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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
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        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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          <subject>Editorial</subject>
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        <article-title>O progn&#243;stico da insufici&#234;ncia card&#237;aca no Brasil: a busca de dados confi&#225;veis e representativos</article-title>
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          <trans-title>The prognosis of heart failure in Brazil: the search for reliable and representative data</trans-title>
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            <surname>Rohde</surname>
            <given-names>Luis E.</given-names>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio Grande do Sul</institution>
        <institution content-type="orgdiv1">Hospital de Cl&#237;nicas de Porto Alegre </institution>
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        <month>04</month>
        <year>2005</year>
      </pub-date>
      <volume>84</volume>
      <issue>4</issue>
      <fpage>281</fpage>
      <lpage>282</lpage>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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        <day>02</day>
        <month>05</month>
        <year>2005</year>
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    <p>
      <bold>EDITORIAL</bold>
    </p>
    <p>O progn&#243;stico da insufici&#234;ncia card&#237;aca no Brasil: a busca de dados confi&#225;veis e representativos </p>
    <p>
      <bold>The prognosis of heart failure in Brazil: the search for reliable and representative data</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Luis E. Rohde</bold>
    </p>
    <p> Porto Alegre, RS</p>
    <p>Hospital de Cl&#237;nicas de Porto Alegre - UFRGS </p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="end">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>Apesar dos inquestion&#225;veis avan&#231;os terap&#234;uticos alcan&#231;ados nas &#250;ltimas duas d&#233;cadas, insufici&#234;ncia card&#237;aca (IC) continua sendo respons&#225;vel por elevada morbidade e mortalidade em todo mundo <sup>1</sup>. Embora estudos nacionais sejam escassos, e n&#227;o necessariamente representativos de todo o pa&#237;s, dados pontuais sugerem que o impacto epidemiol&#243;gico e funcional da IC no Brasil seja de magnitude similar aquela encontrada em outros pa&#237;ses <sup>2</sup>. Neste contexto, o entendimento dos aspectos progn&#243;sticos da s&#237;ndrome sempre foi motivo de intensa investiga&#231;&#227;o cient&#237;fica <sup>3</sup>. Isto se baseia no conceito l&#243;gico, embora pouco comprovado, que o conhecimento da hist&#243;ria natural e dos potenciais fatores de risco relacionado com sua morbi-letalidade seja fundamental para o estabelecimento de novas abordagens terap&#234;uticas e para prioriza&#231;&#227;o de estrat&#233;gias de tratamento comprovadamente ben&#233;ficos. Dessa forma, a literatura cient&#237;fica est&#225; repleta de estudos observacionais de cunho progn&#243;stico, alguns bem planejados e delineados, outros nem tanto, e que oferecem in&#250;meros preditores cl&#237;nicos e laboratoriais de risco, presumivelmente de forma independente. </p>
