<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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    <journal-meta>
      <journal-id journal-id-type="publisher-id">abc</journal-id>
      <journal-title-group>
        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
      </journal-title-group>
      <issn pub-type="ppub">0066-782X</issn>
      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
      </publisher>
    </journal-meta>
    <article-meta>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">69NTNdTsvxk9GrVLWyM73GG</article-id>
      <article-id pub-id-type="other">00012</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2005000600012</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(05)08400612</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2005000600012</article-id>
      <article-categories>
        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Correla&#231;&#227;o Anatomocl&#237;nica</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title>Caso 3/2005 - Parada card&#237;aca em atividade el&#233;trica sem pulso, em homem de 49 anos, no 23&#186; dia ap&#243;s infarto agudo</article-title>
        <trans-title-group xml:lang="en">
          <trans-title>Cardiac arrest in pulseless electric activity in a 49 year-old man in the 23th day post acute myocardial infarction</trans-title>
        </trans-title-group>
      </title-group>
      <contrib-group>
        <contrib contrib-type="author">
          <name>
            <surname>Favarato</surname>
            <given-names>Desid&#233;rio</given-names>
          </name>
        </contrib>
        <contrib contrib-type="author">
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            <surname>Gutierrez</surname>
            <given-names>Paulo Sampaio</given-names>
          </name>
        </contrib>
      </contrib-group>
      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>06</month>
        <year>2005</year>
      </pub-date>
      <volume>84</volume>
      <issue>6</issue>
      <fpage>492</fpage>
      <lpage>494</lpage>
      <permissions>
        <license license-type="open-access" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/" xml:lang="en">
          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
        </license>
      </permissions>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>28</day>
        <month>06</month>
        <year>2005</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <p>
      <bold>CORRELA&#199;&#195;O ANATOMOCL&#205;NICA</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Caso 3/2005 - Parada card&#237;aca em atividade el&#233;trica sem pulso, em homem de 49 anos, no 23&#186; dia ap&#243;s infarto agudo (Instituto do Cora&#231;&#227;o do Hospital das Cl&#237;nicas - FMUSP, S&#227;o Paulo) </bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Cardiac arrest in pulseless electric activity in a 49 year-old man in the 23<sup>th</sup> day post acute myocardial infarction</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Desid&#233;rio Favarato; Paulo Sampaio Gutierrez </bold>
    </p>
    <p>S&#227;o Paulo, SP</p>
    <p> Homem de 49 anos procurou atendimento m&#233;dico por dor precordial de tr&#234;s dias de dura&#231;&#227;o. Sabia ser portador de hipertens&#227;o arterial e era tabagista, com consumo de 30 cigarros di&#225;rios.</p>
    <p>Relatava o paciente que, sem antes nada sentircome&#231;ou a apresentar dor precordial cont&#237;nua e epig&#225;strica, em queima&#231;&#227;o, sem rela&#231;&#227;o com esfor&#231;os, e houve aumento da intensidade no 3&#186; dia, quando procurou atendimento m&#233;dico. </p>
    <p>O exame f&#237;sico (26/06/03) foi normal, a freq&#252;&#234;ncia card&#237;aca foi 68 bpm e a press&#227;o arterial 130x80 mmHg. </p>
