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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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        <article-title>Fatores de risco cardiovascular no Brasil: os pr&#243;ximos 50 anos!</article-title>
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            <surname>Polanczyk</surname>
            <given-names>Carisi Anne</given-names>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio Grande do Sul</institution>
        <institution content-type="orgdiv1">Hospital de Cl&#237;nicas de Porto Alegre </institution>
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        <month>03</month>
        <year>2005</year>
      </pub-date>
      <volume>84</volume>
      <issue>3</issue>
      <fpage>199</fpage>
      <lpage>201</lpage>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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    <p>
      <bold>EDITORIAL</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Fatores de risco cardiovascular no Brasil: os pr&#243;ximos 50 anos! </bold>
    </p>
    <p>Carisi Anne Polanczyk </p>
    <p> Porto Alegre, RS</p>
    <p>Hospital de Cl&#237;nicas de Porto Alegre - UFRGS</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="end">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p> H&#225; mais de 55 anos, uma cidade dos Estados Unidos, Framingham em Massachusetts, foi selecionada pelo governo americano para ser o local de um estudo cardiovascular. Foram inicialmente recrutados 5.209 residentes saud&#225;veis entre 30-60 anos de idade para uma avalia&#231;&#227;o cl&#237;nica e laboratorial extensiva. Desde ent&#227;o a cada 2-4 anos, esta popula&#231;&#227;o e, atualmente as gera&#231;&#245;es descendentes, &#233; reavaliada cuidadosamente e acompanhado em rela&#231;&#227;o ao desenvolvimento de doen&#231;a card&#237;aca. O consagrado estudo de Framingham foi uma das primeiras coortes onde foi demonstrando a import&#226;ncia de alguns fatores de risco para o desenvolvimento de doen&#231;a card&#237;aca e cerebrovascular <sup>1</sup>. Parece inconceb&#237;vel, mas antes do Framingham, a maioria dos m&#233;dicos acreditava que aterosclerose era um processo de envelhecimento inevit&#225;vel, a hipertens&#227;o arterial um resultante fisiol&#243;gico deste processo que auxiliava o cora&#231;&#227;o a bombear o sangue pelas art&#233;rias com l&#250;men reduzido. Foram mais de 1.000 publica&#231;&#245;es somente nesta coorte de paciente e milhares de outras que nos levaram, ao longo das &#250;ltimas d&#233;cadas, para um entendimento detalhado e aprofundado das caracter&#237;sticas individuais e ambientais relacionadas com maior probabilidade de doen&#231;a card&#237;aca <sup>2</sup>. Estudos estes que confirmaram a import&#226;ncia do tabagismo, n&#237;veis elevados de colesterol LDL, baixos de HDL, diabete melito, hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica, hist&#243;ria familiar, obesidade, sedentarismo, obesidade central, s&#237;ndrome plurimetab&#243;lica e ingesta de &#225;lcool como fatores fortemente relacionados com aterosclerose e suas manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas. </p>
    <p>Ap&#243;s estas centenas de observa&#231;&#245;es, podemos explorar duas quest&#245;es chaves. Em primeiro lugar, se h&#225; novas descobertas na &#225;rea, novos estudos elucidando o papel de fatores de risco ou continua tudo igual. Segundo, se existe algum indicativo que a epidemiologia da doen&#231;a cardiovascular e seus fatores determinantes s&#227;o diferentes no Brasil em rela&#231;&#227;o a outros pa&#237;ses do mundo. Recentemente, tivemos novas evid&#234;ncias na &#225;rea que merecem uma discuss&#227;o. </p>
