural, electrophysiological, biochemical, metabolic and neurogenic levels<sup>12</sup>. They depend on the intensity and length of training, type of athletic activity and genetic factors.</p>
      <p>
        <bold>Methods</bold>
      </p>
      <p>In the period from November 1999 to December 2000, 306 athletes were seen, routinely sent by their respective sports entities, for pre-participation cardiologic assessment. From those, we consecutively selected 30 athletes, being eighteen whites, eleven blacks and one Far Eastern athlete, who fulfilled all inclusion criteria: male sex, age under 50 years old (ages varied from 24 to 48 years old, mean of 37.5&#177;6.21); high endurance aerobic sports performers (marathoners) for more than three years and in a full athletic activity period; left ventricular hypertrophy at color two-dimensional Doppler echocardiogram (left ventricular thickness and mass over normality limits); absence of subjacent cardiovascular disease. From those 30 athletes, 15 were randomly selected to submit to heart magnetic resonance imaging (MRI).</p>
      <p>The protocol of Se&#231;&#227;o M&#233;dica de Cardiologia do Esporte (Sports Cardiology Medical Section) do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, do Estado de S&#227;o Paulo was followed: clinical interview, with special attention to cardiovascular symptoms and signs, at rest or exercise-induced, training duration, intensity and frequency, electrocardiogram at rest<sup>13</sup>, exercise treadmill test on treadmill, by using Bruce's protocol<sup>14</sup>, even limiting symptom or sign, and cardiopulmonary or ergoespirometric test, with incline protocol standardized for athletes, in the 15 selected athletes submitted to heart magnetic resonance imaging. Records from color Doppler echocardiogram from 30 athletes were carried out under rest conditions and without medication administration. Each exam consisted of M-mode, two-dimensional, pulse and continuous Doppler mode assessments and through color flow mapping modalities<sup>15,16</sup>.</p>
      <p>Through magnetic resonance imaging (MRI), myocardial mass was quantified, cardiac fiber contraction was analyzed, and global ventricular function and left ventricular regional contractility was assessed, through tagging<sup>17</sup>. Such analysis is subjective and determines whether there are regional contractility defects, by comparing athletes' hearts with those of normal population. The sequence used was cine magnetic resonance imaging "FIESTA" with apnea. Definition of ventricular rims and determination of ventricular volumes were carried out at computer-aided workstation itself, dedicated to that purpose, with the manufacturer's program.</p>
      <p>Results obtained in the group of athletes were compared with those observed in control group of 30 normal sedentary individuals, with similar anthropometric characteristics.</p>
      <p>
        <bold>Results</bold>
      </p>
      <p>None of the 30 athletes showed clinical history of family diseases or sudden death, or personal history of clinical importance. The physical exams did not show significant abnormalities.</p>
      <p>Electrocardiogram (ECG) assessment showed ordinary patterns among trained athletes: a) heart rate varied from 40 to 64 bpm, mean of 50.4 bpm&#177;7.0; b) sinus bradycardia (lower than 60 bpm) in 26 athletes (87%); c) 1<sup>st</sup> degree atrioventricular block (AVB) in five cases (17%). In one, 2<sup>nd</sup> degree, Mobitz 1-type, intermittent AVB; d) right bundle branch conduction disturbance in 11 cases (37%), one of which with complete right bundle branch block, intermittent (QRS&gt;12 mm); e) left atrial overload in six cases (20%); f) left ventricular hypertrophy<sup>18</sup> in eight cases (27%); g) early ventricular repolarization pattern in 19 cases (63%), juvenile pattern, in five (17%), and negative/flattened T waves (anterior wall), in two cases (7%).</p>
      <p>Results obtained in 30 exercise treadmill test are shown in <xref ref-type="table" rid="tab1-body2">table I</xref> and the results from 15 cardiopulmonary tests are displayed in <xref ref-type="table" rid="en_26003t2-body2">table II</xref>.</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_26003t2-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-03-0191-00008-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <table-wrap id="tab1-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-03-0191-00008-gt02-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>In exercise treadmill and cardiopulmonary tests, clinical and electrocardiographic parameters, observed and recorded during and after them, were considered as compatible with normality. In no case there was ischemic response to exercise, and no clinical symptoms, arrhythmias, abnormal behavior of heart rate or ventricular function were observed. The reasons for interruption of exercise in all cases was physical exhaustion that usually happened close to maximum forecast HR. Cardiorespiratory capacity of the 30 athletes was considered as "well-conditioned" functional level, higher than those found in normal sedentary individuals<sup>19</sup>.</p>