    <p>O eletrocardiograma (ECG) (26/06/03) revelou ritmo sinusal, freq&#252;&#234;ncia de 83 bpm, S&#194;P=+50&#186; para frente, S&#194;QRS=+30 paralelo; sobrecarga ventricular esquerda; ondas Q patol&#243;gicas em dIII e aVF e discreto supradesnivelamento em aVL e V<sub>6, </sub>V<sub>7</sub> e V<sub>8</sub>, compat&#237;vel com infarto agudo do mioc&#225;rdio &#237;nfero-latero-dorsal (<xref ref-type="fig" rid="fig01">fig. 1</xref>). </p>
    <fig id="fig01">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-84-06-0492-00012-gf01.jpg"/></fig>
    <p>O pico de CKMB foi de 32,8 ng/ml (27/06/03), com volta aos valores normais em 29/06/03 e o pico de troponina foi 67,2 ng/ml. </p>
    <p>A creatinina era de 1 mg/dl, hemoglobina 12 g/dl, hemat&#243;crito 35%, leuc&#243;citos 11.400/mm<underline>&gt;</underline>, sem desvio a esquerda, plaquetas de 405.000/mm<underline>&gt;</underline>, colesterol=139 mg/dl (HDL-colesterol de 23 mg/dl, LDL-colesterol de 97 mg/dl), triglic&#233;rides de 96 mg/dl. </p>
    <p>Foi feito o diagn&#243;stico de infarto do mioc&#225;rdio em evolu&#231;&#227;o e indicada cineangiocoronariografia (27/06/03), a qual revelou les&#227;o de 95% em segmento proximal da coron&#225;ria direita, les&#227;o de 90% no ter&#231;o m&#233;dio da descendente anterior, les&#245;es de 90% na 1&#170; e 2&#170; diagonais, circunflexa com 40%, 1&#186; ramo marginal com les&#227;o de 80% e oclus&#227;o de 2&#186; ramo marginal esquerdo (<xref ref-type="fig" rid="fig02a">fig. 2A</xref>, <xref ref-type="fig" rid="fig02a">B</xref>, <xref ref-type="fn" rid="fig02c">C</xref>).</p>
    <fig id="fig02a">
      <graphic xlink:href="https://minio.scielo.br/documentstore/1678-4170/69NTNdTsvxk9GrVLWyM73GG/3b58a0a6fe3cd8df575cc3fee6adbbabcf205000.gif"/>
    <graphic xlink:href="1678-4170-abc-84-06-0492-00012-gf02.jpg"/></fig>
    <p>Foi realizada angioplastia com cateter-bal&#227;o no 2&#186; ramo marginal esquerdo, sem interposi&#231;&#227;o de <italic>stent</italic>, com baixo fluxo p&#243;s-procedimento (TIMI 2) (<xref ref-type="fn" rid="fig02c">fig. 2D</xref>).</p>
    <p>O ecocardiograma (30/06/03) revelou espessuras de septo e parede posterior normais (10 mm), di&#226;metro diast&#243;lico de ventr&#237;culo esquerdo normal (50 mm), fra&#231;&#227;o de eje&#231;&#227;o de ventr&#237;culo esquerdo com diminui&#231;&#227;o moderada (40%) por acinesia l&#225;tero-posterior e hipocinesia inferior. </p>
    <p>O paciente evoluiu em Killip I, sem complica&#231;&#245;es, e permaneceu internado aguardando cirurgia de revasculariza&#231;&#227;o mioc&#225;rdica. </p>
    <p>No 20&#186; dia da interna&#231;&#227;o, ap&#243;s execu&#231;&#227;o de enema de rotina no preparo pr&#233;-operat&#243;rio, apresentou mal-estar geral e parada cardiorespirat&#243;ria com atividade el&#233;trica sem pulso, n&#227;o havendo resposta &#224;s manobras de ressuscita&#231;&#227;o, tendo falecido (15/07/03). </p>
    <p>
      <bold>Aspectos cl&#237;nicos</bold>
    </p>
    <p>Trata-se de paciente de 49 anos, portador de hipertens&#227;o arterial, tabagista e com HDL-colesterol baixo, cuja primeira manifesta&#231;&#227;o de doen&#231;a coronariana foi uma das s&#237;ndromes isqu&#234;micas agudas, o infarto do mioc&#225;rdio, apresenta&#231;&#227;o inicial presente em cerca de 50% dos indiv&#237;duos <sup>1</sup>. Foi submetido a cineangiografia coronariana e reperfus&#227;o mec&#226;nica da art&#233;ria culpada pelo uso de angioplastia por cateter-bal&#227;o. A angioplastia n&#227;o foi bem sucedida, com fluxo TIMI 2; a evolu&#231;&#227;o foi sem complica&#231;&#245;es at&#233; que apresentou colapso cardiovascular com atividade el&#233;trica sem pulso. </p>
    <p>A mortalidade hospitalar no infarto agudo do mioc&#225;rdio &#233; maior em idosos, mulheres, infartos extensos e menores graus de reperfus&#227;o coron&#225;ria. </p>