    <p>O estudo INTERHEART foi um estudo de caso-controle internacional, delineado para avaliar de forma sistematizada a import&#226;ncia de fatores de risco para doen&#231;a arterial coronariana ao redor do mundo. Foram 262 centros em 52 pa&#237;ses dos 5 continentes, onde pacientes com infarto agudo do mioc&#225;rdio (IAM) nas primeiras 24 horas foram pareados (idade e sexo) para controles hospitalares e comunit&#225;rios <sup>3</sup>. Nesta avalia&#231;&#227;o, nove fatores de risco explicaram mais de 90% do risco atribu&#237;vel para IAM. De modo surpreendente tabagismo e dislipidemia (aferida pela rela&#231;&#227;o ApoB/ApoA1) compreenderam mais de dois ter&#231;os deste risco. Fatores psicossociais, obesidade central, diabetes, hipertens&#227;o foram tamb&#233;m significativamente associados, embora com algumas diferen&#231;as relativas nas diferentes regi&#245;es estudadas. Dados contempor&#226;neos que confirmaram os fatores de risco tradicionais, previamente estabelecidos, em todas regi&#245;es do mundo e todos grupos &#233;tnicos. </p>
    <p>O estudo de Avezum e cols., publicado neste fasc&#237;culo dos <italic>Arquivos</italic>, tamb&#233;m teve os objetivos e metodologia muito semelhante ao INTERHEART <sup>4</sup>. Os achados dos autores confirmam a import&#226;ncia dos fatores de risco tradicionais (tabagismo, hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica, diabete melito, obesidade central, n&#237;veis de LDL e HDL colesterol, hist&#243;ria familiar coronariana) na associa&#231;&#227;o com IAM. Em outra avalia&#231;&#227;o publicada pelos mesmos autores, no estudo AFIRMAR, desenvolvido em 104 hospitais de 51 cidades no Brasil, os achados foram praticamente id&#234;nticos <sup>5</sup>. Atrav&#233;s destes dados, temos as evid&#234;ncias que a predisposi&#231;&#227;o para doen&#231;a ateroscler&#243;tica nos Brasil &#233; muito semelhante &#224;quela observada em pa&#237;ses da Europa e Am&#233;rica do Norte. </p>
    <p>Com oportunidade &#250;nica, podemos comparar diretamente os resultados obtidos na popula&#231;&#227;o de S&#227;o Paulo com aqueles avaliados ao redor do mundo. Um dos aspectos interessantes a ser analisado &#233; o impacto relativo de cada fator de risco na ocorr&#234;ncia do desfecho. Conforme relatado pelos autores, o tabagismo, obesidade central, hipertens&#227;o arterial e perfil lip&#237;deo, fatores potencialmente control&#225;veis, foram importantes detentores de risco nesta amostra da popula&#231;&#227;o brasileira. Infelizmente no estudo de S&#227;o Paulo n&#227;o est&#227;o descritas as preval&#234;ncias dos fatores de risco no grupo de casos e controles, para uma melhor estimativa do perfil da popula&#231;&#227;o inclu&#237;da. Tabagismo foi um dos principais preditores de risco, com preval&#234;ncia quase 6 vezes maior nos casos que nos controles, um impacto muito maior que no INTERHEART, onde a raz&#227;o de chances (RC) foi de 2,9 vezes. No INTERHEART, 26,8% dos controles eram tabagistas versos 45% dos casos. Dados do estudo AFIRMAR em 104 hospitais brasileiros, demonstraram risco pr&#243;ximo a 4 com a presen&#231;a de tabagismo ativo (<underline>&gt;</underline> 5 cigarros/dia). Na medida que todos estes estudos avaliaram casos de IAM, parte da diferen&#231;a com o trabalho de Avezum e cols. pode ter ocorrida pela sele&#231;&#227;o dos casos e/ou controles com preval&#234;ncias diferentes de tabagismo. Al&#233;m de existir a possibilidade do acaso na associa&#231;&#227;o, pois o intervalo de confian&#231;a abrange as estimativas dos outros trabalhos. </p>
    <p>A hist&#243;ria familiar tamb&#233;m conferiu uma chance maior de IAM no estudo de S&#227;o Paulo (RC 2,33) que no INTERHEART (RC 1,5). Na medida que o estudo internacional inclui outros fatores relacionados com estilo de vida, fatores ambientais e psicol&#243;gicos, parte do risco relacionado &#224; hist&#243;ria familiar pode ser atribu&#237;da a estes outros fatores e caracter&#237;sticas gen&#233;ticas ao inv&#233;s de um mecanismo pr&#243;prio independente. Todos os demais fatores de risco identificados s&#227;o em sua magnitude semelhante a outras estimativas epidemiol&#243;gicas. Hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica, diabete melito, obesidade central e perfil lip&#237;dico, cada um contribuiu para um aumento de duas a tr&#234;s vezes nas chances de infarto do mioc&#225;rdio. </p>