      <p>Doppler echocardiogram &#150; Absolute values and values indexed to body mass and compared to control group of 30 non-athletes, with similar ages and anthropometric measurements were obtained (<xref ref-type="table" rid="tab3-body2">tables III</xref> and <xref ref-type="undefined" rid="tab4-body2">IV</xref>).</p>
      <table-wrap id="tab3-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-03-0191-00008-gt03-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>
        <undefined id="tab4-body2"/>
      </p>
      <p>
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-03-0191-00008-e01-en.jpg"/></p>
      <p>The means of left atrium diameter, LV systolic diameter, interventricular septum and LV posterior wall diastolic thicknesses, ventricular mass, ejection fraction and shortening percentage were significantly higher (p&lt;0.001) in athlete group, in comparison with control group (<xref ref-type="table" rid="tab3-body2">tab. III</xref>).</p>
      <p>Those same body surface-indexed variables were also significantly higher in athlete group (<xref ref-type="undefined" rid="tab4-body2">tab. IV</xref>).</p>
      <p>Specifically, the mean of left ventricular mass (LVM) of athletes, indexed to body mass (126 g/m<sup>2</sup>), was significantly greater than the one of control group (70 g/m<sup>2</sup>) (p&lt;0.001). The mean of left ventricular function, assessed through ejection fraction, was also significantly greater in athlete group (0.70) when compared to the one of control group (0.60) (p&lt;0.001). LV diastolic function variables were normal among all athletes.</p>
      <p>Magnetic resonance imaging (MRI) &#150; Results from 15 athletes showed values of end diastolic volume, end systolic volume and ejection fraction within the limits of normality.</p>
      <p>The comparison of results found in athletes with values from 30 normal controls (<xref ref-type="table" rid="tab5-body2">tables V</xref> and <xref ref-type="undefined" rid="tab6-body2">VI</xref>) did not reveal any significant difference concerning end diastolic volume (p=0.7), end systolic volume (p=0.14) and ejection fraction (p=0.20). On the other hand, there was a significant difference in left ventricular mass and ventricular thicknesses, at the end of diastole and systole. So, the average mass defined by magnetic resonance imaging was 162.93&#177;17.90 g in athlete group against 110&#177;14.2 g, in control group (p=0.0001); the mean of thickness at the end of diastole was 13.67&#177;2.13 mm in athlete group and 8&#177;0.9 mm, in control group (p=0.0001); and the mean of thickness at the end of systole was 18.87&#177;3.40 mm among athletes versus 10&#177; 1.80 mm, in control individuals (p=0.0001).</p>
      <table-wrap id="tab5-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-03-0191-00008-gt04-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>
        <undefined id="tab6-body2"/>
      </p>
      <p>
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-03-0191-00008-e02-en.jpg"/></p>
      <p>Despite the magnitude of changes found, there was not dyssynergy in any case, nor impairment of ventricular performance, which was confirmed not only through global ejection fraction quantification, but also due to the fact that left ventricular regional movement, assessed through tagging, did not show significant changes in any of the cases. Regional thickening measurement of all assessed athletes was found within normality limits and diastolic function of athletes was shown, similarly, normal with discreet changes, without clinical meaning (<xref ref-type="table" rid="tab7-body2">tab. VII</xref>).</p>
      <table-wrap id="tab7-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-85-03-0191-00008-gt05-en.jpg"/></table-wrap>
      <p>
        <bold>Discussion</bold>
      </p>