    <p>A compila&#231;&#227;o destas informa&#231;&#245;es, entretanto, por vezes gera mais confus&#227;o do que esclarecimento para o cardiologista cl&#237;nico que simplesmente busca identificar qual paciente ter&#225; de fato pior evolu&#231;&#227;o cl&#237;nica. Uma an&#225;lise mais detalhada dos diversos estudos progn&#243;sticos nos demonstra resultados habitualmente n&#227;o consensuais e, algumas vezes, at&#233; contradit&#243;rios <sup>4</sup>. As explica&#231;&#245;es para esta aparente inconsist&#234;ncia s&#227;o m&#250;ltiplas. Primeiramente, a complexidade fisiopatol&#243;gica da s&#237;ndrome e a profunda inter-rela&#231;&#227;o entre os diversos sistemas regulat&#243;rios permitem que in&#250;meras caracter&#237;sticas cl&#237;nicas e laboratoriais - em verdade, mais de cem preditores j&#225; foram relatados - tenham a capacidade de predizer risco quando analisados individualmente <sup>3,4</sup>. A determina&#231;&#227;o de quais destes fatores se associa de forma independente com progn&#243;stico &#233; tarefa complexa do ponto de vista estat&#237;stico, em parte pela intensa colinearidade entre as diferentes vari&#225;veis. Ainda mais, muitos estudos carecem de poder estat&#237;stico adequado, realizam an&#225;lises retrospectivas de banco de dados incompletos ou pouco confi&#225;veis, ficando limitados na sele&#231;&#227;o e identifica&#231;&#227;o dos potenciais preditores de risco. Por fim, a an&#225;lise retrospectiva de dados derivados de grandes ensaios cl&#237;nicos, uma estrat&#233;gia freq&#252;ente nesta &#225;rea de investiga&#231;&#227;o, muitas vezes n&#227;o traduz de forma fiel a gravidade e as reais caracter&#237;sticas dos pacientes que vemos na nossa pr&#225;tica cl&#237;nica di&#225;ria. </p>
    <p>Nesta edi&#231;&#227;o dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, Rassi e cols. apresentam dados prospectivos de uma coorte de 204 pacientes com IC atendidos na regi&#227;o metropolitana de Goi&#225;s, cidade no centro-oeste brasileiro, e que foram acompanhados por aproximadamente 4 anos <sup>5</sup>. A amostra em estudo foi cuidadosamente selecionada incorporando apenas pacientes com in&#237;cio recente dos sintomas e com disfun&#231;&#227;o ventricular sist&#243;lica documentada. Mas afinal, ser&#225; que os achados de Rassi e cols. de fato acrescentam informa&#231;&#245;es cientificamente relevantes em um cen&#225;rio de investiga&#231;&#227;o relativamente confuso, mas j&#225; repleto de avalia&#231;&#245;es similares? </p>
    <p>Os m&#233;ritos do estudo s&#227;o de fato indubit&#225;veis! A op&#231;&#227;o dos autores por avaliar apenas pacientes com in&#237;cio dos sintomas nas &#250;ltimas 6 semanas e predominantemente referenciados pela rede p&#250;blica de atendimento limita, pelo menos parcialmente, um dos principais vieses de estudos de sobrevida em IC: a incorpora&#231;&#227;o de pacientes em diferentes est&#225;gios da hist&#243;ria natural da doen&#231;a. Com esta abordagem, os autores nos relatam sobrevida de 91% e 70% em 1 e 4 anos de acompanhamento, respectivamente. Estes dados se comparam de forma extremamente favor&#225;vel com outros achados da literatura. Cowie e cols., em estudo similar que avaliou programas de aten&#231;&#227;o prim&#225;ria na Inglaterra, descrevem mortalidade significativamente pior para IC de diagn&#243;stico recente, quando apenas 62% dos pacientes estavam vivos ap&#243;s um ano de seguimento <sup>6</sup>. Os resultados apresentados por Rassi e cols. talvez representem a primeira evid&#234;ncia consistente de melhora progn&#243;stica com o tratamento "moderno" da IC no Brasil, incorporando os benef&#237;cios cl&#237;nicos do uso de inibidores da enzima de convers&#227;o da angiotensina, betabloqueadores, antagonistas da aldosterona e desfibriladores card&#237;acos. O estudo, entretanto, n&#227;o deixa claro o percentual de utiliza&#231;&#227;o de cada uma dessas interven&#231;&#245;es, o que poderia esclarecer em parte as raz&#245;es do progn&#243;stico t&#227;o benigno. Deve-se ressaltar tamb&#233;m que os pacientes foram aparentemente manejados em cl&#237;nica especializada, possivelmente multidisciplinar, por cardiologistas com experi&#234;ncia no manejo da IC. Este ambiente certamente n&#227;o reproduz a realidade de tratamento da maioria dos pacientes acometidos por IC no Brasil. </p>