    <p>Entretanto, &#233; importante discorrer sobre o que o estudo n&#227;o mostrou. Alguns fatores tradicionais avaliados n&#227;o foram significativos, como ingesta de &#225;lcool, atividade f&#237;sica e caracter&#237;sticas s&#243;cio-demogr&#225;ficas. Conforme apontado pelos autores, parte da aus&#234;ncia de associa&#231;&#227;o observada pode ser devida ao baixo poder estat&#237;stico em um modelo com vari&#225;veis certamente correlacionadas. Embora os autores estimaram o tamanho da amostra para detectar risco superior a 2, estes c&#225;lculos s&#227;o baseados em analises univariadas e &#233; muito dif&#237;cil contemplar todo potencial confundimento e co-linearidade das vari&#225;veis. Ingesta moderada de &#225;lcool tem se mostrado protetora para eventos cardiovasculares e o INTERHEART apontou para uma redu&#231;&#227;o de risco de 10%, de modo semelhante &#224; pr&#225;tica de atividade f&#237;sica regular. No estudo AFIRMAR a prote&#231;&#227;o conferida pelo &#225;lcool moderado foi maior, de 40% em rela&#231;&#227;o a n&#227;o ingesta. </p>
    <p>Caracter&#237;sticas s&#243;cio-demogr&#225;ficas, renda familiar, n&#237;vel de escolaridade, t&#234;m sido relacionados ao desenvolvimento de doen&#231;a cardiovascular. &#201; conhecido que os fatores de risco tendem a ocorrer com maior freq&#252;&#234;ncia e maior n&#250;mero em popula&#231;&#245;es com menor poder econ&#244;mico e cultural <sup>6</sup>. Mesmo em pa&#237;ses desenvolvidos estas associa&#231;&#245;es s&#227;o relatadas. Dados recentes de um estudo americano demonstraram que presen&#231;a de 2 ou mais fatores de risco s&#227;o mais freq&#252;entes entre aqueles com baixa escolaridade (53%) em compara&#231;&#227;o com aqueles com curso superior (26%) <sup>7</sup>. O mesmo tamb&#233;m relatado em amostras populacionais brasileiras <sup>8-10</sup>. No estudo AFIRMAR, renda elevada e forma&#231;&#227;o superior conferiu prote&#231;&#227;o. Cabe ressaltar, conforme elegantemente apontado por Avezum e cols., que estudos do tipo caso-controle s&#227;o muito sujeitos a vieses e, de um modo geral, a sua interpreta&#231;&#227;o deve ser conduzida com cautela.</p>
    <p>
      <bold>Aplicabilidade dos resultados na pr&#225;tica</bold>
    </p>
    <p>O surpreendente no cen&#225;rio das doen&#231;as cardiovasculares &#233; o quanto conseguimos avan&#231;ar no entendimento de todo espectro das doen&#231;as: mecan&#237;stico, fisiopatol&#243;gico, diagn&#243;stico, progn&#243;stico e terap&#234;utico, com alicerce s&#243;lido nos fundamentos da medicina baseada em evid&#234;ncia. A preocupa&#231;&#227;o &#233; o quanto estamos realmente traduzindo esta informa&#231;&#227;o para melhorar a sa&#250;de da popula&#231;&#227;o. Felizmente ap&#243;s 5 d&#233;cadas de entendimento dos fatores relacionados a g&#234;nese das doen&#231;as do cora&#231;&#227;o, tem sido observado ao redor do mundo um melhor controle dos fatores de risco e uma redu&#231;&#227;o dos coeficientes de mortalidade. Dados de Framingham mostraram uma redu&#231;&#227;o de 59% na mortalidade por doen&#231;a coronariana no per&#237;odo de 1950 a 1999 <sup>11</sup>. No Brasil, os resultados ainda s&#227;o muito dispares, algumas regi&#245;es com uma tend&#234;ncia para redu&#231;&#227;o nos coeficientes de mortalidade por doen&#231;a isqu&#234;mica e cerebrovascular, enquanto outras apresentam &#237;ndices em franca ascens&#227;o <sup>12</sup>. Pol&#237;ticas de sa&#250;de baseadas nestas evid&#234;ncias devem ser consolidadas e implementadas. V&#225;rias iniciativas do Minist&#233;rio da Sa&#250;de foram adotadas para reduzir o impacto das doen&#231;as n&#227;o-transmiss&#237;veis na popula&#231;&#227;o brasileira. Desde o rastreamento de diabete melito em n&#237;vel nacional, implementa&#231;&#227;o de campanhas sobre hipertens&#227;o arterial sist&#234;mica, aplica&#231;&#227;o de protocolos para manejo agressivo da dislipidemia em coronariopatas, entre outros. Precisamos agora trazer estas iniciativas de modo permanente e continuado, ao inv&#233;s de espasmos, e n&#227;o somente para alguns por algum tempo, mas para todos o tempo todo. Devemos ser cr&#237;ticos e reconhecer que o que vem sendo feito n&#227;o &#233; suficiente para eliminarmos a fra&#231;&#227;o de doen&#231;a potencialmente previn&#237;veis. Se medidas de preven&#231;&#227;o prim&#225;ria e secund&#225;ria forem adotadas de modo mais en&#233;rgico, tudo indica que a epidemiologia das doen&#231;as cardiovasculares pode ser modificada drasticamente nos pr&#243;ximos 50 anos, depende de n&#243;s cl&#237;nicos e gestores.</p>