      <p>Athletic heart shows a variety of morphological and functional changes, resulting from demanding and systematic physical training, to improve heart function as a pump and the ability of cardiovascular system to supply oxygen to muscles under exercise. Prevailing adjustments include: increase of end diastolic dimension of left ventricular cavity, of parietal thickness and of left ventricular mass, improvement of diastolic filling and heart rate reduction.</p>
      <p>Left ventricular hypertrophy develops was a compensatory or adaptative process to a hemodynamic stimulus, representing pressure and/or volume overload. The theory, which best describes hypertrophy patterns, takes into consideration that ventricular response is processed in a way to maintain ventricular parietal stress relatively constant and the suitable systolic volume.</p>
      <p>Physical exercise is a well-identified stimulus for left ventricular hypertrophy development. Structural changes, resulting from physical training, depend on nature, duration and intensity of the exercise. Many sports have been fundamentally classified in two big groups: endurance sports, in which isotonic or dynamic forms of exercise prevail, and strength sports, in which isometric or static forms of exercise prevail. However, athletic conditioning is rarely purely isotonic or isometric. Most physical activities involve a dynamic and static component, although with preponderance of one of them<sup>8,20-22</sup>.</p>
      <p>Another relevant aspect is that exercise-associated overload probably represents the primary mechanism responsible for cardiac structure changes. In animal models<sup>23</sup>, it has been observed that myocardial hypertrophy had a very close relation with hemodynamic overload intensity, whereas plasma and cardiac catecholamines and alpha- and beta-adrenergic activities exerted minimum effect.</p>
      <p>In addition to the type and intensity of exercise, other important determinants of athletic heart structure adjustments are the age, sex, race and the genetic component<sup>24,25</sup>. There is a consensus in literature that genetic factors should play an important role in ventricular hypertrophy development among athletes, in order to justify evident differences in cardiac changes and athletic performance, observed in individuals with the same anthropometric characteristics and submitted to the same level of training<sup>1,24,26</sup>. For Pelliccia<sup>27</sup>, hereditary factors influence cardiac dimensions, either through genetic control of hypertrophic response to athletic conditioning, or through genetic predisposition to support a more intensive physical training and reach higher performance levels during competition. Recently, Montgomery et al.<sup>28</sup> studied 400 army rookies before and after a 10-week period of strength and endurance training. At the end of the study, they observed an increase of the average left ventricular mass from 167 g to 197 g (an increase of 18%). Individuals were divided in three groups, according to angiotensin converting enzyme (ACE) genotype polymorphism: homozygotic insertion (I/I), heterozygotic insertion/deletion (I/D) and homozygotic deletion (D/D). The three groups, with deletion allele, had the greatest increase of left ventricular mass, which suggested that increased ACE levels play an important role in training-induced myocardial hypertrophy development.</p>
      <p>In this study, echocardiographic assessment of left ventricular systolic function, represented by ejection fraction (0.61 to 0.79, mean of 0.70&#177;0.05) and by the fiber systolic shortening percentage (33 to 49%, mean of 40%&#177;4), evidenced normal values in all cases, inclusively significantly higher than those from control group (0.53 to 0.73, mean of 0.60&#177;0.005, and 31 to 47%, mean of 36.0%&#177;4, respectively). Thos e findings are in accordance to results from many cross-section studies, which compared groups of athletes from most different sports with sedentary control individuals<sup>3,29-31</sup>.</p>
      <p>Two studies deserve special attention. Among endurance and strength sports athletes, it was observed that several non-invasive contractility indexes used to assess left ventricular function were normal, despite the pronounced increase of ventricular cavity and thickness<sup>30</sup>. Another study<sup>5</sup> assessed the echocardiographic dimension of left ventricular cavity in 1,309 elite athletes, from 38 different sports modalities. According to a cut-off arbitrary level of 60 mm, they considered that left ventricular cavity was substantially increased in 185 athletes (14%). All of them had global systolic left ventricular function within normality limits and did not show segmental parietal motility abnormalities. After a 1-to-12-year follow-up (average of 4.7 years), the 185 athletes remained asymptomatic and did not show cardiac performance anomaly. The main determinants of left ventricular cavity dimension were the larger body surface and the participation in certain endurance sports (cycling, cross-country skiing and canoeing).</p>