    <p>O grau de reperfus&#227;o &#233; definido pelos crit&#233;rio de fluxo distal: TIMI grau 0 - sem aparente perfus&#227;o distal &#224; obstru&#231;&#227;o; TIMI grau 1 - presen&#231;a de perfus&#227;o m&#237;nima e incompleta ao redor da obstru&#231;&#227;o; TIMI grau 2 - perfus&#227;o parcial com progress&#227;o lenta do contraste; e TIMI grau 3 - perfus&#227;o completa, com fluxo distal com velocidade normal de clareamento. Resumidamente, TIMI 0/1 - n&#227;o perfus&#227;o, TIMI 2- perfus&#227;o parcial e TIMI 3-perfus&#227;o completa. H&#225; aumento progressivo da mortalidade a partir dos fluxos TIMI 3 at&#233; o fluxoTIMI 0/1, aumento da mortalidade de 50% e 100%, respectivamente nos fluxos TIMI 2 e TIMI 0/1. Al&#233;m disso, h&#225; maior recupera&#231;&#227;o da motilidade da parede infartada e menor incid&#234;ncia de insufici&#234;ncia card&#237;aca com fluxo grau 3<sup>2</sup>. Assim, o paciente ora em discuss&#227;o apresentava unicamente como fator de mau progn&#243;stico no infarto agudo do mioc&#225;rdio a reperfus&#227;o incompleta da art&#233;ria culpada, pois era do sexo masculino, com idade inferior a 65 anos, pequena extens&#227;o do infarto, com pico de CKMB de 32 ng/ml e evolu&#231;&#227;o em classe cl&#237;nica de Killip I. No estudo GUSTO - I, a mortalidade foi de 5,1% em pacientes em classe I de Killip, 13,6% quando em classe II, 32,2% na classe III e 57,8% na classe IV<sup>3</sup>. </p>
    <p>O estudo cineangiogr&#225;fico revelou obstru&#231;&#227;o acentuada nas por&#231;&#245;es epic&#225;rdicas da coron&#225;ria direita e dos ramos interventricular anterior e circunflexo da coron&#225;ria esquerda. Houve insucesso da angioplastia do 2&#186; ramo marginal esquerdo. Este quadro justificou a indica&#231;&#227;o de tratamento cir&#250;rgico, pois o paciente apresentava les&#245;es em tr&#234;s vasos, com infarto em tempo inferior a seis meses, per&#237;odo de alto risco de complica&#231;&#245;es (at&#233; 40%). Por isso, este subgrupo de pacientes foi sistematicamente exclu&#237;do dos estudos randomizados de compara&#231;&#227;o entre tratamentos cl&#237;nico-medicamentoso e procedimentos de revasculariza&#231;&#227;o mioc&#225;rdica. </p>
    <p>Quanto &#224;s causas de morte no primeiro infarto agudo, a fal&#234;ncia de bomba &#233; a mais freq&#252;ente, seguida pela ruptura e arritmias, desde o 1&#186; dia at&#233; a 3&#170; semana p&#243;s-infarto. O reinfarto &#233; duas vezes mais freq&#252;ente nos que morrem por fal&#234;ncia de bomba e por arritmia do que naqueles que sofrem ruptura<sup> 4</sup>. </p>
    <p>O paciente n&#227;o apresentava sinais ou sintomas de fal&#234;ncia de bomba, o que leva a exclus&#227;o dessa causa de morte. Restam a ocorr&#234;ncia de arritmia ventricular maligna, taquicardia e fibrila&#231;&#227;o ventricular ou assistolia. Esta &#250;ltima poderia ocorrer por intenso est&#237;mulo vagal originado pelo enema. Contudo, n&#227;o foram constatadas durante o atendimento no evento final, quando foi registrada atividade el&#233;trica sem pulso. </p>
    <p>A atividade el&#233;trica sem pulso pode ser encontrada em quase metade dos pacientes que sofrem parada card&#237;aca<sup>5</sup>. Suas causas s&#227;o choque grave, hemorragia intensa por ruptura arterial, como na dissec&#231;&#227;o de aorta, tromboembolismo pulmonar maci&#231;o, pneumot&#243;rax e o tamponamento card&#237;aco por ruptura de parede livre do ventr&#237;culo. Nesses pacientes, at&#233; 60% dos casos s&#227;o por causas cardiovasculares, entre as principais encontram-se o infarto agudo do mioc&#225;rdio em 21% dos casos, 9,5% por hemorragia, tanto por dissec&#231;&#227;o a&#243;rtica quanto por ruptura ventricular e 2,4% por tromboembolismo pulmonar<sup>5</sup>. </p>