    <p>
      <bold>Pesquisas futuras</bold>
    </p>
    <p>Se por um lado &#233; muito bom, contarmos com a contribui&#231;&#227;o original de Avezum e cols. &#233; importante reconhecermos que precisamos dar v&#225;rios passos a frente. Enquanto fatores de risco tradicionais est&#227;o sendo confirmados na nossa popula&#231;&#227;o, pesquisas aprofundando este detalhamento est&#227;o sendo conduzidas ao redor do mundo. Atualmente, pesquisadores est&#227;o buscando as bases moleculares das doen&#231;as, novos fatores de risco e o seu papel no desenvolvimento da doen&#231;a card&#237;aca, com &#234;nfase na identifica&#231;&#227;o de aterosclerose subcl&#237;nica. Estudos epidemiol&#243;gico-cl&#237;nicos est&#227;o a procura de altera&#231;&#245;es gen&#233;ticas respons&#225;veis por hipertens&#227;o arterial e dislipidemias, entre outras condi&#231;&#245;es. Novos marcadores neuro-humorais e inflamat&#243;rios t&#234;m sido descritos e parecem tamb&#233;m estar fortemente relacionados com vari&#225;veis comportamentais, como estilo de vida e caracter&#237;sticas s&#243;cio-demogr&#225;ficas. Estas informa&#231;&#245;es t&#234;m sido utilizadas para estabelecer escores de predi&#231;&#227;o cl&#237;nica para identificar individualmente pessoas com maior risco para eventos. Enfim, s&#227;o in&#250;meras as frentes de pesquisas internacionais sobre risco cardiovascular. O fomento a pesquisa cl&#237;nico-epidemiol&#243;gico no Brasil deve entender este cen&#225;rio, para que dados obtidos na nossa popula&#231;&#227;o fa&#231;am parte das descobertas, pois n&#227;o podemos ficar mais 50 anos atr&#225;s!</p>
    <p>
      <bold>Refer&#234;ncias</bold>
    </p>
    <p> 1. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.framingham.com/heart/backgrnd.htm">http://www.framingham.com/heart/backgrnd.htm</ext-link>, acessado em 13/2/2006. </p>
    <p>2. Kannel WB. Lessons from curbing the coronary artery disease epidemic for confronting the impending epidemic of heart failure. Med Clin North Am 2004; 88: 1129-33. </p>
    <p>3. Yusuf S, Hawken S, Ounpuu S et al. INTERHEART Study Investigators. Effect of potentially modifiable risk factors associated with myocardial infarction in 52 countries (the INTERHEART study): case-control study. Lancet 2004; 364: 937-52. </p>
    <p>4. Avezum A, Piegas LS, Pereira JC. Fatores de risco associados com infarto agudo do mioc&#225;rdio na regi&#227;o metropolitana de S&#227;o Paulo. Uma regi&#227;o desenvolvida em um pa&#237;s em desenvolvimento. Arq Bras Cardiol 2005; 84: 206-213. </p>
    <p>5. Piegas LS, Avezum A, Pereira JC et al. AFIRMAR Study Investigators. Risk factors for myocardial infarction in Brazil. Am Heart J 2003; 146: 331-8. </p>
    <p>6. Duncan BB, Schmidt MI, Polanczyk CA, Menegue S. Altas taxas de mortalidade por doen&#231;as n&#227;o transmiss&#237;veis em popula&#231;&#245;es brasileiras - uma compara&#231;&#227;o internacional. Rev Ass M&#233;dica Brasileira 1992; 38: 138-44. </p>
    <p>7. CDC. Racial/ Ethnic and Socioeconomic disparities in multiple risk factors for heart disease and stroke &#150; United Sates, 2003. MMWR 2005; 54: 113-117. </p>
    <p>8. Duncan BB, Schmidt MI, Achutti AC, Polanczyk CA, Benia LR, Maia AAG. Socioeconomic Distribution Of Non-Communicable Disease Risk Factors In Urban Brazil - The Case Of Porto Alegre. Bulletin Of The Panamerican Health Organization 1993; 27: 337-49. </p>
    <p>9. Polanczyk CC, Duncan BB, Schmidt MI, Homrich R, Achutti AC. Fatores de risco para doen&#231;as n&#227;o transmiss&#237;veis em &#225;rea metropolitana na regi&#227;o Sul do Brasil. Preval&#234;ncia e simultaneidade. Rev Sa&#250;de P&#250;blica de S&#227;o Paulo 1993; 27: 143-8. </p>
    <p>10. Lessa I, Ara&#250;jo MJ, Magalh&#227;es L, Almeida Flho N, Aquino E, Costa MC. Clustering of modifiable cardiovascular risk factors in adults living in Salvador (BA), Brazil. Rev Panam Salud Publica 2004; 16: 131-7. </p>
    <p>11. Fox CS, Evans JC, Larson MG, Kannel WB, Levy D. Temporal trends in coronary heart disease mortality and sudden cardiac death from 1950 to 1999: the Framingham Heart Study. Circulation 2004 Aug 3; 110: 522-7. </p>