      <p>Results from assessment through magnetic resonance imaging (MRI) in this study equally show that, despite the increase of left ventricular mass and parietal thickness, athletes had normal ejection fraction (57 to 72%, average of 63.67%&#177;4.53). Normal findings of regional movement, assessed by tagging, and measurement of regional thickening reinforce the conclusion that there was no impairment of heart contractile strength or left ventricular performance. Pluim et al.<sup>32</sup> assessed cardiac anatomy, function and metabolism through magnetic resonance imaging and spectroscopy among highly trained cyclists and control individuals. Left ventricular mass and end diastolic volumes, indexed by body surface, were significantly higher among cyclists. However, left ventricular ejection fraction, cardiac index and systolic parietal stress did not differ from those among control individuals. Phosphocreatine/adenosine triphosphate index was similar in both groups. For the authors, those findings indicate that physical exercise-induced left ventricular hypertrophy is only physiological adjustment.</p>
      <p>Assessment of several echocardiographic of left ventricular diastolic function &#150; velocity of E and A waves of mitral flowchart, E/A rate, E wave deceleration time, and isovolumetric relaxation time &#150; in athletes from this study showed values uniformly within normality limits, under basal conditions.</p>
      <p>By using angiography with radionuclides, Granger et al.<sup>33</sup> observed that athletes did not show changes in left ventricular filling, although left ventricular mass was 43% greater than the one in sedentary control group.</p>
      <p>As opposed to athlete hypertrophy, diastolic ventricular dysfunction is identified in the vast majority of patients with systemic hypertension or hypertrophic myocardiopathy, regardless of hypertrophy level, presence of symptoms or outlet way blocking<sup>32</sup>.</p>
      <p>Myocardial texture nature, like echo intensity, can be examined in many ways. The simple codification through the color or pathological myocardial reflectivity shows an increase of fibrosis-associated echo amplitude. On the other hand, in athlete hypertrophy, echo amplitude or ultrasonic myocardial reflectivity are within normal limits, suggesting that physiological hypertrophy does not come along with fibrosis and other structural changes, observed under pathological conditions<sup>33</sup>.</p>
      <p>Response to exercise &#150; It has been acknowledged for a long time that, under presence of left ventricular hypertrophy, exercise tests may show changes of ST-T typical of ischemic response due to disproportion between oxygen offer and consumption, even in absence of obstructive coronary atherosclerotic disease. In patients with left ventricular hypertrophy and normal coronary arteries at angiographic study, exercise treadmill test with typical ischemic response were reported in 38%<sup>37</sup> and 58%<sup>38</sup> of individuals.</p>
      <p>In the present study, exercise treadmill test did not evidence, in any case, ischemic response to exercise, nor symptoms, arrhythmias, abnormal behavior of heart rate or ventricular function were observed. Those results indicate that left ventricular hypertrophy does not induce to disproportion between oxygen offer and consumption, even under maximum exercise conditions. Such findings are in accordance to those reported among long distance runners<sup>2</sup>, basketball players<sup>3</sup> and professional soccer players<sup>29</sup>, many of which had documented left ventricular hypertrophy.</p>
      <p>Maximum oxygen consumption (VO<sub>2</sub> max) is the main indicator of those adjustments and probably the most objective single indicator of physical training level. While a normal young adult, non-athlete, shows VO<sub>2</sub> max of approximately 35 ml/kg/min, among endurance athletes, that variable increases significantly (50%, in average)<sup>22,24,30</sup>, sometimes exceeding 70ml/kg/min<sup>20,21</sup>.</p>