    <p>Na situa&#231;&#227;o cl&#237;nica espec&#237;fica do paciente em discuss&#227;o, a causa mais prov&#225;vel do evento final seria o tamponamento por ruptura da parede livre do ventr&#237;culo esquerdo. Essa complica&#231;&#227;o ocorre mais freq&#252;entemente em pacientes idosos, do sexo feminino e hipertensos, s&#243; a &#250;ltima presente no caso atual. Outro fato menos habitual foi o tempo da ruptura, ap&#243;s a 1&#170; semana. A maioria das rupturas ocorre at&#233; o 5&#186; dia ap&#243;s o infarto agudo. A intensa atividade inflamat&#243;ria na regi&#227;o infartada enfraquece a parede ventricular, (inicialmente temos infiltrado de polimorfonucleares, com pico no 2&#186; dia, logo substitu&#237;do pelos macr&#243;fagos, cuja atividade &#233; mais intensa entre o 4&#186; e 5&#186; dias ap&#243;s o infarto). Os macr&#243;fagos s&#227;o respons&#225;veis pela secre&#231;&#227;o das metaloproteinases da matriz extracelular, incluindo estromelisina, colagenases, elastases e gelatinases<sup>6</sup>. Enquanto a atividade angiog&#234;nica &#233; mais intensa entre o 6&#186; e 7&#186; dias e a atividade secretora de col&#225;geno atinge o pico somente ao redor do 30&#186; dia. </p>
    <p>
      <bold>(Dr. Desid&#233;rio Favarato) </bold>
    </p>
    <p><bold>Hip&#243;teses diagn&#243;sticas: </bold>infarto agudo do mioc&#225;rdio complicado por ruptura de parede livre de ventr&#237;culo esquerdo; reinfarto com morte s&#250;bita. </p>
    <p>
      <bold>(Dr. Desid&#233;rio Favarato) </bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Necropsia</bold>
    </p>
    <p>&#192; necropsia, a doen&#231;a mais importante era a aterosclerose coronariana, que causava obstru&#231;&#227;o superior a 90% em todos os ramos principais, chamando a aten&#231;&#227;o o fato de que as les&#245;es ateroscler&#243;ticas tinham pouca gordura, constituindo-se de placas fibr&#243;ticas, duras (<xref ref-type="fig" rid="fig03">fig.3</xref>). Isso talvez tenha rela&#231;&#227;o com o insucesso da angioplastia realizada no ramo marginal esquerdo</p>
    <fig id="fig03">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-84-06-0492-00012-gf03.jpg"/></fig>
    <p>Como conseq&#252;&#234;ncia da aterosclerose coronariana, ocorreu infarto do mioc&#225;rdio na regi&#227;o l&#225;tero-posterior do ventr&#237;culo esquerdo. Seu aspecto morfol&#243;gico, com tecido de granula&#231;&#227;o na vizinhan&#231;a da &#225;rea de mioc&#225;rdio preservado, &#233; compat&#237;vel com evolu&#231;&#227;o de aproximadamente tr&#234;s semanas. </p>
    <p>Houve ruptura da parede lateral do ventr&#237;culo esquerdo na &#225;rea infartada; a morte foi decorrente de tamponamento card&#237;aco (<xref ref-type="fig" rid="fig04">fig. 4</xref>). </p>
    <fig id="fig04">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-84-06-0492-00012-gf04.jpg"/></fig>
    <p>Encontrou-se ainda sinais de hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica - a saber, arteriosclerose renal e hipertrofia conc&#234;ntrica do ventr&#237;culo esquerdo.</p>
    <p>
      <bold>(Dr. Paulo Sampaio Gutierrez)</bold>
    </p>
    <p><bold>Diagn&#243;sticos anatomopatol&#243;gicos - Doen&#231;a principal</bold>: aterosclerose coronariana - infarto do mioc&#225;rdio. <bold>Causa mortis</bold>: tamponamento card&#237;aco decorrente de ruptura da parede ventricular infartada. </p>
    <p>
      <bold>(Dr. Paulo Sampaio Gutierrez)</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Coment&#225;rio</bold>
    </p>