    <p>12. Mansur AP, Souza MF, Timerman A, Ramires JA. Trends of the risk of death due to circulatory, cerebrovascular and ischemic heart disease in 11 Brazilian capitals from 1980 to 1990? Arq Bras Cardiol 2002; 79: 269-84.</p>
    <p>
      <fn id="end" fn-type="corresp">
        <p>Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</p>
        <p>Car&#237;si A. Polanczyk </p>
        <p> Hospital de Cl&#237;nicas de Porto Alegre </p>
        <p> Rua Ramiro Barcelos, 2350 - S/ 2225 </p>
        <p> Cep 90035-007 - Porto Alegre, RS </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p><email xlink:href="cpolanczyk@hcpa.ufrgs.br">cpolanczyk@hcpa.ufrgs.br</email>; </p>
        <p>
          <email xlink:href="carisi@hmv.org.br">carisi@hmv.org.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
  </body>
  <sub-article article-type="translation" id="TRen" xml:lang="en">
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          <subject>Editorial</subject>
        </subj-group>
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        <article-title xml:lang="en">Cardiovascular risk factors in Brazil: the next 50 years!</article-title>
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      <p>
        <bold> EDITORIAL</bold>
      </p>
      <p>
        <bold>Cardiovascular risk factors in Brazil: the next 50 years!</bold>
      </p>
      <p>Carisi Anne Polanczyk</p>
      <p> Porto Alegre, RS - Brazil</p>
      <p>Hospital de Cl&#237;nicas de Porto Alegre - UFRGS </p>
      <p>
        <xref ref-type="corresp" rid="end-body2">Correspondence</xref>
      </p>
      <p> More than 55 years ago, one North American city, Framingham, in the state of Massachusetts, was selected by the North American government to be the site of a cardiovascular study. Initially, 5,209 healthy residents aged between 30 and 60 years were recruited for an extensive clinical and laboratory assessment. Since then, every 2-4 years, that population and their descendant generations have been carefully reassessed and followed up in regard to the development of cardiac disease. The well-known Framingham study was one of the first cohort studies to demonstrate the importance of some risk factors for the development of cardiac and cerebrovascular diseases <sup>1</sup>. It may seem inconceivable, but before the Framingham study, most physicians believed that atherosclerosis was an unavoidable aging process and that arterial hypertension was a physiological result of such process that aided the heart to pump blood through the arteries with reduced lumen. More than one thousand publications resulting only from that cohort of patients and thousands of others have led us, over the past decades, to a detailed and in-depth understanding of the individual and environmental characteristics related to the greater probability of developing cardiac disease <sup>2</sup>. Such studies have confirmed the importance of the following factors as strongly related to atherosclerosis and its clinical manifestations: smoking, elevated levels of LDL-cholesterol, low levels of HDL-cholesterol, diabetes mellitus, systemic arterial hypertension, familial history, obesity, sedentary life style, central obesity, plurimetabolic syndrome, and alcohol ingestion. </p>
      <p>After all these considerations, 2 major questions are yet to be answered. First, do new discoveries and new studies elucidating the role played by the risk factors exist in the area, or does everything continue the same? Second, is there any indication that the epidemiology of cardiovascular disease and its determining factors are different in Brazil as compared with those in other countries? Recently, new evidence has appeared and deserves to be discussed. </p>