      <p>Physical capacity of the 30 athletes was determined through maximum oxygen consumption (VO<sub>2</sub> max), indirectly obtained, and its equivalent in MET. Fifteen athletes were randomly selected to be submitted to MRI, through direct measurement of O<sub>2</sub> consumption. Result classification was based on O<sub>2</sub> consumption table elaborated by Barros et al.<sup>19</sup>, subdivided in four categories: unconditioned, conditioned, well-conditioned and elite athlete<italic>.</italic> Indexes achieved in this work were from well-conditioned athletes.</p>
      <p>Many studies demonstrated that changes in left ventricular mass and ventricular cavity size with physical training and conditioning take place simultaneously with changes of VO<sub>2</sub> max<sup>32,36,37,38</sup>, strongly suggesting that ventricular hypertrophy is associated with a better cardiac function<sup>20</sup>.</p>
      <p>Summarizing, results from this study evidenced that left ventricular hypertrophy of marathoners, with excellent level of training, has normal left ventricular function, both systolic and diastolic, high oxygen consumption and does not show anomalous responses at exercise treadmill test.</p>
      <p>The reasons why left ventricular hypertrophy (LVH) of athletes has clearly different characteristics from hypertrophy associated to hypertension, hypertrophic cardiomyopathy and other pathological conditions, are not established, but some suggestions may be given, based on clinical and/or experimental findings.</p>
      <p>The first and, probably, the most important is that pressure and volume overload resulting from intensive physical training only represents a hemodynamic stimulus for LVH development, without necessarily being followed by neurohumoral changes, as occurring in pathological hypertrophies. Experiments with animals<sup>23</sup> showed that exercise-associated hemodynamic overload is closely related with myocardial hypertrophy, whereas cardiac and plasma catecholamines and alpha- and beta-adrenergic activity only exert discreet effect.</p>
      <p>More recent studies, using animal models with volume overload without activation of rennin-angiotensin system, induced myocytes hypertrophy, but not myocardial fibrosis. So, the main initial stimulus for myocardial hypertrophy is mechanical straining, whereas fibrosis-resulting stimuli are humoral<sup>21,22,27</sup>. Consequently, athlete's hypertrophy seems to be restricted to myocytes, without changing extracellular matrix and without causing interstitial fibrosis<sup>1,20,21</sup>. Some studies proved, through color codification or through ultrasonic myocardial reflectivity that pathologically hypertrophied myocardium shows and increase of fibrosis-associated echo amplitude, which does not happen in ventricular hypertrophy of athletes<sup>34</sup>.</p>
      <p>During physical training, sympathetic nervous system is activated. However, in rest periods, much longer every day, vagal preponderance<sup>21,22</sup> takes place that, probably, compensates for deleterial effects of catecholamines in myocardium, as well as activation of other neurohormonal systems by sympathetic nervous system.</p>
      <p>The increase in the number of mitochondrias, capillary neoformation, normal activity of myosin ATPase observed in hypertrophied myocardium due to physical training, prevent from the disproportion between oxygen offer and consumption and the occurrence of ischemia, as opposed to what was observed in pathological hypertrophies<sup>21,22</sup>.</p>
      <p>Results from the present study, in a group of marathoners in a full sports activity period, allow for concluding that left ventricular hypertrophy observed in those athletes, assessed through non-invasive methods, represents an adaptative response to intensive and prolonged physical training, with purely physiological characteristics.</p>
      <p>
        <bold>Acknowledgements</bold>
      </p>
      <p>To Drs. Daniel J. Daher, Almir S. Ferraz, Mohamed Saleh, Romeu Sergio Meneghelo, Sergio C. Pontes and H&#233;lio J. Schwartz, for their cooperation.</p>
      <p>
        <bold>REFERENCES</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="back10-body2" fn-type="corresp">
          <label>
            <bold>Correspondence to</bold>
          </label>
          <p>Nabil Ghorayeb</p>
          <p> Rua Bom Pastor, 1163</p>
          <p> 04203-051</p>
          <p> S&#227;o Paulo, SP - Brazil</p>
          <p> E-mail: </p>
          <p>
            <email xlink:href="ghorayeb@cardiol.br">ghorayeb@cardiol.br</email>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Received on 09/12/04</p>
      <p> Accepted on 03/04/05</p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