    <p>A <xref ref-type="table" rid="tab01">tabela I</xref> mostra dados referentes aos casos de ruptura ventricular para a cavidade peric&#225;rdica devida a infarto, presentes em necropsias realizadas no Laborat&#243;rio de Anatomia Patol&#243;gica do Instituto do Cora&#231;&#227;o entre 2002 e 2004. Houve 14 casos. Em compara&#231;&#227;o com dados anteriores do mesmo servi&#231;o<sup>7</sup>, em que mais de 70% das rupturas atingiam mulheres, na s&#233;rie atual metade dos casos pertencia a cada g&#234;nero. De todo modo, isso ainda aponta para uma propor&#231;&#227;o maior de mulheres com esta complica&#231;&#227;o, pois elas correspondem a fra&#231;&#227;o menor que a de homens no total de mortes por doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o.</p>
    <table-wrap id="tab01">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-84-06-0492-00012-gt01.jpg"/></table-wrap>
    <p>Cerca de 80% das rupturas ocorreram no primeiro epis&#243;dio de infarto do mioc&#225;rdio (ou seja, apenas o restante dos pacientes tinham outro infarto, j&#225; cicatrizado). Igual foi a porcentagem de hipertensos; por outro lado, apenas pouco mais de 20% eram diab&#233;ticos. A ruptura ocorreu mais comumente nos primeiros dias de evolu&#231;&#227;o p&#243;s-infarto, com m&#233;dia de 5,36 dias e mediana de 4; o caso em discuss&#227;o, no qual aconteceu do 23&#186; dia, &#233; o de mais longa evolu&#231;&#227;o. Al&#233;m disso, o paciente era um dos mais jovens. </p>
    <p>Em oito casos, n&#227;o houve qualquer interven&#231;&#227;o terap&#234;utica nas art&#233;rias coron&#225;rias registrada no relat&#243;rio de necropsia (note-se que &#233; poss&#237;vel, embora improv&#225;vel, que a interven&#231;&#227;o possa ter ocorrido mas n&#227;o anotada nesse documento). Nos demais, tr&#234;s casos tinham sido submetidos a tromb&#243;lise (um dos quais com revasculariza&#231;&#227;o cir&#250;rgica do mioc&#225;rdio anos antes), duas angioplastias, ambas sem sucesso (o caso atual e outro, com revasculariza&#231;&#227;o cir&#250;rgica anos antes) e uma revasculariza&#231;&#227;o cir&#250;rgica entre a instala&#231;&#227;o do infarto e a ruptura. </p>
    <p>Em conformidade com outros dados da literatura<sup>8</sup>, a ruptura atinge mais freq&#252;entemente a parede lateral do ventr&#237;culo esquerdo, correspondendo a cerca de 15% dos casos de &#243;bito no 1&#186; m&#234;s ap&#243;s infarto dessa regi&#227;o. </p>
    <p>
      <bold>(Dr. Paulo Sampaio Gutierrez)</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Refer&#234;ncias</bold>
    </p>
    <p> 1. Manfroi WC, Peukert C, Berti CB et al. Acute myocardial infarction. The first manifestation of ischemic heart disease and relation to risk factors. Arq Bras Cardiol 2002; 78: 392-5. </p>
    <p>2. Lincoff AM, Topol EJ, Califf RM et al. Significance of a coronary artery with thrombolysis in myocardial infarction grade 2 flow "patency" (outcome in the thrombolysis and angioplasty in myocardial infarction trials). Thrombolysis and Angioplasty in Myocardial Infarction Study Group. Am J Cardiol 1995; 75: 871-6. </p>
    <p>3. Lee KL, Woodlief LH, Topol EJ et al for the GUSTO-I Investigators. Predictors of 30-day mortality in the era of reperfusion for acute myocardial infarction. Results from an international trial of 41,021 patients. Circulation 1995; 91: 1659-68. </p>
    <p>4. Stevenson WG, Linssen GC, Havenith MG, Brugada P, Wellens HJ. The spectrum of death after myocardial infarction: a necropsy study. Am Heart J 1989; 118: 1182-8. </p>
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    <p><bold>Editor da Se&#231;&#227;o:</bold> Alfredo Jos&#233; Mansur (<email xlink:href="ajmansur@incor.usp.br">ajmansur@incor.usp.br</email>) </p>
    <p><bold>Editores Associados:</bold> Desid&#233;rio Favarato (<email xlink:href="dclfavarato@incor.usp.br">dclfavarato@incor.usp.br</email>) </p>
    <p> Vera Demarchi Aiello (<email xlink:href="anpvera@incor.usp.br">anpvera@incor.usp.br</email>) </p>
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