      <p>The INTERHEART study <sup>3 </sup>was an international case-control study designed to systematically assess the importance of the risk factors for coronary artery disease around the world. The study comprised 262 centers in 52 countries of the 5 continents, where patients with acute myocardial infarction (AMI) in the first 24 hours were paired (age and sex) with hospital and community controls. In that assessment, 9 risk factors explained more than 90% of the risk attributed to AMI. Surprisingly, smoking and dyslipidemia (measured through the ApoB/ApoA1 ratio) accounted for more than two thirds of that risk. Psychosocial factors, central obesity, diabetes, and hypertension were also significantly associated, although with some relative differences in the different regions studied. The contemporary data confirmed the traditional risk factors previously established in all regions of the world and all ethnic groups. </p>
      <p>The study by Avezum et al <sup>4</sup>, published in this volume of the <italic>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</italic>, also had objectives and methodology very similar to those of the INTERHEART study. The findings of those authors confirmed the importance of the traditional risk factors (smoking, systemic arterial hypertension, diabetes mellitus, central obesity, LDL- and HDL-cholesterol levels, familial history of coronary disease) in their association with AMI. In another assessment reported by the same authors in the AFIRMAR study <sup>5</sup> carried out in 104 hospitals of 51 Brazilian cities, the findings were practically identical, evidencing that the predisposition to atherosclerotic disease in Brazil is very similar to that observed in European and North American countries. </p>
      <p>In a unique opportunity, the results obtained in the population of S&#227;o Paulo could be directly compared with those obtained throughout the world. The relative impact of each risk factor on the outcome is worth analyzing. According to the authors' report, smoking, central obesity, arterial hypertension, and lipid profile, which are potentially controllable factors, were important indicators of risk in that sample of the Brazilian population. Unfortunately, the study from S&#227;o Paulo has not reported the prevalences of risk factors in the case and control groups for a better estimate of the profile of the population included. Smoking was one of the major risk predictors, with an almost 6 times greater prevalence in the case group than that in the control group, a much higher impact than that reported in the INTERHEART study, in which the odds ratio (OR) was 2.9 times. In the INTERHEART study, 26.8% of the controls were smokers as compared with 45% of the cases. Data of the AFIRMAR study <sup>5</sup> carried out in 104 Brazilian hospitals have shown a risk nearing 4 in the presence of active smoking (&#179; 5 cigarettes/day). Considering that all those studies assessed AMI cases, part of the difference from the study by Avezum et al may have occurred because of the selection of cases or controls, or both, with different prevalences of smoking. In addition, the possibility of chance association exists, because the confidence interval encompasses the estimates of other studies. </p>
      <p>A positive familial history also contributed to a greater chance of experiencing AMI in the study from S&#227;o Paulo (OR - 2.33) than that in the INTERHEART study (OR=1.5). As the international study includes other factors related to life style, and environmental and psychological factors, part of the risk related to the familial history may be attributed to those other factors and genetic characteristics instead of to an independent self mechanism. All remaining risk factors identified are similar in their magnitude to other epidemiological estimates. Systemic arterial hypertension, diabetes mellitus, central obesity, and lipid profile contributed to a 2- to 3-fold increase in the chances of myocardial infarction. </p>
      <p>However, it is important to discuss that which the study did not show. Some traditional factors assessed were not significant, such as alcohol ingestion, physical activity, and sociodemographic characteristics. As already reported by some authors, part of the lack of association observed may have been due to the low statistical power in a model with certainly correlated variables. Although the authors estimated the size of the sample to detect a risk greater than 2, those calculations were based on univariate analyses, and all the potential confounding and co-linearity of the variables are very difficult to contemplate. Moderate alcohol ingestion has shown to be protective against cardiovascular events, and the INTERHEART study reported a 10%-reduction in risk, similarly to that of the regular physical activity practice. In the AFIRMAR study, the protection provided by moderate alcohol ingestion was greater, 40% as compared with that of noningestion. </p>