    <p>Dentre os preditores progn&#243;sticos encontrados nesta an&#225;lise, certamente se destaca o impressionante risco associado a etiologia chag&#225;sica. Os investigadores demonstram que a presen&#231;a desta etiologia implica em incremento de 10 vezes no risco de morte. Embora os intervalos de confian&#231;a desta associa&#231;&#227;o sejam amplos, este achado, al&#233;m de sua magnitude, merece reflex&#227;o profunda. A possibilidade que diferentes etiologias possam ter impacto progn&#243;stico vem sendo explorada por in&#250;meros investigadores. Embora os achados n&#227;o sejam consensuais, o corpo das evid&#234;ncias sugere que pacientes com etiologia isqu&#234;mica tenham curso desfavor&#225;vel em rela&#231;&#227;o aqueles com miocardiopatia idiop&#225;tica <sup>3</sup>. A sobrevida em pacientes com miocardiopatia chag&#225;sica tamb&#233;m parece cursar de forma adversa. Mady e cols. relatam taxas de mortalidade em um ano de apenas 66% em pacientes jovens com IC de origem chag&#225;sica <sup>7</sup>. De forma similar, Bestetti e cols. demonstram mortalidade quase 4 vezes maior para pacientes chag&#225;sicos quando comparados aos n&#227;o chag&#225;sicos <sup>8</sup>. Nenhum outro estudo, entretanto, demonstrou tamanha magnitude de associa&#231;&#227;o da origem chag&#225;sica da miocardiopatia com mortalidade. &#201; necess&#225;rio que se esclare&#231;a porque em uma coorte de pacientes com IC com progn&#243;stico relativamente benigno, aqueles de origem chag&#225;sica permanecem com evolu&#231;&#227;o t&#227;o desfavor&#225;vel. &#201; plaus&#237;vel especular que as estrat&#233;gias de tratamento derivadas de ensaios cl&#237;nicos internacionais que avaliam predominantemente pacientes com etiologia isqu&#234;mica, hipertensiva e idiop&#225;tica n&#227;o se traduzam em benef&#237;cios cl&#237;nicos substanciais em pacientes de etiologia chag&#225;sica. Nesse sentido, teria sido esclarecedor se os investigadores tivessem descrito de forma detalhada as caracter&#237;sticas cl&#237;nicas e de tratamento estratificadas por etiologia, bem como a forma de morte dos pacientes em estudo. </p>
    <p>Outro preditor de risco de mortalidade identificado por Rassi e cols. que merece discuss&#227;o &#233; a presen&#231;a de 3&#170; bulha. Este achado cl&#237;nico est&#225; associado a press&#245;es de enchimento ventricular elevadas <sup>9</sup> e j&#225; foi descrito como marcador progn&#243;stico independente em an&#225;lise retrospectiva do ensaio cl&#237;nico SOLVD <sup>10</sup>. Os mecanismos pelos quais sinais e sintomas de IC predizem mortalidade n&#227;o est&#227;o completamente esclarecidos, mas podem estar relacionados ao desbalan&#231;o hemodin&#226;mico associado com congest&#227;o cl&#237;nica. Eleva&#231;&#227;o de press&#245;es de enchimento de cavidades esquerdas e direitas j&#225; foi associada com progn&#243;stico reservado na IC cr&#244;nica <sup>11</sup>. A indu&#231;&#227;o de apoptose de mi&#243;citos e ativa&#231;&#227;o do sistema simp&#225;tico podem ser implicados como mecanismos plaus&#237;veis pelos quais congest&#227;o poderia estar associada com pior evolu&#231;&#227;o cl&#237;nica <sup>12</sup>. As evid&#234;ncias geradas por estes estudos, incluindo o achado de Rassi e cols. em pacientes com in&#237;cio recente dos sintomas, refor&#231;am a necessidade para treinamento cont&#237;nuo da equipe m&#233;dica para realiza&#231;&#227;o de exames cl&#237;nicos detalhados, confi&#225;veis e reprodut&#237;veis. </p>