      <p>Sociodemographic characteristics, familial income, and educational level have been related to the development of cardiovascular disease. The risk factors are known to occur more frequently and in greater numbers in populations with lower economic and cultural levels <sup>6</sup>. Even in developed countries, those associations have been reported. A recent North American study <sup>7 </sup>has shown that the presence of 2 or more risk factors is more frequent among those with low educational level (53%) as compared with those with university educational level (26%). The same has been reported in Brazilian population samples <sup>8-10</sup>. In the AFIRMAR study, an elevated income and university educational level provided protection. It is worth emphasizing that, according to the elegant report by Avezum et al <sup>4</sup>, studies of the case-control type are extremely subject to bias and should usually be carefully interpreted.</p>
      <p>
        <bold>Applicability of the results in the practice</bold>
      </p>
      <p>The surprising element within the scenario of cardiovascular diseases is how much we have been able to advance in understanding the entire spectrum of cardiovascular diseases, including their mechanism, pathophysiology, diagnosis, prognosis, and therapy, with solid bases in the fundaments of evidence-based medicine. Our concern is to which extent we have been able to translate such information into improvement in the health of the population. Fortunately, after 5 decades of understanding the factors related to the genesis of heart diseases, a better control of the risk factors has been observed throughout the world, as well as a reduction in the coefficients of mortality. Data from Framingham have shown a 59%-reduction in the mortality rate due to coronary artery disease in the 1950 to 1999 period <sup>11</sup>. In Brazil, the results are still very uneven; some regions show a tendency towards reducing the coefficients of mortality due to ischemic and cerebrovascular diseases, while others show increasing indices <sup>12</sup>. Health policies based on such evidence should be consolidated and implemented. Several initiatives of the Brazilian Health Ministry, such as the screening of diabetes mellitus within the national scope, implementation of campaigns about systemic arterial hypertension, and application of protocols for the aggressive management of dyslipidemia in patients with coronary artery disease, have been adopted to reduce the impact of non-transmissible diseases in the Brazilian population. Those initiatives should be taken in a permanent and continuous way, not spastically. They should be taken not only for a few individuals and a short period of time, but for everybody at all times. We should be critical and recognize that what has been done is not sufficient to eliminate the fraction of potentially preventable disease. If primary and secondary preventive measures were more energetically adopted, the epidemiology of cardiovascular diseases may be drastically modified in the next 50 years, it depends on us, clinicians and managers.</p>
      <p>
        <bold>Future research</bold>
      </p>
      <p>If on the one hand it is very good to count on the original contribution of Avezum et al, on the other it is important to recognize that we need to move ahead. While traditional risk factors have been confirmed in our population, in-depth research is being carried out around the world. Currently, researchers are looking for the molecular bases of diseases, new risk factors and their role in the development of heart disease, with emphasis on the identification of subclinical atherosclerosis. Clinical and epidemiological studies have been looking for genetic alterations responsible for some conditions, such as arterial hypertension and dyslipidemias. New neurohumoral and inflammatory markers have been described and seem to be strongly related to behavioral variables, such as life style and sociodemographic characteristics. This information has been used to establish clinical predictive scores to individually identify people at higher risk for events. Finally, the international research groups on cardiovascular risk are innumerable. In Brazil, the agencies fostering clinical and epidemiological research should understand that scenario, so that data obtained in our population may be part of the discoveries. We can no longer be 50 years behind!</p>
      <p>
        <bold>Refer&#234;ncias</bold>
      </p>
      <p> 1. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.framingham.com/heart/backgrnd.htm">http://www.framingham.com/heart/backgrnd.htm</ext-link>, acessado em 13/2/2006. </p>
      <p>2. Kannel WB. Lessons from curbing the coronary artery disease epidemic for confronting the impending epidemic of heart failure. Med Clin North Am 2004; 88: 1129-33. </p>
      <p>3. Yusuf S, Hawken S, Ounpuu S et al. INTERHEART Study Investigators. Effect of potentially modifiable risk factors associated with myocardial infarction in 52 countries (the INTERHEART study): case-control study. Lancet 2004; 364: 937-52. </p>
      <p>4. Avezum A, Piegas LS, Pereira JC. Fatores de risco associados com infarto agudo do mioc&#225;rdio na regi&#227;o metropolitana de S&#227;o Paulo. Uma regi&#227;o desenvolvida em um pa&#237;s em desenvolvimento. Arq Bras Cardiol 2005; 84: 206-213. </p>
      <p>5. Piegas LS, Avezum A, Pereira JC et al. AFIRMAR Study Investigators. Risk factors for myocardial infarction in Brazil. Am Heart J 2003; 146: 331-8. </p>
      <p>6. Duncan BB, Schmidt MI, Polanczyk CA, Menegue S. Altas taxas de mortalidade por doen&#231;as n&#227;o transmiss&#237;veis em popula&#231;&#245;es brasileiras - uma compara&#231;&#227;o internacional. Rev Ass M&#233;dica Brasileira 1992; 38: 138-44. </p>
      <p>7. CDC. Racial/ Ethnic and Socioeconomic disparities in multiple risk factors for heart disease and stroke &#150; United Sates, 2003. MMWR 2005; 54: 113-117. </p>
      <p>8. Duncan BB, Schmidt MI, Achutti AC, Polanczyk CA, Benia LR, Maia AAG. Socioeconomic Distribution Of Non-Communicable Disease Risk Factors In Urban Brazil - The Case Of Porto Alegre. Bulletin Of The Panamerican Health Organization 1993; 27: 337-49. </p>
      <p>9. Polanczyk CC, Duncan BB, Schmidt MI, Homrich R, Achutti AC. Fatores de risco para doen&#231;as n&#227;o transmiss&#237;veis em &#225;rea metropolitana na regi&#227;o Sul do Brasil. Preval&#234;ncia e simultaneidade. Rev Sa&#250;de P&#250;blica de S&#227;o Paulo 1993; 27: 143-8. </p>
      <p>10. Lessa I, Ara&#250;jo MJ, Magalh&#227;es L, Almeida Flho N, Aquino E, Costa MC. Clustering of modifiable cardiovascular risk factors in adults living in Salvador (BA), Brazil. Rev Panam Salud Publica 2004; 16: 131-7. </p>
      <p>11. Fox CS, Evans JC, Larson MG, Kannel WB, Levy D. Temporal trends in coronary heart disease mortality and sudden cardiac death from 1950 to 1999: the Framingham Heart Study. Circulation 2004 Aug 3; 110: 522-7. </p>
      <p>12. Mansur AP, Souza MF, Timerman A, Ramires JA. Trends of the risk of death due to circulatory, cerebrovascular and ischemic heart disease in 11 Brazilian capitals from 1980 to 1990? Arq Bras Cardiol 2002; 79: 269-84.</p>
      <p>
        <fn id="end-body2" fn-type="corresp">
          <label>
            <bold>Correspondence to</bold>
          </label>
          <p> Car&#237;si A. Polanczyk </p>
          <p> Hospital de Cl&#237;nicas de Porto Alegre </p>
          <p> Rua Ramiro Barcelos, 2350 - S/ 2225 - Cep 90035-007</p>
          <p> Porto Alegre, RS, Brazil</p>
          <p> E-mail: </p>
          <p><email xlink:href="cpolanczyk@hcpa.ufrgs.br">cpolanczyk@hcpa.ufrgs.br</email>; </p>
          <p>
            <email xlink:href="carisi@hmv.org.br">carisi@hmv.org.br</email>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>English version by Stela Maris Costalonga</p>
    </body>
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