    <p>As potenciais explica&#231;&#245;es porque outros fatores de risco consistentemente descritos em estudos progn&#243;sticos pr&#233;vios <sup>3,4</sup> n&#227;o emergiram como preditores de mortalidade - como idade, hiponatremia e fun&#231;&#227;o ventricular - tamb&#233;m merecem considera&#231;&#227;o. Embora a sele&#231;&#227;o de pacientes com in&#237;cio recente dos sintomas possa explicar em parte a aus&#234;ncia de associa&#231;&#227;o destas caracter&#237;sticas cl&#237;nicas, deve-se considerar que o n&#250;mero relativamente pequeno de pacientes pode ter conferido poder estat&#237;stico limitado ao presente estudo. Em especial, causa surpresa que fra&#231;&#227;o de eje&#231;&#227;o de ventr&#237;culo esquerdo n&#227;o tenha se mantido no modelo final de predi&#231;&#227;o de risco, uma vez que par&#226;metros de fun&#231;&#227;o ventricular sist&#243;lica s&#227;o sistematicamente relatados - de fato, quase de forma un&#226;nime - como preditores independentes em estudos progn&#243;sticos em IC <sup>3,4</sup>. </p>
    <p>Existe consenso entre os pesquisadores que o estudo de informa&#231;&#245;es progn&#243;sticas na IC &#233; essencial, n&#227;o s&#243; pelas potenciais implica&#231;&#245;es terap&#234;uticas, mas tamb&#233;m pela necessidade de informarmos de forma aberta, construtiva e clara aos nossos pacientes os riscos de sua doen&#231;a. Se os m&#233;dicos falharem nesta tarefa, estar&#227;o negando aos seus doentes a oportunidade de realizarem escolhas melhor embasadas sobre seu tratamento. Uma avalia&#231;&#227;o progn&#243;stica imprecisa pode implicar em decis&#245;es terap&#234;uticas distorcidas, umas vez que pacientes necessitam de um entendimento detalhado do seu progn&#243;stico para mudar suas prefer&#234;ncias de tratamento <sup>13</sup>. Em particular, a escolha entre "qualidade de vida" e "quantidade de vida" &#233; aspecto relevante no estabelecimento de estrat&#233;gias terap&#234;uticas individualizadas e que necessita ampla e detalhada discuss&#227;o de informa&#231;&#245;es progn&#243;sticas. Desta forma, a iniciativa dos investigadores do presente estudo precisa ser grandemente congratulada, pois carecemos de dados robustos e confi&#225;veis sobre a epidemiologia da IC no Brasil. Tamb&#233;m parece imperativo que pesquisadores brasileiros desenvolvam uma rede colaborativa, isenta e multi-institucional de coleta de dados para a realiza&#231;&#227;o de avalia&#231;&#245;es representativas e precisas da epidemiologia da IC no Brasil. </p>
    <p>
      <bold>Refer&#234;ncias</bold>
    </p>
    <p>1. American Heart Association. 2005 Heart Disease and Stroke Statistical update. Dispon&#237;vel no endere&#231;o eletr&#244;nico: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.americanheart.org/statistics">http://www.americanheart.org/statistics</ext-link>. Accesso em 02/02/2005. </p>
    <p>2. Rohde LE, Clausell N, Ribeiro JP et al. Health Outcomes in Decompensated Congestive Heart Failure: A Comparison of Tertiary Hospitals in Brazil and United States. Intern J Cardiol 2005 (no prelo). Publicado on line em 26/08/2004. Dispon&#237;vel no endere&#231;o eletr&#244;nico: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.sciencedirect.com/science/journal/01675273">http://www.sciencedirect.com/science/journal/01675273</ext-link>. </p>
    <p>3. Villacorta H, Mesquita ET. Fatores progn&#243;sticos em portadores de insufici&#234;ncia card&#237;aca congestiva. Arq Bras Cardiol 1999;72: 343-52. </p>
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    <p>
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        <label>
          <bold>Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</bold>
        </label>
        <p> Luis E. Rohde </p>
        <p> Hospital de Cl&#237;nicas de Porto Alegre - Servi&#231;o de Cardiologia </p>
        <p> Rua Ramiro Barcelos, 2350 - S/ 2060 </p>
        <p> Cep 90003-035 - Porto Alegre, RS </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="lerhode@terra.com.br">lerhode@terra.com.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